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TRADUÇÃO DE TEXTOS LITERÁRIOS: UM PASSEIO PELO MUNDO GESTO-VISUAL

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TRADUÇÃO DE TEXTOS LITERÁRIOS: UM PASSEIO PELO MUNDO GESTO-VISUAL

Carla Cristina Gaia dos SANTOS1 Rosa Maria OLHER2

Introdução

Os estudos sobre a tradução são ainda recentes em nosso país. Até pouco tempo, as reflexões teóricas que surgiam sobre o assunto eram sempre relacionadas com outros campos de estudo, como a linguística ou literatura. Contudo, recentemente, novas discussões vêm se desenvolvendo a cerca do tema, firmando os estudos da tradução como uma nova e importante área de estudo. Além do mais, é perceptível a capacidade que os estudos da tradução têm de dialogar com as mais diversas áreas de conhecimentos, a citar as de bases linguísticas, literárias ou culturais. Consequentemente, proporcionam expansões teóricas voltadas tanto para essas áreas quanto para suas próprias.

É com base nesta visão inter e multidisciplinar que se desenvolve o projeto de pesquisa Tradução e Muldisciplinaridade: da Torre de Babel à Sociedade Tecnológica, orientado pela Professora Doutora Rosa Maria Olher, desenvolvido na Universidade Estadual de Maringá (UEM) desde 2010. Projeto este que tem como objetivo primordial contribuir para as reflexões e discussões de pesquisas no campo da tradução, incentivando e produzindo trabalhos de diferentes procedências teóricas e culturais no sentido de mediar experiências tradutórias entre docentes e discentes. Oriundo deste é, portanto, o subprojeto intitulado Do Inglês Para Libras: a Tradução Intersemiótica de ‘Where the Wild Things Are’, a ser desenvolvido durante o período de estágio obrigatório do curso de Bacharel em Tradução na mesma universidade.

Baseando-se na perspectiva do bilinguismo, corrente filosófica que guia a educação dos surdos na sociedade atual, o subprojeto em questão, propõem como atividade a ser desenvolvida no estágio a tradução da obra infantil Where the wild things are, de Maurice Sendak (1963), para a Libras, por meio da representação gráfica conhecida como SignWriting, e para a Língua Portuguesa. Dessa forma, este artigo tratará de fundamentar tal proposta de estágio, baseando-se em sua proposta

1 Graduanda do curso de Bacharel em Tradução da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

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de tradução intersemiótica, definida por Romam Jakobson (1959), e se apoiará em teóricos tradutores como Adail Sobral e Ronice Müller de Quadros.

A importância da literatura na formação do indivíduo surdo

É muito importante o contato da criança com a literatura desde pequena, tal qual afirma Terzi (apud KLEIMAN, 1995, p. 132) “a exposição da criança na pré-escola de livros infantis promove uma expansão de conhecimentos sobre histórias, sobre tópicos de histórias, sobre estrutura textual e sobre a escrita”. A literatura é essencial tanto como fonte de prazer quanto pela contribuição que oferece ao desenvolvimento do indivíduo enquanto cidadão, ser ativo e participativo do meio ao qual pertence, pois é através dela que se passa e se recebe a herança cultural de cada comunidade.

Segundo Candido (2002), a literatura desempenha três funções no desenvolvimento do indivíduo: a função psicológica, a formadora e a social. A primeira desperta no ser humano a necessidade de fantasiar, enquanto que a segunda estimula o desenvolvimento educacional e a formação do homem. Já a terceira, a função social, leva o indivíduo à identificação com o ambiente vivenciado nas obras literárias. Em seu texto A literatura e a formação do homem, Candido fixa que:

A literatura pode formar; mas não segundo a pedagogia oficial. [...] ela age com o impacto indiscriminado da própria vida e educa como ela. [...] Dado que a literatura ensina na medida em que atua com toda a sua gama, é artificial querer que ela funcione como os manuais de virtude e boa conduta. E a sociedade não pode senão escolher o que em cada momento lhe parece adaptado aos seus fins, pois mesmo as obras consideradas indispensáveis para a formação do moço trazem frequentemente aquilo que as convenções desejariam banir. É um dos meios que o jovem entra em contato com realidades que se tenciona escamotear-lhe. (CANDIDO, 2002, p. 83 e 84)

Percebe-se, então, como é importante a presença da literatura na formação do individuo. A literatura instiga a imaginação, a criação, e, tal qual afirma Iser (1996, p. 259) o imaginário não é um potencial que ativa a si mesmo, mas uma instância que precisa ser mobilizada pelo externo. Ou seja, para que se ative e se trabalhe o imaginário, todo indivíduo precisa de estímulos que, muitas vezes, não se encontram apenas em si, sendo necessário, portanto, estímulos e incentivos externos.

