Industrial
A 4ª
pt
Os Impactos do desenvolvimento
da Engenharia do Sector Industrial.
e n g i n e e r i n g m a g a z i n e
1ª edição
Agosto-
2020
© Disrupttion| M a d e i n A n g o l aRevolução
tion
4. Introdução
5. Editorial
7. Artigo
África e a Quarta Revolução Industrial
Kiesse Canito |
14. Estudo
Sustentabilidade Ambiental face o
surgimento da Indústria 4.0
Érica Tavares |
17. Opinião
Importância da Base Científica e
Tecnológica em Angola
Neidelênio Soares |
22. Inside Out
Uma perspectiva sobre a arquitectua
em Angola
Délcio Caiaia |
24. Entrevista
Startup Electronic Engineer
27. Referências
Director Executivo:
Jailson Coluna
Coordenação Editorial:
Armando Mualumene,
Érica Tavares, Seidou Dolumingo.
Conselho Editorial:
Áurea André, Charmen Kupessa,
Délcio Caiaia, Afonso Dieno,
Fernando Pinas, Fernando Silveira,
Isidora Barros, Josemar Henriques,
Teresa Junqueira, Marnes Cassule,
Luina Jeremias, Stela Quilalo,
Tarcília Prazeres.
Colaboradores:
Kiesse Canito, Neidelênio Soares.
Parceiros:
Xikola Yetu
Tech21 África
Design Gráfico e
Editoração digital:
Disrupttion team
Créditos de Fotografias:
www.unsplash.com
Bruno Carlos Photography
Ficha T
écnic
desenvolvimento da quali-dade de vida é um dos maiores empreendimentos actuais da humanidade e, este processo passa pela formação dos indiví-duos. O conhecimento é indubi-tavelmente a maior riqueza do século XXI e em meio a este novo olhar, nos apegamos a promoção da ciência para o de-senvolvimento sustentável.
Actualmente, existe uma neces-sidade que clama por informa-ção de qualidade; existe uma escassez de espaço de inter-câmbio de conhecimento e ex-periências dentro da esfera so-cial. Há uma volatilidade na oferta de informações credíveis para análise e desenvolvimento das temáticas mais emergen-tes do nosso quotidiano.
Devido a essa lacuna olhamos para a ciência e de forma par-ticular para a engenharia, que é a área do saber que cuida do fornecimento de utilidades por meio da aplicação dos conheci-mentos científicos.
“ A engenharia
sempre foi vista como
sinônimo de
desenvolvimento ”
Trata-se de uma área bastante abrangente em que todas as suas aplicações estão
intrinse-camente ligadas as necessidades dos seres humanos. Agora, porque não uma revista de engenharia? Porque não a criação de um espaço que promova a investigação científica para impulsionar o desenvolvimento sustentável ?
A Disrupttion, magazine de engenha-ria, nasceu da identificação de lacunas a nível da criação e transmissão de informação a nível regional. Por isso, a Disrupttion é uma revista angolana, 100% jovem, vocacionada na divul-gação de artigos científicos e de informação, tendo como principal objectivo a promoção do desenvol-vimento sustentável. Chegamos para inspirar o nosso povo.
Queremos por meio das edições contribuir para o crescimento qua-litativo e quantitativo de materiais que suportem a engenharia em Angola e em África; ser um auxílio útil a co-munidade científica angolana; ser um veículo difusor das melhores práticas e tendências mundiais, com o intuito de dar a conhecer ao país o que melhor se faz no mundo, porque os angolanos merecem o melhor e merecem participar na inovação do novo mundo. Pretendemos também criar uma ruptura nos padrões e modelos estabelecidos no mercado pois devemos adaptar as soluções dos problemas a realidade local.
A principal audiência são todos aqueles que têm interesse na pro-moção do desenvolvimento susten-tável através da ciência e do con-hecimento e também aos amantes e
seguidores do universo da en-genharia a nível global. Nas nossas edições procuraremos destacar os temas mais pontuais, apresen-tando uma visão mais ampla e global.
Nesta memorável primeira edição, discorremos sobre um dos temas mais emergentes do nosso quo-tidiano - A Quarta Revolução Indus-trial. Olhamos para a Sustentabili-dade Ambiental e as suas deficiên-cias, face ao crescimento da Indústria 4.0 numa escala global. Levamos aos nossos leitores uma abordagem sobre a Produção e Investigação Científica em Angola. Com base na perspectiva de um dos nossos colaboradores, apresenta-mos alguns dos pontos referentes a fragilidade do nosso sistema de investigação cientifica, realçando as soluções para este problema.
Apresentamos também uma refle-xão em torno da arquitectura em Angola com base no conceito “Pensar Arquitectura”. E finalmente, destacamos ainda a startup Electronic Engineer e o seu
pro-grama de funcionamento, sobre o qual convidamos para uma entre-vista o CEO da mesma empresa.
Para além do referido, mais artigos e informações úteis serão parti-lhadas nesta e em futuras edições da magazine. Estamos juntos. Somos disruptivos !
Introdução
O
Jailson Coluna
Director Executivo e Fundador da Disrupttionmundo em que vivemos tem se reinventado. Tem passado por uma su-vvvvvcessão gradual de transformações e nos dias de hoje é possível observar com clareza em meio a este processo evolutivo, uma série de mutações. Existe um novo olhar para às tecnologias que têm transformado funda-mentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. A Quarta Revolução Industrial é sem sombra de dúvidas uma das temáticas mais emergentes da actualidade e que acarrecta consigo uma série de desa-fios para o mundo.
Uma revolução pode ser definida ou interpretada como sendo uma transfor-mação profunda, que por sua vez pode causar desordem ou constran-gimentos no curso normal de um processo ou sistema. E na base do pen-samento de Karl Marx, pensador da revolução, (filósofo alemão, 1818 - 1883) está a ideia que “tudo se encontra em constante processo de mudança”.
