UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA
PABLO CORTEGOSSO ALVES
CRIMES CONTRA A HONRA NA INTERNET
Araranguá
2020
PABLO CORTEGOSSO ALVES
CRIMES CONTRA HONRA NA INTERNET
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
ao Curso de Graduação em Direito da
Universidade do Sul de Santa Catarina, como
requisito parcial à obtenção do título de
Bacharel em Direito.
Orientador: Prof. ª Nádila da Silva Hassan, Esp.
Araranguá
2020
PABLO CORTEGOSSO ALVES
CRIMES CONTRA HONRA NA INTERNET
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi
julgado adequado à obtenção do título de
Bacharel em Direito e aprovado em sua forma
final pelo Curso de Graduação em Direito da
Universidade do Sul de Santa Catarina.
Araranguá, 09 de dezembro de 2020.
______________________________________________________
Professora e orientadora Nádila Hassan, Especialista.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________
Prof. Elisângela Dandolini, Especialista.
Universidade do Sul de Santa Catarina
______________________________________________________
Prof. Fátima Hassan, Doutora.
Toda a honra e glória a DEUS, dele veio a graça
e força para a conclusão desta etapa. Obrigado
Senhor.
AGRADECIMENTOS
Neste momento, passa um filme em nossas cabeças, anos de batalha, dedicação e
esperança de um futuro brilhante. Primeiramente, gostaria de agradecer a Deus, nossa base, sem
ele, nada seríamos. Janiere Cunha, que ao longo desses cinco anos esteve ao meu lado e foi a
principal incentivadora para o início desta trajetória. Minha família, que me deram o alicerce
de ser quem sou hoje. Paulo e Margot, pais que foram exemplo de pessoas e de vida. Agradeço
a todos os colegas, funcionários e professores desta caminhada.
Não poderia deixar de citar uma professora que sempre me apoiou e esteve ao meu
lado, principalmente nos momentos mais decisivos, Nádila Hassan.
“A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos
sempre depois de cada queda”. (Oliver Goldsmith).
RESUMO
O presente trabalho de conclusão de curso foi desenvolvido com base em pesquisas
bibliográfica e documental. A temática explora os crimes contra a honra na internet. O problema
que guiou a pesquisa foi: como os crimes contra honra estão sendo tratados, em nossa
atualidade, dentro do universo digital? Esta pesquisa nos possibilitou compreender a história da
internet e como as novas tecnologias vêm sendo tratadas de um novo modo, neste sentido o
tema do trabalho entrega conteúdo das Redes Sociais e como os crimes cometidos no meio
digital estão sendo tratados, bem como a evolução do tema no que faz menção ao novo formato
social que vivemos, advindos da nova era digital.
ABSTRACT
This paper was written based on a bibliographic research, the main explored theme approached
online crimes against the honor. The problematization was: How online crimes against honor
are being handled nowadays, inside the digital world? On this paper's goals, it was a priority to
make a general introduction to the subject of honor, in a general way, also about the crimes
related, the elucidation of the topic was the high point with legal basis and doctrinal of the
referred aspects. This research made possible to understand internet’s history and how new
technologies are becoming to be treated in a new way, in that line the theme of the paper delivers
social media content and how crimes committed online are handled, such as the evolution of
the theme on what mentions the new social life that came from the digital age. On that topic,
the paper approaches on crimes against honor and its ramifications on this new context, making
a connection between honor and the crimes practiced on the online environment that in some
level achieves the honor subject, for consequence, all relations that might englobe that study.
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO ... 9
2
DOS CRIMES CONTRA A HONRA... 11
2.1
DEFINIÇÃO DE HONRA ... 12
2.2
HONRA COMUM E PROFISSIONAL ... 13
2.3
DOS CRIMES CONTRA A HONRA EM ESPÉCIE ... 15
2.3.1
Calúnia ... 16
2.3.1.1
Requisitos da Calúnia ... 17
2.3.1.2
Exceção da verdade ... 19
2.3.2
Difamação ... 20
2.3.3
Injúria ... 23
2.4
DIFERENÇAS ENTRE CALÚNIA, DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA, FALSO
TESTEMUNHO, DIFAMAÇÃO E INJÚRIA ... 26
3
CRIMES CONTRA A HONRA NA INTERNET ... 28
3.1
ORIGEM DA INTERNET ... 28
3.2
REDES SOCIAIS ... 31
3.3
REGULAMENTAÇÃO DA INTERNET NO BRASIL ... 34
3.4
CRIMES NA INTERNET ... 37
3.5
PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO ... 40
3.6
PUNIÇÃO DOS INFRATORES ... 42
3.7
REPARAÇÃO CIVIL ... 44
3.8
PROJETO DE LEI N. º 1.589, DE 2015 ... 46
4
CONCLUSÃO ... 48
1
INTRODUÇÃO
Coexistimos dentro de uma nova era, onde a tecnologia ultrapassa com velocidade
nunca antes vista, todos os limites antes inalcançáveis, o aprimoramento tecnológico deste
mundo digital em que vivemos, corre a frente de tudo que já vimos anteriormente. Em meio a
esse cenário, se faz necessário um cuidado especial no que diz respeito à honra do indivíduo,
afetada diretamente nas diversas plataformas existentes. Os crimes contra a honra entram e
permeiam em um novo cenário, o virtual.
O presente trabalho tem como objetivo, elucidar como estão sendo tratados os
crimes contra a honra nesta nova era digital. Com conteúdo legalista e doutrinário, a elaboração
deste trabalho há uma base bibliográfica e documental, sendo dividido em dois capítulos. O
primeiro capítulo permeia entre conceito da honra, suas especificidades, bem como os crimes
que afetam diretamente o assunto estudado, através da análise dos artigos 138, 139 e 140 do
Código Penal. O segundo capítulo trata sobre a nova maneira social de comunicação, assim, o
advento da internet com toda sua tecnologia é explicitado de forma cronológica, buscando fazer
uma ligação entre os temas abordados.
Podemos citar diversos meios, onde a principiologia da honra é atingida neste novo
mundo, chamado de digital. Instagram, Facebook, Youtube, Twitter dentre outras, buscam
através de suas tecnologias de ponta, apurar dados, nos trazendo para um novo formato de
convivência social, alavancando informações individuais e ao mesmo tempo com espaço aberto
para que todos os indivíduos interajam entre si.
Contudo, ao longo dos anos, muitos crimes ocorreram, de certa forma, livremente,
baseado no anonimato. O presente trabalho monográfico busca nos trazer informações de como
os crimes contra a honra estão sendo tratados nesta nova forma de vida e convívio.
Os crimes contra a honra serão explicitados, calúnia, difamação e injúria, serão
objeto de estudo, elucidando questões provenientes dos mesmos e do assunto trabalhado,
diversos pontos do tema serão trabalhados, pontos chaves entre cada um deles, bem como suas
nuances, trazendo, assim, para um novo contexto em que vivemos, pois, são crimes que já eram
cometidos anteriormente, evoluindo assim para uma nova plataforma, mas, não por isso,
deixando de ser tratados com extrema seriedade em nosso modelo social e de direito.
A Internet, e a nova Era digital será alvo de objeto do trabalho, sua história, como
tudo começou, quais as mudanças ocorridas ao longo dos anos, e quais objetivos com que foi
criada e qual patamar atingiu após anos de seu início. Aspectos como sua origem serão
detalhados assim como o advindo das Redes Sociais e suas especificidades.
Não distante, e com fator primordial, a sua regulamentação no Brasil, o que
demonstra não só uma evolução das tecnologias em si, mas sim, uma grande mudança social e
no direito como um todo, devido à alta demanda e suas diferenciações necessárias para uma
melhor compreensão das questões relativas aos assuntos abordados.
