• Nenhum resultado encontrado

2005 Avaliacao Saude da Familia

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "2005 Avaliacao Saude da Familia"

Copied!
108
0
0

Texto

(1)

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia

Saúde da Família

Documento Técnico

(2)

Avaliação para Melhoria da Qualidade

da Estratégia Saúde da Família

(3)

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Atenção à Saúde

Departamento de Atenção Básica

Avaliação para melhoria da Qualidade da Estratégia

Saúde da Família

Documento Técnico

Série B. Textos Básicos de Saúde

(4)

© 2005 Ministério da Saúde.

Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial.

A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada na íntegra na Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde: http://www.saude.gov.br/bvs

Série B. Textos Básicos de Saúde

Tiragem: 1.ª edição – 2005 – 1.000 exemplares Elaboração, distribuição e informações:

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica

Coordenação de Acompanhamento e Avaliação Esplanada dos Ministérios, Edifício Sede, bloco G 6.º andar, sala 635

70058-900 Brasília – DF

Tels.: (61) 3315-3434 / 3315-2391 Fax: (61) 3226-4340

E-mail: [email protected] Home page: www.saude.gov.br/caadab Coordenação Geral:

Eronildo Felisberto Coordenação Técnica: Iracema de Almeida Benevides

Consultoria Especializada em Avaliação e Qualidade: Ana Claúdia Figueiró – IMIP

Carlos Eduardo Aguilera Campos – UFRJ Daphne Rattner – Área Técnica de Saúde da Mulher/DAPE/SAS/MS

Francisco José Pacheco dos Santos – Secretaria Estadual de Saúde da Bahia

Consultoria Internacional em Qualidade: Luis F. Coronado, M.D., M.B.A.

Elaboração:

Organização Panamericana da Saúde (Opas) Julio Suarez e Juan Seclen

Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco)

Heloíza Machado de Souza

Instituto de Qualidade em Saúde / Ministério da Saúde de Portugal (IQS)

Luis Pisco

Instituto Materno-Infantil Prof. Fernando Figueira (Imip) Ana Cláudia Figueiró; Eroneide Valéria da Silva; Gisele Cazarin

Ministério da Saúde:

Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica

Departamento de Ações Programáticas Estratégicas Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde

Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Vigilância Epidemiológica Departamento de Análise de Situação de Saúde

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.

Avaliação para melhoria da qualidade da estratégia saúde da família / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2005.

6 v. – (Série B. Textos Básicos de Saúde)

Conteúdo: Documento Técnico – Caderno de auto-avaliação n. 1: gestão municipal da saúde – Caderno de Auto-avaliação n.2: coordenação municipal da estratégia saúde da família – Caderno de Auto-Auto-avaliação n. 3: unidade saúde da família – Caderno de Auto-avaliação n. 4: equipe saúde da família: parte 1 – Caderno de Auto-avaliação n. 5: equipe saúde da família: parte 2.

ISBN 85-334-1034-4 (obra completa) ISBN 85-334-1035-2 (documento técnico)

1. Qualidade dos cuidados de saúde. 2. Avaliação de processos e resultados (cuidados de saúde) 3. Saúde da família. I. Título. II. Série.

NLM W 84 Catalogação na fonte – Editora MS – 2005/1197 Títulos para indexação:

(5)

APRESENTAÇÃO

A garantia da qualidade da atenção apresenta-se atualmente como um

dos desafios ao Sistema Único de Saúde (SUS) considerando a

necessida-de necessida-dessa ser compreendida à luz dos princípios necessida-de integralidanecessida-de,

universa-lidade, eqüidade e participação social. Nos últimos 10 anos a Atenção

Básica, no Brasil, tem alcançado intensa transformação a partir da

defini-ção da estratégia Saúde da Família na reestruturadefini-ção das suas práticas

buscando uma efetiva mudança de modelo. Tal iniciativa objetivou

tam-bém ampliar o acesso e a cobertura dos serviços básicos de saúde e

orga-nizar a demanda aos demais níveis de atenção, alcançando grupos sociais

até então excluídos de um cuidado integral em saúde.

Durante este período o investimento na expansão da rede e dos recursos

humanos vinculados ao primeiro nível de atenção do sistema, conduziu a um

crescimento contínuo do acesso da população às ações e serviços de saúde.

Contudo, mantêm-se premente o desafio de aprimorar o desenvolvimento

organizacional intensificando os esforços destinados à melhoria da

qualida-de dos serviços e das práticas qualida-de saúqualida-de com o propósito qualida-de consolidar a

estratégia como o eixo estruturante de reorganização da atenção básica

com repercussões na reordenação do sistema de saúde como um todo.

A proposta de Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia

Saú-de da Família representa o compromisso institucional Saú-de contribuir para a

consolidação da Política de Monitoramento e Avaliação no âmbito da

Aten-ção Básica. Neste sentido, a utilizaAten-ção da avaliaAten-ção da qualidade

constitui-se ferramenta importante para a qualificação das ações e do cuidado a

saúde dos indivíduos, da família e da comunidade.

Saraiva Felipe

Ministro de Estado da Saúde

(6)

APRESENTAÇÃO

I.

Introdução

II.

Justificativa

III.

Objetivos

IV.

Diretrizes da Avaliação para Melhoria da Qualidade

da Estratégia Saúde da Família

V.

Estratégia Saúde da Família: princípios, diretrizes e

campos de atuação

VI.

Qualidade da atenção à saúde na perspectiva

da estratégia Saúde da Família

VII. Metodologias de avaliação da qualidade em saúde

VIII. Abordagem para avaliação da qualidade da estratégia

Saúde da Família

IX. Padrões de qualidade: definição e metodologia de construção

X.

Estágios de Qualidade na proposta Avaliação para Melhoria

da Qualidade da Estratégia Saúde da Família

XI. Aspectos previstos para a implantação da proposta

de Avaliação para Melhoria da Qualidade

XII. Atribuições das Esferas Gestoras

XIII. Experiências internacionais de avaliação da qualidade

da atenção primária em saúde

Bibliografia

Anexo

Instrumento 1: Desenvolvimento da Estratégia SF

Instrumento 2: Coordenação Técnica das Equipes

Instrumento 3: Unidade Saúde da Família

Instrumento 4: Consolidação do Modelo de Atenção

Instrumento 5: Atenção à Saúde

ÍNDICE

7

9

11

13

14

15

22

23

25

31

36

40

42

44

47

49

56

66

74

82

94

(7)

A Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia Saúde da

Famí-lia surge com a finalidade de estreitar a relação entre os campos da avaFamí-lia-

avalia-ção e da qualidade no âmbito da mesma, possibilitando aos atores

direta-mente envolvidos nos municípios a apropriação de princípios, métodos e

ferramentas para construção desta história por si mesmos.

Avaliar significa formar opinião, julgar e emitir juízo de valor sobre

determinado assunto. Freqüentemente a temática avaliação está

associa-da a aspectos negativos como punição, classificação e eliminação associa-

daque-les que não alcançaram determinado resultado. Em outra direção, muitas

vezes encontramos o conceito, ou pré-conceito, de que avaliação é um

conjunto de saberes muito complexo, utilizável apenas por especialistas

dos serviços e da academia.

Em relação à qualidade, é comum a concepção de que se trata de um

campo tão subjetivo que não existem caminhos definidos para avaliá-la.

Também se dissemina, indevidamente, o pensamento de que não é

possí-vel oferecer serviços de boa qualidade no âmbito do Sistema Único de

Saúde (SUS).

Buscando superar estes limites de concepção baseados em

preceden-tes históricos e culturais, a presente proposta situa a avaliação como

ins-trumento permanente para tomada de decisões e a qualidade como um

atributo fundamental a ser alcançado no SUS – devendo ambas serem

apropriadas por qualquer profissional envolvido com a estratégia Saúde da

Família.

