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Na realidade... a dade jaz num abismo

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"NA REALIDADE... A VERDADE JAZ

NUM ABISMO" 12

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Rui Verlaine Oliveira Moreira

José Anchieta Esmeraldo Barreto

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

I . "A todos os homens é compartilhado ...

pensar sensatamente". 16

m d pr blcma básicos

r .sp .ito ( ju 't i r i .aça

(2)

a conclusão éfalsa, nã

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

r rque falta o nexo, a coerência (forma), mas

porque o juízos (propo içõcs) que precedem a conclusão são falsos.

O iaciocíri " no qual existe coerência. nexo (forma) é chamado

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

c o r r e i o (quer seja verdadeiro ou falso), se porém, os juízos (matéria)

são também v e r d a d e i r o s tem-se o raciocínio verdadeiro.

A dedução não garante, portanto, a veracidade das proposições

(juízos) iniciais ou premissas. O que ela assegura é a veracidade

da conclusão, supondo-se as premissas verdadeiras. Quando se diz,

por exemplo, todo a é b e c é a logo c é b tem-se um argumento

formalmente correto. Se as premissas todo a é b e c é a forem

ver-dadeiras, segue-se que a conclusão c é b é também uma proposição

verdadeira. E neste caso tem-se um argumento formalmente correto

e materialmente verdadeiro, ou seja, válido. Vê-se, portanto, que a

dedução diz respeito apenas à forma do raciocínio correto, e que para

se garantir a verdade da conclusão deste argumento, ter-se-á primeiro

que estabelecer a verdade das proposições introduzidas como

pre-missas do raciocínio. Desta forma, a dedução não contribui muito

para a solução do problema proposto, isto é, como saber se uma lei

ou teoria é verdadeira.

Pensou-se que a i n d u ç ã o seria o método adequado para

com-plementar as lacunas apresentadas pela dedução e suficiente para a

definição da veracidade das proposições em estudo. Assim, a

vera-cidade das premissas seria estabelecida i n d u t i v a m e n t e , garantindo-se,

portanto, a veracidade da conclusão. Entretanto, tal não aconteceu.

A indução tem sido e continua sendo objeto de análise, crítica e

dis-cussões2 e 26. Várias tentativas foram feitas no sentido de justificar

a indução como um processo logicamente válido para se buscar a

verdade. Dentre elas destacam-se as soluções propostas por William

Kneale e Max Black. Apresentar a posição destes estudiosos é

obje-tivo do presente trabalho que constará de três partes: a) a solução

de Kneale: b) a solução de Black: e c) conclusão crítica não só

so-bre a posição dos autores aqui estudados, mas também sobre

aque-las já discutidas em trabalhos anteriores. 2 e 26

2. "Não conjecturemos à toa

obre as coisas supremas"14

A solução para justificar a indução, apresentada por Kneale,

tem algumas características próprias que a distinguem de outras

ten-tativas feitas para equacionar este problema, e pontos de

concor-dância que a aproximam destas mesmas tentativas.

2 Educação em Debate, Fort. 21/22 (1/2): p. 1-19 jan./dez. 1991

Basicamente, pretendeu-se justificar a indução através de três

ub rdagens distintas. A i n d u ç ã o c l á s s i c a , defendida por B a c o n e

S t u a r t M i l l , sustentava-se na veracidade das conclusões obtidas e

pre-tendia ser uma v a r i a ç ã o d a d e d u ç ã o , pois "o pressuposto subjacente

l i esta abordagem era que a indução poderia ser justificada somente

se fosse apresentada como uma variação da dedução". 17 E o

pró-prio Bacon afirma: "o nosso método de descoberta das ciências quase

qtC iguala os engenhos e não deixa muita margem à excelência

in-dividual, pois tudo submete a r e g r a s r í g i d a s e d e m o n s t r a ç õ e s " : (grifo

do autores). As tabelas de investigações de Bacon e os cânones de

Mill são "essas regras rígidas e demonstrações".

Mais recentemente. procurou-se situar a i n d u c ã o d e n t r o d a t e o

-r i a d a s p r o b a b i l i d a d e s . Neste caso, não se pretendia asseverar a v e

-r~lc~dade de. uma proposição, mas a sua p r o b a b i l i d a d e . É esta a

po-, I .'ao de R e i c h e n b a c n e C a r n a p entre outros. "O lógico dos nossos

<.IIU , crente das falácias da filosofia do racionalismo, abandona todas

as tentativas. de c~mstruir uma lógica indutiva a partir da razão pura.

método indutivo apresentado pelo cálculo das probabilidades é

um instrumento muito mais poderoso do que qualquer outro

substi-lul construído sob o nome de crença racional". 30

Finalmente, há aqueles que, seguindo P o p p e r , consideram a

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

in

-d u ç ã o , da maneira como vem sendo posta, u m fa l s o p r o b l e m a . "Essa

mincira de ver o conhecimento permitia-me reformular o p r o b l e m a

d a l n d u ç ã o , de Hume. Nessa reformulação objetiva, ele deixava de

Sl!1 um problema acerca de nossas crenças - ou da racionalidade

dela - para transformar-se num problema acerca das relações

ló-ri 'U ' entre enunciados singulares (descrições de fatos singulares

"obscrváveis") e teorias universais. D e s s a fo r m a , o p r o b l e m a d a i n

-d u ç a o t o r n a - s e r e s o l v i v e i ; não há indução, porque teorias universais

nuo 510 deduzíveis de enunciados singulares". 27

K n e a l e nãc se enquadra em nenhuma destas posições. Aceita,

contrariamente a Popper, que a i n d u ç ã o é u m p r o b l e m a e p i s t e m o i á

-g i c o r e a l e n ã o u m m i t o . Entretanto, não procura justificá-Ia nem

pclu veracidade de suas conclusões nem através da teoria das

pro-b pro-bilidades . "E claramente um erro supor que possamos justificar

este pr cedimento, mostrando que suas conclusões são certamente

ver lndcira , pois é um lugar comum se afirmar que suas conclusões

são aJ enas prováveis". 17 "A probabilidade das conclusões da

in-du'U depende da justificativa da indução e não vice-versa". 17

c a indução não e justifica nem pela veracidade nem pela

prohabilidadc de suas conclusões, qual a solução apontada por

(3)

' I l ~

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

11

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

' I A r posta a esta questão aparece na medida em que e l e

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

( " IIIc /a o s v á r io s a s p e c t o s s o b o s q u a is c o n s i d e r a o m é t o d o i n d u t i v o .

I m primeiro lugar, para Kneale "as proposições que tentamos

, Iib c c e r pela indução ampliativa são ou leis ou regras de

proba-b llld a d ".9 Tem-se, portanto, d o i s c o n c e i t o s d i v e r s o s : leis e regras

l i p r habilidade'.

