GABRIELA DA SILVA WENSING LARYSSA BITENCOURT ANSELMO
AVALIAÇÃO DOS CONCEITOS DE SUSTENTABILIDADE APLICADOS NAS FASES DE CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO PARA
OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO LEED
Tubarão 2020
GABRIELA DA SILVA WENSING LARYSSA BITENCOURT ANSELMO
AVALIAÇÃO DOS CONCEITOS DE SUSTENTABILIDADE APLICADOS NAS FASES DE CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO PARA
OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO LEED
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Civil da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Engenheiro Civil.
Orientador: Prof. Gil Félix Madalena
Tubarão 2020
GABRIELA DA SILVA WENSING LARYSSA BITENCOURT ANSELMO
AVALIAÇÃO DOS CONCEITOS DE SUSTENTABILIDADE APLICADOS NAS FASES DE CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO DE UMA EDIFICAÇÃO PARA
OBTENÇÃO DA CERTIFICAÇÃO LEED
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Engenheiro Civil e aprovado em sua forma final pelo Curso de Engenharia Civil da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Tubarão, 24 de novembro de 2020.
______________________________________________________ Professor e orientador Gil Félix Madalena, Esp.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________ Prof. Lucimara Aparecida Schambeck Andrade, Ms.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________ Prof. Vivian Mendes da Silva, Ms.
Ao curso de Engenharia Civil da UNISUL e a todos aqueles que conviveram conosco durante esses cinco anos de estudo. A experiência adquirida com a vida acadêmica foi, sem dúvidas, inesquecível e gratificante. Dedicamos também a toda a nossa família, amigos e professores pelo auxilio e apoio.
AGRADECIMENTOS
Primeiramente gostaríamos de agradecer a Deus, por ter nos iluminado concedendo saúde, força e persistência para superarmos todas as dificuldades encontradas nesses cinco anos de curso, fazendo com que agora possamos alcançar mais este objetivo em nossas vidas.
Agradecer também ao companheirismo e parceria entre a nossa dupla, por toda dedicação e auxílio uma com a outra ao longo dessa jornada acadêmica, mas especialmente, durante esse trabalho.
A nossa família, pelo amor, incentivo e apoio incondicional, sem eles nunca teríamos chegado onde estamos hoje.
A universidade e a todos os seus funcionários, especialmente, aos nossos docentes que nos agregaram tanto conhecimento.
Aos professores pelas instruções e orientações, nos deram suporte e realizaram as correções necessárias.
Aos amigos e colegas de curso que compartilharam conosco momentos de ansiedade, incertezas e medo, bem como momentos de alegria e aprendizado, tornando mais fácil e leve passar pelos altos e baixos da graduação.
A todos vocês, que direta ou indiretamente, fizeram parte da nossa formação, os nossos mais sinceros agradecimentos.
“Deus nunca disse que a jornada seria fácil, mas Ele disse que a chegada valeria a pena” (Max Lucado).
RESUMO
O meio ambiente vem sofrendo, especialmente depois da revolução industrial, um grave desequilíbrio, uma vez que o modelo de desenvolvimento econômico é baseado na exploração dos recursos naturais. Afim da redução do impacto ambiental surgiu, então, o termo desenvolvimento sustentável, fazendo com que a presente geração haja com responsabilidade para com a futura geração. O setor da construção civil, conhecido pelo consumo de recursos e geração de resíduos em grande escala, também tem buscado técnicas e parâmetros sustentáveis. Assim, para medir o desempenho ambiental de uma edificação surgiram as certificações ambientais, tal como o LEED. O presente estudo é focado nessa certificação e tem como objetivo a avaliação dos conceitos sustentáveis aplicados em um empreendimento afim da obtenção do selo LEED. Para isso, foi realizado uma revisão bibliográfica do tema e um estudo de caso na Creche Hassis – Florianópolis/SC, onde foi observado todos os sistemas sustentáveis que servem de pré-requisito e créditos para a certificação, bem como analisado os pontos positivos e negativos. Por fim, constatou-se que a sustentabilidade é empregada em cada detalhe da creche, seja na construção ou operação, assim sendo merecedora do selo nível máximo.
ABSTRACT
The environment has been suffering, especially after the industrial revolution, a serious imbalance, since the model of economic development is based on the exploitation of natural resources. In order to reduce the environmental impact, the term sustainable development arose, making the present generation responsible for the future generation. The civil construction sector, known for resource consumption and large-scale waste generation, has also sought sustainable techniques and parameters. Thus, to measure the environmental performance of a building, environmental certifications emerged, such as LEED. The present study is focused on this certification and aims to assess the sustainable concepts applied in a project in order to obtain the LEED seal. For this, a bibliographic review of the theme and a case study was carried out at Creche Hassis - Florianópolis / SC, where all the sustainable systems that serve as prerequisites and credits for certification were observed, as well as analyzing the positive and negative points. Finally, it was verified that sustainability is used in every detail of the daycare, whether in construction or operation, thus being worthy of the maximum level of certification.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1: Tripé da Sustentabilidade ... 19
Figura 2: Dimensões Avaliadas pelo Selo LEED ... 27
Figura 3: Tipologia LEED ... 28
Figura 4: Selos e Pontuação - LEED ... 28
Figura 5: Creche Hassis ... 31
Figura 6: Pergolado de madeira ... 34
Figura 7: Mobília em MDF de uma das salas da Creche Hassis ... 35
Figura 8: Rede de proteção nos bueiros... 36
Figura 9: Filtro de barro... 37
Figura 10: Quadro de cortiça ... 37
Figura 11: Brinquedo do pátio de madeira ... 38
Figura 12: Banheira dos banheiros ... 39
Figura 13: Varal de exposição ... 40
Figura 14: Piso drenante ... 41
Figura 15: Caixa acoplada com sistema dual flush ... 41
Figura 16: Sistema de aquecimento de água ... 42
Figura 17: Ventilação do telhado visão externa e interna ... 43
Figura 18: Telhado verde ... 44
Figura 19: Placas fotovoltaicas ... 45
Figura 20: Iluminação natural das salas de aula ... 46
Figura 21: Iluminação natural dos ambientes internos ... 46
Figura 22: Fotocélula ... 47
Figura 23: Horta da creche e mudas a serem plantadas ... 47
Figura 24: Lixeiras de coleta seletiva ... 48
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Principais Certificações do mundo ... 21 Tabela 2: Principais certificações do Brasil ... 22 Tabela 3: Ranking dos Países de Acordo com a Área Construída e Certificada pelo LEED ... 30
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AQUA – Alta Qualidade Ambiental
BREEAM – Building Research Establishment Environmental Assessment Method CIB – Conselho Internacional da Construção
FGV – Fundação Getúlio Vargas FSC – Forest Stewardship Council GBC – Green Building Council Brasil
ISO – International Organization for Standardization LEED – Leadership in Energy na Environmental Design ONU – Organização das Nações Unidas
PBHP-H – Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat PIB – Produto Interno Bruto
SGA – Sistema de Gerenciamento Ambiental MDF – Medium Density Fiberboard
LISTA DE SÍMBOLOS
Kg/Hab. - Quilograma por habitante % - Por cento
m² - Metro quadrado kWh - Quilowatt-hora CO₂ - Gás carbônico
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 16 1.1 JUSTIFICATIVA ... 16 1.2 OBJETIVOS ... 17 1.2.1 Objetivo geral ... 17 1.2.2 Objetivos específicos ... 17 2 REVISÃO DE LITERATURA ... 18 2.1 SUSTENTABILIDADE ... 18
2.1.1 Sustentabilidade na Construção Civil ... 19
2.2 CERTIFICAÇÕES AMBIENTAIS ... 20
2.2.1 Certificação Ambiental no Brasil... 22
2.2.2 Importância das Certificações Ambientais para o Meio Ambiente ... 22
2.2.3 Reaproveitamento da água ... 23
2.2.4 Iluminação Natural ... 23
2.2.5 Materiais sustentáveis ... 24
2.3 CERTIFICAÇÃO LEED ... 26
2.3.1 Certificação LEED no Brasil ... 29
3 METODOLOGIA DE PESQUISA ... 32 4 ESTUDO DE CASO ... 33 4.1 CRECHE HASSIS ... 33 4.1.1 Materiais e Recursos ... 34 4.1.2 Canteiro de obra ... 35 4.1.3 Funcionamento da creche ... 36
4.1.4 Eficiência dos recursos hídricos ... 40
4.1.5 Qualidade térmica do ambiente ... 42
4.1.6 Teto vivo ... 44
4.1.7 Energia e Iluminação ... 44
4.1.8 Pátio externo e horta ... 47
4.1.9 Lixo ... 48
4.1.10 Estacionamento... 49
4.2 CRECHE HASSIS X LEED ... 49
4.3 MELHORIAS ... 51
6 CONCLUSÃO ... 53 REFERÊNCIAS... 54
1 INTRODUÇÃO
Tendo um papel imprescindível no desenvolvimento do planeta, o setor da construção civil, além de contribuir com moradias, edificações e infraestrutura urbana, também é grande responsável pela economia mundial, uma vez que movimenta o Produto Interno Bruto (PIB) e emprega a força trabalhista.
