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Perícia contábil em ação trabalhista

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO SÓCIO ECONÔMICO

CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

THIAGO PATRICIO FURTADO

PERÍCIA CONTÁBIL TRABALHISTA

FLORIANÓPOLIS 2012

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THIAGO PATRICIO FURTADO

PERÍCIA CONTÁBIL TRABALHISTA

Trabalho de conclusão de curso apresentado à Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC como um dos pré- requisitos para obtenção do grau de bacharel em Ciências Contábeis.

Orientador: Prof. Dr. Nivaldo João dos Santos.

FLORIANÓPOLIS 2012

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THIAGO PATRICIO FURTADO

PERÍCIA CONTÁBIL TRABALHISTA

Esta monografia foi julgada adequada para obtenção do grau de Bacharel em Ciências Contábeis, e aprovada em sua forma final pelo Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina.

Florianópolis, SC,

___________________________ Professor Irineu Afonso Frey, Dr.

Coordenador de TCC do Departamento de Ciências Contábeis

Professores que compuseram a banca:

________________________________________ Prof. Dr. Nivaldo João dos Santos (Orientador)

______________________________ Prof. Vladimir Arthur Fey, Msc.

______________________________

Prof. Loreci João Borges, Dr.

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Este trabalho é dedicado aos meus pais Paulino e Maria Goreth, meus primeiros incentivadores; Ao meu irmão Michel; E a minha esposa Thaís.

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16)

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus por te me sustentado durante esse período na academia.

Aos meus familiares, pai, mãe e irmão, que com carinho, amor e compreensão neste período de faculdade me incentivaram a estudar e me condicionando para tal, ensinando-me valores básicos para uma sociedade mais justa.

Ao Sr. Antônio Paulino Furtado Filho, que com sua vasta sabedoria mostrou os caminhos iniciais da Perícia Trabalhista e especialmente nos cálculos das verbas trabalhistas.

Ao professor Nivaldo João dos Santos, pela dedicação e pelos ensinamentos dispensados na realização deste trabalho.

A minha amada esposa, Thais Furtado, que com muito amor e paciência me auxiliou nas muitas etapas deste trabalho.

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RESUMO

FURTADO, Thiago Patrício. Perícia Contábil em Ação Trabalhista. 2012, 72 páginas. Curso de Ciências Contábeis. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

Este trabalho foi desenvolvido com o objetivo de abordar os procedimentos adotados pelo perito contador, quando do cálculo das principais verbas trabalhistas. A contabilidade possui, entre seus vários ramos de atuação, a perícia contábil. Esta, por sua vez, investiga, analisa, examina os fatos contábeis, a fim de se obter uma prova ou opinião sobre um litígio. A justiça do trabalho tem competência para julgar as ações que envolvem relações de trabalho, ou seja, problemas sucedidos de uma relação trabalhista, tais como horas extras, intervalo intrajornada, aviso prévio, dentre outras questões que podem ocorrer de uma relação de trabalho. E para facilitar o entendimento deste tema, consta neste trabalho um estudo de caso verídico de uma reclamatória trabalhista na qual o empregado pleiteou na justiça do trabalho algumas verbas trabalhistas que lhe foram negadas na vigência de seu contrato de trabalho e na sua rescisão contratual. Neste caso prático são abordadas as fases de um processo trabalhista desde a petição inicial até a liquidação de sentença, inclusive, com a demonstração da perícia contábil trabalhista que liquidou os valores sentenciados, num total de R$ 14.772,29 a receber pelo autor. Valor esse advindo do somatório das horas extras, intervalo intrajornada, verbas rescisórias, FGTS + multa de 40% e dos juros legais, descontando ainda o INSS que incide sobre essas verbas.

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LISTA DE SIGLAS

CF – CONSTITUIÇÃO FEDERAL CPC – CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

CRC – CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE

CTPS – CARTEIRA DE TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL CLT – CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS TRABALHISTAS

CRC – CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE

CRFB – CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL FGTS – FUNDO DE GARANTIA POR TEMPO DE SERVIÇO

IR – IMPOSTO DE RENDA

INSS – INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL NBC – NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE

TRCT – TERMO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO TRT – TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1: Jornada de Trabalho Diária ou Semanal...32

Quadro 2: Cálculo do FGTS + Multa de 40% - Do Contrato...43

Quadro 3: Cálculo das Verbas Rescisórias...44

Quadro 4: Cálculo das Horas Extras Excedente da 8ª Diária e 44ª Semanal e Reflexos...45

Quadro 5: Cálculo da Indenização Substitutiva pela Supressão de Intervalo Intrajornada...46

Quadro 6: Resumo das verbas calculadas...47

Quadro 7: Resumo da Liquidação de Sentença...67

Quadro 8: Contribuição Previdenciária - (Sobre as verbas contratuais reconhecidas)...68

Quadro 9: Contribuição Previdenciária - (s/ as verbas tributáveis sentenciadas)...68

Quadro 10: Imposto de Renda...68

Quadro 11: Resumo de Apuração das Extras...69

Quadro 12: Levantamento de Horas Extras...69

Quadro 13: Correção Monetária...71

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LISTA DE FIGURA

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...11 1.1 TEMA E PROBLEMA...11 1.2 OBJETIVOS...12 1.2.1 Objetivo Geral...12 1.2.2 Objetivo Específico...12 1.3. JUSTIFICATIVA...13 1.4. METODOLOGIA...13 1.4.1. Delimitação da Pesquisa...15 1.5 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO ...16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...17 2.1 PROVA PERICIAL...17 2.2 CONCEITO DE PERÍCIA...20 2.2.1 Perícia Judicial...21 2.2.2 Semijudicial...21

2.2.2 Perícia Extra Judicial...22

2.2.3 Perícia Arbitral...22

2.3 PERÍCIA CONTÁBIL...23

2.4 A PERÍCIA CONTÁBIL EM AÇÕES TRABALHISTAS...24

2.4.1 O Contrato de Trabalho...25

2.4.2 Reclamação Trabalhista...25

2.4.3 Fases do Processo Trabalhista...26

2.4.3.1 Da Petição Inicial...28

2.4.3.2 Da Defesa do Reclamado...28

2.4.3.3 Perícia na Fase de Instrução...29

2.4.3.4 Perícia na Fase de Liquidação...30

2.4.4 Principais Verbas Trabalhistas...31

2.4.4.1 Jornada de Trabalho...31

2.4.4.2 Horas Extraordinárias...33

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2.4.4.4 Aviso Prévio...35

2.4.4.5 Décimo Terceiro Salário...37

2.4.4.6 Férias e terço Constitucional...38

2.4.4.7 Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço...38

3 ESTUDO DE CASO...40 3.1 PROCESSO TRABALHISTA...40 3.1.1 Da Petição Inicial...40 3.1.2 Da Contestação...41 3.1.3 Da Sentença...42 3.1.4 Da Nomeação do Perito...42

3.2 FASE DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA...43

4 CONCLUSÃO...48

REFERÊNCIAS...50

ANEXOS ANEXO A – Petição Inicial...53

ANEXO B – Sentença...58

ANEXO C – Laudo Pericial...63

ANEXO D – Resumo da Liquidação...67

ANEXO E – Contribuição Fiscal e Previdenciária...68

ANEXO F -– Apuração de Horas Extras...69

ANEXO G – Fator de Atualização Monetária...71

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1 INTRODUÇÃO

Este capítulo apresenta, o tema, os objetivos, suas justificativas e a metodologia utilizada para elaboração desta monografia.

1.1 TEMA E PROBLEMA

De acordo com Nascimento (2004), o marco relevante na história que se conhece para estudar o direito do trabalho começou com a Revolução Industrial na Inglaterra, no século XVIII, principalmente com a descoberta do vapor como fonte de energia e da sua aplicação nas fábricas e nos meios de transporte. Com a expansão da indústria e do comércio, houve a substituição do trabalho escravo e servo pelo trabalho assalariado em larga escala.

