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Reconhecimento e eficiência

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA LAIDIARA SCHNEIDER

RECONHECIMENTO E EFICIÊNCIA - A PERCEPÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE ACERCA DA INSERÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS DO CURSO DE PSICOLOGIA EM

UM HOSPITAL GERAL

Palhoça 2009

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RECONHECIMENTO E EFICIÊNCIA - A PERCEPÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE ACERCA DA INSERÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS DO CURSO DE PSICOLOGIA EM

UM HOSPITAL GERAL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Psicólogo.

Orientador: Prof. Maurício Eugênio Maliska, Dr.

Palhoça 2009

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RECONHECIMENTO E EFICIÊNCIA - A PERCEPÇÃO DA EQUIPE DE SAÚDE ACERCA DA INSERÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS DO CURSO DE PSICOLOGIA EM

UM HOSPITAL GERAL

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de psicólogo e aprovado em sua forma final pelo Curso de Psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina — UNISUL.

Palhoça, ____ de ____________ de 2009.

_______________________________ Prof. e orientador Maurício Eugênio Maliska, Dr.

Universidade do Sul de Santa Catarina

_______________________________ Isabel Cristina Alves Maliska, Msc Universidade Federal de Santa Catarina

_______________________________ Simone Vieira, Msc

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capacidade de superação diante das dificuldades encontradas para a realização deste.

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Ao meu orientador Maurício, pela paciência dedicada a mim e ao meu trabalho, e por sempre ter me instigado a escrever com o máximo de minha capacidade.

Às minhas amigas Pati e Mari, pela amizade, força, apoio, e pelas palavras de conforto disponibilizadas neste período, assim como minhas colegas de orientação Amanda, Alina e Maira, pelas inúmeras “terapias” de carro, de corredor, de sala de aula, enfim, nossas chamadas “terapias de grupo”, que sempre nos auxiliou nos momentos difíceis.

Meus agradecimentos à Jacquie, por todo o conhecimento compartilhado ao longo destes anos; bem como à Ale, que muito me ensinou nesta última etapa de curso.

À Simone e à Isabel, que aceitaram ler, sugestionar e participar da minha banca, sem suas contribuições, o meu trabalho não seria o mesmo.

Agradeço a minha amiga Verinha, pela troca sincera de idéias, conhecimentos e vivências, assim como por todos os ensinamentos, cafés, trabalhos, noites em claro, sorrisos e lágrimas compartilhados ao longo destes cinco anos de faculdade.

À minha irmã Nai, por contribuir de maneira proveitosa para a forma final do trabalho, e pela parceria de nossa relação...

Ao meu namorado Thiago, pelo companheirismo e também por acreditar na minha capacidade e me incentivar a sempre querer continuar.

Aos meus pais, pelos inúmeros telefonemas com palavras sábias que tanto me confortavam quando precisava, e por sempre estarem presentes, mesmo à distância.

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do seu desejo, da sua sensibilidade, do seu compromisso, da sua competência, da sua autoria, enfim. [...]Entre medos e ousadias, prosseguimos! Apostando na apropriação da palavra. Caminho onde não há receita Ou onde a única receita é a invenção. [... ] invenção que no limite é reinvenção de nós mesmos... E agora? É o fim? Não sabemos... Fecham-se as cortinas... Ou talvez... Abrem-se...” (GALIANO, 1997, p. 86)

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A inserção da psicologia como parte da equipe multidisciplinar no ambiente hospitalar é um processo contínuo e em constante atualização. Diante disto, essa pesquisa teve como objetivo verificar a percepção da equipe de saúde acerca da inserção dos estagiários do curso de Psicologia em um Hospital Geral. Para alcançar este objetivo, foram realizadas entrevistas com profissionais da saúde que já tiveram contato com a atuação dos estagiários de psicologia, por, no mínimo, um semestre durante o período de 2006 a 2008 nas alas em que é desenvolvido o estágio em psicologia. A pesquisa é de natureza qualitativa, possui um caráter exploratório, de levantamento e utilizou entrevista semi-estruturada para a realização da coleta dos dados. A análise de conteúdo foi realizada através da construção de categorias selecionadas a partir dos objetivos da pesquisa e do conteúdo das entrevistas. Na análise, verificou-se que os profissionais de saúde parecem perceber os estagiários de psicologia como parte da equipe multidisciplinar, de um modo geral, percebendo suas intervenções de maneira positiva. Os resultados apontam que as profissionais entrevistadas percebem as intervenções dos estagiários como acompanhamento e suporte psicológico para pacientes e familiares. Além disso, percebem que os resultados das intervenções são eficientes, havendo assim, um reconhecimento do trabalho por parte desta equipe. Ainda, percebem uma relação de parceria entre a equipe, reconhecendo o empenho por parte dos estagiários de psicologia.

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Tabela 1 – Perfil dos participantes ... 37

Tabela 2 – Categorias do objetivo “a” ... 40

Tabela 3 – Categorias do objetivo “b” ... 51

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1 INTRODUÇÃO ... 10 1.1 PROBLEMÁTICA ... 10 1.2 OBJETIVOS ... 13 1.2.1 Objetivo Geral ... 13 1.2.2 Objetivos Específicos ... 13 1.3 JUSTIFICATIVA ... 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 18

2.1 HISTÓRIA DOS HOSPITAIS ... 18

2.2 HISTÓRICO DA INSERÇÃO DO PSICÓLOGO NO HOSPITAL ... 22

2.3 PSICOLOGIA HOSPITALAR ... 25

2.4 A PERCEPÇÃO SOCIAL E ATRIBUIÇÀO DE CAUSALIDADE ... 30

2.5 A EQUIPE MULTIDISCIPLINAR E INTERDISCIPLINAR ATUANTE NOS HOSPITAIS ... 31 3 MÉTODO ... 34 3.1 TIPO DE PESQUISA ... 34 3.2 PARTICIPANTES ... 35 3.3 MATERIAIS ... 35 3.4 SITUAÇÃO E AMBIENTE ... 35

3.5 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS ... 36

3.6 PROCEDIMENTO ... 36

3.6.1 Seleção de participantes ... 36

3.6.2 Contato com os participantes ... 37

3.6.3 Coleta e registro dos dados ... 38

3.6.4 Organização, tratamento e análise dos dados ... 38

4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ... 40

4.1 INTERVEÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS ... 40

4.1.1 Atenção e suporte psicológico ... 42

4.1.2 Acompanhamento psicológico ... 43

4.1.3 Acompanhamento psicológico no processo de hospitalização ... 45

4.1.4 Necessidade de mais atendimentos ... 47

4.1.5 Atendimento ao familiar ... 49

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4.2.1 Reconhecimento ... 52

4.2.2 Eficiência ... 54

4.2.3 Aceitação ... 56

4.2.4 Recuperação do paciente ... 57

4.2.5 Processo longo ... 58

4.3 RELAÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS COM A EQUIPE DE SAÚDE ... 60

4.3.1 Parceria ... 60 4.3.2 Empenho ... 62 4.3.3 Troca interdisciplinar ... 63 4.3.4 Concorrência ... 65 5 CONSIDERAÇÕS FINAIS ... 67 REFERÊNCIAS ... 70 APÊNDICES ... 73

APÊNDICE A - Roteiro de Entrevista Semi-Estruturada ... 74

ANEXOS ... 75

ANEXO A - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ... 76

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1 INTRODUÇÃO

A presente pesquisa contempla a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II, da Unidade Curricular do Curso de Graduação em Psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL. Ela partiu da experiência do Estágio Curricular Obrigatório, vinculado ao Núcleo da Saúde, que se deu em um Hospital Geral de Florianópolis.

A pesquisa visa verificar qual a percepção da equipe de saúde acerca da inserção dos estagiários do curso de Psicologia em um Hospital Geral. Para se chegar neste objetivo geral, será verificada a percepção da equipe de saúde sobre as intervenções dos estagiários do Curso de Psicologia para com os pacientes hospitalizados, bem como, a percepção da equipe de saúde sobre a relação dos estagiários com esta equipe, e ainda, a percepção da equipe de saúde sobre o resultado das intervenções dos estagiários do Curso de Psicologia. Desta forma, caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de tipo exploratório e de levantamento, a qual será realizada com cinco profissionais da equipe de saúde do hospital.

