Carta ao Cotista | Agosto 2018
Palavra do Gestor: Déjà vu.
Em agosto a alta volatilidade devido à proximidade das eleições de outubro, somada à crise cambiária em alguns países emergentes, prejudicou todas as classes de ativos. O filme parece o mesmo visto em meses anteriores, com notícias de um candidato pró-reforma não decolando e os ativos locais refletindo esta sensação de pânico, até que estes passem a ser negociados com descontos exagerados, refletindo oportunidade de compra para especuladores. A volatilidade continuará sendo o nome do jogo, até que tenhamos uma maior visibilidade do futuro governo, o que por sorte está se aproximando.
Apesar da forte alta do dólar, o risco de termos uma crise cambiária é muito baixa, pois temos um amplo financiamento do déficit externo com os investimentos direto (déficit de US$ 15 bilhões contra investimentos diretos de US$ 64 bilhões). Ou seja, há entrada de dólares na economia, somado a nosso caixa de US$ 380 bilhões que nos dão um colchão para momentos externos menos favoráveis, diferente da situação vista em países como Argentina e Turquia. O nosso principal desafio continua sendo a trajetória da dívida pública, que chegou a 77% do PIB, o que será possível equacionar apenas com a reforma da previdência, que ficará para o próximo governo, sendo exógeno ao partido político eleito.
Os preços atuais de algumas empresas brasileiras começam a pagar acima do CDI, como é o caso do banco Itaú, onde a remuneração dos proventos gerou 120% do CDI aos preços atuais da ação. As fortes oscilações reabrem janelas de oportunidades com risco versus retornos atrativos. Nestes momentos os fundamentos econômicos são deixados de lado e a eleição predomina na cabeça dos investidores. Os títulos do Tesouro vêm acompanhando a escalada do dólar e já superam taxas condizentes com a situação macroeconômica do país. Novamente visualizamos uma assimetria positiva para investimentos.
No âmbito internacional a Turquia e Argentina prejudicaram os mercados emergentes diante da queda expressiva da lira turca e peso argentino, o que acabou pressionando o real. A situação brasileira é bastante diferente da economia turca e um contágio parece limitado.
Estamos tranquilos com esta assimetria de risco versus retorno, uma vez que que o lado sombrio das eleições vem sendo precificado e bons ativos acabam gerando oportunidade única de entrada quando olharmos a janela de médio/longo prazo. De um lado ou de outro, a dúvida será eliminada dos mercados emergentes e um apreçamento deverá ocorrer após estes episódios se tornarem conhecidos.
Ambiente Macroeconômico
Internacional
A ata do FOMC reconheceu os primeiros efeitos da guerra comercial no processo de normalização dos juros americanos. O ritmo de crescimento do PIB foi mais intenso do que o esperado, houve ligeira aceleração dos salários, porém dados da inflação vieram abaixo do esperado, havendo assim um balanceamento do risco. Continuamos acreditando em mais duas elevações da taxa de juros ainda este ano.
A segunda estimativa do PIB americano reforçou o cenário de crescimento com taxa de 4,2% no segundo trimestre, quando comparado com o período anterior. Este resultado ficou acima do esperado pelo mercado e reforça o processo de normalização da política monetária.
Nacional
O PIB do Brasil cresceu 0,2% no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre. Este resultado ficou levemente acima do esperado pelo mercado (0,1%). O setor de serviços foi o destaque positivo com avanço de 0,3%. Do lado negativo a indústria teve recuo de 0,6%. Nossa projeção de PIB para 2018 foi revisada para baixo (+1,2%).
A última reunião do Copom reforçou a mensagem de que o comitê decidirá sobre a taxa de juros de acordo com os dos dados econômicos dando mais flexibilidade na condução da política monetária. A ata reforçou que a atividade econômica sofreu efeitos negativos com a greve dos caminhoneiros, mas que logo em seguida houve recuperação. A expectativa da inflação segue ancorada e que a alta do dólar ainda não apresentou efeitos reais na economia. Por ora mantemos nossa projeção de que a taxa Selic terminará 2018 em 6,5%.
