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O que é que temos feito de nós mesmos

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Academic year: 2022

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(1)

O que é que temos feito de nós mesmos

de

Dinho Valladares

(2)

© Dinho Valladares

Este livro ou qualquer parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem autorização escrita do Editor.

Registrado na biblioteca nacional sob o n.- 776.402 Livro: 1.507 Folha: 66

Contato para liberação de montagem:

Cia. de Teatro Contemporâneo

Rua Conde de Irajá 253 – Botafogo – Rio de Janeiro/RJ Cep: 22271-020

teatro.secretaria@gmail.com

www.ciadeteatrocontemporaneo.com.br

+55 (21) 984141965

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O autor

Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Ator, autor, diretor e produtor.

Montou a Cia. de Teatro Contemporâneo e tem representado o Brasil em vários encontros internacionais tais como Chicago (Chicago Improv Festival – Maior Festival de Improvisação do Mundo), Buenos Aires/AR, Córdoba/AR, Mendoza/AR, Santiago/CH, Cundinamarca/CO onde ganhou com a Cia. o título de primeiro lugar no festival sul- americano. Como formação fez Pós-Graduação em Teatro Musicado na Uni-Rio Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestrado em Teatro na mesma universidade alcançando conceito em sua tese final de Excelente com indicação para publicação. Como Diretor montou a Cia de Teatro Contemporâneo, que ganhou o título da prefeitura do Rio de Janeiro/BR de “Entidade de Utilidade Pública”, a qual dirige até hoje, uma das mais respeitadas do Rio de Janeiro. Como autor já escreveu 10 (dez) peças sendo que 7(sete) já foram a cena, além de adaptar três textos de Shakespeare. Como ator participou de mais de 30 (trinta) peças entre as quais se destacam “Jango, uma Tragédya”, de Glauber Rocha, com Cláudio Marzo e “Uma Rosa para Hitler” de Roberto Vignati com Francisco Milani, além de Adorável Hamlet e Adoráveis Romeu e Julieta, foi indicado como MELHOR ATOR no prêmio Mambembe em 1993. Como professor de teatro já deu aula na UFF - Universidade Federal Fluminense neste período organizou o Seminário de Produção Cultural no Centro Cultural do Banco do Brasil, e foi um dos fundadores do PURO- Nucleo da UFF em Rio das Ostras, além de lecionar por mais de vinte anos dentro da Cia.

de Teatro Contemporâneo é também o Coordenador do Curso Profissionalizante de Ator da Cia. que é reconhecido pelo Ministério da Educação do Brasil pela sua qualidade de ensino. Curso que conta com convênios de escolas de vários países do mundo.

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Dedicatória:

Essa peça é dedicada a meus avós, Dilermando Cruz, Maria Luiza Tostes, Julieta Valladares e Clorindo Valladares, que guardo até hoje no coração e me dão a sensação de que o tempo não passou!

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Sinopse:

Dilermando e Mariana estão esperando um corretor de imóveis para avaliar a casa da família que será vendida, quando chega o irmão. Nessa situação discutem os caminhos que seguiram na vida e quanto vale aquele passado.

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Personagens:

Dilermando Gregório

Mariana Max

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(Uma casa vazia, as paredes com um papel de parede importado, muito clássico e caro, mostrando toda a opulência do local a anos atrás, atualmente a velhice do papel amarelado pelo tempo com marcas de infiltração na parede e rasgado em vários pontos mostra a decadência do local, nenhum móvel na casa, todos já foram retirados para venda. O amplo salão dá a sensação de que a vida passou por ali. Entra Gregório, um homem de cerca de sessenta anos, mas ainda guarda marcas de uma beleza de juventude, com traços finos e uma cara tranquila. Veste um terno tradicional e uma gravata um pouco torta de quem só usa para trabalhar na repartição. Ao entrar no local percebe-se a sua familiaridade com o local e o quanto o local te traz lembranças. Vai até a janela e olha a paisagem como quem percebe que o tempo passou, percebe-se um clima saudosista de quem gostava daquele tempo que passou. Entra Mariana sua esposa, ansiosa como quem chega de uma batalha. Mariana tem cerca de quarenta e cinco anos, tem traços do tempo no rosto, um pequeno sobrepeso e o ar de quem ainda tem muita disposição para a vida.)

Mariana – E então? Já resolveu tudo?

Gregório – (olhando para ela como que acordando de um transe) Ainda não! Ele não chegou.

Mariana – Lá fora está um inferno! Parece até que todos estão enlouquecidos com o calor.

Isso de comemorar a data de nosso casamento e o seu aniversário dá muito trabalho.

Gregório – Você conseguiu comprar o presente do André?

