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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA
PARAÍBA – CAMPUS CABEDELO
CURSO TÉCNICO SUBSEQUENTE EM MEIO AMBIENTE
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
DESCRIÇÃO E ANÁLISE DO PROJETO DE EDUCAÇÃO
AMBIENTAL CONDUTA CONSCIENTE DESENVOLVIDO NO
PARQUE ESTADUAL MARINHO DE AREIA VERMELHA
(PEMAV), NO VERÃO DE 2011/2012.
WILDO NÓBREGA GUEDES
Cabedelo/PB Novembro de 2012
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Wildo Nóbrega Guedes
PROJETO
DE
EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
CONDUTA
CONSCIENTE COMO INSTRUMENTO DE SENSIBILIZAÇÃO E
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
NO
PARQUE
ESTADUAL MARINHO DE AREIA VERMELHA (PEMAV).
Trabalho apresentado ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) - Campus Cabedelo, como requisito para conclusão do curso Técnico em Meio Ambiente.
Orientadora: Profa. Ma Christinne Costa Eloy
Cabedelo/PB Novembro de 2012
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Wildo Nóbrega Guedes
PROJETO
DE
EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
CONDUTA
CONSCIENTE COMO INSTRUMENTO DE SENSIBILIZAÇÃO E
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
NO
PARQUE
ESTADUAL MARINHO DE AREIA VERMELHA (PEMAV).
Aprovado em: ______ de __________________ de 2012.
BANCA EXAMINADORA
_____________________________________________ Profª. Ma. Christinne Costa Eloy
Orientadora – IFPB – Campus Cabedelo
_____________________________________________ Profª. Me. André Rogério Matos da Silva
IFPB – Campus Cabedelo
_________________________________________ Profª. Dra. Valéria Camboim Góes
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“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo.”
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Dedico essa pequena, mas importante, conquista à minha maravilhosa mãe Maria Salete da Silva Guedes que, embora não esteja mais presente conosco, foi a primeira a acreditar em mim e me incentivar a estudar quando era ainda criança.
vi
AGRADECIMENTOS
A todos os professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba IFPB - Campus Cabedelo; pela paciência, dedicação e apoio que me proporcionaram concluir esse curso.
Aos colaboradores do IFPB de forma geral; e em especial à Técnica de laboratório, Raquel, pela valiosa contribuição nas aulas práticas de laboratório e também pela atenção dedicada a mim e a todos os alunos durante todo o curso no IFPB.
Aos meus colegas de classe que contribuíram cada um com seus conhecimentos e pelos bons dias que passamos juntos.
E, em especial, à Professora Christinne Costa Eloy pelo incentivo, dedicação e auxilio na elaboração deste trabalho.
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RESUMO
O Projeto Conduta Consciente implementado no Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha (PEMAV), no município de Cabedelo – PB, faz parte de um Projeto de mesmo nome do Governo Federal que foi implantado em todas as Unidades de Conservação do país através do Ministério de Meio Ambiente, tendo como objetivo esclarecer as pessoas sobre a importância de se conservar a biodiversidade das áreas protegidas. Com a parceria acordada entre a SUDEMA e as Instituições de ensino UEPB e IFPB, além do apoio de outros agentes como a Prefeitura de Cabedelo, através de sua Secretaria Ambiental, da Polícia Ambiental e da Marinha do Brasil, foi implantado o projeto Conduta Consciente no PEMAV. No presente trabalho são descritas as etapas de implantação do referido projeto, cuja missão seria diminuir o impacto ambiental naquele ecossistema contribuindo assim para preservação de várias espécies da fauna marinha e seu habitat natural. Observou-se que o turismo de forma desordenada e sem controles efetivos tem caudado degradação no parque, por isso, a necessidade de trabalhos focados em Educação Ambiental que busquem sensibilizar as pessoas que visitam o parque sobre a importância de conservar o ecossistema natural do PEMAV e estimular um comportamento responsável e uma atitude sustentável no uso do Parque.
