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RESPOSTAS DA QUALIDADE DE VIDA DE IDOSAS HIPERTENSAS APÓS PROGRAMA DE EXERCÍCIO FÍSICO SUPERVISIONADO

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Academic year: 2020

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www.interscienceplace.org páginas 69 - 98 RESPOSTAS DA QUALIDADE DE VIDA DE IDOSAS HIPERTENSAS APÓS PROGRAMA DE EXERCÍCIO FÍSICO SUPERVISIONADO

Adriana Ribeiro de Oliveira Napoleão do Rêgo, Prof. Esp.1

email: [email protected]

André Gomes, Prof. Dr.2

email: [email protected]

Estelio Henrique Martin Dantas, Prof.Dr.3

email: [email protected]

Resumo

O presente estudo teve como objetivo verificar as respostas da qualidade de vida (QV) em idosas hipertensas, após 18 semanas de Programa de Exercício Físico Supervisionado (PEFS). Participaram do estudo (n=26), idosas do grupo experimental (GE) (68,34 ± 8,54 anos) e 15 do grupo controle (GC) (67,3 ± 6,3 anos), residentes em Teresina-PI. A QV foi medida com WHOQOL-OLD e MINICHAL e todos os dados foram considerados paramétricos pelo teste de Shapiro-Wilk. Utilizou-se o teste T-Student para amostras pareadas (p<0,05) com diferenças significativas apenas nas facetas FS (p=0,001) e MEM (p=0,003) no GE pós PEFS. A melhor QV apresentou associação com níveis reduzidos de PA. Conclui-se que as facetas FS e MEM possuem melhor resposta da QV após o PEFS.

Palavras-chave: Exercício Físico, Pressão Arterial, Qualidade de Vida, Idosas. 1

Mestranda em Motricidade Humana pela Universidade Castelo Branco (RJ). Pós Graduada em Treinamento Desportivo (UGF-RJ). Graduada em Educação Física. Professora do Curso de Fisioterapia da FACID (PI). Av. Marechal Castelo Branco nº 140 aptº 302. Teresina, PI. CEP: 64058-014. Fone: (86) 9929-3185.

2

Doutor em Ciências da Saúde da Universidade Católica, Nuestra Señora de la Asuncion, Mestre em Ciência da Motricidade Humana (UCB-RJ), Especialista em Fisiologia do Exercício (UCB-RJ), Graduado em Educação Física. Laboratório de Fisiologia do Exercício LAFIEX – Rebouças Professor da Universidade Estácio de Sá (RJ).

3 Doutor em Ciências da Saúde, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (LABIMH) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), 3Pesquisador Convidado da Universidad de Valencia – España.

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www.interscienceplace.org páginas 69 - 98 ANSWERING THE QUALITY OF LIFE IN HYPERTENSIVE ELDERLY

WOMEN AFTER A SUPERVISED PHYSICAL EXERCISE PROGRAM Abstract

This study aimed to verify the Answers quality of life (QOL) in elderly hypertensive after 18 weeks of Supervised Physical Exercise Program (SPEP). Participated in the study (n = 26) elderly in the experimental group (EG) (68.34 ± 8.54 years) and 15 the control group (CG) (67.3 ± 6.3 years) living in Teresina-PI. QOL was measured with WHOQOL-OLD and MINICHAL and all data were analyzed by parametric test Shapiro-Wilk. We used the Student t-test for paired samples (p <0.05) with significant differences only the facets FS (p = 0.001) and DAD (p = 0.003) in the EG post SPEP. The QOL was associated with better levels reduced BP. We conclude that the facets FS and DAD possess improved QOL after the SPEP.

Key-words: Physical Exercise, Blood Pressure, Quality of Life, Elderly women.

____________________________________________________________________

INTRODUÇÃO

A população de idosos é a que mais cresce no mundo e no Brasil, elevando os índices de algumas doenças crônicas como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), presente em cerca de 70% da população idosa, e apresentando demandas crescentes dos serviços de saúde especializados cuja capacidade de resposta ainda está muito aquém das necessidades desta população (BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006, SCOTT, 2004).

Os riscos do envelhecimento juntamente com os efeitos da fragilidade física e das variáveis sócio-demográficas fazem com que a qualidade de vida das mulheres sofra um declínio. Estes riscos se devem em parte a fatores biológicos, estilo de vida,

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histórico de saúde e de doença, pobreza, baixa escolaridade, isolamento social e a diferença de oportunidades entre homens e mulheres. Desta forma, um dos melhores recursos para a prevenção e tratamento de doenças nesta faixa de população, são as modificações no estilo de vida, incluindo alimentação e exercício físico, cuja contribuição para a saúde não deve ser medida somente pelas doenças que poderá prevenir, mas pelo impacto na qualidade de vida (FANG et al., 2005).

