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OLIVAL DA SERRA DE S. MIGUEL SOUSEL

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P AI S AG E M P R O T E G I D A D E Â M B I T O L O C AL

OLIVAL DA SERRA DE S. MIGUEL S

OUSEL

memória descritiva e justificativa

CÂMARA MUNICIPAL DE SOUSEL Divisão de Urbanismo, Ambiente, Qualidade e Intervenção I Setor de Planeamento

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 ÍNDICE 1.NOTA INTRODUTÓRIA 3 2.ENQUADRAMENTO 4 3.DELIMITAÇÃO DA ÁREA 5 4.SÍNTESE BIOFÍSICA 7 4.1.Geomorfologia 7 4.1.1.Festos e talvegues 7 4.1.2. Hipsometria 7 4.1.3.Declives 8 4.1.4.Exposição de encostas 9 4.2.Solos 10 4.2.1.Solos 10 4.2.2.Uso do solo 10 5.SÍNTESE PAISAGÍSTICA 12

5.1.Enquadramento nas unidades de paisagem 12

5.2.Composiçãoe configuração da paisagem 12

5.3.Valores avifaunísticos 16 5.3.1. Aves 16 5.3.2. Anfíbios 18 5.3.3. Répteis 18 5.4.Valores culturais 19 5.4.1. Corredores 19 5.4.2. Património arquitetónico 22

5.4.3.Pontos de observação da paisagem 24

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

1. NOTA INTRODUTÓRIA

A paisagem é um conceito complexo que pode ser abordado sob diferentes perspetivas. De acordo com o estudo de Identificação e Caracterização da Paisagem em Portugal Continental (Cancela d’Abreu et al., 2004) a paisagem é um sistema dinâmico, onde os diferentes fatores naturais e culturais interagem e evoluem em conjunto, determinando e sendo determinados pela estrutura global, o que resulta numa configuração particular, nomeadamente de relevo, coberto vegetal, uso do solo e povoamento, que lhe confere uma certa unidade e à qual corresponde um determinado carácter.

Este equilíbrio dinâmico da paisagem e a conservação da sua identidade exige uma continuidade nas atividades que neste tempo de crise e mudança de paradigma está posto em causa devido ao abandono da paisagem.

Consciente de que a paisagem é uma componente essencial do ambiente humano, uma expressão da diversidade do seu património comum cultural e natural e a base da sua identidade, o município de Sousel, cedo, reconheceu o valor da paisagem do olival da Serra de S. Miguel. É esse valor que hoje o município quer reiterar através da criação de uma área de paisagem protegida de âmbito local na Serra de S. Miguel.

O objetivo é proteger e conservar esta paisagem rural pelo seu valor estético e visual, mantendo-se para isso os seus traços significativos e característicos resultantes das condições naturais e da intervenção humana neste território, isto é mantendo a sua autenticidade.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

2. ENQUADRAMENTO

O concelho de Sousel localiza-se no Distrito de Portalegre, NUT III do Alto Alentejo e pertence, em conjunto com mais 14 concelhos, à Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo. Tem uma área de 279km² e 5.074 habitantes, de acordo com os Censos 2011, distribuídos por 4 freguesias (Sousel, Cano, Casa Branca e Santo Amaro), cujas sedes são os principais aglomerados, existindo apenas dois lugares, Almadafe e Vale de Freixo, ambos na freguesia de Casa Branca.

Imagem 3 I Enquadramento do concelho de Sousel

Sousel, à semelhança de outros concelhos do interior de Portugal, revela um crescente despovoamento territorial e um duplo envelhecimento populacional. Assiste-se a um acentuado envelhecimento da pirâmide etária – onde o número de habitantes com mais de 65 anos supera há muito o das camadas mais jovens – tendo tendência para se agravar. A par da maior longevidade das classes mais idosas verifica-se uma acentuada redução da natalidade, resultado da redução da população e do número médio de filhos por casal. Este cenário de recuo demográfico e envelhecimento da população põe em risco a manutenção da autenticidade dos valores existentes e mesmo a própria sustentabilidade do território.

