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Educação não tem cor: questões de raça e cor em sala de aula numa escola de Cerro Corá/RN-Brasil,2014- 2016

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ

CAMPUS DE CAICÓ – DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA DO CERES ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA E CULTURA AFRICANA E

AFRO-BRASILEIRA

ANA LÚCIA CANÁRIO DE BRITO

EDUCAÇÃO NÃO TEM COR: QUESTÕES DE RAÇA E COR EM SALA DE AULA NUMA ESCOLA DE CERRO CORÁ/RN - BRASIL, 2014-2016.

CAICÓ 2016

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2 ANA LÚCIA CANÁRIO DE BRITO

EDUCAÇÃO NÃO TEM COR: QUESTÕES DE RAÇA E COR EM SALA DE AULA NUMA ESCOLA DE CERRO CORÁ/RN - BRASIL, 2014-2016.

Trabalho de Conclusão de Curso, na modalidade Artigo, apresentado ao Curso de Especialização em História e Cultura Africana e Afro-Brasileira, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ensino Superior do Seridó, Campus de Caicó, Departamento de História, como requisito parcial para obtenção do grau de Especialista, sob orientação do Prof. Ms. José Duarte Barbosa Júnior.

CAICÓ 2016

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3 SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 5

2. PRIMEIRA PALAVRAS ... 5

3. PESQUISANDO NA SALA DE AULA ... 6

3.1. Fontes ... 6

3.1.1. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s). ... 6

3.1.2. Na sala de aula a discriminação e a possibilidade de sua reversão através do ensino: a aplicação de um questionário. ... 8

3.1.3. Na sala dos professores pesquisando raça e cor. ... 13

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 14

FONTES ... 16

REFERÊNCIAS ... 17

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4

EDUCAÇÃO NÃO TEM COR: QUESTÕES DE RAÇA E COR EM

SALA DE AULA NUMA ESCOLA DE CERRO CORÁ/RN - BRASIL,

2014-2016.

Ana Lúcia Canário de Brito1

José Duarte Barbosa Júnior – Orientador2

RESUMO

O presente trabalho trata de pesquisa acerca das questões de raça e cor em sala de aula no Centro Educacional Rodrigues Neto, escola de nível fundamental da rede privada na cidade de Cerro Corá, situada no estado do Rio Grande do Norte – Brasil. A observação que resulta no presente trabalho ocorreu entre os anos de 2014 e 2015 e utilizou como fontes os Parâmetros Curriculares Nacionais e as visões de mundo de alunos e professores. Predomina entre alunos uma visão de mundo negativa sobre a África e uma negação da herança afro-brasileira. Defende-se entre professores a necessidade de discussão do tema e de capacitação como forma de alterar o quadro do preconceito e da intolerância.

PALAVRAS-CHAVE

Relações etnicorraciais. Preconceito na escola. Cor e raça. Sala de aula.

1 Discente do Curso de Especialização em História e Cultura Africana e Afro-Brasileira – Universidade

Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES), Campus de Caicó, Departamento de História (DHC). Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú. Professora da Rede Municipal e Privada de Ensino, na Escola Municipal Sebastiana Alves Nôga e Centro Educacional Rodrigues Neto (Cerro Corá-RN), onde ministra a disciplinas de Ciências. E-mail: [email protected].

2 Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte – IFRN.

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5 1. INTRODUÇÃO

O presente trabalho trata de pesquisa acerca das questões de raça e cor em sala de aula no Centro Educacional Rodrigues Neto, escola de nível fundamental da rede privada na cidade de Cerro Corá, situada no estado do Rio Grande do Norte – Brasil. A observação que resulta no presente trabalho ocorreu entre os anos de 2014 e 2015.

