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CONTEÚDO EXTRA REVISTA ANFARMAG Nº115

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CONTEÚDO EXTRA

REVISTA ANFARMAG Nº115

DICAS FARMACOTÉCNICAS

MANIPULAÇÃO DE LEVOTIROXINA (T4)

Os hormônios tiroidianos são fármacos de alta potência, empregados em baixa dose, na ordem de microgramas, e o preparo de medicamentos individualizados com esses insumos ativos deve observar os requisitos de boas práticas de manipulação e preceitos técnicos rigorosos para garantir a segurança. Além disso, são necessárias:

• Observação atenta do certificado de análise da matéria-prima e o emprego correto dos fatores de correção necessários.

• Avaliação crítica da prescrição.

• Precisão dos cálculos farmacêuticos.

• Execução correta das operações farmacêuticas de pesagem, diluição geométrica, mistura, trituração e tamisação, entre outras ações envolvidas diretamente em um procedimento de preparo padronizado previamente verificado e periodicamente monitorado.

Fator de correção e equivalência

Como as doses da levotiroxina são em termos da substância anidra e sódica, não há necessidade de aplicar fator de equivalência, somente fator de correção em relação à umidade.

Ou seja, somente corrigir a hidratação. Para isso é necessário avaliar o certificado de análise, no qual é informado o fator de correção de umidade.

Fator de correção de umidade = 100 / 100 – (teor de umidade do certificado de análise).

Diluição e fator de correção de diluição

Uma das etapas mais impactantes na qualidade do produto manipulado é a pesagem. Sendo a balança empregada somente para pesagens acima do mínimo de sua sensibilidade, e como as doses de levotiroxina a serem pesadas são baixas, é fundamental empregar a diluição geométrica no ativo antes da pesagem. Normalmente se emprega na diluição geométrica desse ativo uma proporção 1:1000, com fator de correção do teor diluído de 1000.

Proporção

Por meio da faixa de dosagem usual do fármaco pode-se definir a proporção da diluição.

Faixa posológica (prescrição) Diluição Fator de correção

Até 0,1mg 1:1000 1000

De 0,1mg a 1mg 1:100 100

De 1mga 10mg 1:10 10

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Técnica

Proporção: 1:1000.

Quantidade desejada da diluição: 30g.

1º passo – usando regra de três, descobrir a quantidade a ser pesada para 30g de diluído.

1g (ativo)---1000g (diluído) X gramas de ativo---30g (diluído) X= 0,03g de ativo para 30g de diluído (0,03g de ativo + 29,97g de diluente).

Quantidade de ativo a ser pesado: 0,03g.

Quantidade total de excipiente inerte a ser utilizado: 29,97g.

Diluição geométrica volume/volume:

1. Pese todos os componentes da diluição;

2. Coloque o componente presente em menor quantidade no gral, no caso o ativo;

3. Selecione o componente presente em maior quantidade (excipiente inerte) e coloque no gral uma quantidade aproximadamente igual ao volume de pó do primeiro componente;

4. Triture bem os pós até obter uma mistura uniforme;

5. Adicione um volume de pó do segundo componente (excipiente inerte) igual ao volume de pó da mistura presente no gral e triture bem;

6. Continue adicionando pó no gral dessa forma até que todo o excipiente inerte seja adicionado.

Procedimento de preparo e sugestão de excipientes para forma farmacêutica cápsulas

Prescrição (exemplo): Levotiroxina sódica 100 mcg (microgramas). Mande 70 cápsulas.

Forma farmacêutica: cápsulas.

Sinônimos: Levothyroxinum natricum, tiroxina sódica, tetraiodotironina sódica, L-tiroxina sódica, T4.

Fórmula:

*Fator de correção = 1000.

**Excipiente:

Dióxido de silício coloidal...0,2%

Óxido de magnésio...10%

Fosfato de cálcio dibásico (di-hidratado ou anidro – Emcompress®), q.s.p...100%

Condições ambientais para manipulação.

Umidade relativa: ≤ 60%

Componentes Quantidade

Levotiroxina sódica 1:1000* 7g

Excipiente** q.s.p. 70 cápsulas (cápsula #3)

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Orientações para o preparo:

1. Triturar, tamisar e misturar geometricamente os ingredientes da formulação.

2. Encapsular uniformemente a mistura de pós.

3. Envasar e rotular.

Preparo do diluído de levotiroxina sódica 1:1000 p/p (diluição sólida) (para quantidade de 100 g):

*Fator de equivalência da levotiroxina sódica: 1.

*Fatores de correção de teor e umidade devem ser considerados no cálculo de insumo ativo na formulação.

**O óxido de magnésio é empregado como agente alcalinizante para aumento da estabilidade da levotiroxina sódica.

***Fosfato de cálcio dibásico di-hidratado = Emcompress® (malha 190), Di-Tab®. Fosfato de cálcio dibásico anidro = Emcompress® anidro (malha 200).00

Procedimento de preparo da diluição:

1) Misturar geometricamente os ingredientes da diluição.

2) Após a diluição, tamisar utilizando um tamis de malha 40 – 50 e misturar adicionalmente um pouco mais.

3) Envasar em frasco de vidro âmbar de boca larga.

4) Conservar em local fresco.

Embalagem e armazenamento

Frasco de vidro âmbar de boca larga. Embalagem bem vedada, protegida da luz e armazenada em temperatura ambiente controlada (20ºC – 25ºC).