O abandono da paisagem a que se assiste, consequência, designadamente, do êxodo rural, da diminuição e o envelhecimento populacional, da insolvência dos modos agrícolas tradicionais e da terciarização da economia entre outros aspetos, põe em causa a identidade dos lugares pelo que é importante encontrar formas de conservação modernizadas.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

3. DELIMITAÇÃO DA ÁREA

A área de paisagem protegida de âmbito local da Serra de S. Miguel, adiante designada por área de intervenção, apresenta um total de 518.14ha e localiza-se a Sudoeste do aglomerado urbano de Sousel.

Imagem 4 I Localização da área de paisagem protegida de âmbito local da Serra de S. Miguel no concelho de Sousel

Para a definição do seu perímetro, de acordo com o sistema de coordenadas Datum 73 Hayford Gauss IPCC, considera-se o início no ponto 1 (36549,81; -82636,16), seguindo pelo limite Sudeste do prédio 102 da secção M até ao ponto 2 (36904,57;-82906,58), onde inflete para Noroeste até ao ponto 3 (37240,48;-8272,73), para voltar a infletir para Sul, com passagem no ponto 4 (37265,66;-82903,21) até ao ponto 5 (37299,30; -83129,90). Segue depois a direção Nordeste, passando no ponto 6 (38112,14;-82668,02, até ao ponto 7 (38233,00;-82748,70), onde encontra o limite do concelho. Continua ao longo do limite do concelho com passagem no ponto 8 (38987,83;-81938,92) até ao ponto 9 (40370,73;-82729,62), onde entronca com a Estrada Nacional 245. Segue ao longo desta estrada até ao ponto 10 (40035,57;-81041,94), onde interseta a linha férrea e inflete para Poente, continuando ao longo da mesma até ao ponto 11 (39059,40;-80734,76). Segue para Noroeste, abandonando o traçado da linha férrea, até ao ponto 12 (38926,40;-80505,54) onde inflete para Sudoeste ao longo de um caminho vicinal até ao ponto 13 (3815,84;-80847,63). A partir deste ponto continua pelo limite Noroeste dos prédios do cadastro da propriedade rústica, designadamente, prédios 87, 91, 103,102 e 94 da secção M da freguesia de Sousel, passando pelos pontos 14, 15 e 16, respetivamente com as coordenadas (37890,96;-81145,60), (37557,12;-81480,80) e (36867,95;-82330,94), até ao ponto 1.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 Imagem 5 I Delimitação da área de paisagem protegida de âmbito local da Serra de S. Miguel

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

4. SÍNTESE BIOFÍSICA

O relevo é o esqueleto da paisagem, sendo considerado a base para os seus processos e elementos. É a partir da dimensão física, que inclui a geomorfologia, a composição dos solos, dos recursos hídricos e da vegetação que se pode ler a paisagem, identificando designadamente os elementos, as estruturas, os sistemas e os usos que os seres humanos têm feito do território.

4.1.Geomorfologia

4.1.1. Festos e Talvegues

A área de intervenção é atravessada no sentido SE_NO por uma linha de festo com bastante significado em termos orográficos mas pouco relevante em termos hídricos, dado que os cursos de água superficiais existentes são de regime torrencial, sendo inexistentes durante o período estival. É uma área que revela uma grande secura pela ausência de água superficial.