Olhando para o Sector industrial, é possível observar as constantes transfor-mações que o mesmo tem sofrido e, atendendo a complexidade e impor-tância deste processo na vida das pessoas, somos hoje chamados a refletir em torno desta temática, suas oportunidades bem como as suas ameaças.
A indústria sempre foi compreendida como sendo o processo de transformar matéria-prima em bens de produção e de consumo. Ela encontra-se bem presente na história da humanidade e com base a evolução, temos como resultados grandes mudanças nestes processos devido a uma série de inovações tecnológicas e consequentemente surgem impactos no âmbito social, económico e político. Klaus Schwab (fundador e presidente executivo do Fórum de Económia Mundial) em seu livro entitulado A Quarta Revolução
Industrial, explica que “A Quarta Revolução não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direcção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da revolução digital”.
Estamos vivendo um período desafiador, e numa perspectiva futurística muitas sociedades serão forçadas a olhar com maior sensibilidade e com urgência para a ciência, e de forma particular para a evolução digital com vista o benefícios de todos. Existe um crescimento restrito ao universo da nanotecnologia, robótica, inteligência artificial e armazenamento de energia e, em meio a este processo, muitas são as dificuldades para nos adaptarmos a este novo panorama.
Dentro deste contexto, o continente africano é apontado como o mais lesado em meio a este processo devido atendendo ao facto do continente ser o que menos investe em pesquisas e desenvolvimento, factor que pode ser justi-ficado pelo nível de desenvolvimento apresentado.
A Quarta Revolução Industrial
Editorial
_
O
A quarta revolução industrial, que a cada dia tem crescido não só a nível internacional como também a nível regional, tem apresentado de forma implícita a volatilidade da estrutura que algumas sociedades apresentam, relativamente ao desenvolvimento e ao investimento na ciência e na tecnologia. Existe um clamor por mais investimentos no sector da pes-quisas científica e tecnológica.
Dentro da nossa esfera social, em função da megatendência é indiscutível o facto de que temos nossas vidas impactadas pela quarta revolução industrial. Temos sido influenciados a seguir as actualizações do mundo e atendendo a complexidade desta questão, para que o nosso continente e de forma específica o nosso país estejam dentro deste processo, é imprescindível que se olhe com mais sensibilidade para a qualificação dos cidadãos para atender não apenas o sector industrial mas como também outros sectores impactados por este processo evolutivo.
Portanto, é importante que se tomem as decisões mais acertadas no presente para se evitar algumas das ameaças prevista para o futuro. Precisamos olhar para a digitalização como o futuro, investir nas infra-estruturas de base, olhar para o capital humano angolano como solução para a resolução dos problemas. Precisamos criar uma ruptura nesta tendência não favorável criada, abraçando a revolução para o melhoramento da qualidade de vida da nossa sociedade.
África
e a Quarta
Revolução Industrial
Megatendência, A Nova Revolução na Produção
Kiesse Canito
Managing Partner, BMP Consulting
Coordenador da África Tech 21
England, UK- D. Napier & Son Ltd, Aero Engine in the Making’, England, Circa 1918, unsplash.com
As necessidades humanas, segundo a economia neoclássica, são ilimitadas, pelo que o conjunto de recursos, ou de factores de produção, que permite produzir bens para satisfazer tais necessidades são limitados. Este diferencial entre os recursos e necessidades, introduz o conceito da escassez de recursos necessários para atender as necessidades da crescente população, alterações climáticas e sobretudo garantir a sustentabilidade do planeta [1]. Esta escassez de recursos é colmatada por avanços tecnológicos no processo de produção de bens e serviços, definido por inovação tecnológica.
A inovação tecnológica é dinâmica, pois o ser humano busca sempre por alternativas mais eficientes para melhorar os processos produtivos, de tal forma que seja possível atender um maior número de pessoas superando os grandes desequilíbrios e desigualdades existentes.
Este dinamismo na economia e na sociedade propiciado pelos avanços tecnológicos vem sendo designada por alguns estudiosos como revolução industrial, ou seja, um divisor de águas entre o antigo e o novo, que causa impactos profundos na produtividade e nas mudanças nos padrões de organização económica e social.
Via de regra, uma revolução tecnológica é
caracterizada por mudanças abruptas e
radicais, com tendência a tornar obsoleta
os anteriores sistemas de produção e
socialização, através da incorporação de
novas tecnologias, assim sendo, não se
trata “de uma era de mudança”, “mas sim
uma mudança de era” que trás consigo
novos paradigmas.
Ao longo da história, a humanidade já passou por algumas dessas revoluções industriais sendo que, a primeira Revolução deu-se entre 1760 e 1840, foi movida por tecnologias como máquinas a vapor e linhas férreas, a sua principal característica foi a passagem de uma produção manual para uma produção mecanizada e o país propulsor foi a Inglaterra. Esta época também foi marcada pelo surgimento e desenvolvimento do pensamento económico liberal, com a publicação, por Adam Smith, da obra “ An Inquiry into the Nature and Cause of the Wealth of Nations” ( Uma investigação
so-bre a natureza e causa da riqueza das nações) (pud SIMÃO FILHO; PEREIRA, 2014, P.47-48). A segunda revolução ocorreu no final do século XIX e início do século XX, tendo como principais inovações a electricidade, a linha de montagem e a difusão da pro-dução em massa, bem como a intropro-dução por Frederick Winslow Taylor da proposta de utilização de métodos cartesianos na gestão das empresas. A Terceira Revolução, que se iniciou na década de 60 do século XX, é habitualmente chamada de “Revolução Digital porque foi catalisada pelo desenvolvimento dos semicondutores, da computação - Mainframe (década de 1960), dos computadores pessoais (década de 1970 e 80) e da Internet ( década de 1990) (SCHWAB, 2017, P10).