Assim como a velhice é uma experiência heterogênea, a qualidade de vida nesse período da vida é um fenômeno multidimensional e multideterminado (LAWTON, 1991). A qualidade de vida trata de uma representação social criada a partir de parâmetros subjetivos (bem-estar, felicidade, amor, prazer, realização pessoal) e também objetivos, cujas referências são a satisfação das necessidades básicas e das necessidades criadas pelo grau de desenvolvimento econômico e social de determinada sociedade (MINAYO et al., 2000).

Informações sobre QV têm sido incluídas tanto como indicadores para avaliação da eficácia, eficiência e impacto de determinados tratamentos para grupos de portadores de agravos diversos, quanto na comparação entre procedimentos para o controle de problemas de saúde (KAPLAN, 1995). No âmbito da intervenção aumenta a consciência de que é importante identificar e promover condições que permitam a ocorrência de uma velhice longa e saudável, com uma relação custo benefício favorável aos indivíduos e às instituições sociais e no âmbito da saúde coletiva e das políticas públicas, também é possível identificar interesse crescente pela avaliação da QV (NERI, 2001).

A melhoria da QV passou a ser um dos resultados esperados, tanto das práticas assistenciais quanto das políticas públicas nos campos da promoção da saúde e da prevenção de doenças (SCHUTTINGA, 1995). Sendo assim, o presente estudo pretende oferecer subsídios aos profissionais da saúde, além de suprir uma lacuna sobre a compreensão dos mecanismos envolvidos no envelhecimento com a verificação dos

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efeitos de um programa de exercício físico supervisionado (PEFS) sobre a qualidade de vida (QV) de mulheres idosas hipertensas.

MÉTODOS Amostra

Este estudo do tipo descritivo, de corte transversal, selecionou randômicamente 41 mulheres idosas inativas, portadoras de hipertensão arterial leve, residentes em Teresina, PI. Todas as idosas estavam em tratamento medicamentoso regular para hipertensão, dissociado de outras patologias, sendo que 50% utilizavam o inibidor da Enzima de Conversão da Angiotensina – ECA (Captopril) e as outras 50%, faziam uso do diurético Tiazídico Hidroclorotiazida (HZT) (SCOTT, 2004).

A amostra foi constituída de dois grupos: o Grupo Experimental – GE (n = 26) formado de idosas provenientes do grupo social da Associação de Moradores do Bairro Piçarreira I e o Grupo Controle – GC (n = 15) proveniente do Programa de Terceira Idade em Ação – PTIA da Universidade Federal do Piauí (UFPI) que não estava praticando nenhum tipo de exercício ou atividade física regular a pelo menos 6 meses.

O GE foi categorizado em GE antes do PEFS e GE pós PEFS. O GE antes do PEFS se submeteu a avaliação da aptidão pré-participação para o PEFS através da aplicação do Questionário r-PAR-Q - Revised Physical Activity Readiness

Questionnaire (THOMAS et al., 1992).

Os critérios de inclusão para o GE foram: idade ≥ 60 anos, independência no desempenho das atividades físicas diárias e boas condições clínicas, assim como boa aptidão para participar do PEFS, excluindo-se qualquer tipo de condição aguda ou crônica que pudesse comprometer ou que se tornasse um fator de impedimento para a participação no Programa de Exercício Físico Supervisionado - PEFS, tais como cardiopatias e asma não controlada, contra-indicação a terapia anti-hipertensiva,

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condições musculoesqueléticas que pudessem servir de fator interveniente à prática da atividade (osteoartrite, fratura recente, tendinite e uso de prótese), problemas neurológicos, uso de medicamentos causadores de distúrbios da atenção, reposição hormonal e freqüência nas sessões de exercícios inferior a 70% (no caso do GE).

O presente trabalho atendeu integralmente as normas para a realização de pesquisa em seres humanos, Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde de 10/10/1996 (BRASIL, 1996) e da Resolução de Helsinki (WMA, 2008). Todos os participantes assinaram o termo de Participação Livre e Esclarecido após a aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COMEP) envolvendo Seres Humanos da Universidade Castelo Branco, RJ, com o número 0121/2008.

Testes Realizados

O GE foi avaliado em dois momentos: GE antes do início do programa de exercício físico supervisionado (GE antes) e GE após 18 semanas do PEFS, realizado no período de agosto a dezembro de 2008. O GC realizou os testes uma única vez, no início do estudo, pois ficou caracterizado como o grupo do sedentarismo, que não participou do programa de exercício físico supervisionado e de nenhuma outra atividade física, mas recebeu outro tipo de tratamento que constou da participação em cursos e disciplinas nas áreas artístico-culturais, de promoção da saúde e de lazer, com o objetivo de melhorar a auto-estima e consequentemente a qualidade de vida (RODRIGUES, 2002.p.89).

Para a caracterização da amostra, foram mensuradas a massa corporal (Kg) e a estatura (m) de acordo com as normas do ISAK (MARFELL-JONES et al., 2006).

