Apoio. Patrocínio Institucional

Texto

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O Grupo AfroReggae é uma organização que luta pela transformação social e, através da cultura e da arte, desperta potencialidades artísticas que elevam a autoestima de jovens das camadas populares. Tem por missão promover a inclusão e a justiça social, utilizando a arte, a cultura afro-brasileira e a educação como ferramentas para a criação de pontes que unam as diferenças e sirvam como alicerces para a sustentabilidade e o exercício da cidadania.

O InfoReggae é uma publicação semanal e faz parte dos conteúdos desenvolvidos pela Editora AfroReggae.

Sede Rio de Janeiro

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É permitida a reprodução dos conteúdos desta publicação desde que citada a fonte. Reproduções para fins comerciais são proibidas. InfoReggae - Edição 54 Síntese PNAD 2013 10 de Outubro de 2014 Coordenador Executivo José Júnior

Coordenador Geral Adjunto

Danilo Costa Gerência de Informação e Monitoramento Thales Santos Assistentes de Pesquisa Nataniel Souza Juliana Paula Mattos

Coordenação Editorial

Marcelo Garcia

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Apresentação

Esta edição do InfoReggae analisa a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) 2013, realizada pelo IBGE a cada dois anos.

Para corrigir algumas inconsistências, a análise da primeira avaliação foi refeita pelo IBGE. Ainda assim, feitas as devidas correções, avaliamos que as informações veiculadas por essa pesquisa precisam ser conhecidas e debatidas.

O Brasil ainda é fortemente marcado pela desigualdade social, tendo na plataforma PNAD uma importante base para a formulação da Agenda Social de Mudanças, a ser monitorada e acompanhada.

O AfroReggae defende, em sua prática institucional, que as pesquisas e projetos provoquem a transformação das pessoas atendidas e seus respectivos contextos.

Não obstante, para que se crie mecanismos de participação coletiva na construção e consolidação de propostas que mudem o patamar da desigualdade, é fundamental que se conheça os dados sociais sobre a nossa realidade.

A palavra mudança não pode perder a sua força! Os dados da PNAD nos indicam claramente que o Brasil precisa mudar com mais urgência a partir de ações mais inteligentes e inclusivas.

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Síntese PNAD 2013

Os dados da PNAD nos mostram que o Brasil possui cerca de 201,5 milhões de habitantes, em sua maioria localizados nas áreas urbanas do país. A seguir apresentamos os resultados das principais características da população brasileira.

Fonte: PNAD – IBGE

Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar, de 2012 e 2013 o Brasil cresceu mais que o dobro do que o registrado entre os anos de 2011 e 2012. Enquanto o crescimento de 2011 para 2012 o país elevou a população em 1,6 milhões, em 2013 o aumento foi de 4,6 milhões de pessoas.

No entanto, o perfil da população por sexo permaneceu quase inalterado, conforme é possível observar no Gráfico 1.

48,7% 48,6%

51,3% 51,4%

2012 2013

Gráfico 1. Perfil da População Brasileira segundo o

Sexo

Masculino Feminino

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Fonte: PNAD – IBGE

Sobre o perfil etário da população, a PNAD nos mostra que a população brasileira está envelhecendo. O crescimento da população de 60 anos ou mais foi de 3,3%, no intervalo de 9 anos, entre os anos de 2004 à 2013.

Já o contingente populacional com idade entre 0 e 24 anos teve uma queda de 7,4% no país, considerando o mesmo intervalo temporal.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2014, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a expectativa de vida dos brasileiros aumentou mais de 17% entre 1980 e 2013, passando de 62,7 para 72,9 anos.

Juntamente com esse envelhecimento populacional, acompanhamos um aumento da preocupação com a qualidade de vida das pessoas. O artigo 9° do capítulo I do Estatuto do Idoso, criado em 2003 para defender os direitos dos idosos diz que “É obrigação do Estado, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade”. 17,7 14,4 14,1 19,2 17,5 16,9 32,3 32,0 31,4 21,1 24,0 24,6 9,7 12,1 13,0 2004 2011 2013

Gráfico 2. Distribuição do Crescimento da

População Brasileira por Faixa Etária

0 a 9 anos 10 a 19 anos 20 a 39 anos 40 a 59 anos 60 anos ou mais

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Fonte: PNAD – IBGE

Segundo o PNAD a quantidade de pessoas que se declararam brancas caiu 5% desde 2004, permanecendo estável entre os anos de 2012 e 2013. As pessoas que se declararam pardas e pretas, somadas, são mais que a metade da população do Brasil, com vantagem para a população parda.

