Rostos de uma
infância perdida
Escola Básica e Secundária de Muralhas do Minho, Valença
Lewis Hine (1874-1940) trabalhou como fotógrafo
de investigação até 1924. Em 1908, foi contratado
pelo Comité Nacional do Trabalho Infantil (NCLC),
nos Estados Unidos, para colaborar no Inquérito
de Pittsburgh. Durante esse período, viajou pelo
país documentando as condições do trabalho
in-fantil em diversos tipos de indústrias e publicou
os livros Child labor in the Carolinas (Trabalho
infan-til nos estados da Carolina) e Day laborers before
their time (Assalariados antes do seu tempo),
am-bos em 1909. Não se referia a crianças que
traba-lhavam “um pouco” para ajudar os pais, mas de
tarefas que implicavam cerca de 15 horas diárias
para se obter o sustento mínimo.
O trabalho infantil na América do início do século XX
A fiação
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O encarregado da fiação disse, apologeticamente: “Ela limitou-se a aparecer.” Mas a menina traba-lhava com determinação. As fiações estavam repletas de crianças que se limitavam “a aparecer” ou estavam a “ajudar a irmã mais velha”. Newberry, South Carolina.
Pequena trabalhadora de fábrica, na fiação Whitnel Cotton. Tinha 1,29 m de altura e trabalhava na fi-ação há um ano, por vezes no turno da noite. Ganhava 48 cêntimos por dia. Quando lhe perguntavam a idade, hesitava e dizia: “Não me lembro,” e depois acrescentava, confidencialmente, “Não tenho idade para trabalhar, mas faço-o na mesma.” Em 50 empregados, havia 10 crianças com o seu ta-manho. Whitnel, North Carolina, 1908.
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Na década de 1830, muitos estados norte-americanos tinham aprovado leis que restringiam ou proi-biam o emprego de crianças na indústria. No entanto, nas comunidades rurais, onde o trabalho in-fantil nas quintas era comum, a existência de crianças a trabalhar em fábricas e fiações não gera-va polémica.
Os ardinas
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Tony Casale, 11 anos, vendia jornais há 4 anos quando foi fotografado, por vezes até às 10 da noite. Ti-nha marcas de agressões nos braços, porque o pai lhe batia quando considerava que o número de jornais vendidos não era suficiente. O rapaz dizia: “Drunken men say bad words to us.” Hartford, Connecticut.
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A fábrica
Jovens numa fábrica de charutos, Engelhardt & Co. Três rapazes com menos de 14 anos. Nos mo-mentos de maior atividade, eram admitidas muitas crianças. Todos fumavam. Tampa, Florida.
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A mina
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Nas suas fotografias, Lewis Hine capturava a expressão nos rostos dos trabalhadores. Para ele, a imagem só tinha credibilidade quando não havia qualquer tipo de manipulação.
Richard Pierce, 14 anos, mensageiro da Western Union Telegraph Co., há nove meses no serviço, tra-balha das 7 da manhã à 6 da tarde. Fuma e visita casas de prostituição. Wilmington, Delaware.