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(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÃO, EDUCAÇÃO E HUMANIDADES Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. ANDRÉ SENADOR. NOMOFOBIA: o excesso de informação e os relacionamentos digitais. São Bernardo do Campo, 2016.

(2) UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO ESCOLA DE COMUNICAÇÃO, EDUCAÇÃO E HUMANIDADES Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. ANDRÉ SENADOR. NOMOFOBIA: o excesso de informação e os relacionamentos digitais. Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências. do. Programa. de. Pós-Graduação. em. Comunicação Social, da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), para obtenção do grau de Mestre. Orientador: Prof. Dr. Fabio Botelho Josgrilberg.. São Bernardo do Campo, 2016.

(3) FICHA CATALOGRÁFICA. Se55n. Senador, André Nomofobia: o excesso de informação e os relacionamentos digitais / André Senador. 2016. 80 p.. Dissertação (Mestrado em Comunicação Social) --Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2019. Orientação de: Fabio Botelho Josgrilberg.. 1. Nomofobia 2. Tecnologias digitais 3. Relacionamento interpessoal 4. Comunicação digital – Aspectos sociais I. Título.. CDD 303.4833.

(4) FOLHA DE APROVAÇÃO A dissertação de mestrado sob o título “Nomofobia: o excesso de informação e os relacionamentos digitais”, elaborada por André Senador, foi apresentada e aprovada em 14 de setembro de 2016, perante banca examinadora composta por Prof. Dr. Fabio Botelho Josgrilberg (Presidente/UMESP), Prof. Dr. Manuel Morgado Rezende (Titular/UMESP) e Prof. Dr. Elias E. Goulart (Titular/USCS).. __________________________________________ Prof. Dr. Fabio Botelho Josgrilberg Orientador e Presidente da Bancada Examinadora. __________________________________________ Prof. Dr. Vander Casaqui Coordenador do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-Graduação em Comunicação Social Área de Concentração: Processos Comunicacionais Linha de Pesquisa: Inovações tecnológicas na comunicação contemporânea.

(5) “A tarefa não é tanto ver o que ninguém viu ainda, mas pensar o que ninguém pensou sobre algo que todos veem” (Arthur Schopenhauer).

(6) AGRADECIMENTOS. À Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), que abriu as portas para eu realizar o sonho de voltar a estudar – uma experiência estimulante e renovadora. Ao Prof. Dr. Marcio de Moraes, Reitor da UMESP, que gentilmente me recebeu como representante da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), e proporcionou esta minha integração com a Metodista. Ao Prof. Dr. Fabio Botelho Josgrilberg, Pró-reitor da UMESP, meu orientador, grande incentivador e parceiro nesta jornada. Seu estímulo, orientações e encorajamento foram determinantes para que eu chegasse até aqui e pudesse tornar realidade este projeto. Ao Prof. Dr. Sebastião Squirra, por sua capacidade de nos estimular a descobrir o universo das novas tecnologias; à Profa. Dra. Marli dos Santos, por seu apoio e aos demais professores deste Programa de Pós-Graduação, que proporcionaram uma oportunidade tão especial de aprendizado e descobertas. Aos colegas de Mestrado, pela parceria, por ajudarem na integração ao Programa, apoiando e compartilhando ideias. À Margareth Boarini, que sempre teve uma resposta ou informação para cada dúvida que tivemos, à Amanda Gasparin, ao Cido Coelho e ao Gustavo del Vechio. À Aberje, em especial ao seu presidente, Prof. Dr. Paulo Nassar, um parceiro que, afinal, ao me convidar e estimular a assumir o Capítulo ABCD da entidade, me levou a esse feliz encontro com a Universidade Metodista de São Paulo. E um agradecimento especial à minha família: minha esposa Cristina e meus filhos Gabriel, Vítor e Matheus, meus grandes apoiadores e incentivadores neste projeto, por seu estímulo, compreensão e paciência nesta jornada..

(7) SUMÁRIO. Resumo .................................................................................................................... 7 Abstract .......................................................................................................... 8 Resumen ........................................................................................................ 9 Introdução .............................................................................................................. 10 Capítulo I - A evolução tecnológica e a nova comunicação digital ......................... 19 1. A Internet vai desaparecer? ..................................................................... 19 2. O fascínio exercido pelos smartphones .................................................... 28 Capítulo II – Os relacionamentos da era digital ....................................................... 33 1. O que gostamos de compartilhar? ............................................................ 37 2. A força das mídias sociais......................................................................... 42 3. Conexão, Desconexão e Modernidade Líquida ..................................... 45 Capítulo III – Nomofobia: os impactos da era digital .............................................. 50 1. Nomofobia, vazio ou sedução?.................................................................. 57 2. A autonomia digital......................................................................................61 Conclusão.................................................................................................................. 67 Referências .............................................................................................................. 76.

(8) RESUMO. Nomofobia: O excesso de informação e os relacionamentos digitais André Senador. A evolução das tecnologias de comunicação digital está promovendo uma revolução nos comportamentos e mudando profundamente os relacionamentos entre as pessoas. A atração provocada pelos smartphones, com suas inovações e tecnologias, e o fascínio exercido pelas mídias sociais estão alterando as relações sociais e levando indivíduos, encantados com estes recursos, a fazerem um uso excessivo desses aparelhos. Neste cenário de constante transformação das tecnologias de comunicação digital, as pessoas passam a dedicar grande parte de seu tempo e atenção à Internet, postando, curtindo postagens e se relacionando através das mídias sociais. Esses dispositivos passam a fazer parte da vida cotidiana das pessoas de tal forma e com tal intensidade que levam indivíduos a se tornarem dependentes de seu uso e recursos e a apresentar, quando não podem acessá-los, sintomas da “nomofobia”, um novo distúrbio da era digital. O termo, criado a partir da expressão em inglês “no mobile” – sem celular – passou a designar o desconforto causado pela desconexão ou ausência da comunicação digital. Essa dissertação, através de estudo teórico, apresenta um panorama do desenvolvimento das tecnologias digitais de comunicação e analisa, por meio de uma revisão bibliográfica, os efeitos sobre usuários que, atraídos pelo fascínio dessas tecnologias, estão modificando seus comportamentos. e. relacionamentos.. Este. texto. demonstra. também. como. pesquisadores da área de saúde e psicologia estão identificando e interpretando os efeitos da nomofobia. Trata-se de uma reflexão para examinar este assunto – tão atual – que merece ter cada vez mais a atenção e ser pesquisado para ajudar a compreender seus desdobramentos e efeitos sobre os indivíduos neste novo universo digital. Palavras-chave: nomofobia; tecnologias digitais; relacionamentos.

(9) ABSTRACT. Nomophobia: The excess of information and digital relationships André Senador. The evolution of digital communication technologies is promoting a revolution in behaviors and changing deeply the relationships between people. The attraction caused by smartphones with its innovations and technologies, as well as the fascination exerted by social media are changing social relations and leading individuals who are enchanted by these devices to an excessive use. In this scenario of constant transformation of digital communication technologies, people spend most of their time and attention on browsing the Internet, posting, liking posts and relating to others through social media. These devices have started to be a part of people’s everyday lives in a way and with such intensity that it’s leading individuals to become dependent on its use and resources, and also presenting signs, when not being able to access it, of “nomophobia”, the new illness of the digital era. The term, created from the expression “no mobile” has become the term responsible for designating the discomfort caused by disconnection or absence of digital communication. This dissertation, through theoretical studies, presents a panorama of the development of digital communication technologies and seeks to analyze, through bibliographical review, the effects on the users whose attraction to these technologies are changing their behaviors and relationships. This text also shows how researchers in the field of health and psychology are identifying and interpreting the effects of nomophobia. This is a reflection to examine this subject that deserves more and more attention as well as to help understand its unfolding and effects on individuals in this new digital universe.. Keywords: Nomophobia; digital technologies; relationships.