A legalidade será apresentada, no que se refere as práticas criminosas, bem como
os direitos as reparações na esfera civil. Os crimes serão apresentados no contexto virtual,
buscando enumerar suas consequências e formas. Os procedimentos de investigação e a atual
legislação que veio a corroborar com nosso já conhecido Código Penal, vem a nos trazer uma
nova visão do que vivemos em nossa atualidade.
Todos os temas de extrema relevância e discussões, tribunais e doutrinadores têm a
busca infinita no tocante a evolução. Estão a aprender com as modificações em tempo recorde,
por fim, este novo modelo social digital que acabou por propiciar A Quarta Revolução
Industrial nos traz uma nova visão. Deste modo nos perguntamos, como os crimes contra honra
estão sendo tratados quando ocorrem nos meios virtuais.
2
DOS CRIMES CONTRA A HONRA
A honra tem lugar resguardado em nossa Constituição Federal de 1988, com intuito
maior de preservar um bem considerado imaterial. A pessoalidade de cada um, com o seu
Decoro, tem respaldo dentro de nosso ordenamento jurídico.
Em nossa Constituição Federal de 1988, a honra mesmo que imaterial é
considerada inviolável, que em seu artigo 5º, X, prevê que:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...]
X - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. (BRASIL, CRFB, 2020).
Tal feito dentro de um sistema jurídico complexo, acaba por ganhar suma
importância, visto que o tema sempre será atual dentro de uma sociedade, perdurando ao longo
de anos e sofrendo adaptações advindas das necessidades sociais, fato este, que permeia o
Direito como um todo.
Como diz Adalberto Aranha:
A Constituição Federal Brasileira de 1988 ficou conhecida como a “Constituição do Cidadão”, porque deu destaque todo especial ao capítulo dos direitos e garantias individuais, uma das faces, e a mais relevante, da cidadania.
Entre os direitos reconhecidos constitucionalmente, e pela primeira vez com tal, figura o direito a honra, com seus meios de defesa.
O direito a honra, e ao respeito tem como bem jurídico tutelado a reputação ou a consideração de cada pessoa, com a finalidade de manter a paz social e preservar a dignidade humana.
Todavia, embora erigido a categoria de direito constitucional, vemos a honra alheia, todos os dias, todas as horas, atacadas impunemente, por todos os meios. (ARANHA, 2000, contracapa).
O autor ainda faz menção a questões que permeiam os meios de comunicação como
um todo, onde utilizam-se da liberdade para semear informações livremente, com o pretexto de
mera informação, onde por muitas vezes acabam por disseminar ofensas disfarçadas, atingindo
assim de forma desonrosa o indivíduo em questão.
Como dito anteriormente o tema se atualiza por si, ao longo dos anos, pois na
atualidade fica latente as questões citadas, onde a informação percorre o mundo em questão de
segundos, trazendo assim suas consequências, seja ela a favor ou contra a honra individual.
A honra, assim como a vida, sempre mereceu a proteção legal. Ela é um atributo da pessoa, estando de tal modo vinculada a personalidade que não se compreende alguém sem sua honra.
Por sua vez, a honra pode assumir várias formas, já que se trata de verdadeira virtude que ressalta o caráter de uma pessoa, mas que é capaz, também, de denegrir a sua imagem, se ela não possuir. Assim o homem, virtuoso desfruta de bom conceito social e serve de exemplo aos concidadãos, já o homem de mau caráter não é bem visto e tampouco merece consideração na comunidade em que vive, (NOGUEIRA, 1995, contracapa).
Para complementar o mesmo diz:
A honra é atributo da pessoa, estando de tal modo ligada e vinculada a personalidade que lhe dá a dimensão moral do seu valor da sociedade. Pode assumir várias formas, pois se trata de verdadeira virtude, que destaca o caráter e dignidade da pessoa que tudo faz para viver com honestidade, conquistando o apreço de seus concidadãos. Fala-se em desonra, por outro lado, quando alguém vive à margem dos deveres sociais, não só infringindo-os como também desrespeitando seus semelhantes. O homem de mau caráter e desonesto não é bem visto e tampouco merece consideração na comunidade em que vive, pois, representa uma ameaça aos demais cidadãos. Já o homem honrado, virtuoso, de caráter ilibado, não só serve de exemplo como é respeitado e admirado por seus semelhantes, (NOGUEIRA, 1995, p. 5).
Sabias palavras, onde os ideais sociais se cruzam, com a individualidade de cada
um, tendo como ponto de equilíbrio social nossa Constituição Federal.
Neste sentido Capez expressa como objeto jurídico: “Tutela-se a honra objetiva
(reputação), ou seja, aquilo que as pessoas pensam a respeito do indivíduo no tocantes as suas
qualidades físicas, intelectuais, morais, e demais dotes da pessoa humana”. (CAPEZ, 2019, p.
327).
2.1
DEFINIÇÃO DE HONRA
Diante de um vasto material a ser explorado, nossa doutrina faz um divisor de águas
entre o referido assunto, com destaque principal para o que chamamos de honra objetiva e honra
subjetiva.
No que tange este contexto, podemos citar que a honra objetiva: diz respeito à
opinião de terceiros aos atributos físicos, intelectuais, morais de alguém. O indivíduo tem algo
que permeia na sociedade, ou seja, é aquela que se refere a boa índole do sujeito no meio social.
(CAPEZ, 2019, p. 323).
Neste momento podemos verificar que está ligado, conforme o autor destaca, com
a questão social, onde o sujeito vive ao longo de sua vida construindo tal feito, objetivando
como grande senso comum, um reconhecimento de seu caráter e suas atitudes. Com esta ideia
nota-se com muita clareza a importância do tema como redação em nossa Constituição, a
necessidade sim, de uma busca da proteção do indivíduo como ser.
Em outro polo citamos que a honra subjetiva se refere à opinião do sujeito a
respeito de si mesmo, ou seja, de seus atributos físicos, intelectuais e morais, em suma, diz com
sua autoestima. Não importando a opinião de terceiros. (CAPEZ, 2019, p. 323).
A doutrina como um todo faz essa divisão, porém se conhecermos
o assunto
notamos que ambas se chocam, fazendo uma inteiração entre os campos uma da outra.
Heleno Claudio Fragoso diz:
Na identificação do que se deva entender por honra, a doutrina tradicionalmente distingue dois diferentes aspectos: um subjetivo, outro, objetivo. Subjetivamente, honra seria o sentimento da própria dignidade; objetivamente, reputação bom nome e estima no grupo social. Essa distinção conduz a equívocos quando aplicada ao sistema punitivo dos crimes contra honra: não proporciona conceituação unitária e supõe que a honra, em seu aspecto sentimental, possa ser objeto de lesão. Como ensina Welzel, § 42, I, 1, o conceito de honra é normativo e não fático. Ela não consiste na fatual opinião que o mundo circundante tenha do sujeito (boa fama), nem na fatual opinião que o indivíduo tenha de si mesmo (sentimento da própria dignidade) (FRAGOSO, 2014 apud GRECO, 2014, p. 420).
Em sua obra Nogueira nos traz:
A honra sempre foi tutelada pelos direitos de todos os povos, por se tratar de direito de personalidade, quer no aspecto subjetivo, quer no objetivo. Daí a distinção entre honra subjetiva como sentimento de nossa dignidade própria, e honra objetiva, que se refere ao respeito e apreço de que somos merecedores nas sociedades em que vivemos. Essa distinção é importante pata que se possa apreciar e compreender cada uma das figuras delituosas contra a honra, (NOGUEIRA, 1995, p. 10).
Como citado anteriormente, uma ligação entre as formas de pensar e visualizar dos
doutrinadores, bem como o mesmo texto constitucional faz quando explicita atos lesivos a
honra in loco no Código Penal Brasileiro, através do título dos crimes contra honra.