A medida do peso corporal (PC) foi realizada com o indivíduo descalço e com roupas leves, na posição central da plataforma da balança mecânica de marca Filizolla® (Brasil), com precisão de 100 g, aferida em quilograma (Kg). A mensuração da estatura, em metros (m), seguiu o mesmo padrão já referido anteriormente, utilizando-se um

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estadiômetro em alumínio, Personal Sanny® Caprice (Brasil), com o indivíduo em posição ereta e em apnéia inspiratória, braços estendidos ao longo do corpo, pés unidos e a cabeça orientada segundo o plano de Frankfurt.

Utilizando-se a medida da massa corporal (MC) dividida pela estatura (E) elevada ao quadrado, obteve-se o Índice de Massa Corporal (IMC) em Kg/m² e a interpretação dos resultados foi realizada segundo a SBEM (2008). Não houve controle da dieta das idosas do estudo, mas foram realizadas orientações sobre alimentação saudável e cuidados com a dieta para hipertensão através de palestras e informativos.

Avaliação da Qualidade de Vida

Para avaliação da Qualidade de Vida foram utilizados dois instrumentos, um específico para hipertensão (MINICHAL) e um genérico para avaliação da QV em idosos (WHOQOL-OLD), ambos validados para o português do Brasil aplicados no início da pesquisa (no GE antes do PEFS e no GC) e ao término da intervenção (no GE pós PEFS).

O Mini-Cuestionario de Calidad Vida em Hipertensión Arterial – MINICHAL foi originalmente desenvolvido para ser auto-administrado, entretanto, neste estudo, devido à baixa escolaridade das idosas, foi aplicado mediante entrevista estruturada, onde as respostas basearam-se nos últimos sete dias. O questionário foi constituído de 16 questões de múltipla escolha, avaliadas em uma escala tipo Lickert com quatro possíveis respostas (0 = não, absolutamente; 1 = sim, um pouco; 2 = sim, médio; 3 = sim, muito), organizadas em dois domínios: Estado Mental (10 questões de 1 a 9), Manifestações Somáticas (6 questões de 10 a 16), e uma questão para verificar como o indivíduo avalia a influência da hipertensão e do seu tratamento na sua qualidade de vida (SCHULZ et al., 2008). Os pontos variaram de 0 (melhor nível de saúde) a 27 (pior nível de saúde) para EM e para a dimensão MS variaram de 0 (melhor nível de saúde) a 21 (pior nível de saúde) (BADIA et al., 2002). Nessa escala, quanto mais próximo de 0

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estivesse o resultado, considerando-se o conjunto das questões, melhor a qualidade de vida.

O outro instrumento utilizado para avaliar a QV foi o questionário WHOQOL-OLD desenvolvido pelo Grupo de QV da Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo essa versão baseada no WHOQOL-100 e específica para idosos com a finalidade de medir a percepção dos indivíduos a respeito do impacto que as doenças causam em sua vida, nas

duas últimas semanas (WINKLER; MATSCHINGER e ANGERMEYER, 2006). Este

questionário foi constituído de 24 ítens divididos em seis facetas: funcionamento dos sentidos (FS); autonomia (AUT); atividades passadas, presentes e futuras (APPF); participação social (PSO); morte e morrer (MEM); e intimidade (INT) que definem os aspectos positivos e negativos da qualidade de vida considerados pelas idosas, tais como: saúde, sociabilidade, suporte social, atividade física, possibilidade de dar suporte e apoio e sentimento de utilidade, respondidos de maneira espontânea. Cada faceta foi composta por quatro ítens avaliados por uma escala tipo Lickert (1 a 5 pontos), cujos escores variaram de 4 a 20 pontos. A obtenção do escore total de QV (QVG-OLD) derivou da soma dos 24 ítens, onde escores altos representam alta QV e escores baixos representam baixa QV (FLECK et al., 2003).

Avaliação da Pressão Arterial

A medida da pressão arterial (mmHg) foi realizada no início de cada sessão do PEFS, após 10 minutos de repouso na posição sentada através do método indireto com a técnica auscultatória utilizando esfigmomanômetro aneróide calibrado, da marca Premium, Glicomed (Brasil). A classificação da hipertensão nas idosas foi realizada segundo as V Diretrizes de Hipertensão Arterial (SBH, 2006), onde considera-se como hipertensão leve, uma pressão arterial sistólica (PAS) de 130 a 139 e diastólica (PAD) com valores de 85 a 89 mmHg.

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O PEFS foi desenvolvido com base no American College of Sports Medicine (2005), com duração de 18 semanas e aplicado no GE pós PEFS após as avaliações iniciais. Foi realizado duas vezes por semana (terças e quintas feiras) em sessões de 60 minutos de acordo com o protocolo apresentado no Quadro I (DANTAS, 2003.p.37).

A intensidade do exercício ao longo do PEFS foi monitorada através da Percepção Subjetiva do Esforço com a Escala de Borg mantendo-se em fraca a moderada (entre 7 e 12) (BORG & NOBLE, 1974) e o trabalho de alongamento foi avaliado por meio da Escala de Esforço Percebido na Flexibilidade - PERFLEX, tendo se mantido dentro dos limites prescritos para esta intensidade de trabalho (31 – 60), localizando numa média de 45±12,7 ao longo da intervenção (DANTAS et al., 2008).

