Datas da visita: 9 e 12 de Novembro de 2007
E
SCOLA
S
ECUNDÁRIA
J
ORGE
P
EIXINHO
A Lei n.º 31/2002, de 20 de Dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a auto-avaliação e para a avaliação externa. Por sua vez, o programa do XVII Governo Constitucional estabeleceu o lançamento de um “programa nacional de avaliação das escolas básicas e secundárias que considere as dimensões fundamentais do seu trabalho”.
Após a realização de uma fase piloto, da responsabilidade de um Grupo de Trabalho (Despacho conjunto n.º 370/2006, de 3 de Maio), a Senhora Ministra da Educação incumbiu a Inspecção-Geral da Educação de acolher e dar continuidade ao processo de avaliação externa das escolas. Neste sentido, apoiando-se no modelo construído e na experiência adquirida durante a fase piloto, a IGE está a desenvolver esta actividade, entretanto consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 81-B/2007, de 31 de Julho.
O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa da Escola Secundária Jorge Peixinho realizada pela equipa de avaliação que visitou esta Unidade de Gestão em 9 e 12 de Novembro de 2007.
Os capítulos do relatório ― caracterização da unidade de gestão, conclusões da avaliação por domínio, avaliação por factor e considerações finais ― decorrem da análise dos documentos fundamentais da Unidade de Gestão, da sua apresentação e da realização de entrevistas em painel.
Espera-se que o processo de avaliação externa fomente a auto-avaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para a escola, constituindo este relatório um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e pontos fracos, bem como oportunidades e constrangimentos, a avaliação externa oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere.
A equipa de avaliação externa congratula-se com a atitude de colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação.
O texto integral deste relatório, bem como um eventual contraditório apresentado pela escola, será oportunamente disponibilizado no sítio internet da IGE (www.ige.min-edu.pt).
E sca la de ava lia ção ut iliza da
N ív eis de cla ssif ica ção do s cinco domínios na U nidade de Gest ão
Muito Bom ― Predominam os pontos fortes, evidenciando uma regulação sistemática, com base em procedimentos explícitos, generalizados e eficazes. Apesar de alguns aspectos menos conseguidos, a organização mobiliza-se para o aperfeiçoamento contínuo e a sua acção tem proporcionado um impacto muito forte na melhoria dos resultados dos alunos.
Bom ― Revela bastantes pontos fortes decorrentes de uma acção intencional e frequente, com base em procedimentos explícitos e eficazes. As actuações positivas são a norma, mas decorrem muitas vezes do empenho e da iniciativa individuais. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto forte na melhoria dos resultados dos alunos.
Suficiente ― Os pontos fortes e os pontos fracos equilibram-se, revelando uma acção com alguns aspectos positivos, mas pouco explícita e sistemática. As acções de aperfeiçoamento são pouco consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da Unidade de Gestão. No entanto, essas acções têm um impacto positivo na melhoria dos resultados dos alunos.
Insuficiente ― Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes. Não demonstra uma prática coerente e não desenvolve suficientes acções positivas e coesas. A capacidade interna de melhoria é reduzida, podendo existir alguns aspectos positivos, mas pouco relevantes para o desempenho global. As acções desenvolvidas têm proporcionado um impacto limitado na melhoria dos resultados dos alunos.
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
II – Caracterização da Unidade de Gestão
A Escola Secundária Jorge Peixinho fica situada na cidade do Montijo, concelho com 8 freguesias e uma população de cerca de 40.000 habitantes. Este concelho situa-se no Norte do distrito de Setúbal e está inserido na zona sul da Área Metropolitana de Lisboa. É um concelho com boa acessibilidade rodoviária, sendo de destacar a Ponte Vasco da Gama, pela sua importância na ligação Norte/Sul e Portugal/Espanha. Em termos económicos, destacam-se empresas ligadas à produção, abate e transformação de carnes e de preparação e transformação de cortiça. A taxa de escolaridade da população é muito baixa. Os últimos dados disponíveis, referentes a 2001, apontam para cerca de 17 % que não frequentou a escola, 54 % possui o Ensino Básico, 19 % completou o Ensino Secundário e apenas cerca de 10 % possui formação de nível superior.
A Escola Secundária Jorge Peixinho, criada como Escola Industrial e Comercial, completa este ano o seu cinquentenário. Situa-se na zona urbana do concelho, na freguesia do Montijo, com boas acessibilidades. As instalações integram o edifício principal, cuja construção foi concluída em 1963 e que sofreu recentemente obras de recuperação, os blocos de oficinas, o ginásio e o refeitório e, ainda, os vários pavilhões pré-fabricados que foram sendo instalados desde 1972, devido ao aumento da população estudantil.
No edifício principal existem 26 salas de aula normais, laboratórios de Física, Química e Biologia/Geologia, salas de Informática, Centro de Recursos (Biblioteca/Sala de Estudo/Mediateca/Ludoteca), Auditório e outras salas específicas, nomeadamente gabinetes de trabalho e sala de reuniões. É, também, no edifício principal que estão instalados os serviços administrativos. Para a prática desportiva existe, ainda, um campo de jogos. Os balneários encontram-se muito degradados. Nos pavilhões pré-fabricados existem salas de aula (normais e específicas), uma arrecadação e o arquivo morto.
Para além do estado de degradação em que se encontram os já referidos pavilhões, os espaços exteriores de recreio são pouco aprazíveis, dado que o piso se encontra em mau estado de conservação.
A maioria da população discente é oriunda de famílias ligadas aos serviços cuja formação académica corresponde, predominantemente, ao Ensino Secundário e ao 3.º Ciclo. Estas características levam a que as expectativas das famílias e dos alunos, quanto ao seu percurso académico, sejam díspares: prosseguimento de estudos de nível superior e integração rápida no mercado de trabalho.
Para dar resposta a esses interesses, diminuir o insucesso e prevenir o abandono escolar, a Escola possui uma oferta educativa diversificada. No Ensino Básico, para além do currículo normal, oferece Cursos de Educação e Formação e Cursos Profissionais e no Ensino Secundário Cursos Científico – Humanísticos e Tecnológicos, Cursos Profissionais e Cursos de Educação e Formação. Quanto ao Ensino Recorrente, a Escola oferece várias opções: unidades/módulos capitalizáveis, Cursos de Educação e Formação de Adultos e Cursos Tecnológicos.