Do mesmo jeito que a literatura atua ativamente na formação da criança e dos indivíduos em geral, ela atua igualmente na formação de um individuo surdo. As crianças surdas passam pelas

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mesmas etapas que as crianças ouvintes no processo de aquisição de leitura e escrita. Tal qual afirma J. Schuyler Long, (apud Silva, 2012, p. 1) “A incapacidade de ouvir não tira do surdo à condição de ser pensante, capaz e produtivo. Basta que lhe seja dado oportunidades”. E para que a criança surda consiga se desenvolver efetivamente da mesma maneira que a criança ouvinte, ela precisa igualmente passar pelas etapas da aquisição de linguagem no seu tempo, com sua língua, seja oral ou visual, para não ter déficit na sua aprendizagem.

Há diversas formas de apresentar a literatura às crianças surdas, entre elas o processo de conto e reconto de histórias através da língua de sinais, seja ela gesto-visual, ou escrita. Porém, o acesso das crianças surdas à literatura ainda é limitado, seja por conta das pouquíssimas produções literárias traduzidas e/ou produzidas em Libras, seja por conta dos problemas de comunicação e adaptação de pais ouvintes com filhos surdos. Tal qual afirma Silva (2012, p. 6) em seu artigo A importância da literatura na formação do imaginário do sujeito surdo, a maioria das crianças surdas “crescem sem nunca terem visto ou sabido o que de fato é literatura. Chegando ao contexto escolar, como entender a história que o professor conta e reconta aos alunos ouvintes?”.

Neste artigo, um pouco mais adiante, Silva conta sua experiência como professora da rede básica de ensino na Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos do Estado da Bahia – a APADA, onde diz: “Enquanto professora do ensino fundamental, foi possível observar que as crianças surdas com o domínio da língua de sinais não contavam historias, apenas reproduziam cenas do cotidiano pautadas no discurso do ouvinte” (p. 8). Tal observação a levou a contar em língua de sinais varias historias infantis para seus alunos surdos, por meio da tradução do português para Libras e também a apresentar-lhes os livros os quais ela traduzia durante as aulas. Certa vez, trabalhou com seus alunos O Patinho Feio e, após a explicitação da estória, durante as atividades de interpretação, relata que uma de suas alunas a qual ela identifica como L.S., 7 anos, fez uma intervenção dizendo: “Professora, as pessoas me olham porque sou diferente, sou surda, não ouço nada, ficam todos olhando quando converso fazendo sinais, é como converso.” (SILVA, 2012, p. 9). Percebe-se como a criança foi capaz de assimilar a estória do patinho feio com a seu cotidiano e se identificou com o personagem, com o preconceito e o sentimento de exclusão sofrido pelo patinho. Se retomarmos o inicio desta seção, mais especificamente nas palavras de Candido, perceberemos claramente a literatura belissimamente desempenhando sua função social nas palavras desta criança surda.

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Já faz algum tempo que histórias literárias, principalmente as infantis, começaram a ser traduzidas para Libras não somente nas salas de aula. Embora ainda se trate de um tema pouco explorado no Brasil, a literatura voltada para surdos passou a ser publicadas no Brasil a partir do inicio deste século. Quanto à escrita e a criação de histórias em Libras, este é um campo ainda mais recente e raro. Entretanto, baseando-se nas palavras de Sobral (2008), afirmamos que, ainda que inexploradas, testemunhamos o importante surgimento de um novo tipo de língua bem como de suas formas de expressão literária: a Libras acompanhada da Literatura Surda.

(...) vivemos em um momento privilegiado de acompanhamento da evolução de uma língua natural. Defendo a ideia de que esse acompanhamento por estudiosos da linguagem e por tradutores pode nos fazer entender melhor uma concepção dialógica da linguagem – hoje mais do que comprovada, embora ainda muito difícil de aceitar em alguns círculos – segundo a qual é nas instituições de uso, e não nas gramáticas ou dicionários, que a língua se constitui. (SOBRAL, 2008, p. 129).

