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Percepção do indivíduo com surdez total sobre o atendimento em saúde

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DO TRAIRÍ

GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

DAMIÃO WELSON DE ARAÚJO

PERCEPÇÃO DO INDIVÍDUO COM SURDEZ TOTAL SOBRE O ATENDIMENTO EM SAÚDE.

SANTA CRUZ – RN 2019

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Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI

Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi - FACISA

Araújo, Damião Welson de.

Percepção do indivíduo com surdez total sobre o atendimento em saúde / Damião Welson de Araújo. - 2019.

35 f.: il.

Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi. Santa Cruz, RN, 2019.

Orientadora: Rafaela Carolini de Oliveira Távora. Coorientadora: Andreza Barbora de Luna Soares.

1. Deficiência Auditiva - Trabalho de Conclusão de Curso. 2. Enfermagem - Trabalho de Conclusão de Curso. 3. Assistência à Saúde - Trabalho de Conclusão de Curso. I. Távora, Rafaela Carolini de Oliveira. II. Soares, Andreza Barbora de Luna. III. Título.

RN/UF/FACISA CDU 614-056.263 Elaborado por Joyanne de Souza Medeiros - CRB-15/533

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DAMIÃO WELSON DE ARAÚJO

PERCEPÇÃO DO INDIVÍDUO COM SURDEZ TOTAL SOBRE O ATENDIMENTO EM SAÚDE

Monografia apresentada a Faculdade de Ciências da Saúde do Trairí da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem.

Orientadora: Prof.ª. Dr.ª Rafaela Carolini de Oliveira Távora

Coorientadora: Prof.ª. Andreza Barbosa de Luna Soares

SANTA CRUZ – RN 2019

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DAMIÃO WELSON DE ARAÚJO

PERCEPÇÃO DO INDIVÍDUO COM SURDEZ TOTAL SOBRE O ATENDIMENTO EM SAÚDE

Monografia apresentada a Faculdade de Ciências da Saúde do Trairí da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem.

Aprovado em: 13 de Dezembro de 2019

BANCA EXAMINADORA

Prof.ª. Dr.ª. Rafaela Carolini de Oliveira Távora Universidade Federal do Rio Grande do Norte

___________________________________________________________________ Prof.ª. Dr.ª. Isabelle Campos de Azevedo

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Enf.ª. Juliana Romano de Lima

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho primeiramente a minha pessoa que não desistiu da vida quando o fundo do poço era seu chão.

A minha família e em especial minha mãe e meu pai, que mesmo de longe e de forma humilde não me negaram forças para continuar e torceram para que eu chegasse até aqui.

Aos meus professores da enfermagem e dos outros cursos e todos os Servidores da FACISA/UFRN Campus Santa Cruz, que se fizeram presentes em minha graduação e na minha vida até mesmo quando não esperava.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por cuidar tão bem de mim, não me deixando fraquejar, ou desistir de viver em nenhum momento, sendo meu guia e me mostrando como deveria caminhar e qual caminho seguir.

À minha mãe Maria do Socorro e meu pai Manoel Enéas que honrosamente me fizeram seu filho, indicando-me o que era respeito, humildade, generosidade e por me mostrarem que dificuldades existem para serem superadas. Cuja minha graduação é dedicada a eles como promessa feita no início de tudo.

Aos meus treze irmãos, que mesmo diante de tanta fome e dificuldades que vivenciamos juntos, não nos separamos, não desistimos da nossa família e entendemos que era essa união que nos faria conquistar tudo o que temos e somos hoje.

À minha mestra e abençoada Professora Rafaela Carolini que apostou na minha ideia e não desacreditou, mesmo quando o tempo e as atribulações da vida nos fazia achar que não daria tempo.

À minha Coorientadora Andreza Luna que da forma mais encantadora aceitou a proposta e me auxiliou em um dos momentos mais fabulosos de minha graduação e da minha vida.

A todos os meus AMIGOS de verdade que estiveram lá, dividindo, comemorando, incentivando ou até mesmo dizendo que não era assim.

Aos meus colegas de sala e agora de profissão que compartilharam comigo não somente uma sala de aula, mais também suas vidas, abraços, choros, suas casas e famílias e principalmente seus sentimentos.

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“Os surdos podem fazer tudo o que os ouvintes podem fazer, exceto ouvir” Irving King Jordan

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RESUMO

Introdução: As pessoas surdas necessitam de acesso a todos os tipos de atendimentos em saúde, sendo grande desafio fazer valer esse direito devido às dificuldades de comunicação. Objetiva-se compreender a percepção do individuo com surdez total sobre o atendimento em saúde. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo descritiva e exploratória. A amostra foi obtida pelo método “bola de neve” e a coleta de informações deu-se por meio da entrevista semiestruturada. As respostas foram traduzidas, transcritas e categorizadas para análise. Desenvolvimento: São perceptíveis as diversas dificuldades que os surdos têm em comunicar-se com os profissionais, fazendo com que seja necessário que um ouvinte esteja presente durante os atendimentos, ou que ele explique sobre as medicações a tomar, por exemplo. Esse fator limitante pode levar à graves riscos à saúde da pessoa surda. Ainda se percebe nas falas a grave exclusão que o surdo sofre quanto ao seu próprio atendimento e acompanhamento em saúde o que o leva a um sentimento de revolta quanto a esse despreparo do profissional. Considerações Finais: É essencial que o profissional de saúde procure atender melhor essa população para que ela seja realmente parte do sistema de saúde com seus direitos respeitados e garantidos, como qualquer outro cidadão deveria ter.