Este documento reúne as referências conceituais, metodológicas e

operacionais de um modelo de avaliação para melhoria da qualidade da

estratégia Saúde da Família construído a muitas mãos. Técnicos, experts,

gestores, profissionais dos serviços, das instituições de ensino e pesquisa,

e das instâncias de controle social das três esferas de governo

participa-ram e contribuíparticipa-ram de maneira preciosa para sua elaboração.

(8)

A Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia Saúde da

Famí-lia é uma proposta à qual os gestores municipais deverão aderir de maneira

voluntária e participativa, motivados pelo anseio de oferecer uma atenção

em saúde de melhor qualidade.

• Propõe como metodologia nuclear, a auto-avaliação orientada por

instru-mentos dirigidos a atores e espaços específicos: gestor, coordenação,

uni-dades de saúde e equipes. Situa, dessa maneira, a perspectiva interna, de

autogestão, protagonizada por aqueles que desenvolvem as ações na

es-tratégia.

• Orienta a formação de um diagnóstico acerca da organização e do

funcio-namento dos serviços e suas práticas partindo da formulação atual da

estratégia Saúde da Família (princípios, diretrizes e campos de atuação).

Possibilita a identificação dos estágios de desenvolvimento, dos aspectos

críticos, assim como das potencialidades e pontos consolidados. Orienta,

ainda, a elaboração de planos de intervenção para resolução dos

proble-mas verificados, de maneira estratégica.

• Poderá ser utilizada como referência para a organização da estratégia

Saú-de da Família nos municípios, Saú-devido ao seu forte aspecto orientador,

pe-dagógico e indutor de boas práticas em saúde.

O conteúdo referido nesse documento não pretende esgotar ou ser

exaustivo no que se refere ao campo da avaliação e da qualidade em

saú-de. Também não serão oferecidos trilhos lineares para alcance da situação

ideal em relação à qualidade dos serviços de saúde. Porém, estão

aponta-dos caminhos e possibilidades a serem lapidaaponta-dos por diferentes atores nos

diferentes campos de atuação da estratégia.

(9)

Oferecer à população ações de saúde acessíveis, resolutivas e

humanizadas é uma responsabilidade a ser compartilhada pelas três esferas

de gestão do Sistema Único de Saúde. Investir na melhoria da qualidade

dos serviços, considerando todos os níveis de atenção significa promover

a saúde, reduzir riscos e a morbi-mortalidade

1

, garantindo maior efetividade

e eficiência

3

.

O acelerado crescimento da estratégia Saúde da Família e os

investimentos recentes na sua expansão após 10 anos de implementação

trazem a necessidade de reflexão sobre sua concepção, operacionalização

e sustentabilidade

2

. Também demanda a constituição de espaços de atuação

destinados a assegurar a qualidade do seu desenvolvimento e da atenção à

saúde prestada pelas equipes. Para tal se requer a participação de todos os

atores envolvidos na organização da estratégia e na oferta e demanda do

atendimento básico, a fim de desenvolver metodologias e ferramentas para

as ações de monitoramento, avaliação e qualificação das ações e serviços

oferecidos

4

, incluindo os aspectos organizativos e operacionais.

A utilização de processos avaliativos, entendidos como ação

crítico-reflexiva contínua, desenvolvida sobre a organização, o funcionamento, os

processos e práticas de trabalho da gestão e do serviço, contribui

efetivamente para que gestores e profissionais tenham informações e

adquiram conhecimentos necessários à tomada de decisão voltada ao

atendimento das demandas e necessidades de saúde, com qualidade para

o alcance da resolubilidade do sistema e satisfação dos usuários.

Dessa forma, a Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia

Saúde da Família oferece instrumentos específicos para este modelo de

atenção, possibilitando que os próprios atores envolvidos com a estratégia

em seus diferentes âmbitos possam avaliá-la de maneira sistêmica e

integrada, com vistas ao aprimoramento gerencial, técnico e científico.

Essa proposta integra um conjunto de ações, atividades e experiências

desenvolvidas no âmbito da Política de Monitoramento e Avaliação da

Atenção Básica, que, por sua vez, está inserida em um processo mais

amplo de fortalecimento da institucionalização da avaliação nas três esferas

de gestão do Sistema. Confirma-se assim, o compromisso do Ministério da

Saúde em investir, para além da ampliação de serviços, na melhoria contínua

da qualidade das ações, serviços e práticas de saúde e no fortalecimento

dos sistemas de monitoramento e avaliação efetivos, instrumentos essenciais

(10)

Geral:

Fomentar o Monitoramento e a Avaliação dos estágios de qualidade da

estratégia Saúde da Família

Específicos:

• Disponibilizar ferramentas facilitadoras para o diagnóstico situacional e o

planejamento de intervenções e, impulsionar a melhoria contínua da

quali-dade da gestão, dos serviços e das práticas na estratégia Saúde da Família;

• Contribuir para inserção da dimensão da qualidade em todos os

componen-tes e espaços de atuação da estratégia Saúde da Família;

• Verificar os estágios de desenvolvimento alcançados pelos municípios

con-siderando os componentes de gestão municipal, coordenação e trabalho

das equipes;

• Identificar áreas críticas e apoiar os gestores locais no desenvolvimento de

planos de ação visando à melhoria da qualidade da estratégia, tanto no que

se refere à sua organização quanto às suas práticas;

• Apoiar, acompanhar e avaliar o desenvolvimento das iniciativas de

melho-ria de qualidade da estratégia;

• Contribuir para a construção da capacidade avaliativa na área da qualidade

nas secretarias municipais e estaduais de saúde.

(11)

Diretrizes

 Processo auto-avaliativo;

 Livre adesão pelos gestores municipais, que deverão sensibilizar e

mobili-zar coordenadores e equipes a participarem;

 Ausência de incentivos (premiações) ou sanções (punições) financeiras ou

outras relacionadas aos resultados;

 Utilização de aplicativo digital para alimentação de banco de dados e

emis-são de relatórios por internet;

 Integração às atividades desenvolvidas no âmbito dos Planos Estaduais de

Monitoramento e Avaliação da Atenção Básica.

Usuários da proposta de Avaliação para Melhoria da Qualidade:

O desenvolvimento de uma proposta de melhoria da qualidade parte

do pressuposto de que a gestão, a estrutura e os processos correntes de

implementação de ações, funcionamento de serviços e práticas podem ser

melhorados com o objetivo de alcançar a qualidade desejada

5

. Porém,

usu-ários deste processo podem ser de diferentes lugares e com interesses

distintos. Sendo assim caberia definir o público alvo da presente proposta.

Considerando os objetivos da proposta de avaliação da qualidade,

como parte de uma iniciativa de qualificação que permitirá impulsionar o

desenvolvimento da estratégia Saúde da Família, entende-se que a sua

implantação seja de interesse imediato do gestor local, uma vez que tal

iniciativa poderá fornecer informações de diversos aspectos para a

melho-ria tanto da gestão quanto da prestação de serviços na atenção básica. Por

se tratar de uma iniciativa voluntária, sua realização estará condicionada

ao interesse do responsável local em conhecer as dificuldades e os

avan-ços experimentados pela estratégia, bem como, à decisão política e ao

compromisso de atuar sobre os problemas identificados e dar

sustentabili-IV. Diretrizes da Avaliação

para Melhoria da Qualidade da

Estratégia Saúde da Família

(12)

dade à situações positivas. Portanto, está previsto que a qualificação da

estratégia Saúde da Família se dê por adesão formal e voluntária.

Entende-se, também, que os profissionais de saúde devem estar

envolvidos com o desenvolvimento da proposta, à medida que estes são

atores responsáveis pela concretização dos planos de ação a partir de suas

práticas cotidianas nos serviços de saúde. As suas atitudes no processo de

trabalho estão relacionadas aos conhecimentos disponíveis, às suas

expe-riências prévias e ao contexto onde estão inseridos. Alguns destes

aspec-tos serão abordados na avaliação da qualidade das equipes de saúde e

permitirão reconhecer dificuldades e obstáculos para a elaboração e

desen-volvimento de planos de ação, apontando os investimentos necessários,

sua natureza e direção, em função da reorganização da atenção básica

esperada tendo como eixo a estratégia Saúde da Família.

Os níveis estaduais e federal de coordenação do Programa Saúde da

Família também se configuram como usuários deste processo. Para estes a

identificação dos principais problemas verificados e o acompanhamento

dos resultados em melhoria da qualidade, com conseqüente repercussão

nos resultados das ações e práticas das equipes de saúde, permitirão a

melhor compreensão sobre o modo como vem sendo desenvolvida a

estra-tégia nas diferentes realidades do país. Tal conhecimento apontará áreas

prioritárias para o aperfeiçoamento das diretrizes e para a divulgação de

experiências de trabalho inovadoras e resolutivas, identificando novas

li-nhas de ação e diferentes abordagens dos problemas e necessidades dos

usuários do sistema de saúde, assim como as mudanças na situação de

saúde da população.

Beneficiários da Proposta de Avaliação para Melhoria da Qualidade:

Os principais beneficiários desta iniciativa são os próprios

usuári-os do sistema de saúde, identificadusuári-os como foco da propusuári-osta. O alcance

de níveis mais avançados de qualidade no desenvolvimento da estratégia

Saúde da Família representará a melhoria do acesso aos serviços, maior

resolubilidade e atenção humanizada, uma vez que esses propósitos

deve-rão ser perseguidos pelos gestores, profissionais e demais atores

envolvi-dos na melhoria contínua da qualidade.

(13)

O Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde tem

esta-belecido as bases para a implantação e funcionamento da estratégia Saúde

da Família desde 1994. A organização da estratégia no município

orienta-se orienta-segundo diretrizes operacionais pré-definidas que irão, por sua vez,

nor-tear a forma de funcionamento das unidades e a prática das equipes,

inclu-indo a normatização segundo áreas de intervenção e linhas estratégicas de

ação. Há de se destacar que os municípios têm buscado, para além do

cumprimento de diretrizes operacionais, explorar todas as potencialidades

da estratégia no sentido de alcançar eqüidade e integralidade na

assistên-cia à saúde.

O esforço de reorganização do modelo de atenção à saúde no Brasil

apresentou novas perspectivas desde a proposição da estratégia Saúde da

Família como eixo estruturante da Atenção Básica. Experiências pioneiras

como o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) adotado pelo

Ministério da Saúde em 1991, serviram como inspiração para o Programa

Saúde da Família. Desde então, o modelo vem sendo aprimorado e

esten-dido a todo o país como uma estratégia para este nível de atenção. Em

junho de 2005 havia 22.410 equipes de Saúde da Família implantadas em

4.791 municípios brasileiros, representando 86,2% destes e oferecendo

cobertura a 40,9% da população brasileira.

Atualmente a estratégia Saúde da Família vem sendo implantada em

substituição ao modelo tradicional para a Atenção Básica, proporcionando,

em um território definido, atenção integral e contínua à saúde dos

indivídu-os e da comunidade, com ações de promoção, proteção e recuperação da

saúde

6,7

. As ações desenvolvidas estão centradas na família, percebida a

partir do seu ambiente sócio-cultural. O trabalho neste âmbito estrutura-se

a partir da Unidade de Saúde da Família (USF), onde fica sediada a equipe

multiprofissional com responsabilidade por uma determinada população a

ela vinculada. Esta organização favorece o estabelecimento de vínculos de

responsabilidade e confiança entre profissionais e famílias e permite uma

compreensão ampliada do processo saúde/doença e da necessidade de

intervenções a partir dos problemas e demandas identificadas

1, 8

.

V. Estratégia Saúde da

Família: princípios, diretrizes e

campos de atuação

(14)

Tendo como pressupostos para seu desenvolvimento os princípios do

SUS, a estratégia Saúde da Família enfrenta como grandes desafios o

al-cance da cobertura universal e da eqüidade. A melhoria da qualidade e a

humanização do cuidado são outros objetivos a serem conquistados. O

desenvolvimento de suas práticas requer a integração de uma alta

comple-xidade tecnológica no campo do conhecimento, com o estabelecimento de

novas habilidades e de mudanças de atitudes

1

. Além disso, e concordante

com os princípios da Atenção Primária em Saúde que aponta a importância

da capacidade de coordenação das ações com outros profissionais e níveis

de atenção, espera-se uma maior eficiência na utilização dos recursos

dis-poníveis. Para alcançar tais propósitos foram destinados incentivos

finan-ceiros, educativos e políticos visando à redefinição do objeto das ações de

saúde, a reorganização do sistema local de saúde e a reorientação dos

processos de trabalho e das práticas de saúde.

Princípios da estratégia Saúde da Família

Incorporando e reafirmando os princípios básicos do SUS -

universali-zação, integralidade, eqüidade e participação social - o trabalho na

estraté-gia Saúde da Família é desenvolvido com base nos seguintes princípios

norteadores

9

:

1. Caráter substitutivo: a estratégia SF não propõe a criação de novas

estruturas, exceto em áreas desprovidas de qualquer tipo de serviço.

Implantá-la significa substituir as práticas tradicionais de assistência,

com foco nas doenças, por um novo processo de trabalho

comprome-tido com a prevenção, com a promoção da qualidade de vida da

popu-lação e com a resolubilidade da assistência.

2. Integralidade e Intersetorialidade: a USF está inserida no âmbito

da atenção básica, configurando-se como o primeiro contato da

popu-lação com o sistema de saúde do município. Espera-se que o resultado

do trabalho da equipe, com seus saberes e práticas, possa identificar e

responder às necessidades de saúde, captadas em sua expressão

indi-vidual. As unidades devem, ainda, estar vinculadas à rede de serviços,

de modo que sejam asseguradas a referência e a contra-referência para

os demais níveis de complexidade, sempre que o estado de saúde da

pessoa assim exigir. Compreendendo a integralidade no seu sentido

mais amplo, para além da garantia de assistência em outros níveis de

atenção, a coordenação municipal e as equipes devem buscar junto a

outros setores sociais a complementaridade necessária as suas ações e

práticas, visando atender aos requisitos essenciais da promoção da

saúde e prevenção das doenças.

(15)

3. Territorialização: o trabalho organiza-se localmente com base nas

informações epidemiológicas e sociais da população, disponíveis no

município. A equipe implantada nessa lógica trabalha com definição

da área de abrangência e população adscrita (podendo variar entre

2.400 a 4.500 pessoas), realizando o cadastramento das famílias, o

acompanhamento das situações de saúde, da exposição a agravos e

das condições ambientais, desenvolvendo ações programáticas. No

espaço de atuação das equipes, a definição de micro-áreas para o

acompanhamento das condições de vida e de saúde das famílias

permite identificar as eventuais desigualdades existentes no seu

es-paço de atuação, oferecendo, desta maneira, uma atenção

diferen-ciada aos grupos e famílias mais vulneráveis.

4. Equipe multiprofissional: as equipes de Saúde da Família estão

mi-nimamente compostas por um médico, um enfermeiro, um ou dois

au-xiliares de enfermagem e quatro a seis agentes comunitários de saúde.

A partir de dezembro de 2000, com a criação do incentivo financeiro

para inserção de uma equipe de Saúde Bucal para cada duas equipes de

Saúde da Família, observou-se um crescimento progressivo desses

pro-fissionais trabalhando na estratégia. A portaria nº 673/GM/MS, de

ju-nho de 2003, prevê incorporação de uma equipe de Saúde Bucal para

cada equipe de Saúde da Família dentro das seguintes possibilidades:

um dentista e um auxiliar de consultório dentário (ACD) ou ainda,

so-mando-se a esses dois, a presença do técnico de higiene dental (THD).

As ações de promoção da saúde bucal se inserem em um conceito

amplo de saúde que transcende a dimensão meramente técnica da

as-sistência odontológica, integrando-se às demais práticas coletivas.

Outros profissionais – a exemplo de psicólogos, nutricionistas,

assis-tentes sociais e fisioterapeutas - poderão ser incorporados formando

equi-pes de apoio, de acordo com as necessidades e possibilidades locais. A

USF pode atuar com uma ou mais equipes, dependendo da concentração

populacional existente no território sob sua responsabilidade. A

aborda-gem dos problemas e necessidades de saúde, bem como, o modo de

orga-nização e funcionamento da estratégia, na perspectiva da integralidade,

requer da equipe a capacidade de articular requisitos técnicos a uma

práti-ca que considere os contextos individual, familiar e coletivo, e as relações

entre os profissionais, desenvolvendo habilidades e mudanças de atitudes.

5. Responsabilização e vínculo: as equipes assumem como sua

res-ponsabilidade contribuir para melhoria da saúde e da qualidade de vida

das famílias na sua área de abrangência. Para isto devem desenvolver

(16)

esforços para oferecer atenção humanizada, valorizando a dimensão

subjetiva e social nas suas práticas, favorecendo a construção de redes

cooperativas e da autonomia dos sujeitos e dos grupos sociais.

6. Estímulo à participação da comunidade e ao controle social:

A gestão local deve favorecer e estimular a criação e utilização dos

canais de participação social para o planejamento e controle das ações

previstas na estratégia. A equipe, por sua vez, deve ser indutora na

promoção da participação das organizações sociais e seus membros no

planejamento, na gestão e na avaliação da saúde local e desenvolver

projetos conjuntos para a melhoria da qualidade de vida da população.

Campos de atuação da estratégia Saúde da Família:

As práticas de saúde no âmbito da Atenção Básica devem abranger

todas as etapas referidas ao processo saúde-doença e às áreas de

inter-venção, tais como segue:

A Promoção da Saúde foi definida pela OMS (1986) como “o

pro-cesso de habilitação das pessoas para que aumentem seu controle sobre,

e melhorem sua saúde”. Os pré-requisitos para saúde vão além da

sim-ples prevenção de doenças, ou de estilo de vida próprio, incluindo

aspec-tos

1

como “paz, proteção, educação, alimentação, renda, ecossistema

estável, justiça e eqüidade social”. Busca-se a construção de uma

capaci-dade para analisar e agir sobre os determinantes sociais do processo

saúde-doença, bem como, sobre os problemas que afetam a vida e as

condições em que se vive

10

.

A Prevenção de doenças e agravos adota enfoque na redução dos

fatores de risco para indivíduos e grupos sociais, contando para tal com os

conhecimentos e metodologias acumuladas pela saúde coletiva em suas

diversas áreas e ações programáticas. São enfatizadas ações de prevenção

primária através da promoção de saúde (evitar o aparecimento da doença

na população geral, intervindo nos fatores de risco), e proteção específica

(evitar o aparecimento da doença em grupos sub-clínicos ou grupos de

risco). Estas incluem as ações previstas na área de vigilância

epidemiológi-ca, sanitária e ambiental.

(17)

A Assistência e o Tratamento (prevenção secundária) se dirigem

ao reconhecimento precoce da doença, a adoção de medidas de

trata-mento individual, familiar e comunitário integrais em conformidade com

o nível de atenção e o desenvolvimento atual da tecnologia em saúde.

Para isso, as equipes de saúde devem ter acesso a condições de

traba-lho que garantam a qualidade do atendimento aos pacientes, às famílias

e à comunidade, bem como, a garantia da referência aos demais níveis

de atenção do sistema.

A Reabilitação da saúde (prevenção terciária) tem por propósito

resta-belecer a capacidade funcional das pessoas que a tiveram prejudicada como

conseqüência do processo de adoecimento. No contexto da estratégia Saúde

da Família, as ações de reabilitação requerem o estreito envolvimento da

família e de condições domiciliares para o alcance de melhores resultados

nessa dimensão do cuidado, assim como acesso a serviços especializados

de reabilitação quando necessário.

Linhas Estratégicas de Ação

As linhas estratégicas de ação elencadas na Norma Operacional de

Assistência à Saúde – NOAS 01/2001

11

definem um conjunto de

ativida-des prioritárias a serem operacionalizadas na área de abrangência das

equipes. Estas linhas estratégicas servem de referência inicial para a

or-ganização dos serviços e processos de trabalho, porém não contemplam

a amplitude das ações realizadas pela estratégia Saúde da Família.

As-pectos relacionados ao privilegiamento da família como foco da atenção,

construção do vínculo, eqüidade e integralidade no cuidado são exemplos

não abrangidos pela Norma.

Espera-se que o conjunto das práticas de saúde desenvolvidas pelos

profissionais das equipes devam abranger todas as fases do ciclo de vida

humana (crianças, adolescentes, jovens, mulheres e homens adultos,

ido-sos), os agravos prioritários, necessidades de saúde e doenças crônicas

transmissíveis e não transmissíveis (hipertensão, diabetes mellitus,

tuber-culose, hanseníase, DST/AIDS, malária, dengue, alcoolismo) e ações

pro-gramáticas (saúde mental, saúde do trabalhador, programas de

reabilita-ção comunitária).

(18)

Considerou-se, assim, na elaboração da proposta e dos

instrumen-tos de Avaliação para Melhoria da Qualidade, esta visão ampliada da

organização, funcionamento e práticas de saúde no âmbito da estratégia.

Diretrizes para o trabalho das Equipes de Saúde da Família (ESF):

As ESF devem buscar conhecer o que ocorre em sua área de

abran-gência e, com essa informação (diagnóstico de saúde) elaborar o

planeja-mento e acompanhaplaneja-mento das ações, o monitoraplaneja-mento das situações de

risco e doenças e a avaliação. Espera-se que os serviços e práticas sejam

organizados em permanente interação com a comunidade. Assim, as

prin-cipais diretrizes para o trabalho são

4

:

1. Conhecer a realidade das famílias na sua área de atuação, no que se

refere aos aspectos socioeconômicos, culturais, demográficos e

epide-miológicos, identificando os problemas de saúde mais comuns e os

ris-cos de exposição da população.

2. Realizar o cadastramento da população adscrita.

3. Elaborar plano de saúde local baseado no diagnóstico de saúde da

popu-lação, programar atividades e reestruturar o processo de trabalho com a

participação da comunidade.

4. Executar vigilância em saúde, atuando no controle de doenças como

tuberculose, hanseníase, doenças sexualmente transmissíveis e AIDS,

outras doenças infecto-contagiosas em geral, doenças crônicas não

trans-missíveis, e doenças relacionadas com o trabalho e ambiente.

5. Prestar assistência resolutiva, em sintonia com a demanda e com os

principais problemas de saúde detectados na população, buscando

ar-ticular os demais níveis de atenção para garantir integralidade no

cui-dado.

6. Organizar os serviços e desenvolver as ações com ênfase na promoção

da saúde e no núcleo familiar, valorizando a relação com o usuário.

7. Desenvolver processos educativos com a população através de

gru-pos comunitários, enfocando aspectos de melhoria de saúde e

quali-dade de vida.

(19)

8. Promover ações intersetoriais e com organizações comunitárias formais

e informais para atuarem conjuntamente na solução de problemas de

saúde, trazendo para o debate o tema da cidadania, do direito à saúde e

suas bases legais.

9. Incentivar a participação ativa dos Conselhos Locais e Municipais de

Saúde, fortalecendo o controle social.

PROESF: Projeto de Expansão e Consolidação do Saúde da Família

A adesão dos municípios à estratégia Saúde da Família variou

confor-me o porte, tendo os municípios confor-menores conseguido operacionalizar sua

implantação mais precocemente e com maior facilidade que os municípios

de grande porte. Este fato está relacionado a múltiplas variáveis, tais como:

complexidade sócio-sanitária, existência de modelos de atenção em saúde

já estabelecidos e aspectos da organização urbana (edifícios, condomínios,

áreas de invasão), perfil e formação dos profissionais, dentre outros.

Buscando superar as diversas limitações relacionadas à expansão da

estratégia nas grandes cidades e centros urbanos, foi desenvolvido um

projeto cujos objetivos principais são incentivar e ampliar o número de

equipes, formar profissionais para o trabalho na estratégia e fortalecer os

processos de monitoramento e avaliação nessas localidades.

O Projeto de Expansão e Consolidação do Saúde da Família - PROESF

é uma iniciativa do Ministério da Saúde, apoiada pelo Banco Mundial

-BIRD, voltada para o fortalecimento da atenção básica no país

12

. O Projeto

está estruturado em três componentes de atuação:

I.

Apoio à conversão e expansão da estratégia Saúde da Família – dirigido

aos municípios acima de 100.000 habitantes.

II. Desenvolvimento de recursos humanos da estratégia Saúde da Família

– dirigido a estados e municípios, independente do porte.

III. Monitoramento e avaliação – dirigido a estados e municípios,

indepen-dente do porte.

A Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia Saúde da

Famí-lia integra o componente III do PROESF, juntamente com os Estudos de

Linha de Base e os Planos Estaduais de Monitoramento e Avaliação da

Atenção Básica, dentre outras ações.

(20)

Conceitualmente, a qualidade será sempre uma construção social,

produzida a partir das referências dos sujeitos envolvidos – os quais atribuem

significados às suas experiências, privilegiando ou excluindo determinados

aspectos segundo uma hierarquia de preferências.

Assim, será sempre um grande desafio buscar uma aproximação do

conceito de qualidade em relação à estratégia Saúde da Família, considerando

a pluralidade de suas dimensões (política, econômica, social, tecnológica)

e os atores envolvidos em sua construção (indivíduos, famílias, comunidades

e profissionais)

13, 14

.

Para fins desta proposta, qualidade em saúde será definida como o

grau de atendimento a padrões de qualidade estabelecidos frente às normas

e protocolos que organizam as ações e práticas, assim como aos

conhecimentos técnicos e científicos atuais, respeitando valores

culturalmente aceitos

15, 16

. Serão considerados, ainda, o atendimento às

necessidades de saúde percebidas e as expectativas dos usuários, suas

famílias, bem como, a resposta às necessidades definidas tecnicamente.

VI. Qualidade da atenção à

saúde na perspectiva da

(21)

Existem diferentes alternativas para avaliar a qualidade das ações,

serviços e práticas de saúde com o objetivo de desenvolver processos de

melhoria da qualidade. Elas variam segundo os propósitos de promoção da

qualidade a que se destinam, o objeto da melhoria da qualidade ou os

mecanismos utilizados.

A perspectiva poderá ser de natureza externa

17

ou interna,

dependendo do agente que solicita, conduz ou torna válida a avaliação.

Dentre aqueles de natureza externa tem-se a Acreditação, a Certificação e

o Licenciamento, em que agentes externos formulam o resultado final, seja

ele uma pontuação, um certificado ou uma licença. A Avaliação para Melhoria

da Qualidade baseia-se na perspectiva interna de avaliação, considerada

mais adequada para a estratégia Saúde da Família por ser conduzida, em

todas as suas etapas, pelos próprios atores envolvidos.

Avaliação externa:

Acreditação: É um processo de avaliação e medição da qualidade

formal do trabalho desenvolvido por uma organização de saúde, que utiliza

padrões definidos por uma Comissão de Acreditação (geralmente uma

organização não governamental) alheia à instituição a ser credenciada. A

Comissão reconhece como de excelência um serviço ou organização de

saúde que, tendo desenvolvido um processo de melhoria da qualidade,

supera os padrões pré-estabelecidos para medição. O processo de

acreditação é voluntário (solicitado pela organização a ser acreditada),

periódico e sistemático, e tem aplicação em contexto nacional, regional ou

local.

Certificação: Processo através do qual uma instância organizacional

(governamental ou não), avalia e reconhece uma pessoa

18

ou organização

que cumpre requisitos ou critérios pré-estabelecidos (exemplo: ISO-9000).

Licenciamento: Processo através do qual uma autoridade

governamental outorga permissão a um profissional de saúde individual ou

a uma organização de saúde para prestar serviços de saúde. Sustenta-se

no cumprimento de certos requisitos mínimos para a oferta de serviços. A

licença tem um período de vigência que requer renovação contínua, segundo

a International Organization for Standardization (ISO)

19

.

VII. Metodologias de avaliação

da qualidade em saúde

(22)

Avaliação para Melhoria da Qualidade

 Perspectiva de avaliação: interna

 Processo participativo que inclui gestores, profissionais e

demais atores envolvidos com a intervenção

 Instrumentos que facilitam a identificação dos estágios de

desenvolvimento da estratégia considerando o âmbito da

gestão e do trabalho das equipes

 Iniciativa articulada dos três níveis de gestão da estratégia

Saúde da Família (municipal, estadual, federal)

 Promoção da cultura avaliativa e de gestão da qualidade no

âmbito da atenção básica de saúde

 Processo inserido em um programa de melhoria contínua da

qualidade

Avaliação interna:

Melhoria Contínua da Qualidade (MCQ): processos orientados à

promoção da qualidade na atenção à saúde de maneira sistemática e

contínua, destinados a atingir níveis de qualidade orientados pelo modelo

de atenção em sintonia com as demandas sociais e os avanços científico e

tecnológico em saúde

20

.

A Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia Saúde da Família

utiliza a perspectiva interna de avaliação, articulando elementos da avaliação

normativa e da melhoria contínua da qualidade (MCQ), apresentando-se

como uma metodologia de gestão interna dos serviços. A partir de critérios

e padrões pré-estabelecidos, busca impulsionar processos de melhoria da

qualidade, oferecendo ao gestor um instrumento de trabalho facilitador

para alcançar os propósitos da estratégia.

(23)

A Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia Saúde da

Famí-lia adota, como referência conceitual no campo da avaFamí-liação, o modelo

proposto por Donabedian baseado na teoria dos sistemas em que se

consi-dera os elementos de estrutura, de processo e de resultado

21

, tendo

como foco de análise os serviços de saúde e as práticas assistenciais.

Figura 1: Elementos de avaliação das equipes de Saúde da Família

Partindo desse referencial, definiu-se as linhas gerais da proposta:

1. Os instrumentos de auto-avaliação privilegiam e enfatizam os

elemen-tos de processo, especialmente os processos de trabalho,

consideran-do que estes oferecem possibilidades mais amplas e acessíveis de

in-tervenção quando os problemas são identificados. Embora com menor

ênfase, os aspectos de estrutura e resultado também são tomados como

parâmetros para avaliação da qualidade, a partir de uma visão dinâmica

de estágios de qualidade inter-relacionados

25

.

VIII. Abordagem para

avaliação da qualidade da

estratégia Saúde da Família

Insumos

Equipes

Materiais

Recursos Humanos

Ambiente Físico

Organização Normativa

ASPECTOS

• organizativos

• técnico-científicos

• interpessoal

• Acesso

• Adequação

• Efetividade

Mudanças na

saúde da

população

(24)

2. Foram escolhidos dois componentes nucleares ou unidades de análise

para a avaliação: Gestão e Equipes. Posteriormente, elencou-se as

ati-vidades desenvolvidas em cada um deles, determinando as

subdimen-sões temáticas dos instrumentos. Para cada subdimensão foram

pro-postos e validados padrões de qualidade. Embora os dois componentes

estejam organizados de maneira equivalente, como elementos

parale-los, não se deve relevar o fato de que o componente gestão determina

as condições e oportunidades para o componente equipe acontecer,

baseando-se no entendimento de que a adesão, coordenação e

cons-trução das condições favoráveis para implantação e implementação da

estratégia dependem fundamentalmente da vontade política dos

gesto-res municipais. Deve ser gesto-ressaltado, ainda, que os elementos de

estru-tura, embora possam e devam ser avaliados no âmbito do trabalho das

equipes, são de maior responsabilidade dos gestores.

Em diversos padrões avaliativos, propostos para ambos os

componen-tes, são ressaltados o desenvolvimento de novas habilidades e atitudes por

parte de gestores, coordenadores e profissionais, assim como iniciativas

voltadas para mudanças nos processos de trabalho e nas práticas das

equi-pes, com vistas ao desenvolvimento efetivo de ações intersetoriais e de

promoção da saúde.

Figura 2: Componentes ou Unidades de Análise para Avaliação para

Me-lhoria da Qualidade da Estratégia Saúde da Família

Componente 2:

Equipes de Saúde

da Família

AVALIAÇÃO PARA MELHORIA

DA QUALIDADE DA ESTRATÉGIA

SAÚDE DA FAMÍLIA

Componente 1:

Gestão e coordenação

local da estratégia

(25)

Os aspectos da gestão municipal da estratégia Saúde da

Famí-lia a serem avaFamí-liados incluem a prioridade dada pelo gestor de saúde à

estratégia, contemplando seu caráter substitutivo, sua capacidade de

con-duzir ações intersetoriais, a organização, o planejamento, a gestão do

tra-balho, o funcionamento e o gerenciamento das ações e serviços,

monitora-mento e avaliação, bem como a participação social na sua elaboração,

execução e controle. Esses elementos devem expressar os princípios da

estratégia tomados como referência para sua implantação e

desenvolvi-mento no município.

Os aspectos referentes à estrutura para o funcionamento dos

servi-ços e as práticas das equipes Saúde da Família, incluem:

o

Infra-estrutura: profissionais e pessoal de saúde das USF, ambiente

físico (unidades, disponibilidade de consultório, local próprio para o

atendimento, reuniões de trabalho, atividades educativas),

equipamen-tos. Embora a provisão da infra-estrutura seja verificada nas USF, esta

é compreendida como uma responsabilidade do coordenador local.

o

Normatização: existência e utilização de manuais de procedimentos,

guias de conduta, sistemas informatizados, dentre outros.

Para avaliação das Equipes de Saúde da Família serão enfocados

aspectos de processo e de resultado relacionados aos campos de atuação,

objetivos e diretrizes estabelecidos.

Atenção integral

Objetivos e

diretrizes da

estratégia SF

• Promoção da Saúde

• Prevenção de agravos e doenças

• Diagnóstico precoce e Tratamento

• Reabilitação

• Diagnóstico

• Planejamento das ações

• Utilização de normas e protocolos

• Avaliação de cobertura, desempenho e resultados

• Promoção de ações intersetoriais

(26)

Os Processos referem-se às ações previstas para a estratégia e o

funcionamento das unidades, bem como as intervenções e a interação

entre usuários e profissionais. Os processos, no que se refere à prestação

de serviços de saúde, serão avaliados segundo os aspectos organizativo,

técnico-científico e a relação interpessoal

22

.

Aspectos organizativos:

Consideram a atuação da equipe na organização do serviço e das

práticas, tanto internamente quanto na sua relação com outros atores

so-ciais, instituições e organizações locais, sendo observado:

o

Planejamento e programação: marcação de consultas, atendimento à

demanda espontânea, acesso, adscrição de clientela, horários e

dispo-nibilidade dos serviços, ações programáticas previstas, coordenação

com outros níveis do sistema, mecanismos de monitoramento e

avalia-ção, ouvidoria, qualidade dos sistemas de informação.

o

Abrangência das ações: mobilização dos recursos e esforços dos

diver-sos atores e setores sociais para a construção de condições adequadas

para um bom estado de saúde.

o

Participação comunitária: aspectos como planejamento, implantação,

monitoramento e avaliação das ações em saúde são eixos

fundamen-tais de atuação conjunta entre a comunidade e os serviços de saúde.

Aspectos técnico-científicos:

o

Competência técnico-científica: inclui as atividades destinadas a

forta-lecer conhecimentos, habilidades e práticas de saúde. As atividades de

educação continuada devem orientar-se para fins e propósitos da

estra-tégia e estar em sintonia com seus princípios operacionais. A qualidade

neste aspecto refere-se às práticas integrais de saúde incluindo a

pro-moção da saúde, prevenção de riscos e doenças, diagnóstico precoce,

tratamento inicial, encaminhamentos e reabilitação temporal.

o

Protocolização do atendimento: desenvolvimento e utilização de

manu-ais e condutas de atendimento, prevenção e promoção em saúde em

consonância com os avanços na ciência e tecnologia em saúde e com

os princípios do SUS. São desenvolvidos com vistas a garantir o

aten-dimento de saúde integral dos usuários segundo suas necessidades,

minimizar os riscos, principalmente, dos procedimentos de natureza

clínica (prescrição de medicamentos, realização de procedimentos) e

de prevenção.

(27)

Relação interpessoal:

o

Acolhimento: relaciona-se diretamente com a comodidade e o trato

humanizado que o serviço oferece ao usuário, além da dimensão

opera-cional, de escuta das queixas e necessidades de saúde, buscando uma

atenção resolutiva por meio da articulação dos serviços da rede

23

. Este

aspecto é fundamental à medida em que influi no nível de confiança

entre o provedor e usuário, aderência às indicações, continuidade no

atendimento, respeito individual, satisfação dos usuários.

o

Comunicação interpessoal: os resultados em saúde dependem, em

gran-de parte, do nível gran-de informação e da comunicação que possa existir

durante a realização das práticas. Aspectos de relevância referem-se às

informações sobre o processo saúde-doença, riscos à saúde,

tratamen-to, prognóstico, prevenção, efeitos colaterais dos medicamentos,

mini-mização de riscos, cuidados de saúde.

Os

resultados consideram os efeitos dos processos na

concretiza-ção das ações e práticas desempenhadas pelas equipes segundo os

princí-pios e metas pré-estabelecidas. Distinguem-se dois tipos de resultados:

diretos e de saúde da população.

o

Os resultados diretos se relacionam com os efeitos das ações e

práti-cas desenvolvidas nas USF em termos de acesso (ampliação da

cober-tura, se a população recebeu a atenção que precisava e se recebeu

quando necessitou), adequação (oferta de serviços suficientes em

quan-tidade e qualidade, de acordo com os conhecimentos e as tecnologias

disponíveis, e a capacidade de antecipar problemas e riscos) e

efetivi-dade (capaciefetivi-dade dos esforços das ações e práticas em saúde de

satis-fazer as necessidades e demandas em saúde da população, ou seja,

impacto positivo sobre os indicadores epidemiológicos em termos de

internações por doenças evitáveis, morbidade e mortalidade).

o

Os resultados em saúde dependem de uma grande proporção de

fato-res não relacionados à pfato-restação do cuidado no primeiro nível de

aten-ção do sistema de saúde, mas também dos demais níveis de atenaten-ção

do sistema, e especialmente do envolvimento e da participação de

ou-tros setores e atores da área social.

O quadro 1 mostra a estrutura geral de Unidades de Análise

(Compo-nentes) definidas para a Avaliação para a Melhoria da Qualidade e as

res-pectivas subdimensões ou áreas temáticas.

(28)

Quadro 1: Componentes ou Unidades de análise, Dimensões e

Subdi-mensões propostos para a Avaliação para a Melhoria da Qualidade da

Es-tratégia Saúde da Família

Componentes

ou Unidades de

análise

Dimensão

Subdimensões

Implantação/ Implementação da SF no município Integração da Rede de Serviços

Gestão do Trabalho Fortalecimento da Coordenação

Planejamento e Integração Acompanhamento das Equipes Gestão da Educação Permanente

Gestão da Avaliação Normatização

Infra-estrutura e Equipamentos da USF Insumos, Imuno-biológicos e Medicamentos Organização do Trabalho em Saúde da Família Acolhimento, Humanização e Responsabilização

Promoção da Saúde

Participação Comunitária e Controle Social Vigilância à Saúde I: Ações Gerais da ESF

Saúde de Crianças Saúde de Adolescentes Saúde de Mulheres e Homens Adultos

Saúde de Idosos

Vigilância à Saúde II: Doenças Transmissíveis

Vigilância à Saúde III: Agravos com Prevalência Regionalizada Padrões Loco-regionais Desenvolvimento da Estratégia SF Coordenação Técnica das Equipes Unidade SF Consolidação do Modelo de Atenção Atenção à Saúde Gestão Equipes

(29)

Definição e Características dos Padrões:

Um padrão é definido como um nível de referência de qualidade que

deve ser atingido pela organização com fins de demonstrar um

determina-do grau de qualidade e excelência. O padrão é a declaração da qualidade

esperada

24

. O seu sentido é afirmativo ou positivo e eles expressam

expec-tativas e desejos a serem alcançados. Na formulação dos padrões de

saú-de saú-deve-se consisaú-derar que sejam apropriados ao momento, aceitáveis para

os usuários e aplicáveis.

Padrões de qualidade são utilizados, freqüentemente, em ambos os

mecanismos de avaliação da qualidade, internos ou externos. Diante do

crescente interesse com programas de melhoria da qualidade,

principal-mente pela acreditação hospitalar, a Sociedade Internacional para

Qualida-de na Atenção à SaúQualida-de (ISQua) Qualida-definiu princípios para a construção Qualida-de

padrões baseados em conceitos chave, independente de qual seja o seu

conteúdo e a sua área de aplicação

25

. Para que os padrões tenham

legitimi-dade, consigam a adesão dos profissionais e tenham aplicabilidade para

um uso rotineiro dentro do sistema/serviço de saúde, têm que reunir um

conjunto de características básicas:

1. Abrangência: Refere-se a uma visão integral do sistema, tomando-se

como referência o enfoque clássico de estrutura, processo e resultado.

No presente material o conceito foi ampliado para a capacidade de

utili-zação em todo o território nacional, ou por determinados grupos,

consi-derando ainda os diferentes níveis de atenção do sistema de saúde e as

ações de promoção e prevenção

26,27

.

2. Sensibilidade para evidenciar mudanças: Os padrões têm que ter a

capa-cidade de evidenciar efetivamente o processo de aprimoramento e

evo-lução da qualidade, os avanços e, inclusive, os retrocessos nos estágios

de qualidade alcançados no que se refere aos aspectos de gestão,

orga-nização e prestação de serviços.

3. Facilidade na aplicação: devem ser compreensíveis, de fácil aplicação e

cálculo durante os momentos de avaliação.

IX. Padrões de qualidade:

definição e metodologia de

construção

(30)

Quadro 2: PRINCÍPIOS PARA CONSTRUÇÃO DE PADRÕES

1. Identificação e definição conceitual. O conteúdo dos padrões deve ser abrangente e

claramente estruturado, refletindo o tipo a que pertence, o seu alcance e as atividades ou

grupos a que se destina.

2. Identificação e definição do tipo de padrão. Os padrões se classificam em três tipos –

de estrutura, de processo e de resultados. Como nenhum tipo é superior ao outro, todos

eles podem ser adequados em qualquer momento do desenvolvimento do programa de

qualidade no país.

• Padrões de estrutura: servem para analisar a capacidade estrutural de uma organização

para prover cuidados de saúde, seja em seu aspecto físico (material, equipamentos,

edificações, pessoal) seja em seu aspecto organizativo (normas, rotinas, protocolos,

planejamento).

• Padrões de processos: descrevem como se realiza uma atividade (ações, práticas,

procedimentos em saúde).

• Padrões de resultados: medem o grau ou nível de qualidade alcançada e seus efeitos

de acordo com os requerimentos previamente estabelecidos.

3. Definição precisa do alcance do padrão. Os padrões devem estar orientados de modo

a facilitar a melhoria da qualidade dos processos de trabalho na organização de saúde,

seja um estabelecimento, uma rede de serviços ou todo um sistema de saúde. Deve-se

definir se eles cobrem a totalidade das ações da organização ou apenas uma parte, ou

ainda se estão referidos às atividades específicas ou a grupos de pacientes.

4. Definição clara do processo de elaboração dos padrões. Na elaboração dos padrões

pode-se empregar um processo de seis partes:

a)

participação dos usuários dos padrões em sua elaboração;

b)

consulta aos setores chaves, a que se destinam, assegurando que estes tenham

oportunidade de contribuir na sua elaboração;

c)

desenvolvidos (não seria desenvolvimento) de acordo com as leis e regulamentos

nacionais e/ou regionais vigentes;

d)

investigação apropriada que assegure que os padrões sejam baseados em informação

legítima, prática e atualizada.

e)

Garantia de que os padrões tenham sido validados por estudo piloto antes de sua

implantação definitiva;

f)

Definição do processo para avaliação e revisão periódica dos padrões.

5. Os padrões permitem a avaliação de desempenho. A medida do desempenho com o

uso dos padrões pode ser realizada tanto para a criação de sofisticadas escalas numéricas

e fórmulas matemáticas, quanto para simples descrições verbais. E pode ser averiguado

por avaliadores externos à organização ou por auto-avaliação.

6. Revisão contínua dos padrões. Os padrões têm um período de vigência dependendo do

nível de qualidade desejado e alcançado pela organização. Essa característica de

temporalidade é fundamental na perspectiva de impulsionar a continuidade das ações em

prol da qualidade.

(31)

Eixos de referência para a formulação dos padrões

Os eixos de referência foram definidos a partir de aspectos

considera-dos fundamentais e norteadores para a formulação considera-dos padrões de

qualida-de: princípios, diretrizes, normas e consensos. As distintas

responsabilida-des, campos de atuação e atores envolvidos em cada um dos

componen-tes da estratégia Saúde da Família requerem que os eixos de referência

sejam igualmente diversos.

Eixos de referência para o componente gestão: Os gestores

municipais de saúde têm um conjunto de responsabilidades e atribuições,

tais como: planejamento, organização, gerenciamento das ações e

monito-ramento e avaliação. Dentro do propósito de reorganização do sistema

local de saúde tendo como eixo estruturador a estratégia Saúde da Família,

o gestor e o coordenador municipal devem construir e ou fomentar

capaci-dade política e organizacional para condução eficiente e efetiva do sistema

de saúde de tal modo que responda às expectativas da população. No que

se refere à estratégia Saúde da Família, essas responsabilidades devem ser

realizadas segundo os seus princípios norteadores.

Eixos de referência para o componente ESF: Sendo a

estraté-gia voltada para a promoção da saúde e a prevenção de riscos, doenças e

agravos, garantindo o acesso, a qualidade de atendimento e a sua

resolu-bilidade, necessita-se definir os eixos de referência que reflitam esse

pro-pósito. Estes devem, também, estar em sintonia com as normas vigentes

no âmbito nacional, a fim de impulsionar o cumprimento do programa,

que descreve as responsabilidades dos profissionais e da equipe de

Saú-de da Família.

(32)

Elaboração e validação dos padrões de qualidade

Os padrões aqui definidos foram elaborados e validados a partir da

contribuição de atores chave, em um amplo processo participativo e

com-partilhado, conforme o cumprimento das seguintes etapas:

• Elaboração de proposta preliminar dos padrões: a partir do desenho

metodológico da proposta, técnicos e consultores da Coordenação de

Acompanhamento e Avaliação / DAB / SAS / MS, definiram uma relação

preliminar de padrões de qualidade.

• Validação dos padrões com experts: procedeu-se após a validação

dos padrões com a apresentação e discussão destes padrões iniciais

com um grupo de trabalho ampliado, composto por técnicos do

Mi-nistério da Saúde (representando as áreas contempladas na

propos-ta), consultores externos do MS e representantes dos estados e

mu-nicípios, assim como potenciais usuários. Esta etapa permitiu um

pri-meiro ajuste dos padrões propostos em termos dos seus objetivos (os

padrões são adequados para avaliar o que se pretende - validade),

objeto (os aspectos a serem avaliados são os mais indicados),

alcan-ce (usuários e beneficiários) e propósitos da avaliação (adequada para

o estabelecimento do estágio de desenvolvimento e melhoria da

qua-lidade da estratégia Saúde da Família).

• Elaboração dos instrumentos para avaliação da qualidade: após a

reali-zação de várias oficinas para consensuar a seleção dos padrões

(priori-zando as seguintes características: facilidade de aplicação,

sensibilida-de, reprodutibilidade e objetividade), foram elaborados instrumentos para

avaliação da qualidade da gestão da estratégia e das ações das equipes

de Saúde da Família.

(33)

Validação dos instrumentos de medida:

Os instrumentos e seus padrões foram submetidos à análise segundo

a validade (medir o que se pretende), confiabilidade (ser replicável) e

facti-bilidade (dispor de fontes de dados para sua rápida obtenção), com a

se-guinte metodologia:

• Pré-validação com usuários potenciais: foi conduzida discussão

detalha-da dos padrões, inicialmente elaborados em pré-teste, realizadetalha-da em dois

municípios, contemplando gestores, coordenadores e profissionais de

quatro equipes de SF. A principal meta foi evidenciar o nível de

aplicabi-lidade e pertinência dos padrões selecionados e dos instrumentos

dese-nhados em municípios de diferentes regiões, em diversas condições de

desenvolvimento econômico, tamanho da população, condição de

ges-tão e cobertura populacional da estratégia.

• Validação: após análise da etapa acima descrita, foram re-elaborados

padrões e instrumentos para teste piloto quanti-qualitativo realizado em

24 municípios brasileiros, com a participação de mais de 500 equipes

distribuídas pelas 5 regiões. Os debates e as opiniões destes

colabora-dores acerca das auto-avaliações foram decisivos para o resultado

obti-do na elaboração obti-do material definitivo.

• Ajuste final: após o teste-piloto foi realizado readequação dos

ins-trumentos e padrões por técnicos e consultores do MS diretamente

responsáveis pela proposta e representantes das diversas áreas

téc-nicas envolvidas.

(34)

Embora na literatura existam muitas considerações sobre a não

lineari-dade entre os elementos de estrutura, processo e resultado, para a presente

proposta o incremento da qualidade é abordado de maneira processual,

ten-do início com as condições de estrutura e infra-estrutura, passanten-do pelos

processos de organização dos serviços e práticas e avançando até aquelas

ações mais complexas, tanto nos processos de trabalho quanto no impacto

sobre as condições de saúde da população assistida. Esta opção reflete a

direcionalidade educativa, pedagógica que se pretende com a proposta.

Nos instrumentos de auto-avaliação, o conceito de estágios de

qualida-de está associado a cada um dos padrões, os quais estão assim colocados:

Padrões do Estágio E

Qualidade Elementar (abordam elementos fundamentais de estrutura e as

ações mais básicas da estratégia SF);

Padrões do Estágio D

Qualidade em Desenvolvimento (abordam elementos organizacionais

inici-ais e o aperfeiçoamento de alguns processos de trabalho);

Padrões do Estágio C

Qualidade Consolidada (abordam processos organizacionais consolidados

e avaliações iniciais de cobertura e resultado das ações);

Padrões do Estágio B

Qualidade Boa (abordam ações de maior complexidade no cuidado e

resul-tados mais duradouros e sustenresul-tados);

Padrões do Estágio A

Qualidade Avançada (colocam-se como o horizonte a ser alcançado, com

excelência na estrutura, nos processos e, principalmente, nos resultados).

X. Estágios de Qualidade na

proposta Avaliação para

Melhoria da Qualidade da

Estratégia Saúde da Família

(35)

Espera-se que os estágios não representem situações estanques,

es-tacionárias de qualidade, mas que reflitam momentos de um processo do

grupo envolvido na estratégia e os sucessos no alcance de um conjunto de

padrões. Neste sentido, o resultado da análise não se configura como uma

classificação por estágio de um município em relação a outro e sim na

possibilidade de avaliar a qualidade da estratégia em todos os seus

aspec-tos (gestão e equipe) e/ou em aspecaspec-tos pré-definidos (saúde da criança,

saúde da mulher, por exemplo). Os padrões serão revisados contínua e

oportunamente a fim de que estejam atualizados e compatíveis com a

melhoria da qualidade esperada.

A avaliação da qualidade interage com o processo natural da

evolu-ção da qualidade nos serviços, permitindo evidenciar objetivamente os

avan-ços e ganhos no processo como um todo. Acontece, assim, um processo

de gradientes de qualidade, onde cada um corresponde a “momentos” do

processo de maturação da qualidade (Gráfico 3).

Referências

Documentos relacionados

CÓDIGO ÓTIMO: um código moral é ótimo se, e somente se, a sua aceitação e internalização por todos os seres racionalmente aptos maximiza o bem-estar de todos

A perspectiva teórica adotada baseia-se em conceitos como: caracterização câncer de mama e formas de prevenção; representação social da doença; abordagem centrada no

Sobretudo recentemente, nessas publicações, as sugestões de ativi- dade e a indicação de meios para a condução da aprendizagem dão ênfase às práticas de sala de aula. Os

Obedecendo ao cronograma de aulas semanais do calendário letivo escolar da instituição de ensino, para ambas as turmas selecionadas, houve igualmente quatro horas/aula

A disponibilização de recursos digitais em acesso aberto e a forma como os mesmos são acessados devem constituir motivo de reflexão no âmbito da pertinência e do valor

Lista de preços Novembro 2015 Fitness-Outdoor (IVA 23%).. FITNESS

Avaliação técnico-econômica do processo de obtenção de extrato de cúrcuma utilizando CO 2 supercrítico e estudo da distribuição de temperatura no leito durante a