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Relatório de Estágio Profissional - O Desejo de Educar e de Ser Professor

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O Desejo de Educar e de Ser Professor

- Relatório de Estágio Profissional -

Relatório de Estágio Profissional apresentado para a obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário ao abrigo do decreto lei nº 74/2006 de 24 de Março e do decreto lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro.

Professor Orientador: Professor Doutor José Mário Cachada

Ricardo de Jesus

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II

de Jesus, R. J. S. (2016). O Desejo de Educar e ser Professor. Porto: R. Jesus. Relatório de estágio profissionalizante para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Palavras-chave: EDUCAÇÃO FÍSICA, ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO ESTÉTICA.

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III

“Educar para compreender matemáticas ou uma tal disciplina é uma coisa; educar para a compreensão humana é outra.”

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V

Dedicatória

Agradeço à família e amigos a imprescindível ajuda, sem vocês não teria sido possível…

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VII

Agradecimentos

Neste longo caminho percorrido pelo mundo da Educação quero agradecer e evidenciar todos aqueles que direta ou indiretamente estiveram presentes neste percurso.

Ao professor orientador Doutor José Mário Cachada, quero agradecer além do reconhecimento pela orientação e direcionamento técnico do percurso desenvolvido em todo o estágio realizado, a proximidade afetiva motivadora de todo o meu empenho no mesmo.

À professora cooperante Paula Águas pelo sua amizade e profissionalismo ao longo do EP.

Aos professores e funcionários da FADEUP, bem como, as restantes instituições pela qual passei, que me acompanharam antes e durante o MEEFBS continuando desta forma a usufruir de uma formação para me tornar um bom profissional da educação.

Aos professores e funcionários do AESH, nomeadamente o professor Doutor Eduardo Santos, o professor Hugo Silva, a professora Deolinda Barros, a professora Ana Bento e o professor João Magalhães.

Aos meus colegas de MEEFBS em especial ao André Cabral e ao Diogo Lopes pelos laços de amizade consolidados.

Aos meus amigos, em especial ao André Oliveira, ao António Oliveira (in memoriam) e à Sara Pereira sem estes a resiliência teria sido mais dolorosa. E finalmente aos meus pais pelo amor e pela educação transmitida.

Juntamente com as pessoas acima supracitadas quero agradecer de forma emocional e também racional, sem vocês não teria sido possível.

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IX

Índice Geral

Dedicatória ... V Agradecimentos ... VII Índice Geral ... IX Índice de Figuras ... XIII Índice De Tabelas ... XV Índice de Anexos ... XVII Resumo ... XIX Abstract ... XXI Lista De Abreviaturas ... XXIII

1. Introdução ... 1

2. Dimensão Pessoal ... 3

2.1. Reflexão Auto Bibliográfica ... 3

2.2 Expectativas do Estágio Profissional ... 6

3. Enquadramento da Prática Profissional... 9

3.1. Enquadramento Legal ... 9

3.2. Enquadramento Institucional ... 11

3.3. Enquadramento Funcional ... 12

3.3.1. Breve Caracterização da Escola ... 12

3.3.2. Caracterização da turma (6ºH) ... 14

4. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem ... 17

4.1. Conceção ... 18

4.2. Preparação, a base e sustentação do processo ... 20

4.2.1. Planeamento ... 20

4.3. Realização ... 24

4.3.1. O inicio do (Des)envolvimento relacional com os alunos ... 25

4.3.2. Pormenores das Modalidades Coletivas Lecionadas ... 34

4.3.2.1. Voleibol ... 34

4.3.2.2. Basquetebol ... 43

4.3.2.3. Futsal ... 49

4.3.2.4. Andebol ... 51

4.3.3. Pormenores na lecionação das Modalidades Individuais ... 54

4.3.3.1. Atletismo ... 54

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X

4.3.3.3. Ginástica de Aparelhos ... 68

5. Participação na Escola e Relações com a Comunidade ... 71

5.1. Introdução ... 71

5.2. Desporto Escolar ... 72

5.2.1. Corta-mato ... 72

5.2.2. Mega-Sprinter ... 73

5.2.3. XVIII Torneios Desportivos Inter-Escolas Matosinhos ... 75

5.3. Atividades do AESH ... 77

5.3.1. Cicloturismo ... 77

5.3.2. II Sarau do AESH ... 78

5.4. Projetos do Núcleo de Estágio ... 80

5.4.1. Workshop de Malabarismo realizado na EBSH ... 80

5.4.2. Manhãs “D” ... 81

5.4.2.1. Manhã D ... 81

5.4.2.2. II Manhã D ... 82

5.4.3. Pintura Mural do Pavilhão Gimnodesportivo ... 85

5.5. Projetos “Individuais” ... 86

5.5.1. Ligação com o Edulink... 86

5.5.2. Projeto de Teatro Escolar para o II Sarau da AESH ... 87

5.5.3. Workshop de Malabarismo realizado na Escola Secundária Gaia Nascente ... 88

5.5.4. Semana da Leitura – Interdisciplinaridade ... 90

5.5.5. Tutoria realizada a um aluno ... 91

5.6. Conclusão ... 93

6. A educação Estética nas aulas de Educação Física ... 95

6.1. Introdução ... 96

6.2. Revisão da Literatura ... 98

6.3. Metodologia ... 101

6.3.1. Amostra ... 101

6.3.2. Instrumentos de recolha ... 101

6.4. Apresentação e discussão dos resultados ... 107

6.5. Considerações finais ... 124

7. Conclusões e perspetivas futuras ... 127

8. Referências Bibliográficas ... 129 9. Anexos ... XXV Anexo I - Questionário individual do aluno ... XXV

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XI

Anexo II - Questionário de sensibilidade estética ... XXVI Anexo III - Questionário de apreciação estética na avaliação diagnóstica da corrida de velocidade ... XXIX Anexo IV - Questionário de sensibilidade estética na modalidade de atletismo – visão lateral ... XXX Anexo V - Questionário de sensibilidade estética na modalidade de atletismo - visão traseira ... XXXI Anexo VI - Questionário de apreciação estética na modalidade de basquetebol com o exercício 3X1 ... XXXII Anexo VII- Questionário de apreciação estética na modalidade de basquetebol com o exercício 3X3 ... XXXIII Anexo VIII - Questionário de sensibilidade estética - ginástica – avião ... XXXIV Anexo IX - Questionário de sensibilidade estética - ginástica - salto em extensão ... XXXV Anexo X - Questionário sobre práticas culturais ... XXXVI

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XIII

Índice de Figuras

Figura 1 - Cartaz com trabalhos realizados pelos alunos ... 29

Figura 2 - Parte da unidade didática da modalidade de voleibol ... 35

Figura 3 - Parte da avaliação diagnóstica da modalidade de voleibol ... 36

Figura 4 - Parte do plano de aula nº10 - modalidade voleibol ... 37

Figura 5 - Parte do plano de aula nº5 - voleibol ... 39

Figura 6 - Parte da avaliação diagnóstica de basquetebol ... 44

Figura 7 - Parte de um plano de aula da Modalidade de basquetebol ... 47

Figura 8 - Parte do registo da avaliação sumativa da modalidade de basquetebol ... 48

Figura 9 - Parte do plano de aula nº88 – modalidade de andebol ... 52

Figura 10 - Parte do plano de aula nº32 da modalidade atletismo ... 57

Figura 11 - Avaliação sumativa – atletismo ... 58

Figura 12 - Folha de registo da avaliação sumativa – corrida velocidade ... 61

Figura 13 - Parte do plano de aula nº77 ... 62

Figura 14 - Parte do plano de aula nº83 ... 63

Figura 16 - Frequência de resposta relativa à dedicação a manifestações culturais como participantes ... 107

