Projeto de Pesquisa
Arranjos e Sistemas Produtivos Locais e as Novas Políticas
de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico
Aglomerações Industriais Especializadas no Brasil
João Saboia
(Instituto de Economia da UFRJ)
Nota Técnica nº 32/00
(Versão Preliminar)
Rio de Janeiro, Junho de 2000
Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - IE/UFRJ
Patrocínio: Ministério da Ciência e Tecnologia Organização dos Estados Americanos
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
Aglomerações Industriais Especializadas no Brasil
João Saboia
11. Introdução
Artigo recente identificou a existência de 155 aglomerações industriais no Brasil com cinco mil ou mais empregos no final de 19972. Tais aglomerações possuem características bastante heterogêneas, estando localizadas nas mais distintas regiões do país e apresentando estruturas setoriais específicas3.
Foi observado também um intenso processo de desconcentração industrial no país, com redução do emprego nos principais pólos industriais do Sul/Sudeste e aumento do emprego no interior dos estados e em algumas regiões menos desenvolvidas.
O principal objetivo do texto aqui apresentado é destacar o comportamento de um subconjunto de 45 dentre as 155 principais aglomerações industriais ao longo dos anos noventa. O critério de escolha foi a seleção daquelas microrregiões onde pelo menos metade do emprego industrial se concentra num único setor4, denominadas aglomerações especializadas5. A idéia subjacente à seleção destas aglomerações é a expectativa de que a concentração de empresas de um determinado setor numa região deve produzir um comportamento diferenciado, resultante das possíveis vantagens de aglomeração para as empresas nela instaladas.
Na próxima seção, procura-se caracterizar os dados globais das 45 aglomerações especializadas identificadas no país. Em seguida, são analisados os dados das aglomerações segundo seu principal setor de concentração. Finalmente, são apresentadas algumas conclusões.
2. Características Gerais das Aglomerações Industriais Especializadas
As 45 aglomerações identificadas estão localizadas em 16 dos 27 estados brasileiros6. São Paulo e Santa Catarina possuem seis aglomerações cada; Paraná e Minas Gerais, cinco; Pernambuco, quatro; Rio Grande do Sul e Alagoas, três. Quatro outros estados possuem duas aglomerações e cinco apenas uma aglomeração. Portanto, a maior parte das aglomerações especializadas localizam-se nas nas duas regiões mais desenvolvidas do país - Sudeste (15) e Sul (14). O
1 Professor titular do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O autor agradece a Daniel
Halac e Wagner Martins pela organização do material empírico utilizado neste artigo.
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Ver Saboia, J., “Desconcentração Industrial no Brasil nos Anos 90: Um Enfoque Regional”, XXVII Encontro Nacional de Economia, ANPEC, Belém, 7/10 de dezembro de 1999. O artigo utilizou dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) para a indústria de transformação e extrativa mineral. As informações básicas d RAIS referem-se a emprego e número de estabelecimentos.
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Em termos espaciais, as aglomerações foram identificadas a partir da noção de microrregião do IBGE, havendo 558 microrregiões no país.
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Como o critério utilizado para a seleção das aglomerações é o emprego relativo, é perfeitamente possível encontrar outras aglomerações onde o emprego absoluto em um determinado setor seja superior ao encontrado naquelas selecionadas. selecionada.
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A noção de setor aqui utilizada corresponde à classificação de subsetor do IBGE, estando a economia brasileira dividida em 26 subsetores. A indústria de transformação possui 12 subsetores e a indústria extrativa mineral corresponde a um único subsetor. Tendo em vista as mudanças de classificação da indústria realizadas em meados dos anos noventa pela RAIS, os especialistas não aconselham a utilização de um nível maior de desagregação setorial para estudos comparativos intertemporais.