Assim sabendo do tamanho da indústria da construção civil, pode-se afirmar que ela tem tido um papel significante no impacto ambiental e no consumo de recursos naturais. Logo, para que isso seja controlado é necessário que seja assumido um compromisso mais amplo entre a sociedade e o meio ambiente.
Este trabalho tem como tema de estudo construções sustentáveis e algumas certificações concedidas a empreendimentos com esse parâmetro, se destacando, o selo Leadership in Energy and Environmental Design - LEED. Logo, constitui uma revisão bibliográfica, que analisa oportunidades e apresenta contribuições para a sustentabilidade na construção civil, analises de métodos construtivos sustentáveis e investigação desses em edificações verticais, com o intuito de compreender os critérios necessários para aquisição do selo LEED.
1.1 JUSTIFICATIVA
Nos dias atuais, é possível afirmar que as questões relativas a sustentabilidade vem requerendo a atenção mundial, uma vez que, vive-se diante de uma sociedade consumidora de uma variedade de produtos e que, consequentemente, geram um enorme volume de resíduos. Produtos estes, que provém da retirada de grandes quantidades de recursos naturais, e que são extraídos, muitas vezes, sem preocupação alguma com a natureza. Por essa razão, o assunto desenvolvimento sustentável é tão importante e tão discutido no meio acadêmico.
Em 1987, Gro Harlem Brundtland, ex-primeira-ministra da Noruega que atuou como presidente de uma comissão da Organização das Nações Unidas, afirmou: “Desenvolvimento sustentável significa suprir as necessidades do presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprirem as próprias necessidades”.
Sabe-se que essa não é a realidade do mundo atual e principalmente na construção civil, que além de responsável por grande geração de resíduos vem sendo um dos setores da economia com maior consumo de recursos naturais.
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No entanto, ainda que seja incipiente a sustentabilidade nas edificações, já é possível perceber a construção de vários empreendimentos que dão importância para questões de implantação, eficiência energética, uso racional de água, seleção de materiais, qualidade ambiental interna entre outros que proporcionam o conforto de seus usuários, permitindo reduzir o impacto ambiental e possibilitando o desenvolvimento da comunidade local, buscando utilizar materiais sustentáveis e soluções tecnológicas inteligentes.
Diante disso, segundo Bueno e Rossignolo, em 2008 o US Green Building Council lançou o selo LEED, essa por sua vez é uma certificação concedida a edificações habitacionais que atendem a uma série de condições sustentáveis necessárias.
Com esse contexto geral organizado pode-se analisar uma série de adaptações aos sistemas construtivos para melhorar a qualidade e desempenho das mesmas, onde se pode questionar: Como os efeitos econômicos geram impactos na obtenção do selo LEED em um sistema construtivo tradicional?
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 Objetivo geral
Avaliar os conceitos aplicados em uma edificação para obtenção da certificação LEED e apresentar as vantagens e contribuições para o meio ambiente.
1.2.2 Objetivos específicos
a) Analisar métodos construtivos sustentáveis na construção civil a luz do selo LEED;
b) Investigar as vantagens e contribuições na implantação do selo na edificação em relação ao meio ambiente;
c) Verificar as adequações dos métodos construtivos necessários para obtenção da certificação LEED;
d) Avaliar uma edificação onde possui o selo LEED; e
2 REVISÃO DE LITERATURA
Com base em artigos, trabalhos de conclusão de curso, revistas, livros e outros materiais, pôde-se fazer uma revisão bibliográfica, assim definindo e esclarecendo alguns assuntos a serem abordados no tema em estudo, logo gerando o bom entendimento do trabalho.
2.1 SUSTENTABILIDADE
Desde o início dos tempos o homem vem tirando da natureza tudo o que considera necessário para o desenvolvimento da civilização. Com tecnologias, o estilo de vida atual do ser humano é muito diferente do passado, e assim continuará se modificando, porém recursos naturais são finitos e estão cada vez mais escassos. Por isso, o assunto sustentabilidade vem sendo muito mais discutido pela população.
Segundo a ONU (2020), o conceito de desenvolvimento sustentável surgiu em abril de 1987 pela médicaGro Harlem Brundtland, declarando que “O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades”.
Observando a atual situação do planeta, percebe-se que esse conceito só se tornou relevante quando o ser humano reparou que a exploração da natureza vinha sendo muito maior do que a regeneração da mesma, e que estavam se esgotando os lugares para depositar os resíduos gerados, já que a natureza não consegue absorver o grande número de lixo produzido (FENKER et al., 2015).
Marzall e Almeida (2000) afirmam que ao se falar de sustentabilidade, deve-se considerar no mínimo três dimensões (figura 1): ambiental, social e econômica. Ambiental no intuito de redução de resíduos e diminuição da exploração de recursos naturais, nesse caso a melhora é feita através da reciclagem, reaproveitamento e reutilização. O movimento sustentável afeta a sociedade diretamente, logo que com ele são criados ambientes saudáveis, consequentemente mais produtivos, podendo também interferir de modo positivo na justiça social. Quanto a economia, sempre se é questionado o motivo de tudo o que é sustentável ser de maior valor, entende-se que o custo inicial é mais caro, porém as manutenções e custos a longo prazo compensam o valor investido (DARDENGO, 2017).
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Figura 1: Tripé da Sustentabilidade
Fonte: RS design (2015).
2.1.1 Sustentabilidade na Construção Civil
De acordo com Kats (2010), mais da metade dos resíduos gerados pelo ser humano são originados na construção civil. Em virtude disso, acaba se transformando no setor que mais gera impacto na natureza. Ulsen (2006), estimou que o volume de lixo gerado em cidades grandes era de 500 Kg/hab.
Segundo Eia (2012), 45% da energia gerada nos Estados Unidos e na Europa são para consumo das construções. Já no Brasil, o Ministério de Minas e Energias (2015) afirma que metade da demanda de energia produzida é consumida pelas edificações. Desse modo, pode-se ver que nem todo impacto ambiental causado pelas obras, seja em andamento ou finalizada, é proveniente de resíduos sólidos, já que 67,9% da produção de energia é derivado de fontes renováveis, fora isso, os edifícios também consomem muita água e liberam gases poluentes, cooperando assim com o efeito estufa.
Para a construção sustentável a década de noventa foi imprescindível, uma vez que a sustentabilidade foi impulsionada e intensificada junto aos órgãos internacionais. Entre os marcos dessa década, está a primeira conferência internacional realizada na Florida em 1994, que contou como patrocinadores o Rocky Muontain Institute (da Universidade da Flórida) e o Conselho Internacional da Construção (CIB - International Council for Research and Innovation Building and Construction). No evento foi abordado o futuro das construções e definido o melhor conceito para a expressão “construção sustentável”, como sendo “criação e gestão responsável de um ambiente construído saudável, tendo em consideração os princípios
ecológicos (para evitar danos ambientais) e a utilização eficiente dos recursos” proposto pelo professor da universidade da Florida, Charles Kibert (PINHEIRO, 2006).
