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Lei da transparência no estado do Rio de Janeiro: como é sua prática?

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TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO

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Lei da Transparência no Estado do Rio de Janeiro: Como é sua prática?

Veronica Circolani Ramos – Polo Campo Grande - [email protected] – UFF/ICHS

Viviane Batista Alves – Polo Campo Grande - [email protected] – UFF/ ICHS Resumo

O presente estudo analisou a transparência do Governo do Estado do Rio de Janeiro através da disponibilização de informações por meios tecnológicos e sua conformidade com a Lei da Transparência (LC 131/2009). A verificação foi realizada a partir dos relatórios dos anos de 2010, 2012 e 2014 do site Contas Abertas o qual calcula o Índice de Transparência, levando em consideração o Conteúdo, Série Histórica e Usabilidade. A publicidade dos atos e o acesso do cidadão à informação dos gastos públicos são considerados direitos fundamentais a serem exercidos na vigência da democracia, como forma de participação no controle social e consequente combate à corrupção. Como resultado, concluiu-se que no ranking geral dos Estados, o Rio de Janeiro estava em 13º em 2010, melhorou de posição indo para 4º em 2012 e caiu para 9º em 2014, o que leva a observar que o nível de transparência oscila em virtude da intensidade da fiscalização nos órgãos e em conformidade aos interesses do Estado, mostrando que ainda há muito o que se melhorar na questão de transparência na prática.

Palavras-chave: Transparência; Governo Eletrônico; Controle Social 1 – Introdução

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF/1988) prevê diversos direitos fundamentais que levaram ao desenvolvimento do conceito e práticas relacionadas à transparência. Tais como o inciso XXXIII do artigo 5º: “todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade...”; e o inciso XL do mesmo artigo: “ a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem”.

Ainda de acordo com a nossa Carta Magna, a partir da Emenda Constitucional 19/1998 que alterou seu artigo 37: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

Assim, conforme estes dispositivos constitucionais, a sociedade deve exigir a atuação transparente dos gestores públicos, de modo consciente e claro, em atendimento aos princípios acima elencados visando atender ao fim público e garantir a melhor aplicação de recursos públicos. Os interesses do administrador público diferenciam-se do privado, vez que seus objetos de trabalho são os bens e serviços públicos, são submetidos à supremacia do interesse público em detrimento do particular, e, por conseguinte, tem o dever de prestar contas dos gastos e aplicações dos bens que são da sociedade e não pessoais.

A Lei Complementar 131/2009 (conhecida como a Lei da Transparência) acrescenta dispositivos à Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000), a qual estabelece normas como a iniciativa de disponibilizar informações detalhadas sobre as execuções orçamentária e financeira da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, com foco na eficiência e na qualidade dos serviços públicos.

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2 Após, há ainda a criação da Lei 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação) para dispor sobre os procedimentos a serem observados na garantia do acesso, classificação e divulgação quanto à informação prestada ao cidadão.

Portanto, a LC 131/09 apresenta inovações no cenário nacional por determinar que todos os entes federativos divulguem informações à sociedade em tempo real de suas gestões orçamentárias, em meios de acesso eletrônico, enquanto a LC 12527/11 regula a relação jurídica do direito à informação do cidadão e do dever de prestar contas pelo agente público, ao tempo em que LRF (LC 101/2000) tem como função orientar os gestores a equilibrar despesas e receitas com responsabilidade na gestão fiscal.

O artigo tem por objetivo verificar se o Governo do Estado do Rio de Janeiro age de forma transparente através de mecanismos tecnológicos, disponibilizando informações sobre suas contas públicas em prol de práticas democráticas de controle social.

Assim, a problemática é: Há transparência nos Portais de Transparência do Governo do Estado do Rio de Janeiro na prática? A resposta a essa pergunta se dará por meio do levantamento dos relatórios do ano de 2010, 2012 e 2014 elaborados pelo site Contas Abertas, o qual avalia a transparência através de índices de vários portais de transparência governamentais (da União e dos Estados), com vistas a identificar se há a efetiva evolução da transparência apresentada nos portais do Governo do Estado do Rio de Janeiro em conformidade com a Lei da Transparência.

O acesso do cidadão à informação (LC 12527/2011) dos gastos públicos é considerado um direito fundamental a ser exercido na vigência da democracia, como forma de controle social e consequente combate à corrupção, apresenta como uma de suas diretrizes de acesso à informação o inciso V do seu art.3º: “desenvolvimento do controle social da administração pública”, e em seu art. 5º “é dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será franqueado, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão”.

