Sara Diana Carvalho Vieira
Relatório de Estágio
Pedestrianismo, um desporto para todos.
Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário
UNIVERSIDADE DE TRÁS - OS - MONTES E ALTO DOURO
VILA REAL, 2014
II
Relatório de Estágio
Pedestrianismo, um desporto para todos.
Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário
SUPERVISOR DE ESTÁGIO: Prof. Doutor Nuno Garrido ORIENTADOR DE ESTÁGIO: Prof. Rui Ferreira
UTAD
Vila Real, 2014
III Dissertação apresentada à UTAD, no DEP – ECHS, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física dos Ensino Básico e Secundário, cumprindo o estipulado na alínea b) do artigo 6º do regulamento dos Cursos de 2ºs Ciclos de Estudo em Ensino da UTAD, sob a orientação do Professor Doutor Nuno Garrido e do Professor Rui Ferreira.
IV
Agradecimentos
Em primeiro lugar, tenho a agradecer às pessoas mais importantes na minha vida, que são os meus pais e irmão, por terem acreditado sempre em mim, por me terem dado o seu apoio incondicional neste percurso académico, e na minha vida, e assim me terem proporcionado um futuro melhor.
Ao meu namorado Nuno, pelo apoio, carinho e força que me deu ao longo desta vida académica.
Talvez precisasse de uma folha só para ela, mas não pode ser, agradeço à minha amiga e companheira Raquel Travassos que, ao longo destes cinco anos, esteve sempre ao meu lado em todos os momentos, com a sua amizade, apoio, ajuda, preocupação, carinho e, com as suas palavras certas e a sua presença, fez com que o meu percurso académico fosse mais fácil e mais divertido, a ela um muito obrigada.
À minha amiga Marta Posse, pela sua amizade, apoio, carinho, ajuda, preocupação, e por todos os momentos bons que passamos juntas ao longo do meu percurso académico.
Ao Professor Rui Ferreira, pelos conhecimentos que me transmitiu e pela sua ajuda ao longo de meu estágio.
Aos meus amigos André Pinto, Carlos Teixeira, João Matias (ciclista) e David Barbosa, pela amizade e pelos momentos divertidos que passámos juntos.
Às minhas amigas de infância, que ainda hoje perduram, Bia Silva, Vera Leite, Patrícia Sousa, Luzia Sousa e Magda Pereira, pela sua amizade, apoio, carinho e compreensão pela minha ausência em vários fins-de-semana, embora o importante são os momentos que passámos juntas, o meu muito obrigada pela vossa amizade.
Ao Professor Doutor Nuno Garrido pela disponibilidade prestada.
De uma forma geral, quero agradecer a todos aqueles que, durante a minha vida, contribuíram, de alguma forma, para a minha formação académica e pessoal.
V
Índice
Agradecimentos ... IV Índice ... V Índice de Figuras ... VII Abreviaturas ... VIIIX
Introdução ... 1
A- Relatório de Estágio………..……..3
1. Atividade Letiva/Prática de Ensino Supervisionado ... 4
1.1 Planeamento ... 4 1.1.1. - Longo Prazo ... 4 1.1.2. - Médio Prazo ... 5 1.1.3. - Curto Prazo ... 9 1.2 Intervenção Pedagógica ... 10 1.3 Avaliação ... 11
2. Atividade Não Letiva ... 12
2.1 Direção de Turma ... 12
2.1.1. - Estudo de Turma ... 13
2.2 Plano Anual de Atividades ... 15
2.2.1. - Corta Mato ... 16
2.2.2. - Festa de Natal - Sarau Gímnico ... 16
2.2.3. - Megas Fase Distrital ... 17
2.2.4. - Ação de Informação – Pedestrianismo, um desporto para todos .. 18
2.2.5. - Pedestrianismo e Cicloturismo ... 20
2.3 - Desporto Escolar ... 20
2.3.1. - Treinos ... 21
VI
Considerações Finais ... 23
B- Documento de Apoio
………
251.Pedestrianismo ... 27
2.História - Pedestrianismo no Mundo e em Portugal ... 29
3.Benefícios para a Saúde ... 30
4.Dispêndio Energético do Caminhar ... 34
5.Técnica de Caminhar ... 35
6.Equipamento e Material para o Praticante ... 37
7.Alimentação ... 44
8.Recomendações para a Caminhada ... 45
9.Regras Importantes a ter com Crianças no Pedestrianismo ... 46
10.Classificação dos Percursos Pedestres ... 48
11.Sinais e Informações Complementares ... 55
12.Regras de Ética e Conduta para a Realização de um Percurso ... 57
13.Como Implantar um Percurso Pedestre ... 58
Conclusão ... 59
Bibliografia Geral ... 60
Anexo 1- Plano Anual de Atividades Letivas.……….63
Anexo 2 - Unidade Didática………65
Anexo 3- Plano de Aula………..70
Anexo 4- Ficha Biográfica do Perfil do Aluno………..73
Anexo 5- Caracterização de Turma………..78
Anexo 6- Plano Anual de Atividades……….80
Anexo 7- Projeto do Corta Mato………82
Anexo 8- Projeto Sarau-Gímnico………...87
Anexo 9- Projeto Ação de Informação- Pedestrianismo………91
Anexo 10- Panfleto de Pedestrianismo………96
Anexo 11- Cartaz da Ação de Informação- Pedestrianismo………...99
VII Anexo 13- Cartaz Pedestrianismo e Cicloturismo………106 Anexo 14 - Percursos Pedestres Homologados………...108
VIII
Índice de Figuras
Figura 1: Evolução de cada UD………...9
Figura 2: Dispêndio energético do caminhar………...34
Figura 3: Técnica de caminhar em descidas………...35
Figura 4: Botas de Trekking,………..38
Figura 5: Esquematização ex. de um percurso linear………..…………..48
Figura 6: Esquematização ex. de um percurso circular……….……49
Figura 7: Esquematização exemplificativa de um percurso em oito………..….49
Figura 8: Esquematização ex. de um percurso em anéis contíguos………..….50
Figura 9: Esquematização ex. de um percurso em anéis satélites…………..…50
Figura 10: Esquematização ex. de um percurso em labirinto………...…51
Figura 11: Simbologia de um Percurso Local………..52
Figura 12: Simbologia do percurso de Pequena Rota………..…53
Figura 13: Simbologia do percurso de Grande Rota……….54
Figura 14: Indicação do percurso de Grande Rota Transeuropeia………….…54
Figura 15: Painel informativo……….55
Figura 16: Placa indicativa……….56
IX
Abreviaturas
PEF - Programa de Educação Física PAAL - Plano Anual de Atividades Letivas UD -Unidade Didática
ET - Estudo de Turma
PAA - Plano Anual de Atividades DE - Desporto Escolar
1
Introdução
O presente trabalho foi elaborado no âmbito da conclusão do Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário na Universidade de Trás - os - Montes e Alto Douro.
Este trabalho está organizado em dois capítulos: em primeiro lugar, o relatório de estágio e, em segundo, o documento de apoio.
No primeiro capítulo (relatório de estágio) faço uma descrição detalhada do estágio pedagógico que desempenhei - em conjunto com a Raquel Travassos, na Escola Básica e Secundária Dr. José Leite de Vasconcelos, em Tarouca, no ano letivo 2013/2014, sob orientação do professor Rui Ferreira - no qual, no primeiro período, apenas me foi atribuída a turma A do 12.º e, no segundo período, a turma B do 11.º e a turma B do 9.º.
A parte do relatório de estágio está estruturada em dois pontos: na atividade letiva e na atividade não letiva. Na atividade letiva faço referência ao planeamento, nomeadamente ao programa, unidades didáticas e aos planos de aula, concretamente à intervenção pedagógica que diz respeito às aulas lecionadas; por fim, faço referência à avaliação, nomeadamente, às heteroavaliações e autoavaliações debatidas em reuniões.
Na atividade não letiva faço menção às tarefas desempenhadas na direção de turma, a todas as atividades do Plano Anual de Atividades em que desempenhei funções e, ainda, ao desporto escolar.