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ABSTRACT

Introduction: Deaf people need access to all types of health care, and it is a great challenge to enforce this right due to communication difficulties. It aims to understand the perception of the individual with total deafness about health care. Methodology: This is a qualitative, descriptive and exploratory research. The sample was obtained by the snowball method and information was collected through semi-structured interviews. Responses were translated and categorized for analysis. Development: The various difficulties that deaf people have in communicating with professionals are noticeable, making it necessary for a listener to be present during the sessions, or to explain about the medications to be taken, for example. This limiting factor can lead to serious health risks for the deaf person. It is still clear in the speeches the serious exclusion that the deaf suffer from their own health care and monitoring, which leads to a feeling of revolt about this unpreparedness of the professional. Final Considerations: It is essential that health professionals seek to better serve this population so that they are truly part of the health system with their rights respected and guaranteed, as any other citizen should have.

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Sumário

1 INTRODUÇÃO ... 10

2 METODOLOGIA ... 13

3 RESULTADOS ... 15

3.1 Formas de comunicação. ... 16

3.2 Necessidade de acompanhante durante atendimento ... 17

3.3 Angústias resultantes da forma de atendimento ... 18

3.4 Falhas terapêuticas devido à comunicação ineficaz no atendimento. ... 20

3.5 Sugestões para melhoria no atendimento. ... 21

4 DISCUSSÃO ... 22

5 CONSIDERAÇÕES...28

REFERÊNCIAS ... 29

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1 INTRODUÇÃO

Segundo a Organização Mundial de Saúde (2019), os problemas de audição provocados por diversas causas já atingem cerca de 466 milhões de pessoas, entre elas 34 milhões são crianças, acrescenta-se que algumas perdas auditivas são irreparáveis e incapacitantes.

De acordo com Skliar (1998) a surdez constitui uma diferença a ser politicamente reconhecida; é uma experiência visual; é uma identidade múltipla ou multifacetada e, finalmente, a surdez está localizada dentro do discurso sobre a deficiência.

A deficiência auditiva pode ser congênita ou adquirida. Entre as principais causas da deficiência congênita destaca-se a hereditariedade, infecções maternas, como Rubéola e Sarampo, Sífilis, citomegalovírus e toxoplasmose. Além disso, a ingestão de medicamentos ototóxicos como antibióticos, aminoglicosídeos e salicilatos, são alguns dos usados durante a gravidez e a forma adquirida quando já existe uma predisposição genética, quando ocorre meningite, exposição a sons impactantes, por exemplo, (BRASIL, 1997).

Nesse ínterim, os neonatos devem realizar exames de detecção de perda auditiva, como a Triagem Auditiva Neonatal (TAN) que tem por finalidade a identificação o mais precocemente possível da deficiência auditiva nos neonatos e lactentes (BRASIL, 2012)

Esse exame consiste no teste e reteste, com medidas fisiológicas e eletrofisiológicas da audição, com o objetivo de encaminhá-los para diagnóstico dessa deficiência, e intervenções adequadas à criança e sua família (BRASIL, 2012), considerando que esse resultado ou sua não realização terá impacto no desenvolvimento da fala, na vida escolar, na autoestima e na adaptação psicossocial.

No entanto, não se podem deixar de lado os avanços voltados para o reconhecimento das pessoas com deficiência, entre estes temos a mais atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96) que assegura, em seu artigo 59º, o acesso dos alunos com deficiência a currículos, métodos, técnicas e recursos educativos que atendam às suas necessidades, bem como professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para o atendimento especializado (BRASIL, 1996).

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Além disso, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), como meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda, foi instituída pela Lei Federal nº 10.436, de 24 de abril de 2002, fornecendo respaldo institucional às garantias individuais e ao pleno exercício da cidadania dos surdos. (BRASIL 2002)

Dessa lei, vale destacar:

Art. 2º Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.

Art. 3º As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor (BRASIL, 2002).

Ressalta-se que o termo portadores de deficiência após a lei deixou de ser usado por ser um termo inadequado, sendo a forma mais correta, Pessoa com Deficiência.

Segundo Cardoso, Rodrigues e Bachion (2006) é notório que assim como qualquer outro grupo populacional, as pessoas com deficiência auditiva necessitam de acesso à saúde, não diretamente relacionado com a deficiência em si.

Estes mesmos autores afirmam que na assistência de enfermagem, é essencial comunicar-se de modo consciente, empenhando-se para decodificar, decifrar e perceber o significado da mensagem que o paciente envia; desta forma poderão ser identificadas suas necessidades.

Chaveiro e Barbosa (2005) ressaltam que a comunicação com esses pacientes é um desafio para os profissionais da saúde. Tendo em vista que a prestação de serviços de saúde para os surdos deve haver o entendimento da comunicação especifica para que se tenha um atendimento, qualificado, adequado e humanizado.

Desta forma, um dos principais desafios, talvez o principal seja o de se fazer valer o direito das pessoas com deficiência auditiva no que diz respeito o acesso aos serviços de saúde e efetividade de atendimento.

Para tanto a Lei de Acessibilidade n° 10.098, de 2000, atribuiu, como responsabilidade do poder público, o dever de promover a eliminação de barreiras

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na comunicação e estabelecer mecanismos e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas com deficiência sensoriais e com dificuldade de comunicação. (BRASIL 2000)

Diante do exposto, tem-se por objetivo compreender a percepção do individuo com surdez total sobre o atendimento em saúde.