viii SUMÁRIO: 1. INTRODUÇÃO 2. JUSTIFICATIVA 3. OBJETIVOS 3.1. Objetivo Geral 3.2. Objetivos Específicos 4. REFERENCIAL TEÓRICO
4.1. Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha (PEMAV)
4.2. Exemplos de alguns Projetos de Educação Ambiental realizados em unidades de conservação
5. PROJETO CONDUTA CONSCIENTE NO PARQUE ESTADUAL MARINHO DE AREIA VERMELHA (PEMAV)
5.1 Planejamento e Implantação do Projeto Conduta Consciente 5.2 Desenvolvimento do Projeto Conduta Consciente
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Projeto de Educação Ambiental no PEMAV Wildo Nóbrega Guedes 1
1. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas o planeta Terra tem sofrido grandes pressões antropogênicas e temos presenciado várias catástrofes naturais. Acostumamo-nos a ouvir frequentemente nos telejornais notícias relacionadas às mudanças climáticas como: inundações, maremotos, tufões, furacões e grandes períodos de estiagens. Falta de água, escassez de alimentos, alterações bruscas de temperatura, enchentes, poluição do solo, da água e do ar, entre outros desequilíbrios sofridos pela terra, estão entre as principais consequências desses desastres naturais listados. Esses e outros acontecimentos são sinais de que precisamos estar atentos às influências antropogênicas que possam estar relacionadas a esses eventos.
Esses desastres estão mudando a forma das pessoas agirem em relação ao uso dos recursos naturais, em diversos países, inclusive no Brasil. Muitas organizações, tanto governamentais como independentes, e até mesmo pessoas preocupadas com a questão ambiental, estão lutando pela saúde do planeta e são várias as iniciativas que visam cuidar do meio ambiente na tentativa de mudar a realidade atual, de exploração predatória imposta pelo homem aos recursos naturais para uma forma sustentável e menos degradante. Um pequeno exemplo de uma dessas iniciativas é o projeto Conduta Consciente, que foi posto em prática no Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha no verão de 2011/2012.
Por meio de uma parceria firmada entre a Superintendência de Administração do Meio Ambiente do Estado da Paraíba (SUDEMA), a Secretaria de Meio Ambiente do Município de Cabedelo, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) - Campus Cabedelo - e a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), foi implementado o projeto Conduta Consciente, no Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha – PEMAV, que é voltado para Educação Ambiental e tem como missão sensibilizar os turistas e as pessoas direta e/ou indiretamente envolvidas com atividades desenvolvidas no Parque.
O projeto Conduta Consciente faz parte da Campanha de Conservação da Biodiversidade Marinha que, por sua vez, está inserido no Projeto Orla, que é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA), dentro do programa de Gerenciamento Costeiro. Todos esses programas são executados em todos os Estados, só que em cada localidade este têm objetivos específicos e adequados ao local de atuação levando em conta as suas necessidades específicas (MMA, 2012).
Em Areia Vermelha o projeto tem como foco combater o estágio atual de degradação dos ambientes recifais presentes no local e surgiu da iniciativa de professores da UEPB e do
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IFPB que buscaram junto à SUDEMA apoio para colocá-lo em prática. Os alunos dessas Instituições atuaram como voluntários. O projeto Conduta Consciente entrou em operação no verão 2011/2012 e continua em ação. A participação efetiva foi reduzida durante o fim do verão, devido ao menor número de visitantes na ilha. E uma versão atualizada do projeto está se desenvolvendo para o verão 2012/2013, com o envolvimento de novos parceiros e voluntários.
Este trabalho descreve as ações que foram realizadas na primeira versão do Projeto Conduta Consciente no PEMAV, assim como analisa os obstáculos enfrentados e sugere possíveis adequações para uma maior efetividade dessas ações.
