Mestrado em Química Analítica
DETERMTNAÇÃo
E
IDENTIFICAçÃo DoS
COMPOSTOS
VOLATEIS
NO QUEIJO DE
EVORAAO LONGO DA MATURAÇÃO
Maria Giraldes Pietra Torres
Orientadora: Prof.
Doutora
Ana
Maria
Costa
Freitas
lVlestrado
em
Química Analítica
DETERMINAçÃo
E
IDENTIFICAçÃo DoS
COMPOSTOS
VOLATEIS
NO
QUEIJO DE
ÉvoRAAo
LoNGo
DA
MATURAçÃo
Maria
Giraldes
Pietra
Torres
)fb
Ço
I
Orientadora:
Prof. Doutora
Ana
Maria
Costa
Freitas
AGRADECIMENTOS
À
Prof. Doutora Ana Maria Costa Freitas, por ter aceitea
orientação deste trabalho, pelo apoio e incentivo que permitiram que eu o concluísse.A
Prof. Doutora Cristina Pinheiro, pela sua disponibilidade, motivação eamizade-Um
agradecimentoespecial
à
Eng.'
Graça
Machado,por "toda
a
paciência do mundo"À
Eng.,
Benedita Salemae à
Eng." Marlene Rissoda
Queijaria SOPE S.A., pelo fornecimento dos queijos e pela atenção dispensada.A
todos
os
"colegas"do
Núcleoda
Mitra:Vera, Luís,
Ana,Ana
Elisa,
Doroteia, lsabel, Elsa,..., pelos momentos divertidos.À
Prof.
DoutoraMa
João
Cabrita,pela
maneira como
contribuiupara
que
eu finalizasse o trabalho.A
minha família por todo o apoio, principalmente ao António e muito em especial ao meu pal.RESUMO
As
característicasdo
aromado
queijo estão
associadasaos
compostos voláteis fornados durantea
maturação.A
microextracçâo em fase sólida permite o isolamento destes compostos da matriz.Avaliaram-se as fibras carboxeno/polidimetilsiloxano, polidimetilsiloxano /divinilbenzeno
e
polidimetilsiloxano, efectuandoa
extracçãodo
espaço de cabeçade
uma mistura modelo.Seleccionou-se
a
fibra
polidimetilsiloxano/divinilbenzenopara
a
extracção
dos compostosvoláteis
do
queijo,
a
sua
separaçãoe
identificação realizou-se por cromatografia gasosa-
espectrometriade
massa.Na
identificação recorreu-se à ionizaçâo por impacto electrónico, ionizaçáo químicae
à espectrometria de massa em múltiplas etapas.A
composição volátildo
queijode
Evorafoi
avaliadaem
três fasesda
maturação; encontraram-se ZO compostos. Entrea
primeirae
as
restantesfases
observam-se diferenças qualitativas, entrea
segundae a
terceira detectam-se apenas diferenças quantitativas.para comparação
do
perfil global do aroma nas diferentes fases, recorreu-seao
nariz electrónico. Obteve-se uma diferenciação entre a primeira fase e as duasrestantes-DETERMINATION
AND
IDENTIFICATION
OF
VOLATILE
COMPOUNDS
IN
ÉYORA
CHEESE DURING RIPENING
ABSTRACT
The character of cheese aroma is related to volatile compounds formed during ripening. Solid phase microextraction allows the isolation of these compounds from the matrix.
The
carboxen/polydimethytsiloxane,
potydimethylsiloxane/divinylbenzene andpolydimethylsiloxane fibres were evaluated through headspace extraction
of
a
model mixture.The
polydimethylsiloxane/divinylbenzenefibre was
chosenfor
extractionof
volatile compoundsfrom
cheese,
the
separation
and
identificationwas
done
by
gaschromatography
mass
spectrometry.For
identification electron impact, chemical ionization and tandem mass spectrometry were employed.The composition in volatiles of Evora cheese was evaluated in three stages of ripening; 20 compounds were found. Qualitative differences were observed between the first and the following two stages, quantitative differences were detected between
the
second and third stages.For comparison of the global aroma profile of the individual stages, the electronic nose was used. A separation between the first stage and the following two was attained.
amu GAR
ct
cw
DVB EI ABREVIATURAS USADASunidade de massa atómica (atomic mass unit) Carboxeno
lonização química (che mical ionization)
Carbowax Divinilbenzeno
lmpacto electrónico (ete ctron impacf) Nariz electrónico (ele ctronic nose)
Detector de ionização de chama (flame ionization detector) Cromatografia gasosa (gas chromatography)
Modelo linear geral (General Linear Modet)
cromatografia líquida
de alta
precisão(High
pertonnance I i q u id ch rom atog raP hY)Espaço de cabeça (headsPace)
Microextracção em fase sólida do espaço de cabeça Espectrometria de massa (Mass specfrometry) Espectrometria de massa em múltiplas etapas Poliacrilato
Análise
de
componentes
principais
(Principal
ComponentÁníysís)
Polidimetilsiloxano
Pol itetrafl uoroeti le no
Extracção por absorção em barra de agitação (sf,r
bar
sotptive extraction)Extracção
e
destilação simultânea (Simultaneous destilation extraction)Extracção em fase sótida (sotid phase extraction)
Microextracção em fase sólida (Solrd phase microextraction) Tempertura de transição vítrea (Gíass transition temperature)
EN FID GC GLM HPLC HS HS-SPtúlE MS MS'MS PA PCA PDMS PTFE SBSE SDE SPE SPME Tg
Índice Geral
íttorce
eERAL
1
TNTRODUçAOí.í
O AROMA DO QUEIJO1.1.1
Formação dos compostos voláteis no queijoí.í.í.í
Metabolismo da lactose, lactato e citrato1.1.1.2
Proteólise e catabolismo de aminoácidos1.í.í.3
Lipólise e metabolismo de ácidos gordos1.1.2
Contribuição dos compostos voláteis para o aroma1.2
ANÁLEE INSTRUMENTAL DO AROMA1.2.1
Preparação da Amostra: isolamento e concentração dos compostos do aroma1.2.1.1
Extracção estática1.2.1.2
Extracção dinâmica1.2.1.3
Adsorção1,2.1.4
Absorção1.2.1.5
Extracção do espaço de cabeça1.2.2
Técnicas de extracção/concentração de compostos do aroma1,2.3
Microextracção em fase sólida (SPME)1.2.3.1
Extracção dos analitos1.2.3.2
Tempo de extracçãoí.2.3.3
Temperatura de extracção1.2.3.4
Fase estacionária1.2.3.4.1 Polidimetilsiloxano (PDMS) e Poliacrilato (PA)
1 .2.3.4.2 Outras fases estacionárias
1.2,3.5
Aplicações do SPME1.2.3.5.1 Desenvolvimento e inovação na aplicação do SPME
1.2.4
lnstrumentação analítica1.2.4.1
Cromatografia gasosa (GC)1.2.4.2
Cromatografia gasosa - espectrometria de massa (GC-MS) 1.2.4.2.1 lonização por impacto electrónico1.2.4.2.2 lonização química
1.2.4.3
Nariz Electrónico 1 1 1 3 4 5I
1 1 11 12 13 13 15 17 17 20 22 24 25 25 26 26 27 28 29 29 29 30 31 32lndice Geral
í.3
O QUEIJO DE EVORA1.4
OBJECTIVOS DO TRABALHO2.
MATERIAL EMÉToDos
2.1.