Entende-se por Literatura Surda aquelas que apresentam a cultura e a identidade surda, bem como a língua de sinais presente na narrativa, seja ela gravada em vídeo ou impressa em livros, tal qual afirma Karnopp:

Literatura surda é a produção de textos literários em sinais, que traduz a experiência visual, que entende a surdez como presença de algo e não como falta, que possibilita outras representações de surdos e que considera as pessoas surdas como um grupo linguístico e cultural diferente. (KARNOPP, 2010, p. 161)

Aos poucos, está se tornando comum a tradução de histórias conhecidas na língua portuguesa para a Libras, sejam elas clássicos da literatura brasileira ou da literatura mundial. A editora Arara Azul atualmente tem uma equipe de tradutores/intérpretes que fazem traduções de histórias como o Saci-Pererê, O gato de Botas, Alice no País das Maravilhas, entre muitas outras. Tais histórias são disponibilizadas em livro impresso e acompanham o CD-Room. São livros desenvolvidos para o público surdo infantil e alguns trazem desenhos para serem coloridos pelas próprias crianças.

Outro conjunto de livros infantis voltados para este público é o Kit Libras é Legal, desenvolvido pelo Escritório Regional da FENEIS (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos) com sede em Porto Alegre (RS) em parceria com o programa PETROBAS SOCIAL.

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Desta pareceria resultaram cerca de 10 mil kits composto por livros infantis em Libras, minidicionário de Libras e alguns jogos educacionais que foram distribuídos em escolas públicas e ONGs de todo o país. Os livros do kit são baseadas em histórias comuns entre os membros da comunidade surda, ou adaptações de histórias conhecidas da comunidade ouvinte, tratando de assuntos como a diversidade do ser humano, a cultura surda e a importância do reconhecimento da Libras pela sociedade, sendo eles: Viva as Diferenças, História da Árvore, Cachos Dourados, Ivo e Adão e Eva. Este último conta a história do surgimento da língua de sinais e, apesar de não pontuar se Adão e Eva são ou não surdos, conta que depois de comerem a maçã, o casal, percebendo e preocupando-se com a nudez, são obrigados a falar, já que as mãos estão ocupadas tentando cobrir o corpo. Engraçado como a questão da fala, da língua oralizada, é vista como a consequência do pecado.

Bem conhecido também são as obras Tibi e Joca, de Bisol (2001), O Som do Silêncio, de Cotes (2004), A cigarra e as formigas, de Oliveira; Boldo (2003) e Cinderela Surda (2003), Rapunzel Surda (2003) e O Patinho Surdo (2005), de Rosa; Karnopp. Percebe-se que todas são produções bem recentes, cujos temas variam entre adaptações de clássicos literários bem como produções voltadas para o universo do sujeito surdo.

A tradução para Libras: uma língua em desenvolvimento

A partir da segunda metade do século XX, começaram a surgir discussões a cerca dos estudos da tradução e com elas, rumores sobre a Tradução Intersemiótica. Este termo foi definido por Roman Jakobson na década de 50 e faz referência a tradução enquanto a interpretação de signos verbais para um sistema de signos não-verbais (apud VENUTI, 2000, p.114), sendo, portanto, de extrema valia para este artigo.

Desde 2002, com a Lei nº 10.436, que a Libras – Língua Brasileira de Sinais foi oficializada no Brasil como a língua materna dos surdos brasileiros. Trata-se de uma língua gesto-visual e, tal qual afirma Sobral (2008, p. 128), a Libras “é uma língua natural que contém todos os elementos que caracterizam uma língua, dos processos de aquisição à expressão poética.” Não sendo, portanto, um conjunto de gestos aleatórios ou uma mímica, mas uma língua que:

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usa recursos de expressão simbólica de objetivação e apropriação do mundo pelos seres humanos que não a matéria sonora, e não apenas serve a todas as necessidades expressivas de seus sujeitos como permite todos os processos de subjetivação – cognitivos, sociais, políticos, ideológicos, etc. (SOBRAL, 2008, p.127).