Projeto de Educação Ambiental no PEMAV Wildo Nóbrega Guedes 3
2. JUSTIFICATIVA
O ambiente marinho tem sido amplamente explorado economicamente no mundo e, no Brasil, com especial foco no ambiente costeiro, diversas comunidades retiram dessas áreas seu sustento,desenvolvendo, principalmente, atividades de pesca e turismo. Na década de 90 estimava-se que mais de um terço da população brasileira vivia e/ou trabalhava na zona costeira (Cicin-Saint e Knecht, 1999), o que representa grande pressão antropogênica. Como consequência, os ambientes recifais que abrigam essa região costeira estão extremamente ameaçados. Leão et al. (2003) afirmam ainda que, na região Nordeste brasileira, os ambientes recifais costeiros estão entre os ecossistemas mais ameaçados, o que está intimamente relacionado ao fato de, nestes lugares, o turismo realizado na região marinha ser um dos mais importantes atrativos e foco da economia local. Em toda a sua costa, a Paraíba abriga uma única Unidade de Conservação estritamente marinha que é o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha (PEMAV). Conhecido como um dos principais pontos turísticos da Paraíba recebe visitantes de todas as partes do Brasil e do mundo. Mas a intensa visitação no local torna essencial o desenvolvimento de mecanismos de controle de acesso, junto com políticas que tornem essa atividade sustentável.
A atividade turística descontrolada em ambientes naturais tem sido um fator de grande discussão entre pesquisadores e especialistas que, no entanto, ainda não chegaram a um consenso sobre a correta ocupação e uso do solo devido às peculiaridasdes características de cada local (Ruschmann, 1999). Certamente que o turismo no PEMAV exerce grande influência e pressão na área, uma vez que esse tipo de atividade, como afirma Costa (2006), representando sucesso econômico ou não, é responsável por alterações expressivas tanto na paisagem quanto no espaço onde se desenvolve.
A problemática das grandes mudanças climáticas que estão ocorrendo por toda terra, como exemplo, o aquecimento global e grandes períodos de secas entre outras mudanças, vivenciadas atualmente tem causado grandes impactos a vários ecossistemas. os ambientes de recifes que são um dos mais frágeis do mundo estão bastante ameaçados, o que impulsiona a necessidade de maior controle e monitoramento dessas áreas. O Projeto Conduta Consciente no PEMAV pode ser uma estratégia capaz de combater essa degradação pela qual o parque está passando.
Não há dúvidas quanto à importância dos trabalhos ou projetos que contribuam para a preservação do meio ambiente; o equilíbrio de todos os ecossistemas da biota é que pode garantir a harmonia de todos os seres vivos do planeta. O homem tem causado grandes
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impactos com suas ações, principalmente as com fins econômicos, que tem sido causa de grandes interferências nas cadeias naturais, rompendo seus ciclos.
Cada pessoa pode contribuir para diminuir a degradação imposta a natureza, certamente com ações e atitudes de cuidado com o Meio Ambiente por mais simples que sejam podem ajudar a mudar a realidade de degradação que ocorre hoje em todo o planeta. Iniciativas locais devem ser incentivadas e multiplicadas, pois se forem implementas em todos os lugares do mundo é possível reverter o estado de detração atual.
O Projeto Conduta Consciente no PEMAV e tantos outros que já existem no Brasil e no mundo são exemplos de como se pode mudar a forma de exploração atual que se impõem aos recursos naturais por meios ecologicamente corretos.
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3. OBJETIVOS
3.1. Objetivo Geral
Descrever e analisar as ações desenvolvidas no Projeto Conduta Consciente no Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha (PEMAV), bem como apontar os aspectos positivos e negativos resultantes de sua implantação.