Giglio (2007) relata o momento em que a Justiça do Trabalho começou a surgir, uma vez que a utilização das máquinas causou um grande número de desemprego à época. Com o aumento da mão-de-obra, e com a baixa procura por trabalhadores, houve a baixa dos salários. Com a concentração de riquezas nas mãos de poucos empresários e o empobrecimento tomado por toda a população, os trabalhadores atentaram para seus interesses e, com movimentos reinvidicatórios impetuosos, forçaram os empregadores à época a pagar melhores salários, a diminuir a jornada laboral e a propiciar ambientes de trabalho menos insalubres. A partir desse século, surgiram as primeiras leis trabalhistas, incluindo-as nas constituições de alguns países.

No Brasil, a Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB), criada em 1988, trouxe normas específicas de direito do trabalho e relativa inovação aos direitos individuais, coletivos e processuais dos trabalhadores como: redução da jornada semanal para 44 horas; trabalho em turnos – terá limite de seis horas; horas extras – deverá ser paga com 50% a mais, no mínimo, da hora normal; férias – pagamento de 1/3 a mais do salário normal, segundo Nascimento (2004).

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A Constituição Federal de 1988 foi benéfica ao trabalhador, pois ampliou o leque de direitos e concedeu garantia no âmbito trabalhista à grande parte dos trabalhadores.

Este trabalho visa demonstrar os critérios e as formas referentes aos cálculos das principais verbas trabalhistas. Para isso, serão abordados alguns conceitos no seu âmbito, tais como: os conceitos de horas extraordinárias, intervalo intrajornada, aviso prévio, décimo terceiro salário, férias, terço constitucional e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Diante do exposto, este trabalho apresenta a Perícia Contábil nas ações Trabalhista como tema a ser estudado, com o objetivo de oferecer soluções práticas para os cálculos muitas vezes considerados complexos.

A partir das premissas contábeis e sociais acima expostas, a questão norteadora desta pesquisa é: Quais os procedimentos de cálculo utilizados

pelo perito contador das principais verbas trabalhistas?

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo Geral

O objetivo geral do presente trabalho é abordar os procedimentos, adotados pelo perito contador, quando do cálculo das principais verbas trabalhistas, em processos Judiciais.

1.2.2 Objetivos Específicos

Para atingir o objetivo geral, houve a necessidade de delimitar o estudo em sua especificidade, a saber:

 identificar as fases do processo trabalhista;

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 Identificar os procedimentos do Perito Contador com relação ao cálculo das principais verbas trabalhistas;

 apresentar um caso prático de cálculos em reclamatória trabalhista.

1.3 JUSTIFICATIVA

Este trabalho concentra-se sob dois aspectos: a sociedade e principalmente a pesquisa acadêmica. Quanto à relevância do estudo, de acordo com Vergara (2003, p. 32) esta acontece quando o pesquisador “justifica seu estudo, apontando-lhe contribuições de ordem prática ou ao estado da arte na área”. Nesse sentido, o tema da pesquisa precisa ter relevância do ponto de vista teórico e/ou prática justificado.

A contribuição deste trabalho está centrada sob o ponto de vista teórico/prático, no sentido da utilização dos conceitos técnicos compreendendo as áreas relativas ao direito e a contabilidade no decorrer da atividade pericial em processos trabalhistas, de forma que auxiliem a atuação dos profissionais contábeis, principalmente os que estão começando neste segmento da contabilidade.

Portanto essa pesquisa se justifica por apresentar procedimentos de cálculos realizados pelo perito contador na quantificação das verbas trabalhistas contidas em uma reclamatória trabalhista verídica. Também é justificada no sentido de ser mais uma fonte de pesquisa servindo de embasamento teórico e prático, para atuantes nesta área da contabilidade.

1.4 METODOLOGIA

Com a finalidade de responder aos objetivos propostos neste estudo, este tópico descreve o método utilizado para alcançar tais objetivos. Seu

desenvolvimento foi previamente planejado de acordo com métodos e técnicas que o auxiliassem. Segundo Silva e Menezes (2005), a metodologia da pesquisa define a maneira e o local onde a pesquisa é realizada.

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É importante frisar que, de acordo com Severino (2009) “quaisquer que sejam as perspectivas de abordagem, a atividade visa articular e consolidar o processo formativo do aluno pela construção do conhecimento científico em sua área”.

Esta monografia foi classificada como sendo uma pesquisa exploratória, que segundo Gil (2002) tem como objetivo adequar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses, pois sendo o tema escolhido pouco explorado, torna-se difícil formular conceitos precisos.

Com relação a forma de abordagem seguida, desenvolveu-se através de pesquisa qualitativa, por necessitar de profundo conhecimento sobre o tema exposto. O autor conceitua a abordagem qualitativa, segundo o trecho abaixo, da seguinte forma:

Os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais (RICHARDSON, 2008, P.80).

Quanto aos procedimentos, será realizado um estudo de caso verídico, com base em uma reclamatória trabalhista da 4º Vara do Trabalho de Florianópolis, o qual foi solicitado pelo autor o pagamento de verbas que lhe foram negadas durante seu contratato de trabalho e também na sua rescisão contratual. Devido a não autorização pelas partes, seus nomes e dados não serão divulgados, mas apenas a matéria em questão.

A sistematização do conteúdo selecionado para a elaboração desta pesquisa é realizada por uma sequência de fatos de forma a melhor orientar a redação do trabalho.

Quanto ao trabalho de pesquisa, foi realizada em materiais já publicados, principalmente utilizando instrumentos legislativos, sendo as fontes:

 Legislação processual civil e trabalhista;  Normas brasileiras de contabilidade;

 Pesquisas em livros, monografias, artigos e utilização de casos práticos.

Para atingir os objetivos gerais e específicos aqui propostos, o primeiro passo consiste na organização do material obtido e identificar o material bibliográfico que aborda questões inerentes a Pericia Trabalhista.

Para a continuidade da pesquisa e, assim, cumprir suas propostas, o segundo passo destina-se à análise dos dados, separando-os de acordo com sua categoria de informação. Segundo Meksenas (2002, p. 136), esta etapa é fundamental para

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efetivação da pesquisa, pois “todo método em pesquisa empírica leva à obtenção de informações a respeito do objetivo investigado. Tais informações, entretanto, aparecem de forma dispersa e fragmentada.”

De acordo com Severino (2009, p. 131), “os resultados de cada uma destas etapas é que constituirão as partes do relatório final do trabalho, ou seja, os seus capítulos”.

1.4.1 Delimitação da Pesquisa

Para Fachin (2006) a delimitação do universo torna-se mais evidente a partir da seleção do objeto. Diz ainda que, mesmo antes da escolha do assunto, já se tem ideia geral do universo da pesquisa, onde irá ocorrer a investigação do assunto e transformar-se-ão em fonte de informação. Contudo no momento da elaboração do projeto é necessário reunir informações mais precisas, para que não resulte num campo de pesquisa muito abrangente.

O estudo só é viável quando o pesquisador adota técnicas restritas que tornem a pesquisa passível de conclusão. Uma forma de tornar viável o projeto, de acordo com Luna (2000, p. 45), “a primeira, e mais importante, é exatamente a extensão que se confere ao problema em sua formulação ou, dito de outra forma, que se permite que o problema assuma por não se imporem limites ao formulá-lo”.

Este trabalho se limita a abordar e conceituar as fases do processo trabalhista, bem como, focando nos procedimentos realizados pelo perito contador em uma reclamatória trabalhista. Não tendo, ainda, a pretensão de ensinar e trazer conceitos referentes ao direito do trabalho e o direito processual do trabalho, mas, sim, permitir ao leitor o entendimento dos procedimentos realizados pelo perito contador das principais verbas trabalhistas.