Mariana – Claro. Este foi o primeiro que comprei. (pausa) Isso aqui ainda demora muito?

Gregório – ele se comprometeu chegar as 19hs ainda faltam cinco minutos. (olha para os moveis)

Mariana – Estranho ver essa casa vazia.

Gregório – Também tive o mesmo susto quando entrei.

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Mariana – Quando estava subindo a escada me lembrei da primeira vez que estive aqui.

Acho que eu tinha...

Gregório – Dezenove anos

Mariana – Isso mesmo! Você estava naquele canto da sala e era grande! Um rapaz de futuro! Eu logo pensei! Quero casar com esse cara!

Gregório – Não exagera!

Mariana – Juro! Você sabe que são as mulheres que escolhem os homens, né!

Gregório – Nunca ouvi isso!

Mariana – Mas é sim! Li isso em algum lugar! Não me lembro onde! Mas era uma revista séria.

Gregório (desdenhando) – Acredito.

Mariana – Engraçado ver essa casa vazia.

Gregório – Você já falou isso!

Mariana – Dá uma sensação estranha parece que o tempo passou.

Gregório – E não passou?

Mariana – Passou, mas... nem parece... Lembra quando nos casamos? Essa sala aqui ficou cheia. Foi linda aquela noite.

Gregório – você estava linda!

Mariana – Eu estava de branco e todos me cumprimentavam desejando um futuro feliz!

Acho que éramos um casal promissor, todos acreditavam na gente, eu acreditava!

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Gregório – Não acredita mais?

Mariana – É diferente! Quando se é jovem se faz planos de grandes conquistas, grandes realizações.

Gregório – Mas depois vem a realidade.

Mariana – Eu sei. Mas sempre achei que o emprego de escrevente no tribunal seria provisório.

Gregório – Foi duro passar no concurso.

Mariana – Você sempre foi o melhor, sempre foi o melhor da sua turma de direito. Depois fez a faculdade engenharia.

Gregório – Estava indo bem na engenharia.

Mariana – Pegou até aquele projeto do centro esportivo.

Gregório – Mas depois veio a crise.

Mariana – Pois é... anos difíceis. Eu com aquele emprego na confecção tivemos que segurar a barra.

Gregório – E passei no concurso.

Mariana – E fechamos a construtora.

Gregório – Fechamos na hora certa!

Mariana – Não sei não! Se tentássemos mais um pouco...

Gregório – Ficaríamos devendo muito, fechamos certo! Ainda ficaríamos com algum dinheiro se não tivéssemos tomado um cano daquele despachante.

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Mariana – você não deveria ter entregue todas as maquinas para ele vender!

Gregório – Ele me parecia de confiança.

Mariana – Pela cara eu percebi que não era “boa bisca”.

Gregório – Eu estava muito amargurado. Quando tudo tinha que dar certo e nada funcionava. Quando sai da faculdade achei que tudo ia dar certo, que eu era predestinado ao sucesso. Que era diferente, todos me falavam que era promissor.

Mariana – Você era promissor.

Gregório – Era uma pessoa como outra qualquer.

Mariana – Não era não Greg. Você era o melhor deles.

Gregório – Você é um amor. Sempre foi linda!

Mariana – Quando passou no concurso eu achei que era uma fase, para você se reestruturar e se preparar para um novo momento.

Gregório – Mas era isso!

Mariana – Mas o tempo passou e não teve novo momento. Até hoje vivemos aquele momento, você se acomodou e ficou lá.

Gregório – Veio a crise e o país até hoje não se reestruturou.

Mariana – Crise, sempre a crise, ouso falar em crise desde que nasci, nunca vivi um período que não houvesse uma crise, se formos esperar a crise passar não vamos a lugar nenhum nunca. Tem gente que diz que crise é sinal de oportunidade.

Gregório – Nosso governo é louco. Esses momentos nunca foram suficientes para uma aventura.

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Mariana – Nunca foram suficientes para você que se acomodou com escrevente, muitos arriscaram.

Gregório – Arriscaram porque não tinham chance, era arriscar ou morrer na miséria. É muito fácil arriscar quando não se tem nada a perder. Quero ver arriscar quando se tem uma estabilidade, quando se tem uma família para sustentar.

Mariana – Não acho justo você colocar a responsabilidade das suas escolhas na família. O Antônio também tinha família e um emprego, mas se arriscou.

Gregório – (cheio de cólera) Já vem esse Antônio de novo! Você deveria ficar com ele! Ter se casado com ele! Ele era nosso amigo de escola! Achava você o máximo! Porque não casou com ele? Sempre ele! Vocês ficaram muito amigos! Você não tem vergonha na cara? Desse ao menos ao respeito!! Que tipo de mulher é você?