A relevância da presente pesquisa está na necessidade de maior aprofundamento sobre a aplicabilidade real da transparência através do sistema de governo eletrônico. Com isso, a temática possui grande importância social por envolver informações e direitos fundamentais dos cidadãos em prol de uma administração pública eficiente em um “ambiente político e cultural marcado por ideologias e interesses diversos” (SILVA, 2009, apud CRUZ, 2012).

Na atual geração globalizada, na qual as informações não possuem “barreiras” físicas nem temporais, a publicidade dos atos torna-se essencial, sendo considerada um ato de responsabilidade na prestação de contas da gestão pública que tende a evitar a má-versação das verbas públicas.

2 – Referencial Teórico

No primeiro momento, faz-se uma breve análise da transparência pública, desde o art. 37 da CF/88 até as leis da Transparência e de Acesso à Informação. Verifica-se que a transparência garante o controle social das políticas públicas através das informações, além de promover melhorias na execução de políticas e legitimidade fiscal do governo (SOUZA et al., 2013). Complementando, Ribeiro e Zuccolotto (2014) diferenciam publicidade de transparência. A primeira publica informações do ponto de vista de quem as fornece, a outra disponibiliza informações após analisar se são confiáveis para o cidadão.

Após, passa-se para a principal ferramenta de divulgação de informações sobre transparência pública: o governo eletrônico. Dispositivos legais para divulgação das contas

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3 públicas, como a Lei Complementar 101/2000 e a Lei Complementar 131/2009 são importantes dispositivos para a implantação de um governo eletrônico. O uso das tecnologias da informação e comunicação na administração pública é contextualizado. Apresenta-se a definição de governo eletrônico utilizada no artigo de Pinho (2008).

Por fim, aborda-se o controle social como garantia democrática de estreitamento entre a relação de Estado e a sociedade civil, tornando possível controlar os gastos públicos. Cita-se o art. 73-A da Lei de Acesso à Informação que diz: qualquer cidadão pode denunciar o descumprimento desta lei. Explica-se que, conforme Rauschet al. (2010), os dados disponibilizados pelo governo podem ser avaliados em nível de responsabilidade ou indignação; acrescenta-se que o exercício do controle social não é apenas um direito, mas um fator de amadurecimento e desenvolvimento do país (PÍTSICA, 2011, apud ROSA et al., 2016).

2.1 – A Transparência Pública

A motivação por transparência pública surgiu como uma possível solução para problemas de corrupção e práticas de conduta ilegal na política. Tornando-se essencial a existência de meios que informem de forma transparente sobre questões de cunho fiscal, possibilitando aos atores políticos, eleitorado e até mesmo ao mercado financeiro, interagirem e formarem um elo de confiança comportamental. Consoante se infere do trabalho de Souza et

al. (2013) que a transparência serve para fornecer aos cidadãos as importantes informações para

o controle social das políticas públicas.

A CF/88, antes mesmo da criação da Lei da Transparência, já dispunha em seu art. 37, que a administração pública direta ou indireta se deve ater a princípios como o da eficiência e da publicidade. O administrador público ao seguir o que propõe a CF/88, tende a ter um desempenho mais efetivo de suas funções, resultando também, em serviços públicos de qualidade, haja vista o foco em uma gestão pública gerencial. A gestão clara e legal dos gastos públicos o fará benquisto aos olhos da sociedade, vez que “a transparência e o controle social promovem o aprimoramento da execução de políticas e da legitimidade fiscal dos governos” (SOUZA et al, 2013, p. 100).

A Lei Complementar 131/2009 (conhecida como a Lei da Transparência) vem inovar as normas de finanças públicas com foco na responsabilidade fiscal, determinando que as informações sobre execuções orçamentárias de quaisquer dos Poderes, sejam disponibilizadas ao acesso público. Esta lei dispõe em seu art.48 que a transparência se dará através do incentivo à participação popular; liberação de informações em tempo real em meios eletrônicos; sistema integrado de administração financeira e controle de qualidade.

A Lei 12.527/2011, que é a Lei de Acesso à Informação, possui a tarefa de normatizar como devem ser tratadas as informações a serem divulgadas para o acesso público. E em seu art. 3º assegura que o acesso às informações deve seguir: a observância da publicidade; divulgação de informações de interesse público; uso de meios tecnológicos de informação; cultura de transparência e controle social na administração pública.