Imagem 6 I Carta de festos e talvegues

4.1.2. Hipsometria

Em termos hipsométricos, foram definidas 6 classes constituídas por intervalos de 35m com variação variações altimétricas entre os 240 e os 450m no sentido de se perceber a relação com a envolvente. Dentro da área de intervenção o ponto mais alto corresponde à cota 397m e localiza-se na linha de festo principal e o ponto mais baixo localiza-se no limite Sudoeste e corresponde à cota 277m.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 Imagem 7 I Carta hipsométrica

4.1.3. Declives

Ao nível dos declives foram definidas 7 classes, de forma a caracterizar com maior objetividade o território: 0-3% (plano); 3-6% (quase plano); 6-9% (levemente ondulado); 9-12% (ondulado); 12-15% (moderado); 15-25% (acidentado) e >25% (muito acidentado).

A área de intervenção, em conjunto com as duas serras limítrofes (Serra de S. Bartolomeu e Serra do Caixeiro) destaca-se da envolvente, plana a levemente ondulada, pela presença de declives mais acentuados.

Dentro da área, os declives mostram-se mais suaves ao longo de uma linha de drenagem natural na vertente Sudoeste, por oposição, os declives mais acentuados estão associados aos pontos mais altos, no cume e início das encostas, na linha de festo principal.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 Imagem 8 I Carta de declives

4.1.4. Exposição de Encostas

Tendo por base o relevo existente e uma vez analisadas as orientações de encostas, verifica-se que a Norte do festo principal dominam as exposições a Norte/Nordeste/Noroeste e a sul dominam as exposições Sul/Sudoeste.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

4.2.Solos

4.2.1. Solos

O extrato da carta de solos do PDM pretende fazer uma caracterização do espaço em termos agrícola, a partir da definição de áreas tendencialmente homogéneas, tendo por base a carta de solos de Portugal, a carta de capacidade de uso do solo, os declives e o risco de erosão. A área em estudo é marcada pela presença de solos mediterrânicos vermelhos e amarelos de materiais calcários cristalinos ou mármores ou rochas cristalofílicas cálcio-siliciosas (Vcc) com afloramentos rochosos de calcários ou dolomias (Arc) associados. São por isso solos cujos horizontes superiores têm uma textura mediana ou pesada, aumentando a textura de argila no horizonte B, que têm um grau de saturação muito elevado e uma permeabilidade mais ou menos lenta, sendo por vezes dificilmente penetráveis pelas raízes, pelo que não fornecem importantes quantidades de humidade às plantas.

Imagem 10 I Carta de solos

4.2.2. Uso do solo

De acordo com a carta de ocupação do solo (CIMAC, 2007) a área em estudo é dominada por olivais tradicionais de sequeiro, que ocupam aproximadamente 84% da área total. Verifica-se, também a presença de carrascais de baixo e médio porte em 11% da área e de matagais mistos mediterrânicos, nos restantes em 5%.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 Imagem 11 I Carta de ocupação do solo

Imagem 12 e 13 I olival tradicional

Imagem 14 e 15 I matagal

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

5. SÍNTESE PAISAGÍSTICA

5.1.Enquadramento nas unidades de paisagem

De acordo com o estudo de Identificação e Caracterização da Paisagem em Portugal Continental (Cancela d’Abreu et al., 2004) a área de intervenção insere-se maioritariamente na unidade 100 – Maciço Calcário Estremoz-Borba-Vila Viçosa. Esta unidade “tem um forte carácter, direta ou indiretamente relacionado com a natureza calcária do subsolo: relevo suave, solos férteis e fundos, castanhos escuros a avermelhados, desde há muito ocupados por olivais, vinhas e sistemas arvenses de sequeiro, grande quantidade de pedreiras para extração de mármore (…).”

Imagem 16 I Unidades e grupos de unidades de paisagem em Portugal Continental

Imagem 17 I Localização do Concelho de Sousel e da Paisagem Protegida de Âmbito Local nas unidades de paisagem

Uma vez enquadrada na escala nacional, pretende-se olhar para a área de intervenção de uma forma holística, sobrepondo aos aspetos naturais, os culturais, sociais e económicos que foram anexados ao longo dos tempos de acordo com as necessidades locais.

