DOS PROTESTOS,
NOTIFICAÇÕES E
INTERPELAÇÕES
CPC arts. 867/873
1. Conceito
2. Natureza jurídica
3. Finalidade
4. Procedimento
1. Conceito
São procedimentos em que o juiz limita-se a comunicar a alguém uma manifestação de vontade, com o fim de prevenir responsabilidade ou impedir que o destinatário possa, futuramente, alegar ignorância
Marcus Vinicius Rios Gonçalves
Conceito de protesto: o protesto é ato judicial de comprovação ou documentação de intenção do promovente. É ato que supõe ter o protestante declarado o seu direito.
Art. 867. Todo aquele que desejar prevenir responsabilidade, prover a conservação e ressalva de seus direitos ou manifestar qualquer intenção de modo formal, poderá fazer por escrito o seu protesto, em petição dirigida ao juiz, e requerer
que do mesmo se intime a quem de direito.
Conceito de notificação: é comunicação de conhecimento, qualificada pela pretensão do notificante, a fim de que o notificado faça ou deixe de fazer alguma coisa, sob determinada cominação, a ser imposta oportunamente por autoridade competente.
Conceito de interpelação: interpelar é ato pelo qual uma pessoa se dirige, formal e categoricamente, a outra, exigindo explicações ou o cumprimento de uma obrigação.
Protesto - ressalva ou conservação de direitos do promovente.
Notificação - para o destinatário fazer ou deixar de fazer alguma coisa, sob cominação de pena.
Interpelação - levar ao conhecimento do destinatário a exigência de explicações ou o cumprimento de obrigação, sob pena de ficar constituído em mora.
2. Natureza jurídica
São procedimentos cautelares específicos, porém, com natureza de jurisdição voluntária.
3. Finalidade
Comunicação
ao
destinatário, de forma
inequívoca, de determinada
manifestação de vontade.
Protesto Finalidade: a. prevenir responsabilidadeb. Prover a conservação de direito c. Prover a ressalva de seus direitos
Notificação
Finalidade:
Interromper a prescrição -Artigo 202, V, CC.
Atender a exigências para propositura de determinadas ações. Interpelação Finalidade: exigir explicações ou o cumprimento de uma obrigação.
4. Procedimento
Observa-se o mesmo procedimento para as três espécies: protesto, notificação e interpelação
Art. 873. Nos casos previstos em lei processar-se-á a notificação ou interpelação na conformidade dos artigos antecedentes.
Competência - regras gerais
Em razão da matéria e do foro do domicílio do requerido
Não previnem a competência do Juízo
Petição inicial - artigos 282 + 867 + 868
Art. 867. Todo aquele que desejar prevenir responsabilidade, prover a conservação e ressalva de seus direitos ou manifestar qualquer intenção de modo formal, poderá fazer por escrito o seu protesto, em petição dirigida ao juiz, e requerer que do mesmo se intime a quem de direito.
Art. 868. Na petição o
requerente exporá os fatos e os fundamentos do protesto.
Causa de pedir: razões de fato e de direito - artigo 868.
Pedido: requerer apenas a intimação - artigo 867, in fine.
Não há necessidade de indicar a ação principal a ser proposta. O juiz indeferirá o pedido se não
atendida a dupla exigência - artigo 869 CPC:
a. Demonstração de interesse do promovente (necessidade e utilidade da medida) artigo 3º CPC.
b. Não-nocividade efetiva da medida - se o objetivo for contrário à liberdade de contratar ou de agir juridicamente.
Art. 869. O juiz indeferirá o pedido, quando o requerente não houver
demonstrado legítimo interesse e o protesto, dando causa a dúvidas e incertezas, possa impedir a formação de contrato ou a realização de negócio lícito.
Juízo de admissibilidade - é o único juízo que recai sobre a providência pleiteada - artigo 869.
Deferimento não há sentença nem homologatória nem recurso -não há julgamento.
Deferida a medida, será determinada a intimação do requerido.
Editais - artigo 870 CPC
Art. 870. Far-se-á a intimação por editais:
I - se o protesto for para conhecimento do público em geral, nos casos previstos em lei, ou quando a publicidade seja essencial para que o protesto,
notificação ou interpelação atinja seus fins;
II - se o citando for desconhecido, incerto ou estiver em lugar ignorado ou de difícil acesso; III - se a demora da intimação pessoal puder prejudicar os efeitos da interpelação ou do protesto.
Parágrafo único. Quando se tratar de protesto contra a alienação de bens, pode o juiz ouvir, em 3 (três) dias, aquele contra quem foi dirigido, desde que Ihe pareça haver no pedido ato emulativo, tentativa de extorsão, ou qualquer outro fim ilícito, decidindo em seguida sobre o pedido de publicação de editais.