Para fundamentar a análise dos dados, esta pesquisa apresenta discussões teóricas a partir dos seguintes eixos: a história dos hospitais; um histórico sobre a inserção da Psicologia nos hospitais; a psicologia hospitalar; a percepção social e a atribuição de causalidade e, por fim, a equipe multidisciplinar atuante nos hospitais.

1.1 PROBLEMÁTICA

De modo geral, o hospital é uma instituição destinada ao cuidado e tratamento das necessidades orgânicas dos pacientes hospitalizados, esta concepção foi se constituindo ao longo do histórico dessa instituição. De acordo com Koifman (2001), no final do século XV e início do século XVI se inicia o modelo biomédico, influenciado pelo paradigma cartesiano, tendo, como principal característica, o “mecanismo fisiologista”. Este, por sua vez, era um modelo que

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entende o corpo como sendo uma máquina complexa, que tem ou teria problemas que somente seriam resolvidos por um especialista e, em virtude disso, preconiza a verificação de exames constantes. A partir disso, segundo Koifman (2001), os hospitais passaram a ser organizados como espaço clínico de uma ciência das entidades patológicas. O corpo humano tornou-se, então, a sede das doenças; e as doenças, entidades patológicas.

Nos registros de Foucault (1996), encontra-se que somente a partir de meados do século XVIII é que se constitui um hospital com fins médico/terapêutico. Até o começo do mesmo século, o hospital era uma instituição voltada para a assistência, separação e exclusão dos pobres, pois o sujeito sendo pobre necessitava de assistência; como “portador de doença”, o hospital tinha a função de excluí-lo, para assim, proteger as outras pessoas de seu contágio.

Com o passar dos tempos, mais especificamente no início do século XX, o papel e as funções do hospital foram se modificando, tornando-se mais abrangentes, passando a servir a toda comunidade e, desta forma, começa a pautar-se no âmbito restaurativo, preventivo, educativo e de pesquisas (GONÇALVES, 1983 apud CAMPOS, 1995).

Da mesma forma, o conceito de saúde vai se ampliando com o passar dos anos: em 1948, de acordo com Kahhale (2003, p. 165), a OMS entende saúde como um “completo bem estar físico, mental e social” ao invés de ausência de doença, como era compreendida até então. Agora, passa-se a pensar num preâmbulo biológico, psíquico e social.

Partindo-se desta premissa de saúde, é que se pode pensar na inserção dos psicólogos na área hospitalar, uma prática que, de acordo com Speroni (2006), vem ocorrendo desde meados de 1950. A partir disso, “a doença passou a ser compreendida, como um estado de crise agravado pela hospitalização” (SPERONI, 2006); o que levou a concluir que este estado de hospitalização pode levar ao desequilíbrio do sujeito hospitalizado. Desta forma, o principal objetivo do psicólogo atuante nesta área é aliviar o sofrimento causado pelo processo de adoecimento e hospitalização em sujeitos hospitalizados, assim, “[...] evitando as possíveis seqüelas emocionais desta vivência” (ANGERAMI-CAMON, 1995 apud SPERONI, 2006).

Tal prática vem ao encontro da política de humanização proposto pelo Ministério da Saúde através do Sistema Único de Saúde – SUS, uma filosofia que

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propõe, dentre outras questões, a humanização no hospital, cuja proposta da equipe que o desenvolve é compreender o paciente em sua totalidade, como um ser integrado no mundo e não focado apenas na doença ‘orgânica’ (KAHHALE, 2006).

Neste sentido, a inserção do psicólogo no ambiente hospitalar pode causar certo estranhamento nos demais profissionais da equipe de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas), pois suas intervenções serão sobre os aspectos psicológicos envolvidos na doença, e não sobre os aspectos orgânicos onde geralmente atuam tais profissionais. O psicólogo não vai tratar da doença orgânica, e sim do aspecto psicológico que pode estar ali envolvido.

É importante que a equipe multidisciplinar atuante nos hospitais tenha um bom entrosamento entre si, procurando manter-se informada das intervenções dos outros profissionais, tendo em vista que o objetivo de proporcionar alívio do sofrimento ao paciente é comum a todos os profissionais, todavia, cada um atuará de acordo com sua especificidade. Em virtude disso, é que se tem a aspiração em saber como a atuação dos estagiários do curso de psicologia é percebida pelos outros profissionais da área da saúde de um hospital geral, sendo que é uma atuação muito recente na história dos hospitais.

Tendo em vista que, de acordo com Chiattone e Sebasttiani (1998, p.7) “é cada vez mais presente o reconhecimento de fatores psíquicos interferindo, determinando, muitas vezes agravando quadros orgânicos”, que se faz necessário a inclusão da psicologia hospitalar nas grades curriculares dos cursos de psicologia, bem como a especialização dos profissionais psicólogos.

A inclusão dos estagiários de psicologia e de psicólogos nos hospitais tem como foco aliviar o sofrimento do sujeito hospitalizado através de “conversas”; entretanto, não se trata de conversar com o paciente. Ismael (2005, p. 22) afirma que “a idéia que ainda muitas pessoas têm é a de que o psicólogo tem um ‘bom papo’”, quando na verdade é uma forma de atendimento psicológico voltada para a realidade do paciente hospitalizado.

Foi a partir do contato com os demais profissionais da saúde presente no hospital, no início do estágio do nono semestre, que surgiu o interesse pelo tema. No momento em que os estagiários faziam uma apresentação formal aos outros profissionais oferecendo o serviço, constatou-se - ainda que empiricamente - que alguns profissionais eram receptivos, dando importância aos aspectos psicológicos, porém outros pareciam não perceber tal importância.

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Partindo do ponto de vista que a atuação dos profissionais da saúde no hospital é diferente da atuação do psicólogo, pois os primeiros intervém no aspecto orgânico, biológico e fisiológico; e o segundo intervém no aspecto subjetivo, com foco no sujeito que possui determinada doença, trabalhando os aspectos psicológicos, é que coloca-se o seguinte problema de pesquisa: Qual a percepção da equipe de saúde acerca da inserção dos estagiários do Curso de Psicologia em um Hospital Geral?

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

Verificar a percepção da equipe de saúde acerca da inserção dos estagiários do curso de Psicologia em um Hospital Geral.

1.2.2 Objetivos Específicos

a) Verificar a percepção da equipe de saúde sobre as intervenções dos estagiários do Curso de Psicologia;

b) Verificar a percepção da equipe de saúde sobre o resultado das intervenções dos estagiários do Curso de Psicologia;

c) Verificar a percepção da equipe de saúde sobre a relação dos estagiários com esta equipe.

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A introdução de psicólogos nos hospitais é recente, de acordo com Speroni (2006), os psicólogos começaram gradualmente a se inserir nos hospitais gerais por volta da década de 50 e durante a década de 60. Esta inserção foi se constituindo em virtude da “[...] resposta às novas tendências que assinalavam a necessidade de expansão do saber biopsicossocial na compreensão do fenômeno da doença, visando modificar as concepções habituais, cristalizadas pelo modelo biomédico” (CHIATTONE, 2000 apud SPERONI, 2006) que passou a ser questionado.

A partir desta inserção é que se percebeu, de acordo com Angerami-Camom, et al (2004) “[...] que apenas recentemente a prática institucional mereceu preocupação dos responsáveis pelos programas acadêmicos em psicologia”, uma vez que os subsídios teóricos fornecidos pelos cursos de graduação em psicologia estavam amparados em áreas tradicionais da psicologia, como a clínica, a escolar e a organizacional. Apenas recentemente é que os cursos de graduação contemplaram disciplinas de psicologia hospitalar.

É nesse sentido que a Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL dispõe, em sua grade curricular, a oportunidade para os estagiários de nona e décima fase atuarem neste campo de estágio, com o objetivo de realizar intervenções psicológicas. O estágio é realizado em um Hospital Geral, que também está vinculado ao Núcleo Orientado de Psicologia da Saúde e é realizado no nono e décimo semestre do mesmo curso. Assim, é necessário fazer uma reflexão a respeito das publicações existentes sobre a atuação de estagiários em psicologia dentro de hospitais gerais, pois apesar de um número significativo de materiais publicados referentes à psicologia hospitalar, a discussão sobre a atuação dos estagiários em hospitais e como a equipe de saúde do hospital percebe esta atuação, ainda é pouco referenciada. Nesse sentido, esta pesquisa poderá somar-se ao material bibliográfico já existente, além de contribuir para o avanço de pesquisas futuras.