Todavia, segundo Ribeiro e Zuccolotto (2014), percebe-se que apesar dos esforços legislativos no sentido de tornar obrigatória a divulgação de informações por parte dos governos, isto não caracteriza a transparência dos atos dos gestores públicos. A divulgação de informações não significa necessariamente ser transparente. Complementando, explicam que transparência é diferente de publicidade, no nível fiscal. Enquanto a publicidade é o ato de publicar as informações do ponto de vista de quem as fornece, a transparência é a ação de disponibilizar informações confiáveis para o cidadão.

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4 Destarte, a sociedade do alto da sua luta por mais democracia, possui papel fundamental como participante ativa aos portais eletrônicos do governo do estado do Rio de Janeiro. Averiguando se existe ou não transparência, confiabilidade e constantes atualizações concomitantes com os gastos de despesas públicas. E em caso negativo, deverá questionar seus direitos legais.

2.2 – Governo Eletrônico

O século XXI apresenta um grande avanço no uso das tecnologias de informação e comunicação (TICs), o qual juntamente com a evolução tecnológica exige que a administração pública acompanhe a necessidade de comunicação para prestar serviços públicos, promover a transparência e atender às demandas da sociedade. Segundo Fachin e Rover (2015, p. 41): “ as redes informacionais mudaram a visão de prestação de serviço do organismo público, incorporando as tendências da sociedade conectada às redes virtuais” um ambiente virtual nas atividades organizacionais do governo eletrônico.

Alguns dispositivos legais foram criados, como a Lei Complementar 101/2000 e a Lei Complementar 131/2009, para que todas as entidades públicas divulguem periodicamente os resultados da aplicação dos recursos públicos, de modo que a sociedade e órgãos de controle possam acompanhar tal aplicação e responsabilizar os gestores.

Porém, o estudo realizado em portais eletrônicos de 96 municípios por Cruz et al. (2011, p.153) mostra uma “associação entre as condições socioeconômicas dos municípios e os níveis de transparência na divulgação de informações acerca da gestão pública”, fato que contribui para a variabilidade do acesso às informações públicas, por envolver questões sociológicas e econômicas características de cada região e restringir o total acesso às informações públicas.

Dessa forma, o acesso às informações deve seguir padrões de acordo com as normas legais, disponibilizando informações de interesse público através da internet e, em tempo real. Estas informações devem ser claras e de fácil compreensão, do contrário não terá efeito de informar.

Para Pederiva (1998) apud Souza et al. (2013), duas condições são imprescindíveis para o cidadão participar de modo efetivo: cidadãos conscientes e organizados por parte da sociedade com melhoria de condições de vida de toda a coletividade; e o provimento de informações completas, claras e relevantes para a população por parte do Estado.

As TICs têm se difundido no setor governamental através do governo eletrônico ou

e-gov, onde os governos apresentam suas atividades, disponibilizam serviços e informações,

prestam contas, facilitam o acesso do cidadão às suas necessidades. Conforme Pinho (2008, p.473), o governo eletrônico é “representado pela informatização de suas atividades internas e pela comunicação com o público externo: cidadãos, fornecedores, empresas, ou outros setores do governo e da sociedade”.

Como benefícios do uso do Governo Eletrônico, em um sistema político democrático, há maior transparência nas contas públicas, maior participação popular e controle social das ações de interesse público, maior rapidez e fluidez de resposta aos trâmites burocráticos, redução de custos devido vários fatores, como Ferrer e Santos (2004:xvii) apud Pinho (2008, p. 475) mencionam “a melhoria na eficiência dos processos internos, a redução dos custos de transação, a eliminação de distorções, sonegação e corrupção e a queda dos preços nas compras”.

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5 A democracia cresce em conjunto com o conhecimento, parte desta evolução da sociedade acontece por vias tecnológicas. Fato este, que torna a política muito mais próxima dos cidadãos e, por conseguinte, que cobrem, também, mais em termos de eficácia, transparência e moralidade de seus governantes.

Para Rosa et al. (2016, p. 73) “o controle e a fiscalização dos recursos públicos são instrumentos indispensáveis para a construção de uma sociedade mais justa e equânime e esse controle envolve a participação do cidadão”.

