Securitização em 2003
Revisão do mercado doméstico
• Ano mais importante para o mercado desde seu nascimento no início da década de noventa. O volume de títulos emitidos foi aproximadamente 19 vezes superior ao de 2002, totalizando R$ 1,66 bilhão.
• O montante captado no mercado totaliza R$ 1,37 bilhão, sendo que R$ 754 milhões foram colocados de forma pública e R$ 616 milhões, de forma privada.
• Destaque para carteiras de recebíveis comerciais (63% do total).
• FIDC´s foram as principais entidades emissoras de títulos de securitização. Aproxi-madamente 92% do volume das emissões foram realizadas através destes veículos. • As operações com lastro em carteiras de recebíveis imobiliários apresentaram
remune-rações anuais de 8,5% a 13,5% mais a variação do IGP-M. Operemune-rações com lastro em outras classes de ativos apresentaram remunerações anuais de 95% a 115% do CDI.
ços na obtenção e verificação dos dados apre-sentados neste documento. Nossas informações foram obtidas de fontes que consideramos fide-dignas, mas sua exatidão e seu grau de integra-lidade não estão garantidos. A Uqbar Educação e Informação Financeira Avançada Ltda. não se responsabiliza por quaisquer perdas ou prejuí-zos que possam advir de informações equivoca-das. Nenhuma das informações deste relatório pode ser copiada ou reproduzida, arquivada ou divulgada, no todo ou em partes, em qualquer formato, por qualquer razão, ou por qualquer pessoa, sem a autorização por escrito da Uqbar Educação e Informação Financeira Avançada Ltda. Nossos relatórios não são recomendações de compra ou venda.
Volume Total de Emissões (em R$ milhões) Figura 1
2002
2003
1.663
87
R
EVISÃODOM
ERCADOO mercado de securitização de créditos teve em 2003 o seu ano mais importante desde o surgi-mento das primeiras operações, no começo da década de 90. Este relatório efetua uma análise deste mercado neste ano marcante que se ca-racterizou por apresentar, pela primeira vez na curta história de securitização do país, uma fre-qüência consistente de emissões, várias classes de ativos-lastro e uma excelente expectativa para curto e médio prazos.
Durante o ano de 2003 foram registradas2 23
novas operações de securitização junto à CVM, número 4 vezes maior que o de 2002.
O montante de títulos3 emitidos totalizou
R$ 1,66 bilhões de reais, aproximadamente 19 vezes superior ao montante do ano anterior (R$ 86,89 milhões), ou seja, um crescimento de 1.814% em doze meses.
Este substancial aumento do volume das emis-sões tem como causas principais a redução da taxa básica de juros do país; a instituição, pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN), dos Fundos de Investimento em Direitos Creditó-rios (FIDC’s ou Fundos de Recebíveis), através da Resolução 2907, e a subseqüente regulamen-tação desses fundos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) através das Instruções 356 e 393.
1 Para fins deste relatório, o mercado de securitização é constituído somente por operações cujo ativo-lastro são carteiras de crédito pulverizado. Favor ver critérios no Anexo I.
2 Este relatório apresenta informações quanto a montantes para o mercado de securitização em 2003 em três formas diferentes: operações registradas, operações realizadas (títulos emitidos) e recursos captados.
Securitização
em 2003
A importância dos Fundos de Recebíveis para o mercado doméstico de securitização pode ser claramente avaliada na figura 2, acima, que apresenta o volume de emissões por tipo de en-tidade emissora existente no país.
A classe de ativo-lastro mais importante foi a de recebíveis comerciais de empresas nacionais, que buscaram na securitização de seus ativos uma alternativa para os empréstimos bancários ou emissões de debêntures. Financiamento de veículos, crédito consignado, mensalidades es-colares, crédito direto ao consumidor (CDC) e crédito imobiliário foram as outras classes que marcaram presença no mercado. Algumas des-tas classes apareceram pela primeira vez no mer-cado nacional, e créditos imobiliários apresenta-ram um volume inferior ao do ano passado.