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Nordeste também possui importante parcela das aglomerações especializadas do país (11). A participação das regiões Centro-Oeste (3) e Norte (2) é bastante reduzida. Tais dados refletem, portanto, a maior importância da indústria brasileira no Centro-Sul do país. Cabe, entretanto, destacar a elevada participação relativa da região Nordeste, representando cerca da quarta parte das aglomerações especializadas identificadas7.
O tamanho das aglomerações é bastante diferenciado. A maior é Blumenau (SC) com 69.632 empregos, em 1997. Seguem-se Gramado-Canela (RS) com 39.235, Vale do Paraíba Fluminense (RJ) com 26.711, São Miguel dos Campos (AL) com 26.004, Mata Meridional Pernambucana (PE) com 25.268 e Ipatinga (MG) com 23.810. A menor é a microrregião Litoral Lagunar (RS) com 5.055 empregos. Em 1997, foram levantados 587 mil empregos nas 45 aglomerações especializadas, representando cerca de 12% do emprego da indústria de transformação e extrativa mineral levantado pela RAIS naquele ano.
Em termos setoriais, as aglomerações concentram atividades de setores tradicionais da indústria. A indústria de produtos alimentares, bebidas e álcool etílico responde por 21 aglomerações, seguindo-se madeira e mobiliário com dez aglomerações. Têxtil, vestuário e artefatos de tecidos são responsáveis cinco aglomerações, enquanto o setor de calçados está representado em quatro e metalúrgica em três. Há apenas uma aglomeração especializada em produtos minerais não metálicos e outra na indústria extrativa mineral. Segundo o critério utilizado neste trabalho, não foi observada qualquer aglomeração especializada em segmentos mais modernos da indústria brasileira como mecânica, material elétrico de comunicação e material de transporte8. As tabelas 1 e 2 apresentam a distribuição setorial do emprego segundo os vários setores nas 45 aglomerações selecionadas em 1989 e 1997.
Algumas aglomerações são extremamente especializadas. Em 6 casos, mais de 90% do emprego industrial concentra-se em um único setor em 1997, sendo quatro em produtos alimentares, bebidas e álcool etílico e duas em madeira e mobiliário. Em outras duas aglomerações especializadas em alimentos, bebidas e álcool etílico, mais de 80% do emprego era encontrado neste setor.
Em termos de número de estabelecimentos, foram levantados 5512 estabelecimentos em 1989 e 9514 em 1997, representando um crescimento de 73%. Por sinal, este crescimento é bem superior ao encontrado para o total da indústria, onde não passou de 24% no mesmo período9. Conforme esperado, a grande maioria dos estabelecimentos é de pequeno porte – até 19 empregados. Algumas aglomerações possuem um elevado número de estabelecimentos. O caso extremo é Blumenau, onde foram levantados 1570 estabelecimentos da indústria têxtil, do vestuário e de artefatos de tecidos, em 1997. O menor número foi encontrado em Sobral, com apenas três estabelecimentos de calçados. As tabelas 3 e 4 mostram a distribuição dos estabelecimentos segundo o porte nos setores selecionadas das 45 aglomerações especializadas, em 1989 e 1997.
Há uma grande heterogeneidade no porte dos estabelecimentos, segundo os vários setores de especialização. As menores empresas são aquelas de produtos minerais não metálicos, com 16 empregados, em média, por estabelecimento, em 1997. As maiores são encontradas na metalurgia, com a média de 137 empregados por estabelecimento. As tabelas 5 e 6 apresentam a
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Em 1997, o Nordeste era responsável por apenas 11,5% do emprego industrial do país.
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Segundo Saboia (1999), op. cit., a maior concentração na indústria mecânica ocorre na microrregião de São Carlos (SP), onde 37,3% do emprego é encontrado neste setor; na indústria de material elétrico e de comunicação, em Itajubá (MG), com 40,9%; e em material de transporte, em Botucatu (SP), com 24,3% do emprego.
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distribuição do emprego segundo o tamanho dos estabelecimentos e o respectivo tamanho médio nas aglomerações selecionadas, em 1989 e 1997.
