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Moonline: Proposta de um Ambiente baseado na Web para Apoio à Construção Coletiva de Conhecimento

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Academic year: 2021

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Tânia Barbosa Salles Gava1, Crediné Silva de Menezes1,2

1Programa de Pós-graduação em Engenharia Elétrica – UFES 2Departamento de Informática – UFES

Av. Fernando Ferrari, s/n, CEP 29060-970 – Vitória – ES – Brasil [email protected], [email protected]

Resumo

Este trabalho apresenta o Moonline, um ambiente baseado na Web para apoio à construção coletiva de conhecimento. Sua abordagem é centrada na oferta de facilidades permitindo que as atividades interativas dos membros de uma comunidade de aprendizagem possam ocorrer da maneira mais eficiente possível. Para atingir seu objetivo a proposta de ambiente é enfática na exploração de quatro eixos importantes para flexibilizar, dinamizar e facilitar o processo de aprendizagem: a automação de tarefas, a integração de conteúdos, a individualização das interfaces e a dinamização da interação entre os atores do processo. O

Moonline propõe o uso de mapas conceituais para integrar e disponibilizar conteúdo, além

de oferecer um ambiente personalizado para cada um de seus usuários. Ao contrário da maioria dos ambientes da mesma natureza, centrados em disciplinas específicas, o

Moonline é centrado nos alunos de um curso, quer seja presencial ou a distância. Além

disso, ele considera o conjunto das disciplinas já estudas e aquelas que o aluno precisará estudar no futuro, tendo com referencial a sua grade curricular.

Palavras-Chave: Internet e Educação, Ambientes Cooperativos baseados na Web, Monitoria Online.

Moonline

: A Web–Based Environment for Supporting Cooperative

Knowledge Construction

Abstract

This paper presents Moonline, a web-based environment for supporting knowledge construction in learning communities. Its approach is centered on offering facilities to allow members of a learning community to accomplish their interaction activities in the best way. In order to achieve its goals the proposed environment emphasizes four important guidelines to make the learning process flexible, dynamic and easier. These guidelines are: automation of tasks, integration of contents, individualization of interfaces and improvement of interaction among participants in the process. Moonline proposes the use of concept maps to integrate and offer contents. It offers a customized environment to each user. Unlike the majority of the similar environments that are centered on specific subjects,

Moonline is centered on course students, regardless of the type of course (face-to-face and

distance learning courses). Also, it takes into account the set of subjects previously learned by the student, as well as the subjects that the student is yet to study, according to the curricular grid.

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Keywords: Internet and Education, Web-based Cooperative Environments, Computers in Education.

1. Introdução

A maioria das atividades realizadas no dia-a-dia estão relacionadas de alguma forma ao contexto de grupo, e na Educação não é diferente. Desde crianças as pessoas estão acostumadas a conviver em grupo, comunicando-se, interagindo, trocando idéias, experiências. A escola é especialmente propícia para permitir a cooperação e a colaboração entre as pessoas, pois oferece inúmeras oportunidades de trabalho em grupo. Nela consegue-se reunir diversas pessoas, com as mais diversas formações e conhecimentos.

Ante o advento das novas tecnologias, essa forma alternativa de ensino-aprendizagem (MORAN, 1995), baseada na colaboração, tem sido viabilizada por muitos recursos, principalmente pelos ambientes cooperativos apoiados na Internet (PIMENTEL, 1996). Aliados à criatividade dos educadores, esses recursos podem muito contribuir para o processo de ensino-aprendizagem. Os ambientes cooperativos podem ser usados para mudar o cenário tradicional de ensino, que tem o professor como ponto central e “detentor” da informação, viabilizando meios alternativos de ensino-aprendizagem. Alunos, monitores, professores e demais pessoas envolvidas, têm nesses ambientes um valioso recurso para a obtenção, transmissão e troca de informações, além da possibilidade de quebra das barreiras associadas a tempo e espaço.

Nas Instituições de Ensino, em particular nas Universidades, por vários motivos os alunos de cursos formais podem deparar-se com dificuldades em acompanhar os assuntos abordados numa determinada disciplina. Para complementar as atividades desenvolvidas dentro da sala de aula podemos usar o recurso do atendimento extra-classe. Esse atendimento pode ser feito por alunos mais experientes, monitores, professores, colaboradores ou especialistas da área abordada, formando assim uma comunidade que tem como objetivo principal a construção do conhecimento e o esclarecimento de dúvidas. Para que esse processo seja realizado de uma maneira efetiva, contemplando todos os aspectos relevantes e de forma econômica, faz-se necessário um ambiente apropriado para essas interações.

Dessa forma, os ambientes cooperativos aliados às novas tecnologias, como a Web, têm proporcionado a criação e o suporte às comunidades de aprendizagem, no que diz respeito às várias atividades realizadas pelos membros dessa comunidade, dentro e fora da sala de aula.

Neste artigo apresenta-se o Projeto do Moonline, um ambiente na Internet para suporte às comunidades de aprendizagem, no que diz respeito à construção coletiva de conhecimento. Ele é voltado para apoiar cursos formais, nos quais temos alunos, cursando várias disciplinas, como também monitores e professores. Ao contrário dos sites convencionais, adotados na maioria dos cursos que usam a Internet em que o foco está em disciplinas específicas, o sistema proposto quebra as barreiras impostas pelas grades curriculares visando integrar os diversos conteúdos. Além disso, o isolamento dos professores é reconsiderado e a integração entre eles é apoiada. Nossa proposta explora sistematicamente quatro dimensões desses ambientes, com respeito ao processo ensino-aprendizagem: integração de conteúdos, individualização das interfaces, automação de tarefas e dinamização das interações.

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A seção 2 apresenta alguns exemplos de ambientes de aprendizagem colaborativa mediada por computador. A seção 3 apresenta a análise do problema abordado, que diz respeito às várias fases do processo de ensino-aprendizagem, bem como as dificuldades que surgem nessas fases. A seção 4 discute em particular sobre as dificuldades dos alunos em exercitar a prática da pergunta. A seção 5 apresenta um levantamento das atividades realizadas fora da sala de aula por alunos, monitores e professores envolvidos no processo de ensino-aprendizagem. Na seção 6 apresenta-se o moonline, que é uma proposta de um ambiente baseado na Web para apoio à construção de conhecimento por parte de uma comunidade de aprendizagem. A seção 7 apresenta o Sistema de Monitoria Online, que é um protótipo do ambiente proposto. A seção 8 apresenta alguns aspectos da utilização do Sistema de Monitoria Online. A seção 9 apresenta as considerações finais e perspectivas de trabalhos futuros e finalmente na seção 10 estão as referências bibliográficas.

