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A prática profissional do serviço social no programa movimentando a família da IDES Promenor

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA LYGIA PEREIRA

A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA DA IDES PROMENOR: MAPEAMENTO DOS PROGRAMAS E SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS DOS MUNICÍPIOS SÃO

JOSÉ E PALHOÇA.

Palhoça 2009

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LYGIA PEREIRA

A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA DA IDES PROMENOR: MAPEAMENTO DOS PROGRAMAS E SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS DOS MUNICÍPIOS SÃO

JOSÉ E PALHOÇA.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Serviço Social da Universidade do Sul de Santa Catarina – Campus Pedra Branca, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Serviço Social.

Orientadora: Profª. Regina Panceri, Dra.

Palhoça 2009

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LYGIA PEREIRA

A PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL NO PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA DA IDES PROMENOR: MAPEAMENTO DOS PROGRAMAS E SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS DOS MUNICÍPIOS SÃO

JOSÉ E PALHOÇA.

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Serviço Social e aprovado em sua forma final pelo Curso de Serviço Social da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Palhoça,19 de Novembro de 2009.

_____________________________________________________ Professora e Orientadora: Regina Panceri, Dra.

Universidade do Sul de Santa Catarina

_____________________________________________________ Profª. Darlene de Moraes Silveira, Dra.

Universidade do Sul de Santa Catarina

_____________________________________________________ Izabel Carolina Martins Campos, Msc.

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AGRADECIMENTOS

Ao meu companheiro, Emilio, por sua força, amor e compreensão nos períodos em que estive ausente, e por me acompanhar nessa importante trajetória pessoal e profissional.

Aos familiares: meus pais Carlos e Edna, minha avó materna Izaltina, meus irmãos Milena e Carlos Eduardo, que sempre me incentivaram, acreditaram no meu potencial, torceram por mais essa etapa na minha vida, mesmo com a distância prevista pela vida.

A todos os professores, que no decorrer do curso contribuíram com o conhecimento, informações, experiências e sabedoria no processo de formação acadêmica.

Agradeço de forma especial à Professora Regina Panceri, pela disposição e paciência como Supervisora de Campo e Pedagógica no período de estágio, como Orientadora desse Trabalho de Conclusão de Curso, por todos os ensinamentos e estímulo a novos conhecimentos, bem como pela confiança e amizade.

A todos os colegas do setor onde trabalho, por compreender e apoiar minhas ausências, tendo em vista o período de crescimento profissional pelo qual passei. Enfim, de modo geral, a minha imensa gratidão a todos que colaboraram, incentivaram e vivenciaram comigo essa caminhada.

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Nosso tesouro está onde estão as colméias do nosso conhecimento. Estamos sempre a caminho delas, sendo por natureza criaturas aladas e coletoras do espírito, tendo no coração apenas um propósito – levar algo ‘para casa’.

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RESUMO

Este trabalho enfoca questões presentes no âmbito da intervenção dos profissionais que atuam com famílias. Incide no Mapeamento dos Programas e Serviços Socioassistenciais prestados por organizações do terceiro setor, nos municípios de São José e Palhoça, a partir da prática profissional do Serviço Social. No intuito de contribuir com as famílias atendidas pelo Programa Movimentando a Família da Ides/Promenor, no acesso aos serviços socioassistenciais, o mapeamento também fortalece os vínculos entre os profissionais e Instituições que atuam na área social. Apresentam-se, inicialmente, a Instituição, o histórico e as configurações atuais, assim como a trajetória do Programa Movimentando a Família. Analisam-se igualmente os desafios e possibilidades da atuação do Serviço Social na operacionalização em pesquisa, bem como a contribuição dessa prática para a intervenção profissional. Destaca-se o entendimento sobre o segmento família, e apresenta-se o mapeamento propriamente dito, identificando os principais aspectos e serviços oferecidos à população, os resultados pertinentes ao conhecimento e à visibilidade dos serviços oferecidos pelas Organizações, área de atuação, população atendida, os tipos de organizações existentes, suas contribuições, enfim, o que é necessário para o suporte social às famílias residentes em São José e Palhoça atendidas no Programa Movimentando a Família da Ides/Promenor.

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ABSTRACT

This abstract focuses on issues under assistance of professionals working with families.

It focuses on mapping of Programs and Social Services provided by third sector organizations, municipalities of San José and Palhoça cities from practice of Social Work. In order to help families who attended Family Moving Ides/Promenor, access to social care services, survey also strengthens links between professionals and institutions working in the social area. It presents first institution, historical and current settings, as well as trajectory of Program Moving Family. It also analyzes challenges and possibilities of performance of Social Work in operation in research, as well as contribution of this practice for professional intervention. Especially important is the understanding of family segment, questioning the paradigms based on democratic Constitution. It appears, though, mapping itself, identifying key issues and services to population, results relevant to knowledge and visibility of services offered by organizations, area, population served, types of organizations, their contributions, Finally, what is needed to provide social support to families living in San Jose and attended Program Palhoça Moving Family Ides / Promenor.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Quadro 1 – Estrutura dos núcleos da Ides/Promenor...17

Gráfico 1 – Caráter da Instituição das Organizações de São José...55

Gráfico 2 - Caráter da Instituição das Organizações de Palhoça...56

Gráfico 3 – Área de atuação das Organizações de São José...57

Gráfico 4 - Área de atuação das Organizações de Palhoça...59

Gráfico 5 – Público Alvo das Instituições de São José...61

Gráfico 6 - Público Alvo das Instituições de Palhoça...62

Gráfico 7 – Organizações de São José que estabelecem parcerias...64

Gráfico 8 - Organizações de Palhoça que estabelecem parcerias...65

Gráfico 9 – Área Geográfica atendida pelas Instituições de São José...66

Gráfico 10 - Área Geográfica atendida pelas Instituições de Palhoça...67

Gráfico 11 – Principal Contribuição das Organizações de São José...68

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LISTA DE SIGLAS

ABESS – Associação Brasileira de Ensino de Serviço Social ABTH – Associação Brasileira Terra dos Homens

APABB – Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência de Funcionários do Banco do Brasil e da Comunidade

CEAP – Centro de Aprendizagem Profissional

CEDEPSS - Centro de Documentação e Pesquisa em Política Social e Serviço Social

CEIG – Centro de Educação Infantil Girassol CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social

CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CONANDA – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CRAS – Centro de Referência da Assistência Social

ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICOM – Instituto Comunitário Grande Florianópolis IDES – Irmandade do Divino Espírito Santo

LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social MDS – Ministério do Desenvolvimento Social NUFT – Núcleo Formação e Trabalho

NUI – Núcleo da Infância

ONGs – Organizações Não Governamentais PEAS – Programa Espaço Alternativo do Saber PJT – Programa Jovem Trabalhador

PNAS – Plano Nacional de Assistência Social

POASF – Programa de Orientação e Apoio Sócio Familiar PROMENOR – Associação Promocional do Menor Trabalhador PUC – Pontifícia Universidade Católica

SEDH – Secretaria Especial dos Direitos Humanos SESC – Serviço Social do Comércio

SUAS – Sistema Único de Assistência Social SUS – Sistema Único de Saúde

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TCC – Trabalho de Conclusão de Curso

UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO...11

2 BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO IDES/PROMENOR ...14

2.1 PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA...18

2.2 ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL DE SERVIÇO SOCIAL NO PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA...23

