Planejamento Estratégico
Situacional
Aula MPGAV
Paulo Fernando Cavalcanti Filho Junho 2015
Textos utilizados
O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO SITUACIONAL NO NÍVEL LOCAL: um
instrumento a favor da visão multissetorial (Elizabeth Artmann)
Resumo
O objetivo deste artigo é fundamentar a necessidade de se utilizar um enfoque estratégico de planejamento que permita apreender
a complexidade dos processos sociais e que, ao mesmo tempo,
forneça ferramentas operacionais para a construção de projetos e planos de ação para o enfrentamento de problemas estratégicos
que resultem num impacto positivo na qualidade de vida da população.
Estes planos de ação devem estar apoiados numa análise
ampla, multissetorial e interdisciplinar
que articule as distintas dimensões da realidade e
devem envolver os diferentes atores, desde os níveis governamentais até a comunidade organizada
Planejamento Tradicional
a) o futuro é projetado a partir de um diagnóstico do passado:
o plano assume implicitamente que a trajetória passada se repetirá no futuro, com poucas mudanças.
b) o objeto do plano é estático:
pressupõe-se que quem elabora o plano tem todos os poderes para atuar sobre o objeto do plano, o qual é considerado passivo.
c) há uma separação entre a equipe de planejamento e a de execução:
no momento da ação, o plano acaba sendo esquecido ou abandonado porque não oferece orientações seguras ou fica desatualizado logo no início da ação e o dirigente passa para as inevitáveis improvisações.
Tipos de Problemas para o Planejamento
Bem-estruturados:
respondem a leis ou regras claras, invariáveis e/ou comportamentos previamente conhecidos e cujas soluções podem ser normatizadas.
Podem ser tratados por modelos determinísticos de análise, pois se conhecem todas as variáveis intervenientes e suas formas de articulação.
Mal-estruturados:
situações problemáticas de incerteza nas quais não se pode enumerar todas as variáveis envolvidas
O Planejamento Estratégico Situacional - PES
Possui um enfoque a partir de problemas, capaz de proporcionar, através do conceito de explicação situacional, um olhar abrangente, de caráter totalizante e rigoroso que
fundamenta a ação do ator, considerando a visão e a capacidade de ação de outros atores relevantes, que devem, sempre que possível, ser envolvidos no enfrentamento dos problemas. Destacam-se questões como:
a análise e construção de viabilidade do plano,
a flexibilidade do plano frente a mudanças do cenário e
a noção de planejamento como estreitamente vinculada à ação, aos resultados e impactos reais. Consideramos o PES um enfoque complexo mas adaptável para o nível local
O enfoque do PES (Matus, 1993, 1994a, 1994b)surge no âmbito mais geral do planejamento econômico-social e vem sendo crescentemente adaptado e utilizado em áreas como
saúde, educação e planejamento urbano.
Reconhece a complexidade, a fragmentação e a incerteza que caracterizam os processos sociais
Estes processos
se assemelham a um sistema de final aberto e probabilístico,
os problemas se apresentam, em sua maioria, não estruturados e o poder se encontra compartido
A Trilogia do Planejamento Situacional
PES
Nível Federal/Global => PBM, PNE
Alta Complexidade => território nacional, múltiplos atores políticos, inúmeros problemas e situações
ZOPP (sigla em alemão para Planejamento por Projetos Orientado por Objetivos) Escala Intermediária/estadual/Institucional => PDI da UFPB, UFCG, IFPB
Média Complexidade
MAPP (Método Altadir de Planejamento Popular)
Escala local/comunitária => planejamento departamental, setorial Baixa Complexidade
O que é Planejamento para o PES?
Cálculo que precede e preside a ação. Incorpora aspectos de gerência, aspectos organizacionais e
a ênfase no momento tático-operacional, ou seja, no planejamento da conjuntura e na avaliação e atualização constante do plano.
O que é o PES
um método de planejamento por problemas desenhado para aqueles mal estruturados e complexos, para os quais não existe solução normativa ou previamente conhecida como no caso daqueles bem estrutrados.
