SOLUC
¸ ˜
AO DOS EXERC´
ICIOS DE TEORIA DO CONSUMIDOR
Microeconomia – Gradua¸
c˜
ao – Parte 1/3
Departamento de Economia – Universidade de Bras´ılia
Prof. Jos´
e Guilherme de Lara Resende
NOTA DE AULA 2 – RESTRIC¸ ˜AO ORC¸ AMENT ´ARIA
2.1) Assuma que existam apenas dois bens e suponha que o pre¸co do bem 2 aumentou. Represente graficamente essa mudan¸ca. Se sabemos que o consumidor exaure toda a sua renda e prefere consumir mais a menos, esse aumento do pre¸co do bem 2 ir´a afetar o seu bem-estar de que forma? Isso ocorrer´a sempre?
S: A figura ´e representada abaixo.
6 -x2 x1 m p2 m p1 H H H H H H H H H H H H H H H H H H H H H m ¯ p2 c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c c Mudanca na RO causada por um aumento no pre¸co p2
(aumenta de p2 para ¯p2)
O aumento no pre¸co do bem 2 piora o bem-estar do indiv´ıduo caso ele consuma esse bem 2. Se ele n˜ao consome o bem 2, ent˜ao o aumento do seu pre¸co n˜ao ter´a consequˆencia no seu bem-estar. Ou seja, dado o aumento do pre¸co de um bem, ou o bem-estar do consumidor diminui (caso ele consuma esse bem) ou permanece o mesmo (caso n˜ao consuma o bem), sendo que o bem-estar do consumidor nunca aumentar´a com o aumento do pre¸co de um bem. 2.2) Suponha que os pre¸cos de todos os bens aumentem na mesma propor¸c˜ao. Isso ´e equivalente
a uma mudan¸ca na renda? Explique.
S: Sim. Se todos os pre¸cos se alteram na mesma propor¸c˜ao t > 0 (no caso de um aumento de pre¸cos, t > 1), ent˜ao a nova restri¸c˜ao or¸cament´aria ser´a:
(tp1)x1+ (tp2)x2+ · · · + (tpn)xn≤ m , que ´e equivalente a:
p1x1+ p2x2+ · · · + pnxn≤ m
ou seja, a uma mudan¸ca na renda na propor¸c˜ao 1/t. Logo, se t for maior do que 1, temos que esse aumento dos pre¸cos dos bem ´e equivalente a uma diminui¸c˜ao da renda. Se t for menor do que 1, ocorre uma queda na mesma propor¸c˜ao em todos os pre¸cos, e isso equivale a um aumento da renda.
2.3) Suponha que o bem 1 teve o seu pre¸co quadruplicado e o bem 2 teve o seu pre¸co duplicado. O que ocorre com a inclina¸c˜ao da reta or¸cament´aria? Faz sentido dizermos que o bem 1 se tornou relativamente mais barato do que o bem 2?
S: A inclina¸c˜ao da reta or¸cament´aria, que antes era −p1/p2, se tornou −4p1/2p2 = −2p1/p2, ou seja, a inclina¸c˜ao da reta or¸cament´aria dobrou. Isso significa que o bem 1 passou a custar o dobro em termos do bem 2, ou seja, faz sentido dizer que o bem 1 se tornou relativamente mais caro do que o bem 2, e n˜ao relativamente mais barato.
2.4) Suponha que o indiv´ıduo consome apenas dois bens, em que o bem 1 ´e sa´ude, medido em termos qualidade (ou seja, quanto mais afastado da origem no eixo horizontal, melhor o servi¸co de sa´ude adquirido). O governo resolve prover gratuitamente o n´ıvel de sa´ude x1 = ¯s (e apenas esse n´ıvel ´e provido de modo gratuito). Represente a reta or¸cament´aria neste caso. S: A reta or¸cament´aria apresentar´a uma quebra no n´ıvel de sa´ude x1 = ¯s, j´a que o consumidor n˜ao precisar´a pagar nada se quiser consumir esse n´ıvel, e poder´a gastar toda a sua renda com os outros bens (logo, a cesta B ´e uma cesta fact´ıvel, junto com todas cetas que possuem o mesmo n´ıvel x1 = ¯s e x2 ≤ m/p2, cestas na linha abaixo de B).
6 -x2 x1 m p2 m p1 @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @@ 1
Reta Or¸cament´aria
x1 = ¯s c sB
2.5) Ilustre graficamente a restri¸c˜ao or¸cament´aria para o caso de trˆes bens. O que ocorre com essa restri¸c˜ao se a renda aumentar? E se o pre¸co de um bem aumentar?
S: Nesse caso, a reta or¸cament´aria ´e:
p1x1+ p2x2+ p3x3 = m ,
e graficamente pode ser representada por um plano em um gr´afico tridimensional, ilustrado na figura abaixo. Um aumento de renda levar´a a um deslocamento paralelo desse plano “para fora”, enquanto uma queda na renda leva a um deslocamento paralelo desse plano “para dentro”. J´a uma mudan¸ca de pre¸cos implica um giro no plano. Ilustre graficamente essas altera¸c˜oes.
6 - x3 x2 x1 m p3 m p2 m p1 @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ 1
Plano Or¸cament´ario
2.6) Suponha que existam apenas dois bens e o governo resolve controlar os pre¸cos desses bens do seguinte modo: o pre¸co ´e R$ 1,00 at´e 5 unidades adquiridas, e o pre¸co ´e R$ 2,00 para unidades adicionais (acima das primeiras 5 unidades adquiridas). Suponha que Carlos tem uma renda de R$ 10,00.
a) Ilustre graficamente a reta or¸cament´aria de Carlos.
S: O Governo cobra R$ 2 apenas para as quantidades superiores a cinco unidades com-pradas de cada bem. Se Carlos decidir comprar 6 unidades de um dos bens, ele pagar´a R$ 1 pelas cinco primeiras unidades e R$ 2 pela sexta unidade adquirida. Portanto, a reta or¸cament´aria ´e descrita pelo gr´afico abaixo.
6 -x2 x1 Q Q Q Q Q Q Q Q Q QQ J J J J J J J J J J J s 5 5 7,5 s 7,5 s Inclina¸c˜ao: −p1 p2 = − 1 2 Inclina¸c˜ao: −p1 p2 = −2
b) Descreva a reta or¸cament´aria em termos alg´ebricos.
S: Na reta or¸cament´aria abaixo, o n´umero 5 em cada equa¸c˜ao ´e o custo das cinco primeiras unidades compradas por 1 real. Os termos 2(x2 − 5) e 2(x1 − 5) s˜ao as quantidades de x1 e x2 que excedem 5 unidades, multiplicadas pelo pre¸co que, neste caso, ´e igual a 2.
x1+ 2(x2 − 5) + 5 = 10, se x2 > 5, 0 ≤ x1 ≤ 5 2(x1− 5) + 5 + x2 = 10, se x1 > 5, 0 ≤ x2 ≤ 5 Essas equa¸c˜oes podem ser reescritas de modo mais simples como:
x1+ 2x2 = 15, se x2 > 5, 0 ≤ x1 ≤ 5 2x1+ x2 = 15, se x1 > 5, 0 ≤ x2 ≤ 5
2.7) Suponha uma economia com dois bens, denotados por x e y. A reta or¸cament´aria de Maria ´e pM
x x + pMy y = mM e a reta or¸cament´aria de Jo˜ao ´e pJxx + pJyy = mJ, onde pMx /pMy 6= pJx/pJy. Ou seja, o custo de mercado entre x e y para Maria ´e diferente do custo de mercado para Jo˜ao. Maria e Jo˜ao decidem se casar e formar uma fam´ılia onde a renda dos dois ´e gasta em conjunto, apesar de que os pre¸cos dos bens para cada um deles continuam os mesmos de antes.
a) Defina a restri¸c˜ao or¸cament´aria do casal.
S: A restri¸c˜ao or¸cament´aria do casal ´e pxx + pyy = m, onde px = min{pMx , pJx}, py = min{pMy , pJy} e m = mM + mJ.
b) Haver´a especializa¸c˜ao na compra dos bens?
S: Sim. Quem comprar´a um determinado bem ´e quem tem acesso ao menor pre¸co deste bem. Por exemplo, se px = pMx e py = pJy, ou seja, se Maria tem acesso a um pre¸co mais barato para o bem x e Jo˜ao tem acesso a um pre¸co mais barato para o bem y, Maria se especializa na compra do bem x e Jo˜ao se especializa na compra do bem y.
NOTA DE AULA 3 – PREFERˆENCIAS E UTILIDADE
3.1) Suponha um consumidor que tenha preferˆencias definidas entre cestas compostas por dois bens do seguinte modo: se (x1, x2) ≥ (y1, y2) (ou seja, x1 ≥ y1 e x2 ≥ y2), ent˜ao x y.
a) Mostre como s˜ao as rela¸c˜oes de preferˆencia estrita e de indiferen¸ca associadas a . S: A rela¸c˜ao de preferˆencia estrita ´e definida a partir de como (x1, x2) (y1, y2) significa que (x1, x2) (y1, y2) e que n˜ao vale (y1, y2) (x1, x2) (observe que n˜ao valer (y1, y2) (x1, x2) significa que ou y1 < x1 ou y2 < x2), ent˜ao (x1, x2) (y1, y2) significa que x1 ≥ y1 e x2 ≥ y2, com pelo menos uma das desigualdades valendo de modo estrito. A rela¸c˜ao de indiferen¸ca ∼ ´e definida a partir de como (x1, x2) ∼ (y1, y2) significa que (x1, x2) (y1, y2) e (y1, y2) (x1, x2). No primeiro caso, temos que x1 ≥ y1 e x2 ≥ y2 e no segundo caso temos que x1 ≤ y1 e x2 ≤ y2. Portanto, (x1, x2) ∼ (y1, y2) significa que x1 = y1 e x2 = y2, para a preferˆencia definida neste exerc´ıcio (observe ent˜ao que a ´unica cesta indiferente `a uma cesta (x1, x2) qualquer ´e ela pr´opria).
b) Essas preferˆencias s˜ao (justifique sua resposta): i) Completas?
S: N˜ao. Duas cestas tais como (x1, x2) e (y1, y2), com x1 > y1 e x2 < y2 n˜ao s˜ao compar´aveis, para o sistema de preferˆencias considerado. Por exemplo, (1, 2) e (2, 1) n˜ao s˜ao compar´aveis: n˜ao podemos dizer qual cesta ´e melhor ou se s˜ao indiferentes, usando a preferˆencia definida acima.
ii) Transitivas?
S: Sim. Temos que mostrar que se a cesta x ´e prefer´ıvel `a cesta y e a cesta y ´e prefer´ıvel `a cesta z, ent˜ao a cesta x ´e prefer´ıvel `a cesta z. Note que se x y ent˜ao (x1, x2) ≥ (y1, y2) e se y z ent˜ao (y1, y2) ≥ (z1, z2). Portanto, (x1, x2) ≥ (z1, z2) e, pela defini¸c˜ao dessa preferˆencia, x z. Ou seja, essas preferˆencias s˜ao transitivas. iii) Mon´otonas?
S: Sim, por defini¸c˜ao (“quanto mais, melhor ”). iv) Convexas?
S: Sim, pois se x e y s˜ao duas cestas de bens tais que x y, ent˜ao x1 ≥ y1 e x2 ≥ y2 e, portanto, tx1 + (1 − t)y1 ≥ y1 e tx2+ (1 − t)y2 ≥ y2, para todo t ∈ [0, 1], o que por sua vez significa que tx + (1 − t)y x, para todo t ∈ [0, 1].