PADRÔES E AMOSTRAS2.1.1. Escolha dos padrões 2.1.2. Escolha da matriz
2.1.3. Preparação da mistura modelo 2.1.4. Fabrico do Quetio í Amostras
z.z
EXTRAcçÃO DOS
COMPOSTOS PRESENTESNO ESPAçO
DECABEçA POR SPME
2.2.1
Optimização das condições de análise 2.2.1.1 Fibras de SPME2.2.1.2 Temperatura 2.2.1.3Tempo
2.2.1.4Factores e Linearidade da Resposh
2.2.2
Extracção dos compostos voláteis do queiio por SPME2.3
ANÁLEE
DOS COMPOSTOS PRESENTES NO ESPAçO DE CABEÇA POR CROIUIATOGRAFIA GASOSA (GC)2.9,1
Cromatografia gasosa - Detector de ionização de chama (GG-FID)2.3.2
Cromatografia gasosa-
Espectrometria de massa (GC-MS) 2.3.2.1 MS em múltiplas etaphs (MS/MS)2.3.2.2 lonização química (Gl)
2.4
ANÁLEE ESTATíSNCE2.5
ANÁLEE DO AROTUIA GLOBAL USANDO O NARIZ ELECTRÓNrcO3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO3.1
MISTURA MODELO: MATRIZ E PADRÔESg.Z
AVALIAçÃO DAS FIBRAS CAR PDMS, PDMSTDVB E PDMS3.2.1
Temperatura de extracção3.2.2
Tempo de extracção3.2.3
Factores de Resposta e Linearidade3.3
COMPOSTOS VOLÁTEE NO QUEIJO DE ÉVORA3.3.í
ldentificação dos compostos voláteis extraídos do queijo 3.3.1.í lnterpretação de espectros de massa33
a
35 35 35 36 37 38 38 38 38 39 39 40 41 42 42 43 434
45 45 46 46 47 47 49 51il
il
59lndice Geral
3.3.2
Variação dos compostos voláteis ao longo da maturação3.3.2.1
Ácidos Gordos3.3.2.2
Outros Gompostos Voláteis3.4
AROMA GLOBAL DO QUEEJO DE ÉVORAg.4.1
Aromaglobal do
queiio de Évoraao
longo da maturação analisado pelo nariz electrónico4.
CONCLUSÃO5.
REFERÊruCNS HBLIOGR/{FICAS ANEXO IFabrico do Queiio
Registo do peso, altura e diâmetro dos
queijos
recolhidos ANEXO IIResultados
obtidos
por GC-FID para a avaliação das fibras GAR PDMS, PDMSíDVB E PDMS.
temperatura de extracçãor
tempo de extracçãor
factores de resposta e linearidade!
rectas de calibração ANEXOlll
Espectros de massa obtidos para o 3-metilbutanol, 2,5-dimetil-3-hexanol, composto não identificado e ácido nonanóico
ANEXO IV
Resultados
obtidos
na análise de compostos voláteis do queiio análise de variância (ANOVA)63
u
66 69 69 72 73 4.1 4.1 4.1 A.2 A.2 4.3 4.4 A.6 A.9 A.12 4.12 4.14 A.14 4.15Indice de Figuras
íttorce
DE
FIGURAS
Figura
í.í:
Vias bioquímicas que levamà
formaçãodos
compostos do aroma - a superfície a cinzento indica os compostos que contribuem para ã,rorn,
(adaptado de Marilley & Casey, 2004)Figura
1.2:Vias para
o
metabolismodo
citratoem
lactococci citrato-poãitirrs e Leuco nostoc sp. (Mcsweeney & Sousa, 2000)Figura 1.3: Lipólise
e
cataborismo de ácidos gordos livres (collins ef al., 2003)Figura
1.4: _Estruturado
polidimetils,iloxano(PDMS)'
uffi
absorvente comum com l-g=-1 25oC (BaltusseneÍ
al''2002)Figura 1.5:
sistemapara
a
extracçãopor
SPME adaptadode (vas
& Vekey, 2004)Figura 1.6: Procedimento de extracção do e.c. por SPME e desadsorção teínica no GC, adaptado de Kataoka et al.,2OO4
Figura
í.2:
Efeitodo
tempo na quantidade de analito extraido (supelco2001 a)
Figura
í.8:
Extracçãopor
absorção(a)
e
adsorção(b)
imediatamente apos a exposiçao (t = 0)"
,pOt
atingir o iempo de extracção(t = t") (Chen'
2OO4)
Figura 1.9:Espectrómetro de armadilha de iÕes (Bouchonnet et
al''
2oo4) Figura 1.10: Leite de ovelha cru, queijo fresco e queiio curadoFigura
3.í:
cromatograma obtidopor Gc-FlD
da
extracçãoda
mistura modelo (a-pineno, 2-hexanona, 2-pentanol, octanal, decanoatode
etilo' ácido octanóicoe
ô-dodecalactona) coma
fibra PDMS/DVB. condições ãiómatográficas descritasem
Materiate
Métodos no ponto 2'3'1Figura
3.2:
Efeitoda
temperaturade
extracçãona
área cromatográfica (valor médioã
oásvio paorào) de cada compotto na extracção com a fibraCARYPDMS
Figura
3.3:
Efeitoda
temperaturade
extracçãona
área cromatográfica (valor médio e desvio padrào) de cada compoáto na extracção com a fibra PDMS/DVBFigura 3.4:
Efeitoda
temperaturade
extracçãona
área cromatográfica (valor médio e desvio padrào) de cada compoãto na extracção com a fibra PDMS 2 4 6 16 21 22 24 27 30 33Figura 3.5: Perfil
de
extracção de cada composto (valor médioda
área cromatográfica e desvio prOtao) ao longo do iempo (10, 20, 30 e 40min)47
48
48
48
50 com a fibra CAR/PDMS
lndice de Figuras
Figura 3.6: Perfil
de
extracção de cada composto (valor médioda
área crõmatográficae
desvio padrão) ao longo do tempo (5, 10, 20e
30min) com a fibra PDMS/DVBFigura 3.7: Perfil
de
extracção de cada composto (valor médioda
área crõmatográficae
desvio padrão) ao longo do tempo (5, 10, 20e
30min) com a fibra PDMSFigura
3.8:
Perfil GC-MS dos compostos vo!áteis extraídos coma
fibrapõMSDVg
de
um
queijo com 0(a),21(b)
e
42(c)dias de
maturação. CondiçÕes cromatográficas descritasem
Materiale
Métodosno
ponto 2.3.2Figura 3.g: Espectro de massa da acetoína obtido por El a 70eV
full
scan (a), por CI com CH+ a um fluxo de Q,SmUmin (b) e MS/MS com 9= 0,30 do fragmento m/z=73 (c).Figura
3.10:
Fragmentação possívelda
acetoína(a)
e
do
fragmento m/z=73 (b)Figura 3.í
í:
Espectro de massa do ácido hexanóico obtido por El a 70eV futl scan (a) e por Cl com CH+ a um fluxo de Q,5mUmin (b)Figura 3.12: Espectro de massa do ácido Z,4-hexadienóico obtido por El a ZOéV
full
scan (a) e MS/MS com q= O,3O do ião molecularmlz=
112 (b) e do fragmento m/z=67 (c).Figura 3.13: Fragmentação possível
do
ácidoZ,
-hexadienoico (a)e
do fragmento mlz=67 (b)Figura
3.í4:
Efeitoda
maturação(0, 21
e
42
dias) na
quantidade de ácidos gordosFigura
3.í5:
Efeitoda
maturação(0, 21
e
42 dias) na
quantidade de compostos voláteisFigura 3.íG: "lmpressão digital" obtida com o Alpha-Fox 3000 na análise de um queijo com 42 dias de maturação
Figura 1.17: Discriminação das amostras de queijo com
0
(1-vermelho),Zi
(Z-azut)e
42 (3-verOê) dias de maturação obtida pela PCA efectuada pelo software AlphaSoftANEXO
Figura
ll.í:
Cromatograma obtidopor
GC-FIDda
extracçãoda
mistura modelo (a-pineno, 2-hexanona, 2-pentanot, octanal, decanoatode
etilo, ácido octanóicoe
ô-dodecalactona)com
a
fibra CAR/PDMS. CondiçÕes cromatográficas descritas em Materiate
Métodos no ponto 2.3.1Figura
ll.2:
Cromatograma obtidopor
GC-FIDda
extracçâoda
misturamõden
(cr-pineno, 2-hexanona, 2-pentanot, octanal, decanoatode
etilo,ácido
octanóicoe
ô-dodecalactona)com
a
fibra
PDMS.
