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UNIVERSIDADE DE CUIABÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU MESTRADO ACADÊMICO EM ENSINO DILSON CESAR LEAL RIBEIRO

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UNIVERSIDADE DE CUIABÁ

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU

MESTRADO ACADÊMICO EM ENSINO

DILSON CESAR LEAL RIBEIRO

CUIABÁ 2020

OS SENTIDOS DO BRINCAR EM CONTEXTOS DE ENSINO

NÃO FORMAL: UM ESTUDO DE CASO NO PROGRAMA SIMININA

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DILSON CESAR LEAL RIBEIRO

OS SENTIDOS DO BRINCAR EM CONTEXTOS DE ENSINO NÃO

FORMAL: UM ESTUDO DE CASO NO PROGRAMA SIMININA

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu, Mestrado Acadêmico em Ensino na Universidade de Cuiabá (Programa Associado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso/IFMT e a UNIC) como parte do requisito para obtenção do título de Mestre em Ensino, área de concentração: Ensino, Currículo e Saberes Docentes e da linha de Pesquisa I: Ensino de linguagens e seus códigos, sob a orientação do Professor Dr. Rosemar Eurico Coenga

Cuiabá – MT 2020

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Prof. Dr. Rosemar Eurico Coenga

Profa. Dra. Lucy Ferreira Azevedo

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Dedico a Deus, pelo dom da vida, a Sebastião e Carminha, meus pais, pelo amor incondicional, a Samya, minha amada mulher, a Cibelle, pela maravilha da fraternidade, Amille, minha sobrinha, que me presenteia carinhosamente como tio.

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AGRADECIMENTOS

À minha mulher Samya, pelo amor, companheirismo, força e ânimo nos momentos que precisei e continuo precisando.

Às minhas famílias, Leal e Ribeiro, por simplesmente delas ser constituído.

Ao meu orientador Professor Doutor Rosemar Eurico Coenga, pela grandeza da pessoa que é, sua bondade, paciência e disponibilidade no auxílio da construção deste caminhar.

À querida professora Doutora Cilene Maria Lima Antunes Maciel, por acreditar em mim e ajudar na realização deste sonho.

Aos professores do Programa de Mestrado, pelo amor como nos conduzem, pelo conhecimento proporcionado, pela energia que carregam e por me permitir aqui chegar.

Ao amado amigo Professor João Batista Franco Borges, que a mim abraçou como um irmão, pelas palavras de incentivo e ensinamentos que recebi, e por um dia me possibilitou a oportunidade de lecionar no ensino superior.

Ao estimado Professor Mestre Otávio Rodrigo Palácio Favaro, por oportunizar minha experiência enquanto professor universitário, meus eternos respeito e gratidão.

Ao Programa Siminina, que de forma única e atenciosa permitiu e disponibilizou a estrutura e os espaços para a coleta de dados, tornando possível esta pesquisa.

Aos amados amigos que fiz e que tenho, com os quais Deus me presenteia como os irmãos que não tive, e companheiros de grandes e belos momentos.

Aos colegas de profissão, com quem ao longo das jornadas sempre aprendo e colho aprendizados.

Aos alunos que tive ao longo destes anos, são fontes de estímulo, inspiração e a eterna vontade de alçar voos maiores.

Aos locais de trabalho, que proporcionaram exercer meus ofícios, e assim crescer enquanto pessoa e professor.

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RIBEIRO, Dilson Cesar Leal. Os sentidos do brincar em contextos de ensino não formal: um estudo de caso no Programa Siminina. 2020. Dissertação (Mestrado em Ensino),

UNIC/IFMT, Cuiabá, 2020.

RESUMO

Este estudo teve como objetivo, identificar e analisar os sentidos e significados que as meninas do Programa Siminina, unidade Tijucal, em Cuiabá, dão ao brincar. Apontando a presença do brincar na infância, pré adolescência e por seguinte na adolescência, nos diferentes contextos socioculturais existentes, o repertório de brincadeiras, suas práticas e vivências, considerando o momento que isto acontece e como ocorre essa manifestação, como parte integrante da expressão de um povo ou movimento corporal de um determinado grupo, tendo em conta suas disponibilidades e espaços para que isto seja possível. Sobretudo, trazendo à discussão estudos acerca desta temática que são de grande aporte e relevância no que tange a conceitos e entendimentos sobre ponto de partida e que fazem referência às questões norteadores destas fases da vida, tais como: a Sociologia da infância, a Antropologia da criança, o aprendizado da vida cotidiana, perspectivas sobre a realidade, a educação em tempos e o brincar em si, por ser este o objeto de estudo da presente proposta. Como objetivos específicos: identificar e analisar como, quando, quais, onde e em que outras condições elas brincam; observar como os jogos/brincadeiras e atividades recreativas são desenvolvidas nesse espaço de ensino não formal. A opção metodológica foi a pesquisa qualitativa, estudo de caso etnográfico, tendo como instrumentos: a coleta de dados, a observação direta, e entrevistas semiestruturadas com as meninas assistidas, e, profissionais que atuam no programa. As participantes desta pesquisa foram 12 meninas (crianças/pré adolescentes e adolescentes) com idade entre 6 e 14 anos, em situação de vulnerabilidade social. As atividades ocorrem em dias e horários variados, sempre em contra turno ao horário escolar. Os jogos e brincadeiras ocorrem conforme estabelecidos entre coordenação e professores de Educação Física, utilizando boa parte de um período para essas ações. Como aporte teórico acerca do ser criança foram referendados autores como: Ariès (1986), Belloni (2009) e Brougère (2012), trazendo apontamentos sobre a história social da criança, a sociologia da infância e o aprendizado pela vida cotidiana. Quanto aos jogos e brincadeiras, são apresentados, dentre outros, os seguintes autores: Huizinga (2000), Kishimoto (2007) e Winnicot (1975) colaborando com observações acerca do lúdico, da brincadeira e educação, e, o brincar e a realidade. Olhar e escutar os fenômenos culturais expressos na forma de jogos, recreação e brincadeiras no espaço/tempo deste programa social, é o que intenta este estudo. Visando contribuir para o estudo das relações das crianças/ adolescentes com o brincar no contexto do espaço não formal.

Palavras-chave: adolescência, brincar, criança, pré adolescente, Programa Siminina, vulnerabilidade social.

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RIBEIRO, Dilson Cesar Leal. The meanings of playing in non-formal teaching contexts: a

case study in the Siminina Program. 2020. Dissertation (Master in Teaching), UNIC / IFMT,

Cuiabá, 2020.