Figura 17 - Frequência de resposta relativa a manifestações culturais - espectador . 108 Figura 18 - Frequência de resposta relativa à visualização de programas televisivos 109 Figura 19 - Frequência de resposta relativa à escola de perspetivas na corrida de velocidade... 114

Figura 20 - Frequência de resposta da seleção das categorias nas três perspetivas. 115 Figura 21 - Percentagem de seleção de categorias em duas perspetivas ... 116

Figura 22 - Apreciação estética da prestação em dois momentos ... 119

Figura 23 - Prevalência de categorias da apreciação estética do salto em extensão 121 Figura 24 - Prevalência de categorias da apreciação estética do avião no banco sueco. ... 122

Figura 25 - Pontuação atribuída na apreciação estética da coreografia de grupo ... 123

Figura 26 - Prevalência de categorias da apreciação estética da coreografia de grupo. ... 124

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XV

Índice De Tabelas

Tabela 1 - Estatísticas descritivas (média, desvio padrão, minino e máximo).

Comparação entre dois momentos de avaliação e três modalidades ... 110

Tabela 2 - Frequência de ocorrência das categorias em três modalidades em dois momentos de avaliação. ... 111

Tabela 3 - Comparação da apreciação estética entre dois tipos de perceção ... 117

Tabela 4 - Comparação da apreciação estética de dois momentos de avaliação ... 118

Tabela 5 - Comparação entre autoavaliação e heteroavaliação - ginástica ... 120

Tabela 6 - Comparação entre autoavaliação e heteroavaliação – avião no banco sueco ... 122

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XVII

Índice de Anexos

Anexo I - Questionário individual do aluno ... XXV Anexo II - Questionário de sensibilidade estética ... XXVI Anexo III - Questionário de apreciação estética na avaliação diagnóstica da corrida de velocidade ... XXIX Anexo IV - Questionário de sensibilidade estética na modalidade de atletismo – visão lateral ... XXX Anexo V - Questionário de sensibilidade estética na modalidade de atletismo - visão traseira ... XXXI Anexo VI - Questionário de apreciação estética na modalidade de basquetebol com o exercício 3X1 ... XXXII Anexo VII- Questionário de apreciação estética na modalidade de basquetebol com o exercício 3X3 ... XXXIII Anexo VIII - Questionário de sensibilidade estética - ginástica – avião ... XXXIV Anexo IX - Questionário de sensibilidade estética - ginástica - salto em extensão ... XXXV Anexo X - Questionário sobre práticas culturais ... XXXVI

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XIX

Resumo

O Estágio Profissional é o espaço por excelência onde é possível por em prática tudo quanto foi absorvido ao longo da formação inicial da profissão docente. Assume-se assim como o culminar de uma etapa importante no percurso do estudante e futuro professor, reclamando deste modo uma reflexão crítica e exaustiva de todo o processo. Este documento tem como principal objetivo retratar todo o caminho percorrido, sustentado na reflexão crítica das vivências decorrentes enquanto estudante estagiário durante o ano letivo 2015/2016 na Escola Básica da Senhora da Hora, em Matosinhos. Tendo este documento um carácter pessoal são evidenciados pormenores que considero relevantes para a minha aprendizagem enquanto estudante estagiário. O relatório está organizado em seis capítulos: o primeiro capítulo diz respeito à introdução do documento onde se contextualiza o mesmo; o capitulo seguinte “Dimensão Pessoal” é pautado pela descrição do meu percurso pessoal e profissional, bem como, as expectativas relativas ao estágio profissional; de seguida, no terceiro capítulo procurou-se contextualizar o estágio profissional através do enquadramento da prática profissional que compreende o enquadramento legal, institucional e funcional; No quarto capítulo abordou-se de modo exaustivo e reflexivo todo o desenvolvimento do estágio recorrendo às reflexões realizadas ao longo do ano, bem como, à literatura emergente. No capítulo seguinte espelhou-se toda a envolvência no projeto educativo e na comunidade escolar durante este trajeto, através da participação ativa nas atividades curriculares e extracurriculares da escola, bem com, na sugestão e criação de novas atividades lúdico-desportivas; o sexto capítulo compreende o estudo de investigação-ação centrado em questões da sensibilização estética dos alunos no Desporto, através da inclusão desta componente em três modalidades lecionadas: basquetebol, atletismo e ginástica. O leitor poderá então ficar a par das vivências didático-pedagógicas e de todas as relações efetivadas que permitiram que o ato de educar as crianças e jovens através do desporto fosse realizado com o sucesso desejado.

Palavras-chave: EDUCAÇÃO FÍSICA, ESTÁGIO PROFISSIONAL, EDUCAÇÃO ESTÉTICA.

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XXI

Abstract

The professional internship is an important opportunity to introduce into the practice the knowledge acquired during the teaching professional education process. In sense of this, it is the most important stage in the undergraduate student journey, i.e. the future teacher, that require a critical and extensive reflection about the academic process. This document aims to describe all the academic process and journey, based on a critical reflection of the experiences as a trainee during the school year 2015/2016 in the Basic School Senhora da Hora, in Matosinhos. Since the personal characteristic of this work, it was highlighted some information that are thought to be relevant to my learning process as a trainee. The present report is organized into six chapters: the first chapter presents the introduction of the work, with its contextualized; the next chapter, "Personal Dimension", contains the description of my personal and professional journey, as well as my expectations concern the professional internship; in the third chapter, it was tried to present the professional internship through the framework of professional practices, comprising the legal, institutional and functional framework; in the fourth chapter, it was introduced, with quite details and in a reflective mode, all the stages that comprised the development of the internship, by the use of the reflections realized throughout the year, and also by the use of the existent literature. The next chapter showed the trainee involvement in the educational project and in the school community during the internship, through the active involvement in mandatory and also in extracurricular activities in the school, as well as given suggestions and creating new recreational and sports activities; the sixth chapter comprises the action-research study, focused on students aesthetic awareness in sports by the inclusion this subject split into three different sports modalities: basketball, athletics and gymnastics. Reader can then know and understand the didactic-pedagogical experiences and also the relationships experienced that allowed the process of “educating youth by sports” was carried out as desired.

Keywords: PHYSICAL EDUCATION, PROFESSIONAL INTERNSHIP, AESTHETIC EDUCATION

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Lista De Abreviaturas

AESH - Agrupamento de Escolas da Senhora da Hora EE - EstudanteEstagiário

EF - Educação Física EP - Estágio Profissional

FADEUP - Faculdade de Desporto da Universidade do Porto MAPJ - Modelo de Abordagem Progressiva ao Jogo

MCJI – Modelo de Competência nos Jogos de Invasão MEC - Modelo de Estrutura do Conhecimento

MEEFBS- Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e

Secundário

MED - Modelo de Educação Desportiva MID - Modelo de Instrução Direta

PC - Professora Cooperante PO - Professor Orientador RE - Relatório de Estágio UD - Unidade Didática

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1. Introdução

O relatório de estágio (RE) faz parte da unidade curricular estágio profissional (EP), integrada no 2º ciclo de Ensino da Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário (MEEFBS) da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP). Este documento apresenta a minha visão/perspetiva do EP que realizei, evidenciando todas as experiências que considero relevantes documentar. Este documento foi realizado e orientado pelo professor Doutor Orientador José Mário Cachada (PO).