O relatório de estágio vem no seguimento do meu estágio pedagógico, sendo uma reflexão de todo o processo que o envolveu, de todos os conhecimentos e experiências adquiridas.
Foi com o estágio pedagógico que tive a minha primeira vivência numa escola enquanto professora, tendo sido muito enriquecedor, uma vez que me permitiu colocar em prática todas as aprendizagens adquiridas ao longo da minha licenciatura e mestrado e refletir sobre elas, e até mesmo alterá-las ao longo desta experiência. Embora, para mim, o objetivo maior deste estágio foi aprender, enquanto professora, todas as técnicas fundamentais para o papel que o docente tem que desempenhar ao longo da sua carreira, especificamente um professor de Educação Física.
2
O meu ponto de vista vai ao encontro do que diz Freire (n.d), pois este refere que a aquisição de conhecimentos, nomeadamente, os de como ensinar e os de como agir profissionalmente, bem como ter consciência que estes conhecimentos podem ter mudanças, são adquiridos através do estágio pedagógico; é este que nos possibilita a primeira experiência profissional, e o envolvimento experimental e interativo com os alunos e com o orientador.
O segundo capítulo refere-se ao documento de apoio construído em conjunto com Raquel Travassos, tendo sido desenvolvido para a ação de informação, intitulada “Pedestrianismo, um desporto para todos”, que decorreu no Auditório Municipal de Tarouca.
Como objetivo auxiliar, o documento de apoio sustentou a apresentação para a ação de sensibilização, nele encontrasse toda a informação relativamente ao pedestrianismo e à sua prática.
Termino este trabalho com a apresentação das principais conclusões. Neste trabalho deixo o mesmo empenho, dedicação e esforço que dediquei ao longo de todo o estágio pedagógico, em que superei todos os desafios que surgiram.
3
A
Relatório
4
1. Atividade Letiva/Prática de Ensino Supervisionado
A atividade letiva diz respeito às aulas lecionadas e a todo o seu planeamento durante o meu estágio pedagógico.
1.1 Planeamento
Bento (1998) refere que o “planeamento significa uma reflexão pormenorizada acerca da direção e do controlo do processo de ensino numa determinada disciplina, sendo pois evidente a relação estreita com a metodologia ou didática especifica desta, bem como os respetivos programas”.
1.1.1. - Longo Prazo
O planeamento a longo prazo refere-se ao Plano Anual de Atividades Letivas (PAAL) elaborado pelos professores de Educação Física da escola de Tarouca, tendo que ter sempre por base os Programas de Educação Física (PEF) da autoria do Ministério de Educação e Ciência (anexo 1).
Para a elaboração do PAAL, os professores tiveram que ter em atenção as condições que a escola oferece, concretamente as suas instalações e material.
É no PAAL que se encontra, de forma detalhada, as modalidades, bem como os seus níveis de tratamento a serem abordados neste ano letivo e em cada período, de acordo com cada ano de escolaridade.
Com a elaboração do PAAL é obrigatório que todas as turmas de um determinado ano letivo tenham contacto com as mesmas modalidades, ao mesmo nível de tratamento, ao longo de todo o ano letivo. Apesar de ser obrigatório a sua execução, ele torna-se flexível no que diz respeito à ordem das modalidades a serem abordados no ano letivo de cada ano de escolaridade, ou seja, o professor de cada turma pode decidir em que período irá lecionar cada modalidade, à exceção da modalidade de natação, uma vez que esta decorre fora das instalações da escola; no entanto, o professor continua a ser obrigado a abordar todas as modalidades que se encontram estipuladas no PAAL. Esta flexibilidade só é permitida devido a compatibilidade de horário de turmas do mesmo ano de escolaridade, às instalações e à quantidade de material existente no estabelecimento de ensino.
5 Este planeamento faz com que seja impossível haver alunos nesta escola que estejam no 10.º ano e que não tenham praticado as mesmas modalidades, com o mesmo nível que os alunos que fazem apenas agora parte da sua turma e que também estudaram anteriormente nesta escola.
Com o PAAL, eu senti mais facilidades na elaboração dos planos de aula, uma vez que se encontrava identificado o nível em que cada ano iria trabalhar, informação que facilitou a escolha dos exercícios.
1.1.2. - Médio Prazo
No início do ano letivo, numa reunião com o meu orientador de estágio, o professor Rui Ferreira, este deu liberdade ao Núcleo de Estágio, que era composto por mim e pela Raquel Travassos, de escolher a turma do Ensino Secundário em que queríamos lecionar no primeiro período, pois neste período apenas iriamos dar aulas a uma turma. Eu fiquei com a turma A do 12.º e a Raquel com a turma B do 11.º. Feita a opção, o orientador referiu que, no segundo período, inverter-se-iam os papéis e que, também neste período, as duas iríamos dar algumas aulas a turma B do 9.º.
Assim sendo, no primeiro período lecionei a Unidade Didática (UD) de Voleibol ao 12.º A; no segundo período lecionei a UD de Natação ao 11.º B e ainda a UD de Badmínton ao 9.º B.
Após verificar as UD que iria lecionar, senti-me mais reticente em relação à de natação, dado que nunca tinha lecionado nenhuma aula desta modalidade na Universidade, e também por ter sido uma modalidade tratada logo no primeiro ano de Universidade, tendo, por isso, já volvidos alguns anos. Relativamente às restantes UD, sentia-me confortável, pois são modalidades com que sempre tive mais ligação e das quais gosto bastante.
Conhecidas as UD a lecionar, passei às suas planificações, tendo adotado a mesma estrutura para todas as planificações; nelas constam a população alvo, os critérios/ parâmetros e ponderações de avaliação, caracterização dos recursos, definição de objetivos em termos do domínio socio-afetivo, cognitivo e psicomotor e, por último, a planificação das aulas (anexo 2). Esta estrutura é simples e clara, nela encontro as informações mais importantes para lecionar as minhas UD. Como refere Aranha (2008) é
6 importante que estejam bem explícitos os objetivos e os conteúdos a desenvolver e que estejam adequados ao nível de ensino.
A UD é fundamental para o processo pedagógico, através delas os professores e alunos ficam a saber as etapas de ensino e aprendizagem (Bento, 1998)
A UD foi um objeto de trabalho que me acompanhou em todas as aulas, foi a base para a elaboração dos meus planos de aula. Damis (2006) afirma mesmo que a UD é um objeto de trabalho específico do professor. Por sua vez Bento (1998) refere que a UD é a “base para a preparação das diferentes aulas”.
Todas as UD não começaram de imediato a ser lecionadas por mim; primeiro começava o professor Rui e, só passadas algumas aulas, é que era eu, no entanto as minhas aulas eram sempre intercaladas com as do professor.
Iniciei a UD de Voleibol no 15 de outubro de 2013, ao longo desta adotei algumas estratégias, nomeadamente elaborar exercícios que não permitissem haver muito tempo de espera; embora esta opção não tenha sido inicialmente sempre cumprida, com o passar das aulas, através da experiência adquirida, fui sempre melhorando os exercícios. Uma outra estratégia utilizada foi fazer com que todos os alunos passassem por funções de arbitragem para vivenciarem o que é ser árbitro e terem noção do impacto que têm as suas decisões no jogo. Em todas as aulas optei, ainda, por serem os alunos, por equipas, a montarem o material, nomeadamente a rede de voleibol. Como era uma turma com um comportamento exemplar, permiti, a pedido deles, que o aquecimento das aulas decorresse fora da escola, na variante de Tarouca; contudo, apenas nos dias em que as condições climatéricas o permitissem.
Ao longo desta mesma UD, também utilizei a técnica da pergunta na instrução inicial e no balanço final, bem como os feedbacks ausentes, antecipação do comportamento, incentivos aos alunos com maior dificuldade e, até mesmo, deixar estes alunos que não conseguiam servir da linha poderem-no executar dentro do campo. Embora algumas destas estratégias não tenham sido utilizadas logo a partir da minha primeira aula, pois só com algum contacto com os alunos e com as observações críticas do professor Rui seria possível utilizá-las, todas elas serviram para ter os alunos completamente empenhados nas aulas.