ABSTRACT

This study aimed to identify and analyze the senses and meanings that girls from the Siminina Program, Tijucal unit, in Cuiabá, give to play. Pointing out the presence of playing in childhood, pre adolescence and then in adolescence, in the different existing socio-cultural contexts, the repertoire of games, their practices and experiences, considering the moment that this happens and how this manifestation occurs, as an integral part of the expression of a people or body movement of a certain group, taking into account their availability and spaces for this to be possible. Above all, bringing to the discussion studies on this theme that are of great contribution and relevance with regard to concepts and understandings about starting point and that make reference to the guiding questions of these phases of life, such as: the Sociology of childhood, the Anthropology of child, the learning of everyday life, perspectives on reality, education in times and playing itself, as this is the object of study of this proposal. As specific objectives: to identify and analyze how, when, which, where and in what other conditions they play; observe how games / games and recreational activities are developed in this non-formal teaching space. The methodological option was qualitative research, an ethnographic case study, having as instruments: data collection, direct observation, and semi-structured interviews with the assisted girls, and professionals who work in the program. The participants of this research were 12 girls (children / pre-adolescents and adolescents) aged between 6 and 14 years old, in a situation of social vulnerability. The activities take place on different days and times, always against the school schedule. The games and games take place as established between coordination and Physical Education teachers, using a good part of a period for these actions. As a theoretical contribution about being a child, authors were endorsed as: Ariès (1986), Belloni (2009) and Brougère (2012), bringing notes on the social history of the child, the sociology of childhood and learning through daily life. As for games and games, the following authors are presented, among others: Huizinga (2000), Kishimoto (2007) and Winnicot (1975) collaborating with observations about ludic, games and education, and, playing and reality. Looking at and listening to cultural phenomena expressed in the form of games, recreation and play in the space / time of this social program, is what this study intends. Aiming to contribute to the study of the relationships of children / adolescents with playing in the context of non-formal space.

Keywords: adolescence, play, child, pre-adolescent, Siminina Program, social vulnerability.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 9

2 OS SENTIDOS DO BRINCAR EM CONTEXTOS DE ENSINO NÃO FORMAL: UM ESTUDO DE CASO NO PROGRAMA SIMININA ... 12

2.1 ABORDAGENS DE INVESTIGAÇÃO COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES: CONSTRUINDO UM CAMPO TEÓRICO-CONCEITUAL ... 12

2.2 CRIANÇA/ADOLESCENTE E A VULNERABILIDADE SOCIAL ...21

2.3 A CONSTRUÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ... 28

3 CONCEPÇÃO DE JOGOS E BRINCADEIRAS E OS SENTIDOS DO BRINCAR EM ESPAÇO NÃO-FORMAL ... 34

3.1 EDUCAÇÃO NÃO FORMAL ... 34

3.2 CONCEPÇÃO DE JOGOS E BRINCADEIRAS ... 39

3.3 OS SENTIDOS DO BRINCAR ... 44

3.4 O BRINCAR E SUAS LINGUAGENS ... 50

4 AS BALIZAS METODOLÓGICAS ... 56

4.1 A DEFINIÇÃO DO CONTEXTO E DOS SUJEITOS PESQUISADOS; A COLETA DE DADOS E SEUS INSTRUMENTOS ... 60

4.2 OLHAR ETNOGRÁFICO SOBRE A VIVÊNCIA DOS JOGOS E DO BRINCAR EM ESPAÇO NÃO-FORMAL ... 63

4.3 PROCEDIMENTOS PARA A ANÁLISE DE DADOS ... 66

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 70

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1 INTRODUÇÃO

Ao apresentar este trabalho, trazemos 3 pilares com semelhanças e próximos nos conceitos e definições quanto ao termo, mas que em nosso entendimento possuem uma linha tênue que os diferenciam, sendo eles: o ser (distinto) e o indivíduo (indistinto); mudança (ação que pode ser desfeita) e transformação (não pode ser desfeita); e, comunidade (afetividade coletiva) e sociedade (acordos de convivência).

Tais apontamentos e reflexões versam sobre discussões pertinentes sobre lugares, com a pessoa ou coisa tendo sua ocupação ou cargo; construções envolvendo ideias necessárias ao trabalho de organização e criação de algo; também, princípios, éticas e valores na conduta humana a respeito do comportamento humano, promovendo a convivência harmoniosa entre as figuras, mesmo com interesses díspares.

Na civilização humana desde os primórdios o brincar está presente nas vidas das pessoas, como também suas formas, variações e possibilidades, face à época, intentos, materiais, avanços, e ainda, o tempo e o lugar que este entreter é proporcionado e contempla o indivíduo no seu meio e nas relações estabelecidas nos grupos aos quais ele pertence e também na sociedade na qual ocorrem as respectivas interações.

Os jogos e as brincadeiras foram incorporados ao cotidiano, com sentidos e sensações distintas no que tange ao período de vida que se encontra (infância, adolescência ou fase adulta), observando que as diversões e seus atrativos serão alterados ou trocados, muito em vista do desenvolvimento intelecto-cognitivo do indivíduo e suas aquisições em termos de ideias, pensamentos e observações daquilo que lhe for apresentado e de como isto fará parte do seu existir.

Dentro da atividade humana consta a cultura corporal de movimento e com ela suas diferentes manifestações e expressões, levando em consideração os povos, sua natureza e particularidades dentro da história ou de um período desta, as recorrências feitas a este brincar, quem eram ou são os sujeitos, como eles tomam parte disto, e como isso influi no seu modo de conceber as coisas e entender o mundo à sua volta.

Numa relação estabelecida entre homem e meio, está a aprendizagem em si, desde o mais simples gesto ou deslocamento, como a complexidade exigida para o desempenho de tarefas ou movimentos da atividade que fora proposta, adaptada ou modificada, que justificasse

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uma necessidade ou fim para atender algum anseio, desejo ou outro olhar para um determinado momento.

A criança, na condição de ator social, tem uma maneira particular de participar e de reagir aos diferentes contextos sociais. Em geral, a referência às vulnerabilidades não costuma incluir a questão do temperamento e da conduta daqueles. Parece que eles se encontram sempre em desvantagem no relacionamento com os adultos.

Existem também os conflitos provenientes do convívio social que ameaçam seu bem-estar. Ou seja, eles não sofrem apenas da falta de acesso às instituições e serviços, além da qualidade da interação com os adultos. Se, no primeiro caso, eles são sempre as vítimas, no segundo, a vulnerabilidade é relativa, pois depende da análise dos fatores do risco.

Apontando, discutindo e evidenciando os desafios da sociedade no mundo atual, aqui especificamente um recorte de uma determinada comunidade cuiabana, com referências à ocupação e trabalho, diferença entre ócio e ociosidade, e, as ações possíveis nos distintos e diferentes grupos sociais, suas opções de viver e interagir com as demais pessoas, e, consequentemente, com o seu meio.

Os tempos do brincar e do divertimento encontram espaços ao longo dos tempos, sendo parte integrante na formação e desenvolvimento do indivíduo, pelos aspectos e características inerentes aqueles, quais sejam: a sociabilização, o conhecimento de si e do outro, promoção do respeito, amizade e companheirismo, pois, isto estará presente no caminhar existencial do ser.

Buscando clarear e manifestar os aspectos analisados (gênero, faixa etária, nível escolar), os relacionamentos com os jogos, os brinquedos e as brincadeiras (materiais utilizados, espaços, tempos), a concepção e o aprendizado em virtude das propostas apresentadas (identidades e identificações, aproximação e afinidades, pertencimento e inclusão), fatores preponderantes e de bases sólidas que fundamentam e argumentam uma edificação particular.