Na concepção de Kneale "as leis devem ser consideradas como

princípios de conexão necessária entre caracteres"22 ou, em outras

palavras, as leis são "princípios de necessidade e afirmam conexões

necessárias entre propriedades". 33 Quando se afirma, por exemplo,

qu.e o calor dilata os metais, está-se dizendo que a presença da

pro-priedade calor, em maior ou menor intensidade, acarreta

necessaria-mente a presença de um comprimento maior ou menor do metal em

observação (dilatação linear).

Aceita esta concepção, não se pode, evidentemente, afirmar que

uma determinada lei seja p r o v á v e l , dando-se a esta palavra o mesmo

significado que tem na t e o r i a d a s p r o b a b i l i d a d e s . "A única

alterna-tiva de análise aceitável para as leis é considerá-Ias como princípios

modais de conexão necessária entre atributos. Porém, não faz

sen-tido atribuir uma probabilidade, no sentido em que este termo éusado

na teoria das chances, a um princípio modal. Probabilidade, neste

sen-tido, pressupõe possibilidades alternativas reais e objetivas; é

total-mente sem sentido considerar um princípio de conexão necessária

como uma possibilidade alternativa entre outras". 9 Isto significa que,

se uma propriedade A necessita de uma propriedade B , é ilógico se

aceitar que a mesma propriedade .4 possa admitir a possibilidade de

ser não B . Considere-se, por exemplo, que A seja a propriedade s e r

h o m e m necessita da propriedade s e r m o r t a l , e isto é explicitado na

asserção geral da lei biológica de que todo homem é mortal. Não cabe,

no caso, se pensar em outras alternativas como não mortal, mais ou

menos mortal ou coisa que o valha. Como diz Kneale, "Se uma

pro-priedade A necessita de uma propriedade B, esta verdade não pode

ser uma entre várias possibilidades. Pois, verdades de princípio,

con-trariamente à matéria de fatos, não são colocadas num contexto de

alternativas" .22

Já para as regras de probabilidade, as relações entre as

proprie-dades "devem ser analisadas em termos de necessidade e

indepen-Iência entre caracteres" .22 A situação geral é a seguinte: dadas as

Ir priedade a e b , a não necessita de b , nem necessita de nénhuma

outra propriedade incompatível com b . Isto significa que um dado

li p d u não ser b . Cabe agora definir probabilidade de modo que

',(lu ação em Debate, Fort. 21/22 (1/2): p. 1-19 jan./dez. 1991

r p . I I I l l • •tab lecer a regras para se d' l.nnln 11

ti, li S' r b .

) . nccito de probabilidade adotado por Knculc c '\11\ 1111 li I

, 111\ bas na n o ç ã o d e e q u i p o s s i b i l i d a d e . De fato, rct mu I li I 111 111

, Ilbhi 'U de probabilidade seguindo a orientação de L. pluc , 111

I l I d l l

1 1 '1rma: " t i teoria das chances consiste em se reduzi r m. todo I I

\ 'nt . de um mesmo tipo a um certo número de caso equip V'\,

j .10 é ca os obre os quais estamos igualmente indeciso ac \'(~I li'

I I U e~istência, e ern determinar o número de casos f:vorável!; t ~ I

I V n t o para o qual a probabilidade é pr~cu~ad~. A ra~ao deste n ~ l .

1 1 1 1 '0 para aquele de todos os casos pO$~IVelS e a medida da proba

hilidade" .25

Para superar o caráter subjetivo da definição laplaciana, Kne~Je

tenta definir equiprobabilidade, introduzindo a noção de a l t e r n a t i v a

ú l t i m a sob uma propriedade ou conceito que se considera. Um

exern-I 1 0 esclarecerá melhor a questãc . Seja a a propriedade ser-hom~m

e b a propriedade-ter-uma nacionalidade.

E

claro que a necessita

de b isto é. todo homem nasceu em alguma parte do globo

terres-tre ~, portanto, tem uma nacionalidade. Poré~, .a p:oprieda~e b

,ad-mite alternativas tais como: brasileiro, frances, mgles etc., Isto e, a

propriedade ter-urna-nacionalidade admite uma classe, d~ alternati:as

a ela subordinada que. neste caso, são alternativas últimas. ASSim,

para Kneale, casos sãc equipossíveis se estão numa classe de

~l:erna-tiva última gerada por uma propriedade. Portanto~ a probablh~ade

de uma pessoa ser brasileira seria definida pela razao en;re o

nume-ro de brasileinume-ros e o número de seres humanos. Ou se a e ser-homem

e c é ser-brasileiro P(a, c)

=

N(c).

N(a)

Finalmente na tentativa de melhor esclarecer o conceito de

e ui ossibilidad~, Kneale faz uma última distin?ã~ entre a sua.

po-~(ã: e dos 'Seguidores de Laplace. Para es.te~ u~tlmo~, alt~rn.at1va~

s~o equiprováveis s e n ã o e s a b e se as eVidencias disponíveis

tor-num um? alternativa preferível a outra qualquer. Para ~Ileale,

al-ternativas são equiprováveis e, e somente se, o c o ~ h e C l m e n t o das

evidências dispcníveis não é uficiente para s: ~refenr uma

~lterna-tiva a outra. No primeiro ca o, tem-se a u s e n c t a ~ e . c o n ~ , e c l m : n t ? :

enquanto no segundo tem- e - o n h e c i m e n t o d e a u s ~ n c l a . Ausência

de conhecimento ignifica \1 1 nte um fato a respeito da mente,

en-quanto que conhecimento d ausência significa, não somente um

fato a respeito da m ntc. ma também uma verdade acerca d~

a}g~-ma coisa ind~pend('nte d ta m ntc . .. De acordo com o principio

(4)

ti indiferença, alternativas são equiprováveis se eu sou indiferente

1\ I. minhas atitudes com relação a elas, De acordo com a teoria

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

I I I ' apresentei é necessário que as próprias alternativas sejam

indiíe-rentes, isto é, sem diferença com relação a um determinado

aspec-tü",21

Se a indução ampliativa procura descobrir leis ou regras de

pro-babilidade, fica claro, baseado na explicação anterior destes dois

ccnceitos, que se deseja "encontrar a resposta para alguma questão

que está além dos limites de nossa experiência atual", 18 Este tipo

J ( ' indução que Kneale chama de induçãc primária se preocupa,

por-tanto, em estabelecer, a partir dos fatos conhecidos, leis e regras de

probabilidade, Assim, a concepção de Kneale, sob este aspecto, em

nada difere da concepção clássica do método indutivo , Em ambas,

tenta-se, a partir de observações particulares, chegar a proposições

gerais, A diferença está na natureza das proposições que se pretende

estabelecer e na maneira como Kneale pretende justificar os

pro-cedimentos indutivos .