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2 METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo descritiva e exploratória. Para Minayo (2001) a pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo nas relações. Trata dos processos e fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.

Nessa perspectiva, Gil (1999) conceitua as pesquisas descritivas, tendo como finalidade principal a descrição das características de uma determinada população ou fenômeno, assim como o estabelecimento das relações entre variáveis. Assim, ressalta-se que os estudos classificados dentro deste conceito são variados e que levam em consideração algumas características mais importantes como técnica padronizada na coleta de dados. O mesmo autor acrescenta que as pesquisas exploratórias têm como principal finalidade: desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias.

A coleta de dados aconteceu em novembro de 2019, na cidade de Santa Cruz, município do interior do Estado do Rio Grande do Norte. Foram incluídos na pesquisa os indivíduos com surdez maiores de 18 anos. Foram excluídos aqueles com diagnóstico de transtornos mentais, visto que poderia haver perdas na comunicação com o indivíduo.

A coleta de informações deu-se por meio de uma entrevista semiestruturada (ANEXO A) que foi realizada nas dependências do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, Campus Santa Cruz, em sala reservada, por ser um local conhecido na cidade pela comunidade surda e, bem como, ser o ambiente de trabalho da intérprete e tradutora de LIBRAS coorientadora desta pesquisa.

A amostra foi obtida pelo método “bola de neve” a partir de uma profissional, intérprete e tradutora de LIBRAS, por meio de contato telefônico por chamada de vídeo e então os demais por indicação do surdo contatado inicialmente.

A amostragem de bola de neve é utilizada principalmente para fins exploratórios, usualmente com três objetivos: desejo de melhor compreensão sobre um tema, testar a viabilidade de realização de um estudo mais amplo, e desenvolver os métodos a serem empregados em todos os estudos ou fases subsequentes. (FEHRING, 1987)

Durante as entrevistas estiveram presentes, dois dos pesquisadores e o participante. Esse processo teve um tempo estimado de duração de 20 minutos.

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As entrevistas foram gravadas por meio de imagem e voz devido à especificidade da população do estudo que utiliza para comunicação o gestual ou a LIBRAS. Tais informações obtidas foram traduzidas para a linguagem escrita, transcritas em documentos informatizados, lidas e revisadas. Acrescenta-se que, na tradução da língua fonte (LIBRAS) para a língua alvo (português), por vezes foram necessários acréscimos de conectores da língua portuguesa para compreensão dos leitores.

Foram identificadas as categorias temáticas, sendo esta indicada como forma de explanar melhor as respostas dos entrevistados (MINAYO; DESLANDES; GOMES, 2009). Obtidas as categorias teóricas, as informações foram analisadas segundo a literatura.

Para a delimitação da amostra utilizou-se a saturação teórica que determina a finalização da coleta de informações quando o pesquisador passa a ter opiniões recorrentes (FLICK, 2009).

A pesquisa foi realizada seguindo as recomendações da Resolução 466/2012 e Resolução 510/2016 do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) tendo seu início somente depois da aprovação sob número: 3.652.652 e o CAAE: 22407819.1.0000.5568.

Todos os sujeitos da pesquisa foram inicialmente esclarecidos sobre a mesma e em seguida foi realizada a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), Termo de autorização para gravação de voz, Termo de autorização para uso de imagens (fotos e vídeos) traduzidos pela intérprete.

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3 RESULTADOS

As filmagens, as entrevistas com o preenchimento dos questionários e as observações aconteceram de modo que se mantivesse a privacidade do surdo, pois foram realizadas em sala fechada e contou com a presença da coorientadora que interpretou e traduziu todas as entrevistas, de modo que fosse preservada a contextualização das falas dos surdos.

Ressalta-se que durante as entrevistas, algumas vezes foi necessária a reformulação das perguntas sem que houvesse perda do objetivo da pergunta, como forma de garantir o entendimento .

Após os procedimentos descritos, foram inventariadas as informações depois de coletados os dados, foi realizada a transcrição das entrevistas em documento digitalizado, depois disso os nomes dos entrevistados foram substituídos pela letra S de surdo e numeração crescente, a partir de 01 até 05, como forma de preservar a identidade deles.

O processo de coleta atingiu sua saturação, confirmada a partir das falas quando se percebeu que apresentaram relatos semelhantes e que se correlacionam, entre si, a partir daí deram-se os primeiros passos para descrição e interpretação dos dados colhidos.

Participaram desta pesquisa cinco indivíduos, sendo três homens e duas mulheres, com idade entre 19 e 49 anos, apresentando predominância entre 37 e 49 anos, observou-se ainda que o gênero masculino predominou entre três dos cinco participantes, a média de idade entre os surdos da pesquisa variou entre 37 a 49 anos, tendo somente um com idade de 19 anos.

Destaca-se que não há diferenças significativas quanto ao sexo masculino e feminino para a ocorrência de surdez, e que pode ser afirmado com a Prevalência autorreferida de deficiência no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde BRASIL (2013).

Deste total, três tem ensino médio completo, um ensino fundamental incompleto, todos usurários de Libras, e um dos surdos mesmo estando no processo de conclusão de ensino médio, não é alfabetizado em português nem em Libras, precisando de comunicação intralingual, para captação dos dados.