Também presente neste trabalho, a nossa experiência profissional enquanto professores e educadores, trazendo contribuições no que tange ao planejamento e encaminhamento dos conteúdos durante as aulas, os tratos para com os distintos e diferentes públicos (necessidades, expressões, anseios, objetivos), um olhar mais cuidadoso e atento em virtude das dessemelhanças e algumas precocidades acerca deste corpo feminino.

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Então, estes olhares contemporâneos acerca do brincar na infância e adolescência, os seus sentidos, e assim, dispondo e promovendo ao mesmo tempo a cultura infantil e a cultura corporal de movimento por intermédio das situações, sensações, gestos, modos e interpretações presentes e inerentes em cada fase da nossa vida, contribuindo e auxiliando na formação do indivíduo e formação da criança enquanto ser social.

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2 OS SENTIDOS DO BRINCAR EM CONTEXTOS DE ENSINO NÃO FORMAL: UM ESTUDO DE CASO NO PROGRAMA SIMININA

2.1 ABORDAGENS DE INVESTIGAÇÃO COM CRIANÇAS E ADOLESCENTES: CONSTRUINDO UM CAMPO TEÓRICO-CONCEITUAL

Neste capítulo abordaremos e discutiremos os seguintes temas: Aspectos históricos-sociais da criança e da adolescência (contextos, manifestações, práticas e vivências); com critérios e dimensões que caracterizam o referido público e assim situá-lo na presente proposta hora apresentada.

Ao abordar a presente temática primordialmente faz-se necessário situar e localizar o objeto de estudo que é criança/adolescente, sua escalada nas diversas fases de sua existência, seu crescimento e desenvolvimento intelectual, cognitivo e motor; as experiências sentidas e vividas, as expectativas e sentimentos face às descobertas e as novidades, como esse período da vida foi debatido, entendido e definido ao longo dos tempos.

Os escritos em tela, trazem abordagens referentes à sua participação e interação na sociedade em que vive, sua formação e transformação dentro dela, a assimilação de normas, regras, valores e ditames que recebe tanto da família, quanto das pessoas ligadas direta ou indiretamente a esse ser em questão, citando aqui: professores, colegas, amigos, vizinhos e outros sujeitos que passarão por sua vida.

Este ser social, percebendo e sendo percebido nos diversos espaços de convívio, tendo em conta seus aspectos físicos e particularidades, suas transformações, acontecimentos marcantes. Posto, que estão reunidos neste contexto as distinções e compreensões entre a paciência e a tolerância, o respeito e a compreensão, e ainda, o que é a familiaridade? E o que é a intimidade?

Há de se colocar à extensão desta pesquisa, face ao título apresentado, sua relação com a educação e cultura, numa sociedade contemporânea, visto que o propósito desta investiga uma questão dos dias atuais. Versando sobre a exclusão/inclusão social em virtude a vulnerabilidade que muitas classes de pessoas sofrem por diversos fatores, que não necessariamente tem a ver com pobreza, e sim com aspectos socioeconômicos.

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Para adentrar na proposta apresentada, é preciso falar sobre a infância, a criança e seus elementos e princípios, bem como, o conjunto de circunstâncias inerentes e pertinentes ao estudo aqui apresentado, para os questionamentos e os diálogos que o cercam, por se tratar de um sujeito social com uma história recente de análises e investigações que apontem e sugestionem este propósito.

As fases da vida que aqui serão refletidas e marcadas por descobertas distintas, principalmente pela distinção das faixas etárias, compreensão do seu eu e do espaço em que vive e que o rodeia, novidades e soluções que surgem, se completam ou são únicas num dado momento da vida, os anos compreendidos nas referidas etapas são de suma importância em relação ao desenvolvimento da criança e do adolescente, e como isto se dará.

Sobre este assunto, Lustig et al. (2014), trazem importante contribuição acerca da diferença entre as concepções de infância e criança, a primeira compreendida, em síntese, como uma etapa da vida da pessoa e, a segunda, como sujeito histórico, social e cultural, observamos que os documentos oficiais vão ao encontro dessas proposições, ao conceber que a criança possui características e especificidades inerentes a esta fase de desenvolvimento.

No que tange ao sentimento de infância, Linhares (2016, 26) anuncia que as periodizações da vida variam nas diferentes culturas, visto as idades e a separação das mesmas, consoante os vários aspectos da sociedade, e nisto, conforme a medida biológica, e que, não necessariamente a cronológica acompanhar os avanços da primeira, outrossim, já observado nesta ocasião, que estas classificações dos ciclos são recentes.

Pertinente colocar o que aponta e assevera Ariès (1986, 33), sobre as idades da vida ou idades do homem, conforme autores da Idade Média: infância e puerilidade, juventude e adolescência, velhice e senilidade. Nesta época história, a infância era entendida como o período do nascimento até os sete anos, a criança era chamada de enfant, que significa não falante, com referência ao ordenamento e firmeza dos dentes.

Seguindo nesta seara, o autor fala da confusão feita sobre os termos infância e adolescência, onde este era usado como sinônimo daquele, que por sua vez trazia a ideia de dependência. Então, conforme antigos escritos, estabelece-se uma ordem temporal acerca dos vocábulos, com juventude tendo destaque no século XVIII, infância no século XIX, e, adolescência no século XX.

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Juntamente a esses apontamentos, Ariès (1986, 30), localiza a criança em relação a família, o ser humano com o percurso natural da vida: existência enquanto pessoa, escola, primeiro emprego, a formação da cidadania, e, como isso aconteceu ao longo dos últimos séculos, o objeto de atenções especiais em relação à uma determinada idade ou fase da vida, com suas particularidades e nuances.

Este caminhar observado pelo autor, carrega consigo questões referentes ao gênero, a família e a identidade civil, uma vez que estas indagações são as primeiras a se apresentarem e ganharem fundamento para este ser que começa a entender, interagir e se desenvolver com o meio em que vive, como é acolhido e como recebe este universo de cenários que hora se descortina.

Tem-se presente as descobertas que serão feitas, as sensações que serão provocadas, processadas e produzidas, os avanços e retrocessos que ocorrem neste período, pois a criança não se desenvolve de maneira linear uma vez que há diferenças e distinções quanto aos fatores internos (hereditariedade, crescimento, maturação) e externos (meios, culturas, influências, variações), proporcionado uma gama infinita de possibilidades e probabilidades.

Dentre outros aspectos e particularidades (compleição física, características, normas e valores), esta criança também começa a explorar mundos, ambientes, espaços; descobrir sentidos, pressentimentos, impressões; existir enquanto pessoa e ser social; portanto, é entendida enquanto sujeito de ações e interações, bem como, pertencida contextos que lhe farão único e distinta (seio familiar, personalidade, inclinações, afinidades, entre outros).

No que concerne a trato e diligências, Wallon (2007, 9), faz uma interessante e importante abordagem, sobre o conhecimento e qual ponto de vista será predominante, o do adulto ou o da criança? Sendo que para esta só é possível viver a sua infância, conhece-la já é incumbência daquela, por fatores óbvios e simples, uma vez que para um já há inquirições em relação à essa fase da vida, para outro cabe apenas e tão somente vivê-la.