2.3 INTERVENÇÃO PROFISSIONAL NO PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA: SERVIÇO SOCIAL E PESQUISA...27

3 FAMÍLIA ...31

3.1 BREVE HISTÓRICO DA FAMÍLIA...31

3.2 COMPREENDENDO A FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA E AS POLÍTICAS PÚBLICAS DESTE SEGMENTO...34

4 MAPEAMENTO DOS PROGRAMAS E SERVIÇOS SOCIOASSISTENCIAIS ...41

4.1 OS MUNICÍPIOS PESQUISADOS...41

4.1.1 Município São José...41

4.1.2 Município Palhoça...44

4.2 OBJETIVOS E METODOLOGIA DA PESQUISA...46

4.3 EXPERIÊNCIA VIVENCIADA NO PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA... ...49

4.4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS...53

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...72

REFERÊNCIAS...74

ANEXOS...80

ANEXO A – Formulário das Parcerias para o Mapeamento em São José...81

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1 INTRODUÇÃO

O presente Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é resultado da experiência vivenciada no Estágio Supervisionado Obrigatório II e III, no Programa Movimentando a Família da Instituição Irmandade do Divino Espírito Santo (Ides) Associação Promocional do Menor Trabalhador (Promenor). Pretende-se apresentar as atividades vivenciadas no decorrer desse período, a prática profissional do Serviço Social junto à pesquisa, bem como a contribuição do mapeamento dos programas e serviços sociais às famílias do Programa.

Considera-se que a Ides/Promenor é uma organização não-governamental, filantrópica, assistencial e sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é o atendimento de crianças e adolescentes de Florianópolis e da região metropolitana. Entretanto, a Instituição tem se deparado cotidianamente com as questões de ordem familiar, pois cada criança e adolescente atendidos possuem um grupo familiar que influencia diretamente seus comportamentos e atitudes, além da forma como conduzem a sua vida.

A fim de oportunizar não somente o atendimento da criança e do jovem, mas também do seu círculo familiar, ambiente de base para o processo educativo, de influências, autonomia, entre outras perspectivas, uma equipe técnica da Instituição refletiu conceitualmente sobre a Família e idealizou o Projeto Movimentando a Família. Por isso mesmo, foram idealizadas: a inclusão social das famílias de baixa renda, a melhoria da qualidade de vida, atividades de atendimento e orientação, além de encaminhamentos e suporte social.

Em plena era dos direitos sociais, o Serviço Social tem como desafio o processo de inclusão/exclusão social de famílias vulneráveis, decorrentes de todo processo histórico brasileiro, cujas consequências são os conflitos, a violência, e risco social. Com isso, soma-se a ampliação das desigualdades e a falta do Estado com as Políticas Públicas de direitos e infraestrutura.

Diante do exposto, diversas atividades foram estabelecidas no Programa, sendo uma delas a identificação de instituições que realizam ações de caráter social dos municípios da região metropolitana de Florianópolis, cujos resultados servirão de suporte para o atendimento às famílias da Instituição – o Mapeamento dos Programas e Serviços Sociais prestados por organizações do terceiro setor.

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O Programa Movimentando a Família entendeu como relevante realizar um mapeamento de Organizações Sociais, a fim de encaminhar as famílias atendidas na Ides/Promenor aos serviços oferecidos nos seus municípios de origem. Através da pesquisa de campo, entrevista e preenchimento de um formulário com os dados das Instituições, o Mapeamento se constitui uma das atividades mais essenciais nesse Programa, sendo o Assistente Social do Programa o facilitador do acesso a serviços ora desconhecidos da população. Além disso, o Assistente Social promove a orientação e o encaminhamento das famílias de forma mais correta. O Mapeamento possibilitará também melhorias aos profissionais, para uma atuação em rede, ou seja, de forma articulada e integrada com as organizações e profissionais da área social.

Para tal, a pesquisa apresentada tem como foco São José e Palhoça, municípios da região metropolitana. Essas cidades receberam intenso fluxo migratório nos últimos 20 anos, resultando em aumento populacional e num processo desordenado de urbanização.

Os limites institucionais de São José e Palhoça, para o atendimento dessas demandas, ocasionaram problemas relacionados às condições, modo e expectativas de vida. Com isso, os níveis de dependência dessas famílias aos serviços socioassistenciais têm exigido cada vez mais a migração desses cidadãos para os municípios vizinhos, buscando o acesso aos serviços de necessidades especiais e essenciais da população, tais como: alimentação, educação, saúde, abrigo, lazer e cultura, profissionalização e informação, entre outros.

O problema das organizações é a falta de conhecimento das instituições existentes, além da falta de articulação dos profissionais entre si, dificultando os encaminhamentos de usuários, pois os programas e serviços socioassistenciais não estão mapeados. A partir disso, o conhecimento das instituições que prestam serviços socioassistenciais possibilita às famílias acesso a serviços que deveriam ser oferecidos integralmente pelo Estado.

A relevância da pesquisa na atuação do Serviço Social é fortalecer seu processo de trabalho, intervindo na realidade e contribuindo com o conhecimento adquirido, visto que um dos deveres do Assistente Social, na sua relação com os usuários (previsto no Código de Ética da profissão, art. 5º), é democratizar as informações e o acesso aos programas disponíveis no espaço institucional, como um dos mecanismos indispensáveis à participação dos usuários.

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O referido Trabalho de Conclusão de Curso está dividido em cinco capítulos, contando com este de Introdução. No segundo capítulo, contextualiza-se a Instituição Ides/Promenor, a partir de um breve histórico, a construção do Programa Movimentando a Família e suas etapas metodológicas. Serão abordadas, também, as atribuições e a intervenção profissional do Serviço Social na Organização.

O terceiro momento caracteriza-se por um breve histórico da família, compreendendo seu contexto e contribuindo para o entendimento da família contemporânea, bem como das Políticas Públicas Sociais voltadas a esse segmento.

No quarto capítulo, descrevem-se os municípios pesquisados, assim como os objetivos e metodologias do presente estudo. Contextualizam-se também a prática acadêmica, as experiências vivenciadas durante a pesquisa e os resultados do mapeamento, partes essenciais deste estudo, sob a forma de análises descritiva e gráfica, obtidas por meio da aplicação de entrevistas e preenchimento de formulários com as organizações do terceiro setor dos municípios de São José e Palhoça.

No quinto capítulo, apresentam-se as considerações finais e, por fim, as respectivas Referências Bibliográficas utilizadas no decorrer deste estudo, e Anexos.

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2 BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO

Ao pesquisar o histórico da Instituição Irmandade do Divino Espírito Santo (Ides) Associação Promocional do Menor Trabalhador (Promenor), teve-se como base documentos escritos pela própria Organização, bem como trabalhos de conclusão de curso.

A Ides/Promenor constitui-se uma organização não governamental, filantrópica, assistencial, sem fins lucrativos, com sede e foro na cidade de Florianópolis, Santa Catarina. É gerenciada por uma diretoria executiva voluntária, comprometida com fortes princípios éticos, solidários e responsabilidade social.

A Irmandade tem como missão1 atuar na assistência e formação de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, visando promover a cidadania e o desenvolvimento social.

Os recursos financeiros da Instituição são obtidos por meio de doações, convênios com empresas e com o setor público, eventos como a Festa do Divino Espírito Santo entre outros.

Sua atuação baseia-se no atendimento de 1100 crianças e adolescentes, de 00 a 18 anos, em situação de vulnerabilidade social, pertencentes às famílias de baixa renda da Grande Florianópolis, viabilizando um processo educativo e de formação contínua.

A Ides, fundada em 10 de Junho de 1773, ficou cerca de 150 anos voltada às práticas do culto do Divino Espírito Santo, às tradições das comemorações do Divino e à assistência aos confrades.

