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SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DESPORTIVA DO FUTEBOL COMISSÃO DISCIPLINAR FEMININA
Processo Disciplinar n.º 631/2020
Órgão Julgador: COMISSÃO DISCIPLINAR FEMININA DO STJD Auditora Relatora: Dra. Mariana Santos de Brito
Auditora Revisora: Dra. Nathália Álvares Campos Fontão (VOTO DIVERGENTE)
Denunciante: PROCURADORIA DE JUSTIÇA DESPORTIVA
Denunciados: Vanessa Soares da Silva (atleta de n.º 7 da equipe do São Valério/TO) Sociedade Esportiva São Valério/TO
RELATÓRIO
Trata-se de denúncia formulada pela Procuradoria da Justiça Desportiva em desfavor de VANESSA SOARES DA SILVA (atleta de n.º 7 da equipe do São Valério/TO) e SOCIEDADE ESPORTIVA SÃO VALÉRIO/TO, com base nas infrações disciplinares supostamente ocorridas no jogo realizado em 25/10/2020, pelo Campeonato Brasileiro Feminino A2/2020.
Na denúncia ofertada, narra a Procuradoria que a atleta VANESSA SOARES DA SILVA, camisa de n.º 7 da equipe do São Valério/TO), teria sido expulsa de campo após levar o segundo cartão amarelo, aos 19 minutos do primeiro tempo, por calçar sua adversária de maneira temerária, na disputa de bola.
Assim, por entender que a conduta da atleta configura infração disciplinar tipificada no art. 254 do CBJD, a D. Procuradoria de Justiça requereu a sua condenação.
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Com relação à equipe do São Valério, narra a Procuradoria que a referida agremiação incorreu nas infrações previstas nos arts. 206 e 213 do CBJD.
A primeira infração estaria fundamentada no “ADENDO DE RETIFICAÇÃO” juntado às fls. 11 deste processo, através do qual o árbitro da partida informa que a equipe denunciada se atrasou em 4 minutos para o retorno do 2º tempo. Ainda segundo o árbitro, não foi possível salvar essa informação no campo de cronologia da súmula, o que ensejou que o referido relato constasse apenas no campo de ocorrências e observações, e no adendo em questão.
Diante de tais relatos, requereu a D. Procuradoria de Justiça a aplicação da súmula vinculante 01/2014, cumulada com o art. 206 do CBJD, para que a equipe fosse condenada à pena de multa pelos atrasos ocorridos.
No que tange à segunda infração, constou na súmula que o jogo ficou paralisado entre o 3º e 15º minuto do segundo tempo para que fossem retirados cerca de 30 (trinta) jogadores das arquibancadas, os quais estariam naquele local de forma irregular.
Diante da suposta irregularidade, a D. Procuradoria de Justiça entendeu que a infração cometida estaria tipificada no art. 213 do CBJD, e requereu a sua condenação na pena de multa.
Devidamente citadas, as partes denunciadas não apresentaram defesa, nem mesmo compareceram à sessão de julgamento. Igualmente, nenhuma prova fora produzida nos autos.
É o relatório.
VOTO
Com relação à denúncia em desfavor da atleta VANESSA SOARES DA SILVA, entendo por bem julgá-la improcedente.
Inicialmente, insta esclarecer que a infração disciplinar é caracteriza por uma conduta reprovável, cuja tipificação deve estar prevista em um dos artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, ainda que de forma exemplificativa.
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Ademais, faz-se importante distinguir a expulsão direta (cartão vermelho direto) da expulsão indireta (cartão vermelho em decorrência do segundo amarelo), as quais variam de acordo com a subjetividade do árbitro da partida, que é a autoridade competente para definir a gravidade da conduta e, principalmente, se ela decorre de uma falta tática ou uma falta disciplinar.
Via de regra, as faltas táticas de maior gravidade ou reincidência são punidas com cartão amarelo, que serve para alertar ao atleta sobre sua conduta. As faltas disciplinares, por sua vez, são punidas com cartão vermelho, afastando o infrator da partida a fim de garantir segurança e competitividade ao jogo e demais partícipes.
Feitas tais considerações, observa-se que a atleta denunciada cometeu duas faltas táticas na partida, sendo a primeira aos 16 minutos do primeiro tempo, e a segunda aos 19 minutos do segundo tempo, ambas por calçar sua adversária de forma temerária. Adequada, portanto, a punição com os cartões amarelos.
Apesar das faltas cometidas e dos cartões aplicados, não vislumbro que tal conduta seja uma jogada violenta capaz de ensejar a punição prevista no art. 254 do CBJD. Entendo, portanto, que os lances punidos pelo árbitro são lances de jogo sem maior gravidade, e não servem para definir uma conduta reprovável da atleta no âmbito disciplinar. Registra-se que estamos tratando de um esporte de contato.
Ademais, entendo que a suspensão automática decorrente da expulsão indireta já é capaz de punir pedagogicamente a atleta denunciada, que não só deixou de participar da partida seguinte, mas, também, deixou de contribuir com o desempenho de sua equipe no campeonato.
Diante do exposto, entendo por bem absolver a atleta VANESSA SOARES DA SILVA.
No que diz respeito à denúncia ofertada em face da equipe SOCIEDADE ESPORTIVA SÃO VALÉRIO/TO, passa-se a análise da primeira infração, a qual foi tipificada no art. 206 do CBJD.
Como já narrado acima, a referida agremiação não apresentou defesa nem mesmo produziu provas, razão pela qual entendo que não há qualquer fato nos autos capaz de elidir a presunção relativa de veracidade da súmula preconizada no art. 58 do CBJD.
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Sendo assim, considerando a ausência de provas, entendo que a referida equipe de fato se atrasou para o retorno do 2º tempo em 4 minutos, tal como descrito pelo árbitro no campo de ocorrências e observações, assim como no “ADENTO DE RETIFICAÇÃO” de fls. 11.
Apesar do atraso ser incontroverso, não entendo por adequado tipifica-lo no art. 206 do CBJD, uma vez que não há nos autos, em especial na súmula da partida, qualquer informação de que o atraso no retorno da equipe mandante tenha ensejado o atraso no reinicio do jogo.
Assim, conforme preceitua a súmula vinculante n.º 01/2014 deste STJD, quando o atraso da equipe não ensejar no atraso para o início ou reinício da partida, as sanções aplicadas deverão ser aquelas previstas no art. 191, do CBJD, senão veja-se:
Face ao exposto, reclassifico a denúncia ofertada para o art. 191, III, do CBJD, e julgo-a PROCEDENTE para condenar a equipe SOCIEDADE ESPORTIVA SÃO VALÉRIO/TO na pena de multa de R$ 300,00 (trezentos reais), observando-se a sua primariedade, e fixo o prazo de 07 (sete) dias para o pagamento.
No que diz respeito à segunda infração cometida pela equipe SOCIEDADE ESPORTIVA SÃO VALÉRIO/TO, consta da súmula que a partida ficou
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interrompida por aproximadamente 12 minutos para que fossem retirados cerca de 30 torcedores que estariam irregularmente na arquibancada.
Diante de tais fatos, a D. Procuradoria tipificou tal conduta no art. 213 do CBJD, o qual, a meu ver, não seria o mais adequado para o presente caso.
A proibição de torcedores nos jogos de competições nacionais foi imposta pela CBF através da DIRETRIZ TÉCNICA OPERACIONAL DE RETORNO DAS COMPETIÇÕES, publicada em 24 de julho de 2020, visando evitar aglomerações nos estádios de futebol e resguardar à saúde de todos os partícipes, em especial de atletas, árbitros, comissão técnica e também torcedores.
Diante disso, ao permitir a entrada de torcedores no estádio, a equipe denunciada contrariou uma determinação expressa da CBF, infringindo, portanto, o art. 191, II, do CBJD, senão veja-se:
Art. 191. Deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento: I - de obrigação legal; (AC).
II - de deliberação, resolução, determinação, exigência, requisição ou qualquer ato normativo ou administrativo do CNE ou de entidade de administração do desporto a que estiver filiado ou vinculado; (AC).
III - de regulamento, geral ou especial, de competição. (AC).
PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a 100.000,00 (cem mil reais), com fixação de prazo para cumprimento da obrigação. (AC).
Ressalta-se, aqui, a gravidade da infração cometida pela referida equipe, uma vez que não foram obedecidos os protocolos de combate à pandemia do COVID-19, o que ensejou a exposição de todos os partícipes à doença.
Entendo, portanto, que a pena de multa deverá ser proporcional àquelas já aplicadas por este Tribunal, e faço menção à multa aplicada pelo Tribunal Pleno quando do julgamento do Recurso Voluntário n.º 326/2020 em 17 de dezembro de 2020, a qual foi fixada em R$ 3.000,00 (três mil reais) por descumprimento dos protocolos relacionado à COVID-19.
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Face ao exposto, reclassifico a denúncia ofertada para o art. 191, II, do CBJD, e julgo-a PROCEDENTE para condenar a equipe SOCIEDADE ESPORTIVA SÃO VALÉRIO/TO na pena de multa de R$ 3.000,00 (três mil reais), e fixo o prazo de 07 (sete) dias para o pagamento.
É como voto. DISPOSITIVO
Por maioria de votos, a Comissão Disciplinar Feminina deste STJD absolveu VANESSA SOARES DA SILVA, atleta de n.º 7 da equipe do São Valério/TO, quanto à imputação ao Art. 250, face à desclassificação ao Art. 254 ambos do CBJD; contra os votos da Auditora Dra. Janine da Silva Couto e da Presidente que a suspendiam por 01 partida convertida em advertência.
Ainda por maioria de votos, a presente comissão determinou a aplicação de multa de R$ 300,00 reais à equipe SOCIEDADE ESPORTIVA SÃO VALÉRIO/TO, por infração ao Art. 191, III face à desclassificação ao Art.206 ambos do CBJD; contra o voto da Relatora que o absolvia; e de multa de R$ 3.000, 00 reais por infração ao Art.191, II face à desclassificação ao Art.213 ambos do CBJD.
Fica fixado o prazo de 07 (sete) dias para cumprimento da obrigação pecuniária, sob pena de incorrer no Art. 223 do CBJD.
NATHÁLIA ÁLVARES CAMPOS FONTÃO AUDITORA