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1.5 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO

Este trabalho está subdividido em quatro partes, no primeiro capítulo apresentam-se as considerações iniciais relacionadas ao tema da pesquisa. Em seguida, é feita a caracterização do problema, dos objetivos pretendidos e a metodologia utilizada na elaboração deste. Logo após, é apresentado a organização do estudo.

O segundo capítulo aborda a fundamentação teórica, na qual visa apresentar o conceito de perícia em geral, ressaltando seus objetivos e sua função como prova dentro de um processo. Nesse capítulo é analisada ainda, a perícia contábil em ações trabalhistas, detalhando e conceituando as fases mais importantes dentro de um processo judicial trabalhista.

Na sequência, no terceiro capítulo, é apresentado o estudo de caso, onde será exposta uma síntese do desenvolvimento do processo trabalhista até chegar à fase de execução. Sendo demonstrados os cálculos de liquidação de sentença, o laudo de liquidação e demais etapas de atuação do perito contador.

No quarto capítulo, são apresentadas as conclusões e as considerações para futuros estudos.

E, para finalizar, são apresentadas as Referências citadas na elaboração deste trabalho.

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2 FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA

No presente capítulo, são abordados conceitos que servirão ao desenvolvimento deste trabalho, tais como: definição de provas pericias, conceito de perícia e de seus diversos tipos, os seus objetivos e a abordagem da perícia contábil em uma ação trabalhista.

2.1 PROVA PERICIAL

Gonçalves (1995) argumenta que a prova, em um ato processual, tem por alvo a persuasão do Juiz. Pois, em face do disposto no art. 131 do CPC, o Juiz atenderá aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes, para formar o seu convencimento, cumprindo -lhe, contudo, fundamentar os despachos e sentenças. O autor ainda completa que a prova, é o pedestal da sentença, o coração do processo.

O autor trás no trecho abaixo, o conceito da seguinte forma:

Em conformidade com o CPC, “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados nesse código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se fundamenta a ação ou a defesa”. Dessa maneira, incube ao litigante em juízo para sair vitorioso convencer o julgador, por meio da prova, que está com a razão (HOOG, 2009, p.99).

Segundo Hoog (2007), a mais robusta de todas as provas é a perícia contábil, pois o perito contábil conhece ciência e tecnologia, conclusão esta estribada no art. 145 do CPC: “Quando a prova do fato depender do conhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por perito...”.

De acordo com Alberto (2010), os principais meios de provas admitidos em processos judiciais pela legislação brasileira são: depoimento pessoal, confissão, exibição (de documento ou coisa), testemunho, perícia e inspeção judicial. A Perícia Contábil é, portanto, considerada um meio de prova de grande valor.

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Relata Martins (1999) que se não houver acordo entre as partes, será iniciada a instrução do processo (art. 848 da CLT). Todos os meios legais são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou a defesa. Martins (...) afirma que os meios de prova para a instrução do processo são as espécies de provas, que serão relatadas em juízo. A seguir, é possível observar os meios de provas segundo Martins (1999):

Depoimento pessoal: consiste na declaração prestada pelo autor ou pelo

réu perante o juiz, sobre os fatos objeto do litígio.

Confissão: é considerada, quando há admissão da verdade de um fato

que é contrário ao interesse da parte e favorável ao adversário (CPC, art. 348 ).

Documentos: é a forma de uma coisa poder ser conhecida por outra, de

modo a reproduzir certa manifestação de pensamento. O documento representa um fato ocorrido.

Exibição (de documento ou coisa): o Juiz poderá determinar que a parte

exiba documento ou coisa em juízo, desde que se ache em seu poder (art. 355, CPC). A reclamada não tem obrigação de fazer para a reclamante a respeito, por exemplo, de seu horário de trabalho. A empresa não tem obrigação de juntar aos cartões de ponto a pedido da reclamante, a não ser que o juiz assim o determine.

Testemunhas: são terceiros em relação à lide que vem apresentar

depoimento em juízo, por ter conhecimento dos fatos narrados pelas partes. No processo do trabalho, a prova testemunhal normalmente é a única forma de as partes fazerem a prova de suas alegações, principalmente o reclamante que não tem acesso aos documentos da empresa ou estes não retratam a realidade do trabalho, como poderia ocorrer com os cartões de ponto.

Perícia: faltando conhecimento especializado ao juiz, este indica um

profissional que possa fazer o exame dos fatos objeto da causa, transmitindo esses conhecimentos aos Magistrados, por meio de um parecer. Portanto considera-se que a prova pericial é a prova judicial e consiste em exame, vistoria ou avaliação.

Inspeção judicial: o juiz pode ir diretamente ao local de trabalho do

empregado, por exemplo, para fazer observações de pessoas ou coisas, que são objeto dos fatos articulados pelas partes nos autos. Nisso consiste a inspeção judicial.

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Portanto, através desses meios de provas acima elencados, o Magistrado irá pautar suas decisões.

O perito contábil em qualquer trabalho que venha desenvolver terá acesso a todos os documentos necessários para a elaboração do laudo pericial, inclusive, em alguns casos, poderá solicitar o depoimento dos envolvidos, conforme consta no Código de processo Civil – CPC, art. 429.

Para Zanna (2005) são áreas em que se aplica a perícia contábil:

 Na contabilidade: onde é feita em lançamentos, livros fiscais, balanços e qualquer tipo de escrituração em que as partes litigantes deem o nome de contabilidade. A perícia contábil, por mais estranho que possa parecer aos leigos, é feita inclusive sobre empresas ou atividades que não dispõem de contabilidade ou dela estão dispensadas.

 Nas finanças: neste caso a perícia é feita sobre contratos de empréstimos, de

leasing, contratos de seguros dentre outros. Quando ocorre litígio sobre

juros, encargos financeiros, etc.

 Na administração de empresas: onde a perícia está relacionada com atividades comerciais como compras, vendas, ou ainda quando relacionadas a condomínios, direitos autorais, royalties, e ainda incluem neste rol as perícias em igreja, escolas, clubes, dentre outros.

 Na área trabalhista: é exercida junto a Justiça do Trabalho, iniciadas nas Juntas de Conciliação e Julgamento, embora o caso possa chegar ao Superior Tribunal do Trabalho, e versa sobre questões havidas entre empregados e empregadores. A maior parte das questões na perícia trabalhista se refere a assuntos de salários ou ordenados, horas extras, férias, aviso prévio, indenizações, comissões e dispensas.

 Na área fiscal: atua-se na revisão das contas e os procedimentos adotados pela empresa perante o fisco, federal, estadual e municipal. .

E quanto às provas nos litígios judiciais, esta é uma parte de suma importância dentro dos processos, pois é com base nas provas que o juiz irá formar suas convicções a respeito dos fatos relatados nos autos. Dentre todos os tipos de provas acima explicitadas, a perícia é um tipo de prova na qual o magistrado precisará de um profissional que dará o suporte necessário à sua tomada de decisão.

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2.2 CONCEITO DE PERÍCIA

Conforme Alberto (2010) a perícia existe desde o começo da humanidade, quando essa começou, a reunir-se em sociedade, iniciou-se assim o processo civilizatório. No qual, aquele que tinha maior poderio, físico ou intelectual, comandava a sociedade primitiva, no caso o perito, juiz, legislador e executor ao mesmo tempo, já que examinava (na sua ótica), julgava, fazia e executava as leis. É notório que não era a perícia ainda, mas o embrião básico correspondente ao exame de situação, coisa ou fato.

Segundo Lopes de Sá (2004), a necessidade de se verificar a verdade dos fatos, já se manifestava entre os sumérios-babilônicos. Também descobriram-se indícios na índia do surgimento do árbitro eleito pelas partes, e este desempenhava o importante papel de perito e juiz ao mesmo tempo.

