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A execução deste trabalho parte da experiência vivenciada pela acadêmica Lygia Pereira, nos estágios curriculares obrigatórios II e III, realizados na sexta (6ª) e sétima (7ª) fase do curso de Serviço Social da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL.

O estágio supervisionado em Serviço Social é atividade integrante do processo de formação do Assistente Social, sendo realizado a partir de supervisões sistemáticas desenvolvidas de forma conjunta entre supervisor de campo e supervisor pedagógico, com base no planejamento do estágio elaborado pelas unidades de ensino e as organizações que oferecem espaço para realização dos estágios.

Conforme Nova lei de estágio, no seu artigo 1º parágrafo 2º, o estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho. (BRASIL, 2008)

A inserção da estagiária na Ides/Promenor teve como escopo principal as atividades no Programa Movimentando a Família. Inicialmente, no estágio II, a acadêmica auxiliou nas pesquisas com as famílias, coordenado por dois estagiários do Programa na época. A pesquisa compreendia a 3ª etapa do Programa, com a finalidade de identificar o perfil das famílias atendidas na organização, cadastrá-las e convidá-las a participarem do novo projeto a ser implantado na Instituição.

Realizaram-se algumas entrevistas com familiares das crianças do Centro de Educação Infantil Girassol, um dos programas integrantes do Núcleo da Infância (NUI), e com pais dos adolescentes do Núcleo Formação e Trabalho (NUFT), no momento em que os jovens estavam se inscrevendo para o programa Jovem Trabalhador. Por um breve momento, a acadêmica também auxiliou na tabulação de dados da pesquisa com as famílias.

Definida a atividade da acadêmica, esta ficou responsável por uma parte do quarto (4º) movimento do programa, o Mapeamento de Serviços e Programas oferecidos pela rede de atendimento público, privada e do terceiro setor, dos municípios São José e Palhoça. Estabeleceram-se assim, no segundo semestre de 2008, as pesquisas no município de São José, e, no primeiro semestre de 2009, no município de Palhoça. Havia também uma estagiária curricular, responsável pela outra parte do quarto (4º) movimento, mapeando os municípios de Biguaçú e Florianópolis.

Com o início de mais uma etapa, a equipe do Programa Movimentando a Família e os estagiários reuniram-se a fim de definir os dados necessários para subsidiar o atendimento com as famílias da Instituição, definindo assim o formulário de pesquisa do mapeamento. Além disso, procurou-se criar um programa, na forma de banco de dados, para armazenar todas as informações colhidas na pesquisa das famílias e do mapeamento; dessa forma, se fez necessária uma reunião com o programador de sistemas da Ides/Promenor para definir a melhor forma de criar esse sistema.

Na presente pesquisa, o objeto de investigação da acadêmica é mapear as organizações do terceiro setor que desenvolvem programas e serviços

socioassistenciais nos municípios de São José e Palhoça, nas áreas de educação, idosos, saúde, meio ambiente, crianças e adolescentes e assistência entre outras.

A esse propósito, Dowbor (1999) ressalta que o chamado terceiro setor aparece como uma alternativa de organização que pode, ao se articular com o Estado e assegurar a participação cidadã, trazer respostas inovadoras. O terceiro setor engloba instituições de caridade, organizações religiosas, entidades voltadas para as artes, organizações comunitárias não governamentais, associações profissionais, diversos movimentos sociais e instituições voluntárias.

Sendo assim, para a identificação desses programas e serviços socioassistenciais dos referidos municípios, coletaram-se informações e dados junto às listas telefônicas e internet. Entretanto, através de contatos entre a supervisora de campo com outras instituições que atuavam no município de São José com projetos voltados em mapear organizações socioassistenciais, discutiu-se a possibilidade de articular essa atividade; frente a isso, uma reunião foi agendada, ficando a acadêmica Lygia como representante da Ides/Promenor nas reuniões.

Após alguns encontros, foi estabelecida uma parceria para o mapeamento do município São José, com as entidades: Instituto Comunitário da Grande Florianópolis (ICOM); Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) de São José; o Educandário Santa Catarina, o Programa Mesa Brasil do Serviço Social do Comércio (SESC) e a Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência dos Funcionários do Banco do Brasil e da Comunidade (APABB).

Foram realizados alguns encontros com as parcerias para o mapeamento de São José, que resultaram em:

a) unificação do formulário de coleta de dados;

b) realização de um levantamento da quantidade de instituições já mapeadas e o número de quantas por realizar;

c) organização da digitação das informações do antigo formulário (ICOM e CRAS) para o novo;

d) planejamento da nova coleta nas instituições faltantes.