A população discente, no presente ano lectivo, totaliza 1504 alunos. Frequentam o 3.º Ciclo do Ensino Básico (regular) 739 alunos, distribuídos por 32 turmas. Nos Cursos de Educação e Formação estão inscritos 84 alunos, distribuídos por 5 turmas e no Ensino Recorrente existe 1 turma com 7 alunos. Relativamente ao Ensino Secundário (regular) a Escola é frequentada por 393 alunos distribuídos por Cursos Cientifíco-Humanísticos – 379 (16 turmas) e Cursos Tecnológicos – 14 (1 turma). Nos Cursos de Educação e Formação de nível secundário estão inscritos 13 alunos (1turma) e em Cursos Profissionais encontram-se a frequentar a Escola 39 alunos (3 turmas). Frequentam Cursos de Educação e Formação de Adultos 229 alunos.
Beneficiam de auxílios económicos, apenas 57 alunos: Escalão A – 45; Escalão B – 12. Usufruem de apoio educativo especializado, 26 alunos, dos quais 6 têm currículo alternativo, 10 currículo escolar próprio, 2 adaptações curriculares e condições especiais de avaliação e 8 condições especiais de avaliação.
O corpo docente, 174 professores, é considerado estável e experiente: 129 são do Quadro de Escola, 19 do Quadro de Zona Pedagógica e 26 contratados. Cerca de 85% dos docentes tem mais de 10 anos de serviço. O pessoal não docente, 49 funcionários, incluindo pessoal técnico, auxiliar e de administração escolar, constitui um corpo com alguma estabilidade, em que 55 % são do quadro. Mais de 50 % deste pessoal está na faixa etária acima dos 50 anos.
III – Conclusões da avaliação por domínio
1. Resultados Bom
A Escola tem vindo a realizar, desde há alguns anos, o tratamento estatístico e a análise dos resultados académicos dos seus alunos nos diferentes órgãos, nomeadamente no Conselho Pedagógico e nos Departamentos Curriculares. Da análise dos resultados escolares referentes ao ano lectivo 2004/2005, disponibilizados pela Escola, resulta que as taxas de sucesso, tanto no 3.º Ciclo do Ensino Básico como no Ensino Secundário, se situam acima das médias nacionais. A análise dos resultados em exames nacionais do 9.º ano, nos anos lectivos
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
2005/2006 e 2006/2007, mostra uma evolução positiva em Língua Portuguesa, com resultados coincidentes com a média nacional em 2005/2006 e acima da média nacional em 2006/2007, e em Matemática cujos resultados se situam, nos referidos anos, acima da média nacional.
O Regulamento Interno da Escola é dado a conhecer a todos os alunos e encarregados de educação, como forma de tomarem conhecimento dos critérios e regras de funcionamento. Os alunos não têm sido suficientemente envolvidos na discussão do Projecto Educativo de Escola, tal como têm sido pontuais as actividades desencadeadas em conjunto com os alunos, no sentido de serem co-responsabilizados nas decisões que lhes dizem respeito. No entanto, para além da sua participação nos órgãos de gestão onde se encontram representados, tem sido fomentado o seu envolvimento, nomeadamente na equipa de auto-avaliação da Escola. A Formação Cívica e o desenvolvimento dos diferentes clubes e projectos científicos, artísticos e desportivos têm constituído uma das oportunidades de promover nos alunos a solidariedade, o respeito pelos outros e o sentimento de pertença.
Os alunos têm, de um modo geral, um comportamento disciplinado e mostram conhecer as regras de funcionamento da Escola. Contudo, algumas situações problemáticas mostram que não está, ainda, implícito um código de conduta conhecido e assumido por todos que contribua para um ambiente calmo e respeitador. De salientar como positivo o acompanhamento ao nível dos alunos e encarregados de educação, prestado pelo Serviço de Psicologia e Orientação e a atenção dos directores de turma, como contributo para melhorar a disciplina.
A Escola, que tem diversificado e valorizado a oferta educativa, de acordo com as necessidades do meio, as expectativas dos alunos e dos encarregados de educação, tem sido reconhecida como um pólo de excelência no ensino e na preparação profissional dos seus alunos, nomeadamente ao nível dos cursos profissionais ligados às tecnologias.
2. Prestação do serviço educativo Bom As articulações inter e intra departamental são ainda pouco evidentes. Contudo, os professores, nas reuniões das estruturas intermédias que integram, fazem o balanço da concretização do programa e do número de aulas dadas. Os Projectos Curriculares de Turma têm sido trabalhados nas reuniões intercalares, com algumas evidências de planeamento de actividades interdisciplinares, resultantes do empenho e da iniciativa individuais. O acompanhamento e a supervisão da prática lectiva dos professores são feitos, essencialmente, ao nível do planeamento dos conteúdos disciplinares e da definição de critérios de avaliação e critérios de correcção de testes. A adesão ao Plano de Acção para a Matemática surgiu como uma oportunidade de oferecer melhores aprendizagens aos alunos da Escola e contribuir para um mais adequado acompanhamento da prática lectiva. De salientar, que é prática dos professores, em cada disciplina, calibrarem os instrumentos de avaliação e as respectivas classificações, através de matrizes e testes comuns, por vezes realizados em simultâneo, bem como estabelecerem critérios uniformes de correcção de testes que são divulgados junto dos alunos. Os resultados escolares são analisados pelos conselhos de turma, embora se verifique, ainda, pouca articulação com o Conselho Pedagógico, no sentido da produção de recomendações aos departamentos curriculares/grupos disciplinares com a finalidade de ajustar o planeamento às dificuldades de aprendizagem e possíveis lacunas identificadas.
Embora seja feito um levantamento de necessidades de formação ao nível de departamento, a Escola não tem, ainda, Plano de Formação, estando muito dependente da oferta do Centro de Formação da Associação de Escolas. No entanto, é de salientar a realização de algumas acções de formação de curta duração dinamizadas por professores da Escola ou por especialistas convidados pelo Conselho Executivo, com o objectivo de colmatar dificuldades detectadas.
A Escola tem uma grande variedade de oferta de enriquecimento curricular ao nível dos clubes, nomeadamente Clube de Cerâmica, Clube de Karting, Clube Europeu, Clube de Teatro, Clube de Ciência e Clube de Saúde.
3. Organização e gestão escolar Bom Embora, uma parte dos actores escolares já esteja, de algum modo, mobilizada para a concretização dos objectivos definidos no Projecto Educativo de Escola e tenha participado na definição de actividades, não é, ainda, evidente que aquele documento tenha servido de suporte à construção do Plano Anual de Actividades, do Projecto Curricular de Escola e dos Projectos Curriculares de Turma.
Na distribuição do serviço docente são tidas em conta as propostas dos departamentos, baseadas em critérios aprovados em Conselho Pedagógico, que privilegiam a continuidade pedagógica e a equidade na distribuição do serviço. De realçar o bom desempenho da Escola no que respeita ao cargo de Director de Turma que tem sido fundamental na promoção da ligação da Escola com os encarregados de educação.