A gradação conforme este período da vida acontece é que significados e significâncias começam a surgir, ganhar formas e dimensões, lógicas e fundamentos que propiciem entender as coisas simples do seu existir, como uma aproximação, um reconhecimento, uma expressão, a demonstração de um sentimento, até os eventos mais complexos, tais como: datas, compromissos, prazos, responsabilidades.

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Este passo a passo, ordenamento natural da vida da pessoa, oferece liberdades, propicia oportunidades, amplia as capacidades, pois, já acontecem e crescem as ações e movimentos em prol das adições e amplificações do experimentar, sentir, gostar; demarcando e esboçando afinidades e preferências, que favoreceram a escalada humana que aos poucos se molda e contempla as distintas dimensões: físico-motora, cognitiva-afetiva e social.

Outra contribuição promovida por Wallon (2007, 11), é a questão referente ao observar a criança no seu desenvolvimento e no curso de suas sucessivas idades, a saber, estas passagens e estágios mostram-se descontínuas, dado que, haverá remanejamentos, certas atividades antes preponderantes terão sua importância ou significado reduzidos, o surgimento de conflitos, que não serão resolvidos de maneira absoluta e uniforme, consequentemente deixando suas marcas.

Salienta-se quanto ao desenvolvimento humano, entendido como mental e orgânico, todo o procedimento da infância até a fase adulta, apresenta os seguintes aspectos: social, intelectual, afetivo-emocional e físico-motor, conforme argumenta Darido (2003, 5), cada um destes com as suas devidas especificidades, atenções e cuidados, tendo já mencionado, o fato de que uma criança não é igual à outra.

Ao fazer esta afirmativa, é levado em conta as situações que cada indivíduo passa ao longo da sua vida, as circunstâncias, os âmbitos histórico-culturais, os episódios socioeconômicos, as condições humanas. Serão fatores definitivos e preponderantes para muitas respostas às necessidades e anseios deste ser social que vai se adequando e acostumando com as “verdades” do seu agrupamento e que as concretudes que vão se constituindo à sua frente.

Esta constatação ganha amparo no que apregoa Schlindwein, Laterman, Peters (2017, 15), ao afiançar que é na brincadeira que a criança é e se expressa na infância. Os primeiros anos de vida que este indivíduo se mostra um ser brincante, com convicções e práticas que caracterizam este intento além das definições em relação à dimensão lúdica, por esta atividade carregar em seu cerne o envolvimento e a concentração, vitais para o crescimento infantil.

Além disso, Schlindwein, Laterman, Peters (2017, 16) apresentam argumentação acerca do conhecimento da brincadeira nos primeiros anos de vida, os sentidos evolutivos e suas perspectivas, as características do brincar, intervenções de promoção, experiência

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educativa desta impulsão, e, as condutas lúdicas nesta alusiva etapa, ou seja, as dimensões cognitivas, afetivas e sociais.

Quanto à expansão, alargamento e testemunhos, este ser em questão divisará, provará e gozará de ensejos que promoverão a sua transformação, idem a do seu existir e de sua consequente realidade, por transacionar momentos de mudanças, intercorrências capazes de apontar aquilo que é possível visualizar e transportar ao seu “eu”, “verdades”, e com isso, estabelecer ligações com o que já se sabe e/ou foi aprendido, e, o que ainda está por vir.

No campo da Antropologia da criança, há questões sobre: o que é a criança? O que é ser criança? Como vivem e pensam as crianças? O que significa a infância? Quando ela acaba? Então são abordadas questões acerca de: caráter e personalidade, experimentos e vivências, faixas etárias suas particularidades e especificidades. E, assim, se apresentam estudiosos como: Bourdier, Delalande, Fernandes, Hischfeld.

Cohn (2005, 11) faz abordagens sobre: o ser, o pensamento, a criança, a sua vivência, a infância e o seu período de duração. Alertando sobre indagações que não são nada fáceis de responder, e também, conclusões, opiniões, ou, chegar a um denominador comum, sobre o assunto, pois há crianças por todo mundo, e as informações sobre elas são vastas, idem as ideias a respeito sobre esta fase da vida.

Estas relações e nexos acima apresentados e referendados, advém e manifestam a respeito de identidade, característica e condição, acrescendo à capacidade, o julgamento e dedução, não menos importante, agregando resolução e lógica ao subsistir que atravessa época e períodos, quando deles com suas matizes e particularidades, que se assentam conforme as tendências e influências dos momentos.

Cohn (2005, 11), aponta que estudar as crianças é um desafio para a antropologia, por inúmeras razões, sendo a principal delas a dificuldade em reconhecer na criança um objeto legítimo de estudo, pelas abordagens sobre o desenvolvimento infantil, tratarem de um ser incompleto, a ser formado e socializado, somente achando respostas quando a própria Antropologia, revendo-se, torna possível a abordagem, percebendo na criança um sujeito social. Este corpo em questão é de um ser em desenvolvimento, formação, caráter a ser moldado, constituído de diferentes expressões, e podendo ainda, sofrer influências dos meios, com experiências positivas e negativas, mudanças face às situações, grupos sociais, na sua

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autonomia, capacidades e possibilidades, compartilhando certas características, interagindo uns com os outros, aceitando direitos e obrigações, na construção de uma identidade comum.

Quanto à essa estruturação do indivíduo, ela perpassa por certames referentes o gênero, ser social, coletividade e participação nas entidades e instituições de pessoas, ou seja, o meio em que vive, características em virtude das culturas semelhantes ou não, definições dos caracteres e particularidades de um determinado grupo, a identificação de uma pessoa dentro dele, e também, filiação e representação em documentos.

Observa-se construção dentro de pilares, assim determinados: o entorno social, primando pelo sujeito (condição, origem, lugar, inserção), este acompanhado pela identidade comum (características próprias e exclusivas, diversidades, âmbitos, perspectivas), e, a organização social (regras e procedimentos padronizados, grupos sociais, instrumentos reguladores e normativas das ações humanas, satisfações e necessidades), assim concebidas.

Essas mudanças ocorridas na fase de transição de criança para adolescente, saindo da simplicidade e alcançando a complexidade, obedecendo uma sequência e um ordenamento, ao que é chamado de desenvolvimento, fato este que acompanhará a criança nos distintos estágios da vida, passando a adolescência, fase adulta e a chamada melhor idade, todavia, para o delinear desta, atentemos para as duas primeiramente citadas.

É observada também as previsibilidades, o modo como a família conduz esta educação, a imposição de normas e limites, de que maneira este jovem é influenciado pelas tendências ou modismos do momento em que se vê pertencente a este ou aquele grupo social, e que também poderá intervir em questões referentes a obrigações, importâncias, exercícios de cidadania e interação, bem como parte integrante de um meio e/ou espaço.

A socialização das novas gerações levando em consideração que esta fase existencial é fruto de uma construção histórica e que se apresenta como ferramenta conceitual para estudos e compreensão de grupo social específico, real e concreto. Tais reflexões servem de norteadores para a Educação e a Antropologia, na validação da infância como categoria das ciências humanas.