Há também grande diferenciação em termos do nível de escolaridade dos empregados. O número médio de anos de estudo é mais elevado nas aglomerações metalúrgicas, atingindo a média de 8,7 anos de estudo por empregado, em 1997. Seguem-se a extrativa mineral (7,8), têxtil, vestuário e artefatos de tecidos (6,8), calçados (6,6), produtos minerais não metálicos (5,7), madeira e mobiliário (5,0) e alimentos, bebidas e álcool etílico (4,0). A tabela 7 informa o número médio de anos de estudos dos trabalhadores nas diversas aglomerações, em 1989 e 1997.
Conforme esperado, há uma certa correlação entre o nível de escolaridade e de remuneração. Em 1997, os maiores salários eram encontrados nas aglomerações especializadas nos dois setores com maiores níveis de escolaridade – metalurgia (11,6 SM10) e extrativa mineral (9,0 SM). Nas aglomerações dos demais setores, os níveis salariais eram bem mais baixos, variando entre 2,7 SM em calçados e 4,0 SM em têxtil, vestuário e artefatos de tecidos. A tabela 8 apresenta o nível médio de remuneração nas microrregiões selecionadas, em 1989 e 1997.
Um dos resultados mais interessantes encontrados na análise das 45 microrregiões especializadas é o fato de que a quase totalidade destas aglomerações já eram especializadas nos mesmos setores no final da década de oitenta. Apenas 12 microrregiões possuíam menos de 50% do emprego industrial em seu principal setor de especialização em 1989, sendo que 8 delas já possuíam mais de 40%. A exceção notável é o caso de Sobral, no Ceará, que não possuía um único emprego industrial em calçados em 1989, passando a 6.510 empregos em 1997, i.e. 78,2% do total da indústria local11.
A especialização setorial não impediu que a queda do emprego industrial ocorrida no país ao longo da década de noventa atingisse em cheio metade das aglomerações estudadas – 23 das 45 microrregiões12.
3. Aglomerações de Produtos Alimentares, Bebidas e Álcool Etílico
As 21 aglomerações especializadas em produtos alimentares, bebidas e álcool etílico localizam-se majoritariamente nas regiões Nordeste e Sul – oito e localizam-sete, respectivamente. A região Sudeste possui quatro e a Centro-Oeste, três. São Paulo e Pernambuco respondem por quatro aglomerações, Alagoas e Paraná, três, Santa Catarina e Mato Grossso do Sul, duas e Rio Grande do Norte, uma. Há, portanto, uma enorme diversificação regional entre elas
As duas maiores aglomerações de produtos alimentares, bebidas e álcool etílico são encontradas na região nordeste. São elas São Miguel dos Campos (AL) com 25.391 empregos no setor e Mata Meridional Pernambucana (PE) com 24.428 empregos, em 1997. A menor é Lins (SP) com apenas 3.073 empregos no setor13.
A maior concentração do emprego ocorre em aglomerações localizadas na região Nordeste. Em São Miguel dos Campos (AL), 97,6% do emprego era encontrado no setor de produtos
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Salários mínimos.
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Os casos restantes são Montes Claros e Ubá em Minas Gerais e Vale do Paraíba Fluminense no Rio de Janeiro. Neste último caso, entretanto, parece ter havido alguma mudança na classificação setorial entre 1989 e 1997, com troca entre os setores de produtos minerais não metálicos e metalurgia.
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Este dado é ainda mais significativo tendo em vista o aumento do número de estabelecimentos verificado em quase todas as aglomerações.
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Cabe lembrar, que o número mínimo de empregos industriais das microrregiões consideradas neste trabalho é cinco mil.
alimentares, bebidas e álcool etílico, em 1997. No Litoral Sul (RN) atingia 97,3%. Na Mata Alagoana (AL), 97,0% e na Mata Meridional Pernambucana, 96,7%. Percentuais bastante elevados eram encontrados ainda na Mata Setentrional Pernambucana, 81,9% e em Concórdia (SC), 81,1%.