No entanto, tendo em conta os avanços tecnológicos recentes, alguns estudiosos, como o renomado Engenheiro e Economista alemão Klaus Schwab [2]
defendem que estamos diante de um novo estágio de desenvolvimento da humanidade, que seguindo a ordem cronológica das revoluções anteriores, passou-se a designar por Quarta Revolução Industrial, que consiste na fusão de tecnologias e a interacção entre os domínios físicos, digitais e biológicos.
Klaus Schwab é conhecido mundialmente, como fun-dador e presidente executivo do Fórum Económico Mundial (WEF), que organiza o congresso mundial em
Davos na Suíça, um encontro anual que reúne a elite
política e econômica global para discutir temas de impacto mundial.
Esta revolução assenta as suas bases na revolução digital e caracteriza-se por uma Internet muito mais móvel e omnipresente, por sensores mais pequenos e mais potentes, que se tornam mais baratos e pela Inteligência Artificial.
Na Alemanha, por exemplo, as discussões sobre o impacto das novas tecnologias nos processos produtivos iniciaram-se em 2011 na feira de Hannover, onde foi cunhado o termo “Indústria 4.0”, uma expressão que descreve a forma como as cadeias de valor globais serão alteradas com a introdução de tecnologias emergentes, trazendo o conceito de fábricas inteligentes. Isto é, sistemas de fabrico físico e virtuais que cooperam uns com os outros de forma global e flexível, permitindo o surgimento de produtos mais personalizados e a criação de novos modelos operacionais.
Segundo Klaus Schwab, existem três factores que nos levam a concluir que estamos diante da Quarta Revolução Industrial e não de apenas um prolongamento da revolução digital (SCHWAB, 2017, P7):
Velocidade: contrariamente às primeiras revoluções industriais, esta evolui a um ritmo exponencial e não linear. Isto é, ao mesmo tempo que as novas tecnologias de uma área avançam, tecnologias de outras áreas são viabilizadas e beneficiadas, criando um círculo virtuoso e acelerado de progresso tecnológico.
Amplitude e profundidade: Com a combinação e
avanço exponencial de múltiplas tecnologias vários paradigmas estão a ser quebrados na economia, nos negócios, na sociedade e no dia, dia dos indivíduos. É uma revolução que promete alterar o “que” fazemos e “como” fazemos mas também “quem” somos, meio da produção de inovações surpreendentes numa alta frequência.
Impacto sistémico: refere-se a modificação de sistemas inteiros, entre (e dentro) países, em empresas, em indústrias, na sociedade como um todo.
Diante dos factores apresentados, podemos afirmar
que a Quarta Revolução Industrial terá precedents únicos, pois será acompanhada de mudanças profundas que serão marcadas com o aparecimento de novos modelos de negócio, com disrupção dos métodos tra-dicionais, alterando todos os processos de produção, consumo, transporte, gestão e governação. Trata-se de fenómeno global, o que significa que irá impactar países de todos os continentes, independente da sua loca-lização geográfica ou do seu estágio de desenvolvimento económico e social. Assim em diversos sectores, o desen-volvimento e incorporação de tecnologias como Inteli-gência Artificial, Biotecnologia, Nanotecnologia, Robó-tica, Internet das coisas, Blockchain, impressão 3D, Com-putação em Nuvem, Drones, Big Data entre outras tecnologias promete impactar positivamente o cresci-mento económico mundial, através de ganhos consi-deráveis de eficiência e produtividade, além de propor-cionar uma melhor qualidade de vida através de avanços no campo da genética.
Indústria Automóvel Moderna| Lenny Kuhne, unsplash.com
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Para além dos benefícios esperados nesta Quarta Revolução Industrial, o Fórum Económico Mundial alertou em 2016, no seu evento anual, que o aumento das desigualdades sociais, principalmente no mercado de trabalho, representa a principal preocupação social relacionada ao avanço de tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial e a Robótica Avançada. Pois, segundo os dados apresentados, o mundo pode perder cerca de 7 milhões de empregos [3], devido a substituição humana por sistemas automatizados. Porém no próprio fórum foi avançado que esta perda de empregos pode ser aliviada pelo surgimento de 2.1
milhões de novos empregos. Outro dado realçado no fórum, é que 65% das crianças que entram actualmente no primeiro de ano de escolaridade irão trabalhar em profissões que não existem hoje.
Diante dos impactos esperados com o avanço exponen-cial das tecnologias emergentes, em países desenvol-vidos (Estados Unidos, Alemanha, França Inglaterra Japão e outros) e nos países emergentes mais dinâmi-cos, o tema quarta revolução industrial já esta presente na agenda de empresas, universidades e governos não só como item de estudo, mas também na formulação de políticas públicas que lhes tragam uma posição de destaque.
Os países pertencentes aos BRICs também têm dado especial atenção a este tema, tendo incluindo o mesmo na agenda da sua 10 ª cimeira realizada na África do Sul em 2018, cujo tema central foi: “Colaboração para o Crescimento Inclusivo e Prosperidade Partilhada na 4.ª Revolução Industrial. “
E como fica o continente africano neste
contexto?
Historicamente o continente africano tem passado a margem das revoluções industriais impulsionadas por inovações tecnológicas.
Durante a primeira e a segunda revolução industrial, o continente africano esteve sob julgo de nações ocidentais imperialistas. A primeira revolução deu-se num período em que África estava a vivenciar o fim daquele que foi um dos períodos mais devastadores da sua história, o tráfico de escravos. Durante esta época, milhares de africanos foram retirados das suas terras de origem para servirem como escravos em colonias pertencentes à nações como Portugal, Espanha, Inglaterra e França. O tráfico de escravo teve início por volta de 1444, sendo que a Dinamarca foi o primeiro país da Europa a abolir o mesmo em 1792, seguida da Inglaterra em 1807. No Brasil, no entanto, a escravatura só foi abolida em 1888, no culminar de uma série de debates e lutas.
