UNIVERSIDADE
FEDERAL
DE
sANTA CATARINA
PROGRAMA
DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM
ENGENHARIA
ELETRICA
AJUSTE
AUTOMÁTICO
DE
CONTROLADORES
PI
PARA
PROCESSOS DE
FLUXO
DISSERTAÇÃO
SUBMETIDA À
UNIVERSIDADE
FEDERAL
DE SANTA CATARINA
PARA
A
OBTENÇAO DO GRAU
DE
MESTRE
EM
ENGENHARIA
ELETRICA
VINÍCIUS
LEÔNIDAS
CURCIO
AJUSTE
AUTOMÁTICO
DE
CONTROLADORES
PI
PARA
PROCESSOS
DE
FLUXO
VINÍCIUS
LEÓNIDAS
CURCIO
ESTA DISSERTAÇÃO
FOIJULGADA
ADEQUADA
PARA OBTENÇÃO DO
TITULO
DE
MESTRE
EM
ENGENHARIA
ESPECIALIDADE
ENGENHARIA
ELETRICA,
AREA DE
CONCENTRAÇAO
SIAUTOMAÇÃO
INDUSTRIAL,
EAPROVADA
EM
SUA
FORMA
FINAL
PELO
CU
SO
DE
POS-`
STEMAS
DE
CONTROLE
EGRADUAÇÃO.
f'-“_-'T_T ,¬ I
Prof.
Aug
toumberto
iapaglia, Dr.Ing. Prof. Danie uan Iágano, M.Sc.On`entador Co-orientador
Prof. Enio
Valmor
Kassick, Dr.Coordenador do
Curso de Pós-Graduaçãoem
Engenharia ElétricaW.
BANCA
EXAMINADORA:
, J
Prof.
Au
‹ stHumb
rto ruciapaglia, Dr.Ing. Prof. Daniel Juan Pagano, M.Sc./g
~ente
(Orientador) (Co-orientador)I/
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' 4
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'
rof. Marcelo Ricardo Stemmer,
lll
Ê:;¿aaÍk¿a“çfWxà&¿m'
Mw
I
A
meus
pais,a minhas irmãs Flavia e Beatriz
AGRADECIMENTOS
Ao
professorAugusto
Humberto
Bmciapaglia pela orientação.Ao
professor Daniel JuanPagano
pela co-orientação e incentivo.Aos
professores e funcionários da Pós-graduaçãoem
Engenharia Elétrica daUFSC.
A
todos os colegas da pós-graduação,em
especial à turma daUFRGS:
Arão
Fischman,Romeu
Reginatto, Alexandre Sanfelice Bazanella e Tristão Júlio Garcia dos Santos.
Ao
CAPES,
aoCNPq
e às empresasRIOCELL
eRIOSOFT,
pelo apoio financeiro.RESUMO
xiiiABSTRACT
xiv
CAPÍTULO
l -INTRODUÇÃO
1CAPÍTULO
2 -CARACTERÍSTICAS
DOS PROCESSOS DE
FLUXO
ll2.1 Introdução ... ..ll
2.2 Dinâmica de
um
Fluidoem
Movimento ... ..l22.2.1 Fluidos lncompressiveis ... ..l3
2.2.2 Fluidos Compressíveis ... .. 18
2.3 Válvulas Pneumáticas ... ..20
2.3.1 Princípio Básico de Funcionamento e Componentes Principais ... ..20
2.3.2 Curvas de Abertura
X
Fluxo das Válvulas ... ..222.3.3 Comportamento Dinâmico das Válvulas Pneumáticas ... ..27
2.3.4 Zona Morta nas Válvulas ... ... ..29
2.3.5 Limite de Velocidade ... ..3l 2.4
0
Modelo das Malhas de Fluxo. ... ..3l 2.5 Comparação do Modelo de Fluxocom
Malhas Reais ... ... ..342.6 Conclusão ... ... ... ..36
CAPÍTULO
3 -AJUSTE
AUTOMÁTICO
DE
CONTROLADORES
PIPARA PROcEssOs
DE
FLUXO
37
3.1 Introdução ... ..373.2 Desempenho
em
Malha Fechada para Processos de Fluxo ... ... ... ..373.3 Metodologia para Obtenção do Ajuste Automático ... ... ... ..42
3.4
O
Caso da Relação 0<
L
/ 2'<
0,1 ... ..5l 3.5 Avaliaçãoem
Simulações do Conjunto Identificação+
Ajuste+
Desempenhoem
Malha Fechada ... ..53vii
3.6 Conclusão ... ... ..55
CAPÍTULO
4 -METODOLOGIA
EEQUIPAMENTOS
DE
TESTE
57 4.1 Introdução ... ... ... ... ..574.2 Sistema de Controle Utilizado pela
RIOCELL
... ... ..574.3
O
Hardware ... ..604.4
O
Software ... ... ... ..644.4.1 Aquisição e Controle ... ..65
4.4.2 Implementação do Ajuste Automático ... ..65
4.4.3 Interface Homem/Máquina ... ..67
4.5 Métodos de Reconhecimento de Malha Aberta ... ..70
4.5.1 Método de Reconhecimento de Smith ... ..73
4.6 Conclusão ... ..74
CAPITULO
5 -AVALIAÇÃO no
AJUSTE
AUTOMÁTICO
PARA PROCEssOs
DE
FLUXO
76 5.1 Introdução ... ... ..765.2 Avaliação
numa
Unidade Experimental de Fluxo ... ..775.2.1 Reconhecimento e Ajuste ... ..78
5.2.2 Comportamento Perante Mudança de Referência ... ..79
5.2.3 Rejeição de Perturbações ... ..8l 5.3 Avaliação do Ajuste Automático
em
Processos Industriais. ... ... ..855.3.1 Experimentos na Malha 45 IFICQ-046 ... ..86
5.3.2 Experimentos na Malha 45 IFIC-139 ... ..89
5.3.3 Experimentos na Malha 45 IFICA-172 ... ..92
5.3.4 Problemas Encontrados ... ..97 5.4 Conclusão ... ... ... ..l02
CAPITULO
6 -CONCLUSÕES
104REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
108ANEXOS
l 14Anexo 2 Características das Malhas Industriais de Fluxo Utilizadas para Testes
Anexo 3 - Diagrama
com
osSDCD
daRIOCELL
... ..Anexo 4 - Algoritmo PID Implementado ... ..
ooooooooooooooooooooooooooooooooo .Q
¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢¢ ao
119 126 128
LISTA
DE FIGURAS
Figura O1 - Projeto TAI: relações entre os parceiros ... ..