É de grande valia para os estagiários obterem um retorno da equipe de saúde sobre a forma com que os profissionais percebem suas intervenções e a inserção desses alunos na equipe de saúde do hospital. Além dos próprios estagiários perceberem - mesmo que de forma empírica - o resultado de seu trabalho, faz-se importante também saber a percepção de outros profissionais, uma vez que estes trabalham para uma mesma finalidade, focando na diminuição do

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sofrimento do paciente. Este retorno pode proporcionar aos estagiários maior segurança e integração com a equipe para intervir no hospital, e ainda pode fazer com que os mesmos enriqueçam sua atuação.

Nesse sentido, espera-se que este trabalho possibilite novas formas de reflexão para os estagiários referente às intervenções realizadas com os pacientes hospitalizados e seus cuidadores, de modo a contribuir para uma atuação cada vez mais bem qualificada e eficaz, com foco na diminuição do sofrimento.

A atuação do psicólogo é relevante em diversas áreas da psicologia, bem como na área hospitalar. Contudo, nota-se que por ser uma forma de atuação um tanto quanto recente, o número de psicólogos que atuam nos hospitais ainda não é o suficiente para atender a demanda encontrada nessas instituições.

O exposto acima pode ser melhor compreendido através do exemplo da cidade de Florianópolis, que, de acordo com Chagas Pereira (2006), existem um total de sete hospitais gerais, sendo que destes, cinco proporcionam um serviço de psicologia. Sendo eles:

a) Hospital Governador Celso Ramos, que disponibiliza o serviço de psicologia para grupos de apoio e visita aos leitos dos pacientes hospitalizados que necessitam do serviço;

b) O Hospital Universitário, que dispõe do serviço de psicologia principalmente nas áreas de ouvidoria, atendimento nos leitos e grupos de apoio. Além disso, possibilita aos acadêmicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vagas de estágio para assim, realizar atendimentos;

c) O Hospital de Caridade, que disponibiliza somente de uma psicóloga que é responsável pela área de Recursos Humanos (RH). O serviço de psicologia - que trabalha com a prática de atendimento aos pacientes hospitalizados, aos cuidadores destes pacientes, assim como, orientando a equipe técnica - se desenvolve através de uma parceria do Hospital com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), ao qual esta, possibilita aos acadêmicos de nona e décima fases do Curso de psicologia atuarem neste campo;

d) O Hospital Nereu Ramos, que disponibiliza de dois psicólogos hospitalares, um no período matutino e outro no vespertino, atuando através de atendimentos aos leitos;

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e) O Hospital Infantil Joana de Gusmão, que, segundo Chagas Pereira (2006), “este é o hospital da grande Florianópolis que se apresenta mais completo na atuação do psicólogo”, pois dispõe, de “preparação psicológica para o enfrentamento de situações específicas e acompanhamento psicológico ao óbito”.

Apesar do número de psicólogos ainda não se mostrar suficiente para atender a demanda dos hospitais, a inserção de estagiários de psicologia ao final do curso se faz importante e necessária, uma vez que muitas pessoas poderão se beneficiar do serviço.

Pode-se considerar os profissionais da saúde inseridos no contexto hospitalar, pois com a inclusão dos estagiários de psicologia, estes podem realizar um trabalho interdisciplinar, o que pode gerar maior adesão ao tratamento e melhores resultados tratando-se da diminuição do sofrimento do paciente e o processo de hospitalização. Os próprios pacientes também poderão se sentir beneficiados, pois serão ouvidos através de uma escuta clínica e poderão se sentir mais acolhidos, também minimizando o impacto do processo da hospitalização.

Ainda, os acadêmicos do curso de psicologia, uma vez que o conteúdo dado em sala de aula, ou seja, a parte teórica oferecida pela universidade não se mostra totalmente suficiente no preparo do futuro profissional para o mercado de trabalho, como afirma Angerami-Camon (2004), ao falar que “a formação acadêmica do psicólogo é falha em relação aos subsídios teóricos que poderiam embasá-lo na prática institucional”.

Desta forma, a prática se faz necessária, pois é apenas conciliando esta com a teoria, se terá uma aprendizagem mais completa, capacitando melhor o acadêmico para o campo profissional. Assim, o retorno dos profissionais da saúde quanto às intervenções dos estagiários, quanto ao resultado destas intervenções, e à relação dos estagiários com a equipe se mostra não apenas importante como também necessária, já que, pelo fato de nunca ter sido estudada, estas referências poderão contribuir não apenas aos atuais, como também aos futuros estagiários, que poderão ter uma idéia geral da forma como os profissionais de saúde deste campo pensam com relação à equipe dos estagiários de psicologia inseridos no hospital e suas intervenções – possibilitando um delinear sobre esta prática Psi, avaliando e inventando ‘novas’ proposições.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

Primeiramente, será apresentado um capítulo referente ao histórico dos hospitais, sendo exposto um breve histórico destas instituições delineando como este foi se constituindo ao longo dos séculos e perpassando por diversas mudanças de cunho institucional. Em seguida, será apresentada a inserção do psicólogo no campo da Psicologia Hospitalar, os primeiros registros dessa inserção a nível mundial e também a nível de Brasil - a partir de 1950 - momento do início de todo o trabalho; assim como as dificuldades por eles encontradas na prática hospitalar.

Ainda, será exposta a prática da psicologia hospitalar, através de uma breve explicação acerca da maneira como os psicólogos faziam suas intervenções, e como estas intervenções são feitas nos dias atuais. Será também comentada a realidade das instituições hospitalares, que possui suas diferenças diante da prática psicológica da clínica tradicional; e será realizada uma breve apresentação sobre as definições “psicologia hospitalar” e “psicologia da saúde”, a fim de esclarecer ao leitor suas diferenças e a razão em se optar pela psicologia hospitalar neste trabalho.

Será apresentado o conceito de percepção social a partir da atribuição de causalidade, já que esta pesquisa se propõe a investigar a percepção dos profissionais da saúde. Por fim, serão elencados aspectos referentes à importância da equipe de saúde atuante nos hospitais trabalhar de forma interdisciplinar, expondo suas contribuições para a melhor eficácia do tratamento ao paciente.

2.1 HISTÓRIA DOS HOSPITAIS

Até chegar aos tempos atuais em que o hospital é visto como uma instituição com a finalidade de curar, o hospital passou por diversas modificações ao longo dos séculos. Para Campos (2006, p. 617),

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os hospitais, hoje tão naturalmente associados à medicina, não nasceram como instituições médicas [...]; nasceram como instituições religiosas, de cuidados dos necessitados, dos mendigos, dos miseráveis que careciam de assistência humanitária, característica de algumas ordens religiosas [...]. era evidente que uma população desta natureza seria também uma população com muitos problemas de doenças, condição comumente associada à pobreza e à carência econômica e social.

Este fato pode ser melhor compreendido através das referências de Foucault (1996), que esboçam as mudanças ocorridas durante os últimos séculos. O autor elucida que, durante a Idade Média, o hospital não funcionava como uma instituição médica e a medicina não era uma prática hospitalar, pois anteriormente ao século XVIII, os hospitais tinham como função a assistência, separação e exclusão dos pobres. Deste modo, eles eram recolhidos por serem portadores de doenças e assim, poderiam ser perigosos à sociedade. Ou seja, “o personagem ideal do hospital, até o século XVIII, não é o doente que é preciso curar, mas o pobre que está morrendo” (FOUCAULT, 1996, p. 101). Os hospitais gerais funcionavam como hospedagem dos excluídos, misturando loucos, doentes, prostitutas e devassos, com um viés de “exclusão, assistência e transformação espiritual, em que a função médica não aparecia” (FOUCAULT, 1996, p. 102).

O hospital era entendido como um lugar para morrer, uma vez que esta instituição não visava a cura do doente. Não havia uma equipe de saúde e a assistência dos pacientes era feita por religiosas que estavam ali realizando uma “obra de caridade”. Estas pessoas, ao desempenhar a função de dar os últimos cuidados e sacramentos ao doente pensavam na salvação da alma do pobre, bem como na salvação da sua própria alma (FOUCAULT, 1996).

Vê-se, assim, que nada na prática médica desta época permitia a organização de um saber hospitalar, como também nada na organização do hospital permitia intervenção da medicina. As séries hospital e medicina permaneceram, portanto, independentes até meados do séc. XVIII (FOUCAULT, 1996, p. 103).