3.2) O t´ecnico de volei Bernardo acha que os jogadores devem ter trˆes qualidade: altura, agilidade e obediˆencia. Se o jogador A ´e melhor que o jogador B em duas dessas trˆes caracter´ısticas, ent˜ao Bernardo prefere A a B. Para os outros casos, ele ´e indiferente entre A e B. Carlos mede 2,08m, ´e pouco ´agil e obediente. Luis mede 1,90m, ´e muito ´agil e muito desobediente. Paulo mede 1,85m, ´e ´agil e extremamente obediente.
a) Bernardo prefere Carlos ou Luis? Bernardo prefere Luis ou Paulo? Bernardo prefere Carlos ou Paulo?
b) As preferˆencias do t´ecnico s˜ao transitivas?
S: (a e b) Podemos descrever as caracter´ısticas dos jogadores na tabela a seguir:
Carlos Luis Paulo
Altura 2,08 1,90 1,85
Agilidade P ouco M uito N ormal
´
E f´acil que a regra de preferˆencia de Bernardo implica Carlos Luis (pois Carlos ´e mais alto e mais obediente do que Luis), Luis Paulo (pois Luis ´e mais alto e mais ´agil do que Paulo) e Paulo Carlos (pois Paulo ´e mais ´agil e mais obediente do que Carlos). Portanto, as preferˆencias de Bernardo n˜ao s˜ao transitivas (Carlos Luis, Luis Paulo, mas n˜ao ocorre Carlos Paulo e sim que Paulo Carlos).
c) Depois de perder v´arios campeonatos, Bernardo decide mudar sua forma de comparar os jogadores. Agora ele prefere o jogador A ao jogador B se A ´e melhor do que B nas trˆes caracter´ısticas. Ele ´e indiferente entre A e B se eles tˆem todas as trˆes caracter´ısticas iguais. Para todas as outras possibilidades, Bernardo diz que n˜ao ´e poss´ıvel comparar os jogadores. As novas preferˆencias de Bernardo s˜ao: completas? transitivas? reflexivas? Justifique.
S: Vamos responder cada caso:
• Completas? N˜ao. Por exemplo, Bernardo n˜ao consegue mais se decidir entre Carlos ou Luis, j´a que Carlos ´e mais alto e mais obediente, por´em menos ´agil do Luis. • Transitivas? Sim. Se Bernardo consegue comparar os jogadores A, B e C, e temos
A B e B C, ent˜ao podem ocorrer quatro casos:
i) A ∼ B e B ∼ C: A e B possuem as trˆes qualidades iguais e B e C possuem as trˆes qualidades iguais. Logo, A e C possuem as trˆes qualidades iguais, ou seja, A ∼ C, o que implica A C.
ii) A B e B ∼ C: A ´e melhor do que B nas trˆes qualidades e B e C possuem as trˆes qualidades iguais. Logo, A ser´a melhor que C nas trˆes qualidades, ou seja, A C, o que implica tamb´em A C.
iii) A ∼ B e B C: A e B possuem as trˆes qualidades iguais e B ´e melhor do que C nas trˆes qualidades. Logo, A ser´a melhor que C nas trˆes qualidades, ou seja, A C, o que implica tamb´em A C.
iv) A B e B C: A ´e melhor do que B nas trˆes qualidades e B ´e melhor do que C nas trˆes qualidades. Consequentemente, A ser´a melhor que C nas trˆes qualidades, ou seja, A C, o que implica tamb´em A C.
• Reflexivas? Sim. Para todo jogador, as qualidades desse jogador s˜ao iguais quando comparado a ele mesmo, o que implica que Bernardo ´e indiferente ao mesmo jogador, ou seja, A A, para qualquer jogador A.
3.3) Suponha uma preferˆencia lexicogr´afica L por dois bens. a) Mostre que L ´e completa, reflexiva e transitiva.
S: Vamos mostrar cada um dos axiomas separadamente:
• Completa: Considere as cestas x = (x1, x2) e y = (y1, y2) quaisquer. Se x1 > y1, ent˜ao x Ly, ou seja, x Ly. Se y1 > x1, ent˜ao y Lx, ou seja, y Lx. No caso em x1 = y1, olhamos o segundo bem: se x2 > y2, ent˜ao x L y, ou seja, x Ly. Se y2 > x2, ent˜ao y L x, ou seja, y L x. Finalmente, se x1 = y1 e x2 = y2, ent˜ao x ∼L y, ou seja, x L y. Logo, ´e sempre poss´ıvel comparar as cestas x e y em termos da preferˆencia lexicogr´afica, o que significa que ela ´e completa.
• Reflexiva: Evidentemente, como L ´e completa, podemos concluir que ela ser´a reflexiva. Mas vamos mostrar isso diretamente conferindo se a defini¸c˜ao de reflexivi-dade ´e satisfeita. Para uma cesta x = (x1, x2) qualquer, temos sempre que x1 = x1 e x2 = x2, ou seja, x ∼L x, logo x Lx, o que mostra que a preferˆencia lexicogr´afica ´
• Transitiva: Considere as cestas x = (x1, x2), y = (y1, y2) e z = (z1, z2), com x Ly e y Lz. Vamos dividir a an´alise nos quatro casos poss´ıveis:
i) x ∼L y e y ∼Lz: x ∼L y implica x = y e y ∼Lz implica y = z. Logo x = z, ou seja, x Lz (mais especificamente, x ∼Lz).
ii) x L y e y ∼L z: x Ly implica que ou x1 > y1 ou que x1 = y1 e x2 > y2. J´a y ∼L z implica y = z. Logo ou x1 > z1 ou x1 = z1 e x2 > z2, o que significa x Lz (mais especificamente, x Lz).
iii) x ∼L y e y L z: x ∼L y implica x = y e y L z implica que ou y1 > z1 ou que y1 = z1 e y2 > z2. Logo ou x1 > z1 ou x1 = z1 e x2 > z2, o que significa x Lz (mais especificamente, x Lz).
iv) x L y e y L z: x Ly implica que ou x1 > y1 ou que x1 = y1 e x2 > y2. J´a y L z implica que ou y1 > z1 ou que y1 = z1 e y2 > z2. Logo ou x1 > z1 ou x1 = z1 e x2 > z2, o que significa x L z (mais especificamente, x Lz).
b) Considere a sequˆencia de cestas xn = (1 + 1/n, 0), para todo n = 1, 2, . . . , e a cesta x = (1, 1). Qual a rela¸c˜ao de preferˆencia entre cada xn e x?
S: Como para todo n ∈ N, 1/n > 0, ent˜ao 1 + 1/n > 1. Logo, para todo n = 1, 2, . . . , a cesta xn tem uma quantidade maior do primeiro bem do que a cesta x. Pela defini¸c˜ao da preferˆencia lexicogr´afica, temos que xn ´e estritamente prefer´ıvel a x, para todo n = 1, 2, . . . (xnLx, para todo n ∈ N)
c) Para qual cesta a sequˆencia de cestas xn converge quando n tende a infinito? Denote essa cesta limite por ¯x.
S: ´E f´acil notar que se n tende a infinito, ent˜ao 1/n tende a zero. Logo, 1 + 1/n tende a 1 quando n tende a infinito. Portanto, a sequˆencia de cestas xn = (1 + 1/n, 0) tende `a cesta ¯x = (1, 0).
d) Qual a rela¸c˜ao entre x e ¯x? O que isso diz sobre a preferˆencia lexicogr´afica satisfazer ou n˜ao o axioma de continuidade?
S: Como x = (1, 1) e ¯x = (1, 0) possuem a mesma quantidade do bem 1, mas a cesta x possui uma quantidade maior do bem 2 do que a cesta ¯x, ent˜ao pela defini¸c˜ao da preferˆencia lexicogr´afica temos que a cesta x L x. Os itens b), c) e d) mostram que¯ a preferˆencia lexicogr´afica n˜ao satisfaz o axioma de continuidade, pois para ele fosse satisfeito, j´a que em b) vimos que xn L x (mais especificamente, xn L x) para todo n ∈ N e em c) vimos que xn converge para ¯x, o axioma da continuidade, se v´alido, implicaria ¯x Lx, o que a solu¸c˜ao deste item mostra que n˜ao ocorre.
e) Verifique se L satisfaz os axiomas de monotonicidade e de monotonicidade estrita. S: Vamos mostrar cada um dos axiomas separadamente:
• Monotonicidade: Considere as cestas x = (x1, x2) e y = (y1, y2) quaisquer com x ≥ y. Isso significa que x tem todos os bens em quantidades iguais ou maiores do que y, o que pela defini¸c˜ao da preferˆencia lexicogr´afica implica x L y. Agora considere as cestas x = (x1, x2) e y = (y1, y2) quaisquer com x y. Isso significa que x tem todos os bens em quantidades maiores do que y, inclusive o primeiro bem. Ent˜ao pela defini¸c˜ao da preferˆencia lexicogr´afica, obtemos que x Ly. • Monotonicidade Estrita: Considere as cestas x = (x1, x2) e y = (y1, y2) quaisquer
com x ≥ y. Isso significa que x tem todos os bens em quantidades iguais ou maiores do que y, o que pela defini¸c˜ao da preferˆencia lexicogr´afica implica x L y. Agora considere as cestas x = (x1, x2) e y = (y1, y2) quaisquer com x ≥ y e x 6= y. Isso significa que x tem todos os bens em quantidades maiores ou iguais do que y, e
pelo menos um dos bens em quantidade maior. Ent˜ao pela defini¸c˜ao da preferˆencia lexicogr´afica, obtemos que x Ly.
f) Verifique se L satisfaz os axiomas de convexidade e de convexidade estrita. S: Vamos mostrar cada um dos axiomas separadamente:
• Convexidade: Considere as cestas x = (x1, x2) e y = (y1, y2) quaisquer com x L y. Pela defini¸c˜ao da preferˆencia lexicogr´afica isso significa que x tem todos os bens em quantidades iguais ou maiores do que y. Logo, a cesta zt = tx + (1 − t)y, para t ∈ [0, 1] ter´a todos os bens em quantidades maiores ou iguais comparado aos respectivos bens na cesta y (entenda o porquˆe disso ser verdade!), o que a defini¸c˜ao da preferˆencia lexicogr´afica implica zt Ly, para todo t ∈ [0, 1], provando a convexidade de L.
• Convexidade Estrita: Considere as cestas x = (x1, x2) e y = (y1, y2) quaisquer com x L y e x 6= y. Sabemos que x L y significa que x tem todos os bens em quantidades iguais ou maiores do que y e que x 6= y significa que x tem pelo menos um bem em quantidade maior do que y. Logo, a cesta zt = tx + (1 − t)y, para t ∈ (0, 1) ter´a todos os bens em quantidades maiores ou iguais comparado `a cesta y e pelo menos o bem que estava em quantidade maior na cesta x tamb´em em quantidade maior na cesta zt do que na cesta y (entenda o porquˆe disso ser verdade!), o que a defini¸c˜ao da preferˆencia lexicogr´afica implica ztL y, para todo t ∈ (0, 1), provando a convexidade estrita de L.
3.4) Considere a utilidade u(x1, x2) = x0,51 x 0,5 2 .
a) Calcule as utilidades marginais dos bens 1 e 2. Verifique que s˜ao decrescentes. Qual seria a interpreta¸c˜ao de utilidades marginais decrescentes?
S: As utilidades marginais s˜ao:
Bem 1: U M g1(x1, x2) = ∂u(x1, x2)/∂x1 = 0,5x −0,5 1 x 0,5 2 Bem 2: U M g2(x1, x2) = ∂u(x1, x2)/∂x2 = 0,5x0,51 x −0,5 2 Observe que: ∂U M g1(x1, x2)/∂x1 = ∂2u(x1, x2)/∂x21 = −0,25x −1,5 1 x 0,5 2 < 0, e ∂U M g2(x1, x2)/∂x2 = ∂2u(x1, x2)/∂x22 = −0,25x 0,5 1 x −1,5 2 < 0,
ou seja, as utilidades marginais s˜ao decrescentes. Uma utilidade marginal de um bem ser decrescente era interpretado na teoria cardinal como quanto mais do bem, menor a quantidade de utilidade que ele geraria para o indiv´ıduo.
b) Calcule as utilidades marginais dos bens 1 e 2 para a fun¸c˜ao de utilidade ¯u(x1, x2) = x21x22. Verifique se s˜ao crescentes.
