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OBSERVATÓRIO DO TRABALHO DO PARANÁ

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OBSERVATÓRIO DO TRABALHO DO PARANÁ

Movimentação contratual no mercado de trabalho formal e rotatividade no estado

do Paraná e Mesorregiões

Contrato Nº 074/2012 – SETS-PR e DIEESE

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Contrato nº 074/2012 – SETS-PR e DIEESE 2

EXPEDIENTE DA SECRETARIA DE ESTADO DE TRABALHO, EMPREGO E ECONOMIA SOLIDÁRIA DO GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ - SETS

CARLOS ALBERTO RICHA Governador do Estado

FLÁVIO JOSÉ ARNS Vice Governador do Estado

LUIZ CLÁUDIO ROMANELLI

Secretário de Estado de Trabalho, Emprego e Economia Solidária

AMIN HANNOUCHE Diretor Geral

MARCELLO ALVARENGA PANIZZI Chefe de Gabinete

JOSÉ MAURINO DE OLIVEIRA MARTINS

Departamento de gestão do Sistema Público de Trabalho, Emprego e Renda

CARLOS MANUEL VASCONCELOS ATAÍDE SANTOS

Departamento de políticas públicas de fomento à Economia Solidária, ao microcrédito e empreendedorismo

Departamento de políticas públicas de segurança alimentar e nutricional

NUNCIO MANNALA

Departamento de políticas públicas de relações do trabalho

SETS – Secretaria do Trabalho, Emprego e Economia Solidária Endereço: Rua Pedro Ivo, 750, Centro

Curitiba – PR – CEP 80010-020. Tel: (41) 3883-2691 http://www.trabalho.pr.gov.br

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Contrato nº 074/2012 – SETS-PR e DIEESE 3

EXPEDIENTE DO DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS – DIEESE

Direção Técnica

Clemente Ganz Lúcio – Diretor Técnico Patrícia Pelatieri – Coordenadora Executiva

Rosana de Freitas – Coordenadora Administrativa e Financeira Nelson de Chueri Karam – Coordenador de Educação

José Silvestre Prado de Oliveira – Coordenador de Relações Sindicais Airton Santos – Coordenador de Atendimento Técnico Sindical Angela Schwengber – Coordenadora de Estudos e Desenvolvimento

Coordenação Geral do Projeto

Angela Maria Schwengber – Coordenadora de Estudos e Desenvolvimento Angela Maria Schwengber – Supervisora dos Observatórios do Trabalho

Marcos Aurélio de Souza – Técnico responsável pelo projeto André Marega Pinhel – Técnico responsável pelo projeto

Equipe Executora DIEESE

DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos Rua Aurora, 957 – Centro – São Paulo – SP – CEP 01209-001

Fone: (11) 3821 2199 – Fax: (11) 3821 2179 E-mail: [email protected]

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Contrato nº 074/2012 – SETS-PR e DIEESE 4

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ... 5

INTRODUÇÃO ... 6

NOTAS METODOLÓGICAS ... 8

1. PANORAMA DO MERCADO DE TRABALHO FORMAL NO PARANÁ ENTRE 2003 E 2012 .... 11

2. FLEXIBILIZAÇÃO E DURAÇÃO DOS VÍNCULOS TRABALHISTAS ... 15

2.1. Tempo de permanência dos ativos e dos desligados no ano ... 15

2.2. Tipo de vínculo dos desligados no ano ... 17

2.3. Causas do desligamento ... 19

2.4. Relação entre salários de admitidos e de desligados ... 20

3. ROTATIVIDADE NO MERCADO FORMAL DO PARANÁ ... 22

3.1 As taxas de rotatividade por setores e subsetores de atividade econômica .... 23

3.2 Famílias ocupacionais ... 25

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 29

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Contrato nº 074/2012 – SETS-PR e DIEESE 5

APRESENTAÇÃO

O presente documento configura-se no terceiro estudo temático e está voltado para a análise estrutural do mercado de trabalho do Paraná e é intitulado “Movimentação contratual no mercado

de trabalho formal e rotatividade no Paraná e Mesorregiões”, produto previsto no plano de

atividades do Observatório do Trabalho do Paraná, parceria entre a Secretaria do Trabalho, Emprego e Economia Solidária – SETS e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE.

O objetivo do estudo é proceder à análise da rotatividade do mercado de trabalho formal do Paraná, bem como os aspectos relacionados à movimentação contratual, tais como duração do emprego e diferenças entre vínculos de trabalho ativos e inativos (desligados ao longo do ano). Entende-se que um maior conhecimento do tema pode ampliar a capacidade de intervenção dos atores sociais, sejam eles trabalhadores, gestores públicos, acadêmicos ou empresários. Pretende-se, portanto, aprimorar os instrumentos de política pública de emprego, trabalho e renda locais e regionais. O relatório apresenta-se dividido em três partes além da apresentação, introdução, nota metodológica e considerações finais. Na primeira parte, um breve panorama do mercado de trabalho formal paranaense é apresentado, traçando a evolução de vínculos ativos e desligados entre 2003 e 2012; a segunda parte detém-se sobre a flexibilização e a duração dos vínculos formais e investiga aspectos relacionados ao tempo de permanência, ao tipo de vínculo, às causas de desligamento e aos salários de admitidos e desligados. A terceira parte trata especificamente das taxas de rotatividade, analisando-as segundo setores, subsetores e famílias ocupacionais.

Os dados utilizados no estudo são oriundos da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), ambos registros administrativos do MTE.

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INTRODUÇÃO

Na série de estudos e boletins produzidos pelo Observatório do Trabalho do Paraná1 tem se evidenciado as melhoras no mercado de trabalho formal do estado, assim como brasileiro, resultado de crescimento econômico com elevação da formalização e queda da informalidade. Houve quedas sucessivas das taxas de desocupação no estado e aumento da remuneração média dos trabalhadores. Todavia, a cada pesquisa e estudo desenvolvido, o Observatório vem apontando desafios que são persistentes e marca da estrutura do mercado de trabalho brasileiro e local, bastante heterogêneo e, em muitos casos, de condições precarizadas para exercício de ocupações, como foi mostrado na elaboração dos indicadores para a agenda do trabalho decente, bandeira do estado para combater as formas precárias e desiguais de inserção dos trabalhadores no mercado de trabalho. Ainda há diferenças entre remunerações segundo sexo e raça ou cor, além do baixo tempo de permanência no posto de trabalho, que segue como uma das questões estruturais mais importantes do mercado de trabalho.

A prática da substituição do ocupante de um posto de trabalho por outro, ou seja, a demissão seguida da admissão em um posto específico, é conceitualmente chamada de rotatividade. O fenômeno pode ser caracterizado por trocas individuais ou em diversos postos e traz consequências importantes para o mercado de trabalho. De acordo com DIEESE (2011)

“(...) milhões de trabalhadores são submetidos anualmente a um regime de contratação flexível que, associado à oferta crescente de força de trabalho do país, tem impacto sobre a política pública de emprego, trabalho e renda, em termos do volume de recursos necessários à formulação dos programas e investimentos. Os efeitos atingem substantivamente os gastos com os programas do seguro-desemprego, de intermediação de mão de obra, de qualificação profissional, bem como o saldo da conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, entre os principais” (DIEESE, 2011, p.41).

Portanto, os efeitos da rotatividade trazem impactos sobre o orçamento público, com aumentos de saques do seguro-desemprego, embora nem toda rotatividade tenha resultado sobre esses fundos

1

Caracterização socioeconômica do Paraná: uma análise do Censo e da RAIS ao longo da década de 2000; Subsídios para as políticas públicas de emprego, trabalho e renda do Paraná - Estudo sobre as condições de inserção dos trabalhadores no mercado de trabalho formal e subsídio às políticas de qualificação do estado do Paraná; boletins mensais e trimestrais entre outros. Acessível em: http://www.trabalho.pr.gov.br/crt/observ/index.php?id=23.

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públicos, pois há demissões que não habilitam o trabalhador a acessar o seguro-desemprego. Também há impactos sobre os próprios trabalhadores, que sofrem com problemas como insegurança em relação ao contrato de trabalho, rebaixamento salarial e mesmo interrupção de sua formação profissional.

As causas relacionadas à rotatividade podem ser diversas, tais como “econômicos; os reguladores do mercado de trabalho; os sociológicos, que determinam relações de trabalho e emprego; os de natureza tecnológica, que orientam as escolhas produtivas e influem sobre o volume de força de trabalho empregada” (DIEESE, 2011, p.11). As altas taxas de rotatividade presentes no mercado de trabalho brasileiro e paranaense são indicativos importantes da falta de restrições para a ação de demitir, isto porque a ‘institucionalidade’ do mercado nacional não prevê mecanismos que inibam as demissões imotivadas. Ainda segundo o DIEESE: “estas são facilitadas pela flexibilidade

contratual que impera e caracteriza o funcionamento do mercado de trabalho no Brasil. A adoção da Convenção 158, da OIT, não tem como objetivo vedar as demissões, entretanto, estabelece critérios a serem observados para que elas se realizem” (DIEESE, 2011, p.13).