A segunda Revolução Industrial sucedeu num período em que África vivia um período designado por
Imperialismo, movimento que teve como principal
característica a divisão do continente africano pelas potências coloniais imperialistas, com o objectivo de satisfazer a crescente necessidade de matéria-prima e a expansão dos seus mercados além-fronteiras.
O principal evento que marcou está época foi a
Confe-rência de Berlim, também conhecida como a partilha de África. Neste evento que decorreu entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, as potências imperialistas delimitaram as regras e acordos referentes a ocupação do continente africano. Segundo Olayemi Akinwumi [4], a Conferência de Berlim causou danos irreparáveis e alguns países sofrem até hoje com isso. Ainda segundo o mesmo, a divisão de África foi feita sem qualquer consideração pela história da sociedade, sem ter em conta as estruturas políticas, sociais e económicas existentes.
Já na década de 1960, quando se deu início a terceira revolução industrial, o continente africano encontrava-se no período inicial da descolonização e, neste período vários países africanos livraram-se do julgo “colonia” das principais potencias europeias. Com a conquista das independências avistava-se a criação de um novo con-tinente, livre e com capacidade de criar condições de prosperidade para todos os africanos. Este desiderato não foi alcançado devido a vários factores, tais como: ▪ Disputas territoriais;
▪ Crises políticas - originadas pelos aos sucessivos Golpes de Estado;
▪ Rivalidades tribais - movidas por questões étnicas. Os principais conflitos em África aconteceram nos seguintes países: Sudão e Sudão do Sul, Nigéria, Ruanda, Mali, Burundi, República Democrática do Congo e Angola. Assim sendo, dos 54 países africanos apenas oito não vivenciaram um conflito armado ou violento desde a sua independência.
Após o término da maior parte dos conflitos armados em África, o continente passou a ser assolado por outro mal, a corrupção.
Segundo a ONG Transparência Internacional (TI) “A corrupção nos países africanos tem a ajudado a impedir o desenvolvimento económico, político e social do continente. É um grande obstáculo para o crescimento económico, uma boa governança e liberdades básicas, tais como a liberdade de expressão ou o direito dos cidadãos de exigir que os seus governos prestem contas.” [5]
Este breve resumo histórico, demonstra que a herança pesada do período colonial associada aos conflitos armados e a corrupção, contribuíram para transformar a África num dos continentes mais problemáticos no que se refere ao desenvolvimento sustentável e inclusivo. Pois, a maior parte dos países africanos não atingiram
Megatendência Principais riscos Principais oportunidades Possíveis implicações nas políticas Nova revolução na produção • Automação • Relocalização da indústria transformadora para economias avançadas • Infraestruturas tecnológica vulneráveis • Cibersegurança • Degradação ambiental • Fluxos financeiros ilícitos
• Aumentar o acesso das pequenas empresas à cadeias
de valor globais
• Simplificar as economias de escala
• Reduzir os custos comerciais • Criar novos nichos e
mercados
• Oferecer novas actividades de
deslocalização a “clusters africanos
de excelência”
• Usar as novas tecnologias para
melhorar o acesso aos serviços públicos, fazer políticas mais
eficientes e melhorar a transparência
• Oferecer competências de qualidade para a ciência, tecnologia, engenharia
e matemática e para a educação e formação técnica, empresarial
e profissional
• Apoiar novas pequenas e médias empresas (PME) de base tecnológica
através de financiamento • Encorajar o investimento em investigação e desenvolvimento de
tecnologia e dados
• Promover clusters orientados para a tecnologia
• Adaptar as políticas fiscais ainda a maturidade no que se refere as questões
liga-das a Saúde, Educação, industrialização, infraestru-turas, segurança, etc. Assim sendo, num contexto geral, o continente encontra-se muito longe de atingir os objectivos sustentáveis lançados pelas nações Unidas na sua agenda 2030. Deste modo, África terá de ter uma grande capacidade de implementação e coorde-nação de políticas públicas, com vista a resolver as questões anteriormente mencionadas e ao mesmo tempo avançar para aproveitar oportunidades deriva-das da revolução em curso.
A despeito de todos os obstáculos que impedem o avanço do continente, importa realçar que África está a viver uma época nunca vivenciada na história, a proli-feração dos smartfones associada ao aumento do aces-so à internet permitem hoje aos africanos benefi-ciaram-se de toda a informação e conhecimento que flui em abundância e com rapidez de uma ponta à outra do planeta. Este facto é de extreme relevância, pois é a primeira vez que os africanos têm a oportunidade de estarem conscientes de uma transformação tecnologia de escala global, tendo a oportunidade de assumir um papel activo.
Pelo facto de não ter tido uma participação interventiva nas anteriores revoluções industriais e diante de todos os desafios estruturais do continente africano, entendemos que a inserção de África na rota da quarta revolução in-dustrial não será uma tarefa fácil. Por isso, o relatório Dinâmicas do desenvolvimento em África, que analisa as políticas de desenvolvimento do continente africano, entre outros temas, apresenta um enfoque em 8 Megatendências que afectam a integração africana na economia global. Dentre elas, importa destacamos neste artigo a Megatendência 2: “A nova revolução na produção”. De acordo com o relatório, ao longo dos próximos 15 anos, é provável que a contínua revolução na produção tenha impacto nas economias africanas através de:
▪ Novas tecnologias (a Internet das Coisas, a análise de
big-data, a computação em cloud e a impressão em
3D);
▪ Novos materiais (tecnologias de base nano e bio);
▪ Novos processos (inteligência artificial e produção
data-driven).