(10) RESUMEN. Nomofobia: El exceso de información y las relaciones digitales André Senador. La evolución de las tecnologías de comunicación digital está promoviendo una revolución en el comportamiento y cambiando profundamente las relaciones entre las personas. La atracción provocada por los smartphones, con sus innovaciones y tecnologías, y la fascinación ejercida por los medios sociales están alterando las relaciones sociales y llevando a los individuos, encantados con estos recursos, al uso excesivo de dichos aparatos. En este escenario de constante transformación de las tecnologías de comunicación digital, las personas pasan a dedicar gran parte de su tiempo y atención a navegar en Internet, compartiendo, dándole “me gusta” y relacionándose a través de los medios sociales. Estos dispositivos pasan a formar parte de la vida cotidiana de las personas, de tal forma y con tal intensidad, que llevan al individuo a volverse dependiente de su uso y recursos y a presentar, cuando no logran accederlos, los síntomas de la “Nomofobia”, el nuevo disturbio de la era digital. Este término, creado a partir de la expresión en inglés “no mobile” – sin celular – pasó a designar el fastidio causado por la desconexión o la ausencia de la comunicación digital. Esta disertación, mediante un estudio teórico, presenta un panorama del desarrollo de las tecnologías digitales de comunicación y procura, por medio de una revisión bibliográfica, analizar los efectos en el usuario que, atraído por el encantamiento de estas tecnologías, están modificando su comportamiento y relaciones. Este texto demuestra, también, cómo los investigadores del área de la salud y psicología están identificando e interpretando los efectos de la Nomofobia. Se trata de una reflexión para examinar este asunto –tan actual– que merece recibir cada vez más atención y ser investigado para ayudar a comprender sus consecuencias y efectos sobre los individuos en este nuevo universo digital.. Palabras clave: Nomofobia; tecnologías digitales; relaciones.

(11) 10. Introdução. Por volta da metade dos anos 90, recebi a visita de um casal de professores norte-americanos que veio ao Brasil realizar contatos para promover a escola que haviam acabado de criar no Estado da Flórida, onde residiam. Seu plano era divulgar cursos de inglês para brasileiros nos Estados Unidos. Em uma tarde no escritório da empresa onde eu trabalhava, em São Bernardo do Campo, pouco antes de sairmos para que eu pudesse deixá-los no bairro de Moema, em São Paulo, onde estavam hospedados, o professor me pediu para usar rapidamente o meu computador e disse que precisava “checar seus e-mails na Internet”. Eu observei sua navegação na tela do computador, reparei na facilidade com a qual ele acessou suas informações e percebi que eu estava presenciando ali uma pequena demonstração da profunda revolução que estava apenas começando. Era a primeira vez que eu presenciava um acesso internacional à Internet. E confesso que, embora eu já tivesse ouvido falar nas potencialidades da rede de computadores, aquela ação – checar e-mails – ainda era algo distante de minha realidade. Com o tempo, pude perceber que aquela cena desvendava um novo horizonte, um futuro que nunca mais me permitiria perceber as coisas da mesma forma como antes e que provocaria mudanças tão profundas em todas as áreas do comportamento e do conhecimento que o mundo nunca mais voltaria a ser o mesmo. Para muitos, talvez seja surpreendente constatar que a Internet teve início apenas por volta de 1993, quando passou a ser usada também em empresas e residências e não mais apenas no âmbito das universidades e governos, como em seus primeiros passos. Menos de 25 anos, portanto, nos separam do advento da Internet pelos usuários em geral e impressiona imaginar quantas coisas foram criadas ou transformadas a partir de então por sua influência. Passamos a dispor de inúmeras conquistas tecnológicas, avanços fabulosos e acesso a um universo de informações inimaginável até então. Por outro lado, também, o advento destas inovações e tecnologias digitais passou a impactar e influenciar nossas vidas, comportamentos e,.

(12) 11. por consequência, nossos relacionamentos. Em pouco tempo, por exemplo, os emails passaram a fazer parte com muito mais intensidade na vida das pessoas. Já em 1995, Nicholas Negroponte apontava em seu livro “Vida Digital”, que o “e-mail é um estilo de vida que causa grande impacto na maneira como trabalhamos e pensamos” Ele já identificava ali uma mudança no ritmo do trabalho e do lazer. A ideia de um expediente de trabalho das nove as cinco, cinco dias por semana, com direito a férias anuais, começava a desaparecer. “As mensagens profissionais começam a misturarse às pessoais, e o domingo já não difere tanto da segunda-feira.” (NEGROPONTE, 1995, p.184). Talvez isto já representasse um marco para indicar as alterações tão profundas que começavam a despontar, a partir da “integração” deste ambiente digital ao nosso dia a dia. A introdução da internet no cotidiano das pessoas também passou a provocar questionamentos sobre até que ponto estas inovações trazem benefícios, facilidades e mais informação e, a partir de que momento, elas podem impor dificuldades ou problemas aos seus usuários. Dertouzos já questionava, no início dos anos 2000, se “toda essa tecnologia nova e emocionante melhorou nossas vidas ou apenas nos trouxe uma avalanche de complexidades e frustrações”, referindo-se à pesada carga de efeitos colaterais que acompanhou os dispositivos e programas ao nosso alcance (DERTOUZOS, 2002, p. 14). Talvez esta seja uma reflexão válida até os dias de hoje. Será que sabemos responder se utilizamos atualmente, de forma equilibrada, todas os recursos tecnológicos de comunicação digital que estão ao nosso alcance? Será que conseguimos nos beneficiar das características positivas e das comodidades proporcionadas por estes recursos sem corrermos o risco de que esta ‘invasão’ de tecnologias em nossas vidas possa nos prejudicar? Como podemos identificar um equilíbrio na utilização destes recursos? Talvez a única certeza que podemos ter é de que a atratividade destas tecnologias é tão grande, que elas continuarão a ter mais e mais adeptos de sua utilização. Administrar o uso destas possibilidades de forma moderada e saudável, talvez seja um dos grandes desafios dos tempos atuais. “Ninguém sabe ao certo quantas pessoas usam a Internet”. De acordo com Negroponte, em outubro de 1994, a Internet era formada por mais de 45 mil redes, com um número de servidores superior a 4 milhões, crescendo a uma razão de mais de 20 por cento por trimestre. A estimativa era que, àquela altura, cerca de 20 a 30 milhões de pessoas a estavam usando. E, para o futuro, a aposta era de que “1 bilhão.