“Encontram-se ainda outros vestígios de perícia nos antigos registros da Grécia e do Egito, com o surgimento das instituições jurídicas, onde o cidadão buscava as pessoas especializadas.” (MÜLLER, ANTONIK E JUNIOR, 2008, p.26). Afirmando assim, desde os primórdios, o anseio da sociedade em se ter um profissional apto a julgar suas causas com precisão. Pois como define Sá (2004), a expressão Perícia advém do Latim: Peritia, na qual significa em seu sentido próprio Conhecimento, bem como Experiência.

“Perícia é um instrumento especial de constatação, prova ou demonstração, científica ou técnica, da veracidade de situações, coisas ou fatos” (ALBERTO, 2010, p.3). Portanto é possível constatar que a perícia é uma ferramenta importante e confiável para àqueles que dela necessitam.

Neste estudo são apresentados quatro tipos de perícia contábil, que serão expostos os conceitos de forma particularizada segundo os autores, conforme segue:

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2.2.1 Perícia judicial

Alberto (2010) descreve que perícia judicial é aquela realizada dentro dos procedimentos do Poder Judiciário, por determinação, requerimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa segundo regras legais específicas.

“A Perícia Judicial foi introduzida pelo Código de Processo Civil de 1939, em seus arts. 208 e 254, que regulam a perícia, nomeação do perito pelo juiz e indicações pelas partes” (MÜLLER, ANTONIK E JUNIOR, 2008, p.26).

O conceito de perito judicial é descrito através do seguinte trecho:

Perito Judicial é o auxiliar da Justiça, pessoa civil, nomeado pelo juiz ou pelo tribunal, devidamente compromissado, assistindo-o para realizar prova pericial consistente em exame, vistoria ou avaliação, valendo-se de conhecimento especial, técnico ou científico (MÜLLER, ANTONIK E JUNIOR, 2008).

De acordo com Sá (2010) a perícia judicial visa servir de prova, elucidando o Magistrado sobre assuntos em questão que merecem seu julgamento, e se torna indispensável quando o que se discute depende de apreciação especializada.

2.2.2 Perícia semijudicial

Para Alberto (2010) a perícia semijudicial é realizada por meios políticos, ou seja, fora do Poder Judiciário, sendo que sua finalidade é ser meio de prova nos ordenamentos institucionais usuários.

Neste tipo de perícia é possível perceber a semelhança com a perícia judicial, contudo diverge no que diz respeito ao lugar onde será conduzida. Pois a Judicial se dá no âmbito do Poder Judiciário, já a perícia semijudicial, se dá fora do ambiente judiciário.

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2.2.3 Perícia extrajudicial

De acordo com Müller, Antonik e Junior (2008), perícia extrajudicial é aquela realizada fora do judiciário, por vontade das partes. Seu objetivo poderá ser: demonstrar a veracidade ou não do fato em questão, discriminar interesses de cada pessoa envolvida em matéria conflituosa; comprovar fraude, desvios e simulações.

Segundo Alberto (2010), a perícia extrajudicial é aquela realizada fora do estado, por necessidade e escolha de entes físicos e jurídicos privados, no sentido estrito, ou seja, não é submetida a outra pessoa para arbitrar a matéria conflituosa.

2.2.4 Perícia arbitral

Alberto (2010) relata que a perícia arbitral nada mais é do que aquela perícia realizada no juízo arbitral, na qual é a instância decisória criada por vontade de ambas as partes.

É a perícia realizada por um perito devidamente registrado no seu respectivo órgão de classe, e, embora não seja judicialmente determinada, tem valor de perícia judicial, mas natureza extrajudicial, pois as partes litigantes escolhem as regras que serão aplicadas na arbitragem. No que diz respeito à arbitragem do processo, os autores afirmam que:

A arbitragem é, portanto, um método extrajudicial para solução de conflitos, cujo árbitro desempenha função semelhante à do juiz estatal. Embora a arbitragem fosse prevista no Código Civil Brasileiro de 1916, apenas no ano de 1996 a Lei 9.307/96, definitivamente institui a mediação e arbitragem no Brasil. A Lei, também chamada de Lei Marco Maciel, confere as decisões arbitrais a mesma força das sentenças estatais, fazendo crescer o peso e a responsabilidade do perito arbitral (MÜLLER, ANTONIK E JUNIOR, 2008, p.28).

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2.3 PERÍCIA CONTÁBIL.

Segundo Alberto (2010) a perícia contábil é uma ferramenta técnico -científico de constatação, prova ou demonstração quanto à verdade de casos ou fatos provenientes das relações, efeitos e haveres que manam do patrimônio de quaisquer entidades.

Para Fonseca ET AL. (2000) a Perícia contábil tem como objetivo fundamentar as informações demandadas, mostrando a veracidade dos fatos de forma imparcial e merecedora de fé, tornando-se meios de prova para o juiz de direito resolver as questões propostas.

A seguir, Alberto (2010) cita os objetivos da perícia contábil, aqueles segundo por sua experiência profissional considera que seja a finalidade que se persegue:

 a informação fidedigna;

 a certificação, o exame e a análise do estado circunstancial do objeto;

 o esclarecimento e a eliminação de dúvidas suscitadas sobre o objeto;

 o fundamento científico da decisão;

 a formulação de uma opinião ou juízo técnicos;

 a mensuração, a análise, a avaliação ou o arbitramento sobre o quantum monetário do objeto; e

 trazer à luz o que está oculto por inexatidão, erro, inverdade, má-fé, astúcia ou fraude.

Zanna (2005) diz que o objetivo da perícia contábil é apresentar a verdade dos fatos econômicos, comerciais, e trabalhistas, dentre outros, segundo os casos de cada um, e também de acordo com o que está sendo discutido na Inicial apresentada pelo reclamante.

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2.4 A PERÍCIA CONTÁBIL EM AÇÕES TRABALHISTAS

Na área trabalhista, a perícia contábil, lida com duas pessoas: o empregado, que na grande maioria dos litígios existentes nas varas de trabalho, também chamado de autor ou reclamante, e o empregador, chamado de réu ou reclamado. O Processo Trabalhista busca manter os direitos equalizados nessas situações, pois quase sempre o empregador vai deter mais poder sobre o empregado, seja ele social ou econômico. E é por isso que, nessas situações o reclamante recorre a Justiça do Trabalho, para que a Lei possa dar a ele „proteção‟, amparo legal.

O papel do perito contador no processo trabalhista começa de acordo com Zanna (2005) quando for dada a sentença pelo juiz, na qual decide os direitos que o empregado terá. Porém esses direitos só podem ser conhecidos mediante cálculos dos direitos sentenciados. Nos casos em que não acontece o acordo entre as partes, ou seja, o empregador não aceita os cálculos apresentados pelo empregado e vice-versa, surge, neste momento, a dúvida no Magistrado, e a sentença que define o valor sentenciado pelo juiz, dependerá de perícia contábil. Essa fase chama-se, perícia contábil em matéria trabalhista.

Ainda Zanna (2005) diz que, como o réu, por natureza é mais organizado, por ser responsável por uma entidade, tem a obrigação de manter os registros referentes a seus empregados. E nesse caso cabe ao perito buscar na documentação e na escrituração contábil do mesmo, as informações necessárias para cumprir seus objetivos.

Segue abaixo conceitos que vão servir para embasar a elaboração de cálculos trabalhistas e informações sobre o rito processual e o momento que o juiz pode nomear o perito, quer como calculista das partes, como perito do Juízo ou assistentes técnicos, até a entrega do laudo, que define o “término” do trabalho do perito, desde que não venha o laudo do perito, ser impugnado.

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2.4.1 Contrato de Trabalho

O contrato de trabalho está definido na CLT no art. 442: “Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego”. As características do contrato de trabalho podem ser, segundo Saraiva (2005, p. 78), “[...] de direito privado, informal, bilateral, intuitu personae em relação ao empregado, comutativo, sinalagmático, consensual, de trato sucessivo ou de débito permanente, oneroso”.