A opção de tratar do presente tema se deu pela experiência em sala de aula no ensino de História, ao perceber por parte de alguns alunos, atitudes de discriminação relativas a raça e cor. Um fato em especial marca o interesse em transformar essa experiência numa pesquisa. No ano de 2012, ao realizar uma atividade em grupo na sala de aula, foi presenciado um fato que se tornou marcante: a recusa de uma aluna a formar grupo com outra colega pelo fato da mesma ser “gorda e negra”. Por que e como crianças na faixa etária dos 7 a 8 anos de idade demonstram atitudes de discriminação racial ligadas a cor e mesmo de classe?

2. PRIMEIRA PALAVRAS

Racismo é um problema recorrente na sociedade brasileira e, portanto, em suas instituições (SANTOS, 1984) embora tenhamos obtido muitas conquistas como foi a Constituição de 1988 e as políticas públicas iniciadas nos anos 2000 e que culminaram dentre outras coisas com o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e a lei 10.639/2003 que instituiu o Ensino da História e da Cultura da África.

A discriminação racial permeia a sala de aula causando grande desconforto para educandos e educadores. A cultura africana, para além da concepção do fenômeno “raça” é constituinte da cultura brasileira e logo das relações cotidianas. Esse aspecto torna importante problematizar a presença do racismo na sala de aula, como também a história da vida cotidiana ressaltando a herança da cultura africana. Preconceito existe nas salas de aulas, como reflexo do preconceito existente fora, tanto na escola muitas vezes entre professores e gestores como na sociedade de forma geral, notadamente pela falta de informação e demonstração de opiniões do senso comum que não (re)conhecem os valores existentes da cultura africana/afro-brasileira.

Essas questões tornam necessários trabalhos de permanente de ensino que sejam capazes de fazer entender e afirmar a contribuição e o valor da cultura africana sem a qual não seria possível a riqueza e complexidade da cultura brasileira.

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6 3. PESQUISANDO NA SALA DE AULA

Apresentamos a seguir os resultados de uma breve abordagem dos documentos escritos acerca do ensino de História; e, em seguida, os resultados do questionário aplicado aos alunos do 4º ano vespertino do Centro Educacional Rodrigues Neto; e, por fim, os resultados das entrevistas realizadas com professores do Ensino Fundamental na mesma escola situada na cidade de Cerro Corá/RN – Brasil.

3.1. Fontes

3.1.1. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s).

Para os Parâmetros Curriculares Nacionais (2001), no que toca o respeito mútuo e o convívio escolar,

A escola, sobretudo a escola pública, costuma receber um público heterogêneo. Para muitas crianças, a escola é a primeira oportunidade de conviver com pessoas diferentes. Uns são brancos, outros negros, outros mestiços, há meninos e meninas, pessoas de renda familiar desigual, oriundas de famílias de diversas religiões e opiniões políticas, etc. Todos os alunos estão na sala de aula usufruindo do mesmo direito à educação. É excelente oportunidade para que aprendam que todos são merecedores de serem tratados com dignidade, cada um na sua singularidade (PCN, 2001, p. 119).

Ao tratar da constituição da pluralidade cultural no Brasil e a então situação na qual o documento foi publicado explica-se,

Este conteúdo trata de como se constituiu, se constitui, por sua permanente reelaboração, e se apresenta a face cultural complexa e cheia de potencial do País, com sobreposição de tempos, no social, cultural e no individual. Para conhecer a situação dos diferentes povos que aqui vivem e valorizá-los, é necessário trabalhar aspectos ligados às suas origens continentais: a presença no continente e em território nacional anterior ao descobrimento, no caso dos indígenas; a vida culturalmente complexa presente na África, desde antes da mercantilização da escravidão; e a vida nos continentes de origem de conquistadores e imigrantes – Europa, Ásia, Oriente Médio, África – ao longo da história (PCN, 2001, p. 70).