Mariana – você com esse seu ciúmes besta! Nunca tive nada com o Antônio. Ele é seu amigo, você se esqueceu? Você que é amigo de infância dele! Eu o conhecia através de você e sempre que nos encontramos presto atenção no que fala para entender como ele conseguiu dar a virada!

Gregório – Ele deve ter roubado!

Mariana – Para você todo mundo que ganha dinheiro é ladrão.

Gregório – Uma coisa é certa Mariana. Não existe um milionário no Brasil que não tenha negócios com o governo. Uns mais, outros menos, mas todos os milionários desse país já fizeram negócios com o governo.

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Mariana – Vamos deixar isso para lá Greg, agora é o momento, o seu momento. Você pode pedir aposentadoria e com o dinheiro da venda dessa casa podemos abrir um negócio.

Quem sabe uma construtora. Vamos construir algo para nós!

Gregório – (ri) Ahahaha!!! Mariana, não somos mais aqueles jovens! O tempo passou.

Mariana – O tempo passou mas nós ainda temos chance, ainda temos vida nas veias, ainda podemos construir algo.

Gregório – Não seja ridícula!

Mariana – Agora é a hora! Quando casamos tivemos que esperar para conseguir uma estabilidade, depois porque tivemos filho, depois porque veio a crise, depois pela sua aposentadoria, o que temos que esperar mais? A morte chegar? Eu não quero passar minha vida esperando, cumprindo etapas de uma existência sem brilho. Você já a um ano tem direito a aposentadoria, pode pedir agora e vamos tentar!!

Gregório – O tempo passou.

Mariana – (pausa) Não consigo mais te enxergar. Essa pessoa que está na minha frente não é mais o meu marido.

Gregório – Sou o que consegui ser.

Mariana – Não. Você hoje é o resultado de onde a sua covardia te levou.

Gregório – O que você vê como covardia eu encaro como prudência, como responsabilidade para não te atirar em loucuras irresponsáveis.

(Grande pausa)

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Mariana – Bem! (Mudando de assunto) Esse corretor de imóveis não é muito bom! Já está atrasado quinze minutos.

Gregório – Pois é!

Mariana – você falou com seu irmão sobre a venda dessa casa?

Gregório – Tentei falar! Mas ele não responde.

Mariana – Ligou para a casa dele?

Gregório – Liguei, mas ele não está morando mais lá, se separou.

Mariana – É preciso ter coragem para saber a hora de se separar... As vezes acho que casamento é sina... Mas ele também troca de mulher como quem troca de roupa.

Gregório – Essa estava revoltada! Xingou ele e tudo mais! Falou que ele não gosta de mulher.

Mariana – Não se pode levar a sério uma mulher abandonada.

Gregório – mas tem mais de um mês que estou tentando falar com ele e nada! Toda vez que ligo está ocupado ou viajando, já falei com a Aline, três vezes e ele não vê o filho faz três meses.

Mariana – Pai desnaturado.

Gregório – Nunca foi muito presente nem com o filho nem com o pai.

Mariana – Nunca apareceu para ajudar com o seu pai. Largou tudo nas suas costas.

Gregório – Só veio no enterro do velho, mesmo assim chegou e saiu logo após a baixada do caixão.

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Mariana – Filho desnaturado.

Gregório – Cada um escreve a sua história.

Mariana – Deixou tudo na suas costas. Você teve que cuidar do velho dez anos e se ele deu as caras aqui três vezes foi muito.

Gregório – Veio quatro.

Mariana – Três... quatro... cinco... tudo a mesma coisa! Em dez anos isso não significa nada.

Gregório – Também acho. Mas ele sempre foi o preferido do meu pai. O velho sempre queria saber notícias dele e sempre vibrava quando via ele na televisão ou em algum filme.

Mariana - Era você que segurava as pontas aqui.

Gregório – Pois é.

Mariana – Bem! Acho que o corretor não vem mais.

Gregório – Ele está atrasado trinta minutos, não vem mais.

Mariana – Vamos embora.

Gregório – Vamos

(se dirigem a porta de saída quando vão sair, dão de cara com um senhor bem apessoado, já de uma idade avançada, com terno preto e chapéu coco, um típico corretor de imóveis.)

Mariana – Ah! Que susto! O sr. quase me matou.

Dilermando – Desculpe madame! Desculpem o atraso, mas o transito estava horrível, tive que enfrentar ainda uma batida que tumultuou a via e quase nem consigo chegar até aqui.

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Só vim mesmo porque tinha dado a minha palavra ao sr. Gregório e tudo que combino sigo a risca.

Gregório – Boa noite, sou o Gregório.

Dilermando – Boa noite, prazer em conhece-lo. Meu nome é Dilermando.