De acordo com Octavio Paz (1981) a tradução intralingual ocorre dentro da mesma língua e sendo conhecida também como paráfrase ou reformulação, consistindo em interpretação dos signos verbais por outros da mesma língua.

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Acredita-se, quanto à idade, que a amizade ou vinculo próximo tenham influenciado a predominância de uma faixa etária, pois o método de amostragem escolhido fora o Bola de Neve, no qual a partir de um indivíduo se obtém a indicação de outro.

A partir da coleta, foram identificados fragmentos de falas num mesmo sentido de curso de ação e com isso estabelecida seis categorias: Formas de comunicação, Necessidade de acompanhante durante atendimento, Angústias resultantes da forma de atendimento, Resultados negativos devido à comunicação ineficaz no atendimento e Sugestões para melhoria no atendimento.

Foram explicitados pelos surdos as principais necessidades que os fizeram procurar atendimento em saúde, como dor de cabeça, crises de vesícula, consultas de pré-natal e o parto em si, dentista, queda de bicicleta e de moto, infecção urinária, cirurgias, exames laboratoriais e Chikungunya.

3.1 Formas de comunicação.

Esta categoria discorre sobre a comunicação dos surdos por meio de LIBRAS, língua oficial do grupo.

Nesse sentido os surdos apresentaram quase na totalidade formação em Libras, dois oralizavam e faziam leitura labial. Um deles relatou que usa a escrita em alguns momentos para se comunicar como alternativa de estabelecer comunicação. Abaixo temos uma afirmação quanto ao processo de aprendizagem de uma surda referindo-se a Libras.

Eu tô aprendendo pouquinho, quero aprender mais ainda. (S01)

Agora! Eu conversando com você? (S04)

A fala de S04 é a resposta de um surdo relacionada ao questionamento do uso da LIBRAS, se está sendo no momento da entrevista.

O processo de entendimento das falas pelo surdo por meio do processo de leitura labial é peculiar como apresentado na fala a seguir

Assim, porque eu vejo pela boca, porque assim eu não escuto né, assim se eu for assistir novela aí eu pergunto: mãe o que ele tá dizendo? Mas não tem letra. Aí eu não entendo, ai falta uma letra, ai assim, ai porque se for assim. [...] Se o pessoal virar as costas, conversar, eu

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não escuto, o que tá dizendo. Aí tenho que ver os lábios, os lábios assim (S01)

Um dos surdos relatou que usa em alguns momentos a escrita como forma de aproximar-se da fala e assim estabelecer uma possível comunicação durante os atendimentos.

[...] as vezes se comunica por papel quando precisa de médico de urgência...porque de fato mesmo escrevendo até hoje é complicado. (S02).

3.2 Necessidade de acompanhante durante atendimento.

Foram separados nessa categoria os relatos de que as falas dos profissionais de saúde sempre foram direcionadas para o acompanhante, excluindo o surdo da comunicação durante o atendimento.

Ai ele conversa com ela e ela diz a mim (referindo-se a

mãe). (S01)

Nessa fala percebe-se a importância e ligação com o familiar ou acompanhante em especial a figura materna, também presente em outras falas.

O depoimento de S02 é claro e evidencia que a comunicação é um processo complicado e que a conversa durante o atendimento é direcionada ao acompanhante

É muito complicado porque assim, o médico ele nunca observa o surdo, então a gente fica lá sem saber de absolutamente nada, a conversa é conduzida totalmente pelo ouvinte, o ouvinte vai, ou a mãe, com quem estiver ou o acompanhante que estiver e ai sempre vai com o surdo, o médico nunca entende o que a gente tá falando, a mãe acompanha porque sabe que tem que acompanhar,[...] o médico não vai entender o que o filho vai dizer, então assim. É bem complicado (S02):

Assim, evidencia-se o quanto a presença do acompanhante torna-se essencial para que a comunicação possa ser estabelecida, contudo, algumas vezes afastando o surdo do atendimento.

Quando eu [pausa] vou pro médico, quem ia comigo era meu ex-marido, tudo é ele que fala. (S01)

Fica assim [pausa] se eu não entender, ai vai repassando pra minha mãe [...] (S03)

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Em ambas as falas fica perceptível a necessidade de alguém que fale e compreenda a linguagem falada para que o processo de comunicação aconteça.

Quanto à busca por atendimento, um dos surdos aponta as dificuldades no acesso quatro vezes, mas refere que faltavam exames, de forma que era necessário o retorno para que o atendimento ocorresse mais completamente:

(Fui) quatro vezes e volta pra trás, perguntou cadê o tipo de sangue, segunda cadê o eletro do coração, sei não assim, que o médico, a cirurgia, esse médico tá errado, cadê o negócio, o tipo de sangue, o tipo de coração. A terceira teve infecção urinária, passou remédio, quando eu ficar boa vou voltar de novo. Quatro vez [...] quase morre. (S01)

Destaca-se que essa fala atribui-se a um indivíduo que possui oralização, preservando-se suas falas e seu contexto. Nela fica evidente a necessidade de mais de um retorno para que suas necessidades fossem atendidas.

Dentro desse contexto, de necessidade de um acompanhante para que a comunicação aconteça, vê-se na fala de S03 que há um grande prejuízo quando se retira o esposo que iria acompanhar o parto.