Para que seja construído sustentavelmente é necessário reduzir o impacto ambiental em todas as etapas da construção. Na questão energética, é interessante buscar soluções que potencializem o uso racional de energia ou de energias renováveis, podendo fazer o uso de fontes alternativas, tais como aquecedor solar ou a gás. Também é possível, reduzir tal consumo através da concepção arquitetônica priorizando o aproveitamento da iluminação natural.
Em relação à água podem-se adotar técnicas como a utilização de dispositivos economizadores, descarga com mecanismo de duplo acionamento e arejadores nos registros de vazão. A captação das águas pluviais também deve ser considerada para, posteriormente, ser reutilizada em atividades como irrigação, lavagem de veículos e piso.
Outra prática sustentável a se pensar é associada aos materiais empregados, deve-se promover a utilização pelos materiais recicláveis, bem como eliminar os materiais tóxicos e os subprodutos em todas as fases do ciclo de vida. Além disso, é preciso cuidar para produzir o mínimo de resíduos possível ao longo das diversas fases, seja na construção ou demolição do edifício, e sempre que possível fazer a reutilização dos recursos (PINHEIRO, 2006).
Vale ressaltar ainda, que além das questões ambientais é preciso levar em conta a responsabilidade social. De forma, que origem dos produtos e os métodos de produção também devem ser observados, para evitar, por exemplo, o trabalho escravo, e promover a inclusão social e a melhoria no relacionamento com comunidades (BETIOL et al, 2012).
2.2 CERTIFICAÇÕES AMBIENTAIS
Certificações ambientais são programas que visam avaliar e classificar o quão sustentável pode ser um edifício. Assim, são exigidos alguns critérios pré-estabelecidos que a obra deve seguir para poder receber o certificado ou selo de construção verde. De acordo com Cunha e Silva (2010), as certificações ambientais se tornaram um método padrão, onde profissionais se baseiam em seus critérios para projetar os edifícios verdes, também conhecidos como green building. Logo, tanto os profissionais quanto o usuário final adquirem conhecimentos sobre as certificações e a construção sustentável (RECH et al., 2018).
Cada certificação, ou selo, possui um padrão a ser seguido e um modo de avaliar a edificação. Normalmente a avaliação é embasada nos parâmetros obrigatórios e classificatórios, Dalla Costa e Moraes (2013) afirmam que “o atendimento dos itens obrigatórios e um número mínimo de itens classificatórios irão corresponder à classificação do edifício em um dos níveis
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de desempenho possíveis”. Isto é, se a construção atender aos itens determinados, é indiscutível a certificação da obra. Mesmo cada um tendo o seu método, eles seguem alguns itens indispensáveis para o reconhecimento do edifício, sendo eles a redução do consumo da energia elétrica e da água, redução dos resíduos e preservação dos recursos naturais (CONTO et al., 2017).
Na década passada, já se percebia a necessidade de melhorar o impacto ambiental causado pela construção civil, sem perder o conforto e a beleza da edificação. Assim, em 1990, o Reino Unido lança o Building Research Establishment Environmental Assessment Method, conhecido como BREEAM, que passa a ser o método mais antigo para avaliar e certificar os edifícios sustentáveis (DALLA COSTA; MORAES, 2013). Posteriormente, muitos outros selos e certificações são lançados no mundo como métodos avaliativos para edificações (tabela 1).
Tabela 1: Principais Certificações do mundo
Certificado País Ano de Lançamento
BREEAM Reino Unido 1990
HQE França 1990
LEED Estados Unidos 1998
Lider A Portugal 2000
CASBEE Japão 2001
Green Star Austrália 2003
Procel Edifica Brasil 2003
Fonte: Conto et al. (2017); Dalla Costa e Moraes (2013); Lider A (2009); PBE Edifica (2013); IBEC (2007); Certified Energy (2019).
Edificações sustentáveis são mais caras, ficando de 2% a 7% acima do valor normal, levando em consideração as técnicas e materiais utilizados. Entretanto, ganham mais visão no campo imobiliário, pois a conscientização das pessoas quanto aos impactos ambientais gerados pelo ser humano já é muito visível atualmente e o custo de manutenção é muito menor comparado a edifícios normais, podendo chegar a até 30% abaixo do habitual (CUNHA; SILVA, 2010).
É de suma importância destacar que mesmo a obra estando dentro do esperado e sendo certificada, essa certificação é válida por um tempo estabelecido por cada certificação, o AQUA, por exemplo, avalia cada fase da obra e certifica cada uma delas, essas certificações se expiram junto com a finalização de cada etapa e o certificado final, na fase de uso, é dado com prazo de validade de um ano. Dessa maneira, é necessário reavaliar a edificação sempre que se expira o prazo, para ter a certeza de que o edifício mantém as manutenções em dia e se o seu desempenho ambiental continua adequado (DALLA COSTA; MORAES, 2013).
2.2.1 Certificação Ambiental no Brasil
Assim como os países desenvolvidos se preocupam com a questão ambiental em suas construções, o Brasil também tem as suas preocupações e seus sistemas de certificações e selos próprios. Após uma conferência em Istambul, na Turquia, em 1996, o Governo Federal do Brasil firmou compromissos assinando a Carta de Istambul, resultando em um Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, o PBHP-H, tendo a intenção de melhorar o habitat e modernizar as técnicas construtivas (PBHP-H, 2009).
Na sequência, outras certificações e selos ambientais foram lançados. O Brasil também conta com certificações estrangeiras, como mostrado na tabela 2.
Tabela 2: Principais certificações do Brasil
Certificações Ano de Lançamento
PBQP-H 1998
Procel Edifica 2003
LEED 2007
Processo AQUA 2008
Casa Azul 2010
Fonte: Dalla Costa e Moraes (2013); Cunha e Silva (2010); PBQP-H (2009); Caixa (2010); PBE Edifica (2013).
Além desses, de acordo com Cunha e Silva (2010), o Brasil dispõe de normas técnicas integradas a ISO 14000, porém para tê-las é necessário possuir o SGA, esse é um Sistema de Gerenciamento Ambiental que contribui com as empresas no intuito de ajuda-las a produzir seus produtos e serviços avaliando e controlando o impacto ambiental.
2.2.2 Importância das Certificações Ambientais para o Meio Ambiente
São muitos os benefícios que as construções verdes trazem não só para o meio ambiente, mas também para o usuário final. Mesmo que cada certificação ambiental tenha seus critérios básicos e sua forma de avaliar, esses são voltados quase sempre para o mesmo campo de ação: minimizar o impacto ambiental decorrente da obra e racionalizar o consumo consciente sem afetar o conforto do consumidor. Existem alguns fatores importantes que as certificações e selos ambientais levam em consideração na avaliação, como o consumo de água e energia, descarte de materiais, emissão de gases, clima e muito mais.
Para atender esses princípios, a obra deve se modernizar quanto as técnicas construtivas e aos produtos utilizados, por exemplo, usar vaso sanitário com caixa acoplada ao invés daquele com válvula de descarga, em virtude de que o primeiro utiliza menos água que o
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segundo. Ou ainda, preferir a utilização de lâmpadas LED a outros tipos disponíveis no mercado, tais como lâmpadas incandescentes e fluorescentes compactas, uma vez que as lâmpadas LED dão melhor resultado, tem a durabilidade maior e também gastam menos energia.
Há várias maneiras de reduzir o consumo de água e energia, e isso pode levar a uma redução de até 30% na energia e de 30% a 50% na água. Estudos ainda mostram que edifícios verdes liberam até 35% menos CO2 e o uso de recursos naturais pode cair até 60%
(DARDENGO, 2017).