Ao desagregar o setor de produtos alimentares, bebidas e álcool etílico verifica-se que o segmento de produtos alimentares absorve o grosso do emprego destas aglomerações industriais14. Apenas no caso da microrregião Litoral Sul (RN), o segmento de álcool etílico torna-se mais importante, atingindo 57% do emprego setorial, em 1997. Em geral, as microrregiões da região Nordeste são especializadas em fabricação e refino de açúcar15. Nas
demais regiões, a especialização se dá no abate, produção de carne e de produtos de carne e pescado. São relativamente raros os casos de diversificação no interior do setor de especialização, como Paranavaí (PR), onde 36% do emprego setorial é encontrado na fabricação e refino de açúcar, 24% no abate e produção de carne e de produtos de carne e de pescado e 18% na moagem, produção de amidos e de alimentos preparados para animais. Outras aglomerações, como Pelotas (RS) e Umuarama (PR) mostram-se também relativamente diversificadas dentro de seu setor de especialização. As tabelas 9, 10 e 11 apresentam os dados setoriais desagregados.
Houve redução do emprego ao longo da década de noventa em 10 das 21 aglomerações. Em geral, são regiões especializadas na produção e refino de acúcar. Em contrapartida, houve aumento do emprego na maior parte das aglomerações voltadas ao abate e produção de carne.
Em 1997, foram encontrados 2.375 estabelecimentos de produtos alimentares, bebidas e álcool etílico nas 21 aglomerações, representando um crescimento de 89% durante a década. Seu porte é bastante variado. Os maiores estabelecimentos são encontrados no Litoral Sul (RN), onde havia, em média, 1.004 empregados por estabelecimento, em 1997. Em geral, os portes são relativamente elevados nas microrregiões nordestinas especializadas na produção de açúcar – São Miguel dos Campos, Mata Alagoana e Mata Meridional Pernambucana. Os menores portes médios são da ordem de 30 empregados por estabelecimento.
O nível médio de escolaridade no setor é relativamente baixo, porém bastante variado, dependendo da microrregião considerada. Conforme esperado, ele é bem mais elevado nas regiões Sul e Sudeste, chegando a atingir 7,1 anos de estudo em Toledo (PR). Em seis outras microrregiões do Sul/Sudeste, além de Campo Grande (MS), a média supera 6 anos de estudo. Os menores níveis são encontrados na Mata Meridional Pernambucana (PE), Itamaracá (PE) e São Miguel dos Campos (AL) com apenas 2 anos de estudo, em média.
Os salários médios são relativamente baixos. A única exceção é Catanduva (SP) onde atinge 7,0 SM. Os menores valores são encontrados na região Nordeste, variando entre 2,0 SM em Itamaracá (PE) e 3,4 SM em Suape (PE). Nas microrregiões do Sul/Sudeste eles variam em torno de 3 a 4 SM.
4. Aglomerações de Madeira e Mobiliário
As aglomerações especializadas em madeira e mobiliário podem ser encontradas em todas as cinco regiões do país. Cinco estão localizadas na região Sul – Santa Catarina e Paraná; duas na
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A desagregação setorial realizada nesta e nas duas próximas seções utiliza o nível correspondente à subatividade econômica CNAE.
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Assis e Catanduva, em São Paulo, também são especializadas na fabricação e refino de açúcar, porém em menor intensidade.
região Norte – Pará e Roraima; uma na região Sudeste – Minas Gerais; uma na região Nordeste – Maranhão; e uma na região Centro-Oeste – Mato Grosso.
A maior é São Bento do Sul (SC) com 10.953 empregos, seguindo-se Sinop (MT) com 8.785, Paragominas (PA) com 8.530 e Ubá (MG) com 7.048. A menor é Curitibanos (SC) com 3.582. Entre 1989 e 1997, houve aumento de 20% no emprego e de 62% no número de estabelecimentos do setor.