2.2
HONRA COMUM E PROFISSIONAL
A honra comum, como o próprio nome já diz, aquela onde existe um ponto
em geral entre todas as pessoas, atingindo assim de alguma forma, uma generalidade, não
possuindo assim particularidades.
Neste momento ela acaba por fazer menção a todos de uma forma mais ampla, não
especificando o indivíduo.
No que pertence a honra profissional tem-se que:
A honra especial e profissional, atribuídas em razão de particulares deveres, s.ao um acréscimo a dignidade e a reputação dadas a todos, e merecem ser respeitadas da mesma forma que a honra geral.
Todo homem, simplesmente porque pessoa e com direito ao respeito a sua personalidade, merece proteção, por primeiro, sem sua honra geral, que é a comum a todos, ao depois, a sua honra especial ou profissional, decorrente do fato de pertencer a um determinado agrupamento ou exercer uma certa profissão. (ARANHA, 2000, p. 5).
Como podemos verificar, em se tratando da honra profissional, a mesma atinge
diretamente uma classe, ou o indivíduo pertencente a ela, atingindo assim, de forma específica,
estando vinculada a algo do nicho a qual sumariamente foi exposta.
Segundo Capez, a honra profissional é relacionada a certo grupo de pessoas, por
exemplo, falar que um motorista profissional é “um maneta”, ou seja, não sabe dirigir. (CAPEZ,
2019, p. 324).
Em se tratando do objeto jurídico em si, o autor corrobora explanando da seguinte
forma:
Sob a rubrica “CRIMES CONTRA HONRA” cuida o Código Penal daqueles delitos que ofendem bens imateriais da pessoa humana, no caso a sua honra pessoal. São eles: calúnia (CP, art. 138), difamação CP, art. 139) e injúria (CP, art. 140). Tutela-se um bem imaterial, relativo a personalidade humana. Assim, o homem, tem direito a vida, a integridade física e psíquica, como também a não se ultrajado em sua honra, pois o seu patrimônio moral também é digno de proteção penal. Essa proteção é garantida pela Constituição de 1988, que em seu art. 5, X, prevê que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material, ou moral decorrente de sua violação”. Se, por um lado, é certo que a proteção da honra salvaguarda um bem personalíssimo, por outro, conforme ressalva Uadi Lammêgo Bulos, “tutelando a honra, o constituinte de 1988 defende muito mais o interesse social do que o interesse individual, uti singuli, por que não está, apenas, evitando vinditas e afrontes a imagem física do indivíduo. Muito mais do que isso, está evitando que se frustre o justo empenho da pessoa física em merecer boa reputação pelo seu comportamento zeloso, voltado ao cumprimento de deveres socialmente útil. (CAPEZ, 2019, p. 325).
Nos mostra neste momento, sob análise doutrinária a importância do tema em
questão, o constituinte fez questão de pautar o tema em nosso ordenamento jurídico, visto seu
grau de importância, mesmo em se tratando de um bem imaterial.
Neste sentido Nogueira nos traz uma palavra louvável a respeito da honra, de um
modo geral, no trazendo para um despertar de pensamentos a respeito:
Não se pode esquecer que muitos também caminharam em busca da santidade, através, de sacrifícios, martírios, sofrimentos, formando a legião de santos ou espíritos puros, que foram comuns a antiguidade, mas que escasseiam na era moderna, embora possamos encontra-los nos seus trabalhos missionários e espiritualistas. A verdade é que o termo “honra” se destina a identificar as pessoas, como também se presta as mais diversas conceituações, já que pode ser empregado no sentido da honra comum individual, familiar, grupal e até mesmo social, dependendo da visão pessoal de cada um, como também da própria coletividade a respeito de comportamentos humanos que variam de país para país e de época para época, sem que seja mutável. (NOGUEIRA, 1995, p. 12).
2.3
DOS CRIMES CONTRA A HONRA EM ESPÉCIE
Dentro de nossa sociedade, os crimes contra a honra, muitas vezes se confundem
entre si, obviamente, por falta de conhecimento, de forma interpretativa poderíamos dizer que
esta confusão é a mesma que ocorre entre os crimes de roubo e furto. Porém, dentro de nosso
Código Penal, as minucias de cada um dos crimes não deixam dúvidas, de suas diferenças.
Calúnia, difamação e injúria são crimes contra a honra, com fulcro no Código Penal
Brasileiro, expostos dentro dos Artigo, 138, 139 d 140. Como qualquer crime, tem suas
especificidades, podendo gerar desde multas até mesmo reclusões.
No que faz menção a origem criminológica podemos citar que:
A honra, em razão de produzir uma lesão psíquica, em quem suporta ofensa, deve certamente ter sido defendida pelo homem desde o momento em que passou a viver socialmente organizado, com o surgimento de noção de comportamento ético. Com o nascimento dessa noção, dando origem ao direito personalíssimo, da honra, a ofensa passou a ser agressão, havendo, como resultante, uma reação por parte do ofendido. Como forma de legislação, estabelecendo um comportamento ilícito, portanto, punida pelo direito, vamos encontrar como fonte mais antiga o Código de Manu, que previa sanções para todas as imputações difamatórias e as ofensas injuriosas. “O capítulo das injúrias era ferocíssimo: estabelecia penas de línguas cortadas, estilete de ferro em brasa, óleo fervendo pela boca e pagamento de multa. Constata-se que era considerado ilícito gravem como demonstram as sanções impostas e correspondentes violações. (ARANHA, 2000, p. 10-11).
A indenização por danos morais é uma reparação no qual se solicita ao Poder
Judiciário, visando uma reparação pelos danos ocasionados que não sejam de cunho físico.
Dentro da natureza jurídica podemos dizer que se trata de um crime formal, o autor com dolo
ofende honra alheia, necessitando de um resultado, que por sua vez trata-se do ferimento a
reputação do ofendido (CAPEZ, 2019, p. 324).
2.3.1 Calúnia
Na calúnia, a honra objetiva é a tutelada, ou seja, é a ideia de que as pessoas
pensam sobre o outro indivíduo, alusivo às questões físicas, intelectuais e demais atribuições
individuais que seja da pessoa em si. O autor do crime, coloca sob a responsabilidade de algum
indivíduo, alguma prática delituosa, não tendo cometido, ou se quer ocorrido. Dentro da ação
em si, pode ser praticado de forma escrita, oral ou até mesmo mímica. (CAPEZ, 2019, p. 327).
Dentro do texto de Lei do Código Penal Brasileiro a Calúnia diz que:
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. § 2º - É punível a calúnia contra os mortos.
Exceção da verdade
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo:
I - Se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível;
II - Se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível, (BRASIL, CP, 2020).
Podemos realizar a divisão do crime de calúnia em algumas espécies, uma delas
seria a explicita, onde o autor deixa claro a imputação do crime, “Pedro furtou a casa de Maria”.
De mesmo modo também podemos citar a implícita, onde a colocação não é direta, “não fui eu
que durante anos me aproveitei dos cofres da Prefeitura”.
Não obstante existe também a espécie reflexa, onde a imputação para um indivíduo
acaba por atingir outro, “o policial não aplicou a multa, pois foi subornado por João”. Neste
caso João acaba por ser atingido pela falsa imputação, ou seja, ouve reflexo na afirmação em
uma terceira pessoa, (CAPEZ, 2019, p. 328).
Aranha, vem nos trazer uma parte da origem do vocábulo calúnia, onde ele diz que:
O vocábulo “calúnia” tem sua origem etimológica na expressão latina calomniae, significando o ato praticado por alguém visando a desacreditar terceira pessoa publicamente, através de acusações falsas. O que, vulgarmente, diferencia a calunia de seus sinônimos são duas características que lhe são próprias: a gravidade maior da acusação feita e a falsidade de imputação.
A gravidade da calúnia é de tal monta que o teólogo, Archibald Joseph Marcistyrn, estudioso dos anjos, afirmou que o termo “diabo” tem origem grega, nascido de diabolos, que significa “caluniador”.