Os problemas são abordados
em suas múltiplas dimensões - política, econômica, social, cultural, etc. e em sua multissetorialidade – causas estão dispersas em diferentes setores Sua solução depende de recursos extra-setoriais
espaço do problema
espaço de governabilidade do ator plano de intervenção em dois níveis:
o plano de ação que abrange as causas dos problemas situadas dentro do espaço de governabilidade do ator
plano de demandas que aborda as variáveis sob o controle de outros atores.
O que são um Problema e o Ator?
Um problema suscita à ação: é uma realidade insatisfatória superável que permite um intercâmbio favorável com outra realidade.
Um problema nunca é “solucionado” definitivamente, mas uma intervenção eficaz na realidade deve produzir um intercâmbio positivo de problemas.
O Ator e sua Governabilidade
O ator deve preencher três critérios que correspondem ao atributo da Governabilidade:
Ter base organizativa, ou seja, possui base de apoio politico tal que a correlação de
forças é favorável
Ter um projeto definido, de tal forma que saiba que transformações deseja promover
Controlar variáveis importantes para a situação, o que implica ter a propriedade ou o controle significativo sobre os recursos/ativos/acumulações estratégicos para viabilizar o plano
Zonas de Governabilidade
I – Espaço de Governabilidade
Onde se controla os fluxos (atos e fatos), os estoques (recursos humanos, materiais, financeiros, cognitivos, políticos, etc.) e as regras institucionalizadas (conselhos superiores, pró-reitorias, coordenações, setores, regimentos, legislação, etc.)
II – Espaço Fora da Governabilidade
Fluxos, Estoques e Regras fora do controle do Ator, mas sob controle de outros atores relevantes
III – Espaço Fora do Jogo
Fluxos, estoques e regras fora do alcance de todos os jogadores, mas que impactam o espaço do jogo
Quem pode ser ator?
Um reitor, a direção de um sindicato, a coordenação de graduação ou pós, mas também a liderança de um grupo politico pode se constituir como tal.
Também pode haver subatores, como o reitor, um diretor do sindicato, o vice-coordenador
Quem responde pelo plano não é a organização, mas sim seus dirigentes: Não é o Governo Federal é o/a Presidente
Legitimidade, Operacionalidade e Legalidade
O grau de democratização do processo confere o nível de legitimidade
organizacional
PNDR II x PND II x PBM
O grau de governabilidade do ator-principal confere o nível de operacionalidade
Temer x Dilma II X Geisel x Dilma I
O grau de institucionalização do processo confere o nível de legalidade
O Ator-Principal e
a Responsabilidade Política pelo Plano
Quem responde politicamente pelo plano não é o grupo/órgão responsável por sua elaboração,
mas sim a autoridade de quem constituiu o grupo/órgão: não é a PROPLAN e sim o/a reitor/a (seja como autoridade máxima da reitoria ou do consuni/consepe)
É importante ter claro que o ator que assina o plano é aquele que possui Governabilidade.
Deve controlar pelo menos algumas variáveis relevantes na situação e, além do ator-eixo ou ator principal (como o reitor), os outros atores que controlem recursos ou variáveis importantes devem ser considerados.
Características dos Problemas Mal-Estruturados
Dependem do contexto maior onde se insere a situação do problema, do cenário
constituído por uma série de circunstâncias não controladas que nele interferem, possuindo elevado grau de incerteza ontológica;
Multidimensionais, perdendo nitidez objetiva, apesar do rigor na formulação, pois superpõe técnica e âmbito sócio-político;
mobilizam vários atores, leituras e propostas de intervenção, divergentes ou diferentes, configurando uma área não necessariamente consensual a priori, criando graus de
Características dos Problemas Mal-Estruturados
Não redutíveis a compartimentação e isolamento, pois são organicamente gerados e
articulados sistemicamente e seu enfrentamento depende de uma abordagem multissetorial.
