“Execução Fiscal”
Introdução
As Execuções Fiscais são regidas pela Lei 6.830/80 (Lei das Execuções Fiscais
– LEF) aplicando-se o CPC de forma subsidiária
A LEF não prevê contagem dos prazos em dias úteis, mas em dias corridos
Enunciado nº 20, CFJ
“Aplica-se o art. 219 do CPC na contagem do prazo para oposição de
embargos à execução fiscal previsto no art. 16 da Lei n. 6.830/1980.”
Enunciado nº 116, CJF
“Aplica-se o art. 219 do CPC na contagem dos prazos processuais previstos na
Lei n. 6.830/1980.”
A Constituição do Crédito Tributário
O Crédito Tributário é constituído pelo lançamento do Tributo. O lançamento pode ser
Direto (ou de Ofício), por Declaração ou por Homologação
É a partir da constituição do Crédito que o tributo ganha exigibilidade
Uma vez constituído (tributo objeto do Lançamento – art. 142, CTN) mas não pago, nasce o
direito de a Fazenda Pública exigir o valor do tributo
Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito
tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a
verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria
tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo
caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob
pena de responsabilidade funcional.
Hipótese de incidência Fato Gerador Lançamento Inscrição em Dívida Ativa Certidão de Dívida Ativa Execução Fiscal
Mandado de Segurança preventivo
ou Preventivo ou Ação Declaratória Mandado de Segurança ou Ação Anulatória do Débito
Embargos à Execução Fiscal ou Exceção de Pré-Executividade
O Título Executivo
A CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA (CDA) é o título executivo na ação de
Execução Fiscal e nela podem constar as dívidas tributárias e não
tributárias
Dívida Tributária
• Impostos
• Taxas
• Contribuições
Dívida não tributária
• Multas pelo exercício
do Poder de Polícia
• Multas Contratuais
• Multas Penais
O Título Executivo
Presunção de liquidez e certeza
De acordo com o art. 3º da LEF, a Dívida Ativa regularmente inscrita goza da
presunção de certeza e liquidez.
Trata-se de uma presunção relativa, cabendo ao executado ou a terceiro, afastar
a presunção
Todavia é um título UNILATERAL. Diferente dos demais títulos executivos
elencados no CPC
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA. AUSÊNCIA DE
NOTIFICAÇÃO DO DEVEDOR DO LANÇAMENTO DO TRIBUTO. PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO DEFICIENTE. VÍCIO QUE CONTAMINA A CONSTITUIÇÃO DO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA CDA AFASTADA.
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO
CARACTERIZADA.
1.
Agravo
regimental
interposto contra decisão que negou provimento a agravo de instrumento porquanto o
Tribunal a quo, em consonância com a jurisprudência desta Casa, extinguiu execução fiscal
por vício em sua constituição , qual seja, não há comprovação quanto à notificação do
devedor do lançamento da contribuição de melhoria. 2. Defende o agravante que a dívida
ativa regularmente inscrita goza de presunção de certeza e liquidez, não precisando ela vir
acompanhada da prova de notificação ou de qualquer outro ato administrativo para se
constituir em instrumento apto aos fins executivos, competindo ao executado o ônus de
provar a inexigibilidade total ou parcial da quantia que está sendo cobrado. 3. Com efeito, o
título executivo possui presunção de certeza e liquidez juris tantum, admitindo prova em
contrário quando questionada sua validade em sede de execução.
Contudo, o vício alegado é antecedente à inscrição, isto é, refere-se à não
ocorrência
do
procedimento
de
notificação
ao
contribuinte
do
lançamento, fato esse que contamina a constituição do crédito
tributário. Precedentes. 4. No caso dos autos, o Tribunal a quo atestou a
ausência da notificação do lançamento. Por conseguinte, inexistindo a
notificação do contribuinte, o lançamento não se perfaz, o que torna
nula a execução fiscal nele fundada. 5. Não se tem caracterizada
divergência jurisprudencial porquanto os paradigmas colacionados para esse
fim não se revestem de similitude fática com o caso em apreço. 6. Agravo
regimental não provido.
(STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO: AgRg no
Ag 1265138 SP 2010/0001390-5- 24.11.2010)
O Título Executivo
Dívida Ativa Tributária
CTN, Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa
natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de
esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em
processo regular.
Parágrafo único. A fluência de juros de mora não exclui, para os efeitos deste artigo, a
liquidez do crédito.