Neste sentido, pode-se pensar que o hospital passou a ser medicalizado e a medicina tornou-se hospitalar em virtude da atenção dada para as doenças que poderiam se espalhar para outros doentes e se disseminar pela cidade onde o hospital se situava, já que ocorria, nestas instituições, uma desordem econômico-social (FOUCAULT, 1996).

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A partir disto, surgiu a reorganização do hospital, que se deu através da política de disciplina, ou seja, “[...] é a introdução de mecanismos disciplinares no espaço confuso do hospital que vai possibilitar sua medicalização” (FOUCAULT, 1996, p. 107). O hospital torna-se disciplinarizado em virtude da vontade que se tinha de evitar a propagação das epidemias. Nesse contexto, os hospitais militares e marítimos tornaram-se o padrão no século XVIII, devido ao fato de que disciplinar os soldados passava a ser um investimento financeiro alto, portanto, perder os mesmos por motivos de epidemias custava muito caro ao exército.

Levando-se em conta os aspectos de deslocamento do saber para a prática da intervenção médica e da disciplinarização do espaço hospitalar como determinantes para o nascimento do hospital, podem-se compreender alguns fatores característicos deste ambiente. Para começar, dá-se importância para a localização do hospital, uma vez que a região em que ele se situa deve condizer com a organização sanitária da cidade, para, desta forma, poder correr menos riscos de contaminação através da água e ar contaminados.

Além da localização do hospital, percebe-se a importância de organizar a distribuição interna deste espaço, como por exemplo, valoriza-se o fato de que não se deveria ter mais de um doente por leito, uma vez que

se é verdade que se cura a doença por uma ação sobre o meio, será necessário constituir em torno de cada doente um pequeno espaço individualizado, específico, modificável segundo o doente, a doença e sua evolução (FOUCAULT, 1996, p. 108).

Em virtude disto, percebeu-se a necessidade de alguns cuidados, tais como a temperatura e circulação do ar deste espaço, estando, sua atenção voltada ao doente e sua doença. “O espaço hospitalar é medicalizado em sua função e em seus efeitos” (FOUCAULT, 1996, p. 109), não devendo mais funcionar o “hospital-exclusão”.

Neste sentido, houve uma mudança no sistema interno das instituições, uma vez que “a partir do momento em que o hospital é concebido como um instrumento de cura e a distribuição do espaço torna-se um instrumento terapêutico, o médico passa a ser o principal responsável pela organização hospitalar” (FOUCAULT, 1996, p. 109). Até o século XVIII quem detinha esta responsabilidade eram as pessoas das comunidades religiosas, sendo o médico solicitado apenas

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para os casos mais graves. Entretanto, a partir deste século, o médico não somente torna-se mais presente no hospital, aumentando o número de suas visitas, como também é o responsável pela sua organização.

É a partir disto que surge a hierarquia hospitalar, em que o médico, à frente, deveria ser seguido pelos assistentes/alunos, bem como anunciado através de uma sineta cabendo à enfermeira ficar na porta do quarto com seu caderno de anotações acompanhando o mesmo; e o hospital passa a ser um local de formação de saber, também em virtude da organização através de registros (FOUCAULT, 1996).

O autor ainda afirma que este saber médico não está localizado apenas nos livros, como se manteve até o século XVIII, agora, ele passa a ser registrado no dia-a-dia do hospital, anotando-se a data da entrada e saída do paciente, o nome do doente, seu diagnóstico, a medicação indicada pelo médico e outros.

Campos (2006, p. 618) afirma que na França, em meados do século XVIII e início do século XIX, Phillippe Pinel (1745 - 1826) apareceu como um grande colaborador para algumas mudanças nos hospitais. Ele afirma que “[ele] começou a operar um processo de transformações que deu origem à psiquiatria” e estas instituições passaram a ser reformadas primeiramente através da reformulação do espaço. A função do hospital passa a ser redefinida, pois para Pinel, somente os enfermos permaneceriam nos hospitais, assim, os outros sujeitos que não eram doentes passariam para outros espaços.

A partir de Pinel que surge o que hoje se denomina de ‘clínica’. Este começa a estudar a loucura, percebe o campo desviante, que não é de ordem física e os interna novamente, porém com um caráter de tratamento: ele identifica a patologia, a observa, descreve, classifica e separa (CAMPOS, 2006). Desta forma, ele contribui para a psiquiatria e mais tarde com a psicologia; assim, começa a perceber que todos os sujeitos possuem um delírio, mas cada qual com seu delírio particular.

Em suma, pode-se perceber que muitas das práticas hospitalares compreendidas como atuais são heranças de séculos passados. Porém, houve uma mudança significativa no seu modo de organização, em que o hospital passou de depósito de excluídos a instituição de cura.

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2.2 HISTÓRICO DA INSERÇÃO DO PSICÓLOGO NO HOSPITAL

Para adentrar na discussão sobre a inserção do psicólogo em hospitais, irá-se primeiramente discorrer sobre questões históricas que introduzirão o tema em questão.

Sabe-se que antes da psicologia ser parte integrante da equipe de saúde dos hospitais, alguns profissionais, já começaram a contribuir para a psicologia nos séculos passados. Autores conhecidos como Sigmund Freud, já tratavam de pacientes em hospitais, isso ocorreu aproximadamente, entre os anos 1883 a 1893, quando ainda era médico-neurologista, vindo somente mais tarde a se tornar um psicanalista que muito contribuiu para a psicologia. Assim como, de acordo com o Fórum acadêmico para apresentação de temas de Semiologia Médica (2008), Jean-Martin Charcot, que em 1862, “[...]iniciou seu trabalho com a equipe médica do Hospital Salpêtrière, hospital parisiense criado por Luis XIV (1656) para indigentes e presidiários, famoso pelo estudo das doenças nervosas”. Charcot internava pacientes histéricas se utilizando da técnica da hipnose.

Passando para momentos mais atuais, no Brasil, ao longo das décadas, o conceito de saúde sofreu modificações consideráveis ao mesmo tempo em que as condições sociais, econômicas e políticas também se transformavam no decorrer desse processo (DA ROS, 2005). Desde o período que antecede a ditadura militar, a saúde no Brasil ficou sendo atribuída como um sinal de ausência de doença. A indústria farmacêutica se fortalecia, a construção de vários hospitais firmava o sistema capitalista, sendo que a saúde era apenas voltada para quem tinha condição de pagar por ela.

Nesse momento, as políticas públicas de saúde não davam a assistência necessária à população brasileira (KUJAWA, 2003). A reforma sanitária, assim como a reforma psiquiátrica, que surgiram no fim da ditadura militar, era formada por profissionais da área de saúde e intelectuais, que visavam criar uma nova proposta de políticas públicas de saúde. Essa proposta teve por intuito trazer para a comunidade os atendimentos que até então eram feitos em grandes hospitais, tornando maior o acesso da população à saúde. Desta forma, um dos principais objetivos da reforma psiquiátrica foi de construir uma saúde voltada para todos e

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regida por questões epistemológicas que visavam dar sustentação para o sistema único de saúde se efetivar.

É com base neste contexto que se pode adentrar na inserção de psicólogos em hospitais no Brasil, que começou a acontecer na rede de saúde em meados de 1970. De acordo com Kahhale (2003), o psicólogo passa a intervir para além dos consultórios, em virtude da visão de integralidade, que compreende o sujeito como um ser biopsicossocial.

Os registros da inserção da psicologia em hospitais se dá a partir do trabalho desenvolvido por Matilde Neder no ano de 1954. Esta realizava suas intervenções no Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da faculdade de Medicina da USP - chamada na época de Clínica Ortopédica e Traumatológica da USP - as quais consistiam em “acompanhar psicologicamente os pacientes submetidos à cirurgia de coluna” no âmbito pré e pós-cirúrgico (ANGERAMI-CAMON e outros, 1996, p. 3).

Vinte anos mais tarde, em 1974, outra profissional que deixa registrado um pioneirismo em psicologia hospitalar é a psicóloga Bellkiss Wilma Romano Lamosa, com a responsabilidade de organizar e implementar o Serviço de Psicologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Entende-se que suas intervenções se davam com um viés de acompanhamento psicológico aos pacientes coronarianos hospitalizados em que era freqüente “a constatação [...] da existência de problemas psíquicos acoplados ao processo de transplante cardíaco [...]” (ANGERAMI-CAMON, 1996, p. 16).