Fonte: PNAD – IBGE

51,2% 48,5% 46,3% 46,3% 5,9% 6,8% 7,9% 8,0% 42,2% 43,8% 45,0% 45,0% 0,6% 0,9% 0,8% 0,8% 2004 2008 2012 2013

Gráfico 3. Perfil da População Brasileira segundo a

Raça/Cor

Branca Preta Parda Amarela ou Indígena

11,6% 11,5% 11,1% 10,5% 10,1% 10,0% 9,7% 8,6% 8,7% 8,5% 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2011 2012 2013

Gráfico 4. Taxa de Analfabetismo no Brasil

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De acordo com o PNAD, há 8,5% da população brasileiras em condições de analfabetismo, totalizando 17,12 milhões de pessoas, em um contingente total de 201,5 milhões de habitantes registradas no ano de 2013. O enfrentamento deve continuar para sustentar a diminuição do analfabetismo no país, que atingiu o menor índice em sua história. Esse processo deve conitnuar por meio de políticas inter relacionadas com a polítca pública mais ampla.

As regiões norte e nordeste tem as maiores taxas de pessoas nesta condição, expondo, adicionalmente, a desigualdade regional existente em nosso país.

Segundo o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos (EPT) elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Brasil é o oitavo país com mais analfabetos no mundo. Com o intuito de enfrentar esse problema, o Plano Nacional de Educação (PNE), elaborado pelo Ministério da Educação, elaborou 20 metas de enfrentamento, em em um plano complexo de alinhamento entre os sistemas de ensino, com destaque à meta de erradicação absoluta do analfabetismo e a à meta de redução em 50% da taxa de analfabetismo funcional.

Fonte: PNAD – IBGE

O país conseguiu aumentar a média de estudo do brasileiro em 1 ano. As regiões norte e nordeste, conforme mostra o Gráfico 5, registram os índices mais baixos de anos investidos em estudos, com vantagem para o sexo feminino.

7,6 7,0 6,6 8,3 7,9 8,0

7,4 6,6 6,1 8,1 7,8 7,7

7,8 7,4 6,9 8,4 8,1 8,3

Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste

Gráfico 5. Número Médio de Anos de Estudos por

Região

Total Homem Mulher

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Fonte: PNAD - IBGE

A partir dos dados da PNAD, é possível observar que os jovens de 18 a 24 anos foram os mais afetados pelo desemprego, entre os anos de 2012 e 2013. A população da faixa dos 30 a 39 anos registra as maiores taxas de ocupação, seguida pela população na faixa dos 40 aos 59 anos, nos dois anos observados.

Fonte: PNAD - IBGE

O Brasil tem conseguido diminuir a exploração do trabalho infantil, mas ainda há muito a se fazer, pois ainda existem 3,188 milhões de crianças nesta situação, com destaque à regisão sudeste.

2,8 3,6 11,3 12,9 25,6 22,0 14,6 7,2 2,4 3,5 10,9 12,3 26,1 22,0 15,3 7,5 15 a 17 18 e 19 20 a 24 25 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 ou mais 2012 2013

Gráfico 6. Distribuição da População Ocupada, por

Grupo de Idade (%).

8,4% 9,6% 9,0% 6,8% 10,4% 8,5% 7,5% 8,2% 8,1% 6,2% 9,6% 7,6%

Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste

Gráfico 7. População de 5 a 17 anos Ocupada no

Brasil

2012 2013

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Um dos principais problemas ocasionados pela utilização da mão de obra infantil é a evasão escolar. O atraso escolar e o trabalho infantil são as principais causas da saída do jovem do sistema de ensino.

Deve-se criar um mutirão em conjunto entre educação e assistência social para combater o atraso escolar e dar suporte familiar para essas crianças e adolescentes. A evasão da sala de aula deve ser identificada ainda nos primeiros anos da vida escolar, pois, à cada ano, torna-se mais difícil o retorno.

Vale destacar que a legislação brasileira permite o trabalho de adolescentes a partir dos 14 anos na condição de aprendiz ou estagiários para alunos que estiverem frequentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2º grau, ou escolas de educação especial.

Quadro 1. Dados retirados do PNAD – IBGE. Desing AfroReggae.

O Brasil tem conseguido melhorar o acesso aos serviços básicos para a população, porém milhares de brasileiros ainda sofrem com a falta, principalmente na rede de coletora de esgoto. Segundo o PNAD, 23,2 milhões de domicílios não possuem este serviço na residência.

O baixo índice de casas ligadas a rede de esgoto faz o Brasil ocupar a 112ª colocação em um ranking de 200 nações, ficando atrás de países com renda e indicadores sociais piores, como do Norte da África, por exemplo, de acordo com um estudo publicado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) em 2013.