A tabela abaixo apresenta os principais riscos, oportunidades e implicações em questões públicas a fim aproveitar esta Megatendência.
Tabela 1. Megatendência - A Nova Revolução Industrial: Principais risco oportunidades e implicações em questões de políticas.
Fonte: Adaptado do relatório Dinâmicas do desenvolvimento em África. Página 11
Tendo em conta o exposto na tabela acima, nesta quarta revolução industrial, podemos concluir que continente africano tem duas hipóteses, ser protagonista ou mero espectador. Caso a opção seja a primeira, deve-se iniciar com senso de urgência, a estudar mecanismos que os permitam tirar proveito das transfor-mações em curso, com o intuito de dar saltos qualitativos e ultrapassar de forma criativa, algumas das barreiras que impedem o seu desenvolvimento socio-económico. Caso a opção seja a segunda, corremos o risco de assistir passivamente o aumento do fosso entre os países africanos e países mais desenvolvidos, pois a quarta revolução promete ser um fenó-meno global e sistémico que impactará todos sectores da economia e da sociedade em todos continentes.
A título de conclusão, importa realçar que, não será possível para o continente africano al-cançar qualquer resultado nesta quarta revo-lução se não houver uma colaboração efectiva entre o estado, sector privado e a sociedade civil.
Sustentabilidade
Ambiental face ao
Surgimento da
Indústria 4.0
Érica Tavares
Biologa Ambiental e Ecologista
Co-Fundadora da EcoAngola
Página 15 uando olhamos ao nosso redor, é evidente que a evoluevolução está sempre a acompanhar-nos, quer a nível biológico como também a nível tecnológico.
Se olharmos para o passado do planeta Terra e para a história da Humanidade, conseguimos constatar que desde o surgimento da espécie que é hoje conhecida como ser humano (Homo sapiens), que a evolução tanto do Planeta Terra como da própria espécie ocorreu de forma diferente, isto porque em cada fase de desen-volvimento do ser humano, mudanças ocorreram no modo como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos uns com os outros, e também com os outros seres vivos. A Quarta Revolução Industrial é caracterizada como a revolução tecnológica, de ciência, de informação mas também, olhando para os dias de hoje, representa a destruição. O desenvolvimento rápido das tecnologias acaba por alimentar a curiosidade do ser humano para novas descobertas e mais tecnologias, na maioria das vezes, na tentativa de resolver questões que aflingem a sociedade.
Mas se a humanidade se está a desenvolver de
forma tão rápida com esta revolução, porque é
que os problemas do mundo não estão a ser
resolvidos, mas sim, aumentam a cada dia?
É simples: estamos a explorar os recursos naturais e biológicos cada vez mais rápido e com mais intensidade, e na agenda de muitos, eles parecem infinitos, mas não são; e isto para dar resposta ao rápido desenvolvimento económico e ao crescimento populacional. Temos sem-pre de ter em conta que nem semsem-pre o desenvolvimento económico, significa, “desenvolvimento”.
Os problemas vividos durante o século XXI mostram que o ser humano está a alimentar um vortex de extinção: quanto mais descobrimos, mais destruimos e quanto mais destruimos, mais tentamos descobrir soluções que possam dar resposta às actuais crises sociais e am-bientais, que são o resultado desse tão rápido cresci-mento.
A sustentabilidade está neste momento em
desiquilíbrio, com um foco mais acentuado no
desenvolvimento económico, seguido do
desen-volvimento social, mas sem olhar para a
tenbalididade ambiental, que na realidade,
sus-tenta tanto a economia como a sociedade.
Q
Em palavras mais simples: o Homem tem procurado investir em tecnologias que ao mesmo tempo o estão a destruir. Por exemplo, apesar de já se ter conhecimento dos impactos negativos do plástico, continuamos a produzir e a utilizar este recurso de forma indiscri-minada, ou seja, há conhecimento mas não há sensi-bilização. Uma solução seria investir em bioplásticos e com a utilização de impressoras 3D, podemos tornar a produção mais sutentável, mas também temos de ter em conta a sustentabilidade da produção da matéria prima.
Um outro exemplo são os investimentos que continuam a ser feitos na indústria petrolífera, mesmo sabendo que
Edifício verde/ Bosco Verticale- Milan, Itália; Victor Garcia, unsplash.com
é uma das principais fontes de carbono atmosférico que influen-cia negativamente as alterações climáticas e causam o aquecimen-to global, tendo grande impacaquecimen-to na vida de todos os seres vivos, especialmente nos que estão si-tuados em regiões de maior sem-sibilidade e na maioria das vezes são os que mais sofrem com a de-sigualdade.
Mas voltando à Indústria 4.0, a própria criação de materiais que alimentam essa evolução tecnoló-gica tem também grande impacto ambiental, e este impacto afecta negativamente a vida das pessoas. Um exemplo prático de como essa teoria se materializa foi o resul-tado da 4ª revolução industrial, que para aumentar a produção agrícola investiu na sua indus-trialização e no uso de
agro-tóxi-cos tendo como consequência o aumento da poluição dos solos, dos corpos de água, a redução da biodiversidade bem como chegou a afectar pessoas, causando doenças neurólogicas e outros tipos de mutações. Apenas após estes danos tornarem-se tão graves é que certos agrotóxicos foram sendo probidos em certos países, mas infelizmente, até aos dias de hoje algumas indústrias continuam a utilizá-los. E qual foi a solução para dar resposta a este problema? O aumento de tecnologias que limpam os solos, os oceanos e até procurar a cura para as doenças como o câncer, que aumentou esporadicamente depois desta revolução. Percebem aonde quero chegar? Voltamos novamente ao vortex.
Por esses e outros motivos, a poluição ambiental está marcada pela crescente urbanização e industrialização que acelereraram durante a revolução industrial. Não podemos voltar a cometer o mesmo erro.