A CLT não exige forma especial para o contrato de trabalho, podendo ser verbal ou escrito, decorrente de acordo tácito ou expresso. O ajuste expresso escrito é quando há um contrato escrito de trabalho, para que não restem dúvidas quanto à duração do contrato. Já o acordo tácito é caracterizado pela inexistência de palavras escritas ou verbais. O contrato tácito é encontrado na prática nos casos de subemprego, situações em que nada é formalizado, porém, os elementos típicos da relação de emprego estão presentes.

2.4.2 Reclamação Trabalhista

Na maioria dos casos o empregador vai terá mais poder sobre o empregado, seja ele social ou econômico. É por isso que nessas situações o trabalhador recorre a essas ações na justiça do trabalho para que a Lei possa dar a ele o amparo legal necessário.

Segundo Pont (1993), no decorrer do contrato de trabalho, podem ocorrer divergências sobre algumas verbas devidas, na visão do empregado, e a paga pelo empregador. Novamente, (Pont 1998) diz que nessa ocasião o empregado teria direito de contestar a reparação de que se julga merecedor, para o que recorre a proteção do estado, aqui representado pela Justiça do Trabalho. Na maioria das vezes, o ingresso com uma reclamação trabalhista implica que o empregador proceda a demissão do reclamante.

O procedimento adotado, para se ter uma ação trabalhista, está oficializada no seguinte trecho:

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As reclamações coletivas, a seu turno, dentre as quais se destaca o dissídio coletivo, devem ser propostas junto aos Tribunais Regionais do Trabalho (art. 677, da CLT), que passam a ser a 1ª instância dos referidos processos, incumbindo-lhes a eventual execução derivada da sentença normativa prolatada (PONT, 1993, p.14).

Essas ações decorrem por haver muitos pontos conflitantes na legislação trabalhista, como, na interpretação da lei salarial, na integração de horas extraordinárias laboradas, no repouso semanal remunerado, férias e 13º salário entre outros. Para isso faz-se necessário o perito proceder análise de todas as informações do processo, como a petição inicial, as contestações e documentos como os cartões de ponto e a convenção coletiva do trabalhador, por exemplo.

2.4.3 Fases do Processo Trabalhista

O processo trabalhista em situação normal tem duas etapas básicas, as quais são, a fase de conhecimento e a fase de liquidção.

O processo de conhecimento tem início com o ajuizamento da ação, prosseguindo pela fase de instrução e logo após tem-se o julgamento, que é dado após se esgotarem todos os recursos possíveis.

Encerrado a etapa inicial de estudo do processo, tem-se a fase de liquidação de sentença, cujo objetivo é converter o que foi sentenciado na ação, em numerários bem definidos.

Figura 1: Fluxo Básico da Reclamação Trabalhista

PETIÇÃO INICIAL é onde o reclamante indicará contra quem reclama (réu) apresentará as razões da reclamação e formulará o seu pedido, quando possível com valores líquidos.

Recebida a inicial, a justiça autuará os documentos, formando o processo trabalhista. Após, notificará o reclamado, enviando cópia da inicial e designando data para a realização da audiência inicial.

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Audiência inicial: a) a ausência injustificada do reclamante, provocará o arquivamento do processo; b) a ausência injustificada do reclamado, implicará revelia, vale dizer, poderão ser consideradas verdadeiras as alegações contidas na inicial.

Na fase de instrução, as partes poderão indicar testemunhas, solicitar perícias (médicas, de segurança, econômicas ou contábeis), com intuito de produzir provas. Poderão, as perícias, ser indeferidas pelo juiz.

Com base nos elementos juntados aos autos, ou seja, pedido inicial, contestação, provas testemunhal e/ou pericial, e não tendo conciliação, o juiz prolatará sentença.

Alternativas das partes frente à sentença da justiça:

- havendo acatamento da sentença, sendo parcial ou total, inicia-se a liquidação da sentença, visando a execução;

- havendo acatamento da sentença e tendo esta declarado improcedente o pedido, arquiva-se o processo;

- em não sendo acatada a sentença de 1º grau, por uma ou ambas as partes, deverá ser interposto recurso ordinário perante o TRT.

Alternativa das partes frente à decisão (acórdão) do TRT:

- em havendo acatamento do acórdão, retornam os autos a justiça para que o processo siga seu curso normal, ou seja, inicia-se a fase de liquidação de sentença ou arquiva-se o processo, conforme o caso;

- em não sendo acatado a sentença de 2º grau, restará às partes ingressarem com recurso de revista junto ao TST.

Tendo sido realizado a liquidação de sentença visando à execução, e essa concluída, arquiva-se o processo. Sendo aquela frustrada, será feita uma tentativa de apontar bens do réu para se levar a leilão, com o objetivo de ressarcir o reclamante e os demais credores do processo.

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Fonte: Pont (1998)

2.4.3.1 Da Petição Inicial

É uma das peças que compõe um processo judicial, e é através da mesma que o autor da ação relata à justiça a sua pretensão no processo.

A petição inicial é a materialização da pretensão à prestação jurisdicional. Manifesta a vontade da pessoa no sentido de propor uma ação e contém o articulado pelo qual se pleiteia a declaração de um direito ou de uma relação de direito e sua proteção cautelar; ou a constituição de uma situação jurídica; podendo culminar com o pedido da aplicação de uma sanção (condenação) contra quem violou o direito do autor (ALMEIDA, 1991, p.23).

De acordo com Almeida (1991) a petição inicial é de suma importância, pois é a afirmação mais convincente do princípio dispositivo, e, por consequência, torna a perda de direito de acusar futuramente. E significa, para o réu, a garantia de que as regras do jogo não irão mudar, o demonstra uma lealdade processual.

Em suma, a petição inicial serve para que o autor possa apresentar sua pretensão aos órgãos judiciários trabalhistas, para que haja uma solução neste conflito de interesse.

2.4.3.2 Da Defesa do Reclamado

Também chamada de contestação, a defesa do reclamado consiste na defesa que o réu irá fazer com relação ao que o autor pediu na inicial, é a peça processual em que o reclamado se opõe a pretensão do reclamante.

Gonçalves (1995) comenta que no processo trabalhista, existem várias modalidades de se apresentarem a resposta do reclamado, uma delas é a

Tendo sido exitosa a execução, seja pelo pagamento dos créditos trabalhistas por parte do reclamado, seja pelo resultado do leilão, remetem-se os autos ao Arquivo Geral, onde deverão ser guardados pelo prazo de 5 anos.

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contestação, que é por meio da qual que o réu impugna o processo e a pretensão do reclamante.

Para Pont (1993), a defesa do mérito é a defesa contra a ambição da reclamante, por meio da qual o reclamado objetiva uma sentença que rejeite a pretensão trazida em juízo.

Contudo, é nessa fase que o reclamado contestará o mérito do pedido, ou seja, no que foi pedido na petição inicial. Ao réu cabe discutir o fundamento da pretensão do autor, cabendo-lhe ainda o poder de pedir a rejeição da demanda e também o de participar do processo, com vistas à rejeição do pedido do autor.

2.4.3.3 Perícia na Fase de Instrução

Denomina-se de instrução a fase do processo destinada à produção das provas. Abre-se logo após a primeira proposta de conciliação, que, obviamente, resultou negativa, e se não há qualquer questão processual a ser resolvida (ALMEIDA, 1991, p.111).

O trecho abaixo irá ilustrar os aspectos formais da perícia:

É cada vez mais frequente, dada a complexidade e abrangência trabalhista, o juiz necessitar de provas periciais, que destinam-se a demonstrar a existência de fato ou de situações técnicas que exigem conhecimentos específicos, com a finalidade de orientar-lhe a formar sua convicção a respeito da controvérsia entre partes. Essas provas periciais são realizadas por peritos nomeados pelo Juiz, facultando-se às partes a indicação de assistentes técnicos e a formulação de quesitos (perguntas) (PONT, 1993, p.24).

O magistrado tomará sua decisão com base aos fatos e circunstâncias contidos nos autos do processo, quanto mais bem fundamentado (com provas, documentos) estiver esse processo, melhor será para o autor convencer o juiz daquilo que relatou na petição inicial.

As partes devem, conforme o caso, provar os fatos constitutivos (reclamante) e os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos (reclamados) (CLT, art. 818).

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Segundo D‟Auria (1962), apud Alberto (2010), a função pericial torna-se necessária, ressaltando que não raras vezes entram em litígio partes interessadas em determinados negócios, e dada a oposição de interesse , cada uma defende critério próprio harmonizando à sua conveniência. Surgem dúvidas de interpretações que somente podem ser apreciadas por uma pessoa imparcial contendo o adequado conhecimento do assunto, têm-se então o exame pericial. O art. 420 do CPC descreve que a prova pericial consiste em exame realizada por um perito acerca de móveis, semoventes, pessoas, livros comerciais, documentos e papéis em geral. Com relação às provas periciais contábeis, realizadas na fase de instrução, tem o papel de apurar as evoluções salariais e levantar eventuais diferenças em que deveria ter sido paga ao funcionário (Reclamante). Outro objetivo da chamada perícia contábil, é apurar o valor exato de horas extras que teria direito o Autor ou as comissões sobre vendas, comparando-as aos valores pagos pelo Empregador.

2.4.3.4 Perícia na Fase de Liquidação

No trecho abaixo, o autor mostra a definição da perícia na fase de liquidação da sentença:

a liquidação de sentença é o processo em que se estabelece valor para cada parcela deferida na sentença, quando a mesma é ilíquida. Assim, antes de executar a sentença condenatória se faz dispensável a limitação e certeza do direito deferido, bem como a fixação do seu valor (ARAGÃO, 1996, p.166).

É nessa fase do processo que se estabelece valor para cada parcela deferida na sentença pela magistrada. Sem a liquidação, nem o autor saberia quanto receber nem o réu quanto deveria pagar.

Teixeira (1996) apud Pont (1998) declara que a liquidação é um pressuposto efetivo para que a sentença se torne realizável, pois é por meio dela que irá fixar, quantitativamente, a obrigação decorrente do título executivo judicial. Sem a liquidação, nem o autor saberia quanto receber nem o réu saberia quanto deveria pagar.

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Diante disso, é possível perceber a importância de uma fase em que há a quantificação da dívida, nos casos em que a sentença limitar-se a trazer a existência do direito a favor do reclamante, sem fixar-lhe o valor apropriado.

2.4.4 Principais Verbas Trabalhistas

Serão abordados neste tópico, conceitos e fundamentos no âmbito trabalhista, os quais serão utilizados no estudo de caso abordado no próximo capítulo. Esses itens serão abordados no estudo de caso como sendo verbas causadoras de litígios trabalhistas.

2.4.4.1 Jornada de Trabalho

A jornada de trabalho é o tempo em que o empregado fica à disposição do patrão, nesse período pode-se estar trabalhando ou simplesmente aguardando ordens de seu empregador. Com relação a jornada de trabalho, o autor conceitua da seguinte forma:

é o lapso temporal diário em que o empregado se coloca à disposição do empregador em virtude do respectivo contrato. É, desse modo, a medida principal do tempo diário de disponibilidade do obreiro em face de seu empregador como resultado do cumprimento do contrato de trabalho que os vincula (DELGADO, 2006, p.830).

A Constituição Federal de 1988, no capítulo dedicado aos direitos sociais, se posiciona como segue:

“Art. 7º são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhora de sua condição social:

(...)

XIII – duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”.

De acordo com Lima (1990, p.102/104) apud Pont (1998) a duração da jornada de trabalho é fixada no limite máximo, ficando a critério das partes

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convencionarem duração inferior a esse limite. A lei, com isso, visa preservar o descanso dos trabalhadores, assim, estabeleceu a duração máxima de oito horas (por dia) e no máximo de seis dias por semana com um mês de férias por ano trabalhado. Porém nada impede que se adote jornadas inferiores, como acontece com algumas categorias, como bancário, que utilizam jornadas de 30 horas (semanais), telefonistas e operadores cinematográficos que fazem jornadas de 36 horas (semanais). Existem ainda, aqueles empregados excluídos da jornada de trabalho, que são os domésticos, os gerentes e os vendedores externos, pois seria praticamente impossível a comprovação de horários, seja por fixação de cartão ponto no caso do vendedor externo ou pelas horas de trabalho confundidas com as de lazer, no caso dos domésticos.

Em suma a carga horária de trabalho diária corresponde ao somatório das horas laboradas durante o dia, em que não poderá exceder a 8 horas de trabalho, com intervalo para refeição e descanso, chamado de intervalo intrajornada. Do Quadro 1, a seguir, a jornada de trabalho que poderá ser adotada diária ou semanalmente é exemplificada:

Quadro 1: Jornada de Trabalho Diária Ou Semanal Dias da semana Sem Acordo de Compensação Horas Minutos Alternativa Horas Minutos Com Acordo Horas Minutos Seg. 7 20 8 - 8 48 Ter 7 20 8 - 8 48 Qua 7 20 8 - 8 48 Qui 7 20 8 - 8 48 Sex 7 20 8 - 8 48 Sab 7 20 8 - 0 0 Total em minutos 7hX6=42h 42hX60m=2520m 20x6=120 8x5=40h 40hX60m =2400m 48X5=240 m Total em horas 2520m+120m= 2640m:60=44h 44H 2400m+240m = 2640:60=44h Fonte: COAD (2005-2006)

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Para ser cumprido àquilo que relata a Constituição Federal de 1988 com relação a jornada de um trabalhador normal, no caso o cumprimento de no máximo 44 horas semanais ou 8 horas diárias, o quadro 1 mostra duas formas em que poderá ser cumprido essa jornada. A primeira jornada é laborada de segunda-feira ao sábado, sendo cumprindo 7 horas e 20 minutos por dia totalizando 44 horas na semana. Já na outra jornada, deverá ter um acordo entre as partes para que se cumpra uma jornada a cima de 8 horas diárias, o que é proibido pela CF/88, salvo se houver acordo coletivo para tal procedimento.

2.4.4.2 Horas Extraordinárias

Para Salem (2004) hora extra pode ser considerada como a hora laborada que extrapola o horário normal de trabalho. Em se tratando da maioria dos casos, 8 horas diárias ou 44 semanais consistem na jornada normal, de acordo com a Carta Magma citado anteriormente. Ou, no caso de horários reduzidos como o de bancário, telefonista, onde é considerada extra, a hora prorrogada além das 6 horas diárias e não além das 8 horas.

Com relação às horas extraordinárias, a Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, art. 59, informa que: “A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho”.

Contudo Pont (1998, p.205) relata que é licito ao empregador estabelecer jornada maior do que oito horas diárias para compensar o dia de sábado. Todavia é indispensável que seja feito um acordo expresso entre o funcionário e o empregador, garantindo o aceite do empregado. Inexistindo este contrato, as horas que extrapolarem a oitava diária, mesmo que não supere a jornada semanal de 44 horas, são devidas como hora extra.

A Constituição Federal de 1988, diz que “a remuneração do serviço extraordinário, deverá ser paga no mínimo, em cinquenta por cento à do normal”.

Dessa forma Pont (1998) relata que partindo da remuneração do empregado, verifica-se o divisor que deverá ser adotado, que varia de acordo

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com a categoria profissional do empregado ou com acordos coletivos ou ainda pela jornada em que o empregado foi contratado, para obter-se o valor da hora normal. Ao valor da hora será acrescentado o adicional de 50%.

