Vitor
Manuel
Teixeira
Manacas
MUSEU
NACIONAL
DE ARTE
ANTIGA
UMA
LEITURA
DA SUA
HISTO'RIA
191 1-1962
1 VOl.UMK
UNIVERSIDADE
NOVA
DE
LISBOA
Vjtor
Manuel Toixeira
Manai^i**.
MUSEU NACIONAL
DE ARTE
ANTIGA
UMA
LEITURA DA
SUA
HISTÔRIA
1911-1962
VOLUME
Disscnajio
tlc Mesnrulo
cinliisuma ./.. Arn
aprescmatlo
.'/
Faculdadc
tlc
Ciciuias Sociais
t
llttinaikis tla Universuhulc Nova tlc Usboa.
/) ^oi
UNIVKRSIDADK
NOVA Dh I.ISBOA
IWI
A
mcinôha
de Lucinda Tavares
eAntônio
Mtmacas
Ml'SHl' N.UK.SAl. I)C ARTÍ. ANTIC.A
l.MA II.IHK\ DA SIA HISTORIA
[ii i i'«>:
INDICK
Agradecin.entos
Introducâo1
Da
Galeria
Nacional de Pintura ao MuscuNacioiial
de Bcllas-Artcs eArcheologia
t
Do Museu Naeional de Bellas-Artes e
Areheologia
ao Muscu Nacional de ArteAntiga
3
Museu Nacional de Arte
Antiga
3.1 Josc deFigueiredo
1911-1937 3.2 João ('outo1938-1962
4l.eitura Crílica
Conelusão
NolasCronologia
do Museu Nacional de ArfeAnliga
Cronologia
deExposicôes
Temporarias
Instuuicôev Obras e Factos
("ronologia
dos MuseusPortugueses
Cronologia Comparada
Cronologia
dos MuseusEstrangeiros
Bibliogralia
dc José deFigueiredo
Bibliogralia
sobrc José deFigueiredo
Bibliogralla
de João CoutoBibliografia
GeralAbrc-mturav
ACRADFCIMFNTOS
Ao
Professor
Douior José-Atií>uslo
Franca.
adisponibilidude
que
manifestou
<i<>ticeifar
orientar
estenossotrabalho
c oapoio
que
meconceileii
sempre que
soliciiado.
Ao
Arquiiecio
José Sonuner Ribeiro.
pelo
apoio
eesiimulo
que
nosdispcnsou.
nâo
sô para
esteirabalho.
coino noperciirso
que
aclc condu/ui.
Ao
Dr. José
Krohn da
Silva,
que
permitiu
ainavelmente
aconsulta <io
espâlio
dc
sculio. Dr.
José de Fi\>uciredo
assini
conioá Dra.
Maria Luisa
Fonscca
Figueiredo
que
tambêin
faculiou
parte desse
espálio.
A Dra.
Maria
Alice
Beauniont,
pelas
facilidades
que que
nosconcedeu
noacessoii
documcniacâo dos
arquivos
do Museu
Nucionai
de
Arte
Anti,i>a,
cnqiianto
suadireciora
epelo
seutesteinunho
pcssoal
noretratoque
tracouda
fĩgura
do
Dr.
João
Couio:
â
Dra.
Ana
Maria Brandão
aopermitir
dar
continuidade
ãs
pes-quis<is
depois
de assumir
adireccão do Museu:
aoDr. José
Luis
Porfirio. pela
forma
comosempre
se nosdisponibilizou.
assim
como aosDr\.
Maria
Helena
Fitlalt>o
eAlberio Seabra
pela
atent;ão
quc
deram
ao nossoirabalho
e atodos
osfuncionários
do Museu Nticional de
Arle
Anligu,
qitc
de
umaforma
oude
oitirti nosajudaram.
Ao
Pĩnlor
Abel de
Moura,
Pinlora Madalena
Cabral
eDra. Maria Tcrcsa
Go-mcs
Fcrrcira,
pelos
testemunhos
pcssoais
sobre
aobra
e apcrsonalidade
do
Dr. João
Couto.
A<>
Pintor Cru:
de
Carvalho.
pcla
amtível cedéncĩa de documentacão rclaiiva
<ios scuscsiudos
para
arenovacão
do MXAA.
M-.'SEL VUTONAI. 1)1. ARTE ANTIGA l-MA LLITl.'KA l)A Sl A HISTORIA
I9II l'K'...
«Ce
soniloujours
la
conservation
etla
réunion
d'un
trésor
précieia
qui
constituent
la
raison
de
I
'édification
du musée
et cesbâtiments
doivent
ctrc concusdans
le
même
esprit
que
les
bibliotheques
(...),
qui
peuvent
étre
considérées
pour
unepart
comme untrésor
public,
conuneI
'entrepôt
le
plus précieux
des
connaissances
humaines.
pour
l'autre
comme untemple
consacré
auxétudes».
(Durand,
1803)
<<Les
musées
sontles
bibliotheques
parlantes
des
écoles
de dessin».
(Philippe
Chenncvieres.
1N9.-S)«Bibliothtque,
le
musée l'est
nonseulement dans
savisée stricte
cie
rcpertoire
des connaissances,
mais
eneoredans
safonction de
livre
oũ
selit
unehistoire. histoire
d'un
déroulement
continu
sansIractu-rc entrc
passé
etprésent».
Ml.SI.1 NACIONAI. 1)1- AR't'f. ANTKiA IMA I.HITl.RA DA SUA IIISTOKIA
INTRODUCAO
O Museu Nueional de
Arte
Antiga
foi.
cntre191
1
emeados
dos
anos50,
areferência portugucsa
do
que
cmmuseologia
scla/.ia
noestrangeiro.
A
lei
de 28 dc
Maio
de 1911,
que cria
oMuseu
Nacional
de
Arte
Contemporânca
transforma
oMuseu Nacional de Bellas-Artes
eArcheo-logia
cmMuseu
Nacional
de Arie
Antigu.
A nomcaeão dc
José
de
Figueircdo
para
scudirector constilui
momentode
ruptura
importantc
nahist(')tia
do Museu
cponto
de
partida
de
umacvolu>viio
que
se conti-nuou comJoão Couto.