QUADRO I. Programa de Exercício Físico Supervisionado – PEFS.

* A insistência para cada movimento deve atingir o limite de desconforto para provocar os efeitos fisiológicos (ALTER, 1999); ** Tipo alternado por segmento em duas séries de 10 repetições cada, com intervalos de 40 seg., com peso de 1 Kg; *** A insistência deverá ultrapassar o limite de desconforto com velocidade de execução bem lenta.

Variáveis Alongamento (Estiramento Estático)* Resistência Aeróbica Resistência Muscular** Flexionamento (Passivo ou Estático)*** Tempo 5 a 10 minutos 20 minutos 15 minutos 10 minutos Número de movimentos / sessão 7 - 10 7 Número de séries 1 1 2 3 Número de repetições 1 - 10 1 Tempo de insistência 6 segundos - - 10 segundos

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Após as 18 semanas de intervenção, foram realizados os mesmos testes da avaliação diagnóstica inicial, no GE pós PEFS.

Estatística

A análise dos dados utilizou a estatística descritiva por meio da média e da variabilidade dos dados com o coeficiente de variação (CV) e o desvio-padrão (DP). A análise estatística foi realizada com auxílio do software SPSS v.14.0® para Windows. A escolha dos testes foi baseada na análise da normalidade da amostra pelo teste

Shapiro-Wilk. Como nem todos os grupos se apresentaram próximos a uma distribuição normal,

foi utilizada a estatística não-paramétrica. Para as comparações das médias intergrupos, utilizou-se o teste t-Student e para as comparações intragupos, o teste de

Kruskal-Wallis, onde os escores atribuídos às médias foram cotejados pelo teste de Student-Newman-Keuls com nível de significância de p<0,05. Para a correlação entre as

variáveis foi calculado o coeficiente de correlação de Spearman.

RESULTADOS E DISCUSSÃO Caracterização da Amostra

As 41 idosas apresentaram características antropométricas semelhantes (tabela

1), embora tenham sido selecionadas de ambientes diferentes. A média geral de idade foi de 68,4 anos (DP=7,4; 55-82 anos) e IMC de 26,7 kg/m2 (DP=4,4; 18 - 35 kg/m2), onde o IMC do GE antes e pós PEFS (SW = 0,96; p-valor= 0,01) e do GC (SW = 0,96; p-valor=0,61) seguiram uma distribuição normal através do teste de normalidade de

Shapiro Wilk (SW).

Destacou-se a prevalência de IMC de sobrepeso (IMC ≥ 25 - 40kg/m2) no GE antes (46,4%) e pós PEFS (53,6%) e de padrões normais (IMC < 25 Kg/m2) no GC (43,7%).

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www.interscienceplace.org páginas 69 - 98 Tabela 1. Características antropométricas do GE antes, Ge pós PEFS e GC.

*DP - desvio padrão da média.

As idosas integrantes do GE antes do PEFS que realizaram a avaliação de prontidão para atividade física através do questionário rPAR-Q, apresentaram resultado Variável Grupo Média DP* Mínimo Máximo Coef. de

variação (%) Idade (anos) GE Antes 68,71 8,45 55 86 12,07 GE Pós 68,71 8,45 55 86 12,07 GC 67,3 6,3 62 81 9,31 MC (Kg) GE Antes 61,74 12,35 36,80 85,20 18,19 GE Pós 61,82 12,42 37,60 85 15,57 GC 59,23 10,51 44,2 81,2 17,75 Estatura (m) GE Antes 1,50 0,06 1,40 1,65 4,33 GE Pós 1,50 0,06 1,40 1,65 4,33 GC 1,51 0,05 1,39 1,60 3,2 IMC (Kg/m²) GE Antes 27,05 4,35 18,04 35,01 15,81 GE Pós 26,98 4,46 18,31 35,18 16,68 GC 26,13 4,36 19,45 35,61 16,65

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positivo em 87,5%, denotando a necessidade de uma avaliação médica prévia para a prática de exercício físico, que foi realizada.

Todos os grupos da amostra seguiram distribuição normal, com médias semelhantes de PAS e PAD no GE antes do PEFS e no GC, encontrando-se dentro do limite controlado (< 140/90 mmHg). A maioria das idosas apresentou regime monoterapêutico com 1 (50%) ou 2 (41,7%) fármacos e as outras (8,3%), mais de 2 medicamentos para o tratamento da HAS. Os medicamentos mais usados no tratamento pelos grupos estudados foram Captopril (66,6%), Hidroclorotiazida (66,6%) e Proponolol (16,7%). Esses medicamentos encontram-se disponíveis gratuitamente no SUS e fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais.

Nas comparações do GE antes para o GE pós PEFS, observou-se uma diminuição significativa (p<0.05) da PAS (11,4mmHg) e da PAD (5,6mmHg), exceto do IMC que não se modificou. Quanto à comparação intergrupos destas variáveis, verificou-se que o GE antes e pós PEFS não obtiveram diferenças significativas quando comparados ao GC.