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
No que respeita ao pessoal auxiliar de acção educativa, a coordenadora do pessoal auxiliar reúne com o Conselho Executivo, tendo em vista a distribuição de tarefas de acordo com o perfil dos funcionários. No entanto, a tarefa de gestão fica afectada, dada a elevada faixa etária a que a grande maioria pertence e que se reflecte na taxa de absentismo. Nos serviços administrativos, a execução das tarefas é assegurada por mais de uma pessoa por sector, a fim de não provocar constrangimentos em consequência de ausências necessárias ou mesmo imprevistas.
A participação dos pais faz-se, essencialmente, em reuniões periodais e no contacto individual com o director de turma. Pontualmente, participam em actividades realizadas na escola. A direcção da Associação de Pais tem dinamizado algumas iniciativas no sentido de envolver mais os encarregados de educação, mas não tem obtido ainda a resposta desejada.
Há um envolvimento com outros parceiros da comunidade educativa, na procura de soluções para os problemas da Escola e também no apoio às suas iniciativas. Neste âmbito, são de salientar os protocolos celebrados com a Escola Profissional do Montijo e com empresas da região para a realização de estágios profissionais.
As evidências recolhidas apontam no sentido de que Escola é gerida segundo critérios de equidade e justiça, diligenciando no sentido de que sejam aplicadas as soluções mais adequadas a cada situação. De referir como muito positivo o trabalho desenvolvido pelo Serviço de Psicologia e Orientação, no sentido da inclusão dos alunos mais problemáticos, tanto a nível disciplinar como académico, nomeadamente com o encaminhamento para os Cursos de Educação e Formação, o que contribui para contrariar o abandono e o insucesso escolares.
4. Liderança Suficiente
O Projecto Educativo em vigor define quatro prioridades de acção, contudo, os órgãos de gestão da Escola não as assumem, ainda, como metas claras e quantificáveis, que permitam o estabelecimento de linhas orientadoras e um plano de intervenção bem definido e ajustado a esta comunidade educativa. As opções da Escola, no que respeita à oferta educativa, visam dar resposta às necessidades sentidas localmente e, neste âmbito, há articulação com a Escola Profissional. O funcionamento de Cursos de Educação e Formação e Cursos Profissionais evidencia a preocupação em assegurar a melhoria dos resultados e o sucesso educativo e permite dar resposta aos alunos com maiores dificuldades de aprendizagem, bem como, prevenir o abandono escolar.
A visão estratégica pouco orientadora e condutora da acção do Conselho Executivo, dificulta a motivação dos outros elementos da comunidade educativa e não fomenta uma estratégia clara de articulação entre os diferentes órgãos. Grande parte dos elementos da comunidade educativa não conhece bem os seus papéis e responsabilidades e, por isso, tem dificuldade em assumir as suas funções, nomeadamente ao nível da coordenação e acompanhamento da actividade dos docentes e da intervenção da Assembleia de Escola.
A Escola estabeleceu parcerias e protocolos com as autarquias locais, com a Escola Profissional e com empresas da região, onde os alunos fazem estágios. Para além destas parcerias há, ainda que pontuais, contactos com o Centro de Saúde, Bombeiros (simulação do plano de prevenção e emergência) e Policia de Segurança Pública (Escola Segura). No entanto, a Escola é, ainda, pouco dinâmica, no sentido de um maior envolvimento com os parceiros sociais de forma a enveredar por áreas de excelência. São desenvolvidos projectos no âmbito do Projecto Ciência Viva (Ecoescolas e Geologia no Verão) e pertence à Rede Nacional de Bibliotecas Escolares. Não desenvolve, no entanto, qualquer projecto de parcerias com outras escolas, nem nacionais nem estrangeiras.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da escola Suficiente
A auto-avaliação, como processo mais estruturado, iniciou-se na Escola no ano lectivo 2005/2006 com a formação de uma equipa constituída por docentes. No final do ano lectivo 2006/2007 foi constituído um grupo mais alargado com representantes da comunidade educativa, que implementou o Common Assessment Framework (CAF) e procedeu ao levantamento de pontos fortes e aspectos a melhorar tendo em conta os critérios do referido modelo.
O fraco envolvimento da comunidade educativa e a não intervenção da Assembleia de Escola na avaliação do Projecto Educativo anterior mostra que a Escola não tem, ainda, desenvolvido um trabalho sistemático de recolha, tratamento e análise de dados, no sentido de devolver a informação à comunidade e apresentar, na sua decorrência, medidas de intervenção que a envolvam para a superação dos seus pontos fracos.
Reconhece-se como positivo, no entanto, o esforço e o empenho que a Escola tem vindo a realizar, nos últimos anos, ao nível da auto-avaliação dos resultados escolares, da qual tem decorrido a implementação de medidas que já permitiram algumas melhorias, nomeadamente na calibração dos critérios internos de avaliação.
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
O trabalho de auto-avaliação realizado e a perspectiva de o aprofundar e alargar, progressivamente, a novos campos de análise podem ser considerados como indicadores da sua sustentabilidade no futuro próximo e conduzir a uma maior autonomia na gestão dos recursos, no planeamento e no serviço à comunidade educativa. IV – Avaliação por factor
1. Resultados
1.1 Sucesso académico A Escola tem vindo a realizar, desde há alguns anos, o tratamento estatístico e a análise dos resultados académicos dos seus alunos. O Conselho Pedagógico, os Departamentos Curriculares e os Conselhos de Turma analisam os resultados trimestrais, as classificações de exame e internas e procedem à respectiva comparação com os valores nacionais, de forma a reflectirem sobre as possíveis estratégias para colmatar as dificuldades. Estas análises têm permitido identificar problemas na aprendizagem dos alunos, nomeadamente nas disciplinas de Língua Portuguesa, Inglês e Matemática quando iniciam o 7.º ano de escolaridade, bem como conceber e propor estratégias de melhoria, ao nível dos conselhos de turma como é exemplo a aplicação de testes diagnóstico. A análise dos resultados escolares referentes ao ano lectivo 2004/2005, disponibilizados pela Escola, mostra que as taxas de sucesso, tanto no 3.º Ciclo do Ensino Básico como no Ensino Secundário, se situam acima das médias nacionais.
Da análise dos resultados disponíveis, no triénio 2004/2007, no 3.º Ciclo do Ensino Básico (taxas de insucesso: 10,06 % - 2004/2005; 19,97 % - 2005/2006; 14,57 % - 2006/2007) e no Ensino Secundário (taxas de insucesso: 10,02 % - 2004/2005; 18,07 % - 2005/2006; 16,67 % - 2006/2007), decorre que as taxas de progresso são flutuantes, o que pode indiciar a existência de factores determinantes dos resultados que a Escola ainda não controla.