Não
podemos
deixar
dc
considerar, contudo,
antcsda
inauguragão
do
Museu Nacional de Bellas-Aries
eArcheologia.
outrosdois
impor-tantes momentosquc
poderemos
chamar
de
formacão:
oda
lundacão
da
Galeria Nacionul
de
Pintura.
cm1836,
noantigo
Convcnto dc São
Francisco da
Cidade
e oda
suaabcrtura
apúblico
em1
868 gracas
aosMtiSI-ll NACIONAl. DE ARIT ANTIGA UMA II.ITUKA D.A SUA HISIOKIA
i9ii-i%:
Dcfínimos
três
períodos
nopereurso
do
MNAA
entre1884
e1962:
o
primeiro
inicia-se
eom ainauguracão
do então chamado Museu
Nu-cĩonal
de Bellas-Artes
eArcheologia
noPalácio dos Condes de Alvor,
em
1884.
osegundo.
em191 1
, com anomcaeão
de
Josc de
Figueiredo
para
seudirector
e oterceiro.
em1938.
com oinício
da
direccão
de
João
Couto
e aconstrucão
do
anexopoente.
sob
projecto
do
arquitecto
Guilhermc Rcbello de Andrade.
São
cstcstrês
períodos
os momentosdc
ruptura
que consideramos
no nossotrabalho.
No
primciro,
embora
não
se encontrem,propostas
que
definam
umaconcepeão
de
museuque
scsintonizasse
com asque
já
cntão
comeca-vamasurgir
naEuropa.
rcprcscnta.
porém,
nocontextoportuguês,
avan-coimportantc.
namedida
cmque
o seu acervopassa do
antigo
Convento
de
São Francisco para
edifício
prôprio.
que tinha
recebido obras de
be-nefĩciacão
para
ainstalacão
da
Expos'nxũo
de
Arte
Ornamental
Poriu-guesu
eFspanhola
de 1882.
O
segundo
momentoverifica-se
quando
José de
Figueiredo pela
primeira
ve/ sepreocupa
com aorganizacão
das
eoleceôes
segundo
cri-tcrios
então
seguidos
emalguns
museuseuropeus, constituindo
as suasobras de
arranjo
eorgani/aeão museologica
avango
signiflcativo
que
colocou
oMNAA
apar
de muitos
museusda
Europa.
E.
por
outrola-do,
nesteperíodo
que
sedellne
alocalizacão defínitiva
do
Museu
coma
aprovacão
dos
projcctos
de
Guilherme Rebello de
Andrade
para
o ane.xopoentc
epara
aremodelacão
eampliac'ão
do Palácio dos
Condes
de Alvor.
MUSI-.li NACIONAI. DE AR'I'I* ANTICJA UM.A IF.IT.JRA DA SLA HISTORIA
1911-1%:
torná-lo
numCentro de Estudos de
Arte
emque
afuncão
pedagôgica
fosse
umdos
seusimportantes
campos de accão.
O conceito de
museulinha evoluído desdc
fínais
do
século
XIX
até â
primcira
Guerra Mundial «que constituiu
oprimeiro
tempo
de
hibernaeão
ede
destruicão
de
museus».'0
período
entre asduas
guer-rasrepresentou
otcmpo
emque
foram
reequacionados
osproblemas
museolôgieos,
tendo sido nelc
que
seconstituiu
oOffue
Intemational
des
Musces.
scpublicou,
entre1926
c1935.
arevista Mouseion
e oEnquêie
lni<
rnutional
surla
Réforme
des
Galeries
Publiques dirigido
por
George
Wildenstein
e serealizaram
muitas
conferências
econgres-sos.
A
Conlerência de Madrid
de
1934 constituiu
o momentode
retlc-xão
ecrílica dc
importantes
propostas
museolôgicas
emuseográfĩcas
que,
emgrande
parte.
já
não
cram asdc Jctsc
de
Figueiredo
masforam
asde
João Couto.
A
participacão
e ocontributo de
outrasáreas
profissionais,
para
além da
museologia.
naelaboracão
do
projecto
de
um muscufoi
umadas
razôes quc
noslevou
a umaleitura
da
historia do
MNAA
entre1911
e1962,
por
ele constituir
areferência
museolôgica
mais
signíFicativa,
não
sô
pela
suaprôpria
evolucão,
comopela
conlribuicão
dos
seus di-rectores.José
de
Figueiredo
eJoão Couto,
nodesenvolvimento da
mu-seologia
portuguesa. contribuicão
essaque,
noprimeiro
secaracterizou
pela
formaeão
de
museusrcgionais
e, noscgundo, pela
profissionali-/acão
da aetividade de conscrvador.
Esta mcursão
nopassado
do MNAA levou-nos
â
confirmacão
de
uma
ideia que há
muito tempo
nosacompanha
— ade
que
ainterdisci-plinaridade
é
hoje.
comoprovavelmente
teria sido
ontem, umdos
fac-toresmais
importantes
para
umbom
resullado,
neste caso.dc
umprojeeto museolôgico.
cons-MLSi-.L \\(TU\-\I !)! \H II: .-W'TICĩ\
lMV IIII I k \ l>\ Sl \ IIISIOKU !>lli !>)(>.'
trucão
do
anexopoente
eã
ampliaeão
do
Palácio dos
Condes
de Alvor,
foram resuhantes
da
falta de
diálogo
cntreconservador
earquitecto.
Neste
m.ssotrabalho. não
podemos
deixar
de
reflectir
eopinar
so-brc
matérias que.
não
sendo
exactamenteda
nossaárea
seapresentam
itĸlispensáveis
para
aconsecuvão
de
umjuíz.o
crítico.
o nossojuí/o
crí-lico. sobre
o assuntodeste
trabalho
-- anuiseologia.
E
nccessário,
nestemomento,
definir
dois conceitos
— ode
mu-scologia
c ode
museografia
—que alé
mcados deste século
c,por
ve-zes.
ainda
hoje.
cramutilizados
indiscriminadamente.
Assim.
amuseologia
será
segundo
umadcfinieão
de
1981
«umaciêneia
aplicada.
aciência
do
muscu.Estuda
a suahistôria
e o seupa-pcl
nasocicdade.
asformas
cspecíficas
de
investigaeão
eeonservaeão
física.
dc
aprcsentacão,
de
animacão
cde
difusão.
da
organizacão
edo
funcionamento.
da
arquitcctura
nova oumusealizada,
ossítios
acolhi-dos
ouescolhidos.
atipologia,
adcontologia».:
A
museogrujia.
tam-béni
cmdefinicão de
1981,
seiã
«umcorpo
de técnicas
cdc
práticas,
aplieadas
ao muscu».'Estas definicôes.
contudo.
cstão
longc
de
esclarecer
opapel
de
cada
umadestas
diseiplinas
o.que lcvou
Mcrcedes
Garberi.
museôlo-ga
edireetora
das
Coleccôes Comunais
de
Arte
de Milão
cAntônio
Piva.
arquitecto.
museiigralo
eprofcssor
naFaculdadc
de
Arquiteeiura
de Milão
aallrmar:
«amuseologia
e amuseografia
eonlundem-sc
em lantos
dos
seusaspcetos
edividem-se
em tantospontos
que
podcmos
cm cxlremoconsiderá-los
eomo uma so e a mesmadis-ciplina».'