Podemos entender que a dívida ativa tributária será, portanto, constituída por um
procedimento prévio e disciplinado por lei de um crédito público originado pelo
não pagamento no prazo fixado pela legislação, pelo sujeito passivo (contribuinte
ou responsável) de tributo.
O Título Executivo
Dívida Ativa Não Tributária
Possui natureza não tributária todo o crédito que seja originado de atividade típica de direito público em
que a Fazenda Pública seja credora.
Lei 4.320/64 – Lei que estabelece Normas Gerais de Direito Financeiro
Art. 39. Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária, serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados, nas respectivas rubricas orçamentárias.
(...)
§ 2º - Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza, proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas, e Dívida Ativa não Tributária são os demais créditos da
Fazenda Pública, tais como os provenientes de empréstimos compulsórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, laudêmios, alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos, indenizações,
reposições, restituições, alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem assim os créditos
decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de subrogação de hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações legais.
A CF/88 tornou tributo os Empréstimos Compulsórios e as Contribuições
O Título Executivo
Dívida Ativa Não Tributária
O Rol do Art. 39 da Lei 4.320/64 não é taxativo. Portanto qualquer cobrança que
decorrer de crédito relativo à atividade precípua do ente público e que não
decorrer de tributo terá natureza não tributária.
Todavia é pacífico o entendimento de que o crédito precisa ser previamente
apurado por procedimento administrativo com objetivo de constituição e
determinação do valor a ser cobrado. Não se admite a Inscrição em Dívida Ativa
O Título Executivo
Dívida Ativa Não Tributária
Exemplos de Créditos não tributários cobrados na esfera federal:
◦
Multa Criminal fixada e sentença penal condenatória
◦
Multas Trabalhistas (pelo Ministério do Trabalho)
◦
Multas Eleitorais (pelo descumprimento da Legislação Eleitoral)
◦
Multas do CADE
◦
Multas da Vigilância Sanitária
Efeito da inscrição em Dívida Ativa
Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas,
ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por
crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem
sido reservados, pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento
da dívida inscrita.
Os possíveis vícios da CDA
Art. 2º, §5º da Lei 6.830/80 determina quais são os requisitos básicos da CDA:
I - o nome do devedor, dos corresponsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou
residência de um e de outros;
II - o valor originário da dívida, bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de
mora e demais encargos previstos em lei ou contrato;
III - a origem, a natureza e o fundamento legal ou contratual da dívida;
IV - a indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização monetária, bem como o
respectivo fundamento legal e o termo inicial para o cálculo;
V - a data e o número da inscrição, no Registro de Dívida Ativa; e
VI - o número do processo administrativo ou do auto de infração, se neles estiver apurado o
valor da dívida.
Os possíveis vícios da CDA
O Exequente pode emendar ou substituir a CDA até a decisão de primeira instância
(v. Art 2º, § 8º, LEF + Art. 203, CTN).
Todavia, em caso eventual modificação/alteração/correção da CDA deve ser
assegurado ao executado a devolução do prazo para defesa na parte que foi objeto
de modificação
Súmula 392, STJ. “A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa
(CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de
erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução.”
A citação
Art. 8º - O executado será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, pagar a dívida com os juros e
multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, ou garantir a execução,
observadas as seguintes normas:
I - a citação será feita pelo correio, com aviso de recepção, se a Fazenda Pública não a requerer
por outra forma;
II - a citação pelo correio considera-se feita na data da entrega da carta no endereço do
executado, ou, se a data for omitida, no aviso de recepção, 10 (dez) dias após a entrega da carta
à agência postal;
III - se o aviso de recepção não retornar no prazo de 15 (quinze) dias da entrega da carta à
agência postal, a citação será feita por Oficial de Justiça ou por edital;
IV - o edital de citação será afixado na sede do Juízo, publicado uma só vez no órgão oficial,
gratuitamente, como expediente judiciário, com o prazo de 30 (trinta) dias, e conterá, apenas, a
indicação da exeqüente, o nome do devedor e dos co-responsáveis, a quantia devida, a natureza
da dívida, a data e o número da inscrição no Registro da Dívida Ativa, o prazo e o endereço da
sede do Juízo.
Sobre a Penhora
Art. 10 - Não ocorrendo o pagamento, nem a garantia da
execução de que trata o artigo 9º, a penhora poderá recair em
qualquer bem do executado, exceto os que a lei declare
absolutamente impenhoráveis.