O EP é o palco principal dando oportunidade aos professores estagiários de iniciar o seu desenvolvimento profissional, por meio das suas experiências e análise reflexiva da prática (Marcelo, 2009). De acordo com as normas orientadoras do EP, este “tem como objetivo integrar no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, em contexto real, desenvolver as competências profissionais que promovam os futuros docentes com um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão” (Matos, 2015, p.3).

Decorre do anteriormente exposto que, este documento assume um papel reflexivo, com o objetivo principal de retratar as aprendizagens e vivências que decorreram no EP enquanto Estudante Estagiário (EE) no presente ano letivo 2015/2016.

Para tal, este RE apresenta a seguinte estrutura: O primeiro capítulo refere-se à dimensão pessoal, onde é descrito um pouco do meu percurso pessoal e profissional, bem como, as minhas expectativas relativas ao EP enquanto EE. O segundo capítulo compreende o enquadramento da prática profissional, neste estão contidos o enquadramento legal, institucional e funcional. Com o objetivo de dar a conhecer o contexto em que este EP se insere, são aqui também abordados os aspetos relacionados com a escola cooperante bem como a turma que ficou a meu cargo. O terceiro, quarto e quinto capítulos são o cerne de todo o relatório uma vez que compreendem as três grandes áreas de desempenho: Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem; o Desenvolvimento Profissional e a respetiva Participação na Escola e Relações com a Comunidade. Aqui a abordagem assentará em tudo quanto foi realizado desde a conceção até à avaliação, passando pela

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realização e avaliação. Para tal, recorri sempre que necessário a todos os momentos de reflexão que integraram a construção da minha identidade profissional. E foi precisamente nesse processo que me senti sensibilizado para a inclusão da "componente estética" nas aulas de Educação Física (EF) como forma de potenciar o envolvimento dos alunos na referida disciplina e que levou à necessidade da realização de uma pesquisa mais aprofundada acerca da educação estética nas aulas de EF, temática apresentada através da realização de um estudo de investigação-ação que decorreu durante a lecionação do segundo período, com o intuito de desenvolver a componente estética através da disciplina de EF mais precisamente através de desportos coletivos e individuais (atletismo, basquetebol, ginástica) de modo a avaliar o desenvolvimento, evolução e aprendizagem e o seu impacto/relação nos alunos nas aulas de EF.

Por fim, no último capítulo, serão retratados os aspetos principais de todo este processo, bem como, as perspetivas de um futuro que está quase a “virar” presente.

Ser professor não é tarefa fácil, o desejo de o ser existe mas é preciso bem mais do que desejo, as competências didático-pedagógicas são vitais para que o desenvolvimento da profissão possa ser de excelência. As relações com a comunidade escolar exige sempre muitíssima responsabilidade, disciplina, dedicação, esforço, organização e resiliência para atingir os objetivos educacionais.

A realização deste EP e tudo o que este englobou desde a aprendizagem até à superação profissional permitiu-me aproximar do meu desejo: de educar e de ser Professor.

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2. Dimensão Pessoal

2.1. Reflexão Auto Bibliográfica

Gostaria de começar por transmitir as razões que me trouxeram até aqui. Não somente a esta fase em que é necessário conceber o meu RE mas sobretudo uma reflexão do meu percurso de vida, os caminhos que percorri até chegar aqui.

O meu nome é Ricardo Jorge Sousa de Jesus, nasci no Porto, como costumo dizer de uma forma irónica “decidi vir cá nascer”. Contudo, por razões económicas e profissionais dos meus familiares passei por várias cidades, tais como Coimbra, Leria, Ponta Delgada, Oradea (Roménia) e, vim “desaguar” ao Porto à cerca de 20 anos. O que quero com isto transmitir é que não me sinto única e exclusivamente de uma cidade, de um país ou de um território mas sim de um planeta em constante movimento tal com o Homem. Aquilo que sou hoje é o resultado de uma mistura de influências dos lugares por onde já passei através dos cinco sentidos humanos.

Gostaria também de retroceder um pouco no tempo e começar por relatar alguns momentos marcantes da minha infância, com o intuito de argumentar a minha chegada ao 2º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário. As imagens que recordo da minha infância são imagens muito diferentes da nossa sociedade atual. As horas livres eram vividas nas ruas a brincar com os amigos, hoje trocadas por experiências em torno da televisão, internet, jogos em formato tecnológico repleto de informação e de efeitos audiovisuais. Neste sentido em relação à televisão Savater (2010, p.99) afirma que, “o mal não é que transmita mitologias falsas e outros embustes, mas o facto de desmistificar vigorosamente e de dissipar sem contemplações as brumas cautelares da ignorância que costumam rodear as crianças para que estas continuassem a ser crianças.” As atividades lúdicas no nosso desenvolvimento enquanto crianças não deverão passar por um relacionamento acentuado com a televisão. A descoberta do conhecimento deverá ser através do corpo e de todos os seus sentidos. Felizmente desde

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cedo que adquiri um estilo de vida saudável, a geração dos anos oitenta de um modo geral não teve a mesma infância que as gerações seguintes. As corridas, os jogos de futebol, as “pedaladas” na bicicleta, os jogos tradicionais como o peão, a carica, etc., fizeram com que fosse fisicamente ativo em grande parte dos meus dias, juntamente com familiares e amigos.

Na escola primária conheci e experimentei a natação, uma vez que fez parte das atividades desportivas, outra das quais a patinagem. O desporto de um modo mais formal apareceu aos 10 anos de idade com a iniciação no andebol no Clube Académico de Leiria, no desporto escolar pratiquei andebol, na equipa do Colégio Conciliar de Maria Imaculada situado em Leiria. Apesar da experiência com esta modalidade ter sido relativamente curta, despertou e alimentou a minha paixão pelo desporto, oferecendo-lhe significado positivo. Depois do andebol não me filiei em nenhuma modalidade em especifico, contudo, mantive sempre o contacto enquanto praticante de vários Desportos.

Na escola, básica e secundária, a EF era uma das disciplinas que sentia mais apreço e entusiasmo. Contudo, as disciplinas relacionadas às artes também fizeram parte do meu leque de disciplinas prediletas. O resultado nessas mesmas disciplinas era claramente superior em relação às demais.

Os hábitos saudáveis e a prática de exercício físico na minha adolescência, das amizades que me faziam acompanhar num lazer coletivo carregado de dispêndio de energia, amizade e emoção fez-me aumentar o amor pelo Desporto. O meio social, em que estive e me encontro envolvido, fez-me de certo modo iniciar a prática da corrida de resistência com regularidade bem como o convívio com atletas (de diversas modalidades) assim como formadores e professores.

Assim de forma bastante sucinta posso dizer que o exercício físico a partir da maior idade tem sido para mim um enorme escape à sociedade onde vivo e também aos problemas/desafios que vou defrontando nesta sociedade barbárie que apenas se preocupa com os bem-sucedidos. O exercício físico, o Desporto e as artes, nomeadamente as circenses, são os dois pilares da minha escolha pela via da educação. O gosto por educar e o contacto com públicos diversos maioritariamente infantis começou com as artes circenses (o teatro de rua, o malabarismo, o palhaço) que entraram na minha vida à cerca de 12 anos e nunca mais saíram.