É necessário repensarmos no modelo de vida que é comummente pensado como o melhor, pois temos incentivado a produzir e consumir exces-sivamente e também a acumular bens materiais e financeiros que continuam a promover a desigualdade e a pobreza noutras realidades.
Para que a revolução 4.0 sirva não só para a mudança mas sim para a resolução dos problemas que o mundo enfrenta, precisamos que ela se foque em criar sistemas tecnológicos que influenciem a economia circular, reduzam a produção excessiva e o consumismo, especialmente dos materiais que têm grande impacto ambiental e social.
Importância
da Base Científica e
Tecnológica em
Angola:
Quais as Vantagens da Investigação
Científica nas Universidades Angolanas?
Neidelênio Soares
Estudante do curso de Química da Universidade da
Integração internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
ara abordar as questões relativas a Investigação Cie Científica em Angola, é importante recuar no tempo e lembrar a conferência Mundial sobre Ensino Superior promovida pela UNESCO em Paris, que serviu para abordar o destino da educação no século XXI, foi um evento importante para debater o rumo das nações baseada numa educação que proporcionasse avanços e melhorias. De acordo com Moraes e Fava o evento deve-se resumir no deve-seguinte:
“Não há condições de uma Nação querer ser moderna com desenvolvimento social e económico se não tiver
base científica e tecnológica.”
A questão que se coloca é: Como Angola pode avançar e ter bons resultados em termos de produção e pesquisas científicas? É possível vislumbrar no ceio da comunidade estudantil uma base científica e tecnológica para dar resposta aos problemas que surgem e ajudar desen-volvimento econômico do país? Temos quadros capazes de dar resposta a esses problemas? Sem sombras de dúvidas, Angola possui quadros qualificados e Univer-sidades comprometidas que se dedicam diariamente para a formação de cidadãos capazes de resolver os problemas do país, o que está a faltar para atingir o nível de qua-lidade esperado?
Actualmente sabemos que Angola apresenta diversos problemas relativos à investigação científica, que vão desde a falta de investigadores, a falta de infraestruturas, a falta de financiamento e incentivos quer público, quer privados. É importante destacar que para Angola superar o estado actual da investigação científica de acordo com Almeida (2011) “não há caminhos pré-determinados e soluções pré-estabelecidas”. Porém, existem alguns in-dicadores adotados por muitos países que devemos seguir com o intuito de promover avanços na Ciência, Tecnologia e Inovação.
De acordo com Soares (2020), o actual estado de invés-tigação científica de Angola, nos mostra que ainda pre-cisamos fazer muito para possuir uma cultura de pes-quisa cientifica, e é preciso que o Governo, as Universi-dades, empresas privadas e públicas se envolvam mais nesse processo, para alcançarmos resultados satisfatórios. Concordando com Coelho (2019), ao afirmar que: “ a ciência por si só não leva a um objectivo claro, são as escolhas dos agentes que a usam que determinam a natureza dos resultados objectivados”.
Em função dos métodos utilizados, a ciência por meio da
P
investigação científica nos leva ter uma visão de mundo além daquilo que estamos acostumados, permitindo que tenhamos um olhar crítico e eman-cipador, velando pelo bem-estar da população.
“O empreendimento científico e tecnológico
do ser humano ao longo de sua história é,
sem dúvida alguma, o principal responsável
por tudo que a humanidade construiu até
aqui. Suas realizações estão presentes desde
o domínio do fogo até às imensas
potenciali-dades derivadas da moderna ciência da
in-formação, passando pela domesticação dos
animais, pelo surgimento da agricultura e
indústria modernas e pela melhora da
quali-dade de vida de toda a humaniquali-dade no
último século”.
(CPCT, 2019)Assim sendo, não se pode pensar em desenvolvimento e avanços no país sem olhar para Ciência como alternativa ideal para sanar as reais dificuldades. Pois, sabe-se que a prática da ciência ajuda a desenvolver raciocínios lógicos, relacionar os problemas e elaborar métodos específicos para dar resposta e assim intervir de forma eficiente e garantir mudanças, e isso é bem aproveitado quando é trabalhado desde a base.
A Iniciação científica (IC), é a primeira experiência do aluno de graduação com a pesquisa acadêmica. Com a orientação de um pesquisador experiente, o docente da faculdade, o aluno deverá desenvolver o pensamento científico, aprender a explorar criticamente a literatura, elaborar projetos de pesquisa, redigir textos técnicos para publicações e congressos, além de aprender técnicas e métodos de pesquisa. (DCMA, 2020)
Baseando-se no artigo cientifico sobre a “Iniciação Científica muitas Vantagens e Poucos Riscos” de Flavio Moraes, Professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e Diretor Executivo da Fundação Seade e de Marcelo Fava, Professor de Odontologia Pediátrica na Unesp de São José dos Campos e Universidade Bandeirantes, vamos apresentar algumas vantagens de se investir em Iniciação Cientifica na graduação em Angola.
Vantagens de um programa de Iniciação Científica
nas Universidades:
Um dos pontos que devemos destacar é o facto de que a iniciação científica nas Universidades é uma forma de promover estratégias de ensino com vista a formação de indivíduos que para além de consumir, produzam igualmente conhecimento dentro da universidade.