Esta
afirmacão
de
Mereedes
Garberi
eAntônio Piva eonduz-nos.
de
certamaneira.
aaplicacâo
indiscriminada que
scla/ia destes
dois
termos. eom uma
diferenca
fundamental:
ade que
osintervcnicntes
nâo
sâo
s<) os■eonservadorcs**
massim
uniniícieo de
espeeialistas
que
MlSll NACIONAL. 1)1: AR'IT ANTIGA IA1A I I ITl'R.A DA Sl A HISTORIA
iyi ;- iwc
Não
cneontramos nasposicôes
de João Couto
c.muito
menos. nasde Josc
de
Figueiredo
umaopinião
tendente
ã
aceitacão.
do
contributo
do
arquitccto
naorganizacão
dos
espaeos
museolôgicos,
incluindo
mes-mo asinlervencôes
que
normalmcntc
Ihe são
atribuídas
nosprojectos,
nomeadamente
osaspectos
inerentes
aoacabamento
de interiores
eo-mo.por
excmplo.
oestudo da
cor edos matcriais
aemprcgar.
Segun-do João
Couto,
otrabalho do
arquitecto
tcrminava
quando
oedifício
seconcluía.
Contudo.
estas suasposi(,ûes.
analisadas
no contextoda
época
econsiderando
oprimciro
pctíodo
da
suadireccão.
ajustam-se
ã atitude
que
seria. ainda
naEuropa.
ade
muitos
dos
directorcs
dc
museus.Para além do
papel
de
oulrasáreas
profissionais.
quc
não
ado
con-servador.
noíazer do
museu. outrasrazôes
noslevaram
a estaanálisc:
aprocura
de
umpercurso histdrico quc
nose(>nduzisse
ã
compreensão
da
evolucão
da
museologia/muscografia,
para
entender mclhor
oque
hoje
scía/
e seensina
emPortugal.
Entenda-se
que
estaprocura de
umpeivurso
hislôrieo
tem osenti-do
que
Ihc dá Joel
Serrão.
isto
é. de que
não é
possívcl
aqucm
«...pre-tender oricntar-sc
nodcdalo do
seutempo
histôrico
(...)
qucr
ignorar
quer revivcr
o seutempo
ido»5
Ml.'SI-A- NACIONAI. DE ARTH ANIKiA l-M.A I HIICK.A DASL'A IIISTOKI.A
1911-]9h2
arqueologia.
umaconcepeão
dc
museuprôxima daquela
que .losé
Fi-gueircdo prcconizava
para
oMN AA
eque
tinha
a ver eomas suaspreo-cupacôes
de
historiador de
arte.contrariamcntc
aoque defendia José
Leitc dc Vasconcelos que,
nosfinais do século XIX,
propunha
aincor-poracão
nesses museusde
seceôes
de
arqueologia, ctnologia
modcrna.
histôria
natural
eantropologia.
João
Couto.
propondo
umaruptura
emrelaeão
aoque José de
Fi-gueiredo
\inha
lazendo,
reaproxima
amuscologia
portugucsa
de
umconceilo resuliantc dos
movimcntos
internacionais.
A
museologia
torna--se
então
disciplina
independcnte.
aeentua-scprogressivamente
apro-físsionalizaeâo
do
conscrvador
e o museudiversifíca
a suaactividade.
tcntando
participar,
dc mancira
diferente,
noprocesso
eultural. A
in-lluência
dc João Couto introduz
entre nos. lantodo
ponto
de
visla
teô-rieo
comodo
prático.
opcôes
resultantes
<Sc
umacvolueão
que
seprocessou
cntre asduas gucrras.
Assim
sedefíniram
pontos
de
umpercurso histôrico.
dc
umahis-tôria
quc
est.i por fazer
eque.
ccrtamente,nâo
Ibi
soconstruída
por
Josc de
Figucircdo
eJoão
Couto.
nem seeoncrctizou sô
noMNAA.
Ao
localizarmos
estetrabalho
noperíodo
entre191
1
e1962. foi
tambcm
nossainiencão
debrucarmo-nos
sobre
umtempo
e umcspaco
que
estabelcceu muitas
das
directrizes definidoras
da
evolucão
dos
mu-scus
de
arte emPortugal.
não
sô
do
ponto
dc vista
da
organizacão
das
coleecôes
eomodo
da
suaapresentacão.
Foram
dilcrentes.
para
cstacvolueão,
ascontribui^ôes
de
José de
Figueiredo
ede João Couto.
não
sopelos
contcxtoshistdricos
das
res-peetivas
épocas
comopelas
difcrcntes
maneiras
dc cada
umpensar
omuseu.
emhora
cxistindo pontos
de
confîucncia que. por
vc/es.têm
levado
aleituras linearcs desse
período.
A
ideia de .losé
de
Figueircdo
descnvolvcu-se
nosentido
dc
Mt'SKt: NAITONAI. DH ARTH ANTIGA
liMA L.KIT IJRA t)A SL'A HISTORIA
1011-1962
pintura
portuguesa
apartir
do século
XV,
embora
as suaspreocupa-côes
n.useolôgicas
olevassem
também
aque
essaconcretizaeão
se fí-zesscde acordo
com correntesentão
existentes
eque
conhecia
muito
bem,
dado
os contactospermanentcs
que
manlinha
eom oque.
emre-laeão
a umateoria
e a umaprática,
sepassava
naEuropa.
João Couto.
preocupado,
desde sempre.
com afuncão
pedagôgica
do
museuentendida
emsentido lato. isto
é,
ultrapassando
oslimites
do
museueomplcmento
da
escola, procurou interessar
umnúmcro
ca-da
vez,maior de pessoas
nas suasactividades.
Esta
preocupacão
Ievou-o
areflectir sobre duas
correntesque
con-siderava
existirem
emmuseologia:
ado
«muscuestético»
e ado
«mu-seudidáctico
oupedagôgico».
Por
outrolado foi ele quem
pela
primeira
vez. emPortugal.
assu-miu
aimportâneia
do
conceito de
museologia
edas modificacôes
por-que
aquele
passava.
procurando cnquadrar-se
dentro de
parâmetros
que
traziam
ao museu novasformas de
organizaeão,
de
programacão
ede
apresentagão.
