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PHYSICAS E
NATURAES
205ESTUDOS ICHTHYOLOGICOS
ACERCA
DA
FAUNA
DOS DOMÍNIOS
PORTUGUEZES
NA AFRICABALTHAZAR OSÓRIO
3.^iiotei.
—
Feixes
mai-itimos
da,s illia»de
S.
Xhomé,
do Príncipe
e
illieodas
K-olas'
(Continuação)
N'este appendice mencionamos algumas espécies, comprehendidas na nossa 3,* nota, e que foram colhidas
em
novos habitats na costa Occidental da ilha de S.Thomé,
uma
dasmenos
exploradas atéagora, e accrescentamos outras novas para a fauna da ilha.As
espécies incluídas na nota a que nos referimos são as se-guintes:1. Ephippus gigas, Cuv.
Habitat: Bindá.
Um
individuo novo.2. Caranx alexandrinas, Geoffr.
Habitat: Bindá.
No
exemplar d'esta procedência nota-se que existem seteespi-nhos,
como
diz Cuvier (Hist. nat. des Poíss., t. IX, pag. 19C), maisdois portanto dos que diz Gunther.
Deve
todavia ter-seem
vistaqueeste auctor se refere a dois exemplares,
um
dos quaes é deum
indi-viduo novo e o outro é deum
individuoem
mau
estado.1 Publicadano n.°VI da2.» serie, p. 97 eseguintes:
206 JORNAL
DE
SCIENCTASMATHEMATICAS
3. Clinus nuchipinis,
Quoy
et Gaim.Habitat: Diogo Vaz.
4. Pomacentrus leucostictus, Miill. et Troscli.
Habitat: Malange,
em
logo-Iogo. 5. Novacula cultrata, Gunth.Habitat: Diogo Vaz. 6. Julis Newtoni, Osório.
Habitat: Diogo Vaz.
7. Hippocampus guttulatus, Cuv.
Habitat: Diogo Vaz.
8. Chilomycterus geometricus, BI., var. a, Gunth.
Um
exemplar enviado pelo sr. Pires e não mencionado na notaque publicámos.
As
espécies que temos hoje a accrescentar á lista dos peixes dailha de S.
Thomé
são as seguintes:Fam.
SCOMBRIDAE
Geuus
NOMEUS,
Cuvier1.
Nomeus
gronovii,Gm.
Gm., p. 1205; Nomeus mauritii, Ciiv. etVai,t.ix, p.243; Seriola
argyro-melus, Cuv.et Vai.,pi.CCLXII;Nomeusgronovii,Gimth.,Cat.Fish. Brit. Mus., t.II,p. 387.
Habitat: Ilha de S.
Thomé.
D. 11
i,
A.i
27' 26
Três manchas na anal
como
diz Gunther e não duascomo
dizPHYSICAS E
NATURAES
207Genus
DEPRANE,
Cuv. etVai.2. Deprane punctata, Cuv. et Vai. var. Africana.
Hist. nat.des Poiss., t. vii, p.132,pi.
CLXXIX;
D.Imgimana, Idem,p.133; D.punctata, Guuth.,loc. cit., t.ii,p. 62.Até
hoje o género Drepane não era apontado, que nos conste,em
nenhum
livro,memoria
ou noticiasobre ichthyologia africana,en-contrando-se, apenas, segundoGunther,noOceano Indicoe costa
N
W
da Austrália (1860).
O
apparecimento d'este género no Oceano Atlântico e na costa Occidental d'Africa éporém
incontestávelem
presença deexempla-res que nos foram enviados de diversas regiões africanas,
em
grandenumero
e de differentes idades.Representam os exemplares
em
questão a espécie Drepanepun-ctata, Cuv., ou
uma
espécie nova?Diremos
em
primeiro logar quea diagnose de Guntherdiffereem
mais de
um
ponto importante dadescripçâo de Cuvier, eque a leiturados dois auctores, tanto no que respeita aos caracteres especificos,
como
no que diz respeito aos caractei'es do género, lançam a duvidano espirito de
quem
lê.Assim
Gunther diz {Cat. Fish. Brit. Mus., t. II, p. 62): «. . .,with eight or nine spines, the tliird ofwich is the longest and
flexi-ble». Cuvier da sua parte diz (Cuv. et Vai., Hist. nat. des Poiss.,
t. VII, p. 130):
«Le
troisième aiguillon, ausommet
même
(du dos),est un peu plus grand que ceuxquileprécédent; lequatrieme, leplus
long de tous». Diremos todavia que
n'um
exemplar da índia, quete-mos
presente, o terceiro espinho é realmeute o maior. SegundoGun-ther: ((the spinous ptortion of the fin is not scaly, onlyfolding into a
grove». Segundo Cuvier: «tous (les aiguillons) sont conprimés et
poin-tus, et ont leur base envoloppée de deux lames écailleuses».
Relativamente á dentição do preoperculo Gunther diz:
«Praeoper-culum without spine»^ emquanto que Cuvierdiz: «lepréopercule
des-cend plus bas que là bouche, et a son angle arrondi, avec de fines dentelures à son bord inférieur.
Pelo que respeita aos caracteres genéricos dos exemplares que
temos presentes, diremos que concordam absolutamente
com
o quediz Cuvier.
O
maior dos espinhos é o quarto,ha escamas na basedosespinhos, o bordo inferior do preoperculo é dentado.