2. Ambientes CSCL (Aprendizagem Colaborativa mediada por computador)

Dos software com enfoque comportamentalista, do tipo CAI (Computer Aided Instruction), aos ambientes de aprendizagem colaborativa (CSCL), enfatizando as interações, um longo caminho foi trilhado na utilização de ferramentas computacionais no processo de ensino e aprendizagem, não só em termos de desenvolvimento de novas tecnologias, mas principalmente em relação a paradigmas envolvendo o processo de aprendizagem.

O CSILE (Computer Supported Intentional Learning Environments), criado em 1986, foi o primeiro sistema de rede para fornecer suporte, por meio do currículo, para a aprendizagem e investigação. Através do uso desse software, um banco de dados coletivo é criado pelos estudantes e professores. Os estudantes podem inserir suas idéias, em formato textual ou gráfico, nessa base coletiva ou sobre qualquer um dos tópicos criados pelos professores. Essa idéias ficam disponíveis para todos os estudantes [CSILE, 2001].

Além do CSILE, existem muitos outros sistemas CSCL clássicos, dentre os quais estão: N.I.C.E (Narrative, Immersive, Constructionist/Collaborative Enviroments), Collaboratory Notebook, CLARE (Collaborative Learning and Research Environment), CaMILE (Collaborative and Multimedia Interactive Learning Environment), Belvedere, entre outros. Recentemente vários outros ambientes foram desenvolvidos, enfocando diferentes aspectos. Nesta seção destacamos três deles, a saber: os ambientes EVA, COSOFT e EUREKA. Esses ambientes foram selecionados por apresentarem características relevantes para as discussões realizadas neste trabalho.

2.1. O Projeto EVA

O projeto EVA (Virtual Learning Environment) [SHEREMETOV, 2000] é dedicado ao desenvolvimento e implementação de um ambiente de aprendizagem, personalizado e colaborativo, por meio do qual diferentes atividades acadêmicas e administrativas podem ser realizadas por estudantes em diferentes locais e instituições, públicas ou privadas. Ele está sendo desenvolvido no Centro de Pesquisas em Ciência da Computação, na Universidade Técnica Nacional – México.

Arquitetura Conceitual do Projeto EVA

EVA é um paradigma de aprendizagem que considera diferentes formas de adquirir, transmitir e trocar informações entre pessoas e grupos de trabalho que geralmente não têm acesso a recursos tais como: livros, revistas, escolas, universidades, labs, bibliotecas, bons

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professores, etc. EVA constitui uma concepção de educação que usa tecnologias de informação avançadas, tais como: Servlets e applets Java, agentes, Inteligência Artificial, groupware, multimídia e realidade virtual. A arquitetura conceitual do EVA é estruturada em 4 elementos de aprendizagem essenciais, chamados espaços de Aprendizagem Virtual. Esses espaços são: conhecimento, colaboração, consulta e experimentação. Esses 4 espaços são complementados pelo espaço pessoal, onde as informações relacionadas ao usuário são acumuladas. Os espaços possuem ferramentas de suporte desenvolvidas usando diferentes tecnologias. São elas: e-mail, vídeo conferência, fórum, chat, multi-livros (livro eletrônico personalizado, gerado pela concatenação de unidades selecionadas de material de aprendizagem), notas, FAQ, etc.

2.2 O Ambiente COSOFT

O COSOFT (Computer Support for Face-to-face Teaching) [BALOIAN, 2000] é um sistema integrado para suporte ao processo educacional. Ele é voltado para autores, professores e alunos, que podem utilizar o sistema para melhorar os meios tradicionais de trabalhar dentro e fora da sala de aula. O cenário do sistema é o CiC (Computer-integrated Classroom), uma sala de aula tradicional onde o computador foi adicionado para dar suporte e melhorar as atividades tradicionais de ensino-aprendizagem e possibilitando novas atividades. A CiC é equipada com um blackboard para o professor e um computador pessoal para cada aluno.O blackboard eletrônico e os computadores pessoais estão conectados pela Internet por meio de uma rede TCP/IP. O COSOFT é sistema especialmente voltado para dar suporte ao uso colaborativo/cooperativo de material de aprendizagem baseado em computador, tanto por alunos quanto por professores.

Atividades suportadas pelo COSOFT

1) Apresentação de Informação por meio do uso de um blackboard eletrônico que permite a apresentação de novos tipos de materiais de aprendizagem como também dos materiais tradicionais (texto, imagens digitalizadas, gráficos e/ou animação, simulação de programas, etc.).

2) Planejamento e Autoria de unidades de aula (material de aprendizagem) que será usado pelo professor e pelos alunos durante uma aula, para fazer atividades de aprendizagem. O professor deve ter a possibilidade de adaptar os conteúdos de uma aula às necessidades específicas da turma de alunos.

3) Discussão e Resolução cooperativa de problemas por meio de exercícios preparados, por meio dos quais professores e alunos podem iniciar uma discussão aberta.

4) Resolução de Problemas e trabalho individual do aluno.

5) Criação de novos materiais durante uma aula. Durante uma aula o professor pode criar um novo material de aprendizagem, o qual poderá ser incluído em uma próxima apresentação da mesma unidade de aula planejada. O mesmo pode ocorrer com algumas contribuições dos alunos;

6) Acesso remoto aos materiais de aprendizagem.

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O sistema COSOFT consiste de três módulos diferentes: o gerenciador da sala de

aula, que implementa principalmente funções administrativas. A ferramenta de autoria,

que é usada pelo autor para criar uma unidade de aprendizagem baseada em computador para a CiC, e a ferramenta de apresentação, que permite ao professor e alunos usar o material preparado com a ferramenta de autoria.

2.3 O ambiente EUREKA

O EUREKA [EBERSPÄCHER et al., 1999] é um projeto de pesquisa desenvolvido no Laboratório de Mídias Interativas (LAMI) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O objetivo desse projeto é implementar um ambiente baseado na Web para aprendizagem cooperativa, a fim de promover educação e treinamento a distância usando a Internet como meio de criação de comunidades virtuais que participam de cursos tradicionalmente presenciais. O EUREKA é composto de um conjunto de facilidades de comunicação (síncrona e assíncrona) e ferramentas de administração e suporte ao conteúdo, visando permitir a interatividade entre o grupo de participantes de um curso ou atividade, de modo que o conhecimento possa ser construído conjuntamente. A cooperação entre os sujeitos é estimulada e depende de que os participantes possuam uma postura de responsabilidade com relação à própria aprendizagem e a aprendizagem do grupo.