A
análise
daquilo
que foi continuidade
edaquilo
que foi
ruptura,
na
passagem
da
direecão
do
MNAA
de José de
Figueiredo
para
João
Couto,
lc\ ar-nos-á
a umaleitura deste
período
que constitui
umponto
de
partida,
o nossoponto
de
partida.
para
acompreensão
de
umamu-seologia
que
sefez
emPortugal
eque
viria
acontribuir para
acom-preensão
da
museologia
cmuseografia
que agora
sefaz
emPortugal.
A
nccessidade de
enquadrar
operíodo
de
1911-1962,
levou-nos.
por
umlado. ã leitura de
textosreferentes
ã
Guleria Nacional de
Pin-lura e aoMuseu Nacionul de Bellas
Aries
eArqueologia
e,por
outro.å procura. fora
dos
limites
cronologicos
do
trabalho,
de
pontos
de
liga-eão
nos anosimediatos
a esteperíodo.
Mt'SI-.r SACIONAl I)l;. AKTH AMIC.A CM\ I.ITH'KA DA SI'A IHSTOKI.A
i>.1 1 i <><,:
quc
nosconduziram
a tcrem conta aexistcncia de
umconjunto
de ideias.
não
sd
sobre
anecessidade dos
museusde
umponto
de vista da
Cultu-ra. como
do da
suaimportãncia
para
asprofíssôes ligadas
ås
artesin-dustriais.
Estas
opiniôes
demonstram
tambcm
umaconsciência dos
problemas
de
organizacâo
einstalac'ão
dos
museusque
ultrapassam
osresulladoN oblidos
naprálica.
Este
enquadramento
conduz-nos
anecessidade de
umaanálise
sis-tematizada
deste
período
que
termina
cmJosé de
Figuciredo.
aquem
a
implantacão
da
República
possibilitou
aeoncretizacão
de
algumas
das
suas
idcias,
que
levaram
aoscgundo
momentode
ruptura
por nôs
con-siderado.
Nos
anosimcdialos
a1962,
opcrcurso de Maria José de
Mendon-ea,
directora do Muscu dos
Coches,
do MNAA
c autorado programa
do
Miiscu Calousic Gulbcnkiun.
consiituiu
novoponto
de
ruptura
exi-gindo
umaanálise
que conduza
a umareleitura da
museologia
emu-seogralia
portuguesas
dos
últimos
vintes
anos.Analisámos
otrabalho de José
de
Figueiredo
ede João
Couto
tendo
em eonta ascondieionanics que
eonsideramos
leremcerceado
a
concreti/acão
dc
muitas das
suasidcias. As
mais
signiflcativas
foram
osrcdu/idos
oreamcnios e asdecisôcs
com umaforte
componente
política
que.
emmuiios
easos.não
eonsideraram
aspectos
lundamen-tais para
uma correclaresolucão
dos
problemas.
Referiremos
comoexemplo
asohras
de
eonstrucão
i.\o
anexopoente
ede
ampliaeão
do
Palácio
dos
Condcs
de
Alvor que.
inieiadas
em1937.
determi-naram a
localizacâo
defínitiva
do Museu
eque
resultaram
emgrande
parie
da neeessidade
de
enconirar umespaco
para
areali-zacão
da
lixposicâo
dos
Primitivos
Portuguescs,
integrada
nasComemoracôcs
do
Duplo
Centenário. Esia
Resolu(;ão
não
teve em eonia oprdprio
parecer
de.sfavorável
do Conselho
Superior
das Obras
MlSHl NAC IONAI l.l. AKTH ANTIG.A
C MA I ITHkA l>\ Sl -\ HISKJKIA l»l! i>«>.:
Alguns
dos
textosde
Joâo
Couio,
cmbora
considcremos
quc. por
vezes.
são
eontraditôrios,
delendcm
aideia da
localizacão
do Museu
num
cspaeo urbano
de
caraclerísticas
complelamente
diferentes
daque-le onde
se encontra.A
análise eteetuada levou-nos
aperceber.
tantoemJosé de
Figuei-redo
comoemJoão Couto,
algumas
das
contradicôes
existenles
nassuasposicôes
teôricas
e narclacâo
destas
com aprática.
ML'SH WCIONAl. Dl: ARĨI AMICIA l.'MA I.FITCRA I'IA Sl'\ HISIOKI\
!*)ll !962
KltH>-/j-V.'.'.'u/h'. MuwtHI \lt-.l-i
CuiIciiíi Si.iIIIhii» Sci X\ III
Galcrni ik* Dussi-Ulort'. Ak'iiianha.
(ir.iviua tli> Sec. XVIII ;•£•*•■". v'
^rp..'.'■••■■■'
■#*«^í.ííí*-*;:'
-'•'rvf-f--'^*;$%
MLSt-l NACiONAI DHAKIH AMIOA
I MA I Hll l R.A L)\ Sl.A HIMOKIA l<J|I-h-.>2
da (íai.i.ria nacionai. de pintura
a(> mlsh' nacionai. de bf.llas-artk5s l archloi .()(..] a
l'i'mtnihti
etlĩzt'-lti.
iiuts iiiiihi..<■icnifiiit)
c»ifttvoi'
tlns mitseus. L'ri>e enujiuitltotiiiulti <:lemporeparare.sta fal-iti. Sâop<ĸlem<>>
ccrtameniesitppãr
ijitr vindolâoIttrih' t' comtâoptiucosmeio.s serapos.sivcl
orgaiiirtii'
emPor-lugal
museu.scompletos
erieos tle ohntsprinuis.
.1maiorporie tlos
quadros
mai.sdisltnclo\et/ttasi
totltts<;v esculp-tttrasnĸiis noiaveis tltianli__<uidadeperieiieeinhoje
aeol-let\ôes
pĸhlicas
</'<...</<'nuiuti stintio; cmtiis quecerto <jtte seperderam
parti semprc as oeasioes tleatltjiiirii'
ohrasprimas.
(Si.us.i Holsiein. 1X75]
A
(ĩaleria
Nacioi.al
de Pintura,
aberta
aopúblico
cmMarco dc 1868.
dcvido
aoscsloreos
<io
Marqués
de
Sousa
Holstein,
foi
lundada
em1836
«como
subsidiária da
Academia de
Bellas-Artes,
ereada
naquelle
annopela
fecunda
eintelligente
iniciativa dc
Passos
Manuel,
[sendo]
o seuprimeiro
fundo
composto
dos existentes
nodepôsilo geral
|Convento
de São
Francisco|
eprovenientes
dos
conventoscxtinios
em1833».'