(13) 12. de pessoas [estariam] conectadas à Internet por volta do ano 2000” (NEGROPONTE, 1995, p.174). De fato, as projeções de Negroponte eram absolutamente pertinentes e o crescimento da Internet continuou de forma acentuada mesmo além do ano 2000, data escolhida. para. sua. projeção.. Um. relatório. da. União. Internacional. de. Telecomunicações (ITU), organismo ligado à ONU, revelou em 2014 que a Internet havia alcançado o patamar de 3 bilhões de usuários, cerca de 40 por cento da população mundial (CONNECT, 2014). Esses dados revelam o extraordinário crescimento e o potencial de transformação promovido pela Internet. E este crescimento não parou por aí. É verdade que, como o relatório demonstrou, que 4 bilhões de habitantes no planeta ainda estão sem acesso a ela, apesar dessa grande expansão. No Brasil esta situação não é muito diferente. No final de abril de 2015, o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgou dados relativos à pesquisa PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2013 sobre a conectividade dos brasileiros e informou que apenas 48 por cento dos domicílios, menos do que a metade, portanto, possuíam acesso à internet (IBGE, PNAD 2013). A própria agência da ONU anunciou a criação de uma agenda com o objetivo de inserir mais 1,5 bilhão de pessoas no universo on-line até o final desta década. Tratase da Connect 2020 Agenda, programa que pretende, através de um plano de metas compartilhado pelos Estados-Membros, e “de uma visão comum de uma sociedade da informação, de um mundo interconectado”, promover um maior nível de acesso para assegurar um “desenvolvimento sustentável para todos” (CONNECT, 2014). Não é possível precisar hoje qual a chance de sucesso de iniciativas como essa e o quanto elas serão realmente capazes de promover o acesso a mais pessoas. Mas, com certeza, podemos estimar que o crescimento da Internet será contínuo e irreversível, e continuará promovendo nos próximos anos mais e mais transformações, provocando impactos e criando novas formas de relacionamento, novas demandas por informação e alterando significativamente o dia a dia das pessoas. Nesse cenário de profundas transformações e inovações tecnológicas e do surgimento do universo digital, de novas formas de se prover e obter informação e do predomínio dos relacionamentos através das mídias sociais, quais serão, afinal, as questões que se apresentam diante de nós? Que transformações e desafios se colocam a partir da integração cada vez maior e mais intensa da Internet ao nosso dia a dia? Como isso.

(14) 13. irá nos impactar? Como iremos estabelecer e manter nossos relacionamentos? Presencialmente ou por WhatsApp? Iremos viver a realidade de nossas vidas ou o ambiente do Facebook? A vertiginosa expansão dos smartphones popularizou extraordinariamente o acesso às mídias sociais, fazendo com o que o nosso dia a dia se integrasse a elas de tal forma que passamos a viver quase que um universo paralelo, o universo digital, onde as relações se desenvolvem prioritariamente nas redes sociais. Como isso irá influenciar nossas vidas, nosso trabalho, nosso dia a dia? Com o objetivo de navegar por estas questões e refletir sobre o cenário atual das tecnologias de comunicação digital, esta dissertação aborda o pensamento de autores contemporâneos da comunicação e da informação, como Jenkins e Castells, visita as reflexões e visões de autores clássicos como McLuhan, Negroponte e Dertouzos, e identifica nos textos de Bauman fundamentos para refletir sobre os comportamentos e as relações. Em um ambiente que Bauman intitula “modernidade líquida”, é oferecido, de forma instigante, um amplo panorama sobre os relacionamentos dos dias de hoje: os relacionamentos digitais, tão presentes nestes tempos das mídias sociais. Afinal, seriam estas relações mais intensas, mais profundas, uma vez que podemos acessar mais informações e conhecimentos ou, ao contrário, estaríamos nos distanciando uns dos outros, na medida em que substituímos as relações presenciais e os contatos diretos pelo relacionamento no universo digital? Este texto também pretende discutir os impactos que o uso intenso – muitas vezes excessivo – das tecnologias digitais de comunicação pode causar nos indivíduos, e desta forma buscar identificar como esse convívio frequente com os smartphones e outros dispositivos de comunicação digital pode, nos casos mais extremos de dependência dessa utilização, levar indivíduos, privados do uso de seus celulares ou de acesso à Internet, a apresentar a “nomofobia”. Trata-se de um distúrbio da era digital, que gera desconforto e ansiedade por conta da desconexão, e cuja denominação tem origem na expressão em inglês “no mobile”. O assunto é novo, e pesquisadores estão estudando suas manifestações em busca de interpretar as causas, desdobramentos e tratamentos para esse transtorno. Ele tem atingido mais pessoas a partir do crescimento do uso das tecnologias de comunicação. Aqui é apresentado um panorama sobre essa questão tão atual da saúde e da psicologia na era digital. King, Nardi e Cardoso (2015), por exemplo, destacam que essas tecnologias “vêm de encontro a forças instintivas, primitivas dentro de nós” e talvez.

(15) 14. por isso mesmo se tornem tão sedutoras, nos tornando “presas fáceis” (KING; NARDI; CARDOSO, 2015, p.31). Entre os objetivos deste texto está também avaliar como, através das interações que mantemos de forma tão intensa com computadores, celulares e, em especial, com os smartphones, por sua capacidade de conexão, acabamos criando um ambiente favorável ao uso intenso e excessivo desses dispositivos. Em decorrência disso, comportamentos de ansiedade podem se tornar mais expressivos e frequentes devido à relação íntima que criamos com a sociedade digital. “Hoje aprendemos e consumimos informação graças aos aparelhos que nos ligam ao mundo” (CORREIA apud ANDRADE, 2015). Um relevante exemplo de trabalho voltado a estudar estas transformações está no Rio de Janeiro. O Grupo “Delete”, programa voltado ao uso consciente de tecnologias, desenvolvido a partir do projeto do pós-doutorado de Anna Lucia Spear King, do IPUB/UFRJ, tem a finalidade de atender a um novo grupo de pacientes - os “dependentes de tecnologias”. Sua atuação é baseada no cenário dos dias atuais onde, com o avanço das tecnologias e com a interatividade no cotidiano dos indivíduos, “estamos observando uma monumental alteração na vida, nos costumes, na sociedade [...] que não podemos perder de vista tanto os benefícios, quanto os prejuízos causados por estes impactos.” (KING; NARDI; CARDOSO, 2015, p.XIX). Quais são, afinal, os efeitos e desdobramentos deste cenário, com a predominância do uso dos dispositivos de comunicação digital, em especial dos smartphones? Estamos vivenciando a quarta revolução comunicativa da história da humanidade, afirma o sociólogo Massimo di Felice (2008), ao analisar os reflexos das tecnologias de comunicação atualmente e fazer referência aos grandes saltos e transformações provocadas na sociedade desde o advento da escrita, no século V a.C. Pela primeira vez, no entanto, é modificada a estrutura do processo comunicacional. (DI FELICE, 2008, p.23). A nova configuração das comunicações está fundamentalmente ligada à estrutura de redes interconectadas, hoje estabelecidas pela Internet, por meio das quais as mídias sociais se transformam em plataformas para os nossos relacionamentos digitais. É também por meio delas que estabelecemos uma das principais formas de conexão com o mundo, conversamos e estabelecemos relações. Tal processo modificou a maneira de dialogar e mudou nosso comportamento. Deixou tudo mais simples e mais fácil. Tais facilidades nos estimulam e ativam nossas ações.