E isso pode trazer alguns benefícios dentre os quais destacamos:
• A primeira conquista de um estudante que faz iniciação científica é a fuga da rotina e da estrutura curricular, pois agrega-se aos professores e disciplinas
• com quem tem mais "simpatia" e "paladar", desenvolvendo capacidades mais diferenciadas nas expressões oral e escrita e nas habilidades manuais; • A iniciação científica pode ser utilizada como
indicador de avaliação dos cursos de graduação e servirá para avaliar a qualidade e o desempenho dos professores e o conteúdo programático da grade cur-ricular, ou seja, servirá para avaliar o modelo peda-gógico adotado pela Universidade;
• Os estudantes que fazem iniciação científica têm melhor desempenho nas seleções para a pós-graduação, terminam mais rápido a titulação, possuem um treinamento mais coletivo e com espírito de equipe e detêm maior facilidade de falar em público e de se adaptar às atividades didáticas futuras. Por outro lado, é um erro admitir que iniciação científica existe exclusivamente para formar cientista;
• A iniciação científica permite que a Instituição, por meio do programa IC, favoreça uma maior exposição dos melhores talentos dentre seus alunos. Isso não tem duplo sentido, ou seja, não impede que uma pessoa talentosa não consiga se visibilizar se não fizer iniciação científica, mas é sabido que os que a fazem, em geral, mostram "algo mais", facilitando sua imediata identificação dentro do programa;
• Existe, portanto, um diferencial muito forte a favor desse tipo de programa. Outro diferencial privilegiado mostrado pela iniciação científica em relação ao estudante regular refere-se à chance de se entender precocemente de ciência atualizada, em face do convívio com pesquisadores muito experientes, pois o aluno ganha muito mais tempo do que se fosse aprender sozinho. Ao queimar etapas, integrando-se a um grupo competente, o estudante pode ter ideias muito mais criativas e sensatas.
A iniciação científica permite que o estudante tenha um conhecimento que vá além do que é ensinado em sala de aula e abre portas para pensar no que fazer do futuro, permitindo que desde cedo os estudantes tenham um acesso e amadureçam no processo de fazer ciência, conhecendo as especificidades do universo
Investigação científica; NESSA by Makers, unsplash.com
Científico e aprimorando-se dia após dias.
Portanto, se queremos realmente ter pesqui-sadores no país e pessoas preocupadas em resolver os problemas por meio da investiga-ção científica é urgente a preparainvestiga-ção de jovens por meio de estímulos nas Universidades, um programa de iniciação cientifica seria muito importante para mitigar o atual estado das pesquisas científicas a curto e longo prazo de Angola.
Délcio Caiaia
Estudante de Arquitectura e Urbanismo,
Universidade Autónoma de Lisboa
Designer Gráfico
Uma perspectiva
sobre a arquitectura
em Angola
Página 23 ngola é um país jovem, um país em fase de
cons-cccctrução. Contudo não obstante o seu carácter juvenil, há um longo percurso histórico demarcado pela colonização, guerras e nos últimos anos, sobre-tudo, por uma certa falta de vontade e cooperação política com a classe dos Arquitectos. Fruto destes e de outros fenómenos que têm um grande impacto na morfologia social e arquitectónica local, enfrentamos problemas caóticos de caracterização da cidade, mobilidade, espaço público, em suma, de planeamento territorial.
Urge pensar e consolidar um ideário arquitectónico, face a todos os fenómenos e desafios referenciados anteriormente, que se impõe como valor arqui-tectónico, ao invés de caracterizá-los simplesmente como condicionantes. Um exercício que parte da valorização dos quadros locais à desburocratização e despartidarização do exercício da actividade ariquite-ctónica.
Importa referenciar que a arquitectura não
é alheia ao ideário político mas, não deve e
não se delimita única e exclusivamente ao
mesmo.
A arquitectura também se impõe como promotora da consciência cívica, social e histórica de um povo. Face aos desafios no exercício coeso da actividade arqui-tectónica em Angola, em contraste com os problemas sociais, pensar em uma arquitectura angolana disru-ptiva significa promover a inclusão social, reflectir sobre a eficácia e eficiência na mobilidade urbana caracterização de um perfil sociológico real que se depara com os grandes problemas e necessidades sociais que comprometem a qualidade de vida, priorização de resposta qualificada à falta de saneamento básico, devida caracterização e delimi-tação dos espaços públicos como parte fundamental da autonomia concedida aos habitantes de pensar fazer e gozar o espaço.
Com os olhos fitos no capitalismo e com o louvor à tecnocracia, o nosso olhar arquitectónico local refiro à nós, nova geração de inspirantes à arquitectos sobretudo angolanos, pode ver-se ameaçada pela
Inside Out
A
globalização, partindo do pressuposto de que o nosso país, infelizmente não está devidamente estruturado, por inúmeros aspectos para responder positivamente aos re-quisitos dos estados – nações, integram ou desejam englobar essa rede global.
Por outro lado, a agregação tecnológica, a preocupação com definição de um perfil arquitectónico adequado às exigências e realidades locais, a percepção do trabalho árduo e das responsabilidades sociais que nos são conferidas como seres humanos e como profissionais, face aos atrasos arquitectó-nicos, no nosso país servem de suporte estrutural ao olhar arquitectónico da nossa geração.
Pensar arquitectura angolana em Angola é um exercício que demanda conhecimento, capacitação, força, persistência e muito patriotismo. Antes de um compromisso qualquer com correntes arquitectónicas e resposta positiva, própria e diferenciada na arena global, a arquitectura em Angola precisa ser angolana, sem desprimor ao progresso, mas, assente sobretudo nos compromissos com a preservação da sua identidade, dignidade e percurso histórico, social e cívico.
Electronic Engineer
(EE Tech)
Com o contínuo crescimento da tecnologia em Angola, é
comum e notório ver jovens angolanos a desenvolverem
projectos inovadores para colocar Angola na lista de
contribuentes neste segmento.
No grupo desses jovens temos os estudantes de engenharia
de Electrónica Telecomunicações, João Jorge e o Wilson Tela
com a startup EE tech (Electronic Engineer), que tem como
foco a concepção e partilhar projectos inovadores,
motivando assim jovens a desenvolverem projectos de
electrónica profissionalmente ou como hobby.