As fronteiras entre os problemas são difusas e a solução de um problema pode criar dificuldades à solução de outros;
Supõem um enfoque de enfrentamento caracterizado pelo julgamento e ação
Problemas Intermediários e Finais
Os problemas finais referem-se à missão institucional
São aqueles vividos pela população que justifica a existência da organização. A especificação dos problemas finais dependerá do escopo e escala da missão institucional;
Ex.1: Promover o desenvolvimento sócio-econômico do território paraibano (missão) requer
projetos pedagógicos capazes de formar profissionais qualificados, nos cursos de graduação e pós, para atuar sobre questões deste estado e adequada formação acadêmica do corpo docente
para E-P-E direcionados aos temas paraibanos; (problemas);
EX.2:.Realizar ensino, pesquisa e extensão de qualidade (missão) requer reduzir a evasão e retenção, doutorar o corpo docente e promover interação com a sociedade (problemas);
Problemas Intermediários e Finais
Os intermediários são aqueles problemas-meio que não se relacionam diretamente ao
produto final
Seu enfrentamento é necessário para viabilizar a missão das organizações e dele depende também a qualidade dos produtos finais.
Ex.1: insuficiente número de salas de aula; baixa eficiência na execução de recursos orçamentários; insuficiente qualificação no uso das TICs pelos docentes e técnico-administrativos da organização; precarização das instalações de trabalho;
Problemas Atuais e Potenciais
Atuais são aqueles que impactam no período corrente, sejam finais ou intermediários, de natureza técnica, política, social, econômica, cultural, etc.
Dada a presença da incerteza em problemas mal-estruturados, a identificação de quais são os problemas atuais é específica a cada ator que integra o processo de planejamento.
Potenciais são aqueles que é possível formar expectativas futuras de que irão ou poderão vir a ocorrer, se mantidas as tendencias atuais dos processos endógenos ou exógenos à
instituição/território do planejamento
A incerteza possui grau mais acentuado na identificação dos problemas potenciais.
A Explicação da Situação
• Cada ator é ativo na medida em que analisa a realidade, os problemas, utilizando algum modelo teórico de interpretação dinâmica da causalidade dos fenômenos observáveis e observados para fundamentar sua ação.
• os Modelos são “óculos” que filtram o que os olhos podem ver
• A depender dos valores (filosóficos, éticos, politicos, culturais, etc.), interesses e pressupostos
teórico-metodológicos, parcelas da “realidade” não são percebidas ou o são de forma parcial • Sua perspectiva é policêntrica, pois parte de quem está dentro da situação (autorreferencial),
Equação de Determinação dos Lucros
P = I + (X – M) + (G – T)
P = lucro I = Investimento X = Exportações M = Importações G = Gastos do Governo T = Impostos Se o governo corta seus gastos e eleva os impostos, os lucros caem
Se os lucros caem, as empresas demitem e reduzem salários
Com maior desemprego e menor poder de compra, os lucros caem novamente e há falências
Com menores lucros e menores salários, com falências e desemprego, as receitas do governo caem e os gastos aumentam
A Explicação da Situação
A situação, enquanto um recorte problemático feito em função de um projeto de ação,
está constituída
pelo ator-eixo da explicação situacional
por outros atores
pelas suas ações
pelas estruturas econômicas, políticas, ideológicas e culturais que condicionam os atores e suas ações (multidimensional e totalizante).
Exige uma visão interdisciplinar e multissetorial e deve adaptar-se ao plano setorial sem abandonar as outras dimensões e espaços de explicação.
A Teoria da Produção Social: os “óculos”
• É método de leitura da realidade que a explica através de três níveis:
• o nível dos fatos propriamente ditos ou fenoprodução (fatos de qualquer natureza) => Fluxos
• o nível das acumulações ou fenoestruturas (capacidades de produção de novos fatos) => Estoques
• o nível das regras ou leis básicas que regulam uma formação social => Leis de Movimento entre Estoques e Fluxos
• Os diferentes processos e fenômenos da realidade articulam-se dinamicamente, tanto no interior de cada um desses níveis, como entre eles, havendo uma maior determinação do último - as regras - sobre os demais.