Figura
O2
- Elementosnormalmente
encontradosem
processos defluxo
... .. Figura 03 - Representação simplificada dos processos defluxo
... .. Figura04
- Válvula pneumática ... ..Figura 05 - Características inerentes das válvulas ... .. Figura
06
- Característica instaladada
válvula linear paraApm
/Apm
x= 0,1, 0,3 e l,com
R=50
... ..Figura
07
- Característica instalada da válvula igual-porcentagem paraApmín /
Apm
X= 0,1; 0,3 e 1,com R=5O
... .. FiguraO8
- Característica dezona
morta nas válvulas ... ..Figura
09
-Diagrama
de blocos da malha de fluxo: dinâmica da válvula pneumática mais adinâmica
do
fluido ... ..Figura 10 -
Comparação
da curva deum
processo real(45lFICA-172)
com
a curva obtida atravésde
simulaçãodo modelo do
processo ... .. Figura ll -Comparação
da
curva deum
processo real(451FICA-036)
com
a curva obtidaatravés de simulação
do modelo do
processo ... .. Figura 12 -Comparação
entre as respostas de malha aberta e de malha fechada(45lFIC-139) ... _.
Figura 13 -
Comparação
entre as respostas de malha aberta e de malha fechadaFigura 16 - Curvas de
KCG
x L/r parao
ajuste lento ... ..Figura 17 -
Curvas
de T¡/1x
L/r para o ajuste lento ... ..Figura 18 - Curvas
de
KÇG
x L/r para o ajuste rápido ... ..Figura 19 - Curvas de T¡/r x L/r para
o
ajuste rápido ... ..Figura
20
- Avaliação da influênciada
dinâmicado
processo de 3*ordem
sobre odesempenho do
ajuste automático (lento) ... ..Figura 21 - Avaliação da influência
da
dinâmicado
processo de 3*ordem
sobreo
desempenho do
ajuste automático (rápido) ... ._Figura
22
- Sistema decomunicação
com
oSDCD
viaEXCOM
... ..Figura 23 - Ligações dos equipamentos durante os ensaios de
campo
... ..Figura
24
- Estruturado
software implementado ... ..Figura 25 - Tela apresentada pelo software ... ..
Figura
26
-Curva
suavizada pelométodo
de regressões de 2*ordem
por intervalosFigura
27
- Resposta ao degrau típicaem
processos industriais ... ._Figura
28
-Método
de identificação de Smith ... ..Figura
29
- Processo defluxo
de laboratório ... ..Figura
30
- Resposta ao degrau para realizaçãodo
reconhecimentodo
processo...Figura 31 - Teste de referência
do
ajuste lentoem
laboratório ... ..Figura 33 - Teste de perturbação (suave)
do
ajuste lentoem
laboratório..Figura
34
- Teste de perturbação (suave)do
ajuste rápidoem
laboratórioFigura 35 - Teste de perturbação (forte)
do
ajuste lentoem
laboratórioFigura
36
- Teste de perturbação (forte)do
ajuste rápidoem
laboratório.Figura
37
- Testecom
o controle viaSDCD
em
45IFICQ-046
... .. Figura38
- Ajuste lentoem
45lFICQ-046
(teste de referência) ... _. Figura39
- Ajuste rápidoem
45IFICQ-046
(teste de referência) ... ..Figura
40
- Testecom
o
controle viaSDCD
em
451FIC-139
... ..Figura 41 - Ajuste lento
em
451FIC-139
(teste de referência) ... .. Figura42
- Ajuste rápidoem
45 IFIC-139 (teste de referência) ... .. Figura 43 - Testecom
o controle viaSDCD
em
45IFICA-172
... ..Figura
44
- Ajuste lentoem
45
IFICA-172
(teste de referência) ... ._ Figura 45 - Ajuste rápidoem
45lFICA-172
(teste de referência) ... .. Figura46
- Ajuste lentoem
45IFICA-172
(teste de perturbação) ... _.Figura
47
- Ajuste rápidoem
45lFICA-172
( teste de perturbação) ... .. Figura
48
- Oscilaçãono
processo451PIC-018
... ..Figura
49
- Ajuste lentono
processo45 IFICA-036
(com
oscilação) ... ..Figura 50 - Ajuste rápido
no
processo451FICA-036 (com
oscilação)Figura 51 - Testes na válvula da
malha
45IFICA-036
... ..Tabela 1 -
Levantamento
sobre os tipos de controle introduzidos nas indústrias japonesas ... ..O2
Tabela 2 -
Levantamento
dos tipos de malhas nas plantas química e de cloro-soda daRIOCELL
... .. O8Tabela 3 -
Levantamento
dos controladores nas plantas química e de cloro-soda daRIOCELL
... ..09
Tabela 4 -
Levantamento
dosmodos
de controle nas plantas química e de cloro-soda daRIOCELL
... ..O9
Tabela 5 -
Comparação
entre os parâmetros exatos e os parâmetros obtidos pelas fórmulasRESUMO
Este é
um
trabalho de caráter teórico-práticoque
está inseridoem
um
projeto mais amplo,cujo objetivo é desenvolver algoritmos adaptativos dedicados para vários tipos de processos
industriais. Dentro desse escopo, abordam-se neste trabalho os processos industriais de fluxo.
Desse
modo,
a partir deum
estudo sobre ocomportamento
desses processos e deobservações sobre
o desempenho
em
malha fechada,em
condições reais, chega-se aum
ajusteautomático de controladores PI dedicado para processos de fluxo, que atende a determinadas
especificações de desempenho.
Para validar
o
ajuste automático, apresentam-se resultados obtidos sobreum
processo delaboratório e sobre vários processos industriais.
Também
aborda-seum
problema que ocorrecom
relativa freqüência
em
malhas de controle e quetem
origem na válvula reguladora, tendo sidoABSTRACT
This
work
is related to a broader project which aims to develop adaptive control techniques, designed specifically forcommon
industrial processes. In this context, thiswork
dealswith the case
of
industrialflow
processes.Starting
from
a studyof
this kind of process andfiom
practical observations of the closedloop performance, an automatic tuning for PI controllers, in
flow
loops, is obtained, expecting toget a stipulated closed loop performance.
Experimental trials
were
conductedon
a laboratory process andon
some
industrialprocesses in order to validate the automatic tuning.
A
common
nonlinear problem caused byCAPÍTULO
1
INTRODUÇÃO
Os
processos existentesem
indústrias químicas, petroquímicas, de alimentos, de papel e celulose e refinarias, entre muitas outras, constituemum
campo
vasto para aplicações de técnicasde controle automático.
Nos
primórdios da históriado
controle de processos, antes dos anos 40,segundo
Luyben
(1990, p. 6), a maioria das plantas industriaiseram
operadas essencialmenteem
modo
manual, oque
exigia a utilização de muitos operadores e de grandes tanques (denominadosde “pulmões”) entre as unidades de produção pertencentes a
mesma
planta,que
serviamcomo
filtros às perturbações dinâmicas, evitando a propagação das
mesmas
através das unidades.Nos
dias de hoje,
em
razãoda
extensão, da complexidade e da interação entre os processos, passandotambém
pelas exigências de qualidade dos produtos e de redução de custos de produção, éessencial à operação dos processos a utilizaçao de controle automático.
