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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ACÓRDÃO

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Academic year: 2021

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Registro: 2017.0000506862

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos do Apelação nº 1003352-86.2016.8.26.0066, da Comarca de Barretos, em que é apelante/apelado SKY BRASIL SERVIÇOS LTDA, é apelado/apelante JOÃO PAULO LIMIERI (JUSTIÇA GRATUITA).

ACORDAM, em 32ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Deram provimento em parte aos recursos. V. U.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores KIOITSI CHICUTA (Presidente), LUIS FERNANDO NISHI E CAIO MARCELO MENDES DE OLIVEIRA.

São Paulo, 13 de julho de 2017.

Kioitsi Chicuta RELATOR

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COMARCA : Barretos – 2ª Vara Cível – Juiz Cláudio Bárbaro Vita APTES./APDOS.: Sky Brasil Serviços Ltda.

João Paulo Limieri

VOTO Nº 36.440

EMENTA: Prestação de serviços. SKY. Indenização por danos materiais e morais. Ação julgada parcialmente procedente. Ausência de controvérsia sobre a matéria fática. Danos morais caracterizados. Redução para R$ 8.000,00, já considerando o comportamento reprovável da ré e a privação do bem estar do autor, que teve o serviço interrompido injustificadamente e, ainda, após cancelamento, teve o desconto indevido em conta bancária de quantia razoável. Pleito do autor de devolução em dobro da quantia cobrada indevidamente. Não cabimento. Artigo 42, parágrafo único, do CDC. Má-fé não demonstrada. Recursos parcialmente providos.

Os fatos incontroversos, na forma como transcorreram, causaram transtornos que ultrapassaram limites de mero aborrecimento ou incômodo, caracterizados o padecimento e a privação do bem-estar diante do comportamento reprovável da ré que, primeiro interrompeu o serviço indevidamente e, principalmente, após dez meses do cancelamento do contrato, efetuou desconto em conta bancária do autor de valor considerável, não o restituindo mesmo após as tentativas administrativas e até mesmo junto ao Procon, fazendo jus à indenização por dano moral.

A quantificação dos danos morais observou o princípio da razoabilidade, compatível com a reprovabilidade da conduta, a intensidade e a duração dos transtornos experimentados. Assim, a fixação feita no equivalente a quinze salários mínimos mostra-se excessiva. Razoável e proporcional a redução para R$ 8.000,00 diante de critérios orientadores.

Embora a cobrança seja indevida, nada indica que tenha sido feita de má-fé a ensejar a devolução em dobro.

A estimação dos honorários em 10% sobre o valor da condenação não remunera com dignidade o advogado que representa o autor. Daí porque o percentual da verba honorária deve ser majorado para 20%, observando-se os critérios de apreciação do art. 85 do NCPC.

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90/94 que julgou parcialmente procedente a ação, condenando a ré a devolver ao autor o valor de R$ 1.130,16, além de indenização por danos morais no equivalente a quinze salários mínimos vigentes na data da sentença, com correção e juros desde então, bem como custas e honorários de 10% sobre a condenação.

Sustenta a ré que a mera cobrança não ensejaria uma indenização exorbitante de R$ 14.000,00. Aduz que atuou para a solução do problema, exacerbando a parte ao alegar constrangimento, pois se trata de mero aborrecimento ou irritação cotidiana, sendo necessária prova do prejuízo. Cita julgados e consigna que inexiste dano. Alternativamente pleiteia a redução.

O autor apela sob o argumento de que a apelada agiu de má-fé ao efetuar débito em conta bancária após o cancelamento do serviço e inúmeras vezes solicitou o reembolso por meio do SAC e por e-mail, inclusive pelo Procon, sem sucesso. Considera aplicável o art. 42, § único do CDC, pois o erro não é justificável. Anota que o cancelamento do serviço ocorreu em 06.02.2015 e a cobrança em conta em 28.12.2015, dez meses depois, sendo aplicável a legislação. Pretende a majoração do percentual dos honorários para pelo menos 20% do valor da causa, por equidade.

Processados os recursos da ré com preparo e isento o autor. Com contrarrazões, os autos restaram encaminhados a este C. Tribunal.

É a síntese do essencial.

Com efeito, é incontroverso que o autor foi cobrado indevidamente e teve o serviço interrompido, bem como teve descontado valor em conta bancária dez meses depois do cancelamento do contrato, no valor de R$ 1.130,16. Também há prova das tentativas administrativas de reaver o dinheiro e ainda junto ao Procon, sem êxito (fl. 24).

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direito de personalidade, constituindo atitude passível de indenização por dano moral. O dano moral configura-se "in re ipsa" e prescinde de prova (cf. Recurso Especial 1059663, relatora a Ministra Nancy Andrighi).

Bem se vê, portanto, que a ré, como prestadora de serviços, não se desincumbiu de suas obrigações legais, provocando abalo, desgaste emocional que foge à normalidade dos casos, interferindo no comportamento psicológico do indivíduo. Não se trata de mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada e que, no dizer de Sérgio Cavalieri Filho, "fazem parte da normalidade do nosso dia-a-dia, no trabalho, no trânsito, entre os amigos e até no ambiente familiar, tais situações não são intensas e duradouras, a ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo" (cf. "Responsabilidade Civil", pág. 105).