O IPCA de agosto registrou variação de -0,09%, resultado abaixo das expectativas do mercado. Em doze meses o indicador acumulou 4,19%. Por ora a pressão do câmbio não chegou à inflação, mas deveremos sentir este efeito nos próximos meses, principalmente nos preços dos alimentos e itens sensíveis à cotação do dólar.
BBT - Fundo de Investimentos Multimercado
Em agosto o fundo BBT FIM variou -0,52%.
O gráfico abaixo mostra a contribuição das estratégias para o resultado do fundo em agosto.
Atribuição de Performance
Fonte: BBT Asset Management
Desempenho dos ativos em agosto:
Book de Renda Fixa (Pós/Inflação): rentabilidade de -0,30%.
• Continuamos alocados em títulos atrelados à inflação com vencimento longo. Vemos um risco assimétrico e boa probabilidade de retorno nos próximos meses.
Book de Moedas (Dólar): rentabilidade de +0,48%.
• mantivemos nosso seguro em dólar contra nosso cenário base de investimento.
Book de Commodities (Ouro): rentabilidade de -0,05%.
• alocamos 2% em ouro para eventuais riscos de cauda.
Book de Ações (Ações Brasil): rentabilidade de -0,30%.
• continuamos otimistas com empresas brasileiras e apesar da turbulência de curto prazo, o ciclo de valorização apenas começou e acreditamos em retornos expressivos quando olharmos a janela de médio/longo prazo.
Book de Imóveis (Brasil): rentabilidade de -0,32%.
• as cotações do mercado imobiliário ainda não refletem a realidade dos principais indicadores do setor, que vem reportando números mais positivos. Negociações privadas veem apresentando múltiplos acima dos fundos imobiliários cotados em bolsa e esta correção deverá ocorrer nos próximos meses.
Estratégias (Arbitragem e Long&Short): rentabilidade de +0,15%
• a volatilidade do mês beneficiou a estratégia de arbitragem.
BBT - Fundo de Investimentos em Ações
Em agosto o fundo BBT FIA variou -0,93% ou +2,28% superior que o índice Bovespa.
O risco versus retorno do mercado de ações tem a melhor assimetria de retornos do mercado local. Em caso de disparada do dólar (cenário de um governo não reformista) a bolsa local ficará uma barganha em dólar e investidores estrangeiros virão as compras. Neste cenário, empresas exportadoras serão as mais beneficiadas. Em caso da vitória de um governo reformista, haverá melhora no ambiente local, o que beneficiará empresas focadas no mercado doméstico. Estamos com um portfolio diversificado e posicionado para ambos os cenários.
O fim da temporada de resultados do segundo trimestre, mostrou expansão nos lucros das empresas próximo à 20%, quando comparado com o ano anterior. Este crescimento pode ser explicado pela retomada da economia (apesar de lenta) e redução de custos nos anos anteriores devido à crise econômica. As empresas ficaram mais eficientes e produtivas, prontas para ganhar tração, assim que o mercado local permitir e tivermos previsibilidade.
Segue a rentabilidade acumulada por empresa investida até agosto de 2018:
Contato
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Avisos Importantes
Este documento foi produzido pela BBT Asset Management, com finalidade meramente informativa, não caracterizando oferta ou solicitação de investimento. A rentabilidade obtida no passado não representa garantia de rentabilidade futura. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. Fundos de investimento não são garantidos pelo administrador, gestor ou por qualquer mecanismo de seguro ou, ainda, pelo fundo garantidor de crédito (FGC). É recomendável a leitura cuidadosa do prospecto e regulamento dos fundos de investimento pelo investidor ao aplicar seus recursos. Para avaliação de performance de um fundo de investimento, é recomendável análise de, no mínimo, 12 (doze) meses. Este fundo de investimento utiliza estratégias com derivativos como parte integrante de sua política de investimento; tais estratégias, da forma como são adotadas, podem resultar em perdas patrimoniais para seus cotistas.