Ordem de Preferência
Art. 11 - A penhora ou arresto de bens obedecerá à seguinte ordem:
I - dinheiro;
II - título da dívida pública, bem como título de crédito, que tenham cotação em bolsa;
III - pedras e metais preciosos;
IV - imóveis;
V - navios e aeronaves;
VI - veículos;
VII - móveis ou semoventes; e
VIII - direitos e ações.
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. NOMEAÇÃO À PENHORA. INOBSERVÂNCIA DA ORDEM LEGAL PREVISTA NO ART. 11 DA LEI 6.830/1980. PENHORA ON-LINE. DESNECESSIDADE DE EXAURIMENTO. 1. "A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.112.943/MA, processado nos termos do art. 543-C do Código de Processo Civil, firmou entendimento no sentido de que, após as
modificações introduzidas no Código de Processo Civil pela Lei 11.382/2006, incluindo, na ordem de penhora, depósitos e aplicações financeiras como bens preferenciais, a saber, como se fossem dinheiro em espécie (art. 655, I, CPC) e que a constrição se realizasse preferencialmente por meio eletrônico (art. 655-A), não se pode mais exigir prova do exaurimento de vias extrajudiciais na busca de bens a serem penhorados, como na hipótese dos autos, para que o juiz possa decidir sobre a realização de penhora on line (via sistema BACEN JUD)" (STJ, AgInt no AREsp 899.969/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, primeira turma, DJe
4/10/2016). 2. Esta Corte de Justiça possui o entendimento firmado de que é legítima a recusa pela
Fazenda Pública da nomeação de bens do executado quando não observada a ordem legal de preferência prevista no art. 11 da LEF, sem que isso implique ofensa ao princípio da menor onerosidade. 3. Vale
consignar que o precedente da egrégia Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça que, no julgamento do Tema n. 578, vinculado ao Recurso Especial Repetitivo n. 1.337.790/PR, (Rel. Min. Herman Benjamin), fixou orientação de que cumpre ao devedor fazer a nomeação de bens à penhora, observando a ordem legal
estabelecida no art. 11 da Lei de Execução Fiscal, incumbindo-lhe demonstrar, se for o caso, a necessidade de afastá-la. 4. Recurso especial a que se dá provimento.
Art. 185-A, CTN. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem
apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o
juiz determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão,
preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de
transferência de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de
suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial
.
Súmula 560 STJ
A decretação da indisponibilidade de bens e direitos, na forma do art. 185-A do CTN,
pressupõe o exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis, o qual fica
caracterizado quando infrutíferos o pedido de constrição sobre ativos financeiros e a
expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio do executado, ao Denatran ou
Detran.
Penhora do Faturamento?
TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PENHORA. CRÉDITOS FUTUROS.
MEDIDA EXCEPCIONAL. PERCENTUAL QUE NÃO PODE ULTRAPASSAR OS PARÂMETROS
ACEITOS PELA JURISPRUDÊNCIA DO STJ,
TAMPOUCO DEVE INVIABILIZAR AS
ATIVIDADES DA EMPRESA
. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO A
QUE NEGA PROVIMENTO. 1. A jurisprudência do STJ, a despeito de considerar viável a
penhora de recebíveis da empresa, assinala que tal medida é de exceção e reclama
a efetiva demonstração de que foram esgotados todos os meios disponíveis para a
localização de outros bens penhoráveis. 2. Nesse aspecto, ainda que se considere a
possibilidade da constrição recair sobre o faturamento da empresa, o percentual
deferido dependerá de cada caso concreto, e, de acordo com a jurisprudência desta
Corte, o percentual de 30%, de toda sorte, seria considerado exorbitante, em
comparação com as hipóteses consideradas como razoáveis no âmbito deste Tribunal,
que tem considerado dentro da razoabilidade o percentual de 5%, em geral, mas não
mais que 10%, a depender do caso, e desde que não inviabilize as atividades da
empresa. 3. Agravo Interno da FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO a que se nega
No Curso da Execução Fiscal
Art. 16. O executado oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados:
I - do depósito;
II - da juntada da prova da fiança bancária ou do seguro garantia;
III - da intimação da penhora.
§ 1º - Não são admissíveis embargos do executado antes de garantida a execução.
§ 2º - No prazo dos embargos, o executado deverá alegar toda matéria útil à defesa,
requerer provas e juntar aos autos os documentos e rol de testemunhas, até três, ou, a
critério do juiz, até o dobro desse limite.
§ 3º - Não será admitida reconvenção, nem compensação, e as exceções, salvo as de
suspeição, incompetência e impedimentos, serão argüidas como matéria preliminar e
serão processadas e julgadas com os embargos.