Diante dos números apresentados, percebe-se o quão significante para a natureza são as construções verdes. Outro ensinamento de Dardengo (2017), diz respeito a reciclagem, já que a construção civil é o setor que mais gera resíduos sólidos, contudo ele afirma que na mesma intensidade que gera esse setor também consegue reciclar seu resíduos e reutilizar, não só ajudando o meio ambiente, como também contribuindo com o crescimento de empresas de reciclagem.
2.2.3 Reaproveitamento da água
Um dos critérios exigidos na avaliação de algumas certificações é o reaproveitamento de água. Esse se pode dar pelo reuso de água utilizada em máquinas de lavar roupas, banho e pias, onde é armazenada e reutilizada na lavagem de calçadas, carros e descargas, por exemplo. No entanto, ela não deve ficar armazenada por muito tempo, pois há grandes de chances de proliferação de micro-organismos (SILVA E SANTANA, 2011).
Além do reaproveitamento de água, consegue-se também aproveitar a água da chuva. Esse tipo de água pode ser usado em vários lugares desde residências, indústrias, comércio e até na agricultura, e para diversas finalidades como: reserva de incêndio, irrigação de plantas, recreação, limpeza de tubulação, entre outros. Ela é coletada através do telhado que guia o líquido para a tubulação ligada a um reservatório de água pluvial e ainda pode ser tratada dependo do seu destino final (MARINOSKI, 2007).
2.2.4 Iluminação Natural
A fonte de iluminação natural é o sol, considerado uma luz natural muito importante na economia de energia elétrica, pois além de reduzir o uso de luzes artificiais ele também pode ser convertido diretamente em energia elétrica. Isso ocorre por conta dos efeitos da radiação
(calor e luz) sobre certos materiais, especialmente, os semicondutores, destacando-se efeitos termoelétrico e fotovoltaico (ANEEL, 2003)
Atualmente, entre os vários processos de aproveitamento da energia solar, os mais aplicados são o aquecimento de água e a geração fotovoltaica de energia elétrica, sendo empregadas principalmente no setor residencial, bem como em edifícios públicos e comerciais, hospitais, restaurantes, hotéis e similares. Esse tipo de energia é um método sustentável, tendo em vista que não polui o meio ambiente pois é proveniente de um recurso próprio da natureza (UGREEN, 2018).
Segundo a UGREEN (2018), o Brasil é um país muito beneficiado pela luz solar, porém por mais que esse método de geração de energia vem crescendo, ainda é pouco utilizado. França (2012) afirma que o investimento inicial é alto, mas que a longo prazo vale a pena, levando em consideração a redução na conta da energia artificial. Portanto, basta o interesse do usuário ou do profissional em mostrar esse método para seu cliente, pensando sempre em seu financeiro, bem estar e saúde.
Não só na forma de gerar energia o sol pode ser usado, mas também para trazer luz ao ambiente através de claraboias de vidro, portas de vidros, janelas bem posicionadas, Bay Window, tijolos e peles de vidros, entre muitos materiais e diferentes arquiteturas que podem ser encontrados (DONASSOLO et al., 2015)
2.2.5 Materiais sustentáveis
Como citado em capítulos anteriores, a construção civil tem um grande impacto no meio ambiente. Portanto, os materiais escolhidos para uma obra sustentável devem ser muito bem avaliados, pois a origem e a extração da matéria-prima, emissão de poluentes, fabricação e muitos outros componentes são levados em consideração para o material ser classificado como sustentável. Quanto menos usar materiais poluentes e que acarretem problemas ambientais, melhor será a classificação do edifício para o recebimento da certificação ou selo (ARAÚJO, 2008).
Atualmente, o ser humano já se preocupa mais com o meio ambiente do que se preocupavam anos atrás, logo, foram se modernizando para diminuir a poluição e o impacto. Criaram-se, então, materiais os quais são sustentáveis desde a extração da matéria até o produto final, reutilizaram materiais advindos dos próprios resíduos da construção civil e começou-se a utilizar outros tipos de matéria-prima menos poluentes. Quando se fala de poluentes, não é apenas de sólido, pois muitos materiais soltam gases e substâncias tóxicas, não só afetando a
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natureza, como também a saúde das pessoas, por isso, é de suma importância conhecer o que é usado na construção e sua origem. Entende-se que muitos materiais são mais caros, porém tem melhor desempenho ao longo do seu ciclo de vida (DALVI et al., 2011).
Em edifícios sustentáveis é importante optar por aspectos a respeito da otimização dos materiais e recursos naturais a serem utilizados na construção e uso da edificação, assim sendo, é incentivada a aplicação de materiais de baixo impacto ambiental e redução da geração de resíduos. Com a coleta de materiais recicláveis, por exemplo, ocorre a redução da geração de resíduos, podendo ser realizada tanto na fase de construção pelos trabalhadores quanto na utilização da edificação pelos moradores. Dessa forma, o local deve conter espaços destinados para depósito e coleta de materiais recicláveis, abrangendo materiais de papel, papelão, vidro, plástico e metais. Os resíduos gerados na construção também podem ser minimizados quando a escolha do sistema construtivo e a especificação dos materiais são realizadas corretamente, pois dessa forma o desperdício de tais materiais seria reduzido (CORREA, 2009).
Outro aspecto sustentável relacionado a materiais é associado ao tipo de madeira a ser empregada, à vista disso, pode-se mencionar o LEED como uma das certificações que exigem que a madeira utilizada seja certificada de acordo com os princípios e critérios do Forest Stewardship Council (FSC) (GBC Brasil, 2020).
O FSC é um sistema internacional de certificação florestal, criado em 1993, com o intuito de controlar as práticas produtivas florestais, valorizando no mercado produtos que foram originados do manejo responsável das florestas. Para a obtenção do selo é necessário que o empreendimento florestal passe pela avaliação da certificadora, que averigua se os requisitos foram cumpridos. Atualmente, o FSC é a certificação de maior credibilidade dessa área e também o único que trata os interesses de grupos sociais, ambientais e econômicos de modo igualitário (FSC Brasil).
Politicas como essa são fundamentais para restringir a aquisição de madeiras provenientes do desmatamento ou de fontes ilegais e/ou desconhecidas. Sabendo então, que a madeira pode ser aplicada em inúmeras formas dentro da construção civil, de maneira temporária ou ainda definitiva, e que, inclusive esse é o setor que mais consome madeira tropical no país, deve-se ter preocupação não somente em quesito de qualidade e custos da madeira, mas sim também com sua origem (SEBRAE, 2014).
Além disso, ao efetuar a compra da madeira e dos demais materiais da construção civil, é interessante que seja priorizado aqueles com rápida renovação, isto é, que se desenvolvem em um ciclo de curta duração para que o material seja renovado o mais rapidamente e assim possa ser extraído outra vez para sua utilização.
Pode-se citar aqui, por exemplo, o eucalipto, que tem ganhado destaque no mercado com sua crescente expansão de cultivo e demanda, tornando-se, então, uma das espécies mais utilizadas no Brasil e no mundo. Isso porquê traz consigo vários benefícios, entre eles o ciclo de renovação curto, seu nobre valor, durabilidade e a resistência às pragas.
Ademais as florestas de eucalipto apresentam vantagens sociais e ambientais como a melhora da qualidade do ar, o equilíbrio natural no conforto térmico, reduz a erosão, recupera áreas degradadas e ainda melhora a vazão de mananciais hídricos. A madeira do eucalipto tem sido usada também como lenha, carvão, papel, postes, dormentes, estacas, entre outros e pode ser plantada em diferentes regiões, uma vez que tem a capacidade de adaptação ao clima e solo (Revista da Madeira, 2005).