Mariana – Muito prazer sou Mariana! O Greg me falou muito bem do sr. espero que corresponda as expectativas.

Dilermando – Farei o possível Sra. Costumo deixar meus clientes muito felizes.

Mariana – Espero que nos deixe também!

Dilermando – Farei o possível, um bom negócio é bom quando é bom para todos.

Mariana – Já estava de saída! Cuida bem dele e o faça sorrir.

Dilermando – Pode deixar!

Mariana – Tchau! Daqui a duas horas estarei em casa.

Gregório – Tchau!

(Mariana sai)

Dilermando – Simpática sua senhora! E objetiva!

Gregório – Sim! Mas vamos ao que interessa, me falaram que o senhor é um bom avaliador e conhece bem o preço das coisas.

Dilermando – Obrigado! Sei o preço das paredes dos imóveis.

Gregório – É exatamente isso que estou falando

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Dilermando – Mas as vezes junto as paredes vem incrustadas histórias e essas dificultam muito o negócio.

Gregório – Não entendi.

Dilermando – (mudando de assunto) Hoje fez um dia muito quente, você teria um copo de agua?

Gregório – Desculpe! Nem ofereci! Um momento vou pegar!

(Dilermando fica observando a casa enquanto Gregório vai pegar o copo com agua. Gregório volta com o copo.)

Dilermando – Muito bonita essa casa! Morei numa muito parecida quando me casei.

Vivemos mais de vinte anos nela.

Gregório – Saíram porquê?

Dilermando – Ela ficou grande demais.

Gregório – Vocês não tiveram filhos? Não encheram a casa?

Dilermando – Preferimos viajar e tínhamos dois gatos.

Gregório – Entendo.

Dilermando – Sara minha esposa gostava muito de tudo no lugar.

Gregório – Sim. Eu também gosto.

Dilermando – Mas tiveram filhos?

Gregório – Sim. Tivemos um.

Dilermando – Agora esta aonde?

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Gregório – Está estudando fora, foi fazer uma especialização.

Dilermando – Que maravilha! Poder proporcionar isso para um filho!

Gregório – Tivemos que abrir mão de algumas viagens.

Dilermando – Entendo! Bem! São escolhas!

Gregório – Mas voltando ao assunto. Qual o seu preço por essa casa?

Dilermando – Ficamos conversando e me distrai, com o dinheiro da venda vai poder viajar bastante.

Gregório – Vou ter que dividir com meu irmão.

Dilermando – Ah! O imóvel é de herança!

Gregório – Era do meu pai, deixamos fechado durante um tempo, até sair o inventário.

Agora vamos vender.

Dilermando – Vai precisar da permissão dele.

Gregório – Tenho tentado contatá-lo, deixei recado avisando da sua vinda, para que ele viesse também, ele mora próximo em São Paulo e acredito não fará oposição a nada.

Dilermando – Isso dificulta a venda.

Gregório – Não dificultará, eu garanto, ele fez suas escolhas.

Dilermando – Nem sempre um irmão pensa como o outro. Podemos ter problemas lá na frente.

Gregório – Não teremos. Ele não criará problemas.

(Longa pausa)

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Dilermando – Sabe sr. as vezes as coisas não são como parecem ser. As vezes as pessoas não pensam como gostaríamos que pensassem.

Gregório – Fique tranquilo. (Dilermando ri) o que foi?

Dilermando – Você falou agora com minha esposa!

Gregório – Ela te acalmava?

Dilermando – Muito...

Gregório – O que houve?

Dilermando – Morreu.

Gregório – Meus sentimentos.

Dilermando – Não precisa sentir. Foi opção dela.

Gregório – Dela?

Dilermando – Sim. Chegou um certo momento da vida ficou difícil para ela. Ela ficou triste e triste... nada do que eu fazia ou falava fazia efeito.

Gregório – Nem as viagens acalmavam.

Dilermando – Não, nada.

Gregório – talvez se tivessem tido um filho.

Dilermando – Não acredito que seria solução. Não sei. São escolhas e fizemos as nossas.

Não dá para saber nunca como seria se tivéssemos tomado outro caminho. Talvez tivesse sido melhor, talvez não. Nunca vou saber. Não adianta ficar se torturando por não ter

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tomado outro caminho, o que foi já foi e pronto. Somos resultados das nossas escolhas e ponto.

Gregório – Sinto muito.

Dilermando – Mas voltando ao nosso negócio! Seu irmão...

Gregório – Ele é um ator famoso! Tem estúdios de gravação e tudo! Não precisa disso.

Dilermando – Isso facilita.

Gregório – Então vamos lá, qual a sua proposta?

Dilermando – Vocês foram os únicos donos dessa casa?