A figura 3 apresenta a composição do mercado por classe de ativo-lastro. Para maiores informa-ções sobre o desenvolvimento do mercado por classe de ativo-lastro ver “Registro por Ativo-lastro”, que lista todas as operações registradas em 2003.
Do montante total de títulos emitidos, 82,39% representam títulos mobiliários seniores ou de classe única. Portanto, o montante captado no mercado através de operações de securitização totaliza R$ 1,37 bilhão. Deste montante, a Uq-bar estima que R$ 754 milhões foram coloca-dos de forma pública e R$ 616 milhões de forma privada (ver Anexo I – Critérios).
R
EGISTROPORA
TIVO-
LASTROAbaixo se encontram listadas, por classe de ati-vo-lastro, todas as operações registradas junto à CVM em 2003 que são consideradas operações de securitização de acordo com os critérios es-tabelecidos neste relatório. Apesar de algumas operações não terem sido realizadas durante o corrente ano, a análise abaixo mostra a atividade que existiu durante o ano de 2003 e as perspec-tivas que já existiam para 2004.
Os números de operações registradas durante o ano de 2003 por tipo de entidade emissora são: dezoito de fundos de recebíveis; quatro de com-panhias securitizadoras e uma de SPE.
Percentuais de Emissões por Ativo-lastro – 2003
Figura 3 Créditos Imobiliários Mensalidades Escolares CDC Crédito Consignado Financiamento de Veículos Recebíveis Comerciais 62% 14% 10% 6% 6% 2%
Composição do volume total de emissões por Entidade Emissora
2002 2003 FIDC’s SPE Cia. Securitizadora (em milhões de R$) 2002 6,0 0,0 80,9 2003 1.533,3 36,3 93,3 FIDC’s Cia. Securitizadora SPE 5,61% 2,18% 92,20% FIDC’s Cia. Securitizadora SPE 0,00% 93,09% 6,91%
Percentuais por Entidade
Emissora – 2002 Percentuais por Entidade Emissora – 2003
As operações com lastro em recebíveis comer-ciais representaram a maior fatia do mercado doméstico de securitização. Ao todo, foram oito operações, todas elas realizadas através de Fun-dos de Recebíveis, totalizando um volume regis-trado na CVM de R$ 1,546 bilhão. Destas ope-rações destacam-se três, estruturadas por uma única instituição financeira (os FIDC´s com las-tro em recebiveis comerciais do Pão de Açúcar, da Perdigão e da Sadia), totalizando R$ 730 mi-lhões e representando 47,2% do volume total das operações com lastro em recebíveis comerciais. Estas operações acabaram não indo a mercado,
quotas seniores dos respectivos FIDC´s.
O Pão de Açúcar FIDC foi a maior operação registrada e realizada durante o ano, totalizando R$ 500 milhões. Outra característica importan-te desta operação foi a emissão de duas séries (A e B) de quotas seniores, de curto e médio prazos, respectivamente.
Todas as operações apresentaram reforço de cré-dito via subordinação (quotas subordinadas), que variou de 5% a 40%, e que foi absorvido pelos originadores dos créditos.
Entidade Emissora (em milhões de reais)Total Registrado
Remuneração
Estimada (%a.a.) Subord.* Colocação Agência
Rating Inicial
Forma de
Constituição (meses)Prazo
Pão de Açúcar FIDC** 500 103/101% CDI 20% Privada Fitch AA (bra) Fechado 60
Chemical FIDC 230 113,5% CDI 13% Pública Moody´s Aaa.br Fechado 36
Concórdia FIDC 150 95% CDI 20% Privada Fitch AA(bra) Fechado 35
Parmalat FIDC 130 1,70% + CDI 15% Pública S&P brAAAf Fechado 36
Perdigão FIDC 80 95% CDI 20% Privada Fitch AA (bra) Fechado 33
Caterpillar FIDC 80 104% CDI 40% Pública SR brAA+ Fechado 48
Petroflex FIDC 60 104,5 CDI 15% Pública S&P brAAAf Aberto 36
FIDC CPFL 316 107%CDI 5% Pública Fitch AA- Fechado 36
* Subordinação: A subordinação é calculada dividindo o montante de títulos subordinados aos títulos seniores pelo total de ativos da carteira lastro (ou montante total de títulos emitidos).