CondiçÕes cromatográficas descritas em Mateiale
Métodos no ponto 2.3-150 50 55 60 60 61 63 63 66 67 70 70 A.2 A.2
lndice de Figuras
Figura
ll.3:
Rectasde
calibração obtidas paraa
extracção coma
Íibra CAR/PDMSFigura
lll.í
: Espectro de massa do 3-metilbutanol obtido por El a TOeV full scan (a), por Cl com CH+ a um fluxo de 0,5mUmin (b)Figura
ltl.2:
Espectro de massa do 2,5-dimetil-3-hexanol obtido porEl
a7OéV full scan (a), por Cl com CHa a um fluxo de O,SmUmin (b)
Figura
lll.3:
Espectro de massa do composto não identificado obtido por El a 70eV full scanFigura lll.4: Espectro de massa do ácido nonanóico obtido por El a 70eV full scan A.9 A.12 4.12 A.12 A.13
índice de Tabelas
íruorce
DE
TABELAS
Tabela
1.1:
Descrição
de
características apresentadaspor
alguns compostos voláteis no aroma do queijoTabela 2.1: Fórmula, peso molecular e temperatura de ebulição dos compostos
usados
«)mo
padrões
(NIST
Livro
de
Química
na
Webhttp:/lwebbook. nist. gov/chemistry/)
Tabela 2.2: Coneentração dos padrões (mg/Kg) nas misturas (M1, M2, M3, M4 e M5)
Tabela 2.3: Concentração do ácido octanóico
e
da &dodecalactona (mg/Kg)nas misturas (M1, M2 e M3) contendo cada um dos compostos isolados
Tabela 2.4:, lões percursores seleccionados
em
cada segmentoda
conida cromatográfica para a análise MS/MSTabela
3.í:
Factorde
resposta absoluto (FR)e
valor Oe/
da
regressãolinear
dos
compostos extraídosdas
misturas M1-M5
com
as
fibrasCARYPDMS E PDMS/DVB
Tabela
l.Z:
ldentificaçãodos
compostosvoláteis
no
queijode
Évora: número do pico no cromatograma, identificação a partir da comparação com padrões, comparação com êspectros de massa das bibliotecas (MS NIST, Witeyl, obtençaoãe
informaçâo adicional por análisede
espectroCl
(Cl idenúrtcação M+1*) e espectrós MS/MS (MS/MS informação estrutural)Tabela
3.3:
Compostos voláteisno
queijode
Évoraem três
fases
da maturação (0, 21 e 42 dias). Valores médios em unidades arbitrárias (áreado
pico); médias seguidasde
letras idênticasna
mesma linha não são signincativamente difãrentes (p>0,05) devido ao efeito fase da maturação ANEXOTabela
l.í:
Registos do fabrico do Lote 1 e Lote 2Tabela 1.2: Registo
do
peso, alturae
diâmetro dos que'rios (Q1, Q2e 03)
dos LotesI
e 2, com O,21 e 42 dias de maturaçãoTabela
ll.í:
Área do pico cromatográfico, média e desvio padrãolara
cada composto da mistura modelo obtidós na extracção com a fibra CAR/PDMS a diferentes temperaturas (40, 60 e 80oC)Tabela ll.2: Área do pico cromatográfico, média e desvio padrão para cada composto da mistura modelo obtidós na extracção com a fibra PDMS/DVB a diferentes temperaturas (40, 60 e 80oC)
Tabela
ll3:
Área do pico cromatográfico, média e desvio padrão para cada compostoda
mistura modelo obtidosna
extracção coma fibra
PDMS a diferentes temperaturas (40, 60 e 80oC)Tabela ll.4: Area do pico cromatográfico, média e desvio padrão para cada composto
da
mistura modelo
óOtiOospara
os
diferentestempos
de10 35 37 37
4
52 64 57 A.1 4.1 A.3 A.3 4.3 4.4lndice de Tabelas
extracção (10, 20, 30 e 40min) com a fibra CAR/PDMS
Tabela ll.5: Área do pico cromatográfico, mrádia e desvio padrão para cada
composto
da
mistura modelo
õUtiOospara
os
diferentestempos
de extracçâo (5, 10, 20 e 30min) com a fibra PDMS/DVBTabela ll.6: Área do pico cromatográfico, média e desvio padrão para cada composto
da
mistura modelo
óUtiOospara
os
diferentestempos
de extracção (5, 10, 20 e 30min) com a fibra PDMSTabela ll.7: Área do pico cromatográfico, média e desvio padrão para cada composto na extracçáo com a fibrã CAR/PDMS das mistura modelo M1, M2
,M3, M4 e M5
Tabela ll.8: Área do pico cromatográfico, média e desvio padrão para cada composto na extracçào com a fibra PDMS/DVB das mistura modelo M1, M2
,M3, M4 e M5
Tabela ll.9: Area do pico cromatográfico, média e desvio padrão para cada composto na ernracçào com a fibra PDMS das mistura modelo M1, M2 ,M3,
M4eM5
Tabela
ll.l0:
Area do pico cromatográfico, média e desvio padrão obtidos na extracçãodas
misturasM1,
M2e
M3
(contendoo
ácido octanÓicoe
ô-dodecálactona isolados) com a fibra PDMS/DVB
Tabela
lV.l
Valores médios da área cromatográfica obtida na extracção de cada queijo (1,2e 3) de cada fase de maturação (0, 21 e42 dias)Tabela
lV.í
Valores da análise ANOVA para a fasede
maturação (FM) de 0,21 e 42 dias4.4
A.54.6
4.6
4.7 4.8 A.14 A.15Aroma doQueilo lntrodução
í.
INTRODUçÃO
1.1
O
AROMA
DO
QUEIJO
A aceitabilidade de um produto alirnentar, e em particular do queiio, depende das suas propriedades sensoriais, constituindo
o
aroma um dos principais critérios de escolha parao
consumidor, querdo
ponto de vista positivo quer negativo (Ayadet
al',2o44; Bellesiaef
al.,2003;
pinho
et
al.,2003;
Barronet
al-, 2005)-o
aromaé
uma propriedade organoleptica apreendidapelo
órgão
do
olfacto
por
via
retro-nasal (Berodier et al., 1gg7; Rothe,lggg),
cuias características no queijo estão intimamenterigadas
aos
compostosvoráteis formados
durante
o
processo
de
maturação (Fernandéz-García et a1.,2004; Betitz et al., 20M).Tem sido
realizadoum
grande
volumede
trabalhopara
caracterizaro
perfil
de compostos voláteisem
diferentes variedadesde
queijo,tais
como,o
italiano Grana parmigiano-Reggiano (Bellesiaet
al., 2003), os franceses Gouda e Emmental (Dirinck & Dewinne,
lggg),o
queijo Rãsdo
Egipto (Ayadet
at.,2004), os espanhóis cabrales, ldazâbal, Mahón, Manchego, Roncal ezamorano (Taborda et al., 2003; Barronet al"
2005) e o inglês Cheddar (Avsatet
al., 2004; Frank et a\" 2004)'A composição em voláteis de queijos portugueses foi
já
abordada em conjunto com os atributos sensoriais no queijode
ovelha Terrincho (PinhoeÍ
al., 2oo4),e
também no queijode
Évora (pinheiro, 2oo1)e
associadaà
composição microbiológica no queiio Serra da Estrela (Partidárioet
at-, 1998; Tavaria ,et
al2OOZ)'1.1.1FormaçãodosGompostosvoláteisnoqueijo
Durante
a
maturação do queijo, uma série de processos bioquímicos complexos vãolevar
ao
desenvolvimentodo
aroma,a
partirdos
principais constituintesdo
leite: proteínas (caseína), lípidos (triacilgliceróis), lactosee
citrato (Madkoret
al''
2000; Marilley&
casey,2OO4; Costaet
al.,2oo4). Diferentes agentes vão contribuir para a produçãodos
compostos voráteis,tais
como,
os
enzimasdo
leite
e
do
agente coagulantee
diferentes microorganismos que podem pertencerà
microflora indígenalntrodução Aroma do Queljo
e/ou ser adicionados como culturas de ananque (Martinez-Cuesta
et
a1.,2001; Ayad ef at.,2004; Madko ret
al.,2ooo). A acção conjunta destes agentes, que depende também das condiçÕesde
humidadee
temperatura, resulta num complexo balanço entre os compostos voláteis e não voláteis formados, que é responsável pelo aroma singular de cada variedade de queijo (Belitz etat.,2004;
Fernandez-Garciaet
al-,2oo4a; Ayad ef a\.,2004).As principais vias bioquímicas que ocorrem durante a maturação do queijo são (Figura 1.1):
o
metabolismo da lactosee
citrato,a
lipolise coma
libertaçâo de ácidos gordos livrese
uma série de reacçÕes catabólicas associadas, a proteólise da caseína com a Iibertaçãode
uma
grande
variedade
de
péptidos
e
aminoácidoslivres
e
as subsequentes reacções catabólicasdos
aminoácidos (Mcsweeney&
Sousa, 2000; Martinez-Cuesta et al., 2001 )'6rye
earein e§aH I §He il HO-C-GOGll ll ?*, G(}DH -LLL ".r*.-t7
T?iglyceridcr + Cltrtlls tt$vr"*+-4cogr Fte scid§ Lstüose Âci'tddthydc Diaetgl f f-feÍ1EE-:
o-tEk
i
ll-f8úrtEtE + ntdtl* Hot§-türhtÉll Âleohols PePtldsr+el
""â;""{:*
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*t*r*
urc{ÊStGt{-ú-t:cl{e[ Êllr Fs{em&
o Aectstc Flrrvour compouüt Flerhylhstone fuÇ-,,ryt*.Glü §econdrr"t'elsthrlts; É Trnnmmintlftrn DehSdrugennlinn Ilecanborgtatlrn Rcdurtlun êI
Flthsnnl ActfiEt*I
Àcttoln R-Gürl R-eft§rr n-GÊot! Aldchydu Altoholt (hgnntcmlds..$ã*
Figura
í.í:
Vias bioquímicas que levam à formação dos cgm.no$os do arom a - a superfÍcie a cinzento indica os compostos que contribuem para o aromá (adaptado de Marilley & Casey,2004)lntrodução Aroma do Queiio
1,1.1.1
Metabolismo da lactose, lactato ecitrato
Os principais produtos do metabotismo da lactose são o L- ou D-lactato, ou uma mistura racémica de ambos, embora também se possam formar outros produtos consoante as espécies de microorganismos presentes (Mcsweeney & Sousa, 2000; Marilley & Casey, 2004).