De acordo com Ismael (2005), estas duas psicólogas exerciam a prática nos hospitais a partir da psicologia clínica, ou seja, atuavam no hospital com a mesma perspectiva da psicologia clínica de consultório. É posterior a isto que mais colegas foram cada vez mais se inserindo neste ambiente que se vigora cada vez mais.

De acordo com Angerami-Camon (1996) e outros, o primeiro curso de atuação em Psicologia Hospitalar oferecido a acadêmicos de graduação em psicologia ocorreu em 1976, possibilitado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, assim como, o primeiro curso de especialização para profissionais graduados surgiu em 1981, oferecido pelo Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo (ANGERAMI-CAMON, 1996).

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O primeiro Encontro Nacional de Psicólogos da Área Hospitalar ocorreu em 1983, na cidade de São Paulo. Este encontro foi organizado para fins de reunir os psicólogos que atuavam de maneira isolada em diversos locais do país para possibilitar “uma concretude e consistência prático-teórica” (ANGERAMI-CAMON, 1996, p. 17).

O primeiro Simpósio de Psicologia Hospitalar ocorreu no ano de 1984, o qual reuniu psicólogos para promover um espaço para “questionamentos e polemizações” desta área. Mais tarde, em 1992, é que foi promovido o primeiro Congresso Brasileiro de Psicologia Hospitalar, o qual teve apresentação de vários trabalhos e a participação de vários profissionais da área, o que revelou o quanto vinha crescendo e ganhando forças para ir em busca de cada vez mais conquistas na área (ANGERAMI-CAMON, 1996).

Vale ressaltar que, ao longo de todos estes anos foram realizados diversos eventos científicos, dando seqüência aos citados acima, como encontros, simpósios e congressos promovidos por Departamentos de Psicologia, Hospitais, Serviços de Psicologia, com a colaboração de vários profissionais da área para possibilitar que os mesmos pudessem trocar experiências, apresentar trabalhos, artigos e desta forma, estar cada vez mais atualizados no âmbito da Psicologia Hospitalar.

Da mesma forma, ao longo destes anos, muitas bibliografias foram surgindo, como livros e revistas científicas e autores foram se tornando conhecidos, como o caso de Angerami-Camon, Bellkiss Romano e Ismael. É de grande importância ressaltar que o surgimento destes estudos se deu a partir da prática hospitalar.

Speroni (2006) cita as palavras de Angerami-Camon (1995) e Chiattone (2000) que “frente à inexistência de um paradigma claro da nova especialidade, muitos psicólogos acabaram por tentar transpor ao hospital o modelo clínico tradicional aprendido”, ou seja, pelo fato de no início, não se ter muitas bibliografias especializadas em Psicologia Hospitalar foi-se aprendendo com a prática, para assim, formular teorias, uma vez que a prática hospitalar é bastante diferente da prática clínica tradicional.

Partindo deste contexto, em que os profissionais da área depararam-se com dificuldades, batalharam e tiveram muita persistência para chegar ao ponto que chegaram, é que a Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, fundada no ano de

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1997, surgiu para somar mais força à Psicologia Hospitalar. Para Ismael (2005, p. 13),

a fundação da Sociedade foi fundamental para que a Psicologia Hospitalar pudesse se fortalecer como uma organização sem fins lucrativos que tem como principal objetivo a regulamentação da profissão, orientação dos psicólogos que querem atuar na área e a busca constante por meio de congressos, cursos e simpósios, do conhecimento teórico e prático assim como sua disseminação.

Além disso, de acordo com a mesma autora, a Psicologia Hospitalar foi regulamentada como uma especialidade pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) no ano de 2000. A autora constatou, através do CFP, que a Psicologia Hospitalar é “uma das áreas de especialidade da psicologia brasileira que congrega o maior número de especialistas registrados, logo atrás de áreas tradicionais de atuação: psicologia clínica e psicologia organizacional” (ISMAEL, 2005, p. 9).

A partir deste dado, pode-se concluir que a Psicologia Hospitalar vem crescendo de modo progressivo, a ponto de alcançar especialidades inseridas no mercado há anos, como é o caso da psicologia clínica e organizacional. Acredita-se que este fato se dá em virtude de ser uma área que ganha mais respeito e valorização a cada momento. Isso pode fazer com que os profissionais que trabalham com esta especialidade somem forças às já existentes para assim, fazer

dela uma área com cada vez mais conquistas.

2.3 PSICOLOGIA HOSPITALAR

Para se ter uma melhor compreensão referente à utilização, neste trabalho, do termo “Psicologia Hospitalar” ao invés de “Psicologia da Saúde”, cabe aqui uma breve apresentação dessas duas denominações que, embora possuam correlações, não podem ser tratadas de maneira equivalentes.

De acordo com Castro e Bornholdt (2004), a especialização denominada de psicologia hospitalar existe apenas em nosso país. Isto pode estar ancorado no fato de que no Brasil, as políticas de saúde desde a década de 40 são focadas no hospital, e de certo modo, se mantém até os tempos atuais a idéia de se ter o

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hospital como “símbolo máximo de atendimento à saúde”. Em virtude disso, é que a psicologia hospitalar contempla apenas os níveis secundário e terciário de saúde (SEBASTIANI, 2003 APUD CASTRO E BORNHOLDT, 2004).

Já a psicologia da saúde diz respeito às funções orgânicas, físicas e mentais (WHO, 2003 apud CASTRO e BORNHOLDT, 2004), em virtude disso, se utiliza das Ciências Biomédicas, da Psicologia Clínica e Psicologia Comunitária nas intervenções de aspecto sanitário, e é conceituada, segundo o Colégio Oficial de Psicólogos da Espanha (COP, 2003),

[...] como a disciplina ou o campo de especialização da Psicologia que aplica seus princípios, técnicas e conhecimentos científicos para avaliar, diagnosticar, tratar, modificar e prevenir os problemas físicos, mentais ou qualquer outro relevante para os processos de saúde e de doença. Este trabalho pode ser realizado em distintos e variados contextos, como: hospitais, centros de saúde comunitários, organizações não-governamentais e nas próprias casas dos indivíduos (COP, 2003 apud CASTRO e BERNHOLDT, 2004).

A psicologia da saúde possibilita um campo mais abrangente de atuação, com foco nas intervenções de aspecto social, como por exemplo, a psicologia comunitária. Além disso, preocupa-se com a promoção e educação da saúde, ensinando a comunidade a transformar a própria realidade nos cuidados com a saúde, trabalhando a prevenção, como forma de anteceder problemas de aspecto sanitário (BESTEIRO e BARRETO, 2003; GONZALEZ-REY, 1997 apud CASTRO e BERNHOLDT, 2004).

A Psicologia da saúde é uma área já consolidada em muitos países, firmando associações como a American Psychological Association – APA, bem como, aqui na América Latina, a Associação Latino Americana de Psicologia da Saúde – ALAPSA e, em nosso país, está conquistando espaço de maneira gradativa.

Todavia, neste trabalho será utilizado o termo “Psicologia Hospitalar” em virtude de o objeto de pesquisa ser a atuação dos estagiários de psicologia dentro de um hospital geral, uma vez que o campo de estágio é vinculado à instituição hospitalar.

Nesse contexto, a psicologia passou por uma série de dificuldades no decorrer de sua inserção no ambiente hospitalar, uma vez que os psicólogos que principiaram tal inserção tinham poucos subsídios teóricos que pudessem contribuir

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para a prática, ao passo em que foram adquirindo experiência. Estes psicólogos “deram condições à formação dos elementos teóricos necessários para a sedimentação dessa prática” (ANGERAMI-CAMON, 2004, p. 2). Para Ismael (2005, p. 10)

O ingresso do psicólogo nos hospitais não contava, no princípio, com o conhecimento ‘constituído’ que fundamentasse seu ‘fazer’, e isso possibilitou, dialética e criativamente, que se construísse um corpo [...] teórico consistente.

Em outras palavras, os primeiros psicólogos que se inseriram no contexto hospitalar se utilizavam do atendimento clínico, uma vez que era este o parâmetro de atendimento que se aprendia nas academias, não havia muitas bibliografias no que tange a psicologia hospitalar. Para Angerami-Camon (2004, p. 2) “[...] os poucos psicólogos que ousaram atuar na realidade institucional, independentemente de terem ou não recebido subsídios teóricos em sua formação acadêmica, fizeram-no adaptando modelos de atuação em consultório”.