Se é verdade que as pessoas desejam racionalmente conhecer

além dos limites de sua experiência, "a indução primária é o único

método para se tentar fazer isto" ,18 Este método, que Kneale insiste

em chamar de uma

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

p o l í t i c a d e a ç ã o r a c i o n a l , consiste em se

conjectu-rar a existência de uma lei ou de uma regra de probabilidade,

con-forme seja o caso, a partir do observado, Quando se trata de leis,

isto será feito em dois momentos: "(a) procurando por novas

conjun-ções de caracteres, e (b) assumindo a impossibilidade de conjunções

que não foram descobertas após uma busca continuada" , 1 7 Na

práti-tica, tal política funciona na medida em que, dadas as propriedades

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

a e

b , verifica-se que a necessita de b e, por mais que se procure, não

se encontra nenhum caso em que a não necessite de b . Assume-se,

pcrtanto, que a n e c e s s i t a d e b e uma lei, Se a é ser-homem e b é

ser-mortal, sempre foi verdade que ser-homem necessita ser-mortal

e, por mais que se procure, não se encontra uma instância em que

isto não fosse verdade, Não resta outra alternativa racional senão

aceitar que a relação de necessidade entre ser-homem e ser-mortal

é uma lei biológica,

Para o caso das regras de probabilidade, observa-se numa

amos-tia a fr e q ü ê n c i a r e l a t i v a d e u m d e t e r m i n a d o e v e n t o e toma-se este

vai r como a probabilidade deste evento, Usando um exemplo do

p l' prio Kneale se a é p e s s o a q u e fa l a i n g l ê s e b é a l u n o d o O x j o r d ,

p U I 'O c determinar a probabilidade de a ser b , através de amostra

I '1 1 1 definida, calcular-se-ia a freqüência relativa de b , isto é,

núrne-I ' l l d ( { ' S que também são b 's , dividido pelo número total de o ' s .

",(I\1cação em Debate, Fort, 21/22 (1/2): p. 1-19 [an.Zdes, 1991

d di pr P r li

Assim fazendo, "estamos com efei,t~, te~tan o lZe\,(u~ b " l8 N

, d d íedade a esta incluída na amp 1u e '

tll\ amplitu e a pro~n d c te falam inglês e que são alunos

caso, qual a proporçao e pessoa. ql

<.1.\ Universidade de Oxfo,rd, d obabilidade, têm-se os

Determinadas as leis e as regras

d e pr .

A' É importante

xtrapolar além a expenencla,

in trumentos ~~ra, se e_ " 'a é uma política racional não

por-I ' ssaltar que a mduçao pnman or ue é a única maneira

que conduza com cert~za ao sucesso, ma;a!r 1sto é, fazer predições

de se tentar fazer aquilo ..~ue, s~ q~~:ta de ~e considerar a indução

verdadeiras" ,1~,A c~)llsequencl~r~~ee~butidos, em si, m e c a n i s m o s d e

como uma !,oht1ca e qU,e esta ue fatos novos venham a ser

obser-( / 1 I 1 0 - C O ~ r e ç a o" Na medida t:~aq de abandonar velhas conjecturas e

vados e possível que se à realidade É por esta

ra-huscar novas q;l~ melh~r co~~sP~i::~: recomenda' que,

inicialmen-zao que a política ~a , induç .p. les para explicar determinados

te, se escolham ~~ hlpoteses mals

dsl:n~ucão consiste em aceitar a lei

htos observados ' O processo a 111 > 'A 'a" 34

, , tar nforme com nossa expenencl '

m a i s S i m p l e s que. p~ssa es ar lei: . simples são mais facilmente

Ito porque as hlpoteses ou eis mais

rjcitadas, se forem falsas, d Kneale tem

d d índucão primária apresenta a por ,

A abor agem a 1 , , , .' 'bilidade de se garantir

I racterísticas, A pnmeira e a impossi 'd A

l lias ca, b b T dade das leis por ela conjectura as, ,

LI vcractd~de ou a pro anui edimento indutivo, como a única salda

S 'linda e a defesa do proc , _ "para a

compreen-1 f zerem predlçoes uma vez que

ru .iona para se a" d uisa científica devemos abandonar,

suo correta do espírito a pesq e conceber a indução como

primciro, todo pensa~entod~e, se,g~r~~~~al controlada por um

escru-uma política de maior au acia m e

, d d " 18

pulo respeito a ver ,a e, do e reflexão de Kneale é o p a p e l

Outro aspecto, obJe!o do estu; ' e n t ' l fi c a s À primeira vi ta

, I - o n s t r u c a o d a s t e o r . a s CI, ,

-( / I / lU u ç a o n a c , , . tífica nada mais é que a c o n j u n li

p de p,arecer, que uma teoria cien detenninado do conheciment , h

l i várias le~s sob~e u~a;:~o descobertas através da induçâ pri

rssim as teonas senam , 1 \ 'I "

, I I d oberta de leis Juntamente com '

muna, responsavci p,e a esc . t I t al que permitiria a c nllll I

cim de um dlsclphnamento, ir: e echu do de teoria Tal 1 1 ( 1 ''1 1 1 1 1

1 ' ' tema umco c ama "

'1 \ de tas eis num SlS , íentíítca têm ( '1 1 ' 1 1 '1 •

C se sabe as teonas cie

10, não acontece" . orno , ' les leis ou conjunçõ de I' j ,

IIstlca que as dlstm?ue~ d: sl~fadas em linguagcm qu l ' 1 " 1 ' 'I

_nquanto as l~lS sao enun t t odem ser dir tum 111 Il' 111

I bjct perceptuaie e que, por an o, Pse reler a o h jC '/( ) .\ / I 'I I / I . \ ( 'C '/ I lus, li' t e o r i a s utilizam linguagem qU~ãO ser a / r a ~ ' { o s d i : s u u « ('(lI/SC'

( /c o /lta ; s c não podem ser testadas, a

22 (1/2)' P 1 19j n.lc\C'1., \1)1) \

),;(\ 11('11 ~o em Debate, Fcrt 21/ "

(5)

u i t ê n c i a ' .