De acordo com Panceri (2001), a Instituição iniciou sua atuação social em 1910, com o orfanato Lar São Vicente de Paulo, conhecido também como Asilo de Órfãs. Em 1961, o Serviço Social foi introduzido na Instituição e teve grande influência nas mudanças da estrutura administrativa, com a participação efetiva na reformulação da diretoria da IDES, então composta por pessoas mais abertas que passaram a aceitar as iniciativas do Serviço Social.

A implantação do Serviço Social foi motivada pela necessidade de organizar melhor administrativamente a Entidade. Importante salientar que, no ano

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de 1977, mais uma atuação social na Irmandade entrava em vigor, com a implementação do Jardim de Infância Girassol.

No decorrer dos anos, a Instituição se deparou com novos desafios, e, em 1977, a Ides ampliaria a Instituição, com a incorporação de outra Entidade, a Promenor, organização criada em 1971, voltada ao atendimento de “meninos carentes” 2.

Sobre a Promenor, Zubatch (1999) salienta que nesse cenário destacava-se a predestacava-sença de crianças e adolescentes, tentando a sobrevivência nas ruas da cidade através da mendicância ou trabalhos precários, como biscateiros, guardadores de carros, vendedores de objetos, jornaleiros e engraxates.

Surgia, assim, uma expressão da questão social, que passou a exigir atenção e ação dos órgãos públicos. Foi quando as primeiras damas do Estado e Município, na época, as senhoras Dayse Werner Salles e Lucinda Araújo, transformaram o Projeto Menor Trabalhador na Promenor, iniciando suas atividades em setembro de 1971.

Nascimento (2007) afirma que, de acordo com o estatuto de 1971, a Promenor tinha por finalidade promover ao menor economicamente necessitado disciplina, organização, orientação, dirigindo e assistindo sua atividade laboriosa e mantendo serviços que realizassem seus objetivos.

As ações, a demanda e até o espaço físico da Promenor foram aos poucos aumentando e ganhando novas proporções, sendo que em 1974 teve sua sede construída na Agronômica, em terreno cedido pelo então governador Colombo Machado Salles. Porém, no ano de 1977, a Diretoria constatou que não conseguiria mais manter-se, e ao procurar o provedor da Ides e expor a situação difícil em que a Entidade se encontrava, foi acordado que a Ides incorporaria a Promenor, mantendo sua personalidade jurídica, sua estrutura e seus projetos, bem como os funcionários, com possibilidade de ampliar seu atendimento. Deste modo, a Organização permaneceu com certa autonomia, subsistiu à crise e expandiu-se.

Assim, a Promenor passou a ser mantida e administrada pela Ides, que se comprometeu a dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos. Após a incorporação da Promenor pela Irmandade do Divino Espírito Santo, em 1977, o país passava por uma transição lenta e gradual do regime ditatorial para a democracia. A década de

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80 foi um marco na história do Brasil, pela conquista democrática da Constituição de 88.

Para as Políticas Sociais, nesse momento, houve grandes avanços, bem como um forte reordenamento no segmento Criança e Adolescente, que é o foco da Ides/Promenor. A Assembléia Nacional Constituinte referendou duas Emendas Populares com mais de 1,5 milhões de assinaturas de adultos, crianças e adolescentes e inscreveu na Constituição Federal de 1988 o seu artigo 227, posteriormente regulamentado com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em 13 de julho de 1990, influindo radicalmente no destino da infância e adolescência no Brasil.

Conforme artigo 227 da Constituição Federal:

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração, crueldade e opressão. (BRASIL, 2007, p. 144).

Após a incorporação da Irmandade à Promenor e as transformações ocorridas no cenário político, houve também, entre os anos 90 e 2000, mudanças significativas dentro da Instituição, como a ampliação do espaço físico que possibilitou ampliar seus programas no atendimento às crianças e adolescentes.

Até o final de 2007, a ação social estava organizada em programas assim denominados:

a) Abrigo Lar São Vicente de Paulo: Atendimento a 25 crianças de 0 a 06 anos de idade, em período integral (24 horas por dia), visando sua reintegração familiar. As crianças são encaminhadas ao abrigo via Juizado da Infância e Juventude e/ou Conselho Tutelar, em sua maioria vítimas de violência doméstica, maus tratos, abandono, uso para mendicância, ou que tiveram seus direitos violados.

b) Centro de Educação Infantil Girassol – CEIG: Atendimento a crianças de 02 a 06 anos de idade, de ambos os sexos, moradores da Região Metropolitana de Florianópolis, com o objetivo de contribuir para a formação pessoal, psicossocial e educativa, através de vivências pedagógicas. O programa tem, entre outros, como parceiros a Prefeitura Municipal de Florianópolis, o curso de Magistério do

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Instituto Estadual de Educação e o curso de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

c) Programa Espaço Alternativo do Saber – PEAS: atendimento a

crianças e adolescentes na faixa etária de 06 a 14 anos de idade, no período do contraturno escolar. Tem por objetivo a construção de um espaço pedagógico e prazeroso, no qual as crianças e adolescentes possam desenvolver suas habilidades conceituais e pessoais, que levem a fazer diferença no ambiente em que vivem. Os jovens contam com atividades de literatura, desenvolvimento da linguagem oral e escrita, grupo de canto, aula de violão, teatro, artes, dança capoeira e atividades esportivas, como escola de futebol, vôlei e jogos, além de atividades de integração grupal.

d) Centro de Aprendizagem Profissional – CEAP: Propicia um espaço

de aprendizado aos adolescentes, a partir de 14 anos de idade, que estejam inseridos no projeto Jovem Aprendiz do programa Jovem Trabalhador, visando à formação e desenvolvimento como cidadão para sua própria inserção no mercado de trabalho.

e) Programa Jovem trabalhador – PJT: tem por objetivo a capacitação,

a inserção e o acompanhamento de adolescentes na faixa etária de 14 a 18 anos de idade, de ambos os sexos, considerando a vulnerabilidade social, garantindo direitos trabalhistas e previdenciários, bem como a melhoria das condições de vida e de cidadania. Atende adolescentes provenientes da Região Metropolitana de Florianópolis, encaminhando-os ao mercado de trabalho, através de parcerias com diversas empresas (economias mistas, públicas e privadas), tais como: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Tractebel Energia, Banco Real, Cassol Pré-Fabricados, entre outras. Em 2007, houve uma revisão e modificação no funcionamento dos programas, readequando e agrupando os programas desenvolvidos pela Instituição em Núcleos. Assim, os programas transformaram-se em três núcleos:

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NÚCLEO DA INFÂNCIA NÚCLEO ARTE E EDUCAÇÃO NÚCLEO FORMAÇÃO E TRABALHO

Abrigo Lar São Vicente de

Paulo Espaço alternativo do Saber - PEAS Centro de Aprendizagem Profissional – CEAP CEIG – Centro de

Educação Infantil Girassol Trabalhador – PJT Programa Jovem Quadro 1 – Estrutura dos núcleos da Ides/Promenor

Fonte: NASCIMENTO (2007, p. 18)

As demandas familiares dentro da Instituição, cada vez mais emergentes, proporcionaram a criação de um programa de vital importância, ou seja, o Programa Movimentando a Família, a ser apresentado no próximo item.

2.1 PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA

Para refletir sobre o Programa Movimentando a Família fez-se necessário um estudo sobre seu histórico.