Gregório – Sim. Meu pai a construiu.

Dilermando – Seu pai ganhou muito dinheiro!

Gregório – Ele era dono de uma corretora de ações. Ganhou muito dinheiro com a alta da bolsa, construiu essa casa viajou para Paris com minha mãe e eu e meu irmão nascemos aqui.

Dilermando – Então viveram aqui muitos anos?

Gregório – Sim. Muitos anos.

Dilermando – Muitas histórias essas paredes tem para contar.

Gregório – Muitas!

Dilermando – e quando ele saiu?

Gregório – Logo que terminou o ensino médio resolveu que seria artista.

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Dilermando – Carreira difícil.

Gregório – Todos fomos contra, meu pai tentou convence-lo a mudar de ideia.

Dilermando – e a sua mãe.

Gregório – Minha mãe tinha morrido alguns anos antes.

Dilermando – Que deus a tenha.

Gregório – Eu fiquei morando aqui até a morte do meu pai a alguns anos atrás.

Dilermando – Cada um faz suas escolhas.

Gregório – Então!! Respondi as suas perguntas?

Dilermando – Sim. Estou satisfeito.

Gregório – (curioso) A sua casa você vendeu após a morte da sua esposa?

Dilermando – Como você sabe?

Gregório – Acho que só vendemos nossas casas quando não nos reconhecemos mais dentro delas.

Dilermando – Sim! Foi isso mesmo! Em toda parte que ia da casa, ela estava lá. Não conseguia andar pela casa sem pensar nela. Todas as paredes me lembravam histórias que passamos juntos. Precisava me descolar daquela casa para seguir adiante.

Gregório – Conseguiu?

Dilermando – Sim. Por isso estou aqui, mas deixe eu te dar um conselho. Quando vendemos nossa casa não podemos cobrar o preço das nossas histórias, as nossas histórias pertencem ao nosso coração e não as paredes.

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Gregório – Eu sei, não ache que vou exigir uma exorbitância, pesquisei o valor de mercado.

Dilermando – Valor de mercado é subjetivo, cada um coloca um preço e cada um faz a proposta que acha.

Gregório – Mas dá para ter um parâmetro, você vendeu como a sua casa?

Dilermando – Procurei ser razoável.

Gregório – Difícil ser razoável quando vão desaparecer as únicas coisas que te fazem lembrar a única coisa que se tem na vida, as suas lembranças.

Dilermando – Necessário quando se tem que seguir em frente.

Gregório – Bem! Então qual é a sua proposta para a casa?

(Nesse momento entra Max Aurélio, um homem de aproximadamente cinquenta anos, bem apessoado , uma beleza desgastada pelo tempo, com um terno de costureiro de corte altivo.)

Max – Olá Greg! Quanto tempo!

Greg – Olá Max! Muito tempo!

FINAL DO PRIMEIRO ATO

SEGUNDO ATO!

Max – Sempre que entro aqui tenho uma sensação estranha.

Gregório – ainda tem a sensação do passado.

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Max – Não sei se é isso, é estranho. (Tirando o terno) lá fora está um calor insuportável!

Gregório – Nunca imaginei que viesse.

Max – Você chamou! Entendi que era necessário.

Gregório – Te chamei outras vezes, tentei falar com você outras vezes e também era necessário.

Max – Foram em outros momentos, nesses estava muito ocupado ou não recebi o recado.

Gregório – Deveria trocar sua secretária.

Max – (se dirigindo a Dilermando) Desculpe! O sr. é...

Dilermando – Dilermando! Sou o corretor de imóveis, seu irmão me ligou para fecharmos o negócio.

Max – Meu irmão já está fechando o negócio?

Gregório – Chamei-o para negociar.

Dilermando – (aflito por ver todo o trabalho de envolvimento com Gregório, ir por agua abaixo.) Esse mercado temos que ser rápido a crise atual faz com que o valor de um imóvel caia num passar de dias.

Max – Esse tenho certeza que conseguirá bom preço, está muito bem localizado!

Dilermando – Negócio com imóveis não se faz com o coração.

Gregório – Max você não responde aos meus recados, poderia chegar um pouco mais humilde.

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Max – Tem razão, não vim atrapalhar! É que ao entrar aqui tive essa sensação estranha e fiquei um pouco perturbado! (Mudando de assunto) Como vai a Mariana?

Gregório – Vai bem! Na medida do possível!

Max – Imagino. Casamento não é coisa fácil!

Gregório – Pois é. Tem que fazer muita concessão, pensar muito.

Max – Muita mesmo.

Gregório – E você como está a Aline?

Max – Nos separamos.

Gregório – (fingindo surpresa) Jura!