A
data da
suaabertura
já
esscfundo tinha
sido
aumcnlado:
em1859
com as
aquisicôes
fcitas
noespôlio
da
Rainha
I).
Carlota
Joaquina
e. entre1865
e1867.
com ascompras realizadas
através do
donativo de
sesscnia e
einco
contosfeito
por D. Fernando.
Sousa Holstein
constitui
aprimeira
referêneia individual
para
umaleitura da historia do
Mtiscit Xucioiial
de Anc
Antigu
eda
museologia
ML'SI l NACIONAI [)h ARIIvAN TIC.A
L'MA I.IIM'KA D.A SL'A HISTOKl.A I>.1 1 I <■>(•,?.
A
relevância
que Sousa
Holstein
atribuia
aosmuseusnão
seconfi-nava
ã
simples
apresentacão
apiíblico
das
obras,
fossem
elas de
pintu-ra.
de
eseultura.
de
artesindustriais
ou outras.A
suaideia
de
museufazia
cotnque
lhes
concedesse
funcão
extremamenteimponante,
tantono
ensino artistieo,
como nodas
artesaplicadas
â indústria.
A
suaactuacâo
csignificativa
apartir
dc 1862. data
emque é
no-meado
viee-inspector
da
Acudemia
Real
de
Bellas-Artes.
onde
tempa-pel
rclevante
naseomissôes para
areforma do ensino das Belas
Artes
epara
aformacûo
de
museus.A
primeira
dessas
eomissôes
é criada
pelo
Duque
de Loulc
c nase-gunda.
nomeada por
Rodrigues
Sampaio.
estavamrepresentadas
asduas
Aeadcmias
adc
Lisboa
e ado Porto
- edela faziam
parte.
enlreoutros.
Antônio
Tomás
da Fonseea
eLueiano
Cordeiro.
O
textodcstc
último
constitui,
«umnotável doeumento, que deve
serestudado
eomas
Observacôes
sobrc
oAciual
Estudo
dus
Artes
emPonugal
ao mesmotempo
produzido
por
Sousa Holstein...*>.?
Esta
úllima
comissão. para além de estudar
areforma
do ensino
das
Belas
Artes
nasacademias,
deveria elaborar
oplano
da
organiza-eâo
de
um museude
piniura,
escultura.
desenho.
gravura.
arteorna-mental
earqueologia
e.reconheccndo
que
oensino ministrado
nasaeademias
"iá
nâo
correspondia
aosfins da
suaconstituicão»,
conside-rava
que
aformaeão
de
umMuseu
dc
Belas
Artes
era«não
sô de
pro-vada
eonveniêneia
para
osestudos
respectivos
ccre'dito
da
civiliz.acao
do
paiz
comotrazia
grandes
vantagens
adiferentes
investigaeôes
rcla-tivas
â
histôria
da
pálria».'
Embora
nenhuma
das reformas
tcnha
sido
implementada.
nem asreferenteĸ
aoensino.
nem asque
previam
aformacão de
umMuseu
MISIT NAC10NAL DF. ARTH ANTKi.A
1 MA t.I.ITl'RA l)A Sl.A HISTÔRIA l«ll 1%:
A
abertura
aopúblico
da
Galeria Nacionul de
Piniura constituiu
também
importante
contributo para
aformagão
de
«museusnacionais»
que.
segundo
Sousa Holstein. dcveriam
representar
ahistéria das
nos-sas arles eexihir
asproducôes
mais notáveis dos artistas
portugueses,
afirmando
esteque
«apatle
mais
difficil
d'esta
collcecâo
[estava
já]
lor-inada.
[existindo]
naquinta
salla da
Academia
Real de
Bellas-Artes*-),*
restando
aumentá-la.
adicionando
exemplares
que andavam
dispersos
pelo país.
Viria assim
aeonstituir-sc
um museucentral,
subdividido
emsec-côes
de
pintura.
escultura. desenho.
arteornamental. gravura.
mode-los
arquitectônieos
earqueologia.
Sousa
Holstein
prcconizava
ainda
ainstalacão.
junto
a cstes museus edeles
dependendo,
de
ofícinas de
for-macão,
de
galvanoplastía
ede
fotografia.
que
possibilitassem
aelabo-ra^ão
de
reproducôes,
de
modo
afavorecer
as trocas com museusestrangeiros.
Três elementos
desta
Comissão
—Sousa Viierbo.
Tomás de
Fon-seca e
José
Luis Monteiro
—irão
participar
naorganizacão
do Museu
Nacional <le
Bellas
Artes
eArcheologiu
.São
significativas
tambcm.
as suaspreoeupaeôes
emrelaeão
â
con-servaeão
das obras de
ane.assim
comoaconccpeão
correctaquc
evidcn-cia
emrelacão
â
funeão
e aolimite do
restauro,afirmando
serimpossível
fazc-lo de
forma
conscienciosa
quando
oestrago
produzido
noquadro
«ilestroi
completamcnte
alinta
primitiva»
porque
nesses «casosseria fa?.e-lo
dc
novo, comoseria
«...fallar
â
verdade
querer
supprir
compintura
no-va oucomposieão
da lavra
do
restaurador
aspartes
dos
quadros
que
sol-freram
dannos
irreparáveis»;
sô será
possível.
portanto.
orestauroquando
«o
estrago
é
somentesuperfieiaF
tornando-se
então
l'ácil.
«...semaJterar
aoriginalidade.
restituir-lhe
aapparencia
que
devêra
ter».sEstas
opiniôes
mostram o seuconhecimento
emmatéria
de
MU5EU NACIONAI. DL ARTE ANTICiA (J.VIA l.F.ITLIRA DA SU.A Ht.STÔRIA
1911 -1962
Figueiredo
irá defender
eLuciano Freire
concretizar
quando
do
res-tauro,
entreoutras,
de muitas das obras que existiam
naGaleria
Na-cional de Pintura.
Nos
aspectos
referentes
âs condicôes
de
apresentacão
das obras
naGalerĩa
Nacionul
de Pintura.
asafirmacôes
de Sousa Holstein
nain-trodueão
aoCatálogo
Provisôrio
diferem
das cxpressas
nasObsenxi-côes
sobre
oActual Estado
das
Obras de
Arie
emPortugul.