** O Pão de Açúcar FIDC consiste de 2 séries seniores com prazo e remuneração distintos. A série A, com emissão de R$215 milhões e remuneração estimada de 103 % do CDI, tem uma parcela de amortização importante prevista para fevereiro de 2004, enquanto a série B, com emissão total de R$185 milhões e remuneração estimada de 101% do CDI, realizará amortizações importantes de suas quotas em 2006 e 2007.
Créditos em Consignação
Estão entre os primeiros fundos a serem regis-trados na CVM os que apresentam como ativo-lastro créditos em consignação para servidores públicos. Dois bancos com carteiras impor-tantes destes empréstimos securitizaram ativos vendendo-os para fundos de recebíveis. O total registrado na CVM para o ano de 2003 soma R$200 milhões4.
Ambos apresentaram reforço de crédito via su-bordinação (quotas subordinadas) correspon-dente a 25% do total de ativos do fundo, atin-gindo, assim, o nível máximo de classificação de risco das agências responsáveis.
Financiamentos de Veículos
Foi a primeira vez que carteiras de financia-mentos de veículos foram utilizadas como las-tro para operações de securitização no mercado nacional. Quatro fundos, totalizando um mon-tante de R$ 310 milhões, foram registrados na CVM durante o ano de 2003. Em três deles, as carteiras securitizadas foram originadas pelo Banco Panamericano. No outro, pela financeira Omni.
A subordinação destes fundos variou entre 5% e 25% para atingir a segunda mais alta classifica-ção de risco de crédito das agências correspon-dentes.
Entidade Emissora
Total Registrado (em milhões de reais)
Remuneração
Estimada (%a.a.) Subord. Colocação Agência Rating Inicial
Forma de
Constituição (meses)Prazo
FIDC BCSul Verax 100 115%*CDI 25% Pública Fitch / Austin AAA(bra) / AAA Fechado 24
BMG FIDC 100 CDI+3% 25% Pública Fitch* AAA (bra) Fechado 24
Tabela 2 – Emissões lastreadas em Crédito Consignado
* O rating inicial foi atribuído pela Atlantic, antes da fusão com a Fitch.
4 O FIDC BGNMAX foi registrado em 2002. Para fins de cálculo de montantes captados foi contabilizado em 2003.
Entidade Emissora (em milhões de reais)Total Registrado
Remuneração
Estimada (%a.a.) Subord. Colocação Agência Rating Inicial
Forma de
Constituição (meses)Prazo
Panamericano FIDC 100 112%* CDI 5% Pública Austin AA+ Aberto IND*
Autopan FIDC 50 108%*CDI 20% Pública Austin AA+ Aberto IND*
MasterPan FIDC 100 112%*CDI 16,7% Pública Austin AA+ Aberto IND*
FIDC Omni Veículos I 60 112%*CDI 25% Pública Fitch AA+(bra) Fechado 24
Tabela 3 – Emissões lastreadas em Financiamento de Veículos
Duas securitizadoras imobiliárias realizaram emissões durante 2003, Brazilian Securities e CIBRASEC. No total, foram quatro operações, mesmo número de 2002. Em termos de volume emitido o total é 55,1% inferior quando compa-rado ao do ano anterior.
Destas operações, três foram realizadas com Re-gime Fiduciário, ou seja, a análise de risco está baseada na estrutura da operação e na qualidade de crédito da carteira-lastro. Uma operação foi realizada sem Regime Fiduciário, ou seja, seu risco principal está vinculado à qualidade de crédito da companhia securitizadora.
Todas essas operações tiveram como indexador o IGP-M e as remunerações anuais variaram de 8,5% a 12% (com Regime Fiduciário) e 13,5% (sem Regime Fiduciário). Duas operações apre-sentaram classificação de risco avaliada por agências especializadas e reforço de crédito via
da criação de fundos de liquidez e de reserva. Os índices de subordinação variaram entre 10% e 16,67%.