7 O desenvolvimento da UD de Voleibol foi bastante positivo, uma vez que os alunos mostraram uma grande evolução ao longo das aulas pois, inicialmente, verifiquei que, em geral, a turma tinha bastantes dificuldades; com o passar das aulas, foram evoluindo de forma permanente. Porém, apesar desta evolução, foi decidido que não seria lecionado o remate nem o amorti que estavam programados na UD, para que os alunos tivessem mais tempo para dominar completamente os restantes gestos técnicos. Esta foi a unidade didática em que me senti mais confiante.
No segundo período lecionei a UD de Natação ao 11.º B. Apesar de ser uma turma diferente, eu já os conhecia e eles também já me conheciam de assistir às aulas da Raquel, isto fez com que fosse mais fácil adaptar-me à turma.
Nesta UD os alunos encontravam-se organizados em dois grupos, o grupo de aperfeiçoamento e o grupo de familiarização com o meio aquático. Estes grupos tinham objetivos de domínio psicomotor diferentes, por isso cada um trabalhava em zonas diferentes da piscina.
Ao longo desta UD utilizei algumas estratégias que já tinha utilizado na UD de Voleibol, nomeadamente a técnica de pergunta, dar feedbacks ausentes e incentivar os alunos; no entanto, também adotei novas estratégias, como instruir sempre, em primeiro lugar, os alunos do grupo de familiarização com o meio aquático, e só depois o grupo de aperfeiçoamento, de modo a que nunca houvesse grupos parados. Como esta turma era um pouco faladora e tinha alguns alunos que destabilizavam as aulas, decidi separar alguns desses alunos, colocando-os em pistas diferentes, de forma a ter sempre a atenção deles, o que, mesmo assim, nem sempre aconteceu. Então, para combater as paragens que eles executavam ao longo das aulas, decidi referir no início de algumas aulas que o professor Rui se encontrava a avaliá-los, o que, por vezes, deu resultado. Por fim, utilizei uma estratégia com os alunos que nadavam melhor do grupo de familiarização: coloquei-os a executarem os exercícios que eu tinha planeado para a parte mais funda da piscina e com mais metros para percorrerem, com o intuito de superarem os seus medos e ganharem resistência.
Com o desenvolvimento desta UD verificou-se que os alunos do grupo de aperfeiçoamento não iriam conseguir cumprir os objetivos comportamentais
8 terminais, uma vez que alguns deles tinham pouca resistência, por esta razão decidiu-se retirar as distâncias a percorrer em cada estilo de nado que foi instruído, dando importância apenas à sua execução.
Todos os alunos mostraram evolução ao longo da UD, tendo verificado que, nomeadamente, os alunos do grupo de familiarização, que não sabiam nadar e que tinham um pouco de receio da piscina, acabaram esta UD a conseguirem nadar.
Mormente ter lecionado esta UD a uma turma bastante conversadora, e tratar-se de uma modalidade na qual não me sentia muito confortável, gostei muito desta experiência, foi enriquecedora e, posso afirmar, que agora sinto-me muito mais apta para, no futuro, ensinar esta modalidade.
Ainda no segundo período tive que lecionar cinco aulas da UD de Badmínton ao 9.º. Embora fosse uma modalidade na qual me sentia à vontade para lecionar, tive alguma insegurança e dificuldade, uma vez que não tinha grande contacto com esta turma, nem conhecia grande parte dos alunos, e, claro, o seu comportamento falador e “brincalhão” também não ajudou.
Mesmo tendo sido apenas cinco aulas, senti necessidade em utilizar algumas estratégias. Assim, sempre que tinha algum aluno que não fazia aula, aproveitava para este ir montando o material, com o intuito de ganhar tempo de atividade motora na aula. Depois, sempre que os alunos começavam com conversas paralelas nas instruções, eu referia que só iriamos para o exercício quando eu dissesse tudo, e, por isso, se estes continuassem com a conversa, não haveria jogo nessa aula. A estratégia mais drástica que tive que adotar foi, por vezes, mandar alunos para o banco, devido ao seu comportamento. Utilizei esta estratégia de modo a que os alunos refletissem sobre o seu comportamento, para que não voltassem a repeti-lo. Como nas UD anteriores, também utilizei os feedbacks ausentes, os incentivos e a técnica da pergunta nas instruções iniciais e nos balanços finais; todas estas estratégias foram bem sucedidas.
Esta turma também teve uma evolução ao longo desta UD; verifiquei que os alunos acabaram a UD a conseguir executar todos os batimentos planeados.
9 Foi com as UD que consegui refletir sobre as minhas estratégias e até, por vez, alterá-las de acordo com as circunstâncias. Gostei de lecionar todas as UD, tendo sido uma experiência muito enriquecedora.
Evolução de cada Unidade Didática
Avaliação Diagnostica Avaliação Sumativa
Voleibol 12ºA 24.3% 89.1%
Natação 11ºB 45.7% 85.3%
Badminton 9º B 31.5% 81.6%
Figura 1: Evolução de cada UD (médias)
1.1.3. - Curto Prazo
Na minha opinião, o Plano de Aula (PA) é, sem margem para dúvidas, um documento importantíssimo para a prática pedagógica de qualquer professor; foi nele que me baseei em todas as minhas aulas, para que estas corressem da melhor forma. Indo ao encontro do que nos diz Castro, Tucunduva & Arns (2008), o PA é importante na prática pedagógica do professor, ele dá ao professor a dimensão do interesse da sua aula e os objetivos a que esta se propõe. Um dos principais motivos para um professor não obter sucesso é pensar que a experiência de anos de carreira é o suficiente, que não é necessário a realização do PA.
Realizei planos de aula para todas as aulas que lecionei, de acordo com os conteúdos da UD (anexo 3), e também adotei a mesma estrutura para todos, esta foi baseada na organização defendida por Aranha (2004).
O PA fez parte do meu material, como se fosse o apito ou mesmo o relógio; o facto de o poder usar nas aulas fez com que me sentisse mais segura e tranquila, pois sabia que, se me esquecesse de alguma coisa relativamente à aula, não iria bloquear, sendo apenas necessário olhar para o plano, e que não me iria sentir constrangida ao estar a observá-lo à frente dos alunos, pois estes estão habituados a ver o professor Rui com o plano, sendo assim uma situação normalíssima. Esta realidade foi completamente diferente da que aprendi na Universidade, pois nas aulas que dava na Universidade nunca podia utilizar o plano ao longo da aula que estivesse a lecionar, e se o
10 utilizasse seria criticada e teria uma redução na nota da aula, pois o pensamento de toda a gente seria que eu não tinha preparado a aula devidamente.
Após passar pela experiência de poder utilizar o plano e pela de não poder, tenho a dizer que faz todo o sentido a sua utilização, uma vez que o fazemos para planear a nossa aula, para que estas corram da melhor forma, e se é um objeto de trabalho para o professor, não terá sentido fazê-lo para não o utilizar.
Posso concluir que, no futuro, o PA constará sempre como meu material para a minha prática pedagógica enquanto professora de Educação Física.
1.2 Intervenção Pedagógica
Todas as aulas que lecionei, tanto as que me correram muito bem como as que correram menos bem, tiveram uma grande relevância no meu percurso enquanto professora estagiária e também terão no meu futuro. Foi nas aulas que tive um contacto mais direto com os alunos e que apliquei as estratégias aprendidas ao longo do meu percurso académico e as observadas nas aulas do professor Rui.
A minha intervenção pedagógica decorreu em três turmas distintas (9.º B.11.º B, 12.º A) e com a aplicação de uma UD em cada uma delas. Apesar da turma do 9.ºB ter sido àquela que dei menos aulas, foi, sem dúvida, a mais difícil e na qual me senti mais nervosa, uma vez que os discentes tinham um comportamento menos próprio nas aulas, pois eram muito faladores e “brincalhões”, o que fez com que fosse necessário eu estar constantemente a chamá-los à atenção. Numa ocasião cheguei mesmo a mandar um aluno tomar banho mais cedo, com participação disciplinar, porque me faltou ao respeito e teve ainda um comportamento agressivo para com um colega de turma.