(16) 15. e emoções. Através de nossos celulares e smartphones temos o mundo ao nosso alcance. Estes equipamentos passam a fazer parte de nossas vidas. No início dos anos 2000, Dertouzos previa que passaríamos a “usar computadores com tanta naturalidade, facilidade e prazer como agora usamos carros e geladeiras” (DERTOUZOS, 2002, p.23). Interessante observar que, mesmo em um período onde a utilização dos equipamentos ainda era menos amigável, ele já visualizava a ideia do prazer associado ao uso dos computadores. De fato, um dos grandes estímulos ao uso de novas tecnologias é justamente uma utilização mais simples, prazerosa e amigável. Avanços tecnológicos promovem grandes saltos no desenvolvimento humano, com o consequente impacto no cotidiano das pessoas. Nos anos 60, o “guru” das comunicações Marshall McLuhan interpretou o surgimento da tipografia, ocorrido no século XVIII, como o início de uma nova era: a partir da “fusão dos mundos clássicos e medieval”, quando o homem teria ingressado em um período tecnológico sem precedentes. O surgimento do livro, a partir desta nova tecnologia, teria criado um novo mundo, o “moderno” (MCLUHAN, 1964, p.196). Passos como esse, experimentados pela humanidade de tempos em tempos, promovem profundas mudanças. De que forma tais transformações afetam, modificam ou influenciam nossas vidas? Nesta era de digitalização, o sistema de comunicação foi modificado, alterando o modelo emissor-receptor, passando a estabelecer fluxos informativos entre o internauta e as redes por meio de comunicações individuais. Navegar diuturnamente, postar, curtir, expressar posições, ideias e interesses, estabelecer relações, estar conectado à Internet: são os novos desejos da era das tecnologias de comunicação digital e das redes sociais. Todos agora querem estar integrados e fazer parte deste universo digital. “As redes sociais se tornaram o principal canal de expressão ao alcance de um grande número de pessoas” (JENKINS; GREEN; FORD, 2014). Pela primeira vez na história da humanidade, a comunicação se torna um processo de fluxo em que as velhas distinções entre emissor, meio e receptor se confundem e “se trocam até estabelecer outras formas e dinâmicas de interação, impossíveis de serem representadas segundo os modelos dos paradigmas comunicativos tradicionais” (DI FELICE, 2008, p.23). O próprio papel da tecnologia comunicativa no interior das relações sociais deve ser completamente repensado. “O advento das mídias digitais, além de expandir tal processo, alterará a forma de.

(17) 16. comunicar, fornecendo a cada sujeito o mesmo poder de comunicação” (DI FELICE, 2008, p.23-24). Que motivações levam as pessoas a participar e se conectar nas mídias sociais? Na cultura conectada em rede, não é possível identificar uma única causa:. As pessoas tomam uma série de decisões de base social, vale a pena se engajar neste conteúdo? Vale a pena compartilhar? É de interesse para algumas pessoas específicas? Comunica algo sobre mim ou sobre meu relacionamento com estas pessoas? (JENKINS; GREEN; FORD, 2014, p.37).. Somos estimulados constantemente a estar conectados com essas mídias. A dinâmica estabelecida por elas, a atratividade das tecnologias digitais e as inovações dos novos aparelhos de comunicação se constituem em um conjunto poderoso de interações que nos atrai e nos leva a ativar nossos sentidos e emoções e a buscar frequentemente uma integração a esse universo digital. De que forma, porém, este acesso intensivo pode afetar os indivíduos, influenciar suas relações, modificar os comportamentos e provocar o mal digital dos dias atuais? Por que compartilhamos informações e emoções na Internet? Por que navegamos pelas mídias sociais? Bauman identifica algo como uma espécie de fuga da realidade. Por vezes, “o advento da proximidade virtual torna as conexões humanas simultaneamente mais frequentes e mais banais, mais intensas e mais breves” (BAUMAN, 2004, p.83). Seria isso que estaríamos vivendo hoje nessa era de “relacionamentos digitais”? É fundamental sair das redes tecnológicas para experimentar novamente a “realidade real”, humana, social e afetiva. [...]. As “amizades virtuais” precisam reencontrar a realidade, pois é nelas que, desligadas as máquinas, está o grande desafio. “Temos, portanto, que voltar à realidade, e não viver apenas na tela” (WOLTON, 2011, p. 41). Seria a nomofobia realmente um distúrbio novo, destes tempos de smartphones e redes sociais ou será que o medo da desconexão de nosso “universo social” é uma questão que, na verdade, já frequentava nossas preocupações há mais tempo? Será que já não tínhamos receio de sermos “excluídos” socialmente e já buscávamos através da inclusão no grupo social - antes mesmo da era digital - uma validação de quem somos e a expressão de nossa própria identidade? Talvez o cenário atual apresente uma versão “tecnológica” de antigos receios de isolamento social. “Os celulares são para pessoas em movimento. Você nunca sai.

(18) 17. sem ele” (BAUMAN, 2004, p.79). Por que afinal dependemos tanto desses aparelhos? Porque estamos sempre com nossos celulares e smartphones? A partir de que momento são ultrapassadas as fronteiras do uso excessivo e sua utilização passa a interferir nas rotinas, atividades e comportamentos dos usuários? Por que surgem desconfortos e sentimentos de ausência quando não é possível acessá-los? Um dos comportamentos observados na sociedade atual é o imediatismo. Este comportamento está sendo intensificado pela pressa e pela falta de tempo dos dias de hoje. “Parece que queremos tudo para ontem”. Em função de nossa relação com as tecnologias, estamos nos habituando a querer tudo instantaneamente. E isso provoca uma sensação de impaciência, irritabilidade e falta de disponibilidade com os outros. Afinal, encontramos quase tudo que precisamos na Internet (KING; NARDI; CARDOSO, 2015, p.35). Busca-se, assim, por meio de uma reflexão sobre essas questões, contribuir para a discussão e para a promoção de um maior conhecimento sobre a nomofobia, este assunto tão inquietante dos dias atuais. Devemos interpretar o que estamos vivendo e saber quais são os impactos da utilização dos aparelhos de comunicação digital em nossas vidas. Identificar seus efeitos contribuirá para um melhor conhecimento sobre como nos relacionamos com estas novas fronteiras da comunicação. Como é natural ocorrer diante dos grandes saltos tecnológicos e processos de inovação, se apresentam também uma renovação de hábitos e costumes. Talvez ainda seja difícil distinguir qual seria um nível ‘saudável’ de navegação de uma busca excessiva pelos dispositivos de comunicação e pela navegação nas redes sociais. Tudo isso é ainda muito recente. Estamos no centro de toda esta transformação e. mergulhados neste. novo universo digital.. Seus atrativos,. estímulos e. funcionalidades são imensos. Seus riscos ainda pouco conhecidos. O fato é que este novo cenário está estabelecido, faz parte de nossa realidade e está incorporado em nossa vida cotidiana, gostemos disso ou não. O que isso vai proporcionar em nossos hábitos e costumes, quais serão seus impactos e influências e como iremos nos relacionar com esta dicotomia entre o mundo físico e o universo digital são questões, cujas respostas ainda estão em elaboração. Precisaremos de mais tempo para respondê-las. É verdade que, cerca de 25 anos depois de eu me surpreender com a navegação daquele professor norte-americano em seus e-mails, vejo com muito mais surpresa ainda os impactos e reflexos do uso dessas tecnologias e inovações em nosso dia a.

(19) 18. dia. Há, no entanto, uma diferença importante a ser apontada entre estes dois períodos históricos. Atualmente, ao contrário do que aconteceu antes, os fatos não estão distantes da minha realidade, e não estão distantes da realidade das pessoas de uma maneira geral. As manifestações da tecnologia em nossas vidas não é mais algo extraordinário, como era a sensação provocada por aquela experiência. A presença destes aparatos em nossa vida cotidiana é um fato ordinário e corriqueiro. Hoje, é possível assistir a uma revolução se apresentando diante de nossos olhos. Ver as pessoas distraídas, caminhando com seus celulares e alheias durante reuniões e conversas são imagens absolutamente integradas ao nosso dia a dia. Ao longo desta dissertação, examinaremos a impressionante evolução da presença dos aparelhos de comunicação digital no dia-a-dia, bem como os efeitos que eles provocam sobre o comportamento dos indivíduos e suas relações. Os celulares e smartphones estão à mão de todas as pessoas, em praticamente todos os momentos. Fazem parte do cotidiano. E até mesmo por isso talvez seja ainda mais difícil identificar a partir de que ponto o seu uso se torna excessivo, e a partir de que momento nos tornamos dependentes desses aparelhos e suas tecnologias. E também por esta mesma razão, pelo fato de nos sentirmos tão integrados a eles, é que talvez sua ausência cause tanto incômodo e alteração em nosso comportamento. Tamanha é a interação que mantemos com os aparelhos de comunicação e com as redes sociais, neste ambiente digital, que somos levados a refletir sobre as palavras do ex-CEO do Google, Eric Schmidt, em Davos, em janeiro de 2015, ao analisar a crescente presença da Internet em nossas vidas (TAURION, 2015): “a Internet vai desaparecer”, disse ele. Afinal, ela fará parte de nosso dia a dia de uma forma tão intensa e com tal nível de integração, que nem a perceberemos mais. Sua disponibilidade será algo tão rotineiro como a presença da luz elétrica em nossa vida. Iremos usufruir, consumir e utilizar seus benefícios, mas já nem notaremos sua existência. Exceto quando ela vier a faltar..