3.2. Objetivos Específicos
Acompanhar a implantação do Projeto Conduta Consciente no PEMAV; Descrever as etapas do Projeto, da implantação à execução no Parque;
Analisar as ações desenvolvidas no Parque a fim de subsidiar futuras ações dentro do Projeto Conduta Consciente no PEMAV;
Contribuir com sugestões que possam melhorar o desempenho dos agentes ambientais no processo de educação ambiental realizado no parque por meio do Projeto Conduta
Projeto de Educação Ambiental no PEMAV Wildo Nóbrega Guedes 6
4. REFERENCIAL TEÓRICO
4.1. Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha (PEMAV)
O Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha (PEMAV), objeto deste estudo, está localizado no litoral paraibano, precisamente no município de Cabedelo, a um 1 km da praia de Camboinha. Possui uma área de 230,91 hectares e recebe a visita de milhares de turistas todos os anos.
O PEMAV é extremamente rico em recifes, onde abriga diversas espécies da fauna marinha (Figura 1), incluindo espécies de importância econômica, assim como peixes, corais e algas calcárias, sendo estes últimos, organismos que contribuem para a formação dos recifes. Além de construtores, os corais funcionam ainda como abrigo e fonte de nutrientes para toda a comunidade recifal.
Figura 1. Organismos responsáveis pela construção de recifes, abrigo e alimento para a fauna marinha. Acima à esquerda, corais de fogo e zoantídeos; abaixo, alga verde; Acima à direita, alga calcárea; abaixo coral comumente encontrado no Brasil, Siderastrea stellata Verrill 1868. Fotos: SUDEMA e Christinne Eloy (S. stellata).
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Esses ambientes fornecem ainda uma ampla variedade de bens e serviços à humanidade, destacando-se a proteção do litoral contra a ação das ondas, potencialidade para a descoberta de compostos medicinais, berçários para espécies marinhas e benefícios provenientes do uso recreativo e turístico dentre outros (Moberg; Folke, 1999).
Apesar de ser uma Unidade de Conservação que se enquadra na categoria de uso restrito, o PEMAV tem sido alvo de impactos ambientais devido, principalmente, a exploração econômica advinda do turismo de forma desordenada e desestruturada, o que deixa claro a importância e necessidade de que se faça algo para garantir a preservação deste local conforme iniciativas existentes em outros parques no país.
A beleza natural do PEMAV representa um atrativo turístico de grande relevância, que vem ganhando destaque a cada ano, e hoje é um dos pontos turísticos mais importantes da Paraíba (Lourenço, 2010) (Figura 2). Entretanto, para preservar sua biodiversidade, faz-se necessário um maior controle sobre as atividades que hoje são exercidas no local. Uma das maiores dificuldades que o parque enfrenta atualmente é a falta de um Plano de Gestão efetivo. Há uma série de normas de conduta para o Parque, mas estas ainda não foram devidamente oficializadas e estão sendo gradativamente inseridas no contexto do parque contando com a colaboração de todos os envolvidos.
Figura 2. Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha em dia de intensa visitação. Fonte: SUDEMA.
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Segundo a organização internacional The NatureConservancy – TNC (2012), a poluição e o excesso de pesca têm representado graves ameaças aos recifes de corais de todo o planeta. Além da destruição física proporcionada pelo tráfego marítimo de barcos e as temperaturas da água acima do normal, causada por fenômenos climáticos como El Niño e o aquecimento global, algumas espécies marítimas tem sofrido muito com a intervenção antrópica. A TNC acredita que, se a destruição continuar no ritmo atual, 70% dos recifes do mundo terão desaparecido dentro de 50 anos.
Não há dúvidas de que, se os problemas existentes hoje relacionados à exploração dos recursos naturais de forma predatória não forem solucionados, não teremos como garantir a existência de muitas espécies no futuro, inclusive, as marinhas. Por esse motivo, trabalhos e iniciativas que visem de alguma forma mitigar os danos ao meio ambiente são essenciais e bem vindos.
Preocupados com a exploração predatória do PEMAV que, embora seja uma área de proteção integral, necessita de mecanismos de controle capazes de conter a degradação advinda da exploração turística, a Sudema, a UEPB e o IFPB se propuseram a desenvolver um trabalho de educação ambiental em Areia Vermelha. Com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente de Cabedelo, da Marinha, do Centro de Referência em Pesca e Navegação Marítima e Polícia Ambiental, surgiu o Projeto Conduta Consciente em Areia Vermelha.
