THESE
APRESENTADA
A
FACULDADE DE
MEDICIIN4
DA
BAHIA
E
QUE
DEVE SUSTENTAR
EM NOVEMBRO
DE
1865
PARA ORTER
O GRÁO
DE
DOUTOR EM
MEDICINA,
ALEXANDRE
AFFONSO DE CARVALHO,
NATURAL DA
BAHIA
Interno
da
ClinicaMedica,
Filho legitimo
tionegociante
*natricwlatlo
»IoséAffonso
€le
CarvulHo
e
Ou
Mto#a
jfâttria tletFesus
Vurvalho.
« Lanature suffit seule aux
animam
pourtoutles choses,elle saitelle
—
mème
ce qui leur est nécessaire, sans avoirbesoin qiCon le lui conseigne et sans Vavoirappris de personne. Elle est le
premier médicindesmalades, etce w'esí qu7
en favorisant ses efforts que Voa
obtientquelquessuccés.»
BAHIA:
TYPOGRAPH1A
DA
«CONSTITUIÇÃO»
DE
F. A.DE
FREITAS
Rua
das Campellas n. 40.FACULDADE
DE
MED
ICINA
DA
BAHIA.
O E\m.
Sr. Coiis.Dr. João Baptista dos Anjos.VICE-DIRECTOR
O
I'\m.
Sr.Conselnero Vicente Ferreira de Magalhães.
LENTES PROPRIETÁRIOS.
1.°
ANNO.
OS SENHORES DOUTORES. MATÉRIASQUE LECCIONÃO.
Cous. Vicente Ferreirade Magalhães . Physicaem geral, c particularmente em suas
applicaçõesa Medicina.
Francisco Rodrigues da Silva
....
Chimica e Mineralogia.AdrianoAlves de LimaGordilho. . . Anatomia descriptiva.
2.°
ANNO.
AntónioMarianodo Bomfim
....
Botânica e Zoologia António de Cerqueira Pinto Chimica orgânica.. Physiologia.
AdrianoAlves'de Lima*GoVdftlho. . . Anatomiadescriptiva,sendo
osalumnos
obri-gadosadissecçõesanatómicas.
3.o
ANNO.
Elias José Pedroza Anatomia geral e pathologica.
José de GóesSiqueira Pathologia geral.
....
Physiologia.••.•'•
4."
ANNO..
Cons.Manoel Ladisláo Aranhas Dantas Pathologia externa. AlexandreJoséde Queiroz.- . . .
'p^J^
e deMatinas Moreira Sampaio ^
^nhuT
rece^-nascidos.5.o
ANNO.
Alexandre Joséde Queiroz
....
P3100^*'"
16™
3'.
-oa Medicina operatória e JoséAntónio de Freitas Anatomia topographica, Medicina p
apparelhos.
JoaquimAntónio d'01iveira Botelho . . Matériamedicae
therapeutica. 6."
ANNO.
Domingos RodriguesSeixas Hygiene, eHistoriada Medicina.
Salustiano Ferreira Souto Medicina legal. António José Ozorio Pharmacia.
Autonio José Alves Clinicaexterna do3. c
4.
António Januário deFaria Clinica internado5. e
o-1ENTES
OPPOSITORES.
José Affonso Paraizo de Moura. . .
Augusto GonsaNes Martins
-Domingos Carlos da Silva . . . •} SecçãoCirúrgica.
Ignacio Joséda Cunlia
....
Pedro Hibeiro de Araújo....
Nozendo Aprigio PereiraGuimarães. .^ Secção Accessona.
José Ignacio de Barros Pimentel. .
VirgílioCliuiaco Damazio
...»
Demétrio CyriacoTourinho . . •
Luiz Alvares dos Santos ^ Secção Med.ca.
Jsão Pedro daCuuha Valle. . . .
JerónimoSodré Pereira
SECRETARIO INTERINO—
O
Si\Di\
Thomaz
de
Aquino
Gaspar.
OFFICIAL
DA SECRETARIA—
O
Sr.Br.
José
TlieotonioMartins.
J'J J\J J vAiViJVi VJvAJVi Vi vi 'J Vi VJJVi ViVJV/VJ'J 'JJVJ 'J VJV/V'JVJJJJ\JVJJJ
ViVi ViJViVÍ'JVf
DISSERTAÇÃO.
Cen'est qu'encomparant que nous pou-vonsjuger; nos connaissances roulentroème
entièrement surles rapports que leschoses ont aveccellesqui leurs ressemblentouqui
endifTèrent,et s'il rTexistaitpas d'animaux, la nature de 1'hommeserait encore plus incompréhensible.
(Buffon.)
PRIMEIRA PARTE.
CHLOROSE
E
ANEMIA.
, estudo
da
chloroseeda
anemia,emprehendido
porHyppocra-V
tes e pelos príncipesda
medicinana
historia das cachexias, dascacochymias e das diversas espéciesde amenorrhéas,
mais
tardetor-nou-seo assumpto de
discussõesimportantíssimasentre os apóstolosQuantas
hypotheses, quantas theoriasnão
appareceram
então, cada qual procurandodescortinar anatureza eas differenças existen-tes entre estasduas entidades mórbidas!Mas,graças ás analyses
de
ÀndraleGavarret,uma nova
era raiou paraassclencias medicas. Estes grandes práticoschegaram
a pro-var á toda evidencia, pormeio de
suas analyses,que
a chlorose e aanemia não
sãomaisdo que
uma
e amesma
moléstia,apresentan-do
como
asdemais que
compõe
oquadro
nosologico, formasmais
oumenos
variadas,segundo
as condições orgânicasi«uaes
desenvol-Clilorosc
e
anemia.
vem
para os indivíduos sujeitos áraás condições hygienicas,como
a alimentação insufíicienle, grosseira,ahabitaçãocm
logaresinsalu-bres,
húmidos,
privadosem
parteou
totalmenteda
radiação solar,expostosá
emanações
telluricas, palustres etc?Qual
a distincção entre aanemia que
semanifesta para ohomem
entregue álocubrações nocturnas, attacadodecopiososfluxos
hemor-rhoidaeseachlorose provenientede
uma
metrorrhagiaexcessivaetc? Poder-se-haconsiderarque
aanemia,que
seapresentan'uma
mu-lher robusta, creada
na
brisaamena
dos campos,ou
parauma
jo-vem
nevropathica, habitando logares infecciosos, se declarecom
omesmo
cortejo desymptomasquea
anemia
occasionada por tubér-culos pulmonares, metrorrhagias, cancrosno
útero,no
estômago etc?Não
de certo.E
deveremos
nósconsideral-as outrastantas entidades pathologi-casdifferentesumas
das outras,ou
seráamesma
moléstiarevestin-do-se
de
caracteres diversos,segundo
as causasque
lhesderam
origem?
«
Nós não somos do
numero
d'aquellcsque
julgam que,além
da
lesão constante dos sólidosedos
líquidos,não
ha
certezaem
patho-logia.Temos
repetido muitasvezesque
as perturbações funecionaesevitaes nosfornecem caracteres tão positivos
como
as alteraçõesdeque
tratamos. Mas,quando
nãoacharmos
sinão incerteza nas per-turbações funecionaesenoscaracteres clínicos,seremos
muito feli-zes si encontrarmosuma
alteraçãohumoral
constante,que
nossirva de critério. E' precisamente oque
tem
logarna anemia.«
A
analyse chimica veiomuito
a propósito para nosfazer crer,que
a diminuição dos glóbulos e ahydroemia nunca
faltam nos ca-sosem
que observamos
a chlorose e aanemia. (Monneret.)Abriqualquertratado
de
pathologia; ledecom
a maisapurada
attenção as discripções destesdous estados mórbidos; aanatomia
pathologica, a etyologia, a symptomatologia, amarcha, a duração,aterminaçãoeo tratamento; comparai-as ao depois; e a final haveis
de
confessarcomo
o illustre Valleix:que
de tudo isto é precisocon-cluir,
em
difinitiva, que, si a chlorose apresentana
sua appariçãoalgumas
particularidades interessantes,não
differeaté opresentede
uma
maneira
essencial da anemia, porque é ao estadodo
sangue,á diminuição de seus materiaes sólidos, principalmente dos gló-bulos,
que
é preciso recorrer paraexplicar a existência dossymp-tomase
a suaordem
de
apparição.O
sangue doschloroticosedosanemicos,segundo
osSrs. AndraleGavarret, apresenta
na
sua composição intima gradaçõesna
diminui-ção deseus glóbulos,
que
formam
o caracter constante,fundamental, d'estasduas entidades pathologicas.Chlorose
eanemia.
Os
glóbulossanguíneos,que no
estadonormal conservam
a suamedia
physiologicade
127:1000, offerecem agoraum
abaixamento
notávelna
sua quantidade, apontode
chegarà 05, 50,28
e até á 21.;emquanto
que
a fibrina, aalbumina
não soffrem alteração alguma;pelo contrario conservam-se
em
seu estadonormal,exceptonoscasosem
que
a diminuição dosglóbulos é devida à perdas excessivasdo
fluidosanguíneo,
porque
então todos os outros elementosconstituin-tes
do
sanguevem
a participar.A
parte serosaaugmenta
consideravelmentede 790
á 915,econ-tém
uma
quantidade excessiva d'agua emenos
saes solúveis.O
coalho apresentana
suasuperfícieuma
côdea espessa, e émais denso que no
estado normal, tanto mais quanto a moléstiatem-se
approximado
de seumaior
grau de intensidade.À
presença d'estesdous
phenomenos
no
sangue doschloro-ticos e dos
anemicos
induziu alguns práticos á classiíical-asna
classe das phlegmasias;mas
o Sr. Andralque
com
o Sr.Borsiére já
tinham
notado a manifestação d'estesphenomenos,
tira-ram
uma
conclusão muito diversa:que
toda côdeanão
écarac-terística de
uma
phlegmasia,poisque
ellatem
logar nestesdous
es-tados pathologicos.
«
A
manifestação desta côdea, diz o Sr. Andral, è devida á pró-pria alteraçãoque
osangue
experimentaem
sua composição; porque,como
já vimos,havendo
diminuição dos glóbulos, e afibrinaconser-vando-
seno
seu estadonormal, acha-se necessariamenteem
excessorelativamente aos glóbulos diminuidos.
E
toda vezque
esse excessotem
logar, quer elle seja relativo, quer absoluto,eque
a coagulaçãoda
fibrina não se passe rapidamente, estephenomeno,
ha
deappa-recer. Eis a razão
porque
nos chloroticos e nosanemicos
o sanguepôde
ser codeoso e nos plethoricos não o é; e a explicaçãoda
den-sidade edamaior
fimezado
coalho, oque
não sedá na
plethora.»O
Sr.Leber
éde
opiniãoque na
chlorose ha, èverdade,diminui-ção dos glóbulos sanguíneos,
mas
manifesta-seuma
tendência aoaugmento
dafibrina.Berard considera
na
chloroseuma
diminuição notáveldos gló-bulos sanguíneos, efundando-se n'isto procura dara explicaçãoda
diminuição
do
ferroexistenteno
sangue.Diz elle:
em
um
pesodeterminado
de coalho para oschloroti-cos, e
em
outro peso igualde
coalho paraum
individuono
estadonormal
a analysetem
apresentado amesma
proporção defer-ro.
Porém
que
nos chloroticoshavendo
diminuição dosglóbulosha-veria
uma
menor
quantidade de matériacorante,eque havendo
me-nor quantidade
de
matéria corante haveriamenor
proporção defer-ro
em uma
quantidade determinada de sangue.Segundo
Bequerel (chimica pathologica)ha
três graus differentesClilorose
c
anemia,
o
segando
entre80
e 100, e o terceiro,que
éoque
senotaespecial-mente na
chlorose confirmada, entreÍ0
e 80.C. Bernardo, tratando das alterações
do
sangue por modificação das quantidades de seus elementos, diz o seguinte: « relativamenteaos glóbulos, sua diminuição parece causar
um
estadomórbido
bem
determinado, a chlorose.
«
Comprehende-se que
n'esta moléstia, caracterisada poruma
vitalidade
menor,
as perturbaçõesque
seobservam
são ligadas ácondiçõesphysiologicas
anormaes
creadas pelafaltade
glóbulos.»Além
d'istotodos os órgãosda economia
participamem
geraldo
estado de pobrezaem
que
se acha o sangue; sãodescorados, exan-guesealguns atédiminuídos de volume.Comparando-se
as diversas condições pathologicas,que
podem
dar logar ao apparecimento
da
chlorose eda
anemia,chegamos
cada vez mais á confirmação
da
identidade existente entre estas duas moléstias.Assim,
na
chlorosecomo
na
anemia, ostemperamentos,
nervo-so,lymphatico, as constituiçõesfracas,uma
alimentaçãoinsuficien-te,
má,
a habitaçãoem
logares insalubres,húmidos,
privadosda
radiação solar, o abuso das bebidas alcoólicas, as vigilias successi-vaspredispõem
deum
modo
notável á manifestação tantode
um
como
deoutro estado mórbido.A
mulher, chegadaáépocha
da
puberdade, apresentauma
ten-dência irresistível a contrahir
um
estado,que
setem
denominado
chlorose, procurando-se distinguir
de
outro idênticoque
também
sepassa
no
homem,
aoapproximar-se d'essaépocha, áque
setem
cha-mado
anemia;porém
que,na
opiniãodo eminente
praticoo Sr. Val-leix,éumae
amesma
moléstia, pois a chloroseem
suaessência não è sinãouma
anemia.Procurando-seestabelecer
uma
differença capital entreuma
e outra moléstia,tem-se considerado omorbus virginumcomo
um
es-tado pathologico consecutivo á suppressão
do
fluxo catamenial. Cabanis, Sauvages,Desormeaux,
Bleyn e outros apresentaram factosem
que
a chlorose se declaravacom
todo o seu cortejode
symptomas,
não só paramulheres
em
que
o fluxo das regras seef-fectuava de
um
modo
conveniente,mas
também
para aquellasem
que
ellejánão mais
se manifestava.Segundo
o Sr.Bleaud,em 26
casosdechlorosebem
caracterisadapara raparigasde 11 á
32annos,
quinze,em
épochas determinadas,continuavam
como
d'antes a ser menstruadas.Tudo
isso levou-os a considerar aamenorrhéa, não
como
a cau-sa únicado
morbus virginum,mas
simcomo
uma
complicação,que
tem
por fimaugmentar
a alteraçãoprimitivado
sangue; d'onde aChlorose
e
anemia.
explicação
da
chlorosetão frequentena
puberdade,quando
os mens-truos seestabelecem difficilmente.A
anemia, na
opiniãode
alguns, édevida quasi exclusivamenteá perdas excessivas de sangue ,
emquanto que
a chlorose é quasisempre
espontânea, lenta a desenvolver-se, lentaem
desamparar
os doentes, e susceptivel de reproduzir-sedebaixoda
influenciadeuma
causa a mais insignificante possível.Isto só servirá de base para estabelecer-se
uma
distineção capi-tal entre estas duas moléstias?A
chlorose nãopode
sertambém
de-vida á perdas excessivasdo
fluidosanguineo,da
mesma
maneira que
aanemia pode
ser devida á muitas outras causas,que
tenham
porfim produzir a desproporção dos elementos constituintes
do
sangue enão unicamente
áhemorrhagias, e apresentarcomo
a chlorose amesma
lentidãono
seu desenvolvimento e amesma
susceptibilidadena
sua reproducção?AfTecções diversas, cujasede e natureza são
completamente
dis-tinctas,mas
em
que
a alteração áque
dão logarno
sangue ésem-pre a
mesma,
são muitas vezes as causasda anemia
eda
chlorose.Assim
obram
a maior parte das lesõesdo orgam
centraldo
ap-parelho circulatório,
do
apparelho respiratório,do
systema cerebro-espinhal,do
apparelho gastro-intestinal,do
apparelhorenal, aspi-rexias etc.
Dentre as causas producloras da chlorose e
da anemia
para amulher,
ha
uma
que
deve merecer toda a attençãodo medico
pra-tico, e
que
infelizmente era desconhecida pelos nossos antepassa-dos: é o estadode
gestação.As
observações dos Srs. Andral e Gavarret,Regnauld
ePour-chat
provam—
que
o sangue durante o periodode
prenhezexperi-menta
nos seus elementos modificações dignas de attenção; isto é,que
a fibrinaaugmenta
a partirdo
sexto aonono
mez;que
aalbu-mina
diminue
gradualmente;que
os glóbulos soíTremum
abaixa-mento
notávelna
sua cifra normal;emquanto que
a agua crescede
um
modo
espantoso;emfim
que
o sangue torna-se cada vezmenos
denso.
A
influencia dasemanações
dos preparados dechumbo
sobre aeconomia, por
algum
tempo, desenvolveum
estado cacheticoem
que
osangue deixa ver amesma
alteraçãoque acabamos de
obser-var
na anemia
ena
chlorose.O
estudo comparativode
todo o apparatode symptomas
deque
se revestem a chlorose e aanemia
não nos deixa ao espiritoame-nor
duvida
sobre a sua identidade.Sobre os
que
se passain nosapparelhos vascular e nervosoéque
*í Clilorose r
mi
riuia.são abússola
que
nosconduz
ao diagnostico differencialentre estas duas moléstias e todas as outrasque
compõem
oquadro
nosologico.À
percussãodo
orgam
centralda
circulação revela-nosou
que
elle conserva o seu
volume
normal, ouque
tem
sofíridoaltera-ção nassuas dimensões.
A
auscultação fornece-nos resultados ainda mais interessantes.Assim
applicando-se o ouvidoarmado
ou
despido de stetoscopiona
região precordial, ouve-se ao principio os batimentosdo
coração tu-multuosos, mais oumenos
enérgicos,segundo
o estadode
exaltaçãodo
systema nervoso.As
palpitaçõessuccedem-se
pari-passoumas
ás outras, a talponto
que
incommodam
aos doentes,mormente
quando
seacham
sob a influencia,de
uma
causa qualquer capazde
exci-tar a innervação, a circulação,
dando
logar ao appareciraentode
lipothymias, syncopes,que
as vezes tornam-se funestas,principal-mente
paraas mulheres,em
que
por assim dizer existeumadiathese
nervosa.
Concentrando
cada vez mais toda a nossaattenção sobre osphe-nomenos
íntimos, cujo theatrode
manifestação é o coração,perce-be-se
no
primeirotempo
da evolução cardíacaum
ruido de sopro,brando,
que tem
sua sedena
basedo
coração, eque
irradiando-seem
grande partedo
thorax, nas carótidas,no
epigastrio leva-nosmuitas vezes á confundiresse ruido
com
oque
se passa nos prin-cipaes troncos arteriaes.Em
auxilioaosdados
colhidos pelaauscultaçãodo
coraçãovem
os resultadosda
observação dosphenomenos,que tem
sua sedenos prin-cipaes vasosdo
organismo.Com
effeito,levando-seo stetoscopio sobreas artériascruraes,carótidas etc, principalmente a direita, ouve-se
um
ruidode
sopro intermittente, claro, correspondendo á diástolearterial.
Além
d'esse ruido intermittente,applicando-se odedo
para fora da inserção inferiordo
externo-cleido-masthoide,no
bordo
supe-rior ena
extremidade internada
clavícula, tendoantes o cuidadode
que
os tecidos estejambem
estendidos, omento
levantado, a face voltada para o lado opposto, percebe-seum
tremor similhante aoque
produzuma
cordade
instrumentoem
acção; signal esteque
al-guns
práticostem
considerado cornopathognomonicoda
chlorose e da anemia.A
auscultação ahi revela-nosum
ruido continuo, as vezes sono-ro, outras vezes obscuro, musical, assemelhando-se ao cantomonó-tono
da
roula,que
o grandeLaénnec
denominou
canto das artérias ou canto modulado.Em
alguns casos,porém,
o ruido continuo, coincidindocom
o ruido intermittente, deque
acabamos
de fallar, dálogar aoappare-Chlorose
e
anemia.
*cimento
de
um
phenomeno,
que
Bouillauddenominou
soproconti-nuo
de dupla corrente ou ruido do diabo, isto é,um
ruidode
sopro continuo apresentando accessos correspondentesá diástole arterial.O
apparelho cerebro-espinal torna-se a sedede
manifestaçõespathologicas
do
maiorinteresse aos olhosdo
observador.A
tristeza, o abatimento, a melancoliasão oscompanheiros
in-separáveis doschloroticos e dos anemicos.
À
sensibilidade e omovimento
revestem-se de caracteres maisou
menos
exagerados,segundo
ograumais ou
menos
adiantadodo
mal
e as condições orgânicas individuaes.A
sensibilidade, tanto geralcomo
especial,augmenta-se
muitasvezes,
dando
logar á sensaçõesde
frio,ao apparecimentode
nevral-gias faciaes, intercostaes, dentarias, schiaticas, hemicranias,
cepha-lalgias,vertigens,sensaçõessubjectivasdos apparelhos
da
visão eau-dição, amaurose, hallucinações, dilirio, gastralgias, paralysias;
fi-nalmente
todasnevrosessem
excepçãopodem
ser apreciadas.A
intelligenciae a contractilidadeenfraquecem; os doentesnão
procuram
sinão o repouso,porque
omenor movimento
éimmedia-tamente
seguidode
palpitações, lipothymias, sincopes etc.Na
mulher, por exemplo, todos osphenomenos
nervososapre-sentam
caracteres muito mais aterradores; pois,como
acabamos
de dizer,sendo
ellas dotadas deuma
diathese nervosa, concorrepode-rosamente
ao apparecimentode
todos estessymptomas
com
muitomais
intensidadeque no
homem.
O
pulso éordinariamente fraco, desigual, irregular,acceleran-do-se ao
menor
movimento;
outras vezes se apresenta cheio,de-senvolvido, vibrante, ondulante;
emfim
depressivel, molle, quasi imperceptível aosdedos
do
observador.Os
dados
colhidos pelo habito externo são auxiliares de grande importânciano
estudoda
chlorose eda
anemia.A
pelle apresentaum
matiz descorado, assemelhando-se á cera envelhecida, sobre tudo noslábios ena
conjunctiva, signal esteque
(em
sido considerado por muitospráticoscomo
um
auxiliarde
gran-pesono
diagnostico differenciald'estesdous
estados pathologicos.O
descoramento
vai proseguindocom
passos agigantados ápro-porção
que
o sangue vaiperdendo de
seus glóbulos.Em
alguns ca-sos os doentesconservam
asua cornormal
que,segundo
Monneret, deve-se attribuirà condições orgânicas individuaes.O
olhar é lan-guido, amortecido; as carnes flaccidas,conforme
o gráo deadianta-mento
do
mal,magrem,
edémacia
nas extremidades, boufjissureno
rosto, as veias subcutâneas abatidas, os vasos capillares imperceptí-veis, raras vezes
derramamentos
nas grandes cavidades,equando
te-nham
logardevemos
attribuir áuma
alteraçãoque nãoaquellaque
s
Chlorose
eanemia.
apparelho gastro-intestinal deixa rara vez
de
ser alteradoem
sua funeção peculiar.
Na
epidemia de Anzin
ossymptomas
gastro-intestinaes
predominavam
-a todos os outros,eera sobre ellesque
osmédicos dirigiam
com
particularidade toda a sua attenção.Anorexia, pega, malacia, náuseas, vomiturações, vómitos,
di-gestões laboriosas
com
desenvolvimento de gazes,borborygmos,có-licas, meteorismo, constipação etc. ,são
pouco
maisou
menos
ossymptomas
fornecidos pelo apparelho digestivo.A
respiração ordinariamente franca, accelera-se aomenor
aba-lo,
como
pelo trabalhoda
digestão, as evacuações sanguíneas,ou
quando
as outras palpitaçõesse manifestam, eentão torna-seancio-sa, irregular, difficultosa, etc.
Quanto
aos órgãos genito-urinaiios, partecipam quasisempre da
atonia geral; outras vezes desenvolve-seuma
excitaçãovenérea
bastante considerável. Paraalgumas mulheres
o fluxo catamenial é diminuído, mais descorado, soròso, doloroso; outras vezesha
uma
perfeitaamenorrhéa
ou
é substituido porum
fluxo leucorrheicoabundante;
em
alguns casos,porém,
manifesta-seuma
meteorrha-giaabundantíssima,ou
alguma hèmorrhagia
supplementartem
to-gar,como
epitaxis etc.As
ourinas esbranquiçadas, aquozas, acidas,contem
meno
ssaes, uréa, acido úrico e uratos; e são
menos
densasque no
estadonormal.
A
marcha
da
chlorose eda
enemia
variasegundo
as causasque
lhesderam
origem.Conforme
a maioria dos autores, aanemia
nos casos ordináriostem
uma
marcha
lenta: os primeirossymptomas que
seapresentam
são o descora
mento da
pelle, as perturbaçõesdo
orgam
centralda
circulação;
pouco
depois vão se manifestando asalteraçõesdo
appa-relhodigestivo,locomotor,a canceira
no
actoda marcha,
asnevroses,as nevralgias, e todos os outros
symptomas que
a caracterisam.Nos
casosem
que
aanemia
édevidaáperdas excessivasde
san-gue, ou nas epidemias, todo o cortejo
de
symptomas, que
a constituo,apparece rapidamente
sem
guardara
menor
relaçãono
seumodo
de
apparição.Na
chlorose amarcha
também
é lenta, chronica, e apresenta amesma
ordem
na
manifestação dossymptomas que na
anemia,não
proveniente de perdas excessivas do fluido sanguíneo.
Mas
nos casosem
que
a chlorosepode
ser produzida por perdas de sangue,como
uma
metrorrhagia, urna sangria etc, não terá ellauma
marcha
rápidacomo
na
anemia, e seussymptomas
não seroa-nifestarão da
mesma
maneira,sem
conservarem
amenor
ordem
Chlorosc
e
anemia.
Além
distona
chlorose,que
alguns consideram o apanágio ex-clusivoda
mulher,não
podem
outras causas actuar sobrea suaeco-nomia
impedindo
a terminaçãodo
mal, e por consequênciafavore-cendo
o seu desenvolvimento,como
as affecções moraes, o uso dos atavios, as vigílias, a faltade
cumprimento
das regras prescriptaspela hygiene?
A
chlorose e aanemia tem
uma
marcha
indeterminada, oralen-ia, ora curta.
A
terminação ordinariamente é favorável, outras vezes faial.O
tratamento finalmente,como
dizia opaida
medicina, équem
nosvem
confirmaraidentidade d'estasduasmoléstias,mostrando-nos
qual a natureza delias.
Duas
indicações essenciaesdevemos
preencherno
tratamentoda
chlorose eda
anemia.A
primeira consisteem
debellar omal
alevantando as forçasra-dicaes
do
organismo, restituindo ao sangue osmateriaesde que
ne-cessita para opreenchimento
da
sagrada missãoáque
é destinado;a
segunda
em
combater ou
mitigar a intensidadede
certos phenome-nos,que
revestem-sede
uma
forma
aterradora, sobre tudo para asmulheres.
As
prescripções dosmeios
fornecidos pela hygiene, isto é, affas-tar o individuo omais
possivel de todas as causas originadorasdo
mal, ou
que parecem
concorrer ao entretenimento de suamarcha,
a administração dos tónicos analepticos, representando oferro opa-pelprincipal,
parecem-nos
preencher satisfactoriamenteaprimei-ra das indicações.
O
ferro ingerido achando-seem
relações intimascom
a túnica internado
estômago,em
virtudede
sua acção tópica excitante, con-vida-o a entrarde novo
na
integridadede
sua funeção, favorecendo a absorpção dos principios assimiláveis dos alimentos,que
devem
fornecer os materiaes necessários ao trabalho
da
nutrição;pouco
de-pois dissolvendo-se
no
sueco gástrico étambém
por sua vezassimi-lado e levado aointerior
da
economia, eahi vai desafiar a funeção hematosica dosvasos,queseachapor
assimdizer enfraquecida,dan-do
logar á formaçãode novos
glóbulos contendo o principio ferru-ginoso, enriquecendo d'estemodo
o fluido sanguineo,que
édesti-nado
á espalhar sobre todo organismo o liquido nutritivoempre-gado
nos mysteresda
nutrição e das secreções.Algumas
vezes,porém,
em
certos individuos,que parecem
com-pletamente
zombar
da
acção dospreparadosferruginosos,tornando-se totalmente refractários,
em
virtudede
uma
outra causadesap-parecem,
como
porexemplo
uma
viagem,uma
emoção
agradá-vel,ou
mesmo
debaixoda
influenciaunicamente da
alimentação,IO
Chlorose
o
anemia.
sem
que
concorramos
para issocom
partículaalguma
de
ferro.Tem-se
aconselhadoque
aspreparações insolúveisou pouco
so-lúveis
devem
serempregadas no
começo da
medicação,uma
áduas
vezes por dia,na
dosede
um
á trezgrãosou
maisainda,porém
no
principiode
qualquer refeição;porque
tem-se observadoque
duran-te a evacuação
do
estômago,apparecem
náuseas, arrotos, pesono
estômago, e
em
vez defacilitar pelo contrario difíicultama digestão.Além
disto tem-se chegado a provarque no
começo da
ingestãodos alimentos
ha
maisvantagem
para acçãodo
medicamento;
por issoque
o sueco gástricoahi depositadocontém
uma
grande
quanti-dade
de ácidos, enão
é neutroou
alcalinocomo
acontece antesou
depoisda
digestão.Os
Srs.Desormaux
e Blache dão a preferencia ao oxido negrode
ferro e ao sub-carbonato.Outros
como
os Srs. Merat e Delensempregam
indiíferentemen-te
uma
ou
outra preparação.A
limalha de ferro, o ferro reduzido pelohydrogenio, o hydratode
peróxido de ferro e o sub-carbonatode
peróxidode
ferro sãoaconselhados pelos Srs. Trousseau e Pidoux.
Desde que
os compostos insolúveis são supportados,recorre-mos
aos compostos solúveis, o lactato, o citrato, o tartratoferrico-potassicoetc., persistindo
sempre na
suaapplicaçãoatéque
alguma
modificaçãofavorável seapresente, depois
do
que suspenderemos
o •uso por alguns dias,
guardando
sempre
um
certointervallo,afimde
que
aeconomia
não se ache saturada pelomedicamento,
como
tem-seobservado, depois
da
manifestação dos primeirossymptomas
paramulheres
em
que
os preparados ferruginosos já nãoproduziam
ac-ção alguma.
Toda
vezque
se manifestarem perturbaçõesdo
apparelhodiges-tivo
,como
dyarrhéasetc.eque
oemprego
dosferruginososéindicado,tem-se aconselhado
que
recorramos antes á applicaçãodo
sub-ni-tratode
bismuth,ácalumba,aonitratode prata,para depois deacal-mados
ossymptomas
gástricos entãolançarmosmão
dasprepa-rações pouco solúveis, e
em
dosesdiminutas:quando
pelo contrario éuma
constipaçãoque
tem
logarpodemos
recorrer ao alões,que alem
do
effeitopurgativo determinaacongestão dos órgãos contidosna
ca-vidade pelviana, razão porque
não
devemos
empregal-oem
certas occasiões paraasmulheres, sobre tudo durante o estadode
prenhez,pelo
que
devemos
dar á preferencia a magnesia, ao rhuibarbo, aosulfato
de
soda, purgativos brandosque
nenhuma
complicaçãopo-dem
acarretar.A
segunda
indicaçãopode
ainda ser sufficientemente
preenchi-da
pelo uso dos compostos marciaes,como
os Srs.Trousseau
cPidoux apresentam
factos de gastralgias,nevralgias, asthma,suaap-Chlorose
eanemia.
11
plicação; e
quando
não opossamos
conseguir lançaremosmão
dos calmantes,corno a belladona, o chloroformio,adatura extramonio, os opiáceos e doshemostaticos,como
o perchloruretode
ferro, os ads-tringentes; e finalmente os vesicatóriosammoniacaes,
salpicadosde
sulphato
de morphina,
querjuntoquer separadamente,com
o fimde
destruil-oscompletamente
ou
no
caso contrario mitigar-lhes a violência.Tem-se
também
aconselhadoque
nãodevemos
prescrever ospreparados chalybeados toda vez
que
os indivíduos soffreremde
tu-bérculos
pulmonares no
primeirográo,ou quando tenhamos
suspei-ta
do
estadoem
que
seacham
os órgãos contidosna
cavidadetho-raxica, porque,
em
logarde
produzir-se o effeitoque tinhamos
em
mira,
não
vamos
fazermais
do que
dar origem á manifestaçãode
phenomenos, que
deveríamos a todo transe prevenir.O
Sr. Trousseau,como
a maioria dos práticos, éde
opinião que,nos
casosde
chlorose eanemia
devidas áuma
diathese siphilitica,escrofulosa,
ou
tuberculosadevemos
dar a preferencia ao ioduretode
ferro,medicamento
esteultimamente
muitoempregado,
cujaef-ficacia ê devida
mais
ao iodoque
ao ferro ahi existente.Os
amargos tem
sidoempregados
com
algum
proveito.Finalmente
asemissões sanguíneas aconselhadas porHyppocra-tes e
recommendadas
pelo Sr.Hoffmann
estão hoje felizmentelan-çadas
no
esquecimento; equando
sãoempregadas
por algunsmé-dicos é
em
casosmuito excepcionaes,como
nas phlegmasiasinter-correntes, e ainda assim
com
amaior
prudênciaecircumspecçãona
sua applicação.
Assim, pois, as imaginarias differenças
que
alguns autoresteem
procurado descobrir entre a chlorose e a anemia, constituindo
en-tidades pathologicas
muito
diversas,não
existem.São
uma
e amesma
moléstia, apresentando-se,como
asdemais
que
compõem
oquadro
nosologico, debaixode
formas maisou
me-nos variadas,
segundo
as causasque
lhesderam
origem, e ascon-dições orgânicas individuaes:
em
que observamos sempre
amesma
alteração, isto é, diminuição dos glóbulos sanguíneos,emquanto
que
a
albumina
e a fibrinaconservam
asuamedia
physiologica, exceptonos
casosem
que
são dependentesde
perdas successivas eexcessi-vas
do
fluido sanguíneo;porque
entãoáparda
alteração dos glóbu-losha
aomesmo
tempo abaixamento na
cifra dos outros elementosSEGUNDA PARTE.
Qual
o
modo
de obrar do»
ferruginoso»
no
tratamento
da
anemia
eda
ehlorose?
Desde
ainfima classeda
escala zoológica atéohomem,
a per-feiçãoda
animalidade, importantes são os elementosque concorrem
á
funcçãodo systemada
nutrição. Para aquelles,em
virtudedasim-plicidade e
da homogeneidade de
sua organisação,ha
mysterda
presença
de
um
liquido organisavel,em
que
os sólidosencontrem
todos os materiaesindispensáveis para sua conservação e para seu desenvolvimento;
de
um
corposolido dotado deuma
certa faculda-de,que
Sthalldenominou
tonicidadeou movimento
tónicoeLamark
orgasmo, por intermédio
da
qual reaja sobre o liquido, seuexcitan-te normal, de
forma
a determinar-lhemovimentos
diversos.Da
reacção dos sólidos sobre os liquidos resulta necessariamen-te a troca de seus princípios constituintes; a formaçãode
um
novo
produeto que,
mais
tardenão
convindo fazer mais partedo
orga-nismo, éregeitado; finalmente,
como
consequênciainevitávelda
ac-ção dos
dous
elementosentresi, amanifestaçãodo
calor animal. Paraeste o systemada
nutrição é muito mais complicado.Além
do
que acabamos de
fallar, é desumma
necessidadeo auxiliode cer-tosórgãos,vísceras;umas
encarregadasde
fazerpassar os princípiosde que
elle se servepara sua reparação e parao seu desenvolvimen-toporcertasphasesindispensáveis á tornal-os aptos a preencher asfuneçõesd'aquellesá
que
vãosubstituir; outras, jácom
um
fimmui-to diverso, sãodestinadas a eliminar dos alimentoso
que
ellescon-tém de
supérfluo, eaomesmo
tempo
os materiaes resultantesdo
tra-balhoda
nutrição.Um
systemade
órgãos delicadíssimos—
o systema nervosogan-glionar
—
contém
debaixodo
seu domínio, presideeanima
asfune-ções peculiares á cada apparelho, estabelecendo
uma
perfeitahar-monia
de
acção entreelles; contrahe relações intimascom
osensóriorommum
á advertir o animal á irem
busca dos elementosnecessá-rios á preencherasagrada missão
que
lheé destinada peloCrcador. Mas, secondicçõespathologicas diversasvieremactuar sobre14
Chlorose
e
anemia.
quer dos elementosconstituintes
da
organisação, entidadesmórbi-das
lambem
diversasnão
tardarãomuito
a se manifestar;umas
ca-racterisadas pela insufficiencia dos elementos
que
devem
fazer par-tedo
liquido organisavel—
o sangue; outras pelo enfraquecimentoda
tonicidadeou orgasmo de
todos ostecidos, condiçãosine quanão
podem
mais reagirdemodo
a estabelecer amudança
reciprocade
seus elementos; outras finalmentepodem
ainda se manifestar affec-tando directaou
indirectamenteá força enérgica,constantecom
que
osystema nervosoanima
eregularisaátodos os actosda
economia, ásynergiavital, á força medicatriz
da
natureza, oqueda
logar aoap-
parecimentodadesharmonia,áadynamia,aocollapsodetodasasfune-ções, ao enfraquecimento
da
resistência vital, á todo esse cortejode
phenomenos
que
caracterisam a vida prestes a extinguir-se.Felizmente,
porém,
uma
classede medicamentos,
áque
deno-minam
medicamentos tónicos, é destinada providencialmente á irde
encontroáacção destruidora
que
o principio morbificoespalhou sobrea economia,
ou
como
diz Galeno,acombater
oinimigo corpo acor-po
e derrubal-o violentamente, jádando
aosangue
osprincipios-de que
faz myster parao restabelecimentodesuafuncção
especial; já restituindo aos sólidos oorgasmo de que
necessitam; jáimprimindo
ás forças vivas
do organismo
a resistência vital, erestabelecendo as synergias; d'ahi a divisão dos tónicosem
tónicos analepticos, tónicos reconstituintes etónicos nevrosthenicos.Além
das propriedades caracteristicas,que servem de
estabelecer asdifferenças capitães d'estas três ordensde
medicamentos
entre si,conservam
entretanto amais
perfeita solidariedade.Assim
como
os elementosdeque acabamos de
fallar sereúnem
constituindoum
todoindivisivel,
da
mesma
forma
as três acções tónicas seacham
in-timamente
combinadas, participandouma
das outras, aindaque
indirectamente e
emgráo
muitomenor,
das propriedades queasin-dividualisam.Assim
os tónicos analepticos,além de
sua acção intima sobre osangue, sãoaomesmo
tempo
adstringentese nevrosthenicos; os nevrosthenicos sãotambém
corroborantesou
tónicosdos tecidos; e algunsadstringentes são estomaticos e nevrosthenicos.Deixando de
parte os tónicosadstringentes e nevrosthenicos,li-mitar-nos-hemos a tratar
unicamente
dos tónicos analepticos,com
especialidade
do
modo
de obrar dos ferruginososno
tratamentoda
anemia
eda
chlorose.Os
analepticos, assimcomo
os nevrosthenicoseosdemais
agen-tesdo
arsenal therapeuticoda
matéria medica,produzem
sobre aeconomia dous
effeitosessencialmentedistinctos;um
immediato ou
physiologico,que
parapoder
ser percebido exige a integridadede
todas as funcções, isto é,que
osindividuos seachem
nogoso da mais
Chlorose
c
anemia.
15
perfeita saúde; outro mediato
ou
therapeutico,que
para ter logar necessitada
presençade
um
estado pathologico qualquer sobre oqual
venha
exercer asua acção.Estes
dous
effeitostão distinctosum
do
outroacham-se
as vezes tãointimamente
ligados,de
maneira
anão
deixar perceberamenor
dislincção entre elles,tão confundidos estão.
Às mais
das vezes,porém,
o effeito physiologicoou
immediato
declara-se unicamente,sem
que
o effeito mediatoou
therapeuticotenha logar, o
que
provaa variabilidadeou
incerteza dosmedica-mentos
e porconsequência apouca
confiançana
therapeutica; d'ahi a divisãodosmedicamentos
em
especificos e racionaes,caracterisadosuns
pela suaacção immediata, constante sobre o estadomórbido
que
setem
em
mira
debellar,outros pela incerteza de acção, equando
ella
venha
a semanifestaréas vezesprocurando apparelhosdifferen-tes d'aquelle.
que
tencionávamos attacar,não
mantendo
entre si amais diminuta relação, condição indispensável a efficaciade
qualquer dos agentes
da
matéria medica.Não
obstante algunsmedicamentos
manifestaremimmediata-mente
o seu effeito therapeutico, apontode
sechegaraconfundir asduas acções
uma
com
a outra, e aconstituir osmedicamentos
cha-mados
especificos,com
tudo ellas são essencialmente distinctas.E' verdade,
porém,
que
as vezes passam-se tão rapidamenteno
mesmo
apparelho,que não
chegamos
aperceber sinão a modificaçãotherapeutica produzida,constituindoassimamedicação
denominada
directa,
mas
nem
por issodeixam de
ter logar e distinctamente.Outras vezes,passando~se
em
apparelhos muitodiversosd'aquel-les
em
que
dirigiamos nossa attenção,produzem
desordens outrasque não
aquellasque
desejávamosque
tivessemlogar,constituindo amedicação
indirecta.Seja
como
fôr, oque
é certo é, todos osmedicamentos
sem
excepção
produzem
sobreo organismodous
effeitos essencialmente distinctos,um
physiologico, outro therapeutico,dependendo sempre
o
segundo da
manifestaçãodo
primeiro.A
acção physiologica dos tónicos analepticos,quando
vem
aexercer-se
em
individuosem
que
todas as suasfuneçõesconcorrem
amanutenção
das synergias vilães, manifesta-se porphenomenos
que, apesar
de
serem de pouca
importância,comtudo deveremos
terem
consideração,Os
individuosque
seentregam
depreferencia ao uso quasi ex-clusivode
substanciasimmediatamente
azotadas,ou
d'aquellasem
que entram
em
grande
parte princípios azotados,como
os caldos, as diversas sepeciesde
carnes,de porco,vitella etc,o leite, os ovosede
16
Chlorosc
c
anemia.
muitosoutrosalimentosricosdeprincipiosquaternários, e
que
aomes-mo
tempo
fazem uso dos preparadosferruginosos, aoprincipionão
ex-perimentam
modificaçãoalguma
sensivelque
possaperturbar a inte-gridade desuasfuncções,mas
passadosque
sejam alguns dias o seu apetitegeralmentediminue, asdigeçõestomam
uma
còr assemelhan-do-se aonegro, devido istona
opiniãode
uns
ao acido tanicoou
aoacido gallico
que
existenosalimentos,na
opiniãode
outrosao sulfu-retode
ferroque
ahitem
origem.A
constipaçãodo
ventre éum
dos signaes quasi constantesque
acompanham
ou seguem
ao uso das preparações ferruginosas; adiar-rhéa manifesta-se rara vez. Declaram-se todos os
symptomas
dé
plethora; a cabeça pesada, aintelligencia obtusa, incapacidade
phy-sica para toda e qualquer sorte de trabalho,
somno
profundo, afa-ce entumescida e de
uma
corvermelha mais
carregada, assimcomo
toda a superfície
do
corpo,—
calorincommodo
na
face,ourinasver-melhas, raras, e suores abundantes.
Lesões de maior importância vãose succedendo
pouco
e pouco.A
funcçãodo
apparelhogastro-intestinal faz-secom
diííiculdade,torna-sepenosa,
acompanhada
de
arrotos,pesono
estômago,emui-tos outros accidentes.
Hemorrhagias, phlegmasias apparecem.
Todas
as secreções eexhalações seacham
perturbadascom
ten-dência, a diminuição; e abexigaurinariatorna-se as vezes asedede
uma
forte inflammação, precedidade
pruridoincommodo
no meato
urinário.A
dibilidade, a aberração das faculdades intellectuaes,sensiti-vas e motoras manifestam-se.
Finalmente
amorte
vem
arrebatar asuavictimaem
um
estadode
marasmo
completo.Eis aqui, pois, quasi todos os
phenomenos
que
acompanham
ou
seguem
á acçãoprolongada dostónicos analepticos,principalmentedo
ferro, para os indivíduos sãos e robustos; o contrarioterácertamento
logar para aquelles
em
que
a força assimiladorado organismo
seacha abattida, ou
em
que ha
diminuição dos principios elementa-res constituintesdo
sangue.Diversas
teem
sido as explicações quantas as theorias creadas para provar omodo
de
obrar dos preparados ferruginososno
trata-mento
da anemia
eda
chlorose.Giacomini, professor de clinica
da
universidadede
Pádua,con-sidera o ferro
na
classe dos hyposthenisantes.Procurando
explicaromodo
de
obrar dos preparados ferrugino-sosna
chlorose, apoia-seem
uma
basecompletamente
falsa, á vistaClilorose
e
anemia.
1?
dos
meios de que
a sciencia dispõe para chegar aoconhecimento de
um
grandenumero
de
estados pathologicos, edas alteraçõesque
osacompanham.
«
Para
elle a chlorosenão
émais
do
que
uma
arterite chronica,occasionada ordinariamentepelasuppressão
do
tluxocatamenial, de-vida aochoque
continuadoque
uma
superabundânciana massa do
sangue
tem determinado na
túnicainterna das artérias,augmentan-do
a contractilidade vital, á pontode
collocal-asem
um
estadode
contração
mórbida permanente.
«
Que
o sangue dos chloroticosnão
apresenta modificaçãoalgu-ma
em
sua composição, pelo contrario apresenta ás analyses to-dos os princípiosdo
melhor
sangue, e até émais vermelho que
nos individuos athletas, robustos, apresentandouma
codêa phlogistica.«Finalmente,
que
a acçãodo
ferro é análogaadas sangrias,que
quando
édiminuta
augmenta
a perturbação da circulação,mas
con-tinuando-se o seu
emprego
vão desapparecendopouco
epouco
ossymptomas,
os battimentosdo
coraçãodiminuem
de
intensidade, airritação das ultimas radiculas arteriaes decresce, a pelle recuperaa
sua côr normal, o pulso amplo, cheio etc.
»
Idéas estas
que não
podem
maisser acceitaspela sciencia,á vista dasbellas analysesde Andral
e Gavarret,em
confirmação ásexpe-riências
do
Sr.Le-Ganu
analysesque tem
sido abraçadas pelamaioria dos práticos, e
ultimamente
em
1864
pelosSrs.Berne
e De-iore, professoresda
escola de medicina de Lyon.Os
Srs.Le-Canu,
Berzelius,Robiu
e Verdeil são de opiniãoque
o ferrosendo
absorvido e levado a torrente circulatória vai fazerparte integrante e necessária
da
matéria corantedo
sangue.Outros
como
os Srs. Mulder, Brande, Sanson,Van-Gondiever
dizem
que
o contrario é oque
certamente se dá;que
o ferro não concorrede forma alguma
a coloraçãoda massa do
sangue.Persoz e Hetet
admittem que
o ferro existeno
sangueno
estadode
sulfo-cyanureto.Mialhe attribue a reconstituição
do
sangue pelos preparados fer-ruginosos á presençado
peróxidode
ferro, resultante dadecompo-sição dos saes
de
ferro pelos alcalis existentesno
sangue.«E' incontestável, diz elle,
que
todos ospreparados ferrugino-sos capazesde
reproduzirou de
regenerar os glóbulos sanguíneos,tem
por caractercommum
pôrem
liberdadena
torrente circulató-ria todo o oxidode
ferro,que
entrana
sua composição.« E' pois á este oxido e
não
aos compostos salino-ferruginososque
sua acção physiologicadeve
ser attribuida. »A
formação dos glóbulos sanguíneos è concebida por Mialhedo
seguintemodo:
«
Os
saesde
ferrosendo
absorvidos e levados a torrente18
Chlorose
c
anemia.
latoria,
em
presençado
albuminatoalcalinodo
sangue, sedecom-põem
mutuamente,
produz-seum
novo
sal e albuminatode
ferro, verdadeira basedo
cruor.«Esta decomposição sendo~eslabelecida,
não
seacba
mais ferro nas ourinas,porque
o oxidode
ferro participando então daspro-priedades
de
textura orgânica dos elementos albuminososnão pode
ser mais eliminado dos vasos
que
ocontem.»
Mialhe, não pretendendo explicar o
modo
porque
o seualbu-minato de ferro procede
no organismo
para a formação dosglóbulossanguíneos, apresenta
comtudo
a seguinte experiência, dignade
sermencionada:
«
Derramando-se
em uma
soluçãoalbuminosa
um
sal de peróxidode
ferro precipitadoalgum não
se manifesta,mas
se addicionar-seuma
certa quantidade de cloruretode sodium,
salcommum,
um
precipitado
abundante
tem
logar.Ora
ensina-seem
physiologiaque
os glóbulosde
sangue são solúveisn'aguadistillada enão
n'agua carregadade
sal marinho,como
o soroque
oscontem.Os
glóbulossanguineos
procedem
em
tudocom
as soluções salinascomo
ocom-posto ferrico-albuminoso
de
que
acabamos de
fazerconhecer. »Ultimamente
os Srs.Berne
e Delore,em
um
tratado dephysio-logia publicado
em
1864, apresentam trêsmodos
diversosde
en-carar a reconstituição
do
sangue pelos preparados marciaes,que,se-gundo
adeclaração dos próprios authores,não
passam de
vanshy-potheses:
«Que
o ferro sendo absorvido poderia se ajuntará cada glóbuloem
separado,augmentando
a sua riqueza individual;que
o ferrotornaria a
massa
alimentar mais absorvível,ou
absorvidoestimula-ria por intermédio
do
systema nervoso o organismo,que
tornar-se-hia mais apto a apropriar-se dos princípios reconstituintes dosali-mentos;
que
o ferro administradocomo
medicamento
permitte aabsorpção
do
ferro contido nos alimentos.Os
Srs. TrousseauePidoux consideram
o ferroobrando de
dousmodos
muitodiversosna
chloroseena
anemia:que
oferroingeridoeposto
em
contactocom
amucosa do
apparelho-gastro-intestinal de-terminauma
acção local excitante,que tem
por fim facilitar a func-ção d'esteapparelho, concorrendo a reconstituiçãodo
individuo, eque,
sendo
dissolvidauma
certaporçãono
suecogástrico, éprovavel-mente
absorvida elevadaa torrentecircu!atoria,eahiachando-seem
contado
com
a faceinterna dos vasos,em
virtudede
uma
acçãopu-ramente
vital, vai excitar a funeção hematosicadando
logar aformação
de novos
glóbulos sanguineos contendo o principiofer-ruginoso.
Terminando
é forçoso confessar: até o estado actual dosChlorose
e
anemia.