No
primeiro,
embora
assumindo
aslimitacôes
da
instalaeão
e omauestado das
pinturas,
refere.
noentanto,
oscuidados
postos
na novaga-leria onde
se tomaram«todas
aspossíveis
cautelas
com oque
sepode
chamar
ahygiene
dos
quadros,
procurando-se
evitar
ocontactodirecto
com asparedes
por
meio de
umsystema
de ventilacâo
appropriado...»
tentanto
reduzir-se
asalteracôes bruscas
de
temperatura,
ainda
que
assalas
sedevam eonsiderar
provisôrias
«...não
sô
pela
falta de
capaci-dade,
mastambém
pela
de
outrascondieôes...», podendo
afirmar-se
que
«...se tomaramtodas
asprecaucôes
possíveis
para
conservaraquelles
thesouros de
arte».7
No
segundo.
a suaposieão
radicaliza-sc,
dizendo que
«omal
eragrande
em1868,
tão
grande
que
ovice-inspector.
não
querendo
ares-ponsabilidade
do
que
poderia
acontceer,
pediu
aalgumas
pessoas,
cujo
voto eraauetorisadíssimo,
que
fizessem
umavistoria
aquellas
salas».s
dela resultando
apublieaeão
noDiário do Governo" de
umrelatôrio
que, confirmando
«odeplorável
estado
aque
chegaram
osquadros»
eons-tataque
os«paeliativos
aempregar
para
debellar
emparte
osmales que
osarruinam
são
poucos
equase
nu!los»,
comopor
exemplo
aaplica(;ão
Ml'Sl.U N.ACIONAI. de ARTF ANTIC.A
|!\I.A 1 rílTURA D.A si;aIIIS'IÔKI.A i-jii i%2
que ella possue,
eque n'este
easodão
effeito
eontraprodueente
emconsequencia
de
vir
o arexterior
impregnado
da
mesmahumi-dade».
Conelui
orelatôrio
pela
necessidade
da
eonstrueão
de
uma novagaleria
«emsítio
appropriado
que
reunatodas
ascondieôcs
que
deman-da
ahigiene
dos
quadros».
•<()
cstado l'inanceiro pouco
prôspero
do
nossopaiz
parcee ã
primeira
vista
negar
autilidade
palpitante
de tal
construeão:
seconsiderarmos
porém
que
aeconomia
bem
entendida é também
ocon-servar as
riquezas
que
umpaíz
possue.
não
scpoderá
negar que
estanecessidade
c umadas mais
urgentes
que
ospoderes
públicos
têem
a tratar».|:'Este relatdrio. afirma
Sousa
Holstein.
«-teve oresultado que têem
quasi
todos
osrelatôrios. Provocou
algumas
correspondências
offi-ciais
efallaram n'elle dois dias
osperiédicos...»,
não
trazendo.
con-tudo
«...oremcdio que
tão
urgente
era.Apesar
das
repetidas
instancias
que até
hoje
não
descontinuaram
tudo
permaneceu
como estava.Pode continuar
assim:
é
porém
certoque
n'uma
epocha
mais
oumenos
prôxima,
quando
sequizer
seriamente
organizar
umagaleria.
procurar-se-hão
osquadros.
que
formavam
o museude
pinturas.
eencontrar-sc-hão
montoesde
tábuas earunchosas
cfragmentos
de
te-las
podrcs»."
Os
textosdc
Sousa Holstein
revelam
aslimitacôes
que
marcarama
formaeão
dos
museusportugucses
que.
como veremos, emnutitos
dos
seusaspeetos
seprolongaram
até
hoje.
Se âs
aftrmaeôes
da
neces-sidade da construcão de
umedifício
para instalar
aGaleria Nacional
de Piniuru
juntarmos
asdas dificuldadcs que
adiaram
«de
annopara
anno» aabertura
aopúblico
da
mesma —falta de
pessoal
ede
dotaeôes
—
, constataremos
que
osproblemas
lundamentais
do
processo
de
cicliea-MCSFt' N.ACTONAI. DIi AKIL ANIIGA
LV1A l.F.ITURA [>A SU.AHISTÔRIA
l')ll-l%2
mente,
não
sendo
difíeil
encontrardocumentacão
aolongo
da
suahis-tôria quc comprove
asdifieuldades
de
que
nosfalava
Sousa
Holstein.i:
Considerava também que
acriacão
de «Museus Centrais»
emLis-boa
não
dispensava
aexistência de
«museusprovinciais»,
que
não
se-riam, contudo,
côpias
reduzidas
do
«museucentraU,
mas oresultado
dos
núcleos existentes loealmcnte. de
modo
aconservá-los
e aaumentá--los. Citava.
apropdsito, alguns
dos
já
existentes:
noPorto,
oMuseu
MunicipaL inaugurado
em1852, «que
não tinha rival
emtodo
oRei-no»" e era
constituido
pela
coleccão Allen
que
omunicípio
tinha
com-prado
em1850, tendo
publieado
oprimeiro catálogo
emPortugal
em1852;
oMuseu da
Academia
Portuense de
Bellus-Artes,
inaugurado
em1833
no conventode Santo Antônio.
tendo sido
aprovada
acxistência
da
institui-eâo
emMarco
de
1836;
cmÉvora.
oMuseu
do
Cenáculo:
o
Museu do
Insiiiuio
Arqueolâgico
de
Coimbra,
que,
apartir
de
1896,
foi
dirigido
por AntL>nio
Augusto Gongalves.
Mas,
sobretudo,
para Sousa
Holstein
oque
era«necessário
orga-niz.ar
eram museusde
arteindustrial
junto
ãs eseolas
emque
se[ensi-nasse|
desenho âs classes
operárias».
devendo
serformados tendo-se
emvista
aindLÍstria existente
nalocalidade
emque
tiverem
de
organizar--se.«Assim
nasCaldas
o museudeve
serprincipalmente
de
cerâmica,
emGuimarães
de ourivesaria
etc.».uInspirava-se
ovice-inspeetor,
«claramentc
nasdoutrinas de William Morris
ede
Ruskin».15
No
entanto.já
anteriormente
ao textode Sousa Holstein, que
te-mos
vindo
acitar.
havia
museusque.
segundo
José
Augusto
Franga
«pretendiam
abrir-se ãs
artesindustriais. Pelo
menos eraesteoprogra-ma
proposto
em1853
pelo
director
da
Coleceão
Allen
que
amunicipa-lidade do Portoaeabava
de
adquirir:
o novo museudevia
impulsionar
as
Bclas-Artcs,
tantoquanto
as artesindustriais...»."'