S: As utilidades marginais s˜ao:
Bem 1: U M g1(x1, x2) = ∂u(x1, x2)/∂x1 = 2x1x22 Bem 2: U M g2(x1, x2) = ∂u(x1, x2)/∂x2 = 2x21x2 Observe que: ∂U M g1(x1, x2)/∂x1 = ∂2u(x1, x2)/∂x21 = 2x 2 2 > 0, e ∂U M g2(x1, x2)/∂x2 = ∂2u(x1, x2)/∂x22 = 2x 2 1 > 0,
c) Mostre que u e ¯u representam a mesma preferˆencia. O que isso implica a respeito de a utilidade marginal ser decrescente ou crescente?
S: Note que ¯u = f ◦ u, com f (t) = t4 crescente para todo t ≥ 0. Pelo Teorema de Representa¸c˜ao, isso significa que u e ¯u representam a mesma preferˆencia. Podemos concluir ent˜ao que a utilidade marginal ser decrescente ou crescente n˜ao tem conte´udo econˆomico algum (teoria puramente ordinal).
d) Calcule a TMS para as duas fun¸c˜oes de utilidade e verifique se s˜ao iguais. Isso ´e esperado? Justifique.
S: Utilizando as solu¸c˜oes dos itens anteriores, temos que: T M Su = −∂u(x1, x2)/∂x1 ∂u(x1, x2)/∂x2 = −0,5x −0,5 1 x 0,5 2 0,5x0,51 x−0,52 = − x2 x1 = −2x1x 2 2 2x2 1x2 = −∂ ¯u(x1, x2)/∂x1 ∂ ¯u(x1, x2)/∂x2 = T M Su¯, ou seja, as duas TMS s˜ao iguais, como esperado.
3.5) Desenhe as curvas de indiferen¸ca para as seguintes utilidades: a) Utilidade Linear: u(x1, x2) = ax1+ bx2, a, b > 0.
S: A figura ´e (as setas nesta e nas figuras dos itens abaixo indicam a dire¸c˜ao que a utilidade aumenta): 6 -x2 x1 @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ Curvas de Indiferen¸ca u(x1, x2) = ax1+ bx2
b) Utilidade de Leontief: u(x1, x2) = min{ax1, bx2}, a, b > 0. S: A figura ´e: 6 -x2 x1 semi-reta x2 = (a/b)x1 Curvas de Indiferen¸ca u(x1, x2) = min{ax1, bx2}
c) Utilidades com um Bem Neutro: u(x1, x2) = x1 e u(x1, x2) = x2. S: As figuras s˜ao: 6 -x2 x1 - - -u(x1, x2) = x1 6 -x2 x1 6 6 6 u(x1, x2) = x2
d) Utilidade com um Mal: u(x1, x2) = x1− x2. S: A figura ´e: 6 -x2 x1 - - - -Curvas de Indiferen¸ca u(x1, x2) = x1− x2
3.6) Suponha que uma pessoa esteja consumindo uma cesta de bens tal que a sua utilidade marginal de consumir o bem A ´e 12 e a sua utilidade marginal de consumir o bem B ´e 2. Suponha tamb´em que os pre¸cos dos bens A e B s˜ao R$ 2 e R$ 1, respectivamente, e que as preferˆencias desse consumidor s˜ao estritamente convexas.
a) Essa pessoa est´a escolhendo quantidades ´otimas dos bens A e B? Caso n˜ao esteja, qual bem ela deveria consumir relativamente mais (n˜ao se preocupe com a restri¸c˜ao or¸cament´aria nesse item)?
S: Denote a cesta de bens que essa pessoa consome por x. Para essas quantidades de bens, temos que:
∂u(x)/∂xA ∂u(x)/∂xB
= 6 6= 2 = pA pB
A TMS entre A e B ´e maior do que a rela¸c˜ao de pre¸cos entre A e B. Nesse caso, assumindo que xB > 0, o consumidor pode aumentar sua utilidade se consumir mais do bem A e menos o bem B, pois no mercado ele pode trocar 2 unidades de B por uma unidade de A e tal troca vai aumentar sua utilidade em uma raz˜ao de seis vezes.
b) A sua resposta para o item a) depende do valor da utilidade marginal? Explique. S: N˜ao, depende apenas da rela¸c˜ao entre as utilidades marginais, que permanece a mesma qualquer que seja a fun¸c˜ao de utilidade usada para representar as preferˆencias.
3.7) Suponha que Ana consome apenas p˜ao e circo, e que suas preferˆencias s˜ao bem-comportadas. Um certo dia o pre¸co do p˜ao aumenta e o pre¸co do circo diminui. Ana continua t˜ao feliz quanto antes da mudan¸ca de pre¸cos (a renda de Ana n˜ao mudou).
a) Ana consume mais ou menos p˜aes ap´os a mudan¸ca de pre¸cos? b) Ana consegue agora comprar a cesta que comprava antes?
S: (a e b juntos) Nesse caso, p˜ao se torna mais caro relativamente ao circo. A reta or¸cament´aria se torna mais inclinada. Essa mudan¸ca na reta or¸cament´aria ´e tal que Ana alcan¸ca o mesmo n´ıvel de utilidade de antes (ou seja, a nova reta or¸cament´aria tangenciar´a a mesma curva de indiferen¸ca que a reta or¸cament´aria original tangenciava). O gr´afico abaixo mostra que Ana consome menos p˜aes do que antes (equil´ıbrio muda de E para ˆE) e que a cesta que ela consumia antes (E) n˜ao ´e mais poss´ıvel de ser adquirida aos novos pre¸cos (pois est´a fora do conjunto de cestas fact´ıveis para a nova reta or¸cament´aria).
6 -circo p˜ao Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q T T T T T T T T T T T T T T T T T T ˆ E r E r @ @ I 1
reta or¸cament´aria original
1
reta or¸cament´aria final
3.8) Considere as fun¸c˜oes de utilidade abaixo e usando a defini¸c˜ao de homotetia, verifique quais s˜ao homot´eticas.
a) Utilidade Cobb-Douglas: u(x1, x2) = xα1x β
2, α, β > 0.
S: Considere neste e nos itens seguintes que x e y s˜ao duas cestas quaisquer com u(x) = u(y) e t ´e um n´umero igual ou maior do que zero. Para mostrar que uma fun¸c˜ao de utilidade u ´e homot´etica, precisamos mostrar que u(tx) = u(ty), para todo t ≥ 0. Para a fun¸c˜ao de utilidade descrita no item temos que:
u(x) = u(y) ⇔ xα 1x β 2 = y α 1y β
2 ⇔ (tx1)α(tx2)β = (ty1)α(ty2)β ⇔ u(tx) = u(ty) , em que a terceira igualdade ´e obtida multiplicando a segunda igualdade por tα+β = tα× tβ. Isso mostra que u(x
1, x2) = xα1x β
b) Utilidade CES: u(x1, x2) = (axρ1 + bx ρ
2)1/ρ, a, b > 0, 0 6= ρ < 1. S: Observe que:
u(x) = u(y) ⇔ (axρ1 + bxρ2)1/ρ = (ay1ρ+ by2ρ)1/ρ
⇔ (a(tx1)ρ+ b(tx2)ρ)1/ρ = (a(ty1)ρ+ b(ty2)ρ)1/ρ ⇔ u(tx) = u(ty) ,
em que a terceira igualdade ´e obtida multiplicando a segunda igualdade por t ≥ 0. Isso mostra que u(x1, x2) = (axρ1+ bx
ρ
2)1/ρ, a, b > 0, 0 6= ρ < 1, ´e homot´etica. c) Utilidade Linear: u(x1, x2) = ax1+ bx2, a, b > 0.
S: Observe que:
u(x) = u(y) ⇔ ax1+ bx2 = ay1+ by2
⇔ a(tx1) + b(tx2) = a(ty1) + b(ty2) ⇔ u(tx) = u(ty) ,
em que a terceira igualdade ´e obtida multiplicando a segunda igualdade por t ≥ 0. Isso mostra que u(x1, x2) = ax1+ bx2, a, b > 0, ´e homot´etica.
d) Utilidade de Leontief: u(x1, x2) = min{ax1, bx2}, a, b > 0. S: Observe que:
u(x) = u(y) ⇔ min{ax1, bx2} = min{ay1, by2}
⇔ min{a(tx1), b(tx2)} = min{a(ty1), b(ty2)} ⇔ u(tx) = u(ty) ,
em que a terceira igualdade ´e obtida multiplicando a segunda igualdade por t ≥ 0 e pelo fato que t min{D, E} = min{tD, tE}, para D, E ∈ R quaisquer. Isso mostra que u(x1, x2) = min{ax1, bx2}, a, b > 0, ´e homot´etica.
e) Utilidade Quaselinear 1: u(x1, x2) = ln(x1) + x2.
S: Fun¸c˜oes de utilidade quaselineares n˜ao s˜ao homot´eticas. Para mostrar que u n˜ao ´e homot´etica temos que encontrar um para de cestas x e y tais que u(x) = u(y), mas que n˜ao vale u(tx) = u(ty), para algum t > 0. Vamos mostrar isso para o caso desta fun¸c˜ao. Considere as cestas x = (1, 2) e y = (e, 1), em que e denota a constante de Euler. Temos que:
u(x) = u(1, 2) = ln(1) + 2 = 2 = ln(e) + 1 = u(e, 1) = u(y) Por´em, note que:
u(2x) = u(2, 4) = ln(2) + 4 ≈ 4,69 6= 3,69 = ln(2e) + 2 = u(2e, 2) = u(2y) . f) Utilidade Quaselinear 2: u(x1, x2) =
√
x1+ x2.
