Preâmbulo da Proposta de Orçamento e Grandes Opções do Plano de 2013
A elaboração e aprovação dos documentos previsionais do Município de Setúbal para o ano de 2013, surge numa conjuntura económico-financeira instável e de grande pressão financeira para os Municípios que gerem dinheiros públicos e para as famílias.
Atente-se que as medidas já anunciadas no âmbito da proposta de Orçamento de Estado para 2013, terão um impacto significativo na estrutura da receita e despesa do Município de Setúbal nos seguintes termos:
1. Manutenção da receita proveniente do Orçamento Estado - Fundos municipais;
Em 2013 a CMS irá receber a mesma verba de fundos prevista no Orçamento de Estado para 2012, isto é, a quantia de 11 milhões 546 mil euros.
2. Aumento das taxas do IMI e a reavaliação dos imóveis
O aumento das taxas de IMI de 0,4% para 0,5% para os prédios que já foram avaliados no âmbito do CIMI e de 0,7% para 0,8% para os restantes poderá ser uma medida para reforçar a sustentabilidade financeira do Município, que se estima em cerca de 2 milhões de euros de receita, ainda não contabilizada no orçamento municipal.
Porém, face à conjuntura económica atual prevê-se que exista um incumprimento no pagamento pelos munícipes do IMI face ao aumento das taxas estimado em estudos na ordem de 25% para os que irão ser avaliados pela primeira vez no âmbito do CIMI. Atente-se ainda, que consta no Orçamento de Estado para 2013 a afetação desta verba, em primeiro plano, ao abate da dívida bancária ou à criação de uma conta remunerada a prazo em detrimento do pagamento da dívida de curto prazo, o que mais uma vez nos parece desadequado, dado que a dívida bancária possui um plano de amortização com penalizações sobre a antecipação do pagamento do capital em dívida.
3. Manutenção do pagamento do IVA na eletricidade e no gás de 23%
A manutenção do iva em 23% nas referidas prestações de serviço implica para o ano de 2013, um acréscimo de custo de 415 mil euros, sendo que 405 mil euros respeitam à eletricidade e 10 mil euros para o gás.
Acresce a esta situação, a cobrança da contribuição para o audiovisual na iluminação pública, semáforos, contadores de rega de jardim publico, casas de banho públicas,
entre outras, que corresponde a 2,25 euros/por mês por contrato, acrescido do iva a 6%, somando o valor de 8 mil euros/ano com iva incluído.
4. Medidas na área da redução de despesa com pessoal
Na proposta do Orçamento de Estado para 2013 estão formuladas um conjunto de medidas que visam diminuir o montante da despesa de pessoal no Município, como sejam:
a manutenção do congelamento das progressões e promoções dos funcionários e do reposicionamento obrigatório, em sentido contrário ao definido em legislação aprovada pelo Governo (vulgo, SIADAP) que pretende valorizar o desempenho de muito bom e excelente dos funcionários (art. 33º da LOE); a redução dos vencimentos dos funcionários e agentes do Estado entre 5 a 10%
da remuneração bruta acima dos 1.500 euros/mês que vigora desde 2011 (art. 26º da LOE);
a redução em 2% dos trabalhadores nas autarquias sendo que a presente medida apenas pode resultar das aposentações ou caducidade de contratos;
a redução do pessoal contratado em 50% da despesa prevista em 2012;
a diminuição do montante das horas extraordinárias a pagar em dia útil ou aos fins de semana e feriado.
5. Despesas pagas no âmbito do serviço nacional de saúde e Adse
Continua a prever-se no Orçamento de Estado para 2013 a obrigatoriedade da Autarquia em transferir antecipadamente todos os meses cerca de 33 mil euros (cerca de 400 mil euros ano) para financiar as despesas de saúde com base numa estimativa sem que possamos controlar as despesas realizadas pelos funcionários quando vão a serviços de saúde do SNS.
O referido procedimento afigura-se-nos totalmente ilegal porquanto, o Município está a pagar uma quantia sem que sejam dados elementos relativamente à despesa efetiva realizada pelos funcionários, nem foi até ao momento ressarcido das verbas pagas em excesso, caso existam desde 2011 até hoje.
Acrescente-se ainda que se encontra previsto no Orçamento de Estado a aplicação deste mesmo regime às dívidas da ADSE, com retenção de fundos.
6. Retenção de 5% das verbas cobradas em sede de IMI
Mantém-se na Lei do Orçamento de Estado a continuidade na aplicação da retenção de 5% do valor cobrado em sede de IMI para suportar os custos de avaliação geral dos prédios, aplicando-se indistintamente a todos os prédios urbanos e não apenas aos que estão sujeitos a avaliação geral, representando no caso do Município até ao final de outubro, uma importância retida de 766 091,32 euros.
Ora, tendo em conta quer as citadas repercussões legais, quer a manutenção das restrições à contratação de pessoal, ao endividamento municipal e à prestação de serviços, bem como as condições em que são concedidas isenções ou benefícios ao Estado por parte das Autarquias e em que o Estado define isenções de impostos que são receita dos Municípios que se encontrará condicionada a atividade municipal e a satisfação das necessidades dos Munícipes de Setúbal.