Preocupado
com aqualidadc
artística
dos
objectos
industriais,
MlSi.L NACIOYAI DIvARTL ANI IGA
LMAI IIIIR.A l>A Sl \ HISTORIA
i'.ll i"(>:
coleccôcs
seriam formadas
por
objcctos
que
não
podiam
scrrepro-duzidos
masque deveriam
serobservados
eanalizados
«pelo
maior
nú-mero
possi'vel
de pessoas».
dando
comoexemplo
ascxposie<>cs
iiinerantes que
oSouth
Kensington
Museum mantinha
emdigressão
pela
província
«dando assim
aosoperários
que
nâo
[podiam)
ir
aLondres.
oensejo
de eonhecer
eesiudar
oque
por
outraforma
não
podiam
ver»."
Esta
visão
alargada
da
l'uneão dos
museus.que
ultrapassa
aideia
de
museudc Belas
Artes,
propunha
umainstituicão
museal que ainda
hoje.
emPortugal.
considerando
os conic.xtosactuais.
seenconirapouco
desenvoh ida.
Mesino
emrelacão
ãs
propostas
de
criaeão
de
«museuspro\
ineiais-,
sc')
apds
aimplantacão
da
Primeira
República
e com aaprovacão
de
di-plomas legislativos
surgc.
segundo Henrique
Gouvcia.
a «estrulurade
enquadramento
do
movimenlo
museologico
regional
que ira consliiuir
umdos
aspectos
mais
salientes do
pen'odo
da
primeira
repúblieav'*
0
pensamento
leôrieo
sobre
ainstiluigão
museal
emPortugal
nasegunda
metade do século
XIX
aproximava-se
emalguns
aspcclos
do
que
sefa/ia
naEuropa. Porexemplo. segundo Dominique
Pouloi.
umdos aspecios que earacterizara
os museus nestesêeulo.
cque vinha
já
do
século
XVIII.
era a suautili/acão
-eom ofim de
dar
edueacão
aosoperários
eomtalento, para
ummaior
benifício
do comércio
eindus-tria nacional
(...)c o easodos
museusestreitamente
ligados
ãs
lábricas
(...) como.
por
exemplo
o muscunacional dc
Cerâmica de Sêvres
oude
Limo_ies...».'"
Refere
aliás.
afundacão.
no anodc 1889.
emSaint-Elienne
de
um«museu
digno
da
cidade
eda
suaindiístria... destinado
afacultai â
nos-sa
fábrica
umbrilhante
progresso.
afa\oreeer
ainiciativa
indivtdual
do
trabalhador
e aformar
o seugosto.
desenvolvendo,
assuasaptidôes
MUSLL NACIONAI. Dl. AKII ANIKiA l MA I lll'IKAUA SHA HISTOKIA
l'.ll l'«)2
ainda
segundo
Dominiquc
Poulot. «de
umgrande projecto
simultanea-mente
social,
pedagôgico
ceconômico».:"
A
ideia
de Sousa-Holstein de criar
«museuscentrais»
e «museuspro\
ineiais»,
bem
comoaimportância
que
atribuia ã
promoeão
de
«mu-seus
industriais-.
nos centrosde
produeão
nacionais. constiluem
osele-mentos
de
aproximaeão
com asteorias
europcias
que
sciam
pondo
emprática.
\ll SlI N \C IOVAI 1)1 AKII \N IKi.A
I \1\ I IIII RA l>.\ Sl A IIISIol.l\
l<l|l hld1
[nuuuui'.ii'i'n) 1.I-1
h\|ii>>.ĸ*__ii
(j.i Ark*í)ni-imcnt;il m> Mljh-u N.u u>n;il ,W lii*ll.i\ ■\rkP^H
MlStl YUTONAI Dl ARTK ANTIO.A
i M \ i l-.ll! K\ DA Sl A HlSI'uKIA I')I I IL)i>2
2
l)() Ml'SI-L' YACIONAL 1)1.
BKI.I.AS
\RTHS hARCHEOLOGIA
AO Ml'SI-.l' N U'IONAL DE ARTL \NT1GA
Nã<>sâoosiiiiiseitstlebtila.surtes
simples
osienitteâooit meropassittcmpodas tiassesahustailtise<h>s que pn<eti-rtimoctuparapniTĨvehneme
as horas <>lĩo.ui<í;e n'tiles i/tteos artisitisniaisapretidem.
e opovt< inais seeduca;é por elles qucasarte.s mditsiriae.s
prot>ridem
eseaper-(en,oum
^nitluti!
e convenicntemetiie.(Conde de Almedinu. IXS'i
()
Muscti
Wictonal
dc Bcllas
Artes
cArcheologia
foi
inaugurado
em
12 de
Dezembro de 1884
noPalácio
dos
Condes de Alvor
■que
ogoverno
tomoude renda para
essellm...»
em1879.
Partieipou
na sua(
organi/aeão
o \ice-inspeeior
da
Aeademia, Conde de Almedina,
assim
como
vários académicos.
entreosquais.
Simôes
de
Almeida.
Josc
Luís
Monlciro,
Sousa Viterbo
eAntonio
Tomás da Fonseea,
esteúltimo,
o seu
primeiro
director.
Coniribuiu
bastante para
;i suacriaeão
arealizaeão.
em1882.
no Imesmo
local
—que reeebeu
obras de
benefieiacão
para
esse lim — .da
F.xposicũo Retrospectivu
<U
\>uOrnumental
Portuguesa
cHespu-nhola. eonstituida
por
obras de
arteornamental
edeeorativa
MlSl.L N.ACT0NAI Dl: ARII AMIt.A
l'MA 1.1:17 t'RA L>A M A HISIORIA
l'.ssc
contributo
deveu-se
não
sd
aofacto
de
sc terreunido
umtão
vasloniimero de
objectos
(cerca de
quatro
mil).
muitos
dos
quais
fica-ram entdepdsiio,
para além dos
já
cxistcnies
naAcadcmia,
comolatn-bc;m, afirma-o
oConde de Almedina.
ã
eonviccão
que
ficou
nopúblico.
por
\er«ne'lla
reunidos
tantos c tantosobjectos
de
subido \alor». de
quc
se"impunha
anecessidade»
de
Lisboa
-possuir
um museude
Bellas--Aries.
atcheologia
e artesindustriais».'
\
concreti/.acão
desta
exposicâo
deve-se
aoê.xito
obtido por
uma outta eom o mesmo nome.realizada
noSouih
Kensingion
Museum de
Londres.
em1881.
eå cedéncia
pela
Espanha,
para nela
figurarem.
das obras que linha
enviado
ã
exposieão inglesa.
