• Nenhum resultado encontrado

Cad. Saúde Pública vol.30 número10

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Cad. Saúde Pública vol.30 número10"

Copied!
1
0
0

Texto

(1)

2029

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 30(10):2029-2031, out, 2014

A recente realização do IX Congresso Brasileiro de Epidemiologia em Vitória, Espírito Santo, Brasil (EpiVix 2014) propicia reflexões sobre o desenvolvimento da epidemiologia brasileira e seus desafios. O EpiVix se destacou na tarefa de valorizar a história dos con-gressos de epidemiologia, prestando as devidas honras aos que se dedicaram a organizar os congressos anteriores dos quais este é legítimo subsidiário. Emblemática, nesse senti-do, a criação da Conferência “Sergio Koifman”, Presidente do Congresso de Epidemiolo-gia do Rio de Janeiro (1998), grande pesquisador e figura humana notável, que nos dei- xou precocemente.

Esse congresso foi um marco para a epidemiologia brasileira. A começar pela

atualida-de atualida-de seu tema: As Fronteiras da Epidemiologia Contemporânea: do Conhecimento

Cientí-fico à Ação, reforçando o caráter científico da epidemiologia e sua conformação como um âmbito de práticas. A estrututação das atividades do congresso salientou um dos grandes desafios atuais da epidemiologia: conjugar o aprimoramento teórico-metodológico com uma maior e mais profícua articulação com as outras disciplinas constitutivas da Saúde Coletiva. Sem uma abordagem integrada que permita o fortalecimento das suas bases disciplinares e, simultaneamente, expressar seu compromisso com o aprofundamento do caráter interdisciplinar da Saúde Coletiva, não há futuro promissor para a epidemio- logia brasileira.

Dentre tantos desafios passíveis de serem elencados, esse parece fundamental, justa-mente pela aparente dualidade dos movimentos necessários para superá-lo. No campo te-órico-metodológico avançou-se muito, talvez mais no que diz respeito à disponibilidade e incorporação de ferramentas e técnicas, do que no desenvolvimento de concepções teóri-cas que fundamentem abordagens analítiteóri-cas de fenômenos complexos de forma mais sis-têmica. Nesse desbalanceamento reside o risco (para não fugir do jargão epidemiológico) de uma estagnação hiperprodutiva, isto é, a produção desenfreada de peças publicáveis sem inovação ou originalidade e com capacidade limitada de se traduzir em transforma-ções sociais. No que tange às tensas relatransforma-ções entre a epidemiologia, políticas, planejamen-to e gestão em saúde, e ciências sociais e humanas em saúde, penso ser necessário, sem ig-norar uma perspectiva histórica para este problema, a identificação e o enfrentamento de novas fontes de esgarçamento que, eventualmente, poderão afetar o próprio futuro da epi-demiologia como espaço de construção de saberes e práticas no âmbito da Saúde Coletiva. É claro que os vetores que fomentam tais questões não residem somente nos dilemas históricos que influenciaram a própria formação e desenvolvimento da epidemiologia, mas também estão no contexto em que as práticas estão inseridas. O produtivismo acrítico e conservador em suas bases teóricas e metodológicas, ou “o mais do mesmo” (Carvalho MS et al., Cad Saúde Pública 2013; 29:2141-3), encontrará raízes também nas estruturas de avaliação de pesquisadores e programas de pós-graduação que não lograram ainda um meio de valorizar a qualidade em detrimento da quantidade, e na própria dinâmica da for-mação pós-graduada que, no mais das vezes, contribui para a reprodução destes vícios.

Jogar luz nessas questões foi o principal legado do EpiVix, resta-nos aproveitar o momento para buscar soluções e instaurar as transformações necessárias para garan-tir a formação de uma geração que promova um novo ciclo virtuoso para a epidemiolo- gia brasileira.

Guilherme L. Werneck

Editor Associado

EpiVix: epidemiologia brasileira em transição

EDITORIAL EDITORIAL

Referências

Documentos relacionados

Como parte de un estudio de tipo epidemiológi- co, en este artículo se presentarán los resultados de un estudio sobre los conocimientos, actitudes y prácticas (CAP) frente a

Para explorar con mayor certeza posibles hi- pótesis acerca del acceso de las gestantes al servi- cio de odontología, y cómo en ello influyen las di- mensiones: social, socioeconómica

factores de riesgo psicosocial, según clase social, pueden ser utilizados como herramientas en el momento de plantear intervenciones, e incluso, legislaciones laborales con

With factor analysis, two food consumption patterns were identified: (1) the “obesogenic” pattern composed of sweets and sugars, typical Brazilian dishes, pastries, fast food,

Para isso, ancoram-se nas abordagens histórica, filosófica e epistemológica e focalizam, em sua discussão, ao longo dos cinco capí- tulos, os seguintes temas: (1) relações entre

Mantidos de certo modo à margem do sistema de seguridade social no Brasil até a década de 1970, os trabalhadores e trabalhadoras canavieiras de Campos dos

Portanto, pensar em intensificar diferentes formas de produção agrícola e organizações de lutas para a busca dos direitos à infraestrutura no campo e incentivos

ISO 31000 (Gestão de riscos: Princípios e diretrizes) pode ser uma referência útil para organizações que estão buscando um processo de riscos mais formal para toda a empresa,