No primeiro parto eu fui sozinha, entrando na sala, porque foi cesária, não podia acompanhar o esposo, porque pode atrapalhar, bactérias, uma besteirinha lá, falaram. (S03)

Ressalta-se nessa fala que há um sentimento de angústia quando S03 conta sobre a realidade vivenciada.

3.3 Angústias resultantes da forma de atendimento

Quando se busca os serviços de saúde tem-se uma expectativa de um atendimento, no qual se possa ser compreendido, contudo as falas expressam um sentimento negativo obtido dessa experiência.

O médico não perguntou nada, o médico não sabe libras. O médico pensa que eu escuto, só escuta, mas não compreende. (S04).

Aí fica complicado porque atrapalha o meu sentimento, porque pra minha mãe não é [...] é eu que tá doente e não ela. Ai fica complicado pra mim. (S03):

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Em ambas as falas percebem-se os sentimentos de tristeza ou mesmo indignação pela forma com que foi realizado o atendimento, tanto pela necessidade de sempre ter que haver outra pessoa envolvida, no caso de S03, quanto por não ser compreendido em suas necessidades, a exemplo de S04.

Enfatiza-se que, é necessário que o atendimento seja realizado pelo profissional qualificado, segundo também a complexidade e/ou gravidade desse. Contudo alguns atendimentos são geradores de constrangimentos ou podem não receber o encaminhamento para o desfecho correto devido às deficiências do profissional durante o atendimento.

Ainda revelam-se os sentimentos dos surdos diante do atendimento, conforme foi explicitado a seguir:

A gente sente! Fica triste! (S01)

Eu me senti tão tão ruim. Me senti assim Como seu eu fosse uma pessoa totalmente inutilizada, uma pessoa incapaz de saber o que eles estavam conversando ou fazendo, muito difícil isso, é um sentimento que não dá pra explicar, é um sentimento de medo, porque a gente não sabe se o que vai se passar se é certo se é errado, é muito ruim o que a gente sente, e ai alguma pessoas conseguem, nos acalmar de certa forma, serem flexíveis com a gente, a gente acaba se tranquilizando, mas não é nada claro pra gente depender de outra pessoa e a gente precisa ter muita confiança pra acreditar. (S02)

Não se senti bem não (pausa). Porque se for o médico, sim normal, tudo bem, mas ginecologista, todas tem que acompanhar (refere-se ao fato de ter que se despir na

frente do profissional[...]. É chatíssimo (S03)

Ruim, não gostou do atendimento. (S05)

Ressalta-se que na fala de S02 é notório o sentimento de apoio durante os atendimentos, o que se revela como fator positivo.

Nas falas desses três indivíduos percebe-se a tristeza de pessoas que não são compreendidas, um sentimento de que o surdo não tem a importância devida a cada indivíduo como único.

Acrescenta-se que nem sempre se consegue alcançar a efetividade na comunicação não verbal por parte do paciente, quando este não realiza a leitura labial ou o profissional não entende as mímicas projetadas pelo surdo, e que de certa forma demandam tempo e esforço por ambas as partes.

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É bem complicado, as vezes que eu fui, nem tentar, as vezes que eu fui tentar me comunicar com o médico comunicar, eu uso mímica, gestos pra ver se o médico consegue me entender. Eu uso mímica literalmente, é muito difícil (S02)

Visualiza-se na fala o grande esforço e a dificuldade na comunicação, que se faz ineficaz, o que mostra diretamente na necessidade de capacitação de recursos humanos para a equipe.

3.4 Falhas terapêuticas devido à comunicação ineficaz no atendimento.

O contexto trazido nessa categoria torna preocupante a conduta existente para com esse público tendo em vista que foi apresentado na fala dos surdos que em diversas vezes não houve a eficácia dos atendimentos. Percebe-se que quando foi prescrita medicação, não houve compreensão do que seria e como usar, situação que pode trazer consequências graves dependendo do medicamento receitado.

Só a folha, comprar remédio só a folha. Tomar um de noite, só. Não sabe (S04)

Foi percebido também que é preciso que outra pessoa auxilie na explicação do que estava escrito ou como deveria ser utilizada a medicação receitada

Assim. Quando eu chego na minha irmã, minha irmã que ela é dentista, ai eu mostro a ela. Como eu tomo, pra mim saber a hora. (S01)

O relato do surdo a seguir trás a preocupação da desinformação, da continuidade do cuidado que se torna ineficaz tendo em vista a influência negativa a cerca dos cuidados em saúde.

[:..] de repente aconteceu do médico ou foi o enfermeiro, não lembro bem, passou um remédio pra pressão, que eu não tinha pressão alta [...]Porque minha mãe percebeu, na hora que eu ia tomar, ai ela foi leu “oxe”! Não precisa [...] alterada minha pressão, eu tenho que usar doce e sal igual, se eu usasse direto sal, já ia subindo. (S03)

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Diante da fala que segue, de S05 fica explicitado o déficit no acolhimento realizado pela equipe durante o atendimento a ele prestado:

Ele tomou medicamento, mas não sabia pra que era.[...] Ficou sempre de costa não tinha como [...] Tava sangrando muito, sangrando muito, não tinha como explicar...era cheio de sangue demais, pegaram a camiseta S05.

A fala acima de S05 trás o relato durante o atendimento em que foi preciso realizar sutura na região da cabeça e que em momento algum foi explicado para ele quais procedimentos seriam realizados.

3.5 Sugestões para melhoria no atendimento.

Nesta categoria veremos as respostas dos surdos a cerca das sugestões proferidas por eles para melhorar os atendimentos prestados.