A concentração do emprego industrial local em madeira e mobiliário chega a atingir 90,9% em Sinop (MT) e 95,6% em Paragominas (PA). Nas demais aglomerações varia entre 55,2% em Canoinhas (SC) e Guarapuava (PR) e 74,2% em União da Vitória (PR).
A desagregação setorial nos dois segmentos de madeira e mobiliário mostra que apenas Ubá (MG) e São Bento do Sul (SC) são especializadas em mobiliário. As demais concentram sua atividades em madeira. Não há nenhum caso de diversificação nos dois segmentos16. Entre as oito aglomerações especializadas no segmento de madeira, entretanto, ocorre uma divisão entre atividades de desdobramento de madeira e de fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado (exclusive móveis). Para mais informações sobre os dados desagregados de madeira e mobiliário ver as tabelas 12, 13 e 14.
A queda do emprego industrial atingiu metade das 10 aglomerações, sendo 4 de madeira e uma de mobiliário. Os resultados mais favoráveis ocorreram nas aglomerações localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Apenas Imperatriz apresentou redução no número de estabelecimentos na década.
Os 2.551 estabelecimentos de madeira e mobiliário das 10 microrregiões levantados em 1997 são relativamente pequenos, possuindo 24 empregados, em média, por estabelecimento. Os maiores estabelecimentos são encontrados em Paragominas (41 empregados por estabelecimento) e os menores em Sinop (18 empregados por estabelecimento).
A escolaridade média dos empregados é de 5 anos de estudo. Há, entretanto, grande diferenciação entre as aglomerações. A melhor situação é encontrada em Curitibanos (SC) com 6,6 anos e São Bento do Sul (SC) com 6,1. A menor escolaridade ocorre em Paragominas (PA) com apenas 2,6 anos de estudo, em média.
Os salários médios são bastante baixos, não passando de 3,0 SM, em 1997. A situação mais favorável é encontrada em São Bento do Sul (SC) com 4,4 SM, enquanto os menores salários são pagos em Paragominas (PA) e Imperatriz (MA) – 1,6 e 1,7 SM, respectivamente. Na aglomeração de maior nível de escolaridade – Curitibanos (PR) – o salário médio não passa de 2,7 SM.
5. Aglomerações de Têxtil, Vestuário e Artefatos de Tecidos
Uma aglomeração destaca-se entre as cinco voltadas para atividades industriais no setor têxtil e de vestuário e artefatos de tecidos. Trata-se de Blumenau, que é um importante pólo industrial de Santa Catarina, sendo o décimo terceiro do país em termos de emprego. Em 1997, foram levantados 69.632 empregos, sendo 63,3% em sua área de especialização. Suas atividades estão bem distribuídas entre a indústria têxtil e de vestuário, especialmente na fabricação de artefatos
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A maior diversificação ocorre em Imperatriz (MA) onde 79% do emprego é encontrado em madeira e 21% em mobiliário.
têxteis, fabricação de tecidos e artigos de malha e confecção de artigos de vestuário. Apesar disso, Blumenau não escapou da queda do emprego durante a década (17%).
As demais aglomerações possuem portes bem menores. Duas são especializadas na área têxtil – Macaíba (RN) e Montes Claros (MG). As outras duas, em vestuário – Colatina (ES) e Nova Friburgo (RJ). Apenas Colatina e Montes Claros apresentaram crescimento do emprego no período. As tabelas 15, 16 e 17 apresentam os dados desagregados das cinco aglomerações selecionadas da indústria têxtil, de vestuário e de artefatos de tecidos.
Em 1997, as cinco aglomerações possuíam 2.238 estabelecimentos têxteis, de vestuário e de artefatos de tecidos, representando um acréscimo de quase 100% em relação a 1989. Há uma grande diferenciação no porte médio dos estabelecimentos, variando entre 16 empregados por estabelecimento em Nova Friburgo e 174 em Macaíba. O porte dos estabelecimentos tende a ser maior nas aglomerações voltadas para o setor têxtil.