Foram realizadas 35 sessões do Programa de Exercício Físico Supervisionado com média de participação de 24,7 ± 7,17 dias, indicando uma freqüência de 71%.

Qualidade de Vida

Na figura 1 verifica-se os resultados de qualidade de vida dos grupos do estudo através do questionário WHOQOL-OLD com escores mais baixos das facetas 1 e 5 e da QVG-OLD no GE antes do PEFS, evidenciando pior QV, ao contrário do GC que apresentou escores mais altos destas facetas, e portanto, melhor QV. Observa-se que as facetas 2, 3, 4 e 6 apresentam escores mais baixos no GC.

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www.interscienceplace.org páginas 69 - 98 Figura 1. Resultados do WHOQOL-OLD por facetas e QVG-OL no GE antes e pós PEFS e no GC.

Comparando-se os resultados de QV no WHOQOL-OLD (tabela 2), observou-se que no GE pós PEFS houve aumento significativo (p<0.05) nos escores das facetas 1 (FS) e 5 (MEM) quando comparados ao GE antes do PEFS, com melhora significativa da QV. O mesmo não ocorreu nas outras facetas. A faceta 4 obteve uma redução no pós PEFS e uma diferença (p<0.05) na comparação intergrupos com o GC.

Tabela 2 – Valores da medida de qualidade de vida no WHOQOL-OLD por facetas e pela qualidade de vida total (QVG-OLD), segundo grupos estudados.

FACETA WHOQOL-OLD*

Morte e Morrer Facetas por grupos

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www.interscienceplace.org páginas 69 - 98 Média ± DP GE antes (n=26) GE após (n=26) G controle (n=15) H p-valor

Funcionamento do sensório 9,15a ± 2.60 15,92b ± 3,26 17,13b ± 2,16 41,8888 <0,001

Autonomia 15,46a ± 2,61 15,42a ± 3,34 13,94a ± 3,40 2,5013 0,2863

Atividades passadas, presentes e

futuras 17,08a ± 2,87 16,38a ± 3,10 16,50a ± 3,25 0,8598 0,6506

Participação social 17,62a ± 2,26 13,38b ± 5,20 16,63ab ± 3,01 9,7897 0,0075

Morte e morrer 10,12a ± 5,41 13,38b ± 5,20 15,94b ± 3,77 11,6152 0,0030

Intimidades 16,96a ± 3,12 14,77a ± 4,42 15,25a ± 3,94 3,0933 0,2130

Qualidade de vida total (QVG-OLD)

16,07a ± 8,34 15,48a ± 2,31 15,90a ± 2.29 4,9114 0,0858

DP – Desvio Padrão da Média; H – Teste de Kruskal-Wallis

* Os escores atribuídos às médias seguidas de mesma letra na horizontal não diferem entre si pelo teste de Student-Newman-Keuls ao nível de 5% de propabilidade.

Os resultados da qualidade de vida medida através do questionário MINICHAL (figura 2), demonstraram escores médios mais distantes de zero para os domínios de Estado Mental e Manifestações Somáticas no GE antes do PEFS, evidenciando uma pior QV antes da intervenção.

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www.interscienceplace.org páginas 69 - 98 Figura 2. Resultados do MINICHAL por domínios de Estado Mental (EM) e Manifestações Somáticas (MS) e pela qualidade de vida total (QV-CHAL) no GE antes e pós PEFS e no GC.

A tabela 3 apresenta os resultados do MINICHAL no GE após a participação no PEFS, onde não houve diferença significativa dos domínios MS e EM de QV no GE pós PEFS em relação ao GE antes do PEFS, mesmo apresentando redução dos escores.

Tabela 3 – Valores da medida do MINICHAL por domínios e pela qualidade de vida total (QV-CHAL), segundo grupos estudados.

DIMENSÕES MINICHAL* Média ± DP GE antes (n=26) GE após (n=26) G controle (n=15) H p-valor Domínios do MINICHAL

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www.interscienceplace.org páginas 69 - 98 Estado mental 9,12a ± 4,82 8,12a ± 4,71 6,39a ± 3,65 4,2382 0,1201

Manifestações somáticas 3,54a ± 2,75 2,65a ± 2,19 3,00a ± 2,17 1,3228 0,5161

Qualidade de vida total 14,71a ± 8,34 12,54a ± 7,61 9,44a ± 4,66 3,7310 0,1548 DP – Desvio Padrão da Média, H – Teste de Kruskal-Wallis;* Os escores atribuídos às médias seguidas de mesma letra na horizontal não diferem entre si pelo teste de Student-Newman-Keuls.

Na figura 3 estão expostos os resultados em média do MINICHAL total (QV-CHAL) no GE antes e pós PEFS e no GC, sem diferença intergrupos, observando-se uma tendência à diminuição dos escores no GE pós PEFS, aproximando este grupo de uma melhor satisfação com a QV.