A chamada classe social em que o ser aqui abordado toma parte, apresenta situações que envolvem: pertencimentos/inclusão, mudanças na sua compleição física, as complexidades dos contextos (sociedade, família, escola, amigos), e que é corroborada por uma observação feita por Cohn (2005, 25):

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Desde cedo a criança participará dos chamados grupos de idade, continuando neles mesmo quando acontecem mudanças na formação familiar, pois estão presentes as complexidades dessa fase da vida, contextos socioculturais, a construção e transformação de um novo corpo, os sonhos, fantasias, choros e alegrias que caracterizam e marcam à infância.

A criança atuante, seu papel ativo nas relações, incorporações de papéis e comportamentos sociais, são destacados por Cohn (2005, 28), visto que ela não é um “adulto em miniatura”, posto sua interação junto aos adultos e as outras crianças, e, o mundo que ela percebe em sua volta, parte importante na consolidação das descrições assumidas ao longo do caminhar da sua existência.

Também se nota outra modalidade de relação social, a que acontece com as irmãs, pois um menino pode chamar de “irmã” uma infinidade de pessoas, sejam elas próximas ou distantes dele em grau de parentesco, bem como as que compartilham dos mesmos pais, contudo esta relação pode ter uma afetividade maior ou menor conforme a cumplicidade dos laços criados entre os sujeitos envolvidos, conforme o que assevera Cohn (2005, 30).

A infância pode ser entendida, assim como uma classe social, no sentido de que é permanente na sociedade, embora a ideia de permanência não signifique que ela é única e imutável. O que a criança faz, fala, ou como age, ou seja, o modo como ela interpreta o mundo, diz respeito a algo que é presente, contemporâneo. Existe uma cultura das crianças que é exclusivamente delas.

Para tanto, é preciso desconstruir as barreiras existentes do que se compreende da infância e reconstruir novos conceitos, principalmente as barreiras construídas entre as diferentes áreas como a Educação, a Sociologia, a Psicologia, a Medicina. Tendo em vista que os diferentes espaços estruturais diferenciam as crianças, aqui para exemplificar, aponta-se: ambientes e convívios, influências e comportamentos, incentivos e aprendizados.

Outros apontamentos feitos por Cohn (2005, 31), chamam atenção, como por exemplo, o papel ativo das crianças, aqui a ilustração referente aos chamados “meninos de rua”, sendo este termo a ideia mais contemporânea em relação a criança em situação de risco, face aos recentes momentos vividos, retratados e percebidos no país, e somado a isto a questão da violação de direitos fundamentais e/ou prejuízos dos mesmos.

A criança produtora de cultura, uma vez que ela vai incorporando gradativamente o aprendizado de coisas, mostrando a diferença entre elas e os adultos, as crianças não sabem

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menos, sabem outros atos, envolvendo nisso tendências e habilidades de um assentado grupo de pessoas ou comunidades estabelecidas num determinado ensejo pelas indicações e sinais de uma revelada ou exata comunidade.

Estas afirmativas apontadas quanto à relação presente entre qualidade e quantidade de informações, saberes e aprendizados, coloca cada vez mais notada a capacidade que os pequenos têm de perceber o espaço, entender o que se passa ou acontece, mostra e demonstra o que captou e como captou, em virtude de seus axiomas, com a lógica das variações conforme os entendimentos a respeito de uma determinada coletividade de indivíduos.

Isto, leva a uma intensidade maior ou menor diante de outros momentos e situações parecidas ou que as faça recorrer ao uso disto ou daquilo para ser vista, sentida ou acolhida, lembrando que cada ser é único e distinto, visto sua forma de entender o meio e de se expressar neste, considerando os deslocamentos e alterações decorrentes dos aprendizados ocorridos na vida de que cada ser social.

O viver em grupos, mesmo com pensamentos distintos, porém consonantes, com diálogos desinteressados, mas com pertinências, pois, a convivência e suas respectivas interações e desdobramentos acontecem no mesmo espaço, e ali, também ocorrem opiniões e conversas descomprometidas, trazendo o seguinte discurso recorrente:

A ideia acerca da produção do conhecimento, pela necessidade sobre a transmissão oral e escrita, por estarem aí presentes a criatividade e a inventividade; a diversidade no que tange as capacidades de aprendizagem e competências, face a ampla possibilidade de saber e assimilar, sem implicância a expectativa de domínio, pelo motivo destas conjunturas serem entendidas de maneira interligada (COHN, 2005, p. 40).

Promove-se assim a obra da inteligência em criar acervos, modos e meios sobre convicções, opinião e pareceres que versam desde o que é o ambiente onde estão localizados a ordenamentos que colocam a criança como protagonista de sua própria história (família, escola, amigos) as relações com o outro e entre “outros”, uma vez que independentemente do perfil, compleição física ou a qual classe social este elemento pertence.

Cabe fazer apontamentos, referências e observações pertinentes à Sociologia da Infância, com destaque para os seguintes estudiosos: Castro, Corsaro, Durkheim, Prout; por ser uma área de pesquisa que apresenta discursos numa perspectiva histórico-social que mostram a criança como ser social e visível, com mudanças culturais significativas acerca dos estudos

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sobre o indivíduo em questão, e, as contribuições e reflexões feitas nos anos finais do século XX e que ora se apresenta com muito mais propriedade e entendimentos.

A marcha em prol da urbanização onde ocorrerão os hábitos característicos para a promoção deste ser como um membro funcional de uma referida comunidade, e nisto, a assimilação de uma cultura que lhe é presente, também nesta ciência social apresenta um acréscimo:

A criança não foi ocupada como ser social, mas, sim, como um objeto científico dentro de um processo de socialização. E, ainda, contribui ao falar sobre as progressões sociais nos campos privado e individual, nisto, contribuindo para a construção da chamada “sociologia dos indivíduos sociais”. SARMENTO (2008, 5).

Para Belonni (2009), a criança é o cidadão de direitos e sujeito de seu processo de socialização, um indivíduo emancipado em formação, apontando a infância como uma categoria social e sociológica ao mesmo tempo, por conta do fenômeno, colocando ser necessária atualmente os avanços referentes aos estudos da infância, trazendo assim a mudança histórica para o futuro.

Por tal afirmação, observa-se as diferentes interações, mudanças e transformações que o indivíduo passa ao longo da sua vida, recebendo influências externas, percebendo inteirado com o meio, e nele aprendendo e promovendo trocas e alterações de vivências, posto que o ser humano não é e nem será o mesmo sempre, pois, há situações, cenários, pessoas, decisões e contextos que facilitam acontecimentos ou indagam acerca de postura e comportamento.

Ainda explorando Belonni (2009, 5), ela apresenta argumentos que possam iluminar as concepções e compreensões das relações sociais reais que caracterizam a infância em nossas sociedades. Trazendo argumentos e debates com fulcro nos seguintes excertos: indivíduo versus sociedade; estrutura versus ação; sistema versus interação, também, habitus, campos e estruturas simbólicas, e ainda, dimensões do tempo e do espaço.