O nível médio de escolaridade é relativamente homogêneo nas 5 aglomerações, variando entre 6,8 e 7,8 anos de estudo. Apenas Blumenau destaca-se pelos maiores níveis de remuneração - 4,6 SM, em 1997. Os menores salários são pagos em Colatina (1,5 SM).
6. Aglomerações de Calçados
Foram encontradas 4 aglomerações especializadas na produção de calçados – Gramado-Canela (RS), Franca (SP), Birigui (SP) e Sobral (CE). Em 1997, havia entre 6.510 empregos em Sobral e 26.803 em Gramado-Canela. Esta última era a vigésima aglomeração industrial do país pelo critério de emprego da RAIS. As três principais aglomerações apresentaram queda do emprego na década. Conforme já mencionado anteriormente, Sobral não possuía um único emprego em calçados em 1989. Em 1997, entretanto, 78,2% do emprego industrial em Sobral era encontrado no setor de calçados.
Foram levantados 1680 estabelecimentos industriais na indústria de calçados, em 1997, sendo 898 em Franca, 520 em Gramado-Canela e 232 em Birigui. No caso de Sobral, havia apenas 3 estabelecimentos, cujo tamanho médio atingia 2.170 empregados por estabelecimento. Nas demais aglomerações, o tamanho médio é relativamente pequeno, variando, em 1997, entre 14 empregados por estabelecimento em Franca e 52 em Gramado-Canela. O número total de estabelecimentos em calçados na quatro aglomerações aumentou cerca de 50% no período analisado.
O nível médio de escolaridade apresenta certa homogeneidade nas 4 microrregiões, em torno de 6 a 7 anos de estudo. Os salários, entretanto, são bem mais elevados nas 3 aglomerações do Sul/Sudeste que em Sobral. No primeiro caso, varia entre 2,6 e 3,1 SM. Em Sobral, não passava de 1,7 SM, em 1997. Este dado ilustra a busca das empresas que se instalam no Nordeste por menores salários.17
7. Aglomerações de Metalurgia
Vale do Paraíba Fluminense (RJ) e Ipatinga (MG) são as duas principais aglomerações especializadas em metalurgia. Em 1997, apresentavam 26.711 e 23.810 empregos, respectivamente, nas diversas indústrias instaladas localmente. A terceira aglomeração é
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Conselheiro Lafaiete (MG), com 5.550 empregos. As três aglomerações sofreram queda do emprego industrial ao longo da década de noventa.
A concentração do emprego do emprego industrial em metalurgia é mais elevada em Ipatinga (73%) e Conselheiro Lafaiete (70%). No Vale do Paraíba Fluminense não passa de 60%.
A RAIS encontrou 271 estabelecimentos metalúrgicos nas 3 regiões, em 1997. Seu tamanho médio atinge 92 empregados por estabelecimento em Conselheiro Lafaiete, 134 no Vale do Paraíba Fluminense e 158 em Ipatinga.
As três aglomerações apresentam os maiores níveis de escolaridade entre as 45 pesquisadas neste trabalho, variando entre 8,3 anos de estudo em Ipatinga a 9,4 em Conselheiro Lafaiete, em 1997. São elas também que apresentam os maiores níveis de remuneração – 11,3 SM em Ipatinga, 11,7 SM no Vale do Paraíba Fluminense e 12,1 SM em Conselheiro Lafaiete.
8. Outras Aglomerações Especializadas
Apenas uma aglomeração especializada na indústria extrativa mineral foi identificada – Ouro Preto (MG). Em 1997, havia 6.162 empregos, sendo 56,4% na extração mineral. Segundo a RAIS, esta microrregião sofreu uma queda de 36,7% no emprego industrial ao longo da década de noventa.