A dedução é imediata: por ser caluniador o anjo decaído passou a ser conhecido por uma de suas características negativas.
Historicamente, como figura típica autônoma, com significado próprio, aparece pela primeira vez no direito francês, que lhe dá uma menção de subespécie, passando a tratar, separadamente, a calúnia e a injúria. Até então, desde Código de Manu, as
ofensas estavam todas englobadas no termo genérico “injúria” (ARANHA, 1995, p. 59).
No que compete a ação nuclear, podemos dizer que, a pessoa que sabendo da
calúnia, faça a divulgação da mesma, também incorre no mesmo crime, conforme descrito no
Art. 138, do Código Penal. Lembrando que não importa o meio realizado para divulgação. No
entanto fica como obrigatoriedade para imputação do crime, que o agente saiba que o fato
criminoso divulgado, seja falso. A consumação da calúnia com a passagem do fato para apenas
uma pessoa, não sendo necessário um número específico de indivíduos. Contudo, a presença de
várias pessoas, pode gerar um aumento de pena, (CAPEZ, 2019, p. 330-331).
Deste modo qualquer pessoa poderá ser o sujeito ativo, já o sujeito passivo, o
homem em si, sendo excluído possibilidade de pessoa jurídica. (MIRABETE, 2006. p.
128-129).
Neste sentido existem algumas correntes do direito, onde doutrinadores fazem
divergências tanto no sentido dos sujeitos ativos e passivos, permeando questões sobre: os
mortos, desonrados, pessoa jurídica, doentes mentais e menores de 18 anos.
2.3.1.1 Requisitos da Calúnia
Como principais características da calúnia, necessitamos que seja feita a imputação
de um fato (a lei deixa claro que o mesmo tenha definição como crime), e ademais, o
apontamento deve ser falso. Detalhes não precisam ser descritos, como hora e dia, por exemplo.
No entanto, o fato apontado deve ter materialidade consumada, Pedro matou Paulo, já é de
conhecimento que Paulo foi assassinado, e agora foi imputado o fato criminoso a Pedro. Dizer
simplesmente que Pedro é um assassino não caracteriza a calúnia, por viés poderá ser
considerado injuria, onde foi caracterizado qualidade negativa ao ofendido.
Em se tratando da imputação de contravenção penal, não tem caráter eletivo para
calúnia e sim passa a ser tratado como difamação. A lei expressa claramente que deve se tratar
de fato criminoso, ou seja, mesmo que seja imputado fato atípico ou ato de improbidade
administrativa, como os mesmos não estão elencados no Código Penal Brasileiro, (CAPEZ,
2019, p. 329).
O elemento normativo do tipo está contido no termo “falsamente”. Assim, não basta a imputação de fato definido como crime, exige-se que este seja falso. Se o ato for verdadeiro, não há falar em crime de calúnia. O objeto da imputação falsa pode recair sobre o fato criminoso, quando este for verdadeiro, sendo falsa a imputação da autoria. O dolo do agente deve abranger elemento normativo “falsamente”, ou seja, ao imputar a alguém a prática de fato definido como crime, o ofensor deve ter ciência da sua falsidade. Haverá erro de tipo se ele crê erroneamente na veracidade da imputação (CP, art. 20). Nessa hipótese, o fato é atípico ante a ausência de dolo.
Não é necessária a certeza da falsidade da imputação, contentando-se o Código Penal com dolo eventual, de modo que a dúvida sobre a falsidade ou veracidade do fato não afasta a configuração do crime de calúnia, (CAPEZ, 2019, p. 329).
A Doutrina no geral é bem entrelaçada, visto que o texto constitucional tem por
suma clareza ao delito constituído. Desse modo Aranha, corrobora com Capez afirmando que:
O primeiro elemento constitutivo e essencial da calúnia é a falsidade da imputação feita. A referência desabonadora à honra da vítima deve ser não verdadeira, isto e, falsa, pois se assim não for a acusação feita é objetivamente lícita e juridicamente indiferente. A falsidade da acusação ocorre em duas hipóteses: quando o fato irrogado não é verdadeiro ou, quando é verdadeiro, é inocente a pessoa visada. Portanto, duas hipóteses: fato falso ou fato verdadeiro, porém pessoa inocente. Logo o primeiro elemento constitutivo é a inverdade da imputação feita... O segundo componente da calúnia diz respeito a um fato determinado. A acusação falsa deve ser exteriorizada através de um fato determinado. Quando ao que se pode entender por fato determinado, a jurisprudência não se mostra concorde, exigindo alguns julgados maior rigor, ao passo que outros contentam-se com menos elementos. Não há uma uniformidade interpretativa...O terceiro elemento diz respeito a necessidade de o fato exteriorizado constituir um crime. Adotando o nosso código a divisão dicotômica (crime ou delito e contravenção), deu a expressão “crime” um sentido determinado, excluindo as contravenções. Basta que seja crime, quer previsto no Código Penal, quer em legislação especial. No caso de o fato determinado se figura contravencional não haverá calúnia, mas sim difamação, pois, como afirmado, a expressão crime contida na figura típica tem seu significado próprio e específico, (ARANHA, 2000, p. 62-63).
Capez nos revela que o momento consumativo “dá-se quando a falsa imputação se
torna conhecida de outrem, que não sujeito passivo. É necessário haver publicidade (basta que
uma pessoa tome conhecimento, pois apenas desse modo atingir-se-á a honra da pessoa
(reputação). Se houver consentimento do ofendido, inexiste o crime. O consentimento do
representante legal é irrelevante. (CAPEZ, 2019, p. 339).
Já Mirabete, nos traz um outro olhar mesmo que em partes haja concordância com
Capez.
Consuma-se o crime quando qualquer pessoa que não a vítima, toma conhecimento da imputação, ou seja, quando ela é ouvida, lida, ou percebida, por pessoa diversa do sujeito passivo. Embora se trate de crime formal, que se configura independentemente do resultado danoso a honra da vítima, pode ocorrer tentativa, como no caso de uma carta ou bilhete contendo a imputação falsa que é interceptado pela vítima. A calúnia praticada por meio de telegrama, porém, consuma-se no local de sua expedição quando a imputação falsa chega ao conhecimento do funcionário, apesar do dever deste de manter sigilo. (MIRABETE, 2006, p. 132).
Neste momento, ficamos frente à discordância dos autores, visto que Capez nos
relata no que se refere à tentativa:
Trata-se de um crime formal, ou de simples atividade. A calúnia verbal, que se perfaz em único ato, por se tratar de crime unissubsistente, não admite tentativa, ou a imputação é proferida e o fato está consumado, ou nada se diz e não há conduta relevante. A calúnia escrita admite a tentativa, pois é crime plurissubsistente, há um iter, que pode ser fracionado ou dividido. (CAPEZ, 2019, p. 339).
No que se relaciona a sua forma, temos como objeto de estudo a simples, com fulcro
no caput do artigo 138 do Código Penal. “Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato
definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa”. (BRASIL, CP,
2020).
Podemos ainda citar um subtipo do crime de calúnia, constante no § 1º do referido
artigo, “Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga”.
(BRASIL, CP, 2020).
Ainda no que consta aos crimes contra a honra existe a majoração, prevista em
nosso Código Penal:
Art. 141 - As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido:
I - Contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; II - Contra funcionário público, em razão de suas funções;
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria.
IV - Contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003)
Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro. (BRASIL, CP, 2020).
2.3.1.2 Exceção da verdade
Dentro de nosso ordenamento jurídico, podemos perceber que muitas vezes,
algumas exceções são aplicadas, o intuito deste feito, seria possibilitar a comprovação da
inexistência do fato criminoso. No caso do conteúdo trabalhado podemos citar o Artigo 138, §
3º, admitindo-se prova da verdade, salvo:
I - Se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível;
II - Se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível, (BRASIL, CP, 2020).