As Formas de Ação
• Há duas Formas de Ação, aplicáveis a distintos tipos de problemas:
• Forma de ação não interativa, instrumental ou comportamental - própria do planejamento normativo e aplicável aos problemas Bem Estruturados
• Supõe a operação automática e mecânica das hierarquias e das estruturas organizacionais
• Professor ensina, contador executa orçamento, secretária gerencia agendas, etc.
• Diretores de centro, coordenadores de curso, chefes de departamento seguindo os comandos do plano
• Forma de ação interativa, referida ao espaço social e político, que fundamenta a necessidade do cálculo interativo ou raciocínio estratégico, a qual se aplica aos problemas Mal Estruturados.
• professores muitas vezes não querem ensinar ou não se importam com o resultado desta atividade, contadores podem resistir a novos métodos de organização do orçamento por discordarem ou não entenderem o propósito, secretárias podem inviabilizar a modernização tecnológica do ambiente de trabalho ou discordar da organização administrativa
O Método dos Momentos do PES
Explicativo Normativo Estratégico
Momento Explicativo
Seleção dos Problemas Relevantes para o Ator
Sem empoderar-se como Ator, os seus problemas não entrarão no espaço da situação
Critérios de seleção são múltiplos:
valor do problema para o ator principal, para outros atores e para a população;
Aqui entra a discussão sobre o papel da democracia, o caráter do Estado e sua disputa e captura por grupos de interesse e o papel da sociedade civil organizada como “terceiro pólo” de poder.
custo econômico das soluções;
custo político do enfrentamento ou postergação do problema;
Análise dos Problemas: O Papel dos Descritores
Os descritores quantitativos ou qualitativos devem ser necessários e suficientes para expressar o problema, caracterizá-lo pelos seus “sintomas”, sem confundi-lo com outros ou com suas
próprias causas e consequências.
A verificação deste critério de suficiência pode ser feita a partir da resposta afirmativa à pergunta: "eliminadas as cargas negativas expressas pelos descritores, fica eliminado o problema?" Caso contrário, é necessário rever os descritores.
É importante assinalar a fonte de verificação do descritor ou seja, a procedência da informação, para avaliar sua confiabilidade.
A descrição, quando bem feita resultará nos indicadores que serão utilizados para avaliar os impactos do plano.
Nem sempre é possível usar somente descritores quantitativos. Às vezes é preciso contar apenas com descritores qualitativos.
O Fluxograma Situacional
Lista os argumentos que podem ser explicações para os descritores
Classifica os argumentos e constrói as relações causais entre as Regras, Acumulações e Fluxos e identifica seus impactos sobre os descritores
Regra => Acumulação => Fluxo => Descritores => Problema
Identifica em que Zonas os argumentos estão situados no Espaço do problema:
governabilidade do ator, fora de sua governabilidade (controle por outros atores) e fora do jogo dos atores
Fluxograma Situacional
Permite identificar:
as relações de determinação entre as causas e entre as causas e o problema tal como descrito sob a forma de indicadores (descritores);
as causas de maior poder de determinação;
o grau de governabilidade sobre as causas, correspondendo aquelas situadas no espaço de
governabilidade às causas controladas pelo ator do plano;
as causas localizadas no espaço-fronteira que se referem às causas diretamente relacionadas com o problema, controladas por outros atores, e as causas situadas no espaço fora do
problema as quais se relacionam a causas que condicionam o problema mas não fazem parte dele diretamente, sendo causas também de outros problemas
Fluxograma Situacional
Os Nós Críticos do Problema
A partir de uma análise técnica e política, permite identificar os nós críticos
Atores tem a capacidade de afetar as causas e não as consequências
É percebido como capaz de provocar alto impacto sobre os descritores
É viável do ponto de vista técnico e politicamente oportuno
Se o nó crítico estiver fora do espaço de governabilidade dos atores, mas for considerado indispensável para a solução do problema (está no espaço do problema), surge a
necessidade da ação estratégica para mobilizar os atores que estão fora do jogo e trazê-los para o espaço da governabilidade
Árvore do Problema: Os Nós Críticos e
os Descritores da Situação-Problema
Momento Normativo
Momento de desenhar o plano de intervenção
definir a situação objetivo ou situação futura desejada e as operações/ações concretas que visam resultados, tomando como referência os nós críticos selecionados.