A questão da Garantia
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE PENHORA.
FALTA DE INTERESSE DE AGIR.INAPLICABILIDADE DO ART. 914 DO NOVO CPC.
Não há nos autos nenhum documento que comprove que houve o oferecimento de garantia do
Juízo correspondente ao valor executado, possibilitando oposição dos Embargos à Execução Fiscal.
Considerando que o prazo para oferecimento de embargos à execução fiscal conta-se a partir da
intimação pessoal da penhora, e que esta não foi efetivada, não há que se falar em legitimidade
ou interesse processual na oposição dos presentes embargos à execução.
O egrégio Superior Tribunal de Justiça, já firmou entendimento no sentido de que: “Quanto à
prevalência do disposto no art. 736 do CPC – que permite ao devedor a oposição de Embargos,
independentemente de penhora, sobre as disposições da Lei de Execução Fiscal, que determina a
inadmissibilidade de Embargos do executado antes de garantida a execução -, tem-se que, em
face do princípio da especialidade, no caso de conflito aparente de normas, as leis especiais
sobrepõem-se às gerais (…).
O Efeito Suspensivo
Art. 919. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo.
§ 1º O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir
efeito suspensivo aos embargos quando verificados os
requisitos para a concessão da tutela provisória e desde que a
execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução
suficientes.
A justiça gratuita afasta a
necessidade de garantia?
TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC.
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO JUÍZO. BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA
GRATUITA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DAS LEIS. 2. Discute-se nos autos a
possibilidade de oposição de embargos à execução fiscal sem garantia do juízo pelo
beneficiário da justiça gratuita. 3. Nos termos da jurisprudência do STJ, a garantia do
pleito executivo fiscal é condição de procedibilidade dos embargos de devedor nos
exatos termos do art. 16, § 1º, da Lei n. 6.830/80. 4. O 3º, inciso VII, da Lei n. 1.060/50
não afasta a aplicação do art. 16, § 1º, da LEF, pois o referido dispositivo é cláusula
genérica, abstrata e visa à isenção de despesas de natureza processual, não havendo
previsão legal de isenção de garantia do juízo para embargar. Ademais, em
conformidade com o princípio da especialidade das leis, a Lei de Execuções Fiscais deve
prevalecer sobre a Lei n. 1.060/50. Recurso especial improvido.
(REsp 1437078 RS
2014/0042042-7. DJe 31/03/2014)
Os Embargos
Possuem natureza de ação e são distribuídos por dependência à execução
Devem obedecer os requisitos da petição incial (Art. 319, CPC), inclusive valor da
causa, provas e honorários advocatícios
Art. 16, Lei 6.830/80
§ 2º - No prazo dos embargos, o executado deverá alegar toda matéria útil à
defesa, requerer provas e juntar aos autos os documentos e rol de testemunhas,
Prescrição Intercorrente
Sumula 314, STJ. Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo por um ano, findo o qual se inicia o prazo da prescrição quinquenal intercorrente.
Art. 40 - O Juiz suspenderá o curso da execução, enquanto não for localizado o devedor ou encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora, e, nesses casos, não correrá o prazo de prescrição.
§ 2º - Decorrido o prazo máximo de 1 (um) ano, sem que seja localizado o devedor ou encontrados bens penhoráveis, o Juiz ordenará o arquivamento dos autos.
§ 3º - Encontrados que sejam, a qualquer tempo, o devedor ou os bens, serão desarquivados os autos para prosseguimento da execução.
§ 4º Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato.
§ 5º A manifestação prévia da Fazenda Pública prevista no § 4o deste artigo será dispensada no caso de cobranças judiciais cujo valor seja inferior ao mínimo fixado por ato do Ministro de Estado da Fazenda.
RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015 (ART. 543-C, DO CPC/1973). PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. SISTEMÁTICA PARA A CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE (PRESCRIÇÃO APÓS A PROPOSITURA DA AÇÃO) PREVISTA NO ART. 40 E PARÁGRAFOS DA LEI DE EXECUÇÃO
FISCAL (LEI N. 6.830/80).