S: Considere as cestas x = (1, 2) e y = (4, 1). Temos que:
u(x) = u(1, 2) =√1 + 2 = 3 =√4 + 1 = u(4, 1) = u(y) Por´em, note que:
NOTA DE AULA 4 – O PROBLEMA DO CONSUMIDOR
4.1) Encontre as demandas ´otimas para os seguintes casos, onde α > 0 e β > 0: a) u(x1, x2) = xα1x
β 2;
S: O Lagrangeano deste problema ´e L = xα 1x β 2+ λ(m − (p1x1+ p2x2)). As CPO resultam em: (x1) : αxα−11 x β 2 = λp1 (x2) : βxα1x β−1 2 = λp2 (λ) : m = p1x1+ p2x2 Dividindo a primeira CPO pela segunda CPO, obtemos:
αx2 βx1 = p1 p2 ⇒ x2 = p1 p2 βx1 α
Substituimos agora essa express˜ao para x2 na reta or¸cament´aria (terceira CPO): m = p1x1+ p2 p1 p2 βx1 α ⇒ x1 = α α + β m p1
Substituindo x1 de volta em x2, obtemos as duas fun¸c˜oes de demanda: x1(p1, p2, m) = α α + β m p1 e x2(p1, p2, m) = β α + β m p2 b) u(x1, x2) = x α α+β 1 x β α+β 2 ;
S: O Lagrangeano deste problema ´e L = x
α α+β 1 x β α+β 2 + λ(m − (p1x1 + p2x2)). As CPO resultam em: (x1) : α α + β x α α+β−1 1 x β α+β 2 = λp1 (x2) : β α + β x α α+β 1 x β α+β−1 2 = λp2 (λ) : m = p1x1+ p2x2
Dividindo a primeira CPO pela segunda CPO, obtemos: αx2 βx1 = p1 p2 ⇒ x2 = p1 p2 βx1 α
Substituimos agora essa express˜ao para x2 na reta or¸cament´aria (terceira CPO): m = p1x1+ p2 p1 p2 βx1 α ⇒ x1 = α α + β m p1
Substituindo x1 de volta em x2, obtemos as duas fun¸c˜oes de demanda: x1(p1, p2, m) = α α + β m p1 e x2(p1, p2, m) = β α + β m p2 .
c) u(x1, x2) = α ln(x1) + β ln(x2);
S: O Lagrangeano deste problema ´e L = α ln(x1) + β ln(x2) + λ(m − (p1x1+ p2x2)). As CPO resultam em:
(x1) : α x1 = λp1 (x2) : β x2 = λp2 (λ) : m = p1x1+ p2x2 Dividindo a primeira CPO pela segunda CPO, obtemos:
αx2 βx1 = p1 p2 ⇒ x2 = p1 p2 βx1 α
Substituimos agora essa express˜ao para x2 na reta or¸cament´aria (terceira CPO): m = p1x1+ p2 p1 p2 βx1 α ⇒ x1 = α α + β m p1
Substituindo x1 de volta em x2, obtemos as duas fun¸c˜oes de demanda: x1(p1, p2, m) = α α + β m p1 e x2(p1, p2, m) = β α + β m p2
Qual a rela¸c˜ao entre as demandas encontradas acima? Justifique a sua resposta. Com base na sua resposta, se a utilidade ´e do tipo u(x1, x2) = xα1x
β
2, ´e poss´ıvel tranform´a-la em uma utilidade do tipo u(x1, x2) = xγ1x
1−γ
2 , com 0 < γ < 1? Se sim, qual a rela¸c˜ao entre α, β e γ? S: As fun¸c˜oes de demanda s˜ao as mesmas para os trˆes casos. Mais ainda, a taxa marginal de substitui¸c˜ao ´e a mesma para as trˆes utilidades (T M S = −(αx2/βx1). Isto ocorre porque as trˆes utilidade representam as mesmas preferˆencias. Observe que a segunda utilidade ´e igual `a primeira elevada a 1/(α + β), o que constitui uma transforma¸c˜ao crescente, pois α > 0 e β > 0. A terceira utilidade ´e igual `a primeira utilidade log-linearizada (lembre-se que a fun¸c˜ao logaritmo ´e crescente para todo n´umero positivo). Logo, se elevarmos a utilidade u(x1, x2) = xα1x
β
2 `a potˆencia 1/(α + β), obtemos a utilidade u(x1, x2) = x γ 1x
1−γ 2 , com γ = α/(α + β) e, portanto, 1 − γ = β/(α + β), 0 < γ < 1, j´a que α > 0 e β > 0.
4.2) Considere a seguinte fun¸c˜ao de utilidade:
u(x1, x2) = x0,51 + x 0,5 2 .
a) Determine as fun¸c˜oes de demanda marshallianas e a fun¸c˜ao de utilidade indireta. S: O problema do consumidor ´e: max x1,x2 x0,51 + x0,52 s.a p1x1+ p2x2 = m O Lagrangeano do problema ´e: L = x0,51 + x0,52 + λ [m − (p1x1+ p2x2)] As CPO resultam em:
(x1) : 0,5x −0,5 1 = λp1 (x2) : 0,5x −0,5 2 = λp2 (λ) : m = p1x1+ p2x2
Dividindo a primeira CPO pela segunda CPO, obtemos: x2 x1 0,5 = p1 p2 ⇒ x2 = p2 1x1 p2 2
Substitu´ımos essa express˜ao para x2 na reta or¸cament´aria (terceira CPO): m = p1x1+ p2 p2 1x1 p2 2 = x1 p1+ p2 1 p2 = x1 p1p2+ p21 p2 Logo, x∗1 = p2m p1p2+ p21
Substituindo x1 de volta na express˜ao de x2 em fun¸c˜ao de x1, obtemos as fun¸c˜oes de demanda dos dois bens:
xM1 (p1, p2, m) = p2m p1p2+ p21 e xM2 (p1, p2, m) = p1m p1p2+ p22
Substituindo as demandas marshalliandas na fun¸c˜ao de utilidade, podemos mostrar que a fun¸c˜ao de utilidade indireta ´e:
v(p1, p2, m) = " p2 p1p2+ p21 0,5 + p1 p1p2+ p22 0,5#√ m
b) Mostre que a fun¸c˜ao de utilidade indireta satisfaz a propriedades de homogeneidade de grau 0 nos pre¸cos e na renda.
S: Temos que para todo t > 0 vale que:
v(tp1, tp2, tm) = " tp2 (tp1)(tp2) + (tp1)2 0,5 + tp1 (tp1)(tp2) + (tp2)2 0,5# √ tm = √1 t " p2 p1p2+ p21 0,5 + p1 p1p2+ p22 0,5# √ t√m = " p2 p1p2+ p21 0,5 + p1 p1p2+ p22 0,5#√ m = v(p1, p2, m)
4.3) Suponha que existam apenas 2 bens e que a utilidade de um certo indiv´ıduo ´e u(x1, x2) = x0,251 + x0,252 .
a) Monte o problema do consumidor e derive as demandas ´otimas usando o m´etodo de Lagrange. S: O problema do consumidor ´e: max x1,x2 x0,251 + x0,252 s.a p1x1+ p2x2 = m O Lagrangeano do problema ´e: L = x0,251 + x0,252 + λ [m − (p1x1+ p2x2)]
As CPO resultam em: (x1) : 0,25x −0,75 1 = λp1 (x2) : 0,25x −0,75 2 = λp2 (λ) : m = p1x1+ p2x2 Dividindo a primeira CPO pela segunda CPO, obtemos:
x2 x1 0,75 = p1 p2 ⇒ x2 = p4/31 x1 p4/32
Substitu´ımos essa express˜ao para x2 na reta or¸cament´aria (terceira CPO): m = p1x1+ p2 p4/31 x1 p4/32 ! = x1 p1+ p4/31 p1/32 ! = x1 p1(p 1/3 2 + p 1/3 1 ) p1/32 ! Logo, x∗1 = p 1/3 2 m p1 p1/31 + p1/32
Substituindo x1 de volta na express˜ao de x2 em fun¸c˜ao de x1, obtemos as fun¸c˜oes de demanda dos dois bens:
xM1 (p1, p2, m) = p1/32 m p1 p1/31 + p1/32 e xM2 (p1, p2, m) = p1/31 m p2 p1/31 + p1/32 b) Verifique as condi¸c˜oes de segunda ordem.
S: Para a utilidade dada, temos que u1 = 0,25x −0,75 1 , u2 = 0,25x −0,75 2 , u12 = u21 = 0, u11 = −0,1875x −1,75 1 , e u22= −0,1875x −1,75
2 . Logo, o sinal da express˜ao: 2u1u2u21− u22u11− u12u22 = −u22u11− u21u22
= 0,01171875 x−1,51 x−1,52 x−0,251 + x−0,252 , ´
e sempre positivo, se (x∗1, x∗2) > 0, que ´e o caso encontrado no item anterior. Portanto a CSO ´e satisfeita.
c) Mostre que as fun¸c˜oes de demanda satisfazem a propriedade de “adding-up”, ou seja, que p1x1(p1, p2, m) + p2x2(p1, p2, m) ´e de fato igual a m.
S: Usando a solu¸c˜ao do item a), temos que:
p1x∗1+ p2x∗2 = p1 p1/32 m p1 p1/31 + p1/32 + p2 p1/31 m p2 p1/31 + p1/32 = m " p1/32 p1/31 + p1/32 + p 1/3 1 p1/31 + p1/32 # = m " p1/31 + p1/32 p1/31 + p1/32 # = m d) Mostre que as fun¸c˜oes de demanda satisfazem a propriedade de homogeneidade.
S: Temos que para todo t ∈ R vale que: xM1 (tp1, tp2, tm) = (tp2)1/3(tm) (tp1) ((tp1)1/3+ (tp2)1/3) = xM1 (p1, p2, m) xM2 (tp1, tp2, tm) = (tp1)1/3(tm) (tp2) ((tp1)1/3+ (tp2)1/3) = xM2 (p1, p2, m)
4.4) Calcule as demandas de um consumidor representado por uma utilidade CES (elasticidade de substitui¸c˜ao constante) dada em sua forma geral por:
u(x1, x2) = [ax ρ 1+ bx ρ 2] 1 ρ , 0 6= ρ < 1 .
Compare a solu¸c˜ao com a solu¸c˜ao das duas quest˜oes anteriores. As utilidades descritas nas quest˜oes 2 e 3 s˜ao do tipo CES? Justifique.
S: O problema do consumidor ´e: max x1,x2≥0 [axρ1+ bxρ2]1ρ s.a p 1x1+ p2x2 = m O Lagrangeano do problema ´e: L = [axρ1+ bxρ2]ρ1 + λ [m − (p 1x1 + p2x2)] As CPO resultam em:
(x1) : 1 ρ[ax ρ 1+ bx ρ 2] 1 ρ−1aρxρ−1 1 = λp1 (x2) : 1 ρ[ax ρ 1+ bx ρ 2] 1 ρ−1bρxρ−1 2 = λp2 (λ) : m = p1x1+ p2x2
Dividindo a primeira CPO pela segunda CPO, obtemos: a b x2 x1 1−ρ = p1 p2 ⇒ x2 = bp1 ap2 1−ρ1 x1 Substituimos essa express˜ao para x2 na reta or¸cament´aria (terceira CPO):
m = p1x1+ p2 " bp1 ap2 1−ρ1 x1 # = p− ρ 1−ρ 1 + b a 1−ρ1 p− ρ ρ−1 2 ! p 1 1−ρ 1 x1 Logo, x∗1 = m p 1 1−ρ 1 p− ρ ρ−1 1 + ab ρ−11 p− ρ ρ−1 2 = m p1−r1 (pr 1+ Kpr2)
onde usamos a seguinte nota¸c˜ao para simplificar a express˜ao acima: K = (b/a)1−ρ1 e r =
−ρ/(1 − ρ) (logo 1 − r = 1/(1 − ρ)). Substituindo x1 de volta na express˜ao de x2 em fun¸c˜ao de x1, obtemos as fun¸c˜oes de demanda dos dois bens:
xM1 (p1, p2, m) = m p1−r1 (pr1+ Kpr2) e x M 2 (p1, p2, m) = Km p1−r2 (pr1+ Kpr2)
No caso em que a = b e, em particular, a = b = 1, ent˜ao K = 1 e as demandas se tornam: xM1 (p1, p2, m) = m p1−r1 (pr 1+ pr2) e xM2 (p1, p2, m) = m p1−r2 (pr 1+ pr2)
As utilidades das quest˜oes 4.2) e 4.3) s˜ao do tipo CES. No caso da utilidade descrita na quest˜ao 4.2, temos que a = b = 1 e ρ = 0,5 (e usamos a transforma¸c˜ao crescente f (t) = t1/2, t ≥ 0, para obter a utilidade em 4.2). No caso da utilidade descrita na quest˜ao 4.3, temos que a = b = 1 e ρ = 0,25 (e usamos a transforma¸c˜ao crescente f (t) = t1/4, t ≥ 0, para obter a utilidade em 4.3).
4.5) Calcule as demandas de um consumidor representado por uma utilidade quaselinear dada por:
u(x1, x2) = ln x1+ x2, utilizando o m´etodo de Lagrange.
a) Calcule as demandas ´otimas se m < p2. Como fica a demanda do bem 2? O que estamos deixando de considerar neste caso?