Relativamente às restantes aulas lecionadas nas outras duas turmas, todas correram muito bem, pois os alunos tinham um bom comportamento, o que facilita sempre o decorrer das aulas. Todavia, aprendi muito em todas aulas que orientei nas três turmas, pois é sempre possível aprender com os erros cometidos nas aulas menos boas.
11 Foi com a minha intervenção pedagógica que pude refletir que, realmente, é professora de Educação Física que quero ser, e as notas obtidas nas minhas prestações ainda intensificam mais esta escolha para o meu futuro.
1.3 Avaliação
No início do meu estágio fiz vinte observações ao meu orientador; nas dezoito iniciais utilizei a observação por gestão do tempo de aula e nas duas finais a observação por registo anedótico em ordem ao tempo. Para estas observações não era necessário atribuir nota.
Com a observação às aulas do professor Rui aprendi estratégias utilizadas por ele, tanto para o comportamento dos alunos, como para exercícios por ele executados. Lortie (1975) cit. por Freire (n.d) diz que “os professores aprendem a ensinar, pela observação de aulas”.
Para além das observações feitas ao professor Rui, também observei todas as aulas que a Raquel deu ao longo deste ano letivo, tendo optado pela observação por gestão do tempo de aula; nestas observações atribui nota a todas as aulas, bem como fiz um relatório para cada uma.
Segundo Piéron (1996) a gestão da aula é fundamental para a eficácia do ensino das “atividades físicas e desportivas”, daí a escolha em utilizar a observação de gestão do tempo de aula.
Relativamente às aulas que lecionei, efetuei no final de cada uma delas um balanço e atribui uma nota.
A reflexão/ avaliação das minhas próprias aulas foi muito importante, uma vez que foi a partir delas que consegui corrigir estratégias e comportamentos que usei e que não correram da melhor forma, e assim fui evoluindo de aula para aula.
No decorrer do estágio realizaram-se reuniões semanais com o Núcleo de Estágio, onde eram apresentadas e justificadas as notas atribuídas (autoavaliações e heteroavaliações) por cada elemento do núcleo, à exceção do professor Rui, pois este apenas apresentava e justificava as heteroavaliações das minhas aulas e das da Raquel.
Apesar da nota que eu dava às minhas aulas ser importante para eu ter uma noção do que correu bem e mal, de forma a alterar as estratégias, foi,
12 indubitavelmente, nas reuniões nas quais as notas e justificações atribuídas pela Raquel e pelo professor Rui que consegui ter uma perceção muito melhor de como correram as minhas aulas, e o que teria que mudar nas aulas futuras. O facto de quem está a observar estar atento a todos os comportamentos, tanto do professor que está a lecionar, como aos alunos, faz com que seja muito mais fácil indicar o que deve ser alterado e o que deve permanecer; ao invés, o professor que leciona capta, apenas, alguns acontecimentos, porque está focado em dar a aula, não conseguindo averiguar tudo.
Com as reflexões de grupo foi possível estar constantemente a evoluir ao longo do estágio.
2. Atividade Não Letiva
Atividade não letiva refere-se às atividades que decorrem fora das aulas, nomeadamente à direção de turma, Desporto Escolar e às atividades que constam no Plano Anual da Escola.
2.1 Direção de Turma
A direção de turma de uma determinada turma é da responsabilidade do professor selecionado, designando-se diretor de turma. Pode constatar-se no Dec. de Lei n.º 30/2002 que o diretor de turma, “enquanto coordenador do plano de trabalho da turma, é particularmente responsável pela adoção de medidas tendentes à melhoria das condições de aprendizagem e à promoção de um bom ambiente educativo, competindo-lhe articular a intervenção dos professores da turma e dos pais e encarregados de educação e colaborar com estes no sentido de prevenir e resolver problemas comportamentais ou de aprendizagem”.
No decorrer do meu estágio desempenhei algumas funções no que diz respeito à direção de turma, nomeadamente depois do professor Rui me ensinar a trabalhar na plataforma informática “Alunos”, para a marcação e monitorização das faltas. Eu e a Raquel passámos, esporadicamente, a fazer a justificação de faltas, a analisar o mapa de faltas para sinalizar as não justificadas que cada aluno tinha em cada disciplina, bem como identificar os discentes que tivessem atingido metade das faltas que poderiam dar em cada
13 disciplina e, consequentemente, procedíamos à elaboração de uma carta para enviar aos encarregados de educação.
Não senti dificuldade alguma em desempenhar estas funções, que me prepararam para, eventualmente no futuro, assumir o papel de diretor de turma.
2.1.1. - Estudo de Turma
Para a realização do Estudo de Turma (ET) baseei-me na aplicação da ficha biográfica do perfil do aluno. Essa ficha é o modelo aplicado em todas as turmas da Escola Básica e Secundária Dr. José Leite de Vasconcelos (anexo 4).
Não realizei o ET na direção de turma do professor Rui (11.º B), mas sim na turma em que dei aulas no primeiro período (12.º A).
A ficha biográfica do perfil do aluno foi aplicada no dia 16 de setembro de 2013, pelas 10h20, na aula de apresentação com a diretora de turma, professora Isabel Teixeira, onde esta forneceu uma explicação prévia, advertindo que a ficha em causa servia, restritamente, para a realização de um estudo da turma. Posto isto, eu analisei e apenas selecionei os dados mais relevantes para o preenchimento da tabela que elaborei, com o nome caracterização de turma; com esta tabela tornou-se mais fácil a observação das informações mais fulcrais de cada aluno (anexo 5).
A construção do ET foi importante, na medida em que me deu a conhecer as caraterísticas da turma - não somente no contexto da Educação Física mas também no seu geral - e revelou-se fundamental para uma planificação adequada às caraterísticas e necessidades dos alunos. Isto é, tornou mais fácil escolher as estratégias adequadas para a alteração dos comportamentos dos alunos.
O ET teve como objetivo primordial a caraterização da turma A do 12.º ano de escolaridade, ajudando a estabelecer estratégias gerais e conduzir o processo de ensino aprendizagem com sucesso, de acordo com as especificidades da turma.
14 A constituição da turma, no que respeita à distribuição de alunos por idade, sexo, local de residência, permitindo-me identificar o grau de heterogeneidade dos alunos e inferir sobre o seu relacionamento;
A constituição do agregado familiar, nomeadamente a sua composição, a idade dos pais, estado civil, ausência ou o falecimento dos pais, profissão, habilitações literárias, número de irmãos e a identificação do encarregado de educação responsável por se manter informado sobre o percurso académico do seu educando;
Os principais problemas de saúde dos alunos, que poderiam ter repercussões no planeamento das aulas;
A rotina diária dos alunos, no que respeita às horas de levantar, de deitar, a proximidade a que vivem da escola, o meio de transporte para a escola, e o tempo médio que demoram, que pode ser indicador do grau de proximidade dos encarregados de educação com o meio escolar, uma vez que podiam ter implicações no cumprimento do horário das aulas de Educação Física;
A preferência dos alunos relativamente as disciplinas, tendo esta informação implicações no desempenho dos alunos nas aulas de Educação Física.