Na fala que segue, S01 expressa sobre a sua opinião sobre o tratamento que recebeu, que não houve empatia, ou preocupação com a situação que ele estava vivenciando.

[...] Esse médica, só assim, pronto vá simbora, é desse jeito, é eu sei, não tem carinho. Não tem respeito, mas não tem assim isso é falta de respeito (S01).

O S02 trás um resumo da sua concepção sobre os serviços de saúde e como deveria ser o acesso.

A acessibilidade no SUS ela inexiste, porque são vários tipos de acessibilidade, cada uma tem um objetivo, é preciso que as pessoas despertem pra que a acessibilidade tem que ser pra todos, pra toda a sociedade, não só pra uma parte da sociedade.

S02 refere sobre a acessibilidade para as pessoas que apresentam alguma deficiência, deixando claro que há um longo caminho ainda para que se possa falar sobre uma real acessibilidade de todos ao sistema de saúde.

O mesmo trás ainda uma reflexão sobre o processo de morte e morrer

[...] porque imagine que alguém que venha a óbito, o surdo tá lá, sem ninguém dá explicação, ninguém vai dizer nada. Tá acompanhado com uma pessoa e de

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repente aquela pessoa passa mal, tá lá todo mundo tá falando, e a gente tá só o quê? Tá só observando, ninguém explica nada, não tem uma comunicação. Então tudo pra gente é pior, é necessário que expliquem pra gente tudo o que esta acontecendo(S02)

[...] A quantidade de ouvintes que é atendido é gigantesca, mas a de surdos? Quase inexiste sempre a gente fica pra depois e acaba indo a óbito, por quê? Porque ninguém sabe conversar a gente, e aqui a exemplo de Santa Cruz, ninguém faz nada por isso. (S02):

Quando a gente vai ao médico, é preciso que o SUS tome essa iniciativa, principalmente aqui na cidade[...], pra que a gente entenda com clareza, o que acontece e que a gente possa explicar, e que o médico possa nos entender e nós possamos entende-los. (S02):

Na fala anterior foi percebido que existe um desejo do surdo para que aconteçam melhorias no atendimento em saúde, a partir do processo de melhoria da comunicação, que haja clareza e que possa haver o entendimento de suas necessidades.

S03 possui não somente uma, mas duas sugestões entre eles, como deveria ser o atendimento nos hospitais.

Todos os hospitais terem que aprender libras ou se a pessoa quer ir sendo acompanhado, já ajudava muito, porque se for mamãe não sabe onde está doente, porque a maioria do surdo não sabe explicar pra mamãe porque não sabe libras, ai fica complicado. (S03):

Nessa fala ainda fica evidente a falta de comunicação eficaz até mesmo entre os membros da família, assim, esse papel de tornar eficaz o diálogo dentro do sistema de saúde não é resolvido pela presença do familiar.

Já o surdo S05 ressalta que o fato de ao menos ser bem recebido já seria de grande valia e ainda menciona a figura da enfermeira no seu discurso

Uso da língua de sinais, é bom chegar la no hospital e ser bem recebido, boa tarde, tudo bem? Em língua de sinais , a sugestão é que todos aprendam língua de sinais[...] Seria bom falar, oi boa tarde bom dia.[...] Seria tão bom que a enfermeira[...] soubesse libras (S05)

Percebe-se nas falas em geral as diversas dificuldades estabelecidas pelas falhas de comunicação nos diversos contextos.

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A discussão dessa pesquisa parte das observações realizadas a partir da coleta de dados, como tais: idade, gênero e formação, quanto à escolaridade e em específico a LIBRAS e posteriormente sobre as falas dos surdos.

Quanto aos discursos obtidos, verificou-se a grande dificuldade em se estabelecer uma comunicação efetiva com o profissional de saúde. Nas falas visualiza-se que as formas de comunicação entre indivíduos podem ser diversas, e a partir do momento que um surdo busca atendimento em saúde tem-se o entendimento que ela ocorra pelas mais variadas formas, e é preciso que seja de modo efetivo essa comunicação, sendo necessário que este indivíduo compreenda e seja compreendido.

Para Broca e Ferrera (2012) essa variedade em comunicar-se de diferentes formas, tem um papel de instrumento de significância humanizadora e, para tal, a equipe precisa estar disposta e envolvida para estabelecer essa relação e entender a importância do se fazer reconhecer o cliente como sujeito do cuidado e não passivo a ele.

Com isso pode-se observar que as formas de comunicação foram diversas, como encontramos nos discursos elencados na categoria denominada: Formas de comunicação. Pode-se utilizar de gestos, de escrita, de alguma forma de oralização ou mesmo de leitura labial. Mas sempre estando atento para que o entendimento se realize de forma eficaz.

A leitura labial é a observação dos movimentos dos lábios e da boca do interlocutor na tentativa de decodificar a informação que está sendo transmitida. TOFOLLO (2017)

Quando se observa os relatos da categoria: Necessidade de acompanhante durante atendimento é notória a importância que tem a presença de alguém acompanhando o surdo nos atendimentos e que a figura materna foi citada por alguns nas respostas. Assim como a exclusão do surdo no atendimento por meio do direcionamento da consulta ao acompanhante.