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Nã se deve, entretanto, confundir a afirmação de que as

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Ixiri I ' utilizam uma linguagem transcendental com a perspectiva de

B rkcley eguida por William [ames e Ernest Mach, de que as

teo-rias ientííicas são sem significado, uma vez que os conceitos

utili-zados não têm nenhuma significação, são "conceitos ocultos". "Na

verdade, no sentido berkeleyano de oculto, todos os nossos c o n c e i t o s

científicos são ocultos: usam-se para descrever propriedades

estru-turais não vistas e, na verdade, invisíveis de um mundo não visto

e invisível. Mas isto não significa que as t e o r i a s que se formulam

com a ajuda desses conceitos sejam ocultas ou metafísicas ou

não-empíricas: elas podem muito bem ter conseqüências testáveis". 29

As teorias tratam, portanto, de coisas que não são observáveis

ex-pressas numa linguagem transcendental. Não faz sentido, por

exem-plo, falar em ver ou observar uma onda eletromagnética, conceito

básico da teoria geral do eletromagnetismo de Clerk-Maxwell. " B

mesmo impossível imaginar essas coisas, pois se tentarmos

imaginá-Ias devemos atribuir-Ihes qualidades tais como cor ou dureza

per-ceptível, as quais elas não podem possuir". 24

As leis, já se disse, são d e s c o b e r t a s através da indução primária.

"A novidade da teoria é que ela explica leis através de postulados,

os quais não são estabelecidos por indução direta da experiência e

não podem, na verdade, ser testados diretamente de nenhum

mo-do" .24 Neste aspecto, Kneale se alinha à maioria dos pensadores

contemporâneos, quando faz a distinção já clássica entre c o n t e x t o

d a d e s c o b e r t a e c o n t e x t o d a j u s t i fi c a ç ã o . Para se descobrir uma

teo-ria não existem regras nem treinamentos capazes de formar c r i a d o r e s

d e t e o r i a s c i e n t í fi c a s . Admitir que isto fosse possível, seria admitir

ser também possível ensinar alguém a se tornar um outro Shakespeare,

na literatura. A descoberta de uma teoria traz sempre a marca da

genialidade do seu autor. 19

Finalmente, as l e i s se referem a um a s p e c t o l i m i t a d o d a r e a l i

-á a d e . Já as t e o r i a s abrangem, na sua explicação, não somente várias

leis mas também i n fi n i t a s c o n s e q ü ê n c i a s delas advindas. Uma teoria

ou "uma hipótese explanatória não somente coordena um número de

generalizações estabelecidas por indução primária mas traz em si a

promessa de um número infinito de outras". 19 O ponto importante é

que a teoria não é apenas a conjunção das generalizações que ela

pre-tende explicar. Pelo contrário, é uma s i m p l i fi c a ç ã o c o n c e i t u a l . Assim,

por exemplo, a introdução do conceito de ondas eletromagnéticas por

I rk-Maxwell engloba e explica leis relativas ao calor, luz e

eletrici-ludc, além de sugerir outras conseqüências até então desconhecidas .19

l-stubcl cicias as diferenças fundamentais entre leis1e :eoria:~t~~~~_

r . t bé como uma política em re açao a

, indu 'U unciona am em , d f os utilizados com referência

I I I I I I S ' ncale ~ham~ os procde~s?s l~ ~~~ucão secundária não visa ao

teoria de i n d u c ã o s e c u n a n a . , b bilid d de

, I "

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

J , d ' em à pro ali a e

I l I h Iceimento d~, ve~aclda~e as t~~n.as ~ n é como a indução

pri-l i I . urirmações. A indução secun ana nao,' s antes uma

polí-l i ' uin , lima pol~tica p~ra s~ encontrar boaJ c~~:~s~~a enc~ntradas" .20

It i " d i boa vindas as coisas boas quan o , '

olítica funciona, considere-se a

si-Pura se entender como esta

f p b o a c o i s a que foi

encon-d ' ador comum ace a uma I '

111" , o pesquis 'E ' ta teoria descoberta por a guern,

I ' I é a uma nOV8teoria. s, b i t d es

11.11o , h.

ár

d t dos os interessados no o je o e

-11'1" 'cnlada para a an lS~ e ~ fato inconteste que todo cientista

I l I d o qu ela pretende eX~~lcar__ mais completa possível. para os d I I i l l ncontrar uma exp lcaçao, a contra tal explicação, mesmo

t , I o sconhecidos e que tod~ vez qude entl'sfacão pessoal bastante

pro-I e um sentimento e sa J '

I n l ' ( l I 1 l P ~a, ,o~or~ F deseio do cientista de decidir se esta teona,

íundo _lgmÍlcahvo. " o; hecidos Para isto ele procura

.1 , l i apre entada, ex~hca_ os ato.s, con dVlnd~s da teoria e m nuestão

'Idfi 'ar e as generahza<;oe~ ~mpm~~s a, dada uma teoria T dela se

I I h r'vivem aos te:tes ;mpmc?:. a s o S: for verificada verdadeira.

d I11111:lima genera:lzaçao empm~e p . for Pambém falsa, T será fal"a

11 lI' Ido T sobreViveu ao teste'

d Pd "O modo falseador de

infe-dif d u aban ona a

. deve er mo 1íca a o , . f 1 to de uma

con-, f id - a maneira como oa seamen

I "ri" qUIre en o 'd 1 deriva -

corres-II t l 1\ acarreta o falseamento do slstem~ , e al". 2 ~a J

I a m o d u s t o l l e n s da lógica tradlclona . ,

1" 1 I l ( ~ L ' A ' d teoria

T - d sobrevlvencla a

Pnl'nlelo a este proces~o d~ vert lcaí~~~asa ocorre o que T. Kuhn

\' -lu I 'te de suas generahza<;o~~ e~p 'I Uma teoria aceita

de-I111\\1111 d desenvolvimento da clencbla In

hormc1op'e~quisadora que consiste

- I ' ra o tra a o "

tj11' lIl11novo paralÜp,ma pa ..A ' e esclarecer os pontos

obs-I t d a suas consequenclas ' 'A

111 ' P rar o as Se, e "Há revoluções periódicas nas

cien-Itil' S, P r acasc nelas exu'ltente_. 'odo'< de prop:resso constante

du-Iius ma existe também ongods peri l:d Jpor 'especificacões

~UCf~S-, , - esenvc VI as

I I I \ l t O ouais as teonas sao . I

f d

dpsenvolvid'1 d < t a

ma-fí ica newtoniana, por exernn o, d Newton" 19

IS. , 1 depois ea mort~ e .