A situação-objetivo
a nova situação a ser atingida (o “devir”) através do Plano de Operações.
Transformando-se os descritores do problema (Vetor de Descrição dos Problemas- VDP) em indicadores desejados de resultado, constrói-se o Vetor de Descrição de Resultados (VDR)
O VDR
corresponde aos resultados finais a serem atingidos pelo plano como um todo
aos resultados intermediários ao vetor de descrição dos nós críticos modificados a serem alcançados através de cada operação/ações.
Operações: propostas de intervenção
Para cada nó-crítico deverão ser elaboradas uma ou mais operações que correspondem às
propostas de intervenção sobre o mesmo.
As operações constituem meios de intervenção ou conjuntos de ações que empregam vários
tipos de recursos:
organizativos, políticos, econômicos, cognitivos, etc.,
As operações devem gerar produtos (eficácia) e resultados (efetividade) em quantidade e
qualidade (eficiência).
Os produtos podem referir-se a bens e serviços produzidos, a fatos políticos, a conhecimentos gerados ou transferidos, a normas, leis ou regulações criadas, a organizações, sistemas, obras realizadas, etc.
Geralmente, em cada operação predomina um tipo de produto (revela a eficácia).
Os resultados correspondem ao impacto produzido sobre os descritores do problema (mede a efetividade).
Operações, suas ações, produtos e resultados
As operações são desagregadas em ações, que expressem com maior precisão o seu
conteúdo.
Para elaborar as ações o grupo deverá tomar como referência os descritores do
nó-critico.
Cada operação (OP1, OP2, OP3, ..., OPn) desagregada em ações (a1, a2, a3, ..., an) , deve ter
seus produtos (p1, p2, p3, ...pn) e resultados determinados (r1, r2, r3, ..., rn)
os responsáveis pelas ações (A1, A2, A3, ...An)
os recursos a serem empregados (R1, R2, R3, ..., Rn) e
Cenários, Plano de Ação,
Plano de Demandas
Os cenários são construídos
a partir de variáveis fora do espaço de governabilidade do ator-principal, de grande impacto sobre os resultados do plano e com algum grau razoável de possibilidade de ocorrência, que justifique sua inclusão
Combinando-se os resultados tendenciais das diferentes variáveis
Mudanças nos resultados tendenciais geram diferentes cenários
Monta-se um conjunto de cenários e avalia-se o mais provável para constituir a Situação-Objetivo para a qual o plano de ações será construído
Demais cenários servirão para se identificar Vetores de Descrição de Resultados alternativos
Resultados acima ou abaixo do objetivo, independente da competência do Ator e da qualidade do Plano
Ex: Cenários: Inpeachment e Temer governa até 2018; Inpeachment e eleições gerais em 2017; Dilma e eleições gerais em 2017; Dilma até 2018
Surpresas e Plano de Contingências
As Surpresas dizem respeito a eventos de baixa probabilidade, mas alto Impacto sobre o VDR
É preciso listar o conjunto de surpresas predizíveis, apesar de imprevisíveis
Diferenciam-se dos Cenários alternativos, por não decorrerem do desenrolar tendencial
dos processos, mesmo que com baixa probabilidade
Exemplo: Orçamento voltar aos níveis pré-2015 é cenário alternativo otimista de baixa
probabilidade; orçamento superar os níveis anteriores seria uma surpresa.
Ex 2: Inpeachment de Dilma e Temer e Cunha presidente indireto até 2018.