Para realizar controle realimentado nas indústrias, o algoritmo mais utilizado é o
PID
(Proporcional+Integral+Detivativo),
ou
simplificaçõesdo
mesmo
(P e PI). Esses controladorestomaram-se
disponíveis comercialmente na década de 30, e já nos anos40
estavam sendoutilizados na indústria
com
grande aceitação (Seborg,Edgar
&
Mellichamp, 1989, p. 184).Passaram, ao longo desses anos, por diferentes formas de implementações,
acompanhando
aevolução tecnológica, desde as implementações pneumáticas, depois eletrônicas
(com
transistorese circuitos analógicos integrados) e finalmente implementações digitais
com
microprocessadores(Aström
&
Hägglund, 1988, p. 1).Desde
a introdução dos primeiros controladores PID, ocorreu evem
ocorrendoum
grande avanço na teoria de controle,
com
o
conseqüente aparecimento de muitas técnicas maiselaboradas de controle realimentado
do que
os controladores PID.Além
disto, háuma
disponibilidade cada vez maior de meios para a implementação de controladoresem
sistemasdigitais, cuja velocidade de processamento
aumenta
ano a ano, aomesmo
tempo
em
que
o
custode tais sistemas diminui. Apesar deste quadro, aparentemente propício para utilização de novas técnicas de controle, a realidade
do
dia a dia da indústria, revela que o uso de outro controleque
não seja
do
tipoPID
não chega a ser significativo.Tome-se
como
exemplo
o trabalho de Nozaka,publicado
em
1993,onde
ele divulga os dados apresentados na Tabela 1, levantados pelaJEMIMA
(Japan Electric Instruments Manufacturers' Association),em
1990, sobre os tipos decontrole
que
são utilizados nas indústrias japonesas, na qual observa-seuma
proporção de quase 9 controladoresPID
para cada controlador de outro tipo (incluindo-se, neste último, caso asmalhas
em
manual). Considerando-se que o Japão éum
dos países mais industrializados etecnologicamente desenvolvidos
do mundo,
pode-se concluir que se essemesmo
levantamentofosse feito mundialmente, a utilização de controle
PID
provavelmente apresentariaum
valorpercentual ainda mais elevado. Persson e
Aström
(1993),em
outro trabalho apresentadono
mesmo
congresso' ,afirmam
queem
aproximadamente90%
de todos os laços de controle utiliza-se controladores PID.
Quantidade
de
T' lpod
e contro I eapncações
‹%)
PID
convencional 84,5PID
avançadoz 6,8Aplicações de Teoria de Controle
Modemo3
l,5Controle utilizando
IA
(Inteligência Artificial) 0,6Controle
Manuall
6,6Tabela
1 -Levantamento
sobre os tiposde
controle introduzidos nas indústrias japonesas.Esses dados não significam
que
os controladoresPID
são apropriados paradesempenhar
adequadamente
todas as tarefas de controle automático nas indústrias,mas
que
as técnicas'
Apresentado no 129 Congresso Mundial da LFAC (International Federation of Automatic Control), realizado
em
Sydney, Austrália,em
1993.2
Compensação de atraso de transporte, planejamento de ganho, PID
com
ajuste automático, etc.3
Controle linear quadrático, observador de estados, filtro de Kalman, controle preditivo
com
modelo de referência,controle adaptativo, controle l¬l.,.,, controle ótimo, outros. 4
Capítulo l 3
Introdução
recentes de controle ainda encontram dificuldades de
ordem
técnica eeconômica
para seremimplementadas. «
Numa
outra pesquisa realizadaem
plantas de produção de papel e celuloseno
Canadá,observou-se
que
80%
das malhas de controle apresentavam oscilações. Dessas,30%
oscilavamem
razão dealgum
problema na válvula de controle,30%
devido ao ajustedo
controlador e20%
devido ao projeto
do
controlador e/oudo
processo (Bialkowski, 1993). Portanto, está claro que autilização de técnicas de ajuste automático de controladores PID,
ou
novas técnicas de controle,podem
melhorarboa
parte de problemasem
malhas de controle nas indústrias.Dos
muitos fatoresque
podem
explicar a preferência na utilização de controladoresPID
nas indústrias, destacam-se os seguintes (Aström
&
Hägglund, 1988, p. l): 0 éum
controladorque
utiliza realimentação da saida;0
pode
eliminar o erroem
regime permanente através da ação integral; possui ação deantecipação, através
da
parte derivativa etambém
pode
lidar convenientementecom
a saturação dos atuadores através da utilização de técnicas de anti-windup;0 são suficientes para resolver problemas de controle,
quando
os processospossuem
dinâmica “benigna” e exigências de
desempenho
modestas, que é o caso da maioria dosprocessos industriais (p. 25);
0 é familiar aos engenheiros e pessoal técnico, que já
possuem
práticas conhecidas para ainstalaçao, ajuste e operaçao deste tipo de controlador.
A
despeito da familiaridade citada anterionnente, segundo os autores supracitados, os controladores PII),em
geral, não sãobem
ajustados, sendoque
a ação derivativa é normalmentedesativada pela simples razão
que
é dificil de ser ajustada (p. 2). Esse éum
problemaque pode
serfacilmente constatado na prática (para corroborar
com
estas declarações, ver resultados deum
levantamento apresentado à página 8 e na Tabela 3).
O
fato é que a realizaçãodo
ajuste decontroladores na base da tentativa e erro, é
uma
tarefa entediante e muitas vezes demorada, oque
a
toma
custosa.Além
do
mais, esse tipo de ajuste depende muito da experiênciado
técnicoque
o
malhas que
devem
ser ajustadas, oque
acaba levando o pessoal responsável por essa tarefa a colocar “valores padrões”, .obtidosem
outras malhas semelhantes, até porqueo tempo
toma-seescasso nessas ocasiões,
em
virtudedo
grandenúmero
de problemas que surgem.Pelo
que
foi exposto acima, referente a utilização profusa de controladores PID,juntamente
com
as dificuldades existentes na realização de ajuste manual,tomam-se
evidentes asvantagens que ferramentas para realizar ajustes, de maneira automática
em
tais controladores,oferecem para as indústrias.
Não
é por outro motivo que, segundoAström
et al. (1993), os novosprodutos lançados
no mercado
dificilmente deixam de incorporaralguma
técnica adaptativa a estetipo de controlador.
Segundo
a terminologia e as definições apresentadasno
trabalhosupramencionado, as técnicas adaptativas são classificadas
em
três grupos:1. Ajuste
Automático
(“automatic tuning”ou
“auto-tuning”):método no
qualo
controlador é a`ustado J automaticamente sempre que o usuário requisitar.
2.