" 11'(1 P r mais de um secu o d" sibiHta portanto verificar se

P lítica da indução secun aria pos ',' os ao mesmo tempo que

, b' todos os testes emplIlC

11111(\ I.ona so revive a. E ta p"llítica é racional norque

p l' porei na o seu desenv~lvlmdento. bt eSaqtlilo que se deseja, isto é,

" maneira e se o er

-pur " r a umca "Q alquer pessoa que nao

,- b fatos da natureza. u é

pli 'U .oes o re os d - precisa sé preocupar com m

-I' j l l interessada em compreen er nao

(6)

I l l U

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

de c p1i~ação;. mas para nós outros, a única questão é como

tentar conseguir aquilo que desejamos. Se, como agora parece óbvio,

nao podem~s conseguir o que desejamos de outra maneira, fazemos

bem em aC~I.tar aquelas explicações parciais que sobrevivem a todos os

tes~es e~ptrlcos. Enquanto ~ma. teo~i~ sobrevive ela nos dá alguma

s~tt Iação, e aquelas qu~ ~aIs simplificam mais satisfação

proporcio-nam. Isto e uma razao suficiente para praticar a indução secundária" .20

.3. "OZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAS e n h o r . . . n e m d i z n e m o c u l t a , m a s

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

d á s i n a i s " . 1 5

_ "A. in~u.ção existe" e "a indução não necessita de

umajustifi-ca.çao f~losofIc? geral - e não pode receber nenhuma". 8 Estas duas

afI~~ç~es de!mem, muito bem, a posição radical de Black com

res-peito a .mduçao. B uma posição que difere das demais na medida em

que aceita os processos indutivos como instrumentos válidos na busca

ela verdade e, ao mesmo tempo, afirma que "se existe algo claro em

~(lda es!~ questão, é que nenhuma defesa - dedutiva indutiva ou

pr~gmaÍlca' - satisfará aqueles céticos em relação

à

indução". 8

ASSIm, Black se situa entre aqueles que defendem que não se deve

rerder tempo tentando justificar a indução. Este grupo de filósofos

a tem argumentad? que a tentativa de justificar a indução deve ser

bandonada. Apóiam esta posição em argumentos que pretendem

mostrar que a justificação de inàução é desnecessária ou impossível

ou ambos". 31

.Black _expõe su~ visão do problema da indução, tecendo algumas

considerações que visam a esclarecer dúvidas e restabelecer o s t a t u s

próprio d~ !ndu~ão , ~omo método independente para a justificação

de proposl~oes científicas Segundo ele, esta questão deve ser

enfren-tada a partir de uma clarificação do que seja justificação e quando

é que esta é exigida .

. Justificação é antes de tudo um c o n c e i t o r e l a c i o n a l . Jsto significa

dizer q~e um d.eterminado ~t? exige justificação, quando não se adequa

a padroes previamente definidos. DIz-se, por exemplo, que o esquimó

como prova maior de amizade e consideração oferece sua mulher ao

~6s?~de _ou amigo .. Não aceitá-Ia é uma ofensa que exigiria uma

.lU .tificação . No OCidente, pelo contrário, tal comportamento se

con t!,tui~i~ e~ ~d~lté~io além de insulto grave ao amigo. Desta

for-ma, exigir justificação normalmente implica a existência de

discre-pância om algum padrão aceitável. E uma justificação satisfatória

(- a~uela ,!ue neutraliza a aparente discrepância". 5 Segue-se destas

nsidcrações que a questão da justificacão assume outra dimensão

isto " a análise dos padrões de justificação passa a ser fundamental.'

It:du ção em Debate, Fort. 21/22 0/2): p. 1-19 jan./dez. 1991

Qual o padrão de justificação normalmente exigido por aquele

'111 reclamam uma defesa da indução? A maioria dos filósofos exige

pura a justificação da indução um p a d r ã o d e d u t i v o . "Eles desejam,

t ficariam satisfeitos com uma p r o v a de que as conclusões dos arguo

111 ntos indutivos são verdadeiros, ou pelo menos prováveis". 5 O

fiI ' blema é bastante simples: por várias razões, inclusive históricas,

rprcsenta-se sempre o raciocínio dedutivo como um processo lógico

plrfeito e irretocável . Assim, qualquer processo que deseje ostentar

l i s t a t u s de l6gico ou racional deverá poder ser comparado à dedução.

I11felizmente, se assim o é, a indução não satisfaz aos padrões

dedu-liv . Existe um pecado mortal inaceitável na indução e este deve

' I ' justificado. Este pecado mortal é que é possível negar a

conclu-110 de um argumento indutivo sem nenhuma contradição com as

premissas. Considere o seguinte argumento indutivo: todos os

me-Ir ls postos na presença do calor, até agora, sofreram algum tipo de

dilatação. Logo, qualquer metal em presença do calor sofrerá algum

tipo de dilatação. Suponha, agora, que no futuro, em alguma parte do

univer o. seia descoberto um metal que não se dilate em nenhuma

cir-' I I n ,tância." Isto negaria a conclusão do argumento sem nenhuma

runtradição com as premissas. Isto é, todos os metais, exceto este

('11 ontrado, continuariam a se dilatar em presença de uma fonte de

. tl r. Este tipo de argumentação encerra. entretanto. um

-ngano básico. "Para ser breve: i n d u ç ã o , p o r d e i i n i c ã o . n ã o é u m a

1 ' S f1 ' c i e d e d e d u ç ã o . Donde, podemos ver desde já que a busca de

lima justificação dedutiva da indução é sem esperança". 5

Black também não aceita as tentativas de justificação da

indu-, I através da interpretação probabilística. A crítica que ele faz

in-cr - e na mesma linha de raciocínio: transformar uma conclusão

ca-I g rica da indução numa afirmação probabilística não a toma

acei-f ivel comparada aos padrões dedutivos. e se a tomar é porque a

conclusão iá não é a mesma. Isto porque "parece que se seguirmos

I rc omendação dos advogados da interpretação orobabilística, a

ve-rificação de P não poderia nos mostrar que estávamos certos. do

111 mo modo que a verificação da negacão de P não mostraria que

-stávamos errados. Podemos estar certos, portanto, de que. sob

'sta ótica, a afirmação que substitui P (no caso ' p é provável') não

l obre P mas sobre outra coisa". 5

argumentação para demonstrar a afirmação anterior depende

da conceituacão de probabilidade que se adotar. Tome-se, por

exern-1'1 , o entendimento de que a probabilidade é uma relação lógica

.ntrc uma proposição P e um conjunto de condições que servem de

evidência para P . B esta a posição clássica de L a p l a c e e atualmente

(7)

adotada por

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

C a r n a p " 3 Há o que. d!scutir sobre o argumento de que

dado P _e um conJu~to de condições que evidenciam P segue-se a

conclusao d.e que_P ,e provável? Black responde que não. O que

in-teressa na indução e se poder afirmar alguma coisa sobre fatos não

~bservados .a partir do ~ue f~i observado. A conclusão

probabilís-t1~a nada dIZ a esse respeito. A conclusão substituída (todos os S ' «

<ao P é pro '

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

1 ) .