(20) 19. Capítulo I - A evolução tecnológica e a nova comunicação digital. 1. A Internet vai desaparecer?. Três importantes revoluções definiram o curso da humanidade. Inicialmente a Revolução Cognitiva deu início à própria história, há cerca de 70 mil anos. A Revolução Agrícola a acelerou, por volta de 12 mil anos atrás. E, por fim, por volta do ano 1500, há pouco mais de 500 anos, foi a vez da Revolução Científica. Desde então, muitas mudanças ocorreram e proporcionaram grandes transformações nas sociedades. “Estes últimos cinco séculos presenciaram uma série de revoluções de tirar o folego”. A economia cresceu, o ambiente social e político foi transformado, a vida cotidiana assumiu novas configurações. (HARARI, 2015, p.11 e 386). Em uma visão panorâmica sobre a evolução das sociedades, podemos observar que a comunicação também experimentou uma extraordinária evolução. Neste capítulo iremos examinar a evolução das tecnologias de comunicação ao longo dos anos e suas influências sobre o comportamento das pessoas. É possível identificar os níveis das transformações do processo de comunicação e sua relação com o desenvolvimento da ciência e do conhecimento. Sob uma perspectiva histórica, a humanidade passou por três grandes revoluções comunicativas (DI FELICE, 2008). A primeira revolução surge com a escrita, no século V a.C., no Oriente Médio, e marca a passagem da cultura e da sociedade oral para a cultura e sociedade da escrita. A segunda grande revolução ocorre na metade do século XV, na Europa, provocada pelo surgimento da impressão criada por Johannes Gutenberg. Ela promoveu a difusão da cultura do livro e da leitura, até então restrita a grupos privilegiados. Já a terceira, desenvolvida no Ocidente na época da Revolução Industrial, entre os séculos XIX e XX, foi marcada pelo início da cultura de massa e caracterizada pela difusão de mensagens veiculadas pelos meios de comunicação de massa (DI FELICE, 2008)..

(21) 20. Cada uma dessas revoluções, a seu tempo, possibilitou o surgimento de novas práticas comunicativas, mas também, e principalmente, permitiu o surgimento de novas práticas sociais e de interação com o ambiente. Nos dias de hoje, não é diferente. A humanidade está vivenciando a sua quarta grande revolução comunicativa, provocada pelo uso das tecnologias digitais e, assim como nas anteriores, esta atual mudança está promovendo importantes transformações em distintos aspectos do convívio humano. Além de permitir o alcance de informações a um público ilimitado e a transmissão em tempo real de uma quantidade infinita de mensagens, essa revolução transforma profundamente o próprio processo e o ato de comunicar. (DI FELICE, 2008, p.21-23). As sociedades utilizam cada vez mais ferramentas digitais para comunicar e se reunir. Percorremos hoje um estágio adicional de evolução em relação à passividade anterior dos espectadores dos meios de comunicação, a partir da “cultura participativa” (JENKINS, 2009). Torna-se assim impossível observar os mesmos fluxos comunicacionais observados anteriormente, já que a clássica estruturação emissor-meio-receptor se confunde com novas formas e dinâmicas de interação, impossíveis de serem representadas pelos paradigmas comunicativos tradicionais. A construção de uma sociedade em rede, caracterizada por circuitos informativos interativos, propõe repensar as práticas das interações sociais, baseadas em relações comunicativas analógicas (DI FELICE, 2008, p.21-23). “A Internet vai desaparecer”. A frase, de caráter provocativo, dita por Eric Schmidt, durante o Fórum Econômico Mundial de 2015, reflete este ambiente digital dos dias atuais e teve o objetivo de demonstrar que a rede deixará de existir em seu conceito atual, como parte de um universo virtual, dissociado do mundo off-line. De acordo com o Ex-CEO do Google, a Internet será parte integrante de nossa vida em todos os momentos, de tal forma e com tal intensidade, que nem perceberemos mais a sua existência. Desde a Internet das Coisas, que conecta à rede mundial de computadores os objetos utilizados no dia a dia, como os eletrodomésticos, à Computação Vestível, que aplica a tecnologia no espaço pessoal do usuário - por exemplo, através de óculos com pequenas telas nas lentes ou relógios que se conectam a smartphones - passando pela Computação Cognitiva e seus sistemas de inteligência artificial, que promove avanços em diversas áreas do conhecimento e prepara máquinas para agirem como seres humanos, passaremos a conviver com tal.

(22) 21. nível de interação e integração com a Internet que não haverá mais distinção para um ambiente virtual (TAURION, 2015). Esse cenário de mudanças tecnológicas promove também profundas transformações no comportamento social. As pessoas passam a ter menos tempo e aumentam sua demanda por informação. Decorre daí um aumento do tempo dedicado a navegar pela Internet, na expectativa – nem sempre atingida – de reduzir a perda de tempo, de conseguir buscar mais informações para estar atualizado. Será que estamos conseguindo? Já no começo dos anos 2000, Michael Dertouzos, do MIT, expressava em “A Revolução Inacabada”, suas visões para o desenvolvimento de sistemas de computação voltados “às nossas necessidades e capacidades, em vez de nos forçarem a nos curvar diante de seus detalhes complexos [...] uma computação centrada no homem com suas ideias criativas” (DERTOUZOS, 2002, p.15). Ele fazia questionamentos sobre a intensidade da vida moderna. “Como podemos construir esse mundo com a garantia de fazer mais fazendo menos”? Ele propunha uma nova filosofia da informática, que proporcionasse maneiras de interagir com outras pessoas e com o ambiente de modo mais fácil e natural (DERTOUZOS, 2002, p.31). O incremento de tecnologias de utilização mais amigável passou a modificar também o comportamento das pessoas. Em grande parte, as ligações de voz passaram a ser substituídas por mensagens de texto, os encontros presenciais deram lugar às conversas nas redes sociais. Os impactos desse processo de inovação modificaram nosso dia a dia e seus efeitos podem atualmente ser percebidos em toda parte e proporcionam transformações para os indivíduos, consumidores e para a sociedade de uma maneira geral. São tendências que influenciam nossas vidas, nossos empregos, nossos negócios. Atualmente, como forma de possibilitar maiores oportunidades de inovação, cientistas e pesquisadores de diversas áreas estão atuando intensamente na busca de soluções em diversos campos do conhecimento e no desenvolvimento de novos sistemas computacionais. O impacto psicológico do uso de novas tecnologias sobre os indivíduos, grupos e da sociedade, em grande parte, está relacionado a mudanças no comportamento e hábitos, e “deve ser melhor estudado para ser possível compreender melhor os efeitos desta interação, no que diz respeito à aprendizagem, cognição social, personalidade e relações” (NICOLACI-DA-COSTA, 2006). A Samsung, por exemplo, prevê que já a partir de 2017 cerca de 90 por cento de seus produtos estarão prontos para a Internet das Coisas, e que em 2020 chegará a.