Componentes do Ambiente

O EUREKA está sendo desenvolvido em módulos com funções bem definidas, com o objetivo de maximizar as técnicas de comunicação entre os participantes do sistema, proporcionando a realização do ensino colaborativo. Nesse sentido, estão sendo utilizados processo de especificação e implementação de software que conferem qualidade e escalabilidade à solução, permitindo configurações personalizadas e contínuo desenvolvimento e adaptação de novas facilidades e funções.

Os Protagonistas

No Ambiente EUREKA foram definidos três tipos de usuários, que são os protagonistas do processo de ensino-aprendizagem, que realizam a administração e a coordenação do sistema. São eles: administradores, tutores e participantes.

2.4. Algumas considerações sobre os ambientes apresentados

Identificamos algumas características essenciais para análise de ambientes CSCL, a saber disponibilização e facilidade de desenvolvimento de material bibliográfico, ferramentas de comunicação e cooperação, independência de domínio, suporte à construção colaborativa de conhecimento, monitoramento de atividades, estruturação adequada das informações trocadas, suporte à filtragem e recuperação de informação, associação de papéis aos usuários e automação de tarefas. A partir dessas características os ambientes EVA, COSOFT e EUREKA foram analisados. Como resultado foi observado que os ambientes estudados oferecem facilidades para o desenvolvimento e disponibilização de material bibliográfico, ferramentas de comunicação e cooperação, suporte à construção coletiva de conhecimento, monitoramento de atividades e associação de papéis aos usuários dos ambientes, além de serem independentes de domínio. Em particular, o ambiente EVA permite a automação de tarefas, usando tutores, estudantes e assistentes virtuais para desempenharem algumas tarefas para os usuários, e o suporte a filtragem e recuperação de informação, característica essa citada como trabalho futuro no ambiente EUREKA. Entretanto, em nenhum deles foi observada uma estruturação adequada das informações

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trocadas, tal como a possibilidade de fazer perguntas e o registro dessas perguntas e suas respectivas respostas, nem das interações realizadas por usuários específicos.

3. Análise do Problema

Cada pessoa tem uma maneira diferente de estudar, aprender, ensinar, etc., ou seja, cada aluno tem uma forma particular de se desenvolver numa disciplina que ele esteja cursando. Assim como existem diversos perfis de alunos, conseqüentemente, cada aluno tem uma maneira diferenciada de aprender.

Além das atividades dentro da sala de aula, o processo de ensino-aprendizagem pode ser complementado por atividades extraclasse. Geralmente, essas atividades envolvem alunos, monitores e professores. Os professores e monitores (alunos mais experientes e especialmente selecionados) são consultados pelos alunos sobre, por exemplo, o conteúdo apresentado em sala de aula, ou sobre dúvidas que surgem relativas a trabalhos, listas de exercícios, etc.

No processo de ensino-aprendizagem, vigente hoje na maioria das Universidades, pode-se identificar cinco fases principais, intensivas no consumo de tempo:

1. Explanação do professor sobre um determinado assunto e anotações sobre dúvidas, questões e pontos importantes;

2. Surgimento de dúvidas no decorrer da aula sobre a explanação do professor; 3. Estudo das notas de aula e do material bibliográfico relevante;

4. Elaboração de questões existentes sobre o material estudado;

5. Resolução de exercícios visando a aprendizagem e o uso do novo conhecimento;

6. Interação com colegas, monitores e professores para o esclarecimento de dúvidas e dificuldades encontradas.

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Fig 1 – Etapas do processo de ensino-aprendizagem

Várias dificuldades podem surgir nessas fases, dentre as quais destacam-se:

1. O material bibliográfico sobre o assunto exposto pode ser de difícil acesso e até mesmo escasso;

2. O tempo deixado para a elaboração de perguntas pelos alunos durante uma única aula pode ser insuficiente;

3. Dependendo do tamanho da turma, uma única aula pode ser insuficiente para que os professores respondam todas as perguntas dos alunos;

4. O aluno pode ficar inibido para perguntar sobre suas dúvidas ao professor em sala de aula;

5. Uma dúvida pode não se materializar no decorrer da aula e sim num instante posterior; 6. Pode não existir espaço físico suficiente para atendimento individualizado para cada aluno;

7. As respostas do professor, em sala de aula ou fora dela, podem não ser registradas e por isso deixam de ser aproveitadas em instantes posteriores;

8. Pode acontecer de não haver monitores suficientes (ou nem haver) para ajudar no esclarecimento das dúvidas dos alunos;

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10. As perguntas respondidas pelos monitores e professores não podem ser reaproveitadas por outros alunos, quando o atendimento é individual e sem registro;

11. As várias soluções apresentadas para as diversas turmas, em diferentes semestres, podem ser as mesmas ou muito parecidas com questões surgidas em períodos anteriores. Sendo assim, se não ocorrer o devido registro, essas soluções não podem ser reaproveitadas e/ou utilizadas em instantes futuros;

12. As interações entre monitores e professores muitas vezes são escassas.

A figura 2 ilustra as dificuldades que surgem em cada uma as etapas apresentadas ilustradas na figura 1:

Etapa1: 2,3

?

Etapa2: 4 Etapa3: 1

Etapa7: 6,7,8,9,10,11,12 Etapa6: 5

Fig 2 – Dificuldades encontradas nas etapas do processo de ensino-aprendizagem Da figura 2 vemos que as maiores dificuldades se apresentam quando há interação extraclasse entre alunos, monitores e professores. Vê-se então que o processo de ensino-aprendizagem requer grande cooperação e interação entre os agentes envolvidos, como alunos, monitores, professores e Instituição, além de suporte para que essa interação se dê da melhor maneira possível. Embora tenham sido vistos vários problemas que freqüentemente surgem nesse processo, uma atenção especial é dada a um problema em particular, que é o problema do exercício do ato de perguntar.