5.2. Composição e configuração da paisagem

A área de intervenção reflete a história da forma como o homem utilizou os recursos deste território ao longo dos tempos. A paisagem traduz por isso o estilo de vida, as crenças, os conhecimentos e as representações de culturas passadas.

Esta é uma paisagem constituída por extensas manchas, de formas geométricas regulares associadas a limites de cadastro da propriedade rústica ou limites físicos de origem antrópica. É uma paisagem sem grandes fragmentações onde as manchas de olival oferecem uma leitura de pontos ou linhas que se estendem sobre superfícies onduladas, consoante se trata de olival mais antigo ou mais recente.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

A presença do olival é importante dado que há muito que a proliferação desta cultura permanente contribuiu para alterar a paisagem mediterrânica ancestral, fazendo com que esta se tornasse parte integrante do território, constituindo um elemento de identidade do mesmo. Já nas memórias paroquiais de 1758 consta a referência de que “He esta serra cheja de muito alecrim e dizem que de muitas ervas medicinais, e por senão conhecer sua vertude senão uza dellas e tal a variedade de flores que a serem cultas se estimaria por raras por raras cultivase os baixos e alguas altas de se semearem trigos sendo as emcostas para a parte do norte todas chejas de olivais que fazem a terra muito fértil de azeite que terão de comprimento hua legoa.”

Imagem 18, 19 e 20 I paisagem da Serra de S. Miguel

A paisagem apresenta ainda manchas de matos com características diversas. Verifica-se a presença de matos baixos de porte arbustivo com densidades variáveis e matos de porte médio em manchas mais densas. Os matos são compostos por carrascais de baixo e médio porte e por outros matos autóctones característicos de solos secos, pedregosos e calcários. Os matos existentes contam com a presença de vegetação diversa. A título de exemplo das espécies observadas masi representativas dos usos do solo existente, consideraram-se:

I Em matos de baixo e médio porte, como os carrascais:

Imagem 21, 22 e 23 I Quercus coccifera (carrasco)

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setembro.2014 setembro.2014 setembro.2014

Imagem 24 e 25 I Pistacia lentiscus (aroeira)

Imagem 26 e 27 I Olea europaea sylvestris (zambujeiro)

0 I Em matos mais baixos e em por vezes mais abertos:

Imagem 28 e 29 I Cistus monspeliensis (sargaço) e Cistus albidus (roselha-grande)

Imagem 30 e 31 I Rosmarinus officinalis (alecrim) e Lavendula stoechas (rosmaninho)

I Em sebes de compartimentação, formadas por maciços de vegetação emaranhada incluindo o estrato arbustivo e lianóide:

Imagem 32,33 e 34 I Crataegusmonogyna (pilriteiro), Rubus ulmifolius (silva) e Smilax áspera (Salsaparrilha)

setembro.2014 setembro.2014 março.2014 março.2014 setembro.2014 setembro.2014 março.2014 setembro.2014

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

março.2014 março.2014

março.2014 março.2014

I Em situações pontuais na paisagem:

Imagem 35 e 36 I Arbutus Unedo (medronheiro)

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 5.3. Valores ecológicos

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5.3.2. Anfíbios

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

5.4.Valores culturais

A par da componente física, a leitura da paisagem deve também ter em consideração a componente cultural, social e temporal. É necessário compreender a criação, transformação e evolução da paisagem ao longo dos tempos como resultado das práticas culturais, avanços técnicos e interação do homem com o meio.

Imagem 39 I Carta dos valores culturais da paisagem

5.4.1. Corredores

Os corredores aqui evidenciados são os que promovem ou promoveram a mobilidade de pessoas e mercadorias na paisagem bem como aqueles que promovem de alguma forma a proteção ou constituem um recurso em si mesmo, respetivamente corredores viários e ferroviários, muros de pedra seca e sebes de compartimentação.