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NOTAS METODOLÓGICAS

A partir de convênio com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o DIEESE tem desenvolvido sistematicamente pesquisas sobre o tema da rotatividade, sendo um de seus desdobramentos a publicação intitulada “Rotatividade e flexibilidade no mercado de trabalho2”, lançada em 2011. O

conteúdo trabalhado nesse livro serviu como ponto de partida para o presente relatório. Adicionalmente, foram utilizadas apresentações feitas pelo DIEESE para o MTE em relação ao tema.

Os dados utilizados no relatório são oriundos da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), registros administrativos produzidos pelo MTE. As informações são trabalhadas em níveis de setores e subsetores econômicos do IBGE – permitindo uma observação do movimento mais agregado do mercado de trabalho, mas também no nível de famílias ocupacionais. Cabe ressaltar que a RAIS é informada anualmente e apura os resultados da movimentação dos vínculos de empregos celetistas e estatutários de acordo com a sua situação em 31/12 de cada ano. O CAGED, por seu turno, traz informações mensais – que podem ser agrupadas anualmente – e acompanha exclusivamente a movimentação dos celetistas, informando as admissões e os desligamentos ocorridos no mês.

A análise cobre o período transcorrido entre 2003 a 2012, o que perfaz uma análise de uma década no que diz respeito às condições de flexibilidade dos vínculos contratuais, como tempo de permanência e causas de desligamento. As análises sobre a taxa de rotatividade também se aterão a um período de dez anos, de 2003 a 2012, entretanto com seleção de anos, destacando a evolução da taxa de rotatividade em períodos específicos sem, necessariamente, se concentrar sobre seu comportamento em uma série histórica.

No estudo são utilizados três indicadores como base de entendimento para o cálculo da taxa de rotatividade que merecem um detalhamento específico. Eles dizem respeito ao total de vínculos no

ano, aos ativos em 31/12 e aos desligados (ou desligamentos) no ano. Os trechos a seguir foram

extraídos integralmente de DIEESE (2011) e trazem os detalhamentos necessários.

O indicador total de vínculos no ano revela a quantidade anual de contratos de trabalho que tiveram vigência, seja integral ou parcial, em cada ano da série apresentada. Esta quantidade anual de vínculos de trabalho é composta por uma parcela de contratos originados da movimentação de anos anteriores - vínculos presentes no estoque do ano anterior a cada exercício - combinada com outra parcela de vínculos oriundos da movimentação realizada durante cada exercício, representada pelos novos contratos e pelos desligamentos anuais da RAIS.

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Já os contratos que, por algum período do ano de referência, estiveram ativos, mas que, em 31 de dezembro estavam desligados, formam o indicador dos desligamentos no ano, em cada ano da série. Estes expressam a quantidade de desligamentos ocorridos no mercado formal de trabalho, no decorrer de cada ano. O indicador dos ativos em 31/12 corresponde à quantidade de contratos de trabalho com vigência ativa no fim de cada exercício, já descontados os desligamentos do ano. Estes vínculos de emprego compõem o estoque anual da RAIS. (DIEESE, 2011).

No que diz respeito à taxa de rotatividade utilizada no relatório, tanto o MTE quanto o DIEESE e grande parte dos pesquisadores tomam por base de cálculo a movimentação de admitidos e desligados. Essa abordagem considera o valor mínimo de cada um desses quantitativos, dentro de um mesmo ano, como proxy da substituição no mercado de trabalho. Nesse sentido, o menor valor - o mínimo - entre as admissões e os desligamentos é utilizado como indicador do volume de substituição. A relação entre esse valor mínimo e o estoque médio de trabalhadores em dois anos define a taxa de rotatividade3. Este é o critério do cálculo da rotatividade que será utilizado também neste relatório.

A justificativa para o uso do mínimo entre admitidos e desligados funda-se na necessidade de desconsiderar no cálculo da rotatividade “a influência da variação líquida da movimentação anual,

tanto a positiva como a negativa, na determinação do saldo, no período de cálculo, (...) tem como fundamento o pressuposto de que se a admissão é maior que o desligamento, o volume dele deve-se à necessidade de substituição. De igual modo, se os desligamentos forem superiores à admissão, supõe-se que o volume destas corresponde à necessidade de repor os postos desligados. Assim, a parcela do volume de admissões que supera o volume de desligamentos é considerada expansão do emprego, enquanto a parcela do volume de desligamentos que supera o volume de admissões é considerada como redução do emprego” (DIEESE, 2011, p.85).

Adicionalmente à construção do cálculo da taxa de rotatividade, levou-se em conta que metodologias de cálculos que considerassem somente a totalidade dos desligamentos estariam negligenciando um aspecto importante que remete às motivações destes desligamentos. Neste sentido, o cálculo adotado no presente relatório exclui do total dos desligamentos aqueles realizados a pedido dos trabalhadores, ou seja, as demissões voluntárias; além dos desligamentos decorrentes de morte e os das aposentadorias dos trabalhadores, e os originados das transferências, que implicam apenas mudança contratual. Entretanto, o relatório apresenta também o cálculo da taxa de rotatividade total com o objetivo de permitir comparações entre as taxas totais e descontadas e,

3 Taxa de rotatividade = 𝑀í𝑛(𝑎𝑑𝑚𝑖𝑡𝑖𝑑𝑜𝑠;𝑑𝑒𝑠𝑙𝑖𝑔𝑎𝑑𝑜𝑠)

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portanto, evidenciar que grande parte da rotatividade decorre das demissões imotivadas de trabalhadores, e não dos desligamentos por outros motivos.

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1. PANORAMA DO MERCADO DE TRABALHO FORMAL NO PARANÁ ENTRE 2003 E 2012

Dimensionar a quantidade das movimentações anuais no mercado de trabalho formal tem o objetivo de indicar à sociedade o caráter desafiador que o tema da rotatividade e da flexibilidade dos vínculos possui para o Paraná. De acordo com DIEESE (2011), “a movimentação dos vínculos da RAIS, em valores absolutos, tem como pressuposto analítico a visão de que a ordem de grandeza dessa movimentação assume importância na percepção social dos desafios impostos ao mercado formal de trabalho” (DIEESE, 2011, p.43). A partir dessa percepção, a presente seção apresenta os ‘grandes números’ de movimentação dos vínculos do mercado de trabalho formal do Paraná, procurando apontar suas principais tendências.

Na tabela 1, verifica-se que o total de emprego formal no Paraná (total de vínculos ativos em 31/12 somado ao total de desligamentos ocorridos ao longo do ano4) alcançou 4.844.936 vínculos. A trajetória do total de vínculos foi de elevação ano a ano, com uma taxa média de crescimento anual, entre 2003 e 2012, da ordem de 5,9%. Isso significou um acréscimo de movimentação de aproximadamente 2,1 milhões de vínculos no período, isto é, um crescimento total de 76,9%, partindo de 2.739.355 milhões em 2003.

Por sua vez, os vínculos ativos em 31 de dezembro de cada ano registraram elevação de 61,2% no período, de 1.884.380 para 3.033.665 vínculos, equivalente à adição de 1,1 milhões de contratos à movimentação na RAIS. No intervalo de dez anos, compreendido entre 2003 e 2012, a taxa de crescimento médio dos vínculos ativos foi de 4,9%. Esse indicador expressa o tamanho do mercado de trabalho formal do estado e dimensiona o nível de emprego formal utilizado pelo setor produtivo para fazer frente à atividade econômica do Paraná.

O aumento dos desligamentos ao longo do ano, em termos percentuais, ficou acima do crescimento dos vínculos ativos em 31/12. Entre 2003 e 2012, o número de desligados no ano mais que dobrou, passando de 854.975 para 1.811.271 desligamentos. A taxa de crescimento médio dos desligamentos ao ano foi de 7,8%. De forma geral, os desligamentos indicam os ajustes da mão de obra realizados anualmente no mercado formal, que decorrem por diversas motivações. Dentre elas, destacam-se as relacionadas ao ciclo produtivo anual (sazonalidade, contratos de obras e serviços de duração específica, ciclo de negócios, etc); aos desligamentos por razões referentes ao ciclo de vida

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dos trabalhadores (aposentadorias, morte, afastamento para estudo etc.); aos desligamentos por razões administrativas (contratos de experiência, transferências etc.); e aos originados do desempenho macroeconômico, que atingem de forma mais ampla o conjunto do mercado de trabalho (DIEESE, 2011).