São reflexões que pairam em teorias compreensiva e explicativas dos fenômenos sociais da primeira metade do século passado, com progressão e evolução as chamadas correntes “construcionistas” ou “construtivistas”, observando a herança que as ciências sociais e a sociologia receberam face ao materialismo e idealismo, entre sujeito e objeto, que caracterizam a complexificação dos fatos e acontecimentos contemporâneos.

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Buscando mais aportes que referendo os aspectos históricos sociais da criança e do adolescente, acrescenta-se o que Belonni (2009, 32), chama de: indivíduo plural numa modernidade líquida, pois, nisso entende a socialização como “incorporação do social” e a dificuldade demasiada em compreender o assunto dentro dos limites de uma única disciplina, uma vez que há de se detalhar os múltiplos universos e o caráter plural desse processo.

O indivíduo pode ser único e distinto em relação a outro par, buscando significados e promovendo discussões e construções, e, tenta entender os tratos e diálogos, bem como, os cabimentos e incumbências referentes e inerentes a ele, dentro desta multiplicidade social, e que Belonni (2009, 35), faz pontuais indagações que promovam as garantias e assistências devidas ao cidadão.

Estas, foram assim elencadas: Qual ideal orienta nossa ação de adultos de referência especialistas em socialização? Que indivíduos queremos formar? Cidadãos plenos, conscientes de seus direitos e aptos a exercê-los e lutar por eles? Percebe-se com isto, a preocupação em responder questões pertinentes e recorrentes no cotidiano e na vida em sociedade, para que sejam possíveis intervenções favoráveis ao bem-estar e disposição ordenada do indivíduo.

Percebe-se que o desenvolvimento pessoal, a formação do caráter e a moldagem do perfil do indivíduo, apresentou afetividades e contradições, abstrações e conceitos, atuações e contextos no chamado indivíduo-ator. Ele vive e age nos diferentes estágios da vida (infância, adolescência, fase adulta, maturidade), tentando compreender as interações ocorridas, mas é o mesmo corpo biológico e identificado por seu nome.

2.2 CRIANÇA/ADOLESCENTE E A VULNERABILIDADE SOCIAL

Dentro dos desafios sociais da sociedade contemporânea está a busca da construção da cidadania num convívio harmonioso e assim promovendo uma cultura de educação em respeito aos direitos humanos. Formam um cenário pleno e agradável às várias instâncias da vida social (estrutura, sistema, instituições, grupos de pessoas), contribuindo sobremaneira para uma participação ativa e transformadora do indivíduo na sua respectiva comunidade e com os seus pares.

Os impactos que ocorrem na pessoa humana e na sua individualidade refletem diretamente na sua formação e no desenvolvimento das suas capacidades físicas (atributos

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físicos num organismo) e também as capacidades espirituais (criação, intuição, livre arbítrio), na construção do seu “eu”, seus aprendizados e as contribuições que estes trarão para sua formação e evolução pessoal.

Neste matiz, estão presentes: conhecimentos, experiências, valores e crenças (ético e filosófico), e, o agir, costumes, técnicas e aprendizagens significativas (cultural e ideológico), impulsionando e vivificando o modo de vida e o modo de pensar, contribuições estas que vão definindo e moldando o perfil do ser frente a situações e conjunturas, que irão cobrar dele reflexões e ações face as questões do cotidiano.

As condições possíveis de desenvolvimento, aqui aludindo ao cotidiano e o enfrentamento das adversidades (condições e garantias básicas), colocam a casa e a escola como locais que deveriam: abrigar, proteger e socializar, e, então consolidando estas como espaços de proteção, previstos e garantidas pelas bases legais e políticas públicas voltadas para a promoção da guarda e acolhimento de crianças e adolescentes.

Quando se aborda o nexo causal entre direitos humanos e violência, estão colocadas as conceituações existentes relacionadas a espaços sociais, e, mais uma vez, como logo acima explicitado, aparecem a casa e a escola como possuidoras de responsabilidade social ampliada, por conta das constituições aqui observadas: diálogo, cooperação, participação, e, a construção do ser reflexivo e de compreensão diante do mundo.

Segundo Cançado, Cardoso e Souza (2014), o termo vulnerabilidade nas últimas décadas, tem sido empregado em diversos campos do saber, apresentando uma série de vantagens, porém, trazendo em si algumas limitações analíticas. Tornando-se necessário um melhor desdobramento conceitual no intuito de embasar estudos que se dediquem, direta ou indiretamente, acerca do tema.

No entendimento de Bruseke (2006), a vulnerabilidade é a conjunção de fatores, sobrepostos de diversas maneiras e em várias dimensões, de modo a tornar o indivíduo ou grupo mais suscetível aos riscos e contingências. Evidenciando assim, a questão do pertencimento ou não a um determinado ajuntamento ou comunidade, ou ainda, apontara inserção ou exclusão de uma ou outra classe social.

Para Tedesco e Liberman (2008, 255), o termo vulnerabilidade é um vocábulo tanto acadêmico quanto da sociedade civil, sendo usado sobre vários pontos de vista e distintos significados. O termo está associado à pressão do poder econômico e perda social, a injustiça,

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a exploração, as deficiências, as minorias, ao desamparo, ao subdesenvolvimento, a pobreza e opressão

Nos dias atuais é comum vermos cenas acerca da negligência e violência em relação aos adolescentes independentemente de gênero, etnia, classe socioeconômica, credo religioso, e também, a utilização e exploração de imagens destes nas redes sociais conectadas, em relação à sexualidade, ao trabalho, e ainda, em outras formas tais como: o abandono ou afastamento do convívio familiar.

Apresenta-se na Constituição Federal brasileira, acerca dos Direitos e Garantias Fundamentais, e, por conseguinte os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, quais sejam:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

Também, conforme previsão legal na Carta Magna nacional acerca dos direitos sociais:

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma da Constituição.

Há de se observar a cidadania. Conforme entendimento de Lima, Junior e Brzezinski (2017, 2), o conceito contemporâneo se estendeu sobre o ser cidadão, não sendo apenas a pessoa que vota, mas, também aquele que exerce por meio de sufrágios a forma consciente e participativa. Então, cidadania é a condição de acesso aos direitos sociais permitindo ao cidadão desenvolver todas as suas potencialidades, incluindo a de participar de forma ativa, organizada e consciente da vida coletiva no Estado.

Na Constituição Federal brasileira há previsão legal acerca da ordem social, assistência e educação:

Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:

I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II - o amparo às crianças e adolescentes carentes;

III - a promoção da integração ao mercado de trabalho;

IV - a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária;

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V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei.

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiverem acesso na idade própria;

II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;

III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;

IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;

VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.

§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.

§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade competente.

§ 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola.

Necessário se faz a observação acerca deste contexto no que diz respeito à inclusão social, referindo-se ao conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada pelas diferenças de classe social, educação, idade, deficiência, gênero, preconceito social ou preconceitos raciais. Inclusão social é oferecer oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a todos.

Ao abordar e identificar este problema, Mittler (2000, 23) aponta para contextos sociais que envolvem o caminho da exclusão à inclusão, propondo e promovendo a discussão sobre o desafio da desigualdade social e educacional, chamando atenção para analisar o fato de crianças consideradas menos capazes, são as mesmas que vivem nas áreas em desvantagens social e econômica.