Com a elaboração do estudo de turma foi possível tirar várias conclusões pedagógicas, nomeadamente:
A maior parte dos alunos residia no concelho de Tarouca;
A Educação Física foi a disciplina que apresentou uma maior preferência por parte dos alunos, já as disciplinas com menor preferência foram as de Matemática e de Físico Química;
Relativamente a antecedentes escolares, apenas seis alunos apresentaram retenções, embora apenas uma no seu percurso escolar; A composição do agregado familiar é maioritariamente composto pelos
pais e irmãos, apenas três alunos indicaram viver só com os pais;
Quanto à frequência com que estudam, grande parte dos alunos respondeu apenas estudar as vezes;
Verificou-se que a maioria dos alunos pretende seguir os seus estudos para o Ensino Superior, tendo já uma ideia da profissão que querem
15 desempenhar no futuro. Apenas dez alunos indicaram ainda não saber a profissão que pretendem ter;
Quatro alunos referiram ter problemas de saúde, especificamente miopia, estigmatismo e rinite alérgica;
Grande parte dos alunos tem como encarregado de educação a mãe, apenas quatro alunos são os seus próprios encarregados de educação; Relativamente à profissão, verificou-se que unicamente dois pais se
encontravam desempregados e que as mães eram, essencialmente, domésticas;
A idade dos pais encontrava-se entre os 38 e os 59 anos, já as mães tinham entre 37 e 55 anos;
Nas habilitações literárias dos pais verificou-se que, a grande maioria, tinha o 2.º Ciclo do Ensino Básico, e apenas dois possuíam um Curso Superior. Relativamente às mães, concluiu-se que estas apresentavam um nível literário superior aos pais, pois grande completou o 3.º Ciclo do Ensino Básico e cinco tinham um Curso Superior.
Foi muito importante a elaboração de um ET porque este permitiu-me reunir várias informações sobre os meus alunos, de modo a conhece-los um pouco melhor, e poder desse modo adequar as estratégias a utilizar nas aulas às suas necessidades reais.
2.2 Plano Anual de Atividades
O Plano Anual de Atividades (PAA) foi determinado no início do ano letivo, e nele constavam todas as atividades a realizar nas várias áreas, na Escola Básica e Secundária Dr. José Leite de Vasconcelos, ao longo do ano letivo em curso. No que respeita às atividades da área disciplinar de Educação Física, as ações foram definidas e organizadas pelos professores de Educação Física (anexo 6).
Ao longo do ano letivo houve algumas alterações no PAA da área disciplinar de Educação Física. Assim, a atividade de orientação e BTT que estava agendada para o dia 4 de Abril foi substituída pela ação de reflorestação,que decorreu no Dia da Árvore, a 21 de março e acrescentou-se o cicloturismo à atividade de dia 6 de junho.
16 No decorrer do estágio apenas participei em cinco atividades do PAA, abaixo indicadas.
2.2.1. - Corta Mato
O Corta Mato foi planeado logo no início do ano letivo, pelo grupo de professores de Educação Física da Escola Básica e Secundaria Dr. José Leite de Vasconcelos (anexo 7).
Na manhã do dia 11 de outubro de 2013, de acordo com o PAA 2013/14, da Escola Básica e Secundaria Dr. José Leite de Vasconcelos, realizou-se o Corta Mato, junto à rotunda do Prado. Ao longo desta atividade desempenhei várias funções, nomeadamente, deslocar grades para sinalizar o percurso, colocar dorsais nos alunos participantes e retirá-los no final das provas de cada escalão. Já no fim de todas as provas, ajudei a reunir as grades que sinalizavam o percurso, a apanhar o lixo que os alunos fizeram no local e, por último, na escola, auxiliei a colocar os dorsais por ordem numérica.
Esta atividade decorreu da melhor forma, não tendo havido nenhum problema a registar. Foi uma manhã agradável na qual reinou a boa disposição e a prática desportiva.
A minha participação neste Corta Mato fez com que eu adquirisse ainda mais experiência no que se refere à organização de atividades desportivas, sendo muito importante para o meu futuro como professora de Educação Física.
2.2.2. - Festa de Natal - Sarau Gímnico
A Festa de Natal decorreu na manhã do dia 17 de dezembro de 2013, no Pavilhão Desportivo da escola. A atividade foi organizada e planeada pelo Departamento de Expressões e foi aberta a toda a comunidade educativa (anexo 8).
No que diz respeito à parte desportiva, pois foi aquela em que eu estive envolvida, envolveu bastante material, uma vez que, para além do grupo de ginástica acrobática do Desporto Escolar e dos mini-trampolins atuarem, também apresentámos uma coreografia de step, elaborada pela professora de Educação Física Goreti Rocha, na qual participaram 50 alunas, bem como eu e
17 a Raquel. Para executar a atividade foi necessário pedir steps a algumas instituições, tendo esse pedido sido efetuado através de carta. Eu e a Raquel ficámos responsáveis pela missiva ao Melgym (Ginásio em Tarouca).
Para que a coreografia de step decorresse na perfeição, foi imprescindível realizar alguns treinos, nos quais estive sempre presente.
Já no dia da atividade, para além de eu participar na coreografia, também desempenhei outras funções, particularmente na montagem e desmontagem do material - de som e desportivo - e na organização dos alunos do grupo de ginástica acrobática do Desporto Escolar, na sala de ginástica.
Esta atividade decorreu muitíssimo bem e contou com vários espectadores. A coreografia de step, apesar de ter tido um grande número de alunos a participar, correu da melhor forma, não havendo a registar nenhuma descoordenação.
Tratou-se do primeiro sarau gímnico em que colaborei na organização; foi uma experiência nova e muito enriquecedora, pelo que, no futuro, já estarei mais segura para organizar este tipo de atividade.
2.2.3. - Megas Fase Distrital
Os Megas decorreram nas instalações da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, no dia 10 de março de 2014. Nesta atividade participaram somente os alunos que se apuraram nos Megas da fase de escola.
Nesta ação fiquei responsável, em conjunto com a Raquel, das meninas que participavam no Mega Sprint; assim sendo, estive sempre ao pé do local onde decorreu a prova com as participantes, de modo a que não houvesse faltas de comparência quando eram chamadas.
Após terminar o Mega Sprint feminino, coube-me estar atenta aos alunos e chamá-los à atenção para arrumarem o lixo que faziam no local onde almoçaram.
Embora não tenhamos conseguido ter nenhum aluno classificado para o nacional, foi um dia muito bem passado, em que predominou a prática desportiva, que é mais importante do que os resultados obtidos, pois esses serão sempre um segundo objetivo.
18 Com a participação nesta atividade consegui ganhar experiência no que diz respeito ao controlo de alunos fora da escola, o que é muito positivo para qualquer professor.
2.2.4. - Ação de Informação – Pedestrianismo, um desporto para todos
Esta atividade estava inserida no Dia Mundial da Árvore/ Ação de Reflorestação, promovida em parceria com a Câmara Municipal de Tarouca; no entanto, possuía um projeto próprio (anexo 9). A ação realizou-se no Auditório Municipal, no dia 21 de março de 2014, às 09h00.
Relativamente à ação de informação “Pedestrianismo, um desporto para todos”, esta teve duas partes: uma teórica e outra prática, sendo que esta última referia-se à caminhada até ao recinto de Santa Helena. Ambas as partes foram planeadas e organizadas por mim, pela Raquel e pelo professor Rui Ferreira.
Ao longo do processo de planeamento, tivemos uma reunião com alguns representantes da Câmara de Tarouca e com o diretor da Escola Básica e Secundária Dr. José Leite de Vasconcelos. Nesse encontro definimos que apenas os alunos do Secundário iriam participar na ação de informação e que os restantes colegas se deslocar-se-iam de autocarro diretamente para o recinto de Santa Helena, onde decorreria a ação de reflorestação. A decisão tomada teve como intuito, que a parte prática da ação de informação corresse da melhor forma possível.
Também no decorrer do planeamento foram realizados panfletos para distribuir na ação de informação (anexo 10), cartaz promocional da atividade para colocar na escola (anexo 11), documento de apoio sobre o tema da ação de informação, documento de apresentação para o dia da ação, autorizações/convite para entregar aos alunos e sua família, professores e auxiliares da ação educativa e cartas para os bombeiros e para a Guarda Nacional Republicana acompanhar a caminhada.
Alguns dias antes da ação de informação, eu, a Raquel e o professor Rui, dividimos os temas da apresentação de que cada um ficaria responsável e começamos a treinar a nossa preleção.