Além das operações das companhias securiti-zadoras, foi registrada em 2003 uma operação de Fundo de Recebíveis com lastro em crédi-tos imobiliários, o FIDC PIPS CAIXA Bra-sil Construir Residencial Cidade de São Paulo, constituído pela Caixa Econômica Federal para financiar obras sociais. Ao contrário dos ou-tros fundos aqui considerados, o FIDC PIPS CAIXA não possui meta de remuneração para as quotas. No entanto, o fato de os ativos-lastro formarem uma carteira homogênea de créditos imobiliários com características bem definidas torna o desempenho do fundo muito mais liga-do à qualidade de crédito liga-dos ativos securitiza-dos do que às decisões de compra e venda do administrador, razão pela qual a Uqbar decidiu incluir este fundo no presente relatório.
Entidade Emissora (em milhões de reais)Total Registrado
Remuneração
Estimada (%a.a.) Subord. Colocação Agência
Rating Inicial
Forma de
Constituição (meses)Prazo
FIDC PIPS CAIXA 105 Variável Não há Pública Austin A Fechado 252
Entidade Emissora Série de emissão (em milhões de reais)Total Registrado Subord. Agência Rating Inicial
Regime
Fiduciário (meses)Prazo
Brazilian Securities 2003-2 Sen. 11,7 10% Fitch BBB+(bra) SIM 89
Brazilian Securities 2003-2 Jun. 1,3 - - - SIM 89
Brazilian Securities 2003-3 Sen. 1,5 16,7% Austin AA SIM 120
Brazilian Securities 2003-3 Jun. 0,3 - - - SIM 120
CIBRASEC Série 2003-1 11,5 - - - SIM 96
CIBRASEC Série 2003-2 10 - - - NÃO 60
Fundos de Recebíveis
Tabelas 4 e 5 – Emissões Lastreadas em Carteiras de Créditos Imobiliários Companhias Securitizadoras
Outros
Quatro outras classes de ativos-lastro marcaram presença no mercado nacional com uma opera-ção cada: crédito direto ao consumidor, emprés-timos para estudantes, emprésemprés-timos a empresas e uma carteira com vários tipos diferentes de ativos.
A operação de securitização de crédito direto ao consumidor (CDC) foi a primeira operação com esta classe de ativo-lastro no Brasil. O FIDC FMAX comprou uma carteira de ativos da Má-xima Financeira. As quotas seniores da série 2003-1 deste fundo receberam a melhor classifi-cação de risco possível da agência classificadora com uma estrutura de subordinação inicial de 27,8%.
Uma operação foi realizada tendo como lastro mensalidades escolares de instituições de ensino no país. Diferentemente da grande maioria das operações de securitização de carteira de créditos pulverizados, esta operação utilizou uma socie-dade de propósito especifico, a Ulbra Recebíveis S.A., como entidade emissora (única operação registrada utilizando este tipo de veículo para o
ano de 2003). Outra característica importante foi o prazo da operação, um dos maiores já rea-lizados neste mercado: dez anos. A operação não apresentou subordinação e obteve classificação de risco de crédito com status de “investment grade”.
Outra operação de securitização inédita no país foi a que securitizou uma carteira de emprésti-mos de curto prazo (até 180 dias), concedidos a empresas brasileiras. Os créditos foram origi-nados pelo Banco Rural e são representados por Cédulas de Crédito Bancário.
Uma operação foi realizada com uma carteira bastante diversificada de ativos-lastro. O Banco BBM S.A. cedeu ao BBM FIDC cinco modali-dades diferentes de ativos: crédito pessoal, cré-dito hipotecário, crécré-dito direto ao consumidor, créditos oriundos de arrendamento mercantil e de operações de fomento mercantil. Foi a única operação de FIDC’s, das analisadas pela Uq-bar, que não apresentou classificação de risco por agência especializada, tratando-se de uma colocação privada com pouca informação dispo-nível.