A equipe composta pelas profissionais: Auda Teresa Dadam (Assistente Social), Deborah Riggenbach (Psicóloga), Elisabete Teresinha Galvão (Assistente Social), Maristela Moreira de Jesus Silva (Estagiária de Serviço Social na época), Regina Panceri (Assistente Social e Coordenadora Técnica na época) e Izabel Carolina Martins Campos (Assistente Social e Diretora de Assuntos Assistenciais e Ambientais) estudou o tema Família, e, diante das inúmeras reflexões, reuniram-se formulando esse programa, que veio a ser desenvolvido no ano de 2007.

A Família e a Escola emergem como instituições fundamentais para o desencadeamento dos processos evolutivos do indivíduo, assim como proporciona o crescimento físico, intelectual e social. É nesse cenário que se torna relevante a socialização primária da criança, incluindo-a no mundo cultural. A família precisa criar um ambiente acolhedor e afetivo que possibilite ampliar as relações, a comunicação e, consequentemente, a transmissão dos valores para a formação da personalidade.

Observou-se a atenção e corresponsabilidade para com essas famílias, já atendidas pelos profissionais da Instituição. A reflexão acerca do tema evidenciou

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que trabalhar somente com as crianças e adolescentes não tem sido suficiente para a melhoria da qualidade de vida e das relações interpessoais.

A família “é uma construção sócio-cultural que se transforma, agregando elementos novos, liberando-se de outros, alterando no tempo e no espaço os seus modelos e atitudes” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA TERRA DOS HOMENS - ABTH, 2002 apud DADAM, 2007, p. 14).

Para os profissionais que atuam nessa área, à medida que o Estado restringe sua participação na solução de questões que visem à proteção social da população, nos diversos segmentos – como, por exemplo, crianças, adolescentes, idosos, portadores de deficiências, entre outros – a família tem se responsabilizado, sem receber dos poderes públicos a devida assistência. Com isso, as organizações preocupam-se em atender à população fragilizada.

Ainda no desenvolvimento das etapas do referido programa, um grupo de estagiários realizou convites às famílias para participarem da pesquisa: “A Realidade das Famílias atendidas pela Ides/Promenor: Em busca da cidadania e desenvolvimento social”.

Os acadêmicos aplicaram essa pesquisa com as famílias, durante todo o ano de 2008, procurando identificar os principais aspectos, como necessidades sentidas pelas famílias, composição familiar, condições habitacionais, gastos e questões gerais. Atuaram na coleta de dados da pesquisa estagiários do curso de Serviço Social da Unisul. Os estagiários de Serviço Social do Programa Marcelo Souza Oliveira e Maristela de Jesus da Silva elaboraram o Trabalho de Conclusão de Curso voltado a essa pesquisa com as famílias, intitulado “A Intervenção do Serviço Social no Programa Movimentando a Família no município de Florianópolis, SC”.

Objetivando impulsionar a inclusão social de famílias de baixa renda em atividades de atendimento, orientação, encaminhamento, suporte social, qualificação profissional entre outros, o Programa pretende desenvolver atividades socioeducativas com essas famílias, a fim de ampliar o universo informacional e sua ação participativa no contexto familiar e social.

Para a implementação do Programa, foram criadas algumas etapas ou movimentos, algumas já concluídas, outras em andamento:

- Primeiro Movimento: Conhecendo os integrantes.

A primeira tarefa dessa equipe foi estabelecer diretrizes comuns para o Programa, etapa fundamental para a articulação e uniformização de conceitos.

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Também possibilitou a qualificação de todos os participantes da equipe, no sentido de reformular concepções pré-existentes, a fim de facilitar a elaboração do trabalho de campo.

A realização de reuniões para troca de informações teóricas e práticas, além das observações das famílias atendidas e intervenções já realizadas, bem como a organização de todas as etapas do Programa, acabou se transformando num primeiro ensaio para as ações e movimentos. Foi um momento chave do processo: preparar a inserção dos profissionais na área e entrar em contato com a realidade concreta das famílias, além do reconhecimento mútuo entre os pares fundamentados na revisão da literatura sobre o tema família.

- Segundo Movimento: Articulação com parceiros institucionais e forças sociais.

Esse movimento incluiu a apresentação geral do Programa à diretoria e aos colaboradores internos da Organização e, em seguida, a outras organizações e lideranças locais para obtenção do apoio necessário tanto interna quanto externamente.

- Terceiro Movimento: Levantamento de dados.

Identificou-se o perfil das famílias atendidas na organização por meio de pesquisa e cadastramento, em parceria com o Curso de Serviço Social da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), com o acompanhamento das professoras Janice Merigo, Msc e Vera Nícia Fortkamp de Araújo, Msc.

O trabalho teve início com visitas domiciliares, para preenchimento de uma ficha de perfil social, elaborada conjuntamente com os acadêmicos de Serviço Social e Equipe interdisciplinar da Organização. Essa etapa do programa possibilitou, além da coleta de dados realizada pelos alunos e estagiários, contato direto com a realidade e com o espaço ocupado pelas famílias.

Os dados obtidos sobre o perfil social das famílias possibilitaram a identificação do espaço físico (localização geográfica), a composição familiar, a renda e atividades profissionais, o reconhecimento da condição real de vida dessa população, facilitando a identificação de índices necessários para dar sustentação a algumas ações interventivas. A integração dos dados quantitativos e qualitativos possibilita a leitura da condição de vida das famílias inseridas na Ides/Promenor. O cadastro deve estar completo no início da implementação do Programa e colocado à disposição da equipe responsável.

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- Quarto Movimento: Conhecendo o território

Para o desenvolvimento deste quarto movimento, estagiários vêm realizando (por meio de contatos interinstitucionais) mapeamento de serviços e programas oferecidos pela rede de atendimento público, privada e do terceiro setor dos municípios de Florianópolis, São José, Palhoça, e Biguaçu, a fim de facilitar encaminhamentos e o estabelecimento de parcerias possíveis, com ênfase ao Programa de Apoio Sócio Familiar (POASF).

- Quinto Movimento: Construindo ações socioeducativas

Após a identificação das demandas e dos recursos, serão propostas ações, intentando transformar a realidade das famílias atendidas pelo Programa. Nessa fase, em conjunto com os Núcleos e profissionais da Ides/Promenor, serão estabelecidas as ações a serem desenvolvidas, sendo que algumas serão executadas pelos núcleos e outras desenvolvidas pela equipe do Programa Movimentando a Família.

Serão realizadas as seguintes ações:

- Integração das Famílias no Programa – primeira atividade coletiva de explicitação do Programa e dos critérios de permanência.

- Nucleação das Famílias – agrupamento das famílias que comporão o grupo socioeducativo, de acordo com seus interesses e necessidades. Preparação antecipada das dez reuniões iniciais, mediante organização do conteúdo informacional adequado e orientação quanto à escolha de estratégias e técnicas, produzindo materiais orientadores com antecedência.

- Encontros com as famílias – a constituição do grupo implica um movimento inicial de acolhimento, estabelecimento de vínculos, identificação dos primeiros temas, do contrato ético e do contrato de trabalho. O Projeto Coletivo será criado a partir da responsabilidade de cada participante.

Serão definidos:

- Locais de Reunião – As reuniões serão realizadas nas dependências da Ides/Promenor.

- Dias e horários – Após diagnóstico, serão estruturados os dias e horários dos encontros, a fim de congregar o maior número de participantes.

Atividades a serem desenvolvidas: a) oficinas;

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c) vivências;

d) cursos de capacitação;

e) organização de feiras, eventos, bazar, gincanas, campanhas; f) encaminhamentos a recursos comunitários;

g) captação de recursos e estabelecimento de parcerias; h) divulgação do Programa na mídia;

i) aconselhamento psicológico, entre outras.