Corredores viários e ferroviários

Todos os corredores associados à circulação encontram-se perfeitamente integrados na paisagem. O corredor viário principal (EM 245), que corresponde ao limite NE da área de intervenção, apresenta alguns troços marcados por alinhamentos arbóreos com espécies que se distinguem facilmente do olival adjacente pela sua cor e forma, enriquecendo assim a leitura da paisagem. Por sua vez, os corredores de acesso ao cimo da Serra de S. Miguel, em especial os caminhos rurais, encontram-se perfeitamente agarrados à fisiografia do terreno, desenvolvendo-se por entre os olivais e a vegetação existente.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 Imagem 40 I marcação do alinhamento arbóreo na EN245 e caminhos vicinais perfeitamente inseridos na paisagem

Imagem 41 I acesso ao cimo da serra a partir de Sousel Imagem 42 e 43I caminhos rurais de acesso ao cimo da terra

A rede ferroviária é outro corredor, de circulação de pessoas e bens, que marca a paisagem portuguesa desde 1853, altura em que se iniciou a construção da rede nacional, e que mais de meio século depois cobriu todo o país. A aberta da exploração pública do troço entre Estremoz e Sousel na Linha de Portalegre aconteceu em Agosto de 1925, e do troço entre Sousel e Cabeço de Vide em 1937, tendo por isso marcado o século XX do concelho.

Apesar de inativa desde 1989 e portanto esgotada a sua importância económica de social, a linha mantem-se na paisagem, enquanto corredor perfeitamente adoçado ao terreno e sempre acompanhado de suaves inclinações. Pelas suas características poderá ser um elemento que continua a acompanhar a história do território, agora numa vertente de percursos culturais e de recreio.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 Muros de pedra seca

Regista-se a presença de um troço de muro de pedra seca, coincidente com a marcação de limite do concelho se Sousel com o concelho de Estremoz. A sua leitura e conservação encontra-se dificultada pela presença de matos na sua envolvente.

Imagem 45 I muro de pedra seca

Sebes de compartimentação

Verifica-se a presença de troços de sebes com vegetação autóctone, que apesar de não terem expressão em termos de compartimentação da paisagem, dado que são troços soltos que não chegam a constituir um contínuo, são ricos em biodiversidade e contribuem para a leitura da paisagem.

Imagem 46 e 47 I sebe de compartimentação natural

Imagem 48I sebe de compartimentação natural

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5.4.2. Património arquitetónico

No cimo da serra de S. Miguel, em volta de um dos pontos mais altos, existe um conjunto edificado de origem diversa e com muito significado para a cultura das gentes locais. Anualmente, na segunda-feira de páscoa, dia de feriado municipal, existe a tradição da população ir passar o dia a este local. Faz parte da tradição a missa realizada na Igreja de Nossa Senhora do Carmo seguida de momentos de convívio na envolvente e da corrida na praça de touros.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

A Igreja foi construída no século XVIII (1727(?)), mas provavelmente substituiu um templo mais antigo que existia no mesmo local, dada a existência de uma sepultura rasa datada de 1640. É um edifício simples cujo interior, de uma só nave se encontra pintado com frescos. A nave apresenta uma passadeira em mármore, púlpito em ferro forjado, coro alto, capela-mor com teto em rotunda e o altar-mor em alvenaria tem no centro a imagem de Nossa Senhora do Carmo.

Imagem 49 e 50 I Alçado principal e lateral da igreja (respetivamente) Imagem 51 I interior igreja

Praça de Touros Pedro Louceiro

Trata-se de uma das praças mais antigas do país e os vestígios mais antigos sobre a mesma remontam ao ano de 1860(?). No entanto, a população local defende que foi construída em 1727 (?), ano de construção da igreja de Nª Srª do Carmo, localizada a poucos metros da praça e que ainda hoje alberga as bilheteiras da mesma. Normalmente, a praça recebe um espetáculo tauromáquico anual - corrida de touros em honra de Nossa Senhora do Carmo.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 Pousada de S. Miguel

A caça, que remonta aos primórdios da humanidade, passou com o tempo a assumir um papel de atividade recreativa em termos culturais e num passado mais recente a ser encarada como uma atividade económica importante, designadamente na península ibérica.

