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A AVALIAÇÃO EM FOCO. PALAVRAS-CHAVE: avaliação dificuldades de aprendizagem contexto escolar

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Academic year: 2021

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A AVALIAÇÃO EM FOCO

Beatriz Biss Telles1 Dalila Maria De Paula Antoneche2 Maria Daiane Baranhuke Budzilo3

RESUMO:

O presente apresenta os resultados pesquisa de caráter exploratório, desenvolvida como subprojeto da disciplina de Psicologia da Educação II, no Curso de Pedagogia da UEPG, em 2008. Teve por objetivo analisar como a avaliação de alunos com dificuldades de aprendizagem tem acontecido no ambiente escolar. Para a coleta de dados utilizamos o questionário semi-estruturado, como amostra 20 professores que atuam nas séries iniciais do Ensino Fundamental da rede do município de Ponta Grossa. Os dados indicaram que existem diferentes conceitos a respeito da avaliação em crianças com dificuldades de aprendizagem. Concluímos que a avaliação em crianças com dificuldades não e tarefa fácil para a maioria dos educadores, no entanto, algumas propostas diversificadas foram relatadas como estratégias adotadas por alguns profissionais, visando suprir/ amenizar as dificuldades de aprendizagem.

PALAVRAS-CHAVE: avaliação – dificuldades de aprendizagem – contexto escolar

Introdução

Os alunos com dificuldades de aprendizagem apresentam um jeito especial de aprender, portanto, necessitam ser avaliados de acordo com tal especificidade. Tarefa nem sempre fácil para os educadores, ou seja, um desafio a ser enfrentado no contexto escolar.

Assim sendo, a compreensão de como ocorre, o levantamento das estratégias utilizadas pelas escolas, bem como a análise da complexidade do processo de avaliação de alunos com dificuldades de aprendizagem, faz se fundamental para garantir o direito de todos à aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo.

O presente artigo aborda a temática avaliação em crianças com dificuldades e/ou transtornos de aprendizagem, sendo resultado de uma pesquisa de caráter exploratório desenvolvida como subprojeto da disciplina de Psicologia da Educação II, no Curso de Pedagogia da UEPG, em 2008. Para a coleta de dados utilizamos o questionário semi-estruturado, como amostra 20 professores que atuam nas séries iniciais do Ensino

Fundamental da rede do município de Ponta Grossa.

Aprendizagem e as dificuldades de aprendizagem

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Acadêmica do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Ponta Grossa. 2

Acadêmica do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Ponta Grossa. 3

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De acordo com os estudos de Rotta (2006) o interesse pelo atendimento pedagógico especial a crianças com dificuldades escolares remonta meados de 1500, na Espanha com ensaios pedagógicos para surdos e mudos. A partir de então, muitos estudiosos e educadores passaram a se preocupar com a questão da aprendizagem, principalmente, a infantil, destacando-se expoentes como Piaget e Vygotski.

A aprendizagem, segundo Davis e Oliveira (1994), pode ser definida como um processo de apropriação do legado cultural humano. Que se inicia no nascimento e perpassa toda a vida do homem e é marcado pela interação e troca de experiências entre as pessoas.

Rotta (2006, p. 117) afirma que o “ato de aprender e um ato de plasticidade cerebral, modulado por fatores intrínsecos (genéticos) e extrínsecos (experiência)”. Assim sendo, pode-se afirmar que “dificuldades de aprendizagem são resultados de alguma falha intrínseca ou extrínseca desse processo”. (ROTTA, 2007, p. 117).

Os manuais internacionais de diagnóstico (CID 10 e DSM-IV) consideram o termo

dificuldade muito amplo e genérico, optam por transtornos que é mais específico. Sendo

que, as dificuldades podem surgir de vários fatores não intrínsecos nem decorrentes de disfunção do SNC, diferentemente do transtorno que e específico e intrínseco. Uma dificuldade pode originar-se de um transtorno, mas este não se origina de uma dificuldade. Apresentam basicamente três tipos de transtornos específicos da aprendizagem: o transtorno da leitura; o transtorno da matemática e o transtorno da escrita.

As dificuldades podem ser oriundas de transtornos, sendo que o mais conhecido é a dislexia, porém a disgrafia, discalculia, dislalia, disortografia e o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) merecem destaque.

