ESTADOS SUPERFICIAIS EM SISTEMAS
QUASE- BIDIMENSIONAIS
GIL DE AQUINO FARIAS
Departamento
de Física
Universidade Federal de São Carlos
(Tese apresentada ao Instituto de Física e Química de São Carlos - USP, para a obten-ção do tÍtulo de Doutor em Física)
ORIENT ADOR:
prol. !Dr. Oscar geipólito
SÃo. CARLo.S
•
ESTADOS SUPERFICIAIS EM SISTEMAS
QUASE-BIDIMENSIONAIS
GIL DE AQUINO FARIAS
Departamento de Física
Universidade Federal de são Carlos
(Tese apresentada ao Instituto de Física e Química de são
Car-los - USP, para a obtenção do título de Doutor em Física)
ORIENTADOR:
Prof.Dr. Oscar Hipôlito .
SÃO CARLOS
UNI VER
$
I O A O E O E SA O PAU L O, EM 2 8 O ECOMISSAO JULGAOORA:
março OE198 O .
Or. Oscar Hipõlito - Orientador
•
Or. Roberto Leal Lobo e Silva Fil ho
~~
J./AkO~,
-.
,
Or. Bernhard Joachim Mokross
--J~~~'
Ora. Vera Beatriz Freitas de Campos
~ (..(i..IJV~ '\IV
II
.---.'---
..
----4-. _-_._
..~-_.._---•
zação deste trabalho;
ã
Angela. pelo apoio durante toda a elaboração;aos colegas Vera Beatriz. Castilho Alcaraz e Nelson Studart. p~
Ia colaboração atraves de proveitosas discussões;
aos Profs. Milton F. de Souza e Roberto Lobo. pelo impulso ini
cial junto ao Instituto de Física e Química de são
Carlos;
aos colegas e funcionarios do Departamento de Física da UFSCar
e do Instituto de Física e Química de são Carlos
-USP. especialmente do Centro de Computação. que
di-reta ou indidi-retamente contribuiram para o
desenvol-vimento deste trabalho;
ã Angela e Maria Laura. pelo excelente trabalho de datilografia
Neste trabalho estudamos o efeito da rugosidade da
interface isolante-semicondutor, sobre a energia do estado
fun-damental do eletron ligado a uma impureza ionizada, situada pro
xima desta interface, para um sistema MOSFET de Si02-Si @O~.
Para impurezas doadoras situadas no Si, a energia
de ligação e obtida atraves do metodo variacional, e os result~
dos são comparados com os de N.O.Lipari. Com impurezas
situa-das no oxido, a energia de ligação tambem e calculada de modo
variacional, e a blindagem dos eletrons e levada em conta numa
teoria de resposta linear. Os resultados obtidos sao
-
compatí-veis com os experimentais, e indicam que o efeito da rugosidade
e importante na blindagem dos eletrons.
Calculamos tambem a energia de separação entre
sub-bandas eletricas de uma camada de inversão de Si tipo-no
isto, consideramos um potencial "nearly self-consistent"
Para
e
o
efeito da rugosidade e incorporado ao Hamiltoniano do sistema
atraves do potencial imagem e da mudança da barreira de
poten-cial na interface.
Os resultados mostram uma mudança signifi~ativa na
energia de separação entre as sub-bandas, e indicam que a
rugo-sidade da interface isolante-semicondutor não pode ser desprez~
da, num calculo onde os efeitos de troca e correlação são
leva-dos em conta.
•
dos para qualquer campo eletrico aplicado. Tais resultados,qua~
do comparados com os de outras teorias do anion superficial,pe~
mitem-nos inferir os intervalos de campo eletrico em que as mes
We have investigated the effect of surface roughness
on the binding energies of an e1ectron bound to an ionized
impu-•
rity center 10ca1ized near the interface both in the si1icon and
in the si1icon-dioxide of a MOS - Si [001] system. We have a1so
discussed the roughness effects on the e1ectric-subband energy s~
paration in n-type Si inversion 1ayer. The ca1cu1ation reported
here shows that those effects are significant and are in satisfac
tory agreement with experimental data.
ln the case of e1ectrons on 1iquid he1ium surface, we
have ca1cu1ated the effective mass and the formation energy of a
surface anion (e1ectron-ripp10n interaction). We have used the Fey~
man variationa1 method, and the resu1ts we have got gives therange
of va1idity of other approximations •
30
RESUMOABSTRACT
INTRODUÇÃO 10
CAPITULO 1 - EL~TRONS EM SISTEMAS
QUASE-BIDIMEN-SIONAIS 13
1.1 - Sistemas MOSFET 13
1.1.1 - Sub-bandas e1~tricas 15
1.1.2 - Estados ligados 19
1.2 - E1~trons sobre uma Superfície
de H~lio Líquido 20
1.2.1 - Efeitos devido
ã
de-formação na
superfí-cie de h~lio 23
CAP1TULO 2 - PRINCIpIO VARIACIONAL 25
2.1 - Metodo ~ Ray1eigh-Ritz 25
2.2 - Metodo de Feynman 27
2.2.1 - Propagador e matriz
densidade 27
2.2.2 - Propagador e matriz
densidade no
forma-1ismo de integrais
3.1 - Potencial de ~ Carga Próxima
~ ~ Interface Rugosa 39
3.2 - Rugosidade ~ Sistemas MOSFET 60
3.2.1 - Impurezas carregadas
no isolante
3.2.2 - Efeito da rugosidade
sobre a blindagem dos
eletrons na camada de
inversão
3.2.3 - Energia de transição
entre sub-bandas
3.3 - Impurezas Doadoras no
Semicon-dutor
3.4 - Resultados e Conclusões
CAPiTULO 4 - ESTADOS SUPERFICIAIS LOCALIZADOS
4.1 - Lagrangeana dos Riplons
4.2 - Interaxão Eletron-Riplon
4.3 - Energia ~ Formação do Anion
Superficial em filmes de He
Líquido
4.4 - Massa Efetiva do Anion
Super-ficial em filmes de He
lígui-do
4.5 - Anion Superficial na
Interfa-61
72
74
76
80
84
85
92
100
111
116
""'" ,
AP~NDICE B
AP~NDICE C
LEGENDA DAS FIGURAS
FIGURAS
REFER~NCIAS BIBLIOGRÁFICAS
126
132
137
140
INTRODUÇÃO
O estudo de sistemas quase-bidimensionais tem despe!
tado grande interesse nos últimos anos, como bem o demonstram
os anais das três conferências internacionais, realizadas nos
Estados Unidos (1975), na Alemanha (1977) e no Japão (1979).
Destes sistemas estudaremos particularmente algumas
propriedades dos elétrons na camada de inversão de um semicondu
tor em sistemas MOSFET (Metal-Oxide-Field-Effect-Transistor) e
de eletrons proximos de uma superfície de hélio 1íqcido.
Elétrons na superfície de hélio líquido formam um
dos mais interessantes sistemas quase-bidimensionais. Como exe~
Para sistemas MOSFET, além
pIo mais marcante podemos citar a formação de um cristal
3
l!
ner numa interface He -He·.
de Wi,a
das
propriedades fundamentais da Física da Matéria Condensada temos
um outro ponto importante a salientar, que é sua aplicação no
processo de miniaturização em inúmeros componentes eletrônicos.
O aspecto fundamental associado aos sistemas
quase-bidimensionais é a quantização dos estados eletrônicos na
dire-ção perpendicular ã superfície, enquanto que o movimento na
di-reção paralela e praticamente livre.
As propriedades gerais associadas a estes sistemas
serão descritas no primeiro capítulo do presente trabalho. No
segundo capítulo apresentaremos os métodos variacionais de
Ray-•• 2. 3
extremamente ~teis para a resoluçio de problemas especIficos
• N N "" • .,.
nos sistemas em questao. Isto porque a soluçao numerlca e
bas-.