4.2. Exemplos de alguns Projetos de Educação Ambiental realizados em unidades de conservação.
No Brasil já existe alguns projetos de Educação Ambiental (EA) com objetivo comum em relação a Projeto Conduta Consciente em atividade em Areia Vermelha, ou seja, tem como função principal diminuir o impacto ambiental resultante da ação antrópica em áreas de preservação ambiental.
Pedrini et. al (2010), em um trabalho realizado no Parque Estadual da Ilha Anchieta em Ubatuba, mostram uma iniciativa que tem como fim mitigar a degradação nesta ilha, através de trabalhos focados na Educação Ambiental, envolvendo a comunidade local. Eles desenvolveram trilhas subaquáticas, praticando EA por meio de ecoturismo marinho. Afirmam ainda que esta atividade, mesmo sendo menos impactante que o turismo tradicional, necessita de medidas de controles efetivas para não provocar alterações na fauna marinha original das reservas ambientais.
Segundo Delgado (2000), as Unidades de Conservação (UCs) no Brasil, em especial parques, necessitam compatibilizar a conservação da natureza com o seu uso público.
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Fica claro que os projetos como o Conduta Consciente em prática em Areia Vermelha tende a se disseminar cada vez mais pelo país.
Pedrini et. al (2010) conclui que vem sendo realizados ao longo do litoral brasileiro vários trabalhos que têm objetivo de preservar o Meio Ambiente, entretanto faz ressalvas quanto à necessidade de estudo que comprovem a eficácias desses projetos.
5. PROJETO CONDUTA CONSCIENTE NO PARQUE ESTADUAL MARINHO DE AREIA VERMELHA (PEMAV)
O Projeto Conduta Consciente é um projeto de Educação Ambiental e tem como objetivo reduzir o impacto ambiental ao qual o parque de Areia Vermelha vem passando, por meio de trabalhos focados na sensibilização das pessoas quanto à necessidade e importância do desenvolvimento de forma sustentável do parque.
Iniciativas como o Projeto Conduta Consciente podem ser uma resposta para que possamos conservar lugares encantadores e exuberantes como Areia Vermelha. É nossa responsabilidade garantir que as espécies que vivem na costa do litoral paraibano e seu habitat sejam preservados e, mais do que isso, que as gerações futuras possam assim como as gerações atuais desfrutar de toda beleza que existe hoje no Parque.
5.1. Planejamento e Implantação do Projeto Conduta Consciente
O projeto Conduta Consciente no PEMAV foi estruturado nas seguintes etapas:
Etapa 1 - Elaboração das estratégias e programações para executar o projeto,
incluindo reuniões com todos os agentes participantes, além da capacitação dos alunos voluntários (Agentes Ambientais) das duas instituições de ensino que participaram do projeto, UEPB e IFPB, por meio de aulas multidisciplinares e treinamentos práticos com caiaque e aulas de campo que ocorreram no auditório da UEPB, praia do Cabo Branco, praia do Poço e Areia Vermelha, tendo sido essas aulas lecionadas por funcionários da SUDEMA e pelos professores do IFPB e da UEPB.
Etapa 2 – Curso de Capacitação dos Agentes Ambientais (40 horas), constando de
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Figura 3. Curso de capacitação de Agentes Ambientais ministrado no auditório da UEPB, novembro de 2011. Foto: acervo pessoal.
A capacitação ocorreu por meio de cursos temáticos de formação multidisciplinar, que contemplaram os seguintes conteúdos: Educação e legislação ambiental, normas de conduta no PEMAV; Ambientes recifais com foco nos organismos bentônicos, peixes recifais e efeitos do pisoteio na comunidade bentônica; Turismo sustentável e Empreendedorismo. Este curso teve o envolvimento de professores do IFPB-Cabedelo e Centro de Referência em Pesca e Navegação Marítima – CRPNM, assim como da Coordenadoria de Educação Ambiental (CEDA) da SUDEMA. Os alunos tiveram também a oportunidade de conhecer sobre as espécies marinhas que habitam a costa por meio de aulas práticas que ocorreram na praia do Cabo Branco. Também foram repassadas as técnicas de abordagens aos turistas e como os agentes deveriam agir e se comportar durante o trabalho a ser desenvolvido.