S: O Lagrangeano deste problema ´e L = ax1 + bx2 + λ(m − (p1x1 + p2x2)). As CPO resultam em: (x1) : 1 x1 = λp1 (x2) : 1 = λp2 (λ) : m = p1x1+ p2x2 Dividindo a primeira CPO pela segunda CPO, obtemos:
1 x1 = p1 p2 ⇒ x1 = p2 p1
A demanda para o bem 2 pode ser encontrada substituindo a demanda para o bem 1 na reta or¸cament´aria. Desse modo, obtemos as seguintes fun¸c˜oes de demanda:
xM1 (p1, p2, m) = p2 p1 e xM2 (p1, p2, m) = m p2 − 1
Neste caso, estamos deixando de considerar as restri¸c˜oes de n˜ao-negatividade das de-mandas (x1 ≥ 0 e x2 ≥ 0). Observe que se m < p2, ent˜ao x2 < 0 (por exemplo, se m = p2/2, ent˜ao pela solu¸c˜ao acima obtemos x2 = −0,5).
b) Resolva agora o problema de maximiza¸c˜ao de utilidade do consumidor usando o m´etodo de Kuhn-Tucker, considerando as restri¸c˜oes de n˜ao-negatividade das demandas ´otimas. S: O problema de maximiza¸c˜ao de utilidade do consumidor, levando em conta que a restri¸c˜ao or¸cament´aria poderia ser satisfeita com folga (ou seja, tal que na escolha ´otima ocorresse p1x∗1+ p2x∗2 < m, o que neste caso sabemos que n˜ao ir´a valer, pois a utilidade ´
e crescente) e tamb´em as restri¸c˜oes de n˜ao-negatividade do consumo dos bens ´e: max
x1,x2
ln(x1) + x2 s.a. i) p1x1+ p2x2 ≥ m, ii) x1 ≥ 0 ,
iii) x2 ≥ 0 .
O Lagrangeano estendido para incorporar essas restri¸c˜oes de n˜ao-negatividade ´e L = ln(x1) + bx2+ λ(m − (p1x1+ p2x2)) + µ1x1+ µ2x2
As CPO resultam do problema acima s˜ao: (x1) : 1 x1 − λp1+ µ1 = 0 (x2) : 1 − λp2+ µ2 = 0 (λ) : λ(m − p1x1− p2x2) = 0; λ ≥ 0; m − p1x1− p2x2 ≥ 0 (µ1) : µ1x1 = 0; µ1 ≥ 0; x1 ≥ 0 (µ2) : µ2x2 = 0; µ2 ≥ 0; x2 ≥ 0
Temos ent˜ao oito combina¸c˜oes poss´ıveis de sinais de λ, µ1 e µ2 para analisar:
1) λ = µ1 = µ2 = 0: a CPO para x1 implica 1/x1 = 0 e a CPO para x2 implica 1 = 0, o que ´e imposs´ıvel. Logo este caso n˜ao pode ocorrer.
2) λ = µ1 = 0 e µ2 > 0: a CPO para x1 implica 1/x1 = 0, o que ´e imposs´ıvel (x1 teria que tender a infinito, o que com renda limitada e p1 > 0 n˜ao satisfaz a restri¸c˜ao or¸cament´aria). Logo este caso tamb´em n˜ao pode ocorrer.
3) λ = µ2 = 0 e µ1 > 0: a CPO para x2 implica 1 = 0, o que ´e imposs´ıvel. Logo este caso tamb´em n˜ao pode ocorrer.
4) λ = 0 e µ1, µ2 > 0: a CPO para x2 implica µ2 = −1 < 0, o que contradiz µ2 > 0. Logo este caso tamb´em n˜ao pode ocorrer.
5) λ > 0 e µ1 = µ2 = 0: a CPO para x1 implica λ = 1/x1p1 e a CPO para x2 implica λ = 1/p2. Logo, esse caso s´o pode ocorrer se x∗1 = p2/p1. Como λ > 0, a CPO para λ implica que a reta or¸cament´aria ´e satisfeita com igualdade, ou seja, x∗2 = m/p2−1. Para que a CPO para µ2 seja satisfeita, x∗2 ≥ 0, ou seja, esse caso ´e satisfeito quando m ≥ p2.
6) λ, µ1 > 0 e µ2 = 0: a CPO para µ1 implica x∗1 = 0. A CPO para x1 n˜ao teria como ser v´alida, pois n˜ao ´e poss´ıvel dividir por zero. Logo este caso tamb´em n˜ao pode ocorrer.
7) λ, µ2 > 0 e µ1 = 0: a CPO para µ2 implica x∗2 = 0. Como λ > 0 (e usando que x ∗ 2 = 0), p1x∗1 = m, ou seja, x
∗
1 = m/p1. Logo, a CPO para x1 implica λ = 1/x∗1p1 = 1/m e a CPO para x2 implica λ = (1 + µ2)/p2. Como µ2 > 0, este caso ocorre quando 1/m > 1/p2, ou seja, m < p2.
8) λ, µ1, µ2 > 0: a CPO para µ1 implica x∗1 = 0 e a CPO para µ2 implica x∗2 = 0. Mas ent˜ao p1x∗1+ p2x∗2 = 0 < m (estamos assumindo que m > 0), o que implicaria λ = 0. Logo esse caso tamb´em n˜ao pode ocorrer.
Resumindo, temos ent˜ao que quando m < p1, a solu¸c˜ao ´e x∗1 = m/p1 e x∗2 = 0; e quando m ≥ p2, a solu¸c˜ao ´e x∗1 = p2/p1 e x∗2 = m/p2− 1.
c) Descreva as demandas ´otimas do consumidor. Calcule o valor da renda que faz com que os dois bens sejam consumidos em quantidades positivas. Para esses valores de renda, o que ocorre com a demanda do bem 1?
S: A solu¸c˜ao do item anterior mostra que os dois bens ser˜ao consumidos em quantidade positiva quando a renda for grande o suficiente (ou seja, quando m > p2). Para esses valores de renda, a demanda ´otima do bem 1 ´e x∗1 = p2/p1, ou seja, o consumo ´otimo do bem 1 n˜ao depende da renda (dizemos que a demanda do bem 1 n˜ao sofre de efeito renda).
4.6) Considere a utilidade linear dada por:
u(x1, x2) = ax1+ bx2, com a, b > 0. Responda os seguintes itens:
a) Tente encontrar as demandas ´otimas utilizando o m´etodo de Lagrange. O que ocorre neste caso?
S: O Lagrangeano deste problema ´e L = ax1 + bx2 + λ(m − (p1x1 + p2x2)). As CPO resultam em:
(x1) : a = λp1 (x2) : b = λp2
Dividindo a primeira CPO pela segunda CPO, obtemos: a b = p1 p2 ,
igualdade essa que s´o ocorre para essa rela¸c˜ao particular de pre¸cos, em que p1/p2 = a/b. Neste caso espec´ıfico, qualquer cesta (x1, x2) que satisfa¸ca a restri¸c˜ao or¸cament´aria (terceira CPO) ser´a solu¸c˜ao. N˜ao podemos dizer nada para os casos em que p1/p2 6= a/b. b) Tente resolver o problema graficamente. O que ocorre se, por exemplo, o valor absoluto
da taxa marginal de substitui¸c˜ao for maior do que p1/p2?
S: O problema do consumidor ´e atingir o n´ıvel mais alto de utilidade, dada a restri¸c˜ao or¸cament´aria (ver a Figura 3 no Exemplo 2 da Nota de Aula 5). Como os bens s˜ao perfeitamente substitutos, o consumidor comprar´a o bem que for relativamente mais barato: que tiver menor pre¸co dividido pelo coeficiente da utilidade. As fun¸c˜oes de demanda ser˜ao:
xM1 (p1, p2, m) = m/p1, se p1/a < p2/b 0, se p1/a > p2/b e xM2 (p1, p2, m) = 0, se p1/a < p2/b m/p2, se p1/a > p2/b No caso em que p1/a = p2/b, o consumidor ´e indiferente entre qual dos bens comprar, pois a TMS ´e sempre igual `a rela¸c˜ao de pre¸cos dos bens. Nesse caso, o consumidor comprar´a qualquer cesta (x∗1, x∗2) que satisfa¸ca a sua reta or¸cament´aria, p1x∗1+ p2x∗2 = m. c) Encontre as demandas ´otimas utilizando o m´etodo de Kuhn-Tucker.
S: O problema de maximiza¸c˜ao de utilidade do consumidor, levando em conta que a restri¸c˜ao or¸cament´aria poderia ser satisfeita com folga (ou seja, tal que na escolha ´otima ocorresse p1x∗1+ p2x∗2 < m, o que neste caso sabemos que n˜ao ir´a valer, pois a utilidade ´
e crescente) e tamb´em as restri¸c˜oes de n˜ao-negatividade do consumo dos bens ´e: max
x1,x2
ax1+ bx2 s.a. i) p1x1+ p2x2 ≥ m, ii) x1 ≥ 0 ,
iii) x2 ≥ 0 .
O Lagrangeano estendido para incorporar essas restri¸c˜oes de n˜ao-negatividade ´e L = ax1+ bx2+ λ(m − (p1x1+ p2x2)) + µ1x1 + µ2x2
As CPO resultam do problema acima s˜ao: (x1) : a − λp1+ µ1 = 0 (x2) : b − λp2+ µ2 = 0
(λ) : λ(m − p1x1− p2x2) = 0; λ ≥ 0; m − p1x1− p2x2 ≥ 0 (µ1) : µ1x1 = 0; µ1 ≥ 0; x1 ≥ 0
(µ2) : µ2x2 = 0; µ2 ≥ 0; x2 ≥ 0
Temos ent˜ao oito combina¸c˜oes poss´ıveis de sinais de λ, µ1 e µ2 para analisar:
1) λ = µ1 = µ2 = 0: a CPO para x1 implica a = 0 e a CPO para x2 implica b = 0, o que ´e imposs´ıvel (por hip´otese, a, b > 0). Logo este caso n˜ao pode ocorrer.
2) λ = µ1 = 0 e µ2 > 0: a CPO para x1 implica a = 0, o que ´e imposs´ıvel (por hip´otese, a, b > 0). Logo este caso tamb´em n˜ao pode ocorrer.
3) λ = µ2 = 0 e µ1 > 0: a CPO para x2 implica b = 0, o que ´e imposs´ıvel (por hip´otese, a, b > 0). Logo este caso tamb´em n˜ao pode ocorrer.
4) λ = 0 e µ1, µ2 > 0: a CPO para x1 implica µ1 = −a < 0 e a CPO para x2 implica µ2 = −b < 0, o que ´e imposs´ıvel. Logo este caso tamb´em n˜ao pode ocorrer.
5) λ > 0 e µ1 = µ2 = 0: a CPO para x1 implica λ = a/p1 e a CPO para x2 implica λ = b/p2. Logo, esse caso s´o pode ocorrer se a/p1 = b/p2. Neste caso, como µ1 = µ2 = 0, ent˜ao qualquer par x∗1, x∗2 ≥ 0 tal que p1x∗1 + p2x∗2 = m (de modo que a CPO para λ seja v´alida) ´e solu¸c˜ao do problema de maximiza¸c˜ao.
6) λ, µ1 > 0 e µ2 = 0: a CPO para µ1 implica x∗1 = 0. Como λ > 0 (e usando que x∗1 = 0), p2x∗2 = m, ou seja, x
∗
2 = m/p2 > 0. A CPO para x2 implica λ = b/p2 e a CPO para x1 implica λ = (a + µ1)/p1. Como µ1 > 0, este caso ocorre quando b/p2 > a/p1, ou seja, p1/p2 > a/b (ou ainda, quando p1/a > p2/b).