Em relação aos serviços básicos, a coleta de lixo é o serviço cujo acesso é mais privado. A segunda privação enfrentada pelos domicílios brasileiros é a falta de rede de abastecimento de água, atingindo 9,5 milhões de casas no Brasil.

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Quadro 2. Dados retirados do PNAD – IBGE. Desing AfroReggae.

Em relação a posse de bens, destaca-se a grande quantidade de famílias com meios de comunicação como TV e telefone. Por outro lado, a cobertura de bens básicos como filtro de água ainda é bastante precária em todo o Brasil, com destaque para a desigualdade de posse entre as regiões brasileiras, sendo as regiões norte e nordeste as mais prejudicadas.

Quando se compara dados entre 2012 e 2013, 7,8% (2,8 milhões) de brasileiros passaram a ter o eletrodoméstico em casa, 58,3% dos lares possuem máquina de lavar, por exemplo. Bens como telefone celular e microcomputador ainda precisam alcançar grande parte dos domicílios brasileiros.

O número de famílias em que pelo menos um morador possui um automóvel aumento 4,8%, sendo que hoje está presente em mais de 28 milhões de residências.

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Um Debate a Ser Feito

Para o AfroReggae muito mais do que um debate o que o Brasil precisa é de uma Agenda.

Este espaço será dedicado para nossa proposição da Agenda Social de Mudanças que deve ser implantada e monitorada no país:

1- Erradicar em até 10 anos o analfabetismo para a população de até 60 anos de idade.

2- Definir que a pobreza não pode ser explicada e identificada apenas pela ausência de renda.

3- Dar atenção integral a população desocupada considerando que esta tem características muito próximas da desempregada.

4- Realizar Busca Ativa permanente para identificar jovens e adultos sem escolaridade e capacitação profissional.

5- Garantir que toda criança entre na idade certa na escola e se alfabetize na idade certa.

6- Garantir que a taxa de distorção idade-série caia em 50% nos próximos 5 anos.

7- Garantir que as escolas construam representações sociais nas comunidades.

8- Garantir um sólido programa de acompanhamento familiar como a Metodologia do Risco Social Familiar do AfroReggae.

9- Garantir uma Agenda de Atividades para a Juventude nas áreas de cultura, educação, lazer, esportes, saúde e trabalho.

10- Garantir, de fato, espaços de proteção e desenvolvimento da família.

11- Garantir proteção integral a grupos vulneráveis.

12- Defesa ampla e irrestrita contra qualquer tipo de preconceito e discriminação como a homofobia.

13- Ativar ideias criativas para mobilização de crianças, adolescentes e jovens em relação a escola, aprendizagem e formação.

14- Definir prazo e metas para universalizar o saneamento em todo Brasil.

15- Definir prazos e metas para erradicar moradias precárias.

16- Urbanizar 100% das vilas, favelas aglomerados urbanos de todo Brasil até 2020.

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17- Criar amplo programa Nacional de Mobilidade Urbana para que os brasileiros passem menos tempo em trânsito e em transportes sem qualidade para que possam conviver com suas famílias e comunidades.

18- Definir e implantar Programa Nacional de garantia de acesso e convivência com expressões culturais.

19- Identificar e aprofundar espaços populares de cultura.

20- Articular a Educação com a Cultura de forma permanente.

21- Erradicar o trabalho infantil no Brasil até 2018.

22- Ampliar todas as formas de combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil.

23- Enfrentar a epidemia de Crack e outras drogas no Brasil com estratégias de prevenção e tratamento que se completem.

24- Garantir programas de Segunda Chance para egressos do Sistema Penitenciário.

25- Defender que a diminuição da idade penal não é um caminho seguro e organizar atenção para adolescentes em conflito com a lei.

26- Realizar amplo projeto de busca ativa de crianças e adolescentes fora da escola.

27- Criar o Conceito de Áreas Livres da Pobreza dentro da lógica de que pobreza não é apenas ausência de renda.

28- Reorganizar o Sistema Único de Saúde revigorando seus sentidos de atendimento universal.

29- Fortalecer e dar substância ao Sistema Único da Assistência Social.

30- Garantir amplo programa de Capacitação e supervisão para trabalhadores da saúde, educação, assistência social e cultura buscando construir um trabalho inter setorial consistente e que gere resultados na vida da população.

Estas propostas fazem parte de uma Agenda Social de Mudanças que debatemos todos os dias em nossos espaços de trabalho.

Apresentamos estes pontos como um ponto de partida para que você possa nos escrever (inforeggae@afroreggae.org) e propor novas ideias e novos desafios.

O que mais importa neste momento é a direção do movimento que precisamos tomar e este sem dúvida não pode ser outro senão o da mudança.

Marcelo Reis Garcia Coordenador Editorial do InfoReggae

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