TABELA 1

Evolução do número de vínculos segundo grupos Paraná, 2003 a 2012

Ano

Total de vínculos no

ano Desligamentos no ano Ativos em 31 de dezembro Em valores

absolutos Variação % Em valores absolutos Variação % Em valores absolutos Variação % 2003 2.739.355 4,3 854.975 4,9 1.884.380 4,0 2004 2.979.738 8,8 946.968 10,8 2.032.770 7,9 2005 3.144.836 5,5 1.035.488 9,3 2.109.348 3,8 2006 3.307.909 5,2 1.056.619 2,0 2.251.290 6,7 2007 3.584.331 8,4 1.205.400 14,1 2.378.931 5,7 2008 3.925.034 9,5 1.421.107 17,9 2.503.927 5,3 2009 4.018.267 2,4 1.380.478 -2,9 2.637.789 5,3 2010 4.377.391 8,9 1.593.676 15,4 2.783.715 5,5 2011 4.624.104 5,6 1.703.827 6,9 2.920.277 4,9 2012 4.844.936 4,8 1.811.271 6,3 3.033.665 3,9 Variação média anual - 5,9 - 7,8 - 4,9 Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE

O comportamento dos desligamentos no ano indica uma tendência pró-cíclica desse indicador. O que significa dizer que diante de uma conjuntura macroeconômica positiva, há uma tendência de elevação dos desligamentos, ao passo que em um cenário de desaceleração econômica, esse indicador também diminui, caso que se evidencia em 2009, ano em que a crise financeira internacional causou impactos na economia doméstica, brasileira e paranaense, e em que a taxa de desligamentos no ano foi negativa, de -2,9%. Ao mesmo tempo, em 2010, quando o PIB do estado alcançou 10%5, o número de demissões cresceu a uma taxa de 15,4% (Tabela 1).

Conforme demonstra o gráfico 1, a maior taxa de crescimento médio anual entre o grupo de trabalhadores desligados no ano, em relação aos trabalhadores ativos em dezembro de cada período base fez com que sua participação no total da movimentação da RAIS se elevasse de 31,2%, em

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2003, para 37,4%, em 2012. O aumento da participação dos desligados no ano passou a ser mais intensa a partir de 2007, quando chega a 33,6%, passando para 36,2% no ano seguinte. Em 2009, ano da crise financeira internacional, diminui, passando para 34,4%, voltando a crescer em 2010

GRÁFICO 1

Evolução da distribuição dos vínculos por grupos Paraná, 2003 a 2012

Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE

Pelas características do setor, em que predominam contratos de curta duração, a Construção civil foi o que registrou a maior participação de desligados no ano ao longo de toda série, com média de 53,0% de desligados no ano. A maior participação desse indicador no setor da Construção ocorreu em 2012, com participação de 55,2%. Ao mesmo tempo, também dado a uma particularidade setorial, nesse caso de longa duração contratual, a Administração pública foi o setor em que há a menor participação de demitidos no ano, sendo de 10,9% em 2012. A maior participação desse grupo de vínculos no total da movimentação da RAIS da Administração pública ocorreu em 2010, de 15,7%.

Ainda no setor privado, chama a atenção a menor incidência de demissões no ano no setor Extrativa mineral, que foi de 25,4% em 2012. Ao longo dos dez anos em análise, a taxa média de desligados no ano no setor foi de 26,3%. O segundo setor com maior proporção de contratos encerrados no ano foi o Comércio. Em 2012, essa relação foi de 41,0%, com uma média decenal de 38,1% entre 2003 e 2012. Em igual período, essa proporção passou de 31,8% para 38,5% na Indústria de

68,8 68,2 67,1 68,1 66,4 63,8 65,6 63,6 63,2 62,6 31,2 31,8 32,9 31,9 33,6 36,2 34,4 36,4 36,8 37,4 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Ativos em 31/12 Desligados no ano

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transformação. No setor de serviços, a taxa foi de 39,6% em 2012, contra 33,9%, em 2003. Na Agropecuária, que tem um movimento bastante afetado por sazonalidades, a proporção de desligados no ano foi de 39,6% em 2012 e média de 39,5% nos dez anos analisados (Tabela 2).

TABELA 2

Evolução da distribuição dos vínculos por grupos segundo setores de atividade econômica

Paraná, 2003 a 2012

Ano Condição do vínculo 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Extrativa mineral Desligados no ano 24,8 26,0 34,1 26,0 24,1 25,9 27,3 23,6 26,0 25,4 Ativos em 31/12 75,2 74,0 65,9 74,0 75,9 74,1 72,7 76,4 74,0 74,6 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Indústria de transformação Desligados no ano 31,8 31,3 34,2 33,0 33,7 37,5 35,5 36,8 37,3 38,5 Ativos em 31/12 68,2 68,7 65,8 67,0 66,3 62,5 64,5 63,2 62,7 61,5 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Serviços industriais de utilidade pública Desligados no ano 11,3 15,2 14,8 15,1 20,4 16,9 18,5 19,7 18,0 18,0 Ativos em 31/12 88,7 84,8 85,2 84,9 79,6 83,1 81,5 80,3 82,0 82,0 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Construção Civil Desligados no ano 55,0 53,9 52,4 52,1 51,9 51,9 51,5 52,8 53,6 55,2 Ativos em 31/12 45,0 46,1 47,6 47,9 48,1 48,1 48,5 47,2 46,4 44,8 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Comércio Desligados no ano 35,0 35,6 37,1 36,6 37,3 39,5 38,8 39,6 40,8 41,0 Ativos em 31/12 65,0 64,4 62,9 63,4 62,7 60,5 61,2 60,4 59,2 59,0 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Serviços Desligados no ano 33,9 34,8 35,7 35,4 36,9 38,1 36,8 38,0 38,2 39,6 Ativos em 31/12 66,1 65,2 64,3 64,6 63,1 61,9 63,2 62,0 61,8 60,4 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Administração Pública Desligados no ano 7,7 11,7 9,1 6,7 11,1 14,9 8,2 15,7 14,5 10,9 Ativos em 31/12 92,3 88,3 90,9 93,3 88,9 85,1 91,8 84,3 85,5 89,1 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Agropecuária Desligados no ano 40,3 37,5 40,2 37,6 40,2 40,8 40,2 39,6 38,7 39,6 Ativos em 31/12 59,7 62,5 59,8 62,4 59,8 59,2 59,8 60,4 61,3 60,4 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE

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2. FLEXIBILIZAÇÃO E DURAÇÃO DOS VÍNCULOS TRABALHISTAS

As implicações de intensas movimentações no mercado de trabalho formal como resultado de curto tempo de permanência no posto de trabalho somado a parcelas significativas de contratos de trabalho com prazo determinado podem ser perda de qualificação profissional do trabalhador, face à perda de contato com o exercício da ocupação, diminuindo a possibilidade do trabalhador em adquirir experiência. Por outro lado, pode haver desperdícios de recursos por parte do empregador caso seja necessário formar permanentemente os novos empregados.

Neste capítulo será aprofundada a análise sobre a instabilidade do mercado de trabalho formal do Paraná, buscando entender como a flexibilidade contratual afeta o tempo de emprego dos diferentes grupos de vínculos formais. Serão tomados como indicadores para a análise o tipo de vínculo e o tempo de permanência no emprego dos trabalhadores paranaenses, levando em consideração categorias como tempo de permanência dos ativos em 31/12 e dos desligados no ano, o tipo de contrato de trabalho dos desligados no ano, as causas dos desligamentos e a relação entre os salários dos trabalhadores no ato de sua admissão e de desligamento.

2.1. Tempo de permanência dos ativos e dos desligados no ano

Uma das características do mercado de trabalho formal brasileiro e que indica precarização dos postos é o baixo tempo de permanência do trabalhador no vínculo. Esta precarização é ainda maior para os trabalhadores desligados no ano, dado que estes permanecem um tempo excessivamente curto no último vínculo de emprego, em sua maioria inferior a três meses. Entre 2003 e 2012, essa proporção só se elevou, saindo de 28,0%, no primeiro ano, sendo de 33,0%, em 2008, chegando a 34,5%, em 2012. Se o percentual de desligados com menos de três meses no vínculo for somado ao percentual de desligados entre 3,0 meses e menos de um ano, verifica-se que, no Paraná, 67,0% dos desligamentos no ano não chegavam a concluir 12 meses no seu último posto.

Por outro lado, fica evidente que a estabilidade no posto avança na medida em que o vínculo aumenta seu período de permanência no emprego. A partir de 2008, a proporção de ativos em 31/12 na faixa de 24,0 a 35,9 meses passa a ser maior que a dos desligados no ano nessa mesma faixa. Ao passo que, em 2012, os desligados no ano se concentravam em um tempo de permanência no emprego inferior a três meses, os vínculos ativos se concentravam entre 6,0 e 23,9 meses no posto

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(Gráfico 2).

Uma das implicações principais do baixo tempo de permanência é que o trabalhador não consegue cumprir os requisitos mínimos de acesso ao seguro-desemprego. Outra implicação importante diz respeito às baixas remunerações associadas a empregos com curta duração, bem como à impossibilidade de adquirir a qualificação necessária ou adequada para exercer determinada função.

GRÁFICO 2

Tempo de permanência no emprego dos ativos em 31/12 e dos desligados no ano Paraná, 2003, 2008 e 2012

Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE

Por outro lado, é importante observar que também houve redução do tempo de permanência no emprego dos ativos em 31/12 ao longo do período investigado. Embora a maior proporção desses casos tenha permanecido entre os empregados na faixa de 12,0 a 23,9 meses, com relativa estabilidade do percentual, de 16,3%, em 2003, para 16,5%, para 2012, em igual período, a faixa de tempo de emprego entre os ativos de maior duração (acima de 120 meses), passou de 15,3% dos vínculos para 13,0% (Gráfico 2). Ao mesmo tempo, aumentou o percentual de trabalhadores com menos de 12 meses de emprego – de 31,3% para 36,7%. Essa queda no tempo e permanência pode ser atribuída, sobretudo, ao forte crescimento do emprego a partir de 2004, que permitiu, dentre outros, a incorporação de trabalhadores que antes estavam fora do mercado de trabalho formal. Também deve ser considerada a possibilidade de movimentação do trabalhador em busca de

28, 0 33, 0 34,5 14,0 13, 9 14, 4 19, 4 19, 5 18, 1 16, 5 14, 7 15, 1 8, 0 6, 8 6, 5 6, 5 6, 3 5, 7 5, 0 3, 9 3,7 2,6 1, 9 2, 0 9, 2 10, 4 10, 7 8, 3 10, 0 9, 6 13, 8 15, 2 16, 4 16, 3 16, 0 16, 5 10, 6 9, 7 10,2 11, 8 11, 8 11, 0 14, 8 12, 2 12,6 15, 3 14, 7 13, 0 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 Ate 2,9 meses 3,0 a 5,9 meses 6,0 a 11,9 meses 12,0 a 23,9

meses 24,0 a 35,9 meses 36,0 a 59,9 meses 60,0 a 119,9 meses 120,0 meses ou mais

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Contrato nº 074/2012 – SETS-PR e DIEESE 17

melhores condições de trabalho, sejam salariais ou de exercício da ocupação em condições de menos precariedade, favorecida por um cenário macroeconômico de crescimento da economia. A análise do tempo de permanência no emprego segmentada pelas mesorregiões do Paraná não se distancia daquela empreendida para o estado. Entretanto, chama a atenção o caso do Sudoeste paranaense, onde a proporção de desligados no ano com menos de três meses passou de 11,8%, em 2003, para 63,6%, em 2012, a maior taxa para essa faixa de tempo de permanência entre todas as mesorregiões. Na mesorregião Centro-Sul também ocorre um aumento considerável na proporção de desligados no ano com até 2,9 meses de vínculo no emprego, de 13,6%, para 39,8%, em igual período de comparação. Por outro lado, o Norte Pioneiro foi a única mesorregião em que houve registro de queda no número de desligados no ano com menos de três meses no emprego, saindo de 26,2%, em 2003, para 23,9%, em 2012 (Anexo 01).

2.2. Tipo de vínculo dos desligados no ano

Entre os desligados do mercado de trabalho formal paranaense predominam vínculos de trabalho estabelecidos por prazo indeterminado. Em 2012, 86,8% dos desligamentos correspondiam a esse tipo de vínculo, contra 80,0% em 2003. Em 2008, esse valor já era de 82,2%, apontando tendência de elevação desse indicador (Gráfico 3).

Ao mesmo tempo em que se elevou o número de desligamentos, cujo regime de contratação era celetista por prazo indeterminado, recuou o número de trabalhadores temporários, que era o segundo grupo com maior participação nos vínculos de desligados no ano em 2003, de 7,4%. Em 31 de dezembro de 2012 a participação desse grupo recuou para 4,4%, mantendo seu posicionamento de segunda maior participação no total de vínculos por tipo.

O terceiro maior tipo de vínculo entre os desligados no período analisado era o dos trabalhadores rurais contratados por prazo indeterminado, que também verificou redução expressiva no decorrer de dez anos, entre 2003 e 2012, saindo de 6,8%, para 4,1%, em 2008, chegando, no final da série, com participação de 2,9%.

Vale destacar que, em 2012, há pouca expressividade das demais categorias de tipo de vínculo, exceto Trabalhador urbano por prazo indeterminado. Esse número evidencia uma das principais características do mercado de trabalho formal brasileiro: a ampla flexibilidade contratual, que

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facilita tanto os desligamentos quanto as admissões (DIEESE, 2011). GRÁFICO 3

Tipo de vínculo contratual dos desligados no ano Paraná, 2003 a 2012

Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE

Algumas particularidades surgem quando analisados o tipo de vínculos dos desligados no ano segundo mesorregiões paranaenses. No Noroeste, a participação do Trabalhador rural contratado por prazo indeterminado recuou de 22,2%, em 2003, para 10,2%, em 2012. Movimento similar ao do Centro Ocidental, que, em igual período, passou de 28,5% para 10,7%. A maior proporção de desligados rurais no ano que mantinham vínculo formal por prazo indeterminado foi verificada no Norte Pioneiro, de 14,5% em 2012. Entretanto, essa participação era inferior a observada em 2003, de 33,4%.

A maior taxa de Trabalhador urbano contratado por tempo indeterminado foi verificada no Oeste Paranaense, de 90,0% em 2012. Na Metropolitana de Curitiba foi observado o maior número de Trabalhador temporário entre os vínculos desligados no ano, ainda que tenha recuado em dez anos, de 13,4%, em 2003, para 7,5%, em 2012 (Anexo 2). 80,0 6,8 1,8 0,7 7,4 3,3 82,2 4,1 1,2 1,6 6,1 4,8 86,8 2,9 1,1 1,4 4,4 3,4 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 Trabalhador urbano contratado por prazo indeterminado Trabalhador rural contratado por prazo indeterminado Servido público estatutário

Servido público não efetivo

Trabalhador temporário

Outros

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2.3. Causas do desligamento

A análise das causas dos desligamentos no Paraná evidencia a ausência de dificuldades para o desligamento de trabalhadores. Ademais, também mostra como o mercado de trabalho aquecido encoraja os trabalhadores a saírem por iniciativa própria do atual vínculo em busca de outras oportunidades.

Em 2012, pouco menos da metade dos rompimentos de contratos de trabalho no Paraná (41,0%) deveu-se à iniciativa do empregador e foi “sem justa causa”. Um olhar em perspectiva mostra que esse tipo de desligamento era de 56,1% em 2003, caindo para 52,6% no ano seguinte. Em 2005 volta a subir para 53,5%, não variando significativamente em 2006. A partir de 2009 é quando essa taxa cai, consecutivamente, chegando à menor verificada em toda a série histórica.

Por sua vez, os desligamentos por iniciativa do trabalhador cresceu de 19,6%, em 2003, para 33,3%, em 2012. O movimento de elevação dos desligamentos a pedido do trabalhador ocorreu de forma mais consistente a partir de 2008, com 26,7%, embora com queda no ano seguinte, para 24,4%, sendo de 28,2% em 2010; de 32,1%, em 2011; e, por fim, de 33,3%, em 2012. O aumento dos desligamentos a pedido do trabalhador é um movimento pró-cíclico e pode estar associado à melhora de sua percepção acerca da possibilidade de conseguir uma nova colocação, relacionada ao elevado crescimento econômico e do mercado de trabalho formal nos anos recentes.

Os desligamentos por término de contrato permaneceram, em 2012, no mesmo patamar de 2003, isto é, de 17,6%. A sua maior participação ocorreu em 2010, quando chegou a responder por 20,9% dos desligamentos (Gráfico 4).

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GRÁFICO 4

Evolução dos desligamentos por causa Paraná, 2003 a 2012

Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE

Em todas as mesorregiões há queda na taxa de demissões sem justa causa por iniciativa do empregador. Nas mesorregiões do Centro-Sul e Sudeste paranaenses essa proporção ainda corresponde a mais da metade, sendo de 53,4% e 50,9%, respectivamente em 2012. A menor taxa de demissão sem justa causa foi verificada no Sudoeste paranaense, de 37,7%, ao mesmo tempo em que os desligamentos a pedido do trabalhador foi de 35,4%. Na Metropolitana de Curitiba se destacam os desligamentos por término de contrato, de 20,8%, depois de ter respondido por 25,1%, em 2008. Em relação aos desligamentos a pedido do trabalhador, o destaque fica por conta da mesorregião Oeste paranaense, com 36,4%, em 2012 (Anexo 03).

2.4. Relação entre salários de admitidos e de desligados

A relação entre o salário de admissão e o salário de desligamento pode indicar a ocorrência de demissões que abram espaço para a contratação de trabalhadores por um salário mais baixo, ou seja, um movimento de rebaixamento salarial. Entretanto, os diversos indicadores de mercado de trabalho já produzidos pelo Observatório do Paraná6, particularmente aqueles voltados ao cálculo das taxas de desocupação, mostram que pela situação do mercado de trabalho do Paraná,

6 Ver em: http://www.trabalho.pr.gov.br/crt/observ/. Opção Produção Técnica.

56,1 52,6 53,5 53,4 49,9 47,0 49,9 44,0 42,2 41,0 19,6 22,2 21,6 21,8 23,7 26,7 24,4 28,2 32,1 33,3 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

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considerada de pleno emprego7, o movimento de rebaixamento salarial torna-se mais difícil. Outra possibilidade a ser cogitada para as diferenças salariais pode estar ligada à experiência para o exercício de determinada ocupação, maior entre os que saem do que entre os que entram.

O gráfico 5 mostra essa realidade de mercado de trabalho aquecido. As diferenças entre salários de admissão e desligamento são estreitas. No Paraná, desde 2006 ela não é maior que 10,0% e, em 2012, o salário de admissão era 6,0% menor que o de desligamento. Segundo mesorregiões, em 2012, no Norte Central paranaense o salário de admissão era idêntico ao de desligamento. Apenas no Sudeste paranaense a diferença entre salários de admissão e desligamento aumentou de 2,0% para 5,0%.

7 O conceito de “pleno emprego” é muito debatido e controverso. Há uma série de debates entre especialistas do mercado de trabalho e acadêmicos de diversas áreas sobre como classifica-lo e, portanto, como aplicar o conceito.

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GRÁFICO 5

Relação entre salários de admitidos e desligados Paraná e Mesorregiões, 2003 a 2012

Fonte: CAGED/MTE Elaboração: DIEESE

Nota: O PDET, portal de disseminação de estatísticas do MTE não disponibiliza informações do CAGED anteriores a 2006, motivo pelo qual a série utilizada tem princípio nesse ano.

3. ROTATIVIDADE NO MERCADO FORMAL DO PARANÁ

Movimentos constantes e volumosos de admissão e desligamento de trabalhadores no mercado de trabalho formal podem ser considerados, como já exposto na Nota Metodológica, “ajustamento do volume da mão de obra” realizado pelos estabelecimentos no curto prazo, e indicam a rotação anual de parte do contingente da força de trabalho. Através dos registros administrativos da RAIS é possível captar essa realidade de rotação de pessoal no mercado de trabalho formal brasileiro, permitindo a construção de taxas de rotatividade, pois essa base identifica o volume e as principais características dos contratos de trabalho no mercado formal, bem como sua movimentação anual. O presente capítulo traz o cálculo da taxa de rotatividade – a partir de dados da RAIS – no mercado de trabalho formal do Paraná, com desagregação considerando setores e subsetores de atividade econômica, assim como por famílias ocupacionais selecionadas – aquelas com participação igual ou superior a 1,0% do estoque de emprego em 2012. O capítulo destaca a taxa de rotatividade

descontada, ou seja, já excluídos aposentadorias, falecimentos, transferências e desligamentos a

pedido do trabalhador. Noroeste Paranaen se Centro Ocidental Paranaen se Norte Central Paranaen se Norte Pioneiro Paranaen se Centro Oriental Paranaen se Oeste Paranaen se Sudoeste Paranaen se Centro-Sul Paranaen se Sudeste Paranaen se Metropoli tana de Curitiba Paraná 2006 0,95 0,93 0,90 0,91 0,94 0,89 0,92 0,90 0,98 0,89 0,91 2007 0,94 0,93 0,90 0,93 0,94 0,87 0,92 0,90 0,93 0,90 0,90 2008 0,94 0,92 0,89 0,93 0,91 0,89 0,94 0,90 0,93 0,92 0,91 2009 0,92 0,95 0,89 0,92 0,92 0,90 0,92 0,93 0,93 0,89 0,90 2010 0,94 0,95 0,90 0,91 0,94 0,93 0,93 0,95 0,94 0,93 0,93 2011 0,94 0,94 1,01 0,94 0,95 0,94 0,95 0,96 0,97 0,93 0,95 2012 0,96 0,96 1,00 0,96 0,95 0,95 0,93 0,95 0,95 0,91 0,94 0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

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Contrato nº 074/2012 – SETS-PR e DIEESE 23

3.1 As taxas de rotatividade por setores e subsetores de atividade econômica

Em 2012, o Paraná apresentava uma taxa de rotatividade descontada da ordem de 36,3%, valor superior à taxa observada em 2003, de 34,6%, A maior taxa de rotatividade descontada no estado ocorreu em 2008, sendo de 39,4%, ao passo que a menor foi observada em 2006, de 34,8%.

A análise setorial da taxa de rotatividade descontada no Paraná mostra que ela é maior no setor da Construção civil, o que pode estar associado à própria dinâmica do setor, de determinação de prazos para execução de obras. Ainda assim, a taxa de rotatividade descontada do setor decresceu de 97,4%, em 2003, para 89,1%, em 2012. Também por características próprias, na Administração pública é onde se observa a menor taxa de rotatividade, muito influenciada pela garantia de estabilidade do setor para os vínculos estatutários.

Em termos econômicos, na distribuição do Valor Adicionado Bruto8, a Indústria de transformação e o setor de Serviços, no qual está inserido o segmento do Comércio, são os mais importantes do estado.

A taxa de rotatividade descontada da Indústria de transformação foi de 35,4%, em 2012, apresentando estabilidade frente à taxa verificada em 2003 (35,0%). Nesse setor, ainda em 2012, as maiores taxas de rotatividade descontadas foram observadas no subsetor Elétrico e de comunicação, de 49,0%, seguido da Indústria de calçados, na ordem de 45,6%. A taxa de rotatividade descontada no setor de Serviços decresceu de 42,3%, em 2003, para 41,1%, em 2012. Nesse setor, o destaque ficou por conta do subsetor de Administração técnica profissional, com taxa, em 2012, de 74,3%. Em 2003, ela chegou a atingir 87,8% do subsetor.

No Comércio, a taxa de rotatividade descontada foi de 40,9%, em 2012, menor que a verificada em 2003 (42,3%). Tanto no subsetor Varejista quanto Atacadista as taxas são relevantes e próximas à taxa geral do setor em todo período. Na Agropecuária, a taxa de rotatividade descontada não difere substancialmente dos setores de Comércio e Serviços no último ano do período analisado e foi de 42,7%, em 2012, frente a 52,1%, em 2003 (Tabela 3).

8

Ver em Subsídios para as políticas públicas de emprego, trabalho e renda do Paraná -estudo sobre as condições de inserção dos trabalhadores no mercado de trabalho formal e subsídio às políticas de qualificação do estado do Paraná, produzido pelo Observatório do Trabalho do Paraná. Disponível em : http://www.trabalho.pr.gov.br/crt/observ/. Opção Produção Técnica.

