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r DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS SPHAEROMATIDAE
* DO BRASIL
(ISGPODA — CRUSTÁCEA)
^ POR / " • , • . " • J A ^ E DE LOYOLA E SILVA Faculdade de Filosofia da Utdversidaâe do Farai6Sepaiatá do6 Arquivos òx> lAviise.u Nacional^ volume LU :209^212, julho de 1962
RIO DE JANEIRO
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS SPHAEROMATIDAE
DO BRASIL
(ISOPODA — CRUSTÁCEA) (*)
O Departamento de Zoologia da Fa-culdade de Filosofia da Universidade do Paraná, vem realizando excursões metó-dicas em todo o litoral brasileiro no sen-tido de fazer o levantamento da micro-fauna carcinológica das águas marinhas, salobras, doces e também dos sistemas in-tersticiais das zonas arenosas dessa orla atlântica. Nos Estados do sul, as coletas têm sido mais minuciosas e os pontos de referências mais próximos um do outro do que no norte brasileiro onde, até esta data, limitamos os pontos de referências em geral às capitais dos Estados.
Desses levantamentos, vários estudos foram visados, muitos já publicados, ou-tros no prelo e alguns em realização. Na monografia sobre a Família
Sphaeroma-tidae do Brasil, LOYOLA E SILVA (1960) faz um estudo ecológico para cada uma das espécies. Com base nesses dados eco-lógicos, na distribuição geográfica e de acordo com as diferentes espécies e o nú-mero de exemplares coletados até hoje em nosso litoral, pudemos organizar um mapa para mostrar os limites de dispersão dos
Sphaeromatidae no Brasil e a preferência
de determinadas espécies à biótopos espe-ciais. Na legenda da estampa, as espécies estão representadas por letras minúsculas, tendo ao lado, entre parênteses, um nú-mero que se refere ao total de cada es-pécie coletada até esta data no litoral bra-sileiro. No mapa representativo do litoral, cada letra é seguida à direita por um nú-mero que indica o total de espécimes co-letados em cada Estado do Brasil. Em baixo
J A Y M E DE L O Y O L A E S I L V A
Faculdade de Filosofia da Universidade do Paraná de algumas letras há uma flecha dirigida para o continente, significando que as es-pécies em questão foram encontradas sem-pre em água salobra, sendo pois, de ca-ráter mesohalino; em baixo de outras le-tras, a flecha está dirigida para o oceano, significando a preferência destas espécies pela água marinha, sendo, pois, espécies de caráter polihalino. As flechas feitas por linha interrompida indicam dúvida quanto à salinidade do local de coleta. Das 13 espécies de Sphaeromatidae cole-latadas no litoral brasileiro, 7 ocorrem no norte e destas, somente uma é de caráter mesohalino; entre as 12 espécies que ocor-rem no sul, 7 vivem em biótopos meso-halinos. Expressando em porcentagem temos; norte — 14,28% e sul — 58,33% de espécies mesohalinas. Com relação ao total de 3.714 exemplares coligidos em nosso litoral é a seguinte a distribuição segundo a salinidade suportada: entre 646 exemplares encontrados no norte, 110 são de biótopos mesohalinos, o que significa 17,02%; dos 3.068 exemplares coletados no sul, 1.054 são de caráter mesohalino, o que significa 34,35'V. Submetendo-se es-tes dados à análise estatística, veriíica-se que é altamente significativa ( x 2 = 74,45 P < 0.0001) a diferença constatada entre os biótopos do norte e do sul do Brasil. Concluímos pois, que o número de espé-cies e espécimes de caráter mesohalino é
(*) Contribuição n.° 114 do Departamento de Zoologia da Faculdade de Filosofia da Universi-dade do Paraná.
210 SILVA, J . L . — DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS SPHAEROMATIDAE d£ maior íreqüência no sul do Brasil
(en-tre 23" e 33" latitude sul), e que os bió-topos formados nessas regiões são mais favoráveis ao desenvolvimento de tais espécies.