A
produçãode
lactatoe
«)nsequente acidificação doqueijo
tem
um
efeito indirecto sobre aroma,já
que determinaa
capacidadede
tamponamento, afectando assimo
crescimentode
vários microorganismose
tambéma
actividade enzimática durante a maturação (McSweeney & Sousa,2000)-Dependendo da variedade de queijo, o subsequente metabolismo do lactato pode levar
à
produçãode
diversas substânciasque
contribuempara
o
aroma (McSweeney & Sousa, 2O0O),o
piruvato que se formaé o
materialde
partida paraa
formação devariados compostos de cadeia curta como o diacetil, acetoína, acetatos, acetaldeído e etanol (Marilley & Casey,2OO4; Belitz et al., 2004).
O
citrato, também constituintedo
leite,é
metabolizado por microorganismos citrato-positivos que não utilizamo
citrato como fontede
energia, mas metabolizam-no em conjunto com a lactose ou outro açúcar, deste metabolismo os principais componentesdo
aromaque se
formamsão
acetatos,o
diacetil,a
acetoínae
o
2,3-butanediol (FIGURA 1.2) (Mcsweeney & Sousa, 2000; Marilley & Casey, 2004).Aroma do Quelio lntrodução "À* dmtll
-w
I rpl i--,zt*o* : 2rswft-,l nrl'---l-*" !\. "**\
\ eê'el \---s ,Á*v' ,*-oi'. w:qúig*rçíltz é T -;*' -\o* \-j_ -'r'\-w âmaw É&EtltÉ úü.aEWE
r,!cT{6É. eÉrô*tdd5F
f*."
\,b'-nl f õ&§ gã6 6s3Iü dÍIIIi l -a{htE $* u"ef; llE{.ÍrÚ*íEFigura 1.2; Vias para
o
metabolismo do citrato em lactococci citrato-positivase
LeuconasÍoc sp(Mcsweeney & Sousa, 2000)
1.1.1.2
Proteólise e catabolismo de aminoácidosA
proteólise da caseína éo
evento mais complexoda
maturação do queijo, tem uma contribuição directa no sabor através da libertação de péptidos e aminoácidos (Yvon eÍ al., 1gg7; Martinez-cuestaet
at., 2001; Marilley&
casey,2OO4: Mcsweeney & sousa,2000), muitas vezes associados ao sabor amargo que
é
geralmente considerado um aspecto negativo. (Belitzet
at., 2oo4;sousa
et
al., 2oo1)A
proteólise não contribui apenas para a formação do aroma, mas afecta também a textura do queiio (Belitz et al',4 2004).
Aroma do Queiio
lntrodução
Na maioria dos casos a hidrólise inicial das caseínas é catalizada por enzimas contidos
no
agente coagurante vegetar,o
extracto da flordo
cardo cynaraL'
(Roseiroet al"
2003), ou no agente coagulante animal comoa
quimosinae
a pepsina'e
em menor extensão por enzimas do leite como
a
plasmina, catepsina D e outrasproteinases de células somáticas. A produção de pequenos péptidos e aminoácidos livres
é executada pera acção
de
proteinasese
peptidases microbianas (Mcsweeney&
sousa,
2000; sousa
et
a1.,2001), processo em que as bactérias lácticas têm um papel importante(Yvonetal.,l997;Martinez-Cuestaetal''2001)'
os
aminoácidoslibertados
não
contribuem
directamentepara
o
aroma'
mas indirectamente como percursores de outros @mpostos (Yvonet
at"
1997;
Martinez-cuesta
et
ar.,2001),
que
incruema
amónia,aminas,
ardeídos,álcoois,
ácidos carboxÍlicos, fenóis
e
indole, contribuindo todos parao
aromado
queiio (Tabela1'1) (McSweeney & Sousa, 2000)'
o
catabolismo dos aminoácidos consiste, em termos gerais, emtrês
passos
de
um processo complexo:ao
primeiro
pertencemreacções
como
a
descarboxilação' desaminação, transaminação, dessulfuração e hidrólise das cadeias laterais; o segundo passo envorvea
conversãodos
compostos resultantes (aminase
a-cetoácidos)' e tambémdos
próprios aminoácidos livresem
aldeídos, principalmentepor
acção de desaminases sobre as aminas; o terceiro passo correspondeà
redução dosaldeídos em álcoois ou à sua oxidaçáo em ácidos carboxílicos (Tavaria
et
at',2oo2; Mcsweeney & sousa,2000; yvonet
al.,1gg7; Beritzet
at., 2OO4).os
enzimas das bactérias lácticassão
os
principais agentes envorvidos neste processo (Martinez-cuestaet
al''
2000;yvon
et
al., 1gg7). Estas bactérias comoflora
adventícia surgemdo
ambiente da queijaria ou do proprio reite, são encontradas em números reduzidos no dia do fabricomas tornam-se dominantes no queiio maturado (Kieronczyk et al',2003)'
í.1.í.3Lipóliseemetabolismodeácidosgordos
A lipolise dos triacilgliceróis do leite durante a maturação do queijo deve-se
à presença de enzimas lipolíticos: hidrolases que quebram a ligação éster entre um ácido gordo e
o
griceror com a formação de ácidos gordos livres, mono
e
diacilgliceróis (collins et al''Aroma do Sueiio
lntrodução
2003; Mcsweeney
&
sousa,
2000;Mariley
&
Gasey, 2004).os
enzimaslipolíticos consitem em esterases ou lipases que podem ser provenientes do leite,
do preparado do agente coagulante, de bactérias que crescem no leite ou de microorganismos que se desenvorvem durante
a
maturação (Arewijnet
ar-,2005; Mcsweeney&
sousa'
2000; Nogueira et aí.,
2005)-os
ácidos
gordos rivres, especiarmenteos de
cadeia curta
e
média, contribuemdirectamente
para
o
aroma,
mas
arém disso
estes
compostossão
também
os percursoresde
uma sériede
reacçÕes catabólicas que levamà
produçãode
outras moléculas como ésteres, lactonas, (metil-) cetonas, aldeídos
e
álcooissecundários (collins
et
a1.,2003; Mcsweeney & sousa, 2000; Martinez-cuestaef
al', 2OO1;Alewün
et
ar.,2005;
curioni
&
Bosset, 2002)que
apresentam gerarmente característicasdistintas para o aroma e baixos rimites de percepção (Nogueira ef al., 2005)'
Tr:arylglYcertde
I
frêeFEEry ÀciÍ15 Ltpore p-osiúaaoa p-Seteacds geceoda4r Alcolsls F+sr&ss!c + 4- os 5-HydsorPcids yerô Lscrcets ü-use,wa?tsd &ry sci&s l Lac'"eperPs:da:e + HydroçerroridsserI
+ Hyôop,eosde Acids .álcsb.oE Ss:et
áldehydas Free Fafiy.q'€idÊFigura í.3: Lipórise e catabo[smo de ácidos gordos livres (co[ins et ar-,2003)
os
ésteres são alguns dos compostos voláteis mais comuns no queiio' formam-se porreacções de esterificação que ocorrem entre ácidos gordos de cadeia curta e média
e
Aroma do Sueifio
tntrodução
álcoois primários e secundários derivados da fermentação da lactose ou do catabolismo
de
aminoácidos(collins
et
a1.,2003; Curioni&
Bosset, 2OO2; Bellesiaet
al',
2003; Marilley&
casey,
2OA4; Engelset
al., 1gg7).Este
processoestá
associado ao metabolismode
leveduras,de
algumas bactérias lácticase
tambéma
reacções químicas, sendo a disponibilidadede
álcoois (principalmente etanol) o factor limitanteda
síntesede
ésteres (Hollandet
al.,200s;
Fernández-Garcíaet
al',
2004a)' Da reacçãodos
ácidos gordos livrescom
grupos sulfidrilo livres formam-se tioésteres (Collinset
at., 2003; Mcsweeney & Sousa' 2000)'As
lactonas são ésteres cíclicosque se
formam por esterificação intramolecular de ácidos gordos hidroxirados coma
perda de água e formação de urna estrutura cíclica (Nogueiraef
ar., zooS), sendoas
principais ractonas no queiio as y-e
as
õJactonas (Mcsweeney&
sousa,
2000).
A
formaçãode
ácidosgordos
hidroxilados ocorre geralmente por oxidação na glândula mamária (collinseÍ
al-,2003). A formação das
y-e
ô-lactonas
a
partir
do
ácido
gordo
hidroxilado
correspondente
ocorreespontaneamente,
desde
que
o
ácido gordo tenha
sido
libertado
pela
lipÓlise(Mcsweeney
&
sousa,
2000).As
ractonas podem também ser formadasa
partir de ácidos gordos insaturados por acção de ripoxigenases.
o
potencial para aprodução de lactonas depende
de
factores comoa
arimentação,a
faseda
lactaçãoe a
raça do animal (Collins et al-, 2003)'
As cetonas com número de carbonos par ou ímpar são produtos de variações nas vias metabóricas microbianas usuais para a degradação de lípidos (Bellesia
et
al'' 2003)' A
B-oxidação
e
descarboxilaçãodos
ácidos gordos livres levamà
formaçãode
metil-cetonas que dominamo
aroma dos queiios de bolores azuis-A
taxade
produção de met*-cetonas no queijo depende de factores como a temperatura, pH, estado fisiológico do bolor e con@ntração de ácidos gordos (collins
ef
al-,Zoo3)- As metil-cetonas podemser reduzidas nos correspondentes álcoois secundários, um processo que é
reversível
em
condições aeróbias (Mcsweeney&
sousa, 2000; Belitzet
al', 2oa4i
Fenández-7 García et al. ,2004\.
Aroma do Queiio
lntrodução
os
aldeídos lineares são derivadosda
auto-oxidaçãode
ácidos gordos insaturados (Beilesiaet
al., 2003), este processo ocorre com a formação de hidroperóxidos, que porsua vez são degradados em hidrocarbonetos, alcoóis e nos compostos carbonilo (Ziino et al., 2005).
1.1.2
GontribUição doS Gompostos voláteis para o aromaEmbora tenham sido identificados centenas de compostos na fracção volátil do queijo' apenas uma pequena parte contribui de facto para o aroma (Frank
et
al-,zomi
Belitz efa1.,20O4: Curioni & Bosset,2OO2)' Baseado na avaliação sensorial e na análise química
têm sido
identiÍicados vários gruposde
compostos como sendo responsáveis pelo aroma finardo
queijo, nestes incluem-se ácidos gordos, ésteres, aldeídos, álcoois' metil-cetonas, compostos sulfurados, hidrocarbonetose
lactonas(Ayad
et
al''Zoa{; Tabordaet
al., 2003; Costaet
al',2004)'os
ácidos gordosde
cadeia curtae
média apresentam baixos limitesde
percepção sensorial contribuindo parao
perfildo
aromade
uma grande variedadede
queiios
(Noguei ra
et
al., 2OO5), sendo no entanto muito variável consoante o tipo de queijo aconcentração de ácidos gordos livres adequada para um efeito positivo sobre o aroma' concentraçÕes excessivas podem resultar num aroma
a
ranço (Nogueira efaí''
2005; Mariley & casey
,Zl}4ipinheiro
2001; Ziinoet
at., 2005; Curioni & Bosset'
2OO2Los
ésteres, em especial os ésteres etílicos fornecem um carácter frutado e floral; alémdisso
contribuempara
o
aroma
do
queiio
minimizandoas
notas
desagradáveis derivadas dos ácidos gordos (Gurioni & Bosset,20O2; Nogueira et al', 2005)'Aos
aldeídos alifáticossão
associadosaromas
herbáceos(Ziino
et al''
2005)'
A presençade
T
e
ô-lactonasé
importante parao
aroma Íinal,pois
fomecem notasfrutadas
e
apresentam reduzidos rimitesde
percepção'As
notasa
manteigade
um queijo pouco curado devem-se à presença de compostos como o diacetil (BeliE et al''2OO4). Os compostOs sulfurados produzem a nota a sulfuroso, fornecendo
notas a alho ao queij
o
camembertcurado (Marilley & casey, 2004)'Aroma do Queiio
lntrodução
um outro grupo de compostos da fracçao volátil do queiio são os terpenos que derivam da alimentação dos animais produtores
de
leite. Estes são componentes importantes em queijos fabricados em regiões alpinase
de forma artesanal, surgindo das plantas que constituem a mistura de fonagens da pastagem (curioni & Bosset,2oo2i
Panseri efaL,2OA4).
A
contribuição de terpenos para o aroma do queijo permanece' noentanto' controversa (Curioni & Bosset, 2002)'
o
impacto global de qualquer componente único e função da sua concentração total' dasua
interacçãocom
outros compostos voláteise
da
sua
interacção Goma
matriz(Noguei ru
et
al.,2oo5). No queijo o limite de percepção de um compostoe
fortementedependente da matriz
e
de outros componentes que podem modificara
qualidade da percepção organorépticade
um dado composto (Marilley&
casey, 2004)'
Entre os compostosdo
aromaé
dada especiar atenção àqueres que fornecemum
impacto caracterÍstico ao aroma do produto (Beritzet
al., 2004; curioni & Bosset, 2002)'Na tabela 1 .1 apresentam-se alguns exemplos das notas para o aroma conferidas
por alguns compostos voláteis no queiio'
lntrodução
Aroma doQuelio
voláteis no aroma do
referência
Nogueira et al-,2005; Gosta et al',
20M
útic ut al., 2ocp,; Home et al',
2005
Curioni& Bosset,2002
Marilley & CaseY, 2004; Nogueira
etaL,2005
Marilley & CaseY,2004 Marilley & CaseY,2004
Marilley & GaseY,2004
Curioni& Bosset,2002
Curioni& Bosset, 2002
Curioni & Bosset' 2002; Frank et
al.,2Oo4.
Curioni & Bosset, 2002; Frank et
a1.,2004
Curioni& Bosset, 2002
Frank et al., 2004; Curioni &
Bosset,2002
Curioni & Bosset,2002
Nogueira etal-,2005
Costa
et
€1., 2004 Curioni &Éosset,2002 Nogueira et al',2005
Nogueira ota[,2OOí Gurioni& Bosset,2002 Curioni& Bosset, 2002 GurÍoni& Bosset,2002 Tabela
í.í:
composto dertvados do da lactose e clüato acetoÍna diacetil acetaldeído derivados degradação de amlnoácldos 3-meülbutanal e 2-meülProPanal 3-meülbutanol, 2metilbúanol e 2meülproPanol ácidos isovalerico, 2-meülbuttrico e isobutÍrico benzaldeído feniletanol metional da de ácidos gordos 2-heptanona 2-nonanona ésteres etílicos ô-dodecalactona ô-decalactonaácido butanÓico e hexanÓico
ácido octanoico nonanal terpenos ([-pineno linalool L-carvona de características uns descrição
notas a manteiga e acoalhada ácida notas a manteiga
doçe, Pungente, verde
notas doces, frutadas, a maçã, a queÜo
odor alcoólico, notas frutadas
aromas doces, a ranço, fecal, putrido e a
fruta podre amêndoa amarga aroma floral
batata/vegetais cozidos
musff, sweet, moldY, varnish floral, frutado, a Pêssego
frutados e florais
nota leve
a
Pêssego, aroma doce' aqueijo, a coco
nota a Pêssego' coco e natas
forte, Pungente, a queÜo estábulo, ranço, Pungente '
herbáceo
erva, verde
doce, floral, laranja herbáceo
lntrodução Análise lnstrumenhl do aroma
1.2
ANÁLISE
INSTRUMENTAL
DO ARONíA
O objectivo da análise da fracção volátil de um alimento consiste na maioria dos casos
em
relacionara
sua
composiçãocom
os
atributos sensoriais.A
elucidação da composiçãodo
aroma
de
qualquer alimentoé
levadaa
cabo
em
vários
passos,devendo
ser
conduzidasem
conjunto análises
instrumentaise
sensoriais- Os compostos do aroma estâo incluídos em diferentes classes químicas,e
geralmente a concentraçãoda
maioriados
componentesé
inferioraos
limitesde
detecção dos detectores usados na instrumentação analítica (Aishima,T.2OA4; Belitz et a1.,2004). Embora actualmente nenhum método possa ilustrar rigorosamentea
composição do aromade
uma amostra,o
primeiro passo na sua análise consiste no isolamento dos compostosda
matrize
na
sua concentração,os
procedimentos baseiam-sena
sua volatilidadee
sotubilidade em solventes orgânicos, pois são características partilhadas por estes compostos (Supelco 1998; Aishima,T. 2004; Krings eta1.,2003)-O
método de escolha paraa
separação dos compostos do aromaé a
cromatografia gasosa (GC), acopladaà
espectrometriade
massa (MS) torna-se uma ferramenta poderosa para a identificação dos compostos presentes.Um instrumento inovador em que é feita uma abordagem da análise do aroma global é o nariz electronico (EN), recentemente denominado e-nose, que consiste num sistema
de
sensores combinados que foram desenvolvidoscom
o
objectivode
mimetisar osistema
olfactivo humano. Emboraesta
aproximaçãonão
tenha
tido
o
suoesso esperado,é
possível conseguir alguns resultados na classificação do aroma usando técnicas de reconhecimento de padrões, tais como a análise de componentes principais (PCA) (Aishima,T. 2004).1.2.1
preparação daAmostra:
isolamentoe
concentraçãodos
compostos do aromaEmbora algumas amostras possam ser directamente analisadas tal como são, a maioria necessita
de
algumtipo
de
pré-tratamentopara
a
posterior análiseem
diferenteslnúodução Anátise lnstrumental do aroma
instrumentos analíticos.
A
preparaçãoda
amostra desempenhaassim
um
papel essencial para uma análise com sucesso (Hyôtylâinen & Riekkola, 2004).Os objectivos da preparação da amostra são o isolamento dos analitos de interesse e o aumento
da
selectividade, sensibilidade, confiança, rigore
repetitibilidade da análise-Além da extracção, a preparação da amostra requer frequentemente procedimentos de limpeza,ro
casode
matrizes complexas,e
tambéma
pré-concentração dos analitos (Hycitylâinen&
Riekkola, 2004; BaltusseneÍ
al., 2OO2; Abdel-Rahimet
a1.,2000)- Osmétodos
de
pré-tratamento devem ser fáceis de manuseare de
automatizar (Abdel-Rahimet
at., 2O0O), devem evitara
produçãode
artefactos(Belitz
et
al.,
2OO4) e requerer um número de passos mínimo,já
que os riscos de perdae
contaminação da amostra se agravam com a complexidade do método diminuindo assim a Íiabilidade da análise (Hyoslâinen & Riekkola, 2004). Diferentes técnicas têm maior ou menor aptidão para analitos específicos e combinações analitos-matriz (Baltussen efa1.,2002)-1.2,1.1
Extracção estáticaAs técnicas de extracção estática assentam na difusão dos analitos da amostra para uma fase de extracção com o objectivo final de atingir o equilÍbrio entre as duas fases.
A
selecção da fase de extracção baseia-se no princípio de que uma substância tem sempre mais afinidade para uma fase com propriedades semelhantes àsda
propria substância. Por exemplo para extrair um composto apolar de uma matriz polar, deve ser usado uma fase apolar. Para promover a difusão do analito da amostra para a fase de extracçãosão
muitas vezes usados procedimentos comoa
agitação, estes afectam apenas o tempo requerido para atingiro
equilíbrio, não afectandoo
proprio equilíbrio nem outras propriedades do processo estático. Em técnicas de extracção estática todaa
fase
de
extracçãoestá
em
contactocom
toda
a
amostra duranteo
processo (Baltussen ef al.,ZOOZ).O factor mais importante que governa a extracção estática e a constante de distribuição
K, definida como:
lntrodução Análise lnstrumental do aroma
Equaçâo í
K=%--*'*V^
=m'x0
CA mA VE
mAonde Ce
é a
concentraçãodo
analito na amostraem
gL-', Ceé a
concentração do analito na fasede
extracção emgL-l,
ÍnRé a
massado
analitoque
permaneoe naamostra êm g, me
é a
massa do analito na fase de extracção êm g, Ve é o volume da fase de extracção em L e Vn é o volume da amostra em L. B representa a tazâo de fase do sistema de extracção estático e e def,nido como VnA/r (Baltussen eÍ al.,2OO2'1.A
massatotal
do
analito
no
sistemapode
ser
definidacomo
ffltot(-
ffie
+
md, rescrevendo a equação 1 tem-se uma expressâo mais útil que representa a eficiência da extracção (q = ms/m1d: Equaç§o 2 I ,I --'
plK+l
A
eficiênciada
extracçãoé
usualmente expressaem
percentagem,e
comotal
é geralmente conhecida como recuperação (Baltussen eÍa1.,2002)-Da equa çáo Z é importante notar que os únicos dois termos que afectam a recuperação da extracçâo são B
e
K. Para constantes de partição muito elevadas o numerador tendepara
a
unidade levandoa
uma recuperação 100%. Razõesde
fase
muito grandes (volume da fasede
extracção muito pequeno comparado como
volume da amostra)levam
a
um
numerador etevadoe
consequentementea
uma
recuperação baixa (Baltussen ef al., 2OO2).Na prática
K
é
uma constante maisou
menos fixa que depende principalmente das propriedades do analito, das característicasda
amostrae
da fasede
extracção. B é escolhido atravésda
selecção dos votumes das fases usados, de formaa
assegurar uma recuperação elevada coma
menor quantidadede
fasede
extracção possível-Deveser no
entanto notadoque
em
condições estáticasa
extracção nunca estálnüodução Análise lnstrumenbl do aroma
completa
e
que uma parte dos analitos permanece sempre na amostra mesmo gue o valorde K
seja muito elevadoe o
valorde
p seja
muito reduzido (Baltussenef
a/.,?oo2).
Como a elrtracção estática assenta na distribuição dos compostos no equilíbrio
e
nãona
extracção exaustiva, pode ser considerada uma técnica fácil, fiávele
directa. No entanto deve ser assegurado que o valor de K se mantenha igual em todos os ensaios, mantendo constantes todos os factores que vão influenciar o equilíbrio químico, comopor
exemptoa
temperaturaque
tem
um
efeito dominante sobreas
constantes de equilíbrio e distribuição (Baltussen ef al.,2OO2).1.2.1.2
Extracção dinâmicaNa
extracção dinâmicao
contactoentre
a
fase
de
extracçãoe a
amostranão
é efectuado todo de uma só vez. Muitas técnicas de extracção dinâmica assemelham-seà
cromatografia poissão
baseadas numa fase estacionária (usualmentea
fase
de extracção) e numa fase móvel (usualmente a amostra). Enquanto na extracção estáticaa
agitaçãoe
outros processos dinâmicos consistem apenas num meio paraque
oequilíbrio seja atingido mais rapidamente, em procedimentos
de
extracção dinâmica estes processos são necessários para assegurar uma extracção completa (Baltussen efal.,2OO2'1.
Neste processo, normalmente, uma amostra líquida ou gasosa
é
passada através da fase de extracção que pode ser um material absorvente, a concentração dos analitos nafase de extracção irá aumentar entre
o
inícioe o
final da extracção (Baltussenet
al-,2002).
1.2.1.3
AdsorçãoMuitas técnicas
de
preparaçãoda
amostra actualmente disponíveis assentam no isolamento dos analitos de interesse da amostra (gasosa, líquida ou sólida) usando um material adsorvente. Os adsorventes consistemem
materiais porosos com uma área superficial interna elevada (tipicamente 5-1000m'g-t) e os anatitos são temporariamente aÍmazenados na superfície do adsorvente.A
libertação dos compostos pode ser feitalnúodução Análise lnstrumenbl do aroma
por desadsorção térmica
ou
por desadsorção lÍquida,em
queé
feitaa
remoção dos analitos do material adson ente usando um solvente orgânico (BaltusseneÍ
al.,2OO2l. A superfície de um adsorvente contém grupos activos (locais de adsorçao) onde se vãodar
as
interacçõescom
os
analitos. Dependendoda
naturezado
adsorventee
do analito a interacção pode ir de ligaçÕes muito fracas, tipo van der Waals, a interacçôes muito fortes, como interacções iónicas. A intensidade da interacção também determinaqual
o
processode
desadsorção necessário:a
desadsorçâocom
solvente permite quebrar interacçÕes adsorvente-analito fortes, enquanto a desadsorção térmica permite apenas quebrar interacçôes relativamente fracas (Baltussen et al.,2OO2).Na extracção estática com uma fase adsorvente os analitos são retidos numa superfície activa que contem um número fixo de locais de adsorção, durante o processo atinge-se o equilíbrio entre os analitos presentes na amostra e aqueles adsorvidos na superfície da
fase
de extracção. No entantoa
aplicação de adsorventes em extracção estáticapode
trazer alguns efeitos indesejados;pois
na
extracção simultâneade
diversos analitos vai ocorrer competição entre estes para os mesmos locais de adsorção, além disso, os compostosda
matriz que estão presentesem
concentrações relativamente elevadas podem bloquearos
locais de adsorção levandoa
resultados imprevisíveis e irreprodutíveis (Baltussen ef al., 2O02).1.2.1.4
AbsorçãoOs
absorventes consistemem
materiais homogéneos,não
porosos,nos quals
os analitos podem de facto dissolver-se. Durante a extracção, os analitos não vão sofrer uma ligação ao material, mas são retidos neste pordissolução (Baltussen efal.,ZOOZ)-Os
materiais absorventessão
um
grupo
de
polímeroscom uma
temperatura de transição vítrea (Tg) inferiorà
temperatura em quesão
usados duranteo
processo extracção-armazenamento-desadsorção.Esta
é
uma
condição altamente relevante, pois a uma temperatura acima da sua Tg um material polimérico deixa de se comportarcomo um
sólido,
assumindoum
estado
que
apresenta propriedadescomo
as constantesde
distribuiçãoe
constantesde
difusão semelhantesàs
dos
solventeslnEodução Análise lnstrumental do aroma
orgânicos. No entanto estes materiais actuam apenas no modo de absorção acima da
sua
Tg,
sendoeste
meoanismo perdido como
arrefecimento abaixoda
sua
Tg
e tornando-se o polÍmero num adsorvente com uma ârea superficial reduzida (Baltussen et al.,2OO2l.A estabilidade mecânica dos absorventes é usualmente conseguida através de ligaçÕes
cruzadas, que asseguram que a fase de extracção
vai
mantera
sua forma mesmo a temperaturas elevadas. O aperfeiçoamento dos procedimentos de extracção com fases absorventes diferentes é baseado nas diferentes aproximações e geometrias em que o absorvente é usado (Baltussen eÍ a1.,20021.Um absorvente muito comum
é
o
polidimetilsiloxano (PDMS), esteé
um polímero de siloxano substituÍdo a 100% com grupos metilo, bastante usado como fase estacionária em cromatografia gasosa.A
popularidade deste material deve-se ao facto de ser muito inerte, reduzindoo
riscode
perdasde
analitos instáveis e/ou polarespor
adsorção irreversível ou por reacção catalÍtica na superfície (Baltussen ef al.,2OO2)o
o-Figura í.4: Estrutura do polidimetilsiloxano (PDMS), um absorvente comum com Tg=-125oC (Baltussen et al.,2OOZ)
Atém dos polímeros acima do seu Tg, também os solventes orgânicos, água e gases ideais são considerados fases de absorção, em que os solutos são retidos puramente
por
dissolução
(em
concentrações suficientemente
baixas).
Concentrações suficientemente elevadas para alteraras
propriedadesde
dissoluçãosão
raramente encontradas na práticae
a extracção estática por absorçãoé
assim usualmente uma aproximação muito fiável (Baltussen ef al.,2OO2).CHr S -CH: S CH: CHr n
í6
lntrodução Análise lnstrumental do aroma
1.2.1.5
Extracção do espaço de cabeçaNa
análisede
aromas faz-se frequentementea
extracçãodos
compostos voláteis presentes no espaço de vapor acima do alimento, por extracção do espaço de cabeça(Bichi
et
al.,
20O4;Acosta
et
al.,
2OO4:Povolo,
M.