Nos anos lectivos 2005/2006 e 2006/2007, os resultados em exames nacionais do 9.º ano, na Língua Portuguesa (2,7 - 2005/2006; 3,4 - 2006/2007), apresentam uma evolução positiva, coincidindo com o valor nacional em 2005/2006 e situando-se ligeiramente acima da média nacional em 2006/2007 (+ 0,2). No que se refere às diferenças entre as médias das classificações internas e as de exame, naquela mesma disciplina e naqueles anos lectivos, os resultados apresentam, também, uma evolução positiva, sendo a média de exame relativamente mais baixa em 2005/2006 (- 0,6) e relativamente mais alta em 2006/2007 (+ 0,2), mostrando que os critérios internos de avaliação poderão estar bem calibrados e oferecer, globalmente, confiança. Relativamente aos valores percentuais dos níveis, neste exame nacional, é de salientar que o nível 4 subiu, de 2005/2006 para 2006/2007, cerca de 32,9 %, tendo em conta que o número de alunos com nível 3 se manteve e que o número de alunos que realizaram exame nestes anos lectivos foi aproximadamente o mesmo.
Na Matemática os resultados em exames nacionais do 9.º ano (2,5 - 2005/2006; 2,3 - 2006/2007) situam-se ligeiramente acima da média nacional, apresentando contudo um pequeno decréscimo. Associada a esta descida ressalta por um lado a diminuição dos valores percentuais dos níveis 4 (- 4,1) e 5 (- 1,3) e, por outro lado, o aumento significativo dos valores percentuais dos níveis 1 (+ 5,1) e 2 (+ 3,1) tendo em conta a variação do valor percentual do nível 3 (- 2,8) e o número de alunos que realizaram exame nestes anos lectivos. Tal poderá significar que a implementação de estratégias de melhoria, decorrentes da análise e reflexão sobre os resultados dos alunos e do Plano de Acção para a Matemática se mostrou útil, mas, ainda, não é suficiente.
Relativamente aos resultados do 12.º ano, no triénio 2004/2007, obtidos em exames nacionais, nomeadamente nas disciplinas de Português, Matemática e História, as médias das classificações obtidas são flutuantes em Português, apresentam uma evolução muito positiva em Matemática e uma descida das classificações em História, situando-se, no ano lectivo 2006/2007, acima da média nacional em Português (+ 0,3) e em Matemática (+ 1,1), mas ainda abaixo da média nacional na disciplina de História (– 0,7). Nestas disciplinas e no referido triénio as médias das classificações internas apresentam ainda desvios acentuados relativamente às médias de exame. No último triénio a taxa de abandono escolar no 3.º Ciclo do Ensino Básico (1,10 % - 2004/2005; 1,05 % - 2005/2006; 0,97 % - 2006/2007), embora relativamente baixa, mantém-se em cerca de 1 % o que denota ser uma questão ainda não totalmente resolvida. A Escola tem contrariado as ameaças de abandono com uma maior articulação entre Conselho de Turma, Director de Turma e Serviço de Psicologia e Orientação na identificação das situações de risco e com a utilização de diferentes estratégias, nomeadamente a implementação dos Cursos de Educação e Formação e Cursos Profissionais, de forma a assegurar que nenhum aluno abandona a Escola sem concluir o Ensino Básico. No Ensino Secundário, a taxa de abandono, no último triénio (5,98 % - 2004/2005; 6,41 % - 2005/2006; 6,00 % - 2006/2007), mantém-se em cerca de 6 %, valor relativamente elevado, sendo no 12.º ano,
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
nos últimos dois anos lectivos, de 6,90 %, o que poderá indiciar alguma dificuldade da Escola em prevenir estas situações de abandono.
1.2 Participação e desenvolvimento cívico
A meta prioritária do Projecto Educativo de Escola 2006/2009 visa a “plena integração social” dos alunos conseguida pela mobilização da comunidade educativa, de forma a, entre outros objectivos, “promover a educação para a cidadania”. O Regulamento Interno da Escola é dado a conhecer a todos os alunos e encarregados de educação, como forma de tomarem conhecimento dos critérios e regras de funcionamento. Contudo, não existe, ainda, um trabalho específico de análise nem deste, nem dos outros documentos orientadores da vida da Escola, nomeadamente o Projecto Educativo, como meio de aprofundar as suas implicações nas práticas diárias, através das estruturas de representação da comunidade educativa.
Com efeito, os alunos não têm sido suficientemente envolvidos na discussão do Projecto Educativo de Escola, têm sido atribuídas poucas responsabilidades à Associação de Estudantes, tal como têm sido pontuais as actividades desencadeadas em conjunto com os alunos, no sentido de serem co-responsabilizados nas decisões que lhes dizem respeito. No entanto, para além da sua participação nos órgãos de gestão onde se encontram representados, tem sido fomentado o envolvimento dos alunos, nomeadamente na equipa de auto-avaliação da Escola.
A Formação Cívica tem constituído uma das oportunidades de trabalhar as prioridades definidas no Projecto Educativo, promovendo nos alunos a solidariedade e o respeito pelos outros. No âmbito do desenvolvimento dos diferentes clubes e projectos científicos, artísticos e desportivos, a Escola promove nos alunos o sentimento de pertença, com algum destaque em concursos e exposições diversas. Porém, não existe uma estratégia interna determinada e auto-regulada por metas claras que com maior sucesso promovam valores, nomeadamente o respeito mútuo, o espírito de solidariedade e a responsabilidade pelo bem estar dos outros, de forma a ultrapassar dificuldades como, por exemplo, os conflitos mais frequentes no 7.º ano de escolaridade e nos Cursos de Educação e Formação.
Embora não esteja, ainda, instituído um quadro de valor e excelência criado pela própria Escola, têm sido distinguidos os alunos com os melhores resultados académicos e de intervenção cívica.
1.3 Comportamento e disciplina
Os alunos têm, de um modo geral, um comportamento disciplinado e mostram conhecer as regras de funcionamento da Escola. Contudo, as situações problemáticas, nomeadamente no 7.º ano de escolaridade e nos Cursos de Educação e Formação mostram que não está, ainda, implícito um código de conduta conhecido e assumido por todos que contribua para um ambiente calmo e respeitador.
Os comportamentos pouco adequados em sala de aula, tal como a dificuldade em manter os espaços escolares limpos e aprazíveis e as situações de danos materiais causados voluntariamente por alunos têm contribuído para um clima menos propício à aprendizagem.