Planejamento de
Ganho
(“Gain
ScheduIing”): técnica que altera os parâmetrosdo
controlador de acordocom uma
determinada condição de operação (ponto de operação)medida,
que pode
ser a própria saídado
controlador, a medição da variável controladaou
qualquer outro sinal externo.3. Controle
Adagtativo
(“Adaptíve ControI”): sistemano
qual o controlador possui osseus parâmetros ajustados continuamente para
compensar mudanças
na dinâmicado
processo
ou
perturbações.Deve-se acrescentar
que
estas técnicas adaptativaspodem
ser, e normalmente são, combinadasnuma
única estratégia adaptativa. Assim, o controle adaptativo normalmente possuium
mecanismo de
ajuste automático para inicializaro
controlador, sendoque
neste caso, essemecanismo
échamado
de pré-ajuste (“pré-tuning")ou
ajuste inicial (“initial tuning").A
combinação
de ajuste automáticocom
o planejamento deganho
também
facilita sobremaneira aCapítulo 1 5
Introdução
Seguindo essa tendência,
uma
linha de pesquisavem
sendo desenvolvida na UniversidadeFederal de Santa Catarina
(UFSC)5,
dedicada ao desenvolvimento deum
controlador PID,denominado
dePID-AA
(PID
AutoAjustável),que
incorporaum
método
de pré-ajuste dosparâmetros,
com
posterior ajustedo
controladorem
malha fechada, sempre que necessário, atravésda
utilização deuma
base de regras e deum
sistema especialista (Abreu, 1992; Arioni,1991; Caetano, 1992; Kamrner, 1992; Maia, 1993; Pagano, 1989). Este controlador, entretanto,
possui
um
desempenho
degradado nos casosem
que o atraso de transportedo
processo fordominante.
Além
do
mais, por serum
controlador de propósito geral, a sua base de regrastomou-se
muito extensa (são utilizadas mais de duzentas regras na última versão), praticamenteinviabilizando a sua utilização
em
nivel comercial. Por isto,o
caminho óbvio a ser seguido, para acontinuação dessa pesquisa, é
o
da reduçãoda
base de regras, através da criação de várias delas,cada
uma
dedicada aum
tipo de processo diferente.Por
outro lado, aempresa
RIOSOFT6
concebeuum
projetodenominado
de Tecnologiade
Automação
Integrada (TAI),num
sistema de parceriacom
institutos de pesquisa euniversidades, indústrias usuárias, fomecedores de software e
hardware
e fomecedores deserviços de integração c engenharia. Este projeto
tem
como
objetivo gerar novos produtos e integrar outros já existentes, através dos participantes, de maneira tal afomecer
para omercado
deautomação
industrialum
sistema completo de automação, controle e gerenciamento deprocessos. Estão especificados
no
projeto: redes de comunicação, sistema de supervisão deprocessos, bancos
de
dados, recursos para realização de controle distribuido emódulos
paraauxiliar a engenharia, a configuração e a
manutenção
de todo o sistema (Sani Jr., 1993).Visando aproveitar a experiência e
o
conhecimento obtidos naUFSC
durante odesenvolvimento
do
controladorPID-AA
citado anteriormente, foifirmado
um
acordo paraque
aUFSC
fosseuma
das universidades parceirasno
projeto TAI.O
objetivo deste acordo é preencheruma
das especificações desse projeto,que
são algoritmos de controlecom
características adaptativas.Num
primeiromomento,
serão incorporados recursos adaptativos a controladores5Mais especificamente no Laboratório de Controle e Microinformática (LCMI), que é responsável pela área de Sistemas de Controle e Automação Industrial do Curso de Pós-Graduação
em
Engenharia Elétrica da referidauniversidade. 6
A
RIOSOFT, sediada
em
Porto Alegre, RS, éuma
empresa de engenharia. Atua na área de automação industrialePID
para diversos tipos de processos. Depois serão estudados outros tipos de controle para os casosem
que
o
desempenho
de controladoresPID
não for satisfatório. Nesta fase,também
serão desenvolvidos sistemas de controle multivariável para unidades inteiras de plantas industriais,como
o
controle de oxigênio para o processo de delignificação de polpa (na produção decelulose) e o controle de refino.
A
relação entre as entidades parceiras dar-se-á da seguinte forma: na universidade serão geradas as propostas de algoritmos para controle, baseando-seem
estudos sobre os processosreais e simulações. Estes algoritmos, deverão ser testados
em
plantas industriais para validá-los,após o que, eles estarão disponíveis para empresas
que atuam no mercado
de instrumentação eautomação
industrial para que sejam agregados a produtos comerciais,tomando-os
disponiveispara serem utilizados na indústria. Durante todas estas etapas, a
RIOSOFT
integrará as atividades entre os diversos parceiros. Este ciclo está representado na Figura 1.Empresas
de
Instrumentação
e Controle Industrial Algoritmo Produto _ testado 5 comercial --"'v---"'-_ i,vg
RrosoFT'_j›\f., ''''''''' '"
*À
Universidade
Plantas Industriais(UFSC)
(RIOCELL)
Teste de
algoritmos
Figura
l - ProjetoTAI:
relações entre os parceiros.Durante a fase de obtenção de informações sobre os processos industriais e principalmente
Capítulo l 7
Introdução
RIOCELL7,
coloca as suas instalações industriais a disposição para o levantamento deinformações e realização de testes.
No
desenvolvimento de propostas adaptativas a serem incorporadas a controladores PID,por causa
da
diversidade de características quepossuem
os processos industriais, decidiu-seutilizar o conceito de “Dividir-para-Conquistar” que consiste
em
resolverum
problema dificil, através da divisãodo
mesmo
em
problemasmenores
e independentes, facilitando a compreensão eresolução dos
mesmos.
Assim,no
projeto dos controladores propostos serão levadosem
consideração os próprios processos que por eles serão controlados, obtendo-se controladoresdedicados para cada
um
dos processos encontrados nas indústrias, ao invés deuma
propostagenérica.
Além
da simplificação na resoluçãodo
problema, pode-setambém
obter controladoresque
atendam
melhor as especificações dedesempenho
individuais.No
cenário dos controladores comerciais já existeum
precedente nestamesma
direção.Segundo Aström
et al. (1993),um
grande
número
de controladoresPID
são projetados para serem utilizados especificamenteem
aplicações de controle de temperatura, o
que
facilitou a implementação de ajuste automático eadaptação para tais controladores, pois a maioria das malhas de temperatura
possuem
muitascaracterísticas
em
comum.
Esta foi a principal razão pelo fatodo
ajuste automático ter sidointroduzido mais rapidamente
em
controladores de temperatura.A
divisão dos processos, para os quais serão desenvolvidos algoritmos monovariáveisdedicados, foi estabelecida
em
função das variáveis que normalmente são controladas nasindústrias, quais sejam: fluxo, pressão, nível, temperatura, concentração e pH.