Segundo a Lei Complementar 101/2000, alterada pela Lei Complementar 131/2009, que apresenta a seguinte redação em seu artigo 73-A: “Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para denunciar ao respectivo Tribunal de Contas e ao órgão competente do Ministério Público o descumprimento das prescrições estabelecidas nesta Lei Complementar”.

Com isso, o controle social através da Lei da Transparência, neste novo cenário evolutivo do mundo globalizado, tem a missão de garantir a participação da sociedade no acesso a informações sobre gastos com as contas públicas. Estreitando a relação entre Estado e sociedade civil, propiciando um ambiente confiável, sendo uma obrigação e responsabilidade do gestor/ administrador público e um direito de o cidadão ter o pleno acesso e controle das contas públicas, de acordo com os termos da referida lei em seu artigo 5º “É dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será franqueada, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão”.

Deste modo, qualquer pessoa pode realizar o controle das contas públicas, vez que conforme Rauschet al. (2010, p.26) “após analisar, conferir e comparar os dados poderá refletir se os recursos públicos foram aplicados com responsabilidade. Caso a análise não atenda às expectativas, o cidadão poderá, de alguma forma, demonstrar sua indignação”. Pítsica (2011)

apud Rosa et al. (2016, p. 79) afirma que “exercer o controle social não se trata apenas de um

direito, mas de um sinal de amadurecimento da cidadania e do desenvolvimento do país”. A transparência das contas públicas é um fator importante no combate à corrupção, de modo a inibir ou reduzir, por meio do controle social. Constata-se que a administração da coisa pública é uma enorme complexidade, a qual gera grandes possibilidades de corrupção, seu controle só é possível com planejamento adequado, respeito às leis e envolvimento da sociedade.

3 – Metodologia

Este é um estudo de caráter social e aplicado da área de Administração Pública, ou seja, da relação entre governo e cidadão, através da prática de Transparência da Gestão Pública. Com o propósito de verificar os índices de transparência presentes nos portais de transparência da União e dos Estados, calculados pelo Site “Contas Abertas”, a partir de parâmetros criados pelo Comitê de Transparência, o qual atribuiu notas de zero a dez, calculadas a partir de três características: conteúdo; série histórica e frequência de atualização; usabilidade.

Utilizaram-se os métodos de pesquisa qualitativo e quantitativo, que são complementares e podem ser utilizados numa mesma pesquisa, conforme afirma Zanella (2009). Ainda segundo a autora: a pesquisa qualitativa possui o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como instrumento fundamental, visando o estudo e a análise do mundo empírico em seu ambiente natural; e a pesquisa quantitativa procura medir e quantificar os resultados investigados, transformando-os em dados estatísticos.

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6 Quanto aos objetivos, esta pesquisa caracterizou-se como exploratória, com o intuito de verificar se há transparência nos Portais de Transparência do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Esse tipo de pesquisa proporciona maior familiaridade com o problema pesquisado, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses (GIL, 2002).

Para a coleta de dados adotou-se a pesquisa documental, diretamente no site Contas Abertas, nas leis de Transparência e de Acesso à Informação e em princípios presentes na Constituição. De acordo com Gil (2002), os documentos constituem fonte rica e estável de dados e não exige contato direto com os sujeitos de pesquisa.

A pesquisa no site Contas Abertas teve duração média de três meses, sendo distribuído um mês para cada ano analisado. As categorias analíticas foram comparadas através das pesquisas obtidas do site em referência, que realizou e disponibilizou somente os anos de 2010, 2012 e 2014. As quais envolveram itens do Índice de Transparência, definidos pelo Comitê de Transparência, composto por especialistas em finanças e contas públicas, como facilidade de navegação e entendimento; período de atualização de gastos públicos; se o nível de informação proporcionado é objetivo e direto; se há transparência a partir da iniciativa do Governo; se há canais de participação e interação entre o governo e a sociedade, com respostas diretas às demandas da sociedade.

O cálculo do Índice de Transparência (IT) é feito a partir da soma da pontuação de cada subitem de seus três componentes: Conteúdo, Séries Históricas e Usabilidade. O Conteúdo equivale a 60% dos pontos, Séries Históricas a 7% do total e Usabilidade a 33%. Conforme o sítio Contas Abertas, o IT avalia “com base nos parâmetros criados por especialistas da sociedade civil, se os governos estão sendo transparentes ou não na divulgação de como gastam seus recursos”. No ano de 2014, o Conteúdo passou a equivaler a 55% do total, Séries Históricas a 5% do total e Usabilidade a 40% da pontuação máxima.