19 No dia da ação de informação eu encontrava-me um pouco nervosa, uma vez que nunca tinha falado para uma plateia tão grande; porém, depois de começar a minha parte da apresentação, os nervos passaram e a minha intervenção correu muito bem, bem como a da Raquel e a do professor Rui.
No final da apresentação todos os alunos e professores presentes deslocaram-se para o exterior do Auditório, onde se deu início à caminhada até Santa Helena. No tempo de espera para o início da caminhada, ouvi vários elogios à preleção e apresentação do nosso grupo, o que me deixou muito orgulhosa, contente e satisfeita.
A caminhada foi um pouco dura, no entanto não se registou nenhuma desistência. Ao longo desta jornada, eu, assim como a Raquel, dispúnhamos de meios rádio para estar em comunicação com os restantes professores, que também tinham um em seu poder e estavam a controlar a caminhada, de modo a que não houvesse muito espaço de distância entre os alunos e professores que estavam a encabeçar a marcha e os que iam atrás.
Com a chegada a Santa Helena, procedeu-se a uns minutos de descanso e, seguidamente, alunos e professores foram plantar uma árvore no local destinado e onde já se encontravam os funcionários da Câmara. Após a plantação, alunos e professores continuaram a sua caminhada, embora desta vez de regresso à Escola Básica e Secundária Dr. José Leite de Vasconcelos, pois estava muito frio para permanecer no recinto de Santa Helena. Os alunos e professores foram chegando à escola em grupos, com alguma distância entre eles, e à medida que iam chegando deslocaram-se para a cantina onde foi servido o almoço que culminou esta atividade.
Sem dúvida alguma, esta foi a atividade mais trabalhosa do Núcleo de Estágio, uma vez que a nossa intervenção seria objeto de avaliação.
Com o término da atividade pude analisar que o trabalho despendido valeu a pena e sentir-me muito orgulhosa do que realizámos, uma vez que a ação foi muito bem sucedida. Uma vez mais, predominou a atividade física, destinada a toda a comunidade educativa, embora só tenham participado alunos do Secundário e professores.
Com esta experiência, no futuro, estarei mais à vontade numa preleção em que haja uma grande plateia, além de que fiquei com um grande conhecimento sobre o pedestrianismo.
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2.2.5. - Pedestrianismo e Cicloturismo
A atividade decorreu no dia 6 de junho e encontra-se inserida no PAA, no entanto acrescentou-se para além da caminhada ao Cristo Rei (pedestrianismo) um percurso em bicicletas (cicloturismo). Para a realização desta atividade foi necessário elaborar um projeto (anexo 12) um cartaz, que foi exposto na escola (anexo 13) foram também distribuídas autorizações pelas turmas e ofícios à Guarda Nacional Republicana e Bombeiros, para que estes acompanhassem esta atividade.
No dia da atividade participei na caminhada, onde em conjunto com a Raquel desempenhamos a função de não deixar nenhum aluno ir na caminhada depois de nós, ou seja tínhamos que ser as últimas pessoas e teríamos que incentivar os alunos para andarem mais rápido para que não houvesse grandes distâncias entre os alunos, também tínhamos um meio rádio para estar em contacto com o professor Rui que se encontrava no inicio da caminhada, de modo a estarmos sempre em contacto.
No decorrer da caminhada eu e a Raquel pedimos constantemente aos alunos que iam ao pé de nós para andarem mais rápido, pois estávamos a ficar um pouco para trás. Quando chegamos ao Cristo Rei procedeu-se a uns minutos de descanso e ao lanche e posteriormente o regresso à Escola Básica e Secundaria Dr. José Leite de Vasconcelos.
Esta atividade teve grande sucesso, uma vez que contou com a participação de bastantes alunos e professores e não se registou nenhuma desistência ao longo dos percursos. Foi uma manhã muito bem passada onde predominou a prática de atividade física e a boa disposição.
2.3 - Desporto Escolar
O Desporto Escolar (DE) é “o conjunto das práticas lúdico-desportivas e de formação com objeto desportivo desenvolvidas como complemento curricular e ocupação dos tempos livres, num regime de liberdade de participação e de escolha, integradas no plano de atividade da escola e coordenadas no âmbito do sistema educativo” (Dec. Lei n.º 95/91 de 26 de fevereiro).
21 Segundo Andrade (2010), o DE não deve ser apenas visto como forma de os alunos consumirem energias, ocuparem os seus tempos livres ou como forma de controlar a sua agressividade, quando não há mais nada a fazer, mas sim deve tornar-se num fator de educação mais abrangente, colaborando para a sua formação global.
Ao longo deste ano letivo tive uma participação ativa no DE, nomeadamente na modalidade de ginástica acrobática e mini-trampolins, que estava à responsabilidade do professor Rui.
A participação no DE foi muito importante para mim porque me permitiu ter um contacto e conhecimento de uma modalidade a que não tinha muita ligação, conhecer vários alunos da escola, e acompanhar o trabalho e dedicação desses discentes.
2.3.1. - Treinos
Os treinos desta modalidade tiveram início no dia 16 de setembro de 2013 e decorreram três vezes por semana, nomeadamente à terça-feira, quarta-feira e quinta-feira, até ao final do ano letivo.
Tanto eu como a Raquel só estávamos presentes em dois treinos semanais, no de quarta-feira e no de quinta-feira. Ao longo dos treinos, ajudava os alunos que solicitavam o meu apoio, bem como aqueles que eu verificava que estavam a realizar algum elemento gímnico incorretamente; por vezes, punha ainda as músicas para cada grupo treinar a sua coreografia.
Como as competições decorriam aos sábados, nas sextas-feiras que antecediam o dia de competição havia treinos, estes eram aproveitados apenas para cada grupo apresentar a sua coreografia e, se necessário, corrigir algumas figuras.
No decorrer do ano letivo, eu e a Raquel tivemos a experiência de, em alguns treinos, estarmos sozinhas a controlar os alunos do DE. O facto de ter que assumir um papel com maior responsabilidade fez com que eu ganhasse mais autonomia e experiência no controlo dos alunos.
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2.3.2. - Encontros
A Escola Básica e Secundária Dr. José Leite estava inserida no grupo do DE que contava com a Escola Secundária de Latino Coelho - Lamego, Agrupamento de Escolas Nadir Afonso – Chaves e o Agrupamento de Escolas Moimenta da Beira. Como este grupo era composto por quatro escolas, houve quatro encontros ao longo da competição, tendo ocorrido um encontro em cada escola. Nos encontros apenas participavam os alunos de ginástica acrobática.
O primeiro encontro decorreu no dia 18 de janeiro de 2014, organizado pela nossa escola; o segundo teve lugar em Chaves, no dia 1 de fevereiro; o terceiro em Moimenta da Beira, a 22 de fevereiro; e o último encontro, tendo sido neste que as pontuações decidiram a passagem à fase regional, decorreu em Lamego, no dia 22 de março.
Ao longo dos encontros competitivos apenas estive presente nos três primeiros. No primeiro encontro desempenhei mais funções, uma vez que decorreu na nossa escola: ajudei na montagem e desmontagem do material (desportivo/som) e tratei da organização dos alunos para a cerimónia de abertura - indicava, quando me solicitado, o número da apresentação ou quantos faltavam para chegar a determinado grupo. Nos demais encontros acompanhei os alunos da nossa escola ao local onde se equipavam e onde aqueciam para a competição, permanecendo com eles até ao início da cerimónia.
A minha participação nos encontros do DE foi muito enriquecedora, uma vez que, através desta experiência, consegui aprender como decorriam as competições de ginástica acrobática do DE e como se organizam, constituindo aspetos muito importantes para o meu futuro enquanto professora de Educação Física.
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Considerações finais
O estágio pedagógico foi, sem dúvida, a parte mais importante de todo o meu percurso académico, foi ele que me proporcionou a minha primeira vivência numa escola e o primeiro contacto com os alunos, enquanto professora de Educação Física.