Para dar clareza a esta questão citamos Capez:
A Calúnia é a imputação falsa de um crime. Conforme já estudado, o objeto da imputação falsa pode recair sobre fato, quando este, atribuído a vítima, não ocorreu, e sobre a autoria do fato criminoso, quando este é verdadeiro, sendo falsa a imputação da autoria. A falsidade da imputação é sempre presumida e a ofensa a honra só deixa de existir se ficar provada a veracidade do crime atribuído ao ofendido. Em função disso, admite, em regra, a lei penal, que o agente prove que a ofensa é verdadeira, afastando, desta forma o crime...
Em resumo Calúnia
Regra geral: é admissível a exceção da verdade.
Exceção: não é admissível nas hipóteses do § 3º, I, II, III, do art.138 Difamação
Regra geral: não é admissível a exceção da verdade.
Exceção: é admissível na hipótese do parágrafo único do art. 139. Injúria
Regra geral: jamais será admissível a exceção da verdade, pois não se trata de imputação de fato, mas de qualidade negativa. (CAPEZ, 2019, p. 340).
Em resumo, no crime de Calúnia, é dado oportunidade ao agente do fato, provar
que o que foi divulgado, é verdadeiro, sendo assim, teria sua conduta excluída do crime.
Não obstante temos também a exceção de notoriedade do fato, onde cabe ao réu
demonstrar que os fatos e afirmações já são de domínio público, o que neste caso, descaracteriza
o crime em si, visto que era existente a publicidade do fato. (CAPEZ, 2019, p. 344).
Analisando a calúnia em si, por algumas situações ela é confundida com outros
crimes, neste caso, necessitamos efetuar tais distinções.
2.3.2 Difamação
Descrito em nosso Código Penal, o crime de difamação, entra na seara dos crimes
contra a honra, buscando proteger a honra objetiva, nesse sentido, a reputação, a boa fama do
indivíduo no meio social. Como objeto mais importante, busca-se a preservação da paz social,
evitando que fatos desabonadores, mesmo que verdadeiros, sejam divulgados a terceiros, desta
forma ocasionando desconforto entre todos, muitas vezes causando malefícios de uma esfera
maior. (CAPEZ, 2019, p. 346).
Segue texto legal que está alocada tal preservação:
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
Exceção da verdade
Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.
Injúria. (BRASIL, CP, 2020).
Aranha, nos traz um pouco da origem da palavra:
Difamar tem sua origem etimológica no termo latino diffamare, significando literalmente falar mal de alguém. Das derivações, difamador ou difamante, significa que o que difama, e difamatória, representando o conter uma difamação. Em sentido vulgar tem como significado tirar a boa fama ou desacreditar publicamente, com indicam os dicionaristas.
A difamação somente ganhou contornos como figura típica, só se destacou como figura isolada, no Código atual, pois o de 1830 e o de 1890 só falavam na calúnia e na injúria. Na verdade, das três figuras típicas contra a honra a difamação foi a última a ganhar contornos próprios... foi no direito canônico que surgiu a primeira referência expressa sobre difamação, pois diffamatio era definido como detractio famae alterius publica su coram multis facta et cum directa vel indirecta intentione alterius infamian in publicum propalandi, para se tornar figura típica com a lei francesa de 17 de maio de 1819, a qual oficializou o termo diffamation. Era prevista como a imputação de um fato determinado que porte atteinte à l’honneur ou à la considération de la personae ou du corps auquel le fait est imputé. Como se disse ao início, entre nós surgiu com o código atual, pois os anteriores a incluíam como uma das formas da injúria. A difamação é um minus em relação a calúnia, mas um majus no tocante a injúria. Trata-se, na verdade, de uma figura intermediária, no sentido da gravidade, entre os crimes contra a honra. (ARANHA, 2000, p. 70).
O crime em si, tem por base atribuição de fato que ofenda a reputação do ofendido,
o que neste caso, faz menção as qualidades físicas, intelectuais, e morais de outrem. Acaba por
ferir o respeito que o sujeito possui no meio em que vive, ofendendo desta forma a honra
objetiva. (CAPEZ, 2019. p. 346)
Deste modo, podemos perceber, que existe basicamente três passos para a
configuração da difamação. Em um primeiro momento necessitamos ter a imputação de fato
que seja ofensivo a honra alheia, e um segundo momento que este mesmo seja levado a uma
terceira pessoa, caracterizando assim a difamação.
Ainda, em se tratando dos referenciais da prática criminosa a difamação podemos
dizer que não importa se o fato apontado for verdadeiro, já caracteriza, diferente da calúnia,
onde o fato necessita ser falso, por este motivo que em regra, não se permite a exceção da
verdade, pois mesmo que seja comprovado pelo sujeito ativo (aquele que ofende), a veracidade
dos fatos, não o exume da imputação criminosa. Não existe um interesse social em saber se o
fato é verdadeiro ou não, por não se tratar de um crime, apenas ferindo a honra do sujeito
passivo (aquele que é ofendido). A única exceção dada, faz referência se a ofensa é direcionada
a funcionário público, visto que seria de interesse social, por estar ocupando cargo de natureza
pública, sua conduta moral seria fiscalizada neste sentido. (CAPEZ, 2019, p. 347). O autor
ainda nos traz que:
O fato deve ser concreto, determinado, não sendo preciso, contudo, descrevê-lo em minucias. Por outro lado, a imputação vaga e imprecisa, ou seja, em termos genéricos, não configura difamação, podendo ser enquadrada como injúria. Assim, se divulgo que Carlos traiu o seu partido político ao filiar-se á partido oposicionista, há no caso difamação, diante da descrição de um fato concreto determinado. No entanto, se divulgo genericamente que Carlos é um traidor, sem fazer menção a nenhum fato concreto, demonstrando apenas a minha opinião pessoa, haverá na hipótese o crime de injúria, diante da atribuição genérica de uma qualidade negativa... O fato ofensivo deve necessariamente chegar ao conhecimento de terceiros, pois o que a lei penal protege é a reputação do ofendido, ou seja, valor que o indivíduo goza na sociedade, ao contrário da injúria, em que há a proteção da honra subjetiva, bastando para a configuração do crime o só conhecimento da opinião desabonadora pelo ofendido. (CAPEZ, 2019, p. 347).
A divulgação ou propagação da difamação ainda é tema de discussão entre os
doutrinadores, no entanto a maioria toma que o ato de propalar, certa difamação, na verdade se
consuma em um novo delito. Neste sentido pode-se dizer que:
A nosso juízo, pune-se a ação de propalar mesmo quando – e até com mais razão – se desconhece quem é o autor da difamação original. E não se diga que esse entendimento fere o princípio da reserva legal ou da tipicidade, pois propalar difamação de alguém é igualmente difamar e, quiçá, com mais eficiência, mais intensidade e maior dimensão. (CAPEZ, 2019, p. 348).
No tocante aos sujeitos do crime em questão, temos o sujeito ativo, que neste caso
pode ser qualquer pessoa comum. Não podemos esquecer que como já citado anteriormente, o
propalador ou divulgador, acaba por realizar nova difamação. Apesar de não constar em texto
expresso de lei, acaba sendo entendimento da grande parte da doutrina e tribunais.
Com referência ao sujeito passivo, temos também as pessoas comum de modo geral,
e relativa divergência entre doutrinadores e jurisprudências no que diz respeito a pessoa
jurídica.
Capez nos traz quanto ao momento e a tentativa que:
Consuma-se no instante em que terceiro, que não ofendido, toma ciência da afirmação que macula a reputação. É prescindível que várias pessoas tomem conhecimento da imputação. Não se admite quando o caso for de difamação perpetrada pela palavra oral (hipótese de crime unissubsistente, em que não há um iter criminis a ser fracionado; por meio escrito, é plenamente possível a tentativa (hipótese de crime plurissubsistente, havendo um iter criminis que comporta fracionamento), por exemplo: sujeito passivo que consegue interceptar a correspondência antes que ela chegue ao seu destinatário. (CAPEZ, 2019, p. 350).