~.
~ --.,.
,'"
tante dlflCll. e o metodo de perturbaçao nao e apllcavel.
No capItulo 3 seri visto o efeito da rugosidade na
interface õxido-semicondutor em sistemas MOSFET e sobre
impure-zas doadoras no semicondutor, próximas
ã
interface. Para istoapresentaremos inicialmente o potencial de uma carga na
presen-ça de uma interface rugosa.~
Das propriedades dos elétrons na camada de inversão
.
-
...
em slstemas MOSFET serao estudados d01S aspectos: o nlvel de
e-nergia mais baixo para os eletrons ligados às impurezas no
óxi-do, e a energia de transição entre as duas primeiras sub-bandas.
Para a energia de ligação do elétron consideraremos baixas
con-centrações de impurezas no óxido, possibilitando assim
tratar-mos o problema de apenas uma impureza. O potencial levari em
conta a rugosidade na interface óxido-semicondutor. O método va
riacional de Rayleigh-Ritz seri usado para a função de onda do
elétron.
A energia de ligação seri obtida como função da
den-sidade de cargas na camada de inversão, para várias distâncias
da impureza
ã
interface, e da rugosidade da superf[cie.Além do efeito da rugosidade também será considerada
a blindagem dos elétrons, na aproximação de campo medio.
No cálculo da energia de transição entre as duas pri
mel.ras sub-bandas, usaremos o potencial "nearly self-consistent"
S
Para o caso de impurezas doadoras no semicondutor,na
ausência de campo elétrico externo, a energia de ligação também
será obtida através do método variacional de Rayleigh-Ritz. Os
valores encontrados serão comparados com os obtidos
teoricamen-•• <&
te por N.O.Llparl.
No capítulo 4 discutiremos a interação do elétron
com as oscilações da superfície (riplons) de helio líquido: o
anlon superficial. A massa efetiva e a energia de formação do
anlon superficial serao calculadas para dois tipos de
ce: vácuo-He4 líquido e He3-He4•
interfa-A Lagrangeana que descreve o movimento do sistema
eletron-riplon é análoga ã do sistema eletron-fonon em
materi-ais polares. Desta forma, o método de Feynman
usado para este problema.
também pode ser
Em virtude da forma da interação eletron-riplon, os
resultados obtidos serão válidos para qualquer valor do
elétrico externo aplicado.
campo
Estes resultados serao discutidos e comparados com
os obtidos por V.B.Shikin e Yu.p.Monarkha,' e por L.M.Sander.6
I - ELÉTRONS EM SISTEMAS QUASE-BIDIMENSIONAIS
Elétrons na camada de inversão de um semicondutor,
em sistemas MOSFET, e sobre uma superficie de hélio lIquido, r~
presentam os mais estudados sistemas quase-bidimensionais. Como
os processos envolvidos em cada sistema possuem caracterIsticas
diferentes, apresentaremos conceitos e propriedades gerais ass~
ciadas a estes sistemas,
te trabalho.
e que serão utilizadas no decorrer des
1.1 - Sistemas MOSFET
Em todos os problemas aqui tratados o semicondutor
usado sera o silício tipo-p. Outros semicondutores, tais como o
InSb, Ge, também podem ser utilizados na fabricação de um siste
ma MOSFET.
A estrutura de um sistema MOSFET de Si é mostrada
na figo (1). Numa descrição sucinta, tem-se um cristal de Si
ti-po-p, onde é crescida termicamente uma camada de Si02, de espe~
sura entre 102 a 103
x.
Um metal ( o mais utilizado tem sidoAlumínio ), é depositado sobre o óxido, e o contato ôhmico e es
tabelecido sob o Si, formando o segundo eletrodo. Através
inter-condução
face õxido-semicondutor.
Com um campo elétrico aplicado perpendicularmente
ã
interface óxido-semicondutor, os portadores minoritários (
elé-trons) aproximam-se da interface. Nesta situaçio mostramos, na
fig.(2a),a energia de Fermi EF, o mínimo da banda de
EC' e a energia de valência EV'
A regiio onde os portadores majoritários (buracos)
tem uma concentração menor que a do interior do cristal é chama
da de camada de "depletion".
Para campos elétricos intensos, na região próxima ã
superficie, os portadores minoritirios terão uma concentração
ma~or que os portadores majoritirios, conforme indicado na figo
(2b). Nesta região temos uma inversão na concentraçao de porta
"
dores de carga, caracterizando um semicondutor tipo-no Desta
forma, a camada de inversão tipo-n se constitui em um tipico
sistema eletrônico quase-bidimensional.
Se aplicarmos uma diferença de potencial entre os
pontos a e b (fig.l), haveri uma corrente devido aos elétrons
na camada de inversão. Como a distância entre os pontos de
con-o
tato a e b (fig.l) é da ordem de 1000 A, é possivel a miniaturi
zação de componentes eletrônicos .
1.1.1 - Sub-bandas elétricas
Para descrever o movimento dos elétrons na camada
de inversão do semicondutor, vamos considerar a equação de
mas-sa efetiva
onde T
ê
o operador de energia cinetica, e <jJ(x)-+(1.1)
e o potencial
eletrostático na camada de inversão, resultante da aplicação de
um campo elétrico perpendicular
ã
interface, dependente apenasda direção perpendicular z.
vês da equação de Poisson
Este potencial
ê
determinadoatra--4rrp/E
s
,(1.2)
onde p e a densidade de cargas dada pela carga fixa na camada
de "dep1etion", somada
ã
carga dos elétrons existentes nacama-da de inversão,
condutor.
e 'ê. é a constante die1etrica estática do
sem1-s
As condições de contorno para (1.2) serão dadas por
e
<jJ(z)-+ O
'ê.
ox
d<jJ(z)/dzpara
z=O
z-+oo
= 'ê.
s
d<jJ(z)/dz+
z=O
(1.3a)
onde Eox
e
a constante dieletrica estatica do oxido.A barreira de potencial na interface Si02-Si(3.l
eV) ,sendo muito maior que a energia dos eletrons na camada de
inversão, pode ser considerada como infinita. A condição
~(~) na interface será então
para
-+
':I'(r,z)
z=O
= O
(1.4)
Nos problemas que serao estudados tomaremos como nu
Ia a função de onda do eletron na interface. Considerando o pl~
no COOU do Si paralelo ã interface, a equação (1.1) pode ser
escrita como
112
2m
y
112
2mz
+
'l'(r,z)=
+
= E'l'(r,z)
(1.5)
onde m , m e m representam as componentes principais do
ten-x
y zsor de massa efetiva do elétron.
Uma vez que o potencial depende apenas de z, a
fun-çao de onda
é
da forma+
'l'(r,z)
-ik
x
-ik yx
yAssim, a energia total do elétron será
E •
2m
i12:x:
(1.7)
e a equação de movimento na direção perpendicular ã
será
interface
(1.8)
Com as equaçoes (1.6) e (1.8) temos que na direção
paralela
ã
interface o movimento da part1cula é livre, enquantoque na direção perpendicular o movimento é quantizado. Desta
forma, os elétrons no plano paralelo ã interface estão situados
em sub-bandas elétricas, onde cada uma corresponde a um
quantizado E
n
na direção z (fig.3).A quantização destes n1veis foi prevista por
nivel
J.R.