Para o cálculo do IT, o componente Usabilidade se refere à facilidade de interação entre os usuários e o governo, de modo que se possa encontrar as informações desejadas rapidamente com cruzamento de dados de pesquisas no site. Com a presença de alguns itens como: canais de participação; manual de navegação; disponibilização de perguntas frequentes; fale conosco por correio eletrônico e por telefone. Enquanto que as Séries Históricas são as frequências temporais de atualizações dos dados e o componente Conteúdo se refere às informações disponibilizadas.

Conforme informado no site avaliador, os índices foram criados através de parâmetros técnicos pelo Comitê de Transparência, escalonando os governos com maior ou menor nível de transparência. O Índice de Transparência é um importante meio de informação do grau de transparência ao cidadão das contas públicas.

Como fatores limitantes à pesquisa, têm-se o contexto político, cultural, econômico, financeiro, social, perpassados pelo Estado do Rio de Janeiro e suas peculiaridades em relação aos outros Entes Estatais; além do pouco incentivo e interesse políticos a favor da transparência das contas públicas.

4 – Resultados e discussões

Nesta etapa serão apresentadas as análises e interpretações das informações coletadas no Contas Abertas, de acordo com o cálculo do Índice de Transparência (IT) dos anos de 2010, 2012 e 2014, com o objetivo de averiguar como está sendo o cumprimento da Lei Complementar 131/2009 (conhecida como a Lei da Transparência) na prática, disponibilizando

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7 informações detalhadas sobre as execuções orçamentária e financeira sobre o Estado proposto neste estudo, o Rio de Janeiro.

4.1 - Análise do ano de 2010

O Índice de Transparência do Governo do Estado do Rio de Janeiro, analisado em 2010, pelo Contas Abertas apresenta como nota 5,09 e 13ª posição no ranking. Os resultados dos seus componentes podem ser vistos na tabela a seguir:

COMPONENTE PONTUAÇÃO OBSERVAÇÕES

USABILIDADE 52,2%

Não disponibilização de itens como Manual de Navegação, Perguntas Frequentes e Fale Conosco por telefone; não há download por completo do banco de dados; possibilidade de formatação parcial das consultas; não enquadramento do portal ideal de URL; todo o conteúdo está em um único site; o site se apresenta em HTML.

SÉRIE HISTÓRICA E FREQUÊNCIA DE

ATUALIZAÇÃO

70%

Disponibilização de informações a partir de 2001 e atualização da despesa entre 8 e 15 dias.

CONTEÚDO 47,9%

Apesar de apresentar quase todas as fases da execução orçamentária, alguns itens só estão disponíveis nos relatórios bimestrais da LRF; não há o total de desembolso; há indicação de quase todas as exigências da classificação orçamentária, como categoria econômica, natureza, elemento, subelemento, fonte, porém não há o subtítulo e a modalidade de aplicação; não há relação completa de cargos, funções, remunerações dos servidores do estado; são apresentadas as Notas de Empenho e as Ordens Bancárias, mas sem o detalhamento máximo do gasto e sua finalidade; não estão disponíveis muitas informações de contratos licitatórios, CNPJs, lances oferecidos.

Tabela 1 – Avaliação dos Componentes: 2010 Fonte: Elaborado pelas autoras

O Contas Abertas apresenta observações após o levantamento desses índices, como não apresentação de sistema informatizado para consultas no portal, nem um sistema que permita o cruzamento de dados; acompanhamento dos gastos em programas de saúde e educação desde 2005 até a liquidação.

Pode-se observar no componente Usabilidade que os subitens facilidade de navegação e entendimento e canais de participação entre governo e sociedade estão parcialmente atendendo bem a expectativa. Os componentes Série Histórica e Frequência de Atualização atendem razoavelmente bem os subitens sequência histórica e frequentes atualizações. Enquanto que o componente Conteúdo não chega à metade do necessário, está relativamente baixo no subitem de atendimento ao nível de informação proporcionado que deveria ser objetivo, e ainda, a iniciativa de transparência por parte do Governo que deveria ser mais ativa.