Entidade Emissora (em milhões de reais)Total Registrado
Remuneração
Estimada (%a.a.) Subord. Colocação Agência Rating Inicial
Forma de Constituição
Prazo (meses)
FMAX FIDC 138,89 115% CDI 28% Pública Moody´s Aaa.br Aberto IND*
Ulbra Recebíveis 205 12,68%+IGPM 0% Pública SR brBBB+ N.A.* 120
Rural FIDC Premium 100 105% CDI 15% Pública Austin AA Aberto IND
BBM FIDC 100 1,5% + CDI 20% Privada N.E.* N.E.* Fechado IND
Tabela 6 – Outras Emissões
Praticamente todas as operações apresentaram classificação de risco realizada por uma ou mais agências de classificação de risco em operação no país. Para as operações registradas em 2003, a classificação limitou-se aos títulos seniores, sendo que todos atingiram o nível de “invest-ment grade”. Várias operações tiveram suas clas-sificações de risco iniciais confirmadas duran-te o ano de 2003. Nenhuma operação duran-teve sua classificação rebaixada ou elevada.
Merece menção a primeira classificação de risco para títulos subordinados de securitização reali-zada no Brasil, que ocorreu ainda em 2003, ape-sar de a operação ter sido registrada em 2004. As quotas subordinadas do FIDC Credimax, formado por recebíveis de um grupo de empre-sas distribuidoras de produtos químicos, recebe-ram classificação de risco de crédito em 25 de novembro de 2003. Esta é uma das exigências da CVM para as quotas destinadas a distribui-ção pública. Assim, é possível que 2004 inaugu-re o mercado brasileiro de títulos subordinados de securitização.
Ver Anexos II e III para maiores informações sobre as atividades das agências de classificação de risco em 2003.
Informações sobre estatísticas de performance das carteiras de créditos que servem como lastro para as operações de securitização ainda não são facilmente encontradas.
Informações sobre todas as operações rea-lizadas ou a realizar pela Brazilian Securi-ties serão disponibilizadas no site da Uqbar (www.uqbar.com.br). A primeira operação já se encontra disponível. O acesso ao banco de dados que contém as principais estatísticas de perfor-mance dos títulos e das correspondentes cartei-ras-lastro é livre, bastando apenas o cadastro no site.
C
ONCLUSÕESO volume de captações através desta nova tecnologia financeira apresentou aumento substancial de 2002 para 2003. Comparativamente a outros mercados mais desenvolvi-dos, no entanto, a relação entre este volume e o Produto Interno Bruto do país (cerca de 0,12%) ainda é irrisória. A título de exemplificação, somente as operações com lastro em carteiras imobiliárias nos Estados Unidos representam mais de 60% do P.I.B. do país. Fica clara a importância dos fundos de recebíveis no desenvolvimento do mercado. O fato de que a totalidade dos fundos está indexada ao CDI mostra um perfil de investimento muito vinculado ao curto prazo. Isso é também evidenciado pelo prazo dos fundos, em geral de dois a três anos, e o fato de que seis dos dezoito fundos registrados na CVM du-rante o ano de 2003 são abertos.
As operações com lastro em créditos imobiliários, indexadas ao IGP-M, apresentaram prazos maiores, mas a participação das carteiras imobiliárias foi pequena quando compa-rada às outras classes de ativos-lastro.
As expectativas para o ano de 2004 são excelentes. Várias operações encontravam-se em andamento avançado no final do ano passado e algumas já tinham sido efetivamente lançadas no mercado no momento em que este relatório estava sendo concluído. Novas classes de ativos-lastro, prazos mais longos, novos indexadores e uma participação mais significativa das operações com lastro em carteiras de créditos imobiliários devem ser esperados para este ano.
Espera-se, também para este ano, o começo de um processo visando uma maior divulga-ção de informações destas operações, principalmente no que diz respeito à performance das carteiras de ativos-lastro e dos títulos de securitização.
Este relatório está focado em operações de securitização cujo las-tro são carteiras de crédito pulverizado. As razões para este enfo-que são:
(i) as operações com lastro em carteiras de crédito pul-verizado representam praticamente a totalidade do mercado de securitização em países em que este mer-cado está consolidado;
(ii) os processos de avaliação de risco são diferentes para operações de carteira e para operações de créditos únicos, estes em geral fortemente baseados na qua-lidade singular do crédito corporativo que dá lastro à operação;
(iii) o mercado de securitização de carteiras apresenta, no ponto de vista da Uqbar, um potencial de crescimen-to bastante superior ao de operações de crédicrescimen-to cor-porativo.
Quanto ao tipo de Entidade Emissora
Para o levantamento das informações para este relatório, con-sideraram-se operações realizadas pelos três tipos de entidades emissoras existentes no país: Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC’s ou Fundos de Recebíveis), Companhias Se-curitizadoras (CS) e Sociedades de Propósito Específico (SPE’s). No que diz respeito aos FIDC´s, consideraram-se somente os fundos que atuam como entidades emissoras de títulos de secu-ritização, ou seja, veículos que permitem securitizar carteiras de crédito pulverizado de forma eficiente. Este tipo de fundo tem sua remuneração fortemente vinculada a três fatores: a qualidade do crédito da carteira-lastro, a estrutura do fluxo de caixa e a solidez jurídica da operação.
Fundos de Recebíveis cuja estrutura se assemelha mais aos fundos tradicionais, ou seja, nos quais a performance dos gestores tem importância relevante na remuneração para os investidores, não serão considerados neste relatório. Existem duas razões para a não inclusão destes fundos neste relatório: (a) em alguns casos estes fundos podem se posicionar mais como originadores (ven-dendo, por exemplo, créditos imobiliários para uma Companhia Securitizadora) do que como entidade emissora de títulos de se-curitização; e (b) alguns destes fundos podem investir em CRI’s, o que poderia causar uma contabilização dupla destes títulos de securitização neste relatório.
Note-se que, apesar de não estarem incluídos neste relatório para fins de análise dos montantes de 2003, este segundo tipo de fun-dos de recebíveis também é extremamente importante para o de-senvolvimento do mercado de securitização, devido a sua capaci-dade de, entre outras coisas, gerar liquidez através de decisões de
seus gestores de comprar ou vender ativos do fundo (carteiras de direitos creditórios pulverizados ou títulos de securitização). Quanto às operações registradas
Este relatório considera operações registradas em 2003 aquelas que obtiveram o registro na CVM durante aquele ano1. No caso
dos FIDC’s, a partir de 22 de agosto de 2003, quando entrou em vigor a instrução CVM 393, que instituiu o registro automático, considerou-se a data de entrada do pedido como data de registro. Antes dessa data, considerou-se como data de registro aquela pu-blicada no site da CVM (www.cvm.gov.br).
As informações sobre todas as operações registradas encontram-se na encontram-seção “Registro por Ativo-lastro”, incluídos os montantes registrados de cada operação, para cada classe de ativo-lastro. Note-se que nem todos os títulos registrados em 2003 foram a mercado neste mesmo ano, portanto a soma destes valores não representa o montante total emitido durante o ano de 2003 (ver próximo critério).
Quanto às operações realizadas (ou títulos de securitização emitidos)
Representam a estimativa da Uqbar do que foi efetivamente dis-tribuído no mercado durante o ano. No caso dos FIDC’s, con-sideram-se as quotas integralizadas durante o ano, uma vez que alguns fundos não se encontravam totalmente subscritos em 31 de dezembro de 20032. Por outro lado, o fundo FIDC BGNMAX,
que foi registrado na CVM nos últimos dias do ano anterior, é uma operação registrada em 2002, mas o montante da operação, levantado durante o ano seguinte, é considerado nos valores de 2003. Para o cálculo dos volumes de emissão durante o ano em questão, a Uqbar levou em consideração informações obtidas a partir de notas de encerramento de distribuição, informações dis-poníveis no mercado e contato direto com os participantes das operações.
