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VIATURAS DE COMBATE A INCÊNDIO 95 FEVEREIRO/ R$ 15,00

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REVISTA MENSAL SOBRE INCÊNDIO, RESGATE, EMERGÊNCIA ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E EMERGÊNCIA QUÍMICA

95

FEVEREIRO/2017 - R$ 15,00

VIATURAS

DE COMBATE A INCÊNDIO

Atualização da NBR 14.096 traz padronização para

os veículos e abre oportunidades à indústria nacional

Novos critérios para

decretação de Situação

de Emergência e

Calamidade Pública

Pesquisa aborda a

qualidade dos

extintores de incêndio

após manutenções

Especialista em

Medicina Esportiva

fala sobre o APH em

(2)

ESPECIAL/VIATURAS DE COMBATE A INCÊNDIO

FEVEREIRO / 2017 Emergência

22

ESPECIAL/VIATURAS DE COMBATE A INCÊNDIO

Emergência 22 FEVEREIRO / 2017 AP ARECIDO BALDORIA

MAIS

COMPLETA

Atualização da NBR 14.096 visa padronizar e fortalecer o

mercado brasileiro de viaturas de combate a incêndio

(3)

FEVEREIRO / 2017 Emergência 23

Reportagem de Bruna Klassmann

P

ara padronizar nacionalmente as

via-turas de combate a incêndio existentes

no Brasil e garantir a segurança veicular

dos profissionais do fogo, foi revisada,

atu-alizada e publicada em 11 de abril de 2016,

a nova NBR (Norma Brasileira

Regulamen-tadora) 14.096 – Viaturas de Combate a

In-cêndio da ABNT (Associação Brasileira de

Normas Técnicas). Esta norma estabelece as

condições mínimas exigidas para o projeto,

fabricação, desempenho e ensaio dos

veícu-los de combate a incêndio. Original de 1998,

a norma atualizada está mais completa do que

a anterior, sendo mais ampla e detalhada. A

sua elaboração teve como base a norma

ame-ricana NFPA

(National Fire Protection

Associa-tion) 1901:2009, que é considerada por

espe-cialistas um referencial internacional na área,

pois traz consigo todas as exigências e

tecno-logias empregadas no mercado americano de

veículos de combate a incêndio. Desta forma,

a norma elevou o grau de exigência dos

ve-ículos nacionais a um nível internacional. A

NBR 14.096 estabelece requisitos que valem

tanto para viaturas pertencentes aos corpos

de bombeiros públicos, sejam eles militares,

municipais ou voluntários, como também

pa-ra os bombeiros privados.

(4)

ESPECIAL/VIATURAS DE COMBATE A INCÊNDIO

FEVEREIRO / 2017 Emergência

24

O trabalho de revisão da NBR 14.096 reuniu, por meio da Comissão de Estu-dos de Viaturas de Combate a Incêndio e Acessórios da ABNT, diferentes es-pecialistas da área, como bombeiros de diversos estados brasileiros, empresas fabricantes de chassis, empresas trans-formadoras e encarroçadoras de veí-culos e o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). “A participação de pro-fissionais na área de segurança contra incêndio, direta ou indiretamente en-volvidos nas questões abordadas nesta norma, trazendo propostas de novos textos ou discutindo como melhorar a norma vigente, foi fundamental para promover os avanços nos produtos e na área de segurança contra incêndio”, ressalta o pesquisador do Laboratório de Segurança ao Fogo e a Explosões do IPT (Instituto de Pesquisas Tecno-lógicas), engenheiro Deives Junior de Paula. O coronel da reserva do CBM-DF (Corpo de Bombeiros Militares do Distrito Federal), Gilberto Filho, tam-bém destaca o trabalho realizado pela comissão e as mudanças que a norma trouxe para a área de combate a incên-dio. “Esta norma de fundamental im-portância foi concebida por um traba-lho que durou vários anos de dedicação de diferentes colaboradores. Agora, o processo é de conscientizar que não basta ser uma viatura que ‘carregue água’ e tenha uma bomba de combate a incêndio e que possa ser de qualidade duvidosa, mas sim uma viatura de

com-bate a incêndio com qualidade mínima especificada na Norma Brasileira Regu-lamentadora”, enfatiza Filho.

De acordo com o supervisor de Segu-rança Industrial – Comando de Briga-das, Aparecido Daniel Baldoria, a NBR 14.096 não possui força de lei, pois seu cumprimento não é obrigatório pelas instituições públicas e privadas. No en-tanto, ela é um instrumento de grande ajuda aos responsáveis pela aquisição e fabricação das viaturas, tanto na par-te técnica quanto jurídica, por trazer as orientações necessárias para cada tipo de veículo. “Assim como toda revisão de normativa, a Senasp adota, por prática, a realização de Grupos de Trabalho pa-ra montagem dos termos de referência dos equipamentos a serem adquiridos e doados aos Corpos de Bombeiros Mili-tares. Especialmente em relação à NBR 14.096:2016, acredita-se que haverá um processo natural de amadurecimento

das instituições Bombeiros Militares na padronização dos requisitos e ensaios de desempenho necessários às viaturas de combate a incêndio no Brasil”, des-taca Rodrigo Quintino, major do Cor-po de Bombeiros de São Paulo e cola-borador da área técnica de Bombeiros da Senasp (Secretaria Nacional de Segu-rança Pública).

