A história nos mostra que o direito evoluiu de acordo com as necessidades sociais,
direitos e deveres foram sendo alterados com o passar dos anos, levando em consideração um
fator primordial, o bem comum. Vivemos uma era onde estas modificações sociais estão em
alta velocidade, projetos de leis são criados a todo momento, na tentativa de exaurir dos fatos
cotidianos uma nova aplicação positivada. Não diferente dos assuntos abordados em capítulos
anteriores, o projeto de lei descrito neste título vem de encontro ao pensamento apresentado.
O referido projeto de lei que tramita em nossa câmara, tem como condão principal
tornar mais rigorosa a punição dos crimes contra a honra no que faz menção a explicitude em
internet, ou até mesmo aqueles que porventura vierem a ter um trágico final. Tal PL. tem autoria
de Soraya Santos.
A exposição e o alcance da internet alteraram de maneira dramática o alcance e o
poder dos meios de comunicação. Há poucos anos atrás, campanhas de difamação,
assédio, divulgação de boatos ou notícias falsas contavam apenas com os meios
tradicionais – o rádio, a televisão e jornais e revistas – para atingir seus objetivos.
Ocorre que, de maneira salutar, estes meios contêm mecanismos naturais de controle
da informação. Por exemplo, para que uma determinada informação ou fato seja
divulgado, um jornalista deve checar sua fonte. Ademais, o conselho editorial verifica
a vertente e a qualidade informativa que vem sendo seguida pelo veículo e eventuais
excessos são inclusive passíveis de punição interna e publicamente. A internet,
todavia, pulverizou esses controles. Atualmente, do anonimato do Twitter pode-se
postar mensagens inverídicas, de perfis imaginários no Facebook é possível espalhar
boatos e praticar os mais variados crimes contra a honra. E essas condutas muitas
vezes geram consequências desastrosas. No início do ano passado, por exemplo, uma
dona de casa foi espancada e morta por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral
de São Paulo, após ter sido divulgado um boato mentiroso, em uma rede social, de
que ela sequestrava crianças para utilizá-las em rituais de magia negra. Também não
é incomum que pessoas tirem a própria vida após serem vítimas de crimes contra a
honra praticados no meio virtual. (BRASIL, Projeto de Lei n. º 1.589, 2015).
Em resumo, a autora do texto prevê que a Internet tem uma facilidade gigantesca
da disseminação da informação, sendo assim as responsabilidades dos feitores das divulgações
nesse modelo digital teriam que ser responsabilizadas de uma maior forma, visto que as
consequências dos fatos desabonadores podem ter consequências de cunho gravíssimo, por
vezes acarretando até mesmo a morte das vítimas.
Isso se faz necessário porque a facilidade de circulação e manutenção de informações
na internet proporciona a superexposição de boatos, notícias e fatos a qualquer
momento, mesmo após a decorrência de um expressivo lapso temporal. Assim, a
notícia do envolvimento de um indivíduo na prática de determinado fato criminoso,
por exemplo, perpetua no meio virtual, ainda que a Justiça reconheça a sua inocência.
E não há dúvida de que isso pode gerar – e de fato gera – enormes constrangimentos
a essas pessoas, que às vezes não conseguem, por exemplo, se inserir novamente no
mercado de trabalho. Com a alteração legislativa proposta, portanto, buscamos
garantir a esses indivíduos o chamado “direito ao esquecimento” (ou right to be let
alone, ou seja, direito de ser deixado em paz), intimamente ligado à tutela da dignidade
da pessoa humana. (BRASIL, Projeto de Lei n. º 1.589, 2015).
Por fim, o projeto em si, busca uma agilidade maior para o requerimento tanto pelas
autoridades quanto pelas vítimas do recolhimento das informações expostas em meio virtual,
neste caso, com o intuito de coibir a disseminação de alta velocidade que a era digital propicia.
Propomos, de igual forma, alterar o recentemente promulgado Marco Civil da
Internet, dando poderes imediatos às autoridades de investigação para o acesso a
registros de conexão à internet e aos registros de navegação na internet em casos de
crimes contra a honra cometidos mediante publicação no meio virtual. Dessa maneira,
caso determinada pessoa esteja sendo vítima dos crimes de calúnia, difamação ou
injúria, pela internet, bastará notificar as autoridades competentes, que terão a
obrigação de agir e concluir suas investigações em, no máximo, sessenta dias.