Schrieff: em 1957, mas a natureza do gas de eletrons bidimensio
nal, onde apenas uma sub-banda é ocupada, foi observada somente
10
em 1966, por A.B.Fowler et ai.
o intervalo de densidades acess1veis
experimental-mente na camada de inversão determina a natureza do gá~ de
elé-trons. A densidade varia entre n_1011 e 1013 cm-2
A energia de Fermi EF para u~ gás de elétrons
bidi-mensional é dada por
EF _ -1ff12n
m
•
Assim, EF para a camada de inversão varia entre 1 e 50 meV, ,
e portanto o gás de e1etrons, mesmo a altas temperaturas, obede
ce
ã
estatrstica de Fermi.Em virtude destas densidades, a interação
e1étron-e1etron deve ser levada em conta no cálculo do potencial ~(z).
modelos de pote~
...
u,t~
Entretanto, o calculo de T.Ando Considerando esta interação,vários
H, 12, f3
sido propostos. cial tem
apresenta os resultados mais próximos dos obtidos
experimenta1-45, HS .••
mente. Para isto, o potencial e calculado de modo
autocon-sistente, levando-se em conta efeitos de troca e correlação
en-tre os e1etrons da camada de inversão.
Os e1etrons desta camada estão situados proximos do
mrnimo da banda de condução.Para o Si esta banda apresenta (fig.
4) seis mínimos em (+k , 0,0), (O, +-o -
k ,
o O), (0,0, +-k )
o ondek
o=0.85 (2~/a), sendo ~ constante de rede. O tensor de massa
efe-tiva consiste em uma componente mZ= 0.916 m ao longo do eixo do
cristal, e duas componentes iguais com m
t
= 0.190 m, sendo m amassa do e1etron. Considerando a face [OO~ do Si, teremos
pa-ra os valores (0,0,
-
+k ),
o
mz
= mZ e mx
= my = mt. Deste modo,as soluções de (1.8) apresentam degenerescência de spin e uma
degenerescência nos dois vales. Para (+-
k ,
o 0,0) e (O, +-k ,
o O)m
z
= mt e portanto as energias En
associadas serão maiores. queas correspondentes En para (0,0, +- k ). Em baixaso temperaturas,
apenas os vales (0,0, -+ k ) são ocupados.o
A descontinuidade no potencial produz uma pequena
- 17
separaçao entre (0,0, +- k ).o As transições entre os vales
1.1.2 - Estados ligados
Na presença d~ impurezas carregadas, pr;ximas
i
in-terface isolante-semicondutor, formam-se, em geral, estados
su-perflcials localizados, e as propriedades de transporte dOI eli
trons paralelos ã interface são alteradas.
A.B.Fowler e A.Hartstein~e difundindo ions Na+ no
óxido, num sistema MOSFET de Si02- Si [OOlJ ' produziram e
ob-servaram estados ligados na interface.
°
primeiro estudo teórico destes estados localizados ede suas energias de ligação,numa camada de inversão de um
semi-d
f .
19con utor, 01 apresentado por F.Stern e W.E.Howard. Nesta teo
ria considerou-se a camada de invers~o com espessura nula, e a
blindagem devido aos el~trons foi tomada numa aproximação de res
posta linear.
Eliminando a restriç~o de um sistema bidimensional
puro, e sem considerar a blindagem dos el~trons, foram
calcula-€>, 2.0, Z.t
das em varios trabalhos a energia do estado fundamental e
de estados excitados. Usando um formalismo de densidade
funcio-I V· 22
na , B. 1nter apresentou tamb~m um calculo para a energia de
ligação. Entretanto, os resultados obtidos com estes trabalhos
diferem de modo significativo do resultado experimental.fB
• _ • 2.3
Recentemente, O.H1pol1to e V.B.Campos calcularam
a energia de ligação usando o metodo variacional, levando em
consideração a teoria da resposta linear para a blindagem. Os
Nos trabalhos citados anteriormente, a interface
isolante-semicondutor
i
considerada como sendo um plano ideal.Todavia isto n~o corresponde
i
realidade, poisexperimentalmen-te sabe-se que esta interface
i
rugosa. Assim, analisaremos comdetalhes, no capItulo 3, o efeito da rugosidade sobre os
esta-dos localizaesta-dos, e sobre a energia de separação entre
sub-ban-das da camada de invers~o. Os resultados obtidos mostram-se com
patlveis com os experimentais, e indicam a importincia do efei
to da rugosidade.
- - ... ,- -.
~.
1.2 - Eletrons sobre ~ Superf~c~e
-
.
- ~- -.deHel~o L~qu~do
O movimento dos eletrons sobre uma superficie de he
.
.,
.
-
-
-
.
-l~o l~qu~do e analogo ao dos eletrons na camada de ~nversao de
um semicondutor. Entr~tanto, a densidade eletrônica neste caso
varia ~ntre n=105 e 109 cm-2, o que representa a diferença mais
significativa entre estes dois sistemas quase-bidimensionais.
A energia de Fermi (1.9) para as densidades acima
mencionadas varia entre 10-6 e 10-2 me V . Portanto, o gas. de
eletrons na superficie de helio e um gas classico mesmo em
tem-peraturas da ordem de milikelvins.
Uma vez que a densidade de eletrons neste sistema e
pequena, a contribuição devido
ã
interação eletron-eletron podecontri-buiç;es importantes sio dadas pelo potencial imasem e pelo
cam-po elétrico perpendicular
ã
interface.Supondo que a superfrcie de helio seja plana,
pode-mos escrever a funçio de onda como
.+ +
'Y(~) -
e1k•r
f
n(z)
(1.10)
onde k - (k~2 +
k
y2)1/2, e a equaçio de movimento na direçio zi
dada por
~2
...!:
f
(z) + [-e<p(z) + E ] f (z) - O2m dz2 n n n
(1.11)
sendo m a massa do eletron. No caso da interface helio-vácuo,
a barreira de potencial
ê
V -1.0o,eV;
o. modelo .ais simplespa-ra o potencial considera a barreira de potencial cOmo sendo
in-finita, e o potencial imagem como o potencial imagem clássico.
Desta forma, para um campo eletrico EL aplicada
perpendicular-mente
ã
superflcie, temos• (z)
-= - ~ + E..L Z-= CIO
z
> O(1.12)
Z
< Osendo Q = (EHe - 1)/. (EHe + 1), EHe
tática do helio .
a constante die1etrica es
•
barreira de potencial na interface
Vo'
flnita e eliminar a nioftsica divergência l/z do potencial imasem clãssico para distân
elas próximas ã interface. Com estas caractertsticas. vãrios mo
I~
asdelos de potencial tem sido propostos. '
Considerando um potencial fenomenológico dado por
cj>(z) - - ~ '*
z+z
= V
o
z > O
z < O
(1.13)
* _
_
. _
.
26onde z e um parametro aJustave1, H1po11to et a1 calcularam
a separação dos níveis entre o estado fundamental Eo e o primei
-ro estado excitado EI' Os resultados obtidos com este modelo
concordam plenamente com os valores experimentais de e.e.Grimes
2T
e T.R.Brown. Entretanto, até o momento não se tem ainda um
modelo satisfatõrio de potencial, sem parâmetros ajustáveis, pa
.
-
-
..•..
ra a 1nteraçao do e1etron com a superf1c1e .
1.2.1 - Efeitos devido
i
deformaçio na superfíciede helio
Na região de baixa. den.idades eletrônicas, o
movi-mento do. eletrons na direçio paralela
ã
.uperf!cie e lovernadopelo e.palhamento por átomo. de vapor de helio na inte;face, e
por vibrações da superfície de helio. E.ta. vibraçõe. correspo~
dem classicamente
ã.
onda. de capilaridade. que quando quantiz~da. são conhecidas como riplons.