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4. Dificuldades no exercício do ato de perguntar

Por diversos motivos, muitos alunos não perguntam em sala de aula, e conseqüentemente não esclarecem suas dúvidas. Dúvidas não esclarecidas geram outras dúvidas, e o processo de ensino-aprendizagem fica claramente prejudicado, porque perguntar também é aprender. Quando o aluno elabora perguntas é porque ocorreu previamente uma reflexão e porque surgiram conflitos em sua cadeia de conhecimento. Quando o aluno obtém respostas ele pode consolidar o conhecimento do assunto em questão. Portanto, pode-se dizer que elaborar perguntas é um forte indício de que o aluno está aprendendo, afinal, só pergunta quem sabe alguma coisa [DRAVES, 2000].

Quando crianças, o ato de perguntar é espontâneo. O que torna então este ato tão difícil no contexto escolar? Essa dificuldade requer uma investigação de suas causas e, sem querer esgotar o assunto, apresentamos a seguir algumas possíveis razões para esse problema:

1. Numa sala de aula, onde estão presentes fisicamente professores e alunos, o aluno pode sentir-se inibido de perguntar por diversos motivos, entre eles o medo de que sua pergunta seja por demais trivial ou irrelevante, medo da reação do professor, medo da reação de seus colegas de sala, etc.;

2. Muitas vezes o aluno nem sabe expressar sua dúvida, precisando da ajuda de outras pessoas para poder explicar o que sente, quais são suas dúvidas, etc.. Para esse aluno, o atendimento individualizado torna-se essencial, mas por diversos fatores, não existem monitores suficientes para atender cada aluno individualmente, e os professores geralmente não dispõem de muito tempo para este atendimento individualizado, principalmente devido ao grande número de alunos dentro de uma mesma turma;

3. Muitos alunos não perguntam por não entenderem a explicação do professor ou por se sentirem inibidos de perguntar algo que, ao seu ver, somente ele não entendeu, já que os demais colegas podem permanecer inertes à explicação do professor;

4. Muitos alunos só conseguem expressar-se no atendimento individual, com um monitor ou professor, e ainda somente depois de terem estudado com mais profundidade o assunto, ou seja, eles precisam de mais tempo para elaborarem perguntas;

5. Muitos alunos não sabem perguntar por não possuírem o conhecimento prévio necessário para entenderem o assunto explicado e ficam receosos de fazerem perguntas que não têm ligação direta com o assunto no momento, e a realização de um processo de nivelamento do conhecimento é praticamente impossível;

6. No método de ensino presencial, todos precisam escutar todas as perguntas e respostas, mesmo que elas não sejam de seu interesse naquele momento.

5. Levantamento das Atividades realizadas pelos atores envolvidos no Processo de Ensino-Aprendizagem

Como já foi dito, muitos atores podem estar envolvidos no processo de ensino-aprendizagem e nas várias atividades que são realizadas fora e dentro da sala de aula. Entretanto, nesse trabalho são considerados apenas os atores formais: alunos, monitores e professores e suas atividades fora da sala de aula.

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Sendo assim, nesta seção apresenta-se o levantamento dessas atividades realizadas fora da sala de aula por alunos, monitores e professores.

5.1 Atividades dos alunos

Quando o aluno está no período extraclasse ele pode realizar várias tarefas, tais como, busca e estudo do material bibliográfico, esclarecimento de dúvidas, anotações pessoais, resolução de exercícios, desenvolvimento de trabalhos, organização de documentos, interação com outros colegas, com monitores e professores, etc., tarefas estas que podem ser feitas individualmente ou em grupo. A seguir apresenta-se cada uma dessas tarefas separadamente:

• Busca de material bibliográfico: o aluno possui geralmente um material de referência que obviamente não esgota um assunto. Esporadicamente esse aluno precisa de outras fontes de informação que tratam com mais detalhes aspectos cujo material de referência tem poucas informações ou até mesmo não faz referência. Essas outras fontes de informação muitas vezes são materiais de disciplinas que são pré-requisito da disciplina cursada e esse material deve estar disponível sempre que necessário. É desejável que essa busca de informação seja eficiente e rápida.

• Estudo do material bibliográfico: após ter à mão todo o material nem consegue entender o que o texto está dizendo e precisa de ajuda.

• Esclarecimento de suas dúvidas: é desejável que o aluno possa tirar suas dúvidas independente do lugar e hora em que esteja, para não prejudicar sua aprendizagem.

• Anotações pessoais: o aluno precisa fazer suas anotações pessoais quando está estudando um determinado material bibliográfico.

• Resolução de exercícios: Pode ser feita tanto em grupo ou individualmente. É interessante que o aluno teste seus conhecimentos resolvendo problemas. Muitas vezes o aluno precisa da ajuda dos monitores e professores para entender o enunciado do problema ou sobre como atacar o problema. Também é muito importante que ele receba feedback sobre seus exercícios, para verificar se eles estão corretos ou não. Quando essa tarefa é feita em grupo ele precisa interagir com os colegas e portanto precisa de um ambiente apropriado para essa interação, onde o grupo possa interagir entre si e com monitores e professores, reunir documentos, publicar resultados, agendar reuniões, etc. Quando essa tarefa é feita individualmente o aluno também precisa de um ambiente apropriado para a realização dessa tarefa;

• Desenvolvimento de trabalhos: da mesma forma que a resolução de exercícios, o desenvolvimento de trabalhos, em grupo ou individualmente, exige um ambiente apropriado para que os grupos ou alunos possam interagir entre si e com os orientadores dos trabalhos e reunir e publicar resultados;

• Organização de documentos: esses documentos podem ser individuais ou relativos aos trabalhos de um grupo;

• Interação com outros colegas, monitores e professores: deve ser facilitada por meio de ferramentas de comunicação e colaboração, disponíveis em ambientes apropriados. 5.2 Atividades dos Monitores

A tarefa principal dos monitores é a de responderem às dúvidas dos alunos sempre que forem solicitados. Suas principais atividades são:

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• Resposta às várias perguntas dos alunos: esse atendimento geralmente é realizado num espaço físico reservado, em horários e dias específicos e fora dos horários de aula. O atendimento é individualizado ou dado a um grupo de alunos.

• Busca a outras fontes de informação: quando o monitor está atendendo alunos no intuito de esclarecer suas dúvidas, eles podem eventualmente não saber responder uma pergunta no momento do atendimento. Sendo assim, esse atendimento precisa no mínimo ser adiado por um pequeno período de tempo para que o monitor possa buscar outras fontes de informação a fim de ter condições de atender bem os alunos.