Etapa 3 – Curso de Técnicas de Canoagem, permitindo a familiarização dos
estudantes com os caiaques que permitiriam a mobilidade no PEMAV e possibilitariam minimizar possíveis impactos de pisoteio durante a ação educativa. As aulas de canoagem foram ministradas pelo professor Jailson Farias, da UEPB, que mostrou e exercitou com os alunos as técnicas de remo em caiaque individual (Figura 4).
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Figura 4. Aulas de técnicas de canoagem ministradas aos Agentes Ambientais. Fotos: acervo pessoal.
Etapa 4 - Elaboração de Materiais e Divulgação na mídia, que compreenderam
folders, banners e outros materiais educativos assim como algumas faixas que foram colocadas em pontos estratégicos da BR 230. Parte desses materiais informativos foi usada nas embarcações e nas ações em escolas, além de divulgação do projeto nos veículos de comunicação. Folders de divulgação do projeto foram distribuídos também nas agências de turismo e nas marinas (Figura 5). O conteúdo desses materiais foi elaborado em parceria com os professores do IFPB, Associação Guajiru e SUDEMA. O projeto foi amplamente divulgado na mídia por meio de jornal, TV e internet. A divulgação ficou a cargo da Sudema, por meio da Secretaria de Comunicação do Estado.
Figura 5. Folder bilíngue com informações sobre as Normas de Conduta no Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha. Imagem: acervo pessoal.
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Etapa 5 - Trabalho de Orientação e Sensibilização desenvolvido junto aos comerciantes e donos de embarcações, configurando-se em uma ação imprescindível para o
sucesso e aceitação da ação por parte dos envolvidos diretamente com o parque. Incluiu palestras e reuniões realizadas pela SUDEMA juntamente com as demais instituições envolvidas no projeto e a Secretaria de Meio Ambiente e Pesca de Cabedelo. Esses encontros aconteceram nas Marinas em Cabedelo e tiveram como meta comunicar aos comerciantes e demais pessoas que trabalham na Ilha como seria desenvolvido o trabalho, seus objetivos e as vantagens e benefícios que este traria para eles e a comunidade e para o próprio parque.
Nesses encontros foram desenvolvidas atividades de educação ambiental com os comerciantes, ambulantes, proprietários de bares e embarcações, para que esses contribuíssem na execução do projeto. Eles entraram com a parte logística (transporte) dos voluntários, possibilitando, com isso, o acesso dos agentes ambientais à ilha.
Etapa 6 - início das atividades no parque em janeiro de 2012, sendo essa a época
de maior presença de turistas na ilha.
5.3 Desenvolvimento do Projeto Conduta Consciente
Depois de realizado o planejamento e preparação inicial, o projeto foi posto em prática no PEMAV logo no inicio de janeiro de 2012, já aproveitando o começo do verão onde o número de turistas é consideravelmente elevado devido ao período de férias.
O Projeto Conduta Consciente, por ter como função principal a proteção integral do ambiente marinho com intuito de inibir a degradação do local, conta com um trabalho voltado para a Educação Ambiental. Sensibilizar o turista em relação à importância de preservar o ambiente recifal tem sido uma forma bastante eficiente de conservar esse ecossistema. E o turista, por sua vez, passa a ser um agente de mudança e multiplicador para outros que venham a conhecer o Parque.
Para atingir de forma eficiente esse propósito, os agentes ambientais foram peças chave neste processo, tendo como missão tentar sensibilizar as pessoas que frequentam o PEMAV.
