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UFPB PRG X ENCONTRO DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA

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Academic year: 2021

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O CELPE­ BRAS E SUA IMPORTÂNCIA PARA AS PESQUISAS  EM PLE NA UFPB  Rosilene Félix Mamede¹; Ina Mirely Oliveira da Rocha²;  Rafael Torres Correia Lima²; Maria de Fátima Benício de Melo³  Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes  Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas  RESUMO 

Neste  trabalho,  apresentaremos  o  perfil  do  Programa  Lingüístico­Cultural  para  Estudantes  Internacionais  (PLEI)  na  UFPB,  enfocando  o  ensino  de  Português  como  Língua  Estrangeira  (doravante  PLE)  nos  projetos  de  pesquisa  e  extensão.  Mostraremos  também  as  atividades  interdisciplinares  realizadas  na  UFPB  através  do  PLEI  e  sua  fundamental  importância  na  aplicação do exame de Proficiência em Língua Portuguesa, o CELPE­Bras. Este certificado de  proficiência em Língua Portuguesa  para estrangeiros   foi  desenvolvido e outorgado  pelo MEC  (Ministério  da  Educação  e  Cultura)  e  é  aplicado  não  só  no  Brasil,  como  também  em  outros  países com apoio do MRE (Ministério das Relações Exteriores). 

Da participação ativa do PLEI, vislumbramos a realização de inúmeras pesquisas lingüísticas a  partir  do  material  coletado  das  produções  dos  candidatos  a  exemplo  do  que  acontece  nas  grandes universidades do Sul e Sudeste do país. Como a maioria dos candidatos são hispano­  falantes,  iniciamos  nossos  estudos  analisando  as  interferências  da  língua  materna  dos  candidatos nas produções textuais do Exame de Proficiência em Língua Portuguesa. 

A  partir  destas  análises,  procuraremos  fazer  um  levantamento  dos  principais  problemas  encontrados  de  natureza  morfossintática  e  textual,  tais  como:  coesão  e  coerência,  desconhecimento  dos  gêneros  textuais,  entre  outros.  Através  das  nossas  pesquisas,  esperamos  contribuir  para  o  ensino  de  PLE,  visando  às  novas  metodologias  no  processo  de  ensino­aprendizagem. 

Palavras­  Chave:  Celpe­Bras,  PLE  (Ensino  de  Português  para  Estrangeiros);  PLEI  (Projeto  Lingüístico­Cultural para Estudantes Internacionais). 

1. Introdução: 

Neste  trabalho,  apresentaremos  o  perfil  do  Programa  Lingüístico­Cultural  para  Estudantes  Internacionais  (PLEI)  na  UFPB,  enfocando  o  ensino  de  Português  como  Língua  Estrangeira  (PLE)  nos  projetos  de  pesquisa  e  extensão.  Mostraremos  também  as  atividades  interdisciplinares  realizadas  na  UFPB  através  do  PLEI  e  sua  fundamental  importância  na  aplicação do exame de Proficiência em Língua Portuguesa, o CELPE­Bras. 

Com  os  resultados  obtidos  em  nossas  atividades,  iniciaremos  diversas  pesquisas  lingüísticas, nas quais abordaremos algumas problemáticas, tais como: interferência da língua  materna, coesão e coerência e desconhecimento de gênero textual. 

2. Fundamentação Teórica: 

Até o final da década de 60, a psicologia behaviorista teve forte influência no ensino de línguas  estrangeiras.  Em  sendo  a  língua  considerada  de  natureza  social  e  cultural,  aprender  uma  língua  estrangeira  implicava  formar  um  novo  hábito  (distinto  daquele  da  língua  materna)  por  meio da prática. Para tal fim, estímulos (estruturas lingüísticas) eram fornecidos como modelos  a  serem  imitados  e  praticados,  visando  à  produção  de  respostas  apropriadas  (estruturas  lingüísticas). Todavia, na prática de sala de aula, o que acontecia era que os hábitos formados  na língua materna “atrapalhavam” a formação de novos hábitos na língua alvo, resultando em  “erros”. 