Através da língua de sinais, o sujeito surdo é capaz de se comunicar, de imaginar, criar sua própria literatura, partindo de sua própria vivencia de mundo, valorizando e reafirmando a sua cultura, não apenas como um copista da pessoa ouvinte. Até pouco tempo atrás, a Libras, como qualquer outra língua de sinais era considerada ágrafa, o que impossibilitava ainda mais os indivíduos surdos de afirmarem e perpetuarem suas culturas, pois, como diz Capovilla:

A história nasce com a escrita. Ao fornecer um registro secundário e perene do ato linguístico primário e transitório, a escrita permite a reflexão sobre o conteúdo da comunicação, sobre as coisas do mundo e o que delas sabemos. Enquanto registro perene, promove também a segurança e consolida o contrato social. (...) Uma língua que não tem um registro escrito é limitada, e incapaz de desenvolver-se e consolidar-se a ponto de servir de base para a constituição de um povo e uma cultura. Agrupamentos que não têm registro escrito da própria língua não têm dela o domínio necessário para articular, de modo sólido e seguro, seu desenvolvimento cultural e organização social. Permanecem sem a união da organização central efetiva e sem tradições ou memória, dependentes de feudos dispersos e de intermediários para obter informações transitórias, instáveis e vulneráveis a distorções e boatos (CAPOVILLA, apud DALLAN, 2009, p.1).

Até pouco tempo, a única forma de registro das línguas de sinais eram as gravações em vídeos, o que não deixou de ser uma forma valiosa de registro dentre a comunidade surda. Mas, atualmente, começou-se a descobrir a riqueza dessas línguas através de uma escrita própria, capaz de representar movimentos, formas das mãos, marcas não-manuais e os pontos de articulação: o SignWriting. A partir da década de 1970, a dançarina Valerie Sutton despertou o interesse de pesquisadores dinamarqueses das línguas de sinais, com o seu método de grafar movimentos de dança e de coreografias, o chamado DanceWriting. Trata-se de um método de representação gráfica dos movimentos bem peculiar, o qual vinha sendo desenvolvido pela dançarina desde os seus 15 anos.

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Pesquisadores da Universidade de Copenhague viram nesta escrita uma possibilidade de representação dos sinais usados para comunicação entre pessoas usuárias das línguas visuais e, a partir de então, começou-se a desenvolver e a estudar o SignWriting, uma adaptação do modelo inicial de Sutton voltado especificamente para as línguas de sinais.

O sistema evoluiu muito desde a década de 70 e, atualmente, já existem até mesmo programas de computador que fazem uso da plataforma Windows para a escrita de sinais. No Brasil, o projeto SignNet coordenado pelo Prof. Antônio Carlos da Rocha Costa, financiado pelo CNPq/ProTeM e em parceria com as professoras Márcia Borba e Marianne Stumpf, bem como com a Escola de Informática da Universidade Católica de Pelotas, o Museu de Ciência e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a Faculdade de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e a Unidade Especial Concórdia da Universidade Luterana do Brasil, desenvolvem desde 2004 o SWEdit, um programa de facílimo acesso e manuseio capaz de escrever e editar textos em SignWriting. Há também um manual explicativo de grande utilidade para os estudiosos das línguas de sinais, chamado Lições sobre SignWriting, traduzido e adaptado por Stumpf.3

Quadros afirma que o SignWriting apresenta características da evolução da escrita das línguas visuais, tal qual aconteceu com o inglês quando começou a ser escrito: cada um escrevia de acordo com o som que ouvia e com a grafia que considerasse apropriada, por isso foi tão importante o surgimento da impressa para que houvesse a consolidação e o estabelecimento de normas e convenções ortográficas.

A evolução do SignWriting apresenta características da evolução da escrita de certa maneira. Atualmente, estamos discutindo a produção escrita padronizada. "Padronizada" no sentido de escrever o mesmo sinal usando os mesmos "grafemas". Essa questão foi o tópico da última discussão na lista do SignWriting (maio de 1998). A produção escrita dos sinais difere de pessoa para pessoa. Cada um escreve como acha que deve ser escrito. Eu percebi que isso estava acontecendo no primeiro curso de SignWriting ministrado na PUC do RS em Porto Alegre em 1997. Cada aluno produzia o mesmo sinal de forma diferente. Alguns eram mais simples ou mais detalhistas do que outros. Isso faz parte de um processo natural. O inglês

3 O manual encontra-se gratuitamente disponibilizado no endereço eletrônico:

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quando começou a ser escrito passou por esse mesmo processo. Cada pessoa escrevia o som da forma que achava mais adequado. A escrita passou a ser padronizada ao longo do tempo com a invenção da imprensa. A imprensa foi o meio em que a escrita foi difundida rapidamente. A escrita tornou-se pública e naturalmente foi sendo padronizada. (QUADROS, 2004).