Max – Cerca de três anos.

Gregório – Sinto muito.

Max – Não sinta! Foi melhor assim!

Gregório – E o Leonardo!

Max – Está bem! Às vezes é melhor separar do que ter uma convivência ruim, melhor para os filhos.

Gregório – Não teve como continuar?

Max – Continuar para que? A vida é muito curta para ficar “continuando”.

Gregório – É que as vezes é uma fase, um momento da relação, não podemos acreditar que uma relação seja boa o tempo todo.

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Max – Mas tem um determinado momento de não ter mais vontade de tentar.

Gregório – Entendo bem!

Max – Mas está tudo bem! Somos amigos e o Leonardo aceitou com tranquilidade.

Gregório – Acredito que no seu meio deve ser muito difícil manter uma relação.

Max – Muito difícil, eu trabalho o tempo todo, mas uns colegas conseguem e mantem um relacionamento duradouro.

Gregório – Difícil saber o ponto de romper! Ainda mais com filhos! Saber a hora que não vale mais a pena. A hora que aqueles sonhos foram só sonhos e que é melhor descer do trem.

Max – Éramos muito parceiros! Mas hoje não tem muito porque ficar tentando. Na época minha separação me trouxe uma sensação de vazio, de tristeza. Mas como disse Vinicius: O amor não é eterno posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure. Foi assim!

Passou. Foi uma relação longa e quando eu sai achei que ia recomeçar do ponto em que subi no trem. Achei que ia ser tranquilo, mas o tempo passou. Procurei algumas amigas com quem tinha me relacionado antes e encontrei senhoras difíceis de reconhecer.

Encontrei uma linda senhora e tenho saído com ela.

Gregório – Já está com outra.

Max – Sai com algumas, mas agora encontrei essa. Estou conhecendo o mundo de novo.

Está sendo uma experiência interessante.

Gregório – Lembro que trouxe Aline aqui em casa pela primeira vez quando ela deu um ataque de ciúmes por causa da Marcia.

Max – Talvez eu devesse ter ficado com a Marcia.

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Gregório – São escolhas.

Max – Sim escolhas que não podemos voltar atrás, o tempo só anda para frente.

Gregório – Para frente.

Max – Nunca pensei que fosse entrar nessa casa como um velho.

Gregório – Você não está velho.

Max – Estou velho o bastante para não enxergar mais aqueles garotos que brincavam aqui na sala! Para não me sentir mais aquele jovem de quando estávamos aqui nos preparando para a festa que íamos dar porque o papai tinha viajado. Ou o adulto que resolveu comunicar ao pai que ia sair de casa. Estou velho demais para não me sentir mais jovem.

Para não ser mais uma promessa. Pra ser o resultado das minhas escolhas. Ser uma realidade que não sei se gosto, resultado dos meus erros e acertos.

Gregório – Você tem muitos acertos.

Max – Muitos são só aparências, mudaria alguns na primeira oportunidade de mudança que houvesse.

Gregório – Aline.

Max – Não Aline não, acho que manteria. Bem... nunca vou saber.

Dilermando – Senhores, desculpe interromper, mas como disse ao senhor Gregório ao telefone ontem, tenho um interessado na casa, mas ele pediu que fechasse o negócio até hoje, pois está olhando também outras casas.

Max - (sem ouvir o corretor) Como foi o final do enterro do papai?

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Gregório – Foi rápido. Nunca estamos preparados para uma morte, mesmo quando sabemos que está próxima.

Max – Eu rezei por ele.

Gregório – Devia ao invés de rezar ter vindo visita-lo quando vivo.

Max – Estava trabalhando, construindo minha carreira.

Gregório – Entendo. Logo quando partiu para São Paulo, ele teve o segundo enfarto, ficou muito debilitado, ficava na cadeira horas olhando pela janela. Sempre que saia notícias suas eu mostrava a ele e ele sorria. Era melhor do que qualquer remédio. O doutor falava que boas notícias ajudam muito o tratamento.

Max – Médicos!

Gregório – Ele ficava olhando o horizonte; Sempre achava que ia melhorar, sempre acreditei que existia uma possibilidade e esperava.

Max – Melhorou?

Gregório – Não

Max – Você Greg sempre acreditou que algo ia acontecer sem que precisasse se mover.

Poderia ter sido um engenheiro de sucesso, ficado rico.

Gregório – Eu te enviava convites para o aniversário dele.

Max – Sim! Eu os recebia, mas junho é um mês de muito trabalho, compromissos já assumidos, não dava para conciliar.

Gregório – Teve um ano, quando ele completou oitenta anos, fizemos um bolo de chocolate, ele adorava bolo de chocolate.

(27)

Max – Sim! Eu sei.