2.3 CERTIFICAÇÃO LEED
O selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), traduzido no português como Liderança em Energia e Design Ambiental, é um sistema internacional de certificação e orientação que possui o intuito de promover a sustentabilidade nas edificações. No Brasil, o órgão responsável é o Green Building Council Brasil (GBC), que, atualmente, já possui 1479 empreendimentos registrados e certificados em diferentes cidades brasileiras (GBC Brasil, 2020).
O LEED é concedido a partir de uma lista de pré-requisitos e créditos. São avaliadas algumas dimensões, apresentadas na figura 2, a fim de comprovar que os parâmetros adotados visam à sustentabilidade e a redução do impacto ambiental.
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Figura 2: Dimensões Avaliadas pelo Selo LEED
Fonte: GBC Brasil (2015).
A certificação pode ser empregada a todos os tipos de edifícios e em qualquer momento de seu ciclo de vida, seja no projeto, execução ou ainda, quando já estiver em operação.
Para isso, possui quatro tipologias, apresentadas na figura 3, que consideram as diferentes necessidades para cada tipo de empreendimento, sendo elas (GBC Brasil, 2020):
• Novas construções e grandes reformas (LEED BD+C) – voltado para edificações a serem construídas ou que passarão por reformas significativas, onde serão incluídas melhorias no sistema de aquecimento, ventilação e ar condicionado, assim como modificações na envoltória (fachada) e reforma interna. Pode ser aplicado em vários setores, tais como: hospedagem (hotéis, motéis e pousadas), unidades de saúde (hospitais), varejo (bancos, restaurantes, etc.) e escolas.
• Novos interiores (LEED ID+C) – possibilita as equipes de projeto, que não possuem controle sobre a operação de toda a edificação, à criação de espaços internos melhores com elementos sustentáveis aplicados no dia a dia. Podendo ser empregado em lojas de varejo, comerciais e hospedagem.
• Edifícios Existentes, operação e manutenção (O+M) – proporciona as construções já existentes a oportunidade de melhorar suas operações, reduzindo, por exemplo, a quantidade de água e luz consumida.
• Desenvolvimento de Bairros (LEED ND) – foi planejado a fim da criação de bairros melhores e mais sustentáveis. Inclui comunidades inteiras, com casas, ruas, edifícios comerciais e áreas públicas. Pode ser aplicado em setores como na iluminação e na reutilização da água.
Figura 3: Tipologia LEED
Fonte: GBC Brasil (2020).
Além disso, tem-se também os créditos sugeridos pelo LEED, que após aplicados na edificação resultam em pontos. Ao final, quanto maior a pontuação, maior será o nível da certificação, conforme apresentadas a figura 4 podem ser: Certificação Básica (40 a 49 pontos), Prata (50 a 59 pontos), Ouro (60 a 79 pontos) e Platina (80 pontos ou mais).
Figura 4: Selos e Pontuação - LEED
Fonte: GBC Brasil (2020).
Hoje a certificação se faz presente em mais de 160 países, é um sistema único, funcionando de maneira integrada através de um conjunto de normas padrão. De acordo com Scot Horst, Chief Product Officer do USGBC, isso quer dizer que qualquer pessoa pode
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comparar um edifício em São Paulo com um em Nova York ou Xangai ou Estocolmo, com muita clareza. Isso porque, seja no Brasil ou na China, independente do país onde se encontra o empreendimento, os parâmetros da certificação serão o mesmo.
Para que seja solicitado o selo LEED, primeiramente se deve escolher a tipologia em que se adequa o projeto e logo após este deve ser registrado junto ao USGBC na plataforma online https://lo.usgbc.org. Assim, a equipe de projetos efetua a coleta de informações, verificando os pré requisitos e créditos do LEED. O material será analisado por uma empresa auditora e caso esteja tudo correto é recebido um aviso positivando a certificação (GBC Brasil, 2020).
2.3.1 Certificação LEED no Brasil
No Brasil, o LEED chegou em 2007 e desde então tem sido cada vez mais buscado com o decorrer dos anos, comprovando que a população está se conscientizando ao procurar qualidade e economia no setor da construção civil. Atualmente, são 530 projetos que possuem a certificação, isto é, quase 17 milhões de metros quadrados de espaços certificados. Como resultado disso temos a quarta posição no ranking dos dez países e regiões fora dos Estados Unidos, país de origem que segue tendo o maior mercado, que é facilitado devido às diversas políticas públicas que incentivam as construções sustentáveis por lá (GBC Brasil, 2019). Na tabela 3 é possível visualizar esse ranking e suas respectivas áreas construídas.
Tabela 3: Ranking dos Países de Acordo com a Área Construída e Certificada pelo LEED
Ranking País Nº de projetos Metros quadrados
brutos (milhões) 1 China 1494 68.83 2 Canadá 3254 46.81 3 Índia 899 24.81 4 Brasil 531 16.74 5 Coreia do Sul 143 12.15 6 Turquia 337 10.90 7 Alemanha 327 8.47 8 México 370 8.41 9 Taiwan 144 7.30 10 Espanha 299 5.81 ** Estados Unidos 33632 441.60 Fonte: USGBC (2018).
Podem-se citar aqui alguns empreendimentos brasileiros que se destacam como: WTorre nações unidas, localizada em São Paulo/SP, nível Prata; Pão de açúcar Indaiatuba, Indaiatuba/SP, nível de certificação básica; Torre Vargas, Rio de Janeiro/RJ, nível ouro; McDonalds Riviera São Lourenço, Bertioga/SP, certificação básica; e o LC corporate Green Tower, Fortaleza/CE, Prata.
Além disso, vale mencionar também o primeiro edifício público no país que recebeu certificação LEED: a Creche Hassis (figura 5). Localizada em Florianópolis, Santa Catarina, o empreendimento conta com 1.182 m² e é a primeira deste tipo no mundo a receber o selo em nível platina. Para que fosse concedida a certificação, que inicialmente não era considerada, foram necessárias algumas alterações no projeto e execução da obra, entre as práticas sustentáveis adotadas estão a utilização da madeira de manejo florestal responsável, materiais recicláveis (desde o concreto da fundação ao aço da estrutura), assim como os sistemas de aquecimento solar e energia fotovoltaica (BARATTO, 2020)
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Figura 5: Creche Hassis
Fonte: ROSA (2015).
Entre os estados brasileiros, São Paulo é o que apresenta a maior busca pelo LEED, com 592 empreendimentos registrados e 233 já certificados. (GBC Brasil, 2020). No Anuário GBC Brasil (2017) é relatado um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Odilon Costa e Wesley Silva, que constata que as edificações comerciais da capital desse mesmo estado possuidoras do selo são valorizadas de 4% a 8% por metro quadrado no momento da locação do espaço. Logo, com base nesses dois dados é possível entender que quanto maior a conscientização das pessoas a respeito das vantagens que uma construção desse padrão traz maior também será a solicitação pela certificação LEED.
3 METODOLOGIA DE PESQUISA
Para o desenvolvimento desse trabalho adotou-se como metodologia a revisão bibliográfica. Sendo assim, foram estudados temas sobre sustentabilidade, construções sustentáveis e certificações ambientais, com foco na certificação LEED. Isso se deu a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas e publicadas em livros, dissertações, revistas, artigos e alguns materiais disponíveis na internet.
Posteriormente realizou-se um estudo de caso em uma construção certificada em nível máximo pelo LEED. Para essa pesquisa utilizou-se o método de abordagem qualitativo, em nível exploratório.
[...] se desenvolve numa situação natural, é rico em dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatiza mais o processo do que o produto, se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes, tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada. (ARAÚJO E OLIVEIRA, 1997, p. 11).
Método este, que confere flexibilidade ao processo de estudo e permite aos pesquisadores apresentarem suas impressões e análises. O nível definiu-se como exploratório, tendo em vista que o tema abordado não é de inteira familiaridade dos pesquisadores e que para o estudo de caso se encontram poucas referências bibliográficas. Quanto ao qualitativo definiu-se sabendo que a coleta de dados foi realizada de forma bibliográfica e documental, ou ainda através de entrevistas e técnicas de observação dos envolvidos.