A
representacão
portuguesa
emLondres
foi
organi/.ada
comobras
da
Galcriu Nacionul <lc Pinturu. das
coleeeT.es
reais
edo
Patriarcado,
lcndo lido
comocomissário Dellim Guedes.
Para
aexposicão
de Lisboa foram selcccionadas.
para alc;m das
obras
en\iadas
aLondres.
asque
foram
reunidas
pela
Comissão
Hxc-culiva
caquclas
que não
chegaram
afigurar
nessaexposicão. •...pelo
reccio de
poderem
serextraviadas
oude
algum
modo
deterioradas»."'
D.
Fcrnando de
Saxe-Coburgo
que
pertencia
å comissão de
honra
«loi
umdos mais entusiastas
patrocinadores
do
eeriame.lendo ele
prô-prio
reservado
umasala
para expor
eoleccdes
que distraiu do
Palácio
das Necessidadcs".'
As
extensascrdnicas que Brito
Rebelo
!dedica
ã
cxposicão
naspá-ginas
da
Occidcníc
c emque
adescreve
pormenori/.adamente
servem--Ihc lambém para
critiear
aeseolha do Paláeio
dos
Condes
de
Alvor
eomoedilício do Mitscu
Xucionul dc Bcllus-Artes
cArcheologia.
* Jikinii) ln;kiD .k' Biiid Kebelo (Ponm
Dolgad.i
is.ĩu - 1421)1. nuliiui _lc c.irrcira. loiíuml.uloi i* n.*ilai.TiM Ja rcvisia UOccidenieccolaborador dc \ános
pcriodico\.
onde cs-crevcuariijros ilcc.n.icicr histririco. muitos Jcles de tîrandc scncdadc dcnncstiga^ão.
Mt Sl-i: NACIONAI 1)1 AR'IK ANIKiA li.MA l.í-.l'HiRA UASUA HISTORIA
l'HI ]•>(,?
Essas crdnicas constituem
aprimeira
análise crítica å
instalayâo
do
Museu, referindo
osdiferentes aspeetos
aque
deve
obedecer
umedifício
para
essellm.
não sc')
quanto â
suaeonstrucão.
comoquanto
â
sualocalizacão.
Considera que
«assalas
não são
grandes,
e aluz é
má
para
oFim
aque
sedestina
opalácio.
Nas
poucas
oceasiôes
que
alli
temostido.
temo-nosvisto
embaraeados
ãs
vezespara procurar
posicão
de bem
podermos
veralguns objectos
expostos.
A
proximi-dade
do
mar. afalta de
ventilaeão
appropriada
e.naturalmenle.
afalta
de
impermeabilidade
das
suasparedes
do lado
de
traz.devem
trazervários dannos
aosobjectos
alli
conservados,
quando
essesobjectos
sejam
de
natureza apoderem
soffrer
alteraeôes
de
agentcs
externos,como
quadros.
madciras.
artefactos de
seda
elaã.
etc.».*Esta
análise. sendo
aenumeracão
das deficiências de
localizaeão
ede
eonstrueão
do
palácio,
aliás ainda actuais. constitui
uma correctadefi-nieâo
do que devem
ser aseondicôes
de habiiabilidade
para
asobras
de
arte.A
seguir
á
Exposi^ão
de
Aric Ornamentul
oPaláeio
dos
Condes
de Alvor
teve asprimeiras
obras de
adaptaeão
a museu.supondo
João
Couto
que
já
nessaaltura
assalas tenham sido dotadas de lu/. zcnital.
A solucfio
adoptada
para
adiminuieão
da entrada
de luz
lateral,
no
andar
nobre,
foi
ado
fechamento
de todas
asjanelas
que dão para
a rua
das Janelas Verdcs
e acolocaeão,
nosvãos,
de
pesados
rcposlei-ros.Aliás,
também José
de
Figueiredo
aadoplou
nassalas que l'oi
mo-dificando
apartir
de 1911
eJoão Couto
manteve a. comalgumas
alteracôes,
quando
da
novaniuseali/.acão
dos
espa^os do
Palácio,
nosfinais dos
anos40.
solueão
cssaque
se mantcmalt;
hoje.
A passagem das
obras de
artcdo Convento de São Francisco
da
Cidade
para
oPalácio dos Condes
de
Alvor
represenlou
grande
melho-ria
nas suascondieôes
de
instalacão
epossibiliiou
umamais
alargada
Ml'SI-.U NACIONAI. I)h ARTh ANIKi.A
l.M.A I.L'ITt.RA l)A SHA HISIORIA IV II I'.(>:.
No
eonventode São Francisco sd
seapresenlavam
apúblico
obras
de
pintura.
nâo estando
expostas
ascolcccôes
de desenho.
gravura.
eobjectos
de
artesindustriais
—pratas.
loucas
etecidos
—porque.
aiém
da lalta
de
pessoal.
não
existiam salas que
olerecessem
condicôes
para
essa
apresentacão. siiuaeão
que.
emparle.
semodifieou
comatransfe-rêneia
para
as novasinstalaeôes.
Segundo
um lextoanônimo"
publi-cado
em1
892,
estavaminstaladas
noandar nobre do Palácio
eocupando
dezasseis salas
agaleria
de
quadros.
ascoleccôes
dc
arteaplicada.
as Fou>«. i a5 e ii artesindustriais
e osdesenhos de
Domingos Sequeira;
nopiso
tcrreo. Foios v c tode
início
foram
aproveitadas
trés
salas,
sendo
aprimeira
ocupada
por
esculturas.
entre asquais. originais
de artisias
portugueses, modelos
de
monumentos,mosaieos.
etc. asegunda,
por
moldagens
de
escultu-ras e
de motivos
arquiteetdnicos
eainda dc
fragmentos
de estatutária
medieval
erenascentista
e, aterceira.
por veíeulos
antigos.
entre os ĸ>u;%6usquais.
oscoches
de Estado do
casamentode D. João V.
0
seu acervotinha sido bastante aumeniado
depois
da
abertura
apúblico
da
Galeria
Nucionul de Pinturu
emSão
Francisco da Cidade,
nomeadamente
com osdonativos do
Conde
Daupias,
do
Conde de
Al-medina
cde Zea
Bermudes,
encontrando-se
grande
parte
dele
emarre-cadacôes.
Quando
da
inauguraeão
do
Museu Nacional de Bellus
Arles
eAr-cheologiu,
onúmero de
quadros
expostos
era,segundo
o mesmo au-tor.já
de
quatroeentos.
«tendo
sido
augmcntado
até
hoje>-.
Possuia
oMuseu
em reserva. em1882,
cercade
quinhentas pinturas
sehcm
que,
entre