Rotta (2006) apresenta com fatores envolvidos nas dificuldades de aprendizagem os que se relacionam à escola, à família e à criança. Em relação à criança, destacam-se os problemas físicos em geral, os transtornos psiquiátricos, a deficiência mental, as patologias neurológicas, dificuldades sensoriais e doenças crônicas, os problemas de ordem psicológica tendem a serem fatores agravantes para o desempenho escolar do educando e os transtornos psíquicos evolutivos tendem a se agravar quando associados aos conflitos do ingresso da escola.

Partindo do pressuposto que nem todas as crianças aprendem da mesma maneira e que existem crianças com dificuldades e/ou transtornos de aprendizagem, podemos afirmar que a sala de aula se constitui num espaço de particularidades e que o professor deve estar atento às características individuais de cada educando no processo

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ensino-aprendizagem, principalmente no que se refere aos critérios avaliativos.

A avaliação, numa perspectiva construtivista procura sistematizar a "processo de trabalho escolar para que haja um acompanhamento da aprendizagem do aluno e para que o professor possa diagnosticar seu conhecimento, refletir sabre as resultados que encontrou e construir alternativas hipotéticas de intervenção objetiva. (MOLL; BARB0SA, 2002, p. 107).

A legislação brasileira, através da Resolução N° 2, de 11 de setembro 2001, institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Contempla, no artigo 5°, as dificuldades de aprendizagem no rol das necessidades educacionais especiais; tanto as dificuldades acentuadas de aprendizagem, como quaisquer outras limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares. E, em seu artigo 8°, prevê flexibilizações e adaptações curriculares que considerem o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais.

As dificuldades de aprendizagem, sejam primárias ou secundárias, são causadas por formas distintas de aprender. Se os alunos aprendem de forma diferenciada, cabe analisar como a avaliação desses alunos com dificuldades de aprendizagem tem acontecido no ambiente escolar.

Avaliação das crianças com dificuldades de aprendizagem no contexto escolar: análise e resultados

Os dados das entrevistas nos mostraram que existem diferentes conceitos a respeito a respeito da avaliação em crianças com dificuldades de aprendizagem.

Alguns entrevistados mencionaram a metodologia de avaliação, isto é, a maneira de se proceder com a avaliação:

S2: "devemos analisar não somente processo da leitura e escrita, mas também o que sabe oralmente";

S3: "O aluno deve ser avaliado com ele mesmo e não comparando ele com a turma. Ex. valorizar o que ele aprendeu independente do restante da turma”.

S5: "não deve ser cobrada de forma que venha prejudicar a criança"; S9: "O professor deve propor desafios para o aluno”,

S17: “a avaliação deve ser diagnóstica e continua, se o professor conhece bem o nível que a criança se encontra, ele avalia aquilo que ela sabe comparando o a/uno com e/e mesmo e não com aqueles que se encontram em outro nível de aprendizagem".

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Outros professores, também se reportando a maneira de avaliar, disseram que a avaliação deve ser diferenciada e de acordo com as possibilidades do aluno.

Alguns profissionais também associaram avaliação em crianças com dificuldades de aprendizagem à necessidade do diagnóstico precoce comum “ótimo aliado do professor” que contribui planejar uma intervenção mais adequada trabalhar as diferenças. Como também apontam: que as avaliações estão fora do contexto de sala de aula; que é necessário um atendimento individualizado; que registram as conquistas dos alunos; entre outras respostas.

Consultados sobre a existência de avaliação diferenciada para os alunos com dificuldades de aprendizagem, as respostas mostraram uma divisão de opiniões em relação à avaliação dos alunos com dificuldades de aprendizagem, 50% dos profissionais afirmou que faz avaliação diferenciada e 50% disse que não faz tal procedimento.

Aos profissionais que afirmaram realizar algum tipo de avaliação diferenciada, foi solicitada a descrição dessa. As respostas indicaram que o fator diferencial corresponde a uma proposta de avaliação diversificada e a aplicação instrumentos diversos. As propostas diversificadas contemplam:

S1: "Nas avaliações feitas pela professora regente, avalia-se o desempenho individual,

respeitando as diferenças, sem comparações”

S3: "de acordo com o aprendizado”; ou S7: "ao nível de cada aluno ( ... )”;

S17: "trabalha-se um conteúdo e propõem-se atividades que desafiem o aluno para

saber o que ele já sabe e o que é preciso trabalhar";

S18: "a avaliação possui um numero menor de questões, e estas são bem elaboradas

no sentido de execução".