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A experiência do trabalho com crianças e jovens a partir da animação circense ampliou o meu gosto pela educação, a relação com os jovens, criaram em mim um desejo pelo ato de educar, de construir um mundo melhor e com resiliência talvez modificá-lo, sempre suportado com a ajuda de todos os que tentam de forma digna por em prática a palavra Educação. Paulatinamente senti a certeza que o meu futuro gostaria de ser ao lado dela, o desejo de educar e ser professor de EF desenvolveu-se. Estou plenamente de acordo com Mayor (2002, p.11) quando afirma que “A educação é a «força do futuro» porque constitui um dos instrumentos mais poderosos para realizar a modificação.”

A ligação destas duas áreas (educação através do desporto/ artes circenses) fascina-me e motivou-me a obter mais formação, pois considero serem uma ferramenta extremamente forte para utilizar na formação das crianças e jovens. As atividades circenses como por exemplo o malabarismo necessitam de um movimento pensado, refletido, treinado para que exista sucesso em qualquer performance realizada. Essas atividades podem ser utilizadas nas aulas de EF desenvolvendo valores estéticos fulcrais para o desenvolvimento da sociedade atual de forma a estabelecer hiérarquias sobre estes.

Deste modo, fazia todo o sentido envolver-me na área do Desporto na vertente de ensino pelo que decidi ingressar na licenciatura em EF e desporto no Instituto Superior da Maia, atual Instituto Universitário da Maia. Após a conclusão da licenciatura na Roménia na cidade de Oradea através do programa Erasmus, achei que a minha formação enquanto professor precisava de ser melhorada, decidi que queria candidatar-me ao 2º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, na FADEUP, por ser uma faculdade de referência. Considerei que seria uma ótima opção para ampliar os meus estudos na área da Educação tendo como base o Desporto, para posteriormente, transportar para o terreno em que atuo sempre com o desejo de estar próximo da escola. Paralelamente à minha formação na área do Desporto, continuo a contactar quase que diariamente com crianças e jovens através das artes circenses e teatro tanto no palco como na formação.

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6 2.2 Expectativas do Estágio Profissional

Neste capítulo, apresento as expectativas para o estágio profissional no âmbito do 2º ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário que foi realizado no Agrupamento de Escolas da Senhora da Hora (AESH) mais precisamente na Escola Básica da Senhora da Hora (EBSH). A presença da professora cooperane (PC) foi uma mais-valia, nomeadamente a sua vasta experiência quer como docente como PC. Assim a sua ajuda foi essencial para que encontrasse o caminho mais acertado, bem como, no acompanhamento diário, de modo a esclarecer todas as dúvidas possíveis na minha prática pedagógica e no meu envolvimento com a escola. Novidade foi a relevância que as tarefas burocráticas têm no dia-a-dia do professor. Nomeadamente planeamentos, regulamentos, reuniões etc. Apesar de acreditar na necessidade vital de todos os procedimentos enquanto EE senti apenas uma vontade imensa de conhecer os alunos e toda a comunidade escolar em ação, com os professores de EF e os alunos em constantes “tranfers” de aprendizagem significativas.

Um dos meus objetivos foi fazer parte integrante do sistema educativo de forma positiva, isto é, em que o papel da disciplina de EF interpretada por mim enquanto EE fosse capaz de fazer desenvolver não só a nível motor mas também criar um desenvolvimento moral, pessoal e social, ético, estético de modo a que exista um desenvolvimento humano acompanhado de aprendizagens significativas em todos os alunos. O objetivo foi educar e transformar o futuro destas crianças, investindo para uma maior equidade social em termos éticos e morais. Educar através da EF não será apenas transformar o físico, concomitantemente deverá obter um papel no desenvolvimento pessoal, social e moral dos alunos. Segundo Rosado & Ferreira (2011), a filosofia e os valores inerentes à EF e ao Desporto, apesar de na maioria das vezes, se expressem, de modo despercebido, representam mais do que o domínio das habilidades desportivas e de desenvolvimento físico. São um projeto de educação integral de educação cívica, ética, de desenvolvimento de competências de vida com aplicações fora dos muros do Desporto e da atividade física. Segundo Freire (1996, p.37) "É por isso que

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transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: " o seu caracter formador".

Sendo um EE e tendo vivenciado de forma mais tácita e realista, em primeiro plano com todos os procedimentos para um verdadeiro desenvolvimento como profissional espero estar debruçado mais “realisticamente” na verdadeira aprendizagem de ser Professor, com a existência da ajuda de profissionais com experiência elevada na área educacional desportiva, como por exemplo a PC, professora Deolinda Barros, professora Ana Bento, professor João Magalhães, apaziguando toda a ansiedade e clarificando todos os passos necessários para uma aprendizagem eficiente no dia-a-dia. Esta reflexão sobre as minhas expectativas de EP traz no meu entender um reforço para a consciencialização extremamente importante que o professor tem na sua profissão, “A educação é sempre uma tentativa de resgatar o semelhante da fatalidade zoológica ou da limitação nauseante da mera experiência pessoal” (Savater, 2002, p.30). Educar para um futuro melhor é sem dúvida o caminho que não será fácil, mas o desejo de o conseguir é o primeiro passo para tal objetivo ser comprido. A sociedade só existe devido ao processo de transmissão. É através da passagem dos hábitos de fazer, construir e sentir, das pessoas mais velhas para as mais novas que se processa a comunicação. Caso não se processasse a transmissão dos ideais, esperanças, expectativas, padrões e opiniões daqueles irão desaparecer mais cedo para aqueles que por cá andaram mais tempo a vida social não sobrevivia (Formosinho, Boavida & Damião, 2013).

Urge a vontade de ensinar os mais novos, para que estes possam construir ou melhor reconstruir de forma espantosa o futuro de amanhã, numa força coletiva unida, transparente, justa, repleta de comportamento de valores moldados inicialmente através da escola (professores) e mais tarde ensinados pelos antigos alunos repletos de valores éticos, morais e estéticos que permitam a sociedade ao invés de se desenvolver que evolua.

Para Llosa (2012, pp. 64-65) “agora somos todos cultos de alguma maneira, ainda que não tenhamos lido nunca um livro, nem visitado uma exposição de pintura, ouvido um concerto nem adquirido algumas noções

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básicas dos conhecimentos humanísticos, científicos e tecnológicos do mundo em que vivemos.”

O excesso de informação faz acreditar que as crianças, jovens e adultos que são capacitados de uma intelectualidade cultural, sendo estes capazes de opinar sobre qualquer tema que de forma lisonjeira passou pelos seus ouvidos, olhos etc.

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3. Enquadramento da Prática Profissional

3.1. Enquadramento Legal

O enquadramento legal faz parte do planeamento e elaboração do RE. Este deverá ser assimilado pelo EE e deverá estar sempre presente antes, durante e após do EP. Deste modo, o EE tem que estar elucidado sobre as leis que estão definidas pelos seus superiores hierárquicos, por forma a ter presente todas as burocracias basilares que se deve reger.

Assim, de forma a obter entendimento sobre os códigos que regulam e norteiam a vida “profissional” do EE realizei um estudo que se incidiu nas Normas Orientadoras do EP do Ciclo de Estudos Conducentes ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário da FADEUP e pelo Regulamento da Unidade Curricular EP do Ciclo de Estudos conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário da FADEUP aprovado pela Comissão Cientifica constituída pela Professora Doutora Isabel Mesquita, Professor Doutor Ramiro Rolim, Professora Doutora Paula Batista, Professora Doutora Paula Queirós e presidida pelo Diretor do Curso, Professor Doutor Amândio Graça revisando por último a estrutura e funcionamento do EP consideram os princípios decorrentes do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 setembro.