Sobre dano moral, diz Carlos Alberto Bittar que na "concepção moderna da teoria da reparação dos danos morais prevalece, de início, a orientação de que a responsabilização do agente se opera por força do simples fato da violação... o dano existe no próprio fato violador, impondo a necessidade de resposta, que na reparação se efetiva. Surge ex facto ao atingir a esfera do lesado, provocando-lhe as reações negativas já apontadas. Nesse sentido é que se fala em damnum in re ipsa. Ora, trata-se de presunção absoluta ou iure et de iure, como a qualifica a doutrina. Dispensa, portanto, prova em contrário. Com efeito corolário da orientação traçada é o entendimento de que não há que se cogitar de prova de dano moral" (Reparação Civil por Danos Morais, Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., págs. 202/204).

O dano moral tem, como pressuposto ontológico, o sofrimento moral inferido à vítima por atos ilícitos. O sentimento de frustração primeiro com a interrupção do serviço por dívida inexistente e depois a revolta pelo desconto em conta indevido, inclusive considerando o valor dos rendimentos do autor (fl. 15). Aliás, o fato de não ter a ré dado solução administrativa agravou ainda mais a situação, obrigando o autor a ajuizar a ação.

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Bem por isso, comprovada a ocorrência de ato ilícito, do dano e do nexo causal cabe ao autor direito à indenização, conforme o disposto nos artigos 5º, incisos V e X da Constituição Federal e 6º, inciso VI, do Código de Defesa do Consumidor.

A fixação dos danos morais e a sua mensuração tem se constituído em verdadeiro tormento para os operadores do direito, não fornecendo o legislador critérios objetivos a serem adotados. Atribui-se ao Juiz arbítrio prudencial, com enveredamento da natureza jurídica da indenização como ressarcitória e punitiva, mas não a ponto de transformar a estimativa como resultado de critérios meramente subjetivos, ofertando a doutrina, dentre outros, análise de pormenores importantes como: a) o grau de reprovabilidade da conduta ilícita; b) a intensidade e duração do sofrimento experimentado pela vítima; c) a capacidade econômica do causador do dano; d) as condições pessoais do ofendido (cf. Antonio Jeová Santos, Dano Moral Indenizável, Editora Revista dos Tribunais, 4ª edição, pág. 186).

As condições pessoais do ofendido e a capacidade econômica da causadora dos danos também merecem consideradas e o "pretium doloris" deve ser o suficiente para proporcionar, dentro do possível, conforto e satisfação dos danos.

A indenização, como anota o já citado Antonio Jeová Santos, "não pode servir de enriquecimento indevido para a vítima. Idêntico raciocínio é efetuado em relação ao detentor do comportamento ilícito. Uma indenização simbólica servirá de enriquecimento indevido ao ofensor que deixará de desembolsar quantia adequada, enriquecendo-se com o ato hostil e que desagradou, de alguma forma, algum ou quaisquer dos direitos da personalidade" (ob. cit., pág. 199).

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no equivalente a quinze salários mínimos mostra-se exacerbado para ressarcir os danos morais diante dos critérios orientadores, merecendo ser reduzido para R$ 8.000,00 (oito mil reais), considerando a agravante de ter a ré se apropriado indevidamente de dinheiro do autor. Esse valor deve ser corrigido a partir da publicação da sentença (Súmula 362 do STJ. O sofrimento não pode se converter em móvel de "lucro capiendo", nem a indenização pode se transformar em símbolo, sem caráter punitivo, dada a condição pessoal da ofensora. Os juros fluem da data da citação.

Quanto ao pleito do autor: ocorrendo a cobrança de valores indevidos, por erro, faz jus à repetição de indébito, mas de forma simples. Ainda que o parágrafo único, do artigo 42, da Lei nº 8.078/90 ressalve apenas a hipótese de "engano justificável", é majoritário o entendimento jurisprudencial no sentido de que é necessária a demonstração de má-fé.

Nesse sentido:

“A restituição em dobro das quantias pagas indevidamente pelo consumidor exige a caracterização de má-fé do fornecedor de produtos ou serviços” (STJ, 4ª Turma, AgRg no AREsp nº 269.915/RJ, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, j. 07.05.2013, DJe 17.05/2013).

“PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO IMOBILIÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MÁ-FÉ 1. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que a devolução em dobro dos valores pagos pelo consumidor somente é possível quando demonstrada a má-fé do credor. 2. Agravo não provido. (AgRg no REsp 1441094 / PB, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, J. 21/08/2014).

Nestes moldes, não há prova de má-fé que justifique o ressarcimento em dobro.

Por fim, quanto aos honorários de advogado, bem se vê que sua estimação no percentual mínimo deve ser majorada, diante do trabalho realizado

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e o tempo considerado. Daí porque o percentual é elevado para 20% da condenação.

Isto posto, dá-se parcial provimento aos recursos.

KIOITSI CHICUTA Relator

Referências

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