Em se tratando dos instrumentos avaliativos, os professores destacaram a realização de prova oral, exercícios diferenciados e atividades de leitura.

Segundo Fonseca (1995) cabe ao professor utilizar diferentes recursos metodológicos para atender os alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem.

A respeito de aplicação de estratégias diversificadas para o atendimento dos alunos com dificuldades de aprendizagem, os dados da pesquisa revelaram que 55% dos entrevistados (o que corresponde a 11 professores) utilizam estratégias diversificadas para os diferentes tipos de dificuldades, ao passo que 45% dos entrevistados relataram não utilizar nenhuma estratégia para o trabalho com esses alunos. Algumas falas que retratam as idéias defendidas por Fonseca (1995), tais como: leitura com desenhos, frases incompletas, textos diversificados, bingos de palavras, cruzadinhas, jogos, leitura de gibis, fichas de leitura, interpretação, material dourado, jogos interativos, histórias que envolvem o aluno (oportunizando uma interpretação).

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Os dados indicaram que 65% dos entrevistados encontram problemas para avaliar os alunos que apresentam dificuldades e apenas 35% relatam não encontrar dificuldades no processo avaliativo desses alunos.

No rol dos problemas encontrados no processo avaliativo dos alunos com dificuldades de aprendizagem podemos destacar: a questão do tempo, o tipo das avaliações, a falta de colaboração familiar, bem como a inexistência de materiais apropriados, tais como:

S7: "elaborar avaliações diferenciadas e tempo para aplicá-las, sem prejudicar o resto da turma".

S8:"as avaliações em sua maioria são homogêneas, avalia-se a criança com dificuldade de aprendizagem em relação a toda a turma e não com ela mesma". S17: "apoio da família que as vezes se recusa a aceitar ou colaborar”; "falta de materiais diversificados e atuais".

Para Fonseca (1995) a escola não se pode limitar, com a sua metodologia, nela inclusa a avaliação não pode fechar os olhos para os alunos que apresentam dificuldades e, priorizar os demais alunos, só porque apresentam melhores possibilidades de sucesso, pois, a sua função é garantir um apoio inestimável a todas as crianças.

Considerações finais

A pesquisa nos mostrou que a avaliação em crianças com dificuldades não é tarefa fácil para a maioria dos educadores, uma vez que os mesmos relatam encontrar dificuldades para proceder com o processo avaliativo. A falta de informações a respeito das dificuldades e/ou transtornos de aprendizagem, bem como ao incentivo para um trabalho diferenciado com esses alunos contribuem para tal.

No entanto, algumas propostas diversificadas que foram relatadas em relação às estratégias adotadas par alguns profissionais, visando suprir/ amenizar as dificuldades de aprendizagem.

Consideramos que não cabe somente ao professor buscar alternativas para garantir a sucesso escolar do educando, e preciso uma parceria entre a escola e a família, como destaca Fonseca (1995, p. 363) "a ação do professor isolado é insuficiente, daí a urgente participação da escola como um todo".

É preciso investir em alternativas diferenciadas de avaliação, uma vez que, se as crianças aprendem de forma heterogênea, é justo que sejam avaliados igualmente de forma heterogênea, respeitando-se o nível de desenvolvimento e as potencialidades cada aluno, e evitando comparações com as colegas de classe.

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Referências

BARBOSA, M. C. S.; MOTTA, J. Construtivismo: desconstituindo mitos e constituindo perspectivas. In: BECKER, F.; FRANCO, S. R. . Revisitando Piaget. ed. 3. Porto Alegre: Mediação, 2002.

BRASIL. MEC. Resolução 2 de 11 de setembro de 2001. Disponível em <http:www.mec.gov.br>.Acesso em 29 nov 2008.

DAVIS, C.; OLIVEIRA, Z. Psicologia e educação. São Paulo: Cortez, 1994.

FONSECA, V. Introdução as dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

Referências

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