Gregório – Um pouco antes de cantar os parabéns eu havia esquecido esta porta da rua entreaberta e uma pessoa veio subindo. O rosto dele se transformou como quando vinha notícias suas. Tenho certeza que ele achou que era você. Mas era o primo Francisco.

Max – Sim. Eu me lembro dessa data, mas não consegui. Estava numa gravação de um filme e a gravação atrasou e tivemos que gravar uma semana a mais. Fiquei muito triste de não ter podido vir. Mas era um contrato, um compromisso, minha carreira. Tenho que criar bem o meu filho.

Gregório – Entendo. Ele compreendeu.

Max – Precisava estabilizar minha carreira, essa profissão não é fácil. Demanda tempo e trabalho.

Gregório – Nenhuma profissão é fácil. Mas você conseguiu.

Max – Você também conseguiria se tivesse tentado e não caminhado pelo mais fácil.

Gregório – Eu precisava cuidar dele também tinha a Sarah e depois veio o André.

Max – Mas também precisamos ter nossas vidas, não dá para passar a vida abrindo mão em função dos outros. As vezes temos que ser um pouco egoísta. Você era um engenheiro promissor.

Gregório – Eu tinha muita responsabilidade com eles.

Max – Mas temos que ter responsabilidade com a gente também.

Gregório – Precisava garantir.

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Max – Às vezes escondemos nossos medos, nossas covardias, colocando a culpa nos outros.

Gregório – Nesse caso não. Não tive escolha. Quando você saiu fiquei sozinho.

Max – Não tente colocar a culpa em mim! Sempre temos escolhas!

Gregório – Não quando temos pessoas dependendo de nós e somos o único ponto de salvação.

Max – Sempre temos escolhas, você foi covarde.

Gregório – Temos responsabilidades. Você é que foi infantil, se jogando numa aventura egocêntrica.

(Longa pausa)

Dilermando – Bem! Acho que poderíamos tratar do negócio.

Gregório – Quanto vai pagar?

Dilermando – A casa é forte porem antiga...

Max – (explodindo) Ora! Vamos lá! Não enrole! Sabemos que vai comprar a casa para jogar no chão e construir um prédio com vários apartamentos populares. Para que famílias de pessoas mal educadas possam se mudar para um bairro rico e se sintam melhorando de vida e possam engolir de forma mais confortável aquela vidinha medíocre de prazeres medíocres.

Gregório – Nem sempre uma vida comum é uma vida medíocre.

Max – Só temos uma vida.

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Gregório – Nem sempre precisamos de grandes emoções na vida, muitas vezes essa vida medíocre já é uma grande experiência.

Max – É como se você tivesse um enorme copo de vinho e só bebesse uma gotinha, é pouco! A vida tem muito mais sabores, prazeres, para se ficar no canto olhando. Não dá para ficar parado na plateia da vida vendo os outros viverem, eu preciso estar vivendo!

Quem para e fica olhando já está morto e não sabe. Você só fala isso Greg, porque nunca experimentou a vida, porque é um funcionário público que fica batendo ponto e vendo a vida passar. Você tinha muito potencial Greg. Você podia ter produzido muito, feito muita coisa, experimentado coisas que nunca sonhou!

Gregório – Ninguém garante isso. Poderia ter me levado e a minha família a miséria.

Max – Ninguém garante nada.

Gregório – Pois meu emprego me garantiu até hoje e vai me garantir uma aposentadoria até a morte.

Max – Uma vida básica.

Gregório – Uma vida sem insegurança.

Max – Agora eu entendo, você nunca confiou em você mesmo, sempre se viu esse funcionariozinho de merda. A insegurança faz parte da vida. A questão é como você se coloca com ela.

Gregório – A vida não é uma brincadeira!

Max – a vida é o que fazemos dela.

Gregório – Não quando se passa fome. Quando a firma de engenharia faliu, ficamos só com essa casa, você foi embora para ser artista. Passamos muitos momentos ruins aqui,

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ficamos devendo a agiotas e a comida era moderada. Você foi com o seu sonho e eu fiquei com a realidade.

Max – Não foi tudo uma maravilha. Tive que trabalhar duro para conseguir rever conceitos, abrir algumas concessões. Para mim também não foi fácil. Mas eu consegui superar. Muito do que falam de mim é lenda. Coisa de fofoqueiro desocupado, tem gente que não tem talento para viver da profissão, mas tem vocação o suficiente para não se distanciar dela, nessas pessoas a inveja em muitos casos encontra campo fértil.

Gregório – Pode saber que não passou nada parecido com que passamos aqui.

Max – Você não sabe o que passei, mas isso não importa, cada um sabe o preço que pagou por suas escolhas.