De acordo com Felipe (apud DALLAN, 2009, p. 7), o SignWriting possibilita a grafia da Libras, bem como de outras línguas de sinais, preservando seus cinco parâmetros de realização: expressões faciais, com indicações específicas para olhos, sobrancelhas, boca e língua; configuração de mãos; ponto de articulação; movimento; direcionalidade. Esta escrita é feita a partir do ponto de vista do sinalizador, facilitando muito a leitura, pois parece que o leitor se encontra atrás do sinalizador, ou como se ele mesmo estivesse sinalizando.

Fonte: Fonte: Lições sobre Sign Writing.

O SignWriting possibilita a representação facial sinalizador, a posição das sobrancelhas, olhos, da boca, bem como a posição do tronco, das mãos, seus movimentos, área de contato, enfim. No ano de 2001, os estudiosos CAPOVILLA e RAPHAEL lançaram um dicionário trilíngue, bastante proveitoso para estudiosos, tradutores e pessoas interessadas nas línguas de sinais. Segue abaixo uma figura explicativa sobre a orientação de mãos e palmas:

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E as formas de mão básicas:

Fonte: Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da Língua de Sinais Brasileira . Volume 1

Importante saber que os sinais são sempre escritos de cima para baixo, na vertical:

Fonte: Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da Língua de Sinais Brasileira . Volume 1

Dessa forma, o sinal referente à palavra casa, por exemplo, seria representada em SignWriting da seguinte maneira4:

A Libras, bem como as demais línguas de sinais, segue uma estrutura própria de organização, bem diferente da língua portuguesa. Para ordenação de frases, entretanto, geralmente

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Sinal produzido pela pesquisadora no programa SW-Edit citado anteriormente na página 7 deste artigo. Os asteriscos representam a forma de contato básica, conhecida como toque. Dessa forma, dois asteriscos indicam que as pontas das mãos, onde eles se localizam na imagem, devem se tocar duas vezes.

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segue a ordem Sujeito-Verbo-Objeto, a qual pode ser alterada de acordo com a intenção do sinalizador, como por exemplo, pra enfatizar algo, para formar uma pergunta, enfim, para expressão total da língua, tal qual explica Quadros no manual Lições sobre SignWriting, citado anteriormente5:

Fonte: Lições sobre Sign Writing.

Além de expansão e desenvolvimento da língua de sinais, o SignWriting possibilita que os indivíduos surdos construam uma identidade própria compatível com língua visual e gestual a qual fazem uso. Esta forma de escrita permite que tais indivíduos desenvolvam uma consciência linguística própria e se constituam como sujeitos letrados, pertencentes a um grupo de pessoas que tem por características uma percepção única da vida e totalmente capazes de se desenvolverem como tal, como afirma Quadros:

A escrita de sinais capta as relações que a criança estabelece com a língua de sinais. Se as crianças (surdas) tivessem acesso a essa forma de escrita para construir suas hipóteses a respeito da escrita, a alfabetização seria uma consequência do processo. A partir disso, poder-se-ia garantir o letramento do aluno ao longo do processo educacional (QUADORS, apud STUMPF, 2009, p. 23).

Dessa forma, percebe-se quão importante é a trabalho realizado pelo tradutor/ intérprete de Libras no contexto social em que esta língua vem se desenvolvendo. Este profissional, assim como todos os outros tradutores da mais variadas áreas, deve ser consciente do trabalho social que desenvolve, aproximando e criando formas de comunicação entre surdos e ouvintes e contribuindo para a formação de cidadãos letrados.

5 Vide página 7.

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Considerações finais

Diante dos estudos e reflexões apresentados neste artigo, conclui-se que a literatura é de importância fundamental para a educação, bem como para a formação do sujeito surdo. Mas, o surdo, assim como todo e qualquer indivíduo, precisa de uma literatura própria, ou, ao menos, que seja expressa em sua língua materna. É importante que se quebrem as barreiras do preconceito e que se aceite as línguas de sinais, bem como as manifestações dessas línguas, respeitando a comunidade surda e as diversidades culturais no geral.