Figura 3. Qualidade de Vida total medida em média e desvio padrão pelo MINICHAL no GE antes do PEFS, no GE pós PEFS e no GC.

O resultado da correlação de Spearman entre as facetas do WHOQOL-OLD e dos domínios do MINICHAL no GE pós PEFS com as variáveis de PAS, PAD e IMC, apresentou relação inversa das facetas de AUT, APPF, PSO, MEM com a PAD,

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indicando que níveis mais baixos de PAD estão relacionados com uma melhor QV destas facetas. Observou-se também que quanto menor a PAS e a PAD, melhor a QV total no WHOQOL-OLD.

A correlação entre os domínios de EM e MS e a QV-CHAL com as variáveis de PAS, PAD e IMC foi baixa, exceto na relação direta entre MS e PAD (r = 0,585; p = 0,002), indicando que escores altos de MS estão relacionados com níveis de PAD elevados, correspondendo a um pior indicador de QV.

DISCUSSÃO

Nos últimos anos, estudos têm enfatizado a relação da atividade física (AF) com a qualidade de vida (QV) e o processo de envelhecimento. Alguns dados encontrados neste estudo demonstram que o exercício físico está associado à melhoria de vários aspectos da QV relacionada à saúde (BIDDLE & FAULKNER, 2002; BROWN et al., 2002; KOLTYN, 2001) e que existe uma correlação elevada entre AF e a satisfação com a vida, onde os idosos praticantes de AF tendem a adotar atitudes positivas demonstrando uma melhor saúde, sendo as mulheres inativas as que apresentam um menor nível de QV relacionada à saúde (SILVA, 2002; TOSCANA, 2005).

O fato de que as doenças predominantes em mulheres idosas se apresentarem como as não fatais ou crônicas como a hipertensão, como no caso da amostra estudada, é de fundamental importância o estudo e a intervenção sobre as variáveis de QV através de um programa de exercício físico supervisionado (PEFS) como forma de promoção de uma velhice longa e saudável, determinantes de uma boa QV (NERI, 2001).

Partindo do pressuposto de que a qualidade de vida na velhice é um fenômeno multidimensional (composto por diferentes domínios) e subjetivo que considera a percepção da pessoa sobre a sua situação pessoal em cada uma das dimensões relacionadas à qualidade de vida (LAWTON, 1991; THE WHOQOL, 1995), o presente

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estudo enfatiza, juntamente com outros estudiosos, que a QV só pode ser avaliada pela própria pessoa e não através da visão de cientistas e de profissionais de saúde (LEPLÈGE & RUDE, 1995; SLEVIN et al., 1998).

Medidas qualitativas e quantitativas como as deste estudo, são utilizadas em diversos estudos empíricos (SMITH et al., 1999; THE WHOQOL, 1998; BOWLING, 1995) e portanto, a avaliação da qualidade de vida obtida pelo WHOQOL-OLD e pelo MINICHAL, compreende instrumentos multidimensionais ao medir facetas que englobam diferentes dimensões representativas da qualidade de vida.

Os resultados do estudo apresentam uma melhor pontuação nos domínios participação social (17,62) e atividades passadas, presentes e futuras (17,08 pontos) do WHOQOL-OLD, com menor comprometimento da QV nestes aspectos, diferentemente da QV nos domínios funcionamento do sensório (9,15 pontos) e morte e morrer (10,12 pontos) no GE antes do PEFS, ao contrário do GC, com escores mais altos. Isto pode ser explicado pelo fato de que mesmo não realizando exercício físico, as idosas do grupo controle participaram de um programa nos moldes da universidade aberta para a terceira idade com atividades artístico-culturais, de promoção da saúde e de Lazer, que também podem melhorar a auto-estima e consequentemente, a qualidade de vida (RODRIGUES, 2002.p.89).

Os resultados do estudo apresentaram elevações significativas, comparando-se a pontuação do GE antes para o pós PEFS, da faceta 1 de Funcionamento do Sensório (FS) com aumento de 6,7 pontos (p > 0,0001) e da faceta 5, Morte e Morrer (MEM) com elevação de 3,3 pontos (p = 0,0030). Constata-se desta forma, que após a intervenção, as idosas apresentaram melhor percepção das variáveis de QV em relação ao funcionamento dos sentidos, quanto ao impacto destas perdas nas atividades da vida diária e a preocupação com a morte. O mesmo não ocorreu com as outras facetas e com a QV total. Contudo, o ato de praticar atividade física, por parte das idosas foi visto com

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bons olhos pela família e pelos amigos, produzindo nas idosas, bem-estar, maior autonomia e melhora na auto-estima.

Este fato foi comprovado no estudo de Maeda et al (2002), onde observou-se que as idosas mais ativas foram as que apresentaram médias mais elevadas nos domínios psicológicos e físicos de qualidade de vida, aproximando este grupo de uma melhor satisfação com a QV.