~ . ~. vave; nesta mterpretação, decorre dedutivamente da

eV

dlde?,C16(alguns S s sãoa

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

P ) e nada nos diz sobre os casos não

obser-va os .

O problema é que na concepção lógica da probabilidade

desfi-gura-se o caráter indutivo do raciocínio quando se retira todo' o

con-teú~o empí~co das conclusões: "Isto significa dizer que dado h :

cho-vera amanha e r : a sentença longa que enuncia todas as evidências

relevantes ao caso, e s: a probabilidade de chover amanhã é 1/2

n~nca se poderá testar a conclusão indutiva s. Isto pela simples

ra-zao de q~e at;'l~nhã choverá ou não". 4 Ou como diz Black: o que

~ con.cepçao lógica da probabilidade "justifica não é uma conclusão

~ndutIva de algum interesse, mas uma triste substituta para ela:

dese-jarnos estar certos de que o leite nos alimentará e ela insiste em que

a água não nos fará nenhum mal". 6

No caso de se adotar a teoria freqüencial de probabilidade

tam-bém não se resolve o problema. .f: verdade oue as conclusões obtidas

através _desta abordagem são verificáveis. Isto porque a partir da

observação numa amostra de que alguns S ' s são P , a conclusão

oro-?abilística é que. na população de onde se retirou a amostra, a l u u m S

e p r o v a v e l m e n t e P . A questão é C1U~ esta conclusão não é dedutiva

Pois, "não há certamente inconsistência em se afirmar, por um lado.

que todos os membros de uma amostra, retirada de uma classe têm

uma certa propriedade e, por outro, que a maioria dos membros

dest~ cl~sse n~o tem. esta característica". 6 Isto significa que a

con-clusão nao esta contida nas premissas, e, assim, continua-se com um

argumento indutivo.

Black rejeita a justificação da inducão através da interpretação

probabilística, uma vez que: 1) na abordagem lógica, transforma-se

o argumento indutivo em dedutivo, mas a conclusão não mais se

refere a fatos não-observados e 2) na abordagem freqüencial, a

con-clusão se refere a fatos não-observados, entretanto as premissas não

a contêm. "Portanto, nenhuma modificacão probabilística das

con-lusões da indução resolve a dificuldade". 6

Neste ponto, surge a questão: por que se insiste em tomar o

raciocínio dedutivo como padrão ao qual se devem comparar todos

outros? A resposta sem rodeios está na convicção de que só

atra-12 Educação em Debate, Fort 21/22 (1/2): p. 1-19jan./dez. 1991

vcs da dedução é que se pode realmente conhecer e que como

con-.qüência a dedução é um tipo superior de argumentação, estando

acima da indução . Contra esta afirmação Black lembra que de fato

o que se tem são tipos de conhecimentos diferentes: o conhecimento

dedutivo, do tipo matemático, por exemplo, e o conhecimento indutivo

o u baseado em evidências empíricas. E é mais do que claro,

c ntinua Black, que a afirmação dedutiva de que t r ê s m a i s q u a t r o é

i g u a l a s e t e é de natureza diferente da asserção indutiva de que o

s o l n a s c e r á a m a n h ã . Mais ainda: a certeza dedutiva apenas assegura

que a conclusão se segue ou não das premissas. Não se pode

consi-derá-Ia nem certa nem duvidosa. De modo análogo, pode-se afirmar

que as proposições empíricas "não são nem certas nem duvidosas.

Ias são ou não decorrentes das premissas relevantes: elas

descre-vem ou não o que observações posteriores mostrarão ser o caso". 7

Não se podem, portanto, estabelecer comparações entre dedução e

indução, aparentemente analisando os dois tipos de raciocínio, mas

na verdade tentando mostrar que a indução não obedece aos padrões

da dedução. Tal coisa não necessita ser demonstrada. Se alguém

deseja comparar as duas formas de raciocínio deve fazê-lo, tendo em

vista "sua capacidade de servir a um fim comum (ou, pelo menos, fins

diferentes cujos valores são por sua vez comparáveis). Este fim

co-mum não pode ser outra coisa senão o c o n h e c i m e n t o , r a c i o n a l m e n t e

a l c a n ç a d o " .7 A busca do conhecimento. feita de modo racional, é,

portanto, o fi m c o m u m de ambos os processos: conhecimentos

dife-rentes, porém atingidos racionalmente. Na dedução, o que se exige é

que se descubra, se desvele aquilo que já está contido nas premissas:

a conclusão segue necessariamente das premissas postas. Na

indu-ção, procura-se outra coisa: a conclusão não está contida nas

prernis-sas e vai além destas. São métodos diferentes e é um erro pen aI '

que a indução é aproximação imperfeita da dedução. "Na medido

em que a indução por definição não é dedução qualquer esforço r it )

pelos racionalistas contemporâneos não fará mais do que v t i l ' 1

mesma banalidade com um disfarce mais ou menos engenho ".7

A defesa, quase apaixonada. que Black faz da induçã n1 0 ( )

impede de chamar a atenção dos estudiosos para alguns p ntu I)U

constituem uma espécie de limitação da indução e aos quuis . I'Vl

sempre prestar atenção, quando se utiliza este método d husc I l i1

verdade. Tais pontos são a seguir apresentados e com n t u d o '0 \ 1 1 \ 1

fecho às considerações sobre a posição de Black c m \'-ltI ' 1 0 \ I

dução.

1. "Alguns argumentos indutivos são melh r fi ( t i l o u t r o

alguns são, na verdade, muito bons". 8 Se alguém b r i~ fr d ) t i - .

(8)

colher e!1tre a ,afirmação

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

P : o sol nascerá amanhã e sua negação, não

será ~als razoavel escolher P e não sua negação? E se alguém ouve

um trinado de dentro de uma moita não é mais razoável concluir

que ~li está um. passarinho e não uma onça? Ou se vão jogar as

seleçoes do Brasil e ,Ale~anha não é razoável dizer que não se pode

p~e~er quem ganhara o Jogo? Mas, se o jogo é entre a selecão

bra-81l~Ira e o, Esporte .Clube de São João do Iaguaribe não é cl~ramente

mais razoavel se dizer que a seleção brasileira será vitoriosa?

2. "Não existe nenhum critério universal para a solidez de um

argumento indutivo" .8 Muitas vezes se tenta dizer que se as

evidên-cias (premissas) que apóiam a conclusão indutiva forem boas, fortes,

suficientes, assim também será a conclusão. Mas o que são

premis-sas boas, fortes e suficientes? Pode ser um consolo lembrar que

tam-bém não existe um critério universal para a validade da dedução. A

única coisa que se pode afirmar da dedução, como já se viu, é que

a conclusão está contida nas premissas.