O espalhamento por átomos de vapor ê importante na
região de temperatura acima de O.8K. Uma vez que estaremos in
-e
teressados apenas em temperaturas próximas de OOK, elte e8palh~mento nao será considerado. Para temperaturas menores que
0.6K,
predomina o espalhamento devido
ã
interação eletron-riplon. Ne~ta região de temperatura, e de campo elétrico EL~
400.0
V/em,e~te espalhamento e elástico. Logo, a mobilidade do elétron
-
-
18.-calculada atraves da equaçao de Boltzman. Na reg1ao de campos
elétricos intensos
~5
2.0
x 103 V/cm, a superfície dehélio d~forma-se devido
ã
pressão do elétron contra a superfície. Ade-- -fi' • - •
-pressao da superf1c1e de hel10 em torno de cada eletron
um "dimple" que tende a localizar este 'elétron nO plano.
forma
Elétrons localizados nestes "dimples" são ·chamados
de anion superficial e tem sua massa efetiva, mobilidade e
ou-tras propriedades muito diferentes das de um elétron livre na su
perfície. Como a energia de ligação do eletron nO "dimple" é p!.
quena, este sistema
ê
estável apenas em baixas tempe~aturas T <24
A teoria de anions superficiais foi inicialmente
~
proposta por V.B.Sbikin e Yu.P.Monarkha. Posteriormente, usando
o m~todo variacional, L.M.Sander8 calculou a energia de
forma-çao para o anion superficial, obtendo resultados diferentes com (,
parados com os de Shikin e Monarkha. Uma discussão mais
deta-lhada destes trabalhos, e a natureza da interação do elétron
com a superfície deformada, serão consideradas no capítulo 4.
A mobilidade do anion superficial foi determinada
Os
re-considerando elétrons sobre filmes de hélio.
experimentalmente por A.P.Volodin et al,~ S.A.Rydbalko e Yu.Z .
. 30
Kovdrla,
sultados obtidos nestes trabalhos diferem de um fator -IO~.
En-tretanto, estas experiências tem recebido críticas em virtude
da espessura do filme de helio nao ser constante .
.
-
~.
Para altas dens~dades de eletrons na superf~c~e de
helio, a relação de dispersão do riplon
e
modificada devido-
ainteração eletron-riplon. Para concentrações acima de
n - 2 xl09 cm-z o sistema torna-se instavel.
Recentemente, M.Wanner e P.Leiderer observaram exp~
.
i
r~mentalmente a formação de um cristal de "dimples" na inter
face He3-He4• Este cristal torna-se instavel para altas densida
des.
Para o estudo das propriedades do anion superficial
usaremos o metodo
_
de ~ntegral.•
de traJetor~a_.
de Feynman,3
cons~derando o limite de temperatura T~O, e baixa densidade de
elé-trons. Assim, os resultados serao validos para o problema de um
elétron e qualquer valor de campo E~ aplicado.
2 - PRINC!PIO VARIACIONAL
Dentre os métodos de solução para inúmeros problemas,
em diversos campos da Física, o método variacional tem sido inten
sivamente usado com bons resultados. Isto ocorre particularmente
nos casos em que a soluçao numérica é bastante diffcil, ou quando
o metodo de perturbação não é aplicável em virtude de não existir
um problema próximo, cuja solução exata seja conhecida.
Em virtude da natureza dos problemas aqui estudados u
saremos dois métodos alternativos para o princIpio variacional,
- _ •• 2 _ .3
que sao o metodo de Raylelgh-Rltz e o metodo de Feynman.
2.1 - Método de Rayleigh-Ritz
Este método é comumente utilizado em Mecânica
Quânti-ca para problemas onde se deseja obter a energia do estado
funda-mental Eo de um sistema.
Vamos considerar a energia deste estado como um
fun-cional E
['i'] ,
definido por= <'i'l.!!J 'i'> <'i'I'i'>
(2.1)
sendo H o Hamiltoniano do sistema, e 'i' uma função arbitrária
su-jeita
ã
condiçãoAssim, E[~J satisfaz a duas condições:
a)
E[~J ~
estacioniria com respeito a variaçoesarbi-tririas del~> em torno da soluçãol~o> de
•.
(H-E o)1 ~ o > = O (2.3)
b) Sel~o> representa o autoestado de energia mais bai
xa, temos
(2.4)
Com isto, devemos tomar
I
'l'>
como função de um ou maisparâmetros que devem ser ajustados para tornar mínimo o funcional
E[~J , isto
ê,
E
['l']=
E(a,b, .•• )=
de modo que
< 'l' (a,b,
) [..!:!J'l'(a,b,
»<'l'(a,b,
) !'l'(a,b,
»(2.5)
d E = d E = o (2.6)
d
a
d bA escolha del'l'>
é
importante, e deve satisfazer as simetrias apropriadas do sistema em consideração.
2.2 - Método de Feynman
o forrnalismo de integrais de trajetória de Feynman~
representa uma formulação alternativa para a Mecânica Quântica, ~
quivalente ã de Schrôdinger ou Heisenberg. Como um dos pontos
im-port!ntes desta teoria, podemos salientar o modo simples e direto
de relacionar a Mecânica Quântica ã clássica.
Atrav:s de uma continuação analítica para tempos
ima-ginãrios deste formalismo, podemos calcular a matriz densidade p!
ra um sistema cujo Hamiltoniano não dependa explicitamente do tem
po. Com isto, as propriedades termodinâmicas do sistema podem ser
analisadas.
Uma vez que estamos interessados em estudar as propri
edades termodinâmicas de um sistema de eletrons interagindo com a
superfície de He líquido, cujo Hamiltoniano não depende de spin ,
este formalismo pode ser aplicado com bons resultados.
2.2.1 - Propagador e Matriz Densidade
a) Propagador
Vamos considerar um sistema cuja configuração seja ca
racterizada por um vetor ~, que pode possuir um número arbitrário
de componentes. O propagador associado a este sistema e definido
31
como
onde 'r't') ~ um autoestado do operador r(t') na representaçao
de Heisenberg.
Com esta definição,
P(r",r') • IK(r"t"; r't') 12
(2.8)
representa a probabilidade do sistema, estando em r' no tempo t',
estar em r" no tempo posterior t".
'*
Uma vez que <r"t"
I
r' t') - <r't'I
r"t"> ' definimosK(r"t";
r't')
= K(r
't ';
r
"t ")
'* para t" <t '
(2.9)
o
propagador definido em (2.8) satisfaz aspropriedades:
seguintes
19) Se
I
rt) representa um autoestado de r para um tempo
t
K{r"t"; r't') =
f
dr K(r"t"; rt) K(rt; r't')para t" > t > t'
(2.10)
29) Se '(r',
t')
representa o estado de um sistema notempo t', este estado evolúi para '(r",t") em t" > t', como
, (r",t") = fdr' K(r"t"; r't') , (r',
t')
(2.11)
39) K{r"t"; r't') satisfaz a equação de Schrodinger
i'ti (
-
d at"
- H(r",
p",
t") )
K(r"t"; r't') • Opara
t":>t',
(2.12a)
com a condição inicial
lim
,
t"
+
t
+0K(r"t"; r't') = <5 (r"- r')
(2.12b)
sendo p" o momentum com um numero arbitrário de componentes.
49) Para um sistema cujo Hamiltoniano nao dependa
ex-plicitamente do tempo, e
H cp
n
(r) = En n
cp (r) (2.13)podemos escrever K(r"t"; r't') em função destes a.utovalores e
au-tovetores como
K(r"t"; r't') = L: e
n
-iEn (t"-t')
*
cp
n
(r")cpn
(r') (2.14)b) Matriz Densida.de no "Ensemble Canônico"
As propriedades termodinâmicas de um sistema, em equi
líbrio térmico, podem ser descritas no "ensemble canônico"
conhe-cendo-se sua matriz densidade, definida como
-8
Hp(r",
r';
8)=<r"
!e
Ir'>
L:
e
n
-8
En
*
onde
1
..
e- k T ' kB e a constante de Boltzman e T a temperatura do
B
sistema.