João Súdre Jorge &
Wilson Isaac João Tela
Segundo João Sudré Jorge, CEO da EE Tech, a página da Electronic Engineer foi criada no dia 22 de Março de 2019, com o intuito de dar suporte ao projecto da criação de uma Startup e levar de forma mais fácil a comunidade estudantil e aos amantes de electrónica e tecnologia o verdadeiro conhecimento de electrónica.
A ideia era ter uma página de ensino, que proporcionasse um espaço de intercâmbio, para partilha de conhecimentos relacionados a electrónica, onde as pessoas teriam a oportunidade de aprender electrónica de maneira fácil, rápida e barata. E com base a esta ideia, por intermédio da página têm lecionado electrónica por intermédio de vídeo-aulas.
A página Electronic Engineer é de inteira responsabilidade de João Súdre Jorge e de Wilson Isaac João Tela, os integrantes da organização fora o grupo de colaboradores.
As aulas encontram-se subdividas em três séries, nomeadamente:
automação residencial
,ideias livres
erobótica
.O bloco de automação residencial, é o bloco destinado ao ensino e compartilhamento de ideias para automação residencial de forma simples e barata.
Segundo João Jorge e Wilson Tela, as aulas não lecionadas por meio da página e no final de todas as aulas são apresentadas, o funcionamento de um protótipo relacionado com a temática apresentada, por meio de vídeos bem como a disponibilização de ferramentas para auxilio na execução das prática.
A princípio eram publicados apenas conteúdos de aprendizagem, mas agora a página ganhou novos segmentos servindo como um espaço de in-tercâmbio e auxílio para elaboração de projectos de fim-de-curso e não só.
[Disrupttion] Qual é o conselho que deixas para todas as pessoas que desejam seguir essa profissão?
Aconselho as investirem na formação, tanto na teoria como na prática. É uma profissão bastante prazerosa e bastante abrangente, bem presente na área da saúde, indústria automóvel, nas residências… em tudo que podemos imaginar, as novas tendências trazem bons ventos aos electrónicos.
Entrevista
A esquerda João José e a direita Wilson Tela, fundadores da EE Tech.
[Disrupttion] De acordo a realidade do mercado angolano, quais as maiores dificuldades que tens encontrado como técnico de electrónica?
A nível local, a maior dificuldade encontrada é a aquisição de aparelhos e dispositivos electrónicos de forma fácil, porque em Angola ainda não são produz. Nos últimos tempos tem surgido estabelecimentos de produtos electrónicos, mas ainda assim muitas lacunas precisam ser preenchidas.
[Disrupttion] Quais são as maiores ambições do grupo no mundo da electrónica?
Primeiro gostariamos de firmar o Electronic Engineer no mercado angolano, torná-la numa referência no domínio da electrónica em Angola. Levar essa área para que muita gente possa ter acesso e aprender electrónica de forma rápida e barata. Visto que não há tempo para electrónica, foi primordial no passado é fundamental no presente e será essencial para o futuro. Gostaríamos também de poder produzir equipamentos electrónicos num futuro próximo, ou seja, o dimensionamento, confecção dos equipa-mentos, tudo a medida do utilizador, promover a investigação e desenvolvimento de equipamentos electrónicos para diversos sectores. Vamos lutar par que isso se torne realidade num futuro próximo.
[Disrupttion] Nos dias de hoje é possível notar o crescimento e desenvolvimento da electrónica a nível internacional e consequentemente muitas organi-zações tem se firmado criando assim um mercado competitivo. De que maneira é que pretendes se diferenciar dos já existentes?
Na promoção de investigação científica e promoção do desenvolvimento da electrónica local. Procuramos por meio da electrónica, dar soluções a alguns dos problemas locais sem recorrer ao estrangeiro. Acreditamos que isso fará a diferença.
Referências
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Artigo - África e a Quarta Revolução Industrial:
[1] Vide: https://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainable-development-goals/
[2] Klaus Schwab é conhecido mundialmente, como fundador e presidente executivo do Fórum Económico Mundial (WEF), que organiza o congresso mundial em Davos na Suiça, um encontro anual que reúne a elite política e económica global para discutir temas de impacto mundial.
[3] Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia
[4] Historiador do departamento de História Universidade Estadual de Nasarawa da Nigéria [5] Disponível em:
https://www.transparency.org/news/feature/cidada.e.os.opinaosobre.a.corrupcao.em.africa
[6] Disponível em:
https://www.oecd.org/publications/dinamicas-do-desenvolvimento-em-africa-2019-a9bd7ae4-pt.htm.
Artigo - Importância da Base Científica e Tecnológica em Angola:
DCMA- Departamento Científico Manoel de Abreu. Iniciação Cinetifica. Disponivel em :
http://dcma.com.br/icnasanta/ic-for-dummies/o-que-e-iniciacao-cientifica/. Acesso em: 13 de Ago 2020.
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https://www.ipea.gov.br/cts/pt/central-de-conteudo/artigos/artigos/116-a-ciencia-e-a-tecnologia-como-estrategia-de-desenvolvimento. Acesso em: 22 de Julh 2020.
COELHO, Sílvio. A ciência das nações: conhecimento científico e desenvolvimento econômico. Terraço
Econômico. Fortaleza. Disponível em: https://terracoeconomico.com.br/a-ciencia-das-nacoes-conhecimento-cientifico-e-desenvolvimento-economico/. Acesso em: 22 de julh 2020.
MORAES, Flavio, Fava; FAVA, Marcelo. A iniciação científica: muitas vantagens e poucos riscos. São
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https://www.verangola.net/va/pt/072020/opiniao/20955/Produ%C3%A7%C3%A3o-e- Investiga%C3%A7%C3%A3o-Cient%C3%ADfica-em-Angola-Em-que-caminho-estamos-A-opini%C3%A3o-de-Neidel%C3%AAnio-Baltazar-Soares.htm Acesso em: 21 de julh 2020.