Havia 40 estabelecimentos na indústria extrativa mineral de Ouro Preto em 1997. O tamanho médio dos estabelecimentos atingia 87 empregados, bem menos que os 116 empregados encontrados em 1989.
O nível médio de escolaridade é relativamente elevado em comparação com o restante da indústria, atingindo 7,8 anos de estudo, em 1997, sendo superados apenas pelas aglomerações metalúrgicas. Os salários médios também só são ultrapassados pela metalurgia, chegando a 9,0 SM.
Cachoeiro do Itapemirim é a única aglomeração especializada em minerais não metálicos. Em 1997, foram encontrados 10.937 empregos industriais, sendo 51% na indústria de minerais não metálicos. Esta região apresentou crescimento do emprego na década de noventa, tanto em termos da indústria como um todo, quanto do segmento de minerais não metálicos.
A RAIS registrou 359 estabelecimentos no setor de minerais não metálicos em 1997, correspondendo a 16 empregados por estabelecimento. Trata-se do menor tamanho médio entre os 7 setores industriais selecionados neste estudo.
O nível médio de escolaridade atingia 5,7 anos de estudo, enquanto a média salarial não passava de 3,5 SM, em 1997.
9. Conclusão
O estudo das 45 aglomerações especializadas selecionadas neste trabalho mostrou resultados bastante diferenciados, tanto em termos regionais quanto setoriais. Conforme esperado, as aglomerações das regiões Sul e Sudeste possuem trabalhadores com maior nível de escolaridade e salários mais elevados. Este resultado, entretanto, depende muito do setor considerado, sendo mais favorável nas aglomerações da indústria metalúrgica e extrativa mineral. Houve
crescimento do número de estabelecimentos na imensa maioria das aglomerações. Em termos de emprego, entretanto, não há uma regra geral. Dependendo da região e do setor considerado, há aglomerações que apresentaram crescimento e outras que sofreram queda do emprego.
Duas microrregiões merecem ser destacadas. Em primeiro lugar, Blumenau, pelo porte e complexidade de sua indústria têxtil, de vestuário e de artefatos de tecidos. Em segundo lugar Sobral, onde não havia um único emprego em calçados no início da década, tornando-se uma aglomeração relativamente importante neste segmento em 1997.
Há um grande número de aglomerações especializadas na produção de alimentos. Elas mostram-se produtoras de praticamente um único produto na região Nordeste, onde a regra geral é a fabricação e refino de açúcar. Nas regiões Sul e Sudeste, por outro lado, dedicam-se, principalmente, ao abate e produção de carne. Apenas uma aglomeração é especializada na produção de álcool. A diversificação no interior do segmento de alimentos, bebida e álcool etílico nestas regiões ainda é pouco comum. O nível de escolaridade de seus trabalhadores é o mais baixo e o salário médio um dos menores.
Foram encontradas oito aglomerações especializadas em madeira e apenas duas em mobiliário, sendo rara a produção simultânea de madeira e produtos de mobiliário. Este setor paga salários bastante baixos, inclusive nas regiões Sul e Sudeste.
Blumenau é a única aglomeração importante especializada em têxtil, vestuário e artefatos de tecidos entre as cinco selecionadas. As demais têm um número bem menor de empregados e estabelecimentos, sendo duas voltadas para o setor têxtil e as outras duas para o vestuário.
As aglomerações especializadas na produção de calçados sofreram bastante durante a década de noventa, com forte redução do emprego nas regiões tradicionais, não compensada pelo surgimento da indústria calçadista de Sobral. O nível salarial de seus empregados é o menor entre os segmentos industriais analisados neste artigo.
Um último resultado a ser destacado é o fato da maioria das 45 aglomeração já ser especializada em seu respectivo setor no início da década. Portanto, a evolução mais ou menos favorável do emprego em cada uma na década de noventa parece estar associada à boa ou má especialização escolhida no passado.