A seguir, será apresentado exemplos práticos de cálculos de horas extras.

a) Se um empregado que trabalhou 10 horas extras durante o mês com seu salário base de R$ 1.100,00, e trabalhando 44 horas semanais, o valor de suas horas extraordinárias será calculado da seguinte forma:

Salário Hora: [R$ 1.100,00] = R$ 5,00 220 h

Hora Extra: R$ 5,00 x 50% = R$ 2,50

Total das horas extras: (R$ 5,00 + R$ 2,50) x 10 HE = R$ 75,00

b) No caso de um empregado ter laborado 22 horas extras no mês, recebendo salário base de R$ 1.000,00 e mais Gratificação por Tempo de Serviço de R$ 80,00/mês, trabalhando 44 horas semanais, o total de extras que irá receber será de:

Hora Extra: [R$ 1.000,00 + R$ 80,00 ] x 1,5 x 22 HE = R$ 162,00 220 h

2.4.4.3 Intervalo Intrajornada

Almeida (2008) relata que intervalo intrajornada é o período período dentro da jornada normal de trabalho com a finalidade de alimentação e descanso, em que o empregado não presta serviços. Nesse sentido, existem dois tipos de intervalos intrajornada, ou seja, que são feitos dentro da própria jornada de trabalho. De acordo com o artigo 71 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), os empregados que trabalham de seis a oito horas têm o direito a um intervalo de no mínimo 1 (uma) hora e no máximo de 2 (duas) horas. Já o § 1º desse mesmo artigo determina um intervalo de 15 minutos àqueles empregados

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que cumprem de quatro a seis horas no labor. Salientando que ambos os intervalos acima citados, não integram a jornada de trabalho, portanto não se considera como tempo de serviço.

Com relação ao empregado que não tiver esse intervalo dado pelo empregador, o trecho abaixo traz o seguinte:

Essa hora de intervalo há que ser paga como extra, mesmo que não importe em extrapolação diária ou semanal da jornada normal. Caso contrário, o § 4º do art. 71 da CLT seria inócuo, não teria razão de ser, já que as horas extras além da 8ª diária ou além da 44ª semanal já vêm assinaladas como extras nos arts. 58 e 59 da CLT e 7º, XIII, da CF/88. Assim, se o empregado trabalhar 8 horas por dia ou até mesmo 7 horas por dia e não obteve o intervalo, essa hora de intervalo trabalhada deverá ter o acréscimo de 50% (cinqüenta por cento) no mínimo (SALEM, 2004, p.64).

De acordo com Orientação Jurisprudencial (OJ) nº 307 da SDI-1 do TST dispõe que:

Após a edição da Lei nº 8.923/1994, a não concessão total ou parcial do intervalo intrajornada mínimo, para repouso e alimentação, implica o pagamento total do período correspondente, com acréscimo de, no mínimo, 50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho (art. 71 da CLT)

No caso de o empregador conceder somente 30 minutos de intervalo para os empregados que têm direito a 1 (uma) hora, no mínimo, não terá somente que arcar com os 30 minutos restantes, mas sim com 1 (uma) hora integral, junto com o adicional de 50% no mínimo.

2.4.4.4 Aviso Prévio

Fonseca (2009) descreve que aviso prévio é o direito mútuo entre o empregador e o empregado, de precaverem à parte contrária que não há mais interesse de continuar com o contrato de trabalho vigente. Nessa circunstância, o empregador que demite o empregado, assim como o empregado que pede demissão, deverá oferecer o aviso prévio à outra parte interessada.

Godinho (2006, p.1170) explica que:

O aviso prévio é instituto provindo do campo civil e comercial do Direito, inerente aos contratos de duração indeterminada que permitam sua terminação pelo simples exercício da vontade unilateral das partes; o

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pré-aviso desponta, nesses casos, como mecanismo atenuador do impacto da resilição, conferindo ao contratante surpreendido certo prazo para se ajustar ao término do vínculo.

Atualmente com a nova Nota Técnica nº 184/2012/CGRT/SRT/TEM, que esclarece lacunas da Lei 12.506/2011, no qual abrangem todos os tipos de trabalhadores, o aviso prévio terá uma variação de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias, de acordo com o tempo de serviço que o empregado prestou à mesma empresa ou empregador. Baseado na Nova Técnica, o aviso terá acréscimo de 3 (três) dias a cada ano trabalhado.

A CLT estabelece dois tipos de avisos prévios: o trabalhado e o indenizado. O aviso prévio trabalhado é aquele na qual o em pregado irá cumprir suas obrigações para com a empresa, se valendo de duas alternativas, a primeira com redução diária de duas horas e a segunda consiste em o empregado deixar de trabalhar nos últimos 7 dias de aviso prévio, laborando , contudo, o período anterior sem a redução das duas horas já mencionadas anteriormente.

Salem (2004) descreve o aviso prévio indenizado como sendo de “no caso o empregador querer dispensar o trabalho do funcionário no prazo do aviso, ele indenizará o período do aviso ao empregado”. Ocorre tanto na situação em que o empregador não tem mais o interesse em manter o funcionário em serviço no período do aviso, escolhendo, dispensá-lo de imediato, pagando-lhe o valor correspondente ao período, quanto na situação em que o empregado não deseja mais cumprir seu contrato, sendo descontado, portanto, um mês de seu salário fixo.

Em suma o aviso prévio é a obrigação de uma parte avisar a outra sobre a quebra do contrato, ou seja, o fim do vínculo empregatício. Portanto um fator necessário para se ter o aviso é a surpresa na recisão contratual, se não há surpresa na quebra, não tem o porque avisar com antecedência a outra parte da ruptura do vínculo.

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2.4.4.5 Décimo Terceiro Salário

Pode-se dizer que o 13º salário, ou também conhecido como Gratificação Natalina, é uma gratificação paga anualmente e visa propiciar aos trabalhadores um natal com maior fartura e ao mesmo tempo desenvolver a atividade econômica através do aumento das vendas no período de festas natalinas. Foi criado pela Lei nº 4.090/62, regulamentada pelo Decreto nº 57.155/65. Pont (1998, p.136) cita a Lei nº 4.090/62 que institui a Gratificação de Natal para os Trabalhadores nos seguintes termos:

Art. 1º No mês de dezembro de cada ano, a todo empregado será paga, pelo empregador, uma gratificação salarial independentemente de remuneração a que fizer jus.

§ A gratificação será 1/12 avos da remuneração devida em dezembro, por mês de serviço, do ano correspondente.

§ A fração igual ou a 15 (quinze) dias de trabalho será havida como mês integral para os efeitos do parágrafo anterior.

Art. 2º As faltas legais e justificadas ao serviço não serão deduzidas para os fins previsto no § 1º, do art. 1º desta Lei.

Art. 3º Ocorrendo recisão, sem justa causa, do contrato de trabalho, o empregado receberá gratificação devida nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º desta lei, calculada sobre a remuneração do mês da recisão.

A CF/88 garante no art. 7º, inciso VIII, que se trata de décimo terceiro salário, sendo devido ao empregado urbano e rural, doméstico, avulso, servidor público, pago proporcional na admissão ou demissão e integral se o trabalhador cumpriu doze meses de trabalho. O valor proporcional é pago na fração 1/12 por mês trabalhado sendo igual ou superior a quinze dias trabalhados.

De acordo com a Lei 4.749/65, que trata sobre o pagamento do 13º salário, a 1º parcela pode ser paga ao trabalhador entre os meses de fevereiro a novembro. Já a 2º parcela deve ser quitada até o dia 20 de dezembro do mesmo ano. Terá direito ainda de receber o adiantamento da 1º parcela junto com suas férias, desde que requeira essa parcela no mês de janeiro do mesmo ano.

Para Delgado (2006) essa gratificação tem natureza salarial, portanto é devida em todas as situações de quebra de contrato, contudo, rompendo o contrato antes do mês de dezembro, a parcela é devida proporcionalmente aos meses laborados no respectivo ano, chamado de 13º salário proporcional.