- Sexto Movimento: Avaliando e disseminando os resultados

O sistema de monitoramento é fundamental, desde a implementação até a avaliação de resultados, permitindo aos profissionais envolvidos planejar, acompanhar, avaliar e executar o processo junto às famílias, facilitando a formação continuada. Para tanto, é indispensável definir os indicadores de acompanhamento, sistematizar periodicamente as ações e o processo de reflexão sobre a experiência possibilitando a todos os integrantes uma compreensão maior do trabalho interdisciplinar, suas dificuldades e necessidade de revisão permanente; realizar avaliações de processo, de resultado e de impacto e divulgar os resultados na mídia, artigos e eventos científicos, na comunidade, para organizações parceiras, na própria Organização, entre outros.

O programa tem como objetivo geral propiciar o desenvolvimento social e psicológico de famílias atendidas na Ides/Promenor, facilitando sua inclusão social, melhoria da qualidade de vida e aprendizagem de suas dinâmicas internas. Já a metodologia realizada tem como foco a intervenção com as famílias, por meio de entrevistas, visitas domiciliares, grupo de pais e articulação de rede de serviços de forma interdisciplinar.

Acredita-se que foi bem sucedido o trabalho desenvolvido pelos estagiários da Unisul nas entrevistas realizadas com as famílias. Destaca-se o mapeamento dos municípios de São José e Palhoça, que contribuirá efetivamente com os dados coletados a serem apresentados no presente Trabalho de Conclusão de Curso.

Supõe-se que o mapeamento das organizações será de extrema relevância, tanto para o Programa Movimentando a Família, quanto para a Instituição em geral. O conhecimento das instituições socioassistenciais facilitará os atendimentos, além de oportunizar o estabelecimento de parcerias e captação de recursos, fundamentais para o andamento dos programas da Organização.

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Com o intuito de visualizar a atuação do profissional de Serviço Social no Programa Movimentando a Família, serão abordadas, a seguir, as competências para a referida atuação do Assistente Social.

2.2 ATRIBUIÇÕES DO PROFISSIONAL DE SERVIÇO SOCIAL NO PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA

Com título de Bacharel, o Assistente Social é o profissional graduado no curso superior de Serviço Social e habilitado para atuar nas expressões da questão social nos mais diversos setores da sociedade. É uma profissão regulamentada no Brasil, e um de seus deveres, conforme artigo 3º do Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais (BRASIL, 1993), ”deve desempenhar suas atividades profissionais, com eficiência e responsabilidade, observando a legislação em vigor”.

Sua atuação baseia-se na execução das políticas sociais de corte público ou privado junto à população usuária. Esses profissionais encontram-se mais efetivamente nos serviços básicos e essenciais, como saúde, educação, habitação, questões envolvendo crianças e adolescentes, violência, terceira idade, etc. Consideram-se então as expressões da questão social como propulsoras da regulamentação das políticas sociais e o elemento chave da formação e do trabalho profissional de Serviço Social.

O momento presente desafia os assistentes sociais a se qualificarem para acompanhar, atualizar e explicar as particularidades da questão social nos níveis nacional, regional e municipal, diante das estratégias de descentralização das políticas públicas. (IAMAMOTO, 2008, p. 41)

Entende-se que contemplar a prática profissional implica pensar a dinâmica da sociedade, as transformações ocorridas e suas constantes mudanças. A esse propósito, Barbosa, Cardoso e Almeida (1998) salientam ser necessário afirmar que o trabalho é aqui compreendido como processo social de transformação que visa a atender necessidades sociais de reprodução humana.

A práxis social atua frente às expressões da questão social. O Assistente Social atua como o profissional mediador das relações, viabilizador dos direitos e recursos, socializador das informações pertinentes às demandas da população, lutando pela inclusão e igualdade social.

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O exercício da profissão requer um profissional informado, crítico, culto e atento ao mundo contemporâneo, competente na gestão e elaboração de projetos, avaliação de programas e projetos sociais, captação de recursos, gestão de pessoas, entre outros, socializando informações e conhecimentos, propondo novos serviços e ampliando o espaço do Serviço Social.

Nessa perspectiva, Baptista (1995 apud FALEIROS, 2007, p.30) considera que:

O objeto da intervenção profissional do assistente social é o segmento da realidade que lhe é posto como desafio, aspecto determinado de uma realidade total sobre o qual irá formular um conjunto de reflexão e de proposições para intervenção. Os limites que configuram esse objeto são considerados uma abstração, uma vez que na realidade social o aspecto delimitado continua mantendo suas inter-relações com o universo mais amplo.

Para atender às manifestações das demandas dos usuários, o Assistente Social deve se apropriar dos instrumentais necessários para realizar seu trabalho. Pereira (2003 apud Borges 2006) destaca que o Serviço Social pode dispor de diversos tipos de instrumentais: a entrevista, o relatório, a visita domiciliar ou institucional, a reunião, a supervisão, a observação participante, entre outros que permitem ao Assistente Social maior proximidade com a realidade trabalhada. Os instrumentais são utilizados de acordo com a realidade social, sendo possibilitadores do fortalecimento do processo de participação, formulação e construção coletiva de novas alternativas.

O Assistente Social pode e deve qualificar-se para novas competências, buscar estratégias, indo além da mera requisição instrumental – operativa do mercado de trabalho. Vale também salientar o posicionamento de Guerra (2007, p. 30):

Há algo que precede a discussão de instrumentos e técnicas para a ação profissional, que no nosso entendimento refere-se à sua instrumentalidade, ou melhor, à dimensão que o componente instrumental ocupa na constituição da profissão. Para além das definições operacionais (o que faz como faz), necessitamos compreender “para que” (para quem, onde e quando fazer) e analisar quais as conseqüências que no nível “mediato” as nossas ações profissionais produzem.

Assim sendo, o Programa Movimentando a Família preza a qualidade e a importância do profissional de Serviço Social, e diante do seu potencial, foram-lhe definidas atividades e atribuições relevantes:

a) conhecer a realidade por meio dos resultados da pesquisa; b) realizar pesquisas;

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c) organizar cursos, palestras e dinâmicas; d) realizar vivências grupais;

e) buscar voluntários e parceiros para cursos, palestras e eventos;

f) acompanhar individualmente os casos que apresentam dificuldades de socialização, relacionamento, etc.;

g) atender sistematicamente às famílias que buscam orientação sobre o Projeto ou mesmo para problemas pessoais (acompanhamento);

h) conhecer os recursos da comunidade e bens culturais onde as famílias possam ser inseridas;

i) encaminhar para recursos comunitários;

j) convidar sistematicamente as famílias para participarem do Programa ou Projeto;

k) realizar, sempre que necessárias, visitas domiciliares;

l) organizar discussões de temas objetivando: direitos sociais, direito à assistência, à participação aos bens culturais e lazer, capacitação (despertar de habilidades) para lazer e a própria sobrevivência (busca do exercício da cidadania), além de outros temas do seu cotidiano (relações familiares, conjugais, violência familiar e social).

m) participar das reuniões de discussão e planejamento da equipe (estudos de caso).

Considerando a reflexão apresentada, deve-se aprofundar o conhecimento da realidade, por meio de pesquisas, e proceder a uma leitura crítica, principalmente no que diz respeito às transformações políticas e econômicas. Essa visão contribui na formação de profissionais continuamente atualizados, com condições de atuar com efetividade.

[...] O Serviço Social se particulariza nas relações sociais de produção e reprodução da vida social como uma profissão interventiva no âmbito da questão social, expressa pelas contradições do desenvolvimento do capitalismo monopolista. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENSINO DE SERVIÇO SOCIAL; CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E PESQUISA EM POLÍTICAS SOCIAIS E SERVIÇO SOCIAL, 1997, p. 60).