• Registro das fontes bibliográficas encontradas: é imprescindível que o monitor possa registrar e guardar as fontes encontradas num local adequado e seguro para que ele possa utilizar essas fontes sempre que necessário. Tendo essas informações devidamente registradas, o monitor também poderá indicá-las para os alunos sempre que ele detectar, de acordo com suas dúvidas, que isso poderá ajudá-los.

• Interação com alunos, professores e outros monitores: essa interação pode se dar de várias formas: no atendimento aos alunos a fim de esclarecer suas dúvidas, interação essa que pode levar vários dias; na troca de idéias e experiências com outros monitores em relação ao próprio processo de monitoria, inclusive para saber, por exemplo, se um outro monitor já respondeu uma pergunta semelhante a que ele está para responder; pedido de ajuda e aconselhamento com os professores das disciplinas sobre vários aspectos da monitoria; reuniões entre monitores e professores sobre a situação e andamento dos alunos no processo de monitoria;

• Organização de documentos: eventualmente o monitor precisará organizar tanto documentos pessoais quanto documentos relativos aos alunos, separando-os, por exemplo, por trabalhos, listas de exercícios, provas de um aluno em particular ou grupos de alunos e para cada disciplina que o monitor esteja monitorando.

5.3 Atividades dos professores

Os professores tem sob sua responsabilidade disciplinas, alunos e monitores que estarão auxiliando-o na ministração das mesmas. Assim, as atividades do professor são: • Responder as perguntas dos alunos: esclarecer as dúvidas dos alunos também é uma atividade extraclasse realizada pelo professor. Entretanto, quando o professor conta com o apoio de monitores, a procura pelo professor tende a ser reduzida.

• Acompanhamento do trabalho dos monitores: o professor precisa acompanhar as atividades dos monitores, informar-se sobre o cumprimento dos horários de atendimento aos alunos, qualidade do atendimento, satisfação com as respostas dados pelos monitores. • Acompanhamento do andamento dos alunos: saber como está o processo de monitoria: freqüência da procura dos alunos aos monitores, dúvidas mais comuns, assunto onde essas dúvidas estão ocorrendo com maior freqüência.

• Levantamento de perguntas e respostas: ter o controle do conjunto de perguntas e respostas que estão sendo feitas pelos alunos e respondidas pelos monitores. Essas informações podem muito ajudar o professor, inclusive podendo servir de base para que a disciplina seja revista e até modificada em períodos posteriores.

• Interação com alunos, monitores e com outros professores: o professor interage com os alunos para esclarecer diversos aspectos relacionados à disciplina que ele está

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com os monitores se dá com o intuito do acompanhamento do processo de monitoria como um todo. A interação com outros professores se dá pela troca de idéias e experiências com outros professores que já ministraram ou estão ministrando as mesmas disciplinas.

• Organização de documentos: organizar documentos e informações pessoais ou relacionados às suas disciplinas, alunos, monitores ou grupos de trabalho de forma segura, e ter em mãos essas informações sempre que necessário.

• Publicação de informações: eventualmente disponibilizar informações tais como datas de prova, listas de exercícios, trabalhos e provas, fora do horário de aula. Assim, é interessante que o professor disponibilize um meio de comunicação e transmissão de informações para que essa troca ocorra.

6. Moonline: proposta de um Ambiente para Apoio à Construção Coletiva de Conhecimento

Diante da análise das várias fases do processo de ensino-aprendizagem vigente, das dificuldades encontradas nessas fases e do levantamento das atividades desempenhadas pelos alunos, monitores e professores, foi proposto o Ambiente Moonline. O Moonline é um ambiente baseado na Internet para apoio à construção coletiva de conhecimento. Ele pode ser usado para dar apoio a cursos presenciais, semi-presenciais ou a distância. Para ilustrar, neste trabalho apresenta-se como cenário um curso formal. Sendo assim, temos como participantes do processo de ensino aprendizagem alunos, monitores e professores, bem como cursos formados por disciplinas.

No Moonline alunos, monitores e professores são associados às várias disciplinas desse curso. O Moonline é centrado nos alunos e nas várias disciplinas que cada aluno esteja cursando num determinado período, levando em conta também todas as disciplinas já cursadas por ele.

A correlação entre as disciplinas é um dos enfoques principais do Moonline, já que os assuntos estudados num determinado momento podem ter relação direta ou indireta com assuntos estudados em momentos anteriores, além do fato de que os assuntos dentro de um curso podem ser, eventualmente, abordados em várias disciplinas desse mesmo curso, possivelmente com enfoques e profundidades diferentes.

O Moonline tem como objetivo dar apoio a alunos, monitores e professores, possuindo um ambiente próprio para cada um deles. Ou seja, o objetivo é ter um ambiente personalizado para cada usuário de cada um desses três grupos.

O Moonline se preocupa com quatro dimensões principais que se manifestam no processo ensino-aprendizagem, a saber: automação de tarefas, integração de conceitos, individualização das interfaces e dinamização da interação entre os atores, apresentadas com mais detalhes a seguir.

Automação de tarefas: O Moonline oferecerá vários serviços e facilidades para que os alunos, monitores e professores possam realizar suas tarefas da melhor maneira possível, inclusive incorporando componentes inteligentes para agirem como assistentes pessoais de cada um de seus usuários. Esses agentes realizarão diversas operações para facilitar que esses membros realizem suas atividades, também interagindo entre eles, sempre que necessário.

Integração de conceitos: de um modo geral podemos dizer que subjacente ao conjunto de textos associados às várias disciplinas, existe uma estrutura conceitual implícita. A sua

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explicitação possibilitará aos alunos uma visão melhor estruturada e abrangente, no sentido de que o curso poderá ser navegado de forma integrada, sem as barreiras de uma disciplina. No Moonline, o objetivo é utilizar mapas conceituais [CANÃS, 2001] e a teoria dos planos de conhecimento [BRAGA, 1990] para disponibilizar e integrar conteúdo. Cada mapa conceitual estará num plano conceitual que por sua vez possui tipos de relacionamentos diferentes. Por exemplo, um mapa dos cursos cadastrados terá uma natureza diferente de um mapa dos assuntos de um curso, estando por isso em planos diferentes. Dessa forma os alunos poderão navegar num curso, tendo noção de como os assuntos se relacionam entre si.

Individualização das interfaces: Ao contrário do SMO, o Moonline disponibilizará um ambiente personalizado para cada um de seus usuários. Assim, conhecendo o usuário, seu perfil e suas ações, pode-se dar um melhor apoio à realização de suas atividades. A idéia central é que o sistema aprenda sobre os usuários durante as interações e através de análise histórica.