(BRASIL, Projeto de Lei n. º 1.589, 2015).
Busca-se uma evolução do texto de lei, para um acompanhamento tão veloz quanto
o ato criminoso, resguardando assim o bem tutelado, a honra do indivíduo.
4
CONCLUSÃO
Diante do exposto em todo o trabalho, onde consegue-se expor a honra em sua
essência e suas particularidades, dando luz ao tema de modo geral, visto que os crimes contra
a honra ganharam um novo formato, o digital. Crimes como calúnia, difamação e injúria
ganharam uma enorme força no meio da digital. Como consequência, nosso direito teve que
sofrer rápidas adaptações e uso nesse novo contexto. De certa forma, a necessidade social
chamou mais uma vez a mudança para as questões jurídicas. O assunto ainda tem muito a ser
debatido, e como sempre, lacunas existirão para serem preenchidas, buscando, assim, a paz
social.
Vive-se em um novo mundo, assim como há evolução em relação a ciência, crenças,
costumes, línguas, há também a evolução dos deveres e dos direitos. Todo o estudo feito nos
mostra que as necessidades sociais, no que diz respeito ao direito, precisam sofrer alterações
com alta velocidade, diferente de todas as mudanças ao longo da história. A forma de
convivência social, trouxe como consequência a falta de tempo hábil para coibir atos que
venham a ir de encontro contra a honra do indivíduo. A velocidade com que os crimes
acontecem, deveriam ser as mesmas no poder policial, lidando com as investigações, e com o
poder judiciário, com as punições. Dentro de nosso problema principal, conseguimos perceber
que os crimes contra honra no meio virtual estão sob a proteção de lei já existente, apenas como
adicional, ou seja, uma nova forma da prática criminosa. Obviamente os meios de investigação
se renovam, bem como as relações sociais que condizem com o assunto abordado.
Vê-se, as penas em nosso Brasil, muito brandas, as pessoas de maneira geral não
temem as consequências, justamente por saberem que elas não resultam em penas gravosas,
isso no que compete ao assunto abordado e as Leis penais de modo geral. A sensação de
impunidade no meio virtual, faz crescer os crimes como um todo, por isso, investimentos
públicos em tecnologias são de suma importância para preenchimento desta lacuna.
Por fim, em uma visão particular, entende-se que a sociedade está doente, valores
foram perdidos e a falta de respeito ao próximo impera na atualidade, onde se pensa apenas
como indivíduo e não como sociedade. A evolução como um todo, textos de lei, tecnologias
reversíveis para um melhor avanço nas investigações e punições, bem como no que diz respeito
ao andamento dos processos.
REFERÊNCIAS
ARO, Mariana L. Bevilaqua; GOMES, Nataniel dos Santos. As fake news como contribuição
na formação do leitor crítico. Revista Philologus, n. 69. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2017.
Disponível em: http://www.filologia.org.br/rph/ANO23/69supl/038.pdf. Acesso em: 25 ago.
2020.
BARBOSA, Wander. Investigação de crimes contra honra nas redes sociais e sigilo
telemático para atribuição de autoria delitiva. Jusbrasil. 2018. Disponível em:
https://drwanderbarbosa.jusbrasil.com.br/artigos/641053200/investigacao-de-crimes-contra-
honra-nas-redes-sociais-e-quebra-de-sigilo-telematico-para-atribuicao-de-autoria-delitiva.
Acesso em: 27 set. 2020.
BOURDIEU, P. O poder simbólico. Tradução de Fernando Tomaz. 2. ed. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2000.
BRASIL. Constituição (2020). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,
DF: Senado Federal. Disponível em: https://www.camara.leg.br. Acesso em: 23 ago. 2020
BRASIL. Decreto-lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código penal. Brasília, DF:
Senado Federal. Disponível em: https://www.camara.leg.br. Acesso em: 23 de ago. 2020.
BRASIL. Código Civil, 2020. Código civil. Brasília, DF: Senado Federal. Disponível em:
https://www.camara.leg.br. Acesso em: 23 ago. 2020.
BRASIL. Projeto de lei nº 1589, de 2015. Câmara dos Deputados. Disponível em:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra;jsessionid=16B0887B3E506
3666E72D67A984E3791.proposicoesWebExterno1?codteor=1342370&filename=Avulso+-
PL+1589/2015. Acesso em: 29 out. 2020.