(7)

7 Quanto à crítica dos materiais didáticos afirma,

Conteúdos do tema Pluralidade Cultural estiveram presentes na escola de maneira frequente, porém, colaborando na disseminação de preconceitos, mais que esclarecendo. Nesse sentido, materiais didáticos desempenharam papel crucial, tanto por veicularem explicitamente noções erradas quanto de maneira velada e implícita, por exemplo, em ilustrações que insistiram em passar estereótipos que aprisionavam grupos étnicos a certos papéis sociais. Um exemplo de divulgação de erro refere-se à noção de que existiria uma organização social única e comum a todos os índios, o que se veiculou por meio da escola e dos livros didáticos por muito tempo. Da mesma forma, não se pode aceitar a difusão da escravidão como fato que se vincula exclusivamente aos povos africanos, de imagens de negros apenas como escravos ou no desempenho de papéis sociais sem prestígio. É importante lembrar que o reconhecimento e a valorização de todo trabalho é papel da escola em seu cotidiano, veiculando a consciência de que toda profissão é importante (PCN, 2001, p. 99).

Vê-se nos três fragmentos dos Parâmetros Curriculares Nacionais, publicados em 2001 para orientar o Ensino Básico de 1ª a 4ª série, que a questão etnicorracial aparece de forma residual e genérica dentro da discussão da Pluralidade Cultural. Apenas no ano de 2003 com a institucionalização da Lei 10.639 que veremos um avanço significativo na discussão etnicorracial com a introdução dos temas História e Cultura Afro-brasileira. Para analisar o contexto cultural e compreender a importância da discussão etnicorracial optamos por desenvolver uma pesquisa tendo como fonte a oralidade a partir das expressões verbais, ideias e mentalidades, emergidas das interlocuções realizadas no campo da presente pesquisa. Foram entrevistados alunos e professores considerando temas da cultura africana apresentados em aula (no caso dos alunos) e do preconceito racial (no caso dos professores).

Para responder a questão de através de quais elementos imaginais e discursivos se dá o preconceito de raça e cor na escola, entendendo-o como reprodução de um racismo de escala mais ampla, ou seja, disseminado nas instituições sociais, entendemos as fontes históricas como testemunhas de fatos sociais desdobrados na vida cotidiana.

A utilização desses dois tipos de fontes teve como principal objetivo, problematizar as fronteiras entre o atual projeto de país e cidadania, e a realidade da educação. Essa problematização traz, no primeiro, questões de transformação social e lutas políticas, enquanto o segundo traz um aspecto propriamente cultural, terreno onde

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8 símbolos e significados (GEERTZ, 2008) atuam ativamente reconhecendo ou negando sujeitos.

Esse caminho analítico colocou-nos, a nosso modo de ver, na dimensão da cultura historiada ao referenciarmos ideias e mentalidades transmitidas que atuam nas atitudes dos sujeitos no mundo, na sua vida imediata, cotidiana (BURKE, 2008). Ao se optar pela observação participante como procedimento metodológico objetiva-se abordar como, através dos processos comunicativos, o conhecimento é desenvolvido e transmitido e, ainda para reiterar, o impacto desse conhecimento nas atitudes dos sujeitos.

3.1.2. Na sala de aula a discriminação e a possibilidade de sua reversão através do ensino: a aplicação de um questionário.

Os dados a seguir são o resultado do questionário realizado em sala de aula com os alunos do 4º ano vespertino do Centro Educacional Rodrigues Neto no ano de 2016. A pesquisa abordou 17 crianças do ensino fundamental, na faixa etária de 8 a 9 anos de idade, município de Cerro Corá/RN, sendo 9 crianças do sexo masculino e 8 do sexo feminino, sobre a pratica e atos de racismo em sala de aula, escola e comunidade em geral. O questionário-exercício constou de 10 questões das quais duas são objetivas sobre ano de estudo e faixa etária e 8 subjetivas que abordam as visões de mundo dos alunos acerca da África, da raça e do racismo. Utilizo na presente discussão, 6 das 10 questões. A metodologia de tratamento dos dados consistiu no grupamento das principais ideias que aparecem nas respostas e são apresentadas em gráficos a seguir. O modelo do questionário encontra-se no Anexo I.

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9 Gráfico 3 – Na sua opinião como você vê a África?

Produção independente.