Nesse contexto, durante a década de 90, Sousel fez uma forte aposta na caça através da ENASEL -Turismo e Cinegética S.A. e da Zona de Caça Turística de São Miguel, no sentido de promover o desenvolvimento rural, atraindo pessoas a este território despovoado e criando oportunidades de emprego. Assim em 1992 foi inaugurada a Pousada de S. Miguel, localizada no cimo da serra, perto do já referido conjunto edificado, com uma ligação e panorâmica espetacular sobre a paisagem.

Na altura foi considerada a primeira unidade hoteleira de turismo cinegético do país e portanto uma oportunidade num novo nicho de mercado. Atualmente em consequência de uma conjuntura, que não importa agora detalhar, o edifício e a sua envolvente encontram-se abandonados e sujeitos a atos de vandalismo.

Imagem 54I Encosta de olival encimada pela Pousada de S. Miguel

Imagem 55 e 56 I Entrada principal da pousada e vista envolvente a partir do terraço

Fornos de Cal

Outro elemento cultural, de cariz arquitetónico industrial, a destacar é a presença de um número significativo dos fornos de cal, ainda que a maioria em já avançado estado de degradação ou mesmo ruína.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015

Apesar de não possuírem características individuais a assinalar, constituem um marco histórico-cultural, devendo ser preservados uma vez considerada a história do lugar. Não se pode esquecer que a indústria de fabrico de cal, hoje desaparecida, foi uma das mais importantes atividades económicas praticadas no Concelho de Sousel. O aparecimento de produtos concorrentes e de custo inferior no mercado ditaram o desaparecimento desta indústria. “A cal pode ser considerada o produto manufaturado mais antigo da humanidade. Produz-se pela calcinação de rochas carbonatadas, sendo o mármore, calcítico e dolomítico utilizado para este fim. O mármore dolomítico, mais refratário, revestia a parte externa do forno, para o interior seguiam-se camadas de mármore claro cuidadosamente dispostas até perfazer a carga do forno. Após a completa combustão obtém-se cal-viva. Ainda hoje este produto é utilizado como pintura, como argamassa para estuques e reboco, onde o uso para a recuperação de edifícios históricos é cada vez mais frequente.” (http://www.rotatonsdemarmore.com)

A importância dos fornos não se esgota no território concelhio, já que cal se tornou num dos símbolos mais significativos da arquitetura popular do sul através do seu casario branco.

Imagem 57, 58 e 59 I Fornos de cal existentes na serra de S. Miguel

5.4.3. Pontos de observação da paisagem

Os pontos de observação da paisagem, inseridos na linha de festo principal, foram marcados tendo em consideração a respetiva bacia visual e o interesse da sua leitura. Desta forma foram definidos 2 pontos, identificados como P1 e P2, sendo o P1 localizado no terraço da pousada de S. Miguel com as coordenadas (38840,41;-81860,96) e o P2 localizado no forno de cal, a sudeste do P1, com as coordenadas (39553,17;-82180,65).

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 Imagem 60 I P1. Ponto de observação da paisagem (Panorâmica Nascente-Sul)

Imagem 61 I P1. Ponto de observação da paisagem (Panorâmica Norte)

Imagem 62 I P2 Ponto de observação da paisagem (Panorâmica Nascente)

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 6. FUNDAMENTAÇÃO DA CLASSIFICAÇÃO

A paisagem da serra de S. Miguel evidencia diversos valores: o valor cultural, muito associado ao uso do solo com a presença do olival; o valor ecológico e natural, que o habitat do olival e dos matos existentes apresentam, enquanto mostruário da flora espontânea, e por último, o valor estético, relacionado com a qualidade cénica desta paisagem.