(23) 22. 100 por cento (ZAMBARDA, 2014). A empresa também se uniu em julho de 2014 à Dell e à Intel para padronizar conexões, em um grupo chamado “Open Interconnect Consortium” (OIC). Por meio de um trabalho conjunto, as empresas planejam um protocolo comum para garantir o bom funcionamento da conexão entre os mais variados dispositivos. Também integram o consórcio as empresas Atmel, de microcontroladores, Brodcom, de soluções de comunicação, e Wind River, da área de software e tecnologia embarcada. Não é a única iniciativa nesse sentido. Outros programas vêm reunindo grandes empresas para unificar a Internet das Coisas; a Allseen Alliance, esforço de mais de 50 empresas – entre elas LG, Panasonic e Microsoft – é mais um exemplo de difusão da Internet das Coisas (ZAMBARDA, 2014). A gestão de dados e informações também representa um novo horizonte. Big Data e Open Data são um fenômeno crescente na gestão de informações. De acordo com Gurin (2014), os conceitos estão intimamente relacionados, mas não são a mesma coisa. Segundo o pesquisador, enquanto Big Data é definido pelo tamanho, Open Data é definido pela sua utilização. Big Data é o termo usado para descrever conjuntos de dados muito grandes e complexos. Open Data traz uma perspectiva que pode fazer o Big Data mais útil e mais democrático. Ainda de acordo com Gurin, Open Data são dados públicos acessíveis a pessoas, empresas e organizações que podem usá-los para lançar novos empreendimentos e tendências, tomar decisões e resolver problemas complexos. Definições de dados abertos incluem duas características básicas: os dados devem ser disponibilizados ao público para que todos possam usar, e devem ser licenciados de uma forma que permita a sua reutilização. Dados abertos devem também ser relativamente fáceis de usar, embora haja graus diferentes de abertura de dados. Esse é um processo ainda em construção. Na nova economia, as maiores empresas do mercado digital, como Netflix, Amazon e Linkedin, utilizam a ciência de dados para compreender melhor o comportamento do seu público e, dessa forma, oferecer soluções que permitam ampliar as possibilidades de acesso à informação e produção de conteúdos informativos de naturezas diversas. Mudanças similares acontecem também na realização e distribuição de produtos audiovisuais. A transmissão de vídeos do Netflix, por exemplo, já é responsável por ao menos 34% do tráfego de Internet banda larga nos Estados Unidos durante o horário nobre, de acordo com um levantamento da fabricante de equipamentos de rede Sandvine (TEIXEIRA JR., 2015). O YouTube ocupa o segundo lugar, com 13%..

(24) 23. Juntos, Netflix e YouTube já respondem por quase metade dos bits que trafegam pela Internet no horário mais importante para as emissoras de TV. De acordo com o mesmo levantamento, cada assinante assiste, em média, a dois episódios e meio a cada sentada — fenômeno chamado de maratona e identificado universalmente pela frase “vamos ver só mais um?”. A TV paga multiplicou o número de canais, aumentou a oferta de conteúdo e fragmentou a audiência das grandes emissoras. Mas agora empresas de Internet como Netflix e YouTube estão mudando a própria ideia do que se entende por programação de TV. Na era da TV via Internet, o número de “canais” é essencialmente infinito, assim como o número de sites da Internet. O conversor da TV por assinatura, que tinha domínio exclusivo sobre o que era mostrado na TV da sala, agora começa a brigar por espaço com o que chega pela Internet. Nas palavras do fundador do Netflix: “Pense no aparelho de TV de um futuro não muito distante como um grande iPad pendurado na parede” (HASTINGS apud TEIXEIRA JR., 2015). Ele tem poucas dúvidas quanto à grandeza da transformação que está por vir: A TV aberta foi uma ideia boa. Como o cavalo. O cavalo era bom... até termos carros. A era da TV que conhecemos começou nos anos 30 e deve durar até 2030, mais ou menos. Aí estaremos na era da TV pela Internet (HASTINGS apud TEIXEIRA JR., 2015).. Em outras palavras, o Netflix pode não estar matando a TV como a conhecemos hoje, mas certamente está mudando para sempre a experiência de assisti-la. É célebre o episódio em que Silvio Santos, dono do SBT e ícone da TV brasileira, afirmou que gosta de assistir ao Netflix; o site, por sua vez, retribuiu oferecendo uma assinatura vitalícia ao apresentador (MÜLLER, 2015). Nesse contexto de acesso praticamente ilimitado ao conteúdo de filmes e produções de TV, disponíveis em nossa própria casa, é interessante rever as palavras visionárias de Nicholas Negroponte em seu livro referencial “A vida digital”, escrito em 1995. Já naquela época, o autor afirmava: “eu não sei o que você acha, mas eu jogaria fora meu videocassete amanhã mesmo em troca de um sistema melhor” (NEGROPONTE, 1995, p.166). O próprio sucesso da rede de lojas Blockbuster (que havia aberto 600 novas lojas em 1994) era visto por Negroponte como prova de que o sistema “pague-para-ver” funciona. A única diferença por enquanto é que é mais.

(25) 24. fácil navegar por suas lojas, “que alugam átomos. Isso, porém, está mudando depressa” (NEGROPONTE, 1995, p.166). Negroponte afirmava em 1995 que quando sistemas criativos baseados nos agentes de interface tornarem mais agradável a navegação eletrônica, aí então o vídeo por encomenda não irá se limitar a uns poucos milhares de títulos, mas possuirá um acervo ilimitado (NEGROPONTE, 1995, p.166).. Em uma era como a atual, marcada pelo desenvolvimento e a popularização de sistemas de realidade virtual, drones e impressoras 3D, entre outras novas tecnologias, a reflexão de Negroponte parece permanecer válida, em especial sob o ponto de vista da busca por soluções mais eficientes e da utilização mais amigável dos recursos tecnológicos. Exemplo disso é a evolução tecnológica das TVs de alta definição, onde o padrão dominante na atualidade é o Full HD. Porém, é uma questão de tempo para que ele seja substituído pelo 4K, sistema cuja resolução é quatro vezes melhor. Em 2014, foram vendidos 11,6 milhões destas TVs no mundo, algo em torno de 5 por cento do total de vendas no período (COX; TETT, 2015). A estimativa é de um crescimento médio anual superior a 70 por cento nos próximos anos, alcançando 100 milhões de TVs 4K vendidas em 2018, mesmo com o volume ainda baixo de produção de conteúdos já integrados totalmente a essa tecnologia. Esse é o fascínio exercido pela evolução tecnológica. Não há limites para mentes e máquinas prepararem o futuro. Há apenas duas décadas, as palavras de Negroponte, um dos pesquisadores líderes de um dos centros mundiais de referência em Tecnologia, o MIT, remetia a uma visão de ficção científica. Hoje esse cenário faz parte da rotina de grande parte dos lares. Negroponte já visualizava, em 1995, um cenário onde a tecnologia passaria a ter papel decisivo nas relações e nos comportamentos. “Os computadores pessoais afastaram a ciência da computação do mero imperativo tecnológico e desenvolvemse agora mais à maneira da fotografia” (NEGROPONTE, 1995, p.82). Para ele, a computação deixou de ser domínio exclusivo dos militares, do governo e dos negócios, e está sendo canalizada diretamente para as mãos de indivíduos bastante criativos em todos os níveis da sociedade. Negroponte procurava antever também as transformações comportamentais que viriam nos anos seguintes ao seu texto. Partindo das cerca de 30 milhões de pessoas que usavam a Internet em 1994, ele estimava 1 bilhão de usuários no ano 2000. Mais.