1. O espírito do art. 40, da Lei n. 6.830/80 é o de que nenhuma execução fiscal já ajuizada poderá permanecer
eternamente nos escaninhos do Poder Judiciário ou da Procuradoria Fazendária encarregada da execução das respectivas dívidas fiscais. 2. Não havendo a citação de qualquer devedor por qualquer meio válido e/ou não
sendo encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora (o que permitiria o fim da inércia processual), inicia-se automaticamente o procedimento previsto no art. 40 da Lei n. 6.830/80, e respectivo prazo, ao fim do qual restará prescrito o crédito fiscal. Esse o teor da Súmula n. 314/STJ: "Em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo por um ano, findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente". 3. Nem o Juiz e nem a Procuradoria da Fazenda Pública são os senhores do termo inicial do prazo de 1 (um) ano de suspensão previsto no caput, do art. 40, da LEF, somente a lei o é (ordena o art. 40: "[...] o juiz suspenderá [...]"). Não cabe ao Juiz ou à Procuradoria a escolha do melhor momento para o seu início. No primeiro momento em que constatada a não localização do devedor e/ou ausência de bens pelo oficial de justiça e intimada a Fazenda Pública, inicia-se automaticamente o prazo de suspensão, na forma do art. 40, caput, da LEF. Indiferente aqui, portanto, o fato de existir petição da Fazenda Pública requerendo a suspensão do feito por 30, 60, 90 ou 120 dias a fim de realizar diligências, sem pedir a suspensão do feito pelo art. 40, da LEF. Esses pedidos não encontram amparo fora do art. 40 da LEF que limita a suspensão a 1 (um) ano. Também indiferente o fato de que o Juiz, ao intimar a Fazenda Pública, não tenha expressamente feito menção à suspensão do art. 40, da LEF. O que importa para a aplicação da lei é que a Fazenda Pública tenha tomado ciência da inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido e/ou da não localização do devedor. Isso é o suficiente para inaugurar o prazo, ex lege.
4. Teses julgadas para efeito dos arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015 (art. 543-C, do CPC/1973):
4.1.) O prazo de 1 (um) ano de suspensão do processo e do respectivo prazo prescricional previsto no art. 40, §§ 1º e
2º da Lei n. 6.830/80 - LEF tem início automaticamente na data da ciência da Fazenda Pública a respeito da não
localização do devedor ou da inexistência de bens penhoráveis no endereço fornecido, havendo, sem prejuízo dessa
contagem automática, o dever de o magistrado declarar ter ocorrido a suspensão da execução; 4.1.1.) Sem prejuízo do disposto no item 4.1., nos casos de execução fiscal para cobrança de dívida ativa de natureza tributária (cujo
despacho ordenador da citação tenha sido proferido antes da vigência da Lei Complementar n. 118/2005), depois da citação válida, ainda que editalícia, logo após a primeira tentativa infrutífera de localização de bens penhoráveis, o Juiz declarará suspensa a execução. 4.1.2.) Sem prejuízo do disposto no item 4.1., em se tratando de execução fiscal para cobrança de dívida ativa de natureza tributária (cujo despacho ordenador da citação tenha sido proferido na vigência da Lei Complementar n. 118/2005) e de qualquer dívida ativa de natureza não tributária, logo após a
primeira tentativa frustrada de citação do devedor ou de localização de bens penhoráveis, o Juiz declarará suspensa a execução. 4.2.) Havendo ou não petição da Fazenda Pública e havendo ou não pronuciamento judicial nesse sentido,
findo o prazo de 1 (um) ano de suspensão inicia-se automaticamente o prazo prescricional aplicável (de acordo com
a natureza do crédito exequendo) durante o qual o processo deveria estar arquivado sem baixa na distribuição, na forma do art. 40, §§ 2º, 3º e 4º da Lei n. 6.830/80 - LEF, findo o qual o Juiz, depois de ouvida a Fazenda Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato;
4.3.) A efetiva constrição patrimonial e a efetiva citação (ainda que por edital) são aptas a interromper o curso da
prescrição intercorrente, não bastando para tal o mero peticionamento em juízo, requerendo, v.g., a feitura da penhora
sobre ativos financeiros ou sobre outros bens. Os requerimentos feitos pelo exequente, dentro da soma do prazo máximo de 1 (um) ano de suspensão mais o prazo de prescrição aplicável (de acordo com a natureza do crédito exequendo) deverão ser processados, ainda que para além da soma desses dois prazos, pois, citados (ainda que por edital) os devedores e
penhorados os bens, a qualquer tempo – mesmo depois de escoados os referidos prazos –, considera-se interrompida a prescrição intercorrente, retroativamente, na data do protocolo da petição que requereu a providência frutífera.