7) λ, µ2 > 0 e µ1 = 0: a CPO para µ2 implica x∗2 = 0. Como λ > 0 (e usando que x∗2 = 0), p1x∗1 = m, ou seja, x∗1 = m/p1. A CPO para x1 implica λ = a/p1 e a CPO para x2 implica λ = (b + µ2)/p2. Como µ2 > 0, este caso ocorre quando a/p1 > b/p2, ou seja, p1/p2 < a/b (ou ainda, quando p1/a < p2/b).
8) λ, µ1, µ2 > 0: a CPO para µ1 implica x∗1 = 0 e a CPO para µ2 implica x∗2 = 0. Mas ent˜ao p1x∗1+ p2x∗2 = 0 < m (estamos assumindo que m > 0), o que implicaria λ = 0. Logo esse caso tamb´em n˜ao pode ocorrer.
Resumindo, temos ent˜ao que quando 1) p1/a < p2/b, a solu¸c˜ao ´e x∗1 = m/p1 e x∗2 = 0; 2) p1/a > p2/b, a solu¸c˜ao ´e x∗1 = 0 e x∗2 = m/p2; e 3) p1/a = p2/b, a solu¸c˜ao ´e qualquer cesta (x∗1, x∗2) ≥ 0 tal que p1x∗1 + p2x∗2 = m, exatamente o que encontramos na solu¸c˜ao do item b).
NA 5 – UTILIDADE INDIRETA E DEMANDA
5.1) Considere a utilidade u(x1, x2) = √
ax1+ bx2.
a) Calcule a TMS entre os dois bens. Desenhe o mapa de indiferen¸ca desta utilidade. S: Uma curva de indiferen¸ca em particular pode ser encontrada fazendo-se u(x1, x2) = ¯u, ou seja, √ax1+ bx2 = ¯u, o que equivale a ax1 + bx2 = ¯u2. Isto quer dizer que o mapa de indiferen¸ca desta utilidade tem a mesma forma do que o mapa de indiferen¸ca para a utilidade ˜u(x1, x2) = ax1 + bx2. Portanto, esta utilidade tamb´em representa bens substitutos perfeitos. A figura abaixo ilustra o mapa de indiferen¸ca.
6 -x2 x1 @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ Curvas de Indiferen¸ca u(x1, x2) = √ ax1+ bx2
Este resultado ´e esperado, j´a que ambas as utilidades representam o mesmo sistema de preferˆencia (a utilidade ˜u ´e obtida elevando-se a utilidade u ao quadrado, uma trans-forma¸c˜ao crescente para todo n´umero n˜ao negativo). Observe que, como esperado, a TMS de u ´e a igual a TMS de ˜u: T M S12u(x1, x2) = − 1/2(ax1+ bx2)−1/2a 1/2(ax1+ bx2)−1/2b = −a b = T M S ˜ u 12(x1, x2)
b) Utilizando o m´etodo de Kuhn-Tucker (revise suas notas de aula de economia quantita-tiva!), resolva o problema de maximiza¸c˜ao de utilidade.
S: A solu¸c˜ao ´e similar `a solu¸c˜ao do item c) da quest˜ao 6 da nota de aula 4. O Lagrangeano estendido para incorporar essas restri¸c˜oes de n˜ao-negatividade ´e
L =pax1+ bx2+ λ(m − (p1x1+ p2x2)) + µ1x1 + µ2x2 As CPO resultam do problema acima s˜ao:
(x1) : a(ax1+ bx2)−1/2− λp1+ µ1 = 0 (x2) : b(ax1+ bx2)−1/2− λp2+ µ2 = 0
(λ) : λ(m − p1x1− p2x2) = 0; λ ≥ 0; m − p1x1− p2x2 ≥ 0 (µ1) : µ1x1 = 0; µ1 ≥ 0; x1 ≥ 0
Dessa vez, para simplificar, vamos usar o fato de que a solu¸c˜ao satisfaz a restri¸c˜ao or¸cament´aria com igualdade e analisar ent˜ao as quatro combina¸c˜oes poss´ıveis de sinais para µ1 e µ2:
1) µ1 = µ2 = 0: a CPO para x1implica λ = a(ax∗1+bx ∗ 2)
−1/2/p
1e a CPO para x2implica λ = b(ax∗1+ bx∗2)−1/2/p2. Logo, esse caso s´o pode ocorrer se a(ax∗1+ bx∗2)−1/2/p1 = b(ax∗1 + bx∗2)−1/2/p2, ou seja, se a/p1 = b/p2. Neste caso, como µ1 = µ2 = 0, ent˜ao qualquer par x∗1, x∗2 ≥ 0 tal que p1x∗1 + p2x∗2 = m ´e solu¸c˜ao do problema de maximiza¸c˜ao.
2) µ1 = 0 e µ2 > 0: a CPO para µ2 implica x∗2 = 0. Como a reta or¸cament´aria ´e satisfeita com igualdade (e usando que x∗2 = 0), p1x∗1 = m, ou seja, x
∗
1 = m/p1. A CPO para x1 implica λ = a(ax∗1+ bx
∗ 2)
−1/2/p
1 e a CPO para x2 implica λ = (b(ax∗1+ bx∗2)−1/2+ µ2)/p2. Como µ2 > 0, este caso ocorre quando a(ax∗1 + bx∗2)−1/2/p1 > b(ax∗1+ bx∗2)−1/2/p2, ou seja, a/p1 > b/p2 (que pode ser escrito como p1/p2 < a/b ou como p1/a < p2/b).
3) µ2 = 0 e µ1 > 0: a CPO para µ1 implica x∗1 = 0. Como a reta or¸cament´aria ´e satisfeita com igualdade (e usando que x∗1 = 0), p2x∗2 = m, ou seja, x∗2 = m/p2. A CPO para x1 implica λ = (a(ax∗1+ bx∗2)−1/2+ µ1)/p1 e a CPO para x2 implica λ = b(ax∗1+bx∗2)−1/2/p2. Como µ1 > 0, este caso ocorre quando a(ax∗1+bx
∗ 2)
−1/2/p 1 < b(ax∗1+ bx∗2)−1/2/p2, ou seja, a/p1 < b/p2 (que pode ser escrito como p1/p2 > a/b ou como p1/a > p2/b).
4) µ1, µ2 > 0: a CPO para µ1 implica x∗1 = 0 e a CPO para µ2 implica x∗2 = 0. Mas ent˜ao ter´ıamos que p1x∗1+ p2x∗2 = 0 < m, o que ´e imposs´ıvel pois a reta or¸cament´aria ´
e satisfeita com igualdade. Logo, este caso n˜ao pode ocorrer.
Resumindo, temos ent˜ao que quando 1) p1/a < p2/b, a solu¸c˜ao ´e x∗1 = m/p1 e x∗2 = 0; 2) p1/a > p2/b, a solu¸c˜ao ´e x∗1 = 0 e x
∗
2 = m/p2; e 3) p1/a = p2/b, a solu¸c˜ao ´e qualquer cesta (x∗1, x∗2) ≥ 0 tal que p1x∗1 + p2x∗2 = m (a mesma solu¸c˜ao para a utilidade u(x1, x2) = ax1+bx2, como esperado, j´a que essas duas utilidades representam as mesmas preferˆencias).
c) Encontre agora as fun¸c˜oes de demanda ´otimas do consumidor utilizando a intui¸c˜ao vista na aula. Justifique sua resposta.
S: O problema do consumidor ´e atingir o n´ıvel mais alto de utilidade, dada a restri¸c˜ao or¸cament´aria. Se usarmos a transforma¸c˜ao crescente f (t) = t2, para t ≥ 0, vemos que essa utilidade representa as mesmas preferˆencias que ax1+ bx2. Portanto, as demandas ´
otimas ser˜ao as mesmas: o consumidor comprar´a o bem que for relativamente mais barato: que tiver menor pre¸co dividido pelo coeficiente da utilidade:
xM1 (p1, p2, m) = m/p1, se p1/a < p2/b 0, se p1/a > p2/b e xM2 (p1, p2, m) = 0, se p1/a < p2/b m/p2, se p1/a > p2/b No caso em que p1/a = p2/b, o consumidor ´e indiferente entre qual dos bens comprar, pois a TMS ´e sempre igual `a rela¸c˜ao de pre¸cos dos bens. Nesse caso, o consumidor comprar´a qualquer cesta (x∗1, x∗2) que satisfa¸ca a sua reta or¸cament´aria, p1x∗1+ p2x∗2 = m. d) Verifique que as fun¸c˜oes de demanda sempre exaurem toda a renda do consumidor,
quaisquer que sejam os pre¸cos dos bens e a renda considerados.
S: Para o caso em que p1/a = p2/b, qualquer cesta (x∗1, x∗2) que satisfa¸ca a reta or¸cament´aria p1x∗1 + p2x∗2 = m ´e solu¸c˜ao, ou seja, toda solu¸c˜ao exaure a renda do consumidor. Se p1/a < p2/b, ent˜ao como x∗1 = m/p1 e x2∗ = 0, temos que p1x∗1+ p2x∗2 = m. Finalmente, se p1/a > p2/b, ent˜ao como x∗1 = 0 e x∗2 = m/p2, temos que p1x∗1+ p2x∗2 = m. Em todos casos, as fun¸c˜oes de demanda sempre exaurem a renda do consumidor.
e) Agora suponha que a = b = 1 e p1 = 1, p2 = 2, m = 100. Ilustre graficamente a solu¸c˜ao neste caso. Qual a taxa marginal de substitui¸c˜ao na cesta ´otima? Para este caso, vale a condi¸c˜ao de igualdade de TMS e rela¸c˜ao de pre¸cos? Discuta intuitivamente sua resposta. S: O gr´afico abaixo ilustra a solu¸c˜ao neste caso.
6 -x2 x1 @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @@ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @@rE 50 100 Curvas de Indiferen¸ca u(x1, x2) = x1+ x2 Suponha que p2 = 2, p1 = 1 Solu¸c˜ao: x∗1= 100, x∗2 = 0 H H H H H H H H H H H H HH
Na cesta ´otima, x∗1 = 100 e x∗2 = 0, n˜ao ´e v´alida a igualdade entre TMS e rela¸c˜ao de pre¸cos (T M S = −1 6= −1/2 = −p1/p2). Isto ocorre porque estamos em uma solu¸c˜ao de canto: apenas o bem 1 ´e consumido. Se fosse poss´ıvel, o indiv´ıduo continuaria a trocar bem 2 por bem 1, mas ele j´a est´a “no canto”, sem mais bem 2 para trocar por bem 1. A igualdade entre TMS e rela¸c˜ao de pre¸cos ´e usualmente v´alida para solu¸c˜oes interiores, ou seja, cestas tais que as quantidades dos bens s˜ao todas positivas.
5.2 Considere a utilidade u(x1, x2) = (min{ax1, bx2})2. a) Desenhe o mapa de indiferen¸ca desta utilidade.
S: Procedemos como na quest˜ao anterior: uma curva de indiferen¸ca em particular pode ser encontrada fazendo u(x1, x2) = ¯u, ou seja, (min{ax1, bx2})2 = ¯u, logo min{ax1, bx2} = √
¯
u. Isto quer dizer que o mapa de indiferen¸ca desta utilidade tem o mesmo formato do que o mapa de indiferen¸ca da utilidade ˜u(x1, x2) = min{ax1, bx2}. Portanto, esta utilidade tamb´em representa bens complementares perfeitos. A curva de indiferen¸ca ´e ilustrada na figura abaixo.