Quando a probabilidade da Surpresa é elevada (para uma surpresa!), exige-se a criação de
um Plano de Contingências
Pelo impacto na disponibilidade de recursos econômicos, políticos ou cognitivos Ex: Como agir, se um REUNI II for lançado no final de 2016?
O Momento Estratégico
Análise de viabilidade do plano nas suas várias dimensões: política, econômica, cognitiva, organizativa.
Aprofunda-se a pré-análise do momento normativo, através da técnica de simulação em dois
níveis
a) análise da motivação dos atores frente às operações do plano (seu interesse e importância).
O interesse é marcado com os sinais: a favor (+); contra (-) e indiferente (0);
A importância pode ser Alta (A), Média (M) ou Baixa (B).
Atores contrários ao plano e que atribuem alta importância irão mobilizar seus recursos para inviabilizá-lo
Atores contrários, mas com baixo interesse, não irão empreender muita resistência.
Atores favoráveis, mas com baixo interesse, precisarão ser mobilizados estrategicamente para cooperar de forma efetiva.
O Momento Estratégico
b) da análise do grau de controle dos recursos necessários à implementação das operações e
ações por parte do conjunto de atores que os apoiam e do bloco que os rejeita.
Aplicada às operações de conflito, identificadas através do sinal (-). Basta que haja um único sinal negativo, ou seja, um único ator contrário, mas que controle algum recurso crítico, para que a operação seja considerada de conflito.
Definição da viabilidade fica em suspenso e vai depender da análise da relação de forças, ou seja, da força política de quem as apoia versus a força de quem se coloca contrário à sua realização e das estratégias desenvolvidas.
O Momento Estratégico
O estudo da correlação de forças compara o grau de controle dos recursos de poder
envolvidos especificamente em cada uma das operações, fazendo a distinção entre
recursos de decisão: controle do poder político-institucional
recursos de materialização:
controle da propriedade
organização e gerenciamento do trabalho
acesso e controle das funções econômicas
Conhecimento sobre os processos
Este controle é alterado pelo acúmulo de estoques resultante da própria operacionalização do plano (fluxos), logo, requer permanente reavaliação
Matriz de Motivações e Matrizes de Recursos
As operações/ações e seus atores compõem uma matriz em que as motivações dos mesmos
são avaliadas, para identificar se haverá cooperação ou conflito
As operações/ações e os recursos necessários compõem uma matriz de necessidades, de tal
forma a dimensionar a escala e o escopo da mobilização de meios para viabilizar o plano
Os atores e os recursos que estão sob sua governabilidade compõem uma matriz de controle
dos recursos (Vetor de Pesos), informando o poder que cada Ator possui no jogo e o grau de dependência (demandas) que o ator-principal precisará negociar.
O que está no seu espaço de governabilidade comporá seu Plano de Ações
Conflitos, Operações Inviáveis e
as Estratégias de Viabilidade
São Inviáveis as Operações
Quando outros Atores controlam, com peso significativo, recursos necessários à viabilidade do Plano de Demandas
Quando estes Atores são contrários às Operações: Conflito
Estratégias de Viabilidade devem ser desenhadas para superar o Conflito e Viabilizar o Plano
Específicas
Jogadas de Consenso
Operações Tático-Processuais
Construção de operações modulares (adaptáveis a diferentes cenários)
Estratégias Específicas
a) Imposição é o uso da autoridade em relação ao outro ator; pode ser utilizada quando o ator eixo encontra-se em situação hierárquica superior ao ator contrário.
b) Persuasão compreende uma ação de convencimento, de sedução em relação ao outro
ator na busca de seu apoio e adesão, sem que para isto o ator eixo tenha que fazer qualquer concessão em relação ao seu projeto.
c) Negociação cooperativa implica na negociação onde existem interesses distintos, quando
ambos os lados deverão estar predispostos a fazer concessões, sendo que o resultado deverá trazer ganhos positivos para os participantes
d) Negociação conflitiva implica na negociação onde existem interesses opostos e o resultado
sempre trará perda para um ator e ganho para outro.