Mas para Ismael (2005), o modelo tradicional de atendimento de psicoterapia não atende ao grande número de pacientes que existem na realidade institucional. Desta forma, pode-se dizer que o material teórico a respeito de psicologia hospitalar se constituiu a partir da prática vivenciada dentro de tais instituições. A partir disto,

[...] o psicólogo percebe no contexto hospitalar que os ensinamentos e leituras teóricas de sua prática acadêmica não serão, por maiores que sejam as horas de estudo e reflexão sobre a temática, suficientes para embasar sua atuação. (ANGERAMI-CAMON, 2004, p. 04)

Isto acontece porque no contexto hospitalar, o psicólogo que atua nos hospitais se depara com uma realidade a qual ele pode estar interado com o material bibliográfico, mas pode não ser suficiente para sua atuação prática. Um exemplo disso, é que o psicólogo vai se deparar com seus atendimentos muitas vezes sendo interrompidos por enfermeiras para fazer algum procedimento; pelo médico para fazer uma avaliação; pela família, que muitas vezes não sai do quarto, o que gera uma “impossibilidade de se manter o sigilo” (ISMAEL, 2005, p. 21) e o profissional vai precisar se adaptar a isto.

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O psicólogo atuante nos hospitais vai ter como objetivo de trabalho, tentar diminuir o sofrimento do paciente e de sua família, abordando assuntos como o sofrimento gerado pela doença, pelo processo de hospitalização associado a aspectos como a história de vida; ou seja, “acompanhar a evolução do paciente quanto aos aspectos emocionais que a doença traz [...]” (ISMAEL, 2005, p. 21).

Segundo o Conselho Federal de Psicologia, cabe ao psicólogo inserido no contexto hospitalar, atender a pacientes (clínicos e cirúrgicos), a familiares, realizando avaliação nos possíveis níveis de tratamento, intervir na “[...]relação do paciente com a equipe, a família, os demais pacientes, a doença, a hospitalização[...]”, dentre outras atribuições, visando o bem-estar, promoção e/ou recuperação da saúde física-mental do paciente. (TONETTO e GOMES, 2007)

Para Ismael (2005, p. 21) “a prática [...] mostra que o processo informativo ajuda o paciente a aumentar o controle da situação, diminuindo o medo e a ansiedade, facilitando a recuperação no período hospitalar”. Para isso, o psicólogo precisa manter-se a par da doença do paciente, sua evolução, seu prognóstico e saber também da rotina que o mesmo será submetido, para somente assim, poder passar estas informações, caso haja necessidade (ISMAEL, 2005).

Pelo fato de ser, por vezes, difícil aceitar a doença, o psicólogo pode se deparar com pacientes que se utilizarão de alguns mecanismos de defesa nesta fase, como negação, racionalização e regressão; assim, demonstrarão, muitas vezes revolta ou conformismo ao invés da aceitação. Em virtude disso, “tentar fazê-lo aceitar a doença e não lutar contra ela e ajudá-fazê-lo a conviver com ela sem sofrimento adicional, além do necessário, é o desafio que temos todos os dias no acompanhamento do paciente” (ISMAEL, 2005, p. 25).

Quando o paciente está internado no hospital, é o psicólogo quem vai ao seu encontro, disponibilizando ajuda para o mesmo e sua família. Os assuntos trabalhados pelo profissional discorrerão sobre como está sendo o processo de hospitalização para o sujeito hospitalizado e sua família; qual o significado desta para o sujeito, e ainda, pode tentar conhecer a história de vida e da doença. (ISMAEL, 2005).

Para Ismael (2005), o psicólogo pode trabalhar com foco em uma possível despersonalização que o sujeito hospitalizado muitas vezes sofre, pois este passa por um processo em que ele perde a sua individualidade e, ainda, rompe bruscamente com sua rotina. Angerami-Camon (2004) afirma que ao invés de o

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sujeito ter significado próprio, passa a significar os diagnósticos sobre sua patologia. Nesse sentido, Moretto (2001), citado por Simonetti (2004), afirma que o psicólogo tem o interesse de devolver o lugar de sujeito para o paciente (que a medicina afasta), dando voz a sua subjetividade. Ainda, de acordo com Angerami-Camon (2004, p. 77), citando Sebastiani (1984),

A pessoa deixa de ser o José ou a Ana, e passa a ser o “21 A” ou o “politraumatizado do leito 4”, ou ainda “a fratura de bacia do 6º andar”. E aprofundando ainda mais tais afirmações, diz que “essa característica, que infelizmente notamos em grande parte das rotinas hospitalares, tem contribuído muito pra ausentar a pessoa de seu processo de tratamento exacerbando o papel de paciente”.

Para Angerami-Camon (2004, p. 68): “O hospital, o processo de hospitalização e o tratamento que visa o restabelecimento, salvo os casos de doenças crônicas e degenerativas, não fazem parte dos projetos existenciais da maioria das pessoas”. Nesse sentido, pode-se dizer, de modo geral, que todo o processo de hospitalização torna-se invasivo, como por exemplo, a enfermeira que acorda o paciente para aplicar uma injeção. O psicólogo precisa ter o cuidado de não se tornar da mesma forma invasivo, pois a função dele nestas instituições é de propiciar alívio quanto ao processo da hospitalização (ANGERAMI-CAMON, 2004).

Ao passo em que o psicólogo trabalha visando diminuir a despersonalização no paciente, que ocorre em virtude do processo de hospitalização, ele vai estar contribuindo para a humanização do hospital. Para Angerami-Camon (2004, p. 69),

um trabalho de reflexão que envolva toda a equipe de saúde é uma das necessidades mais prementes para fazer com que o hospital perca seu caráter meramente curativo para transformar-se numa instituição que trabalhe, além da reabilitação orgânica, o restabelecimento da dignidade humana.

A partir desta afirmação, se faz necessário pensar no processo de humanização. O Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar e Política Nacional de Humanização foram implementados no ano de 2000 pelo Ministério da Saúde. Baseado a integralidade da assistência, tem por objetivo acolher questões subjetivas demandadas por pacientes e profissionais dos serviços de saúde. A humanização do atendimento em saúde se dá a partir dos princípios como: a integralidade da assistência, a eqüidade e o envolvimento do usuário, além

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de beneficiar a criação de espaços que valorizem a dignidade do profissional e do paciente (AMESTOY; SCHWARTZ; THOFEHRN, 2006).

De acordo com Deslandes (2004), o principal objetivo da humanização seria o aprimoramento das relações entre profissionais e pacientes, além do hospital e a comunidade com foco na melhoria da qualidade dos atendimentos que estas instituições proporcionam. Porém, atualmente, o programa é uma política de assistência ao invés de ser um programa específico (Humaniza SUS).

Para Deslandes (2004), a humanização em hospitais é vista como a oposição à violência, que aparece nos maus tratos, na dor pelo fato de não sentirem-se compreendidos, ou seja, uma violência física ou psicológica. Além disso, pode ser vista como “capacidade de oferecer atendimento de qualidade, articulando os avanços tecnológicos com o bom relacionamento’’, como “melhoria das condições de trabalho do cuidador” e “ampliação do processo comunicacional”.

É importante que o psicólogo que atua nos hospitais tenha um embasamento teórico que possa facilitar seu trabalho na realidade institucional. Porém, mais importante que o material teórico é a prática, que permitirá que o profissional aprenda a lidar com a rotina, com seus pacientes e com a equipe. Ele deve ter o cuidado de pensar no paciente como, nas palavras de Ismael (2005, p. 23), “um ser biopsicossocial, ou seja, ele está doente e existe um desequilíbrio biológico, há uma estrutura de personalidade, ansiedade em face da doença e ele está inserido em um contexto familiar, social e de trabalho”. Deve ter o cuidado também de acompanhá-lo de uma maneira humanizada, oferecendo um atendimento de qualidade e que tente compreender às demandas trazidas pelos pacientes e familiares. Para Mota, Martins e Véras (2006), quando a psicologia adentra ao ambiente hospitalar, ela contribui ao significar o sujeito nas suas dimensões psíquica, social e espiritual, desta forma, para além da dimensão físico-biológica.

2.4 A PERCEPÇÃO SOCIAL E ATRIBUIÇÃO DE CAUSALIDADE

Buscando-se conhecer a percepção da equipe de saúde acerca da inserção dos estagiários de psicologia em um hospital geral, considera-se relevante

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resgatar brevemente o conceito de percepção. Este capítulo tem por finalidade explicar, partindo de teorias da psicologia social, como a mesma tenta compreender o comportamento das pessoas, e como estas atribuem causas aos comportamentos (RODRIGUES, 1992). Serão utilizados atribuições acerca da percepção social valendo-se do conceito da atribuição de causalidade.