De acordo com Souza (2017) é um obstáculo no atendimento à pessoa surda as barreiras de comunicação gerando déficit da relação do profissional-paciente porque devido a necessidade de um acompanhante ou não muitas das informações importantes que seriam privativas do surdo podem levar a constrangimentos desse paciente.

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Ressalta-se ainda nos relatos dos surdos durante a pesquisa que os acompanhantes são mulheres, sendo a figura feminina citada como a principal cuidadora. Esse fato corrobora com Bracialli (2012) a maior parte dos cuidadores é representada por mulheres, entre elas, tias, irmãs, filhas e as mães sendo a mais citada.

Conforme a portaria Nº 2.073 de 28 de setembro de 2004 do Ministério da Saúde, que institui a Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva, fica claro no seu Paragrafo V do art.2º:BRASIL (2004)

Promover a ampla cobertura no atendimento aos pacientes portadores de deficiência no Brasil, garantindo a universalidade do acesso, a equidade, a integralidade e controle social da saúde auditiva.

Haja vista que o consenso a respeito do que se é preconizado e praticado está longe de ser o ideal, e só haverá uma assistência de qualidade quando estes estiverem ajustados, proporcionado ao surdo uma melhor qualidade de vida.

Acrescenta-se que o cuidado em saúde prestado aos surdos está longe de ser o adequando, porque fica evidente nas falas, a relação de desigualdade, a dificuldade de atendimento adequado, falta de respeito e atenção.

É importante destacar que a humanização do cuidado em saúde perpassa pelo respeito à individualidade da pessoa, ao mesmo tempo em que suscita uma percepção holística deste ser, extrapolando a compreensão biologicista da doença e contemplando os aspectos psicológicos, sociais e espirituais que, direta ou indiretamente, influenciam no processo saúde-doença, e a comunicação eficaz entre enfermeiro-cliente. (MORAIS, 2009)

Diante disso entende-se que há muito que debater sobre o acolhimento realizado, a assistência e o cuidado continuado a pessoas surdas, numa perspectiva de se reivindicar a garantia dos direitos e a efetivação das politicas publica que tornem a inclusão algo palpável e assim possa diminuir os problemas de saúde enfrentados por este público.

Essas dificuldades citadas podem ser resultado da falta de organização dos profissionais de saúde que atendem o surdo por meio da intermediação adequada e que vai desde o momento da busca por atendimento até as orientações finais sobre os cuidados e tratamento.

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Contudo, quando se trata de garantia de direitos, o acesso universal acontece quando todo brasileiro pode alcançar qualquer ação ou serviço de saúde sem qualquer barreira, seja ela, econômica, legal, física ou cultural. Paim (2009)

Confirmado no depoimento de S03 em que se deixa claro a negação de direitos quando não foi permitido ter como acompanhante o esposo durante o parto de um de seus filhos, sendo alegada uma possível contaminação do ambiente se o mesmo adentrasse no momento do parto.

De acordo com o caderno de Atenção Básica do Ministério da Saúde - CAB Nº32 a estratégia da Rede Cegonha tem a finalidade de estruturar e organizar a atenção á saúde materno infantil, sendo formado por um conjunto de iniciativas que envolvem mudanças no processo de cuidado à gravidez, ao parto e nascimento, como forma de estimular a prática do parto fisiológico e na humanização do parto e nascimento. BRASIL, 2012)

Quanto à categoria Angústias resultantes da forma de atendimento, vislumbra-se com os diversos sentimentos aflorados pelos surdos e a deficiência do serviço em específico os profissionais de saúde para com o público em questão.

O professor Stephen W Hawking como Preâmbulo reconhece no Relatório Mundial sobre Deficiência da OMS (2011), que a deficiência é “um conceito em evolução”, mas realça também que “a deficiência resulta da interação entre pessoas com deficiência e barreiras comportamentais e ambientais que impedem sua participação plena e eficaz na sociedade de forma igualitária”.

O tratamento dado em cada situação é preocupante porque parte da premissa de mudança em diversos sentidos, entre os principais: Acolhimento, assistência integral e humanizada e que possibilite o cuidado em tempo contínuo a pessoa surda.

Leonardo Boff (1999, p.33) traduz o ato de cuidar de forma plausível, quando ele afirma que o que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato, é uma atitude. Portanto, abrange, mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.

Este mesmo autor ainda ressalta a importância do acolhimento afirmando que quando um acolhe outro e assim realiza-se a coexistência, surge o amor como fenômeno biológico. Ele tende a expandir-se e ganhar formas mais complexas, uma delas e a forma humana.

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Na categoria falhas terapêuticas devido à comunicação ineficaz no atendimento, é inquietante nas falas destacadas o não entendimento real do surdo quanto a medicação prescrita e/ou do tratamento adequado, o que se torna preocupante porque pode acontecer de um problema de saúde ao invés de solucionado, ser aumentado, podendo levar o paciente a ter complicações mais graves ou até a morte.

Segundo a OMS (2016) deixa claro que os erros de medicação podem ocorrer em diferentes fases do processo de prescrição e uso de medicamentos. Embora os erros graves sejam relativamente raros, seu número absoluto é considerável, tendo potencial para provocar importantes consequências adversas para a saúde.

Por fim temos a categoria em que foram elencadas as considerações do surdo sobre o sistema de saúde, que destacam como deveria ser o atendimento em saúde prestado a eles. Nesse grupo, percebe-se novamente a importância e deficiência que existe na utilização da forma mais adequada de comunicação, a citar o uso da libras.