Quanto ao montante de recursos captados
Tendo em vista que o mercado doméstico de títulos mobiliários subordinados ainda não se encontra desenvolvido no Brasil3,
re-sulta natural constatar que os originadores ou intermediários aca-baram absorvendo o risco destes títulos. Portanto, para o cálculo dos valores de captação de recursos via securitização, considera-ram-se somente os montantes dos títulos seniores efetivamente emitidos durante o ano de 2003 (ver “Revisão do Mercado”). Quanto à forma de colocação
Foram consideradas emissões privadas, além das assim especifica-das em seus regulamentos, toespecifica-das aquelas colocaespecifica-das junto a um nú-mero muito limitado de investidores e cujo intuito inicial não foi a busca de uma distribuição de mercado dos títulos mobiliários.
1 Fonte: Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
2 Ou seja, o montante de quotas emitidas até aquela data era inferior ao valor registrado na CVM para estes fundos. Os montantes remanescentes serão considerados no levantamento dos volumes emitidos para o ano de 2004.
Por tipo de Entidade Emissora e Classe de Ativo-lastro FIDC´s
Agência Total das Emissões (em milhões de reais) % * Número de Operações
Fitch 940 43,6% 6 Austin 605 28,1% 7 Moody´s 369 17,1% 2 S&P 210 9,7% 2 SR 130 6,0% 2 Companhias Securitizadoras
Agência Total das Emissões (em milhões de reais) % Número de Operações
Austin 18,8 44,4% 3
Fitch 13,0 30,7% 1
Moody´s 10,5 24,9% 1
SPE´s
Agência Total das Emissões (em milhões de reais) % Número de Operações
Austin 205 100% 1
SR 205 100% 1
Total 2003
Agência Total das Emissões (em milhões de reais). % * Número de Operações
Fitch 953 38,3% 7
Austin 829 33,3% 11
Moody´s 379 15,2% 3
SR 335 13,5% 3
S&P 210 8,4% 2
Anexo II – Resumo das atividades das Agências de Classificação de Risco em 2003
1* A soma dos percentuais desta coluna não é igual a 100% devido ao fato de algumas operações terem sido avaliadas por mais de uma agência.
A tabela abaixo lista as atividades das agências classificadoras de risco durante o ano de 2003, divididas por operação. Entidade Emissora Data Ação de Agência de Classificação
Autopan FIDC 30/04/2003 Austin Rating atribui rating AA+ às quotas seniores. BGNMAX FIDC 16/12/2003 Austin Rating atribui rating A às quotas seniores.
BMG FIDC
7/03/2003 Atlantic atribui rating AAA(bra) às quotas seniores. 9/06/2003 Fitch Atlantic afirma rating AAA(bra) das quotas seniores. 9/09/2003 Fitch Atlantic afirma rating AAA(bra) das quotas seniores. 10/12/2003 Fitch Atlantic afirma rating AAA(bra) das quotas seniores.
Brazilian Securities Série 2002-3*
29/01/2003 Moody´s atribui rating preliminar Aa1.br aos CRI´s seniores. 14/05/2003 Fitch Atlantic atribui rating preliminar BBB+(bra) aos CRI´s seniores.. 30/06/2003 Austin Rating atribui rating AA aos CRI´s seniores.
30/06/2003 Austin Rating atribui rating A+ aos CRI´s seniores. 10/11/2003 Austin Rating atribui rating AA aos CRI´s seniores.
Caterpillar FIDC 18/11/2003 SR Rating atribui rating local brAA+ e rating global A+ às quotas seniores.
Chemical FIDC 10/11/2003 Moody’s Investors Service atribui rating preliminar Aaa.br à Série 2003-1 das quotas seniores. 22/12/2003 Moody’s Investors Service atribui rating definitivo Aaa.br à Série 2003-1 das quotas seniores. Concórdia FIDC 15/05/2003 Fitch Atlantic atribui rating AA(bra) às quotas seniores.
21/11/2003 Fitch Atlantic afirma rating AA(bra) das quotas seniores. FIDC BCSul Verax 16/10/2003 Austin Rating atribui rating AAA às quotas seniores.