Dinamização da interação entre os atores: o Moonline permitirá que alunos, monitores e professores possam interagir entre si. Essa interação poderá acontecer de forma explícita ou não. Por exemplo, o aluno poderá fazer uma pergunta para todos os monitores e professores de uma dada disciplina, como também poderá escolher enviar sua pergunta e interagir somente ao professor da disciplina. Na medida do possível o sistema buscará identificar possíveis destinatários de uma mensagem e automatizar o roteamento [MENEZES, 1998]. 6.1 Aspectos Gerais do Moonline

O Moonline, baseado na visão corrente, é centrado nos alunos de um determinado curso (e não nas disciplinas desse curso). O Moonline possuirá um ambiente próprio para cada um de seus usuários. Entretanto, enquanto no SMO havia um ambiente para cada grupo de usuário, no Moonline teremos um ambiente personalizado para cada usuário de cada um desses três grupos. As próximas seções apresentarão os ambientes do aluno, monitores e professor com as facilidades que serão incorporadas para facilitar a interação e a realização de tarefas

6.2 O Ambiente do Aluno

Esse ambiente possuirá várias facilidades para o aluno, a saber:

1) O aluno poderá incluir comentários pessoais associados a cada trecho de texto das notas de aula.

2) O aluno poderá fazer perguntas relativas a cada trecho de texto, podendo não só enviar sua pergunta, como também anexar arquivos, que podem ser, por exemplo, código de programas, figuras, arquivos-texto, etc. O Moonline tentará encontrar respostas para a pergunta do aluno, analisando as perguntas similares que já foram feitas para o assunto em questão. Se o Moonline conseguir encontrar resposta(s) para a pergunta do aluno, essa(s) serão associadas à nova pergunta. Assim, poderemos ter perguntas com várias respostas e respostas associadas a várias perguntas ao mesmo tempo. Caso o Moonline não consiga ajudar o aluno, sua pergunta será cadastrada no sistema para ser respondida posteriormente pelos monitores ou professores da disciplina; Se o aluno não quiser fazer uma pergunta ao sistema mas quiser se comunicar com um monitor ou professor em particular, ele poderá enviar sua mensagem para esse monitor ou professor, que será vista por eles em seus ambientes.

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3) O aluno poderá ver as perguntas que ele ou outros colegas fizeram sobre qualquer trecho de texto, relativas ao período corrente ou à períodos anteriores.

4) O aluno poderá enviar trabalhos para os monitores e/ou professores.

5) O aluno terá acesso à listas de exercícios, provas, gabaritos, exercícios resolvidos, etc, que serão disponibilizados pelos professores da disciplina.

6) Cada vez que uma pergunta do aluno for respondida, ele receberá uma resposta que poderá ser vista de seu próprio ambiente.

7) O próprio aluno poderá atualizar seus dados no sistema como troca de login, senha, e-mail.

6.3 O Ambiente do Monitor

A tarefa principal dos monitores é de responderem as dúvidas dos alunos. Para isso eles precisam de suporte nas seguintes tarefas:

1) Automatização das tarefas de receber, analisar e classificar as perguntas, pois as perguntas podem ser de várias naturezas. Ex: Definir conceitos, pedir referência de material bibliográfico, pergunta de um assunto não diretamente relacionado ao assunto em questão, etc.

2) Permitir que o monitor encontre com facilidade material de apoio para responder as perguntas dos alunos, para encontrar informações sobre perguntas já respondidas, etc. 3) Ter um sistema de busca nas bases de conhecimento referentes as perguntas e respostas do sistema.

4) Facilitar essa interação, permitir que alunos, professores e outros monitores interajam de forma síncrona e assíncrona.

5) Automatização da tarefa de organizar documentos pessoais e documentos relativos aos alunos, separando-os por aluno, grupo de trabalho, disciplina, etc.

6) Ter um bom sistema de busca e indexação para que o monitor possa encontrar e registrar as referências bibliográficas relacionadas aos assuntos de cada disciplina afim de que ele possa usar essas informações para indicar material adicional para os alunos.

7) Ter um bom sistema de busca para achar essas informações e outras que forem úteis com rapidez e eficiência.

8) Automatização da tarefa de verificar se o e-mail do perguntador existe, se a mensagem foi enviada com sucesso. Caso contrário, guardar as mensagens não enviadas para serem enviadas mais tarde, etc.

9) Assim, cada monitor também precisará de um ambiente personalizado para ele. Mesmo porque cada monitor trabalha de maneira diferenciada um do outro.

6.4. O Ambiente do Professor

Os professores tem sob sua responsabilidade disciplinas e monitores que estarão auxiliando-o na regência das mesmas. Assim, o professor precisa:

1) Acompanhar o trabalho dos monitores de suas disciplinas, encontrando com facilidade informações tais como: perguntas respondidas por cada monitor e quando elas foram respondidas, informações pessoais dos monitores, etc..

2) Poder modificar o conteúdo dessas perguntas/respostas, poder incluir perguntas/respostas feitas pelos alunos em sala de aula no conjunto de perguntas/respostas.

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3) Comunicar-se com facilidade com os alunos, monitores e com outros professores. 4) Trocar materiais com alunos, monitores e professores, além de disponibilizar documentos como listas de exercícios, trabalhos, notas, gabaritos, etc.

5) Guardar documentos e informações pessoais e relacionados à suas disciplinas, grupos de trabalho e alunos individuais de forma segura, e buscar essas informações de maneira rápida e eficiente.

6) Disponibilizar material e referências bibliográficas para os alunos.

7) Ajuda para responder as perguntas dos alunos e ter como buscar informações sobre esses alunos, as disciplinas que ele já cursou, suas principais dificuldade nas disciplinas cursadas e que tem a ver com o assunto estudado num determinado momento, etc.

8) Possibilidade de produzir e inserir notas de aula associadas as disciplinas cadastradas no

Moonline.

Assim, alunos, monitores e professores precisam de um ambiente que dê suporte à realização de todas as tarefas expostas acima. O Moonline disponibilizará um ambiente para cada um desses usuários, ambientes estes que darão suporte às tarefas descritas acima.