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TABELA 3

Taxa de rotatividade descontada* por setores e subsetores de atividade econômica Paraná, 2003 a 2012

Setor e Subsetor 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Extrativa mineral 25,9 25,7 33,5 29,0 24,8 25,2 29,5 23,6 21,6 22,3

Indústria de transformação 35,0 33,8 37,5 36,2 35,8 39,5 37,5 37,3 35,9 35,4 Prod. Mineral Não Metálico 30,5 28,0 31,3 29,5 30,9 36,2 33,9 35,0 34,6 33,4 Indústria Metalúrgica 41,6 39,9 43,1 41,2 41,9 49,4 45,0 42,4 41,3 38,9 Indústria Mecânica 28,0 34,2 36,4 37,3 38,2 49,2 45,7 48,9 49,5 43,3 Elétrico e Comunic. 46,0 26,9 28,3 37,1 36,6 35,3 34,8 37,8 41,2 49,0 Material de Transporte 16,7 16,0 18,2 18,3 18,3 28,0 24,9 24,3 22,5 24,1 Madeira e Mobiliário 38,3 40,2 44,5 39,2 38,1 43,3 39,2 36,1 37,0 34,5 Papel e Gráf. 23,8 23,4 26,9 27,1 26,8 31,3 31,5 31,1 28,3 29,9

Borracha, Fumo, Couros 38,9 39,6 44,3 44,5 45,7 47,7 44,4 44,7 43,7 39,6

Indústria Química 30,1 30,6 32,6 33,0 32,2 38,4 34,9 50,2 35,8 34,8

Indústria Têxtil 40,8 38,0 43,4 43,3 42,3 44,7 43,7 43,2 43,7 38,8

Indústria Calçados 51,5 56,9 42,7 43,2 40,1 56,3 39,1 43,4 46,1 45,6 Alimentos e Bebidas 36,6 34,0 38,5 36,6 35,7 35,6 34,9 30,5 29,9 32,5 Serviços industriais de utilidade

pública 9,6 11,2 12,0 11,1 13,1 12,1 15,3 12,2 11,7 11,5 Construção Civil 97,4 98,6 94,2 97,7 93,5 90,9 88,2 92,2 85,7 89,1 Comércio 42,3 42,0 44,1 43,2 43,5 45,2 44,6 43,7 42,5 40,9 Comércio Varejista 42,6 42,1 44,1 43,6 43,9 45,6 44,8 44,4 43,4 41,7 Comércio Atacadista 40,8 41,2 44,4 41,2 41,6 43,1 43,3 40,4 38,4 37,1 Serviços 40,5 41,3 41,8 40,7 42,5 44,5 41,9 42,9 39,7 41,1 Instituição Financeira 10,6 10,1 9,7 10,4 11,2 11,7 10,8 9,9 11,6 11,6 Adm. Técnica Profissional 87,8 91,1 84,6 81,5 84,8 87,7 77,7 79,0 70,0 74,3 Transporte e Comunicações 26,0 25,7 28,1 29,4 31,9 33,4 33,1 33,4 33,0 33,2

Aloj. Comunic. 32,4 31,8 36,0 33,6 34,9 39,0 39,2 40,6 37,8 37,1

Médicos Odontológicos Vet. 19,8 20,8 20,4 19,2 18,7 19,8 19,7 20,0 18,4 18,0

Ensino 18,1 17,2 19,2 19,4 19,2 18,8 19,4 18,7 17,5 18,2 Administração Pública 2,2 6,6 4,9 2,2 6,7 10,0 3,5 11,1 10,6 4,9 Agropecuária 52,1 44,5 48,8 45,2 47,2 51,3 49,7 46,6 43,0 42,7 Paraná 34,6 35,0 36,2 34,8 36,3 39,4 37,1 38,8 37,1 36,3 Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE

* Descontados as aposentadorias, falecimentos, transferências e desligamentos a pedido do trabalhador.

Outro dado importante a se destacar diz respeito à taxa de rotatividade total do estado do Paraná (Anexo 04). De forma geral, ela segue a mesma tendência que a taxa de rotatividade descontada de elevação ao longo dos dez anos analisados nesse estudo (2003 a 2012). Contudo, ao passo que a elevação da taxa de rotatividade é mais moderada, na total ela é acentuada, de pouco mais de 14,6

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pontos percentuais, saindo de 46,3%, em 2003, para mais da metade (52,1%) em 2007, chegando a 2012 em 60,8%.

Na construção civil a taxa de rotatividade total foi de 125,4%, em 2012, a maior setorialmente, secundada pela do Comércio (70,7%), pela dos Serviços (67,1%), Agropecuária (65,8%) e da Indústria de transformação (62,6%). Na taxa de rotatividade total deve-se considerar o crescimento dos desligamentos a pedido do trabalhador, que, como já visto, se elevou de maneira consistente nesse período, ao passo que os desligamentos por iniciativa do empregador seguiu o caminho inverso, de queda relevante (Gráfico 4). Ao mesmo tempo em que indica maior segurança ou confiança dos trabalhadores no mercado de trabalho, tendo em vista suas expectativas de se ocuparem sem dificuldades, um maior esforço para averiguar as razões que levam esses trabalhadores ao movimento de desligamento seria fundamental, no quadro de rotatividade indicado.

As mesorregiões apresentam uma dinâmica de rotatividade similar à do estado, tanto na taxa de rotatividade total quanto na descontada. Em relação à primeira, em 2012, os destaques foram Norte Central Paranaense (64,5%) e Sudoeste Paranaense (63,9%). A menor taxa de rotatividade total foi verificada no Sudeste Paranaense, de 48,1%. Com respeito à taxa de rotatividade descontada, em igual período, os destaques foram Metropolitana de Curitiba (38,5%) e Norte Central (37,9%). A menor taxa foi verificada no Centro Ocidental, de 28,8% (Anexos 05 e 06).

3.2 Famílias ocupacionais

A análise da rotatividade por famílias ocupacionais considerou somente aquelas que possuíssem participação igual ou superior a 1% do estoque de empregos em 2012 (Anexo 07). Foram selecionadas 24 famílias que atendiam a esse critério mínimo. Nesta seleção, elas foram ordenadas segundo grandeza da taxa de rotatividade descontada em 2012 (Tabela 4).

No estado, os Ajudantes de obras civis apresentaram a taxa de rotatividade descontada mais alta do estado, de 106,6% em 2012 – em 20049 era de 104,9%. Em seguida, aparece a família dos

9

A partir de 2003, o MTE aprova o uso da nova classificação da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), não havendo compatibilidade entre a CBO 2002 e a anterior, de 1994. Para o cálculo da rotatividade é utilizada como ferramenta a média do estoque do ano com o ano anterior, não sendo possível realizá-lo para 2003, de onde a série, em

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Contrato nº 074/2012 – SETS-PR e DIEESE 26

Trabalhadores de estruturas de alvenaria, com taxa descontada de 87,0%, em 2012, menor do que a

verificada em 2004 (96,4%). Destaque-se que essas famílias ocupacionais são típicas do setor da Construção civil, já mencionado em relação as características particulares no que diz respeito à prazo de execução de obras, em geral bastante curtos.

Os Alimentadores de linhas de produção aparecem, em 2012, na terceira posição com taxa de rotatividade descontada, da ordem de 64,5%. Esta é uma das ocupações mais importantes na Indústria de transformação e ocupava, nesse ano, a terceira posição como maior família ocupacional em número de vínculos no estado (Anexo 07).

Chama a atenção a taxa de rotatividade dos Trabalhadores de cargas e descargas de mercadorias. Em 2004, ela era de 27,6%, passando para 44,9%, em 2012, isto é, crescimento 17,3 pontos percentuais, o maior do período no período. Embora sustentando taxa elevada, de 45,0% em 2012, os trabalhadores da família ocupacional de Trabalhadores na exploração agropecuária em geral viram a rotatividade reduzir-se em 20,3 pontos percentuais, também a maior, saindo de 65,3%, em 2004.

Considerando a taxa de rotatividade sem descontos, tem-se que taxa de rotatividade dos Ajudantes

de obras civis era de 153,7% em 2012 e a dos Trabalhadores de estruturas de alvenaria, 126,2%,

no mesmo ano. Entretanto, a terceira posição se altera e entra a dos Garçons, barmen, copeiros e

sommeliers, que era de 113,6%, em 2010, ao passo que Alimentadores de linhas de produção

passam a ocupar a quarta posição (103,3%).

Dentre as 24 maiores famílias ocupacionais do Paraná, em 2012, dez famílias apresentavam taxas de rotatividade descontadas superiores à taxa média de todas as 24 famílias (41,0%) e apenas três famílias possuíam taxas descontadas inferiores a 20%. Dentre as famílias com as menores taxas, encontram-se os Técnicos e auxiliares de enfermagem, com 10,0%; Professores de nível superior do

ensino fundamental (primeira a quarta série); com 4,0%, e Professores do ensino médio, com

2,2%.

relação às famílias ocupacionais, tem início em 2004.