De acordo com os dados disponibilizados pela Escola no triénio 2004/2007, e considerando o tipo de sanções aplicadas, que indiciam o nível de gravidade dos actos de indisciplina, é preocupante o agravamento da situação que se observa nos últimos dois anos lectivos. Efectivamente, no conjunto de outras penas aplicadas, no ano lectivo 2004/2005, 11 alunos (1 do 8.º ano e 10 dos Cursos de Educação e Formação) foram punidos com pena de suspensão, representando um total acumulado de 19 dias e 1 aluno dos Cursos de Educação e Formação foi transferido da Escola. No ano lectivo 2005/2006 o número de alunos que foram punidos com pena de suspensão subiu para 23 (7 do Ensino Básico, 2 do Ensino Secundário e 14 dos Cursos de Educação e Formação), acumulando um total de 46 dias. No ano lectivo 2006/2007, 17 alunos (1 do 11.º ano e 16 dos Cursos de Educação e Formação) foram punidos com pena de suspensão representando um total acumulado de 43 dias.
Apesar da atenção prestada às questões da indisciplina e às deficientes competências sociais de um grande número alunos, a Escola ainda não conseguiu adoptar uma estratégia que promova eficazmente a inserção daqueles jovens na cultura e no clima de escola para diminuir aquelas situações, que abrangendo uma percentagem reduzida de jovens, causam alguma perturbação.
De salientar como positivo o acompanhamento ao nível dos alunos e encarregados de educação, prestado pelo Serviço de Psicologia e Orientação e a atenção dos directores de turma a esta problemática, nomeadamente, ao utilizarem a área curricular não disciplinar da Formação Cívica para desenvolver as competências sociais dos alunos, como contributo para melhorar a disciplina.
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
1.4 Valorização e impacto das aprendizagens O impacto das aprendizagens é muito valorizado tanto pelos alunos como pelos encarregados de educação, verificando-se que é dada grande importância às actividades desenvolvidas e às aprendizagens. Estas têm sido elementos privilegiados nas práticas da organização. A Escola tem assegurado respostas às diferentes expectativas dos alunos, quer se orientem para a prossecução de estudos ou para o ingresso na vida activa, após a realização de estágio. Assim, tem diversificado e valorizado a oferta educativa, tendo em conta as necessidades do meio, as expectativas dos alunos e dos encarregados de educação, estabelecendo uma forte articulação com a Escola Profissional do Montijo.
A Escola tem sido reconhecida como um pólo de excelência no ensino e na preparação profissional dos seus alunos, sendo algumas vezes apresentada como Escola de referência, nomeadamente ao nível dos cursos profissionais ligados às tecnologias (mecânica, electrónica, electrotécnica e informática) e escolhida para a implementação dos Cursos de Educação e Formação de Adultos de nível secundário.
De salientar, como manifestação do impacto na comunidade local, o funcionamento na Escola dos cursos pós – laborais de um Agrupamento de Escolas do concelho e um Curso de Educação e Formação de Adultos de 3.º Ciclo, no Estabelecimento Prisional.
Outrossim, é manifesto o prestígio que a Escola goza no meio em que se insere, por exemplo, na facilidade em encontrar estágios profissionais para os seus alunos nas empresas sedeadas no Montijo.
Apesar da preocupação com a qualidade das aprendizagens e de serem distinguidos os alunos com os melhores resultados escolares e de intervenção cívica, a Escola não tem, ainda, um discurso centrado na excelência e tem dado pouca atenção à valorização do sucesso individual, constatando-se a inexistência de quadros de valor e excelência.
2. Prestação do serviço educativo
2.1 Articulação e sequencialidade
O Projecto Curricular de Escola ao reflectir, apenas, o currículo nacional mostra, por um lado a ausência de linhas orientadoras emanadas do Conselho Pedagógico e por outro, pouca articulação inter e intra departamental. Efectivamente, nas reuniões das estruturas intermédias que integram, os professores limitam-se a fazer o balanço da concretização do programa e do número de aulas dadas, havendo pouca articulação e partilha entre os departamentos. É, por isso, pouco evidente uma acção concertada e sistemática de acompanhamento e supervisão da prática lectiva dos professores.
O acompanhamento, ao nível da turma, é feito, predominantemente, nas reuniões de Conselho de Turma tanto intercalares como de final de período.
No 3.º Ciclo, os conteúdos das diferentes disciplinas são estabelecidos por ano de escolaridade não havendo, ainda, uma concepção de currículo por ciclo, ao contrário do estipulado nas orientações do Currículo Nacional. São raras as evidências na definição de linhas orientadoras que promovam a articulação e sequencialidade entre os vários ciclos e níveis de ensino. No entanto, a qualidade das aprendizagens é garantida pelo critério de continuidade pedagógica. Nas áreas curriculares não disciplinares, não há um plano de acção comum mas apenas contributos dos diferentes professores da turma.
Na transição entre ciclos, o Serviço de Psicologia e Orientação desenvolve com algum sucesso actividades de orientação vocacional com os alunos do 9.º ano e alguns do Ensino Secundário.
2.2 Acompanhamento da prática lectiva em sala de aula
O acompanhamento e supervisão da prática lectiva dos professores têm sido feitos, predominantemente, com o planeamento ao nível dos conteúdos disciplinares e a definição de critérios de avaliação e critérios de correcção de testes.
Os professores, em cada disciplina, calibram os instrumentos de avaliação e as respectivas classificações, através de matrizes e testes comuns, por vezes realizados em simultâneo. Tal como são estabelecidos critérios uniformes de correcção de testes que são divulgados junto dos alunos.
Os resultados escolares são analisados pelos conselhos de turma, embora se verifique, ainda, pouca articulação com o Conselho Pedagógico, no sentido da produção de recomendações aos departamentos curriculares/grupos disciplinares com a finalidade de ajustar o planeamento às dificuldades de aprendizagem e possíveis lacunas identificadas.
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
Embora seja feito um levantamento de necessidades ao nível de departamento, a Escola não tem, ainda, Plano de Formação, estando muito dependente da oferta do Centro de Formação da Associação de Escolas. As necessidades individuais e de cada departamento/grupo disciplinar, nomeadamente ao nível das didácticas das disciplinas, não têm sido uma prioridade. De salientar a realização de algumas acções de formação de curta duração dinamizadas por professores da Escola ou por especialistas convidados pelo Conselho Executivo (nas áreas da Informática, do Plano Curricular de Turma e da Terminologia Linguística para os Ensinos Básico e Secundário). As acções de Informática têm sido orientadas para dar resposta à informatização dos diferentes serviços e órgãos da Escola e à utilização da plataforma moodle, como instrumento de trabalho cooperativo e de comunicação na comunidade educativa.