O
presente trabalhodescreve os estudos e os desenvolvimentos
que
conduziram a obtenção deum
método
de ajusteautomático para controladores PI9 dedicado para processos de fluxo. Dentre os processos citados
acima, os processos de
fluxo
são prioritários dentrodo
projeto TAI, e por isto foram escolhidos para dar início ao desenvolvimento dos algoritmos, basicamente por três motivos:7
A
RIOCELL
(Rio Grande Companhia de Celulose do Sul) éuma
empresa nacional pertencente aos gruposprivados Klabin, Iochpe e Votorantin. Seu parque industrial localiza-se no município de Guaíba, RS, distante
aproximadamente 32
Km
de Porto Alegre. Ela produz celulose (300 mil toneladas anuais) e papel (obtido a partirde
10%
da sua produção de celulose). Ela exporta50%
de tudo o que produz para 36 países e fatura anualmenteUSS
200 milhões.8Uma
das técnicas estruturadas utilizadas na análise, projeto e programação de sistemas (Martin&
McClure,l99l).
9
A
0 pela sua maior simplicidade relativa aos outros processos;
0 porque,
como
será vistono
capitulo 2, na seção sobre válvulas automáticas, elas são oselementos finais de controle mais utilizados, o que implica que os processos de fluxo,
com
as suas caracteristicas, normalmente estarão incluídos,em
série, nos laços decontrole dos outros processos;
0 porque por si só os processos de
fluxo
representamuma
parcela numericamentesignificativa da totalidade dos processos industriais.
Num
levantamento realizadoem
duas unidades pertencentes à planta da
RIOCELL,
(plantas química e de cloro-soda)'°,por exemplo, obteve-se a seguinte proporção de malhas de controle,
dum
total de 71malhas:
Variávd
Controhda
Numero
de
Porcentagem
em
malhas
relaçaoao
totalFluxo 17 23,9
%
Pressão30
42,3%
Nível l 4 l 9,7%
Temperatura 68,5%
Concentração 22,8%
pH
22,8%
TOTAL
71100%
Tabela
2 -Levantamento
dos tiposde malhas
nas plantasquímica
ede
cloro-sodada
RIOCELL.
Para complementar o levantamento realizado,
em
alusão às citações à página 3,onde
afimia-se
que
pode-secomprovar
facilmenteque
a ação derivativaem
geral não é utilizada por'°Na planta quimica são produzidos dióxido de cloro, hipoclorito de sódio e dióxido de enxofre. Estas três
substâncias, juntamente
com
o cloro e a soda, que são produzidos pela outra planta, são insumos básicos para a produção de celulose.Capitulo 1 9
Introdução
dificuldades de ajuste da
mesma,
é importante ressaltar que das 71 malhas existentes naquela unidade,90%
delas (64 malhas) estavam utilizando controladores PI, sendo o restante (7 malhas) controladas por PID.Não
existianenhum
outro tipo de algoritmo de controle sendo utilizado.Além
disto, constatou-se que 52 malhas estavam operandoem
automático (73,2%) e 19 estavamem
manual
(26,8%),no
momento
em
que a pesquisa foi feita. Portanto,um
número
bem
maiordo
que
aquele (6,6%) apresentado na Tabela 1. Estes dados estão destacados na Tabela 3 e naTabela 4.
Comrohdor
Número
de
Porcentagem
em
malhas
relaçao ao totalPI
64
90,1%
PID
79,9%
TOTAL
71100%
Tabela
3 -Levantamento
dos controladores nas plantasquímica
ede
cloro-sodada
RIOCELL.
Modo
de
Commk
Número
de
Porcentagem
em
malhas
relaçaoao
totalAutomático 52 73,2
%
Manual
1926,8%
TOTAL
71100%
Tabela
4 -Levantamento
dosmodos
de
controle nas plantasquímica
ede
cloro-sodada
RIOCELL.
Neste capítulo, procurou-se mostrar a grande utilização que se faz nas indústrias, de
controladores
do
tipo PID, e devido às dificuldades de ajuste dosmesmos,
situar a importânciaque ferramentas de ajuste automático, planejamento de
ganho
e técnicas adaptativas para controladoresdo
tipoPID
podem
trazer para o contexto industrial, não apenas referenciando opiniões de outros autoresmas
também
fomecendo
dados recentes levantados junto a indústrias.diversas entidades públicas e privadas, apresentando
também,
um
levantamento de alguns dadossobre os temas que foram tratados aqui, obtido
numa
planta industrial.No
capítulo 2, será descrito ocomportamento
estático e dinâmico dos processos defluxo
(incompressível e compressivel), levando-se
em
consideração as principais características, inclusive algumas não-lineares, culminandocom
a obtenção deum
modelo
simplificado para esse tipo de processo.No
capítulo 3,em
fimção
do
modelo
dinâmico obtidono
capítulo 2, será desenvolvido ométodo
de ajuste inicial de controladores Pl dedicado para processos de fluxo, detalhando-se ospassos seguidos. Serão
também
feitas considerações sobre ométodo
de identificação escolhido.O
capítulo 4 apresentará0
equipamento,formado
porhardware
(especificado e adquirido)e software (desenvolvido), utilizado durante os testes
(em
malha aberta e malha fechada)em
processos de fluxo,bem como
alguns detalhes relativos a metodologia usada paraque
esses testesfossem realizados
com
segurança na planta industrial daRIOCELL.
O
capítulo 5 será dedicado para a apresentação dos resultados conseguidoscom
ométodo
de ajuste inicial,
num
processo defluxo
de laboratório eem
vários processos defluxo
reais. Essestestes perrnitiram avaliar
o
desempenho
oferecido pelos ajustesdo
controladorquando
o processoé submetido a
mudanças
de referênciaou
perturbaçoes.Finalmente, o capitulo 6 é utilizado para
fomecer
conclusões gerais sobre o trabalho realizado, e apresentar as perspectivas parao
desenvolvimento de outras técnicas adaptativas,CAPÍTULO
2
CARACTERÍSTICAS
DOS
PROCESSOS
DE
FLUXO
2.1
INTRODUÇÃO
Confonne
a metodologia adotada neste trabalho, neste capítulo será analisado Ocomportamento
de fluidos,quando
forçados a escoar através de tubulações, orificios, válvulas eoutros equipamentos encontrados
numa
malha de controle de fluxo, para então, obter-seum
modelo do
processo.Na
figura
abaixo, está representada a estruturaque
servirá para a obtençãodesse modelo,
com
os elementos normalmente encontrados nesses processos.vanaçoes na tubulação !1'ͧ11 '
É
U
válvula válvula manual automáticabomba
placa de orificioFigura
2 -Elementos
normalmente
encontradosem
processosde
fluxo.Pelas suas características particulares, para efeito de estudo, os fluidos são divididos
em
incompressíveis e compressíveis, sendo cada
um
deles analisadosem
seções distintas. Depois disso,em
razão da sua grande influênciano comportamento
(estático etambém
dinâmico)do
ll
fluxo, serão analisadas as válvulas pneumáticas, que
embora
não sejam os únicos equipamentosempregados
como
elemento final de controlenuma
malha
de fluxo,sem
dúvida nenhuma, são osmais utilizados nas indústrias.
Baseado
nessas análises, será propostoum
modelo
para representarmatematicamente os processos de fluxo. Finalizando este capítulo, serão
comparados
osresultados de testes
em
dois processos reais,com
resultados de simulações utilizando omodelo
de fluxo aqui sugerido.
2.2
DINÂMICA
DE
UM
FLUIDO
EM
MOVIMENTO
As
malhas de controle de fluxo apresentam a particularidade de que a variável que sedeseja controlar
pode
ser variada, de fonna direta, através da abertura deuma
válvula,mas
nem
por isso apresentam
um
comportamento
tão simples a ponto de ser representado por apenasum
ganho
constante.Num
controle de fluxo, váriosfenômenos
fisicosatuam
simultaneamenteresultando
num
comportamento
dinâmico não-linear. TantoGould
(1969, p. 130-136)como
Buckley (1979, p. 116-121) fazem analogias entre circuitos elétricos e circuitos de fluxo.
Sob
esseprisma, são
modelados
três elementos,num
circuito de fluxo, análogos àqueles existentesem
circuitos elétricos: resistência, capacitância e "indutância" (inércia). Essa análisefomece
uma
boa
idéia da influência exercida pela natureza fisica dos fluidosno comportamento
dinâmico e estáticodos
mesmos
e será utilizada na subseção 2.2.2, que aborda os fluidos compressíveis.Por
outro lado,sem
utilizar-se essa analogia, pode-se apresentarum
desenvolvimento queconduz
aum
modelo
dinâmicodo
fluxo
durante a aceleraçãoou
a desaleraçãodo
mesmo,
levando-seem
conta apenas a inérciado
fluido. Assim, para os fluidos incompressívçis, pode-seutilizar
uma
abordagem
desse tipo, equivalente à apresentada por Shinskey (1988, p. 76-78), parachegar-se ao
modelo
matemático dos processos defluxo
para este caso,confonne
a subseçãoCapitulo 2 13 Caracteristicas dos Processos de Fluxo
2.2.1
FLUn›os
INcoMPR1‹:sstvErsSuponha-se
um
fluido incompressível, passando através deuma
tubulação,em
regimeturbulenton ,
numa
linha talcomo
está representada na Figura 2, na posição horizontal. Suponha-se ainda
que
existeuma
diferença de pressãodp
entre o inicio e ofim
da tubulação.Da
mecânicados
fluidos, tem-se as seguintes equações estáticas para aqueda
de pressãonuma
linha defluxo
(incluindo-se a
queda
na tubulação eem
outros elementos) e na válvula, para a situação proposta:Ap.
= K,Q*
‹2.1›Apt
= ~§àQ2
‹2.2›K, e
KV
são coeficientes defluxo
que dependem
da linha defluxo
e da válvula respectivamente,além do
próprio fluido.Q
é ofluxo
ea
é o coeficiente (adimensional) de abertura da válvula,sendo
que
a
e[O;l].Como
já havia-se adiantado, na constante K,podem
ser incluidas todas asperdas de carga (pressão) ao longo da linha
(com
exceção da válvula, já que neste caso está sendoconsiderada à parte). Essas perdas ocorrem:
0
de
uma
maneira contínua ao longo dos trechos da tubulaçãocom
seção reta constante;0 devido às restrições existentes na linha (p. ex. placas de orificio, válvulas manuais
com
abertura fixa, etc.);
0
em
conseqüênciade
diminuiçõesou
aumentos da seção reta da linha;0
em
conseqüênciade
mudanças da
direçãodo
fluxo;“
De
acordocom
o movimento do fluido, o fluxo pode ser classificado como laminar ou turbulento.Fluxo Laminar: neste caso, particulas adjacentes do fluido terão movimentos paralelos entre si e paralelos também
em
relação a direção do fluxo, ocorrendo deuma
forma ordenada.Fluxo Turbulento: ocorre quando as partículas do fluido possuem movimentos
em
direções diferentes da do fluxo, ocorrendo cruzamento dos caminhos percorridos pelas particulas do fluido.O
tipo de fluxo pode ser determinado pelo número de Reynolds(N
,). Segundo King et al. (1948), quandoN
,<
2100
o fluxo é laminar e paraN
,>
3000
o fluxo será turbulento.O
número de Reynolds é dado por:d
V
N
,=
-2
, onded
é o diâmetro da tubulação,Vé
a velocidade média do fluxo, C0 é a densidade do fluido ep
,U
0 nas
bombas
centrífilgas.É
claroque
para cada caso, diferentes fatores influenciarão na constante de fluxo. Para a tubulação, por exemplo, interessao
diâmetro e a rugosidadedo
interior damesma;
para variaçõesna seção
do
condutor, deve ser considerada a relação entre as áreas da seção antes e depois davariação, e assim por diante.
Se
a válvula reguladora permanecer semprecom
amesma
abertura, então a resistência nalinha será fixa,
podendo
ser representadacom uma
constante apenas. Maiores detalhes sobre essasperdas de carga
podem
ser encontradasem
King, Wisler eWoodbum
(1948), Jones (1953),Driskell (1983),
Buckley
(1979) e Lipták e Venczel (1985). Já a perda de carga na válvula será vistana próxima
seção.Para
o
sistema proposto, toda aqueda
de pressão ocorre na válvula e nas restrições(agrupadas),
conforme
a Figura 3, e portanto,como
elas estãoem
série,em
regime permanente:@=@»~»4&+§w2
em
Restrições na Válvula linha agrupadas pneumática
...
(diferença de pressão)
Figura 3
-Representação
simplificada dos processosde
fluxo.Em
regime transitório,quando
houveruma
variaçãono
fluxo, existirátambém
uma
forçaresultante
Fm
aplicada namassa de
fluido contida na linha. Essa força resultante é a diferença entre a força aplicadaF,
(quedepende
da diferença de pressão) e a força de resistência F, (quedepende
do
valorde
fluxo
eda
prÓpria1inha):Capítulo 2 15 Características dos Processos de Fluxo
F,
=
AQÍK,
(25)
F,“=1Í,-P;=m,ac
(2.6)onde
A
é a áreada
seção retada
tubulação eac
é a aceleração à qual o fluido é submetido.Dentro da
tubulação, existeuma
quantidade demassa
m, de fluido, cujo valor édado
porLA
m,
zi
(27)
g
onde
L
é ocomprimento da
tubulação,p
éo
peso específicodo
fluido eg
é a aceleraçãogravitacional. Portanto,
Eeszmt
aczmiflzflfl
dt
g
dtsendo
V
a velocidadedo
fluido.Como
Q
V
=
-
2.9A
( )combinando
as equações (2.4) até (2.9) e rearranjando os termos, obtemos:Q2A(K,+-1?-¿¢)+Ê£iQ-=Adp
(210)
a
g
dtA
equação
não-linear (2.10) descreveo comportamento do
fluxoem
tubulaçõesem
relação àsmudanças
na aberturaa
da
válvula e àsmudanças
na diferença de pressãodp
entre asextremidades
da
tubulação. Paraque
se analise a constante detempo
e oganho
desse tipo deprocesso, pode-se linearizar a equação (2. 10). Esta linearização será feita
em tomo
deum
pontode operação estável
em
regime permanente,onde
valores de Q,a
e dp, serão designados de Q,,,,a,,, e dp,,, , respectivamente.
Expandindo-se a derivada
do
fluxo
em
relação aotempo
(dQ/dt), obtida através daequação (2.10),
em
uma
sériede
Taylorem
tomo
do
pontoem
regime permanente, edesprezando-se todos os termos de
ordem
maiorou
igual a dois, obtém-se a seguinte equaçãoÉ-Q-zfi
Adp-254-(K,
+£)Q
AQ+2§í4-§Q2
Aa
(2.11) dt *LpLp
afp 'PLpafp
'Ponde
AQ,Adp
eAa
sãopequenos
desviosem
relação aos seus valores de regime permanente:AQ=Q-Qm
(2.l2)Aab=dp-dp”,
(2.l3)Aa=a-am
(2.l4)Ao
colocar-se aequação
(2. l 1) naforma
AQ+rdAQ/dt=Ga
Aa+Gdp
Adp
(2.l5)obtém-se as seguintes equações para a constante de
tempo
r, oganho Ga
em
relação à variaçãona abertura da válvula e o
ganho
G4,em
relação à variação na diferença de pressão dp:,Z
Lfià
2gA
dpm
Ga
:
am
KV
+a,pK,«G
":
/(dm,-K.QÍ,)3¿
KV
dra, Gdp :Q_›» fëvzpNa
equação (2. 16) pode-se substituir dp,,, pordp”,
donde
obtém-se a seguinteequação
para rPi
=
Q,,f(1<,+
KV/zz%,,) 1 Qr¡z(Kr +Kv[a2'T)(216)
(217-A)
(217-B)
(2.1s)(219)
(2.2o)Capítulo 2 17
Características dos Processos de Fluxo
Esta última equação aplica-se para
o
casoem
que
existeuma
válvulacom uma
aberturafixa, o
que
implicaem
uma
resistênciafixa
ao fluxo, sendo este controlado através deuma
bomba
cuja velocidade
pode
ser variada.Nesse
caso, a atuação ocorre na diferença de pressão dp, ecomo
sepode
notar pela equação (2.20), a constante detempo
varia inversamentecom
o fluxo.Para
o
valor defluxo
máximo
QM,
obtém~seo
valormínimo
de r(rm),
sendorm
>
O.Entretanto, o caso mais
comum, sem
dúvidanenhuma,
é aqueleno
qual varia-se a aberturade
uma
válvula, mantendo-se a diferença de pressão constante, amenos
que
ocorraalguma
perturbação.A
equação
para avaliar 1, nesse caso, é a (2.16), e portanto, r é diretamenteproporcional ao fluxo, de tal maneira
que
r-›O
quando
Q-›0.
Para avaliar aordem
degrandeza
da
constante detempo
desse tipo de processo, Shinskey (1988, p. 78)fomece
um
exemplo
numérico,onde
supõeque
através deuma
tubulação esteja fluindo água, sendo que os seguintes valores são atribuídos para as variáveis da equação (2. ló):L
=
óo,9óm
=
zoofi
Q”,= 6,3l5xl0“*m3
/s=
lOgal/rnin= O,0223fi3
/spz
9.soóN
/m3
= 999,ó5Kgf/mt
= ó2,41b/fi3
g=
9,s1m/S2 =
32,211/S2A
=
5,574×1o“*mz =
o,ooófi2 dp,,=137.s94N/m2
=
zolb/mz
=
zssolb /ft*A
substituição destes valores na equação de r (2.l6), resultaem r=
O,250s, indicando que aordem
de grandeza para a constante detempo
desse tipo de processo,embora
variável, é daordem
de alguns décimos de segundo.No
desenvolvimento acima, duas consideraçõesimportantes
foram
feitas.A
primeira foi deque
ofluxo
era turbulento e a segunda de que o fluidoera incompressível.
Se o
fluxo
for laminar, a relação entrequeda
de pressão efluxo
será linear enão
quadrática. Entretanto, ofluxo
turbulento éuma
situação corriqueira,como
afirma Gould
(1969, p. 145) de maneira categórica.
A
segunda consideração sobre a compressibilidadedo
fluido,merece
uma
análise mais detalhada,conforme
a próxima subseção.2.2.2
FLun›os
CoMPREssivr:1s
Ao
contrário dos líquidos, o efeitoda
inérciano
fluxo
de gases é desprezívelem
virtudeda
suapequena
densidade. Para fluidos gasosos, a expansãoou
contraçao, causado pelasmudanças
na pressão é
o
efeito dominante na dinâmica dosmesmos.
Para esses casos, utiliza-se o conceitode capacitância,
em
analogia a circuitos elétricos, para modelar o referido efeito.A
capacitânciano
fluxo
é definidacomo:
_
Q
C_dP/dt
(221)
sendo
C
a capacitância,Q
ofluxo
eP
a pressão. Para fluidos compressíveis,Gould
(1969, p. 131-133)
define
três tiposde
capacitância,dependendo
da maneiracomo
ocorrem
as expansões:1.
Compressão
(ou expansão) adiabática:V1
C
=
__
(222)
yP
_
_ 1 _onde
Vl éo volume do
gás,P
é a pressao abso uta média e7
é a relaçao entre oscalores específicos
do
gás (y =
c P / cv ).i
2.
Compressão
(ou expansão) isotérmica:Vl
C
=
:
2.23P
< ›3.
Compressão
(ou expansão) politrópica:Vl
C
=
i:
(224)
n
P
onde
l<
n <
7.Essas relações estão linearizadas
em
tomo
da
pressãomédia
P.
Gould
( 1969, p. 132-133)afirma que
para expansões lentasdo
fluido vale a condição isotérmica, e nas rápidas a condição adiabática, sendo a politrópicaum
meio
termos entre as duasprimeiras. Buckley (1979, p. 117)
afirma
o
mesmo, complementando
que, de maneira geral, paraCapítulo 2 19
Caracteristicas dos Processos de Fluxo
adiabática, e
que
para tubulações longas, nas quais essas variaçõesocorrem
de maneira lenta, acondiçao
que
melhor se aplica é a isotérrnica.A
resistêncianum
circuito defluxo
é definidacomo
sendo a variação na diferença depressão
em
relação a variação defluxo
(Weber, 1973, p. 174),ou
seja:R
=
%
(225)
Considerando-se
o
fluxo
turbulento, a relação existente entre queda de pressão efluxo
émais complicada para
o
caso dos fluidos compressíveisdo
que para os incompressíveis.O
problema é
que
a relaçãoQ
×dp
sofreuma
mudança
quando
ofluxo
crítico é atingido. Estefluxo
critico ocorrequando
a pressão Pz, apósuma
restrição pela qual o fluido está passando, caipara
menos
de55%
do
valor da pressão P1, antesda
restrição (Buckley, 1979, p. 19). Paravalores de 11/P,
<
0,55o fluxo
atingeuma
velocidade conhecidacomo
velocidade sônica (oufluxo
sónico) e toma-se independentedo
valor de Pz, pois, nesse estado, os distúrbios de pressãoocorridos após a restrição não se
propagam
para antes damesma.
Portanto, neste caso,Q
ocR.
Por
outro lado, seo
fluxo
for subsônico (P2 /P1>
0,55) pode-se aproximar” a relação entrefluxo
e pressão por
uma
lei quadrática,como
parao
fluxo
incompressível. Se este foro
caso, tem-se deforma
aproximada,Q
oc ,/(P2-
P,) (Gould, p. 136), e a resistência é dada porR=%=%
(2.26)Todo
o
desenvolvimento desta subseção (2.2.1) e da anterior (2.2.2) demonstra que adinâmica
do
fluxo
é variável de acordocom
o ponto de operação. Contudo,quando
considera-seos outros elementos envolvidos na malha de controle de fluxo,
em
especial a válvula reguladora,observa-se
que
a dinâmicado
fluxo
é muito mais rápidado que
a dinâmica da própria válvula.O
próprio transmissor
pode
teruma
resposta mais lenta (Gould, 1969, p. 137). Distâncias grandesem
linhas de sinais pneumáticostambém
podem
introduzir atrasos significativos (Shinskey 1988,p. 50-51).
Hoje
em
dia, entretanto, a transmissão dos sinais é baseadaem
eletrônica analógica e'2
A
fórmulacada vez mais
em
eletrônica digital, eliminando os problemas de atraso que existemem
linhaspneumáticas.
Como
já foi frisado anteriormente, as válvulascom
acionamento pneumático, quenormalmente
éo
caso nas indústrias,possuem
uma
dinâmica lenta que é dominante nos processosde fluxo.
Por
esse motivo, elas serão estudadascom
o intuito de levantar omodelo
dinâmico dasmesmas,
alémda
influênciaque
elasexercem no ganho
dos processos de fluxo.2.3
VÁLVULAS
PNEUMÁTICAS
Num
laço de controle,o
elemento final de controle (ou atuador) é o equipamento queimplementa,
no
processo, a ação calculada pelo controlador. Dentre os vários tipos de elementofinal, o mais utilizado é a válvula automática. Sighieri e Nishinari (1973, p. 153), por exemplo,
afirmam
que90%
dos casosnuma
indústria químicapossuem
válvulascomo
elemento final decontrole.
Válvula de controle é
um
tema
muito extenso epode
ser abordado de diversas maneiras,dependendo
do que
se quer estudarou
analisar.Nesse
caso, o grande interesse resideno
comportamento
dinâm_i_co e estático das válvulas. Assim, não serão abordadas caracteristicasconstrutivas detalhadas (material
do
corpo,número
de sedes, etc.)nem
questões dedimensionamento das válvulas.
Apenas
os itens relevantes para a análise proposta é que serãovistos.
Outro
detalhe importante é que existem vários tipos de acionamento.O
acionamento é omecanismo da
válvula responsável pela transformaçãodo
sinal de entrada, seja elétricoou
pneumático,
no
movimento
necessário para abrirou
fechar a válvula. Elespodem
serpneumáticos, por pistão, eletro-hidráulico
ou
eletromecânico.Apenas o
primeiro será analisadopor constituir-se
no
mais utilizado (Smith&
Corripio, 1985, p. 575).2.3.1
PRINCÍPIO
BÁs1co
DE
FUNCIONAMENTQ
E
COMPONENTES
PR1NCIPArs
Na
Figura4
13, está representada
uma
válvula pneumática de maneira simplificada,com
os'3
Capitulo 2 21
Características dos Processos de Fluxo
detalhes de interesse
em
destaque. Existem duas partes principais: o corpo da válvula, que é poronde
passao
fluido e, portanto,aonde
se localiza a restrição ao fluxo, e o acionamento, quecomo
já foi explicado, é responsável pela aberturaou
fechamento damesma.
€onexão
de arX-9
Motor
" D' fr.,zz//(7//{///1,.:
laagma
›- “IMola
-1\
\
f/z/z l\\ '//éz\ 'Acionamento
.:.- LPneumático
\,\,\ l Haste><
`Y
šw
ObturadorvAzÃo
'o¡¿|
|r¡¿
COVPO
W
II).
..°O0'I/
`#
1
Sede
&
Figura
4 - Válvulapneumática.
Na
parte superiordo
acionamento, está localizado omotor
da válvula,que
équem
recebeo
sinal pneumático de controle. Dentrodo motor
existeuma
membrana
flexível (ou diafragma) euma
mola.De
acordocom
a pressão que chega na válvula, amembrana
é impelida para cimaou
para baixo, atéque
encontreuma
posição de equilíbrioem
conjuntocom
a mola,com
os atritos ecom
as forças de pressãono
obturador. Entre o corpo eo motor
da válvula existeuma
haste.Na
extremidade de cima, a haste
fica
presa à placado
diafragma, e na extremidade de baixo, aopode-se notar, o obturador está localizado
no
interiordo
corpo da válvula,onde
também
se localizao
orificio poronde
se dá o fluxo, sendo esse orificiodenominado
de sede da válvula.Na
medida
em
que o
obturador semove
em
direçao à sede da válvula, ofluxo
é restringido através dadiminuição
da
áreado
orificio e vice-versa.2.3.2
CURvAs
DE
ABERTURA
X
FLUXO
DAS
VÁLvULAs
Como
descrito na seção anterior, a haste semove em
fimção
do
sinal de controle uenviado para a válvula. Esse
movimento
é diretamente proporcional ao sinal de controle.Designando-se o deslocamento da haste de x, pode-se escrever
que
x=u,
onde
x e u estãonormalizados entre O e l. Já o
fluxo
resultanteem
função da posição da haste irá depender daforma geométrica
do
obturador. Stephanopoulos (1984, p. 254-255) apresentao
corte lateral devários tipos de obturadores,
com
as suas respectivas características(fimções
matemáticas)resultantes,
que
serão vistas a seguir.A
caracteristica nonnalizada (e portanto adimensional)do
fluxo
f
em
fiinçãoda
posição da haste x, é normalmentedo
tipo linearou
igual-porcentagem,mas
outras relações paraf
(x) serãotambém
apresentadas.0 Linear: ç