Desde a implementação do Programa Movimentando a Família, a Ides/Promenor entendeu como importante a inserção de acadêmicos de Serviço Social como estagiários. Com isso, foram definidas algumas atividades de extrema relevância, para a formação acadêmica e profissional, que vai além da pesquisa:

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b) realizar orientação e encaminhamentos às famílias em conjunto com os profissionais do Projeto;

c) realizar visitas domiciliares em conjunto com a Assistente Social e Psicóloga;

d) participar de reuniões de discussão e planejamento da equipe;

e) atender sistematicamente às famílias que buscam orientação sobre o Projeto;

f) conhecer recursos da comunidade e bens culturais onde as famílias possam ser inseridas;

g) convidar e sensibilizar as famílias para participarem do Projeto;

h) acompanhar as intervenções com as famílias atendidas, verificando suas necessidades e demais encaminhamentos;

i) realizar contato com redes de atendimento na área do Serviço Social, a fim de obter informações sobre as mesmas para posterior encaminhamento pelos profissionais da área;

j) participar de discussões de temas concernentes a: direitos sociais, direito a assistência, participação nos bens culturais e lazer, capacitação (despertar de habilidades) para a própria sobrevivência, busca do exercício da cidadania, além de outros temas do seu cotidiano, como relações familiares, conjugais, violência familiar e social.

Na proposta Curricular da Associação Brasileira de Ensino de Serviço Social e do Centro de Documentação Pesquisa em Políticas Sociais e Serviço Social (1997, p. 71), o Estágio:

[...] é uma atividade curricular obrigatória que se configura a partir da inserção do aluno em espaço sócio-institucional objetivando capacitá-lo para o exercício do trabalho profissional, o que pressupõe supervisão sistemática.

O Programa Movimentando a Família possibilita ao estagiário participação constante na execução, intervenção e elaboração de atividades. A relação estagiário e profissional de Serviço Social é um contínuo aprendizado, que proporciona o crescimento de ambos e da Instituição.

Segundo Barbosa (2004), “no estágio o acadêmico vivencia a práxis profissional e ao vivenciá-la aprende a utilizar o instrumental e a interagir numa rede institucional e pessoal, em situações concretas e desafiadoras“.

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É imprescindível, portanto, para a formação profissional, a oportunidade de vivenciar no campo de estágio diferentes situações e particularidades, desenvolver a capacidade de criar alternativas metodológicas de intervenção e posteriormente defrontar no mercado de trabalho as mais diversas complexidades da questão social. Intensificar a prática da pesquisa na intervenção profissional é o tema do próximo item.

2.3 INTERVENÇÃO PROFISSIONAL NO PROGRAMA MOVIMENTANDO A FAMÍLIA: SERVIÇO SOCIAL E PESQUISA

No decorrer da prática de estágio na Instituição, observou-se que, dentre as ações relevantes desenvolvidas pelo Assistente Social no referido Programa, a pesquisa ocupa um lugar de destaque, e é a partir dela que o Projeto criou corpo, se desenvolveu e gerou bases para a atuação desse profissional com os indivíduos.

A pesquisa se torna condição fundamental no processo de formação do Assistente Social, e a oportunidade de vivenciar essa atividade durante o estágio acadêmico é de suma importância, visto que naquele momento da coleta de dados é possível identificar a realidade social e estabelecer a articulação entre teoria e prática, de forma a contribuir e ampliar as perspectivas profissionais.

De acordo com Iamamoto (2008, p. 273):

A pesquisa ocupa um papel fundamental no processo de formação profissional do assistente social, atividade privilegiada para a solidificação dos laços entre o ensino universitário e a realidade social e para a soldagem das dimensões teórico-metodológicas e prático-operativas do Serviço Social, indissociáveis de seus componentes ético-políticos.

A importância da pesquisa no Serviço Social vem de uma trajetória histórica, em que após o processo de Reconceituação - momento de ruptura com o conservadorismo - houve maior preocupação em criar uma cultura crítica e transformá-la em produções científicas. A obrigatoriedade da disciplina de Pesquisa nos cursos ocorreu somente a partir do ano de 1982; sendo assim, comparando com outras profissões da área de Humanas, é recente o investimento em Pesquisa na área do Serviço Social.

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A consolidação do projeto ético-político da profissão trouxe um avanço ao pensamento crítico e comprometimento com a democracia e justiça social, além de amplamente discutido e posteriormente materializado no Código de Ética de 1993 e no processo de Revisão Curricular que fundamenta a formação profissional.

A partir de 1986, a pesquisa em Serviço Social se desenvolveu nas universidades públicas e PUCs, entre outras organizações, com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Segundo Sposati (2007), esse processo permeou a categoria pela academia, centros de formação, coletivos profissionais, encontros, debates, publicações, congressos. Efetivamente, a construção de uma cultura crítica no âmbito da profissão e da formação profissional tem o mérito desse fortalecimento da pesquisa para os Assistentes Sociais.

No entender de Setubal (2007, p. 67),

Pensar o Serviço Social [...], do ponto de vista da pesquisa, requer que exista na profissão a clareza da amplitude do projeto ético-político construído, desde a legalização da profissão no Brasil, e reconstruído a partir das bases apontadas. O conhecimento constituído possibilitará criar e/ou descobrir as conexões necessárias entre esse projeto e o mercado de trabalho.

Percebe-se que o foco na pesquisa ainda ocorre, principalmente nas Universidades, com muitos trabalhos e incentivo à produção científica para o Serviço Social. Observa-se, porém, que na prática poucos profissionais investem em pesquisa nas organizações em que atuam, seja por falta de incentivos, recursos, e até por desinteresse.

Faleiros (2007) publicou em 1986, na revista Serviço Social e Sociedade, um artigo sobre Pesquisa em Serviço Social. Ele enfatiza a questão sobre a acomodação profissional, em que os Assistentes Sociais brasileiros não estudam pesquisa, não utilizam estudos baseados em pesquisa para a melhoria profissional, não realizam pesquisa depois de sua formação, rejeitando, principalmente, as pesquisas que trazem críticas ou resultados negativos para a sua prática.

O Serviço Social abrange diversos setores, viabilizando os direitos da população nas políticas sociais, como: saúde, educação, atendimento ao idoso, previdência social, habitação, assistência social, meio ambiente, mundo do trabalho, entre outras questões. Tudo isso requer a permanente pesquisa de suas expressões sociais, bem como propostas de trabalho capazes de impulsionar a realização das mudanças pretendidas.

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Segundo Gatti (2002 apud BOURGUIGNON, 2007, p. 49):

Pesquisar é o exercício sistemático de indagação da realidade observada, buscando conhecimento que ultrapasse nosso entendimento imediato, com um fim determinado e que fundamenta e instrumentaliza o profissional a desenvolver práticas comprometidas com mudanças significativas, no contexto em que se insere e em relação à qualidade de vida do cidadão. Em outros termos, Iamamoto (2008) ressalta que o domínio teórico-metodológico só se atualiza e adquire eficácia quando aliado à pesquisa da realidade, isto é, dos fenômenos históricos particulares que são objetos do conhecimento e da ação do Assistente Social. Considerando as transformações socioeconômicas ocorridas, a descentralização das políticas públicas, entre tantos outros fatores, exige-se hoje um profissional com domínio das particularidades da questão social a nível regional e municipal.