Vê-se na questão 3 um certo “equilíbrio” na quantidade de categorias, exceto pelo pela categoria “lugar pobre”. É importante ressaltar se unirmos as categorias “B”, “C” e “D”, considerando a semelhança das visões nelas contidas, obtemos uma predominância de uma visão negativa sobre a África como lugar pobre e de falta (de comida, de água, de riquezas). É necessário ressaltar que a afirmação da África como um lugar de pessoas negras e/ou humildes tem a dupla possibilidade de, por um lado ser apenas uma descrição física de uma população de cor, mas por outro lado a reiteração de um preconceito, não por ignorar que ajam pessoas de cores e etnias diversas, mas por fazer equivalência entre negritude como aspecto negativo e de forma correspondente a afro descendência como aspecto igualmente negativo. Vale ressaltar que a categoria “A” levanta imagens muito singulares dentro de um quadro cuja prevalência é negativa, que é o fato de se identificar a África como um lugar bonito e de natureza.

0 1 2 3 4 5 6 7 8

(A) Lugar bonito, natureza (B) Lugar onde falta comida (fome) e água (C) Lugar pobre (D) Lugar de pessoas negras, humildes

(10)

10 Gráfico 4 – Qual a imagem que você tem dos africanos?

Produção independente.

Na questão 4 abordamos a visão dos alunos sobre os africanos. Predomina ainda, como na questão acerca da visão sobre a África, uma imagem negativa que está representada pela categoria “D” através das visões de “pessoas negras, humildes, pobres ou magras. Na categoria “C”, que é a segunda em relevância, a imagem sobre os africanos está ligada ao aspecto da cor da pele. Há ainda nas categorias “B” e “E” imagens toscas como a dos africanos como “pessoas com roupas rasgadas” e “pessoas negras com muitos filhos”. Em um número muito ínfimo há a afirmação de que os africanos são “pessoas normais e/ou boas”.

0 2 4 6 8 10 12

(A) Pessoas normais, pessoas boas (B) Negros com roupas rasgadas (C) Pessoas de cor negra/preta (D) Pessoas, humildes, pobres ou magras (E) Pessoas negras com muitos filhos

(11)

11 Gráfico 5 – Qual a cor que você se define?

Produção independente.

Na questão 5 interrogamos acerca de qual a cor o aluno se define. Dez, dos dezessete alunos, afirmam ser pardos, sete afirmam ser brancos e nenhum afirma-se negro ou indígena.

Gráfico 6 – Você acha que na sua escola há práticas de racismo entre os alunos?

Produção independente.

7

10

0 0

Branco Pardo Negro Indígena

16 1

(12)

12 Quando interrogamos se há práticas de racismo na escola entre os alunos, dos dezesseis dos dezessete afirma positivamente, para um que afirma negativamente.

Gráfico 7 – Você já ouviu alguém dizer expressões tais como “macaco”, “só poderia ser preto mesmo”, “neguinho” ou outras parecidas?

Produção independente.

Quando, na questão 7, questionamos se os alunos ouviram alguém dizer expressões tais como “macaco”, “só poderia ser preto mesmo”, “neguinho” ou outras expressões parecidas, onze dos dezessete afirmam que sim para seis que afirmam não ter ouvido.

11 6

(13)

13 Gráfico 9 – Você já sofreu algum tipo de preconceito devido a sua cor?

Produção independente.

Quando, na questão 9, questionamos se o aluno já sofreu algum tipo de preconceito devido a sua cor, dezesseis dos dezessete afirmam que não e apenas um afirma que sim.

3.1.3. Na sala dos professores pesquisando raça e cor.

Os dados a seguir são o resultado do questionário respondido por 6 professores das diversas áreas do Ensino Fundamental do Centro Educacional Rodrigues Neto no ano de 2016. O questionário consistiu em 10 questões subjetivas a partir do qual seleciono 6 questões para uma abordagem mais quantitativo/objetiva e 3 questões para uma abordagem qualitativa.

Quando questionados se haviam presenciado ato de racismo na Escola, três dos seis professores afirmam que sim, dois que não e um imitiu-se.