A habilitação como docente é obrigatória para a lecionação das aulas como referencia o Artigo 3º do Decreto-lei nº 43/2007 de 22 fevereiro “A habilitação profissional para a docência num determinado domínio é condição obrigatória, o grau de mestre só alcança quem consegue a aprovação completa das unidades curriculares que estão integradas no plano de estudo do Mestrado, assim como a aprovação da defesa do relatório da unidade curricular referente à prática de ensino supervisionada.” No Regulamento de Estágio mais precisamente no Artigo 4º a prática de ensino supervisionada (PES) visa “a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada em contexto real na escola cooperante fazendo deste modo desenvolver as competências profissionais evoluindo o pensamento critico e reflexivo de forma a se tornarem relevantes para o desempenho do seu papel enquanto EE.”

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As competências da formação que o EE deverá alcançar vão ao encontro da sua perfeita integração (com todos os erros/aprendizagens) no seu desempenho profissional, estas estão inseridas no Artigo nº14 no Decreto-Lei nº 4/2007. “A formação educacional geral, as didáticas específicas, a iniciação à prática profissional, uma formação cultural social e Ética, formação em metodologias de investigação educacional bem como a formação na área da docência sempre com suportado por um pensamento critico.” Todas estas formações aliadas às didáticas específicas juntamente com a iniciação à prática profissional reúnem sem dúvida um enorme leque de modo a que o EE possa experienciar uma vivência profissional com pouquíssima distância do que esta profissão é na realidade.

A orientação da prática de ensino supervisionada é realizada por um professor da FADEUP, denominado por PO e por uma professora da escola cooperante, estes dois professores, PO e a PC tiveram o papel importante de acompanhar e complementar todo o processo de ensino-aprendizagem do EE de forma planeada, organizada e sempre com uma ética constante para que o meu EP fosse um exemplo para toda a comunidade escolar, servindo esta e aos seus superiores hierárquicos para um reavivar dos valores intrínsecos da EF.

No que diz respeito às atividades letivas e não letivas que o EE deve realizar, estas estão dependentes da EC, em consonância com a PC e o PO, assim o EE poderá estar inserido no Projeto Educativo de Escola, no projeto Curricular da Escola, o projeto de departamento que está conectado com o grupo de EF, o projeto Curricular de EF, bem como o projeto do Desporto Escolar. O EP é constantemente uma Prática de Ensino Supervisionada aliado às formações que decorreram na FADEUP colmatando esta formação contínua com a realização do RE.

Deste modo, o estágio supervisionado trata-se de um esforço coletivo entre a FADEUP a EC, intermediado pelo PO, PC e o EE, cujo objetivo principal deverá passar por conseguir inserir-se no coletivo (Escola) e procurar a partilha, cooperação, transmissão de conhecimentos carregados por reflexões que determinam um pensamento crítico e que de alguma forma lhe proporcione autonomia de forma contextualizada ao contexto da escola

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oferecendo respostas válidas aos alunos em cooperação com os professores da EC.

3.2. Enquadramento Institucional

O EP no que diz respeito ao Enquadramento Institucional está introduzido no 2º Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário da FADEUP, na unidade curricular de EP referente aos 3º e 4º semestres do ciclo de estudos em questão.

Segundo o Artigo 9.º do Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional o EP “funciona durante os terceiro e quarto semestres do 2º ciclo de estudos, com início no dia 1 de Setembro e prolongam-se até ao final do ano letivo das escolas básicas e secundárias onde se realiza o EP.”

Segundo as “Normas Orientadoras do Estágio Profissional” (Matos, 2015), este deverá incluir 3 áreas de desempenho, como referido na introdução do presente RE, sendo elas:

Área 1 – “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”, Área 2 – “Participação e Relações com a Comunidade”,

Área 3 – “Desenvolvimento Profissional”.

A Área 1 é caracterizada pelo percurso que o EE tem que realizar no que toca ao processo de ensino-aprendizagem, ou seja, são todas as tarefas a executar durante o ano letivo, no que diz respeito à intervenção no seio da turma.Está relacionado com o processo de ensino-aprendizagem, da conceção ao planeamento à realização da prática pedagógica e à avaliação do processo de ensino-aprendizagem.

No que concerne à Área 2 esta engloba todas as atividades, sejam ou não letivas realizadas pelos EE, utilizando estratégias de intervenção orientadas por objetivos pedagógicos eficazes no processo educativo de cada aluno na aula de EF, efetivando a integração do EE na escola de forma a dinamizar a comunidade escolar e que esta contribua para um conhecimento

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do meio regional e local da escola tendo em vista a realização de ações promotoras de práticas sociais com relevância educativa.

Relativamente à Área 3, esta área está reservada ao desenvolvimento profissional fornecendo ao EE uma experiência na área da investigação científica, permitindo adotar hábitos de investigação, reflexão e ação.

3.3. Enquadramento Funcional

Em termos funcionais o EP trata-se de um projeto de formação que tem como objetivo formar um professor profissional competente. A competência é uma construção pessoal, vivida em situação, refletida e temporalmente viável (Jonnaert, 2002).

A realização do EP decorreu na EBSH pertencente ao AESH em Matosinhos. O NE foi constituído por mim, Ricardo de Jesus e pela minha colega Teresa Correia, sob a orientação do PO e da PC.

As vivências que alimentaram a minha experiência enquanto EE foram postas em prática com a lecionação da turma 6ºH, constituída por 25 alunos.

3.3.1. Breve Caracterização da Escola

A EBSH está localizada na Rua Quinta do Viso da freguesia de Senhora da Hora, fazendo jus ao seu nome dado em homenagem à santa padroeira desta localidade. Esta escola pertence ao concelho de Matosinhos, distrito do Porto. Foi inaugurada no ano letivo 1977/1978. Entre os anos 2002 e 2003, a escola foi demolida e foram inauguradas as suas novas instalações.

Esta é uma escola que abrange 2º e 3º ciclo, do 5º ao 9º ano de ensino e possui apoio a crianças com necessidades educativas especiais e a crianças economicamente menos favorecidas.

Este é um estabelecimento de ensino público, e como tal, funciona no regime oficial, respondendo por isso, em todas as suas instâncias ao Ministério da Educação. Os órgãos de gestão do agrupamento, mais precisamente o conselho executivo são constituídos pelo Doutor Alberto Jorge Graça, presidente do Conselho Geral, a Doutora Isabel Pina, diretora do AESH, a subdiretora professora Elsa Lino e os três adjuntos: o Doutor João Tondela, professora Judite Vale e o professor Paulo Amaral. O coordenador do

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departamento das expressões tecnologias é o professor Doutor Eduardo Santos.

A escola encontra-se situada numa zona residencial com uma população ainda em crescimento. Nas imediações podemos encontrar dois bairros sociais. O bairro de São Gens e o bairro do Seixo, bem como algumas Cooperativas Sociais. Esta é uma zona que tem todas as classes sociais sendo a escola abarcada por todas as classes.

Tendo em conta o panorama desportivo, no meio envolvente onde a escola se situa existem inúmeros clubes e modalidades desportivas nos seus arredores. Modalidades como futebol, futsal, andebol, ténis, basquetebol, ballet, ténis de mesa, entre outros.