A adesão ao Plano de Acção para a Matemática contribuiu para um mais adequado acompanhamento da prática lectiva.
2.3 Diferenciação e apoios Para dar resposta aos 26 alunos com necessidades educativas especiais a Escola dispõe de uma docente de Educação Especial e de 2 psicólogas que prestam, também, apoio na escola profissional e na outra escola secundária do concelho. Os alunos com necessidades educativas especiais, na maior parte dos casos, vêm já identificados do 2.º Ciclo do Ensino Básico, sendo depois o seu processo analisado ao longo dos vários períodos lectivos em conselho de turma, em estreita articulação com a docente de Educação Especial e o Serviço de Psicologia e Orientação, de modo a reavaliar a situação. Este processo de trabalho tem levado à alteração de algumas medidas antes tomadas.
As necessidades educativas de cada aluno são também despistadas pelo director de turma e professores da turma, não só por meio das indicações das escolas de origem e do Serviço de Psicologia e Orientação, mas também com recurso a testes diagnóstico. Apesar do trabalho desenvolvido o sucesso destes alunos, no último triénio, tem vindo a diminuir (Taxa de sucesso: 2004/2005 – 88 %; 2005/2006 – 71 %; 2006/2007 – 70 %).
A Escola dá resposta aos alunos com dificuldades de aprendizagem recorrendo a aulas de apoio, sala de estudo e a diferentes projectos. O número de apoios pedagógicos aumentou muito nos últimos três anos lectivos, contudo as taxas de sucesso mostram uma diminuição da sua eficácia, o que pode indiciar pouca adequação dos planos de recuperação dos alunos (Taxa de sucesso: 2004/2005 – 78,07 %; 2005/2006 – 41,09 %; 2006/2007 – 52,48 %). 2.4 Abrangência do currículo e valorização dos saberes e da aprendizagem Os Projectos Curriculares de Turma têm sido trabalhados nas reuniões intercalares, existindo algumas evidências do planeamento de actividades interdisciplinares. A concepção da Área de Projecto, tanto no 3.º Ciclo como no Ensino Secundário, como um espaço pedagógico criado para aumentar a eficácia da abrangência curricular, é, ainda, pouco evidente. No entanto, no seu desenvolvimento ao nível dos Projectos Curriculares de Turma surgem algumas actividades interdisciplinares resultantes do empenho e da iniciativa individuais.
A prática activa e experimental está mais presente nos Cursos de Educação e Formação, nos Cursos Profissionais e nos Cursos Tecnológicos, não sendo, ainda, uma linha orientadora da acção pedagógica da Escola.
A Escola tem uma grande variedade de oferta de enriquecimento curricular ao nível dos clubes, nomeadamente Clube de Karting, Clube Europeu, Clube de Ciência e Clube de Saúde e demonstra alguma atenção à dimensão artística com os Clubes de Cerâmica e de Teatro.
3. Organização e gestão escolar
3.1 Concepção, planeamento e desenvolvimento da actividade
O Projecto Educativo de Escola foi elaborado por um grupo de docentes tendo a comunidade educativa sido auscultada com aplicação de questionários. Aprovado para o triénio 2006-2009, estabelece finalidades e define estratégias que têm como objectivo: “mobilizar a comunidade educativa para a melhoria da formação e educação dos discentes, através de uma maior participação na acção educativa e abertura da escola ao meio, visando a plena integração social”.
Embora, uma parte dos actores escolares já esteja, de algum modo, mobilizada para a concretização deste objectivo e tenha participado na definição de actividades, não é, ainda, evidente que o Projecto Educativo de Escola seja o documento orientador da construção do Plano Anual de Actividades, do Projecto Curricular de Escola e dos Projectos Curriculares de Turma. Por outro lado, a não hierarquização e calendarização das etapas a transpor, para a concretização dos objectivos definidos, dificulta a avaliação do referido Projecto Educativo.
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
O Projecto Curricular de Escola define os princípios que orientam o funcionamento da Escola, mas não contém orientações específicas e práticas para a operacionalização dos Projectos Curriculares de Turma. Aquele projecto é, também, omisso no que se refere à gestão das áreas curriculares disciplinares e não disciplinares e das actividades de enriquecimento curricular, nomeadamente no que respeita à sua articulação e sequencialização. Efectivamente, a Área de Projecto é desenvolvida com base num conjunto de temas definidos pela docente responsável por esta área. O Estudo Acompanhado é leccionado por dois docentes, um de Português e outro de Matemática, serve de reforço a esta disciplina, no âmbito do Plano de Acção para a Matemática.
3.2 Gestão dos recursos humanos Na distribuição do serviço docente são tidas em conta as propostas dos departamentos, baseadas em critérios aprovados em Conselho Pedagógico, que privilegiam a continuidade pedagógica e a equidade na distribuição do serviço. No que respeita à atribuição de cargos, nomeadamente a atribuição de direcções de turma, não existe um perfil definido. No entanto, é de realçar o bom desempenho da Escola a este nível, mantendo-se o director de turma, sempre que possível, ao longo do mesmo ciclo de estudos. O desempenho desta função tem sido fundamental no promover da ligação da Escola com os encarregados de educação, disponibilizando-se o director de turma para o contacto com as famílias para além dos tempos atribuídos no seu horário.
Os Departamentos têm um papel relevante na integração de professores colocados pela primeira vez na Escola, com trabalho em conjunto e cedência de materiais. Os documentos de referência da vida da Escola encontram-se disponíveis no sítio da Escola o que contribui para a integração daqueles docentes.
A identificação das acções de formação não tem por base um processo organizado das necessidades individuais do desempenho profissional. No entanto, a Escola realiza, pontualmente, formação interna, nomeadamente no âmbito da informática (para pessoal docente e não docente), da elaboração do Projecto Curricular de Turma e da utilização de calculadoras gráficas.
No que respeita ao pessoal auxiliar de acção educativa, a tarefa de gestão fica afectada, dada a elevada faixa etária a que a grande maioria pertence e que se reflecte na taxa de absentismo. A coordenadora do pessoal auxiliar reúne com o Conselho Executivo, tendo em vista a distribuição de tarefas de acordo com o perfil dos funcionários. Nos serviços administrativos, a execução das tarefas é assegurada por mais de uma pessoa por sector, a fim de não provocar constrangimentos em consequência de ausências necessárias ou mesmo imprevistas.
3.3 Gestão dos recursos materiais e financeiros
Os espaços escolares são totalmente distintos quanto às condições para o desenvolvimento das actividades lectivas: o edifício principal sofreu recentemente obras de beneficiação, os pavilhões apresentam-se em condições muito precárias. As obras previstas não foram realizadas na íntegra pelo que a rede de água e esgotos, o ginásio e balneários, o refeitório e os espaços de recreio não se encontram em boas condições.