Quando questionados sobre o que entendem por racismo em sala de aula, as principais visões são a intolerância, exclusão e discriminação.

Todos os entrevistados afirmaram achar importante trabalhar o tema do racismo em sala de aula.

1

16

(14)

14 Todos os entrevistados afirmaram não ter recebido qualquer capacitação sobre o tema.

Todos os entrevistados afirmaram que o livro didático não dispõe de conteúdos que aborde o assunto.

Todos os entrevistados afirmaram conhecer alguma manifestação cultural afro-brasileira.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho abordou as questões de raça e cor em sala de aula numa escola da cidade de Cerro Corá, município do Rio Grande do Norte. O trabalho deu-se início com inquietações já no ano de 2014 referentes à experiência de sala de aula. A partir das fontes escritas, escolhidas para o desenvolvimento deste trabalho, quais sejam os Parâmetros Curriculares Nacionais referentes à Pluralidade Cultural e à Ética, percebe-se tratar-se de um tímido delineamento de uma política de Estado.

No que toca às fontes orais, ou seja, às visões de mundo delineadas a partir da observação, da interlocução e da aplicação de questionários a alunos e professores, procuramos abordar e compreender as construções do preconceito sobre raça e cor na escola. Como resultado dessa experiência, ao abordar as visões dos alunos, percebemos a predominância de uma visão negativa sobre a África como lugar pobre e de falta de comida, de água e de riquezas, características que vêm associadas à cor da pele, ou seja, quando nas expressões do pensamento e da fala une-se tais categorias.

Quando buscamos abordar as visões sobre a África, predominou imagem negativa representada por visões como lugar habitado por pessoas negras, pobres e magras e ainda por imagens toscas dos africanos como “pessoas com roupas rasgadas” e “pessoas negras com muitos filhos”. Tais imagens reiteram uma visão que conecta uma percepção de elementos negativos como pobreza e doença à raça e à cor. Entre os alunos, há um número muito ínfimo que considera os africanos como “pessoas normais e/ou boas”.

Como resultado dessa visão de mundo, nenhum dos alunos reconhece-se como negro, afrodescendente ou mesmo indígena, apesar de afirmarem haver práticas de racismo na escola entre os alunos e de muitos já ter sofrido algum preconceito devido a cor. Vê-se que há uma “negação de resguardo”, de defesa contra o medo de ser

(15)

15 constrangido por expressões rasteiras como “macaco(a)”, “preto(a)” ou “neguinho(a)”, dentre outras.

Para os professores entrevistados, existe práticas de preconceito na escola e na sala de aula e os mesmos já presenciaram os fatos que atestam. Para eles esses fatos se dão por intolerância, exclusão e discriminação. E ainda que não tenham recebido qualquer capacitação, que o livro didático não dispõe de conteúdos que aborde o assunto, afirmaram achar importante trabalhar o tema do racismo e do preconceito em sala de aula. Há, portanto, um trabalho contínuo a ser feito dentro e fora de escola no sentido de alcançar objetivos previstos em políticas de Estado como é o caso dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Há ainda a necessidade de contínua formação e capacitação dos profissionais em educação para maior sensibilidade no trato de questões de pluralidade cultural como é o caso específico das relações etnicorraciais.

(16)

16 EDUCATION HAS NO COLOR: ISSUES OF RACE AND COLOR IN THE CLASSROOM IN A SCHOOL OF CERRO CORÁ/RN - BRAZIL, 2014-2016.

ABSTRACT

This paper deals with research about race and color issues in the classroom in the Centro Educacional Rodrigues Neto, fundamental level private school in the city of Cerro Corá, located in the state of Rio Grande do Norte - Brazil. The observation wich results in this study occurred between the years 2014 and 2015 and used as sources the Parâmetros Curriculares Nacionais and the worldviews of students and teachers. Prevails among students a negative world view on Africa and a denial of african-Brazilian heritage. It is argued among teachers the need for discussion of the topic and training as a way to change the framework of prejudice and intolerance.