O livro a ser traduzido durante o estágio do curso de Tradução, Where the Wild Things Are (SENDAK, 1963), foi selecionado por conta da universalidade dos temas de que trata. A obra conta a história de Max, um menino de imaginação fértil e muito arteiro que, mesmo de castigo dentro de seu quarto, viaja por semanas em um pequeno barco até chegar a uma floresta cheia de monstros. Lá, Max se torna rei de todos os monstros, manda e desmanda, longe de regras ou restrições de sua mãe. Porém, a saudade bate. Max volta e abandona todos os seus monstros por um prato de comida bem quentinho. Acredita-se que está estória, assim como a do patinho feio, ou muitas outras já trazidas para Libras, provoque a identificação dos leitores com seus personagens, sejam esses leitores crianças ou adultos, surdos ou ouvintes. Além do mais, a obra de Sendak é de um primor inigualável e ilustrada a mão pelo próprio autor. Suas ilustrações revolucionaram o mercado editorial da época, sendo um dos primeiros livros infantis com gravuras.

A tradução da obra de Sendak para a Libras por meio do SignWriting, contribuirá não somente enquanto prática para uma tradutora em formação, mas, principalmente, atuará como meio de conexão entre a clássica literatura infantil de língua inglesa e as crianças surdas brasileiras, contribuindo para a formação intelectual e social de tais crianças.

Referências

CAPOVILLA, F. C. e RAPHAEL, W. D. Dicionário Enciclopédico Trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira, Volumes I e II. São Paulo: Editora da Universidade São Paulo, 2001.

DALLAN, M.S.S. SignWriting: escrita visual para língua de sinais . O processo de sinalização escrita. II Congresso Nacional de Surdez de São José dos Campos, em 23 de maio de 2009.

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ISSN: 1981-8211

Disponível em: http://escritades.dominiotemporario.com/doc/SIGNWRITING_ARTIGO.pdf. Acesso em: 02 de Maio de 2013.

FELIPE, T., A; MONTEIRO, M., S. Libras em Contexto: curso básico, livro do professor instrutor – Brasília : Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos, MEC: SEESP, 2001.

ISER, W. O Imaginário. In: O Fictício e o Imaginário – Perspectivas de uma Antropologia Literária. Trad. KRETSCHMER, J. Rio de Janeiro: Ed. UERJ, 1996.

JAKOBSON, R. On Linguistic Aspects of Translation. In: VENUTI, L. The Translation Studies reader. London: Routledge, 2000.

QUADROS, R., M. Um capítulo da história do SignWriting, 2004. Disponível em:

<http://www.signwriting.org/library/history/hist010.html>. Acesso em: 29 de Abril de 2013.

______________.; KARNOPP, L., B. Língua de sinais brasileira: estudos lingüísticos. Porto Alegre : Artmed, 2004.

SILVA, A.C.P. A importância da literatura na formação do imaginário do sujeito surdo. Disponível em: < http://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-da-literatura-na-formacao-do-imaginario-do-sujeito-surdo/85527/>. Acesso em: 27 de Abril de 2013.

Site: <http://editora-arara-azul.com.br/portal/>. Acesso em: 27 de Abril de 2013. Site:

<http://www.libraselegal.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=frontpage&Itemid=1 &lang=pt.>. Acesso em: 27 de Abril de 2013.

SOBRAL, A. Dizer o mesmo a outros: ensaios sobre tradução. São Paulo: SBS Editora, 2008. STUMPF, M., R. Escritas de Sinais II. Florianópolis: UFSC, 2008. < Disponível em:

http://www.libras.ufsc.br/colecaoLetrasLibras/eixoFormacaoEspecifica/escritaDeSinaisII/assets/492 /TEXTO-BASE_EscritaSinais2.pdf>. Acesso em: 23 de maio de 2013.

_____________. Escritas de Sinais III. Florianópolis: UFSC, 2008. < Disponível em:

http://www.signwriting.org/archive/docs6/sw0569-BR-2008-Stumpf-ELSIII.pdf >. Acesso em: 23 de maio de 2013.

SUTTON, V. Lições sobre SignWriting. Trad. STUMPF, M., R. Disponível em:

<http://rocha.c3.furg.br/arquivos/download/licoes-sw.pdf>. Acesso em: 15 de maio de 2013. TERZI, S., B. A oralidade e a construção da leitura por crianças de meios iletrados. In: KLEIMAN, A. (Org.) Os significados do letramento. Campinas: Mercado de Letras, 1995.

Referências

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