31/10/2003 Fitch Atlantic atribui rating preliminar AAA(bra) às quotas seniores.
FIDC Credimax 25/11/2003 SR Rating atribui rating local brAAA e rating global AA- à Série A das quotas seniores 25/11/2003 SR Rating atribui rating local brBBB e rating global BB+ às quotas subordinadas. FIDC FMAX Série 2002-1 12/09/2002 Moody´s atribui rating AAA.br às quotas seniores.
FIDC Omni Veículos I 4/12/2003 Fitch Atlantic atribui rating preliminar AA+(bra) à Série 2003-1 de quotas seniores. FIDC PIPS CAIXA 17/11/2003 Austin Rating atribui rating A às quotas seniores.
MasterPan FIDC 10/09/2003 Austin Rating atribui rating AA+ às quotas seniores. Panamericano FIDC 31/03/2003 Austin Rating atribui rating AA+ às quotas seniores.
Pão de Açúcar FIDC 19/09/2003 Fitch Atlantic atribui rating preliminar AA(bra) às séries A e B de quotas seniores. Parmalat FIDC 6/11/2003 Standard & Poor’s atribui rating brAAAf às quotas seniores.
22/12/2003 Standard & Poor’s reafirma rating brAAAf das quotas seniores. Perdigão FIDC 26/09/2003 Fitch Atlantic atribui rating preliminar AA(bra) às quotas seniores. Petroflex FIDC 9/12/2003 Standard & Poor’s atribui rating brAAAf às quotas seniores. Rural FIDC Premium 14/11/2003 Austin Rating atribui rating AA às quotas seniores.
Ulbra Recebíveis 1/12/2003 SR Rating atribui rating local brBBB+ e rating global BB às debêntures. 20/10/2003 Austin Rating atribui rating A às debêntures.
Anexo IV – Glossário
Lista dos Nomes de Registro de FIDC´s e CSCI´sAlias no texto Nome Oficial
Autopan FIDC Autopan Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Originários de CDC Veículos BBM FIDC BBM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Consumer Finance I
BGNMAX FIDC BGNMAX Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
BMG FIDC Fundo de Investimento em Direitos Creditórios BMG Servidores Públicos I Brazilian Securities Brazilian Securities Companhia de Securitização
Caterpillar FIDC Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Caterpillar Chemical FIDC Chemical Fundo de Investimento em Direitos Creditórios CIBRASEC Cibrasec Companhia Brasileira de Securitização Concórdia FIDC Concórdia Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
FIDC BCSul Verax Fundo de Investimento em Direitos Creditórios BCSul Verax Crédito Consignado I FIDC CPFL Fundo de Investimento em Direitos Creditórios CPFL Piratininga
FIDC FMAX Fundo de Investimento em Direitos Creditórios FMAX FIDC Omni Veículos I Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Omni Veículos I FIDC PIPS CAIXA FIDC PIPS CAIXA Brasil Construir Residencial Cidade de São Paulo
MasterPan FIDC Master Panamericano Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Originários de CDC Veículos Panamericano FIDC Panamericano Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Originários de CDC Veículos Pão de Açúcar FIDC Pão de Açúcar Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
Parmalat FIDC Parmalat Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Perdigão FIDC Perdigão Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Petroflex FIDC Fundo Petroflex de Investimento em Direitos Creditórios Rural FIDC Premium Rural Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Ulbra Recebíveis Ulbra Recebíveis S.A.
Direitos Creditórios na CVM em 2003
Mês Registro de FIDCs
Mês FIDC
MARÇO BMG FIDC FIDC FMAX MAIO Concórdia FIDC JUNHO Autopan FIDC
Panamericano FIDC SETEMBRO
Pão de Açúcar FIDC MasterPan FIDC Perdigão FIDC NOVEMBRO Chemical FIDC Parmalat FIDC Caterpillar FIDC FIDC BCSul Verax FIDC CPFL FIDC PIPS CAIXA
DEZEMBRO
Petroflex FIDC FIDC Omni Veículos I Rural FIDC Premium BBM FIDC
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