É neste quadro que elaboramos a proposta de Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2013 do Município de Setúbal.
Porém, embora a situação económica e financeira que se verifica de forma global em todo o Mundo seja desfavorável não podemos deixar de proceder, por um lado, numa política de continuidade ao cumprimento das responsabilidades assumidas pelo Município em matéria de investimento, designadamente, em sede de QREN, nos anos anteriores e na manutenção das prestações de serviço essenciais à população, algumas da responsabilidade do Estado em virtude dos cortes sociais verificados nos últimos anos.
Esta proposta com uma dotação inicial de 128 milhões e 200 mil euros, representa um montante inferior em 3% (3 milhões 964 mil euros) face ao orçamento corrigido de 2012 (132 milhões 164 mil euros).
As rubricas da Despesa, Corrente e de Capital que apresentam aumentos foram as despesas com Aquisições de Bens e Serviços, Juros e outros encargos, Transferências Correntes diminuindo as relativas às Despesas com Pessoal, Outras Despesas correntes, Aquisições de Bens de Capital e Passivos Financeiros.
As Despesas com Pessoal (28 milhões 181 mil euros) têm uma redução de 414 mil euros em relação a 2012 (28 milhões 595 mil euros) de acordo com o POCAL. Refira-se que no valor previsto nas despesas de pessoal estão dotadas em conformidade com a nova legislação as situações de licença sem vencimento e a previsão de novas admissões constantes do Mapa de Pessoal em anexo.
As Despesas com Aquisição de Bens e Serviços (46 milhões 253 mil euros) crescem em 10% (4 milhões 254 mil euros) face a 2012 (42 milhões mil euros), em resultado do aumento do custo das prestações de serviços efectuadas pelas empresas de tratamento de resíduos sólidos urbanos, limpeza e recolha de resíduos sólidos, para as refeições escolares, atividades de enriquecimento curricular, transportes escolares, entre outros serviços e o aumento da dívida face à diminuição da receita arrecadada como já se mencionou.
As Despesas com Juros (2 milhões 893 mil euros) aumentou em 1% (15 400 euros) face ao ano anterior (2 milhões 878 mil euros), devido aos encargos previstos com o valor de juros de mora devidos, sendo que as amortizações (5 milhões 919 mil euros) diminuem em 14% (936 mil euros), face ao ano anterior (6 milhões 855 mil euros).
Em matéria de Aquisição de bens de capital (36 milhões 372 mil euros) podemos verificar que comparativamente com o ano anterior (43 milhões 943 mil euros), se verifica uma diminuição de 17% (7 milhões 571 mil euros), decorrente da diminuição do investimento, mantendo-se a execução das candidaturas aprovadas pelo QREN e por outras entidades, como prioridade do executivo (6 milhões 200 mil euros) e o cumprimento do Plano Bienal com a concessionária Águas do Sado (5 milhões 900 mil euros), entre outras.
No que concerne aos investimentos verifica-se que para o ano de 2013 está prevista a execução dos seguintes investimentos com importância para os munícipes, em sede do Quadro de Referência Estratégico Nacional:
1. RUBE- Regeneração Urbana da Bela Vista e Zona Envolvente (recuperação dos espaços comuns no bairro da Bela Vista);
2. Projeto integrado de proteção civil e socorro; 3. Recuperação e Valorização do Convento de Jesus; 4. Construção da Escola do Bairro Afonso Costa.
Ora, tais investimentos, representam para 2013, cerca de 6 milhões 200 mil euros, sendo a receita a arrecadar em termos de comparticipação de 2 milhões de euros do FEDER.
Convém ainda salientar a realização de outros investimentos, designadamente, a obra dos arruamentos de Vale de Cães, a execução de campos desportivos, a recuperação dos parques infantis, a eficiência energética na sinalização luminosa, a execução do plano estratégico de setúbal nascente, o pagamento das aquisições do Quartel do 11 e do imóvel do Banco de Portugal.
Em termos agregados verifica-se que esta proposta de Orçamento Municipal para 2013, prevê um aumento da Despesa Corrente de 6% e uma diminuição da Despesa de Capital de 17% representando uma diminuição da Despesa Global em 3% face à dotação corrigida de 2012.
Do lado da Receita prevê-se de acordo com as regras previsionais previstas no POCAL, um montante de 31 milhões 905 mil euros, representando face a 2012 (31 milhões 729 mil euros) um aumento de 1% (177 mil euros).
Complementarmente a esta proposta de Orçamento para 2013 entendemos, que o mesmo representa um esforço evidente na criação das condições de vida que permitam a todos os setubalenses e azeitonenses ter um concelho de que se orgulhem e que lhes permita dentro das dificuldades financeiras diárias que todos sentimos dispor dos equipamentos desportivos, educativos, culturais e sociais necessários para a qualidade de vida que todos desejamos.
Estes são objectivos de que estamos convictos e do apoio de todas as forças políticas com representação nos órgãos municipais, dado que só será possível ultrapassar as dificuldades económico-financeiras estruturais que este Município há muito vem enfrentando bem como a conjuntura económica e financeira vigente, quando for possível de forma duradoura resolver o défice que existe entre as receitas e as despesas que arrecadamos.