No que toca às modalidades mais praticadas na zona, destaca-se naturalmente o futebol entre outros. Podemos encontrar clubes de futebol como o Padroense Futebol Clube, o Sport Clube Senhora da Hora, o Leça do Bálio Futebol Clube, o Custóias Futebol Clube, a modalidade de futsal é representada pelo Atlético Desportivo Polenenses, o andebol com o Sport Clube de Infesta e o Padroense Futebol Clube, o voleibol com Sport clube de Infesta. A modalidade de basquetebol é representada pelo clube reconhecido na formação dos mais jovens com o Guifões Sport Clube. O voleibol com o Real Clube Senhorense. E para terminar o Rolar Matosinhos com a modalidade de patinagem artística. No que toca ao desporto adaptado não existe qualquer trabalho desenvolvido o que demonstra que a inclusão no desporto não está assim tão avançada quanto isso, pois não existe qualquer tipo de formação desportiva para as necessidades educativas especiais na localidade a não ser através da disciplina de EF nas escolas.

Hoje, a EBSH escola pertence ao AESH, e desse agrupamento fazem parte as seguintes escolas: EBSH, Escola Básica da Barranha, Escola Básica de S. Gens, Escola Básica dos 4 Caminhos e a Escola Secundária da Senhora da Hora (ESSH) sendo esta a “sede” do AESH.

A EBSH é uma escola agradável, sustentada de uma boa arquitetura com espaços físicos para desenvolver/integrar as crianças e jovens num ambiente positivo através da EF e do Desporto Escolar. Possui um corpo docente disposto a trabalhar para ajudar as crianças nos processos de ensino/ aprendizagem com transmissão de valores adequadas ao meio em que e está

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inserida. A EBSH é um estabelecimento de ensino em que se cruzam crianças de diferentes níveis sociais, económicos e crianças portadoras de deficiências sem que sejam verificados grandes conflitos e violência entre os mesmos, existindo uma aceitação para as diferenças culturais, sociais, etc.

3.3.2. Caracterização da turma (6ºH)

A caraterização da turma foi algo fundamental para prevenir ou antecipar comportamentos durante as aulas de EF, foi uma mais-valia para o professor, de forma a “adaptar” o processo educativo e as respetivas metodologias. É fundamental que o professor possa conhecer melhor os seus alunos.

Para a caracterização da turma realizei um questionário (Anexo I) que serviu como ferramenta para saber um pouco mais dos alunos pelos quais fui responsável durante o ano letivo 2015/2016.

Defini a caraterização com um levantamento de dados acerca de cada aluno pertencente à turma do 6ºH.

Assim sendo, para esta caraterização, englobei no questionário os seguintes temas:

1. Identificação dos Alunos: Este item tem como principal objetivo

fornecer informações pessoais sobre o aluno.

2. Percurso Escolar: Este item permitiu-me saber um pouco do

percurso académico de cada aluno, bem como as suas preferências escolares, ou seja, as disciplinas preferidas, aquelas que têm mais dificuldades bem como a sua motivação para a EF ou até mesmo o gosto pela disciplina.

3. Percurso Desportivo: O conhecimento das práticas desportivas

extracurriculares dos alunos ajudou-me a conhecer em que níveis se encontravam os alunos, conseguindo facilmente distinguir o desenvolvimento motor dos alunos com afinidade e prática desportiva dos que não realizavam qualquer atividade físico-desportiva.

4. Historial Médico: Este item teve o objetivo de identificar

possíveis problemas de saúde para que pudesse interferir na prática das aulas de EF.

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5. Expectativas sobre o Professor: O último item compreendeu

informações acerca do modo como os alunos gostariam que o seu professor de EF atuasse.

Todos estes indicadores foram úteis e serviram como guia para as minhas primeiras atuações como agente educativo, só assim consegui tratar os alunos com maior equidade para que estes desfrutem igualdade de oportunidades para atingir o sucesso, existindo uma adaptação mais personalizada/pormenorizada tanto a nível didático como pedagógico e socioafetivo.

Neste parágrafo realço algumas respostas obtidas no questionário aos alunos do 6ºH que me causaram impacto positivo e que de certa forma foram uma enorme ajuda na fase inicial de estágio. Constatei uma turma motivada para a prática da aula de EF, existindo na sua maioria ligação com o Desporto. As modalidades mais praticadas pelos alunos do 6ºH são: o futebol, natação, dança, ballet, karaté, ciclismo e o andebol. Em relação ao historial médico dos alunos, esta turma apresentava alguns problemas menores que não impossibilitaram a prática com assiduidade nas aulas de EF. Na pergunta sobre as expectativas sobre o professor em relação ao seu contacto com a turma os alunos evidenciaram as características de “amigo”, “justo”, “criativo”, com maior realce seguindo de “compreensivo” e “exigente”.

A análise destes dados contribuiu para conhecer mais aprofundadamente os alunos e associar eventuais particularidades ou características dos alunos para que a sua relação com a disciplina de EF e com o Desporto, para que seja mais personalizado o processo educativo, atendendo assim aos pormenores/vivências específicas de cada aluno.

Com o papel de professor da turma do 6ºH fez parte do meu objetivo desenvolver o nível motor dos meus alunos, incutir estilos de vida saudáveis, uma vez que é consensual na literatura que a infância é uma janela importante de oportunidade para a aquisição de estilos de vida saudáveis que são habitualmente mantidos até à idade adulta (Malina, Bar-Or & Bouchard, 2004), esta etapa é então a ideal para intervenções de educação que visem a sua implementação. Incutir estilos de vida saudáveis para que no futuro os alunos possam vivenciar e procurar bem-estar e saúde através do Desporto e do

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exercício físico nas suas vidas futuras. Sinto também uma obrigação de aumentar o gosto pela EF e pelo desporto de forma ética e estética fazendo desenvolver nos alunos um pensamento crítico sobre o que observam e experienciam nas aulas de EF para que futuramente esta observação/reflexão/experiências também possam ser transferidas para outras áreas tanto pessoais/ profissionais na vida adulta dos alunos.

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4. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem

O professor tende cada vez a necessitar de uma panóplia de competências maior para que no seu papel de docência possa desempenhar em contexto letivo ou não letivo a sua atividade de forma decente, digna e eficaz. Sendo a escola uma organização cada vez mais complexa, expressa através da multiplicação das tarefas que o professor tem de desempenhar, este deve aprofundar não apenas os seus saberes didático-pedagógicos, mas também a capacitação de um vasto leque de competências que permitam aumentar a qualidade das aprendizagens dos alunos.

A etimologia da palavra competência, do latim competentia, significa idoneidade, aptidão, capacidade, etc. Neste sentido, a palavra competência remete-nos para um individuo com um conjunto de capacidades e aptidões adequadas para alguma coisa, ou seja, que tem condições para desempenhar alguma tarefa. O sociólogo Perrenoud (2000) associa competência à capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar um tipo de situação. Roldão (2008) considera que há competência quando, mediante uma situação se é capaz de mobilizar diversos conhecimentos, selecioná-los e integrá-los adequadamente perante um problema, questão, objeto cognitivo ou estético, etc. Nesta perspetiva, um professor pode ter todo o conhecimento técnico da sua área de especialidade, ou seja, o saber que é necessário, mas, no entanto, não ser suficientemente capaz de colocar esse conhecimento em prática. No que diz respeito ao ensino propriamente dito, um professor é competente quando além de cumprir o objetivo de ensinar as matérias estipuladas, consegue proporcionar uma formação holística, no sentido de promover ações que provoquem mudanças positivas nos alunos. Por outras palavras, um professor que demonstra competência consegue ir mais além do conteúdo, da matéria a lecionar procurando também transmitir atitudes e valores, a fim de ser influenciador de futuros cidadãos socialmente adequados às futuras exigências do mundo em que está inserido.