Tomando-se o traço de p(r"r';
8)
teremos apartição
Z,
-8
EnZ =
í
e
=J
dr p (r, r; S) Jn
e consequentemente a energia livre F, do sistema dada por
-8
F = Z •e
Se compararmos
(2.15)
com(2.14)
temos quefunção
(2.16)
(2.17)
p(r",r';8)
=K(r",
t'-
i81f
r'
t ' )
(2.18)
Com a equaçao (2.18) vemos que o conhecimento do
pro-pagador nos permite calcular a matriz densidade, através de uma
extensao para intervalos de "tempo" imaginários, quando o Hamilto
niano do sistema nio depende explicitamente do tempo.
2.2.2 - Propagador e Matriz Densidade no Formalismo
de Integrais de Trajetoria
Vamos considerar inicialmente o propagador para um
sistema de uma particula, sujeita a um potencial V(x), com apenas
um grau de liberdade. Usando a equação (2.10) podemos subdividir
o intervalo (t",t') em intervalos infinitesimais, ou seja,
K{x"t";
x't')
=fdX1
dx
nK{x"t'"
'nx t )
n •••...
K(Xj+1
tj+1
x.
Jt. ) ...
JK(x
1t ; x't'),
1(2.19)
onde
t.
J+ 1 -t.
J =8
ê
um infinitesimal.Considerando apenas K(x'+lJ t.J+
1;
x.t.),J J ternos quex.
t.)
=J J t.>J =
<
xj+1
-i
e:exp {-- ( p2/2m + V(x) } I x.>
~ J
(2.20)
Embora p2/2m e V(x) não comutem, este fato pode ser
desprezado, porque isto nos leva a um erro da ordem de e:2•
Desta forma, podemos escrever (2.20) corno
-ie:
K(x'+lJ
t. 1:
J+. x.Jt.)
J = <x. J+ 11e11
2
L
2m Ix.>J
iEV(x.)
-li
Je
(2.21)o
primeiro fator da direita em (2.21) corresponde ao~
.
-
~- ie
~-~~j+ll~ ~
2m
Ix)
iõ (_ m )1/2 exp(!
m
J 2TIi~E ~
2
.::.
x.
1 -
x.
( J+ J)2 E} (2.22)
E
Como
(X'+I
J-
X.)/EJ é a velocidade média da partículaentre xj+1 e
Xj'
podemos finalmente escreverK(x.
t
.
i
1(1.,
i.
t)
J+1
J'+1'
x.
Jt ) _
j -
A1.M
eUJ
J
t J•onde
(2.23)
(2.24)
e L(x.,J ~., t.)J J ê a Lagrangeana do sistema.
Substituindo (2.23) e (2.24) em (2.19) temos que
1
r··!
dXIK(x"t"; n~co limA= xIt')A
n
L L (x. , •
t.) }
x, ,j =0 JJ J
onde xo = x''n+lx = x" e E = (t"-t')/(n+l).
dx
n
A
(2.25)
o
conjunto de pontos (x't'
1 •...•
'Xn
,
t·"
n
•
xtil) representa no espaço (x,t) uma aproximação para uma
trajetó-r1a do sistema entre os pontos (x', t') e (x", til). Quando
toma-mos n ~ 00 a integração sobre todo o espaço para cada ponto inte~
para este sistema temos que
til
K(x"t";
x't')
x (
t)
exp ( ~ (
1•
L(x, x, e) de} •
• fDxCtl
onde a ação S, do sistema
ê
dada por(2.26)
~"
S =i
dt L(x,
t)
x,
(2.27a)
t '
e
n
dx. lim
TI
1
Dx(t) = A (2.27b)
n+oo
i
=1sendo A uma constante de normalização.
Para um sistema com diversas variáveis, o propagador
pode ser generalizado como
K(XI", ••• ,
x",
n
t";
Xl" ••• , Xn
"t')
=- r
f
~
s (
_ ... DXI(t) ...Dxn (t) efi Xl(t), ... , xn(t»
sendo
(2.28)
Usando (2.18) podemos escrever a matriz densidade no
formalismo de integrais de trajetoria como
p(x"x';
S)sendo S real dada por
· f
Dx(u)
5/11
e
(2.30)
~1í
s
=Io
du L(x(u),
•
x(U),
U)
(2.31)
onde u corresponde a um "tempo" imaginário e x(u) = dx/du.
2.2.3 - Determinação da Energia Livre
A energia livre F para um sistema, em equilíbrio
ter-mico, no formalismo de integrais de trajetória, pode ser
com (2.16), (2.17), (2.30) e (2.31), ou seja,
obtida
e
-SFf+OO
xl
S/fí
= -00
f
xl
dXI Dx(u) e (2.32)onde a primeira integraçao representa a trajetória cujos
inicial e final sao iguais.
pontos
Ê importante observar que o cálculo da integral sobre
as trajetórias para sistemas que apresentam certa complexidade
nem sempre
ê
possível ser realizado exatamente. Em alguns casos,o método variaciona1 ê útil, e com ele tem-se obtido bons resulta
3~
Vamos considerar um sistema cuja "ação" SI satisfaça
as condições:
19) S'
ê
suficientemente simples, de modo queexpres-sões do tipo
J
Dx ( u) G e SI
/fl
para funcionais G simples possam ser calculadas.
29) Trajetórias importantes na integral
S /-0
e
e em~x(u)
S ' / tí
e
são próximas, ou seja, S e
s'
são semelhantes quando são pequenas.Seja F' a energia livre associada a S', isto
ê,
f+OO
[Xl
e-8F' = dXI Dx(u)
-00 xl
S'/-o
e
(2.33)
Entao,
r
r
Dx(u)S/fi
-00 = e dXIXl -8(F-F')e
too
[XldXI Dx(u)
S'
/fI.
e
-00 xl
(2.34)
como
S
Uma vez que e e
(S-S') S
e , podemos escrever (2.34)f
-00+00[Xl
xldXl
Dx(u)
e(S-S')/1i
eS'/1f:OO
Ix:'
-
-8
(F-F ') -
-A equaçao anterior nos diz que e e o valor medio de •••
(S-S')/1\
d
- ..
-.
e , sen o esta med1a tomada sobre todas as traJetor1as
com o mesmo ponto inicial e final, comDx (u) eS'/"ft o "peso"
as-sociado a cada trajetória. Então
(S-S')/~
-B(F-F')
<
e
> =e
(2.36)
Para introduzir o princípio variacional, podemos
ob-servar que, se Y e uma variável aleatória, com uma densidade de
probabilidade normalizada, temos que
Y < Y>
<
e
> ~e
(2.37)Definindo o valor medio de S-8' com o mesmo "peso" u
(S-S')/fi
sado para e em (2.35), temos
{+oo
J:XI
< S-S'> =
-00 Xl
dXI Dx(u) (S-S')
e
S ' /"fidXI Dx(u)
(2.38)
Comparando (2.36) e (2.38), atraves de (2.37), temos
e finalmente
< S'-S>/fi -S(F-F')
e
~
e
F ~ F'-cS
•
(2.39)
onde
dXl Dx(u)
e81f'h]-1
(2.41)
A equaçao (2.40) representa o princípio variacional
.3
de Feynman. Nesta equaçao, se calcularmos F'- Ô para várias
"ações" S', o cálculo que nos leva ao menor resultado representa
o valor mais próximo ao da energia livre correta. Se
s'
= S,te-mos F' = F. Entretanto, se S' difere de S por um valor
infinite-simal, a diferença entre F e F'- ô ê de segunda ordem.
Para usarmos este principio tomamos a "ação"
s'
comoS'=
S'(a,
b,
.•• )
(2.42)onde a, b, etc., são parâmetros que devem ser ajustados de modo a
fazer com que a energia livre obtida satisfaça a condição
a F'
da
a
F'
=
ai;
o (2.43).