3. "A indução permite asserções cautelosas". 8 Sustentar que a

i~duçã? é um processo racional de busca de conhecimento não

signi-fica dizer que este conhecimento seja atingido com certeza. As

con-clusões indutivas são c a u t e l o s a s , isto é, a elas estará sempre ligado o

grau de evidência existente que as apóia. Há sempre um risco que

aquele que faz a indução deve estar disposto a correr. É claro que

quando se afirma que o sol nascerá amanhã, este risco é muito

me-nor do que aquele que se corre ao dizer que choverá amanhã. Isto

porque as evidências que apóiam as duas afirmações são diferentes.

4. liA indução é uma arte, não uma ciência ou um sistema de

rotinas mecânicas". 8

Neste ponto, a indução assemelha-se um pouco à dedução. Da

mesma forma q~e as regras de silogismo estão à disposição de

qual-quer .?m. para ajudar na construção de um argumento dedutivo

cor-:eto , e~Istem estratégias indutivas úteis e máximas mas não regras

infalíveis para se conseguirem as conclusões corretas". 8

Black compara a arte da indução à habilidade em escalar

mon-tanhas. A comparação é esclarecedora na medida em que envolve

os mesmos requisitos pedidos pela indução. Em primeiro lugar,

escalar uma montanha exige o conhecimento da mesma. Tanto que

normalmente, nas primeiras vezes, o alpinista se faz acompanhar

de um guia, alguém que conheça as dificuldades da subida. Não se

pode fazer induções sobre assunto que se desconhece. Seria tolice

esperar que um especialista em Biologia fizesse inducões na área da

~fsica. Um argumento indutivo sólido exige de quem o faz

conhe-1rncnto aprofundado do assunto.

Em segundo lugar, requer-se do alpinista a capacidade de

ava-I "

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

l i ' evidências para que possa dar o passo seguinte. Não se deve

I '1\1.ccr que a indução é sempre um salto no escuro em busca de

11111n vo conhecimento. Uma avaliação precipitada ou errada das

IV ti ncias que estão à disposição pode causar uma conclusão errada.

1I

"I

inista que calcula mal a segurança dos pinos, a resistência das

I II\1du8e se arrisca demais poderá terminar no fundo do abismo. Do

1111m modo o indutivista: qualquer erro de cálculo pode levá-lo a

1111I' 'l1cias falsas.

. m terceiro lugar, pede-se do alpinista discernimento no

racio-I( u lo , habilidade e bom julgamento. A combinação destas três

qua-Iti III'S o fará evitar as sendas inseguras e escolher o caminho mais

11I1-quado para se atingir o topo da montanha. Do inducionista

re-11111'1'.m-se também estas qualidades.

Tais qualidades serão adquiridas ao longo da vida e na medida

I111que o raciocínio indutivo seja feito conscientemente. Isto fará

1111llque se analisem os erros do passado, verificando-se onde foi que

I I l i-nsamento tomou uma senda errada.

5. "A indução não necessita de uma justificação filosófica

I1111- e não pode receber nenhuma". 8 Retoma-se à citação inicial

p 11'11concluir estas reflexões sobre a posição de Black com respeito

11indução . Observe-se que Black fala de j u s t i fi c a ç ã o fi l o s ó fi c a g e r a l .

I 10 não significa dizer que não se deva criticar ou justificar aspectos

I p ' 'Hicos do processo indutivo. Podem-se e devem-se criticar as

Iv ld ncias oferecidas em apoio à conclusão ou, no caso da inferência

1111stica, criticar os processos de amostragem.

Pode-se, neste último case, até justificar o processo indutivo:

l i ,'t', por exemplo, numa proporção grande, digamos 95% dos casos

11 lufcrência se mostrar correta, podemos argumentar com

proprie-11ItI' que o procedimento indutivo foi justificado". 7 Ressalve-se.

porém, que esta justificação é também uma indução. E em algum

p01l1 ter-se-à que parar. E como conclui Black reafirmando, mais

1111111vez, seu ponto de vista: "Como poderia alguém justificar o

al-plllismo e m g e r a l ? Não há nada a justificar - e o mesmo aplica-se à

lIt1l1ÇÜ".8 E pergunta: "Algumas vezes, não é arte em filosofia

1111'I' quando parar de se preocupar?". 8

4 . " P o i s é p r e c i s o q u e d e m u i t a s c o i s a s

s e j a m i n q u i r i d o r e s

o s h o m e n s a m a n t e s d a s a b e d o r i a " 1 3

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

j \ ,reflexões feitas neste e em trabalhos anteriores 2; 26 tiveram

iu r u bjetivo, em última instância, a análise de como as pessoas

(9)

podem atingir o conhecimento científico. Supõe-se, também, ter fi.

cado suficientemente claro que por conhecimento científico se

en-tendia aquele conhecimento com, pelo menos, as seguintes

caracte-rísticas:

1. possui um componente empírico, isto é, pode ser submetido

a um controle empírico através de testes rigorosamente planejados.

com a finalidade de confírmá-Io (Carnap), justificá-lo (Reichenbach)

ou corroborã-lo (Popper);

2. possui um caráter racional, ou seja, pode resistir a uma

análise crítica dos seus fundamentos e métodos.

Tradicionalmente, afirmou-se que o caminho para se atingir o

conhecimento científico seria o método indutivo. Desta forma, a

questão passou a ser verifica da se a indução satisfazia as duas

carac-terísticas de empirismo e de racionalidade.

Os autores estudados tentaram resclver este problema de

di-versas maneiras. O aspecto polêmico da questão não é, como se

mostrou à sociedade, o empirismo da indução, mas a sua justificativa

racional. E aí três direções

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

f o r a m seguidas.

A primeira direção, que tem em

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

H u m e o seu defensor, afirma

que a busca dos conhecimentos científicos se faz através da indução .

Entretanto, tal procedimento é não-racional, uma vez que o que

aconteceu no passado nunca seria uma garantia suficiente de sua

ocorrência no futuro. A grande contribuição de Hume, para este

problema, foi exatamente destruir a confiança na racionalidade da

índução bem estabelecida por F r a n c i s B a c o n , abrindo caminhos para

que outras soluções pudessem ser tentadas. Foi, também, a partir

de H u m e que a posição socrática de humildade perante o

conheci-mento (só sei que nada sei), que havia sido um pouco esquecida pela

influência do racionalismo cartesiano e do empirismo baconiano,

começou a reaparecer.