Existem duas formas em que o crime acontece, a forma simples, constante no caput
do artigo 139 e a forma majorada que atinge o artigo 141, ambos do Código Penal Brasileiro,
já citada anteriormente no crime de calúnia.
A exceção da verdade neste caso aplica-se apenas ao que se refere ao funcionário
público, assim como nos traz Capez:
Na difamação é irrelevante que fato imputado seja falso ou verdadeiro; logo, via de regra, não cabe à exceção da verdade. Em hipóteses excepcionais, porém, a lei permite a prova da verdade quando se trate de ofensa a reputação de funcionário público, estando este no exercício de suas funções. O fato difamatório deve guardar relação com o exercício do cargo público. (CAPEZ, 2019, p. 351).
2.3.3 Injúria
Uma nova seara, visto que o crime de injúria, diferente dos citados anteriormente,
vem desabonar a honra subjetiva, ou seja, aquela à qual faz referência ao sentimento próprio do
ofendido, no que diz respeito aos seus atributos morais, intelectuais e físicos.
Em nosso Código Penal está alocada no:
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena:
I - Quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; II - No caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 3 o Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 1997). (BRASIL, CP, 2020).
Não menos importante, por vezes o sentimento próprio atingido, como no caso no
crime de injúria, pode ter uma consequência pessoal de larga escala, o ofendido, tem deflagrado
dentro de seu íntimo um verdadeiro bombardeio de informações, que por muitas vezes se torna
um longo tempo para reconstrução das moralidades que tem dentro de si.
Neste sentido Capez nos traz que:
Observa-se que no delito de injúria a honra objetiva, ou seja, o valor que o indivíduo goza na sociedade, também pode ser afetada, contudo tal ofensa é indiferente a configuração do crime, por exemplo: chamo alguém de ladrão e a atribuição dessa qualidade negativa é presenciada por terceiros. Poderá ser relevante, no entanto, para fins de dosimetria da pena, especialmente no que tange às consequências do delito. (CAPEZ, 2019, p. 352-353).
A injúria, ao lado de um sentido jurídico restrito, tem um sentido leigo, bem amplo, significando afronta, agravo, insulto, ultraje, agressão a determinada pessoa por meio de palavras, atos, inventivas ou gestos insultantes. No sentido vulgar prevalece sob as duas restantes (calúnia e difamação), sendo a mais usada genericamente. Como figura típica penal foi erigida como proteção a honra, subjetiva, vale dizer, o sentimento da própria honorabilidade ou respeitabilidade social. A ofensa injuriosa visa atingir o ofendido em seu brio pessoal ou pundonor. Enquanto a calunia e difamação atinge a honra objetiva, a injúria agride a honra subjetiva. Nas duas primeiras visa-se a atingir o ofendido perante terceiros, levando-o a descrédito moral. Na última, como já realçado, atinge-se o brio pessoal.
De modo geral, ela se apresenta como alguma afirmativa mais ampla, ferindo de
certa forma a dignidade do ofendido a partir do momento que toma conhecimento da ofensa em
si.
A injúria é a ofensa à dignidade ou decoro de outrem. Na sua essência, é a injuria uma manifestação de desrespeito e desprezo, um juízo de valor depreciativo capaz de ofender a honra da vítima no seu aspecto subjetivo.... Trata-se ainda de proteger a integridade moral do ofendido, mas, ao contrário do que ocorre com a calúnia e a difamação, na injúria está protegida a honra subjetiva (interna), ou seja, o sentimento que cada qual tem a respeito de seus atributos. Na injúria, pode ser afetada, também a reputação (honra objetiva) da vítima, desprestigiada perante o meio social, mas esse resultado é indiferente à caracterização do crime. (MIRABETE, 2006, p. 140).
Interessante que a injúria pode se habilitar, por diversos meios, a fala, a escrita, a
pintura, um gesto, enfim, acaba por se apresentar de várias formas, inclusive pela falta de algum
ato, como por exemplo, deixar de estender a mão a um cumprimento, ou até mesmo em
situações em que se jogue algum líquido na vítima etc. (CAPEZ, 2019, p.353).
A grosso modo, são plenamente reconhecidos em nosso dia a dia, os xingamentos
de modo geral, onde por muitas vezes não se tem a percepção que seria uma prática delituosa.
Os sujeitos se assemelham aos citados nos crimes anteriormente, no polo ativo
estaria qualquer pessoa, pois tem a condição de ofensa ao seu livre arbítrio. No polo passivo,
configura qualquer pessoa que consiga ter entendimento que o ato praticado é constituído de
ofensa. A doutrina explica que a pessoa jurídica não possuiria honra subjetiva, e por
consequência não poderia figurar nesse crime como ofendido.
Em havendo o crime de injúria, podemos referenciar que existe uma faixa
classificatória, notando-se várias percepções, de modo geral Capez, nos traz com maestria em
sua obra tal feito, desmembrando de forma brilhante:
De acordo com a classificação doutrinária, a injúria pode ser: (i) imediata – quando é proferida pelo próprio agente; (ii) mediata – quando o agente se vale de outro meio para executá-la (p. ex., de uma criança); (iii) direta quando se referem ao próprio ofendido; (iv) oblíqua – quando atinge alguém estimado pelo ofendido (p. ex., “seu
irmão é um ladrão”); (v) indireta ou reflexa – quando, ao ofender alguém, também se atinge a honra de terceira pessoa; (vi) equívoca – quando por meio de expressões ambíguas; (vii) explícita – quando são empregadas expressões que não se revestem de dúvidas. A injúria também pode ser implícita, irônica, interrogativa, simbólica, truncada. (CAPEZ, 2019, p. 354).
A consumação do crime se dá, quando o ofendido passa a ter conhecimento da
imputação, ou a presencia das maneiras citadas anteriormente, neste caso temos que:
Trata-se de delito formal, o crime se consuma quando o sujeito passivo toma ciência da imputação ofensiva, independentemente de o ofendido sentir-se ou não atingido em sua honra subjetiva, sendo suficiente, tão só, que o ato seja revestido de idoneidade ofensiva. Difere da calúnia e da difamação, uma vez que para a consumação da injúria prescinde-se que terceiros tomem conhecimento da imputação ofensiva. A injúria não precisa ser proferida na presença de terceiro, correspondência ou qualquer outro meio. (CAPEZ, 2019, p. 356).
Referente a possibilidade da tentativa, ela é existente, visto que poderá ser
executada de modo escrito, neste caso, seria considerada a tentativa. No que se refere à forma
verbal, não existe a possibilidade da tentativa, pois a palavra é falada ou não, assim a tentativa
não se faz presente.
Suas formas, partem do próprio artigo 140 do Código Penal, em seu caput como a
simples. A forma majorada encontra-se no artigo 141 do Código Penal Brasileiro, onde as
disposições do referido enumera os crimes contra a honra de maneira geral.
O artigo da injúria traz em seu texto as possibilidades do perdão judicial, no que se
refere a isto Aranha nos traz:
O art. 140, § 1, itens I e II, do Código Penal, estabelece a possibilidade do perdão judicial na injúria, em duas hipóteses: a) quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; e b) no caso de retorsão imediata, que consiste noutra injúria. Trata-se de dispositivo melhorado em relação ao art. 322 do anterior código de 1890, que admitia a compensação no caso de reciprocidade: “as injúrias compensam-se em consequência não poderão querelar por injúria os que reciprocamente se injuriarem”. Afirmamos que a inovação foi uma melhoria, um acerto do legislador, pois o princípio da compensação não se coaduna absolutamente com a justiça punitiva, sendo de índole meramente civilista e assim mesmo com seu âmbito restrito ao campo patrimonial. (ARANHA, 2000, p. 82).