.,..
-o
mesmo pr1nc1p1o pode ser usado para o calculo dae-nergia do estado fundamental. Para isto, vamos considerar a
fun-ção partifun-ção dada em
(2.17),
ou seja,-SF
Z =
e
=};n
-SE
Quando a temperatura do sistema
é
extremamente baixa8 ~
00 e consequentemente a sérieé
dominada pelo termo de-8
Eenergia, e o. Deste modo,
menor
e
lim Z
S~oo
F = E
o
_SE
= e o (2.45a)
(2.45b)
Nesta condição, o principio variacional para o
cãlcu-10 da energia do estado fundamental sera
Eo "< E'-o
onde ô
é
dado por (2.41), no limite B -+ 00.(2.46)
3 - PROPRIEDADES ELETRONICAS NUMA INTERFACE
ISOLANTE-SEMICONDUTOR
Quando uma carga puntiforme está situada na
vizi-nhança de uma interface de dois meios, o potencial num ponto qual
quer deste sistema pode ser calculado atraves do metodo de imagem.
Se neste sistema admitirmos que a interface entre
os meios
é
um plano ideal, o cálculo do potencial imagem e relativamente simples Entretanto, se desejarmos tratar o problema de
um modo mais realista, devemos levar em conta o fato de que a
in-terface entre dois meios é rugosa. Desta forma, o cálculo do
po-tencial num ponto qualquer torna-se mais complicado devido às con
dições de contorno na interface.
A rugosidade da superfície modifica de modo
signi-ficativo as propriedades de sistemas de elétrons que com ela inte
32.
f
-·1
d
•.
d
ragem. Desta orma o calcu o o potenc1al dev1 o a uma carga,
próxima a uma interface rugosa, e importante para o estudo destas
propriedades.
3.1 - Potencial ~ ~ Car2a Próxima ~ uma
Interface Rugosa
Consideremos uma carga localizada nas proximidades
da interface de dois materiais dielétricos, de constantes
diele-tri cas E 1 e E2 •
~
sendo ç(r)
-+
Z = z:;(r)
'" ~
.
uma funçao estocastlca de
~
r
=..•. ..•.
x x + y y
(3.1)
com as
seguintes propriedades:
-+
< I;; (r» = O
-+ -+ -+ -+
< I;;(r) I;;(r'» = B2 w(r-r')
(3.2)
(3.3)
onde
-
desviointerfaceBdodaquadrâticamediarela-e ra1Za com
-,
superfície
-+ a media
çao 1;;representa(r)a> <os plana, sobre
-+
-+ -+
-funçãocorrelação
associa-valores umaw(r-r')1;; (r)
e
deededa
ã
forma da superfície.Para este sistema,
- .
-+-campo eletr1co E sào dados por
- • -+
o vetor deslocamento eletr1co D e o
e
-+
D
(x)
E(~)
-+
z > z::(r)
-+
z < z::(r)
(3.4a)
(3.4b)
-çoes
o potencial eletrostático
~
z'
>ç(r)
~ (~I~')
satisfaz
as
equa--+
z'
< z;;(r)= O
-+
41TQ
ô(~-~')
z> ç(r)e: 1
4-Z <
ç~r)
(3.6a)
(3.6b)
Q -+ -+')
= -~
ô(x-x
E:2
-+
Z > z;;(r)
-+
z < z;;(r)
(3.6c)
(3.6d)
Como condições de contorno devemos ter a continuidade
do potencial e do vetor deslocamento elétrico na interface, ou se
]a,
e
-+1-+ '" -+1-+
P
(x
X')I z=r;(r)-+ _ = 't(x x')
-+ +
z=r;(r)
(3.7a)
-+
-z=z;;(r) z=z;;(r)-+ +
(3.7b)
onde n é o vetor unitário,
-
....
-+
normal a superflcledado
z
=l;;(r)por
-~
-+
-+ 2
a -+ 2 1/2
.•.
(
(al;;(r»(-:;),_ ar,:( l;;(r» }+(3.8)
{I
(r) .+.1)
Definindo
q •
e
€ •
(3.3) e (3.7) podem ser escritas como
+
z'
>~(r)
2 ~
+ 1+
+
-+,'i/ ~
(x x')
= -4'ITq 6(x-x )
=0
+
z'
<~(r)
(3.9)
(3.10)
+
z
>~(r) (3.11a)
-+
Z <
~(r) (3.11b)
-+
Z >
~(r) (3.11c)
+
Z <
~(r)
(3.11d)
+
-z=~(r)
z=~(r)
-+ +(3.12a)
(3.12b)
A solução das equações acima
e
dada por:-+
z'>ç(r):
-+ -+-+ik.(r-r') 27Tq -klz-z'l
e
(--)
e
+k
-+
z'</:(r) :
-+ -+
<I>(xlx') ::
-+ -+
C(k)eik•r
- kz
e
kz
e
-kz
e
-+
z>l.:(r)
-+
z>l.:(r)
(3.13a)
(3.13b)
(3.l3c)
-+ -+ -+
I
I
ik.(r-r')
27Tq-k z-z'
e (--) e +
E
kz
.•
+
+ .)
+
+-onde os coef1c1eutes A(k ), B(k ,C(k) e D(k ) sao determinados
pelas condiç~es de contorno, ou seja, por (3.l2a) e (3.l2b).
Para uma forma qualquer da superficie nem sempre
ê
po~sivel obter exatamente estes coeficientes. Entretanto, se consid~
rarmos que o desvio da interface com relação a uma superficie pl~
na é pequeno, podemos tratar a rugosidade como uma perturbação.
Assim, se considerarmos as condiç~es dê contorno (3.l2a) e (3.l2b)
e expandirmos o potencial e o campo elétrico em potências de
+
.+
+
~(r) , teremos para os coeficientes A(k ) e B(k )
+
+
Aek)-Bek) _ 27Tq k
d2q
ik.;' e-kz' -
27TqJ
e27T)2e
+ +
-iq.re
-qz'
+ +
e x ~(k-q) q~(k-q)(A(q)
+ +
+
++
+ Beq))
+ +
q
e-iq•r'
+
+ + +
1
~eQ)l;(k-q-Q)- q
2
(A(q)-B(q))+
+
+
+ + +
l;(Q)l;(k-q-Q)
(3.14a)
correspondente a (3.12a) e
AlkJ + E BlkJ :: 27Tq
k
-+ -+
-ik.r' -kz'
e 9
-+ -+ k.q
q
-+ -+, z' -+-+
-iq.r
-q
((k-q)
+8
8
-+ -+ -+ -+ ~ ~
~(k-q) (k.q) (A(q)- E 8(q))+
-+ -+
-iq.r' -qz'
e
e
J
d2Q -+ -+ 1 -+ -+ -+ -+ -+q --- (q.Q + - q2)xl;(Q) Ç(k-q-Q) (A(q) +
(21T)2 2
+ E B(q))
(3.14b)
correspondente a (3.12b). Em (3.14a) e (3.14b) tomamos a transfor
-+
mada de Fourier de Ç(r) definida por
-+
Podemos reescrever (3.14a) e (3.14b) como
-+
r
Lq+(-[(Lq-1)
A ( k)
I
__ 1_
f
d2q-+ -+
q L;(k-q)Ix I
S(k)
I(+1
(2TI) 2I
R.q-l-E(K.q-lJ-+
A(qJ
x
-t
B (q)
1
+
--E+1
1
-+1
(
( ~ o
1
(
(q.C) + - q) - (q. + -+ -
-
q)k k 22 22
x
1
(q.ô +.!
q)1
E - o
1
1
-
-
- (q. + -+ q)k
2 2
k 2 2
-+
A(qJ1 -+ -+
I
l-E2TIq
-ik.r'-kz'
I
I
e e +
B ( ; )1
(t:+lJk
I
2 27T q + -~-E:+1J
• -+e-lq.r
rR.éi-E:J-+ -+ -
z'
~(k-q) e q ~ +
K.q+E:
Sd2q
d2 Q
-+ -+
-qz'
27Tq
J
q-iq.r'
+ -- ~2
q
e e
E+1
( 27T ) 2
1
- -+1E
-
( q •+ -Q-
-
q)I:; (Q)~
(k-q-Q)
k
2 2
I
1 (- -+1 1 - kq.Q + -2+ -2 q)
onde
q
e
t( sao vetores-
un1tar108.-
..
na d1reçao-
de q... e k, respec-tivamente.Usando as mesmas aproximações podemos obter os coefici
-+ -+
-entes C(k ) e D(k ), que sao dados por
1
e:+lf
[Léi+e:
-+ -+
d2q q r;(k-q) .