Relativamente aos caracteres especificos do Drepane punctata,
Cuv., encontramos
também
diíFerenças importantes no que dizem os dois auctores, assim a formula de Gunther é a seguinte:D-1-
A- r.208
JORNAL
DE
SCIENCIASMATHEMATICAS
e a de Ciivier:
D. 8-i, A.
-21' 17
Comtudo n'um
exemplar da índia, pescadona enseada dePondi-chery, encontrámos que os raios e espinhos das barbatanasoriginavam
uma
formula diversa das precedentes e que é a seguinte:22' 19
Não
proseguiremos pondoem
relevo as diíFerenças que encon-tramos nas duas diagnoses, e se o fizemos, relativamente a algunscaracteres, foi principalmente para aproveitar d'elles o que nos é ne-cessário para a descripção da nossa espécie.
A
formula das barbatanas dos exemplares que temospresentes émuito próxima da apresentada por Cuvier e é
como
se segue:D.
-,
A.-.
L. lat.45-46
21' 18
Pelo que respeita á linha lateral é nos nossos exemplares
como
acaba de ser dito, Cuvier nãodiz qualsejao
numero
de escamas d'esta linha nos que observou, e a de Gunther differeum
pouco. L. lat. 50.O
quarto espinho dorsal éo mais comprido ecabe 4vezeseum
pouco3 3
mais de
—
na altura, 4 vezes eum
pouco mais de—
n'outroexem-õ ' 4
piar.
O
primeiro raio da barbatanaventral éo mais comprido, attingepor vezes o terceiro espinho da anal.
O
operculo, preoperculo e a face é prateada, afronte(espaço in-terorbitario) é doirada,bem
como
as escamas dos flancos eabdómen.A
parte do corpo, acima da linha lateral, é cobertade escamasegual-mente doiradas,
mas
esta parte parece mais escuraem
virtude dacordo tecido subjacente. Diversas bandas (n'alguns exemplares mais
pe-quenos, nove) negras verticaes. Essas bandas ou listas teem diversas larguras e comprimentos
também
diversos e parece que seapagam
com
a edade, porque ao passo que sãoperfeitamente visíveis e accen-tuadasn'um
individuo medindo O™,115 (do focinho á ponta dacauda),são comtudo quasi indistinctas
em
indivíduos medindo O™, 27, 0™,25.Nenhum
dos nossos exemplarestem
as faixas formadas por pon-tos,como
aconteceem
alguns dosindivíduos daespécieDrepanepun-ctata, segundo affirmam Gunther e Cuvier. Este ultimo auctor diz que
as pontuações são dispostas
em
sete ou oito linhas verticaes,um
nu-mero
de linha proximamente egual ao das faixas que se contam nos nossos exemplares,mas
na figura que representa a espécie onumero
linhas é maior, dez. Gunther fala de
um
exemplarcom
bandasver-ticaes
mas sem
designação de procedência.Ao
descrever a espéciePHYSICAS E
NATURAES
209D.
punctata, Cuvier, diz que os indivíduos novos d'esta espécieteem
cinco bandas verticaes acinzentadas. Estes individuos foram colhidos
em
Java, ao passo que outros exemplares d'esta espécie que Cuvierestudou e que foram obtidos
em
Pondichery nãotinliamas faixas ver-ticaes. Todavia a Cuvier não ficou amenor
duvida que os individuos d'esta ultima procedência, apezar da falta d'este e de mais algunscaracteres que parecem afastal-os da outra, pertencem á
mesma
es-pécie, pois encontrou as fornias de passagem de uns para os outros.
No
Museu
de Lisboa existeum
exemplar doD.
punctata, provenienteda enseada de Pondichery, que
tem
as faixas que Cuvier viu nosexemplares que tinha recebido da primeira das localidades a que se
refere
.
Ha
um
outro caracter, a que Cuvierallude quandofalanosexem-plares de Java, e que diz faltarnosexemplares de Pondichery, e que
também
se vê, nãosó no nossoexemplar d'estaprocedência,mas
tam-bém
nos nossos exemplares da costa occidental d'Africa.Nos
indivi-duos mais pequenos, diz Cuvier, a crista do craneo é finamente den-tadaem
serra na sua parte superior, eaporção danuca queficaparacima, é dentada
em
sentido contrario.Ora
este caracter éperfeita-mente
accentuado nos individuos africanos, medindo 0™,llõ(dapontado focinho á ponta da cauda), mais accentuado ainda n'elles do que
n'um
individuo proveniente da índiae approximadameute dasmesmas
dimensões (O'",106 de comprimento) e visivel
também
somente peloque respeita á crista da nuca,
em
indiviuos medindo O™,2 approxima-dameute.Pela existência das faixas, das cristas, da formula das
barbata-nas, da disposição dos espinhos, etc, julgamos que a espécie agora
encontrada
em
diversos pontos da costa d'Africa enomeadamente
noIlheo das Rolas, pertence á espécie Drepanepimctata^ Cuv. Fica
por-tanto assente, por este trabalho, que o género Drepane frequenta o
Oceano
Atlântico; equeem
virtude dasfaixasnãoteremtodas amesma
largura,
como
parece acontecer nos exemplares da índia e de Java,e do
numero
das escamas dalinhalateral,nosexemplaresdaíndia, sermaior, sedeveconsiderar
como
representandouma
variedade^osexem-plares colhidos na costa da Africa occidental e regiões próximas.