Já para a pesquisa no município de Palhoça, instituiu-se parceria de coleta de dados somente com a instituição ICOM, que realiza o mapeamento não só em São José e Palhoça, mas também em Florianópolis e Biguaçú. O objetivo do ICOM é mapear e construir um cadastro do universo das organizações sem fins lucrativos atuantes na região da Grande Florianópolis.

Com isso criou-se um trabalho em rede, que propiciou o desenvolvimento de ações conjuntas, com o objetivo de responder às demandas sociais emergentes da sociedade, por meio de novas formas de atuação e articulação social. O conhecimento dos serviços socioassistencias e das instituições que os prestam, possibilitou a troca de informações e a articulação dos profissionais que nelas atuam, proporcionando ampliação, agilidade e efetividade no atendimento às demandas dos usuários.

Os serviços socioassistenciais são atividades que objetivam a melhoria de vida da população, por meio do desenvolvimento de ações que possibilitem o acesso à segurança e à cobertura de necessidades especiais essenciais da população, tais como: alimentação, abrigo, lazer e cultura, profissionalização, informação, apoio psicológico, apoio domiciliar, entre outros, bem como promover a inclusão social de seus usuários na vida comunitária/societária e familiar.

A acadêmica realizou contato telefônico com as instituições, a fim de apresentar o trabalho desenvolvido e seus objetivos, além de convidá-las a participar. Inicialmente, encaminhou-se o formulário via e-mail para as instituições, constatando-se, porém, que a pesquisa não estava alcançando os resultados almejados. Diante disso, definiu-se agendar horário para pessoalmente realizar a entrevista e o preenchimento do formulário de pesquisa.

A partir daí, estabeleceu-se a pesquisa de campo, que segundo Minayo (2007, p.75):

O trabalho de campo é em si um momento relacional, específico e prático: ele vai e volta tendo como referência o mundo da vida, tendo em vista que a maioria das perguntas feitas em pesquisa social surge desse universo: da política, da economia, das relações, do funcionamento das instituições, de determinados problemas atinentes a segmentos sociais, da cultura geral ou local, e outros. No entanto, as perguntas que fazemos sempre nos remetem a algo desconhecido, ao que permanece oculto para nós, ao que nos é estranho na linguagem, na cultura, nas relações ou nas estruturas.

As pesquisas de campo, quando adequadamente conduzidas, podem revelar inesperados e surpreendentes resultados que possivelmente não seriam alcançados se a pesquisa fosse realizada por outros meios.

A experiência nesse período de estágio curricular também traz a produção da documentação específica de estágio, como o plano de estágio, diário de campo, relatório descritivo, relatório final e projeto de pesquisa, considerados instrumentos de suma importância também utilizados no exercício da prática profissional.

Enquanto forma de documentação profissional articulada ao aprofundamento teórico, o diário de campo, quando utilizado em um processo constante, pode contribuir para evidenciar as categorias emergentes do trabalho profissional, permitindo a realização de análises mais aprofundadas. O diário de campo consiste em uma forma de registro de observações, comentários e reflexões para uso individual do profissional e do aluno.

Além disso, a utilização do diário, pelo profissional de uma instituição, é o registro do trabalho que fica para futura análise, estudos, e auxilio para novos profissionais que venham a trabalhar naquela área/setor.

Esses e outros instrumentais proporcionam ao profissional de Serviço Social a qualificação para novas competências, buscando novas legitimidades, indo além da mera requisição instrumental - operativa do mercado de trabalho. Para Guerra (2007), o enriquecimento da instrumentalidade do exercício profissional resulta num profissional que, sem prejuízo da instrumentalidade no atendimento das demandas, pode antecipá-las. E habilidade no manejo do instrumento técnico, saber colocar-se em seu devido lugar.

Ressalta-se o conhecimento adquirido durante esses meses de estágio, vivenciando dentro da instituição Ides/Promenor a atuação dos profissionais, suas possibilidades e dificuldades. Além disso, no decorrer da pesquisa para o Programa Movimentando a Família, foi possível refletir sobre um dos princípios fundamentais do Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais (BRASIL, 1993): compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional.

No próximo item, apresentam-se a análise e os resultados sobre o mapeamento dos programas e serviços socioassistenciais dos municípios de Palhoça e São José, na forma de categorias, na perspectiva de demonstrar o universo existente nessas organizações.