A figura 3 ilustra de uma maneira geral as facilidades que estarão disponíveis nos ambiente dos alunos, monitores e professores. Os números apresentados na figura têm os seguintes significados:

1.Facilidades do ambiente do aluno; 2.Facilidades do ambiente do monitor; 3.Facilidades do ambiente do professor;

4.Envio, por parte do aluno, de perguntas, trabalhos, listas de exercícios, referências bibliográficas para disponibilização para outros alunos, comentários sobre exercícios, respostas de perguntas ou sobre o material bibliográfico para serem vistos por outros alunos, etc.

5.O aluno recebe respostas para suas perguntas, referências bibliográficas de outros alunos, monitores ou professores, informações referentes às disciplinas cursadas, especificação de trabalhos, datas de provas e de entrega de trabalhos, etc.

6.O Envio, por parte dos professores, de respostas para as perguntas dos alunos e dos monitores, resultados e especificação de trabalhos, referências bibliográficas para os alunos, informações sobre as disciplinas ministradas, informações e instruções para os monitores, etc.

7.Recebimento de perguntas ou outras informações dos alunos e monitores, recebimento de trabalhos, etc.

8.O Envio, por parte dos monitores, de respostas para as perguntas dos alunos, resultados de trabalhos, referências bibliográficas para os alunos, etc.

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3 Listas de exercícios Referências Bibliográficas Serviços de Busca Trabalhos individuais ou em grupo Esclarecimento de dúvidas Ambientes dos Alunos Ambiente dos Monitores 4 5 9 8 7 6 Base de Conhecimento do Moonline Ambiente dos Professores 1 2 Material Bibliográfico Classificação automática de perguntas Auxílio para responder os alunos Organização de documentos Facilidade para receber trabalhos Sistema de busca na base de P/R e no material bibliográfico Classificação automática de perguntas Auxílio para responder os alunos Organização de documentos Facilidade para receber trabalhos dos alunos 3 Listas de exercícios Referências Bibliográficas Serviços de Busca Trabalhos individuais ou em grupo Esclarecimento de dúvidas Ambientes dos Alunos Ambiente dos Monitores 4 5 9 8 7 6 Base de Conhecimento do Moonline Ambiente dos Professores 1 2 Material Bibliográfico Material Bibliográfico Classificação automática de perguntas Auxílio para responder os alunos Organização de documentos Facilidade para receber trabalhos Sistema de busca na base de P/R e no material bibliográfico Classificação automática de perguntas Auxílio para responder os alunos Organização de documentos Facilidade para receber trabalhos dos alunos Classificação automática de perguntas Auxílio para responder os alunos Organização de documentos Facilidade para receber trabalhos dos alunos

Figura 3 – Facilidades disponíveis nos ambientes dos alunos, monitores e professores 7. Sistema de Monitoria Online: Um Protótipo do Ambiente Proposto

A partir da proposta descrita na seção 6, foi construído um protótipo denominado

Sistema de Monitoria Online. Esse sistema, apoiado na Internet, visa integrar alunos,

monitores e professores, facilitando a cooperação entre eles. Nele são oferecidas facilidades de interação entre os agentes envolvidos no processo de ensino-aprendizagem de uma dada disciplina, além de permitir que os alunos façam perguntas sobre o material bibliográfico disponível e recebam as respostas correspondentes. Além disso, incentiva a participação de monitores voluntários e oferece facilidades para que monitores e professores respondam as dúvidas dos alunos. O Sistema de Monitoria Online possui 4 tipos de ambientes: o ambiente do aluno, o ambiente do monitor, o ambiente do professor e o ambiente do administrador do sistema, descritos a seguir.

7.1. Ambiente do Aluno

Neste ambiente encontram-se as páginas referentes ao material bibliográfico das disciplinas cadastradas no SMO. Esse material bibliográfico é constituído de páginas HTML, para serem acessadas via Internet. Nessas páginas o aluno pode navegar através dos

links, na ordem em que desejar, não precisando seguir uma seqüência linear ou imposta

pelo sistema, fazendo com que o mesmo construa a seqüência que quer estudar. O professor da disciplina também pode estruturar esse material da maneira que ele desejar. Um exemplo

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seria dividir o material bibliográfico em assuntos, sub-itens do assunto e trechos de cada sub-item, caso o assunto seja muito extenso. Esses trechos são a menor unidade de informação. Eles contêm um texto (que tem um contexto bem específico) e dois botões associados: um botão para o aluno fazer perguntas sobre o texto e outro para ele consultar as perguntas/respostas já feitas para o mesmo. Essa consulta pode ser feita por palavras-chaves ou frases que aparecem na pergunta e/ou resposta. O aluno pode ainda visualizar todo o conjunto de perguntas/respostas para a disciplina em questão ou em relação a qualquer uma das disciplinas cadastradas no sistema. Assim, o SMO trabalha como um grande indexador de perguntas e respostas, podendo o aluno inserir comentários relativos aos trechos do material bibliográfico, que podem ser visualizados por todos os alunos.

É importante ressaltar que há duas opções para tirar as dúvidas do aluno. A primeira é verificar no ambiente se já existe alguma pergunta similar que já tenha sido respondida. A segunda é enviar a pergunta para ser respondida pelos monitores e/ou professores. Sempre que uma pergunta é enviada ao sistema e respondida, o aluno recebe a resposta pelo correio eletrônico e essa pergunta/resposta é disponibilizada no sistema para os demais alunos. Como a visualização das páginas de perguntas e respostas é feita em páginas HTML, isso permite maior flexibilidade tanto àqueles que perguntam quanto àqueles que respondem as perguntas. Ou seja, as perguntas e respostas não precisam ser necessariamente somente textuais. Podem ser inseridos figuras, tabelas, links para outras referências bibliográficas. A figura 4 demonstra o funcionamento do ambiente dos alunos no SMO. Ela apresenta o formato de uma página do material bibliográfico, que é disponibilizado ao aluno. Cada trecho desse material possui dois botões associados (veja círculo na figura 4). O primeiro botão abre a página apresentada pela figura 5. Nessa página o aluno irá inserir sua pergunta e seu e-mail. Uma cópia da resposta é enviada por e-mail para o aluno assim que ela for respondida, além de ser disponibilizada para os demais alunos. O segundo botão serve para que o aluno visualize as perguntas e respostas que foram dadas para esse trecho do material bibliográfico. Entretanto, o aluno poderá fazer uma busca por palavras-chave à base de perguntas e respostas (figura 6), tornando a busca m,ais eficiente, não sendo necessário (embora seja possível) que ele visualize todas as perguntas/respostas de uma só vez (figura 7).