Conhecimento público: quando a publicidade seja essencial ao protesto, à notificação e à
interpelação, para que estes atinjam os seus fins;
Requerido em local incerto e não sabido: local ignorado ou de difícil acesso (artigo 231 CPC);
Tempestividade da
comunicação: se a demora na intimação puder prejudicar os efeitos dos atos.
Protesto contra alienação de bens: o requerido poderá ser ouvido pelo juiz, caso este tenha desconfiança de que haja má-fé no pedido, para que, então, se decida se vai ou não haver publicação de editais (artigo 870 - parágrafo único CPC).
Nestes procedimentos não há liminar e nem medidas
inaudita altera pars.
Não se admite defesa ou contraprotesto,
contranotificação ou contra-interpelação nos autos, mas em procedimento distinto - artigo 871 CPC.
Art. 871. O protesto ou
interpelação não admite defesa nem contraprotesto nos autos; mas o requerido pode contraprotestar em processo distinto.
Os autos, após 48 horas, serão
entregues ao requerente,
Art. 872. Feita a intimação, ordenará o juiz que, pagas as custas, e decorridas 48 (quarenta e oito) horas, sejam os
autos entregues à parte
independentemente de traslado.
Não se sujeitam ao prazo
de trinta dias do art. 806,
porque não têm natureza
constritiva.
Seção X
Dos Protestos, Notificações e Interpelações
Art. 867. Todo aquele que desejar prevenir responsabilidade, prover a conservação e ressalva de seus direitos ou manifestar qualquer intenção de modo formal, poderá fazer por escrito o seu protesto, em petição dirigida ao juiz, e requerer que do mesmo se intime a quem de direito.
Art. 868. Na petição o requerente exporá os fatos e os fundamentos do protesto.
Art. 869. O juiz indeferirá o pedido, quando o requerente não houver demonstrado legítimo interesse e o protesto, dando causa a dúvidas e incertezas, possa impedir a formação de contrato ou a realização de negócio lícito.
I - se o protesto for para conhecimento do público em geral, nos casos previstos em lei, ou quando a publicidade seja essencial para que o protesto, notificação ou interpelação atinja seus fins;
II - se o citando for desconhecido, incerto ou estiver em lugar ignorado ou de difícil acesso;
III - se a demora da intimação pessoal puder prejudicar os efeitos da interpelação ou do protesto.
Parágrafo único. Quando se tratar de protesto contra a alienação de bens, pode o juiz ouvir, em 3 (três) dias, aquele contra quem foi dirigido, desde que Ihe pareça haver no pedido ato emulativo, tentativa de extorsão, ou qualquer outro fim ilícito, decidindo em seguida sobre o pedido de publicação de editais.
Art. 871. O protesto ou interpelação não admite defesa nem contraprotesto nos autos; mas o requerido pode contraprotestar em processo distinto.
Art. 872. Feita a intimação, ordenará o juiz que, pagas as custas, e decorridas 48 (quarenta e oito) horas, sejam os autos entregues à parte independentemente de traslado.
Art. 873. Nos casos previstos em lei processar-se-á a notificação ou interpelação na conformidade dos artigos antecedentes.
CPC PROJETADO
“Por fim, o Título III do Livro II traz um Capítulo X dedicado aos “procedimentos especiais não contenciosos”, preferindo essa nomenclatura à atual “jurisdição voluntária”. Nele, após as “disposições gerais” (arts. 653 a 659), são regulamentados, nos arts. 660 a 696: as notificações e as interpelações; as alienações judiciais; a separação e o divórcio consensuais e a alteração do regime de bens do matrimônio; os testamentos e codicilos; a herança jacente; os bens dos ausentes; as coisas vagas; a interdição e a curatela dos interditos; as disposições comuns à tutela e à curatela; a organização e fiscalização das fundações e a posse em nome do nascituro (em local mais apropriado se comparado com o Código atual, que regulamenta a hipótese entre os “procedimentos cautelares específicos”).”
Relatório p. 46
CAPÍTULO XI
DOS PROCEDIMENTOS NÃO CONTENCIOSOS ...
Das notificações e interpelações
Art. 692. Quem tiver interesse em manifestar formalmente sua
vontade a outrem sobre assunto juridicamente relevante, poderá notificar pessoas participantes da mesma relação jurídica para dar-lhes ciência de seu propósito. Se a pretensão for a de dar conhecimento geral ao público, mediante edital, o juiz só a deferirá se a tiver por fundada e necessária ao resguardo de direito.
Art. 693. Também poderá o interessado interpelar, no caso do art.
692, para que o requerido faça ou deixe de fazer aquilo que o requerente entenda do seu direito.
Art. 694. O requerido será previamente ouvido antes do
deferimento da notificação ou do respectivo edital:
I - se houver suspeita de que o requerente, por meio da notificação ou do edital, pretende alcançar fim ilícito;
II - se tiver sido requerida a averbação da notificação em registro público.
Art. 695. Deferida e realizada a notificação ou interpelação, os