O autor também elenca fatores inerentes à inclusão tais como: política social e educacional, passando por reforma e reestruturação das escolas, assegurar aos alunos o acesso à toda gama de oportunidades, currículo coerente e a participação de todas as crianças nas possibilidades oferecidas pela escola, com isto, evitando a segregação e o isolamento, beneficiando então, todos os alunos indistintamente.

O pertencimento a um determinado grupo, bem como, a organização sócio-política vigente em nosso Estado, e, garantidas por legislações específicas que apontam as garantias fundamentais e as plenas prerrogativas inerentes ao público aqui apresentado, tais como: a

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previsão legal em nossa constituição à garantia aos direitos da criança e do adolescente, e, reforçando o tema ora apresentado, a questão da inclusão social.

Indo mais além do puro significado que se apresenta como: um conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade, provocada pelas diferenças de classe social, educação, idade, deficiência, gênero, preconceito social ou preconceitos raciais. Esta contenção de elementos prima por oferecer oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a todos.

Então, face a este movimento mundial e de dimensões globais, Mittler (2000, 39), faz referência a liderança exemplar e apoio oferecidos pelas agências da Organização das Nações Unidas, alinhando a Educação para Todos, estabelecendo metas de domínios específicos para a próxima década, bem como de que maneiras isto pode ser alcançado, e as prioridades em fazer que mais crianças possam ser educadas.

O Fundo de População das Nações Unidas em seu relatório Situação da População Mundial, em 2018, aponta que cerca de um terço dos jovens no mundo vivem em situação de vulnerabilidade social, onde mais de 500 milhões estão abaixo da linha de pobreza. Porém, indica que os países, principalmente os em desenvolvimento, que investirem no potencial produtivo de seus jovens, podem alcançar avanços sociais e econômicos expressivos.

Em direção às Políticas Inclusivas, Mittler (2000, 121), detalha sobre inclusão em educação e considera alguns impactos que nela podem ocorrer, diretamente ligados às práticas escolares, as crianças e suas famílias. O autor recorre a excelência das propostas sobre temas considerados familiares, programas de ação e suas expectativas, apoio efetivo aos pais e promoção da inclusão sempre que possível.

Verifica-se uma preocupação no que diz respeito à colocação em sociedade por meio de ações educativas-escolares, como forma de levar crianças/adolescentes as salas de aulas e assim mostrar uma nova forma de conceber e entender o mundo em torno de si e o meio onde habita, seus anseios e a busca para respostas presentes no seu cotidiano, e assim, dirimir imprecisões, incorreções e lapsos concernentes a riscos e instabilidades.

Quanto ao termo vulnerabilidade, diferentes definições selecionadas por vários autores, demonstram a multidimensionalidade do termo, tendo como uma das grandes contribuições a superação de análises simplórias referentes à pobreza, isso porque trata-se de

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uma qualidade heterogênea, tornando-se necessário compreendê-la pelo entrecruzamento de seus fatores multicausais.

Falar em riscos sociais não se restringe a situações de pobreza, mas está associado a um amplo espectro de situações. É, portanto, insuficiente pensar soluções meramente econômicas para problemas de ordem estrutural, que em sua maioria possui raízes profundas, como heranças da própria formação nacional, deterioração do sistema democrático, planejamento urbano ineficiente, entre outros.

De forma circular e quase inevitável, este ciclo se instala reforçando-se a condição de miséria, não só no nível material, como no nível afetivo, por envolver atrasos e desenvolvimentos, necessidades de sobrevivência, reforçando elementos peculiares de cada realidade, e as transformações ocorridas num determinado meio ou comunidade, com apontamentos diretos e precisos concernentes ao ter e ao obter.

As pessoas, desde muito jovens, percebem-se como inferiores, incapazes, desvalorizadas, sem o reconhecimento social mínimo que as faça crer em seu próprio potencial como ser humano. Estas questões devem ser consideradas, pois exercem forte influência sobre o comportamento das famílias e da comunidade em geral, formando de certa maneira: cenários, contextos e culturas.

É neste sentido que pensar a vulnerabilidade das crianças e adolescentes significa considerar sua limitação e, ao mesmo tempo, as condições de sua superação. Isso requer valorizar não apenas a qualidade dos relacionamentos (costumes, cotidianos, rotinas), mas também, dos espaços públicos que são atravessados pela infância: praças, parques, e outros centros urbanos de ocupação socioespacial. Também há de citar e situar a escola enquanto local de formação.

Para melhor entendimento desta abordagem, e que ligação tem com o tema, é preciso caracterizar o que é violência. Então vejamos: “Fenômeno complexo e multicausal, ela atinge, todas as pessoas, grupos, instituições e povos, e por todos é produzida. Expressa-se sob formas distintas, cada qual com suas características e especificidades”. (ASSIS, CONSTANTINO E AVANCI, 2010, 41).

Faleiros e Faleiros (2008, 29), falam que todo poder implica a existência de uma relação, porém, nem todo poder está associado à violência. Apontam que o primeiro é violento quando há o exercício de força visando objetivos e vantagens previamente definidos. Esta

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tipificação violenta é caracterizada pela coação e agressão que o dominador utilizado sobre o dominado, tendo neste um objeto de “ganhos” daquele.

Também são apresentadas por Faleiros e Faleiros (2008, 30) as formas de violência contra crianças e adolescentes, assim elencadas: violência estrutural; violência simbólica; violência institucional; violência física; violência psicológica; violência sexual; abuso, exploração, tráfico e turismo sexual; pornografia; prostituição; abandono; negligência, e, exploração econômica.

Todas estas manifestações com autores/atores e distintos lugares, segundo os autores estas formas não são excludentes e sim cumulativas. Isto é reforçado pela questão maior, nosso país conta com enormes desigualdades econômicas e sociais e historicamente classista, adultocêntrico, machista e racista, extremamente racista com crianças e adolescentes pobres, e também a alta mortalidade destas faixas etárias, com forte provocação de causas externas (tráfico de drogas, atuações de gangues, homicídios e acidentes de outra ordem).

Outra ocorrência bastante sentida e constatada é a violência nas escolas. Abramovay e Rua (2002, 74), enumeram: transgressões puramente comportamentais, incivilidade, delitos contra objetos e propriedades, intimidações físicas e verbais, descuido com o asseio das áreas coletivas, porte e consumo de drogas, transgressões contra costumes, ao apontar estas variáveis as autoras fazem uma colocação acerca da necessidade de estabelecer limites conceituais entre violência e agressividade.

As manifestações dessa problemática é histórica e recorrente na composição da coletividade brasileira. Apresenta uma multiplicidade de aspectos (abusos, constrangimentos, autoritarismo), que colaboram para a produção de distintas destruições (sociedades, famílias, relações), apresentando-se nas várias classes socioeconômicas, sentidas e refletidas nas faixas etárias de maneiras distintas, seja pelos riscos eminentes ou pela fragilidade social.