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8 O Índice de Transparência do Governo do Estado do Rio de Janeiro, analisado em 2012, pelo Contas Abertas apresenta como nota 7,80 e 4ª posição no ranking. Os resultados dos seus componentes são analisados na próxima tabela:

COMPONENTE PONTUAÇÃO OBSERVAÇÕES

USABILIDADE 83,3%

Apresenta todos os itens exigidos para a interação dos responsáveis pelo Portal com o usuário; permite a escolha de formas variadas de pesquisa; não há download completo do banco de dados; o conteúdo não está em um único site, com link para informações em outros portais; todo conteúdo está disponível em HTML; pode-se efetuar o download das informações de contratos e convênios; as consultas podem ser formatadas por filtros.

SÉRIE HISTÓRICA E FREQUÊNCIA DE

ATUALIZAÇÃO

100%

Disponibilização de informações a partir de 2002 e atualização diária da execução orçamentária.

CONTEÚDO 72,4%

Possui quase todas fases de execução orçamentária, a exceção de Total desembolsado; mostra toda a classificação orçamentária apenas não informa o subtítulo; há desdobramento das despesas em todas as categorias, menos a econômica; apresenta o gasto total mensal da administração com pessoal até 2011, sem informações da remuneração dos servidores; apresenta quase todas as informações das Notas de Empenho, falta apenas a data; há a finalidade do gasto com detalhes de materiais e serviços contratados; lista completa com busca individual de beneficiários de pagamentos; algumas informações sobre editais de licitação podem ser acessadas sem o cadastro no portal de compras, como o nome, CNPJ e lances, além de todas sobre os contratos licitatórios; disponibilização de praticamente tudo sobre os convênios celebrados pelo Ente, exceto sua justificativa e os responsáveis pela assinatura; disponibiliza todas as informações sobre receita.

Tabela 2 – Avaliação dos Componentes: 2012 Fonte: Elaborado pelas autoras

O Contas Abertas apresenta observações após o levantamento desses índices, como despesa por subtítulo encontrada na demonstração de execução orçamentária; impossibilidade de verificar os gastos por local, porém com verificação de quanto cada estado enviou a cada localidade em um período; disponibilização de consulta a processos e documentos estaduais; divulgação da dívida pública e precatórios; apresenta informativos econômicos diversos.

Observa-se no componente Usabilidade, os subitens facilidade de navegação e entendimento e canais de participação entre governo e sociedade bons diagnósticos. Os componentes Série Histórica e Frequência de Atualização atendem completamente a necessidade, chegando ao grau máximo permitido na avaliação, com frequentes atualizações e séries históricas divulgadas.

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9 O componente Conteúdo apresentou uma boa melhora, está razoavelmente bom, no que tange ao atendimento em termos de informação proporcionada - que deve ser objetiva e direta- e de iniciativa de transparência por parte do Governo.

4.3 – Análise do ano de 2014

O Índice de Transparência do Governo do Estado do Rio de Janeiro, analisado em 2014, pelo Contas Abertas apresentou nota 6,72 e 9ª posição no ranking. Os resultados dos seus componentes são apresentados na tabela a seguir:

COMPONENTE PONTUAÇÃO OBSERVAÇÕES

USABILIDADE 61%

Apresenta quase todos os itens de interação com os usuários exigidos por este item; possibilidade de download de despesas; permitindo delimitar consultas temporais; direcionamento que abrange outros portais; todo conteúdo está disponível em HTML; cruzamento da maioria de dados avaliados na consulta; formulário com restrição de opções de consulta; informações sobre execução e classificação só são possíveis através de pesquisas diferentes; não disponibiliza gráficos de despesas e possui padrão URL.

SÉRIE HISTÓRICA E FREQUÊNCIA DE

ATUALIZAÇÃO

60%

Disponibilização de dados sobre despesas a partir de 2002 e atualização da despesa entre 8 e 15 dias.

CONTEÚDO 72,4%

Disponibilização de todas as fases da execução orçamentária em sistema informatizado; apresenta praticamente todas as informações exigidas pelo Índice de Transparência, classificação, salvo subtítulo; exibe todas as informações a respeito dos servidores do estado em sistema informatizado; nível máximo de detalhamento do gasto, com exceção da observação da ordem bancária; lista limitada dos fornecedores do estado; itens desagregados de execução e classificação orçamentária, notas de empenho e ordem bancária; processos de compra disponíveis em editais ante cadastro prévio, exceto CNPJs das empresas, apesar dos contratos encontrarem-se desatualizados desde 2012; apresenta quase todos os dados requeridos sobre convênios, menos responsável concedente, responsável convenente e justificativa; possui todos os dados requeridos para receita; disponibiliza relatórios da lei de responsabilidade fiscal (RREO e RGF), porém, em relação às leis orçamentárias, só possui PPA atualizada; não fornece os dados sobre patrimônio do estado; informações sobre a execução dos outros poderes do estado no próprio campo de busca por órgão.