Segundo Dizeu e Caporali (2005, p. 588) “a língua de sinais representa um papel expressivo na vida do sujeito surdo, conduzindo-o, por intermédio de uma língua estruturada, ao desenvolvimento pleno.” Facilitando assim, sua inclusão desde a escola ao ambiente de trabalho.

Esses mesmos autores ainda colocam que a língua de sinais representa um papel expressivo na vida do sujeito surdo, conduzindo-o, por intermédio de uma língua estruturada, ao desenvolvimento pleno.

Harrison (2000) ressalta que essa língua possibilita a criança surda à oportunidade de ter acesso à aquisição de linguagem e de conhecimento de mundo e de si mesma.

Foi observado também que a partir do momento em que há a necessidade de exames mais investigativos e específicos como o de mama ou o exame preventivo, em que se tem necessidade do paciente se despir frente ao profissional, gera constrangimentos possivelmente pela falta de comunicação e explicação do que seria e como seria feito.

Broca e Ferreira (2015) lembram que os profissionais por meio da comunicação podem compreender melhor a sua relação com a equipe, a forma de lidar com o cuidado ao usuário e com as diversas categorias profissionais

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Adicionam-se a esse quadro os temores envolvidos nos atendimentos de agravos em saúde, como por exemplo, o processo de morte e morrer. Tal situação por si só é um acontecimento de difícil aceitação para pais, filhos, outros familiares e até mesmo amigos, porque gera inconformidade e dor, sendo este inerente a todos os seres humanos e que pode acontecer a qualquer momento.

Diante disso, Torralba (2009) coloca que o final da vida corresponde a um período em que, geralmente, o sofrimento se torna mais transcendente, e essa forma de sofrimento é exclusiva da espécie humana, dando origem a outros males, de ordem interior e de ordem interpessoal.

Beserra (2014) ressalta que a condição de enfermidade produz sentimentos como incapacidade, dependência, insegurança e sensação de perda do controle sobre si mesmo.

Cruz (2017) ainda comenta que a fragilidade pode ser compreendida como uma condição sindrômica, dinâmica, multifacetada e multifatorial, resultante do arranjo existente entre aspectos biológicos, sociais, psicológicos e ambientais, que interagem no decorrer da vida humana e das relações que são processadas em seu interior.

4 CONSIDERAÇÕES

Ficou evidente nos relatos dos surdos que as dificuldades de comunicação existem, seja na unidade básica de saúde ou no ambiente hospitalar durante as consultas, ressignificando o papel deste individuo como pertencente a uma sociedade, o que acaba gerando sentimentos de medo, tristeza, angústia e raiva. Pois não há compreensão do surdo com o profissional e do profissional com o surdo É essencial que o profissional de saúde atenda melhor essa população para que ela seja realmente parte do sistema de saúde com seus direitos respeitados e garantidos, como qualquer outro cidadão deveria ter.

Que este sujeito possa sentir-se parte do processo do cuidar, exercendo sua autonomia, sem a necessidade do acompanhante obrigatório durante os atendimentos, ou que o atendimento seja realmente direcionado como forma de promover o bem-estar do surdo.

Nesse contexto é inegável a necessidade de uma adequação no atendimento, desde o acolhimento até as orientações finais, e da existência de ao menos um

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interprete em cada hospital e/ou na rede de atenção básica, como forma de tornar o processo de inclusão efetivo e satisfatório.

Dentre as limitações do estudo, pode-se elencar o déficit de informações acerca do número de surdos na cidade de Santa Cruz e nos sistemas de informações.

Parte-se do entendimento que falar sobre inclusão de pessoas surdas é também tratar de politicas públicas que possibilitem investimentos no processo de formação dos professores para o ensino de libras, assim como dos estudantes do ensino superior voltados para as áreas da saúde, como forma de minimizar os problemas na assistência ao cuidado.

Este trabalho pode ser ampliado em futuras pesquisas quanto ao números de surdos ou mesmos os contextos vivenciados por esses.

É preciso que o processo de comunicação entre as pessoas surdas e os profissionais de saúde seja estabelecido de modo eficaz durante os atendimentos em saúde, visto que os resultados obtidos nessa pesquisa demostram a deficiência da comunicação..

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Anexo A

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

FACULDADE DE CIENCIAS DA SAUDE DO TRAIRÍ

GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM

Questionário para conhecer a percepção das pessoas surdas a cerca do atendimento em saúde.

1- Identificação numérica do entrevistado: entrevistado ____ 2- Idade: _____ anos.

3- Endereço: Bairro: ___________________________ e Cidade: ___________ 4- Gênero: Masc.[ ] Femin. [ ]

5- Escolaridade: Ensino fundamental completo [ ] Incompleto [ ] Ensino médio completo [ ] incompleto [ ]

Ensino Superior completo [ ] incompleto [ ]. 6- É usuário da Língua Brasileira de Sinais- LIBRAS ?

7- Você já foi atendido em algum momento no SUS? Se sim, foi acompanhado (a) ou sozinho (a)? Por que e por quem foi acompanhado?

8- Durante o atendimento a conversa foi direcionada para você ou para o seu acompanhante?

9- Como você se sentiu ao ser atendido?

10- Você precisou usar algum medicamento? Se sim, foi fácil entender? O profissional de saúde conseguiu explicar? Você conseguiu entender?

11- Qual a sugestão que você daria para melhorar o atendimento a pessoas surdas?

Referências

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