De acordo com Rodrigues (1992), a percepção social se vale do processo de interpretação referente ao comportamento das outras pessoas. Pilati (2008) considera ser um “estudo da forma como formamos impressões sobre outras pessoas e como fazemos inferências sobre elas”.

Para Rodrigues (1992, p. 203) existem algumas variáveis que intercalam a percepção entre o momento do estímulo sensorial e “a tomada de consciência daquilo que foi responsável pela estimulação”. Para ele, estes fatores geram influência na maneira como as pessoas percebem os comportamentos. Outro fator determinante no modo como se percebe determinadas pessoas são os estereótipos, que podem ser positivos ou negativos, citando um exemplo, como fator negativo tem-se o elemento ‘preconceito’ que, para Rodrigues (1992) é fator determinante no processo perceptivo.

A Teoria da Atribuição de Causalidade esclarece como as pessoas atribuem causas aos comportamentos, já que, no momento em que se faz uma interpretação de determinado comportamento, a tendência que se tem é tentar explicá-lo. Tais causas podem ser internas, quando se entende que a pessoa é assim mesmo ou externas, quando se entende que a pessoa agiu desta forma em virtude ‘daquilo’. As causas internas são estáveis, já as externas, podem variar de acordo com o ambiente (RODRIGUES, 1992).

Nesse sentido, no momento em que se analisarão os dados desta pesquisa, se levará em conta a percepção social valendo-se da atribuição de causalidade, levando-se em conta os possíveis preconceitos e estereótipos que poderão ser encontrados nas entrevistas.

2.5 A EQUIPE MULTIDISCIPLINAR E INTERDISCIPLINAR ATUANTE NOS HOSPITAIS

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De acordo com Della Nina, cada vez é mais freqüente o trabalho multiprofissional no que tange a assistência à saúde, devido a tarefas complexas e a intensa interdependência de trabalho de diversos profissionais atentos nos aspectos não só biológicos como também psicológicos dos pacientes. Desta forma, no ambiente hospitalar, a equipe de saúde se constitui, “[...] além de médicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas [...], as equipes de trabalho vem se completando com a presença de psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais” (1995, p. 39).

Estes vários profissionais atuando num mesmo ambiente - que neste caso é hospitalar – denomina-se de multiprofissionalidade, que, para Della Nina (1995, p. 42), “[...] é uma simples justaposição, em uma tarefa determinada, dos recursos de várias disciplinas, sem implicar necessariamente verdadeiro trabalho de equipe, coordenado”.

Sabe-se que a interação entre estes profissionais colabora com um melhor atendimento ao paciente, porém, tal interação não parece ser tão simples. Segundo Della Nina (1995), isto ocorre por fatores como pensamento e abordagens metodológicas diferentes, além da formação acadêmica que não capacita os acadêmicos quanto ao trabalho em equipe.

Como conseqüência disto, o cliente muitas vezes é prejudicado em virtude das “dissociações operacionais e comunicativas” por parte da equipe, o que pode gerar muitas vezes, conseqüências catastróficas. “O campo de trabalho, idealmente colaborativo, acaba se tornando palco de dissenções entre categorias, grupos de referência profissional e até mesmo equipes” (DELLA NINA, 1995, p. 40).

Desta forma, a equipe multiprofissional, de acordo com Campos (1995, p. 46), deve atuar como forma de grupo juntamente às demandas de pacientes e familiares. Para a autora, os diferentes profissionais têm a necessidade de se inter-relacionar, transmitindo seus conhecimentos e percepções do paciente para os colegas da equipe de saúde “para que estes possam ter uma visão integral do paciente”.

Esta inter-relação é denominada de interdisciplinaridade, que, para Della Nina (1995, p. 43), são

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as trocas de conhecimento interprofissionais que devem conseguir incorporar os resultados de várias especialidades, tomando de empréstimo das outras disciplinas técnicas metodológicas, fazendo uso dos esquemas conceituais e das análises que se encontram nos diferentes ramos do saber, a fim de fazê-los integrarem e convergir, depois de terem sido comparados e julgados.

Para Ismael (2005, p. 33), o trabalho em equipe, com o propósito de tranqüilizar o paciente e sua família, além de cuidar do paciente diante dos aspectos médicos, nutricionais, de enfermagem, fisioterápicos, sociais e psicológicos “promove um atendimento que pretende cuidar do paciente como um ser total”, desta forma, interagindo, visando o benefício do paciente.

O trabalho interdisciplinar só acontece quando há, por meio da equipe, troca de informações entre os profissionais e quando os mesmos falam a mesma linguagem, para assim, poderem colaborar para a melhora do paciente. Para se ter tais atitudes, é preciso que o profissional tenha “[...] a capacidade de escutar o outro e poder então, por meio da contribuição deste outro, repensar a sua própria visão do paciente e sua conduta futura” (ISMAEL, 2005, p. 33).

Agindo desta forma, trocando o seu conhecimento com outras especialidades, maior será a ajuda destinada ao paciente, pois melhor será a sua compreensão do que está acontecendo. Desta forma, pensa-se que cada profissional tem o seu papel e seu saber, mas isso não invalida o saber do outro profissional, pois “[...] cada qual tem o seu contato específico com o doente” (ISMAEL, 2005, p. 34).

Com o exposto, a interdisciplinaridade deve ser trabalhada de forma comprometida, visto que, de acordo com Della Nina (1995, p. 47), “uma clientela submetida ao grupo [interdisciplinar] tenderá a apresentar uma atitude mais colaborativa e participante em seu próprio tratamento, com aumento de sua capacidade de autocuidados e crescimento em saúde”.

Através do trabalho da equipe de saúde de forma interdisciplinar, o tratamento pode ter uma melhor eficácia, pois o paciente e seus familiares tornam-se mais tornam-seguros, “[...] além de promover uma melhor aderência ao tratamento proposto” e ainda, pode gerar uma melhora na relação entre a equipe, o paciente e os familiares (DELLA NINA, 1995, p. 47).

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3 MÉTODO

De acordo com Gil (2002, p. 17), “a pesquisa [...] desenvolve-se ao longo de um processo que envolve inúmeras fases, desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação dos resultados”. Porém, para se chegar aos resultados, precisa-se elucidar alguns aspectos que foram considerados importantes para o desenvolvimento da pesquisa. Dentre esses aspectos, destacam-se: o tipo da pesquisa; os participantes; os materiais que foram utilizados para a execução da coleta dos dados; o local em que ocorreu a coleta; o instrumento e os procedimentos que foram utilizados; como foi realizada a coleta e o registro dos dados, por fim, como foi feito o procedimento de análise dos resultados, aspectos estes, que serão explicados a seguir.

3.1 TIPO DE PESQUISA

De acordo com Gil (1999), esta pesquisa se caracteriza pela natureza qualitativa, do tipo exploratório, de levantamento.

A pesquisa qualitativa objetiva investigar elementos que não podem ser quantificados, a partir de indicadores qualitativos. Conforme Minayo (2000), neste tipo de pesquisa os autores não estão preocupados em quantificar, mas sim, em compreender e explicar a dinâmica das relações sociais.

Pelo fato desta pesquisa objetivar um tema pouco explorado é que pode ser considerada uma pesquisa exploratória, pois, de acordo com GIL (1999, p. 44), estas pesquisas

são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis.

Gil (1999) ainda expõe que o delineamento é estabelecido a partir da coleta dos dados, ou seja, esta pesquisa se caracteriza por ser um levantamento,

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pois parte da “interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer” (GIL, 1999, p. 70).

3.2 PARTICIPANTES

A amostra desta pesquisa contou com cinco profissionais da equipe de saúde de um Hospital Geral - do qual a UNISUL firma convênio, possibilitando assim, que os estagiários de psicologia possam intervir no ambiente hospitalar. Participaram desta pesquisa os seguintes profissionais: uma assistente social; uma terapeuta ocupacional; duas enfermeiras e uma médica.

3.3 MATERIAIS

Os materiais utilizados no momento das entrevistas foram: um gravador de voz, caneta, prancheta, uma folha contendo a entrevista semi-estruturada e os termos de consentimento e gravação de voz para serem apresentados e assinados.