PADRÃO

A partir da atualização da norma, é possível identificar os tipos de veícu-los de combate a incêndio existentes no país, por meio do detalhamento das características presentes em cada viatu-ra. “Uma das principais melhorias foi o estabelecimento de uma nomenclatura padronizada para os diversos tipos de viaturas, de acordo com suas funções principais e secundárias, tornando pos-sível a formação de uma base de dados estatísticos sobre a frota atual do Brasil. Atualmente, esta informação não exis-te, pois dependendo da região ou es-tado, a viatura é chamada por uma no-menclatura diferente”, destaca o enge-nheiro Hugo Nicioli de Souza, que atua na empresa Scania Latino-Americana.

Para distinguir os tipos de viaturas de combate a incêndio presentes no merca-do, a atualização da NBR 14.096 dividiu os veículos em sete grupos distintos, de acordo com o serviço desenvolvido nos atendimentos. As viaturas foram nomea-das da seguinte forma: para intervenção inicial, auto bomba, auto tanque, com implemento elevatório, para uso múlti-plo, para serviços especiais e proporcio-nadoras de espuma. “A norma estabele-ce padrões de desempenho e descreve componentes que são comuns a todos os tipos de viaturas e a partir destes pa-râmetros, descreve cada tipo específico de veículo presente nestes grupos”,

sa-lienta o coordenador da Comissão de Estudos de Viaturas de Combate a Incêndio e Acessórios da ABNT, engenheiro Cesar Corazza Nieto. No box Tipos de viaturas, é possí-vel identificar os 22 tipos de viaturas especificadas na NBR 14.096, desta-cando principalmente as características, os acessó-rios e as atribuições de ca-da veículo.

NBR estabelece uma nomenclatura padronizada para os diversos tipos de viaturas

DIVULGAÇÃO SCANIA/SIL VIO SERBER Quintino: amadurecimento DIVULGAÇÃO Filho: dedicação ARQ UIV O PESSO AL

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FEVEREIRO / 2017 Emergência

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TIPOS DE VIATURAS

que para transporte de água com capacidade mínima de 2.000L e máxima de 4.000L, acomodação para transporte de material de combate a incêndio, mate-rial de salvamento, e cabina única para acomodação de, no mínimo, cinco tripulantes.

Auto Bomba Salvamento Leve (ABSL)

Equipada com bomba de combate a incêndio, com vazão nominal de, no mínimo, 1.000 lpm e inferior a 3.000 lpm, ou bomba auxiliar de combate a incêndio, tanque para transporte de água com capacidade mí-nima de 750L e máxima de 2.000L, acomodação para transporte de material de combate a incêndio, mate-rial de salvamento e cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes.

Auto Bomba Tanque (ABT)

Equipada com bomba de combate a incêndio com vazão nominal de, no mínimo, 3.000 lpm, acionada pelo motor da viatura, tanque para transporte de água com capacidade mínima de 4.000L e máxima de 6.000L, acomodação para transporte de material de combate a incêndio e cabina única para acomo-dação de, no mínimo, cinco tripulantes.

Auto Comando de Área (ACA)

Equipada com material de exploração, material de salvamento e material de combate a incêndio, com ou sem bomba auxiliar de combate de incêndio, com ou sem tanque para transporte de água e cabina única para acomodação de, no mínimo, cinco tripulantes.

Auto Escada (AE)

Equipada com escada elevatória, acomodação para transporte de material, cabina única para aco-modação de, no mínimo, três tripulantes, com ou sem tubulação para torre de água.

Auto Guincho (AG)

Equipada com material de guindagem e de arras-tamento. Quando especificado pelo contratante o AG pode ser equipado com tração 4X4, 6X4 ou 6X6.

Auto Iluminação (AI)

Equipada com gerador de energia, com capacida-de capacida-de, no mínimo, 20 mil W, no mínimo capacida-dez refletores, carretéis com cabos elétricos, plugues e tomadas de uso industrial e tripés para sustentação dos refletores.

Auto Plataforma (AP)

Equipada com plataforma elevatória, acomoda-ção para transporte de material, cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes, com ou sem tubulação para torre de água.

Auto Produtos Perigosos (APP)

Equipada com materiais e equipamentos especia-lizados para atuação em ocorrências envolvendo pro-dutos perigosos e cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes. Quando especificado pelo contratante, o APP pode ser equipado com cabina úni-ca para acomodação de, no mínimo, cinco tripulantes.

Auto Proporcionador de Espuma (APE)

Destinada a transportar LGE e produzir espu-ma de combate a incêndio, equipada com bomba de combate a incêndio, com vazão nominal de, no mínimo, 3.000 lpm, acionada pelo motor da viatura, acomodação para transporte de material de comba-te a incêndio e cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes.

Auto Químico (AQ)

Equipada com agente(s) extintor específico(s), com acomodação para transporte de material e ca-bina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes.

Auto Salvamento (AS)

Equipada com material para atuação em salva-mento terrestre, salvasalva-mento em altura e salvasalva-mento aquático, com cabina única para acomodação de, no mínimo, cinco tripulantes.

Auto Salvamento Especial (ASE)

Equipada com material especializado para atua-ção em salvamento terrestre, salvamento em altura e salvamento aquático, gerador elétrico, torre de ilu-minação e guindaste, e cabina única para acomo-dação de, no mínimo, três tripulantes.

Auto Tanque Bomba (ATB)

Equipada com tanque para transporte de água com capacidade superior a 6.000L, bomba de com-bate a incêndio com vazão nominal de, no mínimo, 1.000 lpm, ou bomba auxiliar de combate a incêndio e acomodação para transporte de material.

Auto Tanque Reboque (ATR)

Composta por veículo trator e semirreboque, tan-que para transporte de água com capacidade para transporte de, no mínimo, 18 mil litros, acomodação para material, equipada com bomba de combate a incêndio, com vazão nominal de, no mínimo, 1.000 lpm, ou bomba auxiliar de combate a incêndio e cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes.

Auto Transporte de Combustível (ATC)

Destinada a transportar combustível para abaste-cer as viaturas operacionais durante as emergências.

Fonte: definições de viaturas conforme seções 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11 da NBR 14.096/2016

Para definir o nome de cada viatura, a Comissão de Estudos de Viaturas de Combate a Incêndios e Aces-sórios da ABNT, que atualizou a NBR 14.096, elaborou 22 definições para os veículos utilizados no Brasil. A nova nomenclatura contou com a verificação dos nomes mais usados pelos Corpos de Bombeiros do Brasil. A identificação de cada veículo deve refletir o principal acessório ou atribuição que desempenhará a viatura, seguida dos acessórios ou atribuições secundárias em conformidade com as seções 5, 6, 7, 8, 9, 10 e 11 que descrevem como devem ser construídos e equipados os diferentes modelos de viaturas.

Estas definições são importantes para possibilitar que a Senasp, que publica periodicamente a pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública, possa divulgar os dados gerais sobre a estrutura organizacional das corporações, inclusive contendo o número de viaturas de combate a incêndio em cada unidade federativa.

Definições de viaturas contidas na NBR 14.096:

Auto Ar Respirável (AAR)

Destinada a abastecer e transportar cilindros e compressor de ar respirável para atendimento às emergências.

Auto Bomba (AB)

Equipada com bomba de combate a incêndio ou bomba de combate a incêndio industrial, acio-nada pelo motor da viatura, com acomodação pa-ra tpa-ransporte de material de combate a incêndio e cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes e sem tanque para transporte de água.

Auto Bomba Escada (ABE)

Equipada com escada elevatória, bomba de com-bate a incêndio, com vazão nominal de, no mínimo, 4.000 lpm, acomodação para transporte de material e tubulação para torre de água e cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes, com ou sem tanque para transporte de água.

Auto Bomba Plataforma (ABP)

Equipada com plataforma elevatória, bomba de combate a incêndio, com vazão nominal de, no mínimo, 4.000 lpm, acomodação para transporte de material, tubulação para torre de água e cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripu-lantes, com ou sem tanque para transporte de água.

Auto Bomba Leve (ABL)

Equipada com bomba de combate a incêndio, com vazão nominal de, no mínimo, 1.000 lpm e inferior a 3.000 lpm, acionada pelo motor da viatura, ou bomba auxiliar de combate a incêndio, tanque para trans-porte de água com capacidade mínima de 750L e máxima de 2.000L, acomodação para transporte de material de combate a incêndio e cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes.

Auto Bomba Químico (ABQ)

Equipada com bomba de combate a incêndio, com vazão nominal de, no mínimo, 4.000 lpm, agen-te extintor específico, acomodação para transporagen-te de material e cabina única para acomodação de, no mínimo, três tripulantes, com ou sem tanque para transporte de água.

Auto Bomba Salvamento (ABS)

Equipada com bomba de combate a incêndio, com vazão nominal de, no mínimo, 3.000 lpm,

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tan-FEVEREIRO / 2017

ESPECIAL/VIATURAS DE COMBATE A INCÊNDIO

Emergência 27

Detalhes da norma

Fabricação, montagem, desempenho, ensaio, durabilidade e

manutenção dos veículos são destaques do texto

A atualização da NBR 14.096 apre-senta novas especificações para a fabri-cação, montagem, desempenho, ensaio, durabilidade e manutenção dos veícu-los. Sendo mais detalhada do que a ver-são de 1998, a norma pretende ofere-cer um produto com mais qualidade e com maior segurança aos profissionais. “A norma ainda é incipiente e pouco aplicada no Brasil, mas a sua vantagem é determinar parâmetros para a cons-trução da viatura e seu desempenho, o que resulta em um produto melhor”, enfatiza o tenente-coronel Roberto La-go, comandante do 18º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Barueri/ SP. “Esta norma, por fixar condições mínimas exigíveis para uma viatura de combate a incêndio, estabelece parâme-tro de qualidade para estas viaturas e a robustez necessária para o serviço se-vero atinente à operação de combate a incêndio”, ressalta o coronel da reserva

do CBMDF, Gilberto Filho.

Os especialistas ouvidos por Emer-gência nesta reportagem, apresentam

quais foram os destaques publicados na atualização da NBR 14.096, referente a cada quesito citado acima.

FABRICAÇÃO

A atualização da NBR 14.096 não traz como forma de lei os componentes e os acessórios que devem estar presen-tes nas viaturas de combate a incêndio, mas apresenta sugestões de fabricação customizada que supram as necessida-des das instituições e tragam mais segu-rança aos profissionais que trabalham com estes veículos. Além disto, destaca o que será necessário incluir em cada ti-po de viatura para os atendimentos das ocorrências. Estas informações presen-tes na norma servem para as empresas responsáveis pela produção do chassi e o encarroçamento dos veículos.

A criação de uma viatura de comba-te a incêndio, segundo a NBR 14.096, começa no chassi do veículo, sendo a estrutura de suporte em que, poste-riormente, a carroceria será montada em cima. Por meio do chassi é possível escolher diferentes configurações para a viatura, como o motor, o alternador do veículo, o tipo de cabina, a suspen-são, o controle de estabilidade, o tipo e a relação de transmissão, o torque, a potência, o sistema de arrefecimento, entre outras. Atualmente, no mercado de viaturas de combate a incêndio exis-tem dois padrões de chassis: america-no e europeu. “Os americaamerica-nos utilizam predominantemente chassis customiza-dos que são projetacustomiza-dos a partir do zero para as finalidades a que se destinam, enquanto que os europeus utilizam chassis comerciais adaptados. As via-turas customizadas podem levar van-tagens nas características construtivas e de segurança, por serem projetadas e construídas para atuarem nas mais ad-versas condições”, destaca o supervisor de Segurança Industrial – Comando de Brigadas, Aparecido Daniel Baldoria.

O coordenador da Comissão de Es-tudos de Viaturas de Combate a

(7)

Incên-FEVEREIRO / 2017 Emergência

28

dio e Acessórios da ABNT, en-genheiro Cesar Corazza Nieto, salienta que no Brasil as viatu-ras são construídas a partir dos chassis comerciais, como os uti-lizados pelos europeus. “Nossa realidade é a do uso dos chassis comerciais disponíveis no país, que felizmente são modernos e perfeitamente adaptáveis para o serviço de bombeiros. Podem melhorar, como acontece na Europa, onde a montadora ofe-rece em seu catálogo os chassis bombeiro, já com cabina dupla, alternador reforçado e possibi-lidade de integração eletrônica com o aparato de combate”, destaca. Mas, segundo Baldoria, o problema neste caso para as instituições públicas e privadas do Brasil é a assistência técnica ou o pós-venda a médio e longo prazo. “Esta é a razão da predo-minância de chassis comerciais em nosso país, pois a maioria dos fabricantes de chassis eu-ropeus possuem fábricas por aqui. O grande problema para nós é que estes mesmos

fabri-cantes disponibilizam diversas opções de configuração para o mercado eu-ropeu e não para o Brasil. Quer dizer, montar viaturas com maior padrão de qualidade e complexidade exige que es-tas tragam componentes ou até mesmo o chassi por completo de suas matrizes europeias, o que encarece muito o pro-jeto”, enfatiza.

Montar uma viatura de combate a incêndio, especialmente as de maior complexidade ou capacidade de bom-beamento, não é apenas unir os compo-nentes. É necessário que em cada via-tura haja uma integração entre as peças de configuração para um perfeito fun-cionamento do veículo. Por isto, é im-portante que exista conhecimento das normas, como a NBR 14.096 e outras, por parte do responsável pela especifi-cação e pelas empresas que produzirão todas as etapas dos veículos. “No nosso caso, tiramos proveito do sistema mo-dular de produção da Scania e monta-mos a especificação mais adequada de acordo com o que está sendo exigido. A norma brasileira traz o que existe de mais moderno das normas norte-ame-ricana e europeia que sempre serviram

Entre os diferentes destaques de desempenho dos veículos, o secretário da Comissão de Es-tudos de Viaturas de Combate a Incêndio e Acessórios da AB-NT, Paulo Chaves de Araujo, ci-ta os quesitos de desempenho em PBTOM (Peso Bruto To-tal em Ordem de Marcha). “A viatura totalmente equipada e carregada em seu PBTOM de-ve demonstrar desempenhos de aceleração, velocidade, ve-locidade em rampa e capacida-de do sistema capacida-de bombeamento sobre piso seco, pavimentado e em boas condições”, salienta Araujo. Quanto ao desempe-nho de aceleração, partindo da posição estacionada, a viatura deve atingir a velocidade de 55 km/h em 25 segundos sobre a pista em nível. Em relação ao desempenho de velocidade, a viatura deve atingir e manter uma velocidade de 80 km/h no mínimo sobre a pista em nível. Já sobre o desempenho de velo-cidade em rampa, a viatura de-ve atingir e manter no mínimo uma velocidade de 30 km/h em qual-quer gradiente menor ou igual a 6%. “A norma é extensa, mas seu principal destaque é o estabelecimento de pa-drão de desempenho a uma das partes mais importantes de um caminhão de combate a incêndios, que é a bomba de incêndio, o que afasta alguns curiosos que acabam produzindo equipamentos de qualidade duvidosa”, destaca o te-nente coronel Lago.

ENSAIOS

A atualização da norma trouxe um aprimoramento e detalhamento dos requisitos e critérios de desempenho como pilares para o desenvolvimento

dos nossos caminhões e componentes específicos para as aplicações de bom-beiro”, diz o engenheiro Hugo Nicioli de Souza, que atua na empresa Scania Latino-Americana.

DESEMPENHO

A NBR 14.096 estabelece parâmetros de desempenho tanto para o desloca-mento das viaturas de combate a incên-dio quanto para o sistema de bombe-amento. “O foco principal no desem-penho da viatura, além do óbvio que é o combate em si, sempre prioriza a se-gurança do bombeiro”, destaca Nieto.

Deives: 27 ensaios ARQ UIV O PESSO AL Nicioli: moderno DIVULGAÇÃO SCANIA Lago: parâmetros ARQ UIV O PESSO AL

Norma traz mais segurança aos bombeiros, incluindo a instalação de corrimãos e degraus na viatura

ARQ

UIV

O PESSO

AL/CESAR NIET

(8)

ESPECIAL/VIATURAS DE COMBATE A INCÊNDIO

FEVEREIRO / 2017 Emergência

30

Com relação aos ensaios, a nova norma apresenta 15 novos tipos em comparação com a anterior

ARQ

UIV

O IPT/MITREN

aceitáveis, considerando os diferentes tipos de viaturas de combate a incên-dio que estão definidos na NBR 14.096. Com relação aos ensaios realizados nos veículos, a nova norma apresenta 15 novos tipos em comparação com a anterior. “Na versão de 1998, estavam agrupados na seção 11 (Informações de ensaio e condições de entrega) um total de 12 ensaios distintos. Na versão publicada em 2016, temos 27 ensaios diferentes”, destaca o Pesquisador do Laboratório de Segurança ao Fogo e a Explosões do IPT (Instituto de Pesqui-sas Tecnológicas), engenheiro Deives Junior de Paula.

Os ensaios previstos na atualização da NBR 14.096 estão divididos em se-ções: requisitos gerais; sistemas elétrico de baixa tensão e dispositivos de adver-tência; carroçaria, compartimentos e fi-xação de equipamentos; bomba de com-bate a incêndio e seus acessórios; bom-bas auxiliares e equipamentos associa-dos; implementos elevatórios; sistemas proporcionadores de espuma; sistema gerador de espuma por ar comprimido (CAFS); sistema de geração elétrica em corrente alternada (CA); e sistema de ar. Cada seção é composta por diferen-tes ensaios previstos para cada parte da viatura de combate a incêndio.

Após a viatura passar pelos devidos ensaios exigidos na norma, é que os veículos podem ser entregues ao com-prador, seja ele instituição pública ou privada. “Após o término dos ensaios, o fabricante deve colocar todos os

re-sultados em um livro de registro de da-dos, conhecido como data book, e

entre-gar com o certificado de conformidade junto com a viatura”, enfatiza Nieto.

Baldoria destaca que assim como as corporações de diferentes estados brasileiros, a principal empresa de pe-tróleo do Brasil tem exigido nas lici-tações que suas viaturas de alta vazão tenham seu sistema de bombeamento ensaiado conforme a NBR 14.096. “O resultado disto é que, por exemplo, no incêndio ocorrido em um terminal de combustíveis em Santos/SP, em 2015, uma das suas viaturas VPE (Viatura Proporcionadora de Espuma) chegou a operar por 150 horas ininterruptas em

seu regime máximo operacional sem apresentar problemas críticos”, conta o especialista.

MANUTENÇÃO/DURAÇÃO

A manutenção e a durabilidade das viaturas de combate a incêndio também são destaques na atualização da NBR 14.096. “Um ponto muito importante que a norma estabelece é que a viatura deve ser construída para ser robusta e para durar bastante conforme duram as viaturas Pierce americanas constru-ídas em conformidade com a NFPA 1901, norma na qual se baseia a NBR 14.096”, destaca Chaves. Sobre a dura-ção, a nova norma cita que as viaturas fabricadas conforme as especificações da NBR 14.096, devem ter uma vida útil prevista de dez anos, com a necessidade de certificar o sistema de bombeamen-to a cada cinco anos, com a realização de novos ensaios e testes.

Já as viaturas que estão em atuação em diferentes estados brasileiros há mais tempo, os gestores devem avaliar se compensa o custo-benefício de re-formar os veículos antigos para tar os quesitos que puderem ser adap-tados. “Caso não compense, a viatura deve continuar como já vinha operan-do”, ressalta Chaves. Na ativa até a ob-solescência natural, Nieto destaca que “os chassis antigos, encontrarão dificul-dades de reposição de peças e sua ma-nutenção se torna inviável”. As novas aquisições modernas e conforme no-va norma irão substituí-los com muito Texto cita que as viaturas fabricadas

conforme as especificações da NBR 14.096, devem ter uma vida útil prevista de dez anos

AP

(9)

FEVEREIRO / 2017 Emergência 31

mais eficácia e economia.

Sobre a manutenção, Nieto comenta que é necessário ter um cuidado espe-cial com a realização de todas as ma-nutenções rotineiras dos veículos, de primeiro escalão, recomendadas pelo fabricante do chassi e pelo implemen-tador. Além disto, a norma destaca em seus capítulos a necessidade de acesso fácil a qualquer acessório dos veícu-los na hora da manutenção, como por exemplo, à bomba de incêndio, que exige um compartimento apropriado.

TECNOLOGIA

Para o gerente de Engenharia da em-presa Mitren, fabricante de veículos de combate a incêndios e salvamentos do Brasil, engenheiro Edison Eckert, as tecnologias existentes e as especifica-ções normatizadas normalmente andam juntas. “Sempre que uma nova tecnolo-gia é disponibilizada as normas técnicas tendem a considerá-la nas suas revisões. Da mesma forma, quando uma nova exigência é imposta pela normatização as tecnologias existentes acabam adap-tando-se a esta”, comenta Eckert. Mas, o especialista destaca ainda, que estas mudanças tecnológicas podem trazer algumas desvantagens às empresas bra-sileiras. “A NFPA está sempre muito atualizada e em conformidade com as últimas tecnologias existentes no setor. Neste aspecto, ao adotar a NFPA como referência, a ABNT NBR 14.096:2016 coloca as empresas brasileiras, num pri-meiro momento, em grande desvanta-gem em relação aos fabricantes

estran-geiros, que já possuem o domínio destas tecnologias há bastante tempo. Agora, compete aos fabricantes nacionais de-senvolverem suas tecnologias para aten-derem a estas exigências”, complemen-ta. A Mitren é uma das empresas que já disponibiliza produtos que atendem a NBR 14.096, como as bombas para veículos de combate a incêndio, siste-mas de espuma, válvulas de alívio, entre outros acessórios.

Pode-se dizer que na parte tecnológi-ca das viaturas de combate a incêndio, a norma atualizada trouxe mudanças em diferentes equipamentos, como o sistema de espuma, o sistema de ilu-minação, o registrador de dados e a mudança nos assentos da tripulação. “Esta norma, por ser uma adequação à norma americana, já é testada e apro-vada, em linhas gerais, nos EUA, que é um mercado muito exigente. Além da qualidade geral, ela traz inovações no combate de incêndio que é o sistema de espuma chamado CAFS, que tem co-mo característica a eficiência no com-bate com o mínimo consumo de água”, destaca Filho. O CAFS (Compressed Air Foam System) é um sistema que mistura

espuma com ar-comprimido e produz cerca de 1.200 litros por minuto, o que é de extremo valor em localidades com pouca água disponível. “Sem dúvida, a norma contempla os sistemas de espu-ma, com destaque ao CAFS que é uma tecnologia já em uso em vários países, assim como nas corporações brasileiras de São Paulo e Distrito Federal, com muito sucesso. Gostaria de vê-la nos

demais estados do país”, salienta Nieto. Outro aspecto na norma, relativo às tecnologias, é o governador de pres-são das bombas, item que já está sen-do usasen-do nas viaturas brasileiras. De acordo com Nieto, a partir deste item é possível eliminar o profissional no controle da bomba, pois a atuação é feita diretamente no motor eletrônico da viatura, acelerando e desacelerando o veículo, conforme a necessidade de pressão na bomba.

A partir da atualização da NBR 14.096, a tecnologia presente nas via-turas de combate a incêndio, incor-porou o RDV (Registrador de Dados da Viatura) que é capaz de armazenar os dados como: velocidade do veícu-lo, aceleração, desaceleração, distância percorrida, sistema de freio, quantida-de quantida-de tripulantes, além quantida-de outras parti-cularidades. “O registrador de dados é uma espécie de caixa preta que registra, a exemplo dos aviões, tudo que ocor-re na cabina durante o deslocamento, desde a saída do quartel até a volta”, comenta Nieto.

Entre outras melhorias da norma atualizada, pode-se citar ainda as mu-danças para as cabinas das viaturas de combate a incêndio. Sugere-se que os assentos dos veículos permitam o en-caixe do EPR (Equipamento de Pro-teção Respiratória), para evitar a perda de tempo do bombeiro na hora da co-locação dos equipamentos.

Como pode-se verificar, grande parte das atualizações da NBR 14.096 priori-za a segurança do profissional que

(10)

es-ESPECIAL/VIATURAS DE COMBATE A INCÊNDIO

FEVEREIRO / 2017 Emergência

32

ESPECIFICAÇÕES DE COMPRA

1

Levantar as necessidades operacionais do serviço para o qual a viatura será utilizada;

2

Ouvir motoristas e mecânicos das corpora-ções e concessionárias autorizadas visando atender às necessidades de manutenção e assis-tência técnica daquela região;

3

Escrever a especificação técnica, exigindo o cumprimento dos requisitos mínimos de de-sempenho estabelecidos na NBR 14.096 e solicitar no edital a certificação dos itens que podem ser certificados. Se for adquirir mais de uma viatura, especificar a forma de entrega parcelada e a exi-gência para que seja construída, primeiramente,

uma viatura cabeça de série (protótipo), conforme estabelecimento na NBR 14.096.

4

Após a conclusão da licitação, fazer visitas periódicas à fábrica a fim de acompanhar a montagem, e após a entrega do protótipo conferir de forma detalhada e solicitar a correção dos itens em não conformidade;

5

Durante a entrega das demais unidades do lote, conferir e testar tudo.

Fonte: Paulo Chaves de Araujo, secretário da Comissão de Estudos de Viaturas de Combate a Incêndio e Acessórios da ABNT

dos seus veículos, podem referenciar os itens específicos desta norma que aten-dam as características desejadas para as suas aplicações”, enfatiza Eckert.

De acordo com o secretário da Co-missão de Estudos de Viaturas de Com-bate a Incêndio e Acessórios da ABNT, Paulo Chaves de Araujo, antes de adqui-rir uma viatura de combate a incêndio, o gestor, seja ele militar ou civil, deve encomendar um estudo preliminar para avaliar quais são suas necessidades pa-ra escolher entre os 22 tipos de viatupa-ras previstas na norma. Além disto, é pos-sível especificar também no estudo, a capacidade de vazão da bomba de com-bate a incêndio, a pressão, se a viatura necessita ou não ser equipada também com uma bomba auxiliar de alta pres-são, se deve ser equipada com tanque para armazenamento de LGE (Líquido Gerador de Espuma) para incêndio, o número de tripulantes que deve trans-portar, além de outros materiais e equi-pamentos que devem conter a viatura. A partir destas informações é possível es-colher qual modelo de chassi disponível no mercado possui a potência do motor e demais condições para atender os de-sempenhos requeridos. “É importante destacar que toda especificação técnica deve ser elaborada para atender todos os requisitos de desempenho estabele-cidos na NBR 14.096 e quando o con-tratante não possuir em seus quadros, técnicos com conhecimento e experiên-cia suficientes, deve contratar um espe-cialista no assunto, tudo para adquirir a melhor viatura pelo menor preço, e não qualquer viatura pelo menor preço”, sa-lienta Araujo.

Um fator importante ao especificar os

Mercado brasileiro

Por seguir padrões internacionais, a NBR 14.096

abre novas oportunidades à indústria nacional

Como a atualização da NBR 14.096 foi baseada em normas internacionais, os veículos produzidos no Brasil se-guem os padrões normativos encon-trados em outros países, concorrendo diretamente com empresas internacio-nais. “A norma seguiu um padrão inter-nacional e com isto abre oportunidade à indústria nacional para competir em nível de igualdade no mercado interno e externo. Hoje, nossa indústria de cami-nhões está presente em toda a América Latina, com distribuição e assistência técnica forte em diferentes países. Ao montarmos viaturas sobre estes chassis comerciais, seguindo uma norma, há uma grande oportunidade para expor-tação”, destaca o coordenador da Co-missão de Estudos de Viaturas de Com-bate a Incêndio e Acessórios da ABNT, engenheiro Cesar Corazza Nieto. Com a adequação da norma é possível que empresas brasileiras exportem os seus produtos ou veículos para países que exigem o padrão NFPA.

“Já com relação aos produtos impor-tados, a NBR 14.096 não representa nenhuma barreira para eles. Até pelo contrário, ela facilita a entrada de produ-tos importados no mercado brasileiro, e até torna praticamente obrigatória a importação de determinados acessórios que não existem no mercado brasileiro, o que acaba impactando no custo final dos veículos”, comenta o gerente de Engenharia da empresa Mitren, enge-nheiro Edison Eckert. O tenente-coro-nel Roberto Lago, comandante do 18º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Barueri/SP, também salienta sobre este ponto negativo encontrado pelas empresas brasileiras. O especialista co-menta que elas deveriam receber isen-ção para a importaisen-ção de alguns equi-pamentos que por sua reduzida

deman-da não favorecem o investimento para a fabricação no país. “Um exemplo de equipamento importado são as portas de enrolar do tipo persiana. No mundo todo poucos fabricantes realizam sua produção e os implementadores com-pram destes fornecedores. Como a de-manda é baixa, não é possível produzir com qualidade e preço competitivo. Is-to também vale para outros acessórios como válvulas do sistema de combate a incêndios, governador de pressão da bomba, entre outros produtos”, con-ta Lago.

AQUISIÇÃO

Criou-se um guia com todos os tipos de viaturas existentes no Brasil com a atualização da NBR 14.096. A partir desta divulgação, as instituições públi-cas e privadas tiveram que começar a especificar melhor qual o produto que gostariam de adquirir para que fosse possível suprir a demanda. “Os usuá-rios sempre devem avaliar as suas ne-cessidades individuais específicas e o propósito de uso da viatura. Assim, na elaboração das especificações técnicas tará atuando nas ocorrências. A partir

disto, conforme Nieto, o sistema de iluminação de emergência das viaturas de combate a incêndio também sofreu algumas alterações. Entre elas, a norma estabelece que o veículo tenha dois

ní-veis de iluminação horizontais, o supe-rior e o infesupe-rior, assim como estabelece quatro setores de iluminação, frente, traseiro, direito e esquerdo. Cada um possui os critérios específicos de ilu-minação descritos na norma.

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FEVEREIRO / 2017 Emergência 33

chassis das viaturas é levar em conside-ração o peso de todo o conjunto, con-tando componentes e acessórios dos veículos. Ao contrário das aplicações rodoviárias ou comerciais, este peso es-tará sobre os chassis em tempo integral durante toda a vida útil da viatura. “Ao transformar chassis comerciais em via-tura de bombeiro é transformar um sis-tema projetado e construído para apli-cação rodoviária (em movimento) em sistema estacionário (parado). Esta é a razão pela qual os americanos preferem chassis customizados, nos quais tudo foi projetado e construído como sistema estacionário”, ressalta o supervisor de Segurança Industrial – Comando de Bri-gadas, Aparecido Daniel Baldoria. Ou-tro ponto que deve-se levar em conside-ração na hora de especificar um chassi é a potência do motor. De acordo com Baldoria, um dos erros mais comuns dos responsáveis pela especificação ou montagem, é análise apenas da curva de potência para configurar as bombas d’água. Mas, a viatura não é só isto, ela possui sistemas elétricos e hidráulicos que também consomem energia que de-ve ser fornecida pelo motor. “No caso de utilização de chassis comerciais que serão destinados à aplicação estacioná-rio, que é uma viatura de combate a in-cêndio, além de somar todo consumo é de fundamental importância ter no mínimo 20% de reserva de potência”, salienta Baldoria.

Algumas montadoras de chassis não gostam de interferências em seu sis-tema original, portanto, os responsá-veis pela especificação ou compra de-vem informar claramente os fins para os quais o chassi será destinado e su-as necessidades. “Por parte da Scania, atualmente já oferecemos produtos que atendem aos requisitos da norma. Além da transmissão automática e da

Eckert: necessidades ARQ UIV O PESSO AL Nieto: exportação ARQ UIV O EMERGÊNCIA

cabina dupla certificada, nossos caminhões contam também com alternadores de maior capacidade pa-ra lidar com os diversos componentes e luzes que demandam maior quanti-dade de energia elétrica, tomadas de forças espe-ciais, configurações de roda e distâncias entre ei-xos otimizadas para faci-litar as manobras em vias mais estreitas e tração integral 4x4 e 6x6 para viaturas florestais ou que operam em locais de difícil acesso”, destaca o engenheiro Souza.

O cumprimento das especificações técnicas impostas na atualização NBR 14.096 por parte das instituições é de extrema importância. “O administra-dor público que especifica o que com-pra tem uma grande responsabilidade, não só por gerir o recurso público que merece receber o melhor desempenho no combate a incêndio, mas também a responsabilidade legal, caso haja envol-vimento em acidentes que causem feri-mentos ou óbito. O judiciário sempre irá questionar se o equipamento seguiu uma norma técnica. Quando isto ocor-re e a norma foi seguida, a ocor- responsabi-lidade do administrador será limitada”, destaca Nieto.

O cumprimento das especificações da norma, já estão presentes em algu-mas corporações brasileiras. “O pro-cesso foi simples uma vez que em nos-sos procesnos-sos de aquisições pedimos, desde 2011, viaturas que atendam às normas NBR 14.096, NFPA 1901 ou norma europeia. Ou seja, nossas aqui-sições já vislumbram viaturas com nor-mas e a adaptação para um produto de qualidade superior, não trouxe proble-mas à corporação e sim agregou qua-lidade”, conta o coronel da reserva do CBMDF, Gilberto Filho. Assim como foi adotado no Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Pau-lo. “No CBPMESP já se faz aquisição de viaturas com exigências calcadas em normas, tanto a NBR como normas estrangeiras, desde o ano de 2004. A adaptação já ocorreu antes, portanto é cultura consolidada”, salienta o tenen-te-coronel Roberto Lago, comandante do 18º Grupamento do Corpo de Bom-beiros de Barueri/SP.

Referências

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