O EP é a etapa da formação de professores, que se traduz no primeiro contacto com a realidade profissional, sob a forma de experiências práticas que lhe possibilitam o desenvolvimento de potencialidades, para que possa crescer profissionalmente, ao longo da sua carreira (Graça & Mesquita, 2011). Esta é

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assim uma fase ideal para a adoção de uma postura reflexiva quer nas atividades letivas como nas não letivas, de modo a serem profissionais conscientes das suas fragilidades e potencialidades e desta forma desempenharem as funções que lhe são destinadas através de uma ação multidimensional em sintonia com a realidade, com o progresso, com a globalização do mundo.

As três áreas de desempenho contempladas no EP servem como guia de desenvolvimento da competência profissional em conjunto com uma reflexão sobre as suas práticas educativas e analisando os seus efeitos, (Schon, 2000, p.32) considera que “o nosso pensar serve para dar nova forma ao que estamos fazendo, enquanto ainda o fazemos”

Assim este capítulo tem como objetivo demonstrar o desenvolvimento das minhas competências profissionais decorridas durante o EP, evidenciando uma postura reflexiva, crítica sobre os processos educativos em que estive envolvido, construindo assim um professor mais racional alimentado pela emoção do desejo de ensinar e ser professor através da reflexão, do diálogo com profissionais da educação, do meio desportivo e através pesquisa científica.

4.1. Conceção

A escola não é uma instituição que é distante para o EE, que deseja alcançar a sua profissionalização enquanto professor, mas a realidade de cada escola inicialmente é certamente algo desconhecido para este. Apesar de em Portugal as escolas apresentarem um perfil semelhante entre elas, ou seja, as suas infraestruturas poderão dar a entender alguma paridade, têm em si particularidades, nomeadamente a sua cultura própria, influenciada pela comunidade que rodeia e que a frequenta. Sem o conhecimento desta cultura de escola dificilmente o professor saberá ser um profissional eficaz pois não sabe os valores que nela estão enraizados.

Desde o início do EP transmiti à PC uma enorme vontade em produzir, realizar, educar e criar projetos educativos aliciantes com vista a aumentar a qualidade de ensino da escola e evidenciar a EF como uma disciplina impar das restantes. A PC demonstrou desde a primeira reunião alguma abertura

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para a realização de alguns dos meus sonhos enquanto EE e futuro professor de EF.

As diretrizes descritas nos programas nacionais, regidas pelo Ministério da Educação e da Ciência, serviram de guião para que o projeto educativo do AESH fosse realizado e transferido para mim enquanto EE. Sendo que este é documento aberto, flexível e dinâmico, é por isso, passível de reformulações, de forma a adequar-se ao contexto em que está inserido. Além disso, foi disponibilizado o regulamento interno do AESH, com vista a dotar a instituição de ensino público de referenciais que orientem a sua organização e funcionamento. Ainda neste capítulo são evidenciadas as partilhas de responsabilidades e todos os mecanismos associados à comunidade educativa de modo a tornar a escola mais dinâmica e atuante. Foram também cedidos os critérios de avaliação específicos, com vista a orientar os EE e os restantes professores para a avaliação dos alunos, com o intuito de existir uma uniformização da intervenção de todos os professores.

A organização e profissionalismo demonstrado pelo grupo de EF foi sem dúvida um alívio para mim, enquanto EE. As reuniões do grupo de EF capacitaram-me de uma pró-atividade sustentada através da possibilidade de tecer opiniões sempre que achava pertinente.

Deste modo, enquanto EE fiquei a conhecer o grupo de professores que iriam sustentar o Plano Anual de Atividades (PAA), o Regulamento Interno (RI), o Roulement dos espaços de aula e por último o PEE .

É evidente que para um eficaz funcionamento do processo de ensino-aprendizagem todos os documentos acima referidos foram de extrema importância. Deste modo, realizei uma análise cuidada tendo como base os conteúdos programáticos referentes ao 6º ano de escolaridade.

Conclui este processo inicial com a caracterização da turma 6ºH através da caracterização individual de cada aluno com o “Questionário Individual do Aluno” (anexo 1) permitindo-me estar capacitado de iniciar o processo de planeamento para a turma em questão.

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4.2. Preparação, a base e sustentação do processo

Sendo EE e com a enorme responsabilidade de ser o professor de uma turma, senti a necessidade primária de realizar um estudo detalhado sobre o regulamento interno com vista a compreender a organização e funcionamento da EBSH para que as decisões e partilha de responsabilidades se contemplem de forma dinâmica. Este regulamento coloca todos os seus intervenientes a par do regulamento interno do AESH e das suas escolas.

Também o planeamento anual de atividades foi examinado com rigor no sentido de obter uma participação consciente e apoiar os projetos e atividades que estão planificados e, que a escola acredita solenemente ser uma mais-valia para a comunidade escolar, fomentando a cultura de escola através da interação com a comunidade escolar e comunidade envolvente.

O conhecimento sobre o regulamento interno da escola bem como o planeamento das atividades a realizar foi sem dúvida um grande passo para que a minha integração enquanto EE fosse ajustada à comunidade escolar e envolvente, tomando uma consciência do meio escolar onde estive inserido.

4.2.1. Planeamento

Segundo Bento (2003, p.8), “o planeamento significa uma reflexão pormenorizada acerca da direção e do controlo do processo de ensino numa determinada disciplina”. Para o mesmo autor o planeamento constitui a esfera também da decisão na qual o professor determina quais os efeitos a alcançar no ensino e onde serão despendidos o tempo e as energias. O planeamento permitiu-me enquanto EE realizar uma planificação dos objetivos e das estratégias do processo de ensino-aprendizagem de modo a colocar em prática todos os conhecimentos de ensino absorvidos. Assim, este planeamento visou a preparação para a futura realização de forma racional enquanto EE.

O planeamento anual foi realizado segundo as normas estabelecidas a nível nacional, nele estão incluídos conteúdos programáticos a lecionar nos vários ciclos. Este documento escolar descrimina as modalidades desportivas a serem lecionadas nos vários períodos assim como o número de aulas que

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compõe cada modalidade sendo também neste documento evidenciado os espaços disponíveis para a lecionação das aulas. Compreendo que o planeamento anual de Escola é um instrumento vital para que a escola se processe com autonomia, nele devem constar os objetivos, as formas de organização e de programação de atividades e a identificação dos recursos humanos e materiais envolvidos. Este planeamento foi sofrendo algumas alterações no decorrer do EP devido à falta de segurança observada no ginásio nº2 consequência da deterioração do telhado. Aquando de más condições climatéricas, por vezes chovia no pavilhão.

A realização dos Modelos de Estrutura do Conhecimento (MEC) de Vickers (1990), tendo como base a extensão, sequência e objetivos da matéria a lecionar para cada modalidade, adaptada ao nível dos alunos, foram sem dúvida excelentes modelos para que existisse melhor organização e planeamento no processo de ensino-aprendizagem. Este documento descrimina as habilidades táticas e técnicas das várias modalidades/conteúdos a serem lecionados. As tarefas propostas pelo professor devem ser planeadas para permitirem um carácter de autonomia aos alunos. Devem conter um padrão de criatividade e possibilidade de escolha que permitam uma maior autonomia (Rink, 2004). As elaborações dos vários MEC permitiram-me agilizar todo o processo de ensino das várias modalidades e obter/ transmitir um melhor conhecimento sobre estas.