Sob essas condições, a fórmula permanece estável por 180 dias.

Indicações

Instituir a terapia suplementar no hipotireoidismo congênito ou adquirido, tratamento e prevenção da supressão de TSH, incluindo nódulos tireoidianos e linfócitos crônicos tireoidianos, adjuvante na terapia do câncer de tireoide.

Componentes Quantidade

Levotiroxina sódica* 0,1g

Dióxido de silício coloidal 0,3g

Óxido de magnésio** 10g

Fosfato de cálcio dibásico (di-hidratado ou

anidro)*** qsp 100g

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Dose posológica

• Neonatos, bebês e crianças

• Adultos

Prescritor habilitado

Exclusivo sob prescrição médica.

Atendimento ao Anexo III (Boas Práticas de Manipulação de Hormônios, Antibióticos, Citostáticos e Substâncias Sujeitas a Controle Especial) da RDC nº 67/07.

Para a manipulação de antimicrobianos, hormônios e citostáticos, é necessário que o farmacêutico possua essa atividade permitida em sua licença sanitária e AFE publicada no Diário Oficial da União.

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Via oral: 0 – 3 meses: 10 – 15µg/kg (microgramas/quilo). Se o bebê tiver risco de desenvolver insuficiência cardíaca, começar com uma dose diária inicial mais baixa, em torno de 25µg (microgramas). Se a dose inicial for muito baixa (< 5 microgramas/dL), iniciar o tratamento com uma dose mais elevada em torno de 50µg (microgramas) diários.

> 3 – 6 meses: 8 – 10µg/kg ou 25 – 50µg.

> 6 – 12 meses: 6 – 8µg/kg ou 50 – 75µg.

>1 – 5 anos: 5 – 6µg/kg ou 75 – 100µg.

6 – 12 anos: 4 – 5µg/kg ou 100 – 125µg.

> 12 anos: 2 – 3µg/kg ou >150µg.

Nota: Para crianças mais velhas com hiperatividade, considera-se ¼ da dose inicial recomendada e aumenta-se a cada semana até que a dose total seja alcançada (4 meses).

Hipotireoidismo: dose diária oral de 1,7µg/kg (microgramas/quilo) ou 100µg – 200µg (microgramas). Se o hipotireoidismo for grave, usar 12,5µg – 50µg (microgramas) como dose inicial e aumentar para 25µg – 50µg (microgramas) no intervalo de 2 a 4 meses.

Hipotireoidismo subclínico (se tratado): dose oral diária 1µg/kg (microgramas/quilo).

Para a manipulação de hormônios, antibióticos, citostáticos e substâncias sujeitas a controle especial, devem se observar as seguintes condições:

Dispensação mediante orientação farmacêutica.

Ter sala exclusiva para cada classe, contemplando antecâmaras ou cabines de segurança com sistemas de ar independentes. Essas salas devem possuir pressão negativa em relação às áreas adjacentes, ter procedimento para evitar contaminação cruzada e proteger o manipulador e o meio ambiente.

As pesagens dos hormônios, citostáticos e antibióticos devem ser efetuadas nas respectivas salas de manipulação.

Devem ser adotados procedimentos para evitar contaminação cruzada.

As balanças e bancadas devem ser submetidas a processo rigoroso de limpeza antes e após cada pesagem.

Todos os utensílios utilizados na manipulação de substâncias constantes desse anexo devem ser separados e identificados por classe terapêutica.

Os profissionais que manipulam hormônios, citostáticos e antibióticos devem sempre

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• • • •

Os funcionários envolvidos na manipulação dessas substâncias devem ser submetidos a exames específicos de acordo com o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

Recomenda-se o sistema de rodizio de funcionários para a manipulação dessas substâncias.

Os excipientes utilizados para essas substâncias devem ser padronizados de acordo com a compatibilidade, com embasamento nos compêndios oficiais/farmacopeicos e publicações cientificas indexadas.

O armazenamento dessas substâncias deve ser realizado em local distinto, de acesso restrito, sob a guarda do farmacêutico, com especificação de cuidados especiais de armazenamento que garantam suas especificações e integridade.

Nos casos da pesagem da diluição dessas substâncias, deve haver dupla checagem do farmacêutico e do operador.

Nos casos da pesagem para manipulação dessas substâncias, deve haver dupla checagem do farmacêutico e do operador.

No processo de encapsulamento devem ser utilizadas as cápsulas com o menor tamanho, de acordo com a dose.

Para o monitoramento do processo de manipulação de formas farmacêuticas de uso interno, a farmácia deve realizar uma análise completa de formulação manipulada de cada uma das classes terapêuticas (antibióticos, hormônios e citostáticos).

O monitoramento deve ser realizado por estabelecimento, de forma a ser analisada, no mínimo, uma amostra a cada três meses de cada uma das classes terapêuticas.

As amostras devem contemplar diferentes manipuladores, fármacos, doses e formas farmacêuticas, podendo ser adotado um sistema de rodízio.

Deve estar estabelecida em procedimento operacional toda a metodologia para execução do monitoramento.

Os resultados de todas as análises devem ser registrados e arquivados por, no mínimo, 2 anos, sendo que a farmácia deve estabelecer, registrar e avaliar a efetividade das medidas adotadas por meio de uma nova análise em caso de resultado de análise insatisfatório.

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Referências bibliográficas

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Ruiz, K. Nutracêuticos na Prática – Terapias Baseadas em Evidências. Campinas:

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Referências bibliográficas

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Referências

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