Sposati (2007) igualmente afirma que há um desafio para a pesquisa no Serviço Social no Brasil. A autora aponta que ainda não se trabalha em rede entre os núcleos de pesquisa das universidades, dificultando a constituição de comunidades de interesses, intercâmbio e acumulação de conhecimento no âmbito da pesquisa em Serviço Social. Há um isolamento das investigações, quer pela predominância de sua produção vinculada às monografias, dissertações e teses enquanto trabalhos de caráter individual. A autora salienta ainda que é preciso uma Política de Pesquisa em Serviço Social aprovada em coletivos que provoque o elo aglutinador dessa comunidade científica.

A consciência do trabalho em rede para a pesquisa esteve presente nas etapas de construção do Programa Movimentando a Família. Na terceira etapa do Programa - Levantamento de Dados - houve a parceria com o curso de Serviço Social da Unisul, para a realização da pesquisa com as famílias.

Já para a quarta etapa do Programa – Conhecendo o Território – pesquisa de mapeamento de organizações sociais, também ocorreu uma parceria para a coleta de dados. Por meio de contatos entre os profissionais da área, o Programa identificou que havia várias entidades realizando a mesma pesquisa dentro do município de São José e Palhoça. O trabalho em rede nessa etapa possibilitou a captação de dados, otimizando tempo e recursos utilizados.

É resgatando a capacidade criadora existente no Serviço Social, é percebendo os múltiplos movimentos existentes no seu interior, os esforços e empenhos na construção do conhecimento [...], e é a partir dessas experiências objetivas que acreditamos encontrar os significados da prática de pesquisa para o Serviço Social e consequentemente os diferentes

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entendimentos sobre esse ato criativo e (re) construtor teórico da realidade. (SETUBAL, 2002, p. 33).

Considera-se pertinente a citação acima, referente a uma nova visão e novas formas de atuação para a pesquisa em Serviço Social. Com isso, fica evidente a reflexão de que a constituição em rede para a pesquisa é fundamental para o mútuo conhecimento e intercâmbio de idéias, resultados e reflexões. A importância de produções interinstitucionais é notória, pois fortaleceria o processo de iniciação científica tanto dos acadêmicos como dos profissionais.

Diante das perspectivas, possibilidades e da amplitude que a pesquisa trás, por ocasião dos estudos e trabalhos vivenciados, e pelo desenvolvimento da prática e identidade profissional, percebe-se quão importante é o resultado: a construção do conhecimento e as possibilidades de identificação das demandas, produzido a partir da pesquisa. Por isso, no capítulo a seguir contextualiza-se o entendimento sobre família e as políticas públicas deste segmento.

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3 FAMÍLIA

Neste capítulo, será apresentada uma das instituições básicas da sociedade: a Família. Trata-se de entender o seu contexto, sua constituição, suas mudanças e refletir sobre o seu papel nos dias atuais.

A Família é historicamente perpassada por valores morais, religiosos e ideológicos, e o texto a seguir está respaldado em contribuições de vários autores de diferentes áreas do conhecimento.

3.1 BREVE HISTÓRICO DA FAMÍLIA

Numa breve retrospectiva da história da Família, tem-se como principal referência a obra de Áriès (1981), que retratou a evolução e transformação da Família e da criança da Idade Média à Idade Moderna.

Na conhecida Idade Média, entre o século X e XIV, o modelo de sociedade baseava-se entre os senhores feudais, os camponeses e o clero (Igreja). Neste contexto, a Família vivia de forma igualitária, em que homens e mulheres trabalhavam juntos, e as crianças viviam com seus pais até a idade de sete ou nove anos. Quando atingiam essa idade, as crianças eram enviadas às casas de outras famílias para receberem educação e bons costumes, ou seja, se tornarem “aprendizes”, mas também fazerem as tarefas da casa e servirem aos seus “mestres”.

A partir do século XV, vários fatores históricos da época influenciaram para que mudanças ocorressem também na sociedade: a expansão marítima, o Renascimento, as tendências reformadoras da Igreja, a mudança de crenças e valores dos cidadãos. Eis que surge o sentimento de família.

Áriès ressalta que o sentimento de família era desconhecido na Idade Média, e nasce nos séculos XV-XVI, atingindo vigor definitivo no século XVII, tendo como fator primordial o fortalecimento das relações com a criança, que antes não tinha uma importância significativa para os pais.

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Com as transformações ocorridas, esse sentimento também se modificou, com a preocupação da criação e educação dos filhos, em que a criança deixou de ser reprodução da força de trabalho e começou a ser educada pela escola, e a viver com a família. Segundo Szymanski (2003), a passagem da família-tronco para a família nuclear, ao longo da Renascença, traz consequências diretas para as crianças: integrá-las na comunidade por meio de uma educação escolar como indivíduo de direito na sociedade, que é o início de um processo que se consolidou na contemporaneidade.

Neste período, a mulher também sofre profundas mudanças: perde sua autonomia, com a formalização da incapacidade jurídica da mulher casada e a soberania do marido na família. Estabeleceu-se assim a grande desigualdade entre homens e mulheres, que culminou até a segunda metade do século passado. Posteriormente, tais mudanças com as mulheres viriam a acontecer sob forma de protestos e novas legislações.

Com a descoberta da paternidade e a questão da propriedade, os homens passaram a controlar a vida sexual das mulheres, para quem a virgindade até o casamento e a fidelidade são exigências fundamentais. Está nesse momento instituída a família monogâmica e patriarcal, como meio de assegurar a transmissão da herança a filhos de paternidade incontestável. O homem, agora pai, torna-se mais inacessível para os filhos e domina a família como uma figura de autoridade e poder, requerido principalmente para as “grandes decisões”. (LYRA. et al, 2003 p. 81)

Mioto (1997) afirma que esse modelo de família monogâmica e patriarcal só apareceu quando descoberta a relação ente ato sexual e filiação, o que significou uma virada histórica na humanidade, presente até os dias atuais, criando-se a cultura da transmissão dos bens para os filhos legítimos e a relação família e propriedade se fortaleceu.

As formas de sociabilidade também se transformaram, deixando a coletividade, como era costume até o século XV, onde vizinhos, comerciantes, e pessoas estranhas frequentavam as residências. Com o sentimento de família houve um recolhimento; as pessoas ficam longe das ruas, há o fechamento das portas e a criação de cômodos restritos para se criar a intimidade doméstica. Esta é considerada a vida privada, uma das maiores mudanças na história da humanidade. Importante salientar também que a evolução da Família medieval para a Família do século XVII e para a Família moderna durante muito tempo se limitou aos nobres, burgueses, artesãos e lavradores ricos. Ainda no início do século XIX, uma

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grande parte da população, a mais pobre e numerosa, vivia como as famílias medievais, com as crianças afastadas da casa dos pais.

Os costumes contemporâneos influenciados pelo sentimento de família começam nesse momento da história a influenciar todas as classes. Mais tarde, no auge da Revolução Industrial e ascensão do Capitalismo, houve a migração das famílias do campo (submetidas aos senhores feudais) para trabalharem nas fábricas das cidades e surgiu a Família operária. Sobre o capitalismo industrial, Martinelli (1995, p. 43) afirma que:

Por não demandar um grande aprendizado anterior e nem mesmo o dispêndio de forças físicas especiais a indústria capitalista trouxe para a fábrica mulheres, jovens e crianças, o que implicava graves repercussões para a personalidade desses jovens trabalhadores e para a estrutura de sua vida familiar.

A estrutura familiar nesse período da Revolução Industrial, mais precisamente das classes abastadas que viriam a ser chamadas de “proletariado”, foi marcada por revoluções, trabalho escravo, alienação, miséria e pobreza. As famílias por um longo período estiveram abandonadas pelo poder público e qualquer prestação de assistência.