4.4.) A Fazenda Pública, em sua primeira oportunidade de falar nos autos (art. 245 do CPC/73, correspondente ao art. 278
do CPC/2015), ao alegar nulidade pela falta de qualquer intimação dentro do procedimento do art. 40 da LEF, deverá demonstrar o prejuízo que sofreu (exceto a falta da intimação que constitui o termo inicial - 4.1., onde o prejuízo é presumido), por exemplo, deverá demonstrar a ocorrência de qualquer causa interruptiva ou suspensiva da prescrição.
4.5.) O magistrado, ao reconhecer a prescrição intercorrente, deverá fundamentar o ato judicial por meio da delimitação
dos marcos legais que foram aplicados na contagem do respectivo prazo, inclusive quanto ao período em que a execução ficou suspensa.
5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime dos arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015 (art. 543-C, do CPC/1973).
Redirecionamento da Execução
Súmula 430, STJ. “O inadimplemento da obrigação tributária
pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária
do sócio-gerente.”
Súmula 435, STJ. “Presume-se dissolvida irregularmente a
empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem
comunicação
aos
órgãos
competentes,
legitimando
o
redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente.
Precedentes”
Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos
correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos
praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato
social ou estatutos:
I - as pessoas referidas no artigo anterior;
II - os mandatários, prepostos e empregados;
III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas
jurídicas de direito privado.
Redirecionamento da Execução
Ainda, embora seja necessário demonstrar quem ocupava o posto de gerente no
momento da dissolução, é necessário, antes, que aquele responsável pela
dissolução tenha sido também, simultaneamente, o detentor da gerência na
oportunidade do vencimento do tributo. É que só se dirá responsável o sócio
que, tendo poderes para tanto, não pagou o tributo (daí exigir-se seja
demonstrada a detenção de gerência no momento do vencimento do débito) e
que, ademais, conscientemente, optou pela irregular dissolução da sociedade
(por isso, também exigível a prova da permanência no momento da dissolução
irregular) (AgRg no Resp 147.4570/SP – Relator(a) Ministro SÉRGIO KUKINA
(1155) – PRIMEIRA TURMA – Dje 17.12.2014).
Redirecionamento da Execução
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PROPOSTA DE AFETAÇÃO DE RECURSO ESPECIAL. RITO
DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. (...) I. Delimitação da controvérsia, para fins de
afetação da matéria ao rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 1.036, caput e § 1º,
do CPC/2015: "À luz do art. 135, III, do CTN, o pedido de redirecionamento da Execução
Fiscal, quando fundado na hipótese de dissolução irregular da sociedade empresária
executada ou de presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), pode ser autorizado contra:
(i) o sócio com poderes de administração da sociedade, na data em que configurada a sua
dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), e que,
concomitantemente, tenha exercido poderes de gerência, na data em que ocorrido o fato
gerador da obrigação tributária não adimplida; ou (ii) o sócio com poderes de administração
da sociedade, na data em que configurada a sua dissolução irregular ou a presunção de sua
ocorrência (Súmula 435/STJ), ainda que não tenha exercido poderes de gerência, na data em
que ocorrido o fato gerador do tributo não adimplido". II. (...)
Tema 630. Em execução fiscal de dívida ativa tributária ou
não-tributária, dissolvida irregularmente a empresa, está legitimado
o redirecionamento ao sócio-gerente.
Questão submetida a Julgamento
Tema 962. Discute-se a possibilidade de redirecionamento da execução
fiscal contra o sócio que, apesar de exercer a gerência da empresa
devedora à época do fato tributário, dela regularmente se afastou, sem
dar causa, portanto, à posterior dissolução irregular da sociedade
empresária.
Tema
981.
À
luz
do
art.
135,
III,
do
CTN,
o
pedido
de redirecionamento da Execução Fiscal, quando fundado na hipótese de
dissolução irregular da sociedade empresária executada ou de presunção de
sua ocorrência (Súmula 435/STJ), pode ser autorizado contra: (i) o sócio com
poderes de administração da sociedade, na data em que configurada a sua
dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), e que,
concomitantemente, tenha exercido poderes de gerência, na data em que
ocorrido o fato gerador da obrigação tributária não adimplida; ou (ii) o sócio
com poderes de administração da sociedade, na data em que configurada a sua
dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), ainda
que não tenha exercido poderes de gerência, na data em que ocorrido o fato
gerador do tributo não adimplido.
Os Honorários
Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor.
§ 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios
estabelecidos nos incisos I a IV do § 2ºe os seguintes percentuais:
I - mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) salários-mínimos;
II - mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários-mínimos;
III - mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 20.000 (vinte mil) salários-mínimos;
IV - mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000 (cem mil) salários-mínimos;
V - mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos.