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Trabalho economia da energia

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Academic year: 2021

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RICARDO HENRIQUE DE SOUSA RODRIGO THIAGO PASSOS SILVA

THIAGO MARTINS DE ALMEIDA

ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO SETOR DE PETRÓLEO E GÁS NO BRASIL

Prof. Dr. Paulo Henrique de Mello Sant’Ana

Santo André – SP 2012

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1 INTRODUÇÃO...3 2 OBJETIVOS...4 3 METODOLOGIA...4 4 PETRÓLEO...4 4.1 Antes do monopólio...4 4.2 Durante o monopólio...5

4.3 Depois do fim do monopólio...6

4.3.1 Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)...6

4.3.2 Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)...7

5 GÁS NATURAL...11

5.1 Regulação do Gás...11

5.2 Reservas e produção de gás natural no Brasil...12

5.3 Dutos...12

6 PRÉ-SAL...13

7 CONCLUSÃO...16

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1 INTRODUÇÃO

Brasil, ano de 2012, início do século XXI e como não poderia deixar de ser, este novo tempo trouxe consigo uma série de questões de extrema importância à humanidade. Um dos temas mais debatidos em todas as esferas da sociedade é a questão do uso da energia no mundo, que assumiu um papel de tão grande relevância que deixou de ser tema abordado somente por agentes especializados e meios acadêmicos, para se tornar um assunto debatido por todos. Apesar de atualmente se deparar a todo o momento com notícias que tratam do tema energia, nem sempre fica claro quais são suas reais implicações e se faz necessário tentar esclarecer alguns pontos primordiais.

Segundo Henrichs e Kleinbach (2010) “a energia é descrita pelos seus efeitos. Não a criamos nem a destruímos, somente a transformamos, ao contrário da comida e da moradia, a energia não é valorizada por si própria, mas pelo o que pode ser feito com ela.” [1].

Principalmente por este motivo é que petróleo e gás natural são importantes, pois o seu uso está relacionado com importantes fatores. A maior parte da energia utilizada no mundo vem dos chamados combustíveis fósseis, responsáveis por emitir gases que promovem o efeito estufa, provocando o aquecimento global e consequências negativas em toda a biosfera do planeta. Somado a isso, há também o fato de que o petróleo e o gás natural são commodities1 disputadas no mercado global, afetando e interferindo todas as economias.

A consequência de tudo isso é uma disputa geopolítica, que já ocasionou confronto entre nações, inclusive guerras. Fica fácil perceber o quanto o petróleo se tornou extremamente importante ao longo século XX, e se faz necessário buscar e estudar possíveis formas de gerir todas as variáveis de uma forma que atenue possíveis impactos negativos.

No que diz respeito à questão energética e mais especificamente se tratando de petróleo e gás natural, o Brasil assumiu papel relevante como agente na dinâmica mundial, e, ainda, possui boas perspectivas quanto a esses recursos naturais. Tudo isso é atrelado a boa fase econômica atual e é necessário que cada vez mais atue com responsabilidades, unindo eficiência energética e cuidados com o meio ambiente.

1 “Commodities” (significa mercadoria em inglês) pode ser definido como mercadorias, principalmente minérios e gêneros agrícolas, que são produzidos em larga escala e comercializados em nível mundial. As commodities são negociadas em bolsas mercadorias, portanto seus preços são definidos em nível global, pelo mercado internacional.

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2 OBJETIVOS

O presente trabalho tem como objetivos principais:

a) fazer um levantamento do histórico do petróleo, do gás natural e do pré-sal no Brasil, mostrando seu desenvolvimento até a chegada no estado da técnica atual, as dificuldades em se implantar a indústria petrolífera no país e as datas mais importantes que marcaram essa época;

b) analisar a estrutura e a organização do setor de petróleo e gás natural no Brasil, dando uma noção de como se dão algumas etapas dos processos tais como extração, fabricação de derivados, distribuição, comercialização e tomar nota da legislação que rege este setor;

c) mostrar quais são as perspectivas para a área de petróleo e gás no Brasil e quais serão suas prováveis influências nos âmbitos econômico, social e ambiental. 3 METODOLOGIA

Para se chegar ao resultado esperado este trabalho tomou como base a literatura especializada, tais como livros do tema energia, trabalhos acadêmicos que tratam sobre o assunto e portais da internet de empresas e órgãos que atuam no setor energético e de petróleo, gás natural e derivados. Pode-se então definir a metodologia de estudo em 3 partes:

a) leitura de textos sobre o texto e pesquisa de informações; b) análise crítica do tema, com embasamento nas referências; c) dissertação sobre pontos principais para alcançar o objetivo. 4 PETRÓLEO

4.1 Antes do monopólio

Enquanto nos países desenvolvidos, a indústria do petróleo já era realidade desde a metade do século XIX, no Brasil a história era outra. Era um país agrário, onde 90% da população vivia no meio rural. As fontes energéticas, tanto no campo como nas cidades, eram

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a biomassa da lenha para cocção e o trem a vapor, tração animal pelos cavalos, o lombo dos muares e o carro de boi.

Não havia indústrias de base, indústrias de bens de capital, apenas umas poucas de bens de consumo como alimentícias e tecidos.

Passou-se pelo império e primeira república na mesma situação.

Em 1872, tentativas no município de Bofete e Águas de São Pedro em São Paulo, com altos investimentos privados e prejuízos acumulados.

Em 1901, os primeiros veículos a gasolina chegaram ao país, de propriedade de Alberto Santos Dumont junto de combustível também importado [2]. Todo o consumo de gasolina será importado até 1950, quando é inaugurada uma pequena refinaria, a RLAM na Bahia [3].

1938 - Criação do CNP- Conselho Nacional do Petróleo, ligado a presidência da República, por Getúlio Vargas [3].

1939 - Descoberta do primeiro campo realmente produtivo em petróleo na Bahia no município de Candeia [3].

1950- Inaugurada a 1ª refinaria estatal brasileira, a RLAM, na Bahia. 4.2 Durante o monopólio

1953 - Criação da Petrobras e do monopólio estatal nas mãos da própria estatal pelo decreto lei nº 2004, que organiza e executa a política de exploração, produção e refino em refinarias próprias e 3 particulares em concordância direta com o CNP até 1960 e depois ligado ao Ministério de Minas e Energia e a Presidência da República.

1954 - Inaugurada a REMAN em Manaus-AM.

1954 - Inaugurada a Refinaria de Petróleo União em Mauá - SP, particular 1954 - Inaugurada a Refinaria de Manguinhos no Rio de Janeiro, particular 1955 - Inaugurada a RPBC em Cubatão-SP

1960 - Inaugurada a REDUC em Duque de Caxias-RJ

1970 Inauguradas duas refinarias:,a REGAP em Betim MG e REFAP em Canoas -RGS.

1971 - Inaugurada a REPLAN em Paulínia - SP 1977 - Inaugurada a REPAR em Araucária - PR

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Da década de 80 até os dias atuais o Brasil conta com 10 refinarias da Petrobras e uma particular no Rio de Janeiro (Manguinhos).

Este fato se explica pelas chamadas duas décadas perdidas 80 e 90, onde o país passou por severa recessão econômica, fato que só mudou com as reformas introduzidas junto com o plano real em 1994.

Neste período os investimentos foram canalizados principalmente para a construção de refinarias por serem lucrativas, e a exploração e lavra foram ficando em segundo plano por falta de recursos financeiros e tecnologias mais eficientes para evitar poços secos, tornando o país importador da mais parte de sua demanda até 2005, a partir desta data a produção aumenta fruto da entrada de empresas em contratos de concessão após quebra do monopólio. 4.3 Depois do fim do monopólio

Aos 9 de novembro de 1995 foi promulgada pelas mesas da câmara dos deputados e do Senado Federal a emenda constitucional número 9 [4], que dá fim ao monopólio estatal da Petrobrás, autorizando a contratação de empresas privadas para pesquisa e lavra e refino de petróleo. Aos 6 de agosto de 1997 é sancionada pelo presidente da república a lei nº 9478 – Lei de Petróleo – que regulamenta a emenda constitucional supracitada, marcando o início da quebra, de fato, do monopólio. Tal legislação prevê também a criação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) [5].

A constituição federal define que as jazidas são pertencentes à União, entretanto é garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra. Define também monopólio da União em pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e gás, entretanto estabelece a possibilidade de contratação de empresa privada para execução dessas atividades.

4.3.1 Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)

O CNPE foi instituído para ser um órgão de assessoramento do presidente da república para a formulação de políticas e diretrizes de energia; destinadas a promover o aproveitamento racional dos recursos energéticos do país; assegurar o suprimento de insumos energéticos às áreas mais remotas e de difícil acesso; rever periodicamente as matrizes energéticas aplicadas considerando as fontes convencionais e alternativas e tecnologias

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disponíveis; e estabelecer diretrizes para importação e exportação, de modo a atender às necessidades de consumo interno de petróleo e gás natural.

O conselho é composto pelo ministro de Minas e Energia, que o preside, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, de Planejamento, Orçamento e Gestão, da Fazenda, do Meio Ambiente, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Chefe da Casa Civil, da Integração Nacional, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, além de um representante da sociedade civil, da universidade brasileira e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética e do secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia [6].

4.3.2 Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

A ANP é uma autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia, cujas principais competências são: promover estudos geológicos e geofísicos para identificação de potencial petrolífero; realização de licitações de áreas de exploração, contratação de concessionários e fiscalização dos mesmos; cálculo do valor dos royalties, autorizar e fiscalizar atividades de refino, processamento transporte, importação e exportação de petróleo, gás natural, álcool e biodiesel e estabelecer especificações técnicas para os produtos que fiscaliza [7].

A estrutura organizacional da ANP consiste em diretoria, procuradoria-geral e superintendências de processos organizacionais. Os primeiros, diretor-geral e quatro diretores, são nomeados pelo presidente da república, após aprovação do Senado Federal, por mandato de quatro anos [8].

4.3.3 Regulação

Esta seção não descreve a regulação do petróleo da região do Pré-Sal, a ser dissertada na seção 6.

4.3.3.1 Exploração e Produção

No Brasil, a exploração do petróleo é feita mediante contratos de concessão precedidos de licitação, que é um dos três tipos de instrumentos jurídicos mais usados na indústria petrolífera do mundo. Os outros são partilha da produção e o de serviço.

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Nos contratos de concessão, a propriedade do petróleo extraído é da concessionária, desde que pague suas obrigações contratuais. Nos contratos de partilha de produção, adotados pelos países que são grandes produtores, a propriedade do petróleo é do Estado, que partilha com a concessionária os resultados da produção, conforme contrato. Nos contratos de serviço, a propriedade é do Estado que paga pelo serviço de extração [9].

Os contratos de concessão deverão prever duas fases: exploração – avaliação de eventual descoberta de petróleo – e produção. A concessão implica, para o concessionário, a obrigação de explorar, por sua conta e risco e, em caso de êxito, produzir petróleo em determinado bloco. O contrato pode ser rompido se ao término da fase de exploração não tenha sido feita descoberta comercial. Em caso de empates nas licitações, a exploração será decidida a favor da Petrobrás, caso esta concorra não consorciada [5].

O contrato de concessão disporá sobre as seguintes participações governamentais [5]: a) bônus de assinatura: a ser pago no ato da assinatura do contrato com valor definido em

edital;

b) royalties: 10% da produção de petróleo, pagos a partir da produção comercial. Levando-se em consideração riscos geológicos e outros fatores, a ANP pode prever redução, em edital, para 5%. A distribuição dos royalties é feita conforme tabela 1; c) participação especial: pagamento em caso de grande volume de produção ou grande

rentabilidade;

d) retenção ou ocupação da área: pagamento pelo uso do território. O valor é calculado em função da área.