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TABELA 4

Taxa de rotatividade descontada por famílias ocupacionais Paraná, 2004 a 2012

Família ocupacional 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012

Ajudantes de obras civis 104,9 101,6 107,0 102,5 107,6 104,3 107,1 106,2 106,2

Trabalhadores de estruturas de alvenaria 96,4 93,4 96,1 89,8 88,6 88,5 88,7 87,0 87,0

Alimentadores de linhas de produção 63,1 65,9 62,1 67,2 79,3 66,4 70,1 64,6 64,6

Garçons, barmen, copeiros e sommeliers 51,8 54,9 55,1 55,9 62,0 63,8 62,2 58,5 58,5

Almoxarifes e armazenistas 42,6 43,3 45,7 47,2 52,5 50,5 54,6 55,7 55,7

Vendedores e demonstradores em lojas ou mercados 47,3 49,8 50,3 50,8 52,5 51,1 51,2 49,1 49,1 Caixas e bilheteiros (exceto caixa de banco) 41,2 43,7 42,7 43,7 45,4 46,6 45,4 48,2 48,2 Trabalhadores na exploração agropecuária em geral 65,3 55,8 58,3 61,1 64,6 63,0 60,4 45,0 45,0 Trabalhadores de cargas e descargas de mercadorias 27,6 30,5 29,7 31,0 38,4 35,2 42,4 44,9 44,9

Cozinheiros 45,2 41,8 43,9 44,7 48,0 49,9 47,5 44,4 44,4

Trabalhadores nos serviços de manutenção de edificações(1) - - - - 67,8 32,0 45,4 40,6 40,6

Recepcionistas 42,6 42,2 42,0 41,5 46,9 43,4 41,9 39,8 39,8

Motoristas de veiculos de cargas em geral 34,7 37,3 35,9 37,6 38,1 37,7 38,1 36,5 36,5

Motoristas de veiculos de pequeno e médio porte 28,7 29,2 28,4 30,8 32,9 31,8 34,1 33,9 33,9

Porteiros, guardas e vigias 27,1 29,1 30,3 29,4 33,0 33,0 34,0 33,6 33,6

Operadores de maquinas para costura de pecas do vestuário 37,5 41,7 40,7 38,7 41,0 40,2 38,4 33,5 33,5

Magarefes e afins 34,2 38,6 30,8 30,3 34,4 32,1 31,3 33,4 33,4

Trabalhadores nos serviços de manutenção e conservação de

edifícios e logradouros 30,7 32,9 30,5 31,4 23,3 34,4 29,5 31,4 31,4

Trabalhadores nos serviços de administração de edifícios 29,1 29,1 31,3 34,0 40,7 39,0 36,7 30,9 30,9 Escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares

administrativos 28,0 29,6 27,5 27,1 29,6 27,9 28,5 28,9 28,9

Vigilantes e guardas de segurança 20,9 22,4 19,5 18,8 25,0 19,3 19,8 28,0 28,0

Técnicos e auxiliares de enfermagem 11,4 11,1 11,0 10,4 11,5 10,9 11,0 10,0 10,0

Professores de nível superior do ensino fundamental (primeira

a quarta series) 3,1 2,9 3,2 2,9 6,0 3,5 5,1 4,0 4,0

Professores do ensino médio 3,5 4,2 2,9 2,2 11,0 2,8 11,2 2,2 2,2

Total 37,6 39,2 38,2 38,9 43,2 40,5 42,2 41,0 41,0

Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE

Nota: * Descontados as aposentadorias, falecimentos, transferências e desligamentos a pedido do trabalhador. (1) – Dados disponíveis apenas a partir de 2008.

A análise das taxas de rotatividade, segundo suas grandezas é fundamental no entendimento do fenômeno e de quais setores e ocupações são mais afetadas por elas. Todavia, a compreensão do mercado de trabalho formal será mais profunda na medida em que se avance no estudo da rotatividade entre aquelas famílias ocupacionais com maior estoque de emprego. Nesse sentido, os

Escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares administrativos (256.793 vínculos ou 8,5%

do estoque em 2012) apresentavam uma taxa de rotatividade descontada, no mesmo ano, de 28,9%10, ao passo que os Vendedores e demonstradores em lojas ou mercados (219.186 vínculos ou

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7,2% do estoque em 2012) possuíam uma taxa de 48,1%11. A terceira maior família ocupacional do Paraná é também a que aparece em terceiro lugar no ranking de maior taxa descontada em 2012, ou seja, os Alimentadores de linhas de produção (113.623 vínculos ou 3,7% do estoque em 2012) (Anexo 07).

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Taxas de rotatividade elevadas são um problema para o mercado de trabalho tanto no que diz respeito ao trabalhador, que sofre o prejuízo da descontinuidade no seu processo de formação, sem falar daqueles que pelo baixo tempo de permanência no posto, inferior a seis meses no caso brasileiro, não tem acesso ao benefício do seguro desemprego, quanto para o empregador, que terá de formar continuamente os novos trabalhadores na execução de suas tarefas e naquelas particularidades que são características de cada empreendimento. Altas taxas de rotatividade podem de fato ser consideradas um problema que afeta negativamente o conjunto da economia.

O estado do Paraná apresenta taxas de rotatividade elevadas, que aumentaram paralelamente ao momento econômico positivo do Paraná, e um conjunto de indicadores que mostram a relativa facilidade para a prática da dispensa de trabalhadores. A flexibilidade do mercado de trabalho formal paranaense, analisada a partir do tempo médio de permanência no emprego do trabalhador revelou que pouco mais de 1/3 dos desligados em 2012 permaneceu até 2,9 meses no vínculo e mais 2/3 dos desligados sequer atingiu um ano de trabalho no último emprego. Além disso, ao longo dos dez anos estudados, há sinais de redução do tempo médio de permanência no emprego dos trabalhadores paranaenses, particularmente entre aqueles com maior tempo de permanência.

Uma preocupação relevante com respeito às altas taxas de rotatividade do estado e ao seu aumento ao longo do período estudado, em caráter pró-cíclico, está na elevação também dos desligamentos a pedido, que também avançaram de forma relevante, chegando a 1/3 dos desligados, contra menos de 1/5 em 2003. Esse dado se torna ainda mais importante face ao tipo de admissão predominante, que é por contrato de trabalho por prazo indeterminado (86,8%). Tentar entender as motivações das causas de desligamento por iniciativa do trabalhador é fundamental para entender a rotatividade no Paraná tanto em estudos futuros, quanto no diálogo social promovido pela SETS através do Observatório do Trabalho.

A trajetória da taxa de rotatividade do Paraná reflete, por um lado, o crescimento do mercado de trabalho formal, que foi forte nos últimos anos, e também mostra que esse crescimento foi acompanhado pelo aumento dos desligamentos anuais de trabalhadores e pela curta duração de grande parte dos contratos de trabalho.

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menor taxa de rotatividade, percebe-se que a rotatividade no mercado de trabalho formal do Paraná é uma prática disseminada de forma indistinta no setor privado, com taxas de rotatividade que chegam a quase 90,0% (Construção civil) ou mais de 100,0% entre Ajudantes de obras civis, ocupação ligada ao setor da construção.

Por fim, para reforçar a dimensão da complexidade do tema rotatividade no mercado de trabalho brasileiro, que pode ser estendido ao mercado de trabalho paranaense, resgata-se um trecho de DIEESE (2011):

A distribuição relativamente estável ao longo dos anos da série entre vínculos ativos e desligamentos no ano, mesmo diante do crescimento do mercado formal de trabalho, por meio do acréscimo anual do estoque, parece indicar uma característica básica do funcionamento e da estrutura do mercado formal de trabalho brasileiro. Por um lado, esse mercado vale-se de elevada oferta de força de trabalho - a “flexibilidade quantitativa”; e, por outro, da insuficiência de mecanismos institucionais inibidores da demissão imotivada, no mercado de trabalho formal brasileiro - a “flexibilidade contratual”. Assim, ano a ano, o mercado de trabalho formal conta com a oferta crescente e abundante de força de trabalho para a seleção e composição do estoque, além de contar com grande oferta de trabalhadores, que atendem a demanda anual de trabalho em empregos de curtíssima duração” (DIEESE, 2011, p.49).

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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GLOSSÁRIO

Atividade econômica: Conjunto de unidades de produção caracterizado pelo produto produzido, classificado conforme sua produção principal. O IBGE possui, dentre outras, uma classificação de nove setores de atividade econômica: extrativa mineral; indústria de transformação; serviços industriais de utilidade pública; construção civil; comércio; serviços; administração pública; agropecuária, extrativa vegetal, caça e pesca; e ‘outros’.

CBO (Classificação Brasileira de Ocupações): é o documento que reconhece, nomeia e codifica os títulos e descreve as características das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. Foi instituída pela portaria ministerial nº. 397, de 9 de outubro de 2002, e tem por finalidade a identificação das ocupações no mercado de trabalho, para fins classificatórios junto aos registros administrativos e domiciliares.

CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas): É um instrumento padrão de classificação para identificação das unidades produtivas do Brasil, sob o enfoque das atividades econômicas existentes. É desenvolvida sob a coordenação do IBGE, de forma compatível com a International Standard Industrial Classification – ISIC, terceira revisão aprovada pela Comissão de Estatística das Nações Unidas em 1989 e recomendada como instrumento de harmonização das informações econômicas em âmbito internacional.

Estoque do emprego: número de vínculos formais nos estabelecimentos do município, da região metropolitana ou do Estado.

Família ocupacional: cada família ocupacional constitui um conjunto de ocupações similares

correspondente a um domínio de trabalho mais amplo que aquele da ocupação.

RAIS (Relação Anual de Informações Sociais): é um Registro Administrativo, de periodicidade anual, criada com a finalidade de suprir as necessidades de controle, de estatísticas e de informações às entidades governamentais da área social. Constitui um instrumento imprescindível para o cumprimento das normas legais, como também é de fundamental importância para o acompanhamento e a caracterização do mercado de trabalho formal.

Tamanho do estabelecimento: O conhecimento acerca da dinâmica do mercado de trabalho formal é importante informação para a elaboração de políticas públicas pelos gestores em qualquer nível de governo. Essa informação se torna ainda mais qualitativa na medida em que é possível saber como se distribui a quantidade de vínculos segundo o porte do estabelecimento.

As faixas estabelecidas pelo MTE não coincidem com outros critérios de mensuração de tamanho de estabelecimento como do SEBRAE, BNDES, Receita Federal etc.

Outra questão importante a se notar é que um estabelecimento que declare certo número de vínculos não precisa, necessariamente, ter esses trabalhadores exercendo ocupação no local da declaração, haja vista o registro poder ser encontrado na matriz do estabelecimento, que pode se situar em região diversa daquela onde o trabalhador irá desempenhar suas funções.

Tempo de permanência no emprego: Tempo calculado em meses de permanência do trabalhador em seu último emprego. É calculado pela diferença entre a data de desligamento e admissão do trabalhador. O cálculo da quantidade de meses trabalhados considera 30 dias no mês, somando 360 dias por ano.

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Anexo 01

Distribuição dos vínculos de emprego por condição do vínculos segundo tempo de permanência no emprego Paraná e mesorregiões paranaenses, 2003, 2008 e 2012

Mesorregião Condição do vínculo Ate 2,9 meses 3,0 a 5,9 meses 6,0 a 11,9 meses 12,0 a 23,9 meses 24,0 a 35,9 meses 36,0 a 59,9 meses 60,0 a 119,9 meses

120,0 meses ou mais Total 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 2003 2008 2012 Noroeste Paranaense Desligados no ano 19,5 26,4 25,9 13,4 14,6 14,6 27,3 23,6 22,3 17,6 15,9 16,9 8,9 7,1 7,7 6,7 6,6 6,6 4,9 4,1 4,1 1,8 1,7 1,8 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 7,1 8,4 8,9 8,0 9,5 9,6 16,4 18,0 17,8 17,3 18,2 16,9 12,5 10,8 11,1 12,4 11,8 12,2 14,0 12,2 12,5 12,3 11,2 11,0 100,0 100,0 100,0 Centro Ocidental Paranaense Desligados no ano 21,5 22,0 27,0 11,1 11,9 13,5 25,9 21,6 17,8 15,9 17,8 16,3 8,1 8,7 8,1 7,0 9,4 7,8 5,8 5,2 6,5 4,7 3,4 3,0 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 6,9 8,2 9,6 7,2 8,8 9,6 13,9 14,3 15,2 16,8 15,7 15,7 10,1 9,1 10,3 12,4 13,1 11,8 15,6 15,5 13,0 17,1 15,2 14,7 100,0 100,0 100,0 Norte Central Paranaense Desligados no ano 26,6 33,7 35,0 14,3 13,7 13,8 21,6 19,1 18,5 16,4 14,7 15,3 7,8 6,8 6,6 6,5 6,3 5,7 4,7 4,0 3,5 2,0 1,7 1,7 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 9,2 11,1 11,6 9,1 10,7 10,3 14,5 16,6 15,9 18,0 16,5 17,4 10,8 9,8 10,6 12,2 11,1 11,3 14,2 12,0 11,3 12,0 12,1 11,5 100,0 100,0 100,0 Norte Pioneiro Paranaense Desligados no ano 26,2 26,1 23,9 17,0 15,7 13,7 22,2 21,9 20,6 14,6 15,2 17,8 7,0 7,3 8,6 5,5 7,0 7,7 5,0 4,4 4,6 2,6 2,4 3,1 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 7,0 8,2 8,1 7,4 9,4 8,1 18,2 18,4 15,1 14,9 16,0 16,6 9,9 9,5 11,2 11,7 11,6 12,7 15,6 12,5 13,6 15,3 14,5 14,5 100,0 100,0 100,0 Centro Oriental Paranaense Desligados no ano 32,2 32,2 33,0 13,6 13,4 13,7 18,6 17,9 17,3 15,2 15,7 15,5 7,1 7,3 6,9 6,2 6,9 6,6 4,7 4,4 4,6 2,3 2,3 2,3 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 10,3 10,3 10,9 9,1 9,6 10,1 14,5 14,6 14,3 16,4 17,0 17,1 9,9 10,3 10,5 11,9 12,2 11,0 15,2 12,8 12,8 12,7 13,2 13,3 100,0 100,0 100,0 Oeste Paranaense Desligados no ano 24,9 30,5 31,2 13,6 14,0 13,7 19,5 18,6 18,2 18,5 16,2 16,3 9,3 7,8 6,9 7,3 7,2 6,4 5,0 4,1 4,5 1,9 1,6 2,7 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 9,9 10,6 11,0 9,7 10,4 9,9 15,1 16,0 15,9 17,3 17,0 17,8 11,5 9,5 10,8 11,5 12,6 12,0 13,6 12,2 11,9 11,4 11,7 10,7 100,0 100,0 100,0 Sudoeste Paranaense Desligados no ano 11,8 25,8 63,6 6,1 12,9 31,6 8,8 19,8 41,5 8,5 17,8 37,1 3,9 8,4 17,2 3,1 9,0 15,5 2,1 4,6 12,8 0,9 1,8 7,0 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 5,9 9,0 17,2 5,7 10,6 17,2 10,3 16,7 28,3 10,6 17,3 29,8 7,6 10,2 17,6 6,9 12,4 18,5 8,7 12,5 17,8 7,1 11,3 15,0 100,0 100,0 100,0 Centro-Sul Paranaense Desligados no ano 13,6 23,3 39,8 8,7 14,9 27,4 13,1 20,0 33,1 9,7 17,2 30,8 5,2 8,3 13,9 3,6 8,3 12,1 2,8 5,6 7,4 1,4 2,3 4,0 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 6,3 9,0 13,1 5,8 9,6 14,6 10,4 17,2 21,5 12,7 15,7 23,9 6,7 8,7 15,8 7,5 11,4 18,1 9,8 14,4 19,2 7,4 14,0 21,0 100,0 100,0 100,0 Sudeste Paranaense Desligados no ano 21,8 21,1 23,9 14,0 13,1 14,5 20,4 20,4 19,0 19,0 19,2 18,6 9,3 9,7 8,7 8,0 9,0 8,0 5,2 5,2 4,6 2,3 2,3 2,6 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 8,8 8,5 9,0 8,7 9,0 8,8 15,1 15,5 15,1 17,3 16,4 17,3 11,1 10,5 10,4 11,1 12,2 12,8 14,8 13,1 13,0 13,1 14,8 13,5 100,0 100,0 100,0 Metropolitana de Curitiba Desligados no ano 31,1 36,4 38,5 14,0 14,0 15,0 16,6 19,2 17,2 15,9 13,5 13,9 7,7 6,1 5,8 6,3 5,5 4,8 5,2 3,4 3,0 3,3 1,9 1,7 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 9,4 11,0 11,0 7,6 9,8 9,1 12,0 13,7 17,0 15,0 15,1 15,5 10,0 9,6 9,6 11,6 11,7 10,1 15,4 11,7 13,3 19,1 17,4 14,4 100,0 100,0 100,0

Total Desligados no ano 28,0 33,0 34,5 14,0 13,9 14,4 19,4 19,5 18,1 16,5 14,7 15,1 8,0 6,8 6,5 6,5 6,3 5,7 5,0 3,9 3,7 2,6 1,9 2,0 100,0 100,0 100,0 Ativos em 31/12 9,2 10,4 10,7 8,3 10,0 9,6 13,8 15,2 16,4 16,3 16,0 16,5 10,6 9,7 10,2 11,8 11,8 11,0 14,8 12,2 12,6 15,3 14,7 13,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: RAIS/MTE

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