Tabela 3 – Avaliação dos Componentes: 2014 Fonte: Elaborado pelas autoras

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10 O Contas Abertas apresenta observações após o levantamento desses índices, como impossibilidade de ordenar como as informações devem ser apresentadas; após a data de avaliação foi possível perceber melhorias, visto que passou a disponibilizar patrimônio do estado, contratos de 2013 e 2014, bem como as leis orçamentárias atualizadas; tópico para acompanhamento de como estão sendo aplicados os royalties do petróleo.

Pode-se observar dentro do componente Usabilidade que a facilidade de navegação e entendimento e os canais de participação entre governo e sociedade estão moderadamente bons. Os componentes Série Histórica e Frequência de Atualização, apresentaram uma grande queda em relação a última avaliação, contudo, atendem razoavelmente bem às verificações com a sequência histórica e as frequentes atualizações. E, ainda, o componente Conteúdo permanece com o mesmo percentual da avaliação anterior, ou seja, está parcialmente bom, quanto ao atendimento ao nível de informação proporcionado objetivo e direto e quanto a iniciativa de transparência por parte do Governo.

4.4 – Discussão

A avaliação realizada pelo Contas Abertas nos anos 2010, 2012 e 2014, de acordo com o cálculo do Índice de Transparência (IT), realizado a partir da soma da pontuação de cada subitem de seus três componentes: Conteúdo, Séries Históricas e Usabilidade, com o intuito de informar o cidadão sobre o nível de transparência das contas públicas do estado do Rio de Janeiro, apresentaram os seguintes resultados dispostos na tabela 4:

Tabela 4: Comparação dos resultados Elaborado pelas autoras

Conforme visto, o componente Usabilidade teve maior destaque no ano de 2012. As informações disponibilizadas pelo governo possibilitaram ao cidadão interagir através de ferramentas eletrônicas, sendo possível ao usuário controlar, consultar e fiscalizar como estão sendo gastos os recursos públicos através do Portal da Transparência. Série Histórica e Frequência de Atualização teve seu auge no ano de 2012 também. As informações disponibilizadas pelo Portal da Transparência permitiram o controle dos gastos públicos, com

0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% 80,00% 90,00% 100,00% 2010 2012 2014 Usabilidade Série Histórica e Frequência de Atualização Conteúdo

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11 atualizações frequentes realizadas pelo Governo, propiciando também pesquisas com base no ano, para maior clareza do usuário na realização de consultas.

Quanto ao componente Conteúdo, teve maior evidência nos anos de 2012 e 2014. As informações disponibilizadas pelo Portal da Transparência promoveram um conteúdo amplo sobre todas as fases da execução orçamentária, das classificações orçamentárias, e informações sobre as licitações, empenhos, ordens bancárias, convênios, receitas e beneficiários dos pagamentos.

Em se tratando de ranking geral dos Estados, o Estado do Rio de Janeiro estava em 13º em 2010, melhorou de posição para 4º em 2012 e caiu para 9º em 2014, visualizado no próximo gráfico:

Gráfico 1: Ranking Elaborado pelas autoras

Assim, notadamente se percebe que o ano de 2012, dentre os três anos que compõem o estudo desta pesquisa, destacou-se em sua nota de Índice de Transparência, propiciando uma nota razoavelmente alta ao estado do Rio de Janeiro, alcançado 4ª posição no ranking dos Estados avaliados no Brasil.

De modo geral, a partir das pontuações registradas no Site Contas Abertas, pode-se constatar uma grande melhoria do Índice de Transparência em todos os estados brasileiros em 2012, com novas funcionalidades, acessos mais fáceis, atualizações constantes de informações. Assim, um Estado aumenta seus índices e só consegue alterar sua posição de acordo com o ritmo de aumento e/ou diminuição dos outros estados, que o influenciam.

Essas melhorias e avanços de desempenho na prática justificam-se, provavelmente, pelo fato de que a Lei de Acesso à Informação fora publicada em 18 de novembro de 2011 e entrou em vigor 180 (cento e oitenta) dias após essa data, conforme consta em seu art. 47. Desse modo, passou a ser regulamentada através do Decreto nº 7.724, de 16 de maio de 2012, com os procedimentos para se garantir o acesso à informação e as classificações das informações, fazendo com que os Estados se adequassem e tentassem aplicar a lei na prática.