As espécies de Sphaeromatidae que serviram de base para a realização deste trabalho foram as seguintes: Sphaeroma
terehrans Bate, 1866, Sphaeroma annan-dalei Stebbing, 1911, Dies fluniinensis
(Mafie-Garzón, 1944), Pseudosphaeroma
rhomhofrontale (Giambiagi, 1922), Pseu-dosphaeroma jakobii Loyola e Silva, 1959, Dynoides castrai Loyola e Silva, 1960, Pa-radynoides hrasüiensis Loyola e Silva,
1960, todas coletadas somente entre 23" e 33" de latitude sul (excepto S. annandalei. que foi também encontrada no norte) e sempre em água salobra (quanto às duas últimas espécies, há dúvida a respeito da £alinidade que suportam). Como se pode observar no mapa, pela indicação das fle-chas, no norte brasileiro não se dá o mes-mo fenômeno, pois as espécies, Sphaeroma
walkeri Stebbing, 1905, Cymodoce brasi-liensis Richardson, 1906, Cymodoce barre-rae (Boone, 1919), Pseudosphaeronui
mourei Loyola e Silva, 1960, Dynamenella
tropica Loyola e Silva, 1960, e Dynam,e-nella antonii Loyola e Silva, 1960, foram
encontradas em água marinha pura. A única espécie encontrada em biótopo me-sohalino no norte foi S. annadalei, que ocorre também no sul do Brasil.
Usamos as denominações norte e sul para o litoral brasileiro, respectivamente acima e abaixo do Cabo Frio. Estas de-nominações advêm do seguinte: a corrente marítima sul equatorial (quente) que se dirige contra o continente sul americano divide-se em duas outras na altura do Cabo de São Roque; uma vai para o Golfo do México, é a corrente das Guianas; a outra, a corrente do Brasil, deslisa pela costa até mais ou menos a altura do Cabo Frio, para, depois ir-se afastando pouco
a pouco do nosso litoral, o q u e permite a afluência de p a r t e da c o r r e n t e das Mal-vinas (fria), que vem das Ilhas Falkland e alcança o Cabo Frio.
Concluindo este trabalho, convém es-clarecer que nossos dados não permitem asseverar com absoluta segurança, que as espécies mesohalinas encontrem-se quase exclusivamente e n t r e as latitudes 23" e 33° sul no litoral brasileiro, pois como já nos pronunciamos, os pontos de referências de nossas coletas no norte foram mais dis-tantes um do outro; n a t u r a l m e n t e faz-se mister um l e v a n t a m e n t o mais minucioso, para podermos corroborar esta suposição. De nossas observações ressaltam porém, que as espécies q u e v i v e m em biótopos mesohalinos s u p o r t a m u m a variação con-siderável de salinidade, p H (Loyola e Silva, 1959:83) e p e r m a n e c e m m u i t o tem-po fora dágua; que a freqüência dessas espécies é maior no sul do Brasil, e que os biótopos formados nessa região são mais favoráveis ao desenvolvimento das espé-cies mesohalinas, ou seja, espéespé-cies que, atualmente, a p r e s e n t a m m e l h o r e s condi-ções no sentido de evolucionarem para o meio terrestre.
SUMMARY
A special map of the geographical dis-tribution is presented with an indication of the mesohaline and pclyhaline character of the habitat for ali the species of the family Sphaeromatidae (Isopoda). Between
para-lelas 230 and 330 S. the mesohaline species are more frequent in occurrence and this could be an indication of an evolutionary trend towards a terrestrlal habitat.
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Distribuição Geográfica dos Sphaeromatidae no litoral brasileiro. As espécies estão representadas por letras maiúsculas, acompanhadas dos números cor-respondentes aos espécimes coletados em cada Estado brasileiro. As flechas existentes em baixo de cada letra, quando dirigidas para o continente indicam que a espécie é mesohalina (de água salobra); quando dirigidas para o oceano, que a espécie 6 polijialina (de água do mar). As flechas com linha interrompida,
f
12I . B . G . E . k 1959 —
SILVA, J.L. — DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS SPHAEROMATIDAE
Atlas do Brasil. (Organizado pela Divisão de Geografia do Conse-lho Nacional de Geografia), pp. 1-160. Rio de Janeiro, Gb. LoYOLA E SILVA, J . 1959 — Pseudosphaeroma jakobii n. sp. (Isopoda-Crustacea;, e n c o n t r a d a n a B a í a de G u a r a t u b a ( P a r a n á — B r a s i l ) . Dusênia. 8(2);79-88. LoYOLA E SILVA, J .
1960 — Sphaeromatidae áo litoral b r a s i -leiro (Isopoda-Crustácea) (no p r e l o j .