Tabela 1 – Distribuição dos royalties quando este exceder a 5% para a concessionária Para lavra em terra ou lagos, rios, ilhas

fluviais e lacustre Para lavra na plataforma continental 52,5% aos Estados produtores 22,5% aos Estados produtores confrontantes 15% aos Municípios produtores 22,5% aos Municípios produtores

confrontantes 7,5% aos municípios afetados pelas

operações de embarque e desembarque

15% ao Ministério da Marinha 25% ao Ministério da Ciência, Tecnologia e

Inovação

7,5% aos municípios afetados pelas operações de embarque e desembarque 7,5% para Fundo Especial, a ser distribuído por todos os Estados

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Inovação Fonte: Lei 9478/97 [5]

4.3.3.2 Refino e transporte

O petróleo é uma mistura de hidrocarbonetos e alguns compostos contaminantes, sendo o enxofre o principal entre eles. O refino consiste em um conjunto de processos físicos e químicos que objetivam a transformação em derivados. O petróleo é pré-aquecido e introduzido em torres de destilação (fig. 1), reatores químicos, purificadores e filtros. As frações geradas são submetidas a vários processos como o craqueamento, coqueamento, reforma catalítica, hidrogenação e dexidrogenação além de outros mais complexos, para gerar produtos de maior valor agregado, como gasolina, gás liquefeito GLP, óleo diesel, querosene de aviação, óleo combustível para fornos, caldeiras e geração elétrica, asfalto e nafta petroquímica [10].

Figura 1 – Esquema de destilação fracionada do petróleo Fonte: http://ciencia.hsw.uol.com.br/refino-de-petroleo4.htm

Todo óleo bruto chega ás refinarias através de tubulações especialmente projetadas para essa função "oleodutos", e na via marítima por navios tanques especializados em portos de atracação próprios como o de São Sebastião em São Paulo.

Qualquer empresa ou consórcio de empresas constituída sob as leis brasileiras, com sede e administração no país, poderá submeter à ANP proposta para construção e operação de refinarias.

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Qualquer empresa nas mesmas condições acima pode receber autorização da ANP para construir instalações e efetuar transporte de petróleo e seus derivados, para consumo interno ou para importação e exportação [5].

4.3.3.3 Distribuição e Revenda

A etapa de distribuição de combustíveis tem início na refinaria, por tubulações específicas até estações de distribuição como a de Utinga em São Paulo, próximo á São Caetano, de onde saem os derivados que serão comercializados para as distribuidoras.

O segmento de distribuição, no Brasil, comporta várias empresas, possuindo um oligopólio, formado por companhias como Shell, Ipiranga e BR Distribuidora e outras.

O modelo regulatório do downstream (distribuição) brasileiro objetivou aumentar as alternativas de oferta de derivados no mercado interno, viabilizando a concorrência entre os abastecedores [11].

Os principais agentes econômicos no segmento de distribuição são [11]:

a) formulador: importa e/ou adquire hidrocarbonetos líquidos para formulação da gasolina A (sem álcool anidro misturado) e do diesel;

b) importador: autorizado a importar gasolina A, diesel, solventes e outros produtos; c) transportadores revendedores retalhistas (TRRs): fornece o combustível diretamente

aos consumidores, além de serviços de instalação de tanques de armazenamento e equipamentos e orientações para utilização adequada do produto.

A ANP fiscaliza o segmento de distribuição, em especial no que se refere à qualidade do combustível [11]. Regulamenta a atividade dos distribuidores, revendedores de combustíveis líquidos derivados de petróleo, GLP, álcool anidro, álcool hidratado, GNL e GNV, assim como das atividades dos transportadores revendedores retalhistas de diesel, óleo combustível e querosene de aviação [12].

Desde 2002 vigora no Brasil um regime de liberdade de preços em toda a cadeia de produção e comercialização, portanto, não há qualquer tipo de tabelamento de preços, ou valores máximos e mínimos a serem respeitados. A ANP apenas realiza o Levantamento de Preços e Margens de Comercialização de Combustíveis para informar a sociedade os preços e margens praticados pelo mercado, contribuindo para a transparência das práticas comerciais. Em caso de preços excessivamente altos ou baixos e formação de cartéis, o órgão atuador é,

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assim como para os demais produtos não combustíveis, o Conselho Administrativo da Defesa Econômica, vinculado ao Ministério da Justiça [12].

5 GÁS NATURAL

O setor de gás natural no Brasil é caracterizado como um setor relativamente novo comparado com os países desenvolvidos [13]. O Brasil começou a utilizar o gás natural em 1950 no estado da Bahia onde a produção era destinada para o setor industrial. Em 1980 a região sudeste (Rio de Janeiro) começou a produzir o gás natural na Bacia de Campos. Em 1997 começou a ser construído o gasoduto de interligação Bolívia-Brasil que possibilitou um aumento do mercado de Gás Natural no Brasil. Nos últimos dez anos a reserva do Brasil vem aumentando com o descobrimento de novas reserva de gás natural [14].

Seguindo a tendência dos mercados no exterior o Brasil passou por uma reforma na concepção do controle do gás natural. Anteriormente nosso mercado era representado exclusivamente pela empresa Petrobras que controlava toda a cadeia do gás natural, desde upstream ao downstream [14].

5.1 Regulação do Gás

Após a reforma o Brasil passou por uma desverticularização do setor de gás a partir da década de 90, com a criação da lei do petróleo em 1997 que possibilitou a quebra do monopólio de petróleo e gás natural controlado pela a Petrobras. A seguir, as regulamentações do setor de gás no Brasil [14].

Emenda constitucional n° 5, de 1995: colocou fim ao monopólio da Petrobras nos serviços de distribuição de gás canalizado [13].

Emenda constitucional n° 9: possibilitou que pesquisas, lavras de jazidas, refino de petróleo nacional e importado, importação e exportação, transporte do gás natural, petróleo e seus derivados [13].

Lei n° 9 478, de 1997: Foi Criada a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) como órgão regulador neste setor. A ANP tem o objetivo de criar uma

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regularização clara, transparente e previsível, para oferecer uma estrutura legal estável [13]. Lei n° 11.909, (lei do gás): Regula o transporte, tratamento, processamento, estocagem, liquefação, regaseificação e comercialização de gás natural em todo o território nacional [15].

Após a lei do Petróleo ficou sob responsabilidade federal a extração, produção, a importação e o transporte, regularizados pela a ANP. A distribuição e o comércio ficaram sob responsabilidade das agências reguladoras estaduais, exemplo a ARSESP (Agência Reguladora de saneamento e energia do estado de São Paulo) [15].

5.2 Reservas e produção de gás natural no Brasil

As reservas de gás natural do Brasil provadas chegaram a 417 bilhões m3 em 2010, que representa 51,3% das reservas totais, representando um aumento de 37,1% em comparação com 2009. Como no caso do petróleo, a maior concentração de gás natural se encontra em regiões marítimas, com o Rio de Janeiro tendo a maior participação com 220,5 bilhões m3 em reservatório offshore (52 % de reservas provadas), um aumento de 42% em comparação com 2009, em seguida o Amazonas (região terrestre) que possui 13,3% das reservas nacionais [16].

Em 2010 as reservas provadas mundiais somaram 187 trilhões m3, a maior parcela esta situado pelos os países do Oriente Médio com 40,5% do total. Em geral os continentes tiveram um aumento na reserva, o Brasil aumentou 15,2% com uma reserva provada de 417 milhões m3, situando-se em 34° no ranking de reserva de Gás natural. As maiores reservas se localizam na Rússia, no Irã e no Catar [16].

O Brasil nos últimos 10 anos apresentou um aumento médio de 5,6% ao ano, atingindo 22,9 bilhões m3 em 2010, sendo o Rio de Janeiro como maior produtor com 16,9 bilhões m3, que representa 73,7% do total produzido no Brasil alcançando o 35° posição do ranking mundial de produtores de gás natural [16].

5.3 Dutos

Em 2010 o Brasil possuía 578 dutos, para a movimentação de gás natural, petróleo e seus derivados, num total de 19,3 mil km. São 104 dutos destinados para o transporte e

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transferência de Gás Natural com extensão de 11,4 mil km, 59% da extensão total de dutos [16].

O Brasil, até início de 2010, não possuía uma comunicação do transporte de gás que interligava a região nordeste com a região sudeste. Então, em maio de 2010 a Petrobrás inaugura em Itabuna, o gasoduto de interligação sudeste-nordeste (Gasene) uma obra do plano de aceleração do crescimento (PAC) tendo 1 387 km de extensão. Com a construção estratégica do Gasene foi possível interligar a região sudeste, sendo a maior produtora e consumidora de gás natural, a região nordeste que possui uma pequena produção comparada ao sudeste, mas que impossibilitava o crescimento do mercado [14].

Figura 2 - Mapa da rede de gasodutos no Brasil Fonte: Cátedra do Gás [2]

Mesmo com a construção do gasoduto Gasene pode-se se notar que as regiões norte, centro-oeste e parte do nordeste ainda não possuem acesso ao gás natural. A rede de gasoduto no Brasil ainda está pequena comparada ao seu território. Ao comparar o Brasil com outros países da América do Sul, a rede de gasodutos do Brasil ainda é muito incipiente, tendo uma malha de Gasodutos cerca de dez vezes menor do que a da Argentina que possui uma área territorial três vezes menor do que do Brasil [17].

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O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas localizadas nas porções marinhas de grande parte do litoral brasileiro, com potencial para a geração e acúmulo de petróleo [18]. De acordo com os resultados obtidos através de perfurações de poços, as rochas do pré-sal se estendem por 800 quilômetros do litoral brasileiro, desde Santa Catarina até o Espírito Santo, e chegam a atingir até 200 quilômetros de largura [19]. Convencionou-se chamar a camada de pré-sal porque ela forma um intervalo de rochas que se estende por baixo de uma extensa camada de sal, que em certas áreas da costa atinge espessuras de até 2.000m. O termo pré é utilizado porque, ao longo do tempo, essas rochas foram sendo depositadas antes da camada de sal. A profundidade total dessas rochas, que é a distância entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo abaixo da camada de sal, pode chegar a mais de 7 mil metros [18].

O arcabouço técnico para a exploração do pré-sal foi reunido ao longo dos anos pela Petrobras desde a década de 1970, quando se iniciaram as explorações de petróleo em águas profundas (à época, pouco mais de 2500 metros de profundidade). O início da expedição de chegada ao pré-sal remonta ao ano de 2004, quando foram perfurados alguns poços em busca de óleo na Bacia de Santos. Ali haviam sido identificadas, acima da camada de sal, rochas arenosas depositadas em águas profundas, que já eram conhecidas. Se fosse encontrado óleo, a ideia era aprofundar a perfuração até chegar ao pré-sal, onde os técnicos acreditavam que seriam encontrados grandes reservatórios de petróleo. Em 2006, quando a perfuração já havia alcançado 7.600m de profundidade a partir do nível do mar, foi encontrada uma acumulação gigante de gás e reservatórios de condensado de petróleo, um componente leve do petróleo. No mesmo ano, em outra perfuração feita na Bacia de Santos, a Petrobras e seus parceiros fizeram nova descoberta, que mudaria definitivamente os rumos da exploração no Brasil. A pouco mais de 5 mil metros de profundidade, a partir da superfície do mar, veio a grande notícia: o poço, hoje batizado de Tupi, apresentava indícios de óleo abaixo da camada de sal. O sucesso levou à perfuração de mais sete poços e em todos encontrou-se petróleo [18].

Estimativas apontam que a reserva do pré-sal pode ter o equivalente a 1,6 trilhão de metros cúbicos de gás e óleo, número mais de cinco vezes maior do que as reservas do país à época. Com isso, o Brasil passaria a figurar entre os países com as maiores reservas de petróleo do mundo, atrás apenas de Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes. [19].

Sobre a viabilidade econômica da exploração da área há divergências: a Petrobras afirma categoricamente ser economicamente viável a exploração do pré-sal [18], estimando um investimento necessário de US$ 600bi para as seis áreas licitadas onde é operadora; uma

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visão não tão otimista revela que tal investimento seria consumido na exploração de apenas três campos, que totalizariam apenas 13% da área do pré-sal [19].

6.1 Regulação

Com a descoberta do pré-sal, o cenário do setor petrolífero nacional mudou drasticamente. A legislação vigente à data da divulgação da descoberta da reserva (2006), lei 9.478/97, tornou-se inadequada por motivos que vão além do anúncio do pré-sal, como, por exemplo, a grande variação do preço do petróleo desde 1997. Nessa época, o Brasil e a Petrobras estavam inseridos num contexto de instabilidade econômica, e o preço do petróleo estava em baixa (US$ 19 o barril). Além disso, os blocos exploratórios tinham alto risco, perspectiva de baixa rentabilidade, e o país era grande importador de petróleo. O marco regulatório que adotou o sistema de concessão foi criado, à época, para possibilitar retorno àqueles que assumiriam esse alto risco [18].

No sistema de concessão, as atividades são realizadas por conta e risco do concessionário, sem interferência ou maior controle dos governos nos projetos de exploração e produção, respeitada a regulação existente. Caso haja uma descoberta e ela seja desenvolvida, o petróleo e gás natural, uma vez extraídos, passam a pertencer aos concessionários após o pagamento de royalties e outras participações governamentais [18].

Após a descoberta do pré-sal, o cenário mudou significativamente: o Brasil era economicamente mais estável e o preço do petróleo havia subido bastante, desde 1997. Além disso, segundo a Petrobrás, pelos testes realizados, sabe-se que o risco exploratório é baixo e a produtividade é alta nas descobertas localizadas na camada pré-sal [18]. Foi, então, criada uma nova legislação para gerir as áreas não licitadas do pré-sal (72% da reserva), a lei 12.351/10.

A partir desta lei, o regime adotado seria o de partilha, normalmente usado por países com reservas abundantes e baixo risco exploratório. Nesses contratos, a companhia ou consórcio que executa as atividades assume o risco exploratório. Em caso de sucesso, tem os seus investimentos e custos ressarcidos em óleo (o chamado óleo-custo). O lucro da atividade resulta da dedução dos investimentos e custos de produção da receita total. Convertido em óleo, esse valor é chamado de óleo-lucro, que passa a ser repartido entre a companhia (ou consórcio) e o governo, em porcentagens variáveis [18].

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A lei 12.351/10 também criou o Fundo Social – FS [20], que tem como objetivos evitar a “doença holandesa” [19] – desvalorização da moeda nacional pela grande entrada de moeda estrangeira, gerando enfraquecimento da indústria nacional – e promover o combate à pobreza, melhorar o acesso à educação, cultura, ciência e tecnologia, e sustentabilidade ambiental [18].

7 CONCLUSÃO

O Brasil começou a utilizar e produzir petróleo tardiamente se comparado a países de primeiro mundo, como já mencionado e passou por um momento de monopólio sobre o petróleo, período este que o Brasil passava por uma crise financeira e a falta de recursos inibia investimentos na exploração de petróleo, setor este que possui alto risco e a necessidade de grandes investimentos. A mesma evolução tardia pode ser observada no setor de gás natural, que ainda hoje é substancialmente menor que, por exemplo, outros países latino-americanos. A quebra do monopólio da Petrobrás em 1994 e a criação de uma regulamentação sólida, transparente e previsível, viabilizou uma estrutura legal estável, caracterizada pela lei do petróleo de 1997, para que outras empresas internacionais pudessem ter confiança em investir seus capitais em território nacional. Ainda assim, o cenário econômico externo e interno, além das perspectivas de produção da década de 1990, não projetavam o Brasil como um importante produtor de petróleo. Isso permitiu uma lei mais permissiva, criada com o intuito de atrair investidores para um negócio de risco considerável.

O descobrimento da reserva de petróleo no pré-sal foi importante a ponto de alterar a legislação criada em 1997, modificando o regime de concessão até então vigente para o regime de partilha de produção, normalmente empregado por países que possuem grandes reservas de petróleo - caso que passa a ser o do Brasil. É importante citar que a lei 12.351/2010 tem efeito sob as regiões do pré-sal e outras consideradas estratégicas e que os contratos firmados anteriormente foram honrados.

Conclui-se que após um início tardio e embasado em descobertas que exigiram décadas de explorações, estas representaram desafios tecnológicos a vencer. O Brasil tem hoje uma perspectiva muito boa no que diz respeito à produção de petróleo e gás natural (embora a perspectiva de distribuição deste último não seja tão boa). No mais, a criação de uma nova

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legislação justifica-se pelas mudanças de caráter econômico sofridas pelo objeto legislado num período inferior a uma década; além disso, nota-se o esforço de reverter as riquezas do petróleo em benefício social, caracterizado pela criação do Fundo Social. No setor de gás natural, é gritante a necessidade de ampliação das linhas de transporte de gás ao longo do território nacional.

8 REFERÊNCIAS

[1] KLEINBACH, Merlin; HINRICHS, Roger; REIS, Lineu B. Energia e Meio Ambiente. São Paulo: Cengage Learning, 2010. p. 1.