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7.2. O Ambiente do Monitor

Neste ambiente os monitores têm condições de ver todas as perguntas que foram enviadas pelos alunos, dentre as quais poderá haver perguntas respondidas pelos monitores ou professores, como também perguntas que ainda não foram respondidas. O monitor terá então autonomia para atualizar e responder as perguntas. Caso eles não saibam e/ou não possam responder alguma pergunta, eles poderão enviá-las para o ambiente dos professores para que eles possam respondê-las. Os monitores também terão autonomia para descartar as perguntas que eles não acharem relevantes ou até mesmo não relacionadas com o assunto em questão, além de poderem redirecionar perguntas que não foram inseridas em locais adequados mas que são referentes a outros trechos do material bibliográfico (lembrando que cada trecho do material bibliográfico está relacionado a um contexto específico). 7.3. O Ambiente do Professor

Neste ambiente os professores somente verificarão as perguntas que forem enviadas a eles pelos monitores. Essas perguntas são as que os monitores não souberam, ou não puderam responder em um tempo determinado. Os professores responderão essas perguntas

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e elas serão atualizadas no sistema para a visualização dos alunos e também dos monitores. O fato dos monitores também poderem visualizar essas respostas de seu ambiente é interessante, pois essas perguntas foram aquelas que eles não puderam responder. Os professores também têm acesso ao ambiente dos monitores, podendo se comportar como um deles.

7.4. O Ambiente do Administrador do Sistema

O administrador do Sistema de Monitoria Online é a pessoa que cadastra e elimina usuários e disciplinas. Cada monitor e professor possui login e senha que são imprescindíveis para a entrada deles no sistema. Quando uma disciplina é eliminada, todas as informações sobre ela, tais como todas as perguntas e respostas relativas à essa disciplina, são armazenadas em tabelas para que nenhum conhecimento seja perdido. 7.5. O Sistema de Monitoria Online: Um hipertexto dinâmico

Cada disciplina suportada pelo Moonline disponibiliza as suas notas de aula através de um hipertexto estruturado a partir de blocos básicos de informação. Como foi visto anteriormente, no SMO os alunos podem fazer perguntas sobre os diversos assuntos dentro de uma disciplina a partir do acionamento de um ícone associado a cada bloco de informação. Assim, pode-se pensar no SMO como um grande indexador de perguntas/repostas, no sentido de que, para cada bloco de informação, podemos inserir uma pergunta, visualizar o conjunto de perguntas/respostas feitos para cada bloco de informação e ainda o aluno pode inserir comentários relativos a cada bloco. Quando o professor ou monitor responde uma pergunta do aluno, ele também pode indicar outro bloco de informação para ser visitado pelo aluno, por exemplo para que ele encontre mais informações sobre um determinado assunto. Dessa forma, durante o decorrer de uma disciplina, o texto inicial vai sendo complementado pela inserção das perguntas, das respostas e dos comentários. Como cada um desses novos itens podem se referenciar ao material básico, o crescimento é também em forma de hipertexto. Ao final de cada curso, temos um novo texto, construído de forma cooperativa. A figura 8 apresenta a estrutura desse documento.

Figura 8 – O Sistema de Monitoria como um hipertexto dinâmico

Bloco de Informação 1 Assunto n Disciplina . . . Assunto1 Assunto 2 Bloco de

Informação 2 Informação n Bloco de

. . . Visualizar perguntas/respostas Inserir comentários Inserir pergunta Bloco de

Informação 1 Informação 2 Bloco de Informação n Bloco de

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8. Utilização do Sistema

Após a conclusão de uma versão confiável, o Sistema Monitoria Online foi disponibilizado para uso dos alunos, monitores e professores do Departamento de Informática da UFES a partir do primeiro semestre do ano 2000, no endereço “http://www.moonline.ufes.br”. Inicialmente o sistema foi disponibilizado para uso em disciplinas de Introdução à Programação para diversos cursos de engenharia, como resultado do esforço do departamento em um projeto do Programa REENGE. Posteriormente um dos autores utilizou o sistema como ferramenta principal para o apoio às atividades extraclasse da disciplina Introdução à Programação Funcional ministrada para os cursos de Engenharia de Computação e Ciência da Computação. Hoje algumas outras iniciativas se manifestam para o uso do sistema em outros departamentos, como é o caso das disciplinas Eletromagnetismo e Estruturas metálicas. A figura 9 exibe a pagina de entrada com as disciplinas atualmente atendidas.

Figura 9 – Página de entrada do Sistema de Monitoria . 9. Considerações Finais e Perspectivas de Trabalhos Futuros

Nesse artigo discutiu-se as dificuldades operacionais do processo de ensino-aprendizagem para cursos formais, apresentando o Sistema de Monitoria Online, que foi

(21)

uma proposta inicial para dar suporte às comunidades de aprendizagem no que diz respeito à realização de atividades extraclasse centradas em uma disciplina específica. Esse sistema foi o ponto de partida para a idealização do projeto Moonline.

Temos como perspectiva para trabalhos futuros implementar cada um dos ambientes propostos e dar atenção especial em como utilizar os mapas conceituais e a teoria dos planos de conhecimento para integrar e disponibilizar conteúdo. Os Planos de Conhecimento podem ser usados para dar estrutura ao conhecimento em uma abstração superior aos mapas conceituais. Por outro lado estamos estudando algumas possibilidades de extensão do uso clássico de mapas conceituais para possibilitar que eles incorporem novas características associadas aos nós (conceitos), tal como um sistema de busca a conteúdo associado a cada nó, como também a possibilidade de fazer perguntas relativas aos conceitos representados pelos nós e a visualização das perguntas e respostas feitas para esse mesmo conceito. É também nosso objetivo oferecer facilidades para a análise dos mapas conceituais construídos pelos alunos e com isso obter informações que possam ajudar no processo de ensino-aprendizagem.

10. Referências Bibliográficas

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Imagem

Fig 1 –  Etapas do processo de ensino-aprendizagem
Fig 2 –  Dificuldades encontradas nas etapas do processo de ensino-aprendizagem  Da figura 2 vemos que as maiores dificuldades se apresentam quando há interação  extraclasse  entre  alunos,  monitores  e  professores
Figura 3 – Facilidades disponíveis nos ambientes dos alunos,  monitores e professores
Figura 8 – O Sistema de Monitoria como um hipertexto dinâmico
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Referências

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