(2TI)2 R.éi-l -e:R.éi+e:j-e:R.éi-l
x
1
e:+l
J
2 . -+-+-+
q T,;(O)!;(k-q-Q) x
1
(éj."Q + .!. q)
e:
~ (éj."Q + .!. q)
e: +
-k
2 2 k 2 2
I
x
1
(éj."Q + .!. q)
1 e: - -+ 11
-
-
- (q.Q+ + - q)k 2 2 k2 2 -+ C(q) 2TIq (e:+llk -+ -+ -ik.r'
e
e
kz' _ .2TIqe:+l
x
[
R .q +
1
-+ -+qz' +
I
-+ -+•
f
d2q -iq.r'T,;(k-q)e
e
2'ITq
+-E+l
J
,-+ -+
q q-lq,r eqz'
-+ -+ -+ -+
~(QH(k-q-Q) x
1 (-
q,~*
+ -1
q) 21
-
-+1
(q,Q + - q)
1
+
-2
1
(3.17)
k 2
• -+ -+ -+
As equaçoes para os coeflcientes A(k ), B(k ), C(k ) e
-+ - -+
D(k)
contim a transformada de Fourier para a funçao ç(r), quedescreve a rugosidade. Esta função não pode ser conhecida para t~
dos os valores de
t.
Assim, para o cilculo destes coeficientes,- ••.• (-+)
tomaremos a med1a sobre os poss1ve1s valores de ç r • Para esta
média, admitiremos um processo estocistico estacionirio com as
propriedades
e
-+
< r,;(k» = O
(3.18)
(3.19)
onde g(lk
I)
seri o fator de estrutura da superfície. Este proces-+
so de tomar a média sobre os valores de Ç(r) restitui a invariân
cia translacional do sistema com respeito a qualquer ponto sobre
a superfície.
• •. ~. A ~
coeflClentes. usando
~(k )
como parametro. Entao. pOdemosos coeficientes comO
A(k) • A(O)
(k)
+A(l)
(k)
+ A(2)(k)
+ •••tomar
(3.20a)
(3.20b)
+ ••• (3.20c)
(3.20d)
onde o fndice de cada termo indica a ordem em l,;{k-+- ).
Substituindo (3.20a) e (3.20b) em (3.16), e comparando
-+-os term-+-os independentes de Ç(k ), temos
= 2TI q
k
1
(E:+1)
.-+- -+-,
-1.k.
r
e
-+--k.
e
(3.21)
Com (3.20a), (3.20b) e (3.21) podemos comparar em
(3.22)
Finalmente, usando (3.20a), (3.20b), (3.21) e (3.22)
+
em (3.16), e comparando os termos de segunda ordem em ~(k ),temos
- 4rrq
J
J
+ +
-iQ.r -Qz'
e
e
?;(k-q)+ +
+ +
r€CE-1l+2Eéi.(0+k)-(Léi)X(éi.O)(E-1) ]ç(q-Q) x
- ( E -1) - 20. éi+2 €C R •éi ) - (R •éi ) (éi •O ) ( E -1 )
~
De modo análogo podem ser obtidos os coeficientes C(k )
~
e D(k ), e entao teremos
r
2
C (O)
(~)l
~
~,
kz'
-ik.r e
1
~ e(e:+1)
(3.24)
Ll-l/e:J
=k
(O)
D(k )
Jk.q-l
-C(I)D(I)
(k )]
(k )
e
(s-l)
J
= -4TIq 1_-,-1\L
,
~ ~[
eq·z i;;(k -q )x
.~
~"
-l.q.r
e
I
k.q+l/E: J (3.25)
- 4TIq
( E: -
1)
(E:+l)3
~ -+ -+-+
1:; ( k - q )/;; ( q - O ) x
[ -(E:-l)+2~JE:a-t)-(E:-l)x(R.~)(~.O)
-+ -+
-iO
r'
oz'
x q e e
1 - l/E:- 2 ~ • ( R +O ) - ( E:- 1 ) x { R. ~ ) (~ •O )
Uma vez que estamos interessados em valores midios, p~
-+ -+
demos usar (3.18) e (3.19) e obter os valores de <A(k »,<B(k »,
<C(k »
e
<D(k »,ou seja,
< A(k » = A(O)(k ) + < A(2)(k »
(3.27a)
< Bci~» = B(O)(i~) + < B(Z)(k»
< C(k » = c(O)(k ) + < c(2)(k »
< D
(k )
> = C (O)(k )
+ < D(2)(k )
>onde os termos de segunda ordem são dados por
(3.27b)
(3.27c)
(3.27d)
(3.27e)
-4nq S2 (E-I)
(E+l)3
+ +
-ik.r'
e e-kz'
e
< C(21
(t»'
=
-+ -+ -ik.r'
8
8
kz'J
q x
r-C€-1)+2K.qC€-1)-CK.q)2(€-1)
(3.29)
Admitindo uma forma Gaussiana para o fator de
estrutu-ra
g(l"k I),
(3.30)
onde a
ê
a distância de correlação transversal (fig. 5) , e tomando
teremos
q
(cos e. sen e)
(cose. sene )
(3.3la)
1+k
+,
- •r
e
xe
(3.32)
-+ -+
-ik.r'
e
e
kz' x\
,
I "
3
21
(- l
+l)
Jo (~)_2 E
4
E-I
I
com
sendo
J
n
(~)f
(3.34)
e I
n
(y) a função de Bessel modificada, cuja representaçaogral é dada por
(3.35)
inte-1
100
In(Y) = TI o de eycose
cos(ne)
(3.36)
Efetuando a integral em (3.34) (Ap.B), temos
J
n
(O
=16
Definindo o potencial médio como
(3.37)
-+ -+
= <I> -+ -+
rrr(xlx')
-+ -~
z'>z;(r), z<~(r)
-+ -+,
z'<ç(r), z>ç(r)
(3.38b)
(3.38c)
(3 • .38d)
e substituindo os resultados {3.21), (3.27a), (3.27b), (3.32) e
(3.24), (3.27c), (3.27d)~ (3.29) em (3.13a), (3.13b), (3.13c)
e
(3.13d),
respectivamente, teremos1
( q /
a
J (p 2+d2 ) 1/2(q/aJ (E-1
E+1
1
( P2+U 2 ) 1/2
(3.39a)
(q/a) 2 E+l
+ 8(q/a) (E-l)2
( E+
1)
3x
4> -+-
-+-IV (xix')
onde
(q/a)
1
E:
1
+ 8(q/a)
1
(P2+d2)1/2 + (q/a)
(E-I) +
(3.39c)
d~J o(~p) [ (E:- .!.)
J
(~)
2 o
+
+ 4E:
E:-1
(3.40a)
r
odçJ o(çp) e-Çu
00
{
dçJ o (çp) [(~ - 1) Jo(ç)+ 4E:2 E:-1
Jdç)
+....