Hoje, com os novos modelos agrícolas e a possibilidade de criação de olivais intensivos de regadio, que apresentam produções muito maiores, sendo por isso muito mais rentáveis economicamente, o olival tradicional deixou de ser interessante em termos produtivos. A sua importância atual não se prende com a vertente produtiva mas sim com a vertente do património. O olival é pois um paradigma da paisagem cultural que deve ser valorizado, salvaguardando assim a particularidade genuína da sua longevidade e do seu valor estético. A Constituição da República Portuguesa na alínea b) e c) do nº2 do artigo 66º inclui a valorização da paisagem nos objetivos do ordenamento do território e a classificação e proteção de paisagem como um dos meios de garantir a conservação da natureza e a preservação de valores culturais de interesse histórico ou artístico.

A própria Lei de Bases da Política de Ordenamento do Território e Urbanismo inclui na alínea c) do nº3 do artigo 6º a obrigação do ordenamento do território e do urbanismo garantirem a proteção e valorização das paisagens resultantes da atuação humana, caracterizadas pela diversidade, pela harmonia e pelos sistemas socioculturais que suportam.

Neste sentido e consciente de que a paisagem é uma componente essencial do ambiente humano, uma expressão da diversidade do seu património comum cultural e natural e a base da sua identidade, o município de Sousel, cedo, reconheceu o valor da paisagem do olival da Serra de S. Miguel. O Plano Diretor Municipal de Sousel, que data de 1999, identifica o olival da Serra de S. Miguel como espaço cultural e natural a classificar como paisagem protegida, o que é notável já que a primeira geração de PDM´s não considerava muito as questões da paisagem.

De acordo com o artigo 15º do Decreto-Lei nº142/2008 de 24 de Julho, quando os planos municipais de ordenamento do território aplicáveis na área em causa prevejam um regime de proteção compatível, o município pode classificar áreas protegidas de âmbito local. Efetivamente o PDM de Sousel define, no limite Sul do concelho, uma área de aproximadamente 1.891,3ha, como “olival da serra de S. Miguel a classificar como paisagem protegida”.

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Câmara Municipal de Sousel I Divisão de Urbanismo Ambiente Qualidade e Intervenção I fevereiro 2015 Imagem 64 I Enquadramento da Paisagem Protegida Local do Olival da Serra de S. Miguel na Carta de ordenamento do PDM de Sousel

A área que agora se pretende classificar como Paisagem protegida Local do olival da serra de S. Miguel apresenta 518.14ha e insere-se na mancha definida em PDM. Salienta-se, no entanto, que o limite Sul da área agora a classificar apresenta a mesma configuração mas não é coincidente. O perímetro da área segue os limites do olival tradicional, já existente à data da elaboração do PDM, pelo que se considera que é se trata de um desajuste cartográfico fruto dos meios disponíveis à data da elaboração do PDM. Desta forma, seguindo as orientações definidas em sede de PDM, o município pretende classificar parte do Olival da Serra de S. Miguel como área protegida local, com o intuito de garantir a conservação da herança natural e cultural presente nesta paisagem.

De acordo com o nº2 do artigo 19º do mesmo diploma, a classificação de uma paisagem protegida visa a proteção dos valores naturais e culturais existentes, realçando a identidade local, e a adoção de medidas compatíveis com os objetivos da sua classificação. Assim a Paisagem Protegida Local do Olival da Serra de s. Miguel tem como objetivos: a conservação da natureza e da biodiversidade, promovendo a utilização sustentável dos recursos; a valorização do património natural e construído; a promoção das atividades de educação ambiental e de divulgação científica, tomando como pressuposto o equilíbrio entre o homem e o ambiente e a promoção do repouso e do recreio ao ar livre em equilíbrio comos valores salvaguardados.

Referências

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