Geralmente, a referência às vulnerabilidades não costuma incluir a questão do temperamento e da conduta das crianças e adolescentes. Parece que estão constantemente em desvantagem no relacionamento com os adultos. Contudo, não se pode deixar de considerar a personalidade deles enquanto fator de vulnerabilidade. Neste sentido, destaca-se a importância do desenvolvimento de algumas competências que influem na formação da personalidade.

Cada situação exige o desempenho de um conjunto diferente de competências. O mais importante na ideia do desenvolvimento de competências é sua relação com a autonomia

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dos sujeitos. Isso permite pensá-los considerando a possibilidade de superação de alguns fatores de vulnerabilidade. Neste sentido, pelo menos o desenvolvimento de três competências é fundamental para a conquista da autonomia: a social, emocional e cognitiva.

A competência social está relacionada à disposição dos comportamentos em público; saber se relacionar. A emocional corresponde a um saber lidar com as próprias emoções, exercendo um certo controle sobre elas. Já as cognitivas estão relacionadas à capacidade intelectual de saber fazer uso do conhecimento. Em suma, interação e socialização, razão e responsabilidades, e, orientação e organização espaço temporal.

Então, se crianças e adolescentes são, por um lado, vulneráveis pela situação social que representa uma ameaça ao seu destino (o problema da exclusão social), por outro, existem também os conflitos provenientes do convívio social que ameaçam seu bem-estar. Ou seja, eles não sofrem apenas da falta de acesso às instituições e serviços, mas também da qualidade da interação com os adultos. Se, no primeiro caso, eles são sempre as vítimas, no segundo, a vulnerabilidade é relativa, pois depende da análise dos fatores do risco.

Quanto aos lócus da pesquisa, destaca-se que o Programa Siminina quando surgiu tinha como objetivo as meninas em situações de risco ou em vulnerabilidade social, um retrato e reflexo da Cuiabá da época, bem como, o público a ser atendido pela proposta público-social que buscava atender e entender estas crianças/adolescentes em consonância com aquilo que estava em questão ao ser preenchido e estabelecido.

2.3 A CONSTRUÇÃO DOS DIREITOS SOCIAIS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Para objetivar essa construção dos direitos sociais da criança e do adolescente, será traçado um histórico um pouco mais recente sobre este tema, que data de meados do século passado até a presente data, uma vez que a intenção é situar a questão o mais próximo da atual realidade que vivemos. Detalhando sobre: Declaração Universal dos Direitos Humanos, Declaração Universal dos Direitos da Criança, Constituição Federal do Brasil e Estatuto da Criança e do Adolescente.

Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (10 de dezembro de 1948), marco documental adotado pela Organização das Nações Unidas, aponta que a dignidade passa a ser reconhecida em seu preâmbulo como elemento intrínseco a todos os membros da família

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humana, assegurando para todos os integrantes desta, direitos iguais e inalienáveis, além de irradiar a liberdade, a justiça e a paz no mundo.

A igualdade de tratamento perante a lei, assim como a proteção contra qualquer forma de discriminação; a liberdade de pensamento, consciência e crença religiosa; a liberdade em poder opinar e se expressar; os cuidados necessários à infância e o tratamento igualitário aos filhos concebidos dentro ou fora do casamento; dentre outros direitos e garantias nela previstos. Assegurando as expressões, princípios e convicções presentes na Carta Magna brasileira.

Nesses termos, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos o que se era fortalecer o respeito e a dignidade do indivíduo nas relações sociais e, principalmente, dentro das relações familiares, passando a tratar todos de forma igualitária sem qualquer discriminação e, por conseguinte, a dar à criança e ao adolescente a importância e proteção que realmente necessitam e merecem.

Apresentam-se alguns dos aportes de direito consolidado por este exposto:

Artigo I Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Artigo II

1 - Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

2 - Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo III Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Artigo VI Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

Artigo VIII Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação. Artigo XXIV Todos os seres humanos têm direito a repouso e lazer, inclusive à limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.

Vimos que houve uma evolução quanto à valorização existencial da pessoa enquanto indivíduo capaz, formador de ideias e transformador de realidades, que também é dotado de sentimentos e emoções, e que indistintamente (gênero, etnia, credo, condição

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socioeconômica) tenha asseguradas as garantias e autonomia previstas, e também já apresentado no texto da citada promulgação, questões pertinentes à formação e manutenção da família, base e alicerce para o cidadão.

Em nosso país, a Carta Magna, traz previsões legais assegurando o Estado Democrático e a garantia dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias.

A Constituição Federal brasileira aponta a questão da ordem social e os respectivos deveres dos entes por aquela elencados para que se possa assegurar aos sujeitos ali presentes, aqui no caso o adolescente, direitos à liberdade, dignidade e respeito, objetivando coloca-los à salvo de toda e qualquer forma de discriminação, crueldade e opressão, e tendo o Estado como promotor de programas de assistência integral, sendo permitida a participação de entidades não governamentais, desde que atendidas as políticas específicas.

Portanto, há a previsão legal sobre os direitos assegurados à criança e ao adolescente, sobre a sua existência, integridade física e moral, aos valores éticos, também ao seu pleno desenvolvimento enquanto sujeito social, e ainda, que este não sofre quaisquer tipos de intolerância ou exclusão em virtude dos preconceitos, julgamentos, e ainda, seja prejudicado, ou seja, vítima das mazelas sociais.

Seguindo nesta seara, o Estatuto da Criança e do Adolescente traz em suas disposições o gozo aos direitos fundamentais da pessoa humana sem prejuízo da proteção integral, bem como assegurar por lei ou outros meios todas as oportunidades e facilidades que promovam o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

Art. 1º Esta Lei dispões sobre a proteção integral à criança e ao adolescente.

Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.

Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

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Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei aplicam-se a todas as crianças e adolescentes, sem discriminação de nascimento, situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença, deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem, condição econômica, ambiente social, região e local de moradia ou outra condição que diferencie as pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem.

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;

d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.

Art. 7º A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.

Estas deliberações buscam atender um mínimo necessário no processo de formação da criança e consequentemente do adolescente, visando dirimir as distâncias existentes nas realidades sociais dos grupos populacionais, que passam por questões prementes como: a erradicação da pobreza, acessibilidade aos estudos e uso dos seus componentes, melhor qualidade de vida e atividades humanas que garantam as necessidades reais das pessoas no mundo contemporâneo.

Face aos artigos expostos, fica evidenciado se tratar de um conjunto de normas que tem como objetivo proteger a integridade da criança e do adolescente no Brasil. O estatuto foi um avanço importante para reconhecer aqueles como cidadãos com direitos e deveres. Tendo como base a doutrina de proteção integral, zelando para que o referido público tenha acesso efetivo aos seus direitos.

O ECA, propõe dispositivos que asseverem os direitos e deveres que a criança e o adolescente fazem jus, com ênfases ao respeito, dignidade e inviolabilidade à sua vida, saúde, proteção, individualidade e crescimento. Visto ser um público mutável e que requer atenção e cuidados únicos por estarem adquirindo informações e transformando as mesmas conforme às necessidades e realidades, e também, que farão do seu existir as escolhas fundamentais para a sua constituição enquanto sujeito social.

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