Gregório – Eu não escolhi nada, a vida me impôs.

Max – Você fez a pior das escolhas. Deixar que a vida decida o seu caminho.

Gregório – Olha! Quer saber de uma coisa? Você vem aqui com esse arzinho de bem sucedido, uma pessoa que largou o pai quando esse mais precisava de você. Se lançou irresponsavelmente numa profissão. Fez sucesso. (Irônico) Sim!! Hoje você é uma pessoa famosa, mas não viu o rosto do seu pai morrer, talvez nem se lembre desse rosto pois estava ocupado demais na sua carreira de merda! Sua família que você nunca cuidou foi embora! Sua mulher te deixou Max porque você nunca a olhou.

Max – Cale a boca!

Gregório – Cale a boca você! Talvez seja melhor Max você dar uma olhada em volta e abrir o seu afeto para alguém mais do que o próximo produtor do filme.

(31)

Max – Acho muito bonito quando fala isso! Mas quando fazemos escolhas também assumimos responsabilidades. Talvez não saiba disso porque a única escolha que fez foi não fazer escolhas, aceitar tudo o que a vida te manda. Perdi muita coisa sim! Mas ganhei um mundo novo! Talvez você não saiba porque nunca viu nada a não ser esse mundinho pequeno dessa casa. (para o corretor) duvido que ele consiga se desprender dessa casa. Isso é o mundo dele. (para Gregório) É muito fácil se esconder atrás de um empreguinho e ficar emitindo opiniões sobre a vida dos outros pois isso é a única coisa que resta para uma vida pequena e vazia. Viver não é para qualquer um não. Viver implica em risco, em perda e erro. Errei muito sim, mas não posso falar o mesmo de você porque nunca tentou, sempre se escondeu atrás de alguma desgraça, sempre preferiu o seguro, pois saiba que só conhecemos a nós mesmos quando erramos e vemos nossos defeitos ou limites, viver atrás de um empreguinho de merda e colocar a culpa de toda a sua infelicidade na desgraça da sua família é de uma covardia horrorosa, fazendo pose de filho exemplar!

(Entra mariana, longa pausa de um campo de batalha que acabou de ocorrer.)

Mariana – Olá! Max que surpresa!

(Se cumprimentam em silencio)

Mariana – Aconteceu alguma coisa?

Dilermando – Não senhora! Somente os irmãos não se viam a muito tempo. Estamos finalizando o negócio.

Mariana – Espero que o sr. tenha dado bom preço.

Dilermando – Acho que dei o tamanho que valem essas paredes.

(32)

Mariana – Max! Que bom que veio. Seu irmão fala sempre de você. Deve estar muito feliz de vê-lo aqui. Não é Greg. Estamos preparando uma comemoração, do aniversário do Greg lá em casa Max, quer ir conosco?

Max – Parabéns Greg, desculpe não ter me lembrado. Não sei se é uma boa ideia!

Mariana – Claro que é! Você será muito bem-vindo! Hoje é uma data de união da família!

Será um bom momento.

Gregório – Acho que o Max talvez não possa querida, talvez tenha um compromisso inadiável ou um contrato que não lhe permita estar presente.

Mariana – Que isso Max! Será uma festa especial! Estamos comemorando. Este mês Gregório irá pedir aposentadoria.

Dilermando – (para Max) Existem momentos que não importa o que fizemos de nós mesmos, não importam as nossas diferenças, são momentos de paz e confraternização.

Será um aniversário muito rico com o dinheiro da venda da casa!

Max – Vou sim! Mas antes vou passar no hotel para trocar de roupa.

Dilermando – Bem! Já que tudo terminou bem! Aqui está o papel de venda da casa. Este é o valor (aponta para o papel).

Gregório – O que você acha Max!

Max – (hesita) Por mim está bem! Está na hora de deixar esse passado para trás. (Max assina)

(Gregório olha para Mariana. Mariana fica sem reação. Mas por ver Max assinado consente. Gregório assina. Mariana assina. Todos sorriem.)

Gregório – Vamos?

(33)

(Saem Mariana, Gregório e Max. Fica só Dilermando olhando para a casa. Olha lentamente todas as partes da casa. Passa a mão pelas paredes como se histórias grudassem na sua mão. De repente tem uma crise de riso. Tira um radinho do bolso e coloca uma música para tocar. Toca “Non je ne regrette rien”

cantada por Édith Piaf. Parece que Dilermando entra num transe de alegria, bailando a música. De repente para e olha fixamente a plateia.)

Dilermando – E você o que você tem feito de você?

(a música vai subindo e a luz vai diminuindo até a escuridão total. Deve permanecer escuro por mais alguns segundos.)

Fim

Referências

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