Assim, a escola tem duas faces distintas: uma aprazível e bem cuidada e outra muito degradada. A falta de condições dos pavilhões e dos espaços exteriores foram aspectos apontados por todos os entrevistados. A generalidade dos alunos preocupa-se pouco com a limpeza e embelezamento dos espaços, havendo mesmo algumas situações de danos materiais causados voluntariamente por estes.
Os laboratórios de Física, Química, Biologia/Geologia encontram-se razoavelmente equipados. A Escola dispõe, também de um Centro de Recursos com Biblioteca (integrada na Rede Nacional de Bibliotecas Escolares) e Sala de Estudo, onde os alunos são acompanhados por docentes que os apoiam nas suas actividades. Para a prática desportiva existem dois ginásios, um grande e um pequeno, e um campo de jogos. No entanto, estes espaços são insuficientes, tendo em conta o número de alunos.
A Escola dispõe de uma rampa exterior de acesso ao edifício e de instalações sanitárias adequadas ao acesso de pessoas com mobilidade condicionada. As turmas que se encontram no edifício principal e que integram alunos com problemas motores funcionam em salas do piso inferior, uma vez que não existe elevador.
Os órgãos de gestão têm vindo a apetrechar a Escola com equipamentos informáticos que respondam às diferentes necessidades.
É obtida resposta para as necessidades financeiras com o Orçamento do Estado, Orçamento de Despesas com Compensação em Receita (receitas do bar, papelaria e reprografia) bem como através da cedência de espaços, nomeadamente a instituições desportivas e de formação. As opções orçamentais são definidas pelo Conselho Executivo, consultado o Conselho Pedagógico, depois de ouvidos os Departamentos. A Assembleia de Escola cumpre as suas atribuições relativamente à definição das linhas orientadoras do Orçamento e aprovação das contas de Gerência.
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
3.4 Participação dos pais e outros elementos da comunidade educativa
A ligação dos pais à Escola faz-se, fundamentalmente, através dos directores de turma que demonstram grande disponibilidade com atendimento presencial, por telefone ou por correio electrónico. Nas reuniões com os encarregados de educação, os directores de turma dão a conhecer o Regulamento Interno, bem como o teor de outros documentos que enformam a vida da escola. O acesso dos pais à informação, em particular sobre os seus educandos, é também possível pela página da Escola na Internet e utilização do cartão magnético.
A participação dos pais faz-se, essencialmente, em reuniões periodais e no contacto individual com o director de turma. Pontualmente, participam em actividades realizadas na escola.
Há um envolvimento com outros parceiros da comunidade educativa, na procura de soluções para os problemas da escola e também no apoio às suas iniciativas, nomeadamente com a Junta de Freguesia, Câmara Municipal, Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, Bombeiros Voluntários e Polícia de Segurança Pública (Escola Segura). Neste âmbito, são de salientar os protocolos celebrados com a Escola Profissional do Montijo e com empresas da região para a realização de estágios profissionais.
3.5 Equidade e justiça
As evidências recolhidas apontam no sentido de que Escola é gerida segundo critérios de equidade e justiça, diligenciando no sentido de que sejam aplicadas as soluções mais adequadas a cada situação. O cumprimento dos critérios estabelecidos, e que são do conhecimento dos interessados, relativamente a constituição de turmas, elaboração de horários e distribuição de serviço docente, garantem a transparência das actuações. Neste âmbito, os alunos são tratados e avaliados com transparência e justiça, de acordo com regras que são do seu conhecimento.
Os alunos estrangeiros, em número reduzido, são bem acolhidos e integrados pela Escola com recurso a apoio pedagógico acrescido, nomeadamente a Língua Portuguesa.
De referir como muito positivo o trabalho desenvolvido pelo Serviço de Psicologia e Orientação, no sentido da inclusão dos alunos mais problemáticos, tanto a nível disciplinar como académico, nomeadamente com o encaminhamento para os Cursos de Educação e Formação, o que contribui para contrariar o abandono e o insucesso escolares.
4. Liderança
4.1 Visão e estratégia
O Projecto Educativo em vigor define quatro prioridades de acção, contudo, os órgãos de gestão da escola não as assumem, ainda, como metas claras e quantificáveis, que permitam o estabelecimento de linhas orientadoras e um plano de intervenção bem definido e ajustado a esta comunidade educativa. O trabalho articulado com a equipa de auto-avaliação que a partir de agora, com a implementação dos planos de melhoria e sua avaliação, ao tornar-se prática organizada e sistemática, poderá permitir ultrapassar esta situação, de modo a que os resultados que procuram alcançar possam ser observados e avaliados por toda a comunidade educativa.
A oferta educativa é desenhada de acordo com as necessidades sentidas localmente e, nesse sentido, a Escola articula-se com a Escola Profissional. As soluções encontradas para dar resposta aos alunos com maiores dificuldades de aprendizagem (Cursos de Educação e Formação) evidenciam a preocupação em assegurar a melhoria dos resultados e o sucesso educativo dos alunos.
A Escola tem na comunidade uma boa imagem e é referência na cidade, embora comece, de algum modo, a perder identidade. Os docentes sentem-se bem na Escola e a sua experiência e estabilidade dão credibilidade à mesma. 4.2 Motivação e empenho
Um número significativo de elementos da comunidade educativa não conhece bem os seus papéis e responsabilidades e, por isso, tem dificuldade em assumir as suas funções, nomeadamente ao nível da coordenação e acompanhamento da actividade dos docentes e da intervenção da Assembleia de Escola. O Conselho Executivo, ao ter uma visão estratégica pouco orientadora e condutora da sua acção, torna mais difícil motivar os outros e fomentar uma estratégia clara de articulação entre os diferentes órgãos.
O empenho dos professores, embora elevado, centra-se predominantemente na componente lectiva devido à ausência de linhas orientadoras claras.
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
Os problemas levantados pelo absentismo que se verificam, com maior incidência, ao nível do pessoal auxiliar de acção educativa não são ainda convenientemente monitorizados, o que dificulta a implementação de uma política activa para a sua diminuição.
4.3 Abertura à inovação
A Escola, aberta à inovação, tem respondido a novos desafios e propostas que lhe surgem, nomeadamente informatização de serviços, protocolo com a Universidade de Évora no âmbito das ciências experimentais e avaliação externa. Tem havido uma aposta na melhoria dos mecanismos de informação (correio electrónico e plataforma moodle) que, ainda, não estão suficientemente divulgados junto dos seus potenciais utilizadores. Merece destaque a atenção prestada ao ensino dos Cursos de Educação e Formação e Cursos Profissionais como resposta à diminuição do abandono escolar.