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4 ESTUDO DE CASO
Após realizado o estudo sobre a certificação LEED contido no capítulo anterior, expõe-se, aqui, o estudo de caso elaborado para a análise e avaliação da concessão do selo LEED em nível máximo, platina, para a creche municipal Hassis.
Isto posto, serão explanadas as características da unidade de ensino em estudo e o desenvolvimento dos parâmetros para avaliação descritos no LEED.
4.1 CRECHE HASSIS
Localizada em Florianópolis, Santa Catarina, a creche foi nomeada em homenagem ao artista plástico Hiedy de Assis Corrêa, popularmente conhecido por Hassis. A construção tem 1182 m² de área e foi erguida num terreno de quase 12 mil m². Possui dez salas de aula e, segundo a atual diretora, Carla Cristina Britto, no presente momento, atende 250 crianças, com idade entre quatro meses e seis anos, e 68 funcionários.
Projetada pela arquiteta Rachel Braga e construída priorizando itens sustentáveis, a instituição não só pôde receber a certificação LEED, como ficou conhecida por ser a primeira desse tipo no mundo e o primeiro edifício público no Brasil a receber o selo em nível máximo: Platina.
Durante uma aula na pós-graduação a arquiteta observou, juntamente com o engenheiro Luís Fernando Corrêa, que o selo platina não era uma realidade muito distante para a creche, ainda assim para que fossem alcançados os altos índices exigidos pelo LEED se fez necessário algumas alterações quando a construção ainda estava na etapa de fundação.
Ao final, por conta das mudanças, o empreendimento teve seu orçamento aumentado em 12% referente ao custo inicial da obra. No entanto, é interessante salientar que os custos operacionais da edificação foram reduzidos, visto que, entre outros itens sustentáveis, a creche conta com sistemas de geração de energia fotovoltaica e sistemas de captação da água da chuva para reuso.
Em visita ao local foi possível perceber que a sustentabilidade está presente em cada pequeno detalhe, não só quanto a construção da unidade, mas também na rotina e hábitos dos alunos e funcionários. É entendido por eles a importância da educação ambiental a fim de transformar a realidade das crianças e de suas famílias.
4.1.1 Materiais e Recursos
Conforme visto anteriormente, para que um empreendimento obtenha a certificação LEED é imprescindível levar-se em conta os critérios específicos direcionados para os materiais que serão utilizados na edificação, seja durante a construção ou posterior a ela. Isto posto, segundo a diretora, na creche Hassis buscou-se utilizar materiais das proximidades, um desses foi o piso drenante empregado no pátio que foi feito a partir de resíduos da maricultura local. Advindo, então, da própria cidade de Florianópolis depois de um estudo desenvolvido por alunos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Além disso, foi incentivada a aplicação de materiais de baixo impacto ambiental, onde fossem reduzidas as emissões de poluentes e também a geração de resíduos.
Assim, os materiais de aço, alumínio e concreto utilizado na obra eram recicláveis. Já a madeira dos pergolados (figura 6), é proveniente de manejo florestal responsável e possui o selo FSC (Forest Stewarship Council).
Figura 6: Pergolado de madeira
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Ademais, pode-se mencionar também a questão dos móveis (figura 7), pintados com tinta de baixa toxidade e produzidos de MDF, sigla que significa, em inglês, "Medium Density Fiberboard", podendo ser traduzida, segundo Lima (2006 p. 106), como painel de fibras de madeira de densidade média.
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Figura 7: Mobília em MDF de uma das salas da Creche Hassis
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
O MDF é um material sustentável, fabricado a partir das fibras das partículas do tecido lenhoso, sendo utilizadas madeiras de reflorestamento como pinus ou eucalipto, e podendo ser aplicado, tal como na creche, em mobiliário no geral, portas, tampos de mesa, gavetas, entre outros, substituindo assim, o emprego de madeiras nativas para esse fim (LIMA, 2006, p. 105).
4.1.2 Canteiro de obra
O engenheiro Luiz Fernando, menciona que durante a execução foi mantido o canteiro de obras limpo e organizado, de forma que impactasse o mínimo possível aquele ambiente durante a construção e depois dela também. Portanto, os trabalhadores tiveram que colaborar quanto a isso e se adequar as mudanças de hábitos nessa etapa. Instalaram, então, nos bueiros, redes de proteção para que assim a sujeira da obra não escoasse para a tubulação pública (figura 8). Ademais, vale mencionar também que bueiros são locais criadouros de mosquitos, logo, após a colocação da rede de proteção é impedido a proliferação destes, em especial, do mosquito Aedes aegypti, responsável pela dengue (PIZZINI, 2019).
Figura 8: Rede de proteção nos bueiros
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Durante a execução da obra foi considerado também uma série de cuidados, entre esses foi dado atenção para a limpeza das rodas dos caminhões, de forma que fora colocado um colchão brita de forma que não fosse levada poeira ou lama para as ruas (PIZZINI, 2019).
4.1.3 Funcionamento da creche
Na instituição educacional eles aprendem que plástico, tão práticos e usuais no nosso dia a dia, além de demorarem séculos para serem absorvidos pelo meio ambiente são, atualmente, um dos principais poluentes dos oceanos. (GBC BRASIL, 2019).
Assim, sempre que possível é evitado o seu uso, nota-se tal prática logo ao adentrar no local, onde ao invés dos bebedouros com galões de 20 litros de água geralmente utilizados, tem-se filtros de barro (figura 9), estes encontrados tanto na recepção como em cada sala de aula.
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Figura 9: Filtro de barro
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Outro item interessante observado ainda na recepção da creche foram os quadros de avisos feitos de cortiça (figura 10), uma vez que sua colheita é realizada extraindo do tronco e dos ramos do sobreiro com uma periodicidade legal mínima de nove anos. Portanto, é um processo completamente renovável que não causa danos à árvore que, naturalmente, se regenera posteriormente (Gil, Luís, 1998).
Figura 10: Quadro de cortiça
Carla Cristina afirma que pelo fato de ser uma creche municipal, recebem materiais iguais aos de outras unidades de ensino do município, algumas coisas são guardadas em depósitos até que funcionários públicos passem para recolher e outras são utilizadas até que consigam verba para reverter a situação, como é o exemplo das canecas utilizadas pelas crianças no lanche, que até o momento são de plástico como na maioria das escolas, porém já foi solicitada a troca por canecas ecológicas de fibra de coco e a instituição aguarda a chegada delas para substituição das atuais. Ao contrário das canecas, os pratos utilizados pelas crianças são de vidro, consequentemente possuindo uma durabilidade maior.
Sabe-se que atualmente não é fácil encontrar coisas que não levam plástico na sua produção, principalmente se tratando de brinquedos. Esses, na creche Hassis, são feitos de MDF e madeira reflorestada (figura 11) e outros de pano, como é o caso das bonecas do local.
Figura 11: Brinquedo do pátio de madeira
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
As banheiras que as crianças tomam banho são feitas de fibra de vidro, como mostra a figura 12. A escolha das banheiras se deu pelo fato do material, uma vez que banheiras de plástico não são permitidas na Creche Hassis. Ainda que a fibra de vidro seja um material durável e de menos impacto ambiental, atualmente grande parte dos resíduos provenientes da fabricação dela ainda são descartados em aterros e lixões. Essas substâncias se degradam muito lentamente, e como resultado tem-se um acúmulo de matéria. No entanto, existem métodos de
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amenizar e até impedir essa concentração, como agregar argamassas e calçamentos, devido sua alta resistência a impactos a fibra de vidro é um material bom para incorporar na construção civil (KEMERICH et al., 2013).
Figura 12: Banheira dos banheiros
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Apesar de tantos pontos positivos que a creche possui, a diretora mencionou sobre a alta rotatividade de professores. Segundo ela, isso acontece porque muitos deles não conseguem adequar o seu modo de ensinar com as práticas sustentáveis que a creche exige. Sendo assim, cada professor lá teve de repensar o seu processo pedagógico a partir da cultura de sustentabilidade, utilizando para suas atividades, por exemplo, materiais como papelão.