Em suma, há duas possibilidades, mesmo no texto legal. A primeira seria a resposta
a uma provocação, nesse caso o sujeito ativo teria tido uma reação há algo que o sujeito passivo
teria feito, deste modo teria acesso ao perdão judicial, não por mero ato do juiz, mas sim, por
estar especificado em nosso ordenamento jurídico.
A ação incitadora de alguém, agindo de maneira reprovável, pode provocar a justa ira do ofendido, de modo a levá-lo a um abalo psicológico, dando causa à injúria
assacada. Tal ira, embora fruto de uma provocação injusta ensejadora de um abalo psíquico, não poderia levar a uma imunidade passional, pois reduziria a ameaça penal que acompanha o direito positivo. (ARANHA, 2000, p. 83).
No segundo ponto, temos a retorsão, que nada mais é do que uma resposta dada de
imediato, uma injúria sendo retrucada com outra injúria. Neste sentido:
No caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria (inciso II). Há uma provocação consistente em uma injúria que é retorquida com outra injúria. Perceba-se que, diferentemente da provocação, na retorsão há uma injúria que é rebatida com outra injúria. Na provocação, apenas o revide deve consistir em um crime de injúria. O retruque deve ser imediato, quer dizer, sem intervalo de tempo, do contrário a retorsão estará excluída. (CAPEZ, 2019, p. 358).
A relação entre os três crimes contra a honra existentes em nosso ordenamento
jurídico é muito enraizada historicamente, a diferença basilar entre eles está que na calúnia é
atribuído fato definido como crime, na difamação o fato é determinado, apenas como ofensa a
honra alheia, e no que diz respeito a injúria, existe a atribuição de má qualidade.
Os primeiros do nosso ordenamento jurídico, calúnia e difamação, acabam por
atingir a honra objetiva do sujeito, enquanto a injúria atinge a honra subjetiva.
2.4
DIFERENÇAS ENTRE CALÚNIA, DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA, FALSO
TESTEMUNHO, DIFAMAÇÃO E INJÚRIA
Comum o fato do comparativo do crime de calúnia, e até mesmo a confusão entre
o mesmo e crimes que acabam por se assemelhar.
Na calúnia em si, existe apenas a imputação de fato criminoso, no que compete
a
denunciação caluniosa, além de ocorrer o mesmo, o agente leva ao conhecimento de autoridade
o fato, causando a instauração de um inquérito policial ou até mesmo uma ação penal. Relativo
a questão criminal, a calúnia é um crime contra a honra, já a denunciação é um crime contra a
administração da justiça, o mesmo acaba por absorver o crime de calúnia quando executado.
Outra diferença, é que na calunia não se admite imputação de uma contravenção, porém é
admitido na denunciação caluniosa o mesmo. De ação penal privada no tocante a calúnia
passamos a ação penal pública, visto que o crime se volta contra o Estado. (CAPEZ, 2019, p.
258).
Não comete crime a testemunha que, sob compromisso, narra fatos pertinentes a causa, ainda que tenha que atribuir fato criminoso a outrem, uma vez que age no estrito cumprimento do dever legal (CP, art. 23, III). Contudo, se o depoimento é falso, o crime será o de falso testemunho. (CAPEZ, 2019, p. 258).
Quanto a diferença da difamação podemos dizer que nela, o fato imputado não é
crime, porém ofensivo a moral do sujeito, neste caso, o contrário da calúnia que o fato deve
estar descrito no Código Penal. A difamação pode ser falsa ou não, pois a falsidade não importa
na questão da tipificação penal. (CAPEZ, 2019, p. 259).
Nas questões referentes a injúria:
Na calúnia, há a imputação de fato definido como crime, há o atingimento da honra objetiva, e o crime se consuma quando terceiros tomam conhecimento da imputação falsa, na injúria, há a atribuição de qualidade negativa, há o atingimento da honra subjetiva, e o crime se consuma quando a própria vítima toma conhecimento da imputação. (CAPEZ, 2019, p. 260).
Como podemos notar, dentro de uma seara, conseguimos visualizar os crimes com
suas particularidades, que acabam por se mesclar e ao mesmo tempo se distanciar, quando
paramos para prestar atenção em suas nuances. As mesmas, também ocasionam uma grande
mudança, visto que de uma ação penal privada, pode se tornar uma ação penal pública.
3
CRIMES CONTRA A HONRA NA INTERNET
Vivemos hoje, o que muitos autores chamam de A Quarta Revolução, nossa
sociedade muda de uma forma nunca antes vista, a rapidez da informação, levando-a, de um
extremo ao outro em questão de segundos, faz com que tudo, de modo geral se transforme em
um piscar de olhos.
As questões sociais são modificadas repentinamente. Como um dos principais
fatores deste novo modo de vida podemos citar o nascimento da Internet, pois ela é a
responsável pela disseminação de todos os fatores existentes dentro deste contexto.
3.1
ORIGEM DA INTERNET
Nenhuma revolução foi tão rápida quanto a que presenciamos em nossa atualidade,
a história nos conta que a Internet surgiu como uma necessidade militar até se transformar no
que temos na contemporaneidade.
Há 40 anos, enquanto os principais meios de comunicação eram o telégrafo e o telefone, os computadores eram grandes máquinas que realizavam cálculos e armazenavam informações. De forma geral, seu uso tinha fins exclusivamente científicos e governamentais.
Então, como foi que chegamos à chamada Era da Informação, na qual a tecnologia invade todos os aspectos de nossas vidas? Se quisermos encontrar uma resposta para essa pergunta, precisamos retroceder na história da Internet.
Em 1957, os Estados Unidos e a União Soviética protagonizavam a Guerra Fria, um embate em termos ideológicos, econômicos, políticos, militares e, é claro, tecnológicos.
Devido ao conflito, os Estados Unidos estavam interessados em encontrar uma maneira de proteger suas informações e comunicações no caso de um ataque nuclear soviético. As inovações que tentaram resolver esse problema levaram ao que conhecemos hoje como Internet. (HISTÓRIA, 2020).
Poucas pessoas têm esse conhecimento, das questões militares se originou o que
hoje podemos dizer que foi uma das maiores revoluções já vista. Analisando esses fatores temos
o princípio de tudo na Guerra Fria, que obviamente sofreu aperfeiçoamento até os dias de hoje.
Foi um longo caminho até chegarmos na tecnologia atual.
Em 1958, um ano após o lançamento do primeiro satélite artificial da história, o Sputnik 1, pela URSS, os EUA criaram a DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency, ou Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, em português). A DARPA é fundamental na história da Internet, uma vez que foi responsável pela pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para fins defensivos e militares, entre elas, a rede de computadores. Em 1961, Leonard Kleinrock apresentou sua teoria de comutação de pacotesem sua tese de doutorado no MIT. Ele alegava que dois servidores poderiam se comunicar para enviar e receber informações transportadas por pacotes por meio de uma rede de nós. Esses pacotes podiam seguir caminhos diferentes, dependendo da saturação da rede, e ser refeitos na chegada ao destino. Já em 1962, J. C. R Licklider, chefe da DARPA e pioneiro da Internet, descreveu o conceito de uma rede galáctica para acessar rapidamente dados de qualquer lugar do mundo. De forma independente, Paul Baran trabalhou na comutação de pacotes na RAND Corporation. Em 1962, ele apresentou um sistema de comunicações que, por meio de computadores conectados a uma rede descentralizada, era imune a ataques externos, já que, se um ou mais nós fossem destruídos, os outros poderiam continuar funcionando. O objetivo havia sido cumprido! Se essa tecnologia fosse desenvolvida em larga escala, as informações dos EUA estariam protegidas, pois poderiam ser consultadas em qualquer computador. (HISTÓRIA, 2020).