Apesar de serem procuradas novas oportunidades para enveredar por áreas de excelência, a Escola é, ainda, pouco dinâmica, no que se refere a um maior envolvimento com os parceiros sociais, nomeadamente no desenvolvimento de projectos comuns e na promoção da comunicação externa.
4.4 Parcerias, protocolos e projectos
A Escola estabeleceu parcerias e protocolos com as autarquias locais (Câmara Municipal e Junta de Freguesia) que têm fornecido transporte para visitas de estudo, realização de estágios, manutenção dos laboratórios, obras no centro de recursos e auditório e apoio ao grupo de teatro, com empresas da região, onde os alunos fazem estágios, e com a Escola Profissional (planeamento, cedência de espaços). Para além destas parcerias há, ainda alguns contactos com o Centro de Saúde, Bombeiros (simulação do plano de prevenção e emergência) e Policia de Segurança Pública (Escola Segura).
A Escola desenvolve projectos no âmbito do Projecto Ciência Viva (Ecoescolas e Geologia no Verão) e pertence à Rede Nacional de Bibliotecas Escolares. Para além da articulação com a Escola Profissional, não desenvolve, no entanto, qualquer projecto de parcerias com outras escolas, nem nacionais nem estrangeiras.
5. Capacidade de auto-regulação e melhoria da escola
5.1 Auto-avaliação
A auto-avaliação, como processo mais estruturado, iniciou-se na Escola no ano lectivo 2005/2006 com a formação de uma equipa constituída por docentes. Esta equipa, de Fevereiro a Junho de 2006, aplicou questionários a todos os elementos da comunidade educativa tendo o tratamento dos respectivos dados sido ultimado em Maio de 2007. No final do ano lectivo 2006/2007 foi constituído um grupo mais alargado com representantes dos alunos, do pessoal docente e não docente e dos pais/encarregados de educação, que implementou o Common Assessment Framework (CAF) e procedeu ao levantamento de pontos fortes e aspectos a melhorar tendo em conta os critérios do referido modelo.
A auto-avaliação, desenvolvida no âmbito da construção do Projecto Educativo vigente, denotou um fraco envolvimento da comunidade educativa e a não intervenção da Assembleia de Escola na avaliação do Projecto Educativo anterior. A Escola não tem, ainda, desenvolvido um trabalho sistemático de recolha de dados quantitativos e qualitativos, tratamento e análise desses dados, no sentido de devolver a informação à comunidade e apresentar, na sua decorrência, medidas de intervenção que a envolvam para a superação de pontos fracos da Escola.
Reconhece-se como positivo, no entanto, o esforço e o empenho que a Escola tem vindo a realizar, nos últimos anos, ao nível da auto-avaliação dos resultados escolares, nomeadamente o tratamento estatístico e a análise dos resultados académicos dos seus alunos. Efectivamente, os resultados trimestrais são analisados em Conselho de Turma, enquanto o Conselho Pedagógico e os Departamentos Curriculares procedem à reflexão dos mesmos, da qual tem decorrido a implementação de algumas medidas, nomeadamente matrizes e critérios para correcção e elaboração de testes e a aplicação de testes diagnóstico ao 7.º ano de escolaridade.
5.2 Sustentabilidade do progresso
O processo de auto-avaliação desenvolvido a partir do ano lectivo 2006/2007 já produziu informação útil gerada pela equipa no âmbito do Common Assessment Framework (CAF) e com o trabalho de tratamento e interpretação
Escola Secundária Jorge Peixinho, Montijo
de dados dos questionários dirigidos ao pessoal docente e não docente, aos alunos e aos encarregados de educação para conhecer os seus pontos de vista sobre a qualidade do serviço prestado.
A análise reflexiva dos resultados escolares dos alunos tem conduzido à implementação de medidas que já permitiram algumas melhorias, nomeadamente na calibração dos critérios internos de avaliação.
O trabalho de auto-avaliação realizado e a perspectiva de o aprofundar e alargar, progressivamente, a novos campos de análise podem ser considerados como indicadores da sua sustentabilidade no futuro próximo.
A reflexão sobre os pontos fortes e fracos da Escola e a implementação dos planos de acção de melhoria propostos podem ser um passo importante na vida da organização escolar e conduzir a uma maior autonomia na gestão dos recursos, no planeamento e no serviço à comunidade educativa.
O Conselho Executivo e as diferentes estruturas de gestão entendem que essa autonomia serve para afectar de forma mais adequada os recursos humanos, nomeadamente ao nível da contratação de docentes tendo em conta a diversidade da oferta educativa.
V – Considerações finais
Apresenta-se agora uma síntese dos atributos da Unidade de Gestão (pontos fortes e pontos fracos) e das condições de desenvolvimento da sua actividade (oportunidades e constrangimentos) que poderá orientar a sua estratégia de melhoria.
Neste âmbito, entende-se por ponto forte: atributo da organização que ajuda a alcançar os seus objectivos; ponto fraco: atributo da organização que prejudica o cumprimento dos seus objectivos; oportunidade: condição externa à organização que poderá ajudar a alcançar os seus objectivos; constrangimento: condição externa à organização que poderá prejudicar o cumprimento dos seus objectivos.
Todos os tópicos seguidamente identificados foram objecto de uma abordagem mais detalhada ao longo deste relatório.
Pontos fortes
resultados académicos e capacidade de resposta às expectativas dos alunos e das famílias; estabilidade e experiência do corpo docente;
oferta educativa diversificada e valorizada;
articulação e trabalho desenvolvido pelo Serviço de Psicologia e Orientação e Educação Especial; trabalho desenvolvido pelos directores de turma junto dos pais e encarregados de educação. Pontos fracos
índices elevados de indisciplina, nomeadamente nos Cursos de Educação e Formação; inexistência de plano de formação como factor de desenvolvimento da organização educativa;
falta de articulação e de trabalho cooperativo entre professores que permitam um melhor desempenho profissional;
menor atenção prestada ao desenvolvimento das componentes prática e experimental em contexto do desenvolvimento do currículo;
fraca intervenção da Assembleia de Escola no desenvolvimento das suas competências;
ausência de uma estratégia de promoção da comunicação interna e externa para maiores níveis de participação dos diferentes actores da comunidade educativa.
Oportunidades
capacidade de articulação com as empresas da região;
reforçar a cooperação e a articulação com a Escola Profissional do Montijo. Constrangimentos
deficiente estado de conservação das estruturas gimnodesportivas, dos pavilhões exteriores e dos espaços de recreio;