O material escolar também é diferenciado. É proibido o uso de fita durex, devido ela possuir camadas que levam plástico na sua produção. Segundo Bittencourt (2011), a fita durex possui 4 camadas finas, a primeira camada é a adesiva proveniente de resina e borracha natural, a segunda é feita de substâncias químicas, a terceira é de celofane ou filme plástico e por último uma camada de teflon ou parafina, sendo assim, para expor desenhos e trabalhos das crianças as professoras abusam de sua imaginação, criaram varais de trabalhos nos corredores (figura 13).
Figura 13: Varal de exposição
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
As massinhas de modelar, ao invés de utilizarem massinhas industrializadas, são confeccionadas artesanalmente na própria creche pelas crianças com ingredientes caseiros como água e trigo, para dar cor são usados alguns pigmentos naturais como água de beterraba. Outro item que faz parte da lista de material é o copo para tomar água, uma vez que não é permitido o uso de copos descartáveis, se faz necessário um copo ou caneca levado de casa. As tintas para pintura também são diferenciadas, as professoras fazem as materialidades para o processo pedagógico junto as crianças.
4.1.4 Eficiência dos recursos hídricos
A creche Hassis dispõe de uma série de itens que visam à eficiência e redução do uso da água. Pode-se destacar aqui o já mencionado piso drenante (figura 14), que facilita a absorção da água da chuva e, consequentemente, reduz o escoamento para as galerias pluviais. Dessa forma, auxilia no controle de ocorrência de inundações, bem como no amortecimento e na diminuição dos problemas de vasões (PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS, 2015).
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Figura 14: Piso drenante
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
A água da chuva captada é ainda aproveitada e reutilizada posteriormente, para fins não potáveis, tal como em vasos sanitários ou irrigação do jardim e da horta.
Além disso, nos banheiros têm-se não só as torneiras pressmatic, com o tradicional mecanismo de corte automático de fluxo de água, como também a utilização de sistemas de descarga dual flush, isto é, bacias com duplo acionamento para três ou seis litros de água conforme figura 15.
Figura 15: Caixa acoplada com sistema dual flush
A água quente utilizada nas banheiras para o banho das crianças não vem de aquecimento elétrico e sim solar. As placas de aquecimento solar são localizadas no telhado na creche, como pode-se observar na figura 16.
Figura 16: Sistema de aquecimento de água
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Segundo a Mundo Estranho (2011), o aquecimento de água por sistema solar se dá através da absorção de raios solares, as quais os transformam em calor e aquecem a água que se encontra na tubulação. A partir daí a água aquecida é armazenada em boiler (figura 16), que pode ser produzido de cobre, inox ou polipropileno, o interior dele é revestido por um material térmico que não agride a camada de ozônio. O sistema de armazenamento se mantém sempre cheio, através da água fria que faz a circulação de água dentro dele. Essa água é ligada por uma tubulação que vai do boiler até a torneira das banheiras, chuveiros e pias da cozinha.
4.1.5 Qualidade térmica do ambiente
Como mencionado anteriormente a sustentabilidade é amparada por três pilares: ambiental, econômico e social. Este último diz respeito às pessoas, ao seu trabalho em um ambiente saudável, a participação em projetos de educação ambiental, bem como a ações que incentivem a prática de esporte, lazer e cultura das pessoas que convivem naquele local e na comunidade no entorno. Segundo o relatório SmartMarket do Dodge Data & Analytics World Green Building Trends 2018, o fator social que predomina tratando-se de construção sustentável vem sendo a melhoria da saúde ocupacional, vindo depois o incentivo a práticas comerciais sustentáveis e então a produtividade do trabalhador. (RAMANUJAM, 2020)
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Assim sendo, na creche Hassis não seria diferente. As pessoas que frequentam a unidade educacional, seja funcionários, alunos ou familiares, se sentem bem naquele ambiente e percebem a qualidade da construção, inclusive o conforto térmico e acústico, que se dão devido a alguns fatores.
Em relação a questão térmica, um item que logo chama a atenção é o tamanho das janelas em cada ambiente, são amplas de forma que possibilitam uma boa circulação do ar. Circulação esta que se torna ainda melhor com o sistema de ventilação cruzada.
Figura 17: Ventilação do telhado visão externa e interna
Fonte: Arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Vale ressaltar também a ventilação do telhado, que se dá por meio da colocação de elementos vazados de concreto ao longo dos beirais, como se pode observa na figura 17, fazendo com que ocorra a renovação do ar nos forros, não possibilitando que o ar quente se estabeleça embaixo do telhado, consequentemente, proporcionando o conforto térmico nos ambientes. Além disso, ainda sobre os telhados, estes são pintados na cor branca, consequentemente, diminuindo a temperatura nos ambientes.
Segundo a diretora da creche, no verão as salas ficam mais quentes que em outras épocas do ano, e por conta do calor, já foi pensado em instalar ar condicionados nos ambientes, porém esse tipo de aparelho é contra as normas de sustentabilidade da edificação. Ao questionar sobre uma outra alternativa sustentável, ela mencionou sobre os recondicionadores de ar, todavia, segundo Carla Regina, o custo teria o triplo do valor e ainda assim não seria possível a sua utilização por causa do barulho causado pelo aparelho. Ainda que se comentou sobre a questão do calor, mesmo com verões bem rigorosos, esse não é um problema para os usuários da creche, logo que a construção conta com diversos sistemas para controlar a temperatura e oferecer um ambiente confortável.
4.1.6 Teto vivo
Algo tão adorado pelas crianças é o teto vivo (figura 18), essa técnica que pode ser conhecida também como teto verde, cobertura verde e/ou telhado verde tem inúmeras vantagens, além de ser aproveitada como área de lazer para os pequenos e de conferir beleza ao lugar, ela diminui a poluição, ajuda a combater o efeito das Ilhas de Calor, regula a umidade e melhora a qualidade do ar nas proximidades dali. (REBOLLAR, 2017).
Diante desses benefícios, o método foi instaurado não só no ambiente próximo a quadra de esportes como também no portal de entrada. No primeiro deles, onde os alunos costumam brincar, foram empregadas vegetação um pouco mais altas nas extremidades, visando a segurança dos mesmos, tendo em vista que é alto e poderia ocorrer algum tipo de acidente.
Figura 18: Telhado verde
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
4.1.7 Energia e Iluminação
Em entrevista com Carla Cristina Britto, ela informou que toda a energia consumida na creche é proveniente de placas fotovoltaicas (figura 19). Essa energia é fornecida através do sol, onde as placas absorvem os fótons que reagem com o silício presente nas placas,
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provocando o deslocamento dos elétrons, consequentemente, gerando eletricidade. Quanto maior o número de células de uma placa fotovoltaica, mais energia ela produzirá, assim, existem placas de vários tamanhos e modelos no mercado (MUNDO ESTRANHO TECNOLOGIA, 2011).
Na creche Hassis, a instalação ocupa 254 m², conta com uma geração média de 2.360 kWh por mês, gerando uma economia estimada em 17.400,00 reais anuais (ENGIE, 2020).
Figura 19: Placas fotovoltaicas
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Sendo assim, a Creche Hassis não possui conta de energia e, além disso, toda a energia gerada e não utilizada, ou seja, a sobra é devolvida para a rede elétrica da Celesc e transformada em desconto nas faturas de outras creches e escolas municipais de Florianópolis. Dessa forma, esse sistema sustentável acaba não sendo só eficiente para essa instituição educacional, como também para outras.
Todas as salas de aula possuem janelas amplas e com grande percentual de iluminação natural, observa-se na figura 20 o quão iluminada são as salas. O corredor e pátio interno, como são ambientes que não possuem divisão com o lado externo, possuem claraboias e janelões altos (figura 21).