No Brasil, com a colonização portuguesa, as relações baseavam-se nos moldes familiares da Europa. Ressalta-se, porém, que a formação da organização familiar do Brasil é permeada, num ponto de vista histórico, por uma grande variedade de pessoas, tendo em vista a miscigenação cultural e multiétnica e a extensão do país, além dos vários povos que aqui se instalaram, pois, além dos europeus, vieram milhares de africanos.

Conforme Holanda (1995, p.31):

A tentativa de implantação da cultura européia em extenso território, dotado de condições naturais, se não adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em consequências. Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas idéias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra.

Essa reflexão serve como entendimento da criação das relações, sociedade e famílias no Brasil, sendo um contexto diferente do modelo europeu estudado. Mesmo assim, a criação do modelo patriarcal pai, mãe e filhos, e a vida privada fizeram parte da construção da história brasileira.

A partir da Proclamação da República e Abolição da Escravatura no Brasil, foram implementadas políticas para a infância, assim como maior preocupação com

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a mortalidade infantil, a amamentação, a inserção escolar, a creche como forma de substituir a Roda de Expostos3, na Santa Casa de Misericórdia. Também houve interesse em propiciar condições para que os pais trabalhadores pudessem ganhar a vida dentro da ordem capitalista industrial incipiente. Nesse contexto, Faleiros (2004) enfatiza que a ordem social deveria ser priorizada através da correção do comportamento desviante com casas “correcionais” e “orfanatos” preparatórios para o trabalho.

Sabe-se que, a partir da Revolução Industrial no Brasil, implementada no final do século XIX, configuraram-se as novas formas de viver da sociedade brasileira. Holanda (1995) afirma que o desenvolvimento da urbanização – que não resulta unicamente do crescimento das cidades, mas também do crescimento dos meios de comunicação, atraindo vastas áreas rurais para a esfera de influência das cidades – acarretaria um desequilíbrio social, cujos efeitos permanecem vivos ainda hoje.

É, portanto, inegável a importância de conhecer o contexto histórico da organização familiar, a estrutura social na qual está inserida, bem como as mudanças que ocorreram ao longo dos séculos, décadas e anos, compreendendo as atuais configurações da Família, descrita no item a seguir.

3.2 COMPREENDENDO A FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA E AS POLÍTICAS PÚBLICAS DESTE SEGMENTO

A partir do século XX, a sociedade brasileira passa por grandes transformações. O entendimento sobre Família se dá pelos fatores econômicos, políticos, culturais e ideológicos, e os arranjos familiares são construídos diante dessa realidade.

A atividade econômica preponderantemente agrícola vai ao longo dos anos dando lugar à urbanização e industrialização. No início do século, os fatores políticos também contribuem para o crescimento e mudanças nas configurações familiares.

3

A “roda” era um instrumento mecânico de forma cilíndrica que girava sobre o próprio eixo, compreendendo duas partes, uma voltada para o exterior e outra para o interior da Santa Casa.

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Almeida Júnior (2005), no seu artigo sobre a evolução do direito de família no Brasil, relata que, desde que o Brasil se tornou independente do colonizador, era anseio a edição de um código civil, a fim de fincar a soberania nacional, bem como dar ares de nação civilizada à então recém-liberta colônia. Isso se deve ao crescimento da urbanização, da classe média e sua crescente ocupação na política.

O primeiro código civil brasileiro, promulgado em 1916, adotava uma posição bastante conservadora e que atendia à classe média, distanciando-se da realidade social da grande massa populacional. Além disso, Almeida Júnior (2005) afirma que o modelo de família defendido por esse código é patriarcal, como por exemplo, o artigo 233 do Código, dispõe que o chefe de família é o marido.

No ano de 1988 ocorreram mudanças significativas no conceito de Família, momento esse em que a realidade é a de um país que saiu da ditadura para a democracia, sendo instituída a Constituição de 88, apresentada a partir da garantia de direitos. Esse fato se tornou importante não só para as famílias e as Políticas Sociais, como também para os profissionais que atuam neste segmento.

A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, caracteriza-se como um avanço nas questões relativas à área social, instaurando o tripé da Saúde, Previdência e Assistência Social. A Constituição prevê no seu artigo 226: A Família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado (BRASIL, 2007).

No mesmo artigo, no parágrafo 5º, os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher. Aqui é expressa a mudança no que se refere ao modelo patriarcal, onde o poder era do homem na relação, tornando-se uma das principais mudanças na sociedade.

Oportuno também citar neste artigo o parágrafo 8º: O Estado assegurará a assistência à Família na pessoa de cada um dos seus integrantes, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações (BRASIL, 2007).

O Código Civil também precisou ser atualizado, concedendo à Família moderna um tratamento de acordo com a realidade social hodierna. Conforme Diniz (2007, p.3):

Constitui o direito de família o complexo de normas que regulam a celebração do casamento, sua validade e os efeitos que dele resultam, as relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal, a dissolução desta, a união estável, as relações entre pais e filhos, o vínculo do parentesco e os institutos complementares da tutela e curatela. Abrange esse conceito, lapidarmente, todos os institutos do direito de família, regulados pelo novo Código Civil nos arts. 1.511 a 1.783.

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Sabe-se que as mudanças na Família brasileira são decorrentes do processo de modernização da sociedade a partir da segunda metade do século XX. Para isso, o Código Civil se atualizou frente a essas mudanças, destacando o princípio da igualdade jurídica dos cônjuges e dos companheiros, que revolucionou o governo da Família organizada sobre a base patriarcal. Com esse princípio, a autocracia do chefe de família é substituída por um sistema em que as decisões devem ser tomadas de comum acordo entre conviventes ou entre marido e mulher.

A Família, nas suas mais diferentes configurações, tem importância fundamental em qualquer processo de mudança social. Por ela passam as decisões e a maioria dos processos culturais básicos que podem contribuir para mudanças. Muito peso é atribuído à Família, pois ela ainda representa um grande valor na sociedade e se constitui nossa principal instituição formadora.

Pensar a realidade da Família requer necessariamente compreender a realidade da sociedade e do mundo. Em escala crescente, a globalização e os avanços tecnológicos implicaram uma reformulação em todos os setores: transformações sociais, do econômico ao político, das relações à educação, cultura e costumes, etc.

Com isso, Mioto (1997) reflete as transformações da vida familiar:

As mudanças acarretaram uma fragilização dos vínculos familiares e uma maior vulnerabilidade da família no contexto social. Esta vulnerabilidade está relacionada ao enxugamento da família brasileira (número de filhos, separações, divórcios) e a sua nova composição (famílias nucleares, aumento crescente das famílias monoparentais e especialmente de mulheres chefiando famílias, aumento das pessoas sozinhas). As famílias menores, sem dúvida, são mais vulneráveis às situações de crises, como mortes, desemprego, doenças e outros.

Tais mudanças ocorreram em um curto espaço de tempo, mais precisamente a partir da década de 60, e as pessoas que vivem desde essa época sabem como é notória a transformação da sociedade brasileira. Alguns exemplos de mudanças são: número reduzido de filhos, diminuição dos casamentos e aumento da união estável, queda do modelo de família nuclear (pai, mãe e filhos) e aumento das famílias monoparentais (pai ou mãe solteiros), entre outros.

Na visão de Romanelli (2002), uma das transformações mais significativas na vida doméstica e que redunda em mudanças na dinâmica familiar é a crescente participação do sexo feminino na força de trabalho, em consequência das dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias.

Referências

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