6 -x2 x1 Curvas de Indiferen¸ca u(x1, x2) = (min{ax1, bx2})2 semi-reta x2 = (a/b)x1
b) Encontre as fun¸c˜oes de demandas ´otimas do consumidor. Justifique sua resposta. S: Como discutimos nesta nota de aula, no caso geral a 6= b, o consumidor iguala os argumentos da fun¸c˜ao de m´ınimo: ax1 = bx2 e, portanto, x2 = (a/b)x1. Substituindo essa express˜ao para x2 na reta or¸cament´aria, encontramos as fun¸c˜oes de demanda:
xM1 (p1, p2, m) = m p1+ ab p2 e xM2 (p1, p2, m) = a b m p1+ ab p2
c) Agora suponha que a = b = 1 e p1 = 1, p2 = 2, m = 100. Calcule e ilustre graficamente a solu¸c˜ao neste caso. Suponha agora que os pre¸cos mudaram para p1 = 2 e p2 = 1, e que a renda n˜ao se modificou. Calcule e ilustre graficamente a solu¸c˜ao neste caso. Compare as duas solu¸c˜oes encontradas neste item. Discuta intuitivamente sua resposta.
S: Para o primeiro caso, temos que x∗1 = x∗2 = m/(p1 + p2) = 100/3. Para o segundo caso, temos que x∗1 = x∗2 = m/(p1+ p2) = 100/3. Logo, a cesta ´otima em ambos os casos ´
e a mesma. Isto ocorre porque, no caso de bens complementares perfeitos com a = b, os dois bens devem sempre ser consumidos na propor¸c˜ao de um bem 1 para um bem 2. Podemos dizer que o bem 1 e o bem 2 formam um ´unico bem, cujo pre¸co ´e p1+ p2. Os gr´aficos abaixo ilustram estes dois casos.
6 -x2 x1 50 100 H H H H H H H H H H H H H H H H r(x∗1, x∗2) x2 = x1 r 100 3 100 3 6 -x2 x1 100 50 A A A A A A A A A A A A A A A A (x∗1, x∗2) x2 = x1 r 100 3 100 3
5.3) Suponha que a utilidade de Bernardo seja u(x1, x2) = min{x1, x2}. Suponha que os pre¸cos do bem 1 e do bem 2 sejam p1 = R$ 1 e p2 = R$ 1 e que a renda de Bernardo seja R$ 120.
a) Quais s˜ao as quantidades consumidas de cada bem por Bernardo? Qual a utilidade que ele obt´em?
S: Na Nota de Aula 5, vimos que as fun¸c˜oes de demanda para esta utilidade s˜ao: x1(p1, p2, m) = x2(p1, p2, m) =
m p1+ p2
Para os pre¸cos e a renda dados, temos que x∗1 = x∗2 = 60. A utilidade obtida ´e U∗ = 60. b) Se o governo instituir um imposto sobre o consumo do bem 1 de modo que o seu pre¸co aumente para p1 = R$ 2, quais ser˜ao as quantidades consumidas por Bernardo dos dois bens? Qual a utilidade de Bernardo agora?
S: Para o novo pre¸co do bem 1, as fun¸c˜oes de demanda descritas na solu¸c˜ao do item anterior mostram que x∗∗1 = x∗∗2 = 40. A utilidade obtida agora ´e U∗∗= 40.
c) Suponha que o governo abandone a ideia do imposto sobre o consumo do bem 1 e decida taxar a renda do consumidor por um valor que resulte no mesmo montante que obteria com o imposto descrito no item anterior. Quais as novas quantidades consumidas dos dois bens? Qual a utilidade de Bernardo agora?
S: A solu¸c˜ao do item anterior mostra que com o imposto seriam vendidas 40 unidades do bem 1. O governo arrecadaria ent˜ao R$ 40, j´a que arrecadaria R$ 1 por unidade vendida. Instituindo um imposto de renda neste valor, a nova renda do consumidor ser´a R$ 80. As demandas dos dois bens ser˜ao portanto ¯x1 = ¯x2 = 40, as mesmas quantidades obtidas na solu¸c˜ao do item anterior com o imposto sobre o consumo do bem 1. A utilidade obtida agora ´e ent˜ao igual `a obtida na solu¸c˜ao do item anterior, ¯U = 40.
d) Explique intuitivamente a raz˜ao do princ´ıpio Lump Sum neste exemplo n˜ao resulta numa utilidade maior para Bernardo no caso do imposto de renda do que no caso do imposto sobre o consumo.
S: Como a utilidade ´e do tipo Leontief, n˜ao h´a possibilidade de substitui¸c˜ao entre os bens e eles devem ser consumidos em propor¸c˜oes fixas. Quando o governo substitui o imposto sobre o consumo pelo imposto sobre a renda, o consumidor continua tendo que consumir as mesmas quantidades dos dois bens, j´a que n˜ao h´a possibilidade de substitui¸c˜ao entre eles. Isso implica que os dois tipos de impostos, no caso de uma utilidade de Leontief, levam ao mesmo n´ıvel de bem-estar para o consumidor.
5.4) Suponha uma fun¸c˜ao de utilidade definida por:
u(x1, x2) = min{x2+ 2x1, x1+ 2x2} a) Desenhe a curva de indiferen¸ca para u(x1, x2) = 20.
S: Esta curva de indiferen¸ca ´e dada por min{x2 + 2x1, x1 + 2x2} = 20. O indiv´ıduo escolher´a as quantidades de cada bem de modo a igualar os dois argumentos da fun¸c˜ao de m´ınimo, para evitar desperd´ıcios. Portanto, temos que:
2x1+ x2 = x1+ 2x2 ⇒ x1 = x2
Nos dois argumento da fun¸c˜ao m´ınimo, temos rela¸c˜oes lineares entre os dois bens: 2x1+ x2, no primeiro argumento, e x1+ 2x2, no segundo argumento. A curva de indiferen¸ca dessa fun¸c˜ao, para o caso de u(x1, x2) = 20, ´e ilustrada na figura a seguir.
6 -x2 x1 semi-reta x2 = x1 x2 > x1 (logo 2x1+ x2 < x1+ 2x2) x2 < x1 (logo x1+ 2x2 < 2x1+ x2) A A A A A A A A A A AA H H H H H H H H H H HH s 20/3 20/3 20 20 * curva de indiferen¸ca ¯u = 20
b) Para que valores de p1/p2 a solu¸c˜ao ´otima consistir´a em x1 = 0 e x2 = m/p2?
S: Pela figura podemos observar que, apesar da utilidade ser de Leontief, existe um grau de substitui¸c˜ao entre os bens, dado pelas duas rela¸c˜oes lineares dentro do argumento da fun¸c˜ao m´ınimo. Portanto, as fun¸c˜oes de demandas constituem uma mistura de solu¸c˜ao de canto (consome apenas um bem) com solu¸c˜ao em que os bens s˜ao consumidos em propor¸c˜oes fixas (x1 = x2):
x1(p1, p2, m) = m/p1, se p1 < (1/2)p2, m/(p1+ p2), se (1/2)p2 < p1 < 2p2 0, se p1 > 2p2 x2(p1, p2, m) = 0, se p1 < (1/2)p2, m/(p1+ p2), se (1/2)p1 < p2 < 2p1 m/p2, se p1 > 2p2
Se p1 = 2p2, ent˜ao o consumidor escolhe qualquer cesta (x∗1, x ∗
2) tal que 2x1 + x2 = 20, 0 ≤ x1 ≤ 20/3. Se p1 = (1/2)p2, ent˜ao o consumidor escolhe qualquer cesta (x∗1, x∗2) tal que x1+ 2x2 = 20, 20/3 ≤ x1 ≤ 20.
c) Para que valores de p1/p2 a solu¸c˜ao ´otima consistir´a em x1 = m/p1 e x2 = 0?
S: Usando a solu¸c˜ao descrita no item anterior, se p2 > 2p1, ent˜ao as demandas ´otimas consistem em n˜ao consumir o bem 2 e consumir apenas o bem 1.
d) Para que valores de p1/p2 a solu¸c˜ao ´otima ser´a interior (ou seja, x∗1 > 0 e x∗2 > 0)? S: Novamente usando a solu¸c˜ao descrita no item b), se (1/2)p1 < p2 < 2p1, ent˜ao as demandas ´otimas s˜ao interiores, com x∗1 = x∗2 = m/(p1+ p2).
5.5) Suponha que a utilidade de Ana seja u(x1, x2) = x1x2. Suponha que os pre¸cos do bem 1 e do bem 2 sejam p1 = R$ 2 e p2 = R$ 2 e que a renda de Ana seja R$ 600.
a) Quais s˜ao as quantidades consumidas de cada bem por Ana? Qual a utilidade que ela obt´em?
S: Na solu¸c˜ao da quest˜ao 4.1) vimos que as fun¸c˜oes de demanda para esta utilidade Cobb-Douglas s˜ao: x1(p1, p2, m) = m 2p1 e x2(p1, p2, m) = m 2p2
Para os pre¸cos e a renda dados, temos que x∗1 = x∗2 = 150. A utilidade obtida por Ana ´
e U∗ = 1502 = 22.500.
b) Se o governo instituir um subs´ıdio sobre o consumo do bem 1 de modo que o seu pre¸co diminua para p1 = R$ 1, quais ser˜ao as quantidades consumidas por Ana dos dois bens? Qual a utilidade de Ana agora?
S: Para o novo pre¸co do bem 1, temos que as fun¸c˜oes de demanda descritas na solu¸c˜ao do item anterior mostram que x∗∗1 = 300 e x∗∗2 = 150. A utilidade de Ana agora ser´a U∗∗ = 300 × 150 = 45.000.
c) Suponha que o governo abandone a ideia do subs´ıdio sobre o consumo do bem 1 e decida repassar um montante fixo para Ana de modo que resulte no mesmo gasto para o governo que o esquema de subs´ıdio anterior gerava. Quais as novas quantidades consumidas dos dois bens? Qual a utilidade de Ana agora?
S: Usando a solu¸c˜ao do item anterior, seriam consumidas 300 unidades do bem 1 se o subs´ıdio fosse criado. O gasto do governo com o subs´ıdio seria R$ 300, j´a que o
governo pagaria R$ 1 por unidade vendida do bem 1. Instituindo uma transferˆencia de renda neste valor, a nova renda de Ana seria R$ 900. Usando a solu¸c˜ao do item a), as demandas dos dois bens seriam ¯x1 = ¯x2 = 225. A utilidade de Ana neste caso seria
¯
U = 225 × 225 = 50.625, maior do que a que seria obtida com o programa de subs´ıdio. d) Usando a intui¸c˜ao econˆomica, elabore um argumento a favor de programas de
trans-ferˆencia de renda como o Programa Bolsa Fam´ılia sobre programas do tipo Vale G´as, que subsidiava o pre¸co do g´as de cozinha para pessoas carentes. Fa¸ca o racioc´ınio in-verso: discuta as vantagens, caso existam, de um programa de subs´ıdios para o consumo de certos bens sobre um programa de transferˆencia de renda.
S: A solu¸c˜ao dos itens anteriores mostrou que o programa de transferˆencia de renda, com o mesmo valor gasto do que no programa de subs´ıdio do consumo do bem 1, aumenta o bem-estar de Ana mais do que o programa de subs´ıdio, uma vantagem ´obvia do programa de transferˆencia de renda. Desvantagens do programa de transferˆencia de renda podem estar relacionadas a poss´ıveis efeitos de desestimular a oferta de trabalho dos recipientes da transferˆencia. Al´em disso, pode ser que existam externalidades positivas no consumo de certos bens, onde ao subsidiar o consumo deste bens, o governo aumenta o bem-estar geral da popula¸c˜ao. Por exemplo, alguns autores argumentam que programas de vacina¸c˜ao e de educa¸c˜ao possuem efeitos positivos que v˜ao al´em dos efeitos privados recebidos pelos indiv´ıduos que participam destes programas, beneficiando a sociedade em geral.