Apesar de ter tido a experiência de dar aulas para os meus colegas de curso durante os três anos de licenciatura e o primeiro de mestrado, esta experiência nunca é a suficiente para dar aulas numa escola, pois a realidade de uma escola é completamente diferente; os alunos deixam de ser os nossos amigos que participam nas nossas aulas com um comportamento exemplar e passam a ser “alunos reais”, que não dão importância se a aula da professora vai correr bem ou mal, nem pensam que o seu comportamento pode prejudicar a aula; esta foi a realidade que encontrei.
Ao longo do estágio esforcei-me para dar o meu melhor, com o intuito das minhas aulas correrem da melhor forma, e para superar as dificuldades encontradas. Sinto que superei as minhas expetativas e que evoluí bastante ao no decorrer de todo o processo de estágio.
Apesar do Núcleo de Estágio ser apenas composto por mim e pela Raquel, sob a orientação do professor Rui Ferreira, foi um grupo em que houve muita troca de ideias, partilha, cooperação e trabalho.
O facto de ter lecionado para três turmas distintas, com diferentes personalidades, foi uma aprendizagem inigualável, na medida em que me permitiu fazer adaptações às minhas estratégias de ensino.
O estágio foi um grande desafio, tendo conseguido superar todas as suas exigências, e deixou-me preparada para, neste momento, poder dar aulas.
Relativamente às atividades desenvolvidas ao longo do estágio, foram experiências novas e muito enriquecedoras, porque contribuíram positivamente para o meu desenvolvimento enquanto professora de Educação Física. Desta forma, afirmo que as experiências proporcionadas durante o estágio “Ninguém é tao grande que não possa aprender, nem tao pequeno que não possa ensinar.”
24 contribuíram, de forma cabal, para a obtenção de competências essenciais ao processo de ensino.
Para além de todas as aprendizagens adquiridas, também me senti muito satisfeita em ver a evolução dos alunos em cada UD que lecionei. Este facto deixa-me ainda mais convicta de que o meu sonho de ser professora de Educação Física, que deixou de ser um sonho para ser uma realidade, foi, indubitavelmente, uma boa escolha. Gostei imenso de ensinar e aprender.
Concluí com o estágio que, enquanto professores, estamos constantemente a aprender com a nossa intervenção pedagógica e com as reflexões que devemos fazer das nossas aulas, das estratégias que correram bem e as que correram menos bem.
Posso concluir que o estágio deixou-me preparada para desenvolver, no futuro, a minha profissão enquanto professora de Educação Física; no entanto, sei que será muito difícil conseguir ser colocada em alguma escola para lecionar nos próximos anos devido à situação em que se encontra o nosso país, mas continuarei com esperança.
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B
Documento de Apo
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Introdução
Sempre que corretamente orientado no plano social e pedagógico, o desporto representa um dos principais meios educativos e formativos dos cidadãos, com imprescindíveis contributos no âmbito da promoção da saúde, do rendimento profissional das populações, da formação multilateral da juventude, da melhoria da qualidade de vida, no preenchimento do tempo livre, ou como fator de desenvolvimento sociocultural e turístico (Araújo, 1997).
O desporto do futuro não vai continuar a ser praticado segundo as formas e as instalações desportivas tradicionais, sendo clara a evolução no sentido da utilização dos espaços ao ar livre, dos rios, dos lagos, dos bosques, dos parques e jardins, em detrimento dos pavilhões gimnodesportivos ou qualquer outro tipo de recintos desportivos cobertos. As exigências técnicas, de material e instalações adequadas tornam o desporto formal uma realidade para muito poucos. (Faurobert, 1991)
Cada vez mais necessitamos de enveredar por estilos de vida saudável, contrários aos que são impostos pelo ritmo social, cada vez mais acelerado e sedentário. Precisamos de Formação Académica e Técnica de atividades que incutam este espírito de prática física regular e que não exijam materiais e técnicas elaboradas.
Este documento de apoio tem como objetivo transmitir informações completas sobre o pedestrianismo e responder a perguntas como: O que é? Onde surgiu? Que benefícios tem? Como é praticado? O que é necessário para a prática? Abordar-se-á ainda os tipos de percursos existentes, bem como as marcas internacionais para orientação nos mesmos. As etapas de implementação de um percurso pedestre serão também tratadas já que qualquer um pode submeter um percurso a aprovação. No entanto, importa referir que o conhecimento sobre esta modalidade não deverá ficar por aqui, devendo recorrer a bibliografia específica e mesmo à prática da modalidade, como forma de enriquecer o seu conhecimento que lhe permita melhorar qualitativamente a sua prestação educativa nesta área.
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1.Pedestrianismo
“Atividade de percorrer distâncias a pé, na natureza, em que intervêm aspectos turísticos, culturais e ambientais, desenvolvendo-se normalmente por caminhos bem definidos, sinalizados com marcas e códigos internacionalmente aceites.” (Portaria nº1465/2004 17 de Dezembro, 2004)
Segundo Cuiça (2010), o pedestrianismo é definido como a atividade de andar a pé, em montanhas ou em outros locais, por caminhos mais ou menos bem definidos, balizados ou não. Preferencialmente, é realizado no seio da natureza e, habitualmente, em caminhos antigos e tradicionais; contudo, pode também ser praticado em meio urbano.
O pedestrianismo é, segundo o Instituto Português do Desporto e da Juventude (2012), um desporto de natureza regulado pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal. Esta modalidade tem muitas semelhanças com o montanhismo, todavia a principal diferença reside no facto de, no pedestrianismo, não serem necessários conhecimentos de orientação ou cartografia, uma vez que as caminhadas são efetuadas em percursos previamente sinalizados, com marcas e códigos internacionalmente conhecidos e aceites (Stuckl & Soje, 1996).
Dependendo da língua falada no país onde é praticado, o pedestrianismo é designado de várias formas. Em Inglês trekking ou walking, em Francês randonnée ou rando, em Alemão wandern e em Espanhol sederismo (Cuiça, 2010).
Cada pedestrianista - nome dado ao praticante de pedestrianismo - tem uma motivação diferente ao praticar a modalidade: benefícios para a saúde, interpretação do meio, forma de fazer, e atividade desportiva são alguns dos motivos apontados (Cuiça, 2010).
O pedestrianismo é uma atividade em que intervêm aspetos desportivos, turístico-culturais, ambientais e de proteção da Natureza (Federação Portuguesa de Campismo, 2000).
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- Aspeto Desportivo
No aspeto desportivo, o pedestrianismo pode ser considerado um desporto não competitivo e não agressivo, que não necessita de equipamento sofisticado nem de material técnico específico para realizar a sua prática. É praticado em plena Natureza, com os benefícios característicos que as atividades ao ar livre promovem. Não requer conhecimentos prévios de cartografia, orientação e outros. Pode ser praticado por amplas camadas da população, em grupos e em família. Combate o sedentarismo das grandes cidades e proporciona momentos de calma e relaxamento - impossíveis no contexto dos grandes centros urbanos - (Federação Portuguesa de Campismo, 2000).
- Aspeto Turístico-Cultural
No aspeto turístico, o pedestrianismo aproxima as pessoas ao meio rural, promovendo-o e revitalizando a economia destas zonas. Esta modalidade fomenta a amizade e o intercâmbio cultural, promove o conhecimento dos locais, das suas gentes, costumes e tradições. É ainda uma atividade que rentabiliza a oferta da hotelaria, restauração, alojamento rural, turismo de habitação e campismo de todas as aldeias e zonas por onde passam os percursos pedestres marcados (Federação Portuguesa de Campismo, 2000).
- Aspeto Ambiental e de Proteção da Natureza
No aspeto ambiental e de proteção da Natureza, o pedestrianismo proporciona o contato, conhecimento e consequente sensibilização para os problemas e questões ambientais, bem como a proteção e preservação da Natureza. Esta modalidade é também um instrumento eficaz na conservação dos caminhos pedestres existentes, das fontes, calçadas e lugares de interesse histórico. Influencia ainda a conservação e proteção do meio rural, cujas pessoas e modos de vida são o património mais importante. Esta modalidade desportiva promove o contacto com a natureza, sem a destruir ou alterar, apenas admirando-a (Federação Portuguesa de Campismo, 2000).