O contato com o turista era realizado na acolhida logo na chegada aos pontos de embarque, ainda na praia e, principalmente, na chegada à Areia Vermelha. Os agentes passavam todas as informações (Figura 6) referentes às normas de conduta no parque,
Projeto de Educação Ambiental no PEMAV Wildo Nóbrega Guedes 13
indicando as áreas destinadas ao banho, ao mergulho e os limites até onde eles poderiam ir, ou seja, mostrando as áreas tangíveis e intangíveis, destinadas à conservação dos recifes de corais.
Também eram informados os pontos determinados para atracamento e/ou acesso dos barcos, catamarãs, veleiros, lanchas e motos aquáticas, para que os banhistas procurassem as áreas mais seguras para o banho.
Figura 6. Agentes ambientais explicando sobre as normas de conduta no Parque. PEMAV, janeiro de 2012. Fotos: acervo pessoal.
Para que mais visitantes fossem informados, os Agentes Ambientais, ao chegar à ilha, dispunham na areia placas sinalizando as áreas destinadas ao banho e com informações sobre as normas de conduta (Figura 7).
Figura 7. Placas com informações sobre as normas de conduta no parque. PEMAV, janeiro de 2012. Fotos: acervo pessoal.
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Alguns agentes também fizeram uso de caiaque para se deslocar mais facilmente e ter acesso aos visitantes que ultrapassavam os limites ou que estavam tomando banho nas áreas destinadas às embarcações.
Algumas das informações que foram passadas para os turistas referem-se às normas de conduta do parque, que compreendem a proibição das seguintes ações:
a. Ações que venham a causar danos, poluição e degradação do ecossistema.
Esse tópico refere-se, por exemplo, a atracação de qualquer tipo de embarcação no banco de areia, deixar resíduos jogados na ilha, ou praticar qualquer atividade que direta ou indiretamente prejudique as espécies daquele ambiente.
b. Lançamento de resíduos e detritos de qualquer natureza passíveis de provocar danos à área:
Comerciantes, proprietários de bares, ambulantes e quaisquer pessoas que explorem comercialmente aquele local são responsáveis pelo recolhimento do lixo produzido e pela colocação deste no barco coletor na ilha.
c. Exercício de atividades de captura pesca extrativismo e degradação dos recifes;
É estritamente proibido pescar, ou pisotear os corais em qualquer parte do parque, ressaltando que este não compreende só o banco de areia ali presente, mas compõe ao todo mais de 230 hectares.
d. Retirada de qualquer espécime da ilha;
Nenhuma pessoa pode retirar da ilha qualquer organismo, animal ou vegetal, que por acaso venha a encontrar.
e. Andar sobre os recifes:
Pisotear os corais, que é, sem duvida, uma das normas mais importantes, é estritamente proibido. Há uma área no parque, rica em ambientes recifais, que se enquadra em um ambiente intangível, ou seja, os visitantes não têm acesso a este local. Quando a maré está baixa, os recifes formam piscinas naturais que são um atrativo à parte. Os visitantes querem mergulhar ou simplesmente ficar tomando banho nessas piscinas, mas esse comportamento compromete a conservação da biota que vive neste local, foco principal da criação do Parque.
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Os corais também servem como barreira natural impedindo que peixes grandes como o tubarão não passem para as praias, logo é nesse local que é dado uma maior atenção por parte dos voluntários num trabalho de interação direta com as pessoas prestando-lhes as informações sobre a importância de não entrar naquele ambiente para não degradá-lo.
Além dessas normas, foram passadas a todos as pessoas que visitaram o parque informações sobre os efeitos danosos quando não se respeita a natureza e da importância de manter o parque limpo e protegido para conservação do mesmo.
O papel da Polícia Ambiental foi de suma importância para o bom funcionamento do projeto, uma vez que eles são os responsáveis pela fiscalização na ilha. Em alguns casos, mesmo com as bandeiras vermelhas sinalizando a área intangível, cujo acesso é proibido, as pessoas ultrapassavam a sinalização. Nesta situação, os agentes avisavam sobre o impedimento e solicitavam ao visitante para que saísse da área. Algumas vezes os visitantes não atenderam à solicitação dos agentes e a polícia precisou ser acionada para retirar o infrator, que imediatamente se retirava com a solicitação da polícia.