[2] Curiosidades do automóvel no Brasil. Disponível em: < http://www.carroantigo. com/portugues/conteudo/curio_automovel_no_brasil.htm>. Acesso em: 14 abr. 2012.

[3] Barreto, C. E. P. A Saga do Petróleo Brasileiro: "a farra do boi". São Paulo: Nobel, 2001. 136 p. ISBN 8521311494.

[4] BRASIL. Emenda constitucional nº 9 de 9 de novembro de 1995. Dá nova redação ao art. 177 da Constituição Federal, alterando e inserindo parágrafos. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc09.htm>. Acesso em: 14 abr. 2012.

[5] ______. Lei nº 9478 de 6 de agosto de 1997. Dispõe sobre a política energética nacional, as atividades relativas ao monopólio do petróleo, institui o Conselho Nacional de Política Energética e a Agência Nacional do Petróleo e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9478.htm>. Acesso em: 14 abr. 2012.

[6] ______. Decreto nº 3520 de 21 de junho de 2000. Dispõe sobre a estrutura e o funcionamento do Conselho Nacional de Política Energética - CNPE e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3520.htm>. Acesso em: 14 abr. 2012.

[7] ANP. Folder institucional. Disponível em: <http://www.anp.gov.br/?id=268>. Acesso em: 14 abr. 2012.

(18)

[8] BRASIL. Decreto nº 2455 de 14 de janeiro de 1998. Implanta a Agência Nacional do Petróleo - ANP, autarquia sob regime especial, aprova sua Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e Funções de Confiança e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/

D2455.htm>. Acesso em: 14 abr. 2012.

[9] LIMA, Haroldo. Petróleo no Brasil: a situação, o modelo e a política atual. Rio de Janeiro, Synergia, 2008. p. 59-63. ISBN 978-85-61325-00-8.

[10] ANP. O que é refino?. Disponível em: <http://www.anp.gov.br/

?pg=15699&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1334537216579>. Acesso em 14. abr. 2012.

[11] PINTO JÚNIOR, Helder Queiroz (org.). Economia da energia: fundamentos econômicos, evolução histórica e organização industrial. Rio de Janeiro, Elsevier, 2007. ISBN 9788535224085.

[12] ANP. Preços dos combustíveis. Disponível em: <http://www.anp.gov.br/

?pg=46054&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1334541430500>. Acesso em 14 abr. 2012.

[13] CAMACHO, Fernando Tavares. Regulação da indústria de gás natural no Brasil. Rio de Janeiro: Interciência, 2005. ISBN 9788571931183.

[14] CÁTEDRA DO GÁS. Histórico do Gás Natural no Brasil. Disponível em: <http://catedradogas.iee.usp.br/gasnatural/historicobrasil.htm>. Acesso em 15 abr. 2012. [15] ANP. Legislação – Gás Natural. Disponível em: <http://www.anp.gov.br/

?pg=59425&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1334624132587>. Acesso em 15 abr. 2012.

[16] ANP. Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2011. Disponível em: < http://www.anp.gov.br/?pg=56346>. Acesso em 15. Abr. 2012.

[17] CÁTEDRA DO GÁS. Matriz energética – Transporte. Disponível em: < http://catedradogas.iee.usp.br/gasnatural/transporte.htm>. Acesso em: 15 abr. 2012.

[18] PETROBRAS. Atuação no Pré-sal. Disponível em: < http://www.petrobras.com.br/ pt/energia-e-tecnologia/fontes-de-energia/petroleo/presal>. Acesso em: 16 abr. 2012.

(19)

[19] VEJA. Pré-sal. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/ perguntas_respostas/pre-sal/index.shtml>. Acesso em: 16 abr. 2012.

[20] BRASIL. Lei nº 12351 de 22 de dezembro de 2010. Dispõe sobre a exploração e a produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos, sob o regime de partilha de produção, em áreas do pré-sal e em áreas estratégicas; cria o Fundo Social - FS e dispõe sobre sua estrutura e fontes de recursos; altera dispositivos da Lei no 9.478, de 6 de

agosto de 1997; e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12351.htm >. Acesso em: 16 abr. 2012.

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