5.6) Suponha que a utilidade de Rafael seja u(x1, x2) = x0,21 x 0,8
2 , onde x1 ´e a quantidade de alimentos que Rafael consome e x2´e a quantidade de todos os outros bens que Rafael consome (um bem composto, portanto). Suponha que o pre¸co do bem 2 ´e p2 = R$ 1 e que a renda de Rafael ´e R$ 1000.
a) Se o pre¸co do bem 1 ´e R$ 2, qual ´e o consumo de alimentos de Rafael?
S: Usando a solu¸c˜ao da quest˜ao 4.1), temos que as fun¸c˜oes de demanda de Rafael s˜ao: xM1 (p1, p2, m) = m 5p1 e xM2 (p1, p2, m) = 4m 5p2
Para os valores de renda e pre¸cos descritos, a demanda por alimentos de Rafael ´e x∗1 = 100 (e x∗2 = 800).
b) Se o pre¸co do bem 1 duplicar, qual ser´a o novo consumo de alimentos de Rafael? S: Usando as demandas descritas na solu¸c˜ao do item anterior, o novo consumo de x1 de Rafael ser´a de 50 unidades (o consumo de x2 permanece 800 unidades).
c) Suponha agora que o governo resolva subsidiar alimentos, mantendo o pre¸co igual a R$ 2 – ou seja, concendendo um subs´ıdio de R$ 2 por unidade consumida de x1. Se o governo financia esse subs´ıdio por meio da cobran¸ca de um imposto sobre a renda, qual ´e o novo n´ıvel de consumo de x1 de Rafael?
S: Se a rela¸c˜ao de pre¸cos volta a ser a antiga, o equil´ıbrio do consumidor volta a satisfazer no ´otimo a rela¸c˜ao de taxa marginal de substitui¸c˜ao entre os bens igual aos pre¸cos relativos, x∗2/4x∗1 = p1/p2 = 2, ou seja, x∗2 = 8x
∗
1. A nova restri¸c˜ao or¸cament´aria ´e: 2x1+ x2 = ˆm ,
onde ˆm = m − 2x1 = 1000 − 2x1. Sabendo que x∗2 = 8x ∗
1 no ´otimo, obtemos que o seguinte sistema: 10x1 = ˆm e m = m − 2xˆ 1 ⇒ m =ˆ 5 6 × m = 5 6 × 1000
Ent˜ao as novas demandas s˜ao:
x∗∗1 = 500/6 ≈ 83,33 e x∗∗2 = 2000/3 ≈ 666,67
d) Construa um diagrama comparando as situa¸c˜oes em b) e c) e mostre em qual situa¸c˜ao Rafael est´a melhor.
S: O diagrama est´a representado na figura abaixo. A cesta E denota o equil´ıbrio inicial. Quando o pre¸co do bem 1 aumenta, o equil´ıbrio se desloca para a cesta ˆE. Quando o governo adota o subs´ıdio, a restri¸c˜ao or¸cament´aria volta a ter a mesma inclina¸c˜ao de antes, por´em ela se encontra `a esquerda da restri¸c˜ao or¸cament´aria original, j´a que o governo taxa o indiv´ıduo para pagar o subs´ıdio (logo, a nova cesta ´otima de consumo no caso em que o governo adota o subs´ıdio, ˜E, se encontra na interse¸c˜ao das duas restri¸c˜oes or¸cament´arias). Calculando a utilidade nos dois casos, temos que:
sem subs´ıdio : u(x∗1, x∗2) = 500,28000,8 = 459,48
com subs´ıdio : u(x∗∗1 , x∗∗2 ) = (500/6)0,2(2000/3)0,8 = 439,84
Logo, o consumidor est´a melhor na situa¸c˜ao sem o subs´ıdio. Portanto, Rafael estaria melhor se o governo n˜ao interferisse no aumento do pre¸co do bem 1.
6 -x2 x1 m p2 m p1 Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q QQ sE e e e e e e e e e e e e e e e ee m ˆ p1 sEˆ Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q s ˜ E
e) Relacione a sua resposta para esta quest˜ao com o princ´ıpio Lump Sum.
S: A transferˆencia de renda no valor do gasto com o subs´ıdio aumenta a utilidade mais do que o subs´ıdio com o bem aumentaria. Isso ´e o esperado, segundo o princ´ıpio Lump Sum.
5.7) Considere a utilidade u(x1, x2) = max{ax1, bx2}. a) Desenhe o mapa de indiferen¸ca desta utilidade.
S: Esse ´e um exemplo de preferˆencias “cˆoncavas”, em que o consumidor prefere extremos a m´edias. A figura abaixo ilustra o mapa de indiferen¸ca gerado por essa utilidade. Para encontrar o formato de uma determinada curva de indiferen¸ca, assuma um valor qualquer ao n´ıvel de utilidade. Por exemplo, max{ax1, bx2} = 10. Note que se a cesta (x1, x2) ´e tal que ax1 > 10 ou bx2 > 10, ent˜ao o n´ıvel de utilidade ´e maior do que 10. Se a cesta
(x1, x2) ´e tal que ax1 < 10 e bx2 < 10, ent˜ao o n´ıvel de utilidade ´e menor do que 10. Logo, as cestas (x1, x2) que geram o n´ıvel de utilidade 10 s˜ao as cestas tais que ou ax1 = 10 e bx2 ≤ 10 ou ax1 ≤ 10 e bx2 = 10. O racic´ıonio continua v´alido para qualquer n´ıvel de utilidade que considerarmos. Com isso obtemos a figura abaixo.
6 -x1 x2 ¯ u b ¯ u a * curva de indiferen¸ca ¯u
b) Encontre as fun¸c˜oes de demandas ´otimas do consumidor. Justifique sua resposta. S: O problema do consumidor ´e:
max x1,x2
max{ax1, bx2} s.a p1x1+ p2x2 = m
A fun¸c˜ao de utilidade n˜ao ´e diferenci´avel, logo n˜ao podemos usar nem o m´etodo de Lagrange nem o de Kuhn-Tucker para resolver esse problema. As curvas de indiferen¸ca acima e o formato da utilidade mostram que o indiv´ıduo ir´a consumir apenas o bem que for mais relativamente mais barato, j´a que neste caso uma maior quantidade dele pode ser comprada se nada for comprado do outro bem e o n´ıvel de utilidade obtido ser´a maximizado: se p1/a < p2/b ent˜ao am/p1 > bm/p2e max{am/p1, 0} > max{x1, x2} para qualquer outra cesta (x1, x2) tal que a restri¸c˜ao or¸cament´aria seja satisfeita (p1x1+p2x2 ≤ m). J´a se p1/a > p2/b ent˜ao am/p1 < bm/p2 e max{0, bm/p2} > max{x1, x2} para qualquer outra cesta (x1, x2) tal que a restri¸c˜ao or¸cament´aria seja satisfeita (p1x1+p2x2 ≤ m). Portanto, as fun¸c˜oes de demanda dos dois bens s˜ao:
xM1 (p1, p2, m) = m/p1, se p1/a < p2/b 0, se p1/a > p2/b xM2 (p1, p2, m) = 0, se p1/a < p2/b m/p2, se p1/a > p2/b
No caso em que p1/a = p2/b, as duas cestas (m/p1, 0) e (0, m/p2) maximizam o bem-estar do consumidor (note que apenas essas duas cestas s˜ao ´otimas neste caso, ver figura abaixo). Logo, a solu¸c˜ao do problema do consumidor ser´a sempre de canto (isto ´e, apenas um dos bens ser´a consumido).
6 -x1 x2 @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ @ rE rE0 m p2 m p1
No caso p1/a = p2/b: duas solu¸c˜oes: E e E0
A fun¸c˜ao de utilidade indireta ´e:
v(p1, p2, m) = am/p1, se p1/a < p2/b bm/p2, se p1/a > p2/b am/p1 = bm/p2, se p1/a = p2/b
Podemos reescrever a fun¸c˜ao de utilidade indireta de modo mais simples como: v(p1, p2, m) =
m
min{p1/a, p2/b}
c) Agora suponha que a = b = 1 e p1 = 1, p2 = 2, m = 100. Calcule e ilustre graficamente a solu¸c˜ao neste caso. Suponha agora que os pre¸cos mudaram para p1 = 2 e p2 = 1, e que a renda n˜ao se modificou. Calcule e ilustre graficamente a solu¸c˜ao neste caso. Compare as duas solu¸c˜oes encontradas neste item. Discuta intuitivamente sua resposta.
S: Se a = b = 1, ent˜ao a utilidade ´e u(x1, x2) = max{x1, x2} e neste caso o indiv´ıduo consome o bem mais barato. Como p1 = 1 < 2 = p2, apenas o bem 1 ser´a consumido. Finalmente, como a renda ´e R$ 100, as demandas ´otimas s˜ao x∗1 = 100 e x∗2 = 0. A figura abaixo ilustra a solu¸c˜ao graficamente.
6 -x1 x2 H H H H H H H H H H H H H H s(x∗1, x∗2) 50 100
NA 6 – ELASTICIDADES
6.1) Derive as agrega¸c˜oes de Engel e Cournot para o caso de n bens. Reescreva essas agrega¸c˜oes em termos de elasticidades. Interprete (por exemplo, ´e poss´ıvel que todos os bens que um indiv´ıduo consuma sejam bens inferiores? Por quˆe? Se um indiv´ıduo consome n bens, no m´aximo quantos bens podem ser inferiores? Justifique sua resposta).
S: A Lei de Walras para o caso de n bens ´e:
p1x1(p, m) + p2x2(p, m) + · · · + pnxn(p, m) = m Derivando com rela¸c˜ao `a renda, obtemos a agrega¸c˜ao de Engel :
p1 ∂x1(p, m) ∂m + p2 ∂x2(p, m) ∂m + · · · + pn ∂xn(p, m) ∂m = 1
A equa¸c˜ao acima pode ser reescrita como: p1x1 m m x1 ∂x1 ∂m + p2x2 m m x2 ∂x2 ∂m + · · · + pnxn m m xn ∂xn ∂m = 1 Logo, a agrega¸c˜ao de Engel escrita em termos de elasticidades ´e:
s1η1+ s2η2+ · · · + snηn = 1 ,
onde si = pixi/m ´e a fra¸c˜ao da renda gasta com o bem i e ηi ´e a elasticidade-renda do bem i. Podemos concluir que:
(a) Todas as elasticidades-renda podem ser iguais a um. Nesse caso, um aumento da renda leva a um aumento na mesma propor¸c˜ao do consumo de todos os bens (se a renda aumentar em 10%, o consumo de cada bem aumentar´a em 10%).
(b) Se ηi > 1 para algum bem i, ent˜ao deve existir algum bem j diferente do bem i tal que ηj < 1: se a fra¸c˜ao da renda consumida do bem i aumentou mais do que propor-cionalmente `a renda, o consumo de algum outro bem j ter´a que aumentar menos do que proporcionalmente `a renda.
(c) No m´aximo n − 1 bens podem ser inferiores (se todos os bens fossem inferiores, ent˜ao a elasticidade-renda ηi seria negativa para todo bem i = 1, 2, . . . , n. Como si ≥ 0 (si ´
e a fra¸c˜ao da renda gasta com o bem i), ent˜ao se todas as elasticidades-renda fossem negativas, a condi¸c˜ao de Engel n˜ao seria respeitada).
Se derivarmos a Lei de Walras com respeito ao pre¸co do bem i, obtemos a agrega¸c˜ao de Cournot (com rela¸c˜ao ao pre¸co do bem i):
xi(p, m) + n X j=1 pj ∂xj(p, m) ∂pi = 0
Multiplicando a express˜ao acima por pi/m e a reescrevendo, obtemos a agrega¸c˜ao de Cournot em termos de elasticidades: xipi m + n X j=1 pjxj m pi xj ∂xj ∂pi = 0 ⇒ 0 = si+ n X j=1 sjεMji ⇒ 0 = si+ siεMii + X j6=i sjεMji