Fica evidente a importância militar, o berço do que estamos inseridos hoje teve
como base fundamental as questões de defesas governamentais. A evolução deu sequência,
passando cada dia mais a apresentar inovações, os setores da época conseguiram em um curto
prazo grandes avanços dentro dos temas estudados.
O grande avanço na história da Internet ocorreu em 1965, quando Lawrence G. Roberts, em Massachusetts, e Thomas Merrill, na Califórnia, conectaram um computador TX2 a um Q-32 por uma linha telefônica comutada de baixa velocidade. O experimento foi um sucesso e é marcado como o acontecimento que criou a primeira WAN (Wide Area Network) da história. A história da Internet continuou em 1966, quando Roberts entrou na DARPA e criou o plano da ARPANET para desenvolver a primeira rede de comutação de pacotes junto a Robert Kahn e Howard Frank. Embora o primeiro protótipo de uma rede comutada por pacotes descentralizada já tivesse sido projetado pelo Laboratório Nacional de Física (NPL) do Reino Unido em 1968, ganharia visibilidade somente em 1969, quando um computador da Universidade da Califórnia (UCLA) se conectou com sucesso a outro do Stanford Research Institute (SRI). A conexão por nós foi tão bem-sucedida que, meses depois, quatro universidades americanas já estavam interconectadas. Assim nasceu a ARPANET! (HISTÓRIA, 2020).
Aos poucos, mas com grandes passos se fazia a comunicação entre locais, que para
a época, era um grande marco na história, com grandes proporções, obviamente não se
imaginava que se transformaria em algo grandioso e valioso de forma imensurável. Neste
momento, no início dos anos 70, o que era de essência militar, passou a permear o universo
científico, a ligação entre universidades ganhou caráter acadêmico, gerando assim conteúdo de
inestimável valor para o momento.
Em 1970, a ARPANET estava consolidada com centenas de computadores conectados. S. Crocker e sua equipe do Network Working Group estabeleceram o protocolo de controle chamado Network Control Protocol (NCP), que permitia o desenvolvimento de aplicativos a partir dos computadores conectados à ARPANET. Foi assim que, em 1972, Ray Tomlinson criou o software básico de e-mail, que se tornou o aplicativo mais importante da década e mudou a natureza da comunicação e colaboração entre as pessoas. Seu impacto foi tão grande que a ARPANET se afastou gradativamente do uso militar, aproximando-se do uso científico na disseminação de informações. Por esse motivo, em 1974, mais de 50 universidades americanas estavam conectadas à ARPANET. Apesar de seu sucesso, o protocolo NCP não era suficiente para se comunicar com redes ou máquinas fora da ARPANET, como redes de pacotes por rádio ou satélite. Por isso, em 1974 Robert Kahn e Vinton Cerf desenvolveram uma nova versão do protocolo que respondia a um ambiente de rede de arquitetura aberta. Esse novo protocolo foi chamado de TCP/IP. O protocolo TCP/IP, mais do que agir como um controlador, facilitava a comunicação entre redes sem a necessidade de que estas fizessem alterações em sua interface. Além disso, garantia que nenhum pacote de informações fosse perdido e verificava se eles chegavam na ordem em que haviam sido enviados. No início dos anos 80, mais precisamente em 1983, a ARPANET mudou o protocolo NCP para o novo TCP/IP. O IP havia se tornado o serviço portador da Infraestrutura de Informação Global. Em 1985, a Internet já estava consolidada como a principal rede de comunicação com alcance global. (HISTÓRIA, 2020).
Nesse momento, se configurava a comunicação global, uma nova era, ainda tímida,
mas com densidão própria. Nasceu com cunho militar, passou a ser cientifico entre locais
próximos, agora se tornava um meio de comunicação mundial, onde a tecnologia conseguia
alcançar, de forma assustadora para um mundo onde nem se imaginava tal conhecimento e com
tamanha rapidez, desta forma nasceu o que conhecemos hoje como
World Wide Web (WWW),
ou, em português, rede de alcance mundial
.
Em 1989, Tim Berners-Lee desenvolveu a World Wide Web para facilitar o trabalho colaborativo no CERN. Basicamente, a WWW funciona como um sistema de distribuição de documentos de hipertexto (HTTP) interconectados e acessíveis por meio de um navegador web conectado à Internet. O sistema se tornou tão popular no CERN que, em 1991, foi aberto ao público externo. Isso foi possível graças à criação do navegador Mosaic em 1993. De fato, sua recepção foi tão rápida que em 1997 havia mais de 200 mil sites. (HISTÓRIA, 2020).
A partir desse momento, houve a explosão mundial da Internet, o acesso ao mundo
passou a estar associado aos novos conhecimentos. Não se percebia, mas sim, tudo estava em
uma transformação, nunca antes alcançada. Novas plataformas criadas, e diversos interesses
passaram a coexistir em um local global, onde o mundo inteiro teria acesso, a qualquer
momento, apenas alguns cliques separavam a comunicação de um lado ao outro lado do mundo.
A evolução foi continua, cada ano que passava, novas plataformas surgiam, novos
modelos de estudo, trabalho, vendas etc. Nesse contexto se abriu as portas para uma nova forma
de convivência, raiava o que conhecemos como Redes Sociais.
3.2
REDES SOCIAIS
Nascia uma nova forma de comunicação, diversas plataformas emergiam de ideias
e necessidades de uma era digital, onde o mundo está ao alcance de todos. A fala entre as
pessoas ganhou um novo sentido.
Com a chegada massiva de usuários à Internet, as empresas perceberam o enorme potencial de impactar o seu público por meio desses canais. É por isso que hoje é impossível falar de Internet sem publicidade e técnicas de SEO. Internet 2.0. A Internet desencadeou a Quarta Revolução Industrial, levando o mundo a se estabelecer na Era da Informação. Inclusive, a Internet 2.0 já está sendo tratada como uma nova etapa que permite que os usuários deixem de ser apenas espectadores e passem a interagir e colaborar entre si como criadores de conteúdo. A Internet 2.0 é uma tendência baseada em desenhar sites centrados no usuário e que facilitem o compartilhamento e a troca de informações. A linha do tempo da história da Internet é formada por evoluções e méritos compartilhados que levaram a humanidade a transformar seu estilo de vida e mudar para sempre seus hábitos e processos. (HISTÓRIA, 2020).
Tudo, absolutamente tudo, está em transformação, cada dia que passa os processos
de maneira geral se modificam, em um piscar de olhos nesta imensidão de conteúdo, os usuários
navegam com um novo estilo de conviver entre pessoas. Em nossa visão atual podemos citar
algumas Redes Sociais que são as mais utilizadas e responsáveis pela disseminação de
conteúdo, seja ele de cunho informativo, educacional, laboral, e por muitas vezes criminal.
O Facebook hoje possui o condão de ser a maior empresa do segmento, sua história
surgiu dentro de uma universidade e se solidificou ao longo dos anos.
A história do Facebook começa oficialmente em 4 de fevereiro de 2004, com o lançamento de um site chamado The Facebook. Os responsáveis eram estudantes da universidade de Harvard. O serviço era simples e só funcionava no Campus, a logo ficava entre colchetes e uma ilustração do ator Al Pacino ocupava o topo da página inicial.... Em 2003, o estudante Mark Zuckerberg já tinha um site relativamente elogiado e aí cria uma página chamada FaceMash. Ela compara fotos de estudantes da universidade e deixa você escolher a pessoa mais bonita entre duas. O negócio foi um sucesso, mas muita gente não curtiu e o site saiu do ar pouco tempo depois por usar a base de dados da instituição sem autorização. A Universidade emitiu uma advertência e ele se desculpou. Deu para ver que nessa época ele já gostava desse