19
acerca
do
modo
de
obrar dos ferruginososna
chlorose ena
anemia.Quer
a reconstituiçãodo
sanguedependa da
presençado
peró-xido de ferro,como
quer o Sr. Mialhe; quer seja devida ao sulfo-cyanuretode
ferro,como
os Srs.PersozeHetet; quer oferro váfazerparte integrante e necessária
da
matériacorantedo
sangue,como
muitos outros; quer
emfim
obre topicamente, eabsorvido vá exci-tara funcção hematosica,dando
logar a formação denovosglóbulossanguíneos,
como
os Srs. TrousseauePidoux,pouco importa-nos.O
que temos unicamente
em
miraédebellar omal
logoque e\\e
senosapresente,e
quando não
opossamos
fazermitigar-lhe aviolencia.Que
o ferro existeno
sangueninguém
opode
contestar, pois as experiências asmais modernas provam, segundo
Dumas,
que 1000
grammas
de sangue
contem 16 centigrammas
de ferro.Que
o ferro é absorvidotambém
não
resta amenor
duvida;pois as experiências
emprehendidas
pelos Srs.Tiedemann
e Gme-lintem
provado a presençado
ferrona
bexiga eno
sangue dasveias mesenthericas e portal de cavallosá
quem
6 horas antesti-nham
feito ingerir6
onças de proto-sulfato-de ferro.A
observaçõesdo
Sr.Bruck
vem
em
auxilio as experiências dosSrs.
Tiedemann
eGmelin.
Diz o Sr. Bruck: «nós
ignoramos
se o ferro ê realmente oprin-cipio corante
do
sangue,mas
novas experiências sobre coelhostem
permittido provarque
o ferro administradoentraeffectivamen-te
na massa do
sangue: tem-seachado
que
o phosphato, o muriatoe o carbonato e
menos
rapidamente a limalhasão dirigidos e assi-milladosna
dosede
1 grão por dia para osprimeiros edemeio
grãopara a ultima.
«Comparando-se,
continuaoauctor, asexperiênciasque
provam
a absorpçãodo
ferro, vê-seque
para asmulheres
chloroticas o sangue lorna-se cada vez mais vermelho, debaixoda
influencia d'esteme-dicamento; pelo
que
nos parece permittido concluirque
o ferro,quando
mesmo
não
seja acausaimmediata da
coloraçãodo
sangue,augmenta
as partes d'esse fluidosusceptíveis de secorarem
verme-lho pela respiração—
os glóbulos e seus invólucros.A
maneira porque
os preparados ferruginososprocedem na
tor-rente circulatória
dando
logará formação dos glóbulos sanguíneostem
sido o grande desideratumda
sciencia.De
todas as theorias aque
nos parece mais satisfazer ao espirito é a theoriaemittida pelos Srs. Trousseau e Pidoux.Que
o ferro obra topicamente excitando afuncção digestiva, osfactos estão acada passonos
demonstrando;que
uma
certaquantida-de
dissolvidano
sueco gástricoéabsorvida e vai excitar afuncçãohe-matosica,
dando
logar a formação denovos
glóbulos, parece-nosbas-tante provável, pois as experiências
de
Andral e Gavarretprovam
anão
deixar amenor
duvida,que
o caracter anatómicoconstanteda
chlorose eda anemia
é a diminuição dos glóbulos sanguíneos.PROPOSIÇÕES.
SECÇÃO
CIRÚRGICA.
Quaes
as
relações
da anatomia
com
o estudo
e pratica
da
medicina?
1."
—
A
anatomia
é a chave, a base, a luzda
medicina.2.a
—
E' a bússolaque
induz o cirurgião a ircom
mão
certeiraprocurar, entre os
innumeros
órgãosque concorrem
aformaçãodo
organismo, o vaso
que
deve ser ligado, aluxaçãoque
exige serre-duzida, os tumores
que
necessitam ser extirpados, a parteque deve
ser eliminada.3.a
—
E' ellaque
leva o praticona
escolha dos diversosmetho-dos e processos operatórios, e nas differeutes modificações
que
el-les
devem
experimentare nas indicações a preencher.4.a
—
O
estudoda anatomia
constitue o primeiro eloda
grandecadeia das sciencias medicas: é elle
que
nos faz conhecer osdiffe-rentes órgãos
que entram na
constituiçãodo
organismo, as relaçõesque
guardam
entre si, as diversascamadas
deque
secompõe
cadaregião, e os elementos
que entram
n'estas diversas camadas.5.a
—
O
conhecimento
das alteraçõesque
podem
apresentar os diversos órgãos éuma
condição indispensável ao cirurgiãona
esco-lhada
occasiãoem
que
a operação deve ser praticada.6.a
—
Sem
o estudo prévioda
estructura dos órgãos e apparelhosque
formam
o organismo,não
podemos
chegar necessariamente aoconhecimento
dos usos e funcções d'essesmesmos
órgãos e appa-relhos.7.a
—
A
physiologia limita-seaestudarno
estadodynamico
oque
a
anatomia
estudano
estado estático.8.a
—
A
verdadeira physiologiatem
sua origemna
observação ena
experiência.9.a
—
O
organismo,como
diz Bichat,sendo
composto de
ma-chinas particulares envolvidas
em
uma
machina
geral, constituindoProposições.
o individuo, é de necessidade o
conhecimento
minuciosode
todas es-tas machinas, das peçasque entram na
sua construção, edosdiversos usosque
cadauma
deliaspode
prestar.10.a
—
A
anatomia, ea physiologia são bases indispensáveis para oconhecimento da
pathologia,da
clinica eda
medicina.ll.a
—
Sem
conhecer-se a estructura intima dos órgãos,do
co-ração por exemplo, seus usos,como
diagnosticar-se as alteraçõesque
ahitem
logar? Necessariamentenavegaríamos
no maré
magnum
das supposições, eo naufrágio seria inevitável.
12.a
—
Sem
anatomia não
sepode
chegar a descortinar as lesõesque
caracterisam as diversas entidades pathologicas, as alteraçõesque
podem
sobrevir, as indicações a preencher, omedicamento que
SECÇÃO
MEDICA.
Crizes.
l.a
—
Hippocrates e seus discípulos consideravam a crisecomo
oresultado
da
eliminação deum
doshumores
predominante no
or-ganismo, depois de ter experimentado o
phenomeno
da
cocção.. 2.'
—
Phenomenos
críticos,segundo
elles, são evacuações dema-térias mórbidas, epistaxis, matérias mucosas, hemorrhoidas,
uri-nas etc.
3.a
—
As
crisespodem
ser salutaresou
desfavoráveis.4,a_Os
diasde
manifestação das crisesdenominam-se
diascrí-ticos.
5.a
—
Os
dias críticospodem
ser,segundo
elles, decretorios,in-dicadores, intercalares, etc: as crises
podem
ainda se manifestarna
vésperaou no
dia seguinte ao dia indicado.6.a
—
A
definiçãode
crise admittida por Hippocrates, Galeno, eseusdiscipulos,assim
como
adeterminação dos dias críticossãohojeregeitadas.
7.a
—
Crise,segundo
as ideiasmodernas,
ê todamudança
favo-rávelou não que sobrevem no
cursode
uma
moléstia, debaixoda
influencia natural
ou
expontâneado
organismo.8.a
—
As
crises sãosempre
precedidas pelosphenomenos
crí-ticos.
9.a_As
crisesteem
uma
influencia notável sobre a terminaçãoílíiç moléstias
10.a
—
As
crises
sobrevem
ordinariamenteno
curso das moléstias agudas.11/—
As
crisesteem
necessidade muitas vezesde
serprovo-í^íidím