(26) 25. do que isso, ele dava uma medida de sua expectativa sobre o quanto a Internet passaria a fazer parte da vida das pessoas. Ainda olhando daquele momento para a distante virada do milênio, ele dizia que no ano 2000, “haverá mais gente se divertindo na Internet do que assistindo àquilo que hoje chamamos de redes de televisão” (NEGROPONTE, 1995, p.174). Esta expansão deverá prosseguir e as perspectivas para os próximos anos parecem promissoras. A quantidade de conexões de banda larga vai mais do que duplicar nos próximos cinco anos em todo o mundo, passando dos atuais 2,9 bilhões para 7,7 bilhões de acessos em 2020, ano previsto para a implementação do 5G em escala comercial (90% DA POPULAÇÃO, 2014). O tráfego de vídeo móvel, em especial, crescerá a uma taxa impressionante de 55 por cento ao ano e constituirá cerca de 60 por cento de todo o tráfego de dados móveis até o final desse período em todo o mundo. Este crescimento é motivado especialmente pela mudança no comportamento dos usuários, que passam a utilizar os serviços de streaming de vídeo (serviço de distribuição de dados em multimídia) e pelo domínio cada vez maior dos vídeos em conteúdo on-line, como nas mídias sociais (90% DA POPULAÇÃO, 2014). Seguindo a lógica das redes de internet, os movimentos são virais não apenas pelo caráter da difusão das mensagens em si, mas também pelo efeito de movimentos que brotam em toda a parte, em especial imagens de manifestações. O YouTube foi provavelmente uma das mais poderosas ferramentas de mobilização nos estágios iniciais dos movimentos. “O poder das imagens é soberano”, afirma Castells. A passagem da indignação à esperança realiza-se por deliberação no espaço da autonomia. As tomadas de decisão em geral ocorrem em assembleias. São movimentos sem liderança, não pela falta de líderes em potencial, mas pela profunda e espontânea desconfiança da maioria dos participantes do movimento em relação a qualquer forma de delegação de poder (Castells, 2012, p. 166). “A utilidade real dos computadores e o verdadeiro valor da Revolução ainda estão por vir”. Dertouzos já previa, na virada do milênio, que passaríamos a “usar os computadores com tanta naturalidade, facilidade e prazer como agora usamos carros e geladeiras”. Será necessário ter como meta uma ideia simples e poderosa: a tecnologia da informação deve ajudar pessoas “a fazer mais fazendo menos” (DERTOUZOS, 2002, p.23). Ele parecia estar de fato antevendo cenários que, em poucos anos, começariam a se tornar realidade. O conceito de “computação ubíqua”, desenvolvido ainda no fim.

(27) 26. dos anos 1980, propunha que, ao contrário da realidade virtual – onde as pessoas inserem-se no mundo gerado por computadores – o computador passaria a integrar a vida das pessoas (FERRAZ; MESSIAS, 2011). Mark Weiser, criador do conceito, antecipou a chegada dos ambientes inteligentes que se tornariam a base da Internet das Coisas. Ele afirmou que “as tecnologias mais importantes são aquelas que “desaparecem”, que se integram à vida do dia a dia, ao nosso cotidiano, até serem indistinguíveis dele” (WEISER apud FERRAZ; MESSIAS, 2011). Na era da computação cognitiva as máquinas e sistemas estão se tornando capazes de entender e aprender com os seres humanos, sem precisarem ser programados para isso. Atualmente, para interagir com a maioria dos sistemas que estamos acostumados, ainda somos obrigados a nos adaptar e precisamos estruturar a informação para que o sistema entenda e possa trabalhar com aquele dado. “Os sistemas cognitivos são resultado da convergência de avanços significativos em vários ramos da ciência da computação”, como hardware (processadores e storage mais poderosos e baratos), processamento de linguagem natural, machine learning, como redes neurais e reconhecimento de padrões. Estes sistemas têm o potencial de criar rupturas nas empresas e na sociedade, mudando inclusive a natureza do trabalho. “Não só as tarefas explicitas que podem ser automatizadas, mas as tácitas também - um veículo autônomo, por exemplo, pode dispensar o motorista”. Atividades efetuadas hoje por indivíduos, como atendimento em call center, podem inteiramente ser substituídas por estes sistemas (TAURION, 2014). Devemos estar preparados para as tecnologias futuras. Precisamos entender como elas mudarão a sociedade, a economia e a forma de atuação das nossas empresas [...]. As tecnologias como a computação cognitiva já não estão mais no campo da ficção científica, mas na questão de quando e em que intensidade vão transformar nossas organizações (TAURION, 2014).. O termo “computação cognitiva” foi cunhado pela IBM e descreve uma nova era computacional com base nos pilares da inteligência artificial e aprendizagem das máquinas. A computação cognitiva possibilita a interação de uma forma muito mais natural, seja através da própria linguagem ou pela capacidade de aprendizagem e identificação de padrões. É uma fronteira que também começa a ser transposta e enormes avanços foram alcançados neste campo. É uma tecnologia ainda em fase embrionária, mas tem potencial para promover grandes mudanças e expandir nossa.

(28) 27. capacidade de resolver os problemas mais complexos de nossa era (RODRIGUES, 2015). Assim como Weiser, Dertouzos também estava antecipando o futuro. A força de suas ideias e visões estimularam muitos a seguir o caminho de novas possibilidades que, de fato, se consolidaram mais à frente. Ele também fazia algumas reflexões provocativas: Se essas máquinas estranhas em volta de você estão provocando aborrecimentos, imagine a confusão que você estará metido quando, nos próximos anos, houver dez vezes mais dessas criaturas dando-lhe “mordidas”. É onde vamos parar com a enorme variedade de dispositivos novos entrando em nossas vidas (DERTOUZOS, 2002, p.23).. De fato, uma projeção visionária. Ele justamente parecia antever a chegada dos celulares e smartphones que passariam a fazer parte de nossas vidas. Com eles estamos conectados simultaneamente a vários contextos. Curtimos e postamos tudo aquilo que gostamos ou fazemos parte, integrando nossa realidade ao ambiente digital num cruzamento de emoções e informações, que se compõe num painel de muitos elementos. E como entender essa relação entre as emoções e o comportamento humano? O neurocientista português António Damásio analisa a revolução cultural que está acontecendo, mas diz não saber como ela irá acabar. “O exame do tema emoção nos leva de volta à questão da vida e valor. Requer que mencionemos recompensa e punição, impulsos e motivações e, necessariamente, sentimentos” (DAMÁSIO, 2013, p.140). Emoções são programas de ações complexos e em grande medida automatizados, engendrados pela evolução. As ações são complementadas por um programa cognitivo que inclui certas ideias e modos de cognição, mas o mundo das emoções é sobretudo feito de ações executadas no nosso corpo, desde expressões faciais e posturas até mudanças nas vísceras e meio interno (DAMÁSIO, 2013, p.142, grifo no original). Ele prossegue e explica: A distinção geral entre emoção e sentimento, portanto, é razoavelmente clara. Enquanto as emoções constituem ações acompanhadas por ideias e certos modos de pensar, os sentimentos emocionais são principalmente percepções daquilo que nosso corpo faz durante a emoção (DAMÁSIO,. 2013, p.142). Para um nativo digital na faixa dos vinte anos, por exemplo, compartilhar fotos usando um smartphone, tablet ou aplicativo tornou-se uma convenção social. Esta.