&
Contarini,G.,
2003)-
O procedimento de extracção do espaço de cabeçaé
simples: as amostras devem estar seladas,a
uma
temperatura determinadae
deve
ser
dado tempo
para
que
se estabeleça o equilíbrio entre os compostos voláteis ligados à matriz do alimento e entre os que estão presentes na fase de vapor (Belitzet
al., 2004; Acostaet
al., 2004). A extracção do espaço de cabeça permite que se preservem as características naturais da amostra (Povolo, M. & Contarini, G.,2003)-A extracção pode ser estática, fazendo a amostragem de uma alíquota da fase gasosa acima da amostra ou efectuando
a
pré-concentraçâo dos compostos presentes. Pode também ser realizada a extracção dinâmi@, em que os compostos são arrastados por um gás inerte atravésde
um polímero adsorvente (Povolo, M.&
Contarini, G.,2003; Belitz et al., 2004).A composição do vapor depende de muitas variáveis, sendo um parâmetro crítico para assegurar procedimentos precisos
a
temperatura.A
tendênciade
uma
molécula do aroma evaporar está principalmente ligadaao
seu ponto de ebulição,o
aumento da temperatura aumenta a pressão parcial de um composto, mas acresce sempreo
riscoda
obtençãode
uma
composiçãodo
aromanão
representativae
da
formação de artefactos (Kringsef
al., 2OO3; Belitzet
al., 2OA4). O comportamento de partição de um composto está também associadoà
matriz, diferindo consoante os constituintese
as propriedadesde
ab/adsorçãoda
própria matriz (Baltussenef
alZOOZ; Kringset
al., 2003),o
aumentodo
conteúdo em lípidos diminui consideravelmentea
libertação de voláteis para a fase gasosa (Rabe et al-'2OOZ)-1.2,2
Técnicas de extracção/concentração de compostos do aromaEntre os métodos mais comuns usados na preparação
da
amostra paraa
análise de aromas, estãoa
extracçãoe
destilação simultânea (SDE) (Gómez-Ruizet al.,
2OO2;lntrodução Análise lnsürumental do aroma
Freire, L.V. 2OO2),
a
extracção dinâmica do espaço de cabeça (GardineÍet al.,
1999; Nogueiraet
a1.,2005), o método purga-e-armadilha (Valeroet
a1.,2000; Bugaud et al-, ZOOI), a extracção líquido-líquido e a microextracção em fase sólida (SPME) (Aishima,T 2004).Durante algumas
décadas
variaçõesda
técnica
de
SDE
fornecerama
resposta necessária para a análise dos compostos do aroma.A
técnica consiste na extracção combinada com a destilação (a pressão normalou
ligeiramente reduzida) usando umsistema
desenhadopor
Likens
e
Nickerson,para
efectuara
concentração dos compostos voláteis usando solventes com baixo ponto de ebulição (Belitz et al-, 2004).Este
método permitea
obtençãode
amostras representativas,mas
é
crítico
naprodução de artefactos. Assim, entre as desvantagens do SDE pode-se contar com a
perda
de
algunsdos
compostos voláteis,com
a
oxidaçãode
lípidos, hidrolise de esteres, reacçôes de Maillard e degradação de açúcares. (Krings et a1.,2003)A
destilação em vácuo, outra formade
isolamento dos compostos do aroma permite transferir as moléculas do aroma a temperaturas mais baixas que o SDE (Avsar et al., Z0O4; Kringset
at.,2003). Embora eficiente, esta técnica envolve equipamento delicadoe pode ser demasiado moroso para a maioria das aplicações (Frank eÍ
al.,2OO4l-Um método de preparação de amostra atractivo é a extracção em fluído supercítico que exptora
as
propriedadesde
um fluido supercrítico (tipicamenteo
COz). Esta técnica podeser
realizadano
modo estáticoou
dinâmico (Jublotet al.,
2OO4)e
pode ser acoplada à cromatografia gasosa. O COz supercrítico apresenta boas propriedades de solvente para compostos apolares, podendo estas propriedades ser modificadas com a adição solventes polares; a eficiência da extracção depende da optimização da pressão e da temperatura que têm de ser ajustadas em conjunto (Hy<r$Iâinen & Riekkola, 2004: Jublot et al.,2OO4: Martins et al., 2000).Na extracção dinâmica em fase sólida os compostos voláteis podem
ser
isolados de uma matriz sólida ou líquida purgando a amostra com um gás inerte (Nz, CO2, He) e fazendo a adsorção dos compostos voláteis num potímero comoo
Tenax, Porapak Q,Chromosorô 105 ou Carbotrap 20/40. A recuperação dos compostos pode ser feita por
lntrodução Análise lnstrumenhl do aroma
desadsorção térmica ou recorrendo a solventes (Gardiner
et
al., 1999; fchem; Nogueira et al., 2005).Bicchi
et
al. (2004) utilizaram o método de extracção dinâmica em fase sólida do espaçode
cabeçapara
a
análiseda
fracçãovolátil
em
matrizesde
alimentos, usando a chamada "agulhamágica'
introduzidapela
Chromtech (ldstein, Alemanha), cujas paredes internassão
revestidas interiormente com50pm
PDMSe
carbono activado (10%). Na extracção do espaço de cabeça, um volume fixo é aspirado com uma seringa de 2,5mL um determinado número de vezes, acumulando-se o analito no polÍmero. Esta demonstrouser
uma
técnicacom uma
capacidadede
concentração elevada, boa repetitibilidade e precisão intermédia.Uma outra técnica frequentemente usada na análise de compostos voláteis, que efectua
a
extracçãoe a
concentraçãodos
compostoscom
recursoa
equipamento mais sofisticadoé a
purga-e-armaditha (Povolo, M.&
Contarini, G., 2003; Bugaudet
al.,2001 ; Tabord a
et
al-, ZOO3; Bellesiaef
al., 2OO3; Franket
al.,zAOq. O processo incluitrês passos distintos: a purga com um gás como
o
He,a
adsorção dos analitos numa armadilha(por exemplo
Tenax)e a
desadsorçãodos
compostosa
temperaturas elevadas.Uma técnica relativamente recente
já
aplicada na análise de compostos do aroma de vinho (Hayasakaet
at., 2003),e
tambémna
determinaçãodo
aromado
queijo por extracção do êspaço de cabeça (Gianief
al., 2OO4),é a
extracção por absorção embarra
de
agitação (SBSE).O
processo consiste numa extracção estática através da agitação com uma barra de agitação revestida com PDMS por um tempo determinado, apóso
tempode
extracçãoa
barraé
removidae é
feita a
desadsorção térmica ou líquida dos analitos (BaltusseneÍ
a1.,2002). A tecnica de SBSE permitiu superar o limitede capacidade de concentração do SPME (Bicchi et at., 2004), em parte devido à maior quantidade de revestimento de PDMS presente (Hayasaka et a1.,2003).
lntrodução Análise lnstrumental do aroma
1.2.3
Microextracção em fase sólida (SPME)O SPME
é
um método de extracção e pré-concentração, que elimina a neciessidade de solventesou
equipamento complicado (Supelco, 1998),foi
desenvolvido por Arthur e pawlisryn (l gg9)na
Universidadede
Waterloo (Ontario, Canada) paraa
análise de compostos orgânicos cloradosem
água.
Desdeentão
a
aplicaçãodo
SPME foi estendidaa
diversas matrizes lÍquidas, gasosase
sólidas em campos muito variados comoo
ambiente, área clínica ou área alimentar (Valoret
al.,2OO1; Doleschall, etal-2003),
sendo
actualmente consideradoum
método
de
preparaçãode
amostra estabelecido (Lee, et at.2003; Pérês, et al.2001; Costa et a|.,2004).O
componentechave
na
técnica
de
SPME
é
uma fibra
de
sílica
fundida
com comprimentode
cerca
de
1cm,com um
diâmetro externo tipicamentede
150pm, revestida com um polímero (fase estacionária) com uma espessura de 5 a 100pm cujas características influenciam a extracção (Xiaogogen & Peppard 1995; Zhang & Pawliszyn1993; Freitas
et
at.,2OO1; BaltusseneÍ
al.,2002: Supelco, 1998).A pequena fibra está contida dentro de uma agulha e ligada a um êmbolo num suporte semelhante
a
uma seringa (Figura 1.5),que
permite expora
fibra
para efectuar a extracção, retrai-ta para o armazenamento e perfurar os septos, tanto do injector como dos frascos das amostras (Baltussenet
al.,ZOOZ; Supelco,lntrodução Análise lnstrumental do aroma t a I I a a I a t a I I a a I a , a a I I a I I I a t I t I I I ! t I I I t I a I I I a I a I , a , a spht"dafrra Füra , a , I I ! I a I I a I I a I I t
Figura í.S: Sistema para a extracção por SPME adaptado de (Vas & Vekey, 2OO4\
A
extracção pode ser efectuada por imersão directa na amostra, no caso de matrizes líquidas,ou
por
extracçãodo
espaçode
cabeça,no
casode
matrizes líquidas ou sólidas. O septo do recipiente da amostra é perfurado com a agulha e a fibra é exposta, permitindoa
partição dos anatitos entre a fase estacionária e a matriz ou entre a fase estacionáriae
a fase de vapor acimada
amostra, consoantese
fizer a extracção por imersão ou do espaço de cabeça (Vas &Vekey,2OO4)-Apos a extracção é feita a desadsorção dos analitos para a separação cromatográfica; pode ser efectuada