Tem  origem,  então,  no  seio  do  behaviorismo  e  no  auge  da  lingüística  estrutural  americana,  a  Análise  Constrativa,  uma  abordagem  com  a  finalidade  didática  de  fornecer  um  modelo de trabalho que evitasse os erros no processo de ensino e aprendizagem. Robert Lado 

____________________________________________________________________ 

)        (1)  Bolsista; (2)  Voluntário(a); (3) 

Prof(a) Ori ent ador(a)/Coor denador(a); (4) 

Prof(a) Colaborador(a); 

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(1957), precursor  desta abordagem, defendia que o professor, ao realizar  análise contrastiva,  comparando  as  semelhanças  e  as  diferenças  entre  a  língua  materna  do  aprendiz  e  a  língua  alvo, seria capaz não  apenas de prever  as dificuldades  e os problemas  (leia­se “erros”), mas  evitá­los. No contexto em que a Análise Contrastiva surgiu, o de considerar a língua como um  conjunto de hábitos, esse conhecimento de ambas as línguas possibilitaria ao professor formar  em  seus  alunos  novos  padrões  lingüísticos,  ou  seja,  os  padrões  lingüísticos  da  língua  alvo  deveriam suplantar os da língua materna. 

Enquanto  que  para  a  análise  contrastiva,  de  cunho  behaviorista,  o  erro  era  uma  interferência da língua materna na língua estrangeira, para outros (Lee, 1956; Corder, 1969), o  erro  sugeria  que  o  input  era mentalmente  processado,  o  que reforçava  a  tese  racionalista  de  Chomsky,  segundo  a  qual  o  ser  humano  é  dotado  de  uma  faculdade  da  linguagem  que  o  capacita a gerar enunciados,e não apenas repeti­los. 

Os artigos de Corder (1969) e Selinker (1972), intitulados “The significance of errors” e  “Interlanguage”, respectivamente, foram os marcos seminais desta nova área de investigação,  chamada  Lingüística  Aplicada  ao  ensino  de  línguas  estrangeiras.  Ao  valorizar  os  erros  e  desvios  cometidos,  como  pistas  para  a  compreensão  do  processo  cognitivo  em  andamento,  Corder  dá  início  à  corrente  chamada  Análise  de  Erros  e  corrobora  a  tese  de  uma  mente  pensante  que  manipula  informações,  faz  associações,  gera  enunciados  e  age  sobre  as  informações fornecidas. 

No  mesmo  período,  Selinker  examina  o  estágio  de  apropriação  da  língua  alvo,  desenvolvido  pelos  aprendizes  nos  diferentes  níveis  de  desenvolvimento,  não  como  uma  versão  imperfeita  da  língua  alvo,  mas  algo  com  características  sistemáticas,  dinâmicas  e  governadas  por  regras.  Selinker  notou  que  a  língua  produzida  pelos  alunos  diferia  tanto  da  língua materna quanto da língua estrangeira, denominando­a, assim, de Interlíngua, que é o “o  sistema  de  transição  criado  pelo  aprendiz,  ao  longo  de  seu  processo  de  assimilação  de  uma  língua estrangeira” (Shütz, 2005). 

Desde então, a Lingüística Aplicada ao ensino de línguas estrangeiras tem construído  um aporte teórico­metodológico, capaz de prover formação inicial, teoricamente fundamentada,  para  professor  de  línguas  estrangeiras  em  conceitos  basilares  necessários  a  sua  prática  docente. 

Embora  o  português  tenha  sido  ensinado  pelos  jesuítas  por  dois  séculos  como  uma  língua  estrangeira,  seja  incluído  em  sexto  no  ranking  das  línguas  mais  faladas  no  mundo  (Wikipedia), seja ensinado desde o advento do Mercosul, só mais recentemente alguns poucos  grupos  de  pesquisa  –  geralmente  situados  em  áreas  de  alta  concentração  de  estrangeiros,  como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Brasília – começaram a discutir o que significa formar  (ao  invés  de  treinar)  um  professor  de  português  como  língua  materna  exclusivamente,  a  formação  teórico­metodológica  complementar,  aqui  proposta,  objetiva  desenvolver  um  olhar  estrangeirizado  sobre  a  língua  materna  desse  professor  em  formação,  desenvolvendo  os  seguintes conhecimentos:

· o conceito de fossilização (cristalização) de erros e desvios internalizados e tratamento  metodológico adequado para prevenir fossilização prematura na interlíngua do aprendiz; · a  diferenciação  do  fenômeno  de  fossilização,  tanto  de  uma  pausa  mais  prolongada  num determinado estágio de desenvolvimento de uma estrutura lingüística quanto de um lapso  ou equívoco;

· a  diferenciação  de  situações  de  interferência  da  língua  materna,  que  geralmente  resultam em erros para aquelas de transferência da língua materna, que normalmente resultam  em acertos;

· compreensão  de  que  cultura  não  é  uma  quinta  habilidade  a  ser  ensinada  separadamente (cf. Dourado, 2005);

· conhecimento  de  tipologia  já  existentes  de  estratégias  de  aprendizagem  que  podem  auxiliar a entender o processo de ensino e aprendizagem;

· teorias behavioristas, cognitivas, construtivistas, interacionais e discursivas de ensino e  aprendizagem  de  línguas  e  suas  implicações  na  produção  de  materiais  didáticos  e  avaliação  da aprendizagem;

· percepção de certas singularidades da língua portuguesa aplicada ao ensino de língua  materna.

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3. PLEI ( Programa Lingüístico Cultural para Estudantes  Internacionais) 

Vinculado  ao  Departamento  de  Letras  Clássicas  e  Vernáculas  da  UFPB,  o  PLEI  (Programa  Lingüístico­Cultural para Estudantes Internacionais) destina­se a aprofundar os conhecimentos  sobre  o  processo  ensino/aprendizagem  do  português  como  língua  estrangeira,  atuando  nas  áreas de ensino, pesquisa e extensão, com os seguintes objetivos específicos:

· Promover  Cursos  de  Português  como  Língua  estrangeira  para  estudantes  conveniados ou não com a UFPB

· Oferecer Cursos de  Literatura Brasileira e Literatura Popular e Cultura Brasileira para  estudantes conveniados ou não com a UFPB;

· Elaborar material didático para os Cursos promovidos;

· Desenvolver  pesquisas  voltadas  para  aspectos  do  português,  para  a  identidade  cultural  brasileira  e  para  o  processo  de  ensino/aprendizagem  de  Português  como  Língua Estrangeira;

· Estabelecer  espaços  para  debates  sobre  o  ensino  e  a  pesquisa  de  Português  como  Língua Estrangeira e da cultura brasileira;

· Aplicar  o  exame  para  a  obtenção  do  Certificado  de  Proficiência  em  Português  para  Estrangeiros (Celpe­Bras). 

4. Em que consiste o Celpe­Bras? 

O Celpe­Bras é o certificado de proficiência em Língua Portuguesa para estrangeiros e  foi desenvolvido e  outorgado pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura). Este certificado é  aplicado não só no Brasil , mas também em outros países através do apoio do MRE (Ministério  das  Relações  Exteriores).  O  Celpe­Bras  é  a  única  certificação  em  proficiência  de  Língua  Portuguesa  reconhecida  e  aceita  internacionalmente  por    empresas  e  instituições  de  ensino  como comprovação de competência da língua portuguesa. 

No  Brasil,  ele  se  faz  necessário  tanto  na  validação  de  diplomas  de    profissionais  estrangeiros  que  desejam  exercer  sua  profissão  em  território  nacional,  como  também  para  aqueles  que  pretendem  ingressar  no  meio  acadêmico,  seja  em  cursos  de  graduação  ou    de  pós­ graduação. 

Todo exame de Proficiência em  línguas tem como objetivo de avaliação o uso que o  falante faz da  segunda língua, ou seja, avalia se o falante consegue suprir as necessidades de  comunicação  tanto  na  linguagem  oral  como  na  escrita.  Nesta  avaliação,  são    analisados  critérios do desempenho lingüístico que fazem parte do cotidiano, tais como: a comunicação no  ambiente de trabalho, o ato de ler e redigir textos, a interação oral e escrita no contexto escolar  (ex.:esclarecer dúvidas, atribuir opiniões, fazer trabalhos acadêmicos) etc. 