Por ser o domínio funcionamento do sensório correspondente a perda dos sentidos (audição, visão, paladar, olfato e tato), o aumento do escore verificado neste estudo, acaba por afetar positivamente a vida diária, a capacidade de participar de atividades e a capacidade de interagir com outras pessoas, tornando as idosas mais independentes (TORRES et al., 2009; SUBASI & HAYRAN, 2005).

Em relação ao domínio morte e morrer, referente ao grau de preocupação do idoso com a maneira em que irá morrer, com o medo de não poder controlar sua morte e com o medo de morrer e de sentir dor, também verifica-se diferença significativa no GE pós PEFS quando comparado ao GE antes do PEFS, onde percebeu-se uma associação com as questões de espiritualidade, nas quais boa parte das idosas acredita que a morte é a única certeza que os idosos tem na vida, aceitando este fato com humildade (TORRES

et al., 2009).

A melhora dos aspectos de QV apresentada neste estudo, corrobora com a pesquisa de Mazo et al. (2005) que utilizou o instrumento WHOQOL, confirmando a associação positiva entre idosas que realizam atividade física e melhor qualidade de vida, assim como, na revisão de estudos de dose-resposta do exercício físico na vida independente e na QV de idosos realizada por Spirduso e Cronin (2001) que verificaram a existência da relação entre a manutenção de níveis elevados de AF por tempo prolongado com uma vida independente e com o retardamento da diminuição da aptidão física e da ocorrência de incapacidades em idosos com idade avançada.

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Tomando como base os resultados dos estudos realizados por Mello (2008) ao utilizar o mesmo instrumento deste estudo em idosos, pode-se fazer uma classificação categórica do WHOQOL-OLD, onde escores entre 14,1 e 20 correspondem a QV alta, entre 11 e 14 a QV, média, e escores abaixo de 10,9 significam QV baixa.

Ao analisar os resultados do QVG-OLD, as idosas com média igual ou superior a 13 foram classificadas como sendo detentoras de qualidade de vida suficiente, enquanto aquelas que apresentaram condições inferiores foram classificadas com QVG-OLD insuficiente. Os resultados do QVG-QVG-OLD do presente estudo apresentarammédias mais altas para QV (QV média entre 15 e 16) do que as do estudo de Mello (2008) com média de 13 pontos.

Analisando-se separadamente os domínios de cada grupo, observa- se que os menores escores foram os dos domínios 1 (FS=9,15) e 5 (MEM=10,12), e os maiores escores dos domínios 3 (APPF=17,08) e 4 (PSO=17,62). Tal fato corrobora o estudo de Mello (2008), que observou o menor escore na faceta 1 (9,94) e o maior escore na faceta 4 (15,11) e difere do estudo de Alencar et al. (2009) que observou o menor escore na faceta 2 (AUT = 5), e o maior escore na faceta 6 (INT = 10).

A investigação realizada por Pereira et al. (2006) sobre a contribuição de cada domínio da qualidade de vida (físico, social, psicológico e ambiental) na qualidade de vida global de 211 idosos, residentes no município de Teixeiras, na Região Sudeste do Brasil, através do WHOQOL-Breef identificou que os quatro domínios juntos explicaram 36,1% da qualidade de vida global. O domínio social teve pequena contribuição (0,4%), mas não significativa (p > 0,05). O domínio que mais contribuiu na qualidade de vida global foi o físico (28,2%), seguido do ambiental (6,2%) e do psicológico (1,3%). Embora os domínios isoladamente não possam ser utilizados como parâmetro de comparação com as facetas do WHOQOL-OLD, o escore total de qualidade de vida deste estudo apresentou-se mais elevado (QVG-OLD = 77,4%), se comparado ao do estudo citado, com escore total de 65% de qualidade de vida.

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O escore de QV total em um estudo de Mello & Morucci (2005), utilizando outro instrumento, o WHOQOL-100, realizado com 17 idosos, de ambos os gêneros, praticantes de exercícios físicos regulares, na Barra da Tijuca, zona da cidade do Rio de Janeiro, apresentou média de qualidade de vida de 14,17. Para Varejão & colaboradores (2007), que também avaliaram a QV de idosos residentes em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, observou-se escores das facetas, variando de 8,21 a 15,47. Comparando-se com os escores obtidos junto à população do presente estudo, observa-se que os valores de QVG-OLD encontrados assemelham-se aos níveis de QV global das pesquisas citadas.

Em outro estudo realizado por Vale e Dantas (2005), o resultado do domínio Físico, encontrou escores de 15,56 ± 2,08 para um grupo ativo participante de um programa de treinamento resistido de força, estando com este valor acima do nível de suficiência da OMS (14,00), valores esses que foram alcançados pelo GE pós PEFS (15,9) do presente estudo. Ainda no mesmo domínio, Amorim e Dantas (2002) obtiveram diferenças significativas do pré para o pós-teste.