Em (3.40),
J
o(~p) e a funçao de Bessel de ordem zerod =
I
z-z
II
Ia(3.41a)
(3.41b)
(3.41c)
2
-Os termos de ordem B representam a correçao no
poten-cial imagem devido
ã
rugosidade da superfície que depende das fu~ções GI (u,p) - G1V(u,p). Em geral estas integrais devem ser
fei-tas numericamente. Entretanto, em certos casos limites ~ possível
obter expressões assimpt~ticas. Isto torna mais claro o efeito da
rugosidade. Então vamos considerar p=O eu» 1 para o
~I~
-~ (x x'). De (3.40a) podemos
I
observar que nesta regiaopotencial
apenas
os pequenos valores de
ç
contribuem para a integral. Considerando- .- 33
o comportamento das funçoes de Bessel In
(ç)
nesta reg1ao, temosI
o(O
=1
ç«l
[,«1
(3.42a)
I
-1
/
2u;
) • (
3.TI )1/2-1
~ V2
~«l
(3.42c)~«l (3.42d)
Substituindo (3.42) em (3.37) ficamos com
(3.43a)
(3.43b)
(3.43c)
Com (3.42) temos para Gr(u,O)
+ 128
(3.44)
AAAim, o ~otêncial na regi;o
-+
z ~
~(r),
z' ~ O epa-ra valores de u
»1,
sera dado por"
~I
(z Iz '} : (QI
a) _
E-I
ill.gl -
8
(q /a)
((-1)'
:x.
d e:+1 u(e:+1)3
8
+
3n1/2
1
(3.45)
...
]
+ ---- (2e:-5) -- + 64 u4
- I
Os termos da expansao aClma correspondem aos de uma ex
pansao em mu1tipo1os para uma distribuição de cargas na
cie. Assim, a rugosidade tem como efeito "espalhar" a
gem (puntual) numa distribuição de cargas.
3.2
-
Rugos idade .~ Si stemasMOSFETcarga
~ma-Para o cálculo da energia de ligação devido a
impure-zas carregadas no isolante, e da separação entre sub-bandas, os
l1,22, 23
modelos citados no capítulo
1
possuem um ponto em comum.Es-ta identidade refere-se
ã
forma da interfaceisolante-semicondu-tor, isto
é,
considera-se que a mesma seja uma superfície plana.Entretanto, no estudo das propriedades de transporte
em camadas de inversão, um efeito importante tem sido atribuido ã 34
rugosidade da interface. Isto nos leva a analisar este mesmo
3.2.1 - Impurezas carregadas no isolante
Consideremos num sistema MOSFET uma impureza isolada e
carregada positivamente
Z-+l,
situada no 5xido e pr5xima da interface isolante-semicondutor. Em particular tomaremos uma camada de
inversão tipo-n na região z ~ O , p ara o s is tema S iO - Si [OO 1]2
A energia potencial dos elétrons na camada de inversão
é devida basicamente às seguintes contribuições:
a) Carga imagem (V )
a
b) Rugosidade da barreira de potencial na interface
(Vb)
c) Campo elétrico aplicado (V )
c
d) Impureza carregada (Vd)
Nos itens acima seri levado em conta, como uma
pertur-bação, o efeito da rugosidade na interface.
Finalmente, usaremos a aproximação de massa efetiva as
sumindo que as transições entre os elips5ides de mais baixa
ener-gia não serão levadas em conta.
Com estas considerações, o Hamiltoniano para este
sis-tema pode ser escrito como
H = 112
2m
t
onde mZ e mt representam as massas longitudinal e transversal.
Se tomarmos a energia em unidades de Rydberg efetivo e
!9
as distâncias em unidades de raio de Bohr efetivo dados por
e
*
4/
Ry = 2mZ
e
1'i2(e: s+e:ox)2= ~2 (e: +e:s ox)/2m
t
e2( 3 .47
a)
(3.47b)
onde Es e Eox são as constantes dielêtricas de semicondutor e de
óxido, respectivamente, podemos escrever o Hamiltoniano do
siste-ma como
onde
e
Ho
=-y
+ Ô 4>a
(z)
+z ~ O
(3.48)
(3.49a)
•
e
e: -e:
s ox4E
S
À-1l4(e:+e: s ox)3/4m2e5
t
(3.50a)
(3.50b)
(3.50c)
..
*
Part1cularmente para Si02- S1 temos Ry - 42.3 meV, e
*
ctaB = 21.8 A.
o termo Ro representa o Ramiltoniano para um elétron
na camada de inversão se~ a impureza e RI para o movimento no pl~
no perpendicular
ã
interface.As contribuições devido ã imagem (~ ) e ã
a
impurezaque
são obtidas direta~ente de (3.39a) e (3.39b). Com isto temos
e
~a(z)
-
..!z16e: e:-e:
s s ox
a
(e: +e:s ox) 28
a
(e: -e:
)2. s
ox
(e: +e:S
ox
)2•
(3.51)
onde a impureza está situada no óxido a uma distância zo da inter
face
,It'l-
0,
u - z/a
eu-
o(z+z
o)/cxPara o potencial devido ao campo elétrico tomaremos o
potencial "nearly self-consistent" usado por F.J. Ohkawa e Y.
Ue-5
(
~
mura Ap.B), que e dado por
E
s
onde
~ (z)=
C
-4ne
Ninv
E
S
-tz 1 2 3
e ( - tz + 2z + - ) +
2
t
41TeNdeP1
z
(3.53)
t
3 = 48mZ7Te2( wN.l.nv
+Nd·ep
1)E:
s
-l'l' 2(3.54)
sendo w = 11/32, N.1nv a densidade de el~trons na camada de
inver-sao, e Ndep1 a densidade de cargas na camada de depletion.
A contribuição da rugosidade na barreira de potencial
sera analisada posteriormente, no apêndice C.
Devido ã rugosidade existe uma variação da densidade
de cargas na camada de inversão e do campo el~trico na superfície.
Estes efeitos são importantes no cálculo da mobilidade, uma vez
..
(+)
que devemos tomar os termos de pr1me1ra ordem em ç r .
Entretan-~
-
(+)
2to, no calculo da energia de ligaçao apenas os termos em
ç
rsão importantes, e consequentemente a variação da densidade de
cargas na camada de inversão e do campo elétrico na superficie
não contribuem.
inver-rugos! sendo são com a impureza e dada atraves da diferença entre a energia as
sociada a H (3.48) e a enerlia alsociada a Ho (3.49a). Embora o e letron esteja sujeito a um potencial estocãstico, devido
ã
dade, podemos considerar energias associadas a H e Ho como
bem definidal. Isto porque a distância media do elétron ã superfí cie é muito maior que o delvio quadrâtico medio desta superfície (8). ASlim, estas energias serão calculadas através do método
va-riacional de Ray1eigh-Ritz (item 2.1). Para ilto devemos
conside--
+
-rar autofunçoes '(x)e fo(z) que minimizem o valor medio de H e Ho relpectivamente.
Como estamos levando em conta os eletrons da camada de
inversão, situados na primeira sub-banda, podemos tomar
35
f (z) a forma variacional
o
de Fang e Howard dada porpara
-b z!2
o
z e z ~ O
(3.55)
onde b
o
i
um parimetro variacional. Como autofunção de H tomare-mos.•.
'l'(x)
- X(x,
y)
f(z)
(3.56)
onde f(z) tem a mesma forma de
(3.55),
com b • bo
como parâmetrovariacional.
Na ausência de impureza, a função X(x,y) serã uma onda
plana.
Para o cálculo do estado fundamental do elétron ligado
ã
impureza, a função X(x,y) consiste numa função de ondatipo-hi-drogênio correspondente ao nivel 2p •o 56 Assim~ tomaremos X (x,y)
como
x(x,
y)
.(~)1/227r