4.1. Contexto Histórico 

O  processo  de  implementação  do  Celpe­Bras  teve  início  com  a  Portaria  n.º  101/93  (DOU  de  11/06/93),  da  Secretaria  de  Educação  Superior  (SESu)  do  Ministério  da  Educação  (MEC),  a  qual  constituiu  uma  Comissão  para  "desenvolver  as  ações  necessárias  à  elaboração  de  um  teste  padronizado  de  português  para  estrangeiros".  Posteriormente,  a  Portaria  Ministerial  n.º  500/94  (DOU  de  08/04/94)  alterou  e  ampliou  o  número  de  membros  da  Comissão  Técnica,  determinando  que  a  mesma  teria  a  atribuição  de  concluir  a  padronização  do  teste  e  de  assessorar a SESu nas questões relacionadas ao ensino de português para estrangeiros.  A  Portaria  Ministerial  nº.1787/95  (DOU  de  02/0195)  instituiu  finalmente  o  CELPE­Bras,  a  ser  conferido em dois níveis: parcial ­ Primeiro Certificado; pleno ­ Segundo Certificado. Em 1998,  foram publicadas a Portaria Ministerial n.º  643  (DOU de  2/7/98) e a n.º 693 (DOU de 9/7/98),  ambas alterando dispositivos da Portaria 1787/95. A primeira trata da criação da Comissão ad  hoc,  responsável  pela  correção  dos  exames,  e,  a  segunda,  da  designação  da  Comissão

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Técnica do Celpe­Bras pela Secretaria de Educação Superior, o que se deu por intermédio da  Portaria n.º 1591, de 9 de outubro de 1998. 

5. As Etapas e Tarefas Desenvolvidas na Aplicação do Celpe­Bras 

Como já foi mencionado, o exame de proficiência consiste em avaliar o uso adequado  da língua, porém leva­se em conta tudo o que está relacionado ao momento de transmissão da  mensagem,  como  o  contexto  e  a  intencionalidade  dos  interlocutores  envolvidos  na  interação,  para que haja uma comunicação efetiva. 

Diferentemente de exames que analisam de forma separada as modalidades escritas e  orais da língua, o Celpe­Bras avalia tais modalidades de forma integrada, simulando situações  reais de comunicação. 

A parte individual é uma interação face­a­face entre o participante do exame e o entrevistador.  Aqui,  o  candidato  é  submetido  a  uma  conversa  de  20  minutos  que  será  gravada  para  uma  posterior  avaliação.  A fim  de    que  haja  uma  maior  desenvoltura  lingüística  do  entrevistado,  a  equipe    aplicadora,  a  partir  do  questionário    respondido  pelo    mesmo,  elege  elementos  motivadores  (imagens,  textos  jornalísticos,  publicidades,  fotos,  cartuns,  charges  etc.),    com  vistas a uma melhor adequação do perfil do candidato. É objeto desta  tarefa o fluxo natural da  conversação lingüística.  Nas realizações da Parte Individual, são analisados os seguintes aspectos: · Fluência; · Pronúncia ­ coesão e coerência na elaboração dos textos orais; · Gramática­adequação no uso de termos e estruturas; · Léxico: extensão e adequação no uso do vocabulário.  6­ O Celpe­ Bras na UFPB 

No  Nordeste  brasileiro,  apenas  três  universidades  são  credenciadas  para  aplicar  este  Exame de Proficiência. O primeiro pólo aplicador é  a UFBA (Universidade Federal da Bahia);  em  seguida,  a  UFPB  (Universidade  Federal  da  Paraíba)  e,  em  terceiro  lugar,  a  UFPE  (Universidade Federal de Pernambuco). 

O  Exame  de  Proficiência  é  aplicado  nacionalmente  duas    vezes  por  ano,  sendo  que  a  primeira avaliação é feita em abril e a outra no  mês de  outubro, com  a participação ativa de  todos os envolvidos no projeto (professores, bolsistas e voluntários). 

Na  UFPB,  o  PLEI  (Programa  Lingüístico­cultural)  é  o    setor  responsável  pela  aplicação  do exame. Vale ressaltar que, devido à eficácia e organização do trabalho desenvolvido o PLEI  pela  primeira  vez  foi  convocado,  em  nome  da  pessoa  da  Coordenadora  Maria  de  Fátima  Benício de Melo, para a correção do exame, em dezembro de 2006, no Distrito Federal.  6.1. O Perfil dos candidatos  No ato da inscrição, os candidatos são submetidos a um questionário padrão. Nele o candidato  responde a perguntas sobre suas afinidades, o que o  levou a conhecer e a se interessar pela  Língua Portuguesa e pela Cultura Brasileira e se ele tem contato com pessoas brasileiras.  De acordo com as informações obtidas nos questionários, a equipe aplicadora formada  por  professores,  alunos  bolsistas  e  voluntários  do  PLEI  elegem    os  elementos  motivadores,  que  são  constituídos  por  imagens  e  textos  relacionados  a  diversos  assuntos.  Este  material  é  fornecido  pelo  MEC  e  sua  utilização  tem  por  objetivo  estimular  a  conversação  entre  os  participantes do CELPE­Bras e os entrevistadores. 

Como  algumas  entidades  de  classe  exigem  o  Certificado  de  Proficiência  para  a  inscrição profissional, a exemplo do que ocorre com o Conselho Regional de Medicina (CRM),  em geral, os candidatos  são médicos  hispano­falantes que desejam exercer  sua profissão no  Brasil, embora haja um pequeno número de estudantes que pretendem cursar pós­graduação. 

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Como  já  foi  mencionado,  os  nossos  candidatos  são  em  geral  hispano­falantes,  que,  por  considerarem  o  espanhol  e  o  português  bastante  semelhantes,  fazem  uso  constante  de  estruturas de sua língua materna. 

A  seguir,  destacamos  trechos  ilustrativos  de  algumas  interferências  da  língua  espanhola  no  exame do Celpe­Bras:  1)  “Para  levar adiante esta idéia estamos precissando de donativos”.  2)  “ Cada livro doado desejamos seja referenciado pon o doador”.  3)  “Tendo em centa o interés do Japão”.  4)  “Primeramente  Deus abençoe a sua pessoa escoger frutas”.  5)  De repente ele paró o carro.  6)  Quál era idea dela de um casamento?  7)  Qué significado teve seu tempo(...)  8)   Peenso que não existia amor, (...). 

O  problema  identificado  nas  produções  textuais  vai  muito  além  do  que  simples  interferências lingüísticas, conforme mostra o exemplo (2), em que  há incoerência através do  uso  da  expressão“seja  referenciado”,  e  termos  espanhóis  como  os  pronomes  interrogativos,  nos  exemplos  (6)  e  (7).    Encontramos  ainda  interferência  da  língua  materna  no  tocante  à  ditongação  da  vogal  “e”,  no    exemplo  (8),  e  outros  vocábulos  como  “idea”  ,  “escoger”  e  “interés”. 

8. Perspectivas para Desenvolvimento de Pesquisa 

A  partir  da  análise  das  produções  dos  candidatos  ao  Celpe­Bras,  procuraremos  fazer  um levantamento dos principais problemas encontrados de natureza morfossintática e textual,  tais  como:  Interferências  da  língua  materna,  problemas  de  coesão  e  coerência,  desconhecimento  dos  gêneros  textuais,  o  que  prejudica  a  própria  realização  das  tarefas  propostas no exame. 

Conforme demonstramos acima, iniciamos a pesquisa analisando as interferências  do  espanhol  no  Exame  de  Proficiência  em  Língua  Portuguesa.  Em  um  segundo  momento,  procuraremos  investigar  os  impactos  produzidos  por  tais  fatores  nos  mecanismos  coesivos  e  na própria coerência textual. 

9. Considerações Finais 

Pretendemos  apresentar,  com  este  artigo,  perfil  do  Programa  Lingüístico­  Cultural  para  Estudantes  Internacionais  na    UFPB  no  que  diz  respeito  ao  ensino  de  PLE  (Português  como  Língua  Estrangeira),  à  pesquisa  e  à  extensão.  Dentre  as  suas  várias  atribuições  de  caráter  interdisciplinar,  o  Programa  em  tela  exerce  um  papel  de  fundamental  importância  na  aplicação  do  Exame  de  Proficiência  em  Língua  Portuguesa,  segundo  caracterizamos  anteriormente.  Dessa  participação  ativa,    vislumbramos  a  realização  de  inúmeras pesquisas lingüísticas a partir do material coletado, a exemplo do que acontece nas  grandes universidades do Sul e Sudeste do País. 

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