Observa-se que o ritmo de transparência oscila para melhor ou pior nível, o que nos faz levar a algumas hipóteses: quando existe queda da transparência, a fiscalização provavelmente aumenta e, consequentemente, os Estados se preparam melhor para a avaliação seguinte. O inverso também aparenta ocorrer: quando existe um aumento na transparência pública, a fiscalização diminui, pois se pressupõe que os Estados deveriam manter o padrão de melhoria. No entanto, o que acontece é justamente o contrário disso, aproveitam-se da credibilidade alcançada para serem omissos e não promoverem práticas da gestão transparente.

13 4 9 2010 2012 2014

Ranking

Ranking

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12 Contudo, apesar da aparente funcionalidade da ferramenta eletrônica que permite controle social dos gastos públicos realizados pelo governo, através do acesso ao Portal da Transparência, existem ainda algumas observações de falhas da sua total funcionalidade, carecendo ainda de melhorias para torná-lo mais transparente, como conteúdos melhores fundamentados e acessíveis, atualizações frequentemente controladas, que todos os cidadãos sejam orientados a servirem-se dessas informações e que a fiscalização seja intensificada.

5 – Conclusão

A transparência pública segue normas legais e constitucionais, como o artigo 37 da CRFB/88, a Lei Complementar 131/2009 (Lei da Transparência), Lei Complementar 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal) e a Lei 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação). Portanto, não resta dúvida de que a Lei de Transparência é um importante meio de controle social, contribuindo para a fiscalização das contas públicas e, concomitantemente, no combate à corrupção.

A maior parte dos países, atualmente, está cada vez mais evoluído digitalmente, o governo eletrônico (e-gov) é um poderoso mecanismo para disponibilização das informações públicas do governo em tempo real e de fácil acesso a todos os cidadãos, com o uso da ferramenta da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC’s).

A partir desta pesquisa a respeito de transparência, realizada no site Contas Abertas através do Índice de Transparência, concluiu-se que no ranking geral dos Estados, o Rio de Janeiro estava em 13º em 2010, melhorou de posição indo para 4º em 2012 e caiu para 9º em 2014. Os três componentes avaliados foram Conteúdo, Séries Históricas e Usabilidade. Os dois últimos obtiveram maior destaque em 2012, enquanto que o primeiro obteve sua melhor avaliação em 2014. Significando pouca disponibilidade de dados, limitações na interação de divulgação dos gastos públicos, restrições de acessos a conteúdos governamentais.

A Lei de Acesso à Informação contribui com a transparência, normatizando como devem ser tratadas as informações, que devem possuir clareza e coesão para a sua publicidade em meios eletrônicos. Quando entrou em vigor no Brasil, no ano de 2012, foi notável a sua contribuição para o aumento do nível de transparência no Estado do Rio de Janeiro, como também nos demais Estados brasileiros, tentando-se cumprir a legislação na prática. Após a sua vigência inicial, o mesmo grau de melhoria não foi mantido em 2014.

No entanto, a resposta deste artigo sobre se há transparência no Portais de Transparência do Governo do Estado do Rio de Janeiro na prática demonstrou que, apesar do cumprimento da lei com a disponibilização de informações sobre os gastos públicos, ainda há muitas falhas em sua total funcionalidade, ocasionando disfunções que podem gerar corrupção e desvios de finalidade pública.

Entende-se que é dever do Estado garantir o direito à publicidade ao cidadão, como também de oferecer meios que facilitem o acesso a seus conteúdos de modo eficaz, com uma linguagem que atenda a uniformidade, informações constantemente atualizadas e claras, para que ocorra um maior controle social e uma gestão democrática e transparente.

Outros estudos são sugeridos para verificar as causas desta transparência limitada do governo que se torna uma questão problemática na administração pública com efeitos diversos para a população, para analisar como atuam as influências políticas, pessoais, econômicas, sociais, culturais nesta temática.

Por fim, faz-se necessária a implementação de políticas públicas que visem corrigir e solucionar esses problemas, para que o objetivo da Lei da Transparência realmente seja

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13 praticado em toda a sua plenitude, de modo legal, impessoal, eficiente e público, em prol do bem comum da sociedade.

6 – Referências

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