O momento tático-operacional:
a gestão do plano
A Teoria das Macroorganizações e os três eixos da Gestão
1) A Agenda do Dirigente: Lista os problemas estratégicos e questões importantes e delega os demais, considerados extensivos.
2) Sistema de Petição de Prestação de Contas: em cada instituição local, em cada Departamento deve-se prestar contas regularmente do andamento das operações que compõem o plano. Estabelece-deve-se a função de solicitar e identificam-se as pessoas concretamente responsáveis pelas operações e cada uma das ações do plano (definidas no Momento Normativo)
3) Sistema de Gerência por Operações: deve constituir-se em um sistema recursivo, até os níveis mais operacionais (ações, subações) guiado pelo critério de eficácia sobre o VDP.
Sistema de Monitoramento e Avaliação
Função é suprir as demandas de informação dos outros sistemas e avaliar o
desenvolvimento do plano tanto em relação aos seus resultados finais quanto aos seus processos intermediários.
Deve-se aplicar mecanismo de seleção da variedade de informações, para que o ator
Sistema de Monitoramento e Avaliação
As variáveis a serem monitoradas, segundo o PES, são:
- os descritores do problema;
- os descritores dos nós-críticos;
- a implementação das operações considerando recursos e produtos e o tempo;
- os processos relacionados à aprovação e implementação das operações como aprovação de ações, alocações de recursos, designação de responsabilidades, etc;
- o comportamento das variantes (cenários) e a possibilidade de surpresas;
- a evolução estratégica do plano através de verificação dos resultados das estratégias implementas e a necessidade de modificações.
Exemplo macroeconômico Problema: Fraco desempenho macroeconômico
D.1 PIB estagnou D.2 Inflação elevada e crescente
D.3 Ameaça de perda do grau de investimento Argumentos:
A.1A Receita caiu em termos reais (fluxo)
A.2 Os Gastos cresceram em termos reais (fluxo) A.3 As contas públicas estão em deficit (fluxo)
A.4 O Governo Federal cria muitas políticas sociais (acumulação) A.5 O s.m. está crescendo rápido demais (fluxo)
A.6 A dívida bruta do governo é elevada (acumulação)
A.7 A Petrobrás está endividada (acumulação)
A.8 O pré-sal exige investimentos excessivos da Petrobrás (regra) A.9 Os subsídios ao BNDES são elevados (Acumulação)
A.10 O Tesouro empresta recursos ao BNDES (regra) A.11 A desoneração tributária reduziu as receitas (regra) A.12 O Banco Central é subordinado ao governo (regra) A. 13 Os juros estão baixos (acumulação)
A.13 Os bancos públicos expandiram demais (fluxo)
A.13 O crédito expandiu-se demasiadamente (acumulação) A.14 As famílias estão endividadas (fluxo)
D.1 PIB estagnou
D.2 A desigualdade parou de diminuir
D.3 Ameaça de desindustrialização
Argumentos:
A.1Aindústria nacional não é competitiva (fluxo)
A.2 Os Gastos com juros são muito elevados (acumulação)
A.3 As contas públicas estão em deficit (fluxo)
A.4 Gasto insuficiente do Governo com educação e saúde
(acumulação)
A.5 O superávit primário constrange os gastos sociais (regra)
A.6 Os empresários investiram pouco (fluxo)
A.7 A Educação, a saúde eo transporte são ruins (fluxos)
A.8 O pré-sal exige investimentos da Petrobrás (regra)
A.9 Os subsídios ao BNDES são insuficientes (Acumulação)
A.10 O Tesouro empresta recursos ao BNDES (regra)
A.11 A desoneração tributária reduziu as receitas (regra)
A.12 O crédito ainda é pequeno pra o PIB crescer (fluxo)
A. 13 Os juros estão elevados (regra)
A.14 As famílias estão endividadas (acumulação)