(29) 28. forma de comunicar suas mensagens é uma de suas principais formas de manifestação e expressão. Os mais jovens predominam, mas não estão sozinhos. Em nível mundial, para se ter uma ideia de como as imagens estão presentes em nosso dia a dia, são estimadas 1,8 bilhão de fotos compartilhadas diariamente por meio digital (WILLS, 2015). Dados como esse demonstram com clareza as novas formas de relacionamento social e a predominância das relações digitais. Tal volume de compartilhamento de imagens é uma indicação de que as pessoas estabelecem e desenvolvem relações prioritariamente através do ambiente digital. Em maio de 2015, outra informação reforçou ainda mais o domínio das tecnologias digitais. A União Internacional de Telecomunicações, UIT, agência da ONU – Organização das Nações Unidas – revelou que o número de celulares em uso no mundo passou de 7 bilhões. Deste total, cerca de 1,8 bilhão são smartphones. Apenas para efeito de comparação, este último número já é cerca de 3 vezes maior do que o número total de celulares no mundo no ano 2000 (EDGAR JUNIOR, 2015).. 2. O fascínio exercido pelos smartphones. Os computadores, a Internet e os telefones celulares, entre outros, tornaram-se indispensáveis no dia a dia. De posse dessas tecnologias, temos acesso a comunicação imediata, agilidade para encontrar contatos e fluidez de informações imprescindíveis para quem busca praticidade e autonomia. As tecnologias de comunicação ampliam as dimensões do mundo e modificam a percepção da realidade, do tempo e do espaço. E quando saímos e levamos o telefone celular ou o computador, essa possibilidade se estende para fora de casa, dando-nos uma mobilidade até então inimaginável. Podemos encontrar e ser encontrados a qualquer momento ou nos conectar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo sem depender de um cabo ou rede física por perto. Tal grau de desenvolvimento tecnológico proporciona o respectivo avanço em nossa mobilidade pessoal. As novas tecnologias nos possibilitam desfrutar de grande autonomia e liberdade de ação. Vamos a qualquer lugar sem perder os compromissos, filhos não ficam mais sem os pais, os casais sem os encontros repentinos e os chefes sem nos passar tarefas extras. Em contrapartida, há os que achem essa prática invasiva e se ressentem desse controle abusivo (KING; NARDI; CARDOSO, 2015, p.31)..

(30) 29. Entre as diferentes tecnologias digitais atualmente disponíveis, talvez aquela que esteja realmente promovendo uma verdadeira revolução nas relações sociais seja a comunicação digital via smartphones. Sonho de consumo em todas as camadas sociais, os smartphones estabeleceram um novo padrão de comportamento. Hoje, um encontro entre amigos, um jantar em família ou até mesmo o passeio de um casal tem um novo e obrigatório componente: a presença dos smartphones, com as pessoas digitando, postando e “curtindo” postagens em redes sociais. Da mesma maneira, os ambientes profissionais, as reuniões de trabalho e os escritórios também são marcados pela presença desses dispositivos. Estudos sobre a evolução do consumo desses aparelhos no país confirmam essa tendência de crescimento. O número de pessoas utilizando smartphones no Brasil chegou a 72,4 milhões no segundo trimestre de 2015, 4 milhões a mais de usuários do que o número registrado no trimestre anterior. No quarto trimestre de 2014, por exemplo, eram 58,6 milhões de usuários (BRASILEIROS, 2015). Esse expressivo crescimento levou o smartphone a se tornar o dispositivo mais utilizado para acessar a Internet, em comparação com outros aparelhos como notebook, desktop, tablet, entre outros: em 2015, o smartphone foi o canal para 36% dos acessos à rede (BRASILEIROS, 2015). Em relação à faixa etária, 62% dos usuários tem idade até 34 anos, e 87% até 49 anos. A informação mostra a concentração da utilização desta tecnologia nas faixas etárias mais jovens. Cresce, porém, a utilização destes aparelhos também entre as faixas etárias mais altas. O grupo a partir dos 35 anos de idade, que em 2015 representava 35% dos usuários, já chega a 38% (BRASILEIROS, 2015). Pouco mais de 20 anos após as reflexões de Negroponte, foram publicados trabalhos, também a partir do MIT, justamente sobre as diversas plataformas para troca de conteúdo que foram criadas nos últimos tempos e sobre o modo como elas se fizeram presentes na vida dos usuários. Tais estudos propõem que, num ambiente de “mídia propagável”, as redes sociais tornaram-se o principal canal de expressão ao alcance de um grande número de pessoas, que passaram a dispor de grande capacidade de comunicar suas ideias, posições e preferências (JENKINS; GREEN; FORD, 2014). Outro exemplo do fascínio exercido pelos smartphones é a frequência diária com a qual dirigimos a eles nosso olhar: 150 vezes (RIBEIRO, 2015). Essa prática tem o seguinte perfil: 23 vezes para conferir mensagens, 23 vezes também para o executar.

(31) 30. músicas, outras 22 para checar as chamadas de voz. As demais atividades incluem jogos, relógios, câmera e aplicativos. Um bom exemplo da mudança de perfil no comportamento dos usuários, que passam a assumir e a praticar as comunicações digitais, é demonstrado pelo crescimento do WhatsApp. Um estudo da empresa Ericsson divulgado em fevereiro de 2015 (GOMES, 2015) apontou que o aplicativo é responsável por nada menos do que 13% do tráfego móvel de dados. Ele faz parte de um seleto grupo de aplicativos responsável por movimentar 80% de tudo o que é consumido na Internet brasileira. Ainda de acordo com o mesmo estudo, esse conjunto inclui também o Facebook, que responde por 28% dos dados, o navegador Chrome, com 16%, o YouTube, com 15% e o Instagram, com seis por cento. O mesmo estudo foi realizado em quatro outros países: Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos e México; em todos ele foi identificada a liderança do Facebook como o aplicativo de maior utilização (GOMES, 2015). A pesquisa também identificou outro ponto comum na preferência dos usuários: a força do vídeo. O Facebook, por exemplo, em 2014, registrou uma explosão na visualização e publicação de vídeos. O YouTube é o segundo aplicativo em três dos cinco países analisados. Nos Estados Unidos, o Netflix é o terceiro aplicativo que mais consome Internet (GOMES, 2015). Outro estudo aponta que 55% dos entrevistados afirmaram que os programas de vídeo são fundamentais no seu dia a dia (CALAZANS, 2015). Seis entre cada 10 pessoas afirmaram que assistir à programação de vídeo em seu dispositivo móvel é mais conveniente. Especialmente os usuários mais jovens são consumidores vorazes de mídia. Seus celulares estão no centro de suas vidas e são utilizados em todos os lugares e “durante todas as atividades que participam” (CALAZANS, 2015). Também conversas em tempo real nas mídias sociais estão substituindo encontros presenciais para falar sobre um programa de TV favorito. Uma programação de TV ao vivo se tornou um evento social que vai além dos limites das salas de estar. Mais da metade dos entrevistados (53%) disse que gostaria de assistir shows e fazer parte das discussões nas redes sociais, e quase a metade (49%) informou que ao assistir à programação de vídeo ao vivo mantém um vínculo com alguma rede social. E 58% dos entrevistados informou navegar pela Internet enquanto assiste à programação de vídeo (CALAZANS, 2015). Entender essas questões é especialmente importante para a compreensão dos novos perfis de comportamento dos usuários. O interesse crescente por vídeo.

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