De acordo com o exposto acima, o funcionário que não laborou o ano todo, seja porque foi admitido com o ano em andamento, ou porque foi demitido

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antes de dezembro, terá direito ao décimo terceiro salário proporcional aos meses que efetivamente trabalhou no ano.

2.4.4.6 Férias e terço Constitucional

A Constituição da República Federativa do Brasil e a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) garantem aos empregados o gozo de férias anuais remuneradas com adicional de um terço a mais do que o salário normal, o chamado terço constitucional de férias.

Para Carrion (1997) apud Pont (1998) consiste nos 30 dias corridos de férias, pagamento em dobro quando a mesma for gozada a destempo, fixação judicial diante da omissão, férias coletivas possíveis, direito de receber em dinheiro parte do período não gozado, tudo isso contido na CLT, dos arts. 132 a 153. Já a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 assegura o direito ao pagamento de um terço a mais da remuneração normal junto com as férias.

A CLT em seu art. 130 nos remete que a concessão das férias será condicionada ao número de faltas injustificadas conforme segue: 30 dias de férias quando tiver de 0 a 5 faltas; 24 dias de férias quando tiver de 6 a 14 faltas; 18 dias de férias quando tiver de 15 a 23 faltas; 24 a 32 faltas = 12 dias de férias; mais de 32 faltas não há direito a férias.

É possível concluir então que as férias é um período em que o empregado tem o direito a ausentar-se do trabalho, desde que tenha completado um ano no emprego, e então será gozado sempre no ano seguinte ao ano em que completou os 12 meses de trabalho com remuneração normal e mais um terço.

2.4.4.7 Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço

Segundo Salem (2004) o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS é nos dias atuais uma garantia ao trabalhador que não possui a

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estabilidade em seu vínculo empregatício. Consiste nos depósitos no valor de 8% no qual é calculado sobre a remuneração do empregado, onde o empregador tem de depositar até o dia 7 de cada mês subsequente ao mês vencido. O FGTS foi criado pela Lei nº 5.107/96 e é um direito adquirido pela CF/88 aos empregados urbanos e rurais, como consta o no art. 7º, III, da mesma.

De acordo com Pont (1998) em caso de despedida sem justa causa, o empregado tem direito aos valores dos depósitos referentes ao mês da recisão e ao imediatamente anterior que ainda não houver sido recolhido. Serão pagas ao trabalhador também o valor de 40% do montante de todos os depósitos realizados na conta do trabalhador, durante a validade do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescido dos juros. Pont (1998) ainda diz que se considera remuneração, para efeito da incidência do FGTS, o salário base acrescida de horas extras; adicionais de periculosidade, insalubridade e do trabalho noturno; adicional por tempo de serviço; salário família; gorjetas; diárias; 13º salário; dentre outras verbas de caráter remuneratório. No âmbito do processo trabalhista, o FGTS será pedido em duas ocasiões:

a) Quando constatado que não houve recolhimento do FGTS sobre as remunerações pagas pelo empregador durante seu contrato de trabalho, nesse caso a ação é proposta apenas com a finalidade de obter o ressarcimento pelo Fundo não recolhido, através da execução direta em favor do reclamante. Nesse caso sobre as remunerações pagas, incidirá taxa de 8%.

b) Quando não houverem sido pagas verbas salariais, o pedido será no sentido de incluir como parcelas necessárias o FGTS sobre as verbas a serem deferidas. Nesse sentido serão calculadas as verbas como, horas extra, 13º salários, entre outras de caráter remuneratório, com isso, basta incidir sobre o montante encontrado o percentual de 8%.

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3 ESTUDO DE CASO

O presente estudo de caso foi realizado em uma reclamatória trabalhista verídica. Visa exemplificar e descrever as principais etapas de uma perícia trabalhista em um processo judicial, bem como aos procedimentos realizados pelo perito contador das verbas sentenciadas pela juíza. Tendo como ponto de partida a petição inicial, parte esta em que o autor apresenta sua pretensão no processo, aquilo que ele pretende ganhar na ação. Seguindo até a fase de cálculo da liquidação de sentença, o qual o perito contador quantificará o dispositivo sentencial a que o autor tem direito.

3.1 PROCESSO TRABALHISTA

Devido ao fato das partes da ação trabalhista não permitirem que seus dados constassem neste estudo, seus nomes não serão mencionados de forma verídica. Esta ação se dá na 4ª vara do Trabalho de Florianópolis e o litígio diz respeito a determinadas verbas que, segundo o autor, não foram devidamente remuneradas em sua rescisão contratual. O reclamante, Sr. José da Silva, trabalhou durante dois meses como garçom para o réu, Alfa Ltda. (restaurante localizado em Jurerê Internacional) na temporada de verão, por um período de dois meses apenas, sendo contratado em 01/12/2009 e demitido em 17/01/2010.

3.1.1 Da Petição Inicial

De acordo com a petição inicial, conforme (Anexo A) o autor requereu o pagamento das verbas rescisórias (13º proporcional, férias proporcionais, mais 1/3 de férias constitucionais, aviso prévio indenizado e multa de 40% sobre o FGTS).

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Requer ainda, horas extras, FGTS e hora intrajornada, pois trabalhava sem descanso necessário para refeição durante o dia de trabalho. Por fim, o autor solicitou que seja a reclamada condenada ao pagamento da multa prevista no art. 477, da CLT, pois afirma não ter recebido o pagamento das verbas rescisórias em prazo legal.

A Vara do Trabalho emite notificação ao reclamado, juntamente com a cópia da inicial, para que este se manifeste e conteste os pedidos estabelecidos pelo autor.

3.1.2 Da Contestação

A contestação, ou seja, a impugnação da pretensão do reclamante permite ao reclamado apresentar alegações com a qual não concorda com os pedidos do autor. É a peça processual mais conhecida como defesa do réu. Nesse caso, a empresa não apresentou defesa quanto ao pedido do autor na inicial, ocorrendo assim, a figura jurídica denominada de “revelia”.

A revelia é o procedimento em que o réu não se manifesta sobre as alegações que lhe foram impostas pelo reclamante, no prazo legal determinado pela justiça, ficando a determinada ação sem a defesa prévia. O juiz então julgará, sem essa peça do processo.

O artigo 844 da CLT determina que:

“O não comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não comparecimento do reclamado importa em revelia, alem de confissão quanto à matéria de fato”.

Nesse caso, é o procedimento em que o réu não se manifesta sobre as alegações que lhe foram impostas pelo reclamante, no prazo legal determinado pela justiça. Sendo julgado pelo juiz, nesse caso, sem essa peça processual.

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3.1.3 Da Sentença

Considerada a peça mais importante de um processo, a sentença é o ato no qual o juiz decidirá o litígio. Não havendo a conciliação entre as partes, a Vara do Trabalho pronuncia a decisão de 1º grau (ANEXO B). E neste caso em questão, a Magistrada proferiu a sentença de acordo com o referido dispositivo sentencial, na qual é o resumo das verbas a serem pagas ao autor, proferida pela juíza em sua sentença.

DISPOSITIVO SENTENCIAL:

a) horas extras e reflexos;

b) indenização substitutiva pela supressão de intervalo intrajornada; c) aviso prévio de 30 dias;

d) 3/12 de férias acrescidas do terço constitucional; e) 2/12 de gratificação natalina;

f) FGTS de todo o período contratual, acrescido da indenização de 40%. Juros e correção monetária conforme fundamentação.

Para fins de apuração das parcelas deferidas, observa-se como salário, o valor de R$140,00 por dia.

3.1.4 Da Nomeação do Perito

A nomeação de perito judicial (Art. 421 do CPC) foi efetuada pela magistrada, “para liquidação de sentença, nomeio contador “ad hoc” o Bel. João Carvalho, que deverá concluir o trabalho no prazo de vinte dias, especificamente, em 20.08.2010”.

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