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2.História
-Pedestrianismo no Mundo e em Portugal
O pedestrianismo surgiu em França há cerca de 60 anos. Nessa altura começaram a criar-se percursos pedestres de Grande Rota e a modalidade era associada ao montanismo e excursionismo, embora já com características próprias. O pedestrianismo era um movimento cultural e de lazer para o grande público (Serrão,1997).
Pouco tempo depois, o resto da Europa seguiu o exemplo francês e assistiu-se a um grande desenvolvimento dos percursos pedestres de Grande Rota. Porém, em Portugal, só se começou a praticar pedestrianismo nos anos 80 (Federação Portuguesa de Campismo, 2000).
Segundo Tovar e Carvalho (2012), para facilitar a prática desta atividade foram criados percursos pedestres sinalizados, que têm por finalidade conduzir os praticantes que os percorrem. As federações, os clubes, as associações e outras entidades ligadas às atividades de lazer e ao ar livre são importantes impulsionadores do pedestrianismo, ao promoverem a marcação de percursos pedestres e a realização de atividades de pedestrianismo (Pearce & Butler; William, cit por Tovar & Carvalho).
Atualmente, na Europa, cerca de 12 milhões de pessoas praticam pedestrianismo em Percursos Locais, de Pequena Rota ou Grande Rota. A Alemanha possui mais de 210 000 km de percursos sinalizados, a França mais de 40 000 km e a Suíça 50 000 km (Quaresma & Fernandes, n.d.).
Segundo o Registo Nacional de Percursos Pedestres, em Portugal Continental existem, de norte a sul do país, cerca de 189 percursos pedestres homologados; 57 de Pequena Rota e 29 de Grande Rota, perfazendo um total de 2 550 km (Anexo 14). Nos Açores e na Madeira não existem percursos pedestres homologados, no entanto existem vários percursos onde o pedestrianismo pode ser praticado (Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, 2014).
Apesar do pedestrianismo existir em Portugal há mais de 30 anos, e dos vários percursos pedestres existentes, não é ainda claro para a maioria da população em que consiste esta modalidade (Braga, 2007).
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3.Benefícios para a Saúde
A maioria dos desportos ou modalidades desportivas traz benefícios para a saúde e para o bem-estar dos indivíduos que os praticam em diferentes domínios (domínio fisiológico, domínio psicológico e domínio sócio-afetivo).
- Domínio Fisiológico
O domínio fisiológico assume a sua importância neste capítulo, pois é através dele que vamos obter a caracterização do esforço necessário para a prática das modalidades e dos benefícios/consequências que dele advém para a saúde dos indivíduos. O reforço e adaptações sofridas pelo organismo com a prática de exercício aeróbio refletem-se ao nível do aparelho locomotor, aparelho muscular, aparelho cardio-pulmonar e sistema imunitário (Malina, 1992).
Aparelho Locomotor
A densidade óssea humana está dependente da solicitação de glóbulos vermelhos para transportarem o oxigénio (uma vez que é a medula óssea que produz esses mesmos glóbulos). Desta forma, toda a atividade de resistência aeróbia, que transforma a gordura em energia pela utilização do oxigénio no ciclo de Krebs, potencializa o reforço da medula óssea e, consequentemente, do aparelho locomotor (Malina, 1992).
Segundo Faurobert (1991), a marcha, para além de ser um desporto de resistência aeróbia que promove os benefícios já referidos, desenvolve também todas as articulações das pernas, tornando as cartilagens e ligamentos mais tonificados, sendo assim uma vantagem para combater os processos fisiológicos do envelhecimento.
Aparelho Muscular
Os desportos de carácter aeróbio induzem um conjunto de adaptações dos músculos ao exercício, tais como:
Aumento da Capilarização – O aumento da capilarização muscular permite, por um lado, aumentar o fluxo sanguíneo, e desta forma o transporte de oxigénio e de nutrientes; mas, por outro lado, acelerar a remoção dos catabolitos (exemplo: lactato) do organismo (Barata, 1997).
31 Alterações Mitocondriais - Aumento, em número e tamanho, das mitocôndrias, o que indica um aumento da atividade enzimática das vias aeróbias. Este aumento indica, por sua vez, uma maior capacidade de utilizar os lípidos como substratos energéticos preferenciais (diminuição dos depósitos de gordura corporal) (Barata, 1997).
Aumento do Tónus Muscular – O Aumento da tonicidade e eficácia muscular são aproveitados nas tarefas diárias e de trabalho que cada um efetua (Barata, 1997).
Aparelho Cárdio-Pulmonar
Segundo Faurobert (1991), com o exercício físico, o coração aumenta o número de batimentos por minuto, o que irá traduzir um aumento da espessura do miocárdio.
Com o maior trabalho imposto pelo exercício, as células musculares do miocárdio consomem mais lípidos (tal como os músculos), o que faz com que este órgão seja cada vez mais saudável (Faurobert, 1991).
A capilarização pulmonar também aumenta, o que traduz um aumento considerável da eficácia respiratória (Barata, 1997).
Sistema Imunitário
O exercício físico, de forma geral, e o exercício de resistência, de forma particular, - intensidades ligeiras e moderadas -, provocam um aumento do número dos linfócitos, aumentando assim a resposta linfocitária, tornando os mecanismos de defesa mais rápidos a atuar e mais eficazes no combate a vírus e infeções que possamos contrair (Barata, 1997).
Em relação ao pedestrianismo, como o corpo dos praticantes está sujeito a constantes mudanças de temperatura, os seus termostatos ajustam-se mais facilmente a novas situações, o que traduz uma maior capacidade imunitária contra algumas doenças, como, por exemplo, constipações (Faurobert, 1991).
- Domínio Psicológico
Nos desportos formais são necessários elevados níveis de atenção, dado que é necessária concentração para a concretização dos gestos com algum rigor, bem como muitas vivências para uma coordenação motora eficaz.
32 No pedestrianismo, esses níveis de atenção limitam-se ao mínimo, uma vez que caminhar é um gesto automático.
Os praticantes de pedestrianismo têm muitas razões para estarem entusiasmados com a modalidade que escolheram mas, de todas as possíveis, podemos salientar o contato com as origens (Natureza) e o prazer de praticar exercício ao ar livre. Esta dinâmica de andar e de contemplar as paisagens (só possível de alcançar a pé) permite aos "caminheiros afastarem-se de tudo" e terem a sensação de poderem conquistar o mundo (Seaborg & Dudley, 1994).
A abstração com o dia-a-dia é tal que os problemas e tensões são ocasionalmente esquecidos e o bem-estar e satisfação pessoal estão bem presentes. A motivação que leva uma pessoa a praticar este tipo de desporto é de carácter intrínseco, não havendo recompensas externas que cheguem para os fazer desistir (Seaborg & Dudley, 1994).
- Domínio Sócio-afectivo
O pedestrianismo é uma atividade que, pela sua natureza, promove a comunicação, o conhecimento de novos locais, gentes e costumes e a observação de paisagens deslumbrantes, proporcionando assim uma realidade física e cultural totalmente nova.
É uma atividade que promove o contato entre todos e beneficia as relações de amizade e entreajuda para a superação dos obstáculos. Reconhece-se também que este desporto promove o bem-estar pessoal, através da certeza do objetivo cumprido e da sensação de auto-superação após a concretização de um percurso. A prática de pedestrianismo promove a auto-disciplina através das regras de segurança a cumprir e das situações de limite que cada um vivencia (Faurobert, 1991).
Apesar de todos os benefícios referidos anteriormente, o pedestrianismo, tal como todas as atividades, envolve também certos riscos. Esses riscos centram-se, sobretudo, nos possíveis acidentes e quedas que os praticantes possam sofrer. Estes acidentes são, principalmente, ao nível dos membros inferiores, entre os quais, queimaduras (por fricção), pequenas lesões (por alguma pedra ou silva que perfure ou atinja a carne), mordidas de animais, entorses e traumatismos ósseos. O desequilíbrio é a principal razão