CAMPANHOLA, Nadine. Crimes virtuais contra a honra. 2018. Conteúdo jurídico.
Disponível em: http://www.conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/51558/crimes-virtuais-
contra-a-honra. Acesso em: 26 set. 2020.
CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal: parte especial:arts. 121 a 212. São Paulo:
Editora Saraiva, 2019. v. 2. 9788553609444. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788553609444/. Acesso em: 10 out. 2020.
Acesso restrito.
CARVALHO, Lucas. WhatsApp. Olhar digital, 2020. Disponível em:
https://olhardigital.com.br/noticia/whatsapp-historia-dicas-e-tudo-que-voce-precisa-saber-
sobre-o-app/80779. Acesso em: 25 set. 2020.
COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL – CGI.BR. O CGI.BR e o marco civil da
internet. 17 mar. 2013. Disponível em: https://www.cgi.br/publicacao/o-cgi-br-e-o-marco-
COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL – CGI.BR. Resolução
CGI.BR/RES/2009/003/P. 2014. Disponível em:
https://www.cgi.br/resolucoes/documento/2009/003/. Acesso em: 27 set. 2020.
COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL – CGI.BR. Um pouco sobre o marco
civil da internet. 2014. Disponível em: https://www.cgi.br/noticia/um-pouco-sobre-o-marco-
civil-da-
internet/13#:~:text=O%20%E2%80%9CMarco%20Civil%20da%20Internet,desenvolvimento
%20da%20Internet%20no%20Brasil.&text=Na%20primeira%20fase%20do%20processo,sob
re%20o%20uso%20da%20Internet. Acesso em: 24 set. 2020.
HISTÓRIA da internet. Rock Content, 2020. Disponível em:
https://rockcontent.com/br/blog/historia-da-internet/. Acesso em: 24 set. 2020.
COSTA, Daniel. Danos morais: A evolução da lei no Brasil. 2018. Politize. Disponível em:
https://www.politize.com.br/danos-morais-a-evolucao-da-lei-no-brasil/. Acesso em: 28 set.
2020.
CRIMES digitais. Justificando, 2018. Disponível em:
https://www.justificando.com/2018/06/25/crimes-digitais-quais-sao-quais-leis-os-definem-e-
como-denunciar/. Acesso em: 27 set. 2020.
CRIMES na internet. G7jurídico. 2018. Disponível em:
https://blog.g7juridico.com.br/crimes-na-internet-quais-sao-as-leis-para-esses-casos/. Acesso
em: 25 set.2020.
GRECO, Rogério. Curso de Direito penal. 11. ed. Rio Janeiro: Impetus, 2014. v. 2.
INSTAGRAM. Canaltech, 2020. Disponível em:
https://canaltech.com.br/empresa/instagram/. Acesso em: 25 set. 2020.
KLEINA, Nilton, A história do Facebook, Tecmundo, 2018. Disponível em:
https://www.tecmundo.com.br/mercado/132485-historia-facebook-maior-rede-social-do-
mundo-video.htm. Acesso em: 24 set. 2020.
MARTINS, Julio. Crimes contra honra na internet em tempo de pandemia. 2020.
Direitonet. Disponível em: https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11710/Crimes-contra-
a-honra-na-Internet-em-tempos-de-pandemia. Acesso em 26 set. 2020.
PESSALI, Valenti. A reparação civil pelos crimes contra honra. 2018. Jusbrasil.
Disponível em: https://valentereispessaliadv.jusbrasil.com.br/artigos/621948780/a-reparacao-
civel-pelos-crimes-contra-a-honra. Acesso em: 29 set. 2020.
PINHEIRO, Walber. Crimes contra honra na internet. Ipog. 2018. Disponível em:
https://blog.ipog.edu.br/tecnologia/crimes-contra-a-honra-na-internet/. Acesso em 27 set.
2020.
TORRES, Lorena. Crimes praticados na internet e ata notarial: saiba como produzir
provas. 2017. Jusbrasil. Disponível em:
https://lucenatorres.jusbrasil.com.br/artigos/511506892/crimes-praticados-pela-internet-e-ata-
notarial-saiba-como-produzir-provas. Acesso em 27 set. 2020.
TWITER. In: CANALTECH, 2020. Disponível em:
https://canaltech.com.br/empresa/twitter/. Acesso em: 25 set. 2020.