Figura 20: Iluminação natural das salas de aula
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Figura 21: Iluminação natural dos ambientes internos
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
As salas de aula também contam com sistema fotocélula (figura 22), conforme a Decibel (1998), esse controla a luminosidade da lâmpada conforme a iluminação do ambiente, também possui sensores que apenas acendem as luzes quando há presença de pessoas no ambiente, esses sistemas geram muita economia energética.
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Figura 22: Fotocélula
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
4.1.8 Pátio externo e horta
O pátio externo da creche é extenso e é permitido plantar apenas árvores e plantas originárias da mata atlântica, exemplificando, Jabuticaba Sabará e Cedro Rosa, desse modo é preservado o bioma predominante da região Sul e litorânea do Brasil (IBF, 2020).
Figura 23: Horta da creche e mudas a serem plantadas
Para compor o paisagismo, além do playground das crianças e do teto verde que cobre a sala de trabalhos manuais, tem-se a horta da escola, conforme mostra a figura 23. Chamada de Suíça, apelido colocado pelos colaboradores, devido ser o único espaço do pátio onde pode-se cultivar todo tipo de planta, desde frutas e verduras, todas orgânicas, até flores. No último ano, lembra a atual diretora, foi colhido tanto alface, que mesmo utilizando para as refeições da escola, foi suficiente para que cada aluno levasse um pouco para casa. Além dessa hortaliça, é costume se ter plantado temperos como cebolinha verde e salsinha.
4.1.9 Lixo
Ao adentrar a edificação, percebe-se que possuem lixeiras de coleta seletiva (figura 24). Na entrevista, a diretora afirma que os únicos lixos gerados são fraldas, papel higiênico, papeis utilizados na secretaria e embalagens de alimentos recebidos pela cozinha, todo o restante é triturado e utilizado como fertilizante na horta da creche.
Figura 24: Lixeiras de coleta seletiva
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Lá as crianças aprendem desde cedo a importância da separação e coleta de lixo, a diretora afirma que observa a evolução do aprendizado nas questões sustentáveis não apenas nos alunos como também dos contribuintes e famílias, que esse processo de adaptação vem se tornando cada vez mais visível e que as pessoas se tornam mais conscientes e percebem as mudanças ocorridas devido a tal ato.
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4.1.10 Estacionamento
Como todo o restante da edificação, o estacionamento também possui seu lado sustentável. Foram criadas vagas de carona solidária e para veículos eficientes e de baixa emissão de gases poluentes (figura 25).
Figura 25: Vaga carona solidária e veículos eficientes e de baixa emissão
Fonte: arquivo pessoal das acadêmicas (2020).
Essas vagas estimulam as pessoas a andarem em maior número dentro de um carro e a optarem por veículos menos agressivos ao meio ambiente. A instituição dispõe também de um amplo bicicletário, incentivando assim os funcionários a se locomoverem de suas residências ao local de trabalho de um veículo não poluente. Encontra-se nas instalações da creche, um estacionamento de carrinhos de bebê, onde os pais podem levar seus filhos caminhando até o local e deixar o carrinho até o momento do retorno para busca-los.
4.2 CRECHE HASSIS X LEED
Conforme visto nos itens anteriores constata-se que na creche Hassis foi empregado a sustentabilidade no projeto e na execução, observou-se que ainda hoje continua adotando-se práticas sustentáveis no seu cotidiano e manutenção, fazendo com que a aplicação do LEED seja prezada.
Sabe-se que para obtenção da certificação LEED é necessário seguir um tipo de roteiro. Primeiro se escolhe a tipologia, logo registra-se o projeto e envia-o, este será analisado e se atender aos critérios exigidos a edificação será certificada.
Seguindo para um dos critérios analisados, tem-se o Espaço Sustentável, ele avalia o entorno da edificação. Como já mencionado, a creche conta com estacionamento reduzido,
vagas para veículos de baixa emissão, carona solidária e bicicletário, assim estimulam as pessoas usarem meios de transporte sustentáveis ou públicos e não mais o individualizado. A instituição preza também por conservar o bioma natural e regional, plantando árvores e plantas nativas, além de possuir um amplo espaço externo.
Localização e transporte, a creche possui uma ótima localização, segunda a diretora eles recebem alunos de diversos bairros da ilha, já que ficam num local onde é caminho para o trabalho dos pais, há comércios por perto e pontos de ônibus, como ficam próximos a lugares de idas frequentes do dia-a-dia, como mercados, minimiza o uso de transporte privado e facilita o coletivo/público.
Uso racional da água, a instituição faz a reutilização da água proveniente da chuva, para irrigação das plantas e horta, assim como também para limpeza da edificação. Possui aeradores e fechamento automático nas torneiras e descarga de acionamento duplo, reduzindo a pressão e quantidade de água liberada.
Energia e atmosfera, além de possuírem painéis fotovoltaicos para geração de energia, é também utilizado o sistema de energia solar para aquecimento de água. As salas de aula possuem janelas grandes para maior aproveitamento da luz natural e sistema fotocélula nas lâmpadas para acenderem apenas nos momentos necessários. De acordo com a diretora, a creche ainda vai receber um certificado de produção zero de CO₂.
Materiais e Recursos, o materiais utilizados na construção foram advindos das proximidades e empresas locais, e são de baixo impacto ambiental. Os móveis e brinquedos são produzidos através de madeiras de manejo florestal e MDF, as tintas usadas para pintura da escola e dos móveis são de baixa toxidade. Tanto na época da construção quanto atualmente, eles valorizam a baixa geração de resíduos e a separação do lixo, os resíduos orgânicos ainda são triturados e reutilizados na horta como adubo orgânico.
Qualidade do ambiente construído, a escola possui conforto térmico, visual e acústico. Foram construídos armários entre as salas e corredores para abafar os sons, as janelas amplas possibilitam a ventilação, iluminação natural e as salas possuem também portas voltadas para o pátio, fazendo a integração das crianças com o ambiente externo.
Inovação, esse item dá pontos bônus para a edificação, já que as coisas estão em constante evolução. Uma das inovações utilizadas pela instituição de ensino foi o piso drenante do pátio externo, o qual foi produzido na UFSC, ele provém de maricultura local e ajuda na absorção da água da chuva.
Processo Integrativo, esse critério é a integração de todos os outros, como por exemplo, não só a inovação ligada ao uso racional da água como também o espaço sustentável
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e a localização e transporte ligado a energia e atmosfera, por meio do incentivo ao transporte público, diminuindo assim a emissão de CO₂ no meio ambiente.
Portanto, levando em conta todos os requisitos e créditos que a Creche municipal Hassis alcançou foi conferido a ela o selo LEED nível máximo – platina, obtendo ao final 85 pontos. O projeto está registrado no site da GBC Brasil com o ID 1000039468, sendo aplicado na tipologia LEED NC na versão 3.0 e a data da certificação se deu em 26 de julho de 2016 (GBC Brasil, 2020).
4.3 MELHORIAS
Após analisar todos os dados apresentados acima, percebeu-se que a Creche Hassis faz jus ao selo máximo da certificação, contudo, mesmo mostrando resultados satisfatórios de seus sistemas sustentáveis, ainda é possível fazer melhorias.
Para agregar mais ao critério uso racional da água, encontra-se no mercado chuveiros com restritores de vazão, fazendo com que a pressão da água seja menor e economizando-a mais. Fazer o tratamento de água da chuva, também é um item a ser estudado, pois possibilita mais o uso para fins não potáveis como chuveiros, pias e lavagem de roupas.
Para acrescer o parâmetro qualidade do ambiente construído, pode-se montar caramanchões em frente as salas de aula para desviar a incidência dos raios solares, tornando o espaço mais fresco no verão. Outro item similar a função do caramanchão é o plantio de mais árvores ao redor da creche, o pátio externo é espaçoso e possui suporte para isso, logo não só ajudaria no conforto térmico dos ambientes, como também somaria com o tópico espaço sustentável.