3.4 SITUAÇÃO E AMBIENTE

As entrevistas ocorreram no próprio local de estágio, uma vez que este é o local de trabalho das profissionais que foram entrevistadas. A pesquisadora deu preferência às salas com menos trânsito de pacientes e profissionais, por gerar maior concentração de ambas as partes (entrevistada e entrevistadora) no momento da entrevista.

As salas foram respectivamente: a sala da assistente social, fechada para a execução da entrevista desta profissional; a sala disponibilizada pela Unisul para a entrevista da terapeuta ocupacional; a sala de descanso do pronto atendimento (PA), para entrevistar uma enfermeira que já atuou em uma das alas que os

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estagiários atuam; uma sala afastada dentro de uma ala, para a realização das entrevistas de uma enfermeira e de uma médica. Estes locais pareceram ser adequados, no que tange às condições do ambiente, para a realização das entrevistas, pois havia boa iluminação e ventilação; pouco fluxo de pessoas e poucos ruídos, fatores que propiciam um ambiente mais favorável para a realização da entrevista.

3.5 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS

Primeiramente, o projeto foi encaminhado para o Comitê de Ética da Unisul, para, desta forma, obter aprovação quanto aos aspectos éticos, e assim, possibilitar a realização das entrevistas.

A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semi-estruturada permeada por onze questões aberta, que constam no apêndice A. As mesmas foram gravadas, mediante prévia autorização destes profissionais e constam registradas no termo de consentimento livre e esclarecido.

3.6 PROCEDIMENTO

3.6.1 Seleção de participantes

Foram utilizados alguns critérios para a escolha dos participantes, como a necessidade do profissional ter tido contato com a atuação dos estagiários de psicologia, por pelo menos um semestre, durante o período de 2006 a 2008 nas alas em que ocorrem os estágios de psicologia.

Após a devida atenção a este critério, foi feita a seleção de maneira aleatória entre os profissionais que compõem a equipe de saúde de tal hospital. A amostra contou com cinco profissionais das áreas distintas, sendo do serviço social, terapia ocupacional, enfermagem e medicina. A escolha do número dos

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participantes a serem entrevistado foi intencional, pelo fato de acreditar ser uma quantidade coerente ao que se propõe nesta pesquisa.

Para melhor caracterizar os participantes, considerou-se necessário coletar alguns dados de identificação pessoal (lembrando que o nome das participantes é fictício, para preservar a identidade das mesmas), que, para melhor visualização está representado no quadro a seguir.

Tabela 1 – Perfil dos participantes

Sujeito Idade Sexo Escolaridade Tempo que atua no hospital

Tempo de profissão

Sônia 44 F Superior completo 14 14

Regina 48 F Superior completo 4 4

Karina 28 F Superior completo 1 5

Fabiane 31 F Superior completo 3,5 3,5

Mônica 35 F Superior completo 6 6

Fonte: Elaborada pelo autor da pesquisa

3.6.2 Contato com os participantes

O contato com os participantes foi feito por meio de um convite de forma pessoal, uma vez que a estagiária encontrava tais profissionais no local de estágio, o que pôde ser um elemento facilitador da forma de comunicação, pois facilitou a explicação dos objetivos do trabalho para estes. Após aceito participar da entrevista, combinou-se o melhor dia e horário para a realização da mesma, bem como o local de realização da entrevista, já que deveria ser um local apropriado para sua realização.

Já explicada a pesquisa, as questões éticas da mesma e aceito o convite, foi apresentado o termo de consentimento livre e esclarecido (anexo A), assim como o consentimento para gravação de voz (anexo B). Nesse momento, foram explicadas as questões referentes ao sigilo das informações fornecidas, a utilização destas para fins científicos e a necessidade da utilização de um gravador para

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análise realizada. Com a finalização dos devidos esclarecimentos, foram solicitadas as assinaturas dos termos para a realização da pesquisa.

3.6.3 Coleta e registro dos dados

Após o convite pessoal com os participantes e marcado a data, local e hora para a realização da entrevista, deu-se início a coleta dos dados. A primeira profissional convidada para a realização da entrevista optou por não permitir a gravação, desta forma, sua entrevista não foi utilizada. Posterior a este fato, as cinco profissionais convidadas a participar da pesquisa concordaram a participar do estudo.

Novamente os sujeitos da pesquisa foram informados sobre as questões referentes ao sigilo, ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para possibilitar sua participação no trabalho, bem como sua concordância em gravar a entrevista através do Termo de Consentimento para gravações. Foi solicitado, portanto, a assinatura dos termos em duas vias, sendo que uma ficou em posse do sujeito participante e a outra em posse da pesquisadora.

A coleta dos dados foi realizada através de entrevista semi-estruturada com cinco profissionais da equipe de saúde, de forma individual. As perguntas foram elaboradas a partir dos objetivos específicos com o intuito de investigar o objeto de estudo desta pesquisa.

As entrevistas foram realizadas em locais apropriados e tiveram duração em média de vinte minutos e o registro dos dados deu-se através da gravação em gravador digital.

Após a coleta das entrevistas, estas foram transcritas e o material coletado foi registrado no computador particular da pesquisadora, ficando esta responsável pelo mesmos, bem como pelo sigilo das informações obtidas.

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Os dados foram organizados a partir da transcrição das entrevistas e arquivado em um documento Word particular da pesquisadora. O próximo passo foi realizar a categorização das entrevistas já transcritas, organizadas à porteriori, criadas a partir dos relatos de cada profissional entrevistado. Os dados coletados foram analisados a partir das categorias elaboradas e discutidos com o referencial teórico.

Para garantir o sigilo dos sujeitos entrevistados, ao término da pesquisa, os dados e informações serão deletados do computador particular da pesquisadora.

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4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Para compreender a percepção da equipe de saúde de um hospital geral frente à inserção do estagiário de psicologia neste ambiente, se faz necessário, neste capítulo, serem apresentadas a descrição dos resultados e a análise dos dados através da discussão com os autores expostos no referencial teórico desta pesquisa, bem como a percepção dos elementos criados pela autora da mesma.

Além disso, serão identificadas a percepção da equipe de saúde sobre as intervenções dos estagiários de psicologia (a); a percepção desta equipe de saúde com relação ao resultado das intervenções dos estagiários (b) e ainda, a percepção desta equipe sobre a relação dos estagiários de psicologia com a mesma (c).

Foram elaboradas cinco categorias para cada um dos objetivos específicos (a, b e c) e escolheu-se a fala mais evidente que se adequa a cada categoria para ser representada no quadro que segue para cada objetivo. Estas categorias serão analisadas a partir das entrevistas, bem como através do diálogo com os autores e a construção de argumentos da entrevistadora.

4.1 INTERVENÇÃO DOS ESTAGIÁRIOS

As categorias do objetivo “a” estão divididas em um total de cinco: atenção e suporte psicológico; acompanhamento psicológico; acompanhamento psicológico no processo de hospitalização; necessidade de mais atendimentos e atendimento ao familiar, como seguem abaixo:

Tabela 2 – Categorias do objetivo “a”

a) Verificar a percepção da equipe de saúde sobre as intervenções dos estagiários de psicologia

CATEGORIA UCE FREQÜÊNCIA Atenção e

suporte

“[...] uma palavra de carinho e atenção mais de perto, né com pacientes de

(41)

psicológico cirurgia cardíaca né, ajuda eles a diminuir essa ansiedade muito grande no pré e pós-cirúrgico”.

Acompanhamento psicológico

[...] ele tá preocupado também com o trabalho que ele deixou pra trás, com os filhos que ele deixou em casa, né, com a família, que muitas vezes ele que tem que sustentar, às vezes é um paciente que vem de longe, que é sozinho e ele não tem ninguém pra conversar, então é muito importante realmente esse acompanhamento. 3 Acompanhamento psicológico no processo de hospitalização;

[...] a psicologia já pegava esse paciente no pré-operatório, trabalhava com ele todos os medos acompanhava né, a parte de recuperação ali no pós-operatório imediato, porque ele ia pra Unicor e o estagiário ia lá também e depois acompanhava o pós-operatório na Unidade.

3

Necessidade de mais

atendimentos

[...] eu acredito que teria que ter atendimento direto e todos os dias porque é muito importante e necessário [...]

2

Atendimento ao familiar

[...] a família via que o paciente estava bem e a família ia dormir e no outro dia quando eles vinham o paciente tava morto, nossa, a família ficava totalmente desestruturada, então aí eu acho [...] que precisaria sim do atendimento que não é sempre que tem.

2

Referências

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