Um pequeno grupo de agentes Ambientais chegava mais cedo à ilha, colocando os caiaques no catamarã, desembarcando-os após chegar à ilha. Além disso, colocavam as placas indicadoras e bóias de sinalização para que tudo estivesse pronto para receber os turistas. Assim, eles podiam abordar os visitantes e começar o trabalho de divulgação e prestação das informações.
Iniciativas assim são muito importantes, pois auxiliam na conservação do meio ambiente, garantindo o equilíbrio de varias espécies. Os turistas vão poder desfrutar do local por muitos anos, ganham também todos aqueles que de forma direta ou indireta desenvolvem alguma atividade econômica no parque, sendo o meio ambiente o principal beneficiado, os turistas, os comerciantes, enfim todos os envolvidos com o projeto; os voluntários, ou agentes ambientais como são chamados os estudantes, também saem ganhando muito, pois colocam em prática os ensinamentos teóricos que aprenderam na sala de aula.
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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Projetos como o Conduta Consciente, que utilizam a educação ambiental com o foco na conservação, são de grande importância, uma vez que podem garantir a sobrevivência de várias espécies que se encontram ameaçadas pela ação do homem em seus habitats. É necessário que se difundam ações com esse propósito, pois apresenta-se como uma poderosa ferramenta de conservação da biodiversidade.
É uma responsabilidade de todos proteger os recursos e belezas naturais e, de uma forma mais geral, do próprio planeta, garantindo assim para todos nós e também para as gerações futuras a possibilidade de desfrutar de um ambiente saudável e com qualidade de vida.
No final, nada mais se está fazendo além de se cuidar da própria espécie humana, pois todos os seres vivos, inclusive o homem, dependem de um ambiente equilibrado para sobreviver. Logo, protegendo os ecossistemas garante-se a própria sobrevivência. Por meio de iniciativas como a do Projeto Conduta Consciente é possível contribuir para um ambiente equilibrado e preservado.
O trabalho em Areia Vermelha pôde proporcionar aos estudantes a oportunidade de entender melhor como os seres vivos estão interligados e como a participação de todos é importante no sentido de levar orientação aos visitantes e usuários do parque para garantir o lazer saudável e sustentável.
Além disso, com a permanência do projeto Conduta Consciente no PEMAV, serão fortalecidas práticas sustentáveis de turismo, o que contribuirá para a manutenção da beleza cênica local, além de assegurar a viabilidade da atividade, gerando assim mais renda para a cidade de Cabedelo, para o estado da Paraíba e o desenvolvimento local, além de ajudar a conservar o ecossistema presente no PEMAV.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Debeus, G. ; Crispim, M. C., 2008. O Turismo nas piscinas naturais de picãozinho. Rev. Est. Amb. Vol. 10, n. 1, p 21-32, jan/jun.
Lourenço, L.J.S. 2010. Proposta de zoneamento e capacidade de carga para o Parque Estadual Marinho de Areia Vermelha. 135f. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, Paraíba.
MMA - Ministério do Meio Ambiente. 2012. Campanha Conduta Consciente em Ambientes Recifais. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/gerenciamento-costeiro/projeto-orla/campanha-de-conduta-consciente-em-ambientes-recifais>. Acesso em 10/11/2012.
Moberg, F ; Folke, C. 1999. Ecological goods and services of coral reefs ecosystems. EcologicalEconomics29:215-233.
Pedrini, A.G.; Messas, T.P.; Pereira, E.S.; Ghilardi-Lopes, N.P.; Berchez, F., 2010.A. Educação Ambiental pelo Ecoturismo numa trilha marinha no Parque Estadual da Ilha Anchieta, Ubatuba (SP). Revista Brasileira de Ecoturismo, São Paulo, v.3, n.3, , pp.428-459.
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