A comparação realizada por Mota et al. (2006) do nível de qualidade de vida de idosos que praticavam uma atividade física e aqueles que não praticavam, com a utilização do questionário SF-36, observou em seus resultados que o grupo controle (n=42 idosos), o qual não participou do programa de atividade física, teve uma pontuação significativamente menor em todos os domínios do teste quando comparada ao do grupo experimental (n=46 idosos). Estes achados diferem dos encontrados no presente estudo, onde somente nas facetas 1 e 5 demonstra-se melhora nos níveis de qualidade de vida do grupo GE pós PEFS comparados ao GE antes do PEFS e ao grupo controle.

Entretanto, estes resultados são sustentados pelos resultados do estudo de Rocha

et al (2009), onde verificou-se que as médias dos escores dos níveis de qualidade de

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grupo conseguiu perceber modificações positivas nestes domínios (Habilidade sensório e morte/morrer) através das respostas do questionário.

A partir da definição de que a QV é um conceito subjetivo que sofre influência de inúmeros fatores próprios da existência humana, a qualidade de vida relacionada à saúde procura limitar o estudo desses fatores para aqueles mais diretamente ligados à condição física, psíquica e social do indivíduo. No caso deste estudo, as idosas apresentaram características próprias de saúde como a hipertensão arterial, que geralmente é assintomática, mas que altera a QV.

Assim, a medida da qualidade de vida em pacientes portadores de hipertensão, faz-se necessária com a aplicação de questionários específicos de avaliação da QV para hipertensos, ajudando a conhecer melhor o impacto da HAS e do seu tratamento sobre estes indivíduos que foi feita neste estudo através do questionário MINICHAL para medir os principais fatores ligados à hipertensão que podem influenciar a sensação de bem-estar do indivíduo. Essa abordagem é importante, pois pode orientar as intervenções em saúde para aspectos que possam impactar positivamente a qualidade de vida com a utilização de instrumentos de medida confiáveis (SCHULZ et al., 2008).

Em um estudo de revisão realizado por Smith et al. (1999), investigaram-se a importância de três grandes dimensões: saúde mental, funcionamento físico e funcionamento social sobre a percepção da QV e do estado de saúde. A dimensão que teve maior poder de predição em relação ao escore da QV foi a da saúde mental/bem-estar psicológico, sendo que o poder preditivo da dimensão funcionamento físico foi menor.

Observa-se nos resultados do MINICHAL, a relação direta entre MS e PAD (r = 0,585; p = 0,002), indicando que escores altos de MS estão relacionados com níveis de PAD elevados, correspondendo a um pior indicador de QV. Esta relação direta pode ser observada em outra dimensão do MINICHAL, num estudo realizado com pacientes

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hipertensos que promoveu um tratamento intensivo para hipertensão e demonstrou uma correlação positiva entre o grau de redução da PA e a melhora da QV, especialmente na dimensão estado mental (ROSA-CUSACHS et al., 2003).

Níveis diminuídos de PAD relacionados com a melhoria das diversas dimensões de QV evidenciados no estudo, já são abordados na literatura, que demonstram os reflexos da prática regular de atividade física na redução de diversos fatores de risco, com efeitos positivos na qualidade de vida e que se relacionam inversamente com o aparecimento de doenças crônico-degenerativas (CDC, 1999; PATE et al., 1995).

CONCLUSÃO

A conclusão do estudo confirma a associação positiva entre a prática de atividade física e melhor qualidade de vida, demonstrada nos resultados do presente estudo através da melhora significativa das variáveis de QV do WHOQOL-OLD, medidas no grupo de idosas hipertensas, nas facetas de funcionamento do sensório e morte e morrer após o PEFS com a utilização de instrumentos que consideram o caráter subjetivo e a natureza multidimensional da qualidade de vida.

Assim, consideradas as necessidades dos participantes desse estudo e o desconhecimento destes, no início do programa acerca dos riscos da hipertensão arterial e da inobservância de um estilo de vida e hábitos saudáveis, sugere-se a realização de novos estudos envolvendo o estado de saúde das pessoas com hipertensão, enfocando não somente as causas que as levam a elevação dos níveis pressóricos, mas averiguando, concomitantemente, as dificuldades do acesso às unidades de saúde e aos programas de exercício físico. E embora estudos assim realizados possam ser generalizados, sua relevância é incontestável para profissionais de saúde e gestores locais, pois possibilitam a implementação de ações preventivas e de promoção da saúde, fortalecendo a necessidade de manutenção, o quanto possível, de uma vida ativa ao longo do processo de envelhecimento humano.

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TODOS OS AUTORES DECLARARAM NÃO HAVER QUALQUER POTENCIAL CONFLITO DE INTERESSES REFERENTE A ESTE ARTIGO.

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Tabela 2 – Valores da medida de qualidade de vida no WHOQOL-OLD por facetas e pela qualidade de  vida total (QVG-OLD), segundo grupos estudados
Tabela 3 – Valores da medida do MINICHAL por domínios e pela qualidade de vida  total (QV- (QV-CHAL), segundo grupos estudados
Figura 3. Qualidade de Vida total medida em média e desvio padrão pelo MINICHAL   no GE antes do PEFS, no GE pós PEFS e no GC

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