A segunda direção afirma que os métodos científicos são

indu-tivos e racionais, isto é. a busca do conhecimento científico é feita

através da inducão e esta se justifica racionalmente. São estas, por

exemplo, as posições de S t . M i l l , C a r n a p , R c i c h e n b a c h , K n e a l e e

Rlack, já analisadas. A diferença está na abordagem que cada um

destes pensadores utiliza.

Stuart Mill buscava a racionalidade da indução nas

uniformi-dades e regularidades da natureza, estabelecendo nos seus cânones

re ras de procedimentos racionais. Carnap tentava uma lógica

in-dutiva e Reichenbach estabelecia uma lógica de múltiplos valores,

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

,J , Educação em Debate, Fort, 21/22 0/2): p. 1-19 jan.ldez. 1991

o

c

o

"I ..

r lu n a teoria e cáculo das probabilidades. Enquanto Kneal •..

1111I 11 11V I Cr a ind ução uma política racional para a busca do

co-1111 III -nt , Black afirmava que a indução deve ser aceita como

ra-lIullIl não se deve nem se pode justificá-Ia comparando-a aos

Itil 'SI) dedutivos. A posição de Black ressalta, com ~astan~e pr~

1'1 1'11 111', fato de que, tradicionalmente, se confundiu

racionali-t1ul .om dedução. Tal identificação não parece ser mais pertinente.

I.rceira direção é aquela defendida por Popper e seus

segui-.1111 • : u indução não existe, portanto é um falso problema tentar

I11 I I I í lu do ponto de vista lógico. O conhecimento científico ~e

.1.1 1(I'/lV de descobertas, invenções de hipóteses e teorias qUé sao

11 I1111, dedutivamente. Estas "hipóteses e teorias científicas diferem

ti I \ .culações metafísicas pelo fato de que se submetem ou podem

I t l l l l t l 'l r- c a um rígido controle empírico". 3 2 Assim, Popper

man-h 111 I I caráter empírico do conhecimento científico, na medida em

'111I ti IS hipóteses ou teorias descobertas, p r o p o s i ç õ e s p r o t o c o l a r e s

1,,"11 111 S r deduzidas e testadas. Entretanto, "este exame, ou controle

II1 I l I ' cmpírico, não requer, porém, qualquer tipo de regra

indu-I I , o ' ige regras de lógica dedutiva, de modo que o procedimento

11111 ', p ndcnte se denomina m é t o d o d e d u t i v o d e t e s t e : procuramos

I \111111' LI hipóteses aceitas (e aceitas em caráter provisório) e

acei-I IIHI I ls (ainda em caráter provisório), na medida em que sobrepujam

I I mtativas de falseamento". 3 2

I)iunle de posições tão diversas sobre um problema de

funda-1111 111ti 'rnportância para o conhecimento humano, vêm à mente as

I' 11· 11'S dc Aglié, personagem do romance O P ê n d u l o d e F o u c a u l t :

" I 111 le u da pesquisa e da descoberta é que é pervertida, porque é a

1III l I da iência. A lógica da sapiência não tem necessidade de

des-II I h n l I S . porque já sabe. Por que se precisa demonstrar aquilo que

11 111

pmJ

ria ser de outra maneira?" .10 Será que por se estar

conven-Ii d " ti ' que a indução "não poderia ser de outra maneira", dever-se-ia

. I l iI ' d e tentar entendê-Ia e justificá-Ia? A resposta é n ã o , pois

"u I 1 hu ta haver compreendido, se os outros se recusam e continuam

I 111' r r r " .11

111 11LI RAFIA

liA N, Francis. Aforismos sobre a interpretação da natureza

I ' íno do homem. I n :

--o

N o v u m o r g a n u m ou verdadeiras

tneucn s acerca da interpretação da natureza... São Paulo,

Ahrll ultural, 1973. p. 88. (Os Pensadores, 13).

(10)

2. BARRETO, José Anchieta Esmeraldc

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

& MOREIRA Rui VI'

Olíveí Cuíd ' er ame

veira , Ul ado com os idos de março.

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

E d u c a ç ã o emD e b a t e 1 2

<17/18): 149-72, 1989. ' 3. --.--. p. 153-6.

4. --.--. p. 168.

5. BLACK,Max. The Justification of inductiond . I n :. - - . La n g u a g e

a n P h t l o s o p h y ; studies in method. Ithaca, New York, CorneU

University, 1949. Cap. 3, p. 63-8

6. --.--. p , 69-74. 7. --.--. p. 82-7.

8. --o Some half-baked thoughts about induction. I n : MORGEN

~ESSER, Sidney et alii. P h i l o s o p i u ) , s c i e n c e , a n d m e t h o d ; essays

in honor of Ernest Nagel. New York. St. Martin's Press, 1969. 144-9

9. BROAD, C.D. Critical Notice. M i n d , 59. 1950. p. 105-6.

10. ECO, Umberto. O P ê n d u l o d e F o u c a u l t . Rio de Janeiro, Editora

Record, 1988. P _275_

11. --.--. p_ 612

12 DEMóCRITO de Abdera (cerca de 460-370 a.c.i. I n : O s P r é

-S o c r á t i c o s : fragmentos, doxografia e comentários. 2. ed. São

Paulo, Abril Cultural, 1978. p . 330. (Os Pensadores).

13. ~ERACLITO de Éfeso (cerca de 540-470 a.C.) I n : O s P r é - S o c r â -

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

t i c o s : fragmentos, doxografia e comentários. 2. ed. São Paulo

Abril Cultural, 1978. p . 83 (Os Pensadores). •

14. --.--. P 84. 15. --.--. p , 88.

16. --.--. p. 90.

17 KNEALE, William. The Probability of inductive science. I n : --o

P r o b a b i l i t y a n d i n d u c t i o n . Oxford, Clarendon Press, 1949. Part IV,

p , 223-7

18. KNEALE, William. The Probability of inductive science. I n :

_ _ . P r o b a b i l i t y a n d i n d u c t i o n . Oxford, Clarendon Press, 1949.

Part IV, p. 230-5.

19. --.--. p. 247-9. 20. --.--. p . 250-3

21. -- T h e T h e o r y o t c h a n c e s . I n : - - . - - . Part IH, p. 173. 22. --.--. p. 211-2.

23. --o The traditional problem of induction. I n : --o P r o b a '

b i l i t y a n d i n d u c t i o n . Oxford, Clarendon Press, 1949. Part H, p. 88. 24. --.--. p. 93.

25. LAPLACE, P. S. Théorie analytique des probabilités. 1814 apud

KNEALE, William. P r o b a b i l i t y a n d i n d u c t i o n . Oxford, Clarendon

Press, 1949. p. 170.

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(Bi-blioteca Universitária, Série 1.", Filosofia, 10).

Referências

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