Durante a fase inicial do EP estes modelos não foram elaborados atempadamente, a ansiedade e o mundo novo à volta bem como as inúmeras tarefas a realizar não permitiram que todas as tarefas fossem atempadamente finalizadas antes do início da lecionação de cada unidade didática (UD) no primeiro período. Com o avançar do EP a sua elaboração foi mais eficaz sendo possível a sua realização antecipada, fundamental para a preparação das aulas.

Outro tipo de planeamento realizado foi a elaboração da UD, esta está incluída no módulo 4 do MEC de cada modalidade lecionada ao longo do ano letivo. As unidades temáticas ou didáticas são fundamentais no processo pedagógico de ensino, estipulando etapas claras e distintas no ensino-aprendizagem, sendo planificadas pelo professor na organização do seu ensino e servindo como base para a preparação das aulas (Bento, 2003).

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As UD realizadas foram sustentadas pela informação contida nos MEC relativa à extensão e sequência de conteúdos sendo deste modo planeados os objetivos de cada modalidade.

A elaboração da UD foi sendo cada vez mais rigorosa devido à experiência e reflexões realizadas sobre a mesma. Deste modo, o número reduzido de aulas para cada modalidade e o número de conteúdos propostos a serem lecionados foram racionalmente mais bem conseguidos, para que o tempo ideal de aprendizagem de cada conteúdo fosse mais realista e eficiente.

As categorias transdisciplinares e os conceitos psicossociais, que fazem parte dos conteúdos planeados para as UD, estiveram implícitos sem existir registos nos planos de aula (PA). Apesar de não existir qualquer referência a estas categorias, estas fizeram parte das UD. Refletindo sobre o assunto penso que poderia ter referido e especificado estes conteúdos nos planos de aula, assim estariam realçados e poderiam ter permitido um olhar mais atento ao desenvolvimento destas categorias transdisciplinares e conceitos psicossociais e, desta forma perceber quais os conteúdos mais desenvolvidos nos alunos ao longo da lecionação das aulas de EF.

O PA está intimamente relacionado com a UD existindo assim uma transferência dos conteúdos estipulados na UD para o PA de modo a obter uma rigorosa e eficaz adequação dos conteúdos inicialmente estipulados e, transferi-los posteriormente para um eficaz processo de ensino-aprendizagem aula após aula.

Assim, o PA surge após a conclusão do MEC e da UD, este é elaborado de forma a adequar os conteúdos estipulados às necessidades dos alunos. À imagem do que aconteceu com os planeamentos anteriores (MEC e UD’s), a estrutura do PA foi também concebida e elaborada em consonância com a PC.

O PA ficou dividido por três fases (inicial, fundamental e final). A fase inicial compreende os exercícios planeados para a ativação geral escolhidos de acordo com a modalidade a ser praticada, preparando os alunos para a parte fundamental. A fase seguinte, a fundamental, é considerada a parte principal da aula, onde serão cumpridos os principais objetivos e conteúdos. A terceira e última parte, denominada fase final tem como principal objetivo o retorno à calma bem como o esclarecimento de dúvidas aos alunos. Além disso, sempre que o professor ache pertinente deverá ser o momento para um balanço da

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aula(s) realizadas, apontando os aspetos que correram menos bem e aqueles que foram realizados corretamente.

Penso que as categorias transdisciplinares e os critérios psicossociais, bem como os conceitos fisiológicos deveriam estar presentes nos PA, mas apenas tomaram o seu lugar na aula.

Durante o segundo período, no planeamento didático-pedagógico foi também evidenciada a importância da educação estética (EE), através da tentativa de ampliação da sensibilidade dos alunos para esta questão, bem como, a realização do estudo de investigação-ação, abordado detalhadamente no capítulo 6.

Todos os PA realizados tiveram o objetivo principal de instruir os alunos para que aprendam mais sobre cada modalidade lecionada, bem como, a importância da prática de exercício físico e do desporto, de forma a evoluir no conhecimento sobre o mesmo.

Devido a minha inexperiência, interroguei-me durante o EP sobre quais os melhores exercícios para cumprir os objetivos comportamentais preestabelecidos de modo a conseguir efetivamente o que foi planeado. A PC em conjunto com a minha colega de estágio e os professores da EBSH de EF foram de extrema importância para que exista uma pré validação, de forma a estar mais confiante e seguro do eficaz processo de ensino-aprendizagem nas aulas. Assim procuraram sempre que pertinente elucidar-me sobre determinados exercícios e consequências dos mesmos. As discussões e reflexões realizadas pelo grupo de EF sobre os atos didático-pedagógicos mais eficazes nas várias areas de ação permitiram que enquanto EE pudesse abordar as diversas modalidades e planear exercícios apelativos aos alunos de modo a cativa-los para as aprendizagens, entusiasmando-os para a prática onde o próprio edifica o seu conhecimento a sua inteligência e personalidade, bem como, os seus valores morais e sociais (Pádua, 2009).

Todos os intervenientes acima referidos ajudaram a aprimorar, a desenvolver conhecimentos relativos à planificação e lecionação das aulas sendo estas enfatizadas nas reflexões realizadas ao longo do EP .

Senti durante o avançar do EP um desenvolvimento na consistência na realização do PA. O planeamento realizado em consonância rigorosa com as

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diretrizes a nível nacional e adaptadas à turma do 6ºH estiveram sempre presentes durante o EP.

O planeamento realizado durante o EP foi mutíssimo importante para que o processo de ensino-aprendizagem fosse mais eficaz. No decorrer do EP este foi vital para que existisse uma evolução nas variadíssimas experiências e redução ou, até superação das dificuldades/desafios encontrados no decorrer do EP como que se de um guião se tratasse onde o improviso consciente poderá pertencer ao professor/ator.

Hoje, estou com uma visão mais ciente de toda a adaptação necessária para realizar o planeamento, de modo contextualizado, mas nunca esquecendo

as diretrizes a nível nacional que um professor se deve reger.

4.3. Realização

Após da construção do planeamento, para que uma linha de orientação pedagógica e didática possa existir no processo de ensino aprendizagem adequado aos alunos do 6º H, iniciei a lecionação das aulas com a vontade de ser o mais competente possível, adequando o planeamento à realidade das primeiras aulas lecionadas. Nesta fase, é suposto que o EE “conduza com eficácia a realização da aula, atuando de acordo com as tarefas didáticas e tendo em conta as diferentes dimensões da intervenção pedagógica” (Matos, 2015, p. 5). A companhia amistosa e o apoio prestado a nível pedagógico e didático pela PC, o NE e os restantes professores do grupo de EF da EBSH foram sem dúvida um ótimo conforto para mim enquanto EE no papel de professor de EF. Além disso permitiram a partilha de conhecimentos que se tornaram uma ajuda importantíssima para o desenvolvimento da lecionação das aulas. O estabelecimento destas relações é um ponto fulcral para uma formação completa uma vez que a formação deve fornecer o conhecimento, as metodologias, as práticas ciêntifícas e pedagógicas essenciais, bem como, uma formação pessoal e social que permita uma adequação eficaz ao exercício da profissão docente (Campos, 2002).

A lecionação das aulas acompanhada de um comportamento reflexivo sistemático fez-me crescer enquanto professor. A prática reflexiva ajuda o profissional a libertar-se de comportamentos impulsivos e rotineiros (Alarcão,

Referências

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