KEY-WORDS

Racial and ethnic relations. Prejudice at school. Color and race. Classroom.

FONTES

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Pluralidade cultural; Orientação Sexual / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC / SEF, 2001.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Apresentação dos temas transversais: Ética / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC / SEF, 2001.

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17 REFERÊNCIAS

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Pluralidade cultural; Orientação Sexual / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC / SEF, 2001.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Apresentação dos temas transversais: Ética / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC / SEF, 2001.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado, 1998.

BURKE, Peter. O que é História Cultural? 2ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC Ed, 2008.

SANTOS, Joel Rufino dos. O que é racismo. São Paulo: Ed. Abril Cultural/ Ed. Brasiliense, 1984.

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18 ANEXOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO HISTÓRIA AFRICANA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA.

QUESTIONÁRIO APLICADO AOS ALUNOS

1. Que Série (Ano) você estuda?

( ) 3º Ano ( ) 6º Ano

( ) 4º Ano ( ) 7º Ano

( ) 5º Ano ( ) 8º Ano

2. Em que faixa de idade você se enquadra?

( ) de 6 a 7 anos ( ) de 12 a 13 anos

( ) de 8 a 9 anos ( ) de 14 a 15 anos

( ) de 10 a 11 anos ( ) de 15 a 16 anos

3. Na sua opinião, como você vê a África?

__________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ 4. Qual a imagem que você tem dos africanos?

__________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ __________________________________________________________ 5. Qual cor você se define:

Preto ( ) Branco ( ) Pardo ( ) Indígena ( )

(19)

19 ( ) sim ( ) não

7. Você já ouvir alguém dizer expressões tais como: “macaco”, “só poderia ser preto mesmo”, “neguinho” ou outras parecidas?

( ) sim ( ) não

8. Você acha correto esses tipos de expressões? ( ) sim ( ) não Por quê? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

9. Você já sofreu algum tipo de preconceito devido sua cor? ( ) sim não ( )

- Em caso afirmativo esta descriminação partiu de:

(Pode marcar mais de uma alternativa).

( ) Pelos colegas da escola ( ) Por parte dos professores ( ) Por parte de pessoas da família

( ) De amigos da rua, do bairro ou da minha comunidade

10. Como você caracteriza o preconceito racial? ( ) Vejo como algo normal.

( ) Enxergo como uma atitude grosseira. ( ) Vejo como algo que deve ser evitado.

( ) Enxergo como uma atitude comum no dia a dia pois temos que viver de forma separada.

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20 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ CAMPOS DE CAICÓ - DEPARTAMENTO DE HISTORIA

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM HISTORIA E CULTURA AFRICANA E AFRO-BRASILEIRA

POLO CURRAIS NOVOS

DISCENTE: Ana Lucia Canário de Brito

OBJETIVO DO QUESTIONÁRIO: Analisar o entendimento dos docentes no que refere a questão do racismo existente em sala de aula

INSTITUIÇÃO DE ENSINO: ________________________________________ AREA DE FORMAÇÃO:____________________________________________ SEXO:

( ) FEMININO ( ) MASCULINO 1. Você já presenciou o ato do racismo em sala de aula?

( ) Sim ( ) Não

2. O que você entende por racismo em sala de aula?

_______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

3. Você acha importante trabalhar esse tema em sala de aula?

( ) Sim ( ) Não Por quê? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

(21)

21 ( ) Sim ( ) Não Qual? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

5. O livro didático dispõe de conteúdos que aborde o assunto?

_______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

6. Você pode descrever a situação da discriminação?

_______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

7. A escola já desenvolveu algum projeto ou aula sobre diversidade racial?

( ) Sim ( ) Não

8. Qual a maior dificuldade que você encontra em falar de racismo em sala de aula?

_______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

9. Você conhece alguma manifestação cultural trazidas pelos